domingo, 5 de janeiro de 2020

Scorpions pós-Uli: os discos clássicos de 1979 a 1984

Francis Buccholz, Herman Rarebell, Rudolph Schenker, Klaus Meine e Matthias Jabs.

Uma das maiores bandas do hard rock setentista, e um dos grandes nomes do metal mundial nos anos 80, esse é o grupo alemão Scorpions. Com uma carreira de mais de 40 anos de estrada, o grupo já lançou dezenas de álbuns. A primorosa era dos anos 70, na qual as guitarras eram dominadas por Michael Schenker e Uli Jon Roth, eu apresentei há algum tempo atrás aqui. Hoje, vou trazer os álbuns clássicos álbuns do início dos anos 80, além de Lovedrive, que marcou o retorno de Michael Schenker às seis cordas dos alemães.
Chegada da banda no Japão, em 1978: Uli Jon Roth, Klaus Meine, Francis Buchholz, Herman Rarebell e Rudolph Schenker

Somente lembrando que a turnê de Taken By Force (1978) levou o grupo ao Japão pela primeira vez, onde, recebidos como heróis, registraram seu primeiro álbum ao vivo, o essencial duplo Tokyo Tapes, na qual Uli Roth é o destaque em interpretações primorosas para pérolas como "Fly to the Rainbow", "Polar Nights", "We'll Burn the Sky", "Dark Lady" entre outras. Uli partiu para uma carreira solo bem sucedida, ao lado da Electric Sun, insatisfeito com os rumos comerciais que o Scorpions assumiu, e para seu lugar, nada mais nada menos que Michael Schenker voltava a assumir as seis cordas, já que ele acabava de se despedir do UFO. Com alguns conflitos com o agora polêmico Michael, nasceu em 1979 o sexto disco da banda, que ainda contou com o novato Matthias Jabs nas guitarras.

Lovedrive, o retorno de Michael Schenker à banda

Michael foi anunciado como novo integrante do Scorpions, mas problemas com o UFO impediram dele seguir como membro do grupo, e assim, na emergência, Matthias Jabs foi chamado para substituí-lo. mesmo assim, Michael gravou três faixas para Lovedrive: a esquisitona "Another Piece Of Meat", com fortes inspirações em Led Zeppelin e um riff grudento, a própria faixa-título, uma das melhores canções do grupo pós-Uli, e a linda instrumental "Coast To Coast", a qual tornou-se obrigatória nos shows do grupo a partir de então, assim como a baladaça "Holiday", uma das interpretações mais marcantes de Klaus Meine, que foi a partir daqui que começou a ganhar mais espaço como compositor e como artista. 

Sem dúvidas, é com Lovedrive que nasceu o Scorpions que se consagrou no mundo, com um hard rock simples mesclado com baladas adocicadas no ponto. "Loving You Sunday Morning" tornou-se um clássico de cara, Jabs apresenta-se emulando Uli Roth na pegada "Can't Get Enough", para mim a segunda melhor do disco, atrás apenas de "Coast to Coast". 

Scorpions ao vivo com Michael Schenker, em 1979

O riff da balada "Always Somewhere" sempre me faz pensar que irá começar "Simple Man", do Lynyrd Skynyrd, e como ponto fraco o reggae no sense de "Is There Anybody There?". Para quem gravou Fly to the Rainbow e Virgin Killer, é assustador ouvir essa canção. 

Muitos consideram esse LP um clássico, mas acho ele apenas um álbum regular, que se escapa pela presença de Michael. A capa também trouxe polêmica - novamente - em alguns países, que consideraram a mão com o chilete saindo do seio da mulher muito obsceno, e preferiram olocar apenas um escorpião sobre um fundo preto. Coisas da censura. O álbum foi o primeiro dos alemães a figurar na Billboard americana, atingindo a posição 55. Com a formação agora consolidada com Matthias Jabs como o novo guitarrista, em 1980 sai o sétimo LP dos alemães. 
Animal Magnetism, o grupo pisando forte para conquistar os EUA
Animal Magnetism traz uma banda com a fórmula de hard oitentista azeitada e pronta para conquistar de vez o mercado internacional, principalmente o americano, e contendo mais três grandes hits para os fãs dessa nova geração, os quais são a pesada "Make it Real", apresentando um interessante solo da dupla Rudolph / Jabs, e a super clássica "The Zoo", levada pelo seu andamento arrastado e complementada pelo refrão grudento, que possui uma canção muito similar no lado A, "Hold Me Tight", mas que não fez tanto sucesso quanto "The Zoo", uma das principais canções da carreira da banda, sem sombra de dúvidas. 

