quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Capas Legais: Elomar - Auto da Catingueira [1984]


O Capas Legais de hoje resgata a incrível obra de Elomar Figueira de Mello, Auto da Catingueira. Primeira ópera do compositor baiano, ela foi lançada em 1983 numa luxuosa e limitada versão de 3000 cópias, cuja capa é um livro. Aprecie!




terça-feira, 17 de novembro de 2020

Unboxing: Glenn Hughes - The Official Bootleg Box SetVolume Three (1995 - 2010) [2020]


Apresento hoje o Unboxing do terceiro volume da série The Official Bootleg Box Set, lançado por Glenn Hughes. Dessa vez, com shows que aconteceram entre 1995 e 2010, nas cidades de Wolverhampton, Londre, Redford e Belfast. Confira!



segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Histórias de Colecionador: A Formação Musical de Eurico


Todo colecionador de discos sabe que na sua coleção, há mais que histórias de compras ou presentes de discos. Há também pessoas que marcam eternamente, seja pela doação de itens (como no texto anterior), pela presença em um momento específico (um show, um sebo, um bar) ou, essencial para aprender a gostar de música, amigos que lhe apresentam coisas desconhecidas, e que se tornam audições diárias a partir de então.

Com Eurico não foi diferente. Como já tem seus quase quarenta anos, Eurico pegou na infância o boom do BRock dos anos oitenta. RPM, Legião Urbana, Titãs, Ultraje a Rigor, Ira!, Camisa de Vênus, Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, Paralamas do Sucesso, entre outros, eram presenças constantes na vida do pequeno Eurico. Nomes internacionais estavam na moda, tais como Tears For Fears e A-ha, além da onda synth de Pet Shop Boys, Erasure e Depeche Mode duelando com "velharias" do porte de Led Zeppelin e Pink Floyd.



Alguns amigos mais próximos, e mais velhos, começaram a surgir entre a infância e a adolescência de Eurico. O primeiro que marcou foi Bentinho. Morador de uma cidade vizinha a de Eurico, o cara possuía uma coleção considerada invejável. Ele apresentou várias bandas que Eurico só conhecia de nome, como Deep Purple, Mutantes, Rolling Stones, Beatles, Queen, Ramones, entre outros, e claro, ampliou o leque de audições de Pink Floyd e Led Zeppelin. Foi com Bentinho que Eurico viu seu primeiro VHS, uma cópia de The Song Remains the Same que veio a marcar sua vida em uma outra história que será contada por aqui. A audição primeira de "Echoes" quase foi um orgasmo para o garoto de apenas dez anos. Aquela sonzeira de vinte minutos enlouqueceu o menino Eurico, e Pink Floyd virou uma das várias bandas de cabeceira do guri.

Outro nome importante é Pilha Fraca. Maluco, elétrico e fanático por Jethro Tull, pilha fraca tinha contatos e trazia LPs quase que semanalmente para sua casa, e Eurico aproveitava para conhecer Black Sabbath, Van Halen, The Who, Iron Maiden, W. A. S. P., Metallica, Guns n’ Roses, Slayer, entre outros. Era Eurico entrando no rock mais pesado, e descobrindo que o instrumento preferido dele era a guitarra. Eurico ficava horas tocando air guitar, fingindo ser Jimmy Page (seu grande ídolo), Ritchie Blackmore, Tony Iommi e principalmente, Eddie Van Halen. As diabruras do holandês fritaram com o cérebro de Eurico, e para o garoto, ninguém tocava mais que Eddie.

Mas voltando ao amigo de nosso personagem, o forte de Pilha Fraca realmente era Jethro Tull. Uma das várias histórias do garoto com a banda envolveu uma viagem de 400 km, pedindo carona e sem grana, para assistir aos britânicos. Por lá, Pilha Fraca pegou uma caixa de papelão, rasgou a mesma e escreveu: "Viajei 400 km para ver minha banda favorita e não tenho dinheiro pro ingresso. Por favor, me ajudem a ver Jethro Tull". Mendigando moedas, conseguiu realizar o sonho de ver Ian Anderson de perto.

Os anos passaram e veio Seu Duro. Esse nome foi importante para Eurico por mostrar que havia mais na música além do rock 'n' roll. Seu Duro surgiu para Eurico por conta de Jimi Hendrix e uma ensebada troca de vinis. Logo viraram amigos, com Eurico passando tardes e noites ouvindo som na casa de Seu Duro. Foi aí que Eurico conheceu o jazz de Keith Jarrett, Duke Ellington, Count Basie, Charlie Mingus, Louis Jordan, e claro, John Coltrane. Um aprendizado que abriu o mundo e os ouvidos de Eurico.

