sexta-feira, 8 de abril de 2011

Notícias Fictícias que Gostaríamos que Fossem Reais: Asia faz valer ingresso em mais de cinco horas de apresentação


 
Por Mairon Machado (Publicado originalmente no blog Consultoria do Rock)


Notícias Fictícias que Gostaríamos que Fossem Reais é uma sessão da Consultoria do Rock onde apresentamos notícias fictícias, mas que poderiam se tornar reais em algum momento de nossas estadas aqui na Terra. A intenção não é gerar polêmicas ou controvérsias sobre determinados fatos, mas apenas incitar a discussão sobre o que ocorreria se o mesmo fato chegasse a acontecer.

O grupo Asia voltou à ativa em 2011 para uma série de shows em comemoração aos 30 anos de carreira do grupo. Na atual turnê, intitulada "Official Reunion", que passará pelo mês de maio aqui no Brasil, exatamente no dia 22 no HSBC Brasil, em São Paulo, estão os membros que fundaram o grupo no longíquo ano de 1981: Steve Howe (guitarras), Geoff Downes (teclados), John Wetton (baixo, vocais) e Carl Palmer (bateria).

O grupo esteve fazendo shows pelos Estados Unidos, mas, na última terça-feira, um show surpresa foi anunciado para o pomposo Royal Albert Hall de Londres a ser realizado em 7 de abril, um dia antes de Steve Howe completar 64 anos de vida, como uma forma de homenagear esse que é um dos principais músicos da Inglaterra.

Fãs diante do Royal Albert Hall na manhã do show


Diversos fãs, eu entre eles, formaram uma gigantesca fila em frente ao teatro, inclusive com ônibus de excursão trazendo pessoas apenas para conseguir os poucos ingressos disponibilizados. Logo na compra, os fãs se depararam com duas surpresas: o show, marcado para as 20 horas, contaria com convidados especiais. A segunda: a data no ingresso mostrava o dia 8 de abril e não 7. Os próximos dias foram de expectativa para este que vos escreve e para os que conseguiram pegar um ingresso. A ensolarada manhã de ontem (7 de abril) já dava sinais de que o dia seria repleto de bons momentos.

Howe, o homenageado da noite


Depois de uma tarde sensacional e com temperatura amena (algo raro em Londres nessa época do ano), fui para o teatro, que já estava decorado. Às 18 horas, as portas se abriram, e não demorou muito para que todos os lugares fossem ocupados. Faltando cinco minutos para as 20 horas, "Presto", terceiro movimento de "L'Estate", uma das quatro peças que compõem a suíte "As Quatro Estações", de Vivaldi, começou a ser ouvida no teatro, enquanto uma gigantesca cortina com o logotipo do grupo descia em frente às belas cortinas vermelhas que fechavam o palco.

Carl Palmer durante seu solo


Quando a cortina com o logotipo caiu, encerrou-se "Presto" e uma gigantesca ovação foi ouvida. As cortinas vermelhas se abriram e mostraram Downes à direita do palco, Wetton ao centro, Howe na esquerda e Palmer ao fundo, com um kit não tão grandioso quanto o de antigamente. Para delírio geral, Downes puxou o riff de "Karn Evil 9 - First Impression", e assim, nada mais nada menos que Greg Lake subiu ao palco, gordíssimo, sem nenhum instrumento, apenas com sua voz para cantar a pérola do álbum Brain Salad Surgery, lançado em 1973 pelo grupo Emerson, Lake & Palmer. 

Greg Lake e seu solo de harmônica

Downes fez mágica para conseguir recriar os solos de Emerson, tendo a ajuda de Howe, que fez diversas partes da canção na sua guitarra. As três "impressões" de "Karn Evil 9" foram tocadas na íntegra, inclusive com o solo de Palmer (o primeiro de dois que ele fez na noite) sendo feito durante a metade da primeira impressão.

Ingresso
O público não acreditava. Lake e Wetton se abraçaram sorridentes, e após o "Boa noite Londres, estamos aqui hoje para dar uma festa especial para Howe, e principalmente para vocês!", Lake pegou uma gaita de boca e fez um curto solo, seguido por mais uma grande surpresa, a sensacional "Pictures of a City", lançada pelo King Crimson no segundo álbum da banda, In the Wake of Poseidon (1970). Confesso que quase infartei. Meu coração parecia sair da boca, e o Royal Albert Hall vibrava com as perfeitas notas de Howe e Downes recriando os grandes e geniais momentos de outro clássico do rock progressivo, com um show à parte de Palmer.

Depois de quase cinquenta minutos só com essas duas canções, Lake, que substituiu Wetton no próprio Asia durante a turnê de 1983, e que pode ser conferido no sensacional VHS Asia in Asia, deu espaço para o quarteto original começar a desfilar seus clássicos, e assim, Wetton agradeceu ao público e iniciou "Wildest Dreams", do primeiro álbum do grupo, lançado em 1982. Seguiram-se ainda "Eye to Eye", "Don't Cry" e "Midnight Sun", com o teatro em pé cantando todos esses clássicos pertecentes aos dois primeiros álbuns do grupo. Às 21:25, o grupo deu um breve tchau, anunciando uma pausa de 15 minutos. 

Wetton e Downes interpretando "Don't Cry"


A cortina vermelha novamente fechou o palco. Todos ainda estavam se recuperando da primeira parte do show quando "Excerpts from Firebird Suite" foi ouvida nas caixas de som. O silêncio tomou conta do lugar, junto com a expectativa do que mais o Asia poderia aprontar. Quando as cortinas se abriram, dois conjuntos de bateria estavam montados, sendo um repleto de peças eletrônicas.

