Quando se fala no rock progressivo europeu, é claro que o Reino Unido é a principal fonte de matéria-prima do gênero. Com os cinco gigantes (Pink Floyd, Yes, King Crimson, Emerson Lake & Palmer e Genesis), e mais os igualmente grandiosos Van Der Graaf Generator, Renaissance, Curved Air, Gentle Giant entre outros, a ilha da Rainha (agora Rei) é com certeza o maior celeiro de bandas que imortalizaram o estilo.
Porém, atravessando o canal da mancha, a França também disponha de bons nomes do rock progressivo, principalmente nos anos 70 e 80. É o caso de Ange, Art Zoyd, Catharsis, Malicorne e também, o Wapassou. O grupo de Estrasburgo surgiu em 1972, com uma sonoridade bastante influenciada pela psicodelia londrina, e não pelo progressivo. Porém, logo na sequência, o Wapassou criou algumas das melhores obras progressivas da França, tornando-se um dos maiores nomes do rock daquele país ao longo dos anos 70, fazendo uma mistura única e exclusiva de guitarras, violinos, teclados, vozes femininas e muitos elementos clássicos fundidos, em uma banda que não contava nem com baixista e tão pouco com um baterista. Como afirma o texto da contra-capa do primeiro disco da banda, o Wapassou não é um grupo de músicos, é o refúgio da música.
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| Wapassou ao vivo: Brua, Nickerl e Lichti |
Venho aqui então contar a história desta bandaça, praticamente desconhecida por terras brasilis. O grupo era formado pelo trio Freddy Brua (teclados, piano, sintetizadores), Karin Nickerl (guitarras, vocais) e Jacques Lichti (violino), além de contarem com a colaboração do engenheiro de som Fernand Landmann nos equipamentos acústicos.
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| O álbum de estreia |
Lançado em 1973 pelo pequeno selo Prodisc Strasbourg, somente na França, Wapassou é um disco bastante exploratório dos teclados de Brua. Logo de cara, já somos surpreendidos pelas camadas de teclas e efeitos na belezura de "Mélopée", uma linda faixa instrumental, com um belíssimo arranjo de cordas, além da participação da flautista Geneviève Moerlen. Outra participação vem em "Musillusion" (Wapassou)", desta vez com o clarinete de Jean-Jacques Bacquet, em uma faixa onde os vocais sobrepostos de Karin se destacam junto do violino. Bacquet e Moerlen estão juntos em "Châtiment", que também traz o percussionista Jean-Michel Biger, em uma canção mais acessível dentro dos padrões musicais comuns na indústria musical, e cujos vocais sussurrados de Karin são arrepiantes, além das gigantescas camadas de teclados, do lindo tema de violino e claro, o belo solo de Moerlen.
São nas duas faixas longas do disco que podemos ver mais a fundo o que é o som do Wapassou. "Rien" é uma hipnotizante canção carregada de variações entre o órgão, piano, piano elétrico e sintetizadores, com o delicado vocal de Karin tomando conta da primeira parte da canção, e o longo e viajante solo de violino faz na segunda metade, fazendo estripulias. Já "Trip", contando com a participação de Biger e do baixo de Jean-Pierre Schaal, é uma maluquice sensacional onde os teclados e a percussão são contagiantes em toda a primeira parte, e na segunda parte, é a vez da guitarra de Karin brilhar sobre as camadas de teclados. A faixa conta ainda com a tímida participação, ao final, de Christian Laurent (Sitar) e de Benoît Moerlen (tumba), dando um ar oriental para uma grandiosa faixa.
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| Compacto de "FemmesFleurs", com "Borgia" no lado B |
Wapassou foi relançado na França e no Japão em 1987, tendo recebido edições em CD na França e Coréia do Sul (1997) e no Japão (2009), assim como um lançamento em CD e LP nos Estados Unidos (2015). Após os lançamento discreto do 1º álbum, o trio gravou e lançou o raríssimo single "Femmes-Fleurs" / "Borgia", sendo ambas as faixas instrumentais, com a primeira dedicada para os teclados criarem uma atmosfera delirante que libera a guitarra de Nickerl para solar tímida mas envolventemente, e a segunda uma ótima faixa, na linha dos instrumentais do Deep Purple, mas com solos alternados de violino e teclados. Em ambas as faixas há a participação de um baterista, o qual não é creditado no single.
Começam 1975 com uma série de shows locais. A abertura dos shows na região Leste era feita pelo poeta-recitador alsaciano Guy Friedrichs, também empresário do grupo na região Leste, acompanhado pela banda. Em 7 de março de 1975, ele abriu o show na igreja do Christ-Ressuscité em Estrasburgo, onde o Wapassou inovou, com um verdadeiro espetáculo, tendo projeções de imagens que não havia sido visto antes na França. Destaque para o mosaico da rosácea da Catedral de Estrasburgo, cuja imagem era multiplicada ao infinito por um prisma, e projetada por toda a sala onde o trio se apresentava, obra de Gisele Landmann.
