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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Melhores de 2021


E vamos as tradicionais listas de Melhores do Ano. Depois de algum tempo sem conseguir acompanhar lançamentos com certa assiduidade, ou de conseguir curtir 10 álbuns para fechar uma lista digna de ser apresentada aos leitores, eis que 2021 trouxe o retorno aos estúdios de gigantes que eu admiro, e que acabaram fazendo com que eu ouvisse bastante os álbuns que aparecem abaixo, principalmente nos lançamentos do último trimestre (outubro, novembro e dezembro). Foi um ano difícil, muitas perdas, muitas tragédias, mas fica a esperança para 2022. Que ele não repita tudo de ruim que aconteceu em 2021, mas que possa trazer paz, saúde, e claro, lançamentos tão bons quanto os que curti. Vamos a lista.

1.  ABBA - Voyage

Podem me dizer o que quiserem, mas Voyage é disparado o melhor disco de 2021. Anos esperando um lançamento novo dos suecos, e eis que o quarteto detona. O melhor do pop para agradar qualquer fã do grupo, ainda mais com músicas maravilhosas como "Don’t Shut Me Down", "Just a Notion" " Keep An Eye On Dan" e "No Doubt About It". Benny e Björn criando faixas como se o tempo não tivesse passado para eles, e o mesmo pode se dizer das vozes de Agnetha e Frida. A turnê holográfica não me atrai, mas esse discaço está rodando direto nessa descoberta (que não gosto muito, mas é o que temos no momento) que foi o Spotify. Lançado em 05 de novembro.


2. Steve Hackett - Under a Mediterranean Sky

Que Steve Hackett sempre é capaz de nos surpreender, disso ninguém tem dúvida. Depois de bons discos com vocais nos últimos tempos, eis que ele largou a guitarra, pegou o violão e foi unir-se a Roger King (teclados e arranjos orquestrais) para se inspirar nos sons mediterrâneos em um fantástico disco de violão clássico, que mistura elementos desde o flamenco até o oriente médio. O épico que abre o álbum, "Mdina (The Walled City)" é uma das canções mais virtuosas que já tive oportunidade de ouvir advinda das mãos do cara. Certamente sabia que ele é muito talentoso, mas os dedilhados furiosos que ele faz ao violão aqui, são de cair o queixo. Outra surpresa foi o uso do trêmolo em "Adriatic Blue" e "The Memory of Myth", como é linda essa técnica, e como Hackett a faz tão bem. E claro, ao ouvir "Scarlatti Sonata" uma lágrima correu, me lembrando os bons tempos que estudei violão clássico. Composições lindas, na linha do que John Willians já havia feito há algum tempo atrás, que atestam como um grande músico sabe se reinventar, e não necessariamente ficar tocando sempre a mesma coisa por anos e anos. Há tempos não ouvia algo tão tocante relacionado a arte do violão clássico. Lançado em 22 de janeiro. 

3. Styx - Crash the Crown

Outro que tocou muito no Spotify. O Styx volta a fazer uma sonoridade próxima ao progressivo, e faixas como  “A Monster”, “Hold Back The Darkness”, "Long Live The King" e “Our Wonderful Lives” atestam por que o Styx é a melhor banda daquelas que foram consagradas pelo seu som perambulando entre o pop comercial e o rock progressivo, empregando elementos acústicos, pesados, orgãos de igreja e até trompete (!) com uma precisão impecável. Perguntinha: quando o Styx dará o ar da graça por aqui? Lançado em 18 de junho. 

4. Greta Van Fleet - The Battle at Garden's Gate

Como é bom ver jovens alunos evoluindo, conseguindo caminhar por conta própria, e prometendo dar muito orgulho aos seus professores. É o caso do Greta Van Fleet. Se o álbum anterior trouxe muitas comparações ao Led Zeppelin, em The Battle at Garden's Gate os irmãos Kiska (e o batera Daniel Wagner) praticamente limaram essa comparação. Os rapazes estão cada vez mais soberanos em suas criações, claro, trazendo influências Zeppelianas, mas com arranjos e harmonias puramente VanFleetianos. O álbum é uma paulada atrás da outra, mesmo nas baladas, e até nos momentos acústicos as canções conseguem te dar uma pancada no peito, que te sacode por inteiro. Grande destaque para os solos de Jacob, como esse menino evolui nas seis cordas, e também no uso do wah-wah, basta ouvir, e se emocionar, com o maravilhoso solo de "The Weight of Dreams". Outras grandiosas faixas são "Broken Bells", "Heat Above" e "Built By Nations". Ansioso para ver esses caras abrindo para o Metallica, o laço que vão dar nos velhinhos. Certamente, se seguirem nesse patamar, serão lembrados como a maior banda deste século. Lançado em 16 de abril. 

5. Jerry Cantrell - Brighten

Jerry Cantrell é um sobrevivente do rock. Todos os exageros da geração Seattle dos anos 90 não foram capazes de afetar sua capacidade de criar músicas sensacionais. Apesar de Brighten trazer canções que em pouco lembram Alice in Chains, como por exemplo "Prism of Doubt", há também faixas pesadas e empolgantes, como a faixa-título, "Had To Know", que me fazem pensar como seria bom se Layne Stailey estivesse ainda criando faixas ao lado de Cantrell. Ouvir "Siren Song" fez arrancar lágrimas imaginando os dois cantando juntos essa faixa. Belo disco! Lançado em 29 de outubro. 

6. Big Big Train - Common Ground 

Me aproximei mais do Big Big Train depois da entrada de Rikard Sjöblom na banda. Apesar de não curtir os vocais Neal Morseanos de David Longdon, é inegável a contribuição que o ex-Beardfish Rikard deu para a banda. Da Suécia, o rapaz trouxe sua genialidade ímpar para criar peças preciosas, e que bom que Longdon percebeu o talento do cara. Mesmo que Rikard tenha composto apenas uma canção, a linda "Headwaters", somente ao piano, suas contribuições com teclados e guitarra em faixas como "All The Love We Can Give" e na suíte "Atlantic Cable", verdadeiras teses de rock progressivo atual baseadas nos grandes trabalhos dos anos 70. Destaque total para "Apollo", fantástica faixa instrumental cria do batera Nick D'Virgilio, e indicada para quem curte Yes e afins. Lançado em 30 de julho. 

7. Stew - Taste

O Stew surgiu para mim através de um Test Drive que fizemos em 2019, e desde então, virou banda de audição constante com aquele álbum. Em novembro desse ano, veio Taste, mais uma bela paulada que mostra elementos de hard rock dos anos 70 surpreendentes. Novamente, o disco é curto (pouco mais de meia hora), mas o suficiente para quebrar pescoços e estourar cordas de air guitars mundo a fora, principalmente na pesadíssima "Earthless Woman", na rifferama de "Heavy Wings" e na trabalhada "Still Got the Time". Destaque também para a balada bluesy "When the Lights Go Out". Lançado em 12 de novembro.

