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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Rush - 2112 (40th Anniversary) [2016]


Em 1976, o trio canadense Rush (Alex Lifeson nas guitarras, Geddy Lee no baixo e Neil Peart na bateria) lançou seu quarto álbum, 2112. Um álbum com um tema futurista, que foi responsável por definitivamente colocar o grupo no hall dos maiores nomes da música mundial, eternizado pela suíte que dá nome ao disco. Conversar sobre a história fantástica criada por Neil Peart, do homem que encontra um instrumento antigo - isso no ano de 2112 - em uma época onde o mundo é comandado por padres e grandes computadores, e que ninguém tem liberdade de criar algo, é chover no molhado.

O disco foi um grande sucesso, sendo o primeiro da banda a ganhar ouro nos Estados Unidos, e é tido até hoje como um dos maiores álbuns do rock progressivo. Além da suíte "2112", o disco contém as únicas faixas escritas somente por Lifeson ("Lessons") e Lee ("Tears"), faixas obscuras na carreira da banda, bem como "Something for Nothing", "A Passage to Bangkok" e "The Twilight Zone", as duas primeiras imortalizadas nos clássicos álbuns ao vivo All The World's a Stage (1976) e Exit ... Stage Left (1981), respectivamente, e a última, uma faixa adorada pelos fãs, mas que raramente foi apresentada ao vivo.

A CAIXINHA AQUI RESENHADA

Um disco desse nível merecia um presente tão grandioso quanto sua história, e assim, em 2016, comemorando os 40 anos do LP, chegou às lojas 2112 40th Anniversary, um belo pacote com dois CDs e um DVD para fã nenhum de Rush botar defeito.

Lançado no formato Digipack, com uma capa abrindo-se em 4, logo na capa, temos como novidade, já que a ideia foi ilustrar o "envelhecimento" do famoso logo Starman. Ao abrir a caixinha, uma foto da época do trio caught in the act ocupa duas partes do formato quádruplo pela parte externa. Já na parte interna, as três mídias estão acopladas em seus respectivos locais, com a quarta parte trazendo o famoso texto original que introduz à obra "2112", com uma imagem também da época do trio, usando os kimonos, e que honestamente, a pose de Lifeson é no mínimo "curiosa".

A LUXUOSA VERSÃO SUPER DELUXE, COM TRÊS LPS, DOIS CDS, DVD E MIMOS DIVERSOS


Mas indo ao que interessa, que é a música, o Rush sempre foi notável por não produzir material extra além daquilo que ia ser registrado. Então, o que há de novo nesse lançamento? Bom, o CD 1 traz a obra original, tal qual foi lançada em 1976. Já o segundo CD começa com a fala final de "2112", "Attention all planets of the Solar Federation, we have assumed control", feita por Neil Peart, e segue com várias novidades. A primeira delas é uma gravação de "Overture", feita por Dave Grohl, Taylor Hawkins e Nick Raskulinecz. Esse trio foi responsável por apresentar a banda no Rock 'n' Roll Hall of Fame de 2013, fazendo uma ótima participação justamente com "Overture", e fantasiados com os kimonos do Rush de 2016. Dessa feita, o trio fez uma recriação em cima da primeira parte de "2112", inserindo novos elementos e encerrando com uma breve citação à "YYZ", em uma obra que Lifeson chegou a admitir "ter ficado melhor que a nossa".

Mais quatro covers estão no segundo CD: uma brilhante reinvenção do Alice in Chains para "Tears", com um show por parte da interpretação de William DuVall; a linda recriação de "The Twilight Zone", pelo renomado Steven Wilson; a energética "A Passage to Bangkok", feita pelo grupo canadense Billy Talent; e a pesada versão de "Something for Nothing", criada pelo também canadense Jacob Moon, acompanhado por Mark McIntyre (baixo), Rob Brwon (bateria) e Richard Bonura (percussão). 

ALEX LIFESON, NEIL PEART E GEDDY LEE. RUSH EM 1976, OSTENTANDO SEU QUIMONOS


Essas covers são todas feitas com um padrão fiel ao original, mas adicionando diversos novos elementos que incrementam as obras criadas pelo Rush, e já são uma boa para esse lançamento, mas ainda há mais no segundo CD.