Bill Bruford, sorridente após a apresentação


Era 21:45 quando Howe, Downes, Wetton e Palmer subiram ao palco acompanhados de Bill Bruford. "Close to the Edge" foi tocada na íntegra, com perfeição, nos mínimos detalhes, a lamentar somente a ausência da voz cristalina de Jon Anderson. Mas Wetton cumpriu bem seu papel, e logo após "Close to the Edge", com meu rosto coberto de lágrimas, na sequência, sem intervalos, Bruford comandou o início de "Larks' Tongues in Aspic Part I", fazendo o papel que Jamie Muir fazia nos aúreos tempos de King Crimson.

Mais uma grande surpresa, e o teatro dessa vez estava de boca aberta com o que via. As passagens de violino feitas originalmente por David Cross eram executadas pelos teclados de Downes, e Howe, sentado em seu banco, imitava Robert Fripp com perfeição. O grupo emendou "Larks' Tongues in Aspic Part II", e, em delírio, o público nem ouviu o começo de "In the Dead of Night", clássico do primeiro álbum do UK, com um show à parte de Bruford. 

Em êxtase, a plateia vibrou com mais uma hora de apresentação, mas ainda tinha mais. Wetton, Bruford e Palmer fizeram um riff que colocou o teatro abaixo, começando "Ritual", a quarta parte de Tales from Topographic Oceans (1973), o mais ousado projeto do Yes. Em mais de meia hora interpretaram essa maravilha com tudo que se tem direito e muito mais, inclusive com um sensacional duelo entre Palmer e Bruford, alternando momentos jazzísticos, rufadas, acompanhamentos funk e todos os efeitos de luz e fumaça que o Yes apresentava nos shows da turnê desse disco, em 1973.

Patrick Moraz, outro convidado feliz


Ali eu acho que morri. Não podia estar vendo aquilo. Era uma paulada atrás da outra, e o Asia finalmente justificando o nome de seus integrantes, fazendo jus com interpretações perfeitas para o que se tem de melhor no rock progressivo, além de estar vendo um duelo entre os dois maiores bateristas de rock progressivo que já pisaram na Terra. Mais uma pausa e a cortina se fechou com Bruford sendo ovacionado e eu banhado em lágrimas.

Às 23:12, Bruford voltou, como um mestre de cerimônias. Depois de contar uma rápida história de como conheceu Howe, chamou ao palco mais um convidado: Patrick Moraz. O tecladista que passou pelo Yes entre 74 e 76, também com alguns quilos a mais, sentou-se no banquinho de Downes, onde puxou os acordes de "Blue Brains", tocando com Bruford essa rara canção registrada no primeiro álbum do projeto Moraz - Bruford, intitulado Music for Piano & Drums (1983), que pareceu não ser conhecida pelo público. 

Momento acústico de Steve Howe


Moraz continuou no piano, comandando os acordes de "Beginnings" ao lado de Howe, interpretando essa belíssima faixa do primeiro álbum solo de Steve Howe. Também relembraram "To Be Over", do único álbum que Moraz gravou com o Yes, Relayer (1974). Howe permanceu sozinho no palco para seu show solo ao violão, onde arrancou lágrimas de todos com "Mood for a Day" (do álbum Fragile - 1971), "The Clap" (de Yes Album - 1971), "Masquerade" (de Union - 1991), "Ram"  (de Beginnings, 1975) e "Surface Tension" (de The Steve Howe Album - 1979), antes de encerrar sua apresentação com partes de "The Ancient" (do álbum Tales from Topographic Oceans).

Asia durante a terceira parte do show


Meia-noite e John Wetton convidou a todos para cantar parabéns em homenagem a um emocionado Howe. Ninguém queria ir embora, então Downes comandou "Video Killed the Radio Star", clássico da carreira de sua ex-banda, o The Buggles, repleto de sintetizadores e efeitos computadorizados, e reviveu a turnê de Drama (1980), interpretando "White Car" com toda a parafernália eletrônica utilizada em 1980. O Asia retornou com mais clássicos de sua carreira, começando com "The Heat Goes On", onde Palmer fez seu segundo solo, "Cutting It Fine", "Time Again" e "Only Time Will Tell", encerrando o show com "My Own Time (I'll do What I Want)", com a plateia dançando e cantando cada canção do início ao fim.

Steve Howe puxando o riff de "Roundabout"


Era quase uma da manhã e ninguém queria sair do teatro, aplaudindo e vibrando por mais uma canção. Então Howe entrou com um mandolim, puxando e comandando sozinho o riff de "Roundabout", com Lake e Wetton dividindo os vocais de mais um clássico do Yes, além de Bruford novamente estar na bateria eletrônica. O clima de festa, alegria e emoção brotava das paredes  do lugar. Moraz se juntou ao grupo para fazer a última surpresa, "Red", outra do King Crimson, que fechou ilustremente mais de cinco horas de uma apresentação sensacional, fazendo valer cada centavo do ingresso.


