quinta-feira, 25 de junho de 2020

Capas Legais: Led Zeppelin - III [1970]




O Led Zeppelin é uma banda que se caracterizou por lançar capas emblemáticas e surpreendente ao longo de sua carreira. No episódio de hoje, trago a capa de III, disco de 1970 que você pode escolher o músico da banda, ou uma imagem aleatória, para que fique sendo a capa. Veja o vídeo e entenda!



segunda-feira, 15 de junho de 2020

Consultoria Recomenda: blues rock britânico



Por André Kaminski
Tema escolhido por Daniel Benedetti
Com Davi Pascale, Fernando Bueno, Mairon Machado e Ronaldo Rodrigues
Após um tempo parado e um ataquezinho de pelanca em que eu pistolei com os consultores (mas eu tinha motivo, estavam me abandonando), voltamos com o Consultoria Recomenda. Sabem como é, eu sou o Roberto Justus da seção, o Fernando que me substituiu fez o papel de João Dória.
Iremos variar a cada dois meses entre um Recomenda e um Ouve Isso Aqui. Nessa edição, o nosso querido estagiário Daniel Benedetti escolheu um excelente tema e nos mandou recomendar discos de blues rock britânico. Os seis discos desta edição e os comentários de nossos consultores demonstram a absurda qualidade musical que este tão amado estilo proporciona aos seus fãs. Fique a vontade para comentar as nossas indicações e sugerir mais discos de qualidade em nossos comentários.

Spooky Tooth - Spooky-Two [1969]
Por Daniel Benedetti
Passei a ouvir este disco mais atenciosamente quando o encontrei em uma lista gringa sobre álbuns de Blues Rock. Desde então, ele tem sido uma presença constante em minhas audições. Seu estilo rústico - e até mesmo ‘cru’ - traz à tona faixas inspiradas como “Evil Woman” e seus intensos 9 minutos. “Lost in My Dream” é mais sorumbática e contrasta bem com “That Was Only Yesterday”. Mas minha preferida é a ótima “Better by You, Better than Me”, a qual ganhou uma versão metálica do Judas Priest.
André: Esta é uma banda em que sempre me prometo de ouvir com mais atenção mas que acabo sempre adiando. Ótima oportunidade para ouvir um pouco mais deste álbum que segundo dizem os críticos, é o melhor deles. Banda interessante que faz muito uso de órgão Hammond e piano. Duas das canções que mais gostei foram "I've Got Enough Heartaches" com aquele arranjo de vozes excelente e "That Was Only Yesterday" que sabe variar entre a calmaria e a energia surpreendendo com tamanha desenvoltura. Deveria mesmo ter me aprofundado neles antes.
Davi: Descobri essa banda alguns anos atrás por conta do Gary Wright. Gosto do trabalho solo dele, fui buscar informação de onde mais ele havia tocado e caí aqui. Não considero o Spooky Tooth uma banda de blues-rock, embora alguns veículos utilizem o rótulo para definir o som da banda. Na real, eles fazem uma mistura de hard rock, psicodelia, soul, prog e blues. Todos esses elementos estão misturados no caldeirão musical do grupo, criando uma sonoridade única e de enorme qualidade. Nesse trabalho, em específico, gosto muito das faixas “Waitin´ For The Wind”, “Evil Woman”, “That Was Only Yesterday” e “Better By You, Better Than Me”. Foi bacana reescutá-lo, é um belo álbum, mas creio que fuja um pouco do tema...
Fernando: Tenho esse disco e fazia anos que não o ouvia. Que voz de Gary Writh!! O único americano entre uma banda de ingleses. “I've Got Enough Heartaches” é uma lindeza e o que Gary e Mike Harrison fazem juntos em “Evil Woman” é fanstástico. E tem música aqui que o Judas Priest colocou em um de seus álbuns “Better By You, Better Than Me”, com a maestria de sempre. Porém, seria esse disco em que o blues esteja mais diluído dos que aparecem nessa lista?
Mairon: A turma de Gary Wright vez que outra pinta no meu computador. Não tenho nada deles em disco, ou mídias, mas sempre que posso passeio pela carreira da banda, e Spooky Two é um dos meus preferidos. Da parte blues, temos o arranjo vocal gospel de "I've Got Enough Heartaches", o ritmo dançante de "That Was Only Yesterday" e o tour de force de 9 minutos em "Evil Woman", sonzeira fantástica como manda o figurino, e que é o resumo da ópera para o Spooky, com um solo de guitarra fantástico, órgão comendo e arranjos vocais incrivelmente bons. Bons arranjos vocais também aparecem em "Feelin' Bad". A dupla de órgão com Mike Harrison é quase um rival ao Van der Graaf de Peter Hammill e Hugh Banton, e por isso eu coloco o Spooky Tooth com um pezinho no progressivo. Exemplos de inspirações prog estão em "Hangman Hang My Shell on a Tree",  "Lost in My Dream" ou "Waitin' for the Wind". E para os metaleiros de plantão, aqui está o original de "Better by You, Better than Me", que o Judas Priest fez questão de manter igualzinha, apenas dando um pouco mais de peso nas guitarras para substituir os teclados. Baita disco, baita banda!
Ronaldo: O Spooky Tooth não era exatamente um grupo de blues, mas um dos muitos grupos britânicos que tinham o blues como base para a criação de uma nova linguagem de rock. Além de uma pegada mais nervosa do que os pares blueseiros, o grupo tinha uma base forte na soul music e uma ênfase nos teclados que os aproximava do rock progressivo (ou de um som mais eclético, como o Traffic). O disco é, em boa parte, calcado em baladas ou músicas de andamento médio. Essa característica não tem correlação com a qualidade do material apresentado, que é de alto nível – composições cativantes, bons arranjos e vocais de primeira (a dupla Mike Harrison e Gary Wright não brincava em serviço). “Evil Woman”, “Lost in My Dreams” e “Better by You, Better than Me” tem um clima mais denso e sinistro, com riffs de guitarra mais evidente. Em uma cena marcada por bandas que tinham verdadeira devoção pelo blues norte-americano, o Spooky Tooth soa um pouco deslocado, ainda que o disco em questão seja muito bom.

Danny Bryant - Blood Money [2016]
Por André Kaminski
Para diferenciar um pouco dos meus colegas, resolvi indicar este álbum de um britânico mais novo e não tão conhecido por aqui, apesar de já ter uma discografia considerável. Com uma forte influência do blues americano misturado com soul e funk e com uma produção mais moderna, me impressiona muito ouvir ótimas músicas como "Unchained" e o belo sacolejo proporcionado por "On the Rocks". Aliás, como é bom ouvir Bernie Marsden, um dos primeiros guitarristas do início do Whitesnake de volta e solando belamente como sempre.
Daniel: Jamais havia ouvido Danny Bryant e, pesquisando sobre o músico britânico, descobri a existência de sua já longa carreira. Outra boa recomendação. Gostei muito da trinca “Master Plan”, “Slow Suicide” e “Unchained”. A presença do Hammond – e do guitarrista Bernie Marsden – em “Just Won’t Burn” já a transformaram em um grande destaque do disco. Enfim, gostei do álbum e vou passar a acompanhar (e conhecer) a carreira do Danny Bryant.
Davi: Esse cara, eu não conhecia. Gostei bastante. Trabalho de voz diria que correto, mas o trabalho de guitarra é muito bom. Um som tradicional com bastante influência de anos 70, arranjos bem variados. No estilo de tocar, pego bastante influência de Albert King, um 'q' de Stevie Ray Vaughan, mas pego algumas referências de Gary Moore também, como no caso de “Unchained”, por exemplo. Achei muito legal a participação do Bernie Marsden (Whitesnake) em “Just Wont Burn”, mas meus momentos favoritos ficam por conta de “Master Plan”, “Slow Suicide” e “Fool´s Game”. Além da já citada “Unchained”, é claro. Vou procurar ouvir mais algum disco dele.
Fernando: Disco mais novo desses que entraram aqui. Tenho um chute sobre quem o indicou, talvez um consultor que é conhecido por gostar de TUDO e por ter uma coleção gigante. O fato é que é um bom disco, agradável de ouvir, porém falta alguma coisa mais memorável, aquele tipo de coisa que faz a gente ficar cantarolando, uma melodia mais marcante. Alguma coisa.
Mairon: Confesso que desconhecia o trabalho de Danny Bryant até esse recomenda. Bryant apresenta muitas influências de Albert King ("On The Rocks"), Stevie Ray Vaughan ("Fool's Game" e "Master Plan"), Ray Charles ("Unchained"). Bryant toca super bem, o cara é um bom guitarrista de blues, traz bastante feeling, modernão, e faz um blues rock bem comum. Me surpreendi com o resgate de Bernie Marsden em "Just Won't Burn", baladaça bluesy para arregaçar corações, com um duelo de solos muito bom. Gostei do som, mas achei muita mais american blues do que british blues. Se colocasse para tocar, sem dizer que era britânico, jamais iria adivinhar. Bom para conhecer!
Ronaldo: Bom guitarrista contemporâneo de blues-rock. Não acompanho tanto a cena atual do estilo, mas é possível notar por esses e outros trabalhos que os que se aventuram nessa seara atualmente são bem menos puristas que os blues-rockers britânicos dos primórdios. O que se ouve nesse disco é uma grande mistura de diversas vertentes do r&b e da música negra americana, tendo uma pegada frequentemente funkeada nas faixas e baladas embebidas na soul-music. As guitarras são de alto nível, com uma pegada pesada e uma interpretação muito consistente. Há bastante teclado em todas as faixas e, alguns são até um tanto incomuns para o estilo. A instrumental “On the Rocks” mostra o poder de fogo de Bryant e sua banda. Mas no fim das contas, a produção trata de dar ao resultado um verniz mais pop ao trabalho como um todo, o que pode agradar uns e desagradar outros.

Robin Trower - Bridge of Sighs [1975]
Por Davi Pascale
Sempre gostei muito de blues-rock, mas meus artistas favoritos, dentro desse gênero, são, em sua maioria, norte-americanos. Quando pintou o tema fiquei pensando, pensando, pensando... Não queria indicar um disco qualquer, queria indicar “o” disco. Comecei a revirar minha coleção e eis que me deparo com esse CD aqui. Esse é o segundo álbum solo do Robin Trower após sua saída do lendário Procol Harum. Sem grandes frescuras, som honesto, cru e altamente inspirado. Gravado em formato de power trio, o álbum já chama a atenção de cara com o riff impactante de “Day Of The Eagle”. Contando com as mãos de Geoff Emerick (engenheiro de som dos Beatles) e de seu velho parceiro Matthew Fisher na produção, o rapaz entregou um álbum criado na dose certa. Há canções lentas brilhantes como a faixa-título e “In This Place” e canção com riffs arrasa-quarteirão como os de “The Fool and Me” e “Little Bit of Sympathy”. Os solos são perfeitos. James Dewar cantava bem pra cacete e o trabalho de bateria de Reg Isidore era bem eficiente. Ah, muita gente compara o estilo dele tocar aqui com o Jimi Hendrix. Ouça e veja se concorda ou não com a comparação.
André: É um crime pensar no fato do quanto Robin Trower é desconhecido no Brasil. Sujeito extremamente underrated e injustiçado. Nem mesmo em sua terra natal ele teve o reconhecimento que merecia. Pelo menos os Estados Unidos o reconheceram. Aqui tem a melhor faixa da carreira do Trower que é "Too Rolling Stoned", coverizada pelo UFO e que já ouvimos em um War Room passado. Incrível é perceber o esmero por parte do guitarrista em suas composições, das quais claramente se percebe uma dedicação em empolgar o ouvinte. Disco nota 10!
Daniel: Segundo álbum solo de Robin Trower, lançado depois que ele saiu do Procol Harum. Tenho que confessar que havia ouvido este disco há muitos anos e não me recordava dele. “Too Rolling Stoned” é uma porrada nos ouvidos, o ótimo balanço de “Lady Love” contagia, assim como a ‘dolorosa’ guitarra de Trower em “About to Begin”. Ah, claro, a faixa-título é sensacional. Depois que o ouvi novamente, já foram mais diversas audições. Para meu gosto, é o melhor disco da lista.
Fernando: Sabia de sua carreira solo e que esta era bastante de alto nível, mas nunca tinha conhecido o Robin Trower além do Procol Harum. Durante a audição eu notei que conhecia uma das músicas e descobri que a faixa título já foi regravada pelo Opeth. Foi uma ótima experiência e já vou deixar anotado para voltar a ouvir esse disco e os outros, também muito bem avaliados em todos os lugares que pesquisei. Ahhh... ouvi uma versão remaster de 2007 e achei o som fantástico. Fiquei curioso para ouvir em sua versão original.
Mairon: Lembro que quando conheci esse disco, o dono havia assinado na capa a inscrição "O Fantasma de Jimi Hendrix". Eu fiquei impressionado como a guitarra de Trower realmente lembra bastante a de Hendrix, e logo de cara, na ótima "Day of the Eagle", com um riff e um ritmo que iria agradar ao Deus Negro da guitarra, ou na funkeada "The Fool and Me", para mim o melhor som do disco, com um balanço fantástico. Acompanham essas influências "Little Bit of Sympathy", swingada como poucas, e a longa "Too Rolling Stoned", onde as influências Hendrixianas estão presentes em um solo matador de Trower. Porém, não é só de Hendrix que bebe a fonte de Trowe. Há psicodelia em "In This Place", licks vertiginosos em "Lady Love", e claro, muito blues. A faixa-título é o cerne disto, uma aula de blues para ser levada às escolas de música do mundo inteiro, enquanto "About to Begin" é daqueles blues lentos para se chapar com um uísque e só curtir a voz de James Dewar. Aliás, além de um baita guitarrista, o álbum também conta essa voz espetacular de Dewar, que passou pelo Stone the Crows). Curto o álbum, claro, e respeito Trower, com certeza, e por isso, foi uma audição ótima e extremamente bem vinda nesse recomenda.
Ronaldo: Jimi Hendrix foi nascido, batizado e criado no blues. Sua obra, porém, transcendeu em muito as possibilidades oferecidas pelo estilo até então. O impressionante legado do gênio da guitarra gerou uma abordagem totalmente diferenciada no instrumento, que mesclava uma construção inteligente de frases sobre as escalas do blues aliada a uma ferocidade rítmica incomum para os guitarristas de blues. Robin Trower foi um dos ícones do aprofundamento dessa linguagem ao longo dos anos que se seguiram. Mas, novamente, estamos tratando de blues trabalhado e reprocessado com tanta intensidade que é difícil encontrar com clareza os ingredientes originais da mistura. O disco tem um conjunto fantástico de músicas empolgantes, cheias de riffs e solos de guitarra memoráveis, no qual há uma decisiva contribuição dos vocais, do baixo e da bateria. “The Fool and Me” e “Too Rolling Stoned” tem grooves que são impossíveis de enjoar.

