sexta-feira, 27 de março de 2020

Capas Legais Episódio 2: Possessed - Beyond The Gates[1986]



O segundo episódio do programa Capas Legais traz o disco Beyond the Gates, lançado pelo grupo americano Possessed em 1986, e cuja capa gatefold abre-se de uma forma diferente, mostrando uma surpreendente pintura. Confira!!


terça-feira, 17 de março de 2020

Cinco Músicas Para Conhecer: Baseada em Fatos Reais



Tragédias, guerras, relacionamentos, ídolos, vários são os artistas que decidiram, através de suas musicas, trazer aos fãs um fato que aconteceu na vida real. No Cinco Músicas Para Conhecer de hoje, pinçamos cinco clássicos do popular mundial que foram baseados em fatos reais.


"American Pie" - American Pie [1971] (Don McLean)

Épico de quase 9 minutos, "American Pie", colocou Don McLean nas paradas internacionais graças a belíssima letra que conta sobre o "Dia Que A Música Morreu". Esse dia é 3 de fevereiro de 1959, quando na  noite fria em Clear Lake, Estados Unidos, Buddy Holly, Ritchie Valens e Jiles "The Big Bopper" Richardson morreram em um trágico acidente de avião. Don era um entregador de jornais que sonhava em ser músico, e quando recebeu os jornais que tinha que entregar no dia 4 de fevereiro, ficou consternado com o que lia em cada jornal entregue nas portas dos nova iorquinos. Desde a tristeza da noiva de Holly, grávida no dia do acidente, passando pelos fatos marcantes na vida de McLean por conta das canções dos três, a canção passa através de inúmeras metáforas alucinógenas que o cantor jamais prestou-se em explicar, mas que deixa claro como a morte dos três causou a perda na inocência do rock dos anos 50, e levou a inspirar toda uma nova geração de roqueiros na década de 60 (Dylan, Stones, Elvis, Beatles, Byrds, ...). A tocante voz de McLean vai nos envolvendo em um rock 'n' roll sensacional, na base do piano, violão, guitarra, baixo e bateria, com um ritmo avassalador e um refrão atemporal, que fizeram da canção um grande clássico. Certamente o maior sucesso na carreira de McLean. Regravado por Madonna e tantos outros, e lançado no segundo álbum do americano e em diversos singles, a maioria com a faixa dividida nos dois lados da bolachinha, como a que ilustra a matéria.

"Smoke On The Water" - Machine Head [1972] (Deep Purple)

O dia 4 de dezembro de 1971 entrou para a história por conta de um incidente que acabou gerando um dos maiores clássicos da música em todos os tempos. Naquele dia, Frank Zappa e os Mothers of Invention apresentavam-se no teatro do Cassino Montreux, quando um fã dentro do teatro resolveu disparar um sinalizador, que atingiu o teto do local, e prontamente, incendiou tudo. O fogo acabou com o equipamento de Zappa e cia., bem como destruiu com o local. Os caras do Deep Purple estavam em Montreux para gravar Machine Head nos estúdios pertencentes ao complexo do qual o Cassino fazia parte, e tinham alugado o famoso Rolling Stones Mobile Studio. No fim da tarde do dia 4, eles descansavam em um hotel de frente ao lago Genebra, de onde viram a fumaça do incêndio sobre as águas do lago. No dia seguinte, Roger Glover (baixo) acordou com o pensamento "Smoke on the Water", e rapidamente, a música e a letra contando sobre o acontecido criaram forma. A história é narrada de forma direta, com os Mothers se apresentando e o estúpido atirando o sinalizador para colocar fogo em tudo. Claude Nobs, proprietário do cassino, aparece enoluquecido tentando salvar as pessoas (ele deu uma grande mão para o Purple terminar o álbum, tanto que é o único a ser agradecido pela banda na capa interna do disco). Graças a Nobs, a banda aluga o Grand Hotel de Montreux, e com o Rolling Truck Stones, os ingleses puderam fazer suas músicas. Simples, direto, clássico, uma aula de como contar uma história em pouco mais de quatro minutos. Algumas imagens do incêndio aparecem na capa interna de Machine Head, onde "Smoke on the Water" foi lançada originalmente, assim como em diversos singles, coletâneas e álbuns ao vivo.