Cansado mas feliz, o quarteto agradeceu ao público e aos convidados, que entregaram flores para Howe, além de um vinil de ouro com a forma de seu rosto. Em delírio, acabei indo a pé para casa, vagando pelas ruas de Londres e pensando: "será que isso é apenas ilusão da minha cabeça?", já que tinha acabado de ver um dos mais incríveis shows já feitos pelo Asia, que dificilmente se repetirá da maneira como foi.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Maravilhas do Mundo Prog: Curved Air - Vivaldi [1970]




A influência da música clássica no rock progressivo é um dos principais fatores quando os especialistas resolvem definir o estilo. Tanto os arranjos quanto a complexidade e melodias advindas dos grandes clássicos dos séculos XV, XVI,  XVII e XVIII servem para ilustrar como os músicos de diversos grupos do rock progressivo (alguns até com formação erudita) traçavam e construíam suas canções, arranjos e as famosas suítes progressivas.

Um grupo que se utilizou bastante da influência clássica foi o britânico Curved Air. Fundado em 1970, após a dissolução do grupo Sisyphus, ele tem suas origens dois anos antes, quando o baterista Florian Pilkington-Miksa e o baixista Rob Martin foram apresentados ao virtuoso guitarrista Francis Monkman. Monkman estudava na Royal Academy of Music, e, além de ser um perito na guitarra, conhecia bastante de eletrônica, o que auxiliaria o Curved Air a se tornar um dos principais nomes no uso de efeitos em suas canções. Monkman também tocava com extrema perfeição piano, órgão, violão clássico, mellotron e acordeão, além de ser um dos poucos a saber domar o sintetizador VCS.

Florian Pilkington-Miksa, Ian Eyre, Sonja Kristina, Darryl Way e Francis Monkman (1971)
Monkman formou com a dupla o grupo Sisyphus, e o trio passou a fazer pequenos shows, tocando covers de grupos como Cream, Yardbirds e Rolling Stones. Em uma loja de discos de Londres, Monkman conheceu Darryl Way. Way era um promissor violinista, que estava se formando na Royal College of Music. A paixão pela música clássica e pela psicodelia levou os dois a passarem dias ouvindo canções e suítes longas, culminando com a entrada de Darryl para o Sisyphus.

Darryl ainda levou com ele o amigo  pianista Nick Simon, e assim, o Sisyphus passou a contar com Florian, Rob, Nick, Darryl e Monkman. Simon não durou muito tempo no grupo, com Monkman acabando por assumir também os teclados. Porém, a saída de Simon alterou o nome da banda. Como estavam insatisfeitos com o que estavam usando, uma pesquisa foi feita. Então, Monkman sugeriu Curved Air, inspirado pela composição "A Rainbow in Curved Air", de Terry Riley.

Surgia assim, no início de 1970, um dos principais grupos do rock britânico, que apesar de não ter feito tanto sucesso quanto seus co-irmãos Yes, Pink Floyd, King Crimson e Genesis, batalhou palmo a palmo com o Van der Graaf Generator e o Gentle Giant por seu espaço entre as mais inovadoras bandas do estilo.

Sonja Kristina (1970)

Ainda em 1970, a linda vocalista Sonja Kristina estava apresentando a peça "Hair" em Londres. Nascida em 14 de abril de 1949 na cidade de Brentwood, Inglaterra, a primeira aparição de Sonja nos palcos foi no Swan Folk Club, em Romford, quando ela tinha apenas 13 anos. Sua beleza incomparável acabou chamando a atenção de diversos empresários quando ela atingiu 17 anos, após uma série de apresentações em festivais de música Folk, com destaque para sua primeira apresentação profissional no Folk Festival, em Southgate.

Sonja virou uma espécie de Xuxa, comandando o programa para crianças "Song and Story", enquanto continuava tocando suas canções folk em clubes como o Troubador, ao mesmo tempo que ingressava na New College of Speech and Drama para aprender composição e também interpretação. 

Uma das primeiras apresentações do Curved Air
Em 68, Sonja recebeu o papel de Crissy para o musical "Hair", onde ela aparecia interpretando a canção "Frank Mills", que virou um single de relativo sucesso. Hair estava sendo produzido por Galt McDermott, o qual produzia uma segunda peça, "Who the Murderer Was". As apresentações da cantora nessas peças chamaram a atenção de muitos empresários tanto pela beleza quanto pela voz singular de Sonja, entre eles, Mark Hanau, um empresário que já mostrava suas asas para o Curved Air.

Mark sugeriu uma audição com Sonja, que não precisou mais de cinco minutos para entrar no grupo. Formava-se assim a primeira formação, com Sonja Kristina (vocais), Darryl Way (violino, voz), Francis Monkman (guitarra, órgão, piano, mellotron, efeitos, VCS sintetizador), Robert Martin (baixo) e Florian Pilkington-Miksa (bateria).

Não demorou para o grupo ser contratado, e isso foi feito através da Warner Brothers, tornando-os um dos primeiros grupos do gênero a assinar com a gravadora. No mesmo ano, em julho, lançaram o primeiro álbum, Air Conditioning, trazendo uma sonoridade moderna para o rock progressivo (que já era moderno na época), com canções trabalhadas em cima de muitos efeitos e também do talento individual de Darryl, Monkman e Sonja, como podemos conferir em "It Happened Today", "Situations", "Propositions" e a nossa maravilha, "Vivaldi".

Darryl Way

Construída pela cabeça de Darryl, "Vivaldi" é uma homenagem ao famoso compositor veneziano, apresentando riffs e melodias que relembram canções clássicas compostas por Vivaldi, com ênfase na suíte "Le Quattro Staglione" (As Quatro Estações), composta em 1723.