Na mesma época, o grupo apresentou em primeira mão sua nova e ambiciosa composição "La Messe en Ré Mineur". O sonho de Freddy Brua de tocar uma obra com quase uma hora de duração, em uma igreja, se concretizava. Elaborada e trabalhada durante o verão de 1974, essa composição se estrutura em 4 movimentos (descoberta, missa em ré, nona, grande final). O grupo havia se tornado puramente instrumental.
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| Brua e Nickerl em estúdio |
A música do Wapassou era então comparada ao krautrock alemão. Mas se por um lado ela se aproxima na forma, com sua proposta intelectual, sua repetitividade e a difusão de atmosferas, no conteúdo ela se afasta completamente por causa da ausência de facilidades nos temas, pela diversidade e beleza deles, pela evolução constante, pela escrita estruturada da música e pelo apelo ao sonho, à evasão, pelos sentimentos de plenitude, mas também de angústia e tensão que ela gera. O Wapassou desenvolve uma música original, impressionista, sugestiva, fascinante por sua beleza melódica.
Em 14 de março, o grupo repetiu o feito na igreja de Wiesberg em Forbach, na Mosela. O repertório da banda começava então com "Musillusion", extraída do primeiro álbum, seguido pela íntegra da "Messe En Ré Mineur". O Wapassou oferecia assim uma hora e meia de espetáculo, sem encenação, apenas o show de luzes conferindo um acompanhamento e um perfeito complemento visual à apresentação. Na verdade, as projeções de imagens, cores, movimentos e vibrações sobre uma tela e sobre os próprios músicos, contribuíam para a magia e para o impacto da música. Os músicos, as imagens e as cores se fundiam em uma simbiose total.
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| O mestre Jaques Lichti |
A formação inusitada, em trio (órgão, violino usado tanto na base rítmica quanto como solista, guitarra elétrica com função de base ou de guitarra solo, guitarra acústica e baixo), sem bateria, sem baixo, desnorteia no início, mas depois demonstra sua eficácia e convence o público pela riqueza, pela coesão e pela perfeição. Em março de 75, o grupo, que até então só tinha recebido críticas em jornais regionais, graças aos seus shows, chamou a atenção dos jornalistas franceses. A revista Best dedicou-lhe um artigo elogioso de uma página, onde o jornalista destacou essa mistura de classicismo, referências a Bach e Wagner, mas também a Riley, e o caráter romântico, místico, onírico, impressionista e sinfônico de sua música original.
Durante o verão de 1975, o Wapassou fez uma turnê pelo Sudeste da França, região do seu empresário Dominique Kihm, que, embora morasse a mais de 1000 km do grupo, se ocupava com eficiência de conseguir shows, turnês e apresentações na TV para o trio. Durante essa turnê de verão, conhecem Paul Putti, um jornalista da Rock'n'Stock e criador do selo independente Pôle, dedicado à música francesa e que tinha sua própria rede paralela de distribuição. Philippe Constantin, ex-jornalista da Rock'n'Roll, que trabalhava então para a Pathé-Marconi, também conheceu o Wapassou e se mostrou interessado pela música deles. O grupo gravou às suas próprias custas uma fita em um estúdio em Estrasburgo, na esperança de ser contratado por essa gravadora.
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| A talentosíssima Karin Nickerl |
A Pôle propôs produzir o próximo disco, e em setembro, começam as gravações do novo álbum. Porém, após 3 dias, problemas técnicos e financeiros levaram ao encerramento definitivo do projeto com a Pôle. Em outubro de 1975, Freddy Brua foi preso por insubmissão militar e o grupo pensou em se dissolver. No entanto, após 3 meses, Freddy, depois de ter ficado internado várias semanas em um hospital militar, foi considerado com problemas mentais e liberado de seus afazeres no exército. O grupo retomou aos poucos o caminho dos shows, mas nem tudo era festa, já que no mesmo período, descobrem que as fitas gravadas no estúdio de Estrasburgo haviam sido deterioradas, e portanto não puderam ser apresentadas à Pathé.
