sábado, 13 de agosto de 2016

Consultoria Recomenda: Anos 2010

Kadavar 1
Kadavar
Por André Kaminski
Tema escolhido por Ronaldo Rodrigues
Com Alisson Caetano, Christiano Almeida, Davi Pascale, Diogo Bizotto, Mairon Machado, Marco Gaspari e Ulisses Macedo
O nosso mestre (de verdade, pois acabou de terminar o mestrado), especialista em bandas setentistas e principal músico do site Ronaldo Rodrigues resolveu (logo ele!) nos mandar pesquisar sobre discos de bandas novas que surgiram exatamente de 2010 até os dias atuais. Aí um tema tão legal como esse e um certo consultor que NÃO VOU CITAR O NOME resolve arregar e dizer que não poderia participar destas recomendações. Como disse anteriormente, o próximo que fizer isso iria ser zoado na postagem e incluído seu nome com comentários feitos por nós mesmos. O Ronaldo que me perdoe. Eu arruíno a postagem, ridicularizo o site, todavia, JAMAIS deixarei de cumprir a minha palavra. O resultado foi este!

Death Grips 1
Death Grips - The Money Store [2012]
 Por Alisson Caetano
A música projetada pelo trio norte-americano Death Grips é o mais longe que se pode ir no que diz respeito a atitude e intensidade punk na atualidade. Stefan Burnett é um completo insano em seu papel de MC (MC Ride, no caso). Sua voz soturna, forte e estrondosa casam perfeitamente com as montagens frenéticas e industriais das faixas, a cargo do produtor Andy Morin e do baterista Zach Hill. The Money Store passa muito longe de convenções e ritmos estabelecidos na história do hip hop. Na verdade o que a banda faz é desconstruir o estilo e remontá-lo de uma forma completamente caótica, perversa e subversiva. Não será a audição mais confortável que você irá experimentar, mas esta também nunca foi a intensão da banda com suas músicas.
André: Sem chances. Não tinha ninguém com uma sonoridade mais tipo o Gabriel, o Pensador em termos de hip hop para mandar nós ouvirmos?
Christiano: Esse disco tem uma capa bem legal. Aliás, parece que imagem aqui, de fato, é bem mais importante que música. Por todo o álbum, são exploradas as diversas formas de intercalar samples distorcidos com narrações marrentas. Se partirmos da ideia de que uma privada em uma sala de exposição é arte, isso aqui pode ser considerado um disco a ser recomendado.
Davi: Eu tento, tento, tento e não consigo sentir a menor simpatia por grupos de hip hop. Até acho que existem coisas bacanas no cruzamento do gênero com o rock ou o heavy metal, o que não é o caso aqui. Repleto de programações, elementos eletrônicos, efeitos, uma pegada mais experimental para ser um pouco mais preciso. Definitivamente, não é para mim. Audição bem cansativa.
Diogo: Faz poucos anos que comecei a ouvir rap com ouvidos mais abertos, sem pré-julgamentos. Talvez seja por isso, talvez não, mas não consegui experimentar algum prazer auditivo ao percorrer o tracklist de The Money Store. Ok, é um álbum experimental, vai muito além do rap, faz uma intersecção com o rock, especialmente em sua vertente mais industrial, incorpora até mesmo elementos noise, mas curtir de verdade eu não curti. O único momento em que passei perto disso foi em “I’ve Seen Footage”, que chegou a lembrar os bons momentos de quando o gênero ainda estava engatinhando, no início dos anos 1980. Entre álbuns como No One Can Do It Better (The D.O.C., 1989) e The Chronic (Dr. Dre, 1992), e registros como este do Death Grips há um grande universo, e eu pendo bem mais para o lado dos dois primeiros.
Fernando: Ouvi o disco todo e admito que em alguns momentos pensei em desistir. Muito “ritmo” e “poesia” para meu parco conhecimento musical.
Mairon: Gostar de hip hop já é brabo, imagina gostar de experimental hip hop. Que coisa braba, fala sério. Se tivesse que apostar quem indicou esse disco, certamente iria apostar em Alisson Caetano, o único capaz de admirar tamanha caca.
Marco: Alisson Caetano marcando época na consultoria. Isso aí meu caro, nossos ouvidos não valem nada.
Ronaldo: A primeira sensação é de estranhamento. A segunda, também. Os sons de sintetizadores e sequenciadores são tão minimalistas que chegam a ser sufocantes, criando um clima constante de transe. A batida muito frenética remete ao trip-hop e é repleta de graves profundos servindo de cama para verborragias rap. O bolo todo soa bastante experimental, por unir dois universos aparentes conflitantes, um no qual a letra e a voz são importantes como veículo e outro no qual esses elementos são totalmente desprezíveis e diluídos entre toneladas de sons artificiais. Se você deseja ser provocado por um som diferente, experimente.
Ulisses: Uma cacofonia total. Na segunda audição eu consegui apreciar melhor o rap intenso de Stefan Burnett, mas essas batidas são um tanto enfadonhas.

Solipsist
The Zenith Passage - Solipsist [2016]
Por André Kaminski
Lá estava eu atrás de uns discos diferentes lançados este ano. Da parte death metal, acabei achando esta novata banda The Zenith Passage bastante curiosa por mesclar uma temática espacial em suas letras, um instrumental com riffs velozes que param abruptamente, dando um jeito de insanidade (mesmo em se tratando de uma banda supostamente técnica) e momentos repentinos de calmaria. É algo bem diferente do que o metal extremo costuma produzir e por sinal, tenho buscado outras bandas similares tais como Necrophagist e Augury. Este tema é uma boa oportunidade para saber a opinião dos consultores sobre este subgênero do metal extremo.
Alisson:  É bem triste ver que o technical death metal virou uma piada horrorosa hoje em dia. Músicas sem feeling, apenas uma massaroca de bumbos duplos, velocidade a milhão e zilhões de arppegios, um exibicionismo sem graça nenhum, tudo empacotado em uma produção digital e cristalina sem identidade. Solipsist é só isso aí mesmo: death metal plástico, com várias idéias do Deeds of Flesh mal executadas e que resume exatamente o quão mal lecionados foram estes garotos.