"Hurricane" - Desire [1976] (Bob Dylan)

Uma das mais célebres (e inúmeras) canções baseadas em fatos reais do bardo americano, "Hurricane" destaca-se principalmente pela impecável participação do violino de Scarlet Rivera, que serpenteia com maestria os quase 10 minutos de uma audição inesquecível. Dylan revisita seu passado como trovador elétrico, e narra de forma envolvente e marcante a polêmica prisão do boxeador Rubin "Hurricane" Carter, em 1966. Para quem não conhece a história, em 17 de junho de 1966 "Hurricane" foi preso injustamente, acusado por matar duas pessoas em um bar de Paterson, Nova Jersey.  Dylan narra ferozmente todo o incidente, com detalhes de como se estivesse presenciando o mesmo. Assim, ele conta que o pretendente número um à coroa dos pesos-médios fica envolto em um circo de porcos. Rubin acaba julgado por um júri somente de brancos, e com provas falsas, foi condenado a prisão perpétua, ficando preso por mais de dezenove anos. A canção deu pano para manga, com Dylan fazendo shows para arrecadar fundos pró-liberação de Rubin, e inclusive gerando um filme (The Hurricane, 1999, tendo Denzel Washington no papel do boxeador). O bardo americano foi processado por Patty Valentine (uma das testemunhas do caso) por usar indevidamente seu nome, mas não desistiu de fazer justiça ao campeão até sua libertação, em novembro de 1985. Certamente, é para no mínimo refletir sobre o descaso racial que (ainda) impera nos Estados Unidos e no mundo. Registrada no fantástico Desire, em 1976, e em diversos singles que, assim como "American Pie", contém a faixa dividida em ambos os lados da bolacha.

"Sunday Bloody Sunday" - War [1983] (U2)

Clássico da carreira dos irlandeses, "Sunday Bloody Sunday" narra o horror sentido por um leitor ao ver as notícias do chamado Bloody Sunday (Domingo Sangrento), na cidade de Derry durante o Conflito na Irlanda do Norte (em inglês, The Troubles). Esse conflito entre protestantes (maioria), em favor de preservar os laços com o Reino Unido, e os católicos (minoria), em favor da independência ou integração junto a República da Irlanda, acabou sendo feito a base de armas, e durou mais de 30 anos, a partir do final da década de 60 e encerrando-se em 10 de abril de 1998, com a assinatura do Acordo de Belfast. No dia 30 de janeiro de 1972, domingo, cerca de 10 mil manifestantes caminhavam em protesto pacificamente pelas ruas de Derry, quando soldados ingleses passaram a atirar contra o grupo. 13 pessoas (6 menores de idade) morreram durante o incidente, e um dos 26 feridos acabou falecendo semanas depois. Os detalhes daquele dia não são contados na letra da canção, apenas a visão pensativa do personagem central sobre o quanto a violência torna-se mais valorizada que a vida por motivos fúteis. O ritmo marcial da bateria de Larry Mullen Jr., o riff (sempre) inigualável de The Edge, o baixo estourando as caixas de som, a interpretação emocionada de Bono, e o violino de Steve Wickham tornam a faixa extremamente grudenta, e o refrão é preparado para fazer arenas tremerem. Paul McCartney ("Give Ireland Back To The Irish", 1972) e John Lennon & Yoko Ono ("Sunday Bloody Sunday", 1972), também narram os fatos acontecidos naquele dia, mas nenhum dos ex-Beatles conseguiu impactar tanto o mercado da música e os fãs para o lamentável evento como o U2. Está em War (1983), em diversos álbuns ao vivo e coletâneas, saiu como single (tendo vários lados B) e é uma das faixas essenciais nas apresentações do quarteto até hoje.

"Empire of Clouds" - The Book Of Souls [2016] (Iron Maiden)

A história de tragédia do Titanic não é exclusiva. O maior dirigível do mundo na época, o R101 Airship, sofreu um acidente no seu primeiro voo, em 5 de outubro de 1930, quando saiu de Cardington (Inglaterra) em direção a Karachi (Índia). Próximo a cidade de Beauvaise, França, o dirigível sofreu grandes turbulências durante uma forte tempestade, caiu aproximadamente 300 metros e explodiu logo após atingir o solo, matando 48 dos 54 tripulantes da aeronave. Uma das maiores tragédias na história da aviação, até por que assim como o navio Titanic, o "Titanic dos ares" era considerado inderrubável. A longa introdução surge como um "Overture" para o desenvolvimento, onde piano e orquestra fazem o papel central. Ao longo dos 18 minutos, somos levados pela história do dia do acidente, com os ricaços embarcando pomposos para a viagem até os fatídicos minutos da queda do R101, passando por detalhes da formação da tempestade, as probabilidades da aeronave cair (um milhão para um) e as 48 almas que foram morrer na França. Na parte instrumental, o Iron traz desde a sensação de levantar voo ao som de acordes triunfais até os minutos de tensão, com o S. O. S. do telégrafo no dirigível pedindo socorro e informações sobre a rota da tempestade. Uma canção com um aparato de construção progressiva muito além do que o Iron já havia apresentado, um pouco quanto repetitiva em alguns momentos, mas que não há uma definição específica para o estilo, já que é exclusiva em toda a vasta obra dos ingleses. Lançada em The Book of Souls e também em um belo EP Picture Disc, com uma entrevista de Dickinson ("Maiden Voyage") no lado B contando detalhes da gravação, da história do dirigível, além de imagens do acidente que saíram no jornal Daily Mirror no dia seguinte ao acidente.