No entanto, mesmo com a perspectiva de ser contratado pela Pathé desaparecendo, Freddy Brua, que em 1972, aos 15 anos, havia organizado um festival em Estrasburgo com o Ange, e que havia sido apresentado no palco por Jean-Claude Pognant, do selo Arcane, fez amizade com Pognant. Eles se encontraram várias vezes em Belfort, e no fim de 1975, apresentou a Pognant uma fita do Wapassou contendo trechos da "Messe en Ré". Após ouvir, Pognant se mostrou interessado pela música deles, que, com o sucesso na França de bandas como Tangerine Dream e Popol Vuh, podia conquistar o público. Assim, desejando incluir em seu casting um grupo desse estilo de música agradável e onírica ao mesmo tempo, resolve contratá-los para o seu selo. Em dezembro de 75, o grupo se apresentou em Luxemburgo e em Frankfurt.
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| Wapassou e colaboradores: Michel Lacour (luzes), Jaques Lichti (violino), Karin Nickerl (violões), Fernand Landmann (som), Freddy Brua (teclados) e Dominique Kihm (empresário) |
Em janeiro de 1976, Pognant contratou oficialmente o Wapassou para o seu selo. Em 6 de fevereiro de 1976, fazem novo concerto em outra igreja de Estrasburgo. "A Missa" havia evoluído: o grupo abandonou as longas performances individuais, condensou sua obra e reforçou assim a potência, o impacto e a grandiloquência de sua composição. Em março de 1976, as dificuldades financeiras diminuíram, a perspectiva de separação desapareceu e o grupo adquiriu um novo sistema de sonorização totalmente estereofônico, dando à sua apresentação ao vivo a qualidade sonora de um disco.
Projetada especialmente para os instrumentos, a mesa de mixagem, nas mãos de Fernand Landmann dava ao som do grupo potência, energia e amplitude, dando a sensação de que o Wapassou era composto por mais do que 3 músicos. Brua, com seu simples órgão de 3 teclados e um tecladinho minúsculo, colocado como um mini-guia de canto sobre a mesa do seu órgão, surpreendia pela multiplicidade e originalidade dos timbres produzidos, como o cravo e o órgão de igreja. Entre 10 e 20 de julho, fazem a gravação do segundo álbum, sob a direção do técnico de som Bernard Belan, e com uma mesa de 16 pistas. A mixagem foi realizada por Fernand Landmann e Frédéric Fizelson, técnicos de som do Wapassou. Já a capa foi concebida por Michael Lancour, responsável pelo show de luzes.
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| O início de uma trilogia essencial |
Messe En Ré Mineur chegou às lojas em novembro de 1976. Este disco é daqueles para se parar o que se está fazendo e apenas admirar a obra exalando dos sulcos do vinil. O trio aqui cria uma canção única, com um ar étereo e singular de quase 40 minutos (39'57"), somente com teclados, violão/guitarra e violino, além dos doces e belos vocais da convidada e soprano Eurydice, de apenas 17 anos, e que entrou para o grupo em abril de 1976. As mudanças nos andamentos musicais, ora com o órgão sendo destaque, ora com o violino mandando ver, ora com o violão sendo o centro das atenções, ora com os agudos arrepiantes de Eurydice, é o que faz ser a chave-mestra do som do Wapassou.
Destaca-se o uso de efeitos no violino, com um belo solo exclusivo do instrumento ocupando um bom trecho do lado B do vinil, os intrincados arranjos das escalas na guitarra e no violão, os diversos instrumentos de teclas (órgão hammond, farfisa, mellotron, piano, sintetizadores, ...), a incansável alternância de ritmos, enfim, uma vasta imensidão de sonoridades para ser admirada e explorada por ouvidos apaixonados pelo rock progressivo, em um dos melhores discos do grupo, que certamente irá agradar fãs de Mike Oldfield.
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| O lindo logo da Crypto |
Lançado somente na França no formato LP, depois teve relançamentos em CD na França (1994) e Japão (1995 e 2009). Com "La Messe En Ré Mineur", o Wapassou desenvolve uma música atmosférica, ora angustiante, torturada, atormentada, ora pacífica e serena. A enormidade do som do órgão esmaga pela sua potência, acentuando o clima às vezes pesado e sombrio da composição, sublinhado pelos lamentos do violino. O órgão desenvolve uma trama rítmica hipnótica, repetitiva, encantadora, que ele quebra às vezes para introduzir uma sequência, um novo movimento até o final, momento grandioso do espetáculo, representando o apocalipse da felicidade.
Pognant, nesse meio tempo, havia rebatizado seu selo, pois o nome não havia sido registrado e um selo inglês com o mesmo nome o obrigou a mudar de nome. Ele optou por Crypto, palavra encontrada no dicionário, que significa "o sentido das palavras ocultas" e tem o mesmo número de letras que Arcane. Ele manteve seu logo gráfico com a guitarra e as pinças de escorpião, e trocou de distribuidora. Assim, o álbum foi distribuído pela RCA e recebeu uma recepção entusiasmada da imprensa e do público, que considerou esse disco como o primeiro álbum deles - Wapassou, o verdadeiro primeiro, sem distribuição oficial e já esgotado, era desconhecido dos críticos de rock.
