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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Ouve Isso Aqui: 1975 por Marcello Zapelini


 Com André Kaminski, Daniel Benedetti, Davi Pascale, Mairon Machado e Marcelo Freire

Minha lista para 1975 é bem diferente daquela que elaboraria se estivesse em outro contexto, uma vez que muitos dos meus discos favoritos desse ano já foram abordados em outras listas. Assim, busquei colocar alguns discos que gosto muito e que, com uma ou outra exceção, imaginei que não apareceriam em outras listas. O resultado é que em três casos (Elton John, Nazareth e Jethro Tull), acabei selecionando meus discos favoritos desses artistas. Para escolher o disco nacional a coisa já ficou mais complicada, afinal, não me ligo muito em música brasileira, mas acabei encontrando uma pérola.

Caravan - Cunning Stunts

Marcello: Em 1975, o Caravan estava deixando seus dias de prog rock para trás, mas isso não quer dizer que não gravasse bons discos. O disco foi produzido por David Hitchcock, que estava simultaneamente trabalhando com o Renaissance (Scheherazade and Other Stories). A bela “The Show of Our Lives” começa com o piano do seu autor Dave Sinclair e introduz um novo Caravan, que inclusive estreava seu novo baixista Mike Wedgwood, também vocalista principal nessa música. Sinclair ainda é responsável por “The Dabsong Conshirtoe”, épico de 18 minutos que toma quase todo o lado B e é a melhor música do álbum, mesclando jazz, funk, prog e uma reprise da primeira faixa. O líder do grupo, o guitarrista/vocalista Pye Hastings, assina duas músicas: a alegre e rocker “Stuck in a Hole” e a suave balada “No Backstage Pass”. Wedgwood compôs (e cantou) mais duas, a baladinha “Lover” e a funky “Welcome the Day”, em que ele mostra seu talento nas congas, e o violinista Geoff Richardson escreveu a vinheta “Fear and Loathing in Tollington Park Rag” (e ainda faz o solo de flauta em “Dabsong...”). No instrumental, Richardson fez um belo solo de viola ao final de “Lover” e Hastings, que nunca foi um guitarrista-solo, se arrisca em algumas músicas, como “The Show of Our Lives” e “No Backstage Pass”. “Cunning Stunts” não se compara às obras-primas do Caravan como In the Land of Grey and Pink e For Girls Who Grow Plump in the Night, mas sempre achei que as críticas a este disco eram um pouco injustas; mais da metade do tempo a banda não pode ser chamada de prog, mas as músicas são muito legais e merecem mais atenção.

André: Espero não estar falando nenhuma atrocidade, mas senti que os sujeitos do Caravan gostaram de dois discos: Pet Sounds do Beach Boys e Close to the Edge do Yes. A influência de ambas as bandas, junto ao já conhecido som próprio de Canterbury gerou este álbum. Bem menos progressivo que seus anteriores, acredito que a banda optou aqui dar uma amaciada no seu som para ampliar o seu público. Não creio que conseguiram porque quase não ouço falar deste album quando se trata deles, mas ainda assim é um som gostoso e cativante de se ouvir.

Daniel: Cunning Stunts é um bom álbum do Caravan, embora não esteja no nível dos anteriores. É claro que a perícia instrumental dos músicos continua presente, em especial o guitarrista Pye Hastings, com ótimos solos. Aqui a banda diminui suas influências da música folk, apostando em um som bem elétrico, direto e acessível. E, particularmente, achei as orquestrações na suíte “The Dabsong Conshirtoe" um tanto quanto desconexas.

Davi: Esse é um trabalho muito criticado entre os fãs do Caravan e ouvindo o álbum consegui entender o porquê. Aqui, eles deixam de lado aquela veia mais psicodélica, mais experimental e apostam em um som mais clean, diria até mais pop. Como sempre gostei de música pop, o disco não me incomoda. Aliás, gostei bastante. Claro... É um trabalho que foge das raízes do grupo, mas as faixas são muito bacanas e, obviamente, muito bem executadas. Do lado A, gosto bastante de "Stuck in a Hole", "Lover" e "Welcome To The Day". No lado B, o grande destaque fica para os 18 minutos de "The Dabsong Conshirtoe". A faixa é tão envolvente que nem sentimos o tempo passar. Sabe quando o autor diz 'se você se esquecer que está ouvindo tal banda, você irá encontrar um disco bem interessante'? Pois bem... Esse LP é um belo exemplo.

Mairon: Lembro até hoje do choque que foi ouvir Cunning Stunts pela primeira vez. Esperando algo na linha dos clássicos If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You e In The Land of Grey and Pink, fui pego de surpresa por um álbum om canções leves e/ou totalmente discrepantes daquele Caravan progressivo de Canterbury que encanta . Mas não que Cunning Stuns seja ruim. O disco amadureceu muito bem, principalmente a baladaça "Lover", com um lindo arranjo orquestral, presente também em "No Backstage Pass", outra linda faixa, graças ao novo baixista do grupo, Mike Wedgwood. O Caravan soa como uma espécie de Wings sessentista, ou seja, um certo ar de Paul McCartney nas composições, principalmente durante "Stuck In A Hole" e "Welcome the Day", essa para mim a mais Wings do disco (até o vocal me remete fácil Paul), e com uma grata presença do moog. A faixa de abertura, "The Show Of Our Lives", é uma canção que deveria ser legal para abrir um álbum conceitual sobre artistas. Mas há o velho Caravan de (apenas) três anos antes quando a agulha pousa no lado B, e podemos então desfrutar de "The Dabsong Conshirtoe" e suas seis partes que ocupam belos 18 minutos do vinil. Belíssima música, destacando o sensacional solo de moog durante "Ben Karratt Rides Again" e o solo de viola em "Pro's and Con's". E o que é aquela sessão jazzística durante "Sneaking out the Bare Quare"? Lindaça. Baita som, repleto de variações, do jeito que um fã de Caravan curte. O disco em si não é Top 3 na discografia dos caras, mas vale E MUITO a conferida. Baita lembraça Marcello.

Marcelo: Há discos que soam como um brinde tardio à própria liberdade criativa — e Cunning Stunts é exatamente isso. Lançado em julho de 1975, ele mostra o Caravan num momento de maturidade melódica rara, quando o chamado Canterbury Sound começava a se fragmentar e perder o espaço para o rock mais direto e pesado. Mas o Caravan nunca foi banda de seguir modas: preferiu seguir tecendo suas paisagens sonoras de flautas, teclados e humor britânico refinado. O título do álbum — um trocadilho de pronúncia que beira o indecoroso — já denuncia o espírito provocador e bem-humorado da banda. Musicalmente, é uma aula de sutileza: progressivo sem ser exibicionista, jazzístico sem ser hermético, pop sem perder a complexidade harmônica e, no final das contas, um disco muito agradável de se ouvir. Ao escutá-lo para a lista do Marcello, depois de muitos anos sem sequer me lembrar dele, me fez perceber o quanto o Caravan dominava a arte de fazer canções que pareciam flutuar entre o bucólico e o cerebral, com melodias que se desdobram naturalmente, como conversas entre velhos amigos. Pye Hastings está em plena forma, tanto na voz quanto nas composições, e a longa suíte “The Dabsong Conshirtoe” resume o espírito do disco — inventivo, divertido e inesperadamente terno. É um álbum que convida o ouvinte a se deixar levar pelo encanto do detalhe, da leveza e da ironia. Meus destaques: “The Show of Our Lives”, uma das mais belas aberturas da carreira do grupo, “Stuck in a Hole”, um dos rocks mais gostosos de se ouvir da década de 70 e “The Dabsong Conshirtoe”, épica e espirituosa. A gema escondida: “Lover”, por seu romantismo tímido e flutuante, que mostra que o Caravan podia ser emocional mesmo quando soava cerebral. Da lista, só perde para o álbum do Hyldon.

Elton John - Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboys 

Marcello: Em 1975 Elton John estava no auge do sucesso, e manteve a sequência impressionante dos anos anteriores lançando dois álbuns, este que selecionei e Rock of Westies. Nono disco de estúdio de Elton, Captain Fantastic... é um disco conceitual que narra as desventuras do pianista dos óculos bizarros e seu parceiro de composições Bernie Taupin do momento em que se conheceram até o sucesso em 1970. Os dois fizeram um disco mais ambicioso do que os anteriores, mas, ainda assim, repleto das belas melodias pop que tornaram Elton John um dos artistas comercialmente mais bem-sucedidos de todos os tempos. É difícil até destacar alguma música, mas “Tell me When the Whistle Blows” (com ótimo gostinho do Philly Sound da época), “Someone Saved My Life Tonight” (que fala de quando Elton quase se suicidou e foi salvo pelo amigo Long John Baldry), a faixa-título (que tem um swing irresistível), “Gotta Get a Meal Ticket” (com um riff matador do guitarrista Davey Johnstone), as lindas baladas “We All Fall in Love Sometimes” e “Curtains” são as minhas favoritas. Primeiro álbum da história a ganhar disco de ouro só com as encomendas das lojas (bons tempos em que qualidade musical e sucesso comercial se encontravam), Captain Fantastic... mostra o talento incomum de Reginald Kenneth Dwight e seu letrista fissurado no Velho Oeste num álbum definitivo: 50 anos depois, eles tiveram vários momentos de brilho, mas nunca fizeram algo que se comparasse com esse disco.

André: Embora eu tenha imenso respeito pelo Sir Elton John, suas músicas não me cativam. Não foi dessa vez.

Daniel: Que ótima lembrança. Este é um discaço de Elton John, no qual ele flerta mais com o Hard Rock (graças ao ótimo trabalho das guitarras de Davey Johnstone), mas sem perder as raízes da música norte-americana como o country, o blues e o soul, entre outras. Em um álbum conceitual, é importante ressaltar as letras de Bernie Taupin, que são emocionantes e dão coesão ao disco. E que música é "Tell Me When the Whistle Blows"!. Disco impressionante.

Davi: Sempre gostei muito do trabalho do Elton John. Principalmente, o período que vai de Elton John 1970 até esse Captain Fantastic and The Brown Dirt Cowboy. É um disco melhor do que o outro. Musicalmente, o álbum não traz muitas novidades, o que temos aqui é a sonoridade clássica do cantor mesclando seus rocks alegres com suas baladas tocantes, todas embaladas pelo piano de primeira grandeza de Elton e as letras impactantes de Bernie Taupin. Aliás, se temos um diferencial é justamente em relação às letras, já que esse disco é autobiográfico. Dentre as músicas aqui presentes, gosto muito de "Tower of Babel", "(Gotta Get a) Meal Ticket", "Captain Fantastic and The Brown Dirt Cowboy", além da belíssima "Someone Saved My Life Tonight". Excelente lembrança...

Mairon: Elton John é um artista que tive vários discos em minha coleção, mas com o passar do tempo acabei me desfazendo de quase todos, ficando apenas o (excelente) ao vivo 17-11-70. Este é um dos que esteve nas minhas prateleiras, e lembro que gostava de ouvi-lo vez ou outra, principalmente por faixas que agora, reouvindo novamente quase dez anos depois, ainda aprecio, como o delicado trabalho de crescendo da faixa-título, não tão grandioso quanto "Funeral For a Friend", mas com belas passagens acústicas e um bom trabalho de guitarras, e a espetacular sequência de "We All Fall in Love Sometimes" e "Curtains", que encerra magistralmente o disco. Elton se mostra um belo pianista em faixas como "Better Off Dead"", que me lembra bastante Queen, mas as faixas mais leves, vide "Someone Saved My Life Tonight" e "Tower Of Babel", acho bem abaixo das demais, apesar de carregarem seu B de beleza na audição. Um nome que se destaca ao longo de todo o disco é a guitarra de Davey Johston, em especial em "Bitter Fingers" (com mais um bom trabalho de piano de Elton) e "Gotta Get a Meal Ticket", rockaço tipicamente Elton John. Melhor faixa para a inspiração Motown de "Tell Me When the Whistle Blows" (que baita orquestração), para sair dançando pela casa, e deslize total para as inspirações latinas de "Writing". Acho que Sir Elton John se perdeu em uma carreira de mais baixos do que altos (os anos 80 dele são terríveis), mas o Marcello resgatou com certeza um de seus grandes discos, que vale a pena citar, é uma peça autobiográfica da carreira de Elton ao lado do parceiro Bernie Taupin.

Marcelo: Poucos artistas dos anos 70 estavam tão conscientes de sua própria trajetória quanto Elton John. Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy, lançado em maio de 1975, é o primeiro álbum de rock autobiográfico em larga escala — e talvez o mais honesto da carreira do cantor. Ao lado de Bernie Taupin, Elton revisita aqui a juventude de ambos, quando ainda lutavam para serem levados a sério na Londres pré-glam. O resultado é um retrato emocional e maduro de uma dupla que já dominava o mundo, mas ainda se via como dois garotos tentando provar seu valor. A coesão do álbum impressiona: cada faixa parece conversar com a seguinte, num arco narrativo que mistura vulnerabilidade, ironia e autoconfiança. Musicalmente, Elton está em seu auge — com arranjos grandiosos e um domínio absoluto do piano. É impossível não ser fisgado já na primeira faixa, que dá nome ao álbum. E há algo profundamente humano em canções como “Someone Saved My Life Tonight”, talvez sua melhor balada, em que confessa o peso da fama e do próprio destino. Meio século depois, o disco soa quase como uma carta de amor à própria arte de sobreviver na música. Como achei essa lista do Marcello excelente de se ouvir em conjunto, fiz uma playlist com os 6 álbuns e confesso que foi muito legal ouvir Elton John misturado com os demais listados. Para mim, esse sempre foi um de seus melhores — se não o melhor — trabalho. Meus destaques: “Someone Saved My Life Tonight”, emocionalmente devastadora em seus quase sete minutos, e “Tower of Babel”, na qual a dupla sintetiza toda a melancolia e o brilho dos anos 70 e que poderia ser uma belíssima faixa composta pelo Supertramp. A gema escondida: “We All Fall in Love Sometimes”, uma canção que poderia ser tocada eternamente sem perder o sentido. Ponto para o Marcello, mais um disco bastante agradável de se ouvir.

Jethro Tull - Minstrel in the Gallery

Marcello: Minstrel in the Gallery é a obra-prima do Jethro Tull para mim, encapsulando o som folk que predominaria na segunda metade da década de 70, o hard rock que dera as caras na guitarra de Martin Barre em Aqualung, o prog de Thick as a Brick e A Passion Play e a mitologia nórdica do recente Rökflote. O álbum traz a fantástica faixa-título (com o riff memorável de Barre e a batida quebrada de Barriemore Barlow), que começa com uma introdução acústica e ganha peso na sequência, as belíssimas “Cold Wind to Valhalla” (primeira vez que a banda abordaria a mitologia dos vikings) e “Black Satin Dancer” (linda balada com ótimas guitarras), a épica “Baker Street Muse” com seus quase 17 minutos divididos em quatro partes (e bastante variação entre elas, mantendo-se interessante do começo ao fim), as belas baladas acústicas “Grace” (uma vinheta de encerramento) e “One White Duck/O10 = Nothing at All” (o bizarro título da segunda parte é perfeitamente explicado na letra), e a delicada “Requiem” (provavelmente a mais fraca do disco, mas seria destaque em muitos outros que a banda lançou); tudo considerado, o disco mostra que Ian Anderson, Barre, John Evan, Jeffrey Hammond-Hammond e Barlow estavam no auge da forma. Pena que Hammond-Hammond saiu ao final da turnê de lançamento do disco, mas este disco sensacional funciona como o testamento dessa formação, e é obrigatório para os fãs do Tull e essencial quem gosta do rock dos anos 70.

André: Adoro este disco e escrevi sobre ele aqui. De lá para cá, parece que só melhorou com o tempo. Tanto seu lado A mais hard rocker quanto seu lado B mais folk. É uma riqueza instrumental que me impressiona até hoje.

Daniel: Minstrel in the Gallery é o meu álbum favorito do Jethro Tull após Thick as a Brick. Talvez, ao mesmo tempo, seja o mais pesado desde Aqualung. O destaque é a dupla Martin Barre e John Evan (e isto me lembra de quanto Barre é um guitarrista subestimado). É claro que o apuro musical e técnico é visto por todo disco, mas há (muito) espaço para o Hard Rock, com riffs matadores e solos inspirados. Ao mesmo tempo a pegada Folk e os momentos para melodias tocantes também existem (na linda “Requiem”, por exemplo). Belíssima lembrança.

