quinta-feira, 19 de março de 2015

Europe - War of Kings [2015]




Há tempos que o Europe deixou de ser uma mera banda farofa escorada em um grande sucesso para peregrinar por novos e bem-sucedidos mundos, que se não agrada aos saudosistas, vem cada vez mais conquistando novos fãs, principalmente aqueles que mais torciam o nariz no auge do sucesso da banda, com o eterno álbum The Final Countdown (1986).

Em Last Look at Eden (1999), o quinteto mostrava um amadurecimento através de uma bem empregada modernidade no seu som, fortemente influenciados por Led Zeppelin, o que ficou ainda mais evidente no belíssimo Bag of Bones (2012). O mesmo time de Bag of Bones, a saber Joey Tempest (vocais), John Norum (guitarras), John Léven (baixo), Mic Michaeli (teclados) e Ian Haugland (bateria), lançou no início desse mês de março seu décimo álbum, e dessa vez, o grupo fugiu das raízes hard zeppelianas, buscando novas fontes para moldar seu som, e por incrível que pareça, agradando tanto quanto seus discos anteriores, mostrando que o grupo, independente do que for tocar, consegue sair-se muito bem graças ao talento individual e do conjunto que eles formam.

John Leven, Ian Haughland, Mic Michaeli, Joey Tempest e John Norum

Logo de cara, somos surpreendidos pela pegada forte da faixa-título, com um riff pesado que nos traz a voz de Tempest. Ficamos ainda mais surpresos durante o refrão, por que a sensação que é transmitida é que não estamos ouvindo um álbum do Europe, mas sim, do atual Uriah Heep (!). Sim, a combinação de guitarras e teclados, mas principalmente, o estilo vocal de Tempest, lembram E MUITO o estilo de Bernie Shaw (vocalista do Uriah Heep)

Outras faixas também nos remetem diretamente para Uriah Heep, as quais são "California 405", "Light it Up", "Days of Rock 'n' Roll" (nessa eu tenho certeza que é o Shaw quem está cantado) e no refrão de "Second Day", que traz também um pouco de Deep Purple. Ou seja, cinco de onze canções nos mostram uma forte influência de uma banda que não é tão conhecida como Led Zeppelin, mas que ainda está fazendo shows, gravando material novo e servindo de inspiração para colegas, o que é extremamente positivo.

Joey Tempest, o Bernie Shaw sueco?

As lembranças de Deep Purple também surge no riff egípcio de "Rainbow Bridge", facilmente confundível com "Perfect Stranger", e nas pesadas "Hole in My Pocket" e "Nothin' to Ya", essas mais parecidas com canções da fase solo de Glenn Hughes, com uma pegada agressiva que já vem sida apresentada pelo Europe desde o seu retorno em 2004, com o ótimo Start from the Dark, e até na sabbáthica "Praise You", que se não fosse pelos teclados e pela voz de Tempest, podia facilmente estar nos álbuns da trupê de Iommi nos anos 80.

A dupla Norum e Léven está afiadíssima, construindo riffs pesados e grudentos, com especial atenção para "Children of the Mind". Norum aliás é o grande destaque do disco, com solos ágeis e velozes, muito bem casados com grandes doses de feeling, que demonstram todo o seu talento, mas principalmente, o colocam hoje lado a lado com grandes nomes das seis cordas, e por que não, entre os principais. A bônus da versão japonesa, "Vasastan" é a que mais representa a importância de Norum para o Europe, sendo uma linda balada instrumental com um show de emoção dado pelo sueco nas seis cordas.

Joey Tempest e John Norum

Ainda temos espaço para a balada  "Angels (With Broken Hearts)" fazer bater mais forte o coração das mocinhas saudosas pelas longas cabeleiras loiras de Tempest na década de 80.

War of Kings foi lançado também em uma versão Limitada, em formato de caixa, com uma camiseta, CD, DVD, booklet, cartão postal e um adesivo, o qual pode ser encontrado por um valor regularmente acessível, apesar do dólar hoje estar mais alto do que bêbado durante o carnaval.

A versão limitada de War of Kings

Track list

1. War of Kings
2. Hole in My Pocket
3. The Second Day
4. Praise You
5. Nothin' to Ya
6. California 405
7. Days of Rock 'n' Roll
8. Children of the Mind
9. Rainbow Bridge
10. Angels (with Broken Hearts)
11. Light It Up

domingo, 15 de março de 2015

Elis Regina - Parte II




A segunda parte da Biografia de Elis Regina que apresento aqui desde o dia primeiro de março, em homenagem aos 70 anos de seu nascimento, a serem completados depois de amanhã, dia 17 de março, presta suas atenções para os álbuns ao vivo lançados por Elis entre 1965 e 1970. Nesse período, a carreira da cantora sofreu uma grande reviravolta, saindo da quase obscuridade para o posto de maior voz do país.

Depois de virar uma das atrações no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro, Elis passou a fazer parte, em 1964, do cast de personalidades da TV Excelsior, apresentando o programa Dois na Bossa, ao lado de Jair Rodrigues. Essa série de álbuns ao vivo começa então com o mais importante registro de Elis na década de 60, o qual apresenta um pouco do que os fãs e telespectadores assistiam neste programa.

O primeiro disco de um artista nacional a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas

Gravado ao vivo no Teatro Paramount em 10 de abril de 1965, 2 na Bossa traz a impactante união de Elis Regina com o cantor Jair Rodrigues no programa O Fino da Bossa, nesse que foi o primeiro LP a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas no Brasil, cujo único defeito é sua curta duração, pouco mais de 30 minutos. 2 na Bossa é um álbum bem dividido, com canções ora de Jair, ora de Elis. 

Jair traz os seu estilo brincalhão na agitada "'ta Engrossando", o jeito "rap" de cantar em "Ziguezague", e solta a voz na irônica "Ué". Vale ressaltar também a importante participação do grupo Jongo Trio, formado por Cido Bianchi ao piano, Sabá no baixo e Toninho na bateria, que acompanha a dupla em todas as faixas, e tem posição de destaque na forte "Reza" e no samba-choro "Terra de Ninguém", ambas cantadas por Elis, cuja entrega na linda "Preciso Aprender a Ser Só" causa arrepios, ainda mais para uma ainda menina (na época da gravação, Elis tinha acabado de fazer 20 anos). 

Jair Rodrigues, o produtor Walter Silva, Elis Regina e Jongo Trio (Toninho, Cido e Sabá).

Elis também desfila pela veloz "Deus Com a Família", e traz como um dos pontos altos do LP o primeiro registro oficial de "Arrastão", mais uma faixa de Edu Lobo importalizada por Elis, em uma versão tão impactante quanto a da apresentação no I Festival da Música Popular Brasileira, realizado pela TV Excelsior dias antes em Guarujá, e que garantiu à Elis a posição de primeiro lugar no Festival, ganhando o prêmio Berimbau de Ouro. 

Outro momento delicioso é "Pot-Pourri", trazendo nada mais nada menos do que 12 grandes temas do samba nacional condensados em uma daquelas situações que fazem o vivente abrir o sorriso e dizer "É por isso que vale a pena viver", com Elis e Jair dividindo-se democraticamente nos mais de seis minutos da peça. A dupla ainda divide os vocais na alucinante "Menino das Laranjas", contando mais uma vez com perfeita participação do Jongo Trio. Um disco que marcou época, é obrigatório em qualquer casa de nosso país, independente de sua simpatia ou não pelos artistas, e como bem citado por Walter Silva em sua contra-capa, "deu a prova definitiva de que a música brasileira é parte integrante do povo". Basta ouvir os insanos aplausos no final de cada faixa.

Ótimo álbum com o Zimbo Trio

Com o sucesso do Dois na Bossa, a TV Record investe mundos e fundos, comprando o programa de sua maior rival e transformando-o no espetáculo O Fino da Bossa, que estreou em 19 de maio de 1965 na nova casa. Com direção musical de Manoel Carlos e Elis comandando as atrações como uma Rainha, este foi o programa de maior audiência da TV naquele ano, e gerou outro álbum grandioso, gravado ao vivo no Teatro Record. 

O Fino do Fino  é simplesmente o melhor do que foi exibido no programa, apesar de que muitos dos que assistiam ao mesmo garantirem que ainda ficou muito material de fora. Com a companhia do Zimbo Trio, formado por Amilton Godói (piano), Rubinho Barsotti (bateria) e Luis Chaves (baixo), Elis cresce cada vez mais como vocalista e intérprete, e apóia-se novamente em Edu Lobo para mandar ver em "Chegança", de Edu e Oduvaldo Vianna, na balada "Canção do Amanhecer", ou na enlouquecida "Zambi", ambas parcerias de Edu com Vinícius de Moraes. Ao mesmo tempo, traz uma pulga na orelha com a simplicidade de "Té O Sol Raiar", de Baden Powell e Vinícius de Moraes, e rasga a voz na percussiva e viajante dupla "Esse Mundo É Meu" (Ruy Guerra - Sérgio Ricardo) / "Resolução" (Edu Lobo - Luiz Freira). 

