segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Test Drive: Iron Maiden - The Book of Souls



Publicado originalmente no site Consultoria do Rock


O Test Drive volta à cena com um dos álbuns mais aguardados do ano. Desde o anúncio que o Iron Maiden estava gravando seu décimo sexto álbum, espalhando aos quatro ventos que ele iria conter a música mais longa do grupo (com mais de dezoito minutos), fãs ao redor do mundo atiçaram os bolsos e ouvidos preparando-se para adquirir a obra.


O lançamento do belo clipe de uma das canções do álbum, "Speed of Light", agradou a maioria dos fãs, e a vontade de ouvir o álbum na íntegra aumentou exponencialmente.


Eis que na última sexta-feira, 28 de agosto, o álbum vazou na internet, e rapidamente espalhou-se por blogs, sites e canais de torrent que acabaram com a expectativa dos fãs e da mídia especializada. A Consultoria do Rock, como sempre atenta ao que está acontecendo no mercado, faz essa semana duas matérias especiais sobre o álbum. Uma delas, a de hoje, apresenta as impressões iniciais de quatro consultores sobre o disco, dando seu aval e tecendo críticas e argumentos prós e contras para The Book of Souls, enquanto que na próxima sexta-feira, Fernando Bueno irá trazer mais detalhes sobre a obra.


Vamos aos comentários:




Por André Kaminski



Seguindo a mesma postura que a banda vem adotando desde o retorno de Dickinson em 1999 e se acentuando ainda mais desde A Matter of Life and Death (2006), temos mais um disco cheio de músicas longas e escancarando as influências do rock progressivo que só apareciam em leves pitadas nos anos 80. Nessas primeiras impressões, os longos solos instrumentais me pareceram mais inspirados do que em The Final Frontier (2010), porém, cometeu o pecado de exagerar na dose. O que eu vejo é que o Maiden tem criatividade em cerca de 5 minutos em cada canção e depois disso, se repete ou se estende além da conta. Pelo lado positivo, posso dizer que a voz de Dickinson continua agradável de ouvir, o baixo de Harris continua pulsando bem, Nicko permanece seguro na bateria e o trio de guitarras parece bem mais entrosado, embora ainda deixe aquela impressão de nunca conseguir superar as expectativas de quem ouve. Eu diria que é um The Final Frontier levemente melhorado. Bom disco, e acredito que não podemos mais esperar grandes novidades de uma banda veterana e que já deixou seu legado marcado na música principalmente nos anos 80.




Por Alisson Caetano



Preciso salientar que ouvi o disco apenas uma vez, portanto, é apenas uma opinião prévia. Com certeza ainda ouvirei ele mais vezes para expor melhor minhas impressões futuramente em uma resenha. Comparativamente aos discos da fase mais progger da donzela, curiosamente é o disco mais “conservador” do grupo, e digo isso entre enormes aspas, visto que trata-se de um disco duplo com faixas que ultrapassam os 10 minutos de duração. Várias das músicas retomam parte da característica sonoridade oitentista do grupo, mas nunca ultrapassando o limite da auto-cópia, fazendo-o de forma orgânica e bem trabalhada, algo que pode vir a saciar a chatice dos fãs que aguardam eternamente por um novo Piece of Mind. As tão comentadas suítes curiosamente não se tornam enfadonhas, sempre se desenvolvendo em interessantes trechos instrumentais com boas trocas de andamentos e solos bem estruturados. Porém, por mais que o instrumental esteja impecável (e dou destaque especial para as monumentais linhas de baixo de Steve Harris), o disco peca por ser morno demais: A abertura, “If Eternity Should Fail”, por exemplo, é apática em seus pouco mais de 8 minutos, com um refrão nada memorável. “The Great Unknown” possui enorme potencial instrumental, quebrado pela interpretação exagerada de Bruce. Para fechar os comentários, cito “Shadows of the Valley”, com a intro de “Wasted Years” tocada em slow, apenas mais uma faixa apática e que não diz exatamente a que veio. Como disse, ainda ouvi o disco pouco para fortalecer muito minhas impressões, mas, no geral, tive a impressão de se tratar de um disco que não empolga, sempre ficando no limiar do apreciável, mas não memorável.



Por Mairon Machado


Quando ouvi "Speed of Light" e assisti ao clipe magnífico da mesma, fiquei bastante empolgado com o novo álbum do Maiden. Há tempos que o grupo não lançava nada de novo (desde The Final Frontier, lá em 2010), e há mais tempo ainda que eu não consigo ouvir os discos do grupo sem achar que ele vem se repetindo sobre si mesmo. A empolgação com "Speed of Light" logo caiu por terra quando ouvi "If Eternity Should Fail", a primeira faixa de The Book of Souls. O Iron repete a fórmula de introduções dedilhadas, sequências de guitarras gêmeas, solos e mais solos de guitarra e a voz de Bruce que todo mundo teima em dizer que está cada vez melhor, mas eu não consigo mais aturar. Por outro lado, achei interessante que o grupo tentou se recriar. Apesar da própria "Speed of Light" me lembrar bastante "El Dorado", desta feita o sexteto usou e abusou dos solos de guitarra, que preenchem a maioria das longas canções do disco. Achei surpreendente a tal "maior faixa do Iron Maiden", batizada de "Empire of the Clouds". Teve gente que chamou ela de "A nova Close to the Edge", uma verdadeira blasfêmia, óbvio, mas é interessante ouvir piano e cordas em uma canção do Iron Maiden. Acredito que assim como A Matter of Life and Death e Dance of Death, será um disco que ficará na prateleira apenas pegando poeira e completando a coleção, apesar das canções mais curtas são bem interessantes. É principalmente para quem é fãzaço da banda. Mesmo com a novidade do piano e das cordas, é triste ver que o Iron Maiden está cada vez mais se tornando uma banda cover de si mesma.




Por Marco Gaspari




Não sou fã de heavy metal. Iron Maiden nunca foi prioridade no meu toca-discos (ou CD player). Daí que fui ouvir esse novo trabalho deles de alma limpinha, sem nenhum tipo de expectativa ou influência. Tarefa difícil ouvir o disco inteiro. Na terceira música já estava tropeçando no saco cheio. Não quero, por outro lado, desmerecer mais um disco desse gigante do heavy metal. Aliás, em vez disso, vou criticar a mim mesmo que perco meu tempo ouvindo o que eu não gosto e escrevendo contra. Já ando meio surdo e vai ver isso é castigo por obrigar meus ouvidos a “engolir” tanto dissabor. Fico feliz pelos fãs da banda, e eles são milhões, que devem estar recebendo o disco como um presente dos demônios (não dá para escrever “presente dos deuses” para Eddie e cia). Mas que pelo menos tenham consciência e saibam reconhecer que o disco é puro clichê e que esses demônios já faz um tempo não passam de anjos caídos. E põe caído nisso
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Um comentário:

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