Afinal, retirada das tumbas de Massey Hall, em Toronto, temos aqui versões ao vivo para "2112" e "Something for Nothing". Em Massey Hall, o grupo fez três shows entre os dias 11 e 13 de junho, que foram registrados no já citado ao vivo All the World's a Stage. Essas versões são diferentes das que aparecem no álbum duplo de 1976, e são complementadas pela raríssima versão ao vivo de "The Twilight Zone", gravada em Contraband, 1977, sendo que esse, até onde se sabe, é o único registro dessa faixa ao vivo - pela história, a banda só a interpretou apenas duas vezes nos palcos. Fecha o segundo CD uma propaganda de rádio para promoção do disco.

IMAGEM DO SHOW DO CAPITOL THEATRE QUE ESTÁ NO DVD.
QUALIDADE RAZOÁVEL, MAS HISTÓRICA

O DVD é outro presentaço para os seguidores do Rush. Nele, a uma apresentação do grupo no Capitol Theatre, em 1976, pouco depois do lançamnto de 2112. Apesar da imagem ser em preto e branco, esse registro histórico irá atiçar os olhos e principalmente, os ouvidos de quem assiste, já que a performance do trio é impecável, apresentando seis faixas: "Bastille Day", "Anthem", "Lakeside Park", "2112", "Fly By Night" e "In the Mood". Como bônus, a um clipe da gravação de "Overture", com Dave Grohl, Taylor Hawkins e Nick Raskulinecz, uma entrevista com o grupo Billy Talent, falando sobre a gravação de A Passage to Bangkok, e uma série de perguntas e respostas para Alex Lifeson e Terry Brown, produtor do disco, comentando sobre curiosidades e fatos ocorridos pré-durante e pós-gravação de 2112.

SKATE-DECK ESPECIAL EM COMEMORAÇÃO
AOS 40 ANOS DO ÁLBUM
Complementa esse lançamento um luxuoso encarte com 40 páginas conta a história do álbum 2112, destrinchando a criação das seis faixas do álbum, apresentando citações de revistas da época e trazendo trechos de entrevistas com Alex Lifeson, Terry Brown, Hugh Syme, Jacob Moon, Taylr Hawkins, Steven Wilson, Nick Raskulinecz e Jerry Cantrell. Um detalhe é que das 40 páginas, apenas duas apresentam imagens da banda. Nas demais, 30 páginas são de muito texto e informações sobre esse grandioso álbum.

Quem quiser investir um pouco mais, a caixa foi lançada também somente em LP (triplo) e em uma versão Super Deluxe, com três LPs de 200 g (contendo as canções dos CDs e um lado apenas com uma imagem por Hugh Syme), embalados em encartes especiais, dois CDs, o DVD mais uma litografia com a versão original do Starman, uma litografia com o ingresso do show de Massey Hall, um folder de divulgação do show de Massey Hall e três buttons colecionáveis. Também foi lançado, de forma comemorativa, um skate-deck lembrando a capa original de 2112, onde você só precisa adicionar as rodas e sair guiando seu skate, além de camiseta e pôster comemorativo, os quais encontram-se na loja oficial da banda. Relativo a música em si, é um lançamento que com certeza tem que estar na prateleira dos fãs dos canadenses.

Contra-capa

Track list

CD 1

1. 2112
2. A Passage to Bangkok
3. The Twilight Zone
4. Lessons
5. Tears
6. Something for Nothing

CD 2

1. Solar Federation
2. Overture (Dave Grohl, Taylor Hawkins e Nick Raskulinecz)
3. A Passage To Bangkok (Billy Talent)
4. The Twilight Zone (Steven Wilson)
5. Tears (Alice in Chains)
6. Something for Nothing (Jacob Moon)
7. 2112
8. Something for Nothing
9. The Twilight Zone
10. 2112 1976 Radio AD

DVD

Live at Capitol Theatre 1976
1. Bastille Day
2. Anthem
3. Lakeside Park
4. 2112
5. Fly By Night
6. In the Mood

Bonus videos
Overture - Dave Grohl, Taylor Hawkins e Nick Raskulinecz

A Passage to Bangkok - Behind the Scenes with Billy Talent

2112 - 40 Years Closer (A Q & A with Alex Lifeson and Terry Brown)



terça-feira, 2 de maio de 2017

Direto do Forno: Tim Bowness - Lost in the Ghost Light [2017]



O nome de Tim Bowness é conhecido dentro do atual cenário do rock progressivo. Quem se atualiza e não vive no passado da década de 70, reconhecerá Tim como o parceiro de Steven Wilson no projeto No-Man, cujo primeiro álbum, Loveblows & Lovecries – A Confession (1993), é uma mistura de synthpop, artpop e até trip-hop que faz muita gente - principalmente os fãs de Wilson - se surpreender com o que está saindo das caixas de som, em nada lembrando nomes consagrados como Porcupine Tree ou Blackfield, por exemplo.