Anúncio de apresentação de Elis (ainda com dois l's) com o Zimbo Trio

Porém, o êxtase não é uma canção de Edu Lobo, mas sim uma singela peça de Ed Lincoln e Sílvio César, a dolorida "Amor Demais", outra demonstração seminal do poder vocal e interpretativo de Elis, que faz as caixas de som chorarem como cachoeira, e tem em seu encerramento um enlouquecido fã gritando "Bravo! Bravo!". O Zimbo Trio ainda tem o luxo de apresentar canções interpretadas por ele, as quais são as instrumentais "Aruanda", "Só Eu Sei O Nome", "Samba Meu", "Expresso 7" e "Samba Novo", destacando sempre o brilhantismo de Amilton e a perfeita união do jazz com a música brasileira, acentuada pelas performances individuais de Chaves e Barsotti, além da erudita "Chuva".  Não chega a ser um álbum tão forte quanto 2 na Bossa, mas ainda assim essencial nas casas do povo brasileiro.

Elis viajou para a Europa no final de 1965, quando tirou merecidas férias enquanto era intitulada a Rainha da voz brasileira, sendo o grande ídolo nacional daquele momento. No seu retiro, O Fino da Bossa ficou sendo apresentado por Peri Ribeiro e Wilson Simonal. Quando retornou ao Brasil, Elis deparou-se com a crescente cena da Jovem Guarda, que contagiava a Geração Iê-Iê-Iê com um programa de mesmo nome sendo apresentado na TV Record e um novo ídolo nacional, Roberto Carlos. Ao mesmo tempo, a gaúcha liderou a famosa "Marcha Contra às Guitarras", muito bem resgatada pelo colega Marco Gaspari nesta matéria. Musicalmente, a esperança de voltar ao topo das paradas foi revitalizar a parceria com Jair Rodrigues, com o segundo volume de Dois Na Bossa.

Dois na Bossa Número 2, sequência do sucesso de Dois Na Bossa
Gravado ao vivo no Teatro Record, durante a apresentação do espetáculo O Fino da Bossa, Dois Na Bossa Número 2 para muitos é superior ao seu antecessor, algo que tenho dúvidas, pois a qualidade de ambos os álbuns é incrivelmente alta e de difícil distinção. Talvez o fato da seleção de artistas que receberam versões para suas músicas serem mais conhecidos do grande público de hoje seja um dos fatores para que ... Número 2 tenha essa preferência, mas isso é mera discussão de botequim. O fato é que a dupla, agora acompanhada pelo Luiz Loy Quinteto (Luis Loy ao piano, Papudinho no pistom, Mazzola no saxofone, Bandeira no baixo e Zinho na bateria) e pelo Bossa Jazz Trio (Amilson Godoy ao piano, Jurandir Meirelles no baixo e José Roberto Sarsano na bateria), e com direção musical de Adilson Godoy, arrasa. As divisões de faixas são democráticas, sendo quatro para cada artista, e duas com ambos dividindo os microfones. Os fãs de Jair sentirão a ausência do estilo rap de cantar que o caracterizou, já que ele apresenta uma serenidade encantadora na dupla "Mascarada / Sonho de Um Carnaval" e uma emocionante voz na linda "Tristeza", mas também traz sua contagiante simpatia em "São Salvador, Bahia" e "Santuário do Morro". 

O sorriso do sucesso

As canções em dupla são duas pérolas da música nacional. Assim como no primeiro volume, o "Pot-Pourri" entre Elis e Jair apresenta uma mescla ampla de sambas, totalizando novamente 12 canções condensadas agora em pouco mais de cinco minutos. A outra canção contando com o vocal da dupla é o samba "Louvação", do jovem Gilberto Gil em parceria com Torquato Neto - é só eu que fica indignado em saber que o rapaz que compôs uma pérola como essa depois mudou totalmente sua carreira musical. Gil também aparece na voz de Elis, com a arrepiante "Amor Até o Fim". Outros pontos altos na voz de Elis são os duelos com o piano em "Upa, Neguinho" (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri), e as vocalizações na bela "Tristeza Que Se Foi", além de comandar a clássica "Canto de Ossanha" (Baden Powell e Vinícius de Moraes), para mim a canção que ao lado de "Arrastão" melhor define esse momento musical da gaúcha. O álbum vendeu tanto quanto Dois na Bossa, e serviu para resgatar o nome de Elis para a nova geração apaixonada por Wanderléa, Erasmo e Roberto Carlos.

O último disco da trilogia com Jair Rodrigues 

O encerramento da trilogia Dois na Bossa foi gravado ao vivo no Teatro Paramount, e marcou também o encerramento da apresentação do programa O Fino da Bossa na TV Record. Mantendo a divisão das edições anteriores de Dois na Bossa, o que difere-se aqui é que o volume 3 começa com o samba-manifesto "Imagem", apenas com Elis entoando as lindas palavras de Luiz Eça e Ronaldo Bôscoli, e também traz Elis como voz principal na polêmica "Manifesto", de Guto e Mariozinho Rocha, repleta de indiretas para a Ditadura Militar brasileira. Jair traz o agito de Gilberto Gil em "Serenata Em Teleco-Teco", o embalo tradicional de Zé Keti em "Amor de Carnaval", a alegria de Osmar Navarro na marchinha "O Ser Humano" e o embalo africano de Paulo da Cunha em "Capoeira Camara". Outra diferença vai para o par de canções com Elis e Jair. 

Se antes temos um pot-pourri e uma canção a la carte, nesse álbum estão duas seleções de faixas entoadas pela dupla, "Popurri de Mangueira", com sete sambas em homenagem ao tradicional bairro - e consequentemente à agremiação - do Rio de Janeiro, e "Popurri Romântico", com quatro belas baladas que passeiam pelas artes de Tom Jobim e Vinícius de Moraes em "Eu Sei que Vou Te Amar", Vinícius de Moraes e Carlos Lyra em "Minha Namorada" e "Primavera", e Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli em "A Volta". 

Jair Rodrigues e Elis Regina, dupla de grande sucesso

Elis coloca a casa abaixo no emocionante samba despedida "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas" e mostra novos caminhos em suas interpretações na complicada "Cruz de Cinza, Cruz de Sal", com um belo acompanhamento vocal do Luiz Loy Quinteto, o qual é responsável por toda a parte instrumental do álbum. Caminhos estes influenciados pelo marido Ronaldo Bôscoli, um casamento que como muitos afirmaram, já nasceu fracassado. Número 3 é o mais fraco da trilogia, talvez pelo sentimento de que o sucesso do programa já havia passado, mas ainda assim, manteve a dupla em bom nível de vendas.

Todos os álbuns até aqui tratados foram relançados em CD em 1994, sem nenhuma faixa bônus, ganhando outros relançamentos posteriores, também sem faixas bônus.

Outra grande parceria de Elis resultou em mais um belo disco ao vivo, dessa feita em 1970, e trago-o aqui, pulando a ordem cronológica dos lançamentos, para complementar essa sequência de parcerias ao vivo da pimentinha durante o final da década de 60, depois de uma breve temporada na Europa. A biografia será retratada em quinze dias, ficando aqui o fato de que em 1967, Elis casou-se com Ronaldo Bôscoli, ocasionando em uma grande mudança em sua carreira. 

Hilário álbum de Elis com Miele

Seguindo, em 1969, Elis decidiu produzir um espetáculo teatral em parceria com o marido Bôscoli, e com a ajuda de Miele, levou o mesmo para o Teatro da Praia, no Rio de Janeiro, ficando o mesmo registrado ao vivo e lançado um ano depois no sensacional Elis No Teatro da Praia, que tem como banda de apoio o Conjunto Elis 5, formado por Roberto Menescal (guitarra), Jurandir Meirelles (baixo), Zé Roberto (piano), Hermes (percussão) e Wilson das Neves (bateria). 

Na época, era comum nomes como Chico Anysio, Juca Chaves, José Vasconcellos, Costinha entre outros, registrarem álbuns somente de piadas, e elas dão o toque de humor entre as faixas, com Miele sendo o comediante da vez nas brilhantes piadas apresentadas antes de "Se Você Pensa", canção que acabou de vez com a rivalidade entre a MPB e o Iê-Iê-Iê, já que unia pela primeira vez em um lançamento brasileiro (essa canção já havia saído um ano antes em Elis in London, como veremos na próxima parte desta biografia) a Jovem Guarda de Roberto Carlos, autor da canção, com o "conservadorismo" de Elis, "Minha" - o que Elis canta nessa faixa é um absurdo - e "Aquele Abraço", o clássico de Gilberto Gil aqui dedicado para Dorival Caymmi, João Gilberto e Caetano Veloso. 

No auge da Era de Ouro dos Festivais, é inevitável que Elis tenha participado de diversos deles, recebendo registros nos seguintes álbuns oficiais - com as respectivas canções e (ano): I Festival de Música Popular Brasileira - "Arrastão" (1965); Festival dos Festivais - "Saveiros", "Canção de Não Cantar" e "Jogo de Roda" (1966); III Festival de Música Popular Brasileira - "O Cantador" (1967), I Bienal do Samba - "Lapinha" (1968), I Festival Universitário da MPB da Guanabara - "Um Novo Rumo" (1968), além do álbum A Bossa No Paramount (1965), com "Terra de Ninguém", ao lado de Marcos Valle. Elis também teve uma participação especial interpretando "Cadeira Vazia" em um compacto duplo chamado Lupicínio Rodrigues, ao lado de Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil (1964), produziu o álbum Viva o Festival da Música Popular Brasileira (1965), considerado o primeiro LP independente lançado no Brasil, pelo selo Artistas, com as faixas "Ensaio Geral" e "Jogo de Roda" (1966), colocou sua voz em "Depois da Queda", pertence ao álbum O Conjunto de Roberto Menescal (1969), e participou da Trilha do filme Garota de Ipanema (1967), com a canção "Noite dos Mascarados", ao lado de Chico Buarque. Ainda existe um registro raríssimo chamado Entrevista - Corte Real, lançado em 1965, que ao que parece, saiu em edição limitada, hoje muito valiosa.