8. Lucifer - Lucifer IV

Passei a prestar mais atenção ao som do Lucifer a partir do Melhores do Ano passado, onde a banda figurou nos dez mais. O som de Lucifer IV é pesado e ótimo de se ouvir com o som no talo. Os vocais de Johanna Sadonis estão cada vez mais sedutores e potentes, e as construções instrumentais mostram como o Black sabbath ainda influencia novidades, e é capaz de parir bisnetos tão tinhosos quanto foram suas composições originais, vide "Cold as a Tombstone", "Phobos", "Orion", "Wild Hearses", e com certeza, "Mausoleum", cuja introdução já colocou fácil esse álbum nesta lista. Essas faixas, que apesar do cheirão evidente do couro da jaqueta do bisavô Iommi, trazem todo um frescor do século atual. Lançado em 29 de outubro.

9. Robert Plant & Alison Krauss - Raise the Roof

Raising Sand, o primeiro álbum da dupla, é um álbum tão bom que ficamos na expectativa de como seria um segundo lançamento deles. Pois 14 anos depois, Plant e Krauss voltaram com Raise the Roof. Não é um disco tão impactante quanto seu antecessor, mas mesmo assim, muito belo. As canções parecem ser uma sequência natural da carreira de Plant ao lado da Sensation Space Shifters, porém aclimatadas pelo sempre excepcional vocal de Krauss. Faixas como "Go Your Way", "Searching for My Love" trazem belas harmonias vocais e instrumentais, e como Plant ainda está com a voz em dia, incrívelmente, como mostra também "High and Lonesome". Quando Alison tem o predomínio vocal, como "The Price of Love" e "It dont Bother Me", é de uma lindeza única. As melhores, "Quatro (World Drifts In)" e "Last Kind Words Blues", trazem elementos perfeitos para serem ouvidos enquanto nossos nervos são tocados pelas belezas emanadas dessas ótimas composições. Lançado em 19 de novembro. 

10. Caligonaut - Magnified as Giants

Estes noruegueses surgiram como indicação no Spotify, em virtude de eu ter ouvido bastante Wobbler esse ano, e fiquei encantado. É um progressivo mito bem feito, lembrando um pouco de Genesis mas trazendo também boas pitadas de peso, muito por conta da participação do membro do Wobbler  Lars Fredrik Frøislie (teclados, mellotron). A abertura com a linda "Emperor" já traz uma mistura incrível de elementos acústicos e elétricos, com teclados e baixo predominando entre os dedilhados de violão e guitarra. O trabalho de violão também é relevante em "Hushed" e na bela faixa-título. A suíte "Lighter Than Air" é uma das grandes joias desta década, em termos musicais. Quatro faixas apenas, mas muito boas para nos fazer esperar ansiosamente por mais um lançamento do Wobbler, e que o Caligonaut possa se manter na ativa, além de mostrar que a Escandinávia vem cada vez mais parindo as melhores bandas deste século em se tratando de progressivo. Lançado em 26 de fevereiro.

Menção Honrosa: Serj Tankian - Elasticity

O EP Elasticity trouxe o velho Serj Tankian para minhas audições. as cinco canções são uma moderna criação do que poderia ser o SOAD hoje em dia. Destaque em especial para "Your Mom" e "Electric Yerevan", pesadíssimas, e o piano com orquestra na sensacional "How Many Times?". Não entrou na lista dos dez melhores apenas por que é um EP. Ah se o SOAD voltasse ... 😔

Decepções: Iron Maiden - Senjutsu e Deep Purple - Turning to Crime

Que o Iron vem se repetindo há anos não é novidade. O problea central de Senjutsu é que as músicas longas estão cada vez mais sonolentas, e as mais curtas são um pastiche da carreira solo de Bruce Dickinson ou de composições de Adrian Smith. Disco modorrento, que não sei se irá me conquistar um dia. 

Já Turning To Crime é um disco triste. OK, o Deep Purple apresenta suas homenagens, mas falta uma vitalidade ao longo das canções. Mais uma banda que não há por que continuar na ativa, ao meu ver, e que deixei de acompanhar há algum tempo. Até tinha esperanças com Turning to Crime, mas foi uma grande decepção.

Vergonha alheia: The Metallica Blacklist 

Sério, quem foi o "gênio" que teve a coragem de lançar quatro horas de versões para algumas músicas do clássico "Black Album" do Metallica, em mais de 4 horas de duração? E sério, quem que se animou a comprar isso? Não me senti a vontade para ouvir o tal disco, até por que ouvir sete versões diferentes de "Sad But True" e "The Unforgiven", seis de "Enter Sandman", e doze (!) de "Nothing Else Matters" é ter muito tempo para ser perdido. Sério, que ideia de jerico isso aqui. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Melhores de 2018





O ano de 2018 foi bastante atrativo em termos de lançamentos. Não consegui ouvir muitos álbuns esse ano (pouco mais de 50), mas a maioria do que ouvi é de ótima qualidade. Fechar os 10 não foi uma tarefa fácil, mas depois de muitas audições, e considerações daqueles finaleiras, eis aqui minha lista de 2018, e que 2019 seja um ano de muitos lançamentos e paz à todos!


Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army


Um disco de inéditas do Led Zeppelin é covardia perto de outros tantos lançamentos desse ano. Ok que o Greta Van Fleet não é o Zeppelin de chumbo, mas seu álbum de estreia é um marco nas produções sonoras desse século. Os guris conseguiram sugar tudo o que podiam do D. N. A. de Page e Plant (principalmente), e nos colocaram diretamente nos anos 70. Que tesão me dá em escutar "Lover, Leaver", puta merda. Uma pegada meio "Whole Lotta Love", som foda do caralho! O mesmo acontece com "Brave New World", com seu cheirão de imponência, muito bem construída e de fácil agrado. Ouvir "Mountain of the Sun" e "The Cold Wind" é ter certeza de que estamos com sobras de estúdio de Physical Graffitti ou Houses of the Holy, assim como a baladaça "Watching Over", linda! "You're The One" possui D. N. A. da cruza de "Your Time Is Gonna Come" e "Thank You". "When the Curtain Falls" traz aquele sabor de jovialidade que Led Zeppelin II nos faz sentir em cada audição. "Age of Man" já é mais representativa da fase In Through The Outdoor. "Anthem" e "The New Day" brotam das sessões acústicas de III ou IV. Por trás de tudo isso, há um toque de modernidade e uma clara percepção que John Bonham e John Paul Jones são seres sobrenaturais impossíveis de serem copiados, mas cara, o que sobra é de altíssimo nível. Várias bandas já foram comparadas com gigantes. Até o Aerosmith era acusado de chupar as músicas dos Stones, e hoje, não há quem não reconheça a qualidade dos caras. Quando o GVF encontrar seus próprios caminhos, será uma banda a ser reverenciada por anos como seus ídolos zeppelianos. E viva esse grandioso disco.



