segunda-feira, 28 de março de 2011

Podcast Grandes Nomes do Rock #12: Iron Maiden [1994 - 2011]


Por Mairon Machado (Publicado originalmente no blog Consultoria do Rock)

Na décima segunda edição do Podcast Grandes Nomes do Rock, apresentaremos a segunda parte da homenagem ao Iron Maiden, contando a história do grupo do ano de 1994 até os dias de hoje, com a turnê que passa atualmente pelo Brasil. Canções das carreiras solo dos três vocalistas, raridades do grupo e também clássicos de bandas que influenciaram o Iron Maiden no início de carreira estarão presentes em uma hora e meia de muito som.



Em 1994, cantores de diversos países enviaram suas demos para o Iron Maiden em busca do posto de vocalista oficial do grupo após a saída de Bruce Dickinson. De Michael Kiske (Helloween) até André Matos (ex-Viper), pelo que consta a lenda, todos queriam estar sob os holofotes do microfone da donzela. Porém, o mais cogitado era o retorno de Paul Di'Anno, que na época liderava o grupo Killers.

Iron Maiden em 1995: Nicko, Harris, Blaze, Janick e Murray


Surpreendentemente, Steve Harris, o vocalista Blaze Bayley (ex-Wolfsbane) e  o resto do Iron Maiden logo entraram em estúdio, lançando em 1995 o álbum The X Factor. Apesar de boas canções como "Sign of the Cross", os fãs de Bruce Dickinson torceram o nariz para a nova formação, e The X Factor se tornuo o disco do grupo com pior marca de vendas desde o lançamento do álbum de estreia em 1980. O grupo saiu em turnê durante os anos de 95 e 96, onde tocaram pela primeira vez em Israel e na África do Sul. Após a turnê, saiu a coletânea Best of the Beast (1996), apresentando uma canção inédita: "Virus".

Mais dois anos de hiato e, em 1998, foi lançado Virtual XI, que vendeu menos ainda, atingindo menos de um milhão de cópias comercializadas pela primeira vez na história do Iron Maiden. As canções com tendências progressivas realmente não agradaram aos fãs, ainda mais quando Blaze cantava as canções da era Bruce, chegando por diversas vezes a ser vaiado. Ao mesmo tempo do lançamento de Virtual XI, que também contém boas canções como "Futureal" e "The Clansman", os fãs cada vez mais se afastaram. A solução encontrada foi a saída de Blaze em um acordo amigável.

Iron Maiden na terceira edição do festival Rock in Rio


Para surpresa e delírio de todos, Steve Harris anunciou, em fevereiro de 1999, o retorno de Bruce Dickinson (que vivia uma ótima fase em sua carreira solo) e também de Adrian Smith para as guitarras. Contando agora com o trio Janick, Dave e Adrian nas seis cordas, mais Harris, McBrain e Bruce, o agora sexteto partiu para uma turnê intitulada de "The Ed Hunter Tour", ao mesmo tempo que foi lançado o jogo eletrônico Ed Hunter, que também acompanhava uma coletânea. O primeiro álbum de estúdio com a nova formação saiu em 2000. Brave New World mantinha as influências progressivas dos álbuns com Blaze, em faixas como "The Wicker Man" e "The Nomad", mas que, com a voz de Bruce, encaixaram-se no gosto dos fãs. Assim, a Donzela praticamente saiu das cinzas com a extensa turnê mundial, contando com mais de 100 shows, encerrada no dia 19 de janeiro de 2001, com a apresentação na terceira edição do festival Rock in Rio para uma plateia de aproximadamente 250 mil pessoas, cuja performance ficou registrada no CD e DVD ao vivo Rock in Rio, lançado em março de 2002.

Após mais uma curta turnê, a "Give Me Ed... 'Til I'm Dead Tour", que ocorreu durante o verão de 2003, foi lançado o álbum Dance of Death, que foi aclamado tanto por fãs quanto pela imprensa, que rotulou o álbum como o melhor desde Piece of Mind. Canções como "Montségur" e "Paschendale" resgataram os temas históricos. Na turnê "Dance of Death World Tour", o grupo se apresentou para cerca de 750 mil pessoas durante um período de quatro meses, realizando 50 shows entre 2003 e 2004 pela América do Sul, Japão, Europa e América do Norte.

Em 2005, a banda apresentou-se no Westfalenhalle em Dortmund, na Alemanha, tendo registrado no show o CD e DVD Death on the Road. Para celebrar os 25 anos de carreira do grupo, o grupo iniciou a turnê The Early Days, onde somente material dos quatro primeiro álbuns foi interpretado. Um dos principais espetáculos dessa turnê  foi realizado no Ullevi Stadium, na Suécia, onde o Iron Maiden apresentou-se para um público de 60 mil fãs e teve seu show transmitido pela televisão em toda a Europa. O término dessa gira foi como headliner nos festivais de Reading e Leeds (Inglaterra), nos dias 26 e 28 de agosto, encerrando de vez com uma data onde tocaram para 40 mil fãs no RDS Stadium, na Irlanda.

No outono de 2006, A Matter of Life and Death chegou às lojas, continuando o trabalho de canções elaboradas, temas complexos e próximos ao progressivo. Mais uma turnê foi realizada, com o álbum sendo interpretado na íntegra durante a primeira parcela de apresentações. Na segunda parte, a turnê passou a se chamar "A Matter of the Beast", adicionando canções do álbum The Number of the Beast, que completava 25 anos em 2007. Pela primeira vez, o Iron Maiden se apresentou nos Emirados Árabes Unidos, participando do Dubai Desert Rock Festival em 2007, em um espetáculo para 20 mil fãs. Também visitaram a Índia pela primeira vez, onde realizaram um show em Bangalore para 45 mil pessoas. Além disso, fizeram sua quarta apresentação como headliner no festival de Donington Park para 80 mil pessoas.

Ed Force One


No dia 5 de setembro de 2007, foi anunciada a "Somewhere Back in Time World Tour", com o palco baseado na turnê de Powerslave. A primeira apresentação foi em Mumbai, na Índia, no dia 1º de fevereiro de 2008, com a primeira parte da turnê consistindo de 24 shows em 21 cidades, passando inclusive mais uma vez pelo Brasil e por países onde o grupo colocou os pés pela primeira vez, como Colômbia e Costa Rica, além da primeira apresentação na Austrália após 13 anos. As viagens entre as cidades onde os espetáculos tiveram palco foram feitas com o avião oficial do grupo, o Ed Force One, pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson.