Davi: Esse disco faz parte da fase clássica do Jethro Tull. Sendo assim, não tem muito o que criticar. Martin Barre entrega um ótimo trabalho de guitarra, que pode ser sentido nas 3 primeiras faixas, as ótimas "Minstrel In The Gallery", "Cold Wind to Valhalla" e "Black Satin Dancer". Martin rouba a cena apresentando ótimos riffs e um peso fora do comum (em se tratando de Jethro Tull, ao menos). As outras faixas do álbum, apostam mais no lado mais folk e um uso maior dos violões (sim, eles já apareciam nas faixas iniciais). Dessa segunda metade, meu momento favorito fica com a encantadora "Baker St Muse". Durante a audição também vale prestar atenção no belo trabalho de flauta de Ian Anderson e nas orquestrações conduzidas por Dee Palmer.

Mairon: Minstrel in the Gallery estava na minha lista, e fico feliz de vê-lo aqui. Um disco muito relevante na carreira do Jethro Tull, já que leva o grupo do seu flerte com o progressivo para o relacionamento sério com o folk rock a partir de então (apesar de Too Old To Rock 'n' Roll, Too Young To Die ser um disco bem diversificado). As inspirações prog surgem logo de cara, na maravilhosa faixa-título, com um arranjo vocal fabuloso, uma performance assombrosa de Barriemore Barlow na bateria, e um trabalho incrível de guitarra por Martin Barre. Incrível como evoluiu como músico em apenas 6 anos. Seus riffs e solo na faixa-título estão certamente entre os melhores de sua carreira. O prog segue na sensacional "Black Satin Dancer", com um ótimo arranjo de cordas, e na longa "Baker St. Muse", ocupando quase todo o lado B com suas quatro partes que mesclam o folk e o prog singularmente, surgindo com piano, violão e cordas, explodindo nos solos trabalhados de flauta, guitarra e teclados, trazendo a linda participação das cordas, e encerrando as suítes do Tull definitivamente. Já o lado folk surge na espetacular "Cold Wind to Valhalla", com participação de cordas, uma introdução aos violões, e modificando-se para uma faixa pesadíssima (mais uma bela performance de Barlow aqui), nas tímidas "Requiem" e "Grace", e na interessante "One White Duck / 0¹° = Nothing At All", duas faixas em uma, somente com Anderson ao violão e voz, como um grande menestrel dos campos escoceses. Discaço, talvez top 5 dos melhores do Tull, e que deveria ser mais reconhecido pelos fãs.

Marcelo: Se houvesse uma palavra para definir Minstrel in the Gallery, ela seria “teatral”. Lançado em setembro de 1975, o álbum é o último respiro da fase mais progressiva do Jethro Tull antes de Ian Anderson mergulhar em caminhos mais folks e introspectivos. Gravado no majestoso Château d’Hérouville (o mesmo de Goodbye Yellow Brick Road, de Elton John), o disco é um banquete de contrastes: riffs vigorosos e passagens acústicas delicadas, ironia e confissão, técnica e emoção. Anderson assume aqui o papel de um trovador moderno, um “menestrel na galeria” observando o mundo com sarcasmo e ternura. O resultado é uma obra densa, de lirismo quase literário, em que cada faixa revela novas camadas a cada audição. O virtuosismo de Martin Barre nas guitarras e a bateria de Barriemore Barlow estão entre os grandes momentos da banda. O tempo só fez bem ao disco: hoje, soa como um testamento de uma era em que o rock ainda podia dialogar com Shakespeare sem perder a visceralidade. Meus destaques: a faixa-título, explosiva, e “Baker St. Muse”, suíte progressiva com suas múltiplas seções que mesclam humor e melancolia. A gema escondida: “Requiem” — acústica e comovente, quase uma prece perdida entre gigantes.

Little Feat - The Last Record Album

Marcello: “A banda que seus ídolos idolatram” - assim foi promovida a primeira turnê do Little Feat na Inglaterra, em 1975. Não era exagero: Page, Plant e Bonham eram fãs dos americanos, e os Stones gostavam tanto deles que esperaram com uma limusine na pista do aeroporto quando a banda chegou em Londres. O sexteto de Lowell George e Paul Barrère (guitarras e vocais), Bill Payne (teclados e vocais), Richie Hayward (bateria e backing vocal), Kenny Gradney (baixo e backing vocal) e Sam Clayton (percussão e backing vocal) não se desvia muito de seu som clássico neste quinto disco, que traz as ótimas “All That You Dream”, “Mercenary Territory”, “Day or Night”, “Down the Borderline” e “Romance Dance”. São apenas 8 músicas (com quase todos participando das composições - apenas Clayton não recebeu nenhum crédito), pouco mais de 34 minutos, mas nem sequer um segundo de música pode ser considerado dispensável. O Little Feat é na maior parte das vezes classificado como Southern Rock, mas não espere o blues da Allman Bros., os voos guitarrísticos do Lynyrd Skynyrd e do Outlaws ou o peso do Blackfoot e do Molly Hatchett: o som do grupo traz uma dose saudável de funk, outra de jazz de New Orleans, um pouco de rock, outro de country e uma pitada de blues. Um gumbo ou uma jambalaya, se preferir: de todo modo, uma mistura de diferentes sabores e temperos que dá certo e que nenhum outro chef conseguiu repetir. O Little Feat continua na ativa e inclusive lançou dois ótimos discos em 2024 e 2025, com Payne, Clayton e Gradney acompanhados por outros músicos (Lowell George morreu em 1979, Richie Hayward em 2010 e Paul Barrère, em 2019).

André: Conheço pouquíssimo dessa banda e nada deste disco. E gostei bastante. Típico rock sulista que eu gosto, ao melhor estilo The Almann Brothers Band. Adorei principalmente a quarta música "Day or Night". Ouviram com atenção este teclado e esta bateria? Original e muito marcante.

Daniel: Este quase entrou na minha lista (que já foi publicada) e fico feliz que o Marcello tenha se lembrado desta obra. Somente a presença de canções excelentes como “All That You Dream”, “Long Distance Love” e “Mercenary Territory” valem a audição do álbum. Trata-se de um Southern Rock de categoria, com influências de blues e country, tudo de maneira bastante orgânica.

Davi: Sempre que vejo algum texto falando sobre o Little Feat, vejo o autor se referindo à eles como uma banda de southern rock. Por isso, muitos podem esperar um som com forte influência de country e um forte trabalho de guitarra. Já aviso que nenhuma dessas características se destacam nesse trabalho deles. O som aqui é bem mais comercial buscando referências no funk, na soul music e até no jazz rock. O grupo conta com bons músicos e apresenta um trabalho vocal super bem resolvido, mas suas composições não me cativaram. Não que tenha achado ruim, é um trabalho agradável de escutar, mas não foi um disco que me empolgou. A única faixa que achei realmente fora da curva foi "All That You Dream". O restante, para mim, soa apenas ok.

Mairon: Confesso que não sou um grande conhecedor da obra do Little Feat. Em especial, ouvi somente três álbuns que lembre (Waiting for Columbus, Little Feat e Dixie Chicken - esse último excelente aliás), e conhecia uma que outra música de The Last Record Album. Sendo uma banda do Southern, a comparação com o Lynyrd Skynyrd é inegável, principalmente em "One Love Stand" e "Romance Dance". Porém, a principal diferença vai na potência dos backing vocals masculinos (diferente dos femininos da banda de Ronnie Van Zant), e na capacidade de sair do Southern e experimentar outros estilos, como o quase reggae de "Mercenary Territory". O som também é um pouco mais arrastado, sem soar com testosterona, e isso surge por exemplo na baladaça "Long Distance Love", ou na tocante "Somebody's Leavin'", onde o piano e a voz carregada chamam a atenção. O Little Feat também ousou trazer sintetizadores em "All That You Dream", e até swingar nas dançantes "Day Or Night" e "Down Below The Borderline", faixas raras dentro do Southern em geral, principalmente por seu balanço puramente negro. Um disco interessante, que talvez tenha me aberto o caminho para conhecer melhor a banda.

Marcelo: O título é uma ironia — e, ao mesmo tempo, uma premonição. The Last Record Album, lançado em novembro de 1975, não é o último disco do Little Feat, mas soa como o fim de uma era. Lowell George, genial e imprevisível, já mostrava sinais de desgaste e conflitos internos com o resto da banda. Ainda assim, o que se ouve aqui é uma aula de groove, técnica e feeling. O Little Feat sempre foi uma banda à parte dentro do rock americano: sofisticada demais para o sul, despretensiosa demais para Los Angeles. E este álbum é exatamente essa mistura, transitando com naturalidade entre funk, blues, soul e aquele rock que parece ter nascido ao lado de uma estrada poeirenta. Eu sou suspeito para falar, pois adoro esse som tipicamente americano sem nunca ter colocado os pés na terra do Tio Sam. No selo do LP original, tem uma estrada com um tipo de árvore de um lado e outro tipo do outro lado, ensolarada e nos convidando a percorrê-la enquanto curtimos esse sonzaço. A capa também é de um lugar que vive num certo tipo de imaginários dos Estados Unidos. Ouvi-lo hoje é descobrir o quanto eles anteciparam a sonoridade “americana” que depois seria explorada por artistas como Bonnie Raitt e Jackson Browne. The Last Record Album é o som de uma banda no auge da precisão musical e no limiar da ruptura emocional. Discaço e que não destoa da linha proposta pela lista do Marcello, outro golaço. Meus destaques: “All That You Dream”, irresistível, e “Long Distance Love”, uma das canções mais belas e tristes já escritas por Lowell George. A gema escondida: “Mercenary Territory”, com seus arranjos intrincados e clima quase cinematográfico de um filme que encerra uma era dentro dos anos 70. Mais uma prova de quão mágico foi o ano de 1975, fico feliz de ter proposto essa viagem por álbuns marcantes desse ano, para além de nossa lista dos melhores de 1975.

Nazareth - Hair of the Dog

Marcello: Se não for o melhor disco do Nazareth, chega perto. O sexto disco dos escoceses traz a faixa-título, clássico absoluto, com sua introdução de bateria com cowbell e o riff de guitarra matador de Manny Charlton, bem como as ótimas “Miss Misery”, “Beggars Day” (com sua belíssima coda instrumental como faixa independente - “Rose in the Heather”), “Changin’ Times” (outro riff fantástico de Manny) e a linda balada “Guilty”, levada na voz (com direito a um coro ao final), guitarra (grande momento Charlton, que faz o slide chorar) e piano. “Whiskey Drinkin’ Woman” tem ótimas guitarras e a longa e hipnótica “Please Don’t Judas Me” é uma boa música que acaba ficando um pouco abaixo das demais neste disco. A edição norte-americana trazia a famosa cover de “Love Hurts”, maior sucesso do Nazareth, no lugar de “Guilty”; hoje em dia as edições em CD trazem as duas músicas. Lembro bem de meu irmão ouvindo o disco quando eu era criança - e aquela capa com o Cérbero me deixava meio apavorado. O desempenho do saudoso Dan McCafferty neste disco é provavelmente o melhor de toda a sua carreira, Manny era um guitarrista discreto, mas capaz de riffs fantásticos, o batera Darrell Sweet ganhou destaque com bases mais pesadas que o seu normal, e Pete Agnew, único membro sobrevivente dessa formação, harmoniza muito bem com McCafferty no vocal e se mostra seguro como sempre no baixo. O Nazareth é meio que uma banda de segundo escalão no cenário hard dos anos 70, mas este disco é muito bom e, sobretudo, foi um dos que me despertou para o rock.

André: Oh seu Charlton, oh seu Agnew, que falta vocês fazem tocando juntos. Sua guitarra e baixo nasceram para tocar um com o outro. Escutem "Railroad Boy" e vejam o quanto ambos os instrumentos se complementam. Incrivelmente, eu ainda ouvi pouco desse disco comparado a vários outros deles. Mas o que não faltam aqui são licks deliciosos de guitarra e um baixo pulsante durante todo o disco.

Daniel: Discaço! Fico na dúvida entre este e o Razamanaz como meu álbum preferido do Nazareth. Canções como “Hair of the Dog”, “Miss Misery”, “Beggar’s Day” (uma ótima versão para a canção da Crazy Horse) e “Guilty” trazem o melhor do Hard Rock, vigoroso, pesado e sem perder a melodia. Ainda temos “Please Don’t Judas Me”, com seu toque folk/country. E como o Dan McCafferty cantava! Imperdível.

Davi: Depois de ter contado com as mãos do lendário Roger Glover (baixista do Deep Purple) atuando como produtor por 3 álbuns seguintes, a banda resolveu deixar o novo material nas mãos do guitarrista Manny Charlton. Engana-se quem acha que a qualidade caiu. Pelo contrário, o rapaz soube captar a sonoridade do grupo direitinho dando ênfase para o peso das guitarras e para os vocais impactantes de Dan McCafferty. Além da clássica faixa-título e da versão definitiva de "Love Hurts" (para quem não sabe, a música é um cover do Everly Brothers), o disco ainda trazia outros grandes momentos como a bluesy "Changing Times", além de "Whiskey Drinkin´ Woman" onde Dan demonstrava sua versatilidade enquanto cantor, trabalhando com a voz mais limpa. Hair of The Dog acredito que  seja o ápice do Nazareth e serve como porta de entrada para o trabalho dos escoceses.

Mairon: Nunca fui muito fã do Nazareth, acho que mais por preconceito pela balada "Love Hurts" do que por ouvir a obra inteira dos caras, o que também nunca o fiz. Dito isso, Hair of the Dog (assim como Razamanaz) eu conheço modestamente bem, e apesar de mega-sucessos, não consigo gostar a ponto de ter em minha coleção. Claro, tem boas faixas, como o riff pesado de "Miss Misery", a longa e viajante "Please Don't Judas Me", e o brilhante slide de Manny Charlton (o dono do disco), ou a ótima "Changin' Times", com o vocal rasgado de Dan McCafferty e um belo riff para Jimmy Page aplaudir (influência nítida do Led aqui), e não à toa melhor do disco. Rockaços ácidos também surgem através de "Beggars Day", e até uma lindinha instrumental, "Rose In The Heather, com um belo trabalho de guitarra por Charlton, e ótima participação dos teclados. Charlton também é o centro das atenções em "Whisky Drinkin' Woman, uma faixa mais arrastada em comparação as demais. "A faixa-título aqui é um clássico, a citada "Love Hurts" (original dos Everly Brothers, e que saiu inicialmente só na versão estadunidense) se tornou o maior sucesso dos caras, mas falta algo. O disco é bom, bem trabalhado, merece todo o status que tem, e é isso. Sem mais.

Marcelo: Poucas bandas conseguiram traduzir tão bem o espírito do hard rock setentista quanto o Nazareth. Hair of the Dog, lançado em abril de 1975, é o álbum que consolidou o grupo escocês como força mundial. Amigo, esse álbum é o que tem “Love Hurts”. Do riff imortal da faixa-título — cuja letra foi censurada nos EUA por causa da expressão “son of a bitch” — até a lendária regravação de “Love Hurts”, escrita por Boudleaux Bryant e gravada pelos Everly Brothers (maravilhosa, é verdade, mas que tem a versão definitiva gravada aqui pelo Nazareth), tudo aqui é puro rock de estrada, suor e cerveja. O Nazareth tinha uma qualidade rara: soava sujo e refinado ao mesmo tempo. A voz rasgada de Dan McCafferty é puro instinto; as guitarras de Manny Charlton são o fino do rock pesado dos anos 70. Meio século depois, o disco ainda é combustível para qualquer amante do rock sem firulas. É curioso notar como, em meio à grandiosidade do progressivo e à delicadeza da folk music de 1975, o Nazareth entrega um álbum que é o oposto disso tudo — direto, pesado e cheio de vida. É o som de uma banda que continua merecendo mais audições do que tem. Meus destaques: “Hair of the Dog”, hino absoluto (quem me acompanha por aqui sabe que defendo que toda grande banda de rock tem seu hineo, e eis aqui o do Nazarteh), e “Love Hurts”, a balada eterna do rock and roll, sem mais. A gema escondida: “Changin’ Times” — talvez a faixa mais poderosa e injustamente esquecida do repertório do Nazareth, um petardo.