Christiano: É muito comum escutarmos que death metal é um estilo bastante avesso a experimentações. Porém, bandas como Death e Carcass conseguiram reformular o estilo, apontando novos caminhos e mostrando muita originalidade. O The Zenith Passage parece confirmar que sempre é possível expandir os limites de qualquer linguagem musical, por mais conservadora que ela seja. Ao dar o play em Solipsist, a primeira sensação que tive foi a de total imprevisibilidade: pausas abruptas após passagens rápidas e pesadas, contrastes inesperados entre momentos de extrema velocidade e belas passagens de teclados e piano. Tudo isso recheado com muita técnica e precisão. O trabalho de baixo e bateria é absurdamente intricado, assim como as guitarras, que transitam entre riffs pesados e solos melódicos. Confesso que o tipo de som praticado pelo The Zenith Passage não ocupa os primeiros lugares em minha lista de preferências, mas não tem como ignorar o belo trabalho que fizeram em Solipsist. Ótima dica.
Davi: Sabe aquelas bandas que em pleno 2016 insistem em criar um logo que mal dá para ver o nome da banda porque querem parecer old school? É isso aí. Vocal urrado, bateria veloz, som agressivo. Sendo honesto, o instrumental é excelente, os riffs são bem construídos, mas o vocalista é incrivelmente chato e qualidade de gravação razoável, apenas. Guitarra está bem gravada, mas falta grave. Baixo é quase inaudível, o som do bumbo é sofrível. Se você curte aquelas podreiras nível Sarcofago, é capaz que você goste, mas não tenho paciência, não. Não é meu estilo de heavy metal.
Diogo: Pensei que ficaria sozinho nas indicações de metal extremo, mas eis que aparecem esses californianos com um death metal técnico – algo que costuma me agradar – mas suficientemente estranho em algumas estruturas e intervenções instrumentais, além de enfadonho em muitos momentos. Ouvir o álbum é ter a certeza de que os músicos possuem muita técnica, especialmente os guitarristas, mas é justamente das mãos deles que saem algumas coisas que não me agradaram. Devido aos timbres escolhidos, inclusive, certas horas parece que estamos ouvindo teclados, não guitarras. Está na cara que o quarteto consumiu com farinha discos de bandas como Pestilence, Cynic, Atheist e Suffocation, mas não acho que tenham conseguido reproduzir o mesmo nível de composição dessas formações. Do jeito que estou escrevendo até parece que eu detestei o grupo, quando na verdade eles são melhores que alguns com os quais fui mais condescendente nesta mesma edição, mas, como se trata de um subestilo que admiro, esperava mais.
Fernando: Pesado e rápido, porém chato.
Mairon: Que atrocidade é essa? Com exceção das viagens instrumentais de "Dreamsphere", não consegui aproveitar muito. Vocais guturais e essa bateria britadeira não me agradam em nada, e sinceramente, estou cada vez pegando mais antipatia com isso. Longe de ser música, pelamordedeus.
Marco: Sonzeira da boa e que levanta até defunto! Pena que nada consegue levantar uma outra coisa importante por aqui.
Ronaldo: É tudo tão rápido que não dá nem pra entender. Os ouvidos saem triturados. A faixa “Dreamsphere” é um exercício interessante. Ademais, não há assimilação possível para quem não venere distorção somada à exibição de técnica e velocidade.
Ulisses: Death metal é um estilo que sempre me cansa muito rápido. Geralmente a coisa é ainda pior no tech death. Solipsist, ao menos, traz uma boa produção, alguns momentos instrumentais muito interessantes (ouça "Deus Deceptor") e certa influência de jazz. Gostei de como soam quando não estão afogando tudo em blast beats e guturais: "Dreamsphere" é um bom exemplo. Pena que uns 80% do disco é aquele liquidificador na minha orelha; aí é lasca!

Home Again
Michael Kiwanuka - Home Again [2012]
Por Christiano Almeida
Desde Amy Winehouse, podemos dizer que estamos assistindo a uma espécie de renascimento da soul music. Com isso, nomes como Sharon Jones and the Dap-Kings, Monophonics e Charles Bradley vem se destacando em um cenário musical caracterizado pela diversidade. Michael Kiwanuka é mais um representante dessa leva de novos artistas influenciados pelos clássicos da música soul. Em “Home Again”, seu primeiro registro em estúdio, lançado em 2012, temos um dos discos mais agradáveis dos últimos anos. Além de possuir uma bela voz, Michael é também guitarrista e compositor. Músicas como “Always Waiting”, “Tell me a Tale” e “Rest” são boas amostras de seu extremo bom gosto e sensibilidade. Referências a nomes consagrados do gênero são inevitáveis, o que não retira o mérito da criação de uma obra tão bela e contemplativa em tempos tão velozes e frios como os atuais.
Alisson: Parcos 29 anos, mas já canta como quem já possui esse mesmo tempo de estrada. A opção por temas, arranjos e produção "de época" conferem um charme peculiar ao trabalho. E charme é algo que sobra ao disco. De belos souls tocantes à blues sentimentais, Home Again é daqueles discos que são um deleite absoluto em sua plenitude auditiva.
André: Longe de mim dizer que é um disco até mesmo mediano, apenas gostaria que o ótimo cantor Kiwanuka desse, nem que fosse de vez em quando, uma "sacolejada" na gente com canções mais rápidas e animadas. Charles Bradley é bem mais o estilo de soul ao qual eu curto. Independente do meu gosto, sei que tem muita gente que ama esse tipo de música doce e calma e "Rest" é um exemplo de ótima faixa feita sob medida para tais ouvidos.
Davi: Não conhecia. Achei muito bacana. Rapaz tem um ótimo timbre, manda bem e criou um disco muito agradável de se ouvir. Disco calmo, mas com arranjos bonitos, muitas vezes bebendo na fonte daquele soul estilo Marvin Gaye, Otis Redding. Claro, guardadas as devidas proporções, mas é nítido que ele bebe na fonte. “Tell Me a Tale”, por exemplo, soa como uma canção dos anos 60, conseguiu reproduzir a sonoridade da época direitinho. Outros grandes momentos ficam por conta de “I´ll Get a Long”, “Bones” e “Any Day Will Do Fine”.
Diogo: Rapaz, eu me senti quase um criminoso após encerrar a primeira audição deste disco. Por quê? Pois não senti tanta qualidade a ponto de justificar as críticas positivas que esse rapaz tem recebido. Coloquei o álbum para tocar mais uma vez e reconheci em canções como “I’m Getting Ready” e “I Won’t Lie” boas amostras do seu talento, mas não o suficiente para justificar comparações com cantores de calibre de Otis Redding e Marvin Gaye. Falta muito feijão com arroz para que Michael possa se aproximar dessas figuras antológicas, especialmente uma diversidade maior no tracklist. Os andamentos das faixas são muito parecidos, o que acaba deixando o disco um tanto monótono, especialmente para quem não é tão chegado assim no gênero. Desculpa aí, pessoal.