Saxon - Thunderbolt


Outra grande covardia de 2018 é mais um lançamento do Saxon. Os britânicos, mesmo com a idade avançada, estão mandando ver. Thunderbolt tem homenagem à Lemmy Kilminster ("They Played Rock 'n' Roll"), aos carros "("Speed Merchants") e aos roadies ("Roadie's Song"), peso em demasia durante “Predator”, “Nosferatu (The Vampires Waltz)” e na faixa-título, referências das mitologias nórdicas (“Sons of Odin) e celtas (“A Wizard’s of Tale”), solos de guitarra para delirar (“Sniper” e “The Secret of Flight”) e uma banda afiadíssima. Não consegui ver a apresentação do grupo em São Paulo nesse ano, mas já estou com o ingresso para o show de Porto Alegre em março, que com certeza, é o mais aguardo por mim para 2019, pelo menos por enquanto.Comentei mais sobre a edição DELUXE de Thunderbolt aqui, e longa vida para os velhinhos.




El Efecto - Memórias do Fogo

O grupo carioca fez um dos grandes shows que tive oportunidade de ver esse ano, e comprovou para mim aquilo que eu já imaginava: o talento desses caras é imensurável. Seu novo álbum, Memórias do Fogo, traz uma evolução inacreditável para uma banda que parece ser um camaleão a cada disco. Se em Pedras e Sonhos os fãs acharam que o grupo havia chegado no ápice de criatividade, e com A Cantiga É Uma Arma o grupo mudou para um lado totalmente acústico, a surpresa ao ouvir canções como "Café", "O Monge E O Executivo", e principalmente, “O Drama da Humana Manada”, é digna de uma estrela azul, a mais gigante do espaço. É uma mistura de elementos musicais, sejam eles da América Latina, África, samba, rap, hard rock e muito rock pesado. As letras são um tapa na cara da sociedade hipócrita e imbecil que permeia nosso país - quiçá o mundo - nos dias de hoje, com fortes cunhos sociais e políticos. Os melhores exemplos são "Chama Negra" e "Carlos e Tereza", que retratam as lutas dos oprimidos perante a arrogância e soberania da classe alta. Para completar, "Incêndios" é tão violenta que no show citado acima, muitos foram os que fecharam a roda punk e não aguentaram a pressão da faixa. Sete canções, sete petardos, sete aulas de composição, sete espetáculos da Música Popular Brasileira, para serem reverenciados eternamente.




Merlin - The Wizard

Disco fantástico desses americanos, que unem heavy metal, progressivo, new wave, pop eletrônico, e elementos musicais que irão confundir seu cérebro. Guitarras pesadas e ácidas, vozes distorcidas e um saxofone surpreendente, entre sintetizadores e uma bateria avassaladora, devoram qualquer conceito de novidade que você possa conhecer. Dentre as faixas de destaque, "Abyss" é a que aparece de cara, com a guitarra e o saxofone mandando ver, ao lado do espetáculo sonoro de mais de dez minutos, batizado "The Wizard Suite", com certeza uma das melhores músicas que ouvi em 2018. Arrepiante de ouvir o saxofone e as viagens maluquetes de "Sage's Crystal Staff ", fazendo nos lembrar dos bons tempos do King Crimson de Lizard, mas com temperos muito mais rebuscados. Delicie-se com os sintetizadores e as notas de saxofone na sensacional "Iron Borne" e pule pela casa ao som do ritmo cavalgante de "Tarantula Hawk". Os admiradores de um som no estilo Ghost irão prestigiar "Golem" e "Gravelord". Para quem quer ser surpreendido com muita música boa, The Wizard é o álbum do ano entre as bandas novas do exterior.




Whoopie Cat - Illusion of Choice

Os australianos já haviam me conquistado em 2016 com o seu belíssimo EP de estreia. Quando finalmente lançaram Illusion of Choice, podemos comprovar que o amadurecimento do grupo é fantástico. Logo de cara, os onze minutos de "Ophidian" nos traz uma balada bluesy para deixar desde Rober Plant até David Coverdale com inveja, sendo a presença da flauta a grande atração da mesma. Os solos rasgados ("Sweet Jane" com certeza vai te fazer cair o queixo) e melódicos ("Gentle Goodbye") de Jesse Juzwin ainda estão lá, assim como a voz apaixonada de Dan Smoo (no bluesaço "Tell Me You'll Stay" e na tocante "Cicada") e a presença mais constante dos teclados ("Dissolution" e "Fear Is Blind") e vocalizações ("Sun Don't Shine II") de Jo Eileen. Porém, o grupo resolveu ampliar sua sonoridade, e como é ótimo quando banda novata explora mais do que já fazia. Discuto perfeito, que só não ficou em posições mais acima por que realmente, os que estão aí em cima são foda.



Uriah Heep - Living The Dream

O Uriah Heep é uma das raras bandas do final da década de 60 que conseguiu sobreviver ao turbilhão de lançamos pífios nos anos 80 e se renovou totalmente. Depois da entrada do vocalista Bernie Shaw, especialmente, cada novo lançamento é uma obra de arte para os fãs. Não é diferente com Living the Dream. Mick Box mantendo seu padrão de alta qualidade nas guitarras, Phil Lanzon mandando ver nos teclados, e uma cozinha impecável formam toda a cama sonora necessária para o vocalista soltar sua bela voz, e fazer o fã contente. Todas as músicas são sensacionais, mas não há como não destacar a genial "Grazed by Heaven", pancada que abre o disco com um riff violento de órgão e guitarra, e a mágica "Rocks in the Road", com mais de oito minutos hipnotizantes. Outro álbum que resenhei aqui, e que o Heep continue em ação por muitos anos.








Judas Priest - Firepower


Creio que esse é o arroz de festa nas listas aqui dos Consultores, e é justo. Mesmo com o abalo psicológico causado pela doença de Glen Tipton, o Judas manteve-se na ativa, e entregou um álbum excepcional, como tem sido desde o retorno de Halford aos vocais. Considero esse álbum melhor que Redeemer of Souls, que já era incrível, por conta de haver a jovialidade na guitarra de Richie Faulkner. O que precisei falar sobre ele, resenhei aqui, e só torço para que não seja a despedida da banda, apesar que se for, é uma despedida gloriosa.