Em 12 de maio de 2008 foi lançada a coletânea Somewhere Back in Time, trazendo faixas desde o LP de estreia até Seventh Son of a Seventh Son (1988). Apesar de contar com tantos anos de carreira, foi apenas nessa turnê que o grupo realizou sua primeira apresentação em um estádio inglês, no caso, o Twickenham Stadium, o segundo maior do país. A segunda perna realizou-se entre fevereiro e março de 2009, com as primeiras apresentações no Peru e no Equador, assim como o retorno para a Venezuela após 19 anos e para a Nova Zelândia após 16 anos. Foi nesse período que se realizou o terceiro show na Índia em menos de dois anos, durante o festival Rock in India 2009, além de ter sido superado o recorde de público exclusivamente para ver a banda, fato ocorrido na apresentação realizada São Paulo no dia 15 de março de 2009. O encerramento da "Somewhere Back in Time World Tour" ocorreu em 2 de abril, com um show realizado na Flórida (EUA). A turnê foi registrada e lançada em DVD através do filme Iron Maiden: Flight 666, além do CD de mesmo nome. 

Palco da "The Final Frontier Tour"


Após o término de mais uma extensa turnê, o grupo voltou para os estúdios e lançou em agosto de 2010 o álbum The Final Frontier, que alcançou a primeira posição em 28 países logo no seu lançamento, chegando ao primeiro posto em mais dez países no dia 6 de setembro, além de ter atingido uma inédita quarta colocação nas paradas norte-americanas, a mais alta do grupo até então.


Em 21 de setembro, foi anunciada uma turnê pelos países escandinavos, e em 11 de novembro, a "The Final Frontier World Tour" foi anunciada, tendo início em 11 de fevereiro com uma apresentação na Rússia. O Iron Maiden encontra-se  atualmente em solo brasileiro, com shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Recife e Belém, de onde seguirá para mais uma extensa turnê ao redor do planeta.



Discos de estúdio desse período
Pictures de Rock in Rio

Pictures de Rock in Rio
Flight 666 Picture
Flight 666 Picture
Raridades do Iron Maiden (veja mais no blog Clássicos e Achados)

Track list podcast # 11 - Iron Maiden Part 1

Bloco 01
Abertura: "Iron Maiden" [do EP The Soundhouse Tapes - 1979]
"Prowler" [do EP The Soundhouse Tapes - 1979]
"Charlotte, the Harlot" [do bootleg Nijmegen - Holland 28.04.1981 - 1981]
"22 Acacia Avenue" [do bootleg UK - 3/9/1982 - 1982]
"Wasted Years" [do bootleg Burning in Hell, Porto Alegre 2008 - 2008]

Bloco 02
Abertura: "Phantom of the Opera" [do bootleg Maiden in Brussels - 1981]
"Rock 'n' Roll Woman" [do EP Black Leather Fantasy - 1977 (Urchin)]
"Too Close to Rock" [do álbum Head On - 1980 (Samson)]
"Living in a Dream" [do álbum Hot Tonight - 1984 (Lionheart)]
"That Girl" [do bootleg Marquee Club - 1985 (The Entire Population of Hackney)]

Bloco 03
Abertura: "The Number of the Beast" [do álbum The Number of the Beast - 1983]
"Seventh Son of a Seventh Son" [do bootleg Donington - 1988]
"The Rime of the Ancient Mariner" [do bootleg Rock in Rio I - 1985]

Bloco 04
Abertura: "Alexander the Great" [do álbum Somewhere in Time - 1986]
"Cross Eyed Mary" [do bootleg Live 76 - 1976 (Jethro Tull)]
"Communication Breakdown" [do bootleg Atlanta Pop Festival - 1969 (Led Zeppelin)]
"My Generation" [do álbum Sings My Generation - 1965 (The Who)]
"Woman in Uniform" [do álbum Guilty Until Proven Insane - 1977 (Skyhooks)]

Encerramento: "The Evil That Men Do" [do bootleg Iron Maiden Prayer for the Dying - 1990]

sábado, 26 de março de 2011

Styx - Parte I


Um dos principais grupos norte-americanos dentro do hard setentista é sem dúvida o Styx. Com uma vasta discografia, contando com 15 álbuns de estúdio, 6 ao vivo e 14 coletâneas, o Styx alternou altos e baixos, e teve duas grandes fases: uma no início dos anos 70, com um hard progressivo semelhante ao Uriah Heep, e outro no final dos anos 70, início dos 80, quando conquistaram os Estados Unidos e o mundo com baladas e canções no estilo AOR. Nesta primeira parte, iremos tratar da fase que vai do início do grupo até o ano de 1975, fase essa que contava com o guitarrista, vocalista e tecladista John Curulewski.

A história do Styx começa em 1961, quando os irmãos gêmeos John (bateria, vocais) e Chuck Panozzo (baixo, vocais) formaram, junto com o vizinho Dennis DeYoung (teclados, sintetizadores, moog, acordeão, voz) o grupo The Tradewinds, na cidade de Chicago. No The Tradewinds, John era o baterista, Chuck o guitarrista e Dennis o acordionista, além dos vocais serem divididos pelos três. O som dos The Tradewinds era um rock'n'roll básico, com covers de Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Little Richards.


Uma das primeiras fotos do Styx, ainda como TW4.
Da esquerda para a direita: James Young, John Panozzo, Dennis DeYoung,
John Curulewski e Chuck Panozzo 


Voltando um pouco no tempos, a formação musical dos gêmeos Panozzo, nascidos em 20 de setembro de 1948, vêm praticamente do berço. Aos sete anos, ambos começaram a ter aulas de música, e rapidamente, John se interessou pela bateria, enquanto Chuck apaixonava-se pela guitarra. Como eles estudavam em uma escola Católica, logo se destacaram pelos dotes musicais, e passaram a fazer parte do grupo musical que interpretava canções nas festas escolares. Com 12 anos, os irmãos passaram a tocar em casamentos e festas de aniversário, com o salário de 15 dólares por canção. Nessa época que conhecem Dennis DeYoung.

Dennis cresceu no bairro de Roseland, onde conheceu os irmãos Panozzo, e teve sua formação musical desenvolvida através de estudos com professores durante o período escolar, e inclusive foi professor  de música dos níveis fundamentais na Springfield School, na cidade de Midlothian, vizinha a Chicago.