Fernando: Boa surpresa. Som de fácil assimilação e uma voz agradável. Porém é um tipo de música que tem que estar no clima para ouvir. Ouvi logo depois do Kadavar e tive que dar um tranco no cérebro para conseguir absorver.
Mairon: Um disco tranquilo de se ouvir. Michael Kiwanuka tem uma boa voz, o som é calmo, sem exageros, de onde curti bastante "Tell Me A Tale, a linda "Rest", cujo arranjo de cordas é muito bonito, e o jazzão "Bones". Para se ouvir como plano de fundo de uma tarefa diária como limpar a casa ou preparar um almoço. Não é dos que mais me atrai, mas tão pouco é algo menosprezível.
Marco: Ouvir esse disco foi como atravessar um mar de leite condensado com açúcar a nado por quase 50 minutos. Uma sonoridade que me faz lembrar dos tempos em que vendia este corpinho na boêmia paulistana dos anos 60.
Ronaldo: Da unha do dedo mínimo do pé até a ponta do fio de cabelo mais no alto da cabeça, esse cara buscou o som mais fidedigno à década de 1960 fora da década de 1960 que eu já pude ouvir (e considero que já foram inúmeras tentativas a que fui apresentado). Ouvir esse disco é uma experiência e me admira o capricho nessa busca tão específica por uma sonoridade. Mas vou te contar o melhor de tudo, caro leitor: as composições, a interpretação e a voz desse camarada também lembram as melhores coisas do pop acústico dos anos 1960. Lindo disco.
Ulisses: Bom disco de soul e folk. Confortável, contemplativo e aconchegante, mas recatado demais às vezes. Não é por acaso que o melhor momento do álbum é justamente na animada abertura "Tell Me a Tale". Similar, "I'll Get Along" traz ótimas melodias vocais. O lado emocional aparece com mais força na bela "Always Waiting", a melhor do álbum nesse estilo.

ModeHuman
Far From Alaska - ModeHuman [2012]
Por Davi Pascale
De todos os discos brasileiros que ouvi nos últimos anos, esse foi um dos que mais me chamaram a atenção. A banda foi criada em 2012, em Natal, e conseguiram um trabalho bem coeso em seu debut. Muito bem gravado, as composições são super fortes. A voz da Emmily Barreto e os riffs de Rafael Brasil são os grandes destaques. Muitos vão reclamar que falta aquele jeitinho brasileiro. Realmente, o som realizado pelos garotos não é ‘abrasileirado’, mas é realizado com propriedade. Espero que consigam se firmar e criar uma carreira sólida.
Alisson: Há alguns sérios problemas com esse disco. O primeiro, e mais notável, é a falta de coesão de ideias, sem uma unidade criativa que guie as músicas pelos 61 minutos de duração do disco -- outro erro, o disco é longo além da conta. O disco dá guinadas em sua musicalidade sem maiores cerimônias. Por hora é psicodélico, logo em seguida, é stoner despido de qualquer enfeite, isso quando não se mete a fazer alguns passeios pelo punk e até pelo blues rock. Isso faz com que o ouvinte não crie uma conexão com aquilo que se ouve, tirando consistência do álbum. Entendo a intensão de Emmily Barreto com sua voz mais carregada e despojada. Mas já ouvimos esse estilo de voz feminina sacanamente masculina tantas vezes que torna-se um fardo suporta-lo por tanto tempo em um disco. É caricato, seu inglês não possui uma boa pronúncia e passa longe de soar agradável. O disco possui boas passagens instrumentais, mas também pecam muito, hora pelo exagero, hora pela falta. Falta boas viradas de bateria além do 4 x 4 básico de sempre, como também falta resolverem desligar o pedal do drive da guitarra por alguns instantes. A produção dá sua força ao agregar corpo às guitarras e volume ao baixo, enquanto mantém as bases de bateria firmes e estrondosas. Porém, é um problema sério quando o único ponto positivo de algum registro for sua boa produção.
André: Notei uma saraivada de referências aqui, desde aquele hard rock punkeado, blues, um tanto de stoner e um tanto de alternativo. A vocalista me lembra muito as suecas do Crucified Barbara. O instrumental tem uma certa semelhança com o Blues Pills. Audição muito boa, gostei principalmente de "Communication" e "The New Heal".
Christiano: Só conhecia do Far From Alaska de nome. Logo de início, gostei da sonoridade de ModeHuman, que transita entre a psicodelia, stoner e algumas referências de rock alternativo. O disco todo é muito agradável, mas alguns momentos como “Politiks”, “Tiny Eyes” e “Mama” se destacam. Quando fui procurar informações sobre a banda, descobri que são brasileiros. Confesso que fiquei surpreso, principalmente pelos belos vocais de Emmily Barreto, que além ser uma ótima vocalista, tem uma pronúncia invejável. Banda muito interessante e extremamente competente.
Diogo: Não precisei nem procurar informações a respeito do grupo para saber, após entrar o vocal, que se trata de uma formação brasileira – o sotaque é inconfundível. Não que isso seja um demérito, apenas uma curiosidade que achei interessante levantar. Depois, ao procurar dados, vi que identificam o grupo como praticante de stoner rock. Bom, para minha felicidade, o quinteto não faz uso daqueles timbres forçosamente podrões que infestam os álbuns dos praticantes desse estilo. Além disso, o fato de ter uma cantora também nos poupa de outros cacoetes dos quais não gosto. Na verdade, achei que a sonoridade praticada pelo Far From Alaska enquadra-se simplesmente como rock pesado, básico mas cativante, bem produzido e agradável de se ouvir. Só achei que o tracklist poderia ser um pouco mais curto.
Fernando: Depois de duas bombas o Far From Alaska pareceu o Led Zeppelin nos primeiros acordes. Banda de rock alternativo, com vocal feminino de Natal. Não lembro muitos nomes nacionais desse estilo musical. Não sou especialista, mas lembro-me de quando ouvia com certa frequência Pixies, Sonic Youth e outras bandas do estilo. E a referência com bandas clássicas não me pareceu exagerada, mesmo já não tendo tanto contato com essa vertente do rock há um bom tempo, apesar deles não pararem só aí. A mistura de estilos acontece ao longo do disco todo. Gostei de “Deadmen” e “Another Round”. Fosse uma banda norte americana já teríamos conhecido há muito tempo, só achei o álbum longo demais.