Naxatras - III

Em 2015, a estreia desses gregos foi eleita por mim como o melhor álbum daquele ano. Agora, em seu terceiro full lenght, o trio continua mandando ver em seu som psicodélico e carregado de inspirações sabbháticas, porém tirando as distorções dos vocais em algumas faixas (vide "You Won't Be Left Alone" e "Spring Song"), flertando com outros ritmos (reggae em "Land of Infinite Time", violões acústicos e slide guitar na baladaça "White Morning") e caprichando em linhas melódicas e chapadas (a doentia "Machine" em principal), deixando o baixão de John Vagenas brilhar mais, como na dançante instrumental "On the Silver Line". Com isso, temos um desbunde sonoro, em faixas longas e muito inspiradas, sendo "Prophet" a única canção que ainda nos remete aquela anda ainda sem tanta maturidade, mas com muita categoria e competência, lá de 2015. O Naxatras para mim é a banda da década, e torço muito para que eles possam se apresentar aqui no Brasil um dia.



Orphaned Land - Unsung Prophets & Dead Messiahs

Um dos primeiros discos lançados em 2018 foi obviamente uma de minhas primeiras e agradáveis audições. Conheci o Orphaned Land numa lista de Consultoria Recomenda, e logo virei fã da banda. A mistura de elementos orientais com o peso ocidental é de fácil assimilação para meus ouvidos, e sendo assim, fico chapado quando o grupo resolve unir os instrumentos e vocalizações orientais ("Yedidi") com guitarras pesadas e uma bateria destroçante. Unsung Prophets & Dead Messiahs , aguardado depois do fracasso de All is One (será esse um daqueles Discos Que Parece Que Só Eu Gosto?) há cinco anos atrás, está longe de ser um The Neverending Way of ORwarriOR, quiçá um Mabool, mas tem seus momentos. As inspirações death floydianas em "The Cave" e “Only the Dead Have seen the End of War”, a presença de Steve Hackett na sensacional “Chains Fall to Gravity”, e as maluquices “All Knowing Eye” são os grandes momentos. Um som épico com grande tempero de antiguidade, que deve ser ouvido com atenção e dedicação.




Le_Mol - Heads Heads Heads


Conheço pouco do gênero post rock, e confesso que o pouco que conheço não é muito do meu agrado. Porém, e sempre há um porém, ouvir e conhecer o grupo austríaco Le_Mol foi uma das grandes alegrias sonoras de 2018. É difícil descrever o som da banda, mas se fosse para resumir em uma única palavra, diria experimentalismo. Piano, guitarras distorcidas, ritmos robóticos, sintetizadores malucos, peso misturado com delicadeza, passam por nossos ouvidos ao longo de pouco mais de 40 minutos, deixando-nos em uma sensação de embriaguez e dormência que dura por algumas horas. Uma segunda audição causa ainda mais chapação, acompanhada agora da necessidade urgente de tentar entender o que realmente sai das caixas de som. Nos momentos de sanidade, "Temperatures Will Drop – Pekoppa" brilha com sobras nos ouvidos. Enfim, com diversas audições, você já está viciado na música dos austríacos, mas ainda assim, entender o que eles criam é complexo demais para uma simples resenha de Melhores do Ano. Acredito que Heads Heads Heads ainda vai crescer muito em meu conceito, mas nesse momento, ele sendo responsável por fechar minha lista de 2018 é uma surpresa até para mim.

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10 Menções honrosas

Dave Matthews Band - Come Tomorrow

Rikard Sjoblom’s Gungfly – Friendship

Alice in Chains - Rainier Fog

Electric Octopus - Pipe Dream Train

The Smashing Pumpkins - Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.

Lady Gaga and Bradley Cooper – A Star Is Born

Wolftooth - Wolftooth

Mulamba – Mulamba

Roger Daltrey - As Long as I Have You

Birth of Joy – Hyper Focus

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Melhores de 2017

Ouvi quase uma centena de lançamentos este ano, alguns horríveis, outros excelentes. Foi difícil compilar apenas 10 aqui para vocês leitores, mas enfim, aí vão aqueles que julgo serem os dez melhores discos de 2017 (e uma menção honrosa). Sendo que desta feita, não irei trazer questões como pontos positivos ou negativos, me focando apenas nos álbuns.

Black Country Communion - BCCIV

Confesso que eu achava que o BCC não ia mais se reunir. Depois das pequenas brigas internas, da dissolução do California Breed e de Glenn Hughes fortalecendo sua carreira solo, eu esperaria que cada membro da banda seguisse seu destino, e pronto. Mas os caras surpreenderam todo mundo, e lançaram mais um álbum magistral. Peso em "Sway", com ótima participação dos teclados de Derek Sherinian, velocidade em "Awake", hard pegado em "The Crow", com um belo solo de baixo e órgão, tudo soando encaixado e perfeito. Há algumas canções surpreendentes, como a soturna "The Cove" e a leve "Over My Head", bem como a longa "Wanderlust", que ganharam um ar "pop" por conta dos teclados, mas nada que as torne ruins. Hughes rasgando a voz em "Collide", Joe Bonamassa fazendo estripulias com a guitarra na ótima "The Last Song for My Resting Place", a qual também emociona com sua voz e o violão, e Jason Bonham cada vez mais aperfeiçoando-se na batida que está impregnada em seu DNA. Falando em Led, quem que não imagina "The Wanton Song" quando começa "Love Remains"? Claro que a música não tem nada a ver com o clássico Zeppeliano, mas o riff é muito parecido. E que combinação arrepiante é a voz de Hughes com o piano e o violão em "When the Morning Comes"! A versão em vinil ainda conta com outra bela canção, "With You I Go", um bom presente aos fãs. Uma união de monstros da música, e que merece a primeira posição com méritos. Hughes está vindo ao Brasil para desfilar os clássicos do Purple em várias cidades, mas como seria bom vê-lo em ação com a BCC. Tomara que um dia venham aqui, e que continuem relevando as brigas para criar obras atemporais como BCCIV.