 TW4 na praia, meados de 1970

Os The Tradewinds passaram a tocar em bares e ganhar popularidade como uma banda de garagem. Em 1963, Chuck saiu para concluir os estudos como seminarista, voltando em 1964 para assumir o posto de baixista, já que seu substituto, Tom Nardin, estava fazendo muito bem o papel. Em 1965, acabaram adotando um novo nome, TW4, já que outro grupo com nome similar, The Trade Winds, alcançava um sucesso comercial nos Estados Unidos. Porém, sem conseguir sucesso, Dennis voltou aos estudos, indo para a faculdade, enquanto que os irmãos Panozzo passaram a estudar licenciatura. Martin seguiu compondo material, e vez ou outra, o TW4 fazia suas apresentações para conseguir um dinheiro extra.

Em 1969, o colega dos Panozzo, John Curulewski, entrou para o lugar de Martin, e, influenciados pela formação dos Yardbirds com Jimmy Page e Jeff Beck nas guitarras, o quarteto chamou James "J. Y." Young também para o posto das seis cordas. Surgia assim um dos primeiros grupos americanos a contar com dois guitarristas solo. Além de guitarristas, Curulewski e James tinham uma extrema capacidade vocal, e um talento para diversos instrumentos.

James começou a tocar piano com cinco anos, e violão aos 8. Ele estudava na Calumet High School, onde aprendeu a tocar clarinete e guitarra. Depois, ingressou na Illinois Institute of Technology, onde fez bacharelado em mecânica  e engenharia aero-espacial, recebendo o título de bacharel em 1970, pouco tempo depois de ingressar no TW4. Já Curulewski apresentava-se em bandas locais, e possuía como principal característica uma capacidade vocal e criativa ainda superior a de Dennis, além de compor e tocar muito bem piano, sintetizador e banjo.

 TW4: Chuck, Curulewski, Dennis, James e Chuck

O TW4 passou a realizar shows pelo estado de Illinois durante os meses seguintes. Antes, em 18 de janeiro de 1970, Dennis casou-se com Suzanne Feusi, e o grupo ficou estacionado por alguns meses, até que surgiu a recém criada gravadora Wooden Nickel Records, no ano de 1971, propondo um contrato para o quinteto. A ideia foi aceita, com a única condição que o grupo TW4 recebesse um novo nome.



Raro poster de apresentação do Styx
 
Depois de muita pesquisa, Styx foi adotado, segundo Dennis, por que foi o único dentre os diversos títulos que apareceram que alguém não rejeitou. Com o novo nome e com o contrato assinado, o grupo foi para os estúdios. A onda era o rock progressivo, e Dennis, inspirado por Keith Emerson no álbum de estreia do Emerson, Lake & Palmer (lançado em 1970), resolveu inovar, e assim, adotou como instrumento um moog modular semelhante ao colega britânico, registrando nos sulcos de Styx, lançado em setembro de 72, uma sonoridade única dentro da carreira do grupo, mesclando o progressivo britânico com o hard americano.

A boa estreia do grupo
Styx abre com a épica "Movement for the Common Man". Dividida em quatro partes, temos primeiramente a bateria de John introduzindo "Children of the Land", e então o grupo surge apresentando um curto riff e os vocais de James, formando um rock que caracteriza basicamente o que é o som do Styx nesse período com o a gravadora Wooden Nickel, com bons solos de guitarra e com um pequeno duelo entre James e Curulewski.

Percussões nos levam para "Street Collage", onde o início se dá com um solo de bateria feito, com muitos efeitos eletrônicos, até Chuck fazer um tema enquanto James o segue com o wah-wah. Sintetizadores repetem o tema, e Curulewski entra com o mesmo tema na sua guitarra, surgindo então um delicioso jazz onde Dennis sola com o hammond, enquanto Curulewski e James fazem alguns riffs. Depois, escalas são executadas por hammond e guitarras, e assim, barulhos diversos nos trazem as vozes dos integrantes em uma conversa.

Depois, temos o tema principal da suíte "Fanfare for the Common Man", de Aaron Copland, a primeira regravação clássica do Styx, primeiramente com a guitarra repleta de efeitos sob os barulhos e as conversas, e posteriormente, com o hammond, baixo, tímpanos e a guitarra executando o tema principal.

O órgão então toma conta do espaço, nos levando para "Mother Nature's Matinee", com o violão fazendo os acordes, e com o andamento de baixo, bateria e violão, sintetizadores fazem um rápido tema, para James cantar a letra da canção, que é agitada e demonstrando o lado progressivo do Styx, o qual foi incitado primeiramente em "Children of the Land". O solo de James leva para uma pesada sessão, e então, um bonito tema do sintetizador acalma a canção, que parte para a sequência final com os vocais de Dennis repetindo o nome dessa última parte, em um andamento suave de baixo, bateria, violão e piano, para assim o violão repetir o tema inicial junto do sintetizador, e com Curulewski solando, encerrando a canção com muitos sintetizadores após a repetição do tema inicial.

O lado A encerra-se com "Right Away", onde o dedilhado da guitarra apresenta o tema feito pelo slide guitar e baixo, com um andamento que seria chupado posteriormente pelo Deep Purple, na clássica "Holy Man" do álbum Stormbringer (1974). O grudento refrão, repetindo o nome da canção, nos apresenta a potencialidade vocal do trio James, Curulewski e Dennis, que seria trabalhada ainda mais nos álbuns seguintes, e o destaque principal vai para os solos de Curulewski e James.

O lado Heads com o selo da Wooden Nickel
O lado B abre com a cover para "What Has Come Between Us", de Mark Gaddis,  com notas velozes de piano apresentando o pesado riff inicial marcado pela guitarra, baixo e ótimas viradas de bateria, seguida por uma leve e linda balada comandada pelo violão e pelo andamento dos irmãos Panozzo. Cantada por Dennis, é outra canção que exala toda a potencialidade vocal do trio citado acima, tendo no ótimo refrão, um solo de cravo que mostra por que Dennis DeYoung é um dos principais tecladistas do rock, e o melhor que passou pelo Styx. O solo de James possui um andamento mais agitado, com o uso de wah-wah, que torna a faixa ainda mais interessante, encerrando a canção com a repetição do refrão.

"Best Thing" dá sequência ao LP tendo os violões na introdução, seguidos pelo vocal de Dennis acompanhado apenas pelo bumbo. O Styx surge com o trio vocal entoando o nome  da canção, onde Dennis faz intervenções no hammond para cada estrofe cantada, chegando aos solos de James e Curulewski, regados de peso, para a progressiva sessão com teclados e violão aparecer, onde James canta algumas frases para os sintetizadores retornarem ao pesado andamento cantado pelo trio. Violões acompanham a repetição das primeiras frases da letra, cantadas apenas por Dennis, e a canção encerra-se com solos de guitarra e hammond sendo recheados pelos vocais que entoam o nome da canção.