Luiz Carlos Miele e Elis Regina: um show de gargalhadas

Elis e Miele uniram seus talentos de forma que é impossível não terminar a audição de Elis no Teatro da Praia sem ter dado boas gargalhadas, ao mesmo tempo que fica a sensação de que Elis cada vez está mais perfeita em suas interpretações, facilmente comprovado em "Zazueira". O ponto de maior brilhantismo da dupla está logo na abertura do LP, "Introdução", com Elis cantando soberanamente cinco joias da música nacional ("Casa Forte", "Reza", "Noite dos Mascarados", "Samba da Bênção", as duas últimas cantada em francês por Elis e Miele, e "Making Whooppeel", esta cantada em inglês pela dupla), entre piadas impagáveis e de extremo bom humor divididas com Miele, que só por elas já valem a postada do vinil em local de fácil acesso na sua discoteca, principalmente quando Miele faz as brincadeiras com palavras em português dando sotaque francês. 

Outro momento que é impossível não rir vai para o deboche de Miele durante "Musical de Gala". Enquanto Elis solta a voz com seis passagens de canções da MPB - e juro que não entendo como ela consegue manter a concentração - Miele detona de forma hilária e indescritível. Só ouvindo para entender o que ele faz. Por incrível que pareça, nesses momentos Miele brilha mais que Elis, claro por conta das piadas, por que repito, a capacidade de concentração de Elis é impressionante, já que o teatro inteiro cai na gargalhada enquanto ela está concentradíssima e inerte nas suas interpretações para "Eu e a Brisa", "Preciso Aprender a Ser Só", "Carolina", "Nunca Mais", "Franqueza" e "Se Todos Fosem Iguais a Você". 

Em "Irene", Elis homenageia o autor da canção, Caetano Veloso, chamando-o de gênio e o maior artista de sua geração, em uma versão que já havia sido apresentada na trilha sonora da novela global Véu de Noiva (1969). Mas nem tudo é piada, e quando a coisa é levada a sério, é difícil segurar o tesão com a sensualidade exalada pelos sussurros de Elis em "Can't Take My Eyes of You", mostrando que a Europa havia feito muito bem para ela. Discaço relançado em raro CD de 1998, para se ouvir com os amigos dando boas gargalhadas, e para mim, o segundo melhor dos álbuns hoje apresentados, atrás apenas de O Fino do Fino.


Alguns compactos de Elis nessa época,
com destaque para o compacto vencedor com "Arrastão"

Esse foi um período bastante fértil de compactos. No total, saíram onze disquinhos pro mercado, os quais são "Menino das Laranjas / Sou sem Paz" (1965), "Arrastão / Aleluia" (1965), "Zambi / Esse Mundo É Meu - Resolução" (1965), "Canto de Ossanha / Rosa Morena" (1966), "Ensaio Geral / Jogo de Roda" (1966), "Upa, Neguinho / Tristeza que se Foi" (1966), "Saveiros / Canto Triste" (1966), "Travessia / Manifesto" (1967), "Yê-melê / Upa, Neguinho" (1968), "Samba da Benção / Canção do Sal" (1968), e "Lapinha / Cruz de Cinza, Cruz de Sal" (1968), além dos compactos duplos "Menino das Laranjas - Último Canto / Preciso Aprender a Ser Só - João Valentão" (1966), "Pout-Porri de Samba / Sem Deus, com a Família - Ué" (1966) e "Saveiros / Jogo de Roda - Ensaio Geral / Canto Triste" (1966).

Em quinze dias, veremos como Elis abandonou os sambas de outrora e começou a guinar seu timão em direção ao jazz e ao rock, com os seis álbuns lançados durante seu casamento com Bôscoli, entre o fim da década de 60 e o início da década de 70, incluindo os dois álbuns originalmente lançados apenas no mercado internacional.

domingo, 1 de março de 2015

Elis Regina - Parte I



Nesse mês de março de 2015, mais precisamente no dia 17 de março, comemoram-se os 70 anos de nascimento da maior artista brasileira, Elis Regina Carvalho Costa, ou simplesmente Elis Regina. A pimentinha gaúcha, em pouco mais de vinte anos de carreira, deixou um legado diverso de discos que marcaram gerações, desde a simplicidade dos roquinhos anos 50 até a psicodelia exuberante do início dos anos 70, passando por sambas, boleros, valsas, jazz, bossa-nova, ..., enfim, diversos gêneros musicais, sempre acompanhada por músicos talentosos, fazendo parcerias inesquecíveis, mas principalmente, abalando estruturas com interpretações fulminantes.

Como uma sincera homenagem, o Baú do Mairon vem aqui destrinchar a história musical de Elis, pagando tributo para esta que é uma das maiores vozes da música mundial.


O bebê Elis (acima) e
lembrancinha do primeiro ano de Elis (abaixo)

Nascida no Hospital da Beneficência Portuguesa em 17 de março de 1945, Elis era filha do casal Romeu Costa e Ercy Carvalho, aos 11 anos começou a cantar na Rádio Farroupilha, em Porto Alegre, fazendo parte do elenco fixo do programa O Clube do Guri, apresentado por Ari Rego sempre nos domingos pela manhã, que durou de agosto de 1950 a julho de 1966.

Por lá, Elis estreiou nas rádios cantando, lendo recados e apresentando candidatos a crooner, sendo constantemente pedido sua participação vocal, a partir de 1957. Sua estreia na verdade não foi das melhores, pois apesar de convencer a mãe para ser levada ao programa, ainda menina, apelidada de Lilica, para interpretar "Vida de Bailarina", Elis ficou mordendo a ponta da luva, e não conseguiu cantar de tanta vergonha. 

Porém, anos depois, mais madura, Elis destruiu com apenas 14 anos, e interpretando "Vida de Bailarina", despontou na Rádio, tendo como inspiração em Ângela Maria, o grande ídolo da pimentinha. Também na Farroupilha que Elis aprendeu a lidar com a apresentação de nomes que queriam participar do programa, bem como a lidar com os microfones e toda a parafernália por detrás da Rádio, que acabaram sendo fundamentais na sua formação.

Elis no colo da mãe Ercy e com o pai Romeu (acima);
Na Rádio Farroupillha (abaixo)

Em 1958, Elis assina contrato com a Rádio Gaúcha, e no mesmo ano, ganha o título de Melhor Cantora do Rádio Gaúcho, em concurso realizado pela Revista de Cinema, Teatro, Televisão e Artes. As atuações de Elis levaram-na para o Rio de Janeiro com a finalidade de gravar seu primeiro álbum, e também para combater as gravações de Celly Campelo, Sônia Delfino e Cleyde Alves.

O álbum de estreia da cantora

Assim nasce Viva a Brotolândia. A menina Elis Regina, com apenas 16 anos, faz sua estreia junto a gravadora Continental, descoberta pelo produtor Wilson Poso. Temos um apanhado de canções que embalaram os bailinhos juvenis na década de 50 e no início dos anos 60, em um desfile de ritmos e versões, que vão dos rocks baladas de "Sonhando" ("Dreamin', de Barry de Vorzon e Ted Ellis), "Garoto Último Tipo" ("Puppy Love", de Paul Anka), "Fala-Me de Amor" ("Take Me In Your Arms", de Fred Markusa e Fritz Rotter), o rock suave de "Baby Face" (de Benny Davis e Harry Askt), passando pelo sambas "Samba Feito Pra Mim" e "Dor de Cotovelo", até o calipso de "Dá Sorte". Os arranjos orquestrais da Orquestra de Severino Filho auxiliam a aumentar a nostalgia, neste que é um dos álbuns mais raros da cantora. 

Jornal da Gaúcha destacando a ida de Elis a São Paulo
para gravação de seu primeiro LP

O que impressiona é que mesmo muito nova, Elis já demonstra o vozeirão e a simpatia que a consagraram anos depois, e uma interpretação vigorosa para letras que não combinam com a juventude da garota, principalmente nos sambas "Mesmo de Mentira" e "Murmúrio", ou na balada "Tú Serás". Únicos deslizes vão para as vozes acrescentadas em "Amor, Amor ..." ("Love, Love", de Bill Caesar") e na versão valsa da clássica "My Favorite Things", de "Oscar Hammersmith e Richard Rodgers, aqui apresentada como "As Coisas Que Eu Gosto". Como o próprio Imperial define na contra-capa, um broto cantando música de broto para o broto ouvir e dançar. Foi relançando em 1982, relançamento este também bastante raro, e em 1989, agora batizado Nasce Uma Estrela, a versão mais comum deste disco. Também teve lançamento em CD, sem faixas bônus.