Como sempre, há baladas com espaço garantidos, e Animal Magnetism contém "Lady Starlight", bonita faixa com um singelo arranjo orquestral, tendo como instrumentos oboé, violinos, viola, violoncelo e trompas, arranjados por Allan Macmillan. As melhores do disco ficam por conta de canções que ficaram obscuras perto da grandiosidade de "The Zoo", as quais são "Only a Man" e "Falling in Love", que podiam facilmente estar em qualquer um dos álbuns da era Uli, a veloz "Don't Make No Promises (Your Body Can't Keep)", "Twentieth Century Man", com seu riff rasgado e grudento, e a estonteante faixa-título, uma das obras-primas criadas por essa formação do Scorpions, com sua levada pesada e sinistra que não é encontrada em nenhuma outra faixa do grupo. 

A versão em CD de 2001 trouxe como bônus "Hey You", faixa que honestamente, não acrescenta muito ao bom conceito final do disco, cuja capa, para variar, também gerou polêmica, apresentando uma loira ajoelhada diante de um homem que bebe cerveja, enquanto um cachorro observa algo que não se sabe o que é, mas pode se deduzir, mas dessa vez, não houve problemas de censura. A partir daqui, o Scorpions entrava de vez no mercado europeu e americano, sendo que com ele, os alemães atingiram a posição 52 na Billboard, e também assumiram um novo visual, com roupas coloridas e/ou de couro, que se aproximavam mais do que o mercado de lá pedia naquela época. Era um choque para os fãs antigos, mas a conquista de toda uma nova geração de seguidores.

O fenômeno de vendas Blackout
O Scorpions preferiu sair das temáticas sexuais em seu oitavo álbum, de 1982, e dessa vez trouxe na capa um homem sendo torturado. Ela passou sem problemas de preconceito (violência pode, sexo não), e independente de capas, Blackout se tornou o principal disco da era Jabs, colocando o Scorpions entre os dez mais na Billboard - onde recebeu platina pela marca de mais de um milhão de cópias vendidas em 1984 - e primeiro na França. 

Afinal, aqui você irá ouvir a mega-clássica "No One Like You", hino da era Jabs cujo destaque vai para a inda introdução das guitarras gêmeas e a perfeita mescla de momentos amenos com momentos mais pesados, além de um refrão inesquecível. Blackout também possui outras canções fantásticas, como a pegada faixa-título, outra das melhores faixas da era Jabs, assim como a estupenda "Dynamite", uma pancada para ser gritada aos plenos pulmões, e com mais um grandioso solo de Jabs, a agitada "Now!", faixa característica do Scorpions, curta, direta e ótima para sacudir a casa, e a também clássica "Can't Live Without You", faixa perfeita para agitar uma festa para amantes do rock and roll. 

Schenker, Maine e Jabs, o novo trio de ferro do Scorpions


Os fãs em geral irão estranhar a longa "China White", uma viajante faixa criada por Meine, que em sete minutos, deixa os cabelos arrepiados com seu andamento sinistro, e Meine cantando como poucas vezes se ouviu. As baladas se fazem presentes em "You Give Me All I Need", trazendo um bonito solo de guitarra, e a baladaça "When the Smoke is Going Down", que já preparava os ouvidos dos fãs para o grande sucesso meloso que viria em 1984, através dos dedilhados marcantes uma interpretação impecável de Meine.