Guitarras abafadas abrem "Quick Is The Beat Of My Heart", composta por Lewis Mark e cantada por Curulewski. Essa canção conta com um pesado andamento, onde o destaque vai novamente para as vocalizações e também para o emprego do hammond acompanhando a melodia vocal. O tema de James e Curulewski acompanha o ótimo solo de hammond, seguido pelos solos de guitarra, os quais se sobrepõem, retornando ao riff abafado e a sequência de conclusão da letra e da canção com notas do hammond acompanhando uma tímida vocalização.

O LP encerra-se com "After You Leave Me", outra cover, originalmente composta por George Clinton, onde o tema inicial da guitarra é repetido pelo piano elétrico, acompanhando os vocais de Curulewski, com harmônicos interferindo para cada frase. O Styx surge, com baixo, guitarra e órgão repetindo o tema, tornando a canção pesada e com as vocalizações entoando o nome da canção no refrão. A construção musical se repete, com o piano elétrico e vocalizações, fazendo então o tema central onde os demais instrumentos surgem, e Curulewski segue a letra, repetindo o refrão e abrindo espaço para curtos solos das guitarras, chegando a uma sessão marcada pelo hammond, guitarra, baixo e percussão, que nos traz a repetição do refrão, com intervenções de solos de piano elétrico e das guitarras, encerrando com o trio vocal entoando o nome da canção.

Relançamento de Styx em 1980

Styx foi posteriormente lançado em 1980, apresentando uma nova capa e com o nome de Styx I. Do álbum foi retirado o single "Best Thing", que alcançou a modesta posição 82 nas paradas americanas. Destaque ainda que, para as versões originais da Wooden Nickel, o álbum era divido em Heads (cara) e Tails (coroa).


O Styx então partiu para uma série de shows em clubes locais e pequenos ginásios, começando a agregar fãs que se agradavam com a mistura hard-prog feita pelo quinteto, além do fascínio causado pelas interpretações vocais e pela performance de palco de Dennis, tocando diversos teclados durante as canções, estabelecendo assim uma espécie de quartel-general do grupo em Chicado, onde muitos jovens passaram a segui-los em cada lugar que eles tocavam.


Com um grande número de composições feitas desde os tempos de TW4, o grupo voltou para os estúdios após a rápida temporada de shows, e em julho de 1973, lançou o segundo álbum.
O ótimo segundo LP

Styx II é o único álbum do grupo a não contar com uma composição de James Young, e manteve a linha do álbum de estreia, com destaque para o uso inédito nas canções do grupo das chamadas guitarras gêmeas. 

O LP começa com "You Need Love", onde o pesado início já nos mostra um solo de guitarra com um ótimo acompanhamento do hammond. Vocalizações são seguidas pelas guitarras gêmeas e assim, Dennis começa a cantar um rock similar ao do Uriah Heep fase David Byron, principalmente pelas vocalizações no refrão. As guitarras gêmeas abrem a sequência de curtos solos, primeiro com James e depois com Curulewski, e as mesmas vocalizações do início fazem a sequência da canção com a letra de Dennis, além do acompanhamento Heepiano, para voltarmos ao refrão que encerra a canção.

O single de "Lady"
Uma bonita introdução com piano e sintetizador abre "Lady", a canção mais famosa do álbum, que foi concebida ainda nos tempos de TW4, seguida pelos vocais de Dennis. Baixo e violão surgem acompanhando o tema do piano, enquanto Dennis continua cantando. As vocalizações entoam o refrão, e então, guitarras e baixo fazem o tema do piano, retornando ao refrão com um acompanhamento marcial tipicamente Styx, onde James sola ao fundo, encerrando a canção com um longo "Lady" cantado pelas vocalizações.

Já a viajante "A Day" apresenta em seu início acordes de guitarra, harpa e sintetizadores, e então, piano elétrico e baixo comandam o lento ritmo para os vocais de Curulewski surgirem. A canção ganha ritmo baseada no piano de Dennis, mas ainda com o viajante andamento marcado pelo tema do baixo e do piano elétrico, além da percussão de John. A longa sessão instrumental começa lenta, e assim, baixo e bateria apresentam outro grande jazz (como no do álbum de estreia) para o solo feito com as guitarras gêmeas, onde os acordes do piano-elétrico fazem o "meio-de-campo" desse solo que é perfeito, começando lento e ganhando velocidade, chegando ao êxtase com bends excepcionais e escalas marcadas, em um dos melhores momentos instrumentais da carreira do Styx. O órgão passa a fazer seu solo sobre o andamento jazzístico, tão empolgante quanto o solo das guitarras gêmeas, e assim, voltamos ao suave andamento, para Curulewski encerrar a letra da canção.

Curulewski também canta a faixa que encerra o lado A, "Better Ask", um rock safado onde o refrão apresenta vocalizações graves, e o ponto de maior destaque são os solos de Dennis e Curulewski.


Uma das últimas fotos como TW4
A segunda recriação clássica de Dennis abre o lado B com "Little Fugue in G", de Bach, que é tocada apenas por Dennis com o órgão da Catedral de St. James, em Chicago, e então, "Father O. S. A." surge. Um longo rufo puxa o riff das guitarras gêmeas enquanto sinos tubulares e o órgão se apresentam ao ouvinte. Dennis passa a cantar acompanhado pelo dedilhado dos violões e fazendo um bonito tema nos sintetizadores, que leva para a repetição do riff inicial das guitarras gêmeas. Dennis canta sobre outra levada Uriah Heep, e as vocalizações aparecem tornando a canção ainda mais similar aos clássicos do grupo britânico, com a diferença unicamente no som do órgão (que se fosse um hammond, você juraria ser Ken Hensley). As guitarras gêmeas executam o tema central entre vocalizações e os gritos de "Father", começando os solos sobrepostos que encerram essa belíssima canção.

"Earl of Roseland" vem na sequência, com a guitarra solando e algumas viradas de John. Cantada por Dennis, é um ótimo rock com destaque para os temas feito por Chuck e o estilo de tocar de John que lembra Keith Moon, além das vocalizações cada vez mais trabalhadas agora pelo quinteto inteiro. Vocais com efeitos nos levam para o solo de James, e é impossível não comparar ao The Who, principalmente pelo longo grito no início e do ritmo da guitarra base. As vocalizações entoando o nome da canção nos levam de volta para a introdução, e assim, Dennis dá sequência a letra, encerrando com as vocalizações sobre solos de Curulewksi e James.