Imagens do acidente com o R101

sábado, 7 de março de 2020

Miasthenia / Ifall - Sinfonia Ritual [2019]



O novo álbum do Miasthenia, Sinfonia Ritual, é uma obra icônica e diferenciada. Apresentando releituras de músicas de seus álbuns anteriores, Supremacia Ancestral (2008), Legados do Inframundo (2014) e Antípodas (2017), com ritmos sinfônicos, Sinfonia Ritual cria uma atmosfera única e jamais feita por uma banda de metal em nosso país, realizando um sonho que vem praticamente desde  o início da banda.

Com 25 anos de carreira, o grupo de Extreme Pagan Metal (nunca tinha ouvido falar desse gênero), canta em português letras com temática voltada para a história e mitologia pré-colombiana, as guerras de conquista da América no século XVI e a resistência ameríndia. Assim, com esse tom bastante imponente, uniu-se em maio de 2019 ao produtor Ifall para converter as canções em arranjos orquestrais, e promover o que chamam de "uma jornada épica por ritos ancestrais" através desse projeto idealizado pela Epic Music. A formação conta com Susane Hécate (vocalista e tecladista), Thormianak (guitarrista e baixista) e Nygrom (baterista, session member).


Totalmente instrumental, cada canção tem um determinado conceito relativo a esse período histórico. Sinfonia Ritual tem "Taqui Ongo" abrindo os trabalhos com um ritmo percussivo, seguido por teclados e orquestrações, em uma faixa que poderia se encaixar muito bem em trilhas de filmes como 1492 ou A Missão. Com certeza, a orquestração é a principal atração aqui, em um belo trabalho de teclados feito por Susane. No conceito, é a liberação das huacas (espíritos andinos) contra o cristianismo. "13 Ahau Katun", o tempo marcado pela chegada dos colonizadores cristãos, segue a mesma linha instrumental, com a percussão sinfônica mais presente junto aos teclados, e então, começa a surgir aquela sensação incômoda de que estamos ouvindo a mesma coisa sempre.

"Kayanerehn Kowa" faz a celebração do fim das guerras em rituais que asseguram o equilíbrio e a harmonia entre os povos, em uma faixa onde a flauta se destaca sobre as orquestrações, teclados e ritmos tribais. Quando chegamos na faixa que homenageia as poderosas guerreiras do Rio Amazonas "Coyupuniaras", a mistura sinfônica com teclados já se tornou muito cansativa. Essa particularmente achei a melhor canção do álbum, com uma melodia muito bonita, inserção de vocalizações, a interessante participação de sinos, e um belo trabalho de teclados, e a sua duração - a mais curta das canções do disco, com apenas 4 minutos - ajuda bastante a ela pontuar para a primeira colocação. Por fim "Deuses da Aurora Ancestral" não consegue fazer o álbum crescer, apesar de novamente termos um interessante arranjo orquestral, e após pouco mais de 30 minutos, fica a sensação de que algo não foi bem conduzido no trabalho.


Susane revelou os motivos que fizeram com que essas cinco músicas fossem escolhidas e como Sinfonia Ritual foi concebido: “Esse álbum traz cinco músicas que acreditamos que sintetizam o conceito que inspiram a temática do Miasthenia. Todas essas cinco foram escolhidas também, por terem linhas de teclados mais complexas e que juntas, retratam melhor a carga intelectual e conceitual do Miasthenia e essas faixas, já tinham uma gravação de teclados orquestrados. É importante dizer que esse álbum, Sinfonia Ritual, não é um álbum de Metal, é uma reedição e produzido com músicas da banda por um formato orquestrado. Isso era um sonho nosso desde a gravação dessas músicas, devido à complexidade das linhas melódicas e queríamos ver como isso iria soar de forma orquestrada e ritualística”.