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| O gênio Freddy Brua |
Freddy Brua explica que "La Messe en Ré Mineur" não passa de uma sequência de temas que foram elaborados tanto em tempos de angústia quanto em tempos de felicidade. Para ele, a sonoridade do título agradou ao grupo, mas a composição não guarda nenhum valor ou referência religiosa. "La Messe" é dominada pelo órgão, que expressa a dor, à qual se somam os lamentos da voz de Eurydice: esta obra representa a expressão da vida cheia de forças opostas: angústias e loucas felicidades ao mesmo tempo. A missa simboliza um equilíbrio de sentimentos e de estados de alma, a luta entre o bem e o mal. Para o disco, o Wapassou apresentou uma versão propositalmente mais leve, mais curta, colorida e mais aprimorada.
O público aclamou o álbum, que atingiu em poucos meses 1000 cópias vendidas, uma façanha para um grupo tão pequeno. Jean-Claude Pognant não esperava vendas como essas para um o disco, que continuou a ser vendido permanentemente até alcançar 6000 cópias em 1981. Com esse álbum, o Wapassou impôs sua música original, onírica e bela, sensível e angustiante ao mesmo tempo, de um sinfonismo precioso e envolvente, com grande riqueza harmônica e melódica, grandiosa até mesmo em suas passagens atormentadas. Um disco que iria impor esse trio como um dos grupos franceses mais promissores e mais inovadores da segunda metade dos anos 70.
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| Lichti, Brua, Landmann e Nickerl |
Voltando no tempo, em março de 1976, o Wapassou fez uma turnê pelo Sudoeste da França, e em abril pela região parisiense. O grupo incluiu como prelúdio de "La Messe En Ré Mineur" uma nova composição, "Salammbô", inspirada no livro de Gustave Flaubert. Ao longo de 75, Freddy Brua escreveu essa peça que representa a continuação da "Missa", que celebrava a vida, enquanto "Salammbô" descreve os horrores da guerra e da morte. Já com Eurydice, sua voz clara e frágil, de grande pureza, modulava os sons e alcançava notas muito agudas, reforçando o clima solene e enfeitiçante da música do Wapassou. Em maio e junho fazem uma turnê pela Costa Azul, com shows e La Seyne, Marseille, Draguignan, Toulon, Hyères (abrindo para o Potemkine), Perpignan, Marignane, e St-Tropez (abrindo para o Caravan).
O grupo trabalhou bastante, compondo e gravando a música de um filme ecológico sobre a sobrevivência da Camargue, destinado a escolas de ensino médio, e também o jingle do festival de Sarralbe, na Moselle, onde apresentam-se nos dias 26 e 27 de junho, e do qual participou Scorpions, Atoll e Carpe Diem.
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| A dupla Nickerl e Lichti |
Em julho de 1976, antes de gravarem o segundo álbum, participam do festival Le Rock d'lei, organizados pela Crypto, que incluiu outros grupos do selo: Guidon, Edmond & Clafoutis, Mona Lisa, Carpe Diem, Little Bob Story e Ange. Estava previsto que a Crypto gravasse e lançasse um álbum duplo ao vivo como lembrança dessa turnê, mas embora os shows tenham sido gravados — com exceção dos do Wapassou — por razões financeiras e técnicas o resultado não foi considerado satisfatório para um lançamento em disco. A sonorização dos shows estava a cargo de uma agência inglesa que ajustava o som para a apresentação do Ange e negligenciava completamente os outros grupos. Essa turnê, no entanto, terminou para o Wapassou no dia 9 de julho. O show previsto para St. Tropez foi proibido pela prefeitura de última hora e Dominique Kihm conseguiu em cima da hora transferi-lo para sua vila em Six-Fours Plage. A turnê da Crypto não obteve o sucesso esperado: o Magma substituiu o Ange em 2 shows. O público ainda não estava pronto para sair de casa para um festival só com grupos franceses.
Logo após o fim das sessões de gravação, o Wapassou retomou sua maratona de shows, mas Eurydice encerrou ali sua colaboração, sentindo-se nova demais para levar a vida de musicista profissional com todas as dificuldades que isso envolve. O Wapassou voltou à formação em trio e, no dia 28 de julho, tocou em Nice, e depois continuou em turnê por toda a França no outono. O show deles incluía agora "Salammbô" e "La Messe En Ré" e durava quase duas horas, mas atraindo um público muito pequeno.