Complementa o álbum "Arizona", faixa que até chegou a ser lançada nas rádios, mas que não fez o mesmo sucesso de outras citadas mais acima. Como curiosidade, antes das gravações de Blackout, Meine passou por uma cirurgia nas cordas vocais que quase o impediu de seguir como vocalista. Algumas demos com os vocais de Don Dokken chegaram a ser registradas, mas nunca lançadas oficialmente.

O álbum com os maiores sucessos radiofônicos dos alemães

Se quiser conhecer o Scorpions da era Jabs, comece com esse disco. Love at First Sting é o maior detentor de clássicos da era Jabs em todos os tempos. Vejam só o track list: "Bad Boys Running Wild", "Rock You Like a Hurricane", "Coming Home", "Big City Nights" e "Still Loving You". É mole ou quer mais? Todas essas faixas tocaram muito desde seus lançamentos, em 1984, até hoje. São símbolos e hinos para os fãs do grupo e do hard oitentista. 

Qualquer um que goste do estilo certamente conhece esas pérolas, mas para quem não conhece, posso citar que "Big City Nights" e "Bad Boys Running Wild" tem um refrão que ficará dias na sua cabeça, "Coming Home" é uma "balada" surpreendente - que baita música - na qual a descrição não vale o que realmente é a música, "Rock You Like a Hurricane" é o segundo riff mais famoso da história do Scorpions, além de um dos melhores trabalhos da dupla Jabs / Schenker, e o primeiro riff mais famoso da história do Scorpions veio de "Still Loving You", simplesmente A BALADA. 

Falem o que quiserem, critiquem a terrível versão feita por Cleiton & Camargo, batizada de "Meu Anjo Azul", mas "Still Loving You" é uma pérola da dor de corno, por que ela é simplesmente linda demais. Quem já teve o fim inesperado de um relacionamento e ouve essa canção certamente irá se identificar. Mas há mais nesse nono álbum da banda. "I'm Leaving You" é uma das faixas que sempre quis ouvir ao vivo, principalmente pelo solo de Jabs, e quando ouço "The Same Thrill", fico imaginando como que a mesma banda criou algo tão belo quanto "Still Loving You" criou algo tão poderoso e violento quanto essa faixa, uma pancada que também tenho a curiosidade de vê-la e ouvi-la ao vivo. 

Também temos a simples "As Soon as the Good Times Roll" e a leve "Crossfire", cuja introdução não sei por que me lembra "Waysted Years" do Iron Maiden. Sexto lugar nos Estados Unidos e décimo sétimo no Reino Unido, é sem sombra de dúvidas o melhor álbum da fase Jabs, com o Scorpions no auge da sua carreira. A capa para variar, causou polêmica, principalmente nos Estados Unidos, onde a comunidade religiosa de lá não viu com bons olhos o casal dando um amasso enquanto a moça é tatuada pelo rapaz. Por lá, saiu uma capa apenas com uma imagem do grupo, a qual tornou-se bastante procurada atualmente pelos colecionadores.

Scorpions no Rock in Rio de 1985
No ano seguinte, o grupo veio ao Brasil pela primeira vez, fazendo uma apresentação sanguinária na primeira edição do Rock in Rio. Nesse mesmo ano, saiu o segundo ao vivo do grupo, o ótimo World Wide Live, com destaque para "Coast to Coast", na qual Klaus Meine empunha a guitarra, mas que tem como defeito o fato de apresentar apenas canções da era Jabs, menosprezando totalmente a era Uli, algo que considero muito lamentável. A carreira do grupo daqui em diante para mim não é nada atraente, mas quem sabe, daqui um tempo, eu retorne a ela aqui no Baú? Feliz 2020!!

2 comentários:

  1. Lovedrive, Animal Magnetism e Blackout formam para mim a "trilogia clássica" do Scorpions. São três discaços do começo ao fim (sendo o último citado considerado por mim o Magnum Opus da carreira deles). Pena que em Love at First Sting a banda alemã mudou sua direção musical e nunca mais voltou a ser a mesma...

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