Beck, Bogert & Appice - Beck, Bogert & Appice [1973]
Por Fernando Bueno
Álbum de estúdio único desse que um dos grandes supergrupos montados nesse período do rock, todos eles influenciados pelo sucesso do Cream, claro! Chegaram a gravar um álbum ao vivo um ano depois. A versão para “Superstition” de Stevie Wonder com o inesquecível início com o talk box é demais. E o que dizer de “Morning Dew” cantada por Camine Appice? Yes!!! He can sing! O som do trio é todo baseado em baixo, guitarra e bateria, mas em algumas faixas eles tem a participação de Duane Hitchings que também era do Cactus, o que fazia quase como se o Jeff Beck tivesse invadido um ensaio da banda e começado a tocar. Caso, por algum motivo, não tenham interesse no álbum sugiro ouvirem pelo menos “I’m So Proud” para ver o trabalho de voz da banda. Excelente!
André: Beck é britânico, mas dá de se dizer que ele lidera os outros dois americanos em um ótimo registro. Interessante é o fato de Carmine Appice ser o principal vocalista da maior parte do tracklist. Por sinal, é com os vocais dele a maioria das músicas que eu mais gostei. A guitarra e o baixo são muito proeminentes, o que não é necessário citar o fato de que são dois monstros em seus respectivos instrumentos. Para quem curte este blues rock já quase pendendo para o hard, está aí uma ótima sugestão.
Daniel: A fusão do guitarrista do Yardbirds com a ‘cozinha’ do Vanilla Fudge/Cactus. Blues e rock se encontram com uma tremenda pegada hard, em um disco curto, mas extremamente prazeroso de se ouvir. Adoro a faixa “Lady” e os vocais de Carmine Appice nela. O sentido de urgência de “Lose Myself with You” e a pegada de “Livin' Alone” precisam ser destacadas. A interessante versão para “Superstition” é um ‘plus’. Outra boa indicação.
Davi: Esse é outro disco que tenho na minha coleção e já fazia um tempo que não colocava para rodar. Aqui não tem erro, né? Com um time desses não tem como o trabalho ser meia bomba, fala sério. Sempre gostei muito do Jeff Beck. Em especial, os álbuns que gravou ao lado do Jeff Beck Group e do Yardbirds. Carmine Appice, então, nem se fala. Ídolo! Entre as músicas mais lentas, gosto bastante de “Oh To Love You” e “Sweet Sweet Surrender”, que considero muito bonitas, mas os grandes destaques acabam sendo os rockões mesmo. “Black Cat Moan”, “Lady” e “Why Should I Care” são minhas favoritas. Só que, mais uma vez, fico em dúvida se ele se encaixa no rótulo blues-rock.
Mairon: A união de um gênio injustiçado da guitarra com dois remanescentes da genial injustiçada Vanilla Fudge se torna um disco genial injustiçado. Digo isso por que poucos são os que se lembram dessa aula de hard rock entregue pelo BBA nesse álbum. Esqueça as baladaças "Im So Proud", "Sweet Sweet Surrender" e "Oh To Love You" se você deseja só quebrar o pescoço, mas se não, aprecie bastante os vocais de Bogert em ambas. Agora, para quebrar o pescoço, todo o resto de Beck Bogert & Appice é demolidor. Certamente você conhece a versão matadora de "Superstition" que o trio apresenta aqui, o que por si só já vale o disco. Mas há mais. A pancadaria de Bogert e Appice no início de "Lady" é para relembrar os bons tempos da Vanilla Fudge ao vivo, mas a linhagem musical é dos melhores tempos do Cream, principalmente pelos vocais. Outra que lembra bastante o Vanilla Fudge é "Why Shoud I Care", rockzão para sair pulando pela casa, e com Appice fazendo misérias nos dois bumbos. Outro rockaço matador é Livin' Alone", com uma sequência instrumental mágica, que começa com Carmine Appice fazendo rufos sozinho, passa por Bogert solando com distorção e culmina com um belo solo de slide feito por Beck, acompanhado por palmas. Jeff Beck mandando ver com o slide em "Black Cat Moan", e o que ele faz com o wah-wah em "Lose Myself With You" é só para que você entenda por que ele é um gênio. Não diria que é um álbum de blues rock britânico, mas que é um baita disco, ô se é!
Ronaldo: Meus comentários aqui me levam a discordar da abordagem dos meus colegas na adequação dos discos ao tema. Nesse caso, estamos tratando mais de produtos derivados do blues-rock do que de blues-rock per se. Esse é um trio de ferro do rock setentista (2/3 da banda era americano e não britânica) que conseguiu se manter unido apenas por um breve período de tempo, deixando um legado em estúdio abaixo do que rendia nos palcos (muito devido a falta de uma produção que favorecesse o peso de sua execução). Ainda sim trata-se de um grande disco - os primeiros segundos de “Black Cat Moan” já são incríveis e indiscutíveis. Apesar do blues estar implícito em todas as escalas pentatônicas exploradas a exaustão nesse disco, creio haver exemplares bem mais representativos do estilo preconizado na lista.

Savoy Brown - Looking In [1970]
Por Mairon Machado
Não se engane pela introdução virtuosa do violão em "Gypsy", esse disco é uma aula de Britsh Blues. O Savoy Brown é um representante muito forte dessa cena, levado por um timaço que estava fervilhando nessa época. O ritmo avasssaladoramente sensual de "Poor Girl", com um baixo fenomenal e um solo de guitarra fabuloso por Kim Simmonds, o grande nome do Savoy Brown na época, já são os verdadeiros pratos desse discaço. Outra sonzeira extremamente sensual é "Sunday Night". O que Simmonds faz com a guitarra aqui é enlouquecedor. Não há pernas que resistam a ginga do baixo de Tone Stevens. Quer blues raiz, ouça "Take It Easy" e duvido não se imaginar ouvindo os clássicos blueseiros do Mississippi. Que sonzeira!! E encarar os 8 minutos de "Leavin' Again" é uma jornada para se chegar ao fim com as pernas e o pescoço destruídos. Delicie-se com as explorações percussivas da faixa-título, os vocais rasgados de Lonesome Dave em "Money Can't Save Your Soul", com Simmonds brilhando também ao piano, e a elegância instrumental de "Sitting an' Thinking". As congas, aliás, são um charme extra para um disco delirante. Espero que meus colegas apreciem.
André: Essa eu já conheço melhor e este disco é fascinante. O que falar do baixão foda de "Money Can't Save Your Soul"? Uma das minhas canções favoritas deste estilo. Citei só o baixo mas todo o arranjo instrumental desta canção é coisa de gênios. O disco todo é um petardo atrás do outro e a indicação de ouvi-los numa matéria com este tema foi mais do que bem vinda.
Daniel: Sexto álbum de estúdio da banda Savoy Brown e é o primeiro a contar com o ótimo Dave Peverett como vocalista. Gosto bastante da banda e Looking In é, bem possivelmente, meu disco preferido do grupo. Foi ótimo ouvir novamente faixas extasiantes como “Sunday Night”, a guitarra frenética de “Looking In” ou mesmo a melodia maliciosa de “Sitting An’ Thinking”. Ótima indicação!
Davi: Ah, bacana a indicação. Já tem um tempo que estava querendo pegar mais alguma coisa deles para ouvir e não sabia por onde começar. A discografia deles é enorme. Parece que esse é um dos álbuns mais famosos deles. Não sou expert no trabalho do Savoy Brown, mas pelo desenho da capa, esperava um disco um pouco mais pesado, com mais músicas na linha da (ótima) “Poor Girl”. No entanto, não há como negar a qualidade do álbum. Muito bem feito e muito bem tocado, sem dúvidas, mas em uma primeira audição não me empolgou tanto. As que mais gostei foram “Leavin´ Again” e a já citada “Poor Girl”. De todo modo, vou procurar ouvir mais alguns álbuns deles.
Fernando: Conheço quase nada de Savoy Brown. Li algo rápido e vi que nesse álbum eles tiveram que lidar com a saída de seu principal membro e compositor. Mas para mim parece que eles souberam se virar muito bem. O que sei é que com esse antigo membro o som tinha mais jazz nessa mistura e aqui o blues ficou mais evidente. Tenho que ouvir o material anterior, mas, me parece, que não fez falta alguma esse outro ingrediente musical. O que dá para notar é que as músicas são muito mais orientadas pela guitarra e menos para a voz.
Ronaldo: Militantes da cena blues desde muito cedo, o Savoy Brown teve muitas formações e uma longa discografia fortemente calcada no blues. Gradualmente, ao longo dos discos, o blues elétrico do grupo foi adquirindo assinatura própria e se metamorfoseando em algo que desaguou no hard rock. Não tão pesados quanto o Led Zeppelin, mas com muita qualidade e personalidade. O disco em questão situa-se em um momento de inflexão da banda, na qual as fronteiras do blues-rock do grupo estavam se expandido. Há blues de qualidade temperado com outros condimentos em todas as faixas desse bom álbum de 1970. Alguns dos destaques são o groove suave e as maravilhosas guitarras de “Sunday Night” e o clima de jam session da faixa “Leavin’ Again”.

Fleetwood Mac - English Rose [1969]
Por Ronaldo Rodrigues
O Fleetwood Mac, encabeçado por Peter Green, era uma das maravilhosas crias do grupo de John Mayall. Uma das primeiras formações da história do rock a ter três guitarristas na mesma banda (apesar de serem raras as faixas em que os três tocassem guitarra simultaneamente), o Fleetwood Mac tinha por mérito o fato de explorar em detalhes diversas facetas do blues e do r&b americano, seja o blues de Chicago (com a presença de naipe de metais), o fraseado de Elmore James, as transições do blues rural para o elétrico, o sentimentalismo das blues-ballads guiadas por vocais ou os momentos mais cheios de groove do cruzamento entre o blues e o gospel. Como destaques, duas icônicas faixas do período – “Black Magic Woman” (eternizada na versão do Santana, lançada em 1971) e a lindíssima “Albatross”.
André: O Fleetwood Mac que eu gosto é esse daí: blues rock mesmo, com guitarras e energia. Parece outra banda quando comparada ao famoso e, em minha opinião, soporífero Rumours [1977]. Peter Green aqui arrebenta na guitarra e na gaita de boca, além de ser o vocalista que eu mais gosto. O mais que clássico "Black Magic Woman" ainda é o destaque principal do cd. Porém, o disco infelizmente cai no defeito de cansar um pouco na parte final com a pouca variedade instrumental ainda mais se compararmos com os outros discos que foram citados por aqui. No mais, me surpreendeu em saber que a falecida Dona Bizantina da Praça é Nossa (quando jovem) é o Mick Fleetwood. "Apolônio, é você Apolônio!"
Daniel: English Rose foi o segundo álbum da Fleetwood Mac nos Estados Unidos e se trata de uma compilação que reúne faixas do álbum Mr. Wonderful, singles e algumas músicas até então inéditas. "Stop Messin' Round" e "I've Lost My Baby" são destaques óbvios, além da bela instrumental acústica, “Albatross”. Gosto muito de “Black Magic Woman” e de “Love That Burns”, mas minha predileta é a ‘sofrida’ “Something Inside of Me”. Excelente indicação!
Davi: Esse álbum, na verdade, é meio que uma coletânea. É um LP criado para o mercado norte-americano misturando o material de Mr Wonderful com canções de singles e afins. Nos anos 60, tinha muito disso. Beatles, Stones, Hollies, todos esses grupos, a discografia americana difere da inglesa por um período. A capa é uma das coisas mais feias que já vi, mas o disco em si é muito bom. Gosto do estilo deles tocarem. Os arranjos são bem variados, misturando momentos calmos com arranjos mais animados no melhor estilo blues de Chicago."Stop Messin´ ´Round”, “Doctor Brown” e “Albatross” são meus momentos favoritos. E ahhh, os (ótimos) músicos do Fleetwood Mac que me perdoem, mas a versão de “Black Magic Woman” com o Santana é muito mais enigmática.
Fernando: Para que conheceu o Fleetwood Mac ali no Rumors, aquele fantástico disco de rock, é difícil pensar que eles tiveram essa fase totalmente blues. É uma outra banda mesmo. Mas aqui, em ser terceiro disco a banda já dava mostras que tinha outras facetas musicais além do blues como vemos em faixas como “Abatross”. Porém “Doctor Brown” quase nem podemos chamá-la de blues rock pois é quase um blues puro. Bom disco, tenho que voltar a ouvi-lo mais.
Mairon: Coletânea de uma daquelas bandas exemplo de como nós éramos um dia, e você não irá acreditar. Cara, saber que o Fleetwood Mac surge dos Bluesbreakers de John Mayall, tocava esses blues tão fantásticos, e depois virou a choradeira com a entrada da Stevie Nicks e da Christine McVie, me dói na alma. Teve um War Room do Rumours que me falaram para ouvir o Fleetwood Mac raiz, e como é bom ouvir Peter Green comandando os ingleses em blues espetaculares como "Doctor Brown" , com um naipe de metais marcando presença na audição ou em "I've Lost My Baby", aqui com o delicioso slide de Jeremy Spencer. As canções que o naipe de metais aparece são as que mais me agradaram. Que tesão de blues ballad são "Without You", "Love That Burns" (solo de piano emocionante) e "Something Inside of Me", puta que pariu. A última lembrou me muito "Ball and Chain", na versão consagrada pela Big Brother & The Holding Company. As instrumentais "Jigsaw Puzzle Blues" e "Evenin' Boogie" são um êxtase por si só, enquanto a outra instrumental, "Albatross", é uma delicadeza tão sutil que a espinha se arrepiou como uma gata no cio. Há ainda o peso (perto das demais) de "One Sunny Day", a recriação estupenda para "Coming Home", de Elmore James, e os sucessos "Black Magic Woman", consagrada pelo Santana em Abraxas, e "Stop Messin' Round", únicas que eu conhecia de antemão. Desconheço o por que Green saiu do grupo, e como as mulheres entraram para levar o Fleetwood Mac a outro patamar, mas cara, essa coletânea e os dois discos anteriores são realmente muito boas.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Cinco Músicas Para Conhecer: Aguente Firme!