Respondo eu então. O disco funciona na sua forma orquestrada, para quem curte esse tipo de som, certamente irá agradar. Mas, para um cara que nem eu, que não é um adepto a audições sinfônicas com tanta frequência, e que dentre essas audições acaba optando por obras mais conhecidas e tradicionais, fica o fato de que o disco está longe de ser ruim, mas carece de ritmo, ou de um riff, algo que chame a atenção e nos faz querer ouvi-lo de novo. É um álbum bastante épico, bastante inovador, mas bastante cansativo para quem não é iniciado na arte sinfônica. Creio que talvez eu precise amadurecer mais para poder apreciar a obra em sua integridade.

Foi lançado em versão física limitada de 500 cópias, e também no formato digital. Interessados em adquirir uma cópia, basta entrar em contato com as redes sociais da banda (Facebook ou site oficial)  ou pela loja virtual da Mutilation Records. E caso queria conferir digitalmente, Sinfonia Ritual se encontra disponível para audição completa em todas as plataformas digitais.


Tracklist

1. Taqui Ongo

2. 13 Ahau Katun

3. Kayanerehn Kowa

4. Coniupuyaras

5. Deuses da Aurora Ancestral

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Capas Legais Episódio 1 - Long John Silver [1972]



Estreio hoje mais uma coluna aqui no Baú do Mairon. Dessa feita, vou utilizar do canal do youtube da Consultoria do Rock para trazer a você, leitor, um vídeo de um determinado álbum cuja capa é legal. Nesse ponto, a capa legal pode ser uma capa diferente, engraçada, com uma história curiosa, um formato interessante, enfim, diversas possibilidades que vocês irão ver nos próximos meses.

Para começar, Long John Silver, o disco lançado pelo grupo norte-americano Jefferson Airplane em 1972, cuja capa se transforma em uma caixa de charutos. Assista.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Test Drive: Ozzy Osbourne - Ordinary Man [2020]



Com André Kaminski, Fernando Bueno e Mairon Machado

Três de nossos consultores avaliam o mais recente lançamento do Mad Man Ozzy Osbourne, que ocorreu no último dia 20 de fevereiro. Vamos as opiniões sobre Ordinary Man.

André: Só o legado que deixou no Sabbath faria de Ozzy Osbourne inesquecível no mundo da música. Um sujeito pobre, disléxico e sem terminar a escola, ele tinha todas as qualidades necessárias para se tornar mais um fracassado comum no mundo. Mas com tudo isso, ele tinha o sonho de ser um rockstar. Quando conseguiu, as drogas e a pingaiada quase o levaram desse mundo diversas vezes. Mas ele está aí. Velho, doente, mas com um amor incondicional ao mundo da música que o fizeram ser admirado por todos no mundo do rock. E nessas condições é que ele deixa este que muito provavelmente é o seu disco final da carreira. Não é o melhor disco dentre todos os seus da carreira solo. Mas nesse espírito de nostalgia de algumas canções com a modernidade de outras (aquelas com os rappers) temos aqui um disco digno de um sujeito que merece o nosso respeito. Um exemplo é "Straight to Hell" e seus " alright now" remetendo ao Sabbath. Outra preferida foi "Holy for Tonight", uma balada em que as batidas de bateria se sobressaem em um compasso lento e que me lembra outras da própria carreira de Ozzy. Tendo Andrew Watt como seu principal guitarrista, o ex-gunner Duff McKagan no baixo e o Red Hotter Chad Smith na bateria e algumas participações especiais de Slash, Elton John e Post Malone, Ozzy deixa um registro com cara de despedida que é o respiro final de um guerreiro do metal que penou, se fodeu, se deu bem, se fodeu de novo mesmo depois de rico mas que sempre foi fiel aos seus fãs e possui a admiração de todos. Obrigado por tudo, Madman.