Mairon: Sempre ouvi falar bem do Far From Alaska, mas nunca tinha me animado a ouvir o som do grupo. Foi uma bela experiência ouvir esse álbum conceitual sobre a roboa que chega na terra e recebe diversas instruções para se dar bem por aqui. Só lamento que o disco tenha sido gravado em inglês, já que faixas como "Thievery", "The New Heal", "Greyhound", "Deadmen", os eletrônicos de "About Knives" e as linhas country de "Politiks" chamam a atenção dos ouvidos positivamente, e se fossem em português, poderiam tornar a história mais assimilável. Boas canções complementam o disco, como "Tiny Eyes", "Mama" e "Rainbows", com destaque totalmente positivo para "Dino vs Dino", "Rolling Dice", "Another Round" e a sensacional "Communication", além da viajante "Monochrome". Guitarras destorcidas com boas proporções e uma sensualíssima voz feminina, dando um banho em pobres coitadas como Mallu Magalhães, o que fizeram dessa feita uma das melhor audições, e que podia apenas ser um pouquinho mais curto.
Marco: Mais uma banda criativa a surgir no Brasil pós-Dilma. Gostei do som desses que podiam ser meus netos e minhas netas. Com certeza, queria ser vô da menininha que canta em inglês (por que não em português?), já que ia poder dar uma boa achincalhada nos meus futuros genros (pretendentes iam ter de monte).
Ronaldo: Apoiando-se em alguns riffs já velhos conhecidos entre a galera que não começou a ouvir rock ontem, a banda tempera isso com boas ideias, especialmente usando teclados de forma inteligente. Contudo, a forma como a vocalista Emilly Barreto posta sua voz já anda bem batida e chega a comprometer um bocado o resultado final. Mas a banda é inteligente o suficiente para soar safada e sissuda e produzir um rock bem contemporâneo, ainda que não exatamente original. A faixa “Another Round” sintetiza o álbum todo.
Ulisses: Já tinha ouvido falar dessa banda; eles andam bem famosinhos ultimamente. E não é por menos: O grande ponto forte deles é conseguir mostrar muita identidade própria logo de cara, tanto na parte instrumental, em que misturam stoner, indie, grunge e hard rock sem perder o horizonte de vista, quanto pelo vocal carismático da Emmily. É riff grudento aqui, passagens de sintetizador acolá; neguinho usa até vocoder e lap steel guitar, mas em momento algum parece que a coisa está saindo de controle. Só acho que o disco se estende um pouco além da conta (uma hora de música, quinze faixas), mas nada que tire o mérito geral do quinteto. Ótima indicação!

New Bermuda
Deafheaven - New Bermuda [2015]
Por Diogo Bizotto
Rótulos como “post-black metal”, “shoegaze” e “blackgaze”, colados ao Deafheaven, tinham tudo para me afastar do grupo. A hipsterização para cima da banda, assim como seu visual, também. Como preconceito existe mesmo é para ser quebrado, conferi pela primeira vez o trabalho desses californianos através de New Bermuda. Olha, ainda bem que o fiz, pois perderia um dos melhores álbuns que ouvi nos últimos anos. O ouvinte precisa ter bem claro que o conteúdo de New Bermuda não tem muito a ver com discos como Under a Funeral Moon (Darkthrone, 1993), Battles in the North (Immortal, 1995) ou In the Nightside Eclipse (Emperor, 1994); mesmo assim, trata-se de um álbum de black metal, por mais que esse não seja seu único foco. No decorrer de suas cinco longas – sem excessos, frise-se – faixas vai encontrar a rispidez dos vocais de George Clarke, legitimamente black metal, riffs thrash, blast beats, dissonância, interlúdios de calmaria em meio à agressividade e, sim, muitos lampejos daquilo rotulado como “alternativo”. O melhor é que tudo é coeso e as transições não soam forçadas, fazendo de New Bermuda e sua atmosfera tétrica uma audição essencial.
Alisson: Não tenho nada contra que curta Deafheaven, diferente dos puristas que os apedrejam sem dó nem piedade. Acho precipitado julgar a banda como inovadora e os representantes mór do blackgaze. Para desavisados, o senso de novidade será iminente. Quem é mais atento sabe que o som é Burzum + Isis até o talo. O que me incomoda é que esse casamento não é feito de maneira original e natural. Um estilo precisa dar espaço ao outro nas canções, o que gera certo incômodo por não haver tanto equilíbrio de estilos, como o Alcest já fez de maneira sublime em sua discografia. Acho justo o reconhecimento pelo qual o Deafheaven vem passando, mas em termos de blackgaze, há trabalhos mais relevantes que este.
André: Fala aqui o cara que gosta de death metal mas não gosta de black metal. Pois é, vai entender... este disco me trouxe surpresas agradáveis e desagradáveis ao mesmo tempo. Uma muito agradável por exemplo é a faixa "Baby Blue". O seu final é simplesmente magnífico, riffs bonitos e uma atmosfera classuda, me lembrando os melhores momentos do My Dying Bride. Todavia, logo o ínicio de "Come Back" já me remete aos momentos black metal que não costumo admirar. É curioso como o vocal rasgado do vocalista George Clark não parece deslocado na sonoridade toda, simplesmente é algo que dificilmente conseguiria imaginar nesse tipo de disco. Uma boa surpresa, mesmo para mim que não sou nem um pouco chegado ao estilo.
Christiano: Lembro que Sunbather, de 2013, marcou presença em várias listas dos melhores discos daquele ano. Na época, fui conferir e achei o som meio comum para tanto alarde. No entanto, após escutar com mais atenção este New Bermuda, terceiro álbum da banda, a fusão de black metal com shoegaze pareceu funcionar melhor. A abertura do disco com “Brought to the Water” traz bons momentos, revezando momentos de muita velocidade com ambiências calmas. Até alguns solos bastante melódicos funcionam muito bem. “Luna” é começa com um riff interessante, mas é um pouco longa demais. “Baby Blue” é um dos melhores momentos de todo o disco, com uma bela introdução e solos que lembram muito Kirk Hammett, mostrando que é possível ser pesado sem o uso massivo de blastbeats. Juntamente com “Gifts for the Earth”, é a melhor faixa de New Bermuda. Achei o disco bem interessante. Claro que se as faixas fossem menos longas e construídas sem tanta preocupação com velocidade, o resultado seria bem melhor.
Davi: Forte influência de black metal. Bateria martelada, vocal vomitado, o diferencial é que (infelizmente) as musicas são longas. Tipo de som que nunca me atraiu e essa banda não conseguiu mudar minha percepção. Chato pra dedéu. Pelo menos, é bem gravado...