Em tempos tão difíceis de quarentena e indecisões políticas, o que fica na nossa cabeça é a frase "Aguenta firme", "Força", "Se segura". Por incrível que pareça, muitos artistas cantaram isso através de suas músicas. Em inglês, uma tradução possível é Hold On. Diversas são as canções que possuem essa expressão em seu nome, seja a expressão pura e diretamente dita ou derivados como Holding On, Hold On My ... Esse segure firme varia desde se apegar ao amor até os sonhos. A frase é tão emblemática que o programa Médico Sem Fronteiras fez uma campanha publicitária há dois anos utilizando a canção "Everybody Hurts", aquela que quem nunca chorou ouvindo não tem coração, e que tem na expressão "Hold On" seu momento mais emocionante. 

Aqui no Brasil, agora durante a pandemia, o Bradesco lançou uma campanha com a frase "Aguente Firme" em destaque. Fiz um levantamento rápido na minha catalogação de discos e encontrei mais de duas dezenas ligadas com esse tema. Assim, selecionei dentre elas aquelas que tinha apenas a expressão Hold On, e então, depois de muito pensar, escolhi as cinco músicas para conhecer de hoje, deixando mais cinco indicações após, e com certeza, havendo muitas outras que vocês podem citar nos comentários. As escolhas levaram em conta apenas critérios de gosto pessoal.

Deep Purple  - "Hold On" [1974]

Primeira despedida de Blackmore do Purple, Stormbringer é daqueles álbuns ame ou odeie, muito por conta da mistura de estilos. Se por um lado há pauladas como a faixa-título ou "Lady Double Dealer", por outro o funk e o soul tomavam conta, como é o caso da sensacional "Hold On", faixa que mostra na sua letra a já característica marca erótica de David Coverdale (vocais) em parceria com Glenn Hughes (baixo, vocais), pedindo para a mulher segurar firme e aguentar o tranco de sua paixão (eita porra). Musicalmente, além dos duetos vocais, destaques disparados para o solo de piano elétrico de Jon Lord e o ritmo cavalgante extremamente sedutor empunhado por baixo e bateria (Ian Paice). E quanto a Blackmore, o seu solo é tão desnecessário e faceirinho, vulgo sem graça, como quase tudo que ele fez no Purple depois desse álbum. Está somente em Stormbringer, e em algumas das infinitas coletâneas dos ingleses no mercado.

Trapeze - "Hold On " [1978]

Comandado por Mel Galley, o Trapeze tentou sobreviver pós-saída de Glenn Hughes, e lançou três álbuns bastante regulares. Apagando a porta e fechando a luz, com Peter Goalby nos vocais, veio a faixa "Hold On". A letra trata de agarrar-se a amizade fiel, que irá com você até o fim, pois isso é melhor do que estar sozinho, e agarrar-se a vida, mesmo ela não sendo um paraíso. O ritmo é uma espécie de rock leve, que o Trapeze de Hughes até já tinha feito de alguma forma anteriormente, com aquela guitarra southern de Galley serpenteando ao longo das batidas precisas de Galley, em um instrumental bastante gostoso de se ouvir, principalmente no solo de Galley. Além do nome, cito essa canção para mostrar que existem determinadas faixas que é importante conhecer para saber por que algumas coisas não dão certo, como foi a carreira de Goalby pós-Trapeze, principalmente à frente do Uriah Heep. Está no último disco de estúdio da banda Running, o álbum que originalmente foi lançado somente na Alemanha em 1978 (capa do post), mas que ganhou uma versão internacional no ano seguinte, batizada justamente com o nome da faixa, presente também no ao vivo Live In Texas - Dead Armadillos (1981).

Triumph - "Hold On" [1979]

Essa bonita canção do grupo canadense surge com teclados e um dedilhado de violão. O vocalista, guitarrista e monstruoso Rik Emmett entoa a letra, que fala sobre agarrar-se aos sonhos, em deixar o tempo correr e esperar que os sonhos aconteçam, em uma faixa bastante motivadora e emotiva. O ritmo do violão vai ganhando força, trazendo o nome da canção entoado para arenas cantarem em plenos pulmões, e então, surgir o trio mais fantástico do Canadá (joguem as pedras) para mandar um AOR gostoso, com grandes pitadas progressivas, graças a performance impecável de Gil Moore na bateria. Uma letra de 1979 mas que serve muito para os dias de hoje, afinal, só de sonhos podemos pensar em viver pós-pandemia e nesse caos político que o Brasil vive nos últimos anos. Está no obrigatório Just A Game (1979), no ao vivo Stages (1986), além das bolachinhas com "Just A Game" no lado B, lançadas em diversos países.

Wishbone Ash - "Hold On" [1982]

Vivendo sua fase mais conturbada, o Wishbone Ash lançou discos pouco marcantes nos anos 80. Porém, há materiais que se escapam, como essa grande e grudenta faixa que narra sobre o drama de um homem distante mais de cinco mil milhas de sua amante, e que tenta angustiadamente, sem sucesso, ligar para ela, enquanto o operador no telefone lhe diz "Aguente firme, estou tentando fazer a ligação", algo que os jovens de hoje não devem nem ter ideia do que isso significa ... O baixo marcante de Trevor Bolder, os dedilhados das guitarras, uma interpretação vocal fascinante e uma sensualidade jazzística entregue aos fãs, além de um refrão que fica por horas na cabeça, fazem dessa uma das melhores faixas da banda naquela década. Além da bela letra, as guitarras gêmeas de Andy Powell e Laurie Wisefield, marca sagrada dos ingleses, estão saindo das caixas de som para emocionar os fãs em solos magistrais. Fecha a conta a bateria sempre competente de Steve Upton. Está presente em Twin Barrels Burning (1982) e no lado B de um raro compacto espanhol, que ilustra o post.


Beardfish - "Hold On"  [2015]

Imagine-se um velho roqueiro que entra em um dilema: o de sentir-se um prisioneiro em sua cidade natal, sendo forçado à mediocridade pelas pessoas ao seu redor e não sendo capaz de se libertar disso Esse é o conceito de +4626-Comfort Zone, lançado pela trupe sueca de Rikard Sjöblom (vocais, guitarras, teclados e faz tudo) no Beardfish. "Hold On" é a faixa que apresenta ao ouvinte o choque da realidade do velho roqueiro que descobre que o mundo está passando, e ele já não pertence mais ao nível que outrora pertenceu. O "Hold On" aqui clama para o personagem aguentar firme sua atual posição, mesmo com tudo o que possa lhe acontecer. A indignação do personagem central, tentando entender como o tempo passou sem ele perceber, não reconhecendo os olhos que costumavam trazer a chama que existia quando jovem, é apresentada através de 8 incessantes minutos, onde o ritmo da bateria de Magnus Östgren e o baixo marcante de  Robert Hansen fundem a mente para fazer ela entregar aos seus pés e cabeça um balanço filho da puta. Rikard traz todas suas influências de Yes e Genesis para essa faixa, principalmente nas linhas de guitarra, ao lado de David Zackrisson, e nas linhas vocais. Wah-wah comendo solto, riffs grudentos, pulos pela casa cantando os diversos momentos onde a letra nos possibilita isso, e assim como o conceito de "Hold On" nos conta, quando a faixa é concluída você nem percebeu o tempo passar. Uma das melhores obras desse século.

Mais cinco outras "Hold On": 
- The Sons of Champlin (A Circle Filled With Love, 1976);
- Kansas (Audio Visions, 1980);
- Santana (Shangó, 1982);  
- Yes (90125, 1983); 
- Rush (Snakes & Arrows, 2007);

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Melhores de Todos os Tempos: Anos 70



Por Mairon Machado

Com André Kaminski, Daniel Benedetti, Davi Pascale, Eudes Baima, Fernando Bueno, Líbia Brigido, Micael Machado e Ronaldo Rodrigues


Seguimos elegendo os Melhores de Todos os Tempos. Agora, vamos para aquele que é considerado o período mais fértil da história da música, os anos 70. Quantas bandas e artistas icônicos surgiram, ou lançaram seus principais e mais influentes discos, entre 1970 e 1979?

Foi um trabalho hercúleo para nossos consultores selecionar os dez melhores desse período, pois a tarefa deixou muito disco importante ou consagrado de fora. Como as listas são quase predominantemente escolhidas pelo gosto pessoal, muitas surpresas vieram, principalmente a ausência de medalhões do rock, que certamente irão estar presentes nos comentários junto com as pedradas. Porém, um medalhão veio novamente mostrar que era O medalhão, e assim como na primeira série, nos anos 60, colocou novamente dois de seus discos entre os dez mais. Trata-se de Led Zeppelin.

Ao longo dos anos 70, a banda foi inquestionavelmente a mais importante, a frente inclusive de Stones e Queen, lançando discos que vendiam horrores e lotando estádios pelo mundo inteiro. Como afirmação de que o Led foi a principal banda daquele período, Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham encabeçaram não só o primeiro lugar, mas também a segunda posição, com seus dois álbuns mais bem sucedidos comercialmente. Fecha o Top 3 dessa lista outro disco que vendeu horrores, The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd, que junto de Yes, Genesis e Jethro Tull, fazem praticamente metade da lista, mostrando que os anos 70 também foi importante para o rock progressivo.

Fecha a lista, que contou com quatro álbuns de 1972, mais três hardões pesados, um deles talvez surpreendente para uns, mas emblemático e cultuado para outros, e a surpreendente participação de um dos artistas mais carismáticos dos Estados Unidos, que desbancou gigantes como Elton John e David Bowie, apenas para citar alguns dos possíveis membros dessa lista, e que acabaram ficando de fora. Lembrando que a contagem é baseada no sistema da Fórmula 1, com a adição de 1 ponto para cada citação de álbum, como se fosse o ponto da volta mais rápida, tentando evitar ao máximo alguma injustiça, de por exemplo um álbum citado apenas uma vez entrar no lugar de um álbum citado 4 vezes. Gostou, não gostou? Concorda com a lista? Não concorda com alista? Deixe seus comentários abaixo, participe! E vamos aos comentários dos nossos participantes

* A lista com os Melhores Discos escolhidos dos anos 70 nas listas originais envolvem os álbuns de cada ano, álbuns das listas de Melhores Brasileiros e aqueles discos citados na série Aqueles Que Faltaram. Esses discos estão listados no fim da postagem, após as listas individuais.

Led Zeppelin – Physical Graffiti [1975] (78 pontos)