Fernando: Toda vez que Ozzy Osbourne anuncia um novo disco cria-se uma grande expectativa. Mesmo que os últimos lançamentos não tenham sido de grande nota notou-se uma certa ansiedade por Ordinary Man por conta das recentes idas e vindas de Mr. Madman dos hospitais para o repouso em sua casa e os cancelamentos de shows. Só fui ouvir o disco depois de ler muitos comentários negativos sobre o disco e não sei se isso me estimulou a tentar filtrar suas qualidades, mas desde já adianto que esse seja melhor que qualquer disco lançado após o bom Ozzmosis (1995). O disco tem alguns fillers óbvios – “Eat Me” é bem ruinzinha – mas várias faixas são bastante dignas de nota como “Straight to Hell”, que inicia em alto nível o disco e “All My Life” que possui um bom solo de guitarra. “Ordinary Man” poderia estar em No More Tears (1991). Possui um clima de crescente intensidade, e uma letra bastante pessoal e a participação de Elton John ficou ótima, pois a letra também serviria para ele perfeitamente, e quando ele canta parece até uma faixa dele mesmo. Certamente é o grande destaque do disco e a faixa que mais ouvi até agora. Porém fica claro a vontade de que esse álbum seja uma despedida de sua carreira e músicas como “Goodbye” e “Under the Graveyard” deixam isso bem Claro. Difícil não pensar que ele esteja não só se despedindo de sua carreira, mas também de sua existência e isso é muito triste. Podemos até mesmo pensar em um paralelo ao Blackstar (2016) lançado por David Bowie alguns anos atrás, apesar que no caso de Starman ele sabia que tinha pouco tempo de vida. Não posso deixar de citar o videoclipe de “Under the Graveyard” que poderia ser até um trailer para uma futura filmografia. Em várias faixas aparecem como uma espécie de vinhetas algumas das frases famosas do Ozzy em seus discos como “All Right Now”, “Going Fucking Crazy”, os inesquecíveis “Ohhh yeah!!” e mais alguns outros, reforçando a ideia de fechar o ciclo de uma carreira fantásticas cheias de sucessos. Até a capa faz alusão à famosa história com o morcego! Não falei de outras participações pois estou sem o disco em mãos e ainda não me aprofundei nisso, mas posso falar da participação de Post Malone e “Take What You Want” é a concessão que Ozzy fez por ter trazido um produtor oriundo do mundo do hip hop. Inclusive o título parece até alguma mensagem para o próprio produtor em uma faixa que poderia até ser lançada separadamente e não dentro do álbum. No geral é um álbum digno que demorou para sair, mas vai agregar à bela carreira do nosso amado Ozzy Osbourne.

Mairon: Confesso que esperava bem menos do novo álbum do Mad Man. O disco me surpreendeu muito positivamente, e mesmo estando longe de ser um clássico como Blizard of Ozz (1980) ou The Ultimate Sin (1986), é um álbum bem a frente de seus três antecessores. Ou seja, é o melhor disco de Ozzy neste século. Claro que o disco não é 100% perfeito (as melosas "Holy For Tonight" e "All My Life" não conseguiram me conquistar), mas no compto geral é muito bom. Destaque para a gaitinha saudosa em "Eat Me", a monstruosa "Goodbye", com uma virada sensacional na sua segunda metade, e a pancadaria monstra de "Straight to Hell", além de Duff McKagan (ele mesmo) e Chad Smith, que formaram uma cozinha sensacional (aliás, Duff está tocando pra caralho hein?). Belo disco, que já pinta como forte encabeçador de listas de melhores ao final do ano. Ah, e nem me atrevo a comentar sua parceria com Elton John. Vá que dê polêmica.... 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

50 anos de Black Sabbath



O Black Sabbath estreou em 1970 e já chegou chegando com dois grandiosos álbuns. Aqui estão duas das minhas canções favoritas do grupo: “Sleeping Village”, com suas longas improvisações de guitarra por parte de Tony Iommi (e uma surpreendente releitura para "Warning", da Aynsey Dunbar Retaliation) e “N. I. B.”, onde Geezer Butler mostra ao mundo por que ele é o pai de todos os outros baixistas do rock pesado. A mistura de blues ("The Wizard") e jazz com peso ("Behind The Wall Of Sleep") foi uma das melhores sequelas que o Black Sabbath deixou para a posteridade. Além disso, a épica faixa-título, com sua caótica introdução, virou referência de como assustar as pessoas através dos sulcos do vinil. Na versão americana, Iommi também faz das suas na sensacional "Wicked World". Dali por diante, o grupo não pararia de crescer durante um bom tempo, e conquistariam o mundo e posto de banda mais importante na santíssima trindade do rock rapidinho, ao lado de Led Zeppelin e Deep Purple. Em tempo, se não fosse por esse grandioso álbum talvez não estivesse aqui hoje escrevendo para vocês. Parabéns ao disco, e obrigado a Iommy, Ozzy, Butler e Ward por terem criado um disco tão atemporal!