Styx II encerra-se com "I'm Gonna Make You Feel", contando com outra boa introdução e com uma ótima participação do hammond. Os vocais cantam as frases ímpares, enquanto Curulewski as pares. O rock pesado agrada e muito, principalmente pela construção instrumental, que é repetida. Dennis e Curulewski solam juntos, executando as mesmas notas, e as vocalizações cantam o nome da canção, que encerram o LP com o nível de produção do Styx cada vez mais elevado. 

Relançamento de Styx II
  
2 anos depois de seu lançamento, Styx II alcançou a posição número 20 nas paradas americanas, com "Lady" atingindo a incrível marca da sexta posição, um raro acontecimento para um álbum que foi produzido por uma gravadora independente. "Lady" realmente estourou a partir da execução na radio WLS, de Chicago, onde diversos fãs passaram a ligar pedindo a canção, levando depois para a esfera nacional americana, que transformaria Styx II no primeiro disco de ouro do grupo, o que acabou chamando a atenção de diversas outras gravadoras ao nome Styx.O álbum foi relançado em 1980 com o nome de Lady (não confundir com a coletânea de mesmo nome), e contendo a mesma ordem do lançamento original.

Com o assédio das gravadoras, o quinteto passou a trabalhar ainda mais as composições. Porém, a gravadora Wooden Nickel já demonstrava sinais de falência, e então, o tempo em estúdio diminuiu, não dando chances para o grupo trabalhar como queria. No fim, em fevereiro de 1974, saiu aquele que é considerado pelo grupo o pior disco da banda, e ainda, um dos piores discos já lançados na história do rock.

Aquele considerado o pior disco do Styx pelos próprios membros da banda

The Serpent Is Rising está longe disso, e já podemos comprovar em  "Witch Holf", canção que abre o LP, onde o riff de guitarra e órgão é seguido pelo solo de guitarra e pelos vocais de Dennis, com as vocalizações se apresentando no refrão. Um curto solo de guitarra dá sequência a letra, com a repetição do refrão seguido pelos solos de Curulewski e James, sempre com a boa levada do hammond, baixo e bateria ao fundo. Um dedilhado de violão, com notas de sintetizadores e do baixo, apresenta mais uma estrofe, e a canção encerra-se com a repetição do refrão levado pelo solo de James, com destaque para a boa participação de John.

O cravo faz a introdução medieval de "The Grove of Eglantine", e assim, guitarra, baixo e bateria fazem os acordes de um hard tipicamente Styx, cantado por Dennis e com as vocalizações trabalhadas presentes no refrão. Mais uma vez, destaque para o andamento dos irmão Panozzo. Piano e percussão abrem a sessão instrumental, que contém um tímido solo de guitarra intermediado por notas de piano, retornando a sequência da letra e tendo o refrão, recheado de vocalizações, no final da canção.

O Styx opta por um lado mais acústico na introdução de "Young Man", onde os vocais de James são acompanhados pelas vocalizações que entoam o nome da canção, tendo ao fundo um lindo tema de baixo e moog, que agora passam a acompanhar os vocais de Dennis. O hammond então puxa o pesado riff das guitarras e do baixo, em uma excelente canção, regada de peso e melodias que somente o Styx conseguia fazer, além do belíssimo solo de hammond, que nos leva para a parte progressiva da mesma, com muitos eletrônicos, mellotron e sintetizadores acompanhando os vocais de Dennis, que solta um agudo muito alto, lembrando os velhos tempos de Rob Halford (Judas Priest), e assim o bicho pega em uma intrincada sessão de hammond, guitarra, baixo e bateria, encerrando a canção em alto nível. 

O lado A termina com outra canção com introdução acústica, "As Bad As This", cantada por James. Batidas no bumbo são ouvidas enquanto a letra desenvolve-se  com o leve andamento do violão. O clima muda com a entrada dos sintetizadores, onde os violões passam a fazer um lindo dedilhado, seguido por acordes rápidos que retornam ao andamento inicial e a sequência da letra, transformando-se na lamentável "Plexiglas Lament", uma faixa-escondida, com ritmos caribenhos, que é o único ponto negativo do álbum, não condizendo com o que estava sendo apresentado até ali, encerrando lamentavelmente esse lado do vinil com um coral de crianças e instrumentos caribenhos.
Apresentação do Styx em 73
Já "Winner Take All" retorna os bons momentos e manda a bobagem de "Plexiglas Lament" para longe, com um longo acorde de sintetizador seguido pelo acorde marcado do piano, em um hard recheado de agudos de Dennis, com um belo andamento dos Panozzo. "22 Years" é outro hardzão, com um riff bem tradicional no rock'n'roll e os vocais divididos entre Dennis e Curulewski. Destaque para a participação do sax de Bill Traut, manager da Wooden Nickel, e do solo de slide feito por Curulewski, além das guitarras gêmeas executando o solo principal.

As guitarras gêmeas também estão presentes na introdução de "Jonas Psalter", onde o moog faz o veloz acompanhamento ao fundo, chegando no riff que apresenta os vocais de Dennis. Mais um hard Styxiano para não se botar defeito, com uma boa sessão instrumental onde ouvimos solos de guitarra com a marcação do hammond, baixo e bateria. Essa é uma das raras canções do Styx a não conter um refrão, e que encerra-se com longos acordes de mellotron e vocalizações, para assim o violão dedilhar o bonito tema final.

A faixa-título vem a seguir, apresentando um excelente hard-blues em uma das melhores canções do grupo. O andamento dos irmãos Panozzo é blues de primeiro grau, enquanto que os vocais de Curulewski dão um peso extra para a canção, que atrai o ouvinte cada vez mais com a entrada da melodia das guitarras, chegando ao fantástico refrão, onde todos cantam juntos. Assim, as guitarras tomam conta, com James dedilhando enquanto Curulewski sola em notas menores, rasgadas e repletas de bends, escalas e vibratos. O riff bluesítico retorna, e Curulewski canta mais uma estrofe, seguido pela repetição do refrão e fechando com muito peso e os agudos de Dennis.

A polêmica "Krakatoa" apresenta apenas a macabra voz de Curulewski, recheada de efeitos, entoando o poema sobre a ilha que foi destruída por um vulcão, e que muitos acabaram acusando o grupo de serem satanistas pelas citações à satanás e ao inferno. Enfim, após a apresentação do poema, um longo acorde de sintetizador nos leva ao órgão da Catedral de St. John Fischer, com um coral formado por todos os membros do Styx interpretando mais uma peça clássica, "Hallelujah" (de Handel), encerrando divinamente esse excelente álbum, que peca apenas pelo aborto cometido em "Plexiglas Toilet".