A canção abre com as notas do violino de Darryl nos remetendo a trechos das "Quatro Estações". O baixo faz uma marcação para Francis executar um curto tema na guitarra. A entrada da bateria, rufando velozmente, apresenta o bonito tema central do violino, acompanhado pelos acordes de guitarra e do estardalhaço sonoro que Miksa está fazendo, destruindo pratos, caixa e bumbo com batidas velozes e furiosas, até Darryl ficar sozinho.

Aqui, uma imensa viagem instrumental começa, com Darryl esbanjando talento em uma complicada sessão onde, sozinho, ele começa a tocar lentamente uma linda melodia, e encantando aos ouvintes, essa melodia cresce em velocidade, chegando no momento de tensão, onde os acordes do violino estão quase que em uma nova dimensão com os sensacionais arpejos e vibratos que estão sendo executados com perfeição por Way.

Francis Monkman pilotando sua parafernália eletrônica

Batidas do arco nas costas do violino, nas cordas e também na mão do instrumento, geram um ritmo marcial, que aumenta a velocidade até um nível ensurdecedor, tamanho o barulho gerado pela fricção do arco nas cordas do instrumento, que está carregado de efeitos. Repentinamente, a canção para.

Voltamos então para o tema inicial da guitarra, levando ao final dessa maravilha com a repetição do tema central do violino, acompanhado agora por viradas de Miksa e com o mesmo ritmo feito por guitarra e baixo, encerrando com acordes marcados de violino e guitarra.

"Vivaldi" teve ainda duas sequências: uma no próprio Air Conditioning, intitulada "Vivaldi with Cannons", onde o tema central do violino é acompanhado por tiros de canhões, eletrônicos e muitos efeitos, em uma rápida vinheta de pouco mais de um minuto que encerra o lado B. Já "Extra-Vivaldi", lançada em Phantasmagoria (1972), apresenta o tema principal do violino feito apenas por um sintetizador, que vai aumentando o volume até o infinito, como vários outros grupos progressivos gostavam de fazer na época.

DVD com apresentações raras, incluindo "Vivaldi"

Apesar de não contar com os vocais de Sonja Kristina na versão de estúdio, ela participava da canção quando a mesma era interpretada, já que uma nova parte era acrescentada a fim de que Sonja fizesse vocalizações e mostrasse que mesmo uma mulher linda como ela pode cantar com uma voz assustadoramente gutural. Além disso, as versões ao vivo poderiam se estender tanto quanto fosse a capacidade de criação de Way e Francis, chegando fácil a mais de 20 minutos.

No álbum Curved Air Live (1975) temos uma pequena amostra do que o grupo fazia, com a canção atingindo quase dez minutos (na original são sete). Porém, é na apresentação no famoso programa Beat Club que podemos constatar toda a insanidade criada por Darryl e Francis, com o primeiro fazendo estripulias no violino enquanto Francis delira com eletrônicos, tendo na imagem da TV peixes e outros atributos psicodélicos, em uma longa improvisação de quase 15 minutos, que ainda conta com a beleza de Sonja fazendo os vocais, trajada em uma elegante e sensual roupa preta.

Curved Air em 1976: Tony Reeves, Mick Jaques, Sonja Cristina, Stewart Copeland e Darryl Way

A carreira do Curved Air seguiu por caminhos de muitas experimentações e de não tanto sucesso. Second Album (1971) e Phantasmagoria (1972) estão no mesmo nível que o álbum de estreia, sendo que Phantasmagoria inclui pelo menos outras duas maravilhas: "Marie Antoinette" e a épica suíte "Phantasmagoria", que ocupa todo o lado B. O grupo fechou as portas em 1976 após diversas mudanças de formação, com cada integrante seguindo carreira solo, destacando a participação de Monkman no grupo Sky e de Darryl no grupo Wolf.

Depois de muitos anos, voltaram na década de 90 para alguns shows, e agora, nos anos 2000, uma nova união ocorreu, com a perspectiva de que possam realizar um novo trabalho, apresentando nos shows canções maravilhosas como "Vivaldi".

Os Quarks



Por Mairon Machado (Publicado originalmente no blog Crônicas da Ciência)

Um dos principais estudos da física de partículas é conhecermos como a matéria é composta. Sendo assim, colisores como o LHC são fundamentais para conseguirmos enxergar a matéria em níveis de profundidade da ordem de 0.000000000000001 metros, ou seja, 1 FEMTÔMETRO. Nessa região que se encontram os constituintes fundamentais da matéria, os quarks.

Para compreendermos em termos de dimensão o que estamos estudando, consideramos a figura que ilustra nosso post: Nela, temos uma apetitosa maçã de aproximadamente 10 CENTÍMETROS de diâmetro. Ao seu lado, uma ervilha de pouco mais de 1 CENTÍMETRO (0.01 metros) está aguardando um corte cirúrgico, do tamanho de um fio de cabelo. Esse corte esta na ordem de 1 MILÍMETRO (0.001 metro).


Com um microscópio, podemos enxergar a célula, e consequentemente, as mitocôndrias. Estamos na ordem de 1 MICROMETRO, ou 0,000001 metros. Dentro das mitocôndrias, é possível observar a existência de átomos, e os átomos sendo constituídos por nucleons, que são basicamente os prótons e os nêutrons. Estamos na região do ÂNGSTRON (0.0000000001 metros), ou seja, passamos a região que está na moda atualmente, a região do NANO  (0,000000001 metros). Deixando de lado a parte referente ao DNA, concentramo-nos apenas nos prótons e nêutrons.