Hyldon - Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda ...

Marcello: Não sou conhecedor de música brasileira, admito, e quando surgiu a ideia dessas listas, fiquei com um desafio na mão e fui ouvir discos de bandas e cantores que pelo menos tivesse algum conhecimento lançados no ano. No final das contas, fiquei entre este e o Solta o Pavão do Jorge Ben. Optei pelo Hyldon por conta de duas músicas que me lembrava bem: a faixa-título (uma daquelas músicas que todo mundo conhece e pouca gente sabe de quem é) e “Meu Patuá”, um samba-rock com influência de soul music que merecia ser recuperado do esquecimento. O álbum foi gravado com o luxuoso apoio do pessoal do Azymuth e, além das duas músicas acima mencionadas, ainda tem coisas muito interessantes como “Guitarras, Violinos e Instrumentos de Samba” (em que Hyldon troca o violão por uma guitarra elétrica e se sai muito bem na empreitada – minha terceira música favorita na lista), “Vamos Passear de Bicicleta”, “Na Sombra de uma Árvore”, “Acontecimento”, “Quando a Noite Vem” e “As Dores do Mundo”. Hyldon tem uma voz agradável e se sai bem na guitarra e no violão, as melodias são inteligentes e bem-feitas, e as letras, ainda que simples, são efetivas e te convidam a cantar junto. Além disso, o cara tinha personalidade: algumas músicas tinham sido gravadas em 1973, mas ficaram no meio do caminho porque a gravadora queria que o álbum de estreia fosse metade material original, metade covers (até uma versão de “Angie”, dos Rolling Stones, estava planejada). Infelizmente, o cantor nunca reprisou o sucesso desse seu primeiro disco, mas continua na ativa e inclusive lançou disco novo este ano (JID023, produzindo pelo norte-americano Adrian Younge).

André: "Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda" pode ser a canção mais famosa dele, mas digo fácil que há várias outras (tanto neste disco quanto em outros trabalhos). "Quando a Noite Vem" e "Eleonora" são exemplos. Hyldon é outro artista brasileiro que venho escutando muito recentemente (coisa de 1 ano apenas), mas digo fácil que ele deveria estar no mesmo patamar dos outros dois cancioneiros nordestinos (Raul Seixas e Zé Ramalho) em termos de popularidade. Muito injustiçado (e pelo que pesquisei, mal tratado e boicotado pelas gravadoras).

Daniel: Em minha inesgotável ignorância sobre música brasileira, nunca havia nem ouvido falar deste artista e escutei apenas uma vez para escrever estas malfadadas linhas. Dito isto, reconheci a faixa-título, mas a versão que conhecia era em uma voz feminina (Kid Abelha?). O mesmo aconteceu com “As Dores do Mundo”, mas também já a havia ouvido em uma outra versão (gostei bem mais desta original, diga-se). Também curti “Guitarras, Violinos e Instrumentos de Samba”. Enfim, é um disco legal de se ouvir.

Davi: Clássico da cena soul/funk brasileira. Hyldon já era um nome conhecido das gravadoras, já tinha gravado com alguns artistas, mas nunca havia lançado um álbum dele até então. Em entrevista ao Charles Gavin, o músico comentou que sempre que mostrava uma composição sua para algum artista, ouvia do mesmo que tinha um jeito seu de cantar e que deveria lançar um LP. Hyldon não era um cara de uma grande extensão vocal, como era Tim Maia, por exemplo, mas tinha balanço e sabia trabalhar bem dentro de seus limites. Pode ser que seus dias de músico de estúdio tenham ajudado. Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda tem um ótimo instrumental, onde vale destacar as linhas de baixo de Alex Malheiros. Dentre as composições, além dos 2 clássicos incontestáveis – “As Dores do Mundo” e “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” – temos outros momentos de excelência como “Na Sombra de Uma Árvore”, além de “Quando a Noite Vai e Vem”, cuja a orquestração no início da música, por alguma razão, me remeteu aos dias de ouro do Taiguara. Disco essencial para os amantes de música brasileira.

Mairon: Hyldon pode ser um desconhecido em termos de nome para a maior parte dos meus colegas, mas com certeza ele será reconhecido através da canção título, que fez sucesso com Tim Maia e Kid Abelha, certamente seu maior sucesso. O cara é genial, com um jeito muito particular de cantar (alguns diriam "língua presa") que destaca certas palavras, e capaz de criar faixas belíssimas e com misturas inéditas, como o samba e a música clássica em "Guitarras, Violinos e Instrumentos de Samba", contando com um ótimo grupo nos vocais de apoio. Estranha no ninho, "Quando A Noite Vem" é uma faixa complexa, com uma ótima orquestração, arranjos vocais, e o andamento agitado da Azymuth, que é o coração do disco. Hyldon estreia mandando ver em faixas suaves e gostosas de se ouvir em um domingo, para relaxar, vide "Acontecimento", "Meu Patuá" e "Sábado E Domingo". Mas é quando ele empunha o violão que as músicas se tornam mágicas, vide "Balanço Do Violão", "Na Sombra de Uma Árvore", "Vida Engraçada", criando aquela vibe positivista que marcam as canções do artista, exaltando o amor e a vontade de ficar com a pessoa amada. Como não cantarolar os "la-la-la-la-la" de "Eleonora", ou "Vamos passear" após ouvir a sensacional "Vamos Passear De Bicicleta?", destacando em ambas a importante participação de José Roberto Bertrami nos teclados, que também brilha, junto da orquestra, na suave e linda "As Dores Do Mundo", canção que ficou nacionalmente marcada na voz de Rogério Flausino, do Jota Quest em 1996, mas que sua origem está lá, vinte anos antes, em 1975. Esta, assim como "Na Rua, Na Chuva e Na Fazenda", ganharam outras versões, mas foi Hyldon quem teve a capacidade de ser mais hippie de Tim Maia, trazendo o amor de um relacionamento não só com dores, mas também com esperanças. E claro, viva a Azymuth por ter feito mais um disco sensacional.

Marcelo: O melhor álbum da lista, disparado — amigo, esse disco tem a faixa que dá nome ao álbum, não precisa de mais nada para ser um dos melhores não só de 1975 como de nossa MPB ou seja lá o que essa sigla signifique. Aliás, a minha maior bronca com a lista oficial aqui da casa do ano de 1975 é a ausência desse clássico de nosso cancioneiro, só músicas lindas nesse álbum. Creio até que quando Hyldon lançou Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda… em 1975, talvez não imaginasse que estaria criando um dos pilares da soul music brasileira. O disco é mais do que um clássico: é uma declaração de amor à simplicidade e à emoção. Tudo nele é sincero, orgânico e leve — o tipo de música que não envelhece porque nunca foi feita para impressionar, mas para tocar o coração, simples assim. Fazer o complicado e o complexo é fácil, vá criar algo simples e de qualidade... Beatles que o digam. Gravado com a ajuda de músicos como Cassiano e Tim Maia, o álbum soa até hoje como um retrato da ternura urbana dos anos 70. Hyldon mistura violões, metais, grooves e poesia cotidiana com uma naturalidade que poucos alcançaram. E se “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” se tornou um dos maiores hinos de nossa música popular, o resto do disco prova que ele nunca precisou de outro sucesso para se justificar. Ouvi-lo hoje é reencontrar um Brasil que acreditava no amor e na beleza das pequenas coisas, mesmo em meio aos piores anos da Ditadura — e perceber que esse espírito ainda vive em cada acorde. Meus destaques: “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda”, “Na Sombra de uma Árvore”, “Vamos Passear de Bicicleta” e “As Dores do Mundo”, verdadeiras meditações sobre a vida. A gema escondida: “Meu Patuá”, faixa que tem um pouco de Raul Seixas, de Wilson Simonal, de Jorge Ben, de Di Melo, de Tim Maia e de Cassiano, em uma levada que, de todos esses, somente Hyldon deu conta de fazer.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Capas Legais: Jethro Tull - Living in the Past [1972]



O episódio de hoje do Capas Legais resgata a bela capa no formato de álbum de fotografias de Living in the Past, coletânea do Jethro Tull lançada no ano de 1972. Confira, compartilhe e aproveite para inscrever-se em nosso canal, e claro, não deixe de curtir e comentar.



terça-feira, 30 de março de 2021

Capas Legais: Jethro Tull - Thick as a Brick [1972]


O Capas Legais de hoje apresenta a incrível arte de Thick as a Brick, lançado pelo Jethro Tull em 1972, e que transforma-se em um jornal com notícias, obituário, material infantil e esportivo, classificados, entre outros componentes presentes em um jornal. A capa, inclusive, é em papel jornal. Confira!




quarta-feira, 1 de julho de 2020

Jethro Tull - 20 Years of Jehtro Tull The Definitive Collection [1988]



Há muito tempo atrás, em uma época onde jamais se imaginaria que a ditadura pudesse voltar ao Brasil, os lançamentos especiais eram algo muito incomuns no mundo da música. Os Box Sets como conhecemos hoje eram poucos, raros, e com preços relativamente módicos. Para compensar, a maioria dos lançamentos só ocorria na Europa, Estados Unidos ou Japão, e chegavam ao Brasil totalmente podados, quando chegavam.

É o caso de 20 Years of Jethro Tull - The Definitive Collection, lançado em maio de 1988 para comemorar os 20 anos do grupo liderado pelo flautista, violonista, saxofonista, baixista, vocalista, cobrador de escanteio e cabeceador Ian Anderson. A ideia desse projeto surgiu em 1986, quando o escritório oficial da Chrysalis (gravadora do Tull) começou a receber uma enxurrada de cartas de fãs da banda perguntando o que seria feito para comemorar os então 20 anos do grupo. Assim, Anderson se reuniu com alguns colaboradores, escarafunchou os arquivos de gravações e decidiu entregar aos fãs um material repleto de novidades e canções raras. Assim, depois de um árduo trabalho de masterização de faixas obscuras, e praticamente esquecidas em um porão qualquer, nasceu 20 Years of Jethro Tull - The Definitive Collection.


Visão geral do Box, com as capas individuais de cada vinil e o encarte

O box set que chegou no mercado inglês consiste de 5 LPs (ou 3 CDs) que irei apresentar aqui, fazendo um breve comentário sobre a versão enxuta logo após. Os LPs vêm acondicionados em uma caixa de papelão (que era o usual na época dos boxes em LP), cada qual em um encarte especial. Acompanha ainda um livreto de 24 páginas contando sobre a história do Jethro Tull de forma bem sucinta, mas informativa, escrita pelos fãs David Rees e Martin Webb, além de uma bela árvore genealógica mostrando os entra e sai diversos no grupo, e seus reflexos em outros grupos, e diversas fotos.

Na parte musical, o fã do Tull não tem do que reclamar. Afinal, são 65 faixas para serem ouvidas em mais de quatro horas de audição, sendo que das 65, apenas 11 haviam sido lançadas (até então) oficialmente em discos da banda. Cada LP é destinado a uma proposta de canções para o fã se divertir, com nomes individuais.




O primeiro chama-se The Radio Archives, que como o nome diz, resgata apresentações do Tull pelas rádios britânicos ao longo de sua carreira. Aqui vale com certeza as 6 faixas registradas nos programas Top Gear e Saturday Club da BBC entre 1968 e 1969, com a formação inicial do Tull (Anderson, Mick Abrahams nas guitarras e vocais, Glenn Cornick no baixo e Clive Bunker na bateria, ou Martin Barre no lugar de Abrahams), e é uma oportunidade gigante de ouvirmos a paulada "Love Story" ou a estonteante "Stormy Monday Blues", que mostra como o Tull sabia muito bem tocar blues. Também é um deleite ver a agilidade de Anderson com seus dedilhados velozes no violão de "Fat Man", "Cold Wind To Valhalla" e "Minstrel in the Gallery", as duas últimas em versões somente com Anderson acompanhado de uma percussão (Barriemore Barlow), registradas pelo estúdio da banda, Maison Rouge, para ser transmitidas em uma entrevista para a BBC em 1975. Fecham o primeiro LP "Grace" (das mesmas sessões da entrevista citada acima), três faixas registradas em 8 de abril de 1982, em um show no Hamburg Congress Centrum Halle que foi transmitido na Alemanha,das quais destaco a bela dupla instrumental "Pibroch (Pee Break) / Black Satin Dancer", e "Velvet Green" retirada do programa Sight 'n' Sound da BBC em 1977. Ou seja, um LP só de novidades, tudo inédito até aqui.




O segundo LP chama-se The Rare Tracks (Released But Only Just), e consiste de uma compilação de faixas lançadas em singles, EPs, ou que ficaram engavetadas para lançamentos futuros, mas não tinham visto a luz do dia até então. Aqui temos bastante material dos anos 80, o que pode não agradar (e particularmente para mim é o que acontece) aos fãs mais xiitas, pois ouvir faixas como "I'm Your Gun", "Down At The End Of Your Road" ou "Too Many Too" podem soar bem desagradáveis para quem curte os discos clássicos do Tull. Essas canções são de 1981, mas nunca haviam sido lançadas. As atrações centrais vão para "17", ótima faixa que está no lado B do compacto "Sweet Dream" (1969), a belíssima "One For John Gee", em homenagem ao empresário que acreditou na banda em seu início de carreira, e lado B da bolachinha "Song For Jeffrey" (1968), e principalmente a raríssima "Aeroplane", gravação da John Evan Band (a banda que levou a criação do Jethro Tull) lançada em 1967 num compacto da MGM quase extinto sob o errôneo título de Jethro Toe, e que mostra grandes inspirações jazzísticas para a trupe, graças ao trabalho fantástico de Barriemore Barlow na bateria, ou "Sunshine Day", blues animado e com Mick Abrahams nos vocais, lançado como lado B do mesmo single da MGM. Ainda há "Jack Frost And The Hooded Crow", existente somente como lado B do single "Coronach" (1981), faixa que foi lançada em 1986 como uma ideia de David Palmer (maestro, teclados) para o canal 4 TV Historical Series, mais especificamente para o programa The Blood of the British, "March The Mad Scientist" e "Pan Dance", duas faixas que presentes no EP Solstice Bells (1976), "Strip Cartoon", lado B do compacto "The Whistler" (1977), "King Henry's Madrigal", do EP Home (1979), e "A Stitch In Time", do single de mesmo nome, lançado para promover o álbum Live: Bursting Out (1978). Ou seja, se não temos tantas canções inéditas, temos um grande apanhado de raridades que chegaram nas mãos de poucos naquela época (e ainda hoje).




O terceiro LP é batizado Flawed Gems (Dusted Down). Aqui o pessoal da Chrysalis realmente levantou os móveis, e foi na parte mais profunda de seu arquivo, tirar a poeira para trazer aos fãs materiais raríssimos. Nele ouvimos pela primeira vez trechos da suíte que ficou conhecida como "The Chateau D'isaster", que apareceram posteriormente no álbum Nightcap. Este projeto era para ter sido lançado após Thick as a Brick, mas Anderson não gostou do resultado, reescreveu tudo e assim nasceu A Passion Play. Os onze minutos da suíte entregues aos fãs aqui são sensacionais, e que bom que Anderson teve bom senso e lançou essa obra na integridade. Mais três faixas dos anos 80 aparecem, registradas entre 1981 e 1982, totalmente passáveis, assim como "Crossword", de 1979, pré-A, a desprezada "Lick Your Fingers Clean", retirada na última hora de Aqualung e que nunca encontrou espaço nos demais lançamentos do grupo, "Beltane", retirada também de última hora, mas agora de Heavy Horses, e duas faixas que nem o pessoal do Jethro Tull tem muitas informações, "Saturation", provavelmente de 1974, e ótima faixa aliás, assim como o bluezão "Blues Instrumental", provavelmente de 1978. Vale pela "The Chateau D'isaster Tapes" com certeza, mas poderiam ter escavado mais, e trazido outras raridades, como vieram a aparecer nos relançamentos de 40 anos.