Relançamento de The Serpent is Rising

A capa original de The Serpent is Rising foi feita por Dennis Pohl, apresentando uma bela ilustração. O re-lançamento continha uma capa diferente, assim como o nome, que passou a ser apenas Serpent. O álbum atingiu a posição 192 nas paradas americanas, sendo o segundo álbum menos vendido da história do Styx. Até o ano de 2007, pouco mais de 100 mil cópias haviam sido comercializadas.

Restava para o Styx então o trabalho e sequência de shows para superar a baixa venda de The Serpent is Rising. Como o grupo era o principal nome da Wooden Nickel, que tinha no cast ainda Siegel-Schwall Band e Megan McDonough como outros nomes de sucesso, porém sem grandes vendas e cada vez mais falida, a pressão sobre a gravadora era insuportável, e o Styx precisava de algo que lançasse dinheiro para o bolso do manager da Wooden, os senhores Bill Traut, Jim Golden e Jerry Weintraub.

Man of Miracles, forte candidato a melhor do Styx

Então, ainda em 74, o Styx capricharia, lançando o excelente Man of Miracles. Forte candidato a melhor disco do grupo, desde a linda capa elaborada por Lee Rosenblatt, passando pela sonoridade pesada e hardiana do hammond e das guitarras, o Styx abandonava canções longas e investia pesado em canções curtas, diretas, perfeitas para bater cabeça, mescladas com doses homeopáticas de momentos amenos.

Tudo começa com o rock de "Rock and Roll Feeling", onde o riff da guitarra e do órgão é seguido pelos vocais de Dennis, transformando-se em um excelente e dançante rock no refrão, com ótima participação de John. Aliás, esse é talvez o disco onde John está fazendo sua melhor performance. Mesmo sendo um grande baterista (injustiçado também, afinal, raramente ele aparece nas listas de melhores), aqui ele se supera, e a pegada imposta nessa canção mostra que aqui ele veio para detonar. 

As guitarras gêmeas aparecem fazendo pequenas intervenções durante o solo de James, e o peso é mantido em "Havin' A Ball", onde mais guitarras apresentam o riff de Curulewski, seguido pelo moog em mais um rock sensacional cantado por Dennis, que não permite descanso para as pernas.

Os ânimos se acalmam na linda "Golden Lark", onde piano e vocalizações apresentam a voz de Dennis, que canta a letra acompanhado apenas pelo piano. Cordas, arranjadas por Barry Alan Fasman, fazem um bonito tema acompanhando os vocais durante o refrão e aos poucos, bateria, baixo e sintetizadores vão sendo adicionados enquanto Dennis canta a letra. O refrão é repetido, e assim, as vocalizações surgem cantando estrofes enquanto Chuck faz um bonito tema com o baixo, encerrando a faixa com um longo acorde de sintetizador. 

Um estrondoso trovão abre uma tempestade com chuvas e raios, entre um triste tema feito pelo violoncelo, abrindo a progressivíssima "A Song for Suzanne", onde um tema Crimsoniano da guitarra apresenta o riff do baixo e do sintetizador, seguido pelo longo acorde que ouvimos no final de "Golden Lark". Barulhos diversos são ouvidos entre vocalizações, e a canção vai aumentando o volume, até o piano apresentar o acorde que traz os vocais de Dennis. O arranjo instrumental é fantástico, com diversos temas marcados entre guitarra, baixo e bateria, e com um pesado e encantador refrão, repleto de vocalizações. Um último tema com eletrônicos da sequência a letra, e a canção ganha ainda mais peso, com John novamente tocando muito e demonstrando toda a sua inspiração em Keith Moon, com diversas viradas que retornam a sequência da letra, agora cantada pelas vocalizações que encerram a canção, deixando para "A Man Like Me" a difícil tarefa de encerrar o lado A após essa maravilha feita pelo Styx.

Mas "A Man Like Me" consegue o objetivo com êxito, em outro ótimo rock com um grande pique, que é cantado por James tendo o acompanhamento de vocalizações, colocando o quarto de pernas pro ar com os ótimos solos de Curulewski e James, além dos metais arranjados por Barry Alan Fasman.


Styx em 74: Chuck, Curulewski, James, Dennis e John


O lado B abre com "Best Thing", um re-lançamento da canção que está no segundo álbum da banda, sem alterar em nada a versão original, e então "Evil Eyes" diminui o ritmo e o peso, com o piano fazendo o bonito tema inicial, trazendo os vocais chorados de Dennis e com o Styx surgindo para executar uma balada com excelente arranjo de guitarra, baixo e sintetizadores. O refrão, com as vocalizações, é o segundo ponto de maior destaque, ficando atrás apenas do sensacional solo de Curulewski, onde o baixo de Chuck está alto e tornando-a ainda mais atraente.

Retornando ao hard, o Styx detona "Southern Woman", um boogie texando a la ZZ Top, onde o riff do hammond possui peso e pique, levando aos vocais de James, com as vocalizações entoando o nome da canção, além de um ótimo duelo hammond/guitarra. O solo de hammond é fantástico, balançando com o corpo inteiro, e de novo fica a pergunta de por que dificilmente encontramos Dennis DeYoung nas listas de melhores tecladistas do rock.

"Cristopher, Mr. Cristopher" tem o início com as guitarras gêmeas fazendo o riff, acompanhadas pelos sintetizadores e dos Panozzo. Piano, baixo e o dedilhado da guitarra apresentam a inconfundível voz de Dennis, passando por um tema de terças que levam ao refrão, com as vocalizações entoando o nome da canção. Um curto solo de moog e a letra continua, com o acompanhamento do baixo, piano e o dedilhado da guitarra. Sintetizadores aparecem após a sequência de terças, e assim, temos novamente o refrão, levando ao solo de Curulewski e ao encerramento dessa rápida canção com a repetição do refrão.

Ainda estamos tentando achar algo melhor que "A Song for Suzanne", apesar do disco inteiro soar maravilhosamente bem, mas o Styx consegue superar a faixa do lado A no encerramento do lado B, com a sensacional faixa título. "Man of Miracles" é pesada, progressiva e hardiana para nenhum fã do estilo ficar parado. Desde a introdução, com o ritmo marcial da caixa e do tímpano de John acompanhando o tema do moog entre acordes de violão e sintetizadores. O tímpano fica sozinho, trazendo as densas vocalizações  que repetem o tema do moog entre acordes de sintetizadores, batidas nos pratos e tímpanos.