O segundo e raro álbum, Poema de Amor

Elis voltou ao Rio em 1962, e ainda pela Continental, lançou Poema de Amor, mais um disco bastante diversificado, que é uma sequência natural de Viva a Brotolândia. Modificando seu nome para Ellis (com dois l's), uma tentativa da Continental de tentar americanizar a cantora - algo comum na música nacional da época - e nos traz bolero em "Nos Teus Lábios" e "Canção de Enganar Despedida", tcha-tcha-tcha em "Las Secretárias" - apresentada na contra-capa como o maior sucesso atual no gênero - e muito samba em "Saudade É Recordar", "Confissão", "Pororó-popó" e "Vou Comprar Um Coração". 


Contra-capa de Poema de Amor

Os arranjos orquestrais ficaram a cargo de Renato de Oliveira, que conduziu os trabalhos de gravação no Rio de Janeiro, e Severino Araújo e Guerra Peixe, arranjadores na capital paultista. Os pontos fortes de Poema de Amor vão para as versões da jazzística "Dá Me Um Beijo" ("Kiss Me Kiss Me", de Carol Danell e Armando Trovajoli), a simpatia da balada "Meu Pequeno Mundo de Ilusões" ("My Little Corner of the World", de Lee Pockriss e Bob Hilliard), e a Broadwayana "Pizzicati-Pizzicato" (Emily Stern e Eddy Marnayou). Outro destaque vai para a inspiração em Angela Maria nas fenomenais "Podes Voltar" e "Poema".

Poema de Amor foi relançado em 1982 como Poema, e em 1989, ganhou uma versão mais conhecida, batizado agora de A Estrela Brilha, que é o jeito mais comum de encontrar esse interessante LP.  Também saiu em CD, sem faixas-bônus. Algumas de suas canções foram relançadas na coletânea Elis (É) Regina, que abrange apenas faixas dos dois primeiros álbuns.

Estreia pela CBS, Ellis Regina

Em outubro de 1962, Elis assina com a CBS, e no início de 1963 lança seu terceiro álbum, Ellis Regina, no qual dedica-se ao bolero e ao samba-choro. Ellis Regina tem como principal mérito apresentar uma voz já mais lapidada em relação aos primeiros discos, aumentando a relevância de Elis perante a orquestra de Luiz Astor, e permitindo a ela brincar com sua voz no samba "Formiguinha Triste", ou apenas comandar a orquestra na sacolejante "Silêncio". Os boleros são perfeitos para se dançar com a companheira, como atestam "Resurreição", um show de sensualidade de Elis, e "Tango Italiano", e nos sambas, balançamos a perna durante "Tristeza de Carnaval", tocamos um air-pandeiro em "1, 2, 3, Balançou", e nos sentimos em plena Lapa carioca durante "Flertei". 

Há ainda o delicioso chamego do samba "Dengosa" e o sentimentalismo de "Adeus Amor", carregada por um lindo clarinete. Novamente, destaque para as versões, seja com a imponência flamenca de "Virgem de Macarena" ("La Virgem de La Macarena", de Bernardo Bautisa Monterde e Antonio Ortiz Calero), a suavidade de "Outra Vez" ("Again", de Dorcas Cochran e Lionel Newman) ou o encanto de "À Noite" ("Tonight", de Leonard Bernstein). Essa raridade saiu em CD, tão cobiçado quanto o LP.

Último disco pela CBS

Para muitos fãs, O Bem do Amor é o álbum mais fraco da carreira de Elis, mas longe de ser um álbum para ser desprezado. Em um disco apenas com compositores brasileiros, o por que desta pequena torcida no nariz vai para a falta dos arranjos imponentes e as versões que se destacaram nos três primeiros discos, concentrando-se nos sambas leves da faixa-título e "Meus Olhos", e pela vez primeira, flertando com a bossa-nova em "Se Você Quiser" (de Baden Powell), "Mania de Gostar" e "Domingo em Copacabana" De forma geral, Elis está arrasante, seja na leveza de "Sem Teu Amor" ou no embalo de "Alô Saudade", "Mundo de Paz" e "Saudade e Carinho", as quais com a voz de Elis, ganham ainda mais dramaticidade. 

Destaque total para o samba-choro "Há Uma História Triste" e o vozeirão solto na lenta "Manhã de Amor", além da excelência musical de "Retorno", que dão mais pontos para esse disco o qual talvez não tenha seu maior reconhecimento por conta de ter sumido do mercado há algum tempo, sendo somente nos últimos anos encontrado através de um relançamento em CD. O vinil de O Bem do Amor é mais difícil de se ver do que o cometa Halley. Detalhe adicional é que esse foi o último trabalho da gaúcha a ser assinado como Ellis.

Elis em Copacabana

Durante o período da gravação dos quatro primeiro álbuns, Elis dividia sua vida em morar em Porto Alegre e gravar no Rio de Janeiro. No final de 1963, Elis é eleita pelo jornal Correio da Amanhã a cantora revelação daquele ano, em uma premiação realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Dali, Elis muda-se definitivamente para a capital fluminense, em abril de 1964, convidada pelo percussionista Doum para trabalhar na boate Bottle's, no famoso reduto boêmio Beco das Garrafas, em Copacabana. Ali, foi descoberta por Armando Pittigliani, que a levou para a Philips, local onde finalmente começou a deslanchar. Ao mesmo tempo, assina um contrato com a TV Rio, onde passa a trabalhar no programa Noites de Gala, ao lado de nomes como Wilson Simonal, Jorge Ben entre outros. Era o começo da ascensão.

Em 23 de novembro de 1964, a cantora faz sua primeira grande apresentação na cidade de São Paulo, acompanhada pelo Copa Trio durante o show "Primeira Denti-Samba", quando deixou insana a plateia de centenas de pessoas que a viram. Mais um sinal de que o sucesso estava por vir. 

O primeiro sucesso: Samba - Eu Canto Assim

Mais madura, Elis lança seu primeiro disco de sucesso pela Philips. Com arranjos de Luís Chaves, Paulo Moura, Lindolpho Gaya e Lennie Dale, Samba - Eu Canto Assim, é um show de sambas de peso, graças a versões para gigantes da música nacional como Vinícius de Moraes e Baden Powell (na trinca "Consolação" / "Berimbau" / "Tenha Dó"), Dorival Caymmi (o samba "João Valente") e Carlos Lyra (a balada "Maria do Maranhão"). Acompanhada do grupo Rio 65 Trio, liderado pelo incrível pianista Dom Salvador ao lado do baterista Édison Machado e do baixista Sérgio Barrozo, a gaúcha manda a ver em interpretações furiosas para "Menino das Laranjas", "Sou Sem Paz" e "Último Canto", e entrega-se de forma arrepiante na faixa-título e em "Eternidade". 

Elis ao vivo

Os ápices desse álbum vão para as faixas de Edu Lobo, seja no dolorido canto de "Aleluia", na emulação de Angela Maria no clássico "Reza" ou rasgando a voz na embalada "Resolução". Outro grande momento está na emocionante "Preciso Aprender a Ser Só", de Marcos Valle, a primeira canção mais longa de Elis, com pouco mais de quatro minutos de uma envolvente voz que transforma-se agonizantemente, fazendo até o martelo dos ouvidos chorar com tanta dor exalada pela talentosa voz da artista. Para quem quer conhecer o início da carreira de Elis, com certeza esse é o disco mais recomendado.

O grande disco de 1966, revelando Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento e Gilberto Gil

Coroada na primeira edição do Festival da Música Popular Brasileira, Elis entra nos estúdios mais confiante do que nunca, e sai de lá com uma obra-prima. Elis chuta o balde na contra-capa de Elis, lançado em 1966, dizendo ter sido falsa até então, por não ter conseguido fazer o que queria com sua música, mas que finalmente, gravava um disco como desejava. Marcando o início de revelar novos artistas da música brasileira, o primeiro disco batizado apenas como Elis é uma aula de samba, com arranjos de Francisco Moraes e acompanhamento do Bossa Jazz Trio (Amilson Godoy no piano, Jurandir Meirelles no baixo e José Roberto Sarsano na bateria), e que revelou ao Brasil nomes ainda desconhecidos, que tornariam-se ícones da MPB anos depois, e que tiveram a oportunidade de terem suas composições ouvidas graças ao talento e a parceria da pimentinha. 

Assim, surgem os novatos Caetano Veloso com a tropicalista "Boa Palavra" e a dançante "Samba em Paz", Chico Buarque com o samba "Tem Mais Samba", Gilberto Gil com a lunática viagem de "Lunik 9" e o sambaço "Roda", e Milton Nascimento com a percussiva e tipicamente Miltoniana "Canção de Sal". Cada artista teve sua marca de compositor enaltecida por Elis, que além de cantar muito as letras desconhecidas e audaciosas desses monstros, recebe os méritos pela coragem de em um Brasil tão preconceituoso quanto o de 1966 - lembrando que a ditadura havia acabado de começar - gravar as canções dos mesmos pela primeira vez (lembrando que tanto Caetano, Gil e Milton só iriam lançar seus primeiros discos solo meses depois, e o próprio Chico havia estreiado fonograficamente em 1966, na mesma época de Elis). 