Durante muito tempo, pensou-se que estes eram os verdadeiros constituintes da matéria. Mas, com o avanço tecnológico nos anos 60, assim como o desenvolvimento da Teoria da Cromodinâmica Quântica, pesquisadores acabaram descobrindo que a matéria ainda estava longe de ser completamente descoberta, já que não somente os nucleons existiam, mas que eles pertenciam a uma classe de partículas chamadas de bárions. Seus primos foram descobertos ainda na década de 30, através de diversos experimentos, como o do professor brasileiro César Lattes, que foi um dos pioneiros na descoberta dessa nova classe de partículas, chamada de mésons.

Mésons e bárions constituem o grupo chamado de hádrons. Mas, como ocorre a distinção entre mésons e bárions? Basicamente, os tais estudos da Cromodinâmica Quântica verificaram que os bárions eram partículas constituídas por 3 outras pequenas partículas, pertencentes a classe dos férmions (onde encontra-se por exemplo o elétron), e que foi batizada de quark, sendo os mésons constituídos de dois quarks.

Na figura abaixo, podemos ver como os prótons de um átomo de  nitrogênio são constituídos pelos quarks, os quais são ilustrados através dos pontos vermelho, verde e azul. Essa denominação vermelho, azul e verde, é uma propriedade física de cada quark, que não tem relação alguma com a cor que conhecemos no dia-a-dia (por exemplo, a cor da camisa do seu time de futebol favorito), e que complementa características importantes tanto do ponto de vista do hádron como do ponto de vista do próprio estudo dos quarks.


Átomo de nitrogênio e seus prótons constituídos por quarks

Quarks por si só não podem ser vistos livres na natureza, já que eles interagem entre si através da chamada Força Forte, uma força de interação tão grande que os mantém presos dentro do baŕion/méson que se encontra graças a uma partícula de ligação (um bóson) chamada glúon, que será uma partícula a ser estudada posteriormente em nosso blog.

Além disso, a dimensão de um quark é exatamente da ordem de 1 FEMTÔMETRO. Mas, trabalhando com colisões em grandes energias, como LHC faz, é possível quebrar os prótons, e assim, enxergar através de rastros ou pelo estudo da energia deixada em calorímetros, quarks e demais partículas produzidas nessas colisões. Um exemplo de rastro bem conhecido dentro da física de partículas é a figura seguinte, gerada em uma colisão de núcleos e reconstruída pelo experimento STAR, pertencente ao colisor RHIC, nos Estados Unidos.


Então, os quarks passaram a revelar que sim, prótons e nêutrons (além de outros bárions e mésons) eram constituídos de partículas ainda menores. Existem seis quarks na natureza, os quais são os seguintes, e com as seguintes propriedades (considerando c = 1):


Quark UP

Descoberto : 1968
Massa : 0.3 MeV
Carga elétrica : + 2/3
Experimento que descobriu - SLAC (Estados Unidos)







Quark DOWN


Descoberto : 1968
Massa : 0.4 MeV
Carga elétrica : - 1/3
Experimento que descobriu : SLAC (Estados Unidos)










Quark STRANGE

Descoberto : 1971
Massa: 100 MeV
Carga elétrica: - 1/3
Experimento que descobriu: SLAC (Estados Unidos)





 


 Quark CHARM

Descoberto: 1974
Massa : 1.5 GeV
Carga elétrica : 2/3
Experimento que descobriu: SLAC (Estados Unidos) e BNL (Estados Unidos)

 




Quark BOTTOM

Descoberto: 1977
Massa: 4.5 GeV
Carga elétrica: -1/3
Experimento que descobriu : Fermi National Accelerator Laboratory

 






Quark TOP

Descoberto : 1995
Massa : 175 GeV
Carga elétrica : 2/3
Experimento que descobriu: CDF e D0 (Estados Unidos)


Apenas os dois primeiros (UP e DOWN) são constituintes da matéria em baixas energias, sendo chamados de quarks de valência. Os demais, são produzidos em altíssimas energias,  sendo chamados quarks de mar, e fundamentais para entendermos como outras partículas são formadas na natureza. Espera-se por exemplo, que o estudo do decaimento de um quark BOTTOM com grande energia possa ser uma fonte para revelar a existência do bóson de Higgs.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Podcast Grandes Nomes do Rock #13: Ozzy Osbourne


Por Mairon Machado (Publicado originalmente no blog Consultoria do Rock)



O Podcast Grandes Nomes do Rock dessa semana continua homenageando os artistas internacionais que estão em turnê pelo país. Depois do sucesso da passagem do Iron Maiden, agora apresentamos Ozzy Osbourne, incluindo canções do vocalista ainda no Black Sabbath, em sua carreira solo, covers para clássicos do rock e também integrantes de sua banda participando de grupos ou álbuns de outros artistas.



John Michael Osbourne nasceu no dia 3 de dezembro de 1948, em Birmingham, Inglaterra, em uma família de classe média, que possuía ainda mais cinco irmãos, todos filhos do casal Jack e Lilian. Ozzy tinha dislexia, sofrendo abusos de colegas e professores durante o ensino fundamental no Prince Albert Road Junior School, o que o levou a abandonar os estudos com 15 anos, indo trabalhar em diversos ramos, como afinador de buzinas de carro, um matadouro e também em navios cargueiros.

Formação clássica do Black Sabbath: Bill Ward, Ozzy Osbourne, 
Geezer Butler e Tony Iommi (1973)

Em 1967, Ozzy conheceu Terry "Geezer" Butler, e assim, uma forte amizade entre os dois nasceu, levando-os a criar o grupo Rare Breed, que não fez sucesso. Depois de alguns meses, Ozzy e Geezer juntaram-se a Tony Iommi e Bill Ward, formando então o grupo Earth, que posteriormente tornaria-se um dos mais importantes grupos e pioneiro do heavy metal mundial, o Black Sabbath.