André: Lista complicada de comentar mas o problema é que praticamente todos os seus discos são tão fantásticos e foram tão esmiuçados de cabo a rabo que é difícil comentar qualquer coisa de mais relevante por aqui. Então vou tentar apenas encher um pouco o saco: O IV do Led Zeppelin é quem merecia a primeira colocação. Mas independente disso, impossível criticar um disco que tenha clássicos como "Kashmir", "The Rover", "Night Flight" e tantas outras pérolas? Led é Led. Fim de papo.
Daniel: Para mim, não há dúvidas de que Physical Graffiti é o melhor álbum de Rock de todos os tempos. Duplo, o disco explicita magistralmente como o Led Zeppelin é o expoente máximo do estilo, em faixas magníficas como “In My Time of Dying”, “In The Light” e “Ten Years Gone”, petardos como “Custard Pie” e “The Rover”, além de um clássico como “Kashmir”. É daqueles casos em que, a cada audição, a obra fica maior. Portanto, sua presença e o primeiro lugar nesta lista, são uma amostra da extraordinária obra que é Physical Graffiti.
Davi: Led Zeppelin é uma banda que tenho como ídolo. John Bonham é um dos meus bateristas favoritos e uma forte inspiração para mim. A discografia do Led acho super consistente. Esse trabalho, citado por muitas pessoas como um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos, é sem, dúvidas, um ótimo trabalho. Entretanto, não acho o melhor álbum do Zeppelin. O LP 1 é perfeito. Não tem o que reclamar. Uma aula. O segundo, por outro lado, já acho que possui altos e baixos. "In The Light", "Ten Years Gone" e "The Wanton Song" são as canções que se destacam no segundo LP. De todo modo, merecida a colocação.
Eudes: Numa lista surpreendentemente clichê como esta a que chegamos, onde as surpresas são discos que não têm estofo para estar aqui, e onde ainda me aprontam a suprema maluquice de não incluir nenhum disco do Black Sabbath e nada da onipresente black music da época, é um alívio que os eleitores tenham tido o bom senso de eleger este disco como o melhor da década. Embora o período tenha visto o lançamento de tantos discos clássicos (isto é, obras que, 40 ou 50 anos continuam conversando intimamente com a condição humana, com nossas euforias e depressões), não é difícil a escolha do álbum duplo do Led Zeppelin como o melhor. É quase óbvio. Daqueles casos em que a obviedade é bem-vinda. Physical Graffitti traz o grãozinho que fez do Led Zeppelin ser o que a banda foi. Você não ouvirá rocks mais concisos, musculosos, melódicos e mastodônticos como os que abrem o lado 1 do álbum, depois retomados no lado 4 na quebra-pescoço "The Wanton Song". Nem incursões pelas terras estrangeiras do rock progressivo como "In The Light" e "Ten Years Gone", muito menos acordes poderosos ao violão acústico como os de "Bron-Yr-Aur". Nem aventuras tanto mais perigosas como a ida à selva do soul-funk como em "Trampled Under Foot", que soa como se Stevie Wonder resolvesse gravar uma faixa de Page e Plant. Enfim, se a gente tivesse de resumir os anos 70 a um álbum, eu cravaria Physical Grafitti sem pensar nem 1 segundo.
Fernando: Eu compreendo que muita gente goste tanto desse disco para colocá-lo em primeiro lugar em uma década tão importante, quem sabe a mais, para a música. É óbvio que eu gosto dele, mas eu gosto de tudo o que o Led Zeppelin fez. Eu só acho que o Led Zeppelin IV é o mais representativo da banda por conta de 3 motivos: “Rock and Roll”, “Black Dog” e, claro, “Stairway to Heaven”. E tem também o fato de termos colocado, de novo, dois discos da mesma banda e, de novo, do Led Zeppelin. Isso deixa claro que a banda de Page, Plant, Bonham e Jones é talvez a maior da história. Mas eu preferia que tivéssemos espaço para homenagear uma banda a mais nessa lista.
Líbia: Foi o último álbum da sequência de clássicos do Led Zeppelin, e também o último que eu ouvi sem parar. Nunca conseguia sair da “The Rover”, “In my Time of Dying” e “Kashmir” que são uma verdadeira aula de Rock ‘n’ Roll. “In the Light” e “Tem Years Gone” me prendem bastante também. Essas músicas citadas e mais algumas outras já dariam um lançamento histórico, mas o que acho legal nesse disco duplo, é que ouvindo por completo você se surpreende a cada minuto das faixas. Em um álbum convencional não seria possível mostrar todas essas ótimas experiências que a banda tinha de sobra. Physical Graffiti mostrava mais uma vez uma inquestionável compatibilidade musical dos integrantes, que estavam exaustos da viagem de sucesso.
Mairon: O melhor disco de todos os tempos só podia ser o melhor dos anos 70. Aliás, período complicado para selecionar apenas dez discos bons hein? Quanto lançamento excelente ficou de fora. Mas esse petardo não podia ficar, e a primeira posição é o que ele merece. Foram 18 meses de trabalho, experimentações, reconstrução de canções abandonadas, a maior banda do mundo na época fazendo o maior projeto musical da época só podia resultar nessa grandiosidade de 15 picanhas ao ponto. O Led peregrina por diversos estilos, do folk de “Black Country Woman” e “Bron-Yr-Aur” aos hards de “Custard Pie”, “Houses of the Holy”, “Night Flight“, “The Wanton Song” e “Sick Again”. Da divertida “Boogie With Stu” a baladas doloridas em “Down by the Seaside” e “Ten Years Gone“. Do Funk de “Trampled Underfoot” as experimentações de “In The Light” e “The Rover”. E principalmente, do blues de sexo insaciável em “In My Time of Dying” ao flerte descarado com o oriente (e por que não o progressivo) de “Kashmir”. Não há nenhum outro álbum que agregue tanta qualidade em seus sulcos quanto Physical Graffitti. Escrevi mais sobre ele aqui, e certamente, na nossa escolha dos dez mais de todos os tempos, acredito que ele estará de novo figurando entre os dez mais.
Micael: Tem muita gente que considera este “o melhor disco de todos os tempos”, inclusive meu irmão, nosso colaborador Mairon Machado, que com certeza foi um dos responsáveis por colocar este disco no topo do pódio da década de 1970, aquela onde foram registrados os melhores discos de rock and roll na história (seja em qual estilo for). Para mim, este não é sequer o melhor do Led, quiçá de uma era dourada como esta. Duplo, o acho cheio de fillers desnecessários, e, apesar de contar com maravilhas como "Kashmir" (imensamente melhor na versão do Un-Led-ed), "In My Time of Dying" (outro dos tantos “plágios não assumidos” da banda), "In the Light" ou "Ten Years Gone", não é o suficiente para sequer estar nesta lista, quem dirá no primeiro lugar. Mas, já não é de hoje que o gosto pessoal supera a coerência nas listas do site, então...
Ronaldo: É o equivalente zeppeliano do White Album dos Beatles. Eclético até o osso, não tão pesado quanto os primeiros anos, mas ainda mais apurado musicalmente que os discos antecessores, esse trabalho é realmente uma grande referência da música (não só do rock) dos anos 70. "Kashmir" é uma música absolutamente fora do comum, cuja importância vai bem além do cercado do rock, demonstrando o quanto o Led Zeppelin estava acima de seus concorrentes diretos em termos de imaginação e inventividade. Retrato de uma época em que existia um feliz casamento entre musicalidade e sucesso comercial.


Led Zeppelin – Led Zeppelin IV [1971] (70 pontos)

André: Clássicos, clássicos e mais clássicos. Disco brilhante do início ao fim. Outro daqueles casos que não há mais muito o que falar. Tirando "Stairway to Heaven", muito por causa da saturação em torno da música, todas as outras continuam envelhecendo como um vinho fino e demonstram o que há de errado com a música atual em termos de dificuldade de se criarem hinos como as grandes faixas deste disco.
Daniel: Eu tendo a concordar que seja um exagero a presença de 2 álbuns de uma mesma banda em listas como esta. Mas há uma exceção: o Led Zeppelin, a melhor banda de Rock de todos os tempos. Muita gente pensa que este seria o melhor disco da banda – e pode ser que seja mesmo – e suas inquestionáveis qualidades são explicitadas em canções como “Black Dog”, “Rock and Roll”, “The Battle of Evermore” e, claro, “Stairway to Heaven”. Portanto, temos aqui o Led Zeppelin afiadíssimo e dando outra aula de Rock para ser degustada e seguida.
Davi: Esse sempre foi um dos meus álbuns favoritos do Led. Sempre fico dividido entre esse e o Led Zeppelin II. Álbum de cabeceira total. "Black Dog", "Misty Mountain Hop" e "Rock n Roll" são hard rock da melhor qualidade. Aliás, o solo de bateria no final de "Rock n Roll" até hoje não vi ninguém reproduzir igual. Nem Jason Bonham, nem Mike Portnoy, absurdo. As baladas são lindíssimas também. "Stairway to Heaven" é uma faixa simplesmente perfeita. Sempre adorei "The Battle of Evermore". A única que me cansa um pouco é "When The Levee Breaks", mas nada que tire a magia do álbum. Gosto mais dele do que o Physical Graffitti.
Eudes: Embora Physical seja a herança monumental do Led Zeppelin, com todas as virtudes sobre as quais já babei acima, é inquestionável que, para o cidadão comum, este álbum seja o que mais identifica a banda. E é mesmo soberbo. Quantos discos começam com uma sequência tão massacrante como "Rock’n’Roll" e "Black Dog", o hit quebra-pescoço do disco? IV é de um ecletismo exemplar. Ao lado de rocks contundentes como estes, faixas acústicas de beleza cristalina e uma leitura dos blues inusitada e espetacular em "When the Levee Breaks". Não, eu não esqueci, tem "Stairway to Heaven".
Fernando: Como disse acima considero o IV o disco mais importante da banda mais importante do rock. Depois de três discos espetaculares e cada um deles com suas características próprias o Led acabou usando todas elas para fazer esse que seria um marco e moldaria muita coisa que outras bandas fariam ao longo da década.
Líbia: Led Zeppelin marcou multidões com as músicas “Black Dog” e “Rock and Roll” e ainda na sequência de hits, a “Stairway to Heaven”, todas presentes no Led Zeppelin IV. Minha favorita é a "When the Levee Breaks” que fecha com chave de ouro, mostrando mais um extraordinário trabalho do John Bonham, além das ótimas técnicas de produção e por isso tocada poucas vezes em shows. O que essa banda tem de sobra além de inspiração e criatividade, é muita ousadia nas composições e nas performances. Por muito pouco não entraram todos os clássicos do Zeppelin nas listas finais dos anos 60 e 70 (concorridíssimo).
Mairon: Led Zeppelin mostrando por que foi a maior banda de rock da história. Conseguiu colocar quatro de seus oito discos (sete indicados) originais entre os melhores de todos os tempos dos anos em que foram lançados, só o Led mesmo. E como não? Olha o que esse discaço tem: “Black Dog” e “Rock ‘n’ Roll” são duas faixas espetaculares para abrir um disco espetacular, que dá um soco no estômago quando depois de praticamente quebrarmos a sala de tanto dançar e pular, trazer o mandolim e o duelo vocal de Sandy Denny e Robert Plant para nos levar aos mundos mágicos além dos mais distantes sonhos de elfos. Genialmente, Page e cia. empregam o mesmo espírito de sombra e luz para chocar os ouvidos no lado B, começando com a animação de “Misty Mounain Hop”, trazendo as influências orientais de “Friends”, arrancando lágrimas na delicada “Going To California” e hipnotizando na viagem de harmônica mais peso brutal de “When The Levee Breaks”. Sinceramente, só por ter “Stairway To Heaven” esse álbum já merecia estar entre os dez mais. Um clássico! Um verdadeiro hino da música, que somente gigantes como o Led poderiam criar através de talento, inspiração e muita, mas muita transpiração. Um grande álbum, divisor de águas na carreira do grupo, e que só foi superado em termos de grandiosidade pelo nosso primeiro colocado.
Micael: Sabe o tal “melhor disco do Led” que falei lá no começo? Pois aqui está ele. Um lado A praticamente perfeito (pena que "The Battle of Evermore" seja tão pouco lembrada quando se fala neste álbum), e um lado B que contém a pesadaça "When the Levee Breaks" (outro dos tantos “plágios não assumidos” da banda – onde foi que já li isto antes? Ah, sim, lá em cima no outro disco da banda a fazer parte da lista – aliás, o Led é tão bom assim para colocar dois discos na lista de melhores da década de 1960 e dois na de 1970?) e uma das músicas mais lindas que o grupo já gravou, "Going to California"... um disco que merecia e precisava estar nesta lista. Não sei qual foi sua posição na contagem final, mas espero ter sido alta, pois ele merece...
Ronaldo: Led Zeppelin está para a década de 70 como os Beatles estão para a década de 60. Neste álbum está cristalizada a capacidade dos caras de fazer, com maestria, muitos tipos diferentes de música e quantos climas diferentes eram capazes de criar em um único álbum. O Olimpo do rock.

3° Pink Floyd – The Dark Side of the Moon [1973] (67 pontos)

André: Meddle e The Dark Side of the Moon disputam o primeiro lugar em minhas preferências pessoais, mas votei nesse pela representatividade e influência que possui dentro da música. Um disco que atravessou décadas no top 200 da Billboard, um recorde absoluto que duvido muito que será batido algum dia, "Brain Damage" segue sendo minha canção favorita do disco do prisma cujo todo tracklist é digno do elogios.
Daniel: O meu álbum favorito do Pink Floyd sempre foi The Wall, mas a presença de The Dark Side of the Moon nesta lista é mais que justificada. “Time”, “Money” e “Us and Them” são algumas das minhas canções prediletas e amostras da qualidade de um disco que não deixa o nível cair em nenhum momento. A verdade é que, durante os anos 70, o Pink Floyd estava em estado de graça e gravou, em sequência, discos que são verdadeiras obras-primas.
Davi: Esse é o primeiro álbum do Pink Floyd onde considero que eles atingiram a perfeição. Não me leve a mal. Não estou criticando o que fizeram antes. Gosto de álbuns como Atom Heart Mother e Meddle, mas aqui atingiram outro nível enquanto compositores. Faixas como "Breathe", "Money", "Brain Damage", "Us And Them" e "Time" possuem construções simplesmente impecáveis. O disco é perfeito. Execução perfeita. Timbre dos instrumentos perfeitos. Enfim, álbum essencial não apenas entre os fãs de Pink Floyd, mas essencial em qualquer coleção que se preze.
Eudes: Sim, como outros acima, é um lugar comum. Mas, fazer o que? Deixar The Dark Side of the Moon de fora da lista? Vocês não sabem do que estou falando. Seja porque se trata de um ponto de vista de mais de 40 anos atrás, seja porque e trata de um ponto de vista desde de uma então pequena capital, Fortaleza. E mais, um ponto de vista desde um bairro periférico de classe média baixa no meio dos anos 70. Só se colocando nestas latitudes para entender que The Dark Side of the Moon é para mim um disco só meu, ou ao menos meu e dos meus queridos mais próximos. Difícil entender isso, quase 50 anos depois, quando o disco se tornou um ícone geral, universal que não admite mais nenhum apego pessoal a ele. Então, The Dark Side of the Moon é um disquinho meu, que ninguém mais ouve no meu bairro e que eu mantenho sob as sete chaves do segredo.
Fernando:  Recentemente esse álbum completou 950 semanas - não consecutivas - dentro do Top 200 da Billboard (um recorde). O segundo álbum com mais semanas nessa lista é uma coletânea do Bob Marley com pouco mais de 600 semanas. Ou seja, é um dos discos mais importantes da história e é uma daquelas obras que mostra o quanto algumas pessoas podem ser geniais. Junto com o Sgt Peppers é daqueles álbuns que o estúdio foi praticamente um outro componente, ou pelo menos, um novo instrumento.
Líbia: The Dark Side of The Moon foi o primeiro disco do Pink Floyd com o qual tive contato, e a primeira coisa que me chamou atenção foi a icônica capa. Certamente foi o mais revolucionário possuindo efeitos sonoros marcantes, com uma produção impecável e a ideia conceitual genial. Sinto até hoje uma certa tensão entre a “On the run” e a “Time”, essa agonia termina após os tão comentados barulhos dos relógios, e quando começa a música propriamente dita, se torna algo emocionante. Essa emoção continua na “The Great Gig in the Sky” com os vocais da cantora inglesa Clare Torry em sua pequena participação que se tornou grandiosa. Ainda não é o álbum que mais escuto do Pink Floyd 70’s, mas merece muito estar na lista. Esse álbum é uma grande referência para audiófilos, inovou a forma de escutar e produzir música.
Mairon: The Dark Side of The Moon é um álbum que marca a minha vida por diversas situações, mas principalmente, por que é o preferido da minha amada Bianca, da qual cada dia que passa a saudade só aumenta. Muito ouvimos esse disco nas idas e vindas de seu tratamento e da sua batalha contra o câncer. Infelizmente, ela ganhou várias batalhas, mas a guerra foi perdida, ou talvez conquistada dependendo do ponto de vista de quem acompanhou tão de perto quanto eu. Tu fostes uma guerreira meu amor, e foi uma honra ter lutado ao teu lado nos três anos dessa guerra. Ouvir “Breathe”, “Time”, “Money” e “Us And Them”, e não lembrar de cada momento que passamos ao som dessas e das outras faixas, foi impossível, e seguido de um derramamento de lágrimas de forma descomunal, como tem sido ao ouvir tantos outros álbuns que curtimos juntos no tempo que estivemos lado a lado, ou mesmo quando me pego pensando em ti por uma simples barata que circule pela casa. Para a matéria, poxa, se um disco que fica 730 semanas entre os mais vendidos da Billboard, que vende em média 8 mil cópias por ano só nos Estados Unidos, e que tem algo tão lindo quanto “The Great Gig in the Sky” não estivesse entre os dez mais, mesmo eu não tendo votado nele, eu pularia da ponte. Desculpem o texto pessoal, mas não tinha como fugir dele ...
Micael: Mais um caso de disco consagrado (neste caso, por quase todo mundo) que não faz muito a minha cabeça. É um bom disco? Claro, até mais que isso... Eu me arrepio até hoje quando ouço “Time” ou "The Great Gig in the Sky"? Com certeza. Eu chorei como uma criança quando Roger Waters tocou "Brain Damage" e "Eclipse" em sequência no show mais recente dele a que assisti em Porto Alegre? Pode apostar que sim. É um álbum que merece estar nesta lista? Como já disse sobre outros da década de 1960, se fôssemos escolher os “mais importantes”, com certeza sim, mas, para o meu gosto, não o colocaria dentre os melhores. Mas sou obrigado a concordar que ele não soa tão deslocado aqui...
Ronaldo: O que dizer de um álbum que ficou singelos 15 anos na parada dos mais vendidos e suas milhões de cópias dissecadas por esses anos todos a fio? Difícil acrescentar algo a uma estatística tão grotesca. Seu conteúdo musical é de uma eficiência abissal em brisar até a mente do público não-roqueiro.