Porém, como toda turma de amantes da música, há um guru na vida deles, e no caso de Bentinho, Pilha Fraca e Seu Duro, o guru é o mesmo: Chofer. Chofer é um cara de respeito. Com seus sessenta e poucos anos, é considerado por todos os amigos de Eurico, e também pelo nosso amiguinho, como o maior conhecedor de música da cidade onde Eurico nasceu. O cara tinha de tudo na sua casa, mas principalmente, o que mais tinha era marra, e muita fama. Para Eurico, se aproximar de alguém desse nível de conhecimento era impensável. Mas um dia, ele conheceu Chofer. 

A casa humilde foi construída pelo próprio Chofer. Uma casa de madeira, com três cômodos, dois deles destinados para a coleção de discos, e a cozinha. O banheiro é uma boa e velha patente no fundo da casa. Chofer não é de dar bola para bens materiais, apenas quer curtir os seus discos e VHSs. "Cara, DVD arranha, DVD não tem o mesmo som. VHS é melhor cara", para se ter ideia da rooteza de Chofer. Trabalhando como frentista, Chofer ganha o suficiente para alimentar-se tanto do ponto de vista carbo-proteico como musical, dedicando todo seu lazer para a música, acompanhado de sua cigarrilha e chás dos mais diversos tipos. Foi assim que se tornou reconhecido inclusive nacionalmente, com nomes do porte de Turíbio Santos e Elomar se tornarem amigos de Chofer. Essa do Elomar se tornou uma lenda entre os chegados, já que sempre que acontecia algo que Chofer não curtia, ele avisava o detrator: "vou falar pro Elomar!". E pior, ele falava mesmo, em conversas telefônicas que duravam horas com o velho baiano. 

Quando Eurico conheceu Chofer, através de Seu Duro, ficou abismado pela simplicidade do cara, e também pela coleção. Chofer apresentou nomes que Eurico nem imaginava que podia ser uma banda. Ginger Baker's Airforce, Chocolate Watch Band, The Incredible Bongo Band, Shákti, The Mahavishnu Orchestra, Mothers of Invention, e por aí vai, foram as primeiras iniciações de Eurico ao mundo maravilhoso de Chofer. O garoto se tornou um frequentador assíduo da casa do novo amigo, e passou a consumir Keith Jarrett, John Coltrane, Miles Davis, Chick Corea, John Abercombrie, fazendo do jazz uma paixão ainda maior, ao mesmo tempo que descobriu o violão clássico de Kazuhito Yamashta, Larry Coryell, John Willians, Julian Bream e principalmente, Andrés Segóvia. 

Mas além da música, Chofer fez Eurico sentir o que era vivenciar um show. As histórias das apresentações que Chofer havia visto nos anos 70 faziam os olhos de Eurico brilhar. Santana, John McLaughlin e Paco de Lucia foram shows nos quais a descrição de Chofer trazia com detalhes a precisão e o virtuosismo desses grandes músicos. O show de Rick Wakeman na turnê de Journey To The Centre of the Earth era igualmente exaltado por Chofer, que dizia: "ver aquelas cobras no meio da plateia, e aquela capa brilhante do loiro - Wakeman - nos teclados era tipo assistir uma espécie de Guerra nas Estrelas. Só que não havia Guerra nas Estrelas ainda!". Outro grande nome do progressivo que Chofer adorava exaltar ter visto era o Genesis em 77. "Cara, o Phil Collins era baixinho, mas berrava muito. Quando eles tocaram 'Supper's Ready', achei que o mundo ia terminar!". 

Exageros a parte, Chofer era sempre muito fiel aos detalhes, e dois deles nunca mais saíram da mente do jovem Eurico. O primeiro foi quando Chofer assistiu a Elis Regina pela primeira vez. O então rapaz havia viajado para assistir aos Mutantes da fase progressiva, e infelizmente não conseguiu ingresso. Para não ficar sem ter o que fazer, foi assistir ao espetáculo Falso Brilhante. Seguem as palavras que Eurico nunca esqueceu: "Cara, todo mundo falava da tal Elis, que Elis isso, Elis aquilo, cara, eu achava que Elis era uma bosta. Daí fui conferir. A banda começou a tocar, e ela surgiu, nanica cara, uma coisinha de nada. Eu me levantei rindo, pronto pra ir embora, e a mulher começou a cantar. Só que ela estava sem microfone cara, mandando ver no mesmo nível da banda, cara. Sabe o que é isso? A mina arregaçou cara. Cai de quatro pra ela".