O primeiro álbum com o grupo, Black Sabbath, foi lançado no dia 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira, e assombrou o mundo com uma sonoridade pesada, sombria e densa, arrancando arrepios com a mesca de blues e peso de canções como "Evil Woman" e "The Wizard", além de outras pérolas como a faixa-título, "N.I.B" e "Sleeping Village", que serviram para que os conservadores acusassem o jovem grupo de Birmingham de satanismo, ainda mais com as estranhas e inéditas distorções de Iommi.

Discos do Black Sabbath com Ozzy

Ao lado do Black Sabbath, Ozzy lançou ainda mais sete LPs (Paranoid - 1970; Master of Reality - 1971; Vol. 4 - 1972; Sabbath Bloody Sabbath - 1973; Sabotage - 1975; Technical Ecstasy - 1976 e Never Say Die - 1978), que tornaram o nome Black Sabbath uma referência em se tratando de heavy metal e riffs pesados; e saiu do grupo em 1979 devido a problemas musicais com Iommi, que levava o Black Sabbath cada vez mais para o lado das improvisações jazzísticas.



Primeira formação da Blizzard of Ozz: Ozzy, Lee Kerslake, Bob Daisley e Randy Rhoads

Após sua saída do Black Sabbath, Ozzy ficou três meses em tratamento a fim de curar seu vício com as drogas. Depois disso começou a montar seu projeto solo, batizado de Blizzard of Ozz, tendo como empresária e incentivadora sua futura esposa, Sharon Arden. A primeira formação do Blizzard of Ozz contava com Don Airey (teclados), Bob Daisley (baixo), Lee Kerslake (bateria) e Randy Rhoads (guitarra), esse último, um jovem e virtuoso guitarrista, que na época estava fazendo suas peripécias no grupo Quiet Riot. Randy foi contratado principalmente porque, no teste para entrar no grupo, foi o único a não afinar a guitarra conforme Iommi fazia.


Em 20 de setembro de 1980 saiu o primeiro LP da carreira solo de Osbourne, Blizzard of Ozz, um dos poucos álbuns do metal dos anos 80 a permanecer entre os 100 mais vendidos da década, apresentando clássicos como "Goodbye to Romance", "Crazy Train" e a sensacional "Mr. Crowley", com um riff imortal criado pelos teclados de Airey e um dos solos mais bonitos feitos por Rhoads.

Segunda formação da Blizzard of Ozz: Randy Rhoads, Ozzy, Rudy Sarzo e Tommy Aldridge

A turnê foi um grande sucesso, contando com Rudy Sarzo no baixo e Tommy Aldridge na bateria. Em 7 de novembro de 1981, saiu o segundo LP. Diary of a Madman trazia ainda mais clássicos para a carreira do Madman, como "Flying High Again", "Tonight", "S.A.T.O." e a sensacional faixa-título. Mais uma turnê fazia o nome de Ozzy e Rhoads crescer cada vez mais entre os aficcionados do metal, sendo que no dia 20 de janeiro de 82, ocorreu a famosa "dentada no morcego", onde Ozzy arrancou a cabeça de um morcego vivo que foi jogado ao palco durante uma apresentação no Veterans Memorial Auditorium, em Des Moines (EUA).


Sátira do programa "Os Simpsons", com Ozzy arrancando a "cabeça" de um Grammy

No dia 19 de março de 1982, um desastre acabaria mudando a vida e a carreira de Ozzy. O grupo havia feito um show no Knoxville Civic Coliseum na noite anterior, e assim, entraram noite adentro viajando para a próxima data, que seria em Orlando. Após dirigir a noite inteira, pararam para descansar em Leesburg, em uma fazenda pertencente a Jerry Calhoun.


Randy Rhoads


Ozzy dormia no ônibus do grupo quando o motorista Andrew Avcock, resolveu dar uma aula de exibicionismo em um avião da fazenda, convidando os demais membros da banda para participar. Rhoads foi um dos que aceitaram (o outro, a cabeleireira Rachel Youngblood) e foram "passear" com Avcock, após ele já ter feito um voo com Don Airey. Porém, Avcock decidiu assustar Ozzy e passou a fazer voos rasantes, próximos ao ônibus. Na terceira investida, a asa esquerda do avião bateu no lado do ônibus e chocou-se contra uma árvore, pegando fogo na mesma hora e levando para o lado de Jim Morrison, Jimi Hendrix e Janis Joplin mais um jovem talento. Rhoads estava morto, assim como os outros dois tripulantes. Uma autópsia posterior descobriu cocaína na urina de Avcock.

O vocalista entrou em profunda depressão, e acabou cumprindo o resto da turnê apenas por obrigação, tendo Bernie Tormé como substituto de Rhoads.  Sharon foi outra grande influência para que ele não desistisse de seguir em frente, e assim, em uma audição para procurar um novo guitarrista, Brad Gillis foi o escolhido. Com ele, Ozzy fez uma série de shows e lançou o ao vivo Speak of the Devil, apresentando apenas canções da era Black Sabbath.