4° Yes - Close To The Edge [1972] (45 pontos)

André: Talvez aqui esteja o melhor lineup da história da música. Só gigantes que dominam com perfeição seus instrumentos combinada com a voz angelical de Jon Anderson e uma qualidade de composições que se mantém impressionante ao longo de décadas. Não tem jeito, a década de 70 será imbatível no mundo da música. E isso considerando todos os estilos musicais possíveis, não apenas ao rock. Incrível como as longas canções não cansam de jeito nenhum. É tudo muito orgânico, cada passagem melódica se encaixa com perfeição e o tempo passa voando que quando reparamos, já estamos ao final do álbum. A abertura "Close to the Edge" é uma das melhores primeiras canções de um álbum que se tem notícia. E todo o restante do tracklist se mantém em nível altíssimo. São tantos grandes discos nesta década que fica complicado afirmar qualquer coisa com certeza absoluta. Mas Close to the Edge está entre meus discos progs favoritos de todos os tempos. Ouvindo agora, me arrependo amargamente de não tê-lo posto em minha lista.
Daniel: Close to the Edge saiu da minha lista aos 45 minutos do segundo tempo, mas sua presença aqui nesta lista final, além de justa, é merecida. Na minha percepção, este álbum é a obra máxima do Yes e outro exemplo de como o Progressivo é um estilo rico e cativante. Acho "And You and I" magnífica e adoro a suíte homônima ao disco. O Yes foi outra banda que estava em estado de graça no início dos anos 70.
Davi: O Yes sempre foi a minha banda preferida dentro da cena de rock progressivo. Acho que eles sempre souberam administrar bem a mescla de virtuosismo e melodia. Sempre gostei mais do Fragile, mas não tem como não admirar esse album. 3 faixas apenas, mas 3 puta faixas. Minha preferida, entretanto, não é a faixa-título. O troféu vai para "And You And I", que considero um a das melhores canções da banda.
Eudes: Outro daqueles pontos de chegada de grandes bandas. O Yes fazia discos brilhantes desde 1969. Seu segundo disco, Time and a Word, marcava a primeira tentativa de virada da banda, que, embora seja ótimo, carecia de direção clara. Só em The Yes Album a banda começou a destilar o som que finalmente a distinguiria para a eternidade. Fragile afina estas características, mas é em Close to the Edge que o som se arredonda e os elementos se plasmam plenamente. São três longas faixas, "Close to the Edge" e "And You and I", apresentadas no formato suíte, e "Siberian Khatru", desenvolvida num único tema. Tudo desce fácil, sem necessidade de queimar neurônios para acompanhar, e com satisfação garantida. Outro ícone incontestável da década de 70.
Fernando: Esse é uma pérola! Um dos discos preferidos da casa. Lembro quando pensei em me aventurar no rock progressivo com mais profundidade e um amigo me emprestou esse CD. Claro que uma introdução instrumental de 4 minutos, com uma confusão sonora onde cada instrumento estava fazendo uma coisa diferente em um tempo diferente, em uma música de 18 minutos não é algo que a gente se acostume de cara. Mas eu fui ouvindo, ouvindo, entendendo, percebendo a beleza sonora dessa banda que se tornou uma de minhas preferidas. Também acho que a formação Squier, Howe, Anderson, Wakeman e Brufford é a maior formação musical da história. E os riffs de “Siberian Kathru”? São coisas de gênio ou não? E para finalizar: “what the fuck is total mass retain?”
Líbia: Três músicas executadas com perfeição, apresentadas com sutilidade e explosão. Cada integrante faz coisas incríveis em seus instrumentos no turbilhão coletivo de cada música. Temos aqui o Yes em um dos seus melhores momentos, com toda a inteligência poética e virtuosismo musical. Close to the Edge foi feito para ouvir com atenção para perceber todas as mudanças nas músicas, sem nenhum imediatismo. Tem todos os elementos sublimes
Mairon: Aqui está a prova cabal de como cinco pessoas transformam-se em monstros geniais, capazes de derreter cérebros em pouco mais de 40 minutos de duração. Tratei deste álbum aqui, e o que posso acrescentar é que as três canções são cheias de alternância, complexidade, virtuosismo e perfeição, que atingem o ouvinte com muita facilidade. A maior formação técnica individualmente e coletivamente falando, com Steve Howe, Rick Wakeman, Chris Squire, Bill Bruford e Jon Anderson, faz um disco excepcional, e, com méritos, eleito pela maioria dos fãs (eu não) como o melhor do Yes. Se eu tivesse adotado o critério de mais de um disco por banda, seria meu sexto lugar! Mas preferi eleger apenas um por banda, e por isso, ficou de fora. Mas com certeza, foi eleito o melhor de 1972 na nossa série original, e merecidíssimo
Micael: Muitos consideram este o “melhor álbum de rock progressivo já gravado”. Não chego a tanto, mas ele certamente está no meu Top 10 (inclusive da década, como coloquei na minha lista), além de o considerar o melhor registro do Yes. Apenas três músicas, mas são três obras primas, o auge que a melhor formação de todo o rock progressivo (musicalmente e tecnicamente falando) atingiu em sua curta trajetória de apenas dois registros de estúdio. Merecidíssimo estar aqui, e recomendado a quem gosta de música, sentimentos e melodias, não apenas de barulhos, sensações e ritmos...
Ronaldo: Uma boa definição de música cerebral! Os minutos iniciais da suíte que dá nome ao álbum são capazes de fritar os ouvidos dos não-iniciados. O álbum traz uma torrente riquíssima de sons variados, polirritmias e muita ousadia em forma e conteúdo. E o mais interessante é que no meio da loucura toda, melodias sublimes (como as de “And You and I” ou do trecho “I Get Up I Get Down”) se fazem presentes; passagens instrumentais ricamente esculpidas estão presentes em altas doses no álbum todo. Progressividade em doses cavalares.

5° Deep Purple – Machine Head [1972] (40 pontos)

André: Olha eu prefiro o Burn, mas seria injusto da minha parte desconsiderar outro clássico do Purple que é Machine Head. Na minha lista de gosto pessoal da discografia deles este disco está li pela sétima posição, mas eu entendo perfeitamente quem o considera o melhor da banda. A banda estava afiada e soltou grandes músicas como "Highway Star" e "Space Truckin'". Aliás, não consigo entender porque diabos "Smoke on the Water" é tão louvada e considerada o "clássico" do Purple. Todas as outras faixas deste mesmo disco são melhores que ela, mesmo a desprezada "Never Before". E não é nem questão de que a canção saturou, mas é porque as outras são muito melhores mesmo.
Daniel: Um álbum com clássicos do calibre de “Highway Star”, “Lazy” e “Space Truckin’”, verdadeiros hinos do Rock, não é qualquer um. Se não já fosse o bastante, ainda há “Smoke on the Water”, um dos mais reconhecidos e aclamados riffs da história da música. Assim, é plenamente justificável a presença desta obra nesta lista. Muitas vezes, é até difícil de escolher qual seria o melhor disco do Purple nos anos 70, mas, além de Machine Head ser o melhor, é também o mais representativo.
Davi: Trabalho impecável. Outro álbum que considero álbum de cabeceira. Até hoje os fãs discutem se o melhor álbum do Purple é o MachineHead ou o Burn. Entretanto, ninguém questiona que esse é o melhor trabalho da fase Gillan e um dos álbuns mais emblemáticos da década de 70. Ian Gillan impressiona em "Highway Star", Ian Paice debulha em "Space Truckin". Ritchie Blackmore prova, de uma vez por todas, que ele é um dos maiores riffmakers da história. Quem você conhece que tentou aprender guitarra e nunca quis tirar o riff de "Smoke On The Water"? Trabalho simplesmente impecável.
Eudes: Um dos álbuns mais significativos do rock dos anos 70. Depois da oscilante discografia inicial, que deságua no disco Concerto for Group and Orchestra, o Deep Purple se reinventou e traçou seu destino. Tudo o que surgiu no eruptivo In Rock foi arredondado, sintetizado e embalado para as festas de rock da época em Machine Head. Equações complexas, como a combinação de hard rock e música erudita evitam o caminho óbvio do progressivo e nos dão clássicos dançantes como em "Highway Star", hard rock e swing de sabor soul se entendem muito bem em "Maybe I’m a Leo", peso e melodia trocam beijos em "Never Before", rock cinquentista, jazz e peso parecem que saíram juntos da maternidade em "Lazy". E quantos riffs inesquecíveis! Ah, sim, tem "Smoke on the Water"!
Fernando: Com a mudança do som mais psicodélico para o hard rock a partir de In Rock o Deep Purple chegou ao seu ápice em Machine Head. Muitos vão falar de “Highway Star” ou do clássico absoluto “Smoke on the Water”, mas a minha preferida mesmo é “Pictures of Home”. Da santíssima trindade do rock o Deep Purple é a minha banda favorita. Suas diversas formações nunca entregaram um disco ruim.
Líbia: Machine Head tem composições de primeira, é um clássico de ponta a ponta. Daqueles álbuns que se não tivessem existido, o Metal seria muito diferente. O relacionamento entre as guitarras do Ritchie Blackmore e teclados de Jon Lord são surpreendentes, e isso é uma das principais coisas que diferenciavam o Deep Purple das outras bandas nos anos 70. Escolher uma faixa favorita desse álbum é uma tarefa árdua. Mas a quase instrumental “Lazy” mostra a excelência de todos os membros da banda. Obrigatório é pouco.
Mairon: Disco emblemático do hard rock, e para muitos o melhor álbum da carreira do Deep Purple. Isso ficou atestado aqui, já que ele entrou superando seu gigante irmão mais novo, Burn, ou o irmão mais velho, In Rock. Sem dúvidas, dentre os discos gravados pela formação com Ian Gillan (vocais), Roger Glover (baixo), Ritchie Blackmore (guitarra), Jon Lord (teclados) e Ian Paice (bateria), este é o mais homogêneo. Pelo menos dois clássicos registrados no LP: “Smoke on the Water” e “Highway Star”, tocadas a exaustão desde então. Por outro lado, curto muito “Lazy”, com sua introdução fantástica, e “Space Truckin’”, que com a Mark III fez misérias no California Jam. “Maybe I’m a Leo” e “Never Before” são boas canções, mas que vivem à sombra dos clássicos citados. Sorte de “Pictures of Home”, a melhor canção do LP, resgatada pela fase com Steve Morse, mas incomparável ao que a Mark II fez aqui, com cada músico mostrando seu talento individual em pequenos solos. Disco fácil na lista dos 1000 discos para ouvir antes de morrer, para deixar que o ouvinte julgue se merece ou não audições posteriores. O meu está pegando poeira há algum tempo.
Micael: O disco mais importante da carreira do Deep Purple (para mim, não chega a ser o melhor, posto ocupado por In Rock), o álbum que contém um dos poucos hinos verdadeiros do rock, reconhecido até por quem nunca teve maiores contatos com o gênero (vocês sabem de quem eu falo, certo?), o registro onde se encontram as versões originais de pérolas do calibre de "Highway Star", "Pictures of Home" (minha favorita neste track list em particular), "Lazy" e "Space Truckin'", e que ainda teve o desplante de deixar de fora de seus sulcos a lindíssima balada “When A Blind Man Cries”, faixa que muita banda consagrada por aí daria quase tudo para ter composto... enfim, um dos itens praticamente obrigatórios desta lista de melhores da década de 1970. Já escrevi sobre este disco aqui no site quando ele completou 40 anos, e quase uma década depois ainda continuo fascinado por ele (e vai ser difícil cansar de ouvi-lo). Clássico!
Ronaldo: Um dos pilares do rock pesado de todos os tempos. 5 músicos fantásticos no ápice de sua musicalidade trazendo um punhado de músicas memoráveis. Ainda que o Deep Purple sofresse um pouco na parte da produção (seus discos não tem tanta qualidade de gravação quanto os do Led Zeppelin ou os dos Rolling Stones), em nada a banda fica devendo a seus pares – as porções instrumentais do álbum são embasbacantes, Ian Gillan é um show a parte e as faixas são incendiárias. "Smoke on the Water" é uma música perfeita e, não a toa, foi tão massivamente reproduzida desde seu lançamento.