Rikard Sjöblom's Gungfly - On Her Journey To The Sun

O final do Beardfish causou algumas feridas que pareciam incuráveis para os fãs dos suecos. Porém, o líder da Banda, Rikard Sjöblom, agregou-se ao Big Big Train e manteve seu trabalho junto ao Gungfly. E é com este último que o espírito do Beardfish sobrevive. Apesar de não ser um disco totalmente conceitual, algo tradicional na sua antiga banda, isso é a única coisa que um xiita pode reclamar no que ficou registrado em On Her Journey to the Sun. Afinal, tudo o mais é sensacional. Rikard trouxe sua marca mais uma vez, evidenciando influências de diversos gigantes progressivos, como Focus ("Keith (The Son of Sun)"), Genesis ("Of the Orb"), Gentle Giant ("If You Fall Part I"), Yes ("My Hero" e "Old Demons Die Hard") e Renaissance ("Over My Eyes"). Além disso, há uma modernização no som que o gordinho faz, principalmente na faixa-título, e uma mostra muito grande do talento individual de Rikar, seja nos teclados, seja na guitarra, no baixo ou até mesmo no acordeão. Destaques para a viajante suíte “The River of Sadness”, a linda "He Held an Axe", com uma melodia emocionante, e a fenomenal "Polymixia", uma jornada instrumental de insaciáveis doze minutos, repletos de variações, para colocar On Her Journey to the Sun no pódio da minha lista. Essencial para quem curte um prog rock atual, e o comentei um pouco mais sobre ele aqui.


Styx - The Mission
Depois de 14 anos sem lançar material inédito, o grupo Styx resolveu sacudir a poeira, e motivou seus fãs a criarem enorme expectativa quanto ao seu primeiro disco de estúdio dessa década. Diversas postagens e entrevistas diziam que The Mission seria um álbum conceitual, e como a banda sempre foi especialista em fazer álbuns conceituais (vide Paradise Theater, Kilroy Was Here e The Grand Illusion, por exemplo), era inegável que o que viria em 2017 só podia ser de alta qualidade. E assim o é. O melhor de tudo nesse álbum é que parece que voltamos aos aos 70, e estamos ouvindo o Styx em sua melhor fase. Logo de cara, após a vinheta "Overture" (há mais duas vinhetas em The Mission, as quais são "Ten Thousand Ways" e "All Systems Stable"), somos levados pelo rockzão de "Gone Gone Gone". Quer balada típica do Styx, então segura a emocionante "Locomotive" ou a estonteante "The Greater Good", onde a voz de Lawrence Gowan, em duelo com Tommy Shaw, lembra muito a de Dennis DeYoung. Gowan, que aliás, dá um espetáculo solo ao piano em "Khedive", linda faixa para relembrar peças como "Clair de Lune". Junto com isso, tudo aquilo que caracterizou a banda, sejam grandes vocalizações, excelentes arranjos, produções fenomenais, estão presentes em The Mission. Algumas faixas soam imponentes, tais como em "Hundred Million Miles from Home", "Time May Bend", "The Outpost" e a épica "Red Storm", forte candidata a melhor do disco (só o dedilhado de violão dessa música já vale umas 4 posições na lista de melhres). Outras soam como o velho Styx em ação, na voz debochada de James Young em "Trouble at the Big Show", nas vocalizações de "Mission to Mars" ou quando o hammond é a força propulsora de "Radio Silence". Forte candidato a melhor disco da banda desde o seu retorno, e fácil um Top 3 de 2017.


Roger Waters - Is this the Life We Really Want?



Um disco que foi muito ouvido por mim esse ano é este Is this the Life We Really Want?, de Roger Waters. Para quem é fã de Pink Floyd, é uma nostalgia revisitada de várias fases da banda, sem soar como um caça-níqueis. É muito difícil não se envolver sentimentalmente com faixas como "Broken Bones", "Déjà Vu", “The Last Refugee”, “The Most Beautiful Girl” e "Wait for Her", para quem aprecia a fase The Final Cut/Pros and Cons of Hitch-hiking, ou a faixa-título, "Bird in a Gale”, "Smell the Roses" e “Picture That” para quem é mais do período Wish You Were Here/Animals. Letras poderosas, melodias envolventes, canções marcantes e a certeza de que Waters ainda é capaz de criar música de alta qualidade. Waters está vindo ao Brasil em 2018, já estou com o ingresso comprado, e a certeza de que será mais um espetáculo inesquecível para todos aqueles que sabem apreciar sua obra. Outro álbum que também fiz questão de comentar mais para vocês, aqui.



U2 - Songs of the Experience

Ansiedade predominava pelo novo lançamento do U2. Sempre é uma surpresa o que os irlandeses fazem, e não foi diferente dessa feita. Songs of the Experience é mais um disco que deverá ser absorvido aos poucos. As canções tem muitos elementos de experimentação, como os eletrônicos de "Get Out of Your Own Way", e os teclados/pianos em "Love Is All We Have Left", "Love Is Bigger Than Anything in Its Way" e "The Little Things That Give You Away". Claro, também há aquelas faixas para os fãs cantarem o refrão em plenos pulmões, "Red Flag Day", "You're the Best Thing About Me", e aquelas que soam descoladas das demais, mas que as audições subsequentes fazem da mesma uma boa canção, no caso "Landlady" e "Summer of Love" Me trouxe lembranças da tríade Achtung Baby - Zooropa - Pop, com elementos de No Line on the Horizon, mas no fim das contas, é o U2 criando outro álbum fundamental e digno de sua discografia. Alguns falam que o U2 virou cópia de si mesmo, que virou inferior as bandas que ele influenciou, mas é tudo balela. "Lights of Home" ganha disparada a posição de melhor música do disco, seguida por "The Blackout", "13 (There is a Light)" e a dançante "American Soul", a qual poderia facilmente ter estado nos discos da tríade que citei acima. E que coisa bem bonitinha é essa "The Showman (Little More Better)", cada vez ganhando mais pontos comigo. O U2 continua tão importante quanto o foi nos anos 80, 90 e 2000, e se adaptando ao mercado sempre de forma positiva para quem está com os ouvidos abertos ao que Bono e cia. é capaz de criar. Fizemos um Test Drive com o disco aqui, e mesmo que o pessoal tenha malhado, não vá pensando que eles tem razão.


Black Pussy - Power




Quando ouvi esse disco pela primeira vez, logo de cara percebi que ele estaria na minha lista de melhores de 2017. Foi um dos álbuns que mais ouvi esse ano, muito em virtude de um som psicodélico altamente alucinógeno, pegado, com grudentas frases de guitarra e vocais, mas também com suas várias fontes de inspirações no hard setentista. As faixas te deixam em êxtase, com vontade de sair pulando pela casa e curtindo o rock 'n' roll de primeira que sai das caixas de som, em especial "Girlfriend", "Full Tilt Boogie", "Parasols", "Take You There", e o petardo "Home Sweet Home", uma sonzeira que sintetiza a psicodelia e o hard com perfeição. Ainda por cima, entrevistei Dustin Hill, o líder dos americanos, em uma entrevista muito legal. Quer mais?