Seguimos em frente com o quarto LP, The Other Side Of Tull, o que apresenta a maior quantidade de músicas já lançadas oficialmente. Esse LP é dedicado para o lado acústico do Tull, privilegiando as faixas curtas somente com o violão de Anderson. Então, aqui estão "Cheap Day Return" (Aqualung), "Nursie" (Living In The Past), "Only Solitaire" (Warchild), "One White Duck/ 0^¹° = Nothing At All" (Minstrel in the Gallery), "Salamander" (Too Old To Rock 'n' Roll, Too Young To Die), "Moths" (HeavyHorses) e "Under Wraps 2" (Under Wraps), tais quais como estão nos seus respectivos álbuns. Soma-se também "Life's A Long Song", registrada no EP homônimo de 1971. Porém, há adendos para esse LP. Por exemplo, somos surpreendidos por "Dun Ringill" e "Wond'ring Aloud" ao vivo do Hammersmith Odeon em 1987, a última com Don Airey nos teclados, quatro faixas inéditas registradas enre 1978 e 1982, que ficaram de fora dos discos lançados nesse período, e "Part of the Machine", gravada especialmente para esse lançamento, ou seja, em 1988 (março), com o Tull tendo na formação Ian Anderson, Martin Barre, Dave Pegg (baixo), Martin Allcock (bouzoki, teclados) e Gerry Conway (bateria). É outro disco que peca um pouco nas novidades, mas tem o fator positivo de uma canção totalmente nova.




Por fim, o último LP chama-se The Essential Tull. A sacada aqui foi genial, já que ao invés de fazer uma mera compilação com os maiores clássicos do Tull, recebemos versões ao vivo totalmente inéditas para faixas que consolidaram a carreira da banda. Concentrando-se em uma apresentação no Hamburg Congress Centrum Halle na Alemanha, em 1982 (citada no LP 1), com Anderson, Barre, Pegg, Conway e Peter Vettese (teclados), ouvimos "Aqualung", "Locomotive Breath" e a surpreendente "Sweet Dream", e o sorriso se espalha pela face. Do show no Hammersmith Odeon de 29 de outubro de 1987, com Airey no lugar de Vettese e Doane Perry no lugar de Conway, temos "Songs From The Wood" e "Thick as a Brick". De uma apresentação no Tower Theatre da Filadélfia em novembro de 1987 (mesma formação do show do Hammersmith), surgem "Living In The Past" e "Farm On The Freeway", e encerram o último bolachão a versão original de "Bungle in the Jungle" (Warchild), e as canções do compacto "Witch's Promise", com a faixa homônima e seu lado B, "Teacher". Ou seja, uma alegria sem tamanho para os fãs, que após a audição, certamente irá ter uma satisfação tremenda.


A versão enxuta, que chegou ao Brasil

A versão enxuta (que também saiu lá fora) veio em formato duplo, com 27 faixas que compilam um pouco de cada um dos cinco álbuns aqui citados, e tem a presença na sua capa interna da árvore genealógica. Porém, mesmo não sendo grandiosa quanto a caixa resenhada, tenho um grande carinho pela versão nacional, já que foi ela a responsável por me apresentar ao Tull (assim como A Classic Case, Aqualung e Thick as a Brick) lá no início da década de 90. O que me faz pensar algo um pouco quanto intrigante, ao menos para mim, e que quero compartilhar com vocês.


A árvore genealógica do Tull em 1988

Afinal, quando desse lançamento, o Jethro Tull completava 20 anos como sendo uma banda de carreira longa, tendo lançado diversos discos e modificado a formação por diversas vezes, ou seja, era uma banda dita "antiga". Que banda surgida em 2000 tem hoje o status que o Jethro Tull tinha em 1988, ou até mesmo a carreira/relevância/"velhice" da trupe de Anderson? Sei lá, parece que o tempo passou mais devagar agora, ou aqueles 20 anos do Jethro Tull entraram em uma viagem espacial na velocidade da luz, e com isso se transformaram em mais ou menos 50 anos. Se bem que pensando bem, isso tem lógica, já que a música do Tull nos faz viajar longe rapidamente. Reflexões de um físico em época de quarentena ...


Parte traseira do box, com as canções do mesmo

Track list 20 Years Of Jethro Tull - The Definitive Collection

The Radio Archives
1. Song For Jeffrey
2. Love Story
3. Fat Man
4. Bourée
5. Stormy Monday Blues
6. A New Day Yesterday
7. Cold Wind To Valhalla
8. Minstrel In The Gallery
9. Velvet Green
10. Grace
11. The Clasp
12. Pibroch (Pee Break) / Black Satin Dancer (Instrumental)
13. Fallen On Hard Times

Rare Tracks (Released But Only Just)
1. Jack Frost And The Hooded Crow
2. I'm Your Gun
3. Down At The End Of Your Road
4. Coronach
5. Summerday Sands
6. Too Many Too
7. March The Mad Scientist
8. Pan Dance
9. Strip Cartoon
10. King Henry's Madrigal
11. A Stitch In Time
12. 17
13. One For John Gee
14. Aeroplane
15. Sunshine Day

Flawed Gems (Dusted Down)
1. Lick Your Fingers Clean
2. The Chateau D'Isaster Tapes
3. Beltane
4. Crossword
5. Saturation
6. Jack-A-Lynn
7. Motoreyes
8. Blues Instrumental (Untitled)
9. Rhythm In Gold

The Other Sides Of Tull
1. Part Of The Machine
2. Mayhem, Maybe
3. Overhang
4. Kelpie
5. Living In These Hard Times
6. Under Wraps 2
7. Only Solitaire
8. Cheap Day Return
9. Wond'ring Aloud
10. Dun Ringill
11. Salamander
12. Moths
13. Nursie
14. Life's A Long Song
15. One White Duck / 0¹º = Nothing At All

The Essential Tull
1. Songs From The Wood
2. Living In The Past
3. Teacher
4. Aqualung
5. Locomotive Breath
6. Witch's Promise
7. Bungle In The Jungle
8. Farm On The Freeway
9. Thick As A Brick
10. Sweet Dream

Todo o material do Box aqui resenhado
Track list 20 Years Of Jethro Tull

1. Stormy Monday Blues
2. Love Story
3. A New Day Yesterday
4. Summerday Sands
5. March The Mad Scientist
6. Lick Your Fingers Clean
7. Overhang
8. Crossword
9. Jack-A-Lynn
10. Part Of The Machine
11. Mayhem, Maybe
12. Kelpie
13. Wond' Ring Aloud
14. Dun Ringill
15. Life's A Long Song
16. Nursie
17. Grace
18. Witch's Promise
19. Living In The Past
20. Aqualung
21. Locomotive Breath

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Melhores de Todos os Tempos: Anos 70



Por Mairon Machado

Com André Kaminski, Daniel Benedetti, Davi Pascale, Eudes Baima, Fernando Bueno, Líbia Brigido, Micael Machado e Ronaldo Rodrigues


Seguimos elegendo os Melhores de Todos os Tempos. Agora, vamos para aquele que é considerado o período mais fértil da história da música, os anos 70. Quantas bandas e artistas icônicos surgiram, ou lançaram seus principais e mais influentes discos, entre 1970 e 1979?

Foi um trabalho hercúleo para nossos consultores selecionar os dez melhores desse período, pois a tarefa deixou muito disco importante ou consagrado de fora. Como as listas são quase predominantemente escolhidas pelo gosto pessoal, muitas surpresas vieram, principalmente a ausência de medalhões do rock, que certamente irão estar presentes nos comentários junto com as pedradas. Porém, um medalhão veio novamente mostrar que era O medalhão, e assim como na primeira série, nos anos 60, colocou novamente dois de seus discos entre os dez mais. Trata-se de Led Zeppelin.

Ao longo dos anos 70, a banda foi inquestionavelmente a mais importante, a frente inclusive de Stones e Queen, lançando discos que vendiam horrores e lotando estádios pelo mundo inteiro. Como afirmação de que o Led foi a principal banda daquele período, Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham encabeçaram não só o primeiro lugar, mas também a segunda posição, com seus dois álbuns mais bem sucedidos comercialmente. Fecha o Top 3 dessa lista outro disco que vendeu horrores, The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd, que junto de Yes, Genesis e Jethro Tull, fazem praticamente metade da lista, mostrando que os anos 70 também foi importante para o rock progressivo.

Fecha a lista, que contou com quatro álbuns de 1972, mais três hardões pesados, um deles talvez surpreendente para uns, mas emblemático e cultuado para outros, e a surpreendente participação de um dos artistas mais carismáticos dos Estados Unidos, que desbancou gigantes como Elton John e David Bowie, apenas para citar alguns dos possíveis membros dessa lista, e que acabaram ficando de fora. Lembrando que a contagem é baseada no sistema da Fórmula 1, com a adição de 1 ponto para cada citação de álbum, como se fosse o ponto da volta mais rápida, tentando evitar ao máximo alguma injustiça, de por exemplo um álbum citado apenas uma vez entrar no lugar de um álbum citado 4 vezes. Gostou, não gostou? Concorda com a lista? Não concorda com alista? Deixe seus comentários abaixo, participe! E vamos aos comentários dos nossos participantes

* A lista com os Melhores Discos escolhidos dos anos 70 nas listas originais envolvem os álbuns de cada ano, álbuns das listas de Melhores Brasileiros e aqueles discos citados na série Aqueles Que Faltaram. Esses discos estão listados no fim da postagem, após as listas individuais.

Led Zeppelin – Physical Graffiti [1975] (78 pontos)

André: Lista complicada de comentar mas o problema é que praticamente todos os seus discos são tão fantásticos e foram tão esmiuçados de cabo a rabo que é difícil comentar qualquer coisa de mais relevante por aqui. Então vou tentar apenas encher um pouco o saco: O IV do Led Zeppelin é quem merecia a primeira colocação. Mas independente disso, impossível criticar um disco que tenha clássicos como "Kashmir", "The Rover", "Night Flight" e tantas outras pérolas? Led é Led. Fim de papo.
Daniel: Para mim, não há dúvidas de que Physical Graffiti é o melhor álbum de Rock de todos os tempos. Duplo, o disco explicita magistralmente como o Led Zeppelin é o expoente máximo do estilo, em faixas magníficas como “In My Time of Dying”, “In The Light” e “Ten Years Gone”, petardos como “Custard Pie” e “The Rover”, além de um clássico como “Kashmir”. É daqueles casos em que, a cada audição, a obra fica maior. Portanto, sua presença e o primeiro lugar nesta lista, são uma amostra da extraordinária obra que é Physical Graffiti.
Davi: Led Zeppelin é uma banda que tenho como ídolo. John Bonham é um dos meus bateristas favoritos e uma forte inspiração para mim. A discografia do Led acho super consistente. Esse trabalho, citado por muitas pessoas como um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos, é sem, dúvidas, um ótimo trabalho. Entretanto, não acho o melhor álbum do Zeppelin. O LP 1 é perfeito. Não tem o que reclamar. Uma aula. O segundo, por outro lado, já acho que possui altos e baixos. "In The Light", "Ten Years Gone" e "The Wanton Song" são as canções que se destacam no segundo LP. De todo modo, merecida a colocação.
Eudes: Numa lista surpreendentemente clichê como esta a que chegamos, onde as surpresas são discos que não têm estofo para estar aqui, e onde ainda me aprontam a suprema maluquice de não incluir nenhum disco do Black Sabbath e nada da onipresente black music da época, é um alívio que os eleitores tenham tido o bom senso de eleger este disco como o melhor da década. Embora o período tenha visto o lançamento de tantos discos clássicos (isto é, obras que, 40 ou 50 anos continuam conversando intimamente com a condição humana, com nossas euforias e depressões), não é difícil a escolha do álbum duplo do Led Zeppelin como o melhor. É quase óbvio. Daqueles casos em que a obviedade é bem-vinda. Physical Graffitti traz o grãozinho que fez do Led Zeppelin ser o que a banda foi. Você não ouvirá rocks mais concisos, musculosos, melódicos e mastodônticos como os que abrem o lado 1 do álbum, depois retomados no lado 4 na quebra-pescoço "The Wanton Song". Nem incursões pelas terras estrangeiras do rock progressivo como "In The Light" e "Ten Years Gone", muito menos acordes poderosos ao violão acústico como os de "Bron-Yr-Aur". Nem aventuras tanto mais perigosas como a ida à selva do soul-funk como em "Trampled Under Foot", que soa como se Stevie Wonder resolvesse gravar uma faixa de Page e Plant. Enfim, se a gente tivesse de resumir os anos 70 a um álbum, eu cravaria Physical Grafitti sem pensar nem 1 segundo.
Fernando: Eu compreendo que muita gente goste tanto desse disco para colocá-lo em primeiro lugar em uma década tão importante, quem sabe a mais, para a música. É óbvio que eu gosto dele, mas eu gosto de tudo o que o Led Zeppelin fez. Eu só acho que o Led Zeppelin IV é o mais representativo da banda por conta de 3 motivos: “Rock and Roll”, “Black Dog” e, claro, “Stairway to Heaven”. E tem também o fato de termos colocado, de novo, dois discos da mesma banda e, de novo, do Led Zeppelin. Isso deixa claro que a banda de Page, Plant, Bonham e Jones é talvez a maior da história. Mas eu preferia que tivéssemos espaço para homenagear uma banda a mais nessa lista.
Líbia: Foi o último álbum da sequência de clássicos do Led Zeppelin, e também o último que eu ouvi sem parar. Nunca conseguia sair da “The Rover”, “In my Time of Dying” e “Kashmir” que são uma verdadeira aula de Rock ‘n’ Roll. “In the Light” e “Tem Years Gone” me prendem bastante também. Essas músicas citadas e mais algumas outras já dariam um lançamento histórico, mas o que acho legal nesse disco duplo, é que ouvindo por completo você se surpreende a cada minuto das faixas. Em um álbum convencional não seria possível mostrar todas essas ótimas experiências que a banda tinha de sobra. Physical Graffiti mostrava mais uma vez uma inquestionável compatibilidade musical dos integrantes, que estavam exaustos da viagem de sucesso.
Mairon: O melhor disco de todos os tempos só podia ser o melhor dos anos 70. Aliás, período complicado para selecionar apenas dez discos bons hein? Quanto lançamento excelente ficou de fora. Mas esse petardo não podia ficar, e a primeira posição é o que ele merece. Foram 18 meses de trabalho, experimentações, reconstrução de canções abandonadas, a maior banda do mundo na época fazendo o maior projeto musical da época só podia resultar nessa grandiosidade de 15 picanhas ao ponto. O Led peregrina por diversos estilos, do folk de “Black Country Woman” e “Bron-Yr-Aur” aos hards de “Custard Pie”, “Houses of the Holy”, “Night Flight“, “The Wanton Song” e “Sick Again”. Da divertida “Boogie With Stu” a baladas doloridas em “Down by the Seaside” e “Ten Years Gone“. Do Funk de “Trampled Underfoot” as experimentações de “In The Light” e “The Rover”. E principalmente, do blues de sexo insaciável em “In My Time of Dying” ao flerte descarado com o oriente (e por que não o progressivo) de “Kashmir”. Não há nenhum outro álbum que agregue tanta qualidade em seus sulcos quanto Physical Graffitti. Escrevi mais sobre ele aqui, e certamente, na nossa escolha dos dez mais de todos os tempos, acredito que ele estará de novo figurando entre os dez mais.
Micael: Tem muita gente que considera este “o melhor disco de todos os tempos”, inclusive meu irmão, nosso colaborador Mairon Machado, que com certeza foi um dos responsáveis por colocar este disco no topo do pódio da década de 1970, aquela onde foram registrados os melhores discos de rock and roll na história (seja em qual estilo for). Para mim, este não é sequer o melhor do Led, quiçá de uma era dourada como esta. Duplo, o acho cheio de fillers desnecessários, e, apesar de contar com maravilhas como "Kashmir" (imensamente melhor na versão do Un-Led-ed), "In My Time of Dying" (outro dos tantos “plágios não assumidos” da banda), "In the Light" ou "Ten Years Gone", não é o suficiente para sequer estar nesta lista, quem dirá no primeiro lugar. Mas, já não é de hoje que o gosto pessoal supera a coerência nas listas do site, então...
Ronaldo: É o equivalente zeppeliano do White Album dos Beatles. Eclético até o osso, não tão pesado quanto os primeiros anos, mas ainda mais apurado musicalmente que os discos antecessores, esse trabalho é realmente uma grande referência da música (não só do rock) dos anos 70. "Kashmir" é uma música absolutamente fora do comum, cuja importância vai bem além do cercado do rock, demonstrando o quanto o Led Zeppelin estava acima de seus concorrentes diretos em termos de imaginação e inventividade. Retrato de uma época em que existia um feliz casamento entre musicalidade e sucesso comercial.