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| O excepcional Salammbô |
Com muitos problemas financeiros, "Salammbô" só foi ganhar vida em setembro de 1977. Este é o disco que me apresentou ao som do Wapassou, e é um álbum muito soturno. Baseado na obra de Gustave Flaubert, lançado originalmente em 1862, e que trata sobre a queda de Cartago, na Tunísia, segundo o próprio Flaubert, lhe causou "angústia que me sacudia como um oceano de imundície". O texto no encarte mostra que a história é pesada, com "forças obscuras que se apoderam do homem, levando-o a infligir sofrimento, sofrer, amar e morrer, a amar e matar. Confrontos de forças, carnificina, ossuário e apodrecimento". A faixa de 37 minutos traz logo de cara o piano, as vocalizações de Monique Fizelson e as falas nazistas mostram que o tema da morte irá permear o que sairá das caixas de som. Musicalmente, a peça é concentrada inicialmente nos teclados de Brua, com pouca ou mínima participação do violino e do violão, principalmente em comparação a Messe en Ré Mineur.
Em uma segunda etapa, o órgão e o violino são os instrumentos que criam as atmosferas dramáticas e sombrias da suíte, onde sintetizadores e efeitos também brilham. A terceira etapa finalmente traz o violão, com camadas de teclados, órgão e uma leveza singular. O trecho onde a guitarra e o violino são os instrumentos principais é dramático, encantador, e de arrancar lágrimas até de seu animal de estimação. A canção vai se desenvolvendo criando uma trilha sonora perfeita para o livro, acompanhando os movimentos do romance em sua marcha incessante rumo à destruição de Cartago, com cada instrumento ganhando seu espaço, sempre acompanhado por longas e sinistras camadas de teclados, culminando com o fulminante solo de teclado sobre um ritmo espetacular do violão e do violino - imagino uma percussão aqui, ficaria mais que perfeito. A faixa encerra-se com barulhos que parecem de um coração de um feto, dando a ideia de que a vida será continuada, apesar da destruição, ou, como consta no encarte (em latim, francês, japonês e em inglês): "isto faz claro que a força não resolve nada, que isto não é um fim, mas somente um meio execrável".
A linda arte da capa, obra de Gustave Dore, dá um caráter ainda mais especial para um disco impactante, que prefiro a definição de Claude Roynette, na contra-capa do álbum: "Uma contemplação mórbida da morte para impressionar a burguesia? Um sonho de paz, por que não?".
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| Lichti, Gisele Landmann (luz), Brua, Nickerl e Fernand Landmann (som) |
O lançamento de Salammbô foi seguido por uma turnê promocional de 8 dias pelo sudeste francês, que começou no dia 24 de janeiro de 1978 em Avignon, e terminou em Béziers no dia 31 de janeiro. O Wapassou interpretava "Salammbô", mas também trechos do 3º ato do seu tríptico, intitulado "Ludwig II", composto durante o ano de 77. Freddy Brua tinha escolhido essa figura histórica, um rei louco e protetor das artes, para ilustrar o 3º tema e a 3ª pintura filosófico-musical da sua trilogia. Para Brua, "esta obra representa uma homenagem à arte em geral e uma visão da eternidade através da arte. Como representar a eternidade de maneira mais bela do que pela arte? Mesmo após o fim do mundo, o que restará do homem é a sua arte. As civilizações hoje desaparecidas subsistem essencialmente pela sua arte". Para Brua, o maior protetor da arte se revelava ser Ludwig II..
Sobre esse personagem enigmático e controverso, Freddy Brua declara: "Para mim, Ludwig não era louco. Ele era um visionário e um profeta. Ele foi a origem de toda a nova cultura contemporânea. Era também um grande romântico. Eu afirmo que Ludwig II era um grande rei pacífico porque sempre preferiu a arte à guerra. Para nós, Ludwig se identifica com os heróis da Idade Média. Sua maior realização é a sua morte, e os heróis não morrem de velhice. Sua morte permanecerá para a eternidade como um mistério. É por isso que, em vez de lhe dedicar um hino fúnebre, escrevemos um hino cheio de vida". Agora, durante as apresentações, contando com a colaboração novamente de Gisele Landmann, o show de luzes exibe, além de slides de imagens de catedrais, gravuras de Gustave Doré e imagens do castelo de Neuschwanstein, o castelo de Ludwig II.
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| Gisele, Freddy, Karin, Jacques e Fernand |
Em maio de 1978, o Wapassou participou de um novo festival organizado pela Crypto, desta vez em Paris. Intitulado Espace Rock, o festival aconteceu no Espace Cardin e Jean-Claude Pognant apresentou toda a sua equipe, agora bem diversificada. Na sexta-feira, dia 26, o Wapassou encerrou a semana com Michel Moulinié na abertura. Apesar dessa escolha estratégica pela capital, o festival foi um meio-fracasso, devido à quase ausência de cartazes anunciando o evento. O grupo continuou sua jornada, cruzando a França de ponta a ponta, graças aos shows conseguidos por Dominique Kihm.