6° Kiss – Destroyer [1976] (35 pontos)

André: Vão reclamar como sempre que Kiss é ruim, só tem marketing, apelam demais para o visual, que o Simmons é louco por dinheiro... sério, um disco festeiro e divertido não pode ser considerado um Melhor da Década? O Kiss é gigante, fez shows memoráveis e trazem alegria para os seus fãs. Eu até concordo que seus melhores clássicos estão espalhados por vários discos diferentes, mas Destroyer é o que consegue reunir grande parte deles. Por sinal, acho "King of the Night Time World" uma das melhores faixas de toda a carreira do Kiss e infelizmente costuma ser pouco lembrada.
Daniel: Eu adoro o Kiss, tenho todos os seus álbuns de estúdio e penso que Destroyer é mesmo seu álbum mais representativo, afinal, “Detroit Rock City”, “Beth”, “Shout It Out Loud” e “God Of Thunder” são clássicos verdadeiros da banda. Enfim, extremamente cativante e divertido, Destroyer é um ótimo disco de Hard Rock, embora, eu devo confessar, sem o calibre necessário para estar entre os 10 mais de uma década como a de 70.
Davi: Destroyer é um dos álbuns preferidos dos fãs e também da banda. Esse foi o primeiro álbum que eles criaram depois de finalmente terem atingido a fama com Kiss Alive! Os músicos não quiseram deixar por menos e criaram um trabalho simplesmente memorável. "Detroit Rock City", "Flaming Youth", "Shout It Out Loud" e "Sweet Pain" traziam o ar de hard rock festeiro que seus fãs sempre esperam. "God of Thunder" impressionava com uma sonoridade mais pesada e sombria. Sem contar que eles começavam a arriscar mais no universo das baladas com a presença das lindas "Great Expectations" e "Beth". Discaço!
Eudes: Vocês estão de sacanagem, né? Se era para dar uma colher de chá ao rock básico, melhor teria sido eleger Ramones, a deliciosa estreia dos punks de NY. Em tempo: acho Destroyer um disco bem divertido.
Fernando: Talvez o disco mais divertido dessa lista. Provavelmente o meu disco preferido do Kiss, que muda sempre, mas é certo que é o que mais ouvi. Foi o primeiro disco que a banda fez depois de explodir com o Alive, ou seja, os discos anteriores eram feitos sem tanta cobrança e aqui isso até ajudou. Além do mais é nítida a diferença da qualidade sonora. E o que falar das músicas. Até de “Great Expectations” vai bem para mim, então por aí todos já percebem o quando gosto do disco.
Líbia: Destroyer não é nem um pouco injustiçado, álbum mais que comentado e mais que tocado. Tem os hits memoráveis “Detroit Rock City”, “Shout It Out Loud” e a especialmente linda “Beth”, mas a “Do You Love Me” é aquela música com um refrão sensacional, que eu gosto de ouvir quando estou dirigindo, sem o mesmo glamour que a música passa e sem os óculos escuros. O Kiss tinha todos os elementos necessários para criar álbuns empolgantes e atraentes do rock'n'roll, e Destroyer é uma grande prova disso.
Mairon: Um álbum que começa com uma pedrada chamada “Detroit Rock City”, que não tem comparação com nenhuma outra na discografia do Kiss, passa por espetáculos como “God of Thunder” e possui o hino “Shout It Out Loud” não pode ser menosprezado. Acho o LP um pouco abaixo dos demais discos do Kiss, culpa de “Great Expectations”, “Flaming Youth” e a balada mela-calcinha chamada “Beth”, mas que é um grandioso disco, isso é. Além das citadas, não posso deixar de dizer que Ace Frehley estava em um momento fantástico, criando solos e riffs que tornaram-se reconhecidos por qualquer aspirante a roqueiro a partir de então, como “Do You Love Me”, King of the Nigh Time World” ou “Sweet Pain”, letra safada pra caralho. Se tivesse um disco do Kiss que eu votaria certamente era Dynasty, mas entendo a predileção dos colegas por esse clássicozão.
Micael: Nunca fui muito fã do Kiss, embora tenha assistido ao grupo ao vivo na turnê de “reunião” em suporte ao Psycho Circus, em 1999 (show cuja atração de abertura, o então desconhecido Rammstein, ainda me causa pesadelos ainda hoje, por motivos que não cabem ser ditos em um site de família). Ali percebi que o tipo de música do grupo norte americano não era o mais palatável para meus ouvidos, e preferi continuar assim desde então. Destroyer tem "Detroit Rock City", ""Shout It Out Loud", "Beth", "Do You Love Me?", "God of Thunder", King of the Night Time World", quase todas clássicos da banda, mas insuficientes para colocar este registro nesta lista tirando o lugar de qualquer álbum do Black Sabbath (mesmo aqueles após Sabbath Bloody Sabbath), de um AC/DC, de um Judas Priest, de um Rush ou de tantos outros... não é para o meu gosto, me desculpem...
Ronaldo: O Kiss é icônico na vertente do rock que cruza música e imagem. Muito mais interessante do que qualquer coisa do afetado glam-rock inglês, sua veia rockeira é clara e declarada. Eles sabiam como fazer músicas-chiclete e capturar o ouvinte logo nos primeiros segundos. Meu único porém é que o disco tem um som muito abafado, com a bateria muito grave; esse problema se resolveria nos álbuns seguintes, que tiveram Eddie Kramer nos consoles e, por isso, preferira ver outros bons álbuns deles no lugar desse.

7° Jethro Tull – Thick As a Brick [1972] (33 pontos)

André: Gosto mais de Aqualung, mas não reclamarei de Thick as a Brick porque é outro petardo desses caras. Mais levado pelo instrumental, o que gosto do disco é ele fazendo troça do próprio rock progressivo no meio dos tantos medalhões que escreviam letras sérias e tal e fez um álbum cheio de humor que só me fazem crescer a admiração que tenho por eles. Claro que as longas seções instrumentais em que todo mundo tem a chance de brilhar um pouco que seja fazem parte da tradicional cartilha prog.
Daniel: Outra das principais obras da história do Rock e o atestado definitivo da genialidade de Ian Anderson. Ao longo de seus pouco mais de 40 minutos, em uma única canção, o disco transborda exuberância, potência e, simultaneamente, sensibilidade e intuição. Claro que Anderson é um destaque, mas não consigo não mencionar o guitarrista Martin Barre, com momentos simplesmente incríveis. Thick As a Brick é um daqueles discos essenciais.
Davi: Ok, vão me malhar aqui, mas não consigo gostar desse disco. Nunca fui um fã de carteirinha do Jethro Tull, mas tem alguns álbuns deles que considero excelentes. Gosto muito daquela fase inicial, com maior influência de blues, como acontecia em This Was. Acho Aqualung uma obra-prima, mas sempre considerei esse trabalho um tanto cansativo. Ok, os músicos são de primeiro time, a execução é perfeita. A ideia do conceito do disco é muito bacana, muito inteligente, mas considero a audição desse trabalho maçante. Há alguns momentos dentro da composição de 40 e tantos minutos onde eles soam brilhantes e outros onde eles soam pentelhos. Entendo que é um clássico e tal, mas não é para mim.
Eudes: O título já entrega o tema do disco, algo como “agir como um idiota”. Hoje é um clichê quase insuportável discos conceituais sobre o eterno dilema entre o peso da sociedade e a liberdade individual e de pensamento dos jovens. Mas, na época, não havia The Wall. Ian Anderson chegou lá antes e capinou o terreno para os vários discos com este tom que vieram depois. Mas, mesmo que tenha inaugurado um veio que virou um muro de lamentações, nem sempre manifestado com muito brilhantismo, neste disco as coisas são complemente diferentes. A narrativa não tem nada de pueril. É quase cínica, às vezes violenta. Tudo envolto da melhor música que se poderia desejar. Uma resposta brilhante a Aqualung.
Fernando: Quantas vezes você já ouviu alguém falar mal de rock progressivo argumentando algo como “música chata, muito longa, não acaba nunca”? Agora me explica a diferença de ouvir um disco com 40 minutos com 10 músicas e um disco de 40 minutos com uma música. Thick As a Brick tem 40 minutos completa, no vinil ela interrompia quando acabava o lado A e você tinha que virar o disco para ouvir o restante, mas ela tem tantas variações, tantas nuances que não dá para falar que nem de longe que ela tem 40 minutos da mesma coisa. Fora que toda a mística e a história criada com a letra, a parte gráfica e as lendas sobre tudo isso criam um ambiente perfeito para que quando você ouve tudo faça sentido. Eu só reclamo uma coisa do Thick As A Brick: o sucesso da empreitada encorajou a banda a fazer o A Passion Play do mesmo jeito e aí eu já não acho que a banda conseguiu o mesmo resultado.
Líbia: Um dos álbuns mais sofisticados do Rock, tanto de material gráfico quanto de composição, foi tudo brilhantemente pensado. Thick As a Brick tem um domínio de duas entidades incríveis, linguagem e música. Me afeiçoei a esse álbum de primeira, ele começa da melhor maneira possível, com um instrumental incrível alinhado principalmente ao Hard Rock, Folk e Prog. A temática se torna atemporal nesse álbum, quando critica uma sociedade que não pensa mais por si própria e nem é estimulada a fazer isso desde o nascimento. Com certeza um dos melhores álbuns de todos os tempos.
Mairon: Destrinchei esse clássico do Jethro Tull em nosso site há algum tempo, e com certeza, este é um dos meus discos favoritos dentro do rock progressivo. A maravilhosa faixa-título, ocupando os dois lados do vinil simples, é um teste de audição para os fãs do estilo, e, principalmente, uma chocante experiência para quem estava acostumado com o hard/folk que o Jethro Tull havia apresentado em seus quatro álbuns anteriores. Martin Barre (guitarra) e Barriemore Barlow (bateria) são os grandes destaques individuais, com solos energéticos e vibrantes, junto a uma performance impecável e essencial de John Evan no piano e teclados, que dá um corpo robusto para a canção. Mas é o faz tudo Ian Anderson quem comanda toda a bagaça com flauta, violão e uma voz reconhecível até por uma marmota bêbada. No ano seguinte, o grupo gravou sua obra-prima, A Passion Play, mas o que foi feito em Thick As a Brick é mais um daqueles raros momentos em que alguém aponta para baixo e diz: “Vocês cinco, façam uma obra atemporal”, e assim ela nasce. Não entrou na minha lista por conta que só podia dez, mas se tivesse que ser um dos do Jethro Tull possíveis, com certeza seria ele. Essencial!
Micael:  Tenho certeza de que este disco só está aqui porque o coloquei no topo da minha lista. Afinal, quase todo fã do Jethro Tull iria citar Aqualung e não ele numa lista destas. Mas, como já escrevi antes, para mim não é o caso do disco ser o “mais importante”, mas sim de ser “o melhor”. E, neste caso, Thick As a Brick para mim não só é o melhor registro de Ian Anderson e companhia, mas do rock progressivo inteiro (afirmação forte, eu sei, mas devo ser meio maluco mesmo). Curioso é que ele deveria ser uma espécie de “paródia” ao gênero, visto Ian ter ficado, segundo a lenda, muito irritado com aqueles que chamaram Aqualung de “conceitual” e “progressivo”, sendo que, a partir daí, resolveu fazer uma espécie de “pastiche” destes conceitos para “brincar” com os críticos que não compreendiam sua música... Acabou compondo um álbum com uma única música de quase quarenta e cinco minutos, a meu ver maravilhosa, e que me levou ás lágrimas quando de sua execução na íntegra em um show em Porto Alegre que o colega José Aronna resenhou para este site. Talvez seja mais um caso de “gosto pessoal superando a coerência nas listas do site”, mas, se os demais consultores não concordarem com a minha opinião, bem, eu também não concordei com muitas das opiniões deles, então, deixemos assim...
Ronaldo: Ainda que o Jethro Tull estivesse na gênese da vertente mais ousada do rock do fim dos anos 60, eles tinham raízes bastante profundas no blues e um guitarrista que não economizava na distorção. Isso fez com que seu som se diferenciasse bastante dos grupos que partilhavam da mesma expansão das fronteiras roqueiras, mas que assumiram para si o papel de mini-orquestras eletrônicas. Em Thick as a Brick, o grupo parece buscar se equiparar a esse conjunto de conceitos e, ainda que o faça bem, há muitas partes no álbum que mostram uma banda um pouco desajeitada nesse figurino. A veia folk de Ian Anderson traz um tempero especial para a sinfonia Tulliana.