A outra descrição foi nada agradável para Chofer. Em uma fase mais controlada na sua vida, o já adulto Chofer foi conferir de perto Eddie Van Halen, quando a sua trupe passou pelo país promovendo o álbum Diver Down. Seguem as palavras de Chofer: "Meu, o tal Van Halen foi algo que não sei te dizer. Galera dizia que tinha um guitarrista chamado Eddie Van Halen que era melhor que Hendrix, que o vocal era incansável, daí eu fui. Cara, nunca vi tanta gente. Era um bando de gente que eu achei que não ia caber no ginásio. Fiquei lá cara, todo esmagado, e os caras começaram a tocar. Bicho, era muito alto o som. Eu não conseguia ouvir nada. De repente, eu vi um loiro pulando no palco, e gemendo. Cara, não era pra mim, sai da pista e fui tomar uma cerveja. Cara, o som era muito alto mesmo no bar! Eu não aguentava cara! Daí comprei um saco de pipocas e coloquei umas pipocas nos ouvidos. O som continuava alto. Daí rasguei o saco em dois e taquei nos ouvidos. Cara, foi aí que o tal Eddie Van Halen começou a tocar! Era mais alto ainda. E pior, o cara tocava e pulava ao mesmo tempo. Era ao mesmo tempo incrível, mas tão extraterrestre que eu fiquei me tremendo. Cara, olha meus dentes - balançando os dentes - ficaram frouxos de tão intenso que era aquele som. Nunca vou me esquecer.

Eurico desconfiou de tanta dramaticidade, mas sabia que Chofer era um cara que praticamente nunca mentia, então, embasbacado pela potência sonora que havia ouvido na descrição do show, foi para casa viajando nas palavras de Chofer, se imaginando no show do Van Halen bebendo uma ceva, com sacos de pipoca nos ouvidos e vendo um de seus grandes ídolos da guitarra pulando e tocando a poucos metros de seus olhos, com o som a todo vapor. Ou seja, ele estaria no paraíso!

Com o passar dos anos, outros nomes foram surgindo na formação musical de Eurico, mas certamente, a importância desses quatro caras na apresentação de sons para o menino foi fundamental para que hoje ele faça parte de nossas páginas. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Cinco Músicas Para Conheer: As Baladas de Madonna

A Rainha do Pop eternizou-se por agitar as casas noturnas com faixas empolgantes, danças sensuais, ritmos marcados, entre outros. Porém, Madonna também produziu inúmeras canções suaves, ou simplesmente, baladas perfeitas para se aninhar e apenas curtir enquanto o som está nas caixas de som. Há muitas outras baladas de Madonna, mas resolvi escolher aquelas que estão presentes nos lançamentos dos dez primeiros anos de sua carreira, sendo que três delas estão presentes na bela coletânea de baladas Something To Remember, que completa hoje 25 anos. Por isso, nada mais justo do que revisitar algumas das mais belas canções de Madonna.

"Love Don't Live Here Anymore" - Like A Virgin[1984]

Canção totalmente a parte na vasta discografia da loira, já que é um dos raros covers de Madonna, ela surge com sintetizadores e arranjos orquestrais para arrebatar corações. Madonna rasga sua voz, sofrendo aos microfones e fazendo os machões babarem. O arranjo vocal que faz inserções junto a voz de Madonna, a bela harmonia da orquestração, com um solo divino, o ritmo suave que a canção vai ganhando, estourando em uma levada gostosa através do ritmo da bateria de Tony Thompson e da guitarra  de Nile Rodgers, boa para se empernar, tudo perfeito para mostrar que Madonna também é uma ótima vocalista, permitindo explorar suas cordas vocais de forma única, com alguns técnicas do soul, falsetes e agudos que não eram comuns para o seu início de carreira, e levando-a às lágrimas no meio da gravaço. Tudo registrado em Like A Virgin. A canção original de Miles Gregory, e gravada primeiramente por Rose Royce, saiu também em um raro compacto promocional na África do Sul (!), bem como no Japão, com "Over and Over" no lado B, e recebeu uma nova adaptação de Madonna em 1995, para o álbum Something to Remember, lançada também como single.