Voltam para Estrasburgo, e no estúdio Omega de Francis Adam, durante um período de 10 dias em novembro de 1978, fazem a gravação do quarto álbum. O próprio Francis Adam fez a captação de som. Freddy Brua se mostrou muito satisfeito com o trabalho de estúdio, considerando a gravação sem aproximações e sem defeitos. No álbum, Véronique, irmã de Karin, participa nos vocais, assim como Marc Dolisi, irmão de um amigo jornalista da FR3 Alsace, que tocou sintetizador em "L'adieu Au Roi".
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| O encerramento da trilogia essencial do Wapassou |
Com a presença de Gisele Landmann e Fernand Landmann na contra-capa, Ludwig (Un Roi Pour L'Eternite) encerra a trilogia em alto nível. Lançado em julho de 1979, aqui Brua, Nickerl e Lichti criam uma peça de 34 minutos que consegue extrair exatamente o que o álbum propõe, a eternidade. A primeira parte da canção é destacada pela presença dos diversos teclados de Brua (órgão, sinclavier, piano elétrico, sintetizadores), com uma sutil participação do violino e do violão na base, inicialmente de forma leve, quase como uma valsa, e depois mais pesado, onde a guitarra também sola entre as inúmeras camadas de teclados. A mudança com a entrada do violino e dos sintetizadores dá um ânimo diferente para a canção, ainda mais pesada, com um riff marcante, e Brua usando e abusando dos teclados (moog, cravo, sintetizadores, hammond ...).
A sequência da suíte, ao longo do lado B, dá mais espaço para a guitarra - com um interessante uso do wah-wah - e o violino, com um ritmo que lembra as grandes danças das cortes francesas, mas ao mesmo tempo, novamente chama a atenção a abundância de teclados que brotam na suíte. Tem-se ainda uma revisão de "Lac de Starnberg - 1886" (Richard Wagner), com somente o violino fazendo o tema da canção sob barulhos de água, e a curtinha "L'adieu Au Roi", tendo os belos vocais de Véronique Nickerl e os sintetizadores de Marc Dolisi. Aqui vale lembrar a parte histórica da relação - homossexual? - entre o rei Louis e Richard Wagner, sendo que o rei foi o responsável por salvar a vida financeira de Wagner, levando-o a morar justamente no lago de Starnberg, local onde o próprio rei veio a falecer afogado anos depois.
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| Fernand e Gisele (abaixo), presentes na contra-capa de Ludwig Brua, Karin e Lichti (acima) |
O disco apresenta uma música cheia de beleza serena e grandiosa, com pureza cristalina, com contrastes bem-sucedidos entre os timbres — órgão, cravo — e uma perfeita sintonia musical entre os instrumentos, cada um contribuindo para construir esta obra. No final do lado A, uma voz canta em alemão que Ludwig é o rei do mundo, mas não um deus. No lado B, a música conta a morte de Ludwig e explode em beleza. Um esplêndido solo de violino em "Le Lac de Starnberg" — que empresta três compassos do 'Parsifal' de Wagner — se eleva e a noite cai sobre o lago quando o rei morre. Uma criança caminha e ouvem-se os respingos da água. A criança anuncia ao mundo a morte de Luís II da Baviera, mas o fim e a despedida do rei não são tristes. A eternidade começa com a voz, e depois cada instrument. Freddy declara sobre Ludwig que este é o disco onde "o grupo colocou mais amor e paixão". O disco é apresentado como uma obra-prima do novo romantismo ou da música clássica do ano 2000, e a versão em CD, lançada somente em 1994, ainda traz "Hymne Au Nouveau Romantisme"
Freddy Brua, na época do lançamento de Ludwig, informou que o grupo iria se dedicar agora a uma nova obra cujo tema, a intolerância, seria ilustrado por Torquemada, monge espanhol da inquisição, que enviou mais de 10000 pessoas para a fogueira. Através dessa obra, Brua pretendia combater "todas as formas estúpidas de estupidez, da religião. Além disso, ele anunciou a realização de um álbum solo intitulado F Comme Fidélit.