Vocalizações entoam o nome da canção, e assim, o hammond surge com acordes muito pesados e rasgados que fazem o riff principal, lembrando de cara Uriah Heep, mas com a entrada das guitarras, o riff parece sair dos álbuns do Black Sabbath, com um andamento sensacional dos Panozzo. James dá sequência a letra, com uma ótima participação vocal e instrumental de Dennis, o destaque da canção, chegando aos acordes de moog entre o rufo da bateria, repetindo o andamento marcial com um show de John entre os bends de James, voltando ao tema inicial com as vocalizações e os pesados acordes, encerrando  o LP soberbamente com as vocalizações entoando o nome da canção.


O relançamento de Man of Miracles


No re-lançamento de Man of Miracles, em 75, "Best Thing" foi substituída pela cover "Lies", originalmente composta por R. Randall e B. Charles. Depois, em 1980, o álbum foi re-lançado com o nome de Miracles, e tendo "Unfinished Song" no lugar de "Best Thing". Man of Miracles ficou apenas na posição 154 das paradas americanas, e foi o último álbum pela independente Wooden Nickel.

Então, com os olhos do mundo voltados para o crescente sucesso de "Lady", e com a Wooden Nickel afundando mais rápido que o Titanic, eis que surge a toda poderosa A & M Records, com um contrato irrecusável onde o grupo teria promoção e visão além dos limites de Chicago, lançando seus LPs pela Europa, América do Sul e também na Ásia, mais precisamente no Japão. Os shows escassos também mudariam, com um agendamento de turnês e participações em festivais. Não havia como recusar, e assim, o Styx abandonava a Wooden Nickel para começar uma carreira de grande sucesso ao lado da A & M Records. A gravadora Wooden Nickel acabou fechando as portas logo em seguida, com o término do contrato estabelecido em 1977.

O último álbum com Curulewski

Pela poderosa A & M, o grupo lançou, em 1975, o álbum Equinox, que mostrava novos olhos para a música do Styx, tentando conquistar fãs da nova geração americana, a qual desinteressava-se pelo progressivo e buscava sonoridades mais modernas, começando com  os sintetizadores de Dennis abrindo "Light Up", com o riff das guitarras surgindo junto de batidas nos pratos, caixas e tons. O andamento cadenciado apresenta os vocais do Styx, com destaque para Dennis. A canção desenvolve-se, com James no wah-wah e Curulewski fazendo a base, tendo uma curta sessão mais dançante antes do refrão, que possui o andamento cadenciado e também percussão. Curulewski faz um rápido solo com a guitarra sintetizada e então, o refrão surge acompanhado apenas por palmas e percussão, encerrando a canção conforme ela começou.

"Lorelei" apresenta sintetizadores e os vocais agudos de Dennis, transformando-se em um rock'n'roll tipicamente Styx, com muitas vocalizações sobrepostas e riffs dançantes, e que se tornou o maior sucesso do grupo até aquele momento, alcançando a posição número 30 nas paradas americanas antes do estouro final de "Lady".

A progressiva "Mother Dear" também começa com os sintetizadores, em uma melodia clássica, e assim, o Styx surge, com as guitarras gêmeas fazendo o riff entre intervenções dos sintetizadores, e uma levada do chimbal similar a "Yours is no Disgrace" (Yes) apresenta os vocais de Curulewski e James, com muitos sintetizadores ao fundo. Destaque para a viajante sessão instrumental, onde guitarra e sintetizadores duelam fazendo as mesmas notas, retomando a continuação da letra, sempre com as viajantes sessões instrumentais dos sintetizadores se fazendo presentes.

Mais sintetizadores estão na introdução de "Lonely Child", onde dedilhado de violão, slide guitar e sintetizadores acompanham os vocais de Dennis, com um potente refrão, onde as guitarras são o principal destaque, encerrando o lado A com muitas vocalizações.


Styx em 75: Dennis, James, Curulewski, Chuck e John


"Midnight Ride" abre o lado B com as guitarras e o andamento pesado dos Panozzo, tendo os vocais de James e outro refrão grudento e recheado de vocalizações, em um rock pesado tipicamente Styx, contando com uma sequência melódica para o início do solo de James, que depois torna-se mais agitado, retomando a letra e levando para o encerramento da canção com outro solo de James entre vocalizações entoando o nome da mesma.

Em "Born for Adventure", a introdução com o baixo e as guitarras gêmeas salta aos ouvidos positivamente, com um andamento muito bom. O riff traz o vocal de Dennis, em um boogie com destaque para o riff das guitarras. Variaçõs no andamento antecedem o refrão, que é daqueles para sair cantando pela sala, entoando o nome da canção com longas vocalizações, além de um bom solo de Curulewski.

A bela "Prelude 12" começa com harmônicos de violão, e depois, acordes dedilhados, que levam para a fantástica "Suite Madame Blue",outra canção famosa desse álbum, onde o dedilhado dos violões introduzem em uma escala menor, trazendo os vocais de Dennis em um dos mais belos arranjos musicais feitos pelo Styx. O refrão é cantado por todos, com as guitarras colocando peso na canção. Sintetizadores e o baixo passam a acompanhar o dedilhado dos violões, e então, temos o belíssimo solo de sintetizador, com longas notas que abrem espaço para as guitarras preencherem a canção, com um ritmo pesado fazendo a base para o solo de James.

Os vocais entoam "America", e assim, as guitarras levam a repetição do refrão, levando aos solos finais e encerrando o LP com uma imponente sequência de acordes feitas por sintetizadores, guitarras e as viradas de John.
Versão gold de Equinox

Equinox alcançou a posição 58 no ano de lançamento, e chegou ao ouro em 1977. Mas, esse foi o último álbum com Curulewski nos sintetizadores e nas guitarras, e também o último a contar com elementos progressivos na sonoridade do Styx.  Curulewski decidiu seguir carreira como professor de música, além de conviver mais com a família, e a partir de então, o Styx partiria em busca de um novo guitarrista, conquistando novos mundos e confirmando-se entre as maiores bandas americanas da história, como veremos na segunda parte.