8° Bruce Springsteen – Born to Run [1975] (32 pontos)

André: Não é que o Diogo Bizotto deixou ainda alguns fakes para votarem por ele no site? Mas dou meus méritos ao The Boss. Ele sempre se mostrou muito caprichado e rigoroso quanto as suas composições e isto fez com que deixasse uma bela discografia. Entre os seus melhores discos está esse Born to Run. O disco inteiro exala aquele rock gostoso recheado de piano, sax e que nos traz aquela vontade sair pelas rodovias da América a bordo de nosso carro conversível. Mas como isso não passa de um sonho de pobre, ao menos, dá para nos iludirmos ao som de "Night" e da balada "She's the One" que são minhas favoritas aqui.
Daniel: Um disco extraordinário e outra das melhores obras da história do Rock, embora não sejam todas as mentes aptas para esta percepção. É bastante palpável todo o cuidado e empenho com que Bruce Springsteen gravou o álbum. Impressiona como cada segundo de sua duração foi pensado, para se encaixar cada nota, cada instrumento, de maneira única e a soar contribuindo para o engrandecimento de cada composição. Outra característica marcante de Born to Run são os arranjos das canções, trabalhados de maneira excepcional de forma a tornar tudo mais grandioso, mas sem soar desnecessário ou exagerado.
Davi: Álbum clássico que marca um ponto de virada na carreira do the boss. Os arranjos ganharam mais corpo, se comparado aos 2 álbuns anteriores. Bruce Springsteen já se demonstrava um grande cantor, se entregando de corpo e alma com sua voz forte e rasgada. Como já era de se esperar, o trabalho é tipicamente americano. Há quem se incomode com isso, o que não é o meu caso. "Thunder Road", "Night", "Born To Run", "She´s The One" e "Junglehead" são os destaques do disco.
Eudes: Daquelas escolhas retroativas. Claro que Born to Run é ótimo, mas está muito longe de ser o melhor disco de Bruce Springsteen. Pessoalmente coloco no topo Nebraska. E, reconhecida sua importância, está muito atrás de vários outros álbuns deste período seja no quesito novidade-ruptura, seja no quesito representatividade. Escolha que sinceramente não entendi.
Fernando: Da lista é o disco que menos ouvi. É por que não gosto dele? Claro que não! É só o fato de que é o artista da lista que fiquei fã há menos tempo. É curioso como um músico consegue mostrar suas suas raízes e representar tanto um país através da música. Interessante que eu sei o quanto esse disco é importante para Springsteen, provavelmente seu disco mais respeitado, mas não é meu preferido – o posto cabe ao disco seguinte Darkness on the Edge of Town. Notaram que meio de tantas bandas fantásticas presentes nessa lista somente Springsteen conseguiu incluir um disco como artista solo?
Líbia: Esse álbum me conquistou nos primeiros segundos de “Thunder Road” e nunca mais saiu das minhas audições. Cada música revela um tumulto de emoções humanas que cada um de nós experimenta muitas vezes. Bruce Springsteen interpreta as histórias com paixão, as músicas “Backstreets” e “Born to Run” manifestam bem isso. O álbum finaliza com a fantástica poesia e riqueza musical de “Meeting Across The River” e com uma interação fantástica de Clarence Clemons e Roy Bittan em “Jungleland”. Certamente um dos álbuns com as melhores composições desse universo musical, ele te coloca para cima e te emociona. Born To Run vai se eternizar na minha lista dos anos 70.
Mairon: Surpreendente ver esse disco aqui. Achei que sem o Diogo, Bruce não teria moral entre os consultores, mas acabei vendo que isso não é realidade. Pontos para a introdução de “Meeting Across the River”, e só. No geral, basta ouvir os primeiros segundos de “Thunder Road” para sentir que aqui está aquela música boa para deixar de fundo para fazer qualquer outra atividade. A música de Bruce é cheia de testosterona e para cima, como atesta a faixa-título ou a mini-suíte “Jungleland”, mas americana demais para meu gosto. Esse pianinho elétrico de “Backstreets”, “She’s The One” e “Tenth Avenue Freeze-Out” é brega pacas. O saxofone me irrita quando aparece, principalmente na faixa-título e em “Night”, e olha que eu curto bastante saxofone. Parece aquele saxofone de filme de Natal de Hollywood. Me irrita. Vejo o disco como uma obra melhorada do que Meat Loaf fez com Bat Out Of Hell dois anos depois, com todo o perdão da comparação. É audível, mas não para tudo isso.
Micael:  Ah, sério que este álbum está nesta lista? Não é pegadinha isso aqui? Uma década com medalhões do calibre de Queen, Black Sabbath, Bob Dylan, David Bowie, Eric Clapton, King Crimson, Rolling Stones (para ficar só dentre aqueles candidatos a serem eleitos pelos critérios adotados) e conseguem deixar todos eles de fora por ISTO? Tudo o que se encontra aqui foi feito com mais propriedade por Neil Young naquela mesma década (bom, talvez não as melodias vocais, mas isso é gosto pessoal), e muito mais além pelo Crosby, Stills, Nash & Young, por Sir Elton John ou pelo Fleetwood Mac (de novo, só para ficar dentre aqueles que atendiam os pré-requisitos), Incompreensível... Mais uma vez o gosto pessoal superando a coerência nas listas do site.
Ronaldo: Me lembro mais ou menos do que escrevi quando esse álbum apareceu na lista de melhores do ano em que foi lançado. Minha opinião é basicamente a mesma desde então – é um som que remete imediatamente aos EUA e ao estilo de vida da maior parte de seus cidadãos. Então, uma adequada apreciação desse álbum depende um pouco de que o ouvinte entre nesse clima. Bruce é um compositor capaz de colocar muita energia no seu trabalho e de gerar um vínculo bastante eficaz com seus ouvintes. É um rock adulto com características próprias, que tem predicados inquestionáveis. De questionável aqui somente sua presença em uma lista de 10 melhores em uma década como a de 70.

9° Genesis - Selling England By The Pound [1973] (27 pontos)

André: Não sou lá tão fã do Genesis quanto meus colegas de site e acho que talvez um Bowie ou um The Who poderia ser mais representativo aqui se for para ignorar minhas preferências pessoais. É um bom disco sem dúvidas, não tenho como criticar esses caras sendo que a canção "Firth of Filth" a que mais me agrada com belas passagens sinfônicas. Sem contar o desempenho do tecladista Tony Banks, de longe, o melhor integrante da banda. Mas se fosse para ter o Genesis aqui, Foxtrot era o disco que eu preferiria.
Daniel: Este é outro disco magnífico e que foi o grande responsável por me tornar um fã de Rock Progressivo. "Dancing with the Moonlit Knight" e "The Battle of Epping Forest" são composições exuberantes e exemplos excepcionais de como o Progressivo pode ser hipnoticamente cativante. As atuações de Peter Gabriel e de Steve Hackett são simplesmente incríveis. Enfim, fiquei muito satisfeito com a presença de uma obra como Selling England By The Pound estar aqui.
Davi: Essa fase do Genesis não é a minha preferida. Para a tristeza geral da nação, sempre gostei mais da fase mais comercial, com o Phil Collins a frente. Em relação ao trabalho escolhido, o disco é absurdamente bem feito. Phil Collins é um excelente baterista. Steve Hackett e Tony Banks são dois monstros, mas sei lá, escuto, escuto, escuto, e as composições não me cativam. "Dancing With The Moonlight Knight" e "Firth ou Fifth" são as que considero as melhores do álbum.
Eudes: Não dá para reclamar. Um disco de fato maravilhoso e muito expressivo da música dos anos 70. Pessoalmente, é o meu predileto do período em que Peter Gabriel encabeçava a banda. Embora muitos considerem que The Lamb Lies Down on Broadway a culminância desta fase da banda mais centrada na invenção, para mim este ponto culminante é este Selling England by the Pound. Aqui, parece que todas as vertentes inventivas que se manifestavam nos brilhantes discos anteriores se plasmaram em faixas extremamente bem resolvidas, com arranjos complexos mas longe de ser pretenciosos, melodias inesquecíveis e um clima cativante e comovente.
Fernando: Toda vez que ouço esse disco eu lembro das primeiras vezes que o ouvi. Estava em época de iniciação científica na faculdade e tinha começado a trilhar o caminho do progressivo. Lembro de estar no laboratório com meu discman e os fones no ouvido. O Genesis é a única banda clássica que poderia se reunir com sua formação clássica. O motivo disso ainda não ter acontecido é um mistério. Vão esperar alguém ir para a eternidade para isso acontecer?
Líbia: Genesis foi uma banda que demorou muito entrar na minha cabeça e hoje não sai da minha playlist. Selling England By The Pound foi o primeiro da fase Peter Gabriel que conheci, e foi como ir a um mundo muito surreal. Steve Hackett é um dos meus guitarristas favoritos e meu coração dispara quando escuto os belos solos dele nesse álbum! Eu curto as outras eras, mas essa é realmente descomunal. Nesse álbum, para mim o destaque é a “Firth of fifth” que tem um trabalho musical exageradamente perfeito. Obra-prima do Rock Progressivo.
Mairon: Eu simplesmente abomino “I Know What I Like (in Your Wardrobe)” na carreira do Genesis. Sinceramente, acho-a chata demais, e totalmente fora dos altos padrões que o Genesis de Peter Gabriel mostrou para a humanidade. Por outro lado, as épicas “Cinema Show”, “Dancing With the Moonlit Knight” e “The Battle of Epping Forest” são representativas desse padrão de excelência que citei, corroborado pela maravilha “Firth of Fifth”, com Steve Hackett eternizando um dos melhores solos de todos os tempos. A entrada entre os dez mais dos anos 70 é justa e apoiada, deste que comentei aqui. Mas ainda preferia ver o The Lamb Lies on Broadway por aqui.
Micael: Outro disco cultuado pelos seus admiradores, que parecem esquecer que o Genesis compôs duas obra primas praticamente perfeitas antes dele (e, segundo alguns, grupo onde não me incluo, uma outra ainda melhor logo depois). Claro que um disco que contém "Firth of Fifth", "The Cinema Show", "The Battle of Epping Forest", "Dancing with the Moonlit Knight" (estas duas, minhas favoritas no track list) e "I Know What I Like (In Your Wardrobe)" (talvez a primeira “pisada” do Genesis no terreno pantanoso do pop radiofônico onde a banda iria habitar na década seguinte) não pode nunca ser chamado de ruim. Apenas o acho inferior a seus antecessores imediatos (incluindo o Tresspass), e não vejo o porquê dele estar aqui. Para piorar, não é o único caso...
Ronaldo: Apenas em um contexto de ampla liberdade musical e valorização da instrumentação é que um álbum como esse poderia ser concebida e ter feito sucesso. Perfeição pode parecer uma palavra banalizada, mas gostaria que o leitor revisasse seu significado ao ouvir álbuns como Selling England by the Pound. Apenas por sua faixa de abertura esse disco já merece todos os louros – é uma sinfonia com uma dinâmica surpreendente e um encadeamento genial de frases e sonoridades. "The Cinema Show", é outra preciosidade – você consegue ter uma melodia cantarolável no início seguida de uma longa passagem instrumental pra deixar seus ouvidos arriados no final.