No dia 2 de dezembro, o Wapassou se apresentou como atração principal na Taverne de l'Olympia, no subsolo desse famoso local. Em 1979, o grupo continuou em turnê, apesar do declínio do rock progressivo e do surgimento da new wave e do rock simplista francês no estilo do Telephone. Em maio de 79, o Wapassou apresentou seu álbum no programa noturno de Gonzague St-Bris na Europe 1, dedicado a ouvir os ouvintes carentes de confissões. Se definindo ele mesmo como um novo romântico e apreciando a música deles, ele pediu ao grupo que compusesse uma vinheta para seu programa. O grupo gravou a citada "Hymne Au Nouveau Romantisme" no estúdio de Francis Adam e a propôs a Gonzague. Ele se entusiasmou com a faixa, mas exigiu que fosse creditado como seu autor. Freddy Brua recusou e a faixa ficou inédita até a chegada em CD, e é uma faixa de excelente qualidade, trazendo a participação de uma bateria, indicando o novo som que a banda iria fazer na sequência.
O grupo enfrentava muitas dificuldades para viver de sua música, apesar dos numerosos shows por toda a França. As despesas com deslocamento, o público escasso, o cachê pequeno, o reembolso dos equipamentos e instrumentos comprados, pesavam no orçamento e afetavam seu moral. Eles queriam se fortalecer, incluindo em definitivo um baterista e um flautista, mas a situação não permitia. Mesmo que o grupo obtivesse um certo sucesso, sua música continuava restrita a um público mais entendido. Por isso, em julho de 1979, decidiu modernizar e renovar o som da banda ao acrescentar um baterista, dando à sua música uma base rítmica mais convencional e mais energética. Freddy Brua explicou essa mudança pelo fato de que não conseguia convencer os amantes de música clássica a ouvir a música deles por causa dos preconceitos ligados à apresentação física, com seus cabelos longos e suas calças jeans. Da mesma forma, tinha sido impossível conciliar e atrair os dois públicos, muito sectários.
Ele recrutou o baterista Guy Heller e, decidiu batizar essa nova formação de Wapassou 2. O grupo retomou suas turnês apresentando sua música, agora batizada de neo-romântica ou de rock-pop sinfônico, interpretando novas faixas como "Torquemada" e "Hymne au Nouveau Romantisme". O espetáculo visual ainda se baseava na combinação e fusão de jogos de luzes e cores e na exibição de naves imensas de catedrais, de rostos medievais, de imagens de demônios de vitrais, e também de fotos do castelo de Ludwig II.
Em janeiro de 1980, Guy Heller deixou o grupo e entrou para o Tangerine. Ele foi substituído por um baterista apelidado de Tchouk, mas este, muito envolvido com drogas, foi preso e o Wapassou o substituiu pelo sarrebourguense Francis Gentel. Em março de 80, quando o grupo comemorava seus sete anos de existência, Freddy Brua abandona os projetos grandiosos, as suítes intermináveis, muito longas e complexas demais para tocar no rádio, e oferece ao público uma música mais rítmica, mais fácil e composta por faixas curtas e comerciais. Surgem faixas mais dançantes, até mesmo disco, buscando emplacar um hit.
Do projeto planejado, dedicado a Torquemada, esse monge da Inquisição, que deveria ser o personagem e o conceito do novo álbum, restou apenas uma faixa dedicada a ele. O grupo procurou uma cantora, e após um breve período com Christine Maillard, Joëlle Kopf foi a escolhida. Com 20 anos, recrutada por um anúncio dizendo que um grupo pop procurava com urgência uma cantora para a gravação de um disco, ela entrou para o Wapassou em junho de 1980. Ela aprendeu a colocar sua voz rouca e velada, às vezes cristalina, e ensaiou intensamente as novas músicas do grupo, que traziam letras em francês e inglês. Ela teve pouco tempo para se adaptar e assimilar o novo repertório, pois o Wapassou já havia reservado para julho o estúdio alemão Möhrensound, perto de Nuremberg. O álbum foi auto-produzido, e a gravação foi feita em 24 pistas. Marc Dolisi fez os arranjos dos temas. Claude Laurent foi o autor dos textos em inglês, enquanto Freddy ficou responsável pelos em francês. O pianista e tecladista Marc Dolisi participou como convidado, assim como Charly Kolb no trompete em uma faixa.
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| Genuine, uma nova sonoridade para o Wapassou |
Gravado nos estúdios Möhrensound, em Möhrendorf, Alemanha, Genuine acabou sendo distribuído somente na França, e o sonho de conquistar novos mercados acabou naufragando. O som é totalmente diferente do que foi ouvido nos discos anteriores. A única faixa instrumental é a épica "Torquemada", com seus mais de 11 minutos, com certeza a melhor canção do álbum, com os teclados brilhando, além de um belo destaque para a guitarra de Karin aqui, que comanda o ritmo de um solo bastante rock. Mas nas variações da canção, o seu andamento arrastado é o que sobressai, permitindo que violino e teclados solem com uma lindeza tipicamente Wapassou, o que ganhou muito com a presença do baixo e da bateria. As vocalizações sutis de Christine, duelando com o violino, são arrepiantes, e a presença dos fantasmagóricos sintetizadores e moog de Brua mostram que o Wapassou ainda tinha muito para criar no progressivo, ainda mais com a presença da bateria. Uma música fantástica!