Exodus - Shovel Headed Kill Machine [2005]



Por Mairon Machado (Publicado originalmente no blog Consultoria do Rock)

O sétimo álbum de estúdio do grupo americano Exodus é um dos grandes álbuns lançados na última década. Depois de uma ausência sentida no mundo musical durante a década de 90, o famoso grupo de thrash, que abalou o mundo na década de 80 com o fantástico Bonded by Blood (1985), retornou no ano de 2004, lançando o bom álbum Tempo of the Damned, que também poderia carregar o título de grande álbum da década passada. 

Porém, alterações na formação do grupo levaram ao Exodus, em 2005, a ter aquela que foi a melhor união de músicos da carreira da banda desde os tempos de Bonded by Blood. Nela, estavam o líder Gary Holt (guitarra),  Jack Gibson (baixo) e os estreantes Lee Altus (guitarra), Rob Dukes (voz) e Paul Bostaph (bateria). O talento individual de cada integrante unido com a experiência musical de alguns (Bostaph havia participado do Slayer e Altus tocou no Heathen) foram mescladas e fundidas em um álbum coeso, denso, e que destrói pescoços não preparados para a brutalidade sonora que está contida nos 52 minutos de Shovel Headed Kill Machine.

Paul Bostaph, Gary Holt, Rob Dukes, Jack Gibson e Lee Altus 


O disco abre com os pesados riffs de "Raze", com Bostaph já trazendo a técnica que o levou a substituir o genial Dave Lombardo no Slayer. Os vocais de Dukes não são guturais, e tampouco se comparam ao imortal Paul Baloff (vocalista original do Exodus, falecido em 2 de fevereiro de 2002), sendo apenas gritados, quase cuspindo as palavras, mas é possível entender o que está sendo cantado, e claro, os solos de guitarra são recheados de alavancadas e notas rápidas tradicionais no thrash. Destaque também para o baixo, com uma mixagem muito boa que permite ouvi-lo em toda a canção.

Paul Bostaph


Então vem a pérola "Deathamphetamine", a melhor canção do álbum,  com o baixão e as viradas de Bostaph entre as microfonias de guitarra fazendo a introdução dessa longa e pesadíssima faixa. O riff à la Slayer aparece, assim como o andamento balança-cabeça após a repetição do refrão que entoa o nome da canção. As estrofes se repetem, e assim surgem os solos de Holt e Altus, com uma ótima pegada de Bostaph e muitos bends rasgadíssimos, chegando ao pesado tema central, onde Bostaph acompanha lentamente os acordes pesados que fazem um sinistro tema. Então, apenas a guitarra de Holt fica sozinha, fazendo o riff da canção, e a pauleira, com palhetadas velozes e escalas furiosas que acompanham os vocais de Dukes, e um excelente trabalho dos bumbos de Bostaph, encerra a canção com a repetição do riff inicial e com a sequência da letra, em 8 minutos e 30 segundos de muita quebração de pescoço.

Gary Holt


"Karma's Messenger" é a próxima, mantendo o nível do álbum lá em cima, com o pesado riff inicial onde a distorção das guitarras penetra a pele do ouvinte como um vírus que irá permanecer balançando a cabeça durante todo o CD, em uma linha diferente de "Deathamphetamine", com mais melodia no refrão e nos solos, e com Bostaph em ótima performance. Aliás, acho que esse é o disco onde Bostaph faz seu melhor trabalho na carreira. 

As duas próximas canções já não são tão velozes quanto as três primeiras. Com um riff pesado, mas sem pique, "Shudder to Think" é uma canção cujo destaque é apenas o solo de Holt e Altus. "I Am Abomination" retorna aos riffs velozes, com Bostaph detonando nos dois bumbos, e com um trabalhado riff das guitarras durante toda a canção, contando ainda com outro excelente solo de Altus e Holt. 

A épica "Altered Boy" vêm na sequência, em uma introdução para levantar estádio, com Holt mandando ver nas palhetadas, assim como o baixo de Gibson, que está novamente com um bom volume. O riff quebrado da canção dá mais pontos para a mesma, trazendo os vocais de Dukes, que mantém o mesmo estilo vocal das canções anteriores, cuspindo a letra sem ser gutural. O solo de Holt e Altus possui escalas orientais e notas velozes, com o solo de Altus um pouco baixo na mixagem final. É uma boa canção, mas sem tanta velocidade.

"Going Going Gone" começa com o riff veloz e muitas viradas marcadas entre guitarra e bateria, com a pauleira pegando novamente em uma faixa veloz, onde as palhetadas e o ritmo de Bostaph são alterados para o refrão, muito similar ao de muitas bandas grunge do início da década de 90, e com o solo recheado de notas velozes e alavancadas, onde novamente a mixagem da guitarra de Altus não ficou boa.

Rob Dukes


A estranha introdução de baixo, guitarra e bateria de "Now Thy Death Day Come" apresenta outra paulada com ótima participação de Bostaph. Os riffs sujos e quebrados das guitarras e a entrada dos vocais de Dukes nos levam a pensar que estamos ouvindo um álbum do Slayer, já que a forma de cantar está diferente em relação as canções anteriores. Gibson merece destaque no tema central da canção, onde temos uma boa sequência de riffs sujos e palhetadas excelentes. Destaque para o uso novamente das escalas orientais nos solos de Altus e Holt.

A pesadíssima "44 Magnum Opus" é a pedrada seguinte, com um riff muito sujo, e dessa vez com Bostaph fazendo as batidas mais tradicionais (bumbo-caixa), soltando os dois bumbos durante o refrão. Outra canção com um belíssimo trabalho instrumental, destacando várias sequências onde os riffs e a bateria fazem as viradas juntos.

A faixa-título é uma pedrada com pouco menos de 3 minutos. Veloz e com riffs muito pegados, possui uma sinistra sessão onde o pesado riff das guitarras  e do baixo acompanha os diversos rolos de Bostaph, que passa a fazer um andamento magistral, com muito peso e que retorna à letra da melhor canção de Shovel Headed Kill Machine, ao lado de "Deathamphetamine, encerrando esse bom álbum do Exodus, e que ao lado de Death Magnetic (Metallica, lançado em 2008) marcou a volta de um gigante do thrash ao posto de destaque entre as principais bandas do gênero.

Shovel Headed Kill Machine ainda saiu em um edição limitada em digipack contendo a canção "Purge the World", a qual surge com mais peso e velocidade, em outra excelente faixa em que Bostaph, Gibson, Altus e Holt fazem um excepcional acompanhamento para os vocais de Dukes, com destaque para outra pesada sessão instrumental. A versão japonesa do álbum contém ainda mais um bônus, o cover para "Problems", dos Sex Pistols. Uma versão limitada em vinil duplo também foi lançada.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...