Além disso, Elis retorna a parceria com Vinícius de Moraes, através do embalo de "Tereza Sabe Sambar", e também com Edu Lobo, para quem o disco é dedicado, apresentando três joias do cantor: a complicada letra de "Estatuinha", de Edu com Gianfrancesco Guarnieri, o lamento "Pra Dizer Adeus", parceria de Edu com Torquato Neto, em uma das melhores interpretações de Elis na década de 60, e a emocionante "Veleiro", outra de Edu com Torquato, na qual Elis dá show sob um clamoroso arranjo orquestral. Complementa o álbum a leve "Sonho de Maria", da dupla Marcos e Paulo Sérgio Valle, e o clássico "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro, que ganha aqui sua versão definitiva, com o dedilhado sensacional de Paulinho Nogueira ao violão e o magistral acompanhamento do Luiz Loy Quinteto, além da participação de Caçulinha no acordeão. Um disco sensacional, que encerra coroando uma fase um tanto quanto obscura para os fãs, mas que tem muito a ser apreciada.

Elis Regina com os mestres Gilberto Gil, Tom Jobim e Chico Buarque

Esse foi um período com apenas quatro disquinhos, os quais são "Dá Sorte / Sonhando" (1961), "Dor de Cotovelo / Samba Feito pra Mim" (1961), "Poporó Popó / Nos teus Lábios" (1962), "A Virgem de Macarena / 1, 2, 3 Balançou" (1962), 

A primeira grande virada musical na carreira de Elis ocorreu no Festival Nacional da Música Popular Brasileira de 1965. Sendo assim, em quinze dias, trataremos especialmente dos cinco álbuns ao vivo lançados por Elis entre 1966 e 1970, com seus três discos ao lado de Jair Rodrigues, o indispensável álbum junto ao Zimbo Trio e o ineditismo do hilário álbum com Mieli, além de um apanhado geral das participações de Elis nos festivais.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Melhores de Todos os Tempos: Guitarristas

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por Bruno Marise
Com André Kaminski, Bernardo Brum, Davi Pascale, Diogo Bizotto, Eudes Baima, Fernando Bueno, Mairon Machado, Ronaldo Rodrigues e Ulisses Macedo
Agora a coisa vai ficar feia. Quando se trata de elencar instrumentistas, não tem jeito. Os guitarristas e vocalistas sempre são os que mais geram polêmica. Nosso post de hoje é dedicado aos mestres das seis cordas, os responsáveis por fazer muitos garotos montarem bandas, por reinventarem a sonoridade do rock, revolucionarem os recursos e técnicas. Com vocês, os 20 melhores guitarristas segundo a Consultoria do Rock.
É importante lembrar que a classificação difere do habitual sistema de pontuação da Fórmula 1, devido ao maior número de nomes da lista (20 ao invés de 10), e por isso, criamos o nosso próprio esquema. Ressaltamos também, que o critério de escolha depende muito do gosto pessoal e conhecimento de cada participante da lista. Não temos a pretensão de eleger um apanhado definitivo de músicos, mas apenas gerar uma discussão bacana, como sempre acontece. Cada participante elegeu seus 30 músicos favoritos, e seguindo a tabela abaixo, fechamos a lista com os 20 mais votados.
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1. Tony Iommi (Black Sabbath) (614 pontos)
Encabeçando a lista, Tony Iommi, “O Homem de Ferro”, o filho da cidade operária de Birmingham, que escolheu a música como fuga para a realidade violenta que vivia. Mutilado nas pontas dos dedos em um acidente de fábrica, Iommi cogitou desistir do ofício – agradeçamos ao companheiro de trabalho que o mostrou um disco de Django Reinhardt, guitarrista de jazz que havia sofrido ferimento semelhante em um incêndio. Junto com seus colegas de origem proletária Ozzy, Geezer e Bill, inspirados em filmes de terror, criaram o Black Sabbath – e todo o gênero heavy metal com eles. Levando o estilo pesado do blues rock a outros patamares, Tony utilizava afinações mais baixas para aliviar a tensão nos dedos mutilados, o que fez Geezer o seguir, criando um som mais soturno, sombrio, abusando de trítonos e solos em pentatônica menor.  A concepção sonora originalíssima deu vazão a Tony se descobrir como “a máquina de riffs”, com uma criatividade infinita para riffs pesados e mastodônticos que foram a cama sonora perfeita para a voz alucinada de Ozzy versar sobre um universo que mandava o “sunshine pop”, a estética psicodélica e o discurso de paz e amor para lá e esfregava no rosto de todos demônios sobrenaturais, políticos e cotidianos. Com o tempo, Iommi também mostrou capaz tanto de produzir um som agressivo e intenso quanto sofisticado e cheio de camadas, incorporando elementos do progressivo. Poucos podem se gabar de ter dez entre dez riffs reconhecidos, com gancho, groove e amplitude que criaram o DNA de gerações de filhos. Ninguém é reconhecido como “O Rei dos Riffs” à toa. (Bernardo)
Performance destacada: Wheels of Confusion/The Straightener (Black Sabbath, 1971)

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2. Jimi Hendrix (The Jimi Hendrix Experience, Band Of Gypsis) (590 pontos)
Há dois erros que devem ser corrigidos antes da breve descrição. Estar em segundo lugar nesta lista representa apenas o sistema de votação adotado, não a justiça histórica e os fatos do ponto de vista musical; o segundo: é um pecado reduzir Jimi Hendrix apenas a guitarrista, porque ele é muito mais do que isso. A guitarra era o veículo de sua obra. Posso resumir quase tudo a respeito pedindo que cada guitarrista indicado desta lista fizesse uma lista dos melhores guitarristas, segundo sua opinião e vivência. Dificilmente o resultado seria outro. Talvez Jimi Hendrix seja um dos artistas (não só guitarrista) com o qual nós mais devamos nos esforçar em matéria de adjetivos. Sua importância para o rock só se equipara com a de Elvis Presley, Chuck Berry, dos Beatles e dos Rolling Stones. A história é contada antes e depois dele.(Ronaldo)
Performance destacada: “Voodoo Child” (The Jimi Hendrix Experience, 1969)

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3. Jimmy Page (Led Zeppelin, The Yardbirds, The Firm) (580 pontos)
Jimmy Page não escalou os charts vindos da garagem da família, mas curtiu seu talento ralando duro nas coxias, salas de gravação e bares da vida. Puta velha desde muito jovem, Page acabaria pontificando como guitarrista, mentor e principal artíficie da melhor banda de rock de todos os tempos, sim, meus velhos, o Led Zeppelin. O Zeppelin, em grande parte, não foi senão o veículo para as ideias de Jimmy. E que ideias eram essas? Jimmy codificou o ideário zeppelianiano no próprio nome da banda: zepelim de chumbo. Pesado mas voa. Em termos musicais, se tratava de uma combinação insólita entre execuções intensas (heavy), sonoridades metálicas e, ao mesmo tempo, filigranadas, tão delicadas como as tramas de nossas rendeiras nordestinas. O ponto, porém, seria como captar este jogo de fundo e forma em estúdio, como fazer essa contradição aparente funcionar e arrancar o ouvinte da poltrona. E aí, o produtor e estilista vai além do guitarrista, embora parte do mérito não possa deixar de ir para John Paul Jones. Mas vamos combinar, nada disso seria possível sem o imenso talento de Page à guitarra (e cordas em geral) e sem sua habilidade e, sim, senhores (sei que aqui compro uma briga), originalidade como compositor. E devo, em função do dito anteriormente, afirmar: Jimmy Page é o maior guitarrista da história do rock. Artesão principal da releitura de ultramar do blues, Page não só injetou o jeitinho britânico em clássicos de Willie Dixon, como criou seus próprios números imortais, como em “Since I’ve Been Loving You” e “Tea For One”. Por fim,  Page é um dos maiores melodistas da história do rock, para o que sua temporada na orquestra de Burt Bacharach no começo da carreira não deve ter tido influência menor. Seus solos são inesquecíveis não só pela extrema habilidade, mas também  pela beleza melódica que os caracteriza. Como diria um amigo que tive em outra vida, se deus existisse, seria uma combinação dos solos de Jimmy Page. (Eudes)
Performance destacada: “The Song Remains The Same (Led Zeppelin, 1970)

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4. Ritchie Blackmore (Deep Purple, Rainbow, Blackmore’s Night) (480 pontos)
Um dos grandes riffmakers da história criou seu estilo ao misturar o lado blues rock com influências da música clássica. Deixou seu nome cravado na história do rock ao gravar inúmeros clássicos ao lado do Deep Purple e do Rainbow. O rapaz é conhecido por ser um tanto egocêntrico e também por gostar de realizar longos improvisos nas apresentações. Ritchie Blackmore ainda é uma enorme referência para milhares de músicos. (Davi)
Performance destacada: “Mistreated” (Deep Purple, 1974)