Fernando: Todas essas bandas mais recentes de black metal me parecem ter o objetivo de ser o novo Burzum, ou algo do tipo. Apesar dos trechos instrumentais serem muito bons, a melodia acaba sendo estragada pelo tipo de voz. Não pelo estilo de canto e sim pela sobreposição dele sobre as músicas. Me parece que o cantor está dentro de uma sala com pouca acústica e o microfone está do lado de fora da porta. O clima arrastado e com pouca variação do disco acaba tornando difícil ouvir faixas mais longas, todas com cerca de 10 minutos cada.
Mairon: Putz, que que é isso? Não gostei desse vocal pseudo gutural, e também da insanidade da bateria, tocada de forma tão veloz que é impossível escutá-la com perfeição, mas apesar disso, consegui encontrar qualidade na parte instrumental, principalmente quando os músicos tentam tocar algo mais audível e calmo, como a bonita e longa introdução de "Baby Blue", com certeza a melhor música desse disco. O grande problema mesmo é o vocal, que coisa insuportável. Obrigado pela dica, mas não irei ouvir essa "coisa" nunca mais.
Marco: Quando eu era adolescente, eu brincava com uns amiguinhos são-paulinos de Blackgaze. A dor dessa brincadeira me levou a ser um Corinthiano feliz hoje em dia.
Ronaldo: É (quase) tudo tão rápido que não dá nem pra entender. Os ouvidos (quase) saem triturados. Pra piorar, essa banda ainda mistura isso com passagens repletas daquelas melodias chorosas tão típicas do pop-rock dito indie.
Ulisses: O Deafheaven me remete à três anos atrás, quando ficaram bastante conhecidos com seu disco da capa rosa (Sunbather). Na época, fui conferir o burburinho ao redor do álbum e me deparei com um registro quase impenetrável. Aqui em New Bermuda a coisa não mudou muito de figura. O lado black metal não me diz nada, mas pelo menos consigo apreciar as passagens mais atmosféricas e melódicas (o final de "Come Back" é lindo!), sendo possível perceber influências de thrash e post-rock também. Gosto de alguns poucos momentos do disco mas, no geral, já aprendi que devo ficar longe da banda.

The Bomb Shelter Sessions
Vintage Trouble - The Bomb Shelter Sessions [2014]
Por Fernando Bueno
Fui o responsável por escolher o disco mais antigo da lista. Mesmo em uma lista de novidades fiquei com as velharias. Além do mais, o Vintage Trouble não faz questão alguma de ser revolucionário. Tirou o pó de suas influências já bem estabelecidas de blues e soul e apenas acrescentou um frescor de dias atuais. OS conheci por conta de um CD bônus da revista Classic Rock e não parei de ouvir. Depois disso eles até já vieram duas vezes para o Brasil e passaram desapercebido pelos ouvidos, que mais parecem um penico, do grande público brasileiro.
Alisson: Bem tocado, extremamente bem produzido, dono de uns grooves de rachar o assoalho e uma perícia na execução dignas de bandas experientes. Não vai inovar coisa alguma, muito menos agradar quem procura novidades. Mas também em momento algum esta era a intensão. Deixe rolando em um encontro com os amigos que será sucesso.
André: O senhor Eudes Baima esses tempos comentou "Por que acabaram com o rock 'n' roll? Era tão legal". Tá aí senhor! Divirta-se com esse discaço! Composições legais, instrumentistas excelentes, vocalista carismático... quer mais o quê? Uma das melhores coisas que ouvi nesses últimos tempos. Espero que façam muito sucesso ainda.
Christiano: Já tinha visto uma apresentação, pela TV, de um show do Vintage Trouble. Lembro de um momento em que o vocalista, Ty Taylor, se jogava e interagia de modo impressionante com a platéia, promovendo uma verdadeira festa. A mistura de blues, rock e soul funciona muito bem, principalmente porque todos esses elementos são fundidos em músicas cativantes e que despertam a atenção logo nas primeiras audições. Músicas como “Still and Always Will”, “Gracefully” e “Run Outta You” são bons exemplos para mostrarmos para aqueles amigos que dizem que “hoje em dia não existem bandas tão boas como as de antigamente”. Ótima dica.
Davi: Outra ótima dica dessa lista. Uma das bandas mais legais que surgiram nos últimos tempos. Fazem uma feliz mescla de blues rock com o universo musical da Motown (perceptível, principalmente, no trabalho vocal de Ty Taylor). Outro grande destaque é o trabalho de guitarra inspirado de Nalle Colt. Os caras criaram uma sonoridade que é simplesmente contagiante. Destaques ficam por conta de “Still And Always Will”, “Nancy Lee”, “You Better Believe It”, “Total Strangers” e “Run Outta You”.
Diogo: Já havia ouvido falar do Vintage Trouble, mas, pelo nome, pensei se tratar de mais uma dessas formações hard rock com tesão excessivo pelos anos 1960 e 1970 e aversão à década de 1980. Ainda bem que me enganei, pois se trata de uma formação rhythm ‘n’ blues das mais dignas. O som remete sim a tempos passados, mas isso não ocorre de maneira forçada. A bela “Still and Always Will”, por exemplo, encaixa-se bem tanto em um contexto sessentista quanto na atualidade. Uma coisa é ser influenciado, mesmo que muito; outra bem diferente é ser pastiche. A balada “Gracefully” deve ser a música mais marcante entre todas as que ouvi enquanto escrevia minha contribuição para esta publicação. “Not Alright By Me” começa parecendo cover de “People Get Ready”, mas depois se transforma em outra balada formidável. The Bomb Shelter Sessions só não é a melhor indicação presente nesta edição pois a minha é melhor (risos).
Mairon: Rock 'n' roll dos bons, com cara de anos 70. Já conhecia a banda por conta do sucesso "Nobody Told Me", mas vi que eles são bem mais que uma nova bandinha comercial. Quando comecei a ouvir o riff de "Still And Always Will", achei que ia vir algum cover de Rolling Stones, tipo "Can't You Hear Me Knockin'" e tive certeza que a harmônica em "You Better Live" ia me levar para alguma canção perdida de Stevie Ray Vaughan. Curti a linha soul de "Not Alright By Me", que merece um sonoro "Puta que pariu, que música linda", e as baladaças "Gracefully" e "Run Outta You". Belo disco, com certeza, um dos melhores aqui indicados.
Marco: A única obra aqui apresentada que os velhinhos da ASPABROMI se divertiram ao ouvir. A ASPABROMI agradece. Já convidei o Eudes para ouvir aqui comigo. A sós.