"Live To Tell" - True Blue [1986]

Essa é a minha canção favorita da carreira da loira. Seu clima depressivo, sobrecarregado pelos sintetizadores, torna a faixa quase que progressiva, e a voz de Madonna está linda aqui. Me apaixonei perdidamente pela canção desde a primeira audição. Os sintetizadores fazem a cama para Madonna cantar sua letra sobre traições e lembranças tristes de sua infância, inspirada no relacionamento fracassado de seus pais. O que só atesta que Madonna é um artista completa. Uma parceria fantástica com Patrick Leonard, responsável pela criação da parte instrumental de "Live to Tell", com os sintetizadores sendo uma atração a parte. O clipe, com fundo negro, apresentou o visual Monroe de Madonna para o mundo, e seu hipnotizante olhar, bem como trechos do filme At Close Range, para qual a canção serviu como trilha sonora. Filme este que conta com a participação do então marido de Madonna, Sean Penn.  É um dos singles mais bem sucedidos de Madonna, recebendo diversos lançamentos distintos, alguns em versões picture ou com pôster acompanhando. Está no álbum True Blue, além de coletâneas e discos ao vivo.

Junto ao túmulo da mãe, durante "Promise to Try"




"Promise to Try" - Like a Prayer [1989]

Essa linda faixa é interpretada de forma emocionante por uma Madonna que estava com a voz esplêndida. Acompanhada apenas do piano de Patrick Leonard e uma tímida orquestração, Madonna arrepia a espinha cantando suave, quase sussurrando, como se alguém estivesse lhe falando, pedindo para ter força com a perda da mãe (para qual o álbum onde "Promise to Try" está registrada, Like A Prayer, é dedicada). As palavras são tocantes, e Madonna dá mais gravidade e sentimento à elas com um talento inquestionável. Tudo ganha ainda mais força ao assistir Truth Or Dare (no Brasil batizado de Na Cama com Madonna), quando tendo a canção ao fundo, Madonna leva flores ao túmulo de sua mãe. Like A Prayer ainda conta com mais duas lindas baladas, "Oh Father" e "Spanish Eyes", mas a interpretação de Madonna em "Promise to Try" é o que a faz ser representante de Like a Prayer aqui.

"Something To Remeber" - I'm Breathless (Music From And Inspired By The Film Dick Tracy) [1990]

Interpretando Breathless Mahoney no filme Dick Tracy, Madonna mostrou ao mundo uma faceta diferente deu jeito atriz, e na trilha sonora, do seu jeito de cantar. Com inspiração no jazz e na Broadway, a loira desagradou aos fãs mais xiitas de seu pop, mas conquistou outros com faixas como "Something to Remember". Essa linda balada tem uma letra que traz o lado emocional de Breathless, sofrendo por um homem que mostrou que a vida dela era muito mais do que ela podia imaginar, mesmo sem ter tido uma relação com ele. Segundo Madonna, a faixa foi inspirada no fim do seu casamento com Sean Penn. O instrumental conduzido magistralmente pelo piano elétrico, e uma tímida marcação percussiva, é perfeito para Madonna explorar seu lado jazzístico na voz, fazendo uma melodia muito bela. A virada da canção, na segunda metade, é de arrepiar, com seu grandioso arranjo orquestral e a presença da bateria. A balada é tão importante para a carreira de Madonna que foi usada como título na compilação de baladas citada no início do texto. 

"Rain" - Erotica [1992]

Outra grande composição de Madonna, dessa vez ao lado de Shep Pettibone, Predominada por sintetizadores e com acompanhamento drum 'n' bass, que por vezes lembra algo de Enya, ou até mesmo Peter Gabriel, Madonna solta sua voz falando sobre as semelhanças entre a chuva e o amor. Enquanto a chuva limpa a sujeira, o amor lava as tristezas do passado, abrindo um novo caminho para a pessoa viver seu presente ao lado de um novo parceiro. No vídeo, Madonna revisita Edith Piaf, com cabelos curtos e pintados de preto. Outra característica importante do vídeo é que é o primeiro de Madonna sem a pinta no rosto que marcou o início da carreira. Curiosamente, essa baladaça está no álbum mais sexy da loira, Erotica, além de ter sido lançado em single em diferentes edições, com a versão picture sendo apresentada aqui.

Interpretando "Rain" na turnê The Girlie Show

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