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Cinco Músicas Para Conhecer: O Lado Acústico do Black Sabbath



Estreamos hoje mais uma coluna aqui no Baú do Mairon. Inspirado pela Cinco Discos Para Conhecer, trarei aqui Cinco Músicas Para Conhecer, seja um determinado artista, um determinado estilo, um determinado período musical ou, como nossa estreia, uma determinada faceta diferente da clássica e conhecida representação do referido artista / banda. Para começar, trago Cinco Músicas Para Conhecer o lado acústico do Black Sabbath. Amanhã, 13 de fevereiro, completa-se 50 anos do primeiro lançamento de uma das maiores e mais influentes bandas do rock pesado, o álbum Black Sabbath. Porém, vez por outra o grupo homônimo do guitarrista britânico Tony Iommi resolvia brincar com violões. Cinco das principais brincadeiras estão listadas abaixo. 

"Orchid" - Master of Reality [1971]

Essa pequena vinheta de um minuto e trinta segundos é um belo dedilhado de Iommi que serve muito bem para aprendizes e iniciantes na arte de tocar violão. Explorando acordes simples (C, D, E, ...), Iommi faz uma série de ligeiros dedilhados, que acabam criando uma melodia muito delicada e bela. Registrada no terceiro álbum da banda, e não saiu em compacto

"Laguna Sunrise" - Vol. 4 [1972]

Construída sobre a mudança de dois acordes, "Laguna Sunrise" é uma canção mais completa que sua antecessora. A presença de teclados também é marcante aqui, mas o que realmente chama a atenção é o belo solo criado por Iommi ao longo da canção. A ponte no trecho central é digna de deixar qualquer músico de cabelo em pé pela complicada sequência de notas. Por outro lado, se você ouvisse essa faixa sem saber que é Black Sabbath, talvez chutasse (totalmente errado) que a canção pertenceria a Yes ou até mesmo King Crimson fase Islands. Foi lado B do raro compacto de "Tomorrow's Dream", e é uma das baladas mais famosas do grupo, ao lado de "Changes", que também foi registrada em Vol. 4.


"Fluff" - Sabbath Bloody Sabbath [1973]

Quer agradar a namorada, ou surpreender a vovó, ou ainda se achar Tony Iommi ao violão, "Fluff" é A CANÇÃO. Afinal, qualquer menininha se derrete pela linda melodia criada por Iommi, qualquer vovó vai dizer "MENTIRA!!!!" quando você disser que é Black Sabbath quem roda na vitrola, e qualquer iniciante consegue fazer o simples dedilhado em D e A, mas que emociona bastante. A canção é complementada por leves passagens de steel guitar, e um pianinho elétrico saltitante (a cargo também de Iommi) que dá mais dramaticidade para uma canção já carregada de emoção. Está em Sabbath Bloody Sabbathe em um raro compacto brasileiro que une canções desse disco com o de Paranoid, o qual ilustra essa matéria.

"Don't Start (Too Late)" - Sabotage [1975]

Em cinquenta segundos, Iommi coloca toda a simplicidade acústica das canções anteriores por água abaixo. Certamente, "Don't Star (Too Late)" é uma das peças mais complicadas de se tocar de toda a carreira do Black Sabbath. Músicos experientes correm o risco de dar nó nos dedos com a velocidade que a sequência de notas exige, mostrando que Iommi além de um exímio criador de riffs, é também um violonista de mão cheia. Para melhorar, ela leva a pesadíssima "Sympton of the Universe", que também traz seus momentos acústicos no seu trecho final. Registrada em Sabotage, foi a última faixa totalmente acústica do Sabbath por mais de dez anos. 

"Scarlet Pimpernel" - The Eternal Idol [1987]

Essa não é uma faixa totalmente acústica. Afinal, Iommi aqui utilizou também da guitarra para trazer o clima medieval que o nome sugere. O início somente com os violões nos lembra uma dança feita por casais dentro de castelos britânicos enormes. A entrada da guitarra e sintetizadores modifica essa sensação, lembrando bastante "Laguna Sunrise". O que vale é que os pouco mais de dois minutos da canção vão lhe hipnotizando rapidamente a partir da simples mas envolvente melodia do dedilhado dos violões e das notas da guitarra. A sequência de repetições (três ao todo) vai adicionando mais e mais elementos, encerrando de forma enigmática, repentinamente, deixando aquela sensação de "quero mais!". Gravada apenas no The Eternal Idol, e encerra nossa primeira lista de Cinco Músicas Para Conhecer. Em breve, mais uma nova listinha. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...