Led Zeppelin – Led Zeppelin IV [1971] (70 pontos)

André: Clássicos, clássicos e mais clássicos. Disco brilhante do início ao fim. Outro daqueles casos que não há mais muito o que falar. Tirando "Stairway to Heaven", muito por causa da saturação em torno da música, todas as outras continuam envelhecendo como um vinho fino e demonstram o que há de errado com a música atual em termos de dificuldade de se criarem hinos como as grandes faixas deste disco.
Daniel: Eu tendo a concordar que seja um exagero a presença de 2 álbuns de uma mesma banda em listas como esta. Mas há uma exceção: o Led Zeppelin, a melhor banda de Rock de todos os tempos. Muita gente pensa que este seria o melhor disco da banda – e pode ser que seja mesmo – e suas inquestionáveis qualidades são explicitadas em canções como “Black Dog”, “Rock and Roll”, “The Battle of Evermore” e, claro, “Stairway to Heaven”. Portanto, temos aqui o Led Zeppelin afiadíssimo e dando outra aula de Rock para ser degustada e seguida.
Davi: Esse sempre foi um dos meus álbuns favoritos do Led. Sempre fico dividido entre esse e o Led Zeppelin II. Álbum de cabeceira total. "Black Dog", "Misty Mountain Hop" e "Rock n Roll" são hard rock da melhor qualidade. Aliás, o solo de bateria no final de "Rock n Roll" até hoje não vi ninguém reproduzir igual. Nem Jason Bonham, nem Mike Portnoy, absurdo. As baladas são lindíssimas também. "Stairway to Heaven" é uma faixa simplesmente perfeita. Sempre adorei "The Battle of Evermore". A única que me cansa um pouco é "When The Levee Breaks", mas nada que tire a magia do álbum. Gosto mais dele do que o Physical Graffitti.
Eudes: Embora Physical seja a herança monumental do Led Zeppelin, com todas as virtudes sobre as quais já babei acima, é inquestionável que, para o cidadão comum, este álbum seja o que mais identifica a banda. E é mesmo soberbo. Quantos discos começam com uma sequência tão massacrante como "Rock’n’Roll" e "Black Dog", o hit quebra-pescoço do disco? IV é de um ecletismo exemplar. Ao lado de rocks contundentes como estes, faixas acústicas de beleza cristalina e uma leitura dos blues inusitada e espetacular em "When the Levee Breaks". Não, eu não esqueci, tem "Stairway to Heaven".
Fernando: Como disse acima considero o IV o disco mais importante da banda mais importante do rock. Depois de três discos espetaculares e cada um deles com suas características próprias o Led acabou usando todas elas para fazer esse que seria um marco e moldaria muita coisa que outras bandas fariam ao longo da década.
Líbia: Led Zeppelin marcou multidões com as músicas “Black Dog” e “Rock and Roll” e ainda na sequência de hits, a “Stairway to Heaven”, todas presentes no Led Zeppelin IV. Minha favorita é a "When the Levee Breaks” que fecha com chave de ouro, mostrando mais um extraordinário trabalho do John Bonham, além das ótimas técnicas de produção e por isso tocada poucas vezes em shows. O que essa banda tem de sobra além de inspiração e criatividade, é muita ousadia nas composições e nas performances. Por muito pouco não entraram todos os clássicos do Zeppelin nas listas finais dos anos 60 e 70 (concorridíssimo).
Mairon: Led Zeppelin mostrando por que foi a maior banda de rock da história. Conseguiu colocar quatro de seus oito discos (sete indicados) originais entre os melhores de todos os tempos dos anos em que foram lançados, só o Led mesmo. E como não? Olha o que esse discaço tem: “Black Dog” e “Rock ‘n’ Roll” são duas faixas espetaculares para abrir um disco espetacular, que dá um soco no estômago quando depois de praticamente quebrarmos a sala de tanto dançar e pular, trazer o mandolim e o duelo vocal de Sandy Denny e Robert Plant para nos levar aos mundos mágicos além dos mais distantes sonhos de elfos. Genialmente, Page e cia. empregam o mesmo espírito de sombra e luz para chocar os ouvidos no lado B, começando com a animação de “Misty Mounain Hop”, trazendo as influências orientais de “Friends”, arrancando lágrimas na delicada “Going To California” e hipnotizando na viagem de harmônica mais peso brutal de “When The Levee Breaks”. Sinceramente, só por ter “Stairway To Heaven” esse álbum já merecia estar entre os dez mais. Um clássico! Um verdadeiro hino da música, que somente gigantes como o Led poderiam criar através de talento, inspiração e muita, mas muita transpiração. Um grande álbum, divisor de águas na carreira do grupo, e que só foi superado em termos de grandiosidade pelo nosso primeiro colocado.
Micael: Sabe o tal “melhor disco do Led” que falei lá no começo? Pois aqui está ele. Um lado A praticamente perfeito (pena que "The Battle of Evermore" seja tão pouco lembrada quando se fala neste álbum), e um lado B que contém a pesadaça "When the Levee Breaks" (outro dos tantos “plágios não assumidos” da banda – onde foi que já li isto antes? Ah, sim, lá em cima no outro disco da banda a fazer parte da lista – aliás, o Led é tão bom assim para colocar dois discos na lista de melhores da década de 1960 e dois na de 1970?) e uma das músicas mais lindas que o grupo já gravou, "Going to California"... um disco que merecia e precisava estar nesta lista. Não sei qual foi sua posição na contagem final, mas espero ter sido alta, pois ele merece...
Ronaldo: Led Zeppelin está para a década de 70 como os Beatles estão para a década de 60. Neste álbum está cristalizada a capacidade dos caras de fazer, com maestria, muitos tipos diferentes de música e quantos climas diferentes eram capazes de criar em um único álbum. O Olimpo do rock.

3° Pink Floyd – The Dark Side of the Moon [1973] (67 pontos)

André: Meddle e The Dark Side of the Moon disputam o primeiro lugar em minhas preferências pessoais, mas votei nesse pela representatividade e influência que possui dentro da música. Um disco que atravessou décadas no top 200 da Billboard, um recorde absoluto que duvido muito que será batido algum dia, "Brain Damage" segue sendo minha canção favorita do disco do prisma cujo todo tracklist é digno do elogios.
Daniel: O meu álbum favorito do Pink Floyd sempre foi The Wall, mas a presença de The Dark Side of the Moon nesta lista é mais que justificada. “Time”, “Money” e “Us and Them” são algumas das minhas canções prediletas e amostras da qualidade de um disco que não deixa o nível cair em nenhum momento. A verdade é que, durante os anos 70, o Pink Floyd estava em estado de graça e gravou, em sequência, discos que são verdadeiras obras-primas.
Davi: Esse é o primeiro álbum do Pink Floyd onde considero que eles atingiram a perfeição. Não me leve a mal. Não estou criticando o que fizeram antes. Gosto de álbuns como Atom Heart Mother e Meddle, mas aqui atingiram outro nível enquanto compositores. Faixas como "Breathe", "Money", "Brain Damage", "Us And Them" e "Time" possuem construções simplesmente impecáveis. O disco é perfeito. Execução perfeita. Timbre dos instrumentos perfeitos. Enfim, álbum essencial não apenas entre os fãs de Pink Floyd, mas essencial em qualquer coleção que se preze.
Eudes: Sim, como outros acima, é um lugar comum. Mas, fazer o que? Deixar The Dark Side of the Moon de fora da lista? Vocês não sabem do que estou falando. Seja porque se trata de um ponto de vista de mais de 40 anos atrás, seja porque e trata de um ponto de vista desde de uma então pequena capital, Fortaleza. E mais, um ponto de vista desde um bairro periférico de classe média baixa no meio dos anos 70. Só se colocando nestas latitudes para entender que The Dark Side of the Moon é para mim um disco só meu, ou ao menos meu e dos meus queridos mais próximos. Difícil entender isso, quase 50 anos depois, quando o disco se tornou um ícone geral, universal que não admite mais nenhum apego pessoal a ele. Então, The Dark Side of the Moon é um disquinho meu, que ninguém mais ouve no meu bairro e que eu mantenho sob as sete chaves do segredo.
Fernando:  Recentemente esse álbum completou 950 semanas - não consecutivas - dentro do Top 200 da Billboard (um recorde). O segundo álbum com mais semanas nessa lista é uma coletânea do Bob Marley com pouco mais de 600 semanas. Ou seja, é um dos discos mais importantes da história e é uma daquelas obras que mostra o quanto algumas pessoas podem ser geniais. Junto com o Sgt Peppers é daqueles álbuns que o estúdio foi praticamente um outro componente, ou pelo menos, um novo instrumento.
Líbia: The Dark Side of The Moon foi o primeiro disco do Pink Floyd com o qual tive contato, e a primeira coisa que me chamou atenção foi a icônica capa. Certamente foi o mais revolucionário possuindo efeitos sonoros marcantes, com uma produção impecável e a ideia conceitual genial. Sinto até hoje uma certa tensão entre a “On the run” e a “Time”, essa agonia termina após os tão comentados barulhos dos relógios, e quando começa a música propriamente dita, se torna algo emocionante. Essa emoção continua na “The Great Gig in the Sky” com os vocais da cantora inglesa Clare Torry em sua pequena participação que se tornou grandiosa. Ainda não é o álbum que mais escuto do Pink Floyd 70’s, mas merece muito estar na lista. Esse álbum é uma grande referência para audiófilos, inovou a forma de escutar e produzir música.
Mairon: The Dark Side of The Moon é um álbum que marca a minha vida por diversas situações, mas principalmente, por que é o preferido da minha amada Bianca, da qual cada dia que passa a saudade só aumenta. Muito ouvimos esse disco nas idas e vindas de seu tratamento e da sua batalha contra o câncer. Infelizmente, ela ganhou várias batalhas, mas a guerra foi perdida, ou talvez conquistada dependendo do ponto de vista de quem acompanhou tão de perto quanto eu. Tu fostes uma guerreira meu amor, e foi uma honra ter lutado ao teu lado nos três anos dessa guerra. Ouvir “Breathe”, “Time”, “Money” e “Us And Them”, e não lembrar de cada momento que passamos ao som dessas e das outras faixas, foi impossível, e seguido de um derramamento de lágrimas de forma descomunal, como tem sido ao ouvir tantos outros álbuns que curtimos juntos no tempo que estivemos lado a lado, ou mesmo quando me pego pensando em ti por uma simples barata que circule pela casa. Para a matéria, poxa, se um disco que fica 730 semanas entre os mais vendidos da Billboard, que vende em média 8 mil cópias por ano só nos Estados Unidos, e que tem algo tão lindo quanto “The Great Gig in the Sky” não estivesse entre os dez mais, mesmo eu não tendo votado nele, eu pularia da ponte. Desculpem o texto pessoal, mas não tinha como fugir dele ...
Micael: Mais um caso de disco consagrado (neste caso, por quase todo mundo) que não faz muito a minha cabeça. É um bom disco? Claro, até mais que isso... Eu me arrepio até hoje quando ouço “Time” ou "The Great Gig in the Sky"? Com certeza. Eu chorei como uma criança quando Roger Waters tocou "Brain Damage" e "Eclipse" em sequência no show mais recente dele a que assisti em Porto Alegre? Pode apostar que sim. É um álbum que merece estar nesta lista? Como já disse sobre outros da década de 1960, se fôssemos escolher os “mais importantes”, com certeza sim, mas, para o meu gosto, não o colocaria dentre os melhores. Mas sou obrigado a concordar que ele não soa tão deslocado aqui...
Ronaldo: O que dizer de um álbum que ficou singelos 15 anos na parada dos mais vendidos e suas milhões de cópias dissecadas por esses anos todos a fio? Difícil acrescentar algo a uma estatística tão grotesca. Seu conteúdo musical é de uma eficiência abissal em brisar até a mente do público não-roqueiro.

4° Yes - Close To The Edge [1972] (45 pontos)

André: Talvez aqui esteja o melhor lineup da história da música. Só gigantes que dominam com perfeição seus instrumentos combinada com a voz angelical de Jon Anderson e uma qualidade de composições que se mantém impressionante ao longo de décadas. Não tem jeito, a década de 70 será imbatível no mundo da música. E isso considerando todos os estilos musicais possíveis, não apenas ao rock. Incrível como as longas canções não cansam de jeito nenhum. É tudo muito orgânico, cada passagem melódica se encaixa com perfeição e o tempo passa voando que quando reparamos, já estamos ao final do álbum. A abertura "Close to the Edge" é uma das melhores primeiras canções de um álbum que se tem notícia. E todo o restante do tracklist se mantém em nível altíssimo. São tantos grandes discos nesta década que fica complicado afirmar qualquer coisa com certeza absoluta. Mas Close to the Edge está entre meus discos progs favoritos de todos os tempos. Ouvindo agora, me arrependo amargamente de não tê-lo posto em minha lista.
Daniel: Close to the Edge saiu da minha lista aos 45 minutos do segundo tempo, mas sua presença aqui nesta lista final, além de justa, é merecida. Na minha percepção, este álbum é a obra máxima do Yes e outro exemplo de como o Progressivo é um estilo rico e cativante. Acho "And You and I" magnífica e adoro a suíte homônima ao disco. O Yes foi outra banda que estava em estado de graça no início dos anos 70.
Davi: O Yes sempre foi a minha banda preferida dentro da cena de rock progressivo. Acho que eles sempre souberam administrar bem a mescla de virtuosismo e melodia. Sempre gostei mais do Fragile, mas não tem como não admirar esse album. 3 faixas apenas, mas 3 puta faixas. Minha preferida, entretanto, não é a faixa-título. O troféu vai para "And You And I", que considero um a das melhores canções da banda.
Eudes: Outro daqueles pontos de chegada de grandes bandas. O Yes fazia discos brilhantes desde 1969. Seu segundo disco, Time and a Word, marcava a primeira tentativa de virada da banda, que, embora seja ótimo, carecia de direção clara. Só em The Yes Album a banda começou a destilar o som que finalmente a distinguiria para a eternidade. Fragile afina estas características, mas é em Close to the Edge que o som se arredonda e os elementos se plasmam plenamente. São três longas faixas, "Close to the Edge" e "And You and I", apresentadas no formato suíte, e "Siberian Khatru", desenvolvida num único tema. Tudo desce fácil, sem necessidade de queimar neurônios para acompanhar, e com satisfação garantida. Outro ícone incontestável da década de 70.
Fernando: Esse é uma pérola! Um dos discos preferidos da casa. Lembro quando pensei em me aventurar no rock progressivo com mais profundidade e um amigo me emprestou esse CD. Claro que uma introdução instrumental de 4 minutos, com uma confusão sonora onde cada instrumento estava fazendo uma coisa diferente em um tempo diferente, em uma música de 18 minutos não é algo que a gente se acostume de cara. Mas eu fui ouvindo, ouvindo, entendendo, percebendo a beleza sonora dessa banda que se tornou uma de minhas preferidas. Também acho que a formação Squier, Howe, Anderson, Wakeman e Brufford é a maior formação musical da história. E os riffs de “Siberian Kathru”? São coisas de gênio ou não? E para finalizar: “what the fuck is total mass retain?”
Líbia: Três músicas executadas com perfeição, apresentadas com sutilidade e explosão. Cada integrante faz coisas incríveis em seus instrumentos no turbilhão coletivo de cada música. Temos aqui o Yes em um dos seus melhores momentos, com toda a inteligência poética e virtuosismo musical. Close to the Edge foi feito para ouvir com atenção para perceber todas as mudanças nas músicas, sem nenhum imediatismo. Tem todos os elementos sublimes
Mairon: Aqui está a prova cabal de como cinco pessoas transformam-se em monstros geniais, capazes de derreter cérebros em pouco mais de 40 minutos de duração. Tratei deste álbum aqui, e o que posso acrescentar é que as três canções são cheias de alternância, complexidade, virtuosismo e perfeição, que atingem o ouvinte com muita facilidade. A maior formação técnica individualmente e coletivamente falando, com Steve Howe, Rick Wakeman, Chris Squire, Bill Bruford e Jon Anderson, faz um disco excepcional, e, com méritos, eleito pela maioria dos fãs (eu não) como o melhor do Yes. Se eu tivesse adotado o critério de mais de um disco por banda, seria meu sexto lugar! Mas preferi eleger apenas um por banda, e por isso, ficou de fora. Mas com certeza, foi eleito o melhor de 1972 na nossa série original, e merecidíssimo
Micael: Muitos consideram este o “melhor álbum de rock progressivo já gravado”. Não chego a tanto, mas ele certamente está no meu Top 10 (inclusive da década, como coloquei na minha lista), além de o considerar o melhor registro do Yes. Apenas três músicas, mas são três obras primas, o auge que a melhor formação de todo o rock progressivo (musicalmente e tecnicamente falando) atingiu em sua curta trajetória de apenas dois registros de estúdio. Merecidíssimo estar aqui, e recomendado a quem gosta de música, sentimentos e melodias, não apenas de barulhos, sensações e ritmos...
Ronaldo: Uma boa definição de música cerebral! Os minutos iniciais da suíte que dá nome ao álbum são capazes de fritar os ouvidos dos não-iniciados. O álbum traz uma torrente riquíssima de sons variados, polirritmias e muita ousadia em forma e conteúdo. E o mais interessante é que no meio da loucura toda, melodias sublimes (como as de “And You and I” ou do trecho “I Get Up I Get Down”) se fazem presentes; passagens instrumentais ricamente esculpidas estão presentes em altas doses no álbum todo. Progressividade em doses cavalares.