Porém, ao longo de Genuine, o que temos é uma banda muito diferente do que se podia imaginar. Logo de cara, "L'Etranges" apresenta os vocais de Christine e a bateria de Francis, com um som que lembra uma espécie de Blondie francês, bastante voltado para a New Age, onde o violino é um dos poucos momentos que lembram o velho Wapassou. As experimentações eletrônicas, numa mistura de New Wave com Synth Pop e disco music, seguem na faixa-título e "Phenyx Ode", essa em especial com um bom ritmo percussivo e uma maior presença dos teclados e do violino, mas confesso que os vocais exagerados de Christine, parecendo uma mistura de Nina Hagen com Cindy Lauper, só que francesa, não me agradam. Por outro lado, há bonitas canções através de "Late Revenge" e "Quien Sabe", essa com a presença do trompete de Charly Kolb, nas quais os vocais franceses de Christine trazem um bom e gostoso charme na audição. Por fim, "Concertino", uma bonita canção onde Christine faz vocalizações acompanhando os solos de teclados e violino, chamando a atenção a participação de Karin no baixo, algo que também ocorrer nas demais canções. No geral, é impressionante como o grupo mudou totalmente sua sonoridade, e virou algo realmente estranho para quem conhecia os discos anteriores, com exceção de "Torquemada", uma das grandes faixas da banda sem sombra de dúvidas.
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| Single de "L'etranger" |
O segundo single do Wapassou sai daqui, "L'Etranger" / "Phenyx Ode". Christine Maillard deixou o grupo e foi substituída por Bettina. Em fevereiro de 1981, Freddy Brua foi ao Midem para tentar vender Genuine, mas lá, dedicado unicamente às músicas da moda e comerciais, Freddy não encontrou nenhuma gravadora interessada em comprar seu disco para o exterior. Ele voltou para Estrasburgo, desiludido, enojado com o show business e com a atitude da mídia, indiferente à sua música, considerada pouco comercial. Ele declarou que "preferia morrer em beleza com sua música a ceder as chantagens de personagens que se acham influentes". Anunciou então que o próximo álbum se chamaria Pax (Paz), como aquela que faz viver "meu coração e meu espírito hoje".
O grupo seguiu em turnê pela França e alguns países da Europa, anunciando o fim em 1983. Freddy Brua montou um estúdio em Estrasburgo em 1983 com o nome de RBO (Rock Belles Oreilles). Nickerl ficou a cargo da produção. Mas, depois de anos de silêncio, o Wapassou se "reformou" em torno do núcleo inicial, com Dominique Metz na bateria e dois convidados nos vocais. Essa nova formação gravou no estúdio de Brua um disco sob o nome de Wapassou 2001. Assim como Genuine, tratava-se de mais uma tentativa de se impor junto ao grande público.
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| O canto dos cisnes do Wapassou |
Orchestra 2001 - Le Lac D'argent tem na formação Lichti, Brua e Karin, agora efetivada somente ao baixo, e mais Dominique Metz (bateria), Rémy Weiss (guitarras) e a dupla vocal Patrick Alès e Silvia B, a qual faz lindas vocalizações durante a bonita "Ode Au Matin" e também na belíssima "Introduction Pour Un Reve", aqui dando um belo show vocal, lembrando muito Annie Haslam em seus agudos. A única canção com letras tem Silvia nos vocais, e é a leve "Lac D'argent", que novamente, lembra um pouco Renaissance do fim dos anos 70, início dos 80, sendo forte candidata a melhor do disco, ainda mais com o solo de guitarra muito legal na segunda metade da canção, que é a única também a ultrapassar seis minutos. No mais, as canções apresentam vocalizações bem encaixadas harmonicamente com o instrumental, e no geral, são curtas, mal chegando a cinco minutos de duração.
O álbum representa bem a sonoridade dos anos 80, como mostram "Kingston Opera", a mais fraquinha do disco, e a boa "Jericho", onde os sintetizadores modernosos e o baixão de Karin são as principais atrações. Na mesma linha, estão "Printemps De Paix" e "Orchestra 2001", ambas com sintetizadores em voga, tendo andamentos mais suaves, um interessante arranjo vocal na primeira, na qual conferimos melhor quem é Patrick Alès, e bons solos de guitarra na segunda. Destaque também para a bela "Ballade Pour Gwendoline", uma linda canção com o brilho do violino elétrico. Um álbum bem melhor que Genuine, e que encerra com dignidade a carreira do Wapassou.





















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