Ronaldo: A estrutura é a mesma do bom e velho rock n’ roll que vem desde 1957. Mas tem a carinha e a assinatura desses tempos atuais, em que realmente não há como exigir que originalidade seja uma premissa dentro de estilos com uma história já quase secular. O som tem grooves bem divertidos e sacanas, um bom vocalista e composições com apelo. Tudo muito bem feito. Belo e despretensioso divertimento.
Ulisses: Nem parece que isso aqui foi feito em 2011. É daquele caldeirão de R&B direto dos anos 60. A voz soulful e cheia de personalidade de Ty Taylor é cativante, e Nalle Colt dita o andamento em faixas enérgicas como "Blues Hand Me Down", "Nancy Lee" e "Total Strangers", ou abrindo espaço para o soul de "Gracefully" e "Nobody Told Me". Uma boa recomendação.

Naxatras
Naxatras - Naxatras [2015]
Por Mairon Machado
Quando eu ouvi esse disco, fiquei embasbacado. Regado de muita psicodelia, principalmente nos vocais de John Vagenas e efeitos da guitarra de John Delias, esse trio grego conquistou meus ouvidos, fazendo um som espacial setentista que é uma viagem incrível pela capacidade criativa de três cérebros diferenciados. Ouvir o perturbante e repetitivo riff de "I am the Beyonder" é um coice nos peitos naqueles que, como eu, acreditam que somente as décadas de 60 e 70 foram capazes de produzir material de qualidade. O álbum de estreia do trio hipnotiza o cérebro rapidamente, e logo na terceira faixa, “Space Tunnel”, você já está babando pela sala, seja pela criatividade maluca, pelas viajantes psicodelias do vocal ou pelos alucinógenos solos de guitarra. Porém, é em “Downer” que a coisa encrespa, com uma levada bluesy chapante que faria Jim Morrison viajar no deserto sem um pingo de LSD. Tudo passa em um clima de ensaio em uma garagem enfumaçada de entorpecentes, e dela, saem “Shiva’s Dance”, corroendo o cérebro até o último neurônio, a sobriedade instrumental de “Waves”, a chapante "Sun is Burning", os delírios orientais de “The West”, o crescendo enigmático da inacreditável “Ent”, enfim, um disco perfeito e surpreendente. Havia prometido uma resenha dele quando fiz minha lista de Melhores de 2015, mas acho que agora irá se fazer desnecessário.
Alisson: Algumas boas ideias com execução primária e uma produção completamente equivocada. Ainda que muito similar às produções do Hawkwind dos anos sessenta, neste caso as músicas são prejudicadas por soarem vazias e cheias de lacunas sonoras, enquanto que o intuito do psicodélico é exatamente o oposto do que foi feito aqui. A execução não é nenhum primor também. Viradas de baterias simples e até previsíveis, guitarras apáticas e um vocalista na mesma empolgação das guitarras. Tem propriedade, algumas linhas de baixo chamativas e um trabalho de teclados interessante, mas falta muita consistência à estes gregos.
André: Psicodélico, blueseiro e hard rock. São as três coisas que definem o Naxatras. Se gosta dos três estilos misturados, é um disco que deva ouvir. Talvez o que atrapalhe uma audição melhor seja a sua produção por demais retrô, que de vez em quando passa a impressão de uma certa "pobreza" maior do que deveria. Independente disso, se você curte aqueles discos de bandas B dos anos 70, certeza que irá te agradar. Creio que seja um álbum que mereça mais audições minhas no futuro.
Christiano: Mais um disco que explora as sonoridades setentistas, dessa vez com um enfoque maior na mistura entre psicodelia e stoner rock, com timbres meio abafados e sem muitos efeitos. A bateria parece ter sido gravada com os tambores cobertos por toalhas, o que teve um resultado bem interessante, encaixando perfeitamente na atmosfera das músicas. “Space Tunnel” é uma viajem psicodélica digna de bandas “lado Z” daqueles selos especializados em desenterrar raridades dos anos 60 e 70.  “The West” lembra algumas coisas do Kyuss, com um riff hipnótico e levada arrastada, tendo algumas viagens lisérgicas dignas de admiração. Bom disco.
Davi: Banda grega que aposta em um rock n roll psicodélico. Mais uma banda a beber na fonte das décadas de 60 e 70. No papel, a ideia funciona bem. Porém, o resultado realmente não me cativou. O instrumental é bom e destaco as guitarras bem construídas de John Delias. Infelizmente, as composições não me chamaram a atenção e achei o trabalho vocal bem fraco. Foi interessante ouvir, conhecer, mas não compraria.
Diogo: O Naxatras faz um rock progressivo que eu não consegui enquadrar muito bem em nenhuma corrente. Isso pode querer dizer duas coisas: que meu conhecimento sobre o prog é limitado (o que é verdade) ou que a banda tem personalidade (o que, em parte, parece ser verdade). Na primeira faixa, “I Am the Beyonder”, senti uma atmosfera estilo Pink Floyd pré-Dark Side of the Moon (1973), o que é bom. Ao mesmo tempo, a segunda música, “Sun Is Burning”, tem um riff principal que se assemelha ao de “Stranglehold”, clássico de Ted Nugent. Confuso? Apesar de parecer um pouco, o álbum desenrola-se muito bem, com coesão, e constitui uma audição agradável. A viagem de “Waves”, por exemplo, é excelente mostra da capacidade desses gregos. Gostaria de um vocalista melhor, é verdade, mas parece que, cada vez mais, isso é algo em extinção. Boa indicação.
Fernando: Som viajandão, bom de ouvir, principalmente quando se precisa de um pouco de sossego para fazer algum trabalho operacional que não seja necessário pensar muito. Vi que são adeptos à tendência de utilizar somente equipamentos analógicos e isso aparece no som.
Marco: Vaginas eu prefiro as brasileiras, mas de Vagenas fico com o baixista dessa ótima banda grega que meu amiguinho Mairon Machado me apresentou ano passado. Na verdade eu já conhecia, mas quis agradar ele dizendo que era surpresa para mim. Naxatras é a prova de que velharia já chega eu no mundo... agora, só ouço os mudernos.
Ronaldo: Ainda que pese sobre os ombros desse grupo grego à alcunha de retro-rock eles o fazem com tanta competência que todas as escancaradas referências ao Gong e ao Pink Floyd que se encontram no disco adquirem menor importância. Assim como muitas bandas atuais de inspiração setentista-psicodélica, enveredam por uma linguagem majoritariamente de rock instrumental e conseguem um resultado empolgante, com passagens memoráveis. O som corre por paisagens oníricas, timbragens repletas de ambiências e ondulações, flutuações melódicas e mágicas pulsações de uma verdadeira psychedelicatessen.