Mr. Madman no US Festival (Jake E. Lee à direita)


Em 1983, um novo guitarrista entrou para a banda de Mr. Madman. Mais um jovem talento foi revelado ao mundo, Jake E. Lee. Um dos primeiros shows de Jake foi no U.S. Festival daquele ano, em uma apresentação sensacional diante de mais de 100 mil fãs.  Em 10 de dezembro do mesmo ano saiu Bark at the Moon, contando com Jake, Daisley, Airey e o baterista Tommy Aldridge, onde estão registrados clássicos como "Bark at the Moon", "So Tired" e "Rock 'n' Roll Rebel". Mais um álbum de estrondoso sucesso, vendendo 3 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.

Uma turnê mundial foi realizada, sendo que a primeira perna da turnê, ao lado do Mötley Crüe, é conhecida como a "mais louca, drogada e completamente bêbada turnê da história do rock", com Ozzy e o baixista do Crüe Nikki Sixx competindo para ver quem se chapava mais.

Live Aid (1985)


O vocalista participou da primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Em 13 de julho do mesmo ano, a formação original do Black Sabbath reuniu-se pela primeira vez para uma única apresentação de pouco mais de 20 minutos no Live Aid, emocionando aos presentes no JFK Stadium, na Philadelphia.

Jake E. Lee
Ainda em 85, Ozzy foi acusado pelo suícidio do jovem John McCollum, que cometeu o ato ouvindo a canção "Suicide Solution". A família do garoto acusou a letra da canção de incitar o filho a cometer tal ato, e os advogados da família exigiram que o vocalista fosse condenado, mas as cortes alegaram não haver relações entre os fatos. Anos depois, em 91, os pais de Michael Waller acusaram o vocalista de outro suícido, pedindo 9 milhões de dólares. Novamente, as cortes inocentaram Ozzy.

Mr. Madman voltou para os estúdios no outono de 1985, agora com Phil Soussan no baixo e Randy Castillo na bateria. Em 22 de fevereiro de 1986, The Ultimate Sin chegou às lojas, apresentando pérolas como "Killer of Giants", "Shot in the Dark" e "Never".

Outra turnê e os problemas com as drogas e o álcool passaram a se tornarem frequentes na vida de Ozzy, culminando com a saída de Jake em 1987, mesmo ano em que foi lançado o ao vivo Tribute, trazendo apresentações de Ozzy com Randy Rhoads na guitarra durante a turnê de 1981, além de tomadas inéditas de estúdio para a instrumental "Dee".

Zakk Wylde foi o novo virtuoso a ser lançado por Ozzy, estreando no álbum No Rest for the Wicked, lançado em 22 de outubro de 1988, que trazia novamente Bob Daisley no baixo, além de Castillo, firme atrás dos bumbos, e  John Sinclair, o novo tecladista. Com esse álbum, Ozzy registrou pelo menos mais dois clássicos: "Fire in the Sky" e "Miracle Man".

A turnê de No Rest for the Wicked contou com uma novidade, o baixista Geezer Butler, que participou ao lado de Ozzy do Moscow Music Peace Festival, em 1989, além de ser o baixista presente no EP ao vivo Just Say Ozzy, lançado no mesmo ano. Na época, Ozzy começou a fazer um longo tratamento de desintoxiação, ao mesmo tempo que gravava o novo álbum.

Zakk Wylde
Em 17 de setembro de 1991, No More Tears abriu uma nova porta para a carreira de Ozzy, conquistando a geração MTV com canções como "Mama, I'm Coming Home", "Hellraiser" e "No More Tears". A formação do grupo foi a mesma que gravou No Rest for the Wicked, apesar do baixo ter sido creditado a Mike Inez, que realizou os shows posteriores. Da turnê de No More Tears, em 28 de junho de 1993 foi lançado  o ao vivo Live and Loud. O LP cresceu nas paradas, e em 2000, recebeu a certificação de platina quádrupla (mais de 4 milhões de discos vendidos).

Ozzy anunciou sua despedida dos palcos, em uma excursão que foi batizada de "No More Tours". Mas a vontade de cantar foi maior. Assim, em 24 de outubro de 1995, Ozzmosis botava lenha na fogueira de sucessos de Mr. Madman, contando com talvez a mais ténica de todas as formações que estiveram ao seu lado, com Zakk Wylde, Geezer Butler, Deen Castronovo (bateria) e Rick Wakeman (teclados).

A turnê, batizada de "Retirement Sucks Tour", acabou não sendo tão bem sucedida quanto as demais, mas Ozzmosis foi tão bem quanto No More Tears nas paradas, chegando ao quarto lugar e recebendo platina dupla no ano de 1999, apresentando preciosidades como "Perry Mason" e a balada "See You on the Other Side".

Reunião do Black Sabbath em 97


Em 1996, Wylde, Butler e Castronovo deram lugar a Joe Holmes, Mike Inez e Randy Castillo respectivamente. Nos dias 25 e 26 de outubro daquele ano, Ozzy realizou a primeira edição de seu festival itinerante, o Ozzfest. Na edição seguinte, o destaque foi uma apresentação especial com o Black Sabbath, contando com Iommi, Ozzy, Butler e Mike Bordin (bateria). Em dezembro de 97, Ward juntou-se ao trio original do Black Sabbath para dois shows, que foram registrados no álbum Reunion, lançado em 20 de outubro de 1998.

Outros Ozzfests foram realizados a cada ano, expandindo para países como Inglaterra, Alemanha e Israel, rendendo fama e dinheiro para Ozzy. Algumas reuniões especiais do Black Sabbath ocorreram, como a de 2004, mas o sonho de um retorno do grupo aos estúdios acabou sendo barrado por diversos problemas, então Ozzy manteve sua carreira solo. 