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5. Steve Howe (YES) (436 pontos)
Quando eu assisti a um vídeo de Steve Howe já veterano, fiquei de boca aberta de como aquele “velhinho” tocava tanto com sua guitarra semi-acústica, quase do tamanho dele. Foi o ponto de sela em minha vida musical, por que a partir dali, virei um apaixonado por Yes e rock progressivo, tendo como guia espiritual as notas do Deus Steve Howe. Conhecendo sua carreira dentro e fora do Yes – sua carreira solo é tão fantástica quanto a do grande grupo britânico – descobri que Howe é um perfeccionista de mão cheia, algo que o torna exímio em diferentes ritmos. Country, jazz, blues, hard, funk e a música clássica são alguns estilos que ele domina com a excelência britânica que lhe é natural, passeando seus dedos em uma viagem tranquila para ele – e incrivelmente chocante para quem olha e ouve – não só na guitarra, mas no violão, banjo, mandolin, Sitar, slide guitar, steel guitar, entre outros. Vez em quando arrisca-se a cantar, nesse que talvez seja seu único defeito. Mas quando ele inventa de tocar violão, pelamordeHowe, é LYMDO. A canção que escolhi para representar mostra como ele é GENIAL tanto na guitarra elétrica quanto na acústica. Um exemplo de o que é ser músico, que apesar de sua extrema arrogância, quando começa a tocar a casa cai. Mesmo nos momentos mais fracos de sua carreira (vide Asia, GTR e sua carreira solo nos anos 90), o cara ainda estraçalhou, e que bom que está firme e forte entre os mortais, humilhando com prazer aqueles que adoram ser humilhados pela sua agilidade. Amém! (Mairon)
Performance destacada: The Ancient: Giants Under The Sun (YES, 1973)

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6. David Gilmour (Pink Floyd, solo) (372 pontos)
Considerado apenas como o sujeito que tem “os solos mais elegantes da história do rock”, a guitarra de Gilmour é reconhecida a léguas por qualquer um que já tenha escutado Pink Floyd alguma vez na vida. Sempre há aquela discussão sobre quem tem mais técnica, quem tem mais feeling ou o que é melhor entre ambos, mas o que posso dizer é que o britânico é especialista em produzir notas que tocam no fundo da alma, talvez até naqueles que não acreditam em alma. Com poucas palhetadas, sempre de um bom gosto estapafúrdio e um uso da guitarra slide que muitos tentam imitar sem sucesso, Gilmour marcou seu nome na história da música como um guitarrista sem igual. (André)
Performance destacada: One Of These Days (Pink Floyd, 1994)

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7. Eric Clapton (Cream, Derek and The Dominos, Blind Faith, solo) (364 pontos)
O que dizer de um guitarrista em cujo currículo constam bandas lendárias como os Yardbirds, John Mayall & the Bluesbreakers, Cream, Blind Faith e Derek & the Dominos, além de uma carreira solo com mais de quatro décadas de sucesso? E ainda por cima conhecido simplesmente como Deus? Qualquer pessoa que goste minimamente de rock precisa é ouvir o emocionante blues elétrico do Slowhand. Com um talento para a experimentação, é mestre da sustentação por feedback, dos vibratos e da ambiência a partir do posicionamento do microfone, além de popularizar a icônica combinação de guitarras Gibson Les Paul e amplificadores Marshall, o que redefiniu os rumos da guitarra elétrica para sempre. (Ulisses)
Performance Destacada: O disco Blues Breakers with Eric Clapton causou o maior alvoroço quando lançado; ouça e entenda o por quê das pichações de ‘Clapton is God’. (John Mayall & the Bluesbreakers, 1966).

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8. Eddie Van Halen (Van Halen) (308 pontos)
Se existiu revolução maior na guitarra pós-Jimi Hendrix do que aquela levada a cabo por Eddie Van Halen, esqueceram de me avisar. A importância desse holandês radicado nos EUA e bem sucedido no mundo todo consegue ir além de sua já gigantesca influência, pois sua abordagem, longe de ser um derivativo de outros guitarristas, trouxe um ineditismo quase sem precedentes. Quem o critica por ter sido erroneamente citado como pioneiro da técnica de tapping (manjam “Eruption”?) parece ignorar que a construção do estilo de Eddie vai muito além disso, unindo diversas técnicas a um senso melódico extraordinário e ao uso do corpo da guitarra como uma totalidade. Outra característica marcante é seu trabalho na busca de timbres únicos, além, é claro, de sua capacidade como compositor de temas sensacionais, em álbuns como Van Halen (1978) e Fair Warning (1981). Eddie adiantou o que seria da guitarra na década de 1980 e, para mim, ninguém soou tão excitante quanto ele.(Diogo)
Performance destacada: Mean Street (Van Halen, 1981)

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9. Alex Lifeson (Rush) (262 pontos)
Quando se fala na qualidade técnica dos músicos do Rush, Alex Lifeson sempre acaba sendo o patinho feio. Tudo bem, ele pode não ser tão apurado quanto Geddy Lee ou tão virtuoso quanto  Neil Peart, mas ainda assim é dono de uma técnica acima da média e sabe empregar suas habilidades de modo a contribuírem e elevarem as composições, sem nunca ofuscá-las. Se usarmos como referência na guitarra do rock progressivo, o som de bandas como Yes, Genesis e Pink Floyd, por exemplo, Lifeson aparece muito mais como um guitarrista de hard rock. O uso constante de distorção, riffs e solos mais agressivos mostram bem isso, e contribuem para a massa sonora do trio canadense. Nenhum outro músico encaixaria tão bem no posto de guitarrista do Rush. (Bruno)
Performance destacada: La Villa Strangiato (Rush, 1978)

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10. Robert Fripp (King Crimson) (200 pontos)
Meu primeiro contato com Robert Fripp foi em um show do G3 em que surpreendentemente ele fez parte (os outros dois eram o patrão Joe Satriani e seu pupilo Steve Vai). Eu já conhecia o King Crimson na época, mas não ligava a banda à ele. Lembro que ele se apresentou da maneira que ele se costuma se apresentar em sua banda principal, sentado. Isso enfureceu a horda de idiotas que tinham ido ali sedentos por malabarismos musicais. Fripp também não parava de operar um equipamento em sua frente como se estivesse em constante equalização do som da sua guitarra, parecendo que o som que saia dos equipamentos não lhe agradava. Porém o som era indescritível e eu não conseguia descrevê-lo. Depois de um tempo que descobri que ele na verdade estava operando um dos equipamentos idealizado por ele mesmo que ficou conhecido como frippertronics. Com o tempo fui me encantando com a sonoridade que saia da guitarra desse cara. Não apenas pelo que ele fez nos primeiros álbuns do King Crimson, mas também com todas as mudanças e evoluções da sonoridade da banda. Compare In the Court of Crimson King (1969), Red (1974) eThree of a Perfect Pair (1984). Ele se reinventou em cada álbum. Não posso esquecer de citar as participações em álbuns de outros artistas. São inúmeras, e a que mais se destaca é no álbum Fool’s Mate de Peter Hammill. Em ambientes corporativos muitos dizem que uma equipe é reflexo de seu líder e Robert Fripp representa perfeitamente isso. A excelência do King Crimson reflete exatamente o que seu líder tentou passar durante toda sua carreira. Durante algum tempo eles sequer ensaiavam ou definiam um set list para os shows. Era tudo feito no improviso! Quer maior domínio musical que esse? (Fernando)
Performance destacada: 21st Century Schizoid Man (King Crimson, 1969)

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11. Frank Zappa (The Mothers of Invention, solo) (199 pontos)
Compositor, arranjador, maestro, vocalista, baterista, percussionista, mas acima de tudo, um dos maiores guitarristas da história, Frank Zappa fez história na década de 60, liderando o Mothers of Invention com uma psicodelia irreverente e audaciosa, que tocava em assuntos até então não tão comuns no mundo da música, como drogas, sexo e política. Nos anos 70, Zappa começou uma longa série de lançamentos de discos, que revelou ao mundo inúmeros novos talentos, o que continuou nos anos 80, com a política cada vez sendo mais surrada nas letras geniais de Zappa. Nesse meio tempo, ainda conseguiu flertar com a música clássica, lançando discos também de extrema beleza, na qual ele simplesmente era o maestro e o arranjador, ou arrepiando com pérolas minimalistas e experimentais influenciadas por seu maior ídolo, Edgar Varèse. Nas seis cordas, o homem estraçalhava. Sabia como poucos usar efeitos distintos para chocar os ouvidos, mesclando notas velozes com longos sustains, arrancando melodias que facilmente identificamos como sendo de Zappa, uma marca que poucos guitarristas possuem, e ainda conseguindo inclusive tocar algo que nem ele próprio conseguia escrever, mostrando que técnica era apenas um dos infinitos dotes que o GÊNIO Zappa possuía. Faleceu em 1993, vítima de câncer, mas deixou um legado inesgotável para ser descoberto pelos fãs. (Mairon)
Performance destacada: Chunga’s Revenge (Frank Zappa, 1970)

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12. John Mclaughlin (The Mahavishnu Orchestra, Miles Davis, solo) (191 pontos)
Miles Davis não ia escolher um guitarrista sem predicados no mínimo respeitáveis pra conduzir uma revolução sonora no jazz. Além de ser tremendamente técnico (em alguns momentos, até um pouco além da medida), Mclaughin é um músico muito intuitivo, excelente na improvisação e na construção de uma música densa, forte, marcante, absolutamente viva e energética. Craque também no violão. Não contribuiu muito em termos de sonoridade, contudo foi soberbo em associar linguagens díspares de guitarra em tipo de som que já nasceu mestiço – o fusion. (Ronaldo)
Performance destacada: Noonward Race (The Mavishnu Orchestra, 1972)