Tuber - Out Of The Blue
Quando ouvi o disco Out of the Blue, jurei que estava sendo captado por algum prédio de festas de Manchester. O som post-punk é muito forte, só que com o passar da primeira música, você percebe que ali há uma novidade, e que os "ingleses" na verdade é um quarteto grego, que está em ação desde 2010. Os caras misturam eletrônicos e peso sem piedade, e isso é o principal no Tuber, como atestam "Cat Class" e "Moon Rabbit", faixas que vão deixar-te encucado com o que está sendo criado ali. Esse é o segundo álbum do grupo, perfeito para quem aprecia grupos como Smiths ou Joy Division, mas com um detalhe, tudo instrumental, e com fortes pitadas de Stoner. Curti muito ouvir Out of the Blue, principalmente " Luckily Dead", "Noman", "Russian" e a faixa-título. Para ser surpreendido, e conquistar o Top 10 da minha lista.


Supersoul - Faith Bender
Ouvi o Supersoul na finaleira do ano, bem daquelas do sem queres. Estava ocupado no trabalho, e não tinha percebido que tinha deixado o youtube selecionado no modo reprodução automática. Depois de curtir uma das minhas bandas preferidas de 2015 (Naxatras), entrou um riffzão setentista, uma voz carregada de efeitos e uma sonzeira animalesca. Meus ouvidos começaram a vibrar na frequência daquele som, e tive que parar o que estava fazendo para conferir o que era. Supersoul é outro power trio da Grécia, e nesse seu álbum de estreia, entrega aos fãs um som sujo, pesado, e repleto de energia. São 14 faixas, que fazem você sair de uma pancada violenta ("Faith Bender", "Freedom Prayer", "Mind Me When I'm Gone" e "The Manipulator") para faixas dançantes ("Gold") e até blues ballad hardona ("Came Back To Moscow"). "Blackhorse", "Jacob Williams" e "The Torment" soam modernas, mezzo White Stripes, mas ao mesmo tempo tem aquela veia de antiguidade, que agrada fácil. Como resistir as vocalizações do refrão de "Sea Of Tears"? Ainda temos espaço para a experimentação de "Carve My Stone", o blues elétrico "Wrong Side Of Suicide", a delicadeza de "Divine", enfim. Ótimo disco, e vida longa para o Supersoul. Ah, não engane-se com a capa, o álbum não é nada careta.


Electric Octopus - Driving Under The Influence Of Jams
Ano passado, o Electric Octopus entrou na minha lista de Melhores de 2016 com um álbum de uma hora e dez minutos, tendo apenas três canções. Pois em 2017, eles conseguiram fazer algo ainda melhor, mais delirante, e confesso, para poucos. Afinal, os caras vieram com uma fome do cão, e deixaram-se viajar por suas inspirações mais diversas para criar um álbum de 3 horas e 54 minutos somente de improvisos longos, viajantes, ácidos, chapantes, tudo o que você precisa para ficar naquele "barato" sem usar nenhum alucinógeno além da música. São nove faixas onde baixo e bateria (e camadas de teclados) criam a base para a guitarra de Tyrell Black ressonar maravilhosamente nas caixas de som. É voltar ao tempo dos longos improvisos de nomes como Grateful Dead, Allman Brothers, Canned Heat, e por aí vai. Um dos grandes momentos, para os mais chegados, é quando a base de "Walk on the Wild Side" (Lou Reed) surge para guiar as explorações de guitarra em "New Jam #2". Obviamente que um álbum dessa duração não é comum, e o mesmo foi lançado somente para download, mas olha, você não irá desperdiçar quatro horas ouvindo esse petardo. Pelo contrário, vai ver como ainda há músicos capazes de, com muita inspiração, usufruir de uma boa e bela jam. Aproveito também para indicar os outros três discos lançado pelo trio esse ano, Chaotic Wavemaker, Iliudi e Smokyhead, ambos igualmente acachapantes.



Universal Hippies - Dead Hippie's Revolution



Terceira banda grega, e essa segue os moldes clássicos do Stoner. Canções instrumentais, arrastadas, com solos de guitarra chapantes e muita viagem lisérgica. O que chama a atenção, além da mentalidade Stoner, é a influência hard rock, explícita nos riffs de guitarra e nos solos talhados a martelo para satisfazer os ouvintes. Procurem as faixas "Holy Slave", "Mariner's Dream", "Mountain", ou melhor, procure ouvir todo o álbum. Mais uma bela banda saindo da Terra de Zeus.


Menção honrosa

Robert Plant - Carry Fire


Cada novo lançamento da carreira de Plant mostra como o eterno vocalista do Led Zeppelin se reinventou de tal forma com o passar do tempo e continua capaz de alegrar os ouvidos dos fãs dos britânicos. Ouvi Carry Fire muito recentemente (o disco saiu em outubro) e por isso, não consegui colocá-lo numa posição acima dos demais, apesar de ele ter ficado um tempo nas minhas preferências. Nesse álbum, Plant buscou influências no seu passado hippie, e entregou canções belíssimas, tais como "New World" e o climão oriental da faixa-título. Temos a participação especial de Chrissie Hynde na viagem "Bluebirds Over the Mountain", e o som da The Sensational Space Shifters, que novamente acompanha Plant, com os elementos acústicos sensacionais, sendo o viola de Seth Lakeman e os violões de Justin Adams outras grandes atrações. Para quem curte Led Zeppelin III, "The May Queen" e "Carving Up the World Again... A Wall and Not a Fence" são uma macarronada com molho de calabresa, e "Season's Song" leva o prêmio de melhor canção de Carry Fire lindíssima e viajante através da voz de Plant. Belo disco, que merece ainda mais audições.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Melhores de 2016




Ano passado, na análise dos Melhores de 2015, tomei um esporro do colega Marco Gaspari que me deixou com muita vergonha. Realmente, nas sábias palavras do mestre siri, aquela lista era um aglomerado de velharias, com poucas novidades, que refletiam um pouco minha preguiça em procurar novos bons sons.

Determinado e obstinado a receber um elogio do meu querido amigo crustáceo, em 2016 dediquei muita atenção aos lançamentos que pipocavam quase semanalmente no youtube e no bandcamp. Cadastrei-me em alguns canais e no fim, fui surpreendido por uma gama de bandas novatas que estão fazendo um som de qualidade altíssima, nas mais variadas região de nosso planeta Terra.

Foi difícil fechar apenas 10 discos, por que temos muitos lançamentos bons, mas enfim, a regra é essa, e então, aqui vão os meus 10 mais de 2016, sendo que nos comentários, deixarei os outros discos que ouvi para que vocês possam ir atrás. Obrigado Marco, por me incentivar a ouvir novos bons sons, e espero que aprecie os discos a seguir.