5° Deep Purple – Machine Head [1972] (40 pontos)

André: Olha eu prefiro o Burn, mas seria injusto da minha parte desconsiderar outro clássico do Purple que é Machine Head. Na minha lista de gosto pessoal da discografia deles este disco está li pela sétima posição, mas eu entendo perfeitamente quem o considera o melhor da banda. A banda estava afiada e soltou grandes músicas como "Highway Star" e "Space Truckin'". Aliás, não consigo entender porque diabos "Smoke on the Water" é tão louvada e considerada o "clássico" do Purple. Todas as outras faixas deste mesmo disco são melhores que ela, mesmo a desprezada "Never Before". E não é nem questão de que a canção saturou, mas é porque as outras são muito melhores mesmo.
Daniel: Um álbum com clássicos do calibre de “Highway Star”, “Lazy” e “Space Truckin’”, verdadeiros hinos do Rock, não é qualquer um. Se não já fosse o bastante, ainda há “Smoke on the Water”, um dos mais reconhecidos e aclamados riffs da história da música. Assim, é plenamente justificável a presença desta obra nesta lista. Muitas vezes, é até difícil de escolher qual seria o melhor disco do Purple nos anos 70, mas, além de Machine Head ser o melhor, é também o mais representativo.
Davi: Trabalho impecável. Outro álbum que considero álbum de cabeceira. Até hoje os fãs discutem se o melhor álbum do Purple é o MachineHead ou o Burn. Entretanto, ninguém questiona que esse é o melhor trabalho da fase Gillan e um dos álbuns mais emblemáticos da década de 70. Ian Gillan impressiona em "Highway Star", Ian Paice debulha em "Space Truckin". Ritchie Blackmore prova, de uma vez por todas, que ele é um dos maiores riffmakers da história. Quem você conhece que tentou aprender guitarra e nunca quis tirar o riff de "Smoke On The Water"? Trabalho simplesmente impecável.
Eudes: Um dos álbuns mais significativos do rock dos anos 70. Depois da oscilante discografia inicial, que deságua no disco Concerto for Group and Orchestra, o Deep Purple se reinventou e traçou seu destino. Tudo o que surgiu no eruptivo In Rock foi arredondado, sintetizado e embalado para as festas de rock da época em Machine Head. Equações complexas, como a combinação de hard rock e música erudita evitam o caminho óbvio do progressivo e nos dão clássicos dançantes como em "Highway Star", hard rock e swing de sabor soul se entendem muito bem em "Maybe I’m a Leo", peso e melodia trocam beijos em "Never Before", rock cinquentista, jazz e peso parecem que saíram juntos da maternidade em "Lazy". E quantos riffs inesquecíveis! Ah, sim, tem "Smoke on the Water"!
Fernando: Com a mudança do som mais psicodélico para o hard rock a partir de In Rock o Deep Purple chegou ao seu ápice em Machine Head. Muitos vão falar de “Highway Star” ou do clássico absoluto “Smoke on the Water”, mas a minha preferida mesmo é “Pictures of Home”. Da santíssima trindade do rock o Deep Purple é a minha banda favorita. Suas diversas formações nunca entregaram um disco ruim.
Líbia: Machine Head tem composições de primeira, é um clássico de ponta a ponta. Daqueles álbuns que se não tivessem existido, o Metal seria muito diferente. O relacionamento entre as guitarras do Ritchie Blackmore e teclados de Jon Lord são surpreendentes, e isso é uma das principais coisas que diferenciavam o Deep Purple das outras bandas nos anos 70. Escolher uma faixa favorita desse álbum é uma tarefa árdua. Mas a quase instrumental “Lazy” mostra a excelência de todos os membros da banda. Obrigatório é pouco.
Mairon: Disco emblemático do hard rock, e para muitos o melhor álbum da carreira do Deep Purple. Isso ficou atestado aqui, já que ele entrou superando seu gigante irmão mais novo, Burn, ou o irmão mais velho, In Rock. Sem dúvidas, dentre os discos gravados pela formação com Ian Gillan (vocais), Roger Glover (baixo), Ritchie Blackmore (guitarra), Jon Lord (teclados) e Ian Paice (bateria), este é o mais homogêneo. Pelo menos dois clássicos registrados no LP: “Smoke on the Water” e “Highway Star”, tocadas a exaustão desde então. Por outro lado, curto muito “Lazy”, com sua introdução fantástica, e “Space Truckin’”, que com a Mark III fez misérias no California Jam. “Maybe I’m a Leo” e “Never Before” são boas canções, mas que vivem à sombra dos clássicos citados. Sorte de “Pictures of Home”, a melhor canção do LP, resgatada pela fase com Steve Morse, mas incomparável ao que a Mark II fez aqui, com cada músico mostrando seu talento individual em pequenos solos. Disco fácil na lista dos 1000 discos para ouvir antes de morrer, para deixar que o ouvinte julgue se merece ou não audições posteriores. O meu está pegando poeira há algum tempo.
Micael: O disco mais importante da carreira do Deep Purple (para mim, não chega a ser o melhor, posto ocupado por In Rock), o álbum que contém um dos poucos hinos verdadeiros do rock, reconhecido até por quem nunca teve maiores contatos com o gênero (vocês sabem de quem eu falo, certo?), o registro onde se encontram as versões originais de pérolas do calibre de "Highway Star", "Pictures of Home" (minha favorita neste track list em particular), "Lazy" e "Space Truckin'", e que ainda teve o desplante de deixar de fora de seus sulcos a lindíssima balada “When A Blind Man Cries”, faixa que muita banda consagrada por aí daria quase tudo para ter composto... enfim, um dos itens praticamente obrigatórios desta lista de melhores da década de 1970. Já escrevi sobre este disco aqui no site quando ele completou 40 anos, e quase uma década depois ainda continuo fascinado por ele (e vai ser difícil cansar de ouvi-lo). Clássico!
Ronaldo: Um dos pilares do rock pesado de todos os tempos. 5 músicos fantásticos no ápice de sua musicalidade trazendo um punhado de músicas memoráveis. Ainda que o Deep Purple sofresse um pouco na parte da produção (seus discos não tem tanta qualidade de gravação quanto os do Led Zeppelin ou os dos Rolling Stones), em nada a banda fica devendo a seus pares – as porções instrumentais do álbum são embasbacantes, Ian Gillan é um show a parte e as faixas são incendiárias. "Smoke on the Water" é uma música perfeita e, não a toa, foi tão massivamente reproduzida desde seu lançamento.

6° Kiss – Destroyer [1976] (35 pontos)

André: Vão reclamar como sempre que Kiss é ruim, só tem marketing, apelam demais para o visual, que o Simmons é louco por dinheiro... sério, um disco festeiro e divertido não pode ser considerado um Melhor da Década? O Kiss é gigante, fez shows memoráveis e trazem alegria para os seus fãs. Eu até concordo que seus melhores clássicos estão espalhados por vários discos diferentes, mas Destroyer é o que consegue reunir grande parte deles. Por sinal, acho "King of the Night Time World" uma das melhores faixas de toda a carreira do Kiss e infelizmente costuma ser pouco lembrada.
Daniel: Eu adoro o Kiss, tenho todos os seus álbuns de estúdio e penso que Destroyer é mesmo seu álbum mais representativo, afinal, “Detroit Rock City”, “Beth”, “Shout It Out Loud” e “God Of Thunder” são clássicos verdadeiros da banda. Enfim, extremamente cativante e divertido, Destroyer é um ótimo disco de Hard Rock, embora, eu devo confessar, sem o calibre necessário para estar entre os 10 mais de uma década como a de 70.
Davi: Destroyer é um dos álbuns preferidos dos fãs e também da banda. Esse foi o primeiro álbum que eles criaram depois de finalmente terem atingido a fama com Kiss Alive! Os músicos não quiseram deixar por menos e criaram um trabalho simplesmente memorável. "Detroit Rock City", "Flaming Youth", "Shout It Out Loud" e "Sweet Pain" traziam o ar de hard rock festeiro que seus fãs sempre esperam. "God of Thunder" impressionava com uma sonoridade mais pesada e sombria. Sem contar que eles começavam a arriscar mais no universo das baladas com a presença das lindas "Great Expectations" e "Beth". Discaço!
Eudes: Vocês estão de sacanagem, né? Se era para dar uma colher de chá ao rock básico, melhor teria sido eleger Ramones, a deliciosa estreia dos punks de NY. Em tempo: acho Destroyer um disco bem divertido.
Fernando: Talvez o disco mais divertido dessa lista. Provavelmente o meu disco preferido do Kiss, que muda sempre, mas é certo que é o que mais ouvi. Foi o primeiro disco que a banda fez depois de explodir com o Alive, ou seja, os discos anteriores eram feitos sem tanta cobrança e aqui isso até ajudou. Além do mais é nítida a diferença da qualidade sonora. E o que falar das músicas. Até de “Great Expectations” vai bem para mim, então por aí todos já percebem o quando gosto do disco.
Líbia: Destroyer não é nem um pouco injustiçado, álbum mais que comentado e mais que tocado. Tem os hits memoráveis “Detroit Rock City”, “Shout It Out Loud” e a especialmente linda “Beth”, mas a “Do You Love Me” é aquela música com um refrão sensacional, que eu gosto de ouvir quando estou dirigindo, sem o mesmo glamour que a música passa e sem os óculos escuros. O Kiss tinha todos os elementos necessários para criar álbuns empolgantes e atraentes do rock'n'roll, e Destroyer é uma grande prova disso.
Mairon: Um álbum que começa com uma pedrada chamada “Detroit Rock City”, que não tem comparação com nenhuma outra na discografia do Kiss, passa por espetáculos como “God of Thunder” e possui o hino “Shout It Out Loud” não pode ser menosprezado. Acho o LP um pouco abaixo dos demais discos do Kiss, culpa de “Great Expectations”, “Flaming Youth” e a balada mela-calcinha chamada “Beth”, mas que é um grandioso disco, isso é. Além das citadas, não posso deixar de dizer que Ace Frehley estava em um momento fantástico, criando solos e riffs que tornaram-se reconhecidos por qualquer aspirante a roqueiro a partir de então, como “Do You Love Me”, King of the Nigh Time World” ou “Sweet Pain”, letra safada pra caralho. Se tivesse um disco do Kiss que eu votaria certamente era Dynasty, mas entendo a predileção dos colegas por esse clássicozão.
Micael: Nunca fui muito fã do Kiss, embora tenha assistido ao grupo ao vivo na turnê de “reunião” em suporte ao Psycho Circus, em 1999 (show cuja atração de abertura, o então desconhecido Rammstein, ainda me causa pesadelos ainda hoje, por motivos que não cabem ser ditos em um site de família). Ali percebi que o tipo de música do grupo norte americano não era o mais palatável para meus ouvidos, e preferi continuar assim desde então. Destroyer tem "Detroit Rock City", ""Shout It Out Loud", "Beth", "Do You Love Me?", "God of Thunder", King of the Night Time World", quase todas clássicos da banda, mas insuficientes para colocar este registro nesta lista tirando o lugar de qualquer álbum do Black Sabbath (mesmo aqueles após Sabbath Bloody Sabbath), de um AC/DC, de um Judas Priest, de um Rush ou de tantos outros... não é para o meu gosto, me desculpem...
Ronaldo: O Kiss é icônico na vertente do rock que cruza música e imagem. Muito mais interessante do que qualquer coisa do afetado glam-rock inglês, sua veia rockeira é clara e declarada. Eles sabiam como fazer músicas-chiclete e capturar o ouvinte logo nos primeiros segundos. Meu único porém é que o disco tem um som muito abafado, com a bateria muito grave; esse problema se resolveria nos álbuns seguintes, que tiveram Eddie Kramer nos consoles e, por isso, preferira ver outros bons álbuns deles no lugar desse.

7° Jethro Tull – Thick As a Brick [1972] (33 pontos)