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13. Michael Schenker (UFO, Michael Schenker Group, Scorpions) (180 pontos)
Reconhecido pelos seus solos e seu temperamento difícil, Schenker foi um dos primeiros guitarristas a fazer sucesso e ser admirado como um grande virtuoso do rock. Admiro este grande guitarrista graças aos seus trabalhos no UFO. Mudando do space rock dos dois primeiros discos para um hard rock pegajoso a partir do discoPhenomenon (1974), Michael Schenker nos brinda tanto com riffs certeiros como fazia Blackmore no Purple quanto com solos marcantes dotados de uma técnica incrível nos breaks quase sempre acompanhado de sua Flying V. Enérgico e cheio de si, Schenker é um verdadeiro guitar hero. (André)
Performance destacada: Rock Bottom (UFO, 1974)

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14. Randy Rhoads ( Ozzy Osbourne, Quiet Riot) (176 pontos)
Visto como uma das maiores promessas da guitarra no início dos anos 80, Randy Rhoads não conseguiu mostrar todo seu valor por conta do trágico acidente de avião que encurtou a vida desse excelente músico. Os álbuns que fez sob a batuta do Madman Ozzy Osbourne além de marcarem a volta do vocalista, imortalizaram esse jovem. Com apenas 16 anos eles já tinha uma banda formada, com seu amigo Kelly Garni e que viria a se tornar o Quiet Riot, e dava aulas de guitarra na escola de música da sua mãe. Seus álbuns com o Quiet Riot (que foram detalhados aqui) mostravam um guitarrista ainda tímido, mas com evidente potencial. A turnê abrindo os shows do Van Halen no final da década de 70 e a conseqüente convivência de Randy com Eddie Van Halen, certamente ajudou a moldar seu estilo de tocar que combinava seus conhecimentos em música clássica como o heavy metal da época. Apesar de sua curta carreira ele é citado por muitos guitarristas que surgiram depois dele como grande influência. (Fernando)
Performance destacada: Mr. Crowley (Ozzy Osbourne, 1981)

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15. Jeff Beck (The Yardbirds, The Jeff Beck Group, Beck, Bogart & Appice) (168 pontos)
Jimmy Page e Jeff Beck saíram do mesmo ovo. E não me refiro aqui apenas ao fato de que tocaram ambos nos legendários Yardbirds, mas sobretudo ao fato de que aportaram no estrelato do rock’n’roll depois de, se não longa, pelo menos intensa jornada nos bastidores do mundo da música, como session men, músicos da noite e produtores. Jeff, inclusive antes do Led Zeppelin, inventou o blues como base para o pop rock do fim dos anos 60, com o monumental LP Truth. Ali, ancorado num time de bambas, Jeff lançou as bases do que seria o rock do anos 70. Um blues amplificado, com largas camadas de melodia que o tornasse assobiável e, claro, complexas e inventivas passagens de guitarra. Muitos vêm semelhança de concepção entre este disco e Led Zeppelin I, o que é inegável, mas é preciso dizer que Truth saiu antes. Jeff fez ainda um disco com, a mesma formação do então chamado Jeff Beck Group, o igualmente delicioso Beck Ola, mas aí ele já tinha pulado para outra e montado o power trio Beck, Bogert & Appice com o qual chegaria pela segunda vez ao panteão da imortalidade em vinil. Nesse ponto, Jeff começou a achar que seu talento com as cordas era excessivo para a simplicidade bluesy do rock  e lançou nada mais nada menos do que os dois mais inspirados discos do que, na época, se chamou jazz rock: Blow by Blow e Wired. A experiência inauguraria um estilo guitarrístico que é marca registrada de Beck desde então. Nos anos 90, com uma inesperada, mas faiscante combinação de seus estilo jazz-blues com  bases eletrônicas, lançou maravilhosos LPs para sacudir a roseira dos reacionários de plantão: Who Else e You Had It Coming. Contido mas cheio de surpresas, intenso e furioso mas elegante e esguio, posso lhes assegurar, que Beck é ainda o homem mais indicado para lançar o blues ao futuro. (Eudes)
Performance destacada: Diamond Dust (Solo, 1975)

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16. Uli Jon Roth (Scorpions, solo) (158 pontos)*
Um dos mentores do estilo neoclássico, Roth é talvez o mais famoso e devotado discípulo de Jimi Hendrix, despejando tributos ao mestre a cada nota. Com arpejos inusitados, escalas alternadas, melodias insanas e uso intensivo da alavanca, o loiro criou seus primeiros sucessos no Scorpions, lançando quatro discos de estúdio e um ao vivo, mas logo seu amor por música erudita falou mais alto, levando-o a atingir um grau de perfeição através do Electric Sun e de sua carreira solo que ele não acreditava ser impossível se tivesse continuado no Scorpions. O virtuoso aliou suas visões transcendentais de blues com a música clássica após uma visão, ainda jovem, onde escrevia um concerto para violino, influenciando assim milhares de outros guitarristas, como Yngwie Malmsteen e Eddie Van Halen; sempre, é claro, com suas mensagens espirituais e tocando a icônica Sky Guitar com garra e destreza impecáveis. (Ulisses)
Performance Destacada: The Summer (Uli Jon Roth, 2003).

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17. Brian May (Queen) (158 pontos)
Ninguém soa como Brian May e há uma razão para isso. Além de ser dono de um estilo único, é dono de uma guitarra única. A tão conhecida old lady não foi adquirida em loja nenhuma. É resultado de uma fabricação caseira. Extremamente criativo, além de ser tido como um excelente músico, excelente compositor e um ótimo cantor, May é considerado o primeiro guitarrista a gravar uma harmonia com 3 partes, como se fosse uma orquestra. O feito pode ser conferido em “Killer Queen”. (Davi)
Performance destacada: Killer Queen (Queen, 1974)

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18. Neal Schon (Santana, Journey, Bad English) (150 pontos)
A capacidade de Neal Schon nas seis cordas foi revelada ao mundo desde muito cedo. Com apenas 16 anos já era integrante do Santana, com o qual gravou o clássicoSantana III (1971) e Caravanserai (1972), formando com Carlos uma dupla eclética que soltava faíscas. Junto ao Journey, banda que fundou e integra até hoje, seu vocabulário musical seguiu se ampliando, indo do jazz e do rhythm ‘n’ blues ao rock pesado com facilidade e mantendo invejável destreza e fluidez, além de sensibilidade pop sem sacrificar qualidade. Mas isso não foi suficiente, e Neal trabalhou com dezenas de artistas, enriquecendo diversas obras com sua habilidade ímpar. Acima de tudo, Neal é um solista de primeira linha, criativo como poucos e melódico como só ele. Como disse Ted Nugent certa vez, seus solos “quase revertem o eixo da Terra”. (Diogo)
Performance destacada: Stone in Love (Journey, 1981)

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19. Pete Townshend (The Who, solo) (146 pontos)
De todos os guitarristas dessa lista, Townshend provavelmente seja o menos técnico, disparado. Aí é que está: Quem disse que só a técnica define a qualidade e importância de músico? Já nos anos 60, Pete causava alvoroço com suas performances incendiárias no palco, e as palhetadas violentas em sua Stratocaster, criando uma sonoridade crua e agressiva, sem dúvida um dos pilares do punk rock. Com a inacreditável sequênciaTommy (1969), Who’s Next (1971) e Quadrophenia (1973), o narigudo não só aperfeiçoou sua técnica como tornou-se referência em composição, tanto no instrumento quanto como letrista. Alternando os power chords com seu dedilhado característico, Townshend criou uma sonoridade única e facilmente reconhecível.(Bruno)
Performance destacada: “Quadrophenia” (The Who, 1973)

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20. Keith Richards (The Rolling Stones) (136 pontos)
Ele pegou junto com Brian Jones a guitarra de Chuck Berry e criou um som de duas guitarras rítmicas que soava provocante, sexy e marginal. Sua obsessão pelo rythm & blues – o mesmo ao introduzir Berry no Rock and Roll Hall of Fame teria dito  que “copiou todos os riffs” do americano – refletiu em frases de guitarra que estouraram nos quatro cantos do mundo – como se vê em “(I Can’t Get No) Satisfaction”, criada durante uma noite de insônia e cujo ritmo, básica, “na cara’ e com um pesado tom de fuzz com certeza inflamou o coração rebelde de muitos  jovens que ouviram. Com o tempo, “o bandido do rock” adentrou ainda mais de cabeça na música americana – na fase mais pirada e visceral dos Stones, folk, soul e gospel mostraram o domínio que o mesmo tem sobre a música do século vinte, responsável junto com a sua contraparte dos “Glimmer Twins” Mick Jagger por alguns dos maiores sucessos da música popular. O mesmo, em seus relatos, transparece a paixão por músicas rasgadas, que tragam o mundo abaixo, na agressividade ou na tristeza – é frequente a história que certa noite, enquanto ensaiava, certo tom foi encontrado, certa sequência de notas foi introduzida, e a música veio galopando até se materializar. Acostumado a longas parcerias com outros guitarristas – Jones, Mick Taylor, Ron Wood, a sintonia de uma banda já vem quase de maneira hipnótica. Compôr, para muitos, pode ser uma tarefa ingrata, mas o pirata inglês é um Midas das seis cordas – tudo que ele encosta, você quer ouvir na mesma hora. É arrebatador, irresistível. Quando você menos perceber, já saiu da inércia e está dançando feito louco. (Bernardo)
Performance destacada: Can’t You Hear Me Knocking (Rolling Stones, 1971)
*Uli Jon Roth e Brian May empataram com 158 pontos, mas o alemão ficou na frente por ter tido mais citações entre os participantes.