Ulisses: Uma enrolação sem fim. Daqueles discos "viajantes" que você ouve já querendo que acabe.

Supernova
Banda Malta - Supernova [2014]
Por Marco Gaspari
Adoro! Torcia muito por eles no SuperStar! É a banda que mais amo no momento! É a salvação do rock brasileiro! E um último recado: Yoko Ono lixão!
Alisson: O Marco é fresco.
André: O Marco é fresco.
Christiano: O Marco é fresco.
Davi: O Marco é fresco.
Diogo: O Marco é fresco.
Fernando: O Marco é fresco.
Mairon: O Marco é fresco.
Ronaldo: O Marco é fresco.
Ulisses: O Marco é fresco.

Berlin
Kadavar - Berlin [2015]
Por Ronaldo Rodrigues
Alguns dos riffs de guitarra mais eficientes da atualidade embalado em um som dinossáurico, bons instrumentistas e composições empolgantes que revitalizam o melhor do rock clássico. Esse é o trio alemão Kadavar, que tenta manter um ritmo consistente de produção de novas canções (já tendo 3 discos de 2012 pra cá), em um nível bem diferente do mainstream da música atual, que leva 4-5 anos pra produzir um disco no máximo medíocre. A banda se apoia também em alguns clichés de stoner rock, como bases repetitivas com afinações graves e descaradas emulações de Black Sabbath. Até nesses casos, o resultado do Kadavar está acima da média entre a infestação de bandas nesse estilo a partir dos anos 2000. A produção sonora de Berlin alia o melhor dos dois mundos – a sonoridade orgânica do som dos 1970 com a resolução sonora das tecnologias atuais.
Alisson: Berlin é um disco que joga na segurança, e ainda assim apresenta um saldo muito bacana. Hard rock dos que mais gosto de ouvir. Setentista até o osso, sem rebuscamentos, toques de krautrock - apesar de menos intensos, como nos dois primeiros - e aquela aura toda típica das bandas de época. Foi uma das audições mais legais que tive ano passado e são uma das bandas mais legais a surgirem nos últimos anos.
André: Já conheço este belíssimo disco do Kadavar e até o incluí na minha lista de melhores de 2015 como um destaque do ano (embora não entre os 10). É um stoner rock sabbathista até a alma, porém, com uma certa cara própria que é até difícil de explicar.
Christiano: Já conhecia o Kadavar e sempre tive simpatia pelo grupo. Berlin é o terceiro disco dos caras, que praticam um stoner rock de acordo com todos os preceitos do estilo: riffs pesados e meio arrastados, referências explícitas a bandas setentistas e timbres orgânicos. Pelo que pude perceber, Berlin é um disco mais diversificado que os anteriores, pois explora um som mais hard rock e até mesmo psicodélico.“Thousand Miles Away from Home”, “Filthy Illusion” e “Spanish Wild Rose” são bons exemplos disto. É desnecessário dizer que todo o disco é recheado de belos riffs de guitarra, mas não posso deixar de mencionar “Circles in My Mind”, que é uma aula simplicidade e eficiência.
Davi: Um dos nomes mais cultuados da cena rock no momento. O trabalho deles realmente é bem bacana. Um dos melhores álbuns dessa lista. A influência de anos 70 come solta. O trabalho vocal, contudo, me lembrou o de uma banda contemporânea (pelo menos nesse disco, não ouvi os outros ainda), o Hellacopters. Se bem que o grupo de Nicke Andersson também tinha essa vibe retro. A pegada aqui é um rock 'n' roll enérgico com altas influências de Stooges, Jimi Hendrix, Cream e Black Sabbath. Gosta dessa pegada? Vá sem medo de ser feliz! Faixas de destaque: “Lords Of Illusion”, “Filthy Illusion”, “Pale Blue Eyes” e “Spanish Wild Rose”.
Diogo: Eu olho para fotos desses cidadãos e já sei que tipo de som eles fazem, é pequena a chance de errar. Aquele rock pesado de evidente inspiração setentista, em grupos como Black Sabbath, Mountain, West Bruce & Laing e outros menos conhecidos, sem esquecer uma boa dose de blues e psicodelia. Bingo! Mas vá, até que o Kadavar é competente em sua proposta. A música escolhida para ser videoclipe, “Last Living Dinosaur”, é bem boa. Não foca em riffs extremamente repetitivos, como outras formações do tipo, e flui legal, não soa quadradona. Os timbres não são tão do meu agrado e sinto a falta de um vocalista melhor, mas até que a indicação não foi ruim. Foi bom para verificar se a minha impressão inicial se confirmava. Não é, porém, algo que pretendo ouvir novamente.
Fernando: Esse era o único disco da lista que eu já conhecia, excetuando-se, obviamente, o que eu mesmo indiquei. Muito bom o som deles, existem várias bandas praticando esse som na linha do stoner e acreito que eles estejam entre os melhores. Vale muito a pena.
Mairon: Caraca, voltamos aos anos 70? Hardzão potente para ninguém colocar defeito, na linha de grupos como Mountain e Sir Lord Baltimore, bem como inspirações características em Black Sabbath, vide "Stolen Dreams", "Last Living Dinosaur", "The Old Man" e "Into the Night" (essa com o riff descaradamente chupado de "War Pigs") e The Jimi Hendrix Experience, através de "Pale Blue Eyes" e "See the World With Your Own Eyes". A guitarra de Christoph Lindemann é chapante como os grandes guitarristas setentistas, e não tem nenhum defeito nesse discaço. Todas as faixas são exímios exemplos de como é possível fazer som de qualidade, e as que mais me chamaram a atenção foram "Lord of the Sky", "Filthy Illusion", "Thousand Miles Away From Home", "Spanish Wild Rose" e "Circles in My Mind", canções que apesar de todas as influências visíveis nos anos 70, apresentam novidades para os ouvidos. Ótima indicação.
Marco: Fizeram barba, cabelo e bigode neste disco. A barba e o bigode eu já tenho, mas o cabelo caiu e o aeroporto de mosquito aqui passa por ampliação.
Ulisses: Não acompanho esse power trio alemão, mas este registro me parece menos, digamos, sujo ou empoeirado do que aquilo que ouvi deles no passado. Tudo bem, ficou melhor assim. Os três caras são bastante entrosados e trouxeram um disco divertido, variado e que não cansa. Quem curte essa onda de stoner, retrô e similares não tem motivos para deixar Berlin de lado.