André: Gosto mais de Aqualung, mas não reclamarei de Thick as a Brick porque é outro petardo desses caras. Mais levado pelo instrumental, o que gosto do disco é ele fazendo troça do próprio rock progressivo no meio dos tantos medalhões que escreviam letras sérias e tal e fez um álbum cheio de humor que só me fazem crescer a admiração que tenho por eles. Claro que as longas seções instrumentais em que todo mundo tem a chance de brilhar um pouco que seja fazem parte da tradicional cartilha prog.
Daniel: Outra das principais obras da história do Rock e o atestado definitivo da genialidade de Ian Anderson. Ao longo de seus pouco mais de 40 minutos, em uma única canção, o disco transborda exuberância, potência e, simultaneamente, sensibilidade e intuição. Claro que Anderson é um destaque, mas não consigo não mencionar o guitarrista Martin Barre, com momentos simplesmente incríveis. Thick As a Brick é um daqueles discos essenciais.
Davi: Ok, vão me malhar aqui, mas não consigo gostar desse disco. Nunca fui um fã de carteirinha do Jethro Tull, mas tem alguns álbuns deles que considero excelentes. Gosto muito daquela fase inicial, com maior influência de blues, como acontecia em This Was. Acho Aqualung uma obra-prima, mas sempre considerei esse trabalho um tanto cansativo. Ok, os músicos são de primeiro time, a execução é perfeita. A ideia do conceito do disco é muito bacana, muito inteligente, mas considero a audição desse trabalho maçante. Há alguns momentos dentro da composição de 40 e tantos minutos onde eles soam brilhantes e outros onde eles soam pentelhos. Entendo que é um clássico e tal, mas não é para mim.
Eudes: O título já entrega o tema do disco, algo como “agir como um idiota”. Hoje é um clichê quase insuportável discos conceituais sobre o eterno dilema entre o peso da sociedade e a liberdade individual e de pensamento dos jovens. Mas, na época, não havia The Wall. Ian Anderson chegou lá antes e capinou o terreno para os vários discos com este tom que vieram depois. Mas, mesmo que tenha inaugurado um veio que virou um muro de lamentações, nem sempre manifestado com muito brilhantismo, neste disco as coisas são complemente diferentes. A narrativa não tem nada de pueril. É quase cínica, às vezes violenta. Tudo envolto da melhor música que se poderia desejar. Uma resposta brilhante a Aqualung.
Fernando: Quantas vezes você já ouviu alguém falar mal de rock progressivo argumentando algo como “música chata, muito longa, não acaba nunca”? Agora me explica a diferença de ouvir um disco com 40 minutos com 10 músicas e um disco de 40 minutos com uma música. Thick As a Brick tem 40 minutos completa, no vinil ela interrompia quando acabava o lado A e você tinha que virar o disco para ouvir o restante, mas ela tem tantas variações, tantas nuances que não dá para falar que nem de longe que ela tem 40 minutos da mesma coisa. Fora que toda a mística e a história criada com a letra, a parte gráfica e as lendas sobre tudo isso criam um ambiente perfeito para que quando você ouve tudo faça sentido. Eu só reclamo uma coisa do Thick As A Brick: o sucesso da empreitada encorajou a banda a fazer o A Passion Play do mesmo jeito e aí eu já não acho que a banda conseguiu o mesmo resultado.
Líbia: Um dos álbuns mais sofisticados do Rock, tanto de material gráfico quanto de composição, foi tudo brilhantemente pensado. Thick As a Brick tem um domínio de duas entidades incríveis, linguagem e música. Me afeiçoei a esse álbum de primeira, ele começa da melhor maneira possível, com um instrumental incrível alinhado principalmente ao Hard Rock, Folk e Prog. A temática se torna atemporal nesse álbum, quando critica uma sociedade que não pensa mais por si própria e nem é estimulada a fazer isso desde o nascimento. Com certeza um dos melhores álbuns de todos os tempos.
Mairon: Destrinchei esse clássico do Jethro Tull em nosso site há algum tempo, e com certeza, este é um dos meus discos favoritos dentro do rock progressivo. A maravilhosa faixa-título, ocupando os dois lados do vinil simples, é um teste de audição para os fãs do estilo, e, principalmente, uma chocante experiência para quem estava acostumado com o hard/folk que o Jethro Tull havia apresentado em seus quatro álbuns anteriores. Martin Barre (guitarra) e Barriemore Barlow (bateria) são os grandes destaques individuais, com solos energéticos e vibrantes, junto a uma performance impecável e essencial de John Evan no piano e teclados, que dá um corpo robusto para a canção. Mas é o faz tudo Ian Anderson quem comanda toda a bagaça com flauta, violão e uma voz reconhecível até por uma marmota bêbada. No ano seguinte, o grupo gravou sua obra-prima, A Passion Play, mas o que foi feito em Thick As a Brick é mais um daqueles raros momentos em que alguém aponta para baixo e diz: “Vocês cinco, façam uma obra atemporal”, e assim ela nasce. Não entrou na minha lista por conta que só podia dez, mas se tivesse que ser um dos do Jethro Tull possíveis, com certeza seria ele. Essencial!
Micael:  Tenho certeza de que este disco só está aqui porque o coloquei no topo da minha lista. Afinal, quase todo fã do Jethro Tull iria citar Aqualung e não ele numa lista destas. Mas, como já escrevi antes, para mim não é o caso do disco ser o “mais importante”, mas sim de ser “o melhor”. E, neste caso, Thick As a Brick para mim não só é o melhor registro de Ian Anderson e companhia, mas do rock progressivo inteiro (afirmação forte, eu sei, mas devo ser meio maluco mesmo). Curioso é que ele deveria ser uma espécie de “paródia” ao gênero, visto Ian ter ficado, segundo a lenda, muito irritado com aqueles que chamaram Aqualung de “conceitual” e “progressivo”, sendo que, a partir daí, resolveu fazer uma espécie de “pastiche” destes conceitos para “brincar” com os críticos que não compreendiam sua música... Acabou compondo um álbum com uma única música de quase quarenta e cinco minutos, a meu ver maravilhosa, e que me levou ás lágrimas quando de sua execução na íntegra em um show em Porto Alegre que o colega José Aronna resenhou para este site. Talvez seja mais um caso de “gosto pessoal superando a coerência nas listas do site”, mas, se os demais consultores não concordarem com a minha opinião, bem, eu também não concordei com muitas das opiniões deles, então, deixemos assim...
Ronaldo: Ainda que o Jethro Tull estivesse na gênese da vertente mais ousada do rock do fim dos anos 60, eles tinham raízes bastante profundas no blues e um guitarrista que não economizava na distorção. Isso fez com que seu som se diferenciasse bastante dos grupos que partilhavam da mesma expansão das fronteiras roqueiras, mas que assumiram para si o papel de mini-orquestras eletrônicas. Em Thick as a Brick, o grupo parece buscar se equiparar a esse conjunto de conceitos e, ainda que o faça bem, há muitas partes no álbum que mostram uma banda um pouco desajeitada nesse figurino. A veia folk de Ian Anderson traz um tempero especial para a sinfonia Tulliana.

8° Bruce Springsteen – Born to Run [1975] (32 pontos)

André: Não é que o Diogo Bizotto deixou ainda alguns fakes para votarem por ele no site? Mas dou meus méritos ao The Boss. Ele sempre se mostrou muito caprichado e rigoroso quanto as suas composições e isto fez com que deixasse uma bela discografia. Entre os seus melhores discos está esse Born to Run. O disco inteiro exala aquele rock gostoso recheado de piano, sax e que nos traz aquela vontade sair pelas rodovias da América a bordo de nosso carro conversível. Mas como isso não passa de um sonho de pobre, ao menos, dá para nos iludirmos ao som de "Night" e da balada "She's the One" que são minhas favoritas aqui.
Daniel: Um disco extraordinário e outra das melhores obras da história do Rock, embora não sejam todas as mentes aptas para esta percepção. É bastante palpável todo o cuidado e empenho com que Bruce Springsteen gravou o álbum. Impressiona como cada segundo de sua duração foi pensado, para se encaixar cada nota, cada instrumento, de maneira única e a soar contribuindo para o engrandecimento de cada composição. Outra característica marcante de Born to Run são os arranjos das canções, trabalhados de maneira excepcional de forma a tornar tudo mais grandioso, mas sem soar desnecessário ou exagerado.
Davi: Álbum clássico que marca um ponto de virada na carreira do the boss. Os arranjos ganharam mais corpo, se comparado aos 2 álbuns anteriores. Bruce Springsteen já se demonstrava um grande cantor, se entregando de corpo e alma com sua voz forte e rasgada. Como já era de se esperar, o trabalho é tipicamente americano. Há quem se incomode com isso, o que não é o meu caso. "Thunder Road", "Night", "Born To Run", "She´s The One" e "Junglehead" são os destaques do disco.
Eudes: Daquelas escolhas retroativas. Claro que Born to Run é ótimo, mas está muito longe de ser o melhor disco de Bruce Springsteen. Pessoalmente coloco no topo Nebraska. E, reconhecida sua importância, está muito atrás de vários outros álbuns deste período seja no quesito novidade-ruptura, seja no quesito representatividade. Escolha que sinceramente não entendi.
Fernando: Da lista é o disco que menos ouvi. É por que não gosto dele? Claro que não! É só o fato de que é o artista da lista que fiquei fã há menos tempo. É curioso como um músico consegue mostrar suas suas raízes e representar tanto um país através da música. Interessante que eu sei o quanto esse disco é importante para Springsteen, provavelmente seu disco mais respeitado, mas não é meu preferido – o posto cabe ao disco seguinte Darkness on the Edge of Town. Notaram que meio de tantas bandas fantásticas presentes nessa lista somente Springsteen conseguiu incluir um disco como artista solo?
Líbia: Esse álbum me conquistou nos primeiros segundos de “Thunder Road” e nunca mais saiu das minhas audições. Cada música revela um tumulto de emoções humanas que cada um de nós experimenta muitas vezes. Bruce Springsteen interpreta as histórias com paixão, as músicas “Backstreets” e “Born to Run” manifestam bem isso. O álbum finaliza com a fantástica poesia e riqueza musical de “Meeting Across The River” e com uma interação fantástica de Clarence Clemons e Roy Bittan em “Jungleland”. Certamente um dos álbuns com as melhores composições desse universo musical, ele te coloca para cima e te emociona. Born To Run vai se eternizar na minha lista dos anos 70.
Mairon: Surpreendente ver esse disco aqui. Achei que sem o Diogo, Bruce não teria moral entre os consultores, mas acabei vendo que isso não é realidade. Pontos para a introdução de “Meeting Across the River”, e só. No geral, basta ouvir os primeiros segundos de “Thunder Road” para sentir que aqui está aquela música boa para deixar de fundo para fazer qualquer outra atividade. A música de Bruce é cheia de testosterona e para cima, como atesta a faixa-título ou a mini-suíte “Jungleland”, mas americana demais para meu gosto. Esse pianinho elétrico de “Backstreets”, “She’s The One” e “Tenth Avenue Freeze-Out” é brega pacas. O saxofone me irrita quando aparece, principalmente na faixa-título e em “Night”, e olha que eu curto bastante saxofone. Parece aquele saxofone de filme de Natal de Hollywood. Me irrita. Vejo o disco como uma obra melhorada do que Meat Loaf fez com Bat Out Of Hell dois anos depois, com todo o perdão da comparação. É audível, mas não para tudo isso.
Micael:  Ah, sério que este álbum está nesta lista? Não é pegadinha isso aqui? Uma década com medalhões do calibre de Queen, Black Sabbath, Bob Dylan, David Bowie, Eric Clapton, King Crimson, Rolling Stones (para ficar só dentre aqueles candidatos a serem eleitos pelos critérios adotados) e conseguem deixar todos eles de fora por ISTO? Tudo o que se encontra aqui foi feito com mais propriedade por Neil Young naquela mesma década (bom, talvez não as melodias vocais, mas isso é gosto pessoal), e muito mais além pelo Crosby, Stills, Nash & Young, por Sir Elton John ou pelo Fleetwood Mac (de novo, só para ficar dentre aqueles que atendiam os pré-requisitos), Incompreensível... Mais uma vez o gosto pessoal superando a coerência nas listas do site.
Ronaldo: Me lembro mais ou menos do que escrevi quando esse álbum apareceu na lista de melhores do ano em que foi lançado. Minha opinião é basicamente a mesma desde então – é um som que remete imediatamente aos EUA e ao estilo de vida da maior parte de seus cidadãos. Então, uma adequada apreciação desse álbum depende um pouco de que o ouvinte entre nesse clima. Bruce é um compositor capaz de colocar muita energia no seu trabalho e de gerar um vínculo bastante eficaz com seus ouvintes. É um rock adulto com características próprias, que tem predicados inquestionáveis. De questionável aqui somente sua presença em uma lista de 10 melhores em uma década como a de 70.

9° Genesis - Selling England By The Pound [1973] (27 pontos)

André: Não sou lá tão fã do Genesis quanto meus colegas de site e acho que talvez um Bowie ou um The Who poderia ser mais representativo aqui se for para ignorar minhas preferências pessoais. É um bom disco sem dúvidas, não tenho como criticar esses caras sendo que a canção "Firth of Filth" a que mais me agrada com belas passagens sinfônicas. Sem contar o desempenho do tecladista Tony Banks, de longe, o melhor integrante da banda. Mas se fosse para ter o Genesis aqui, Foxtrot era o disco que eu preferiria.
Daniel: Este é outro disco magnífico e que foi o grande responsável por me tornar um fã de Rock Progressivo. "Dancing with the Moonlit Knight" e "The Battle of Epping Forest" são composições exuberantes e exemplos excepcionais de como o Progressivo pode ser hipnoticamente cativante. As atuações de Peter Gabriel e de Steve Hackett são simplesmente incríveis. Enfim, fiquei muito satisfeito com a presença de uma obra como Selling England By The Pound estar aqui.
Davi: Essa fase do Genesis não é a minha preferida. Para a tristeza geral da nação, sempre gostei mais da fase mais comercial, com o Phil Collins a frente. Em relação ao trabalho escolhido, o disco é absurdamente bem feito. Phil Collins é um excelente baterista. Steve Hackett e Tony Banks são dois monstros, mas sei lá, escuto, escuto, escuto, e as composições não me cativam. "Dancing With The Moonlight Knight" e "Firth ou Fifth" são as que considero as melhores do álbum.
Eudes: Não dá para reclamar. Um disco de fato maravilhoso e muito expressivo da música dos anos 70. Pessoalmente, é o meu predileto do período em que Peter Gabriel encabeçava a banda. Embora muitos considerem que The Lamb Lies Down on Broadway a culminância desta fase da banda mais centrada na invenção, para mim este ponto culminante é este Selling England by the Pound. Aqui, parece que todas as vertentes inventivas que se manifestavam nos brilhantes discos anteriores se plasmaram em faixas extremamente bem resolvidas, com arranjos complexos mas longe de ser pretenciosos, melodias inesquecíveis e um clima cativante e comovente.
Fernando: Toda vez que ouço esse disco eu lembro das primeiras vezes que o ouvi. Estava em época de iniciação científica na faculdade e tinha começado a trilhar o caminho do progressivo. Lembro de estar no laboratório com meu discman e os fones no ouvido. O Genesis é a única banda clássica que poderia se reunir com sua formação clássica. O motivo disso ainda não ter acontecido é um mistério. Vão esperar alguém ir para a eternidade para isso acontecer?
Líbia: Genesis foi uma banda que demorou muito entrar na minha cabeça e hoje não sai da minha playlist. Selling England By The Pound foi o primeiro da fase Peter Gabriel que conheci, e foi como ir a um mundo muito surreal. Steve Hackett é um dos meus guitarristas favoritos e meu coração dispara quando escuto os belos solos dele nesse álbum! Eu curto as outras eras, mas essa é realmente descomunal. Nesse álbum, para mim o destaque é a “Firth of fifth” que tem um trabalho musical exageradamente perfeito. Obra-prima do Rock Progressivo.
Mairon: Eu simplesmente abomino “I Know What I Like (in Your Wardrobe)” na carreira do Genesis. Sinceramente, acho-a chata demais, e totalmente fora dos altos padrões que o Genesis de Peter Gabriel mostrou para a humanidade. Por outro lado, as épicas “Cinema Show”, “Dancing With the Moonlit Knight” e “The Battle of Epping Forest” são representativas desse padrão de excelência que citei, corroborado pela maravilha “Firth of Fifth”, com Steve Hackett eternizando um dos melhores solos de todos os tempos. A entrada entre os dez mais dos anos 70 é justa e apoiada, deste que comentei aqui. Mas ainda preferia ver o The Lamb Lies on Broadway por aqui.
Micael: Outro disco cultuado pelos seus admiradores, que parecem esquecer que o Genesis compôs duas obra primas praticamente perfeitas antes dele (e, segundo alguns, grupo onde não me incluo, uma outra ainda melhor logo depois). Claro que um disco que contém "Firth of Fifth", "The Cinema Show", "The Battle of Epping Forest", "Dancing with the Moonlit Knight" (estas duas, minhas favoritas no track list) e "I Know What I Like (In Your Wardrobe)" (talvez a primeira “pisada” do Genesis no terreno pantanoso do pop radiofônico onde a banda iria habitar na década seguinte) não pode nunca ser chamado de ruim. Apenas o acho inferior a seus antecessores imediatos (incluindo o Tresspass), e não vejo o porquê dele estar aqui. Para piorar, não é o único caso...
Ronaldo: Apenas em um contexto de ampla liberdade musical e valorização da instrumentação é que um álbum como esse poderia ser concebida e ter feito sucesso. Perfeição pode parecer uma palavra banalizada, mas gostaria que o leitor revisasse seu significado ao ouvir álbuns como Selling England by the Pound. Apenas por sua faixa de abertura esse disco já merece todos os louros – é uma sinfonia com uma dinâmica surpreendente e um encadeamento genial de frases e sonoridades. "The Cinema Show", é outra preciosidade – você consegue ter uma melodia cantarolável no início seguida de uma longa passagem instrumental pra deixar seus ouvidos arriados no final.