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Sérgio Dias (Mutantes, solo)
André Kaminski
1. David Gilmour
2. Tony Iommi
3. Jimmy Page
4. Neal Schon
5. Ritchie Blackmore
6. Michael Schenker
7. Jimi Hendrix
8. Sergio Dias
9. George Lynch
10. Steve Howe
11. John Sykes
12. Joe Walsh
13. Tommy Bolin
14. Adrian Smith
15. Robin Trower
16. Brendon Small
17. Andreas Kisser
18. Dario Mollo
19. Dave Mustaine
20. Arjen Anthony Lucassen
21. Thomas Youngblood
22. James Hetfield
23. Yngwie Malmsteen
24. Uli Jon Roth
25. Joe Satriani
26. Pete Townshend
27. Alex Lifeson
28. Paul Quinn
29. Scott Ian
30. Randy Rhoads
Muddy+Waters+PNG
Muddy Waters (solo)
Bernardo Brum
1.Tony Iommi
2. Muddy Waters
3. Curtis Mayfield
4. Jerry Cantrell
5. Eddie Hazel
6. Thurston Moore
7. Jimi Hendrix
8. Jards Macalé
9. Blixa Bargeld
10. Ron Asheton
11. Keith Richards
12. Pete Townshend
13. George Harrison
14. Chuck Berry
15. East Bay Ray
16. Prince
17. Warren Ellis
18. Frank Zappa
19. Joni Mitchell
20. Fred Sonic Smith
21. Neil Young
22. J Mascis
23. John Frusciante
24. Jimmy Page
25. PJ Harvey
26. Sérgio Dias
27. Daron Malakian
28. Johnhy Ramone
29. Dimebag Darrell
30. Johnny Thunders
 J Mascis (Dinosaur Jr.)
J Mascis (Dinosaur Jr.)
Bruno Marise
1. J Mascis
2. Tony Iommi
3. Scott Gorham
4. Dimebag Darrell
5. John Frusciante
6. Jimmy Page
7. Jerry Cantrell
8. Pepper Keenan
9. Neil Young
10.Ron Asheton
11. Martin Barre
12. Jimi Hendrix
13. Johnny Ramone
14. Alex Lifeson
15. Josh Homme
16. Tom “Pig” Champion
17. Daron Malakian
18. Billy Gibbons
19. Johnny Winter
20. Pete Towshend
21. Gary Moore
22. Ritchie Blackmore
23. Tom Verlaine
24. Jack White
25. Brian Robertson
26. Randy Rhoads
27. Wilko Johnson
28. Tom Morello
29. Brian May
30. Jorma Kaukonen
ace
Ace Frehley (Kiss, solo)
Davi Pascale

1. Jimi Hendrix
2. Ritchie Blackmore
3. Jimmy Page
4. Brian May
5. Eric Clapton
6. Tony Iommi
7. Ace Frehley
8. Keith Richards
9. Stevie Ray Vaughan
10. Eddie Van Halen
11. Angus Young
12. George Harrison
13. Pete Townshend
14. Steve Vai
15. The Edge
16. Joe Satriani
17. Yngwie Malmsteen
18. Zakky Wylde
19. Gary Moore
20. Mark Knopfler
21. Jake E Lee
22. Richie Kotzen
23. Paul Gilbert
24. Richie Sambora
25. John Norum
26. George Lynch
27. Peter Frampton
28. Marty Friedman
29. Carlos Santana
30. Slash
Diogo Bizotto
GeorgeLynch
George Lynch (Dokken)
 
1. Eddie Van Halen
2. Tony Iommi
3. Neal Schon
4. Ritchie Blackmore
5. George Lynch
6. Randy Rhoads
7. Jake E. Lee
8. Steve Howe
9. Richie Kotzen
10. Robert Fripp
11. Eric Clapton
12. Chuck Schuldiner
13. Gary Moore
14. Jeff Beck
15. John Sykes
16. Michael Schenker
17. Uli Jon Roth
18. Joe Walsh
19. Yngwie Malmsteen
20. Jimi Hendrix
21. Ted Nugent
22. Steve Lukather
23. Paul Gilbert
24. Jimmy Page
25. David Gilmour
26. Brian May
27. Richie Sambora
28. Alex Skolnic
29. Warren DeMartini
30. Prince
Santana 4964 ip11-BIO
Carlos Santana
Eudes Baima

1. Jimmy Page
2. Jimi Hendrix
3. Jeff Beck
4. Robert Fripp
5. John McLaughlin
6. Frank Zappa
7. Eric Clapton
8. Steve Howe
9. Ritchie Blackmore
10. David Gilmour
11. Carlos Santana
12. Keith Richards
13. Scotty Moore
14. George Harrison
15. Muddy Waters
16. B.B. KIng
15. Ry Cooder
16. Tony Iommi
17. Steve Cropper
18. Duane Allman
19. Neil Young
20. Buddy Holly
21. Curtys Mayfield
22. Jack White
23. Link Wray
24. Stephen Stills
25. Johnny Winter
26. Dick Dale
27. Buddy Guy
28. Lany Gordin
29. Andy Summer
30. Robbie Robertson
Fernando Bueno
Smith05
Adrian Smith (Iron Maiden)
 
1. Steve Howe
2. David Gilmour
3. Alex Lifeson
4. Randy Rhoads
5. Eric Clapton
6. Adrian Smith
7. Richie Sambora
8. Robert Fripp
9. Eddie Van Halen
10. Brian May
11. Tony Iommi
12. Jimi Hendrix
13. Jimmi Page
14. Dimebag Darrell
15. Kai Hansen
16. Tommy Bolin
17. Timo Tolki
18. Slash
19. Eduardo Ardanuy
20. Joe Bonamassa
21. Rafael Bittencourt
22. Richie Blackmore
23. Dave Mustaine
24. Andy LaRocque
25. Zakk Wylde
26. Yngwie Malmsteen
27. James Hetfield
28. John Petrucci
29. Joe Satriani
30. Steve Hackett
Mairon Machado
32241625
Rik Emmet (Triumph)
 
1. Steve Howe
2. John McLaughlin
3. Rik Emmett
4. Eddie Van Halen
5. Frank Zappa
6. Ritchie Blackmore
7. Jorma Kaukonen
8. Sérgio Dias
9. Duane Allman
10. John Cippolina
11. Jimmy Page
12. Uli Jon Roth
13. Michael Schenker
14. Alex Lifeson
15. Hideki Ishima
16. Robert Fripp
17. Kunio Suma
18. Jan Akkerman
19. Ace Frehley
20. Tommy Bolin
21. Gary Green
22. Larry Coryel
23. Stevie Ray Vaughan
24. Apostolis Anthimos
25. Gary Moore
26. Ike Turner
27. Sergio Hinds
28. Wes Montgomery
29. Michael Karoli
30. Tony Iommi
Ronaldo Rodrigues
Jan Akkerman (Focus)
Jan Akkerman (Focus)
 
1. Jimi Hendrix
2. Jimmy Page
3. Jan Akkerman
4. Larry Coryell
5. Eric Clapton
6. Steve Howe
7. Johnny Winter
8. Jeff Beck
9. Ritchie Blackmore
10. Rory Gallagher
11. Duane Allman
12. George Benson
13. Frank Zappa
14. Robin Trower
15. John McLaughin
16. Michael Schenker
17. Andy Powell
18. David Gilmour
19. Paul Kossof
20. April Lawton
21. Gary Moore
22. Carlos Santana
23. Freddie King
24. Uli Jon Roth
25. Andy Latimer
26. Terry Kath
27. Frank Marino
28. Billy Gibbons
29. Peter Green
30. Angus Young
John Fogerty (Creedence Clearwater Revival, solo)
John Fogerty (Creedence Clearwater Revival, solo)
Ulisses Macedo

1. Tony Iommi
2. David Gilmour
3. Jimi Hendrix
4. Eric Clapton
5. John Fogerty
6. Mark Knopfler
7. Ritchie Blackmore
8. Jimmy Page
9. Uli Jon Roth
10. Al Di Meola
11. Eddie Van Halen
12. Stevie Ray Vaughan
13. Carlos Santana
14. Angus Young
15. Buck Dharma
16. Alex Lifeson
17. Nokie Edwards
18. Steve Howe
19. Dave Mustaine
20. Randy Rhoads
21. Pete Townshend
22. Tom Morello
23. Brian May
24. Mark ‘The Shark’ Shelton
25. Andrew Latimer
26. Edu Ardanuy
27. Michael Schenker
28. Dimebag Darrell
29. Vivian Campbell
30. Mark Reale
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