Ah, um detalhe! dessa feita não irei trazer opiniões sobre decepções, lados negativos e outras coisas que complementaram minhas listas do passado. Afinal, depois da morte de David Bowie, nada pode ser pior.


Church of the Cosmic Skull - Is Satan Real?

Então você encontra uma imagem de um hepteto todo de branco com uma Flying V e um órgão. Olha o nome da banda e percebe que é algo tão psicódelico que nem a Califórnia podia criar algo assim. O nome do disco e as vestimentas sugerem algo religioso, e o arco-íris parece ressaltar o flower-power com ainda mais força. Daí decide ouvir "isso daí" e depara-se com um minuto de um solo de guitarra em crescendo apocalíptico, seguido de vocalizações entoadas em uníssono junto com o riff da guitarra, um órgão maravilhoso, uma melodia sensacional e grudenta, e quando vê, seu corpo está balançando no ritmo avassalador de "Mountain High". Sem perceber, você vai cantando as melodias vocais que saem das caixas de som, os arrepios vão tomando conta da sua pele, e aos poucos, você está se convertendo para a Igreja da Caveira Cósmica. O clima enigmático de "Black Slug", com um riffzão pesadíssimo, irá assustar aqueles que estavam encantados pela felicidade da faixa anterior, mas mesmo assim, a curiosidade irá fazer você seguir ouvindo, para entender aonde essa seita irá chegar. O órgão e o dedilhado de "Movements In The Sky" voltam a acalmar os ânimos, ainda mais com essas vocalizações tão belas, e quando o violão zeppeliano de "Answers In Your Soul" ecoam pela casa, bom, daí não tem jeito. É se ajoelhar e orar em Nome da Caveira por voltar ao final dos anos 60 vivendo em 2016. A união do órgão, baixo e guitarra na intrincada faixa-título trazem um pouco do melhor do  rock progressivo britânico, e "Watch It Grow" deixará você viciado na repetição do nome dessa faixa. Por fim, os onze minutos de " Evil In Your Eye" irão celebrar sua entrada para a Igreja sublimemente, em uma blues ballad que é a melhor faixa do álbum, sendo que o solo de órgão é para chorar em prantos em Nome da Caveira!. Não importa quem são os "pastores" dessa Igreja, o que importa é a lavagem cerebral que eles fazem com seus instrumentos e suas vozes. Um dos melhores discos dessa década - se não o melhor - e obrigado youtube por me apresentar essa jóia britânica.


David Bowie - ★

Só não foi o melhor disco de 2016 por que realmente, o Church of the Cosmic Skull me derrubou como os deputados da direita derrubaram a Dilma. O que eu precisava falar de principal sobre esse álbum está aqui. DISCAÇO, e ADEUS BOWIE, o Maior e Melhor Artista de Todos Os Tempos. 


Whoopie Cat - Whoopie Cat

Cara, sabe aquele disco de rock 'n' roll bem tocado, com solos de guitarra rasgados, vocais muito bons, cozinha azeitada, isso é Whoopie Cat, o primeiro lançamento do grupo, no formato EP, mas com 33 minutos de duração, o tempo médio dos vinis da década de 70, e é lá que a a banda foi buscar inspirações. Ela pode lembrar nomes incensados nos últimos anos, como Rival Sons ou até Blue Pills - principalmente quando em alguns momentos, mas a sonoridade dos Cats vai além disso. O quinteto de Melbourne faz um som que agrada todos os estilos, sendo que a mistura de elementos leves ("When She Goes") com outros pesados (ouça o solo do excelente guitarrista Jesse Juzwin na mesma faixa citada), atestados por um vocalista muito bom chamado Dan Smoo, e que rasga a garganta nas ótimas "Sun don't Shine", "When the Light" e "Taken My Money", nos remete direto às grandes bandas setentistas. Blues rock de primeira qualidade, com destaque principal para o bluesão "Amy Rose", e claro, para as sensacionais vocalizações de "As Long As I Can", grudentas como piche, e que para quem curte grupos tradicionais de Led Zeppelin a Black Crowes, sem firulas, apenas com feeling nas alturas, irá ser um deleite, pois o que não falta são solos inspirados e vocalizações sensacionais. Releve a capa e absorva o sulco desse EP/álbum incrível. Tomara que não fique só nesse.


Lee Van Cleef - Holy Smoke

Power trio italiano que nasceu no final do ano passado, e já nasceu com pompas de grandiosidade. Esse álbum é um desbunde sonoro de fascínio, que como a própria banda define, "dilata as fronteiras da consciência e libera a lucidez da medula da narcose". Os riffs da guitarra de Marco Adamo, vomitando wah-wah e muito peso, são magnéticos, impressionantes, levando-nos por escadas em espirais que atiçam a audição em cada degrau, até chegar no alto da escadaria com uma vista impressionante de uma montanha em chamas ardentes e, por que não, fumegantes de psicodelia. Faixas com durações na medida, sem serem longas demais ou curtas demais, e que mostram que ainda existem bandas capazes de criar um som diferenciado. Ouça a lindeza dos riffs de "Hell Malo", faça uma viagem ao deserto marroquino em "Towelie", curta a pureza angelical de "Heckle Yuppies", assuste-se com o andamento carregado de "Mahãna", e duvido você se segurar durante a reta final da excelente "Banshee", pois o que esse italiano toca na guitarra, pqp!!! Um dos álbuns mais originais que ouvi em 2016, e é o primeiro de uma série de álbuns instrumentais lançados neste ano que me encantaram profundamente,


The Spacelords - Liquid Sun

O quarteto alemão já havia me impressionado com o excepcional Synapse (2014), onde empregavam psicodelia e progressivo com muita gana e tesão, e o mesmo procede nesse disco. Três longas faixas que exalam um aroma lisérgico de um ácido extremamente chapante, capaz de literalmente derreter o Sol, e  tudo isso em pouco mais de quarenta e quatro minutos. A maior delas, "Black Hole", tem um clima soturno que te fará pensar e refletir muito sobre seu gosto musical após o término da mesma, sendo que particularmente eu me embasbaquei com ela, e percebi que o Metal está cada vez mais em baixa aqui em casa, por que o que esses caras fazem misturando peso, progressivo, criatividade e doses cavalares de alucinantes é para poucos. Um sonzão para colocar cada poro de seu corpo para suar, ainda mais com 21 minutos de duração. Antes, é impossível não mergulhar em um oceano de chá de cogumelos com os intergalácticos acordes psicodélicos dos teclados de Didi Holzner em "Liquid Sun" - que baita crescendo feito pelas notas repetidas hipnoticamente - e com a guitarra mais que afiada de Hazi Wettstein em "Spaceship Breakdown", uma embalada faixa com elementos sabbháticos uriaheepianos mas com muita psicodelia inglesa no meio, sendo isso apenas um aperitivo do majestoso banquete musical que os alemães fornecem para seu súditos, e que faria Robert Wyatt pular pelo quarto junto com a turma do Gong (eita mistura boa!). Segundo dos álbuns instrumentais, este tem o detalhe de ter elementos harmônicos muito bem feitos, principalmente para quem aprecia uma boa viagem lisérgica através da música .