10° Captain Beyond - Captain Beyond [1972] (26 pontos) *

André: É com dor no coração que falo de uma banda que gosto bastante: mas deveria ter pelo menos um disco do Sabbath no lugar deste aqui, que destoa um pouco. OK, minha lista é cheia de discos de "segunda" como esse, mas caso uma delas entrasse, eu tentaria defender o meu peixe e justificar a sua entrada. Como não foi o caso, deixo para quem votou justificar. O que posso dizer é que o Captain Beyond é um caso típico de banda que infelizmente só foi reconhecida algumas décadas depois, mas deixando uma pequena discografia marcante. Caso deste primeiro disco que possui a excepcional "Mesmerization Eclipse" do qual possui um baixo simplesmente embasbacante por parte do excelente Lee Dorman, também do Iron Butterfly.
Daniel: A presença deste disco nesta lista é surpreendente. Não que se trate de uma obra ruim, ao menos para mim. Aqui se tem um trabalho que mistura sonoridades e melodias com competência e um bom gosto difícil de ver. Gosto da seção rítmica presente e marcante com Bobby Caldwell e Lee Dorman e Larry 'Rhino' Reinhardt arrebenta com seus solos e seus riffs. "Mesmerization Eclipse" e "Frozen Over" são minhas favoritas de um álbum acima da média, mas que é um exagero sua presença entre os 10 mais de uma década como a de 70.
Davi: Essa banda ficou muito conhecida entre os roqueiros por conta dos músicos envolvidos. Em especial, a presença de Rod Evans. O rapaz responsável pelos vocais nos primeiros álbuns do Deep Purple. O disco é realmente muito bom. Eu, particularmente, gosto muito de "Mezmerization Eclipse" e "I Can´t Feel Nothing". A banda era extremamente competente dentro da sua proposta que era, justamente, fazer um hard rock com pitadas de psicodelia e rock progressivo. No entanto, sua aparição aqui considero um tanto exagerada.
Eudes: Simpatizei muito com esta escolha. Obviamente não lhe daria a medalha de prata, mas, embora o disco não seja mais uma escolha surpreendente, pois há vários anos ele foi recuperado do limbo e elevado a ícone do hard rock setentista, não costuma frequentar estas listas de melhores do ano ou da década. O disco é um monumento de riffs monolíticos, duros, impenetráveis. Uma massa sonora que é jogada à audição como um tijolo. Um disco inesperadamente original. Prova disso é que, incapaz de repetir a façanha, a banda se dissolveu em poucos anos, mesmo que Sufficiently Breathless e Dawn Explosion sejam discos bacanas.
Fernando: Lembro quando eu comprei esse disco e ouvi. Achei confusas as músicas no início. Não lembro bem o motivo, mas daí ouvi o Bento Araújo do Poeira Zine dizendo que esse era o melhor disco de hard rock dos anos 70. Pensei, o Bento está louco!!! Olha os discos do Purple, do Rainbow e de outras várias bandas. Lembro de voltar a ouvir com mais cuidado e acabei fazendo várias audições meio seguidas e daí o disco me pegou. Ainda não acho ele melhor que um Burn ou o próprio Machine Head, mas não dá para negar que é um clássico e fiquei feliz dele ter entrado.
Líbia: Minha lista de álbuns sempre se altera, mas esse debut está fixo na minha lista dos anos 70 há muitos anos, quando o adquiri pela capa e pelo ex-vocalista do Deep Purple, Rod Evans. Nos primeiros minutos do CD no meu aparelho de som, já estava surpreendida pelos riffs, que chegavam a ser de outra galáxia, e com o instrumental caprichado do início ao fim. Pular as faixas chega a ser um crime de Estado, seria como cortar uma música ao meio. O álbum infelizmente não foi um sucesso de vendas na época de lançamento, mas um trabalho feito com sucesso. Agora é um clássico absoluto e peculiar, que ultrapassou gerações com o seus Lados A e B fantásticos, não consigo citar uma música ou outra de destaque. Se um dia eu esquecer quem sou, ainda lembrarei desse grande feito do Captain Beyond.
Mairon: Lembro até hoje a primeira vez que ouvi esse álbum, esperando algo na linha psicodélica do Deep Purple do qual Rod Evans havia feito parte, e me deparando com uma potente turbina sonora, capaz de arrancar o chão com uma fúria devastadora. O lado A deste álbum é perfeito, e o lado B é sobrenatural. Canções curtas, misturando hard rock com pitadas de psicodelia e muito, mas muito peso, que vão intercalando-se e fazendo uma fusão arrasadora, parecendo que estamos apenas em uma longa e incrível suíte, que só leva o ouvinte a curtir mais e mais vezes os trinta e cinco minutos de Captain Beyond. O melhor trabalho da carreira de Rod Evans, e também dos ex-Iron Butterfly Larry “Rhino” Reinhardt (guitarra) e Lee Dorman (baixo), que, acompanhados por Bobby Caldwell, cometeram o único pecado de terem ficado juntos por pouco tempo. E a capa da versão original? Que coisa linda de morrer! Citar uma única canção é pouco. O melhor é ouvir na íntegra outro grandioso álbum de 1972 a aparecer aqui na lista. Na lista original, lá dos tempos da Uol, esse álbum ficou atrás de Close to the Edge na minha lista particular. Como adotei escolher apenas um disco de cada banda para essa lista, ele automaticamente se tornou o primeiro a aparecer de 1972. Foda que haviam outros oito melhores na minha opinião para os anos 70, mas fico feliz em saber que não sou só eu que acho esse trabalho essencial. Parabéns aos consultores por terem colocado Captain Beyond entre os dez mais, e por colocar quatro discos de 1972 na lista. .
Micael:  Comprei este disco em uma era pré-internet porque tinha lido em algum lugar que Rod Evans cantava nele, e eu sempre gostei muito de Deep Purple, mesmo da primeira fase. Ouvi uma ou duas vezes, e não percebi nada demais no disco.. bonzinho, mas apenas isto. Veio a internet e descobri um verdadeiro culto ao disco (e à banda também), então lhe dei mais algumas poucas chances, que não mudaram minha opinião. Aí ele é eleito nesta lista, e minha opinião... ainda é a mesma! A quantidade absurda de discos melhores (e mais importantes, se quiserem usar este critério) que ficaram de fora para que este álbum entrasse me faz questionar se os meus colegas realmente conhecem alguns dos álbuns disponíveis para votação ou apenas selecionaram na lista inicial aqueles que fazem parte de suas coleções (ou suas “listas de reprodução do spotify”) e mandaram bala em seus votos sem procurar ouvir os clássicos contidos na referida listagem, que continha, com certeza, mais de cem discos para escolha. Pois bem, baseado nela, e apenas nela, se a lista fosse dos 100 melhores discos da década de 1970, não sei se haveria lugar para o Capitão do Além... Enfim, não é a primeira lista do site com uma enorme distorção... ninguém é perfeito mesmo..
Ronaldo: Me incluo entre os muitos fãs exaltados desse álbum. Há aqui uma forma muito original de transitar entre o peso do hard rock do início dos 70’s com aquela coisa cerebral trazida pelo rock progressivo inglês, tudo isso temperado com virtuosismo e embalado com composições empolgantes. A presença de um disco como este pode ser contestada por si só, mas acho que esse disco representa toda a vertente de rock pesado que varreu o mundo após o surgimento do Led Zeppelin, do Deep Purple e do Black Sabbath. Em termos musicais e em quantidade de obras, esse estilo é algo muito mais consistentemente disseminado do que o glam-rock, com o qual frequentemente o início da década de 70 é associado.
* Captain Beyond ficou empatado com o mesmo número de pontos que Layla And Other Assorted Love Songs e Burn. Porém, como teve três citações, enquanto os demais tiveram duas citações, ficou com o décimo lugar. 

Listas Individuais
 
ANDRÉ
1. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
2. Deep Purple - Burn
3. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
4. Novos Baianos - Acabou Chorare
5. Kraftwerk – Trans Europa Express
6. Kiss – Destroyer
7. Black Sabbath – Master of Reality
8. Wishbone Ash – Argus
9. Uriah Heep – Demons and Wizards
10. Jethro Tull – Aqualung

 
DANIEL
1. Led Zeppelin – Physical Graffiti
2. Pink Floyd – The Wall
3. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
4. Bruce Springsteen – Born to Run
5. Deep Purple – Machine Head
6. Black Sabbath – Paranoid
7. Jethro Tull – Thick As a Brick
8. David Bowie – The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars
9. Queen – A Night at the Opera
10. Genesis – Selling England By the Pound

 
DAVI
1. Kiss – Destroyer
2. Van Halen – Van Halen
3. John Lennon – Plastic Ono Band
4. Rolling Stones – Sticky Fingers
5. Deep Purple – Machine Head
6. Black Sabbath – Black Sabbath
7. Queen – A Night At The Opera
8. Sex Pistols – Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols
9. Yes - Fragile
10. Pink Floyd - The Wall

 
EUDES
1. Led Zeppelin - Physical Graffitti
2. George Harrison - All Thigs Must Pass
3. Jeff Beck - Blow By Blow
4. Pink Floyd - The Dark Side Of The Moon
5. Yes - Close To The Edge
6. Deep Purple - Machine Head
7. Stevie Wonder - Talking Book
8. Milton Nascimento & Lô Borges - Clube Da Esquina
9. Black Sabbath - Vol. 4
10. Neil Young - Zuma

 
FERNANDO
1. Pink Floyd - The Dark Side of The Moon
2. Yes - Close To The Edge
3. Genesis - Selling England By The Pound
4. Elton John - Goodbye Yellow Brick Road
5. David Bowie - The Rise and Fall of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars
6. Deep Purple - Machine Head
7. Derek And The Dominoes - Layla And Other Assorted Love Songs
8. Black Sabbath - Master Of Reality
9. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV
10. Rolling Stones - Sticky Fingers

 
LÍBIA
1. Rush - 2112
2. Bruce Springsteen – Born to Run
3. Rainbow - Rising
4. UFO - Phenomenon
5. Uriah Heep - Demons and Wizards
6. Supertramp - Breakfast in America
7. Captain Beyond - Captain Beyond
8. Alice Cooper - School's Out
9. Thin Lizzy – Jailbreak
10. Deep Purple - In Rock

 
MAIRON
1. Led Zeppelin - Physical Graffitti
2. Yes - Tales From Topographic Oceans
3. Genesis - The Lamb Lies Down On Bradway
4. Arnaldo Baptista - Lóki?5. David Bowie - Low
6. Black Sabbath - Never Say Die
7. Deep Purple - Come Taste The Band
8. Rush - Hemispheres
9. Captain Beyond - Captain Beyond
10. Pink Floyd – Atom Heart Mother

 
MICAEL
1. Jethro Tull – Thick As a Brick
2. Derek and the Dominos – Layla and Other Assorted Love Songs
3. The Clash – London Calling
4. Queen – A Night at the Opera
5. Genesis – Nursery Cryme
6. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
7. Pink Floyd – Animals
8. King Crimson – Red
9. Deep Purple – In Rock
10. Yes – Close to the Edge

 
RONALDO
1. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV
2. Emerson Lake & Palmer - Brain Salad Surgery
3. Captain Beyond - Captain Beyond
4. Yes - Close To The Edge
5. Black Sabbath - Vol. 4
6. Genesis - Selling England By The Pound
7. Deep Purple - Burn
8. Rolling Stones - Sticky Fingers
9. The Who - Who's Next
10. Pink Floyd - Dark Side Of The Moon

DISCOS ELEITOS ENTRE 1970 E 1979
AC/DC – Powerage
AC/DC – Highway to Hell
Alice Cooper – School’s Out
Arnaldo Baptista – Lóki?
Bad Company – Bad Company
Banco del Mutuo Soccorso – Darwin!
Big Star – #1 Record
Black Sabbath – Black Sabbath
Black Sabbath – Paranoid
Black Sabbath – Master of Reality
Black Sabbath – Vol. 4
Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
Black Sabbath – Sabotage
Black Sabbath – Never Say Die!
Blue Öyster Cult – Secret Treaties
Bob Dylan – Blood on the Tracks
Bob Dylan – Desire
Bruce Springsteen – Born to Run
Bruce Springsteen – Darkness on the Edge of Town
Caetano Veloso – Transa
Camel – Mirage
Captain Beyond – Captain Beyond
Caravan – In the Land of Grey and Pink
Creedence Clearwater Revival – Cosmo’s Factory
Crosby, Stills, Nash & Young – Déjà Vu
David Bowie – The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars
David Bowie – Station to Station
David Bowie – Low
David Bowie – “Heroes”
Deep Purple – In Rock
Deep Purple – Machine Head
Deep Purple – Burn
Deep Purple – Come Taste the Band
Derek and the Dominos – Layla and Other Assorted Love Songs
Eagles – Hotel California
Electric Light Orchestra – Eldorado
Elis Regina – Falso Brilhante
Elton John – Goodbye Yellow Brick Road
Emerson, Lake & Palmer – Emerson, Lake & Palmer
Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
Eric Carmen – Eric Carmen
Fleetwood Mac – Rumours
Frank Zappa – Chunga’s Revenge
Free – Fire and Water
Funkadelic – One Nation Under a Groove
Gene Clark – No Other
Genesis – Nursery Cryme
Genesis – Foxtrot
Genesis – Selling England By the Pound
Genesis – The Lamb Lies Down on Broadway
Gentle Giant – Acquiring the Taste
Gentle Giant – Octopus
George Harrison – All Things Must Pass
Grand Funk Railroad – E Pluribus Funk
Jeff Beck – Blow By Blow
Jeff Beck – Wired
Jethro Tull – Benefit
Jethro Tull – Aqualung
Jethro Tull – Thick As a Brick
John Lennon – Plastic Ono Band
Joni Mitchell – Blue
Jorge Ben – A Tábua de Esmeralda
Jorge Ben – África Brasil
Judas Priest – Sad Wings of Destiny
Judas Priest – Sin After Sin
Judas Priest – Stained Class
Judas Priest – Killing Machine
Kansas – Leftoverture
King Crimson – Larks’ Tongues in Aspic
King Crimson – Red
Kiss – Destroyer
Kiss – Rock and Roll Over
Kiss – Love Gun
Kiss – Dynasty
Kraftwerk – Autobahn
Kraftwerk – Trans Europa Express
Led Zeppelin – Led Zeppelin III
Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
Led Zeppelin – Houses of the Holy
Led Zeppelin – Physical Graffiti
Led Zeppelin – Presence
Lynyrd Skynyrd – Street Survivors
Meat Loaf – Bat Out of Hell
Michael Jackson – Off the Wall
Milton Nascimento e Lô Borges – Clube da Esquina
Motörhead – Overkill
Mutantes – Jardim Elétrico
Neil Young – Harvest
Neil Young – On the Beach
Neil Young with Crazy Horse – Zuma
Novos Baianos – Acabou Chorare
Paul and Linda McCartney – Ram
Paul McCartney & Wings – Band on the Run
Pink Floyd – Atom Heart Mother
Pink Floyd – Meddle
Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
Pink Floyd – Wish You Were Here
Pink Floyd – Animals
Pink Floyd – The Wall
Queen – A Night at the Opera
Queen – News of the World
Rainbow – Ritchie Blackmore’s Rainbow
Rainbow – Rising
Rainbow – Long Live Rock ‘n’ Roll
Ramones – Ramones
Ramones – Rocket to Russia
Raul Seixas – Krig-ha, Bandolo!
Renaissance – Ashes Are Burning
Rita Lee & Tutti Frutti – Fruto Proibido
Rush – 2112
Rush – A Farewell to Kings
Rush – Hemispheres
Scorpions – Virgin Killer
Scorpions – Taken By Force
Secos & Molhados – Secos & Molhados
Sex Pistols – Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols
Som Nosso de Cada Dia – Snegs
Steely Dan – Pretzel Logic
Steve Howe – The Steve Howe Album
Stevie Wonder – Music of My Mind
Stevie Wonder – Talking Book
Supertramp – Crime of the Century
Supertramp – Breakfast in America
Tangerine Dream – Cyclone
The Clash – London Calling
The Kinks – Lola Versus Powerman and the Moneygoround, Part One
The Mahavishnu Orchestra – The Inner Mounting Flame
The Police – Reggatta de Blanc
The Rolling Stones – Sticky Fingers
The Rolling Stones – Exile on Main St.
The Stooges – Fun House
The Stooges – Raw Power
The Who – Who’s Next
Thin Lizzy – Jailbreak
Thin Lizzy – Black Rose: A Rock Legend
Tom Waits – Blue Valentine
UFO – Phenomenon
Uriah Heep – Demons and Wizards
Van Der Graaf Generator – Pawn Hearts
Van Der Graaf Generator – Godbluff
Van Halen – Van Halen
Van Halen – Van Halen II
Wishbone Ash – Argus
Yes – Fragile
Yes – Close to the Edge
Yes – Tales from Topographic Oceans
Yes – Relayer
Yes – Going for the One
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