Ozzy e Wylde (2001)


Após seis anos sem lançar um disco de estúdio, em 16 de outubro de 2001 saiu Down to Earth, trazendo Zakk, Robert Trujillo (baixo) e Mike Bordin (bateria). Outro álbum muito bem sucedido comercialmente, destacou a balada "Dreamer". O grupo excursionou pelo mundo, registrando uma apresentação no Japão no ao vivo Live at Budokan.

Nesse período, uma ação judicial de Bob Daisley, Lee Kerslake e Phil Soussan contra Osbourne foi lançada. O trio alegava não receber os valores corretos pelo uso de seus nomes nos primeiros álbuns do vocalista. Em novembro de 2003, a Corte Federal Americana decidiu que Ozzy não deveria pagar os tributos que o trio estava exigindo, já que eles eram músicos de estúdio, mas, para não haver problemas, os álbuns Blizzard of Ozz e Diary of a Madman foram regravados, contando com Robert Trujillo e Mike Bordin substituindo Daisley e Kerslake respectivamente.

The Osbournes


Em 2002, o nome do vocalista passou a ser sinônimo de televisão graças ao sucesso do reality show "The Osbournes", que mostrava o dia-a-dia da família Osbourne na MTV (uma espécie de Big Brother Brasil apenas com Ozzy, Sharon e seus filhos Jack e Kelly). O programa ficou no ar de 5 de março de 2002 a 21 de março de 2005.

Ozzy na calçada da fama inglesa
Em 2003 o baixista Jason Newsted (Metallica)  se tornou mais um a integrar a legião de músicos que tocaram com o Madman. Porém, cinco dias após seu aniversário, em 8 de dezembro do mesmo ano, Mr. Osbourne passou por uma cirurgia de emergência que atrapalhou os planos de um novo lançamento, devido a um acidente de quadriciclo onde o vocalista sofreu diversas fraturas. Ao mesmo tempo, Ozzy descobriu que estava com síndrome de Parkin, uma séria doença que pode levar ao que é conhecido como Mal de Parkinson.

Para compensar os fãs, em 2005 saiu a caixa Prince of Darkness, trazendo quatro CDs com muitas raridades, duetos e covers inéditas. Em 1º de novembro do mesmo ano, o álbum de covers Under Cover foi lançado, contando com a presença de Jerry Cantrell (guitarra), Chris Wyse (baixo) e Mike Bordin (bateria). Ainda em 2005, Ozzy e o Black Sabbath entraram para a Hall of Fame do rock inglês, sendo inseridos na Hall of Fame americana no ano seguinte.

Ozzy e Sharon


O álbum seguinte de inéditas foi lançado em 22 de maio de 2007. Black Rain foi o quarto álbum de platina na sequência, e contava com Zakk, Bordin e o baixista Rob "Blasko" Nicholson, trazendo como destaque as canções "I Don't Wanna Stop" e "11 Silver". Em 2009, saiu a autobiografia I Am Ozzy, um grande sucesso literário, onde o vocalista conta histórias hilárias de sua carreira. Em julho do mesmo ano, Zakk saiu do grupo para seguir carreira ao lado de seu grupo de longa data, o Black Label Society.

O substituto escolhido foi Gus G., que estreou ao lado de Osbourne em agosto de 2009, no BlizzCon Festival. Nesse mesmo ano, Ozzy virou personagem de videogame, intepretando The Guardian of Metal no jogo Brütal Legend. O anúncio de um novo álbum, intitulado Soul Sucka, acabou gerando controvérsias devido a seu nome. 

Em respeito aos fãs, Ozzy mudou o nome do álbum; assim, em 29 de março de 2010, saiu Scream, com Gus G., Blasko, Adam Wakeman (teclados) e Tommy Clufetos (bateria). É exatamente a turnê desse álbum que está passando pelo Brasil e enlouquecendo os fãs com os clássicos da carreira de mais um grande nome do rock a pisar em nossas terras.

Ozzy na turnê pelo Brasil


Discografia de Ozzy Osbourne

Track list Podcast # 12 - Iron Maiden Parte 2

Bloco 01
Abertura: "Sign of the Cross" [do álbum The X-Factor - 1995]
"Virus" [do álbum Best of the Beast - 1996]
"The Mercenary" [do bootleg Brave New Tour - 2002]
"El Dorado" [do boolteg Live in Cingapore - 2011]

Bloco 02
Abertura: "The Clasman" [do álbum Virtual XI - 1998]
"Paschendale" [do álbum Dance of Death - 2003 (bônus track)]
"Futureal" [do single de The Wicker Man - 2000]
"Brave New World" [do álbum The Piano Tribute - 2005 (Scott Lavender)]

Bloco 03
Abertura: "The Reincarnation of Benjamin Bregg" [do álbum Dance of Death -  2003]
"What I'm Gonna Do" [do álbum The Masters - 1999    (Paul Di' Anno)]
"King in Crimson" [do bootleg Scream for Me Brazil   (Bruce Dickinson)]
"Wasted Years" [do bootleg Unplugged - 2007 (Blaze Bayley)]

Bloco 04
Abertura: "Doctor Doctor" [do EP Lord of the Flies - 1996]
"Rock Bottom" [do bootleg Marquee Club - London, England - 1974 (UFO)]
"Phoenix" [do bootleg Fighters & Warriors - 1972 (Wishbone Ash)]
"Massacre" [do álbum Live & Dangerous - 1978 (Thin Lizzy)]

Encerramento: "Satellite" [do álbum The Final Frontier - 2010]
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