Electric Octopus - This Is Our Culture

Um disco de uma hora e dez minutos com apenas três faixas, é praticamente tudo o que peço à Deus em termos de música, e é isso o que o trio britânico Electric Octopus nos entrega nesse belíssimo disco, o terceiro grande álbum instrumental que ouvi em 2016. As faixas ("Disenchanted Creative Response", com solos melódicos e muito ritmo, "Absent Minded Driving", com certeza a mais viajandona delas, e "Sundried Equivalence, um blues chapante para Eric Clapton lembrar que um dia ele tocou esse estilo) foram gravadas em apenas um único take, como forma de mostrar para os próprios músicos do que eles eram capazes, sem nenhum ensaio, e portanto, são regadas por longas e delirantes improvisações que permeiam desde o jazz rock até o mais complexo rock progressivo, sem soar pomposo, maçante, cansativo ou virtuosístico demais. Viajar com os solos de guitarra de Tyrrel Black, a levada endiabrada da bateria de Guy Hetherington e o baixão swingado de Dale Hughes foi uma das boas experiências que tive nesse ano, e ouvir This Is Our Culture seja como pano de fundo enquanto dirige por uma estrada ensolarada, seja acompanhado de um belo 12 anos e alguns petiscos, foi-me uma das experiências mais revigorantes nesse ano cansativo e turbulento de 2016. Recomendo também Under A Black Moon, o EP na mesma linha desse álbum, que saiu em outubro desse ano, e o ótimo Be Real, álbum lançado mês passado, com Hughes também explorando com propriedade os teclados, tão bons quanto este que selecionei para minha lista de 10 mais.


1000mods - Repeated Exposure To...

Quando o baixo de Dani G. explodiu nas caixas de som do meu computador, meu queixo foi até o inferno, e lá, encontrou algumas dezenas de ídolos do rock 'n' roll, bebendo cerveja, comendo uma boa costela e celebrando o quarto álbum de uma bandaça. O som do grupo apresenta fortes influências stoner, só que não é uma cópia ou similaridade de nada que você possa lembrar. O baixo - que coisa maravilhosa nós ouvimos em "The Son", para mim a melhor do disco - e as vocalizações - sensacional o arranjo vocal de "Groundhog Day" - são os maiores destaques em um disco muito bem trabalhado e produzido. Duvido que você adivinhe da onde a banda é - tá bom, vou entregar, os caras são gregos!! Entregue-se ao feitiço dos oito minutos de "Into the Spell" (que clichê), absorva um show de wah-wah em "Loose" e "A.W.", e no geral, deixe o 1000mods apresentar um som poderoso, moderno, impactante e muito, muito grudento. Mergulhei na discografia da banda e me encantei. É promessa de DC no segundo semestre do ano que vem. A frase estampada na capa do disco diz tudo: "“repeated exposure to high sound levels (more than 80 decibels) might cause permanent impairment of hearing”. Para quebrar pescoços e joelhos!!!



Native Daughters - Master Manipulator

Esse disco eu ouvi pela primeira vez por conta da capa, e a partir do momento que a música começou a rolar, foi uma paixão a primeira ouvida. O quarto grande disco todo instrumental de 2016 é uma viagem sonora provocada por viradas de bateria intensas, já que temos uma dupla de baterias sendo apresentadas ao ouvinte, notas climáticas de guitarra e surpreendentes despejamento de peso no meio de uma delirante e hipnótica camada de música ambiente, me lembrando bastante o fantástico grupo Isis. Um disco envolvente, principalmente para quem quer ser surpreendido, destacando as faixas "UninVAIted", música sensacional, repleta de mudanças de andamento, a trabalhada e maluquete "Duke", para arrepiar os cabelos do dedão do pé, e principalmente, "Happy New Year, Nurse", uma apropriada canção para esse fim de ano que é uma pancada lindíssima nos ouvidos macios dos metaleiros que acharam o novo disco do Metallica de sensacional para cima. Bela descoberta!!


Suicidal Tendencies - World Gone Mad

Em um ano tão maluco como foi 2016, esse foi o melhor título de álbum, e das velharias, o que mais gostei depois do Bowie. Cara, como o Lombardo é um monstro na bateria, independente do estilo que ele toque, e como se encaixou bem ao som do Suicidal. A banda apresenta um metal pegadão, mantendo suas características ligadas ao hardcore e ao crossover, mas de alguma forma, esse disco me atingiu positivamente que eu passei semanas ouvindo ele. A homenagem para Ozzy em "Clap Like Ozzy" é sensacional. Além desta, destaco também as três faixas longas que o grupo registrou, as quais são "Happy Never After", "The New Degeneration" e "Still Dying to Live", essa diferente de tudo o que já tinha ouvido do Suicidal antes, bem melódica e embriagantemente linda, bem como "One Finger Salute" (que baita título, e Ra Díaz destruindo no baixo) e a espantosa levada acústica de "This World". World Gone Mad é um show de solos rasgados e velozes por Dean Pleasants, e pena que, segundo o vocalista Mike Muir, talvez seja o último álbum da banda, pois esse trabalho mostra que os velhinhos ainda tem muita lenha para queimar.


Atlas - Death & Fear

O som que sai das caixas durante a audição de Death & Fear é um bálsamo stoner viajante para não se colocar defeito, com um diferencial, os vocais. Distorções ao máximo unem-se aos arranjos vocais muito bem elaborados pelo quarteto sueco. É desse tipo de banda que eu tenho curtido ouvir atualmente em se tratando de novidades, ou seja, uma banda que carrega as fortes referências do melhor do rock pesado do passado, mas trazendo elementos criativos que tornam suas músicas criações próprias. Confira a intrincação da ótima faixa de abertura, "Wermland" e sinta o que estou afirmando nessas linhas, mas se você quer ir direto apreciar a cereja do bolo, delicie-se com o espetáculo sonoro de "A Waltz". Vários discos poderiam estar ocupando essa décima posição, mas ouvindo Death & Fear mais uma vez, tenho certeza que fiz a escolha certa.
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