10° Captain Beyond - Captain Beyond [1972] (26 pontos) *

André: É com dor no coração que falo de uma banda que gosto bastante: mas deveria ter pelo menos um disco do Sabbath no lugar deste aqui, que destoa um pouco. OK, minha lista é cheia de discos de "segunda" como esse, mas caso uma delas entrasse, eu tentaria defender o meu peixe e justificar a sua entrada. Como não foi o caso, deixo para quem votou justificar. O que posso dizer é que o Captain Beyond é um caso típico de banda que infelizmente só foi reconhecida algumas décadas depois, mas deixando uma pequena discografia marcante. Caso deste primeiro disco que possui a excepcional "Mesmerization Eclipse" do qual possui um baixo simplesmente embasbacante por parte do excelente Lee Dorman, também do Iron Butterfly.
Daniel: A presença deste disco nesta lista é surpreendente. Não que se trate de uma obra ruim, ao menos para mim. Aqui se tem um trabalho que mistura sonoridades e melodias com competência e um bom gosto difícil de ver. Gosto da seção rítmica presente e marcante com Bobby Caldwell e Lee Dorman e Larry 'Rhino' Reinhardt arrebenta com seus solos e seus riffs. "Mesmerization Eclipse" e "Frozen Over" são minhas favoritas de um álbum acima da média, mas que é um exagero sua presença entre os 10 mais de uma década como a de 70.
Davi: Essa banda ficou muito conhecida entre os roqueiros por conta dos músicos envolvidos. Em especial, a presença de Rod Evans. O rapaz responsável pelos vocais nos primeiros álbuns do Deep Purple. O disco é realmente muito bom. Eu, particularmente, gosto muito de "Mezmerization Eclipse" e "I Can´t Feel Nothing". A banda era extremamente competente dentro da sua proposta que era, justamente, fazer um hard rock com pitadas de psicodelia e rock progressivo. No entanto, sua aparição aqui considero um tanto exagerada.
Eudes: Simpatizei muito com esta escolha. Obviamente não lhe daria a medalha de prata, mas, embora o disco não seja mais uma escolha surpreendente, pois há vários anos ele foi recuperado do limbo e elevado a ícone do hard rock setentista, não costuma frequentar estas listas de melhores do ano ou da década. O disco é um monumento de riffs monolíticos, duros, impenetráveis. Uma massa sonora que é jogada à audição como um tijolo. Um disco inesperadamente original. Prova disso é que, incapaz de repetir a façanha, a banda se dissolveu em poucos anos, mesmo que Sufficiently Breathless e Dawn Explosion sejam discos bacanas.
Fernando: Lembro quando eu comprei esse disco e ouvi. Achei confusas as músicas no início. Não lembro bem o motivo, mas daí ouvi o Bento Araújo do Poeira Zine dizendo que esse era o melhor disco de hard rock dos anos 70. Pensei, o Bento está louco!!! Olha os discos do Purple, do Rainbow e de outras várias bandas. Lembro de voltar a ouvir com mais cuidado e acabei fazendo várias audições meio seguidas e daí o disco me pegou. Ainda não acho ele melhor que um Burn ou o próprio Machine Head, mas não dá para negar que é um clássico e fiquei feliz dele ter entrado.
Líbia: Minha lista de álbuns sempre se altera, mas esse debut está fixo na minha lista dos anos 70 há muitos anos, quando o adquiri pela capa e pelo ex-vocalista do Deep Purple, Rod Evans. Nos primeiros minutos do CD no meu aparelho de som, já estava surpreendida pelos riffs, que chegavam a ser de outra galáxia, e com o instrumental caprichado do início ao fim. Pular as faixas chega a ser um crime de Estado, seria como cortar uma música ao meio. O álbum infelizmente não foi um sucesso de vendas na época de lançamento, mas um trabalho feito com sucesso. Agora é um clássico absoluto e peculiar, que ultrapassou gerações com o seus Lados A e B fantásticos, não consigo citar uma música ou outra de destaque. Se um dia eu esquecer quem sou, ainda lembrarei desse grande feito do Captain Beyond.
Mairon: Lembro até hoje a primeira vez que ouvi esse álbum, esperando algo na linha psicodélica do Deep Purple do qual Rod Evans havia feito parte, e me deparando com uma potente turbina sonora, capaz de arrancar o chão com uma fúria devastadora. O lado A deste álbum é perfeito, e o lado B é sobrenatural. Canções curtas, misturando hard rock com pitadas de psicodelia e muito, mas muito peso, que vão intercalando-se e fazendo uma fusão arrasadora, parecendo que estamos apenas em uma longa e incrível suíte, que só leva o ouvinte a curtir mais e mais vezes os trinta e cinco minutos de Captain Beyond. O melhor trabalho da carreira de Rod Evans, e também dos ex-Iron Butterfly Larry “Rhino” Reinhardt (guitarra) e Lee Dorman (baixo), que, acompanhados por Bobby Caldwell, cometeram o único pecado de terem ficado juntos por pouco tempo. E a capa da versão original? Que coisa linda de morrer! Citar uma única canção é pouco. O melhor é ouvir na íntegra outro grandioso álbum de 1972 a aparecer aqui na lista. Na lista original, lá dos tempos da Uol, esse álbum ficou atrás de Close to the Edge na minha lista particular. Como adotei escolher apenas um disco de cada banda para essa lista, ele automaticamente se tornou o primeiro a aparecer de 1972. Foda que haviam outros oito melhores na minha opinião para os anos 70, mas fico feliz em saber que não sou só eu que acho esse trabalho essencial. Parabéns aos consultores por terem colocado Captain Beyond entre os dez mais, e por colocar quatro discos de 1972 na lista. .
Micael:  Comprei este disco em uma era pré-internet porque tinha lido em algum lugar que Rod Evans cantava nele, e eu sempre gostei muito de Deep Purple, mesmo da primeira fase. Ouvi uma ou duas vezes, e não percebi nada demais no disco.. bonzinho, mas apenas isto. Veio a internet e descobri um verdadeiro culto ao disco (e à banda também), então lhe dei mais algumas poucas chances, que não mudaram minha opinião. Aí ele é eleito nesta lista, e minha opinião... ainda é a mesma! A quantidade absurda de discos melhores (e mais importantes, se quiserem usar este critério) que ficaram de fora para que este álbum entrasse me faz questionar se os meus colegas realmente conhecem alguns dos álbuns disponíveis para votação ou apenas selecionaram na lista inicial aqueles que fazem parte de suas coleções (ou suas “listas de reprodução do spotify”) e mandaram bala em seus votos sem procurar ouvir os clássicos contidos na referida listagem, que continha, com certeza, mais de cem discos para escolha. Pois bem, baseado nela, e apenas nela, se a lista fosse dos 100 melhores discos da década de 1970, não sei se haveria lugar para o Capitão do Além... Enfim, não é a primeira lista do site com uma enorme distorção... ninguém é perfeito mesmo..
Ronaldo: Me incluo entre os muitos fãs exaltados desse álbum. Há aqui uma forma muito original de transitar entre o peso do hard rock do início dos 70’s com aquela coisa cerebral trazida pelo rock progressivo inglês, tudo isso temperado com virtuosismo e embalado com composições empolgantes. A presença de um disco como este pode ser contestada por si só, mas acho que esse disco representa toda a vertente de rock pesado que varreu o mundo após o surgimento do Led Zeppelin, do Deep Purple e do Black Sabbath. Em termos musicais e em quantidade de obras, esse estilo é algo muito mais consistentemente disseminado do que o glam-rock, com o qual frequentemente o início da década de 70 é associado.
* Captain Beyond ficou empatado com o mesmo número de pontos que Layla And Other Assorted Love Songs e Burn. Porém, como teve três citações, enquanto os demais tiveram duas citações, ficou com o décimo lugar. 

Listas Individuais
 
ANDRÉ
1. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
2. Deep Purple - Burn
3. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
4. Novos Baianos - Acabou Chorare
5. Kraftwerk – Trans Europa Express
6. Kiss – Destroyer
7. Black Sabbath – Master of Reality
8. Wishbone Ash – Argus
9. Uriah Heep – Demons and Wizards
10. Jethro Tull – Aqualung

 
DANIEL
1. Led Zeppelin – Physical Graffiti
2. Pink Floyd – The Wall
3. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
4. Bruce Springsteen – Born to Run
5. Deep Purple – Machine Head
6. Black Sabbath – Paranoid
7. Jethro Tull – Thick As a Brick
8. David Bowie – The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars
9. Queen – A Night at the Opera
10. Genesis – Selling England By the Pound

 
DAVI
1. Kiss – Destroyer
2. Van Halen – Van Halen
3. John Lennon – Plastic Ono Band
4. Rolling Stones – Sticky Fingers
5. Deep Purple – Machine Head
6. Black Sabbath – Black Sabbath
7. Queen – A Night At The Opera
8. Sex Pistols – Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols
9. Yes - Fragile
10. Pink Floyd - The Wall

 
EUDES
1. Led Zeppelin - Physical Graffitti
2. George Harrison - All Thigs Must Pass
3. Jeff Beck - Blow By Blow
4. Pink Floyd - The Dark Side Of The Moon
5. Yes - Close To The Edge
6. Deep Purple - Machine Head
7. Stevie Wonder - Talking Book
8. Milton Nascimento & Lô Borges - Clube Da Esquina
9. Black Sabbath - Vol. 4
10. Neil Young - Zuma

 
FERNANDO
1. Pink Floyd - The Dark Side of The Moon
2. Yes - Close To The Edge
3. Genesis - Selling England By The Pound
4. Elton John - Goodbye Yellow Brick Road
5. David Bowie - The Rise and Fall of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars
6. Deep Purple - Machine Head
7. Derek And The Dominoes - Layla And Other Assorted Love Songs
8. Black Sabbath - Master Of Reality
9. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV
10. Rolling Stones - Sticky Fingers

 
LÍBIA
1. Rush - 2112
2. Bruce Springsteen – Born to Run
3. Rainbow - Rising
4. UFO - Phenomenon
5. Uriah Heep - Demons and Wizards
6. Supertramp - Breakfast in America
7. Captain Beyond - Captain Beyond
8. Alice Cooper - School's Out
9. Thin Lizzy – Jailbreak
10. Deep Purple - In Rock

 
MAIRON
1. Led Zeppelin - Physical Graffitti
2. Yes - Tales From Topographic Oceans
3. Genesis - The Lamb Lies Down On Bradway
4. Arnaldo Baptista - Lóki?5. David Bowie - Low
6. Black Sabbath - Never Say Die
7. Deep Purple - Come Taste The Band
8. Rush - Hemispheres
9. Captain Beyond - Captain Beyond
10. Pink Floyd – Atom Heart Mother

 
MICAEL
1. Jethro Tull – Thick As a Brick
2. Derek and the Dominos – Layla and Other Assorted Love Songs
3. The Clash – London Calling
4. Queen – A Night at the Opera
5. Genesis – Nursery Cryme
6. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
7. Pink Floyd – Animals
8. King Crimson – Red
9. Deep Purple – In Rock
10. Yes – Close to the Edge

 
RONALDO
1. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV
2. Emerson Lake & Palmer - Brain Salad Surgery
3. Captain Beyond - Captain Beyond
4. Yes - Close To The Edge
5. Black Sabbath - Vol. 4
6. Genesis - Selling England By The Pound
7. Deep Purple - Burn
8. Rolling Stones - Sticky Fingers
9. The Who - Who's Next
10. Pink Floyd - Dark Side Of The Moon

DISCOS ELEITOS ENTRE 1970 E 1979
AC/DC – Powerage
AC/DC – Highway to Hell
Alice Cooper – School’s Out
Arnaldo Baptista – Lóki?
Bad Company – Bad Company
Banco del Mutuo Soccorso – Darwin!
Big Star – #1 Record
Black Sabbath – Black Sabbath
Black Sabbath – Paranoid
Black Sabbath – Master of Reality
Black Sabbath – Vol. 4
Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
Black Sabbath – Sabotage
Black Sabbath – Never Say Die!
Blue Öyster Cult – Secret Treaties
Bob Dylan – Blood on the Tracks
Bob Dylan – Desire
Bruce Springsteen – Born to Run
Bruce Springsteen – Darkness on the Edge of Town
Caetano Veloso – Transa
Camel – Mirage
Captain Beyond – Captain Beyond
Caravan – In the Land of Grey and Pink
Creedence Clearwater Revival – Cosmo’s Factory
Crosby, Stills, Nash & Young – Déjà Vu
David Bowie – The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars
David Bowie – Station to Station
David Bowie – Low
David Bowie – “Heroes”
Deep Purple – In Rock
Deep Purple – Machine Head
Deep Purple – Burn
Deep Purple – Come Taste the Band
Derek and the Dominos – Layla and Other Assorted Love Songs
Eagles – Hotel California
Electric Light Orchestra – Eldorado
Elis Regina – Falso Brilhante
Elton John – Goodbye Yellow Brick Road
Emerson, Lake & Palmer – Emerson, Lake & Palmer
Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
Eric Carmen – Eric Carmen
Fleetwood Mac – Rumours
Frank Zappa – Chunga’s Revenge
Free – Fire and Water
Funkadelic – One Nation Under a Groove
Gene Clark – No Other
Genesis – Nursery Cryme
Genesis – Foxtrot
Genesis – Selling England By the Pound
Genesis – The Lamb Lies Down on Broadway
Gentle Giant – Acquiring the Taste
Gentle Giant – Octopus
George Harrison – All Things Must Pass
Grand Funk Railroad – E Pluribus Funk
Jeff Beck – Blow By Blow
Jeff Beck – Wired
Jethro Tull – Benefit
Jethro Tull – Aqualung
Jethro Tull – Thick As a Brick
John Lennon – Plastic Ono Band
Joni Mitchell – Blue
Jorge Ben – A Tábua de Esmeralda
Jorge Ben – África Brasil
Judas Priest – Sad Wings of Destiny
Judas Priest – Sin After Sin
Judas Priest – Stained Class
Judas Priest – Killing Machine
Kansas – Leftoverture
King Crimson – Larks’ Tongues in Aspic
King Crimson – Red
Kiss – Destroyer
Kiss – Rock and Roll Over
Kiss – Love Gun
Kiss – Dynasty
Kraftwerk – Autobahn
Kraftwerk – Trans Europa Express
Led Zeppelin – Led Zeppelin III
Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
Led Zeppelin – Houses of the Holy
Led Zeppelin – Physical Graffiti
Led Zeppelin – Presence
Lynyrd Skynyrd – Street Survivors
Meat Loaf – Bat Out of Hell
Michael Jackson – Off the Wall
Milton Nascimento e Lô Borges – Clube da Esquina
Motörhead – Overkill
Mutantes – Jardim Elétrico
Neil Young – Harvest
Neil Young – On the Beach
Neil Young with Crazy Horse – Zuma
Novos Baianos – Acabou Chorare
Paul and Linda McCartney – Ram
Paul McCartney & Wings – Band on the Run
Pink Floyd – Atom Heart Mother
Pink Floyd – Meddle
Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
Pink Floyd – Wish You Were Here
Pink Floyd – Animals
Pink Floyd – The Wall
Queen – A Night at the Opera
Queen – News of the World
Rainbow – Ritchie Blackmore’s Rainbow
Rainbow – Rising
Rainbow – Long Live Rock ‘n’ Roll
Ramones – Ramones
Ramones – Rocket to Russia
Raul Seixas – Krig-ha, Bandolo!
Renaissance – Ashes Are Burning
Rita Lee & Tutti Frutti – Fruto Proibido
Rush – 2112
Rush – A Farewell to Kings
Rush – Hemispheres
Scorpions – Virgin Killer
Scorpions – Taken By Force
Secos & Molhados – Secos & Molhados
Sex Pistols – Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols
Som Nosso de Cada Dia – Snegs
Steely Dan – Pretzel Logic
Steve Howe – The Steve Howe Album
Stevie Wonder – Music of My Mind
Stevie Wonder – Talking Book
Supertramp – Crime of the Century
Supertramp – Breakfast in America
Tangerine Dream – Cyclone
The Clash – London Calling
The Kinks – Lola Versus Powerman and the Moneygoround, Part One
The Mahavishnu Orchestra – The Inner Mounting Flame
The Police – Reggatta de Blanc
The Rolling Stones – Sticky Fingers
The Rolling Stones – Exile on Main St.
The Stooges – Fun House
The Stooges – Raw Power
The Who – Who’s Next
Thin Lizzy – Jailbreak
Thin Lizzy – Black Rose: A Rock Legend
Tom Waits – Blue Valentine
UFO – Phenomenon
Uriah Heep – Demons and Wizards
Van Der Graaf Generator – Pawn Hearts
Van Der Graaf Generator – Godbluff
Van Halen – Van Halen
Van Halen – Van Halen II
Wishbone Ash – Argus
Yes – Fragile
Yes – Close to the Edge
Yes – Tales from Topographic Oceans
Yes – Relayer
Yes – Going for the One
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