Winter
Oceans of Slumber - Winter [2016]
Por Ulisses Macedo
Essa banda texana foi formada em 2011 com o intuito de praticar um metal progressivo, extremo e técnico. Embora já chamassem atenção dos headbangers com seu álbum de estréia, lançado de forma independente, foi com a entrada do tecladista Beau Beasley e, principalmente, da vocalista Cammie Gilbert que a coisa mudou de figura. Quando se fala em voz feminina no metal, 99% das vezes a gente pense nas bandas sinfônicas de vocal operático, mas não é o caso aqui. Sua performance remete a cantoras de soul e blues, com uma presença expressiva. E que se encaixa perfeitamente nas composições, que dosam o peso com a melancolia doom, os blast beats e guturais com passagens acústicas ou atmosféricas. Seja no interlúdio a capella "Lullaby", no blues-rock de "Turpentine" ou no excelente cover de "Nights of White Satin", a banda entrega variedade comedida e bastante profundidade.
Alisson: Conhecia a banda de outros tempos, quando ouvi o disco Aetherial [2013]. Aquele disco havia me impressionado bastante pela versatilidade musical, pegando a sujeira psicodélica do Mastodon e colocando algumas passagens de death metal no meio, isso tudo com uma execução muito precisa. Winter já cresce como um dos discos de metal mais interessantes deste ano, mesmo que não tenha me conquistado tanto quanto seu disco de estreia, e isso se deve ao fato da entrada de Cammie Gilbert. Boa vocalista, mas preferia os vocais Mastodônticos de Ronnie Allen, mas é só questão de preferência pessoal. Muito bom gosto aliado à músicas cheias de passagens de contemplações melódicas. Para quem procura boas opções metálicas no ano de 2016, conferir este disco pode ser uma boa pedida.
André: Junto ao Kadavar e o Vintage Trouble, entre os melhores discos desta edição. Metal progressivo diferenciado, com guturais e com destaque para a vocalista Cammie Gilbert, com um baita vozeirão. "Suffer The Last Bridge" é um ótimo destaque. Interessante que o tipo de metal progressivo que fazem parece uma mistura do estilo mais direto do Evergrey com aquela aura mais atmosférica que lembra o Pain of Salvation. Extremamente recomendado.
Christiano: Banda com instrumental bem trabalhado. No entanto, a mistura de vocais femininos com guturais, tipo “a bela e a fera” já foi explorada à exaustão pelas bandas de gothic metal da década passada. Isso não quer dizer que temos um disco ruim. Pelo contrário, a mistura de peso com climas densos e meio viajantes soa muito bem. Aliás, influências progressivas permeiam todo o álbum, inclusive com uma versão para “Nights in White Satin” do Moody Blues. Infelizmente, o vocal forçadamente expressivo de Cammie Gilbert não funcionou muito bem, contribuindo de forma negativa para o resultado final.
Davi: Heavy metal! A sonoridade do grupo bebe em diferentes fontes. É possível pegar elementos do doom, do death melódico e até mesmo do progressivo. Os músicos são bons, com destaque para o excelente baterista Dobber, mas sendo bem honesto essas bandas onde misturam voz limpa e voz gutural já estão me cansando. A ideia das vinhetas com uma pegada mais atmosférica foi bacana, o inesperado cover do Moody Blues foi interessante, mas é um trabalho que conforme vai avançando, ele vai cansando. Um álbum até curioso, mas não virei fã.
Diogo: Muito bom ouvir uma voz diferente do esperado em se tratando de rock pesado. O som do Oceans of Slumber é envolvente, mas é a vocalista Cammie Gilbert que mais se destaca. A sensação é parecida com a que tive ao ouvir Jennie-Ann Smith no Avatarium, que seria minha citação caso não contasse com músicos já gabaritados. As intervenções vocais guturais masculinas, inclusive, poderiam até ser limadas sem prejuízo algum, e olha que não tenho nada contra esse estilo vocal. As músicas de trabalho, “Winter” e “Suffer the Last Bridge”, são boas mostras da capacidade do sexteto texano, dosando sensibilidade pop na medida certa e permitindo que a voz de Cammie seja o fio condutor das canções. Temia que o cover para “Nights in White Satin” pudesse estragar minha impressão sobre o grupo – amo a original –, mas a versão ficou honesta. Gostei da proposta do Oceans of Slumber, é moderna sem soar forçada ou artificial.
Fernando: Logo na metade da primeira música eu já tinha gostado do progressivo com a voz feminina e não é que do nada a música fica mais pesadona e entra uma voz pra nenhum fã de death metal botar defeito. Essa alternância de vocal feminino com masculino gutural nem é algo incomum, mas fez uma diferença enorme no som do Oceans of Slumber. Interessante a releitura para “Nights in White Satin” do Moody Blues que tem até blast beats (!).
Mairon: O disco começou bem. Belo vocal feminino, bom arranjo instrumental, mas quando começou o vocal gutural, bah, destruiu com a música. Mas ainda bem que isso não é predominante em Winter, já que quando os vocais guturais não aparecem, temos um metal de boa qualidade, vide "Devotion", "Tupertine", com sua levada bluesy que a torna a melhor canção do disco, "... This Road" e a reconstrução da lindíssima "Nights in White Satin", onde a vocalista Cammie Gilbert dá show, enquanto a banda exagera na velocidade principalmente na bateria e no solo. Cammie aliás é a figura central da banda. O que ela faz na bela "Lullaby" é de tirar o chapéu. Só o fato de não ser uma cantora lírica nos moldes de Tarja Turunen já é mais um ponto positivo para a banda. Gostei.
Marco: Oceans of Slumber é uma banda tão boa quanto trocar a fralda geriátrica cagada.
Ronaldo: A bela capa guarda um trabalho com um raro cuidado com a questão melódica, especialmente nas linhas vocais, em bandas com essa tendência de metal progressivo. Ainda que as partes mais pesadas das canções tendem a homogeneizar o som da banda no meio em que ela se insere, nas partes mais tranquilas e nas alterações de dinâmica entre partes lentas e agitadas encontram-se os maiores trunfos dessa banda. Os ganchos que unem essas partes tem muita força e consistência, além de serem temperadas pela instigante voz da vocalista Cammie Gilbert. A insistência em vocais guturais, os mesmos timbres de guitarra distorcida e baixo que se ouvem em 10 a cada 10 bandas do estilo, excesso de bumbos duplos e afinações graves quase afogam (na verdade até tem horas que isso acontece) as qualidades que o grupo dignamente mantém. A versão do grupo para o clássico progressivo “Night in White Satin” é sintomática e apresenta, na mesma faixa, as qualidades e os defeitos que o grupo possui.

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