Em paralelo ao No-Man, Bowness lançou-se em carreira solo em 2004 com My Hotel Year, conquistando mesmo o mercado prog com Stupid Things That Mean The World, que alcançou a décima posição em vendas no Reino Unido no ano de seu lançamento, 2015. Agora, ele está no seu quarto álbum, Lost in the Ghost Light, o qual está sendo lançado nos formatos somente com CD, CD + DVD e LP 180 gr duplo. É um álbum conceitual, que trata sobre um músico de rock clássico no final de sua carreira, tendo que conviver com os ônus e os bônus de estar nos palcos e nos estúdios depois de muito tempo em ativa. Nas palavras do próprio Tim: "Se isto parece como uma ópera rock, cheira como uma ópera rock, então ..."



A banda de apoio de Tim é de primeira, com Stephen Bennett (teclados, guitarras), Colin Edwin (baixo, Porcupine Tree), Bruce Soord (guitarras, The Pineapple Thief), Hux Nettermalm (bateria, Paatos) e Andrew Booker (baterista, Sanguine Hum e Peter Banks), além de Steven Wilson na mixagem e masterização, bem como os músicos convidados Kit Watkins (teclados, Happy The Man e Camel), Steve Bingham (baixo, No-Man), e Andrew Keeling (arranjos orquestrais e de flauta, e que trabalho com Robert Fripp).

O álbum abre com o ritmo suave de "Worlds of Yesterday", levado pelo dedilhado da guitarra, o baixo fretless e a voz sussurada de Bowness, em uma linha que irá agradar em cheio aos fãs de Spock's Beard, e com um breve mas chamativo solo de flauta, além da magistral guitarra de Soord solando hipnotizantemente. A longa "Moonshot Manchild" mantém o clima Spockiano, destacando a grande presença dos sintetizadores e uma levada floydiana que irá agradar aos apreciadores da fase pós-Waters do grupo inglês, principalmente pela presença de vocalizações, tudo isso temperado com um moogzinho fascinante, essencialmente no solo do trecho central da canção, o qual traz sensações de relaxamento para o corpo muito boas, assim como as melhores criações do progressivo.




"Kill The Pain That’s Killing You" muda todo o ritmo leve do disco até então, com uma frenética bateria e uma aguçante guitarra que nos remetem aos últimos discos de David Bowie, com a guitarra repleta de efeitos sendo o centro das atenções, nessa que é a faixa mais agitada de Lost in the Ghost Light. "Nowhere Good To Go" volta ao ritmo suave das faixas anteriores, com alguma orquestração e aquela sensação de leveza novamente impregnando o corpo. 
Versão CD + DVD

Chegamos na faixa-título, uma comovente balada com predomínio de piano e teclados, onde seu trecho final ficará alguns dias em sua cabeça ("you'll be the silent and them can make some noise"). A vinheta "
You Wanted To Be Seen" é uma faixa estranha, com um clima soturno, bastante divergente das demais faixas do álbum, mas que por ser curta, acaba passando despercebida, e para fechar o disco, Ian Anderson surge com sua flauta na linda "Distant Summers", não por acaso aquela que para mim é a melhor faixa do álbum, principalmente pela virada que ela faz a partir dos seus dois minutos. Apenas ouvindo para descrever o que acontece no disco, seja pelo ritmo empolgante de baixo e bateria ou pelo malucaço moog que permeia os vocais de Tim, e o encerramento, putz, Steve Hackett irá se admirar, com certeza.

Enfim, uma ótima surpresa esse novo álbum de Tim Bowness, com belas harmonias e composições que preencherão o coração dos amantes do rock progressivo, apesar de não ser um disco revolucionário. Destaque também para a bela capa conceitual do disco, criada por Jarrod Gosling, e que mostra um pouco do que ouviremos nos pouco mais de 43 minutos de um álbum que já promete emplacar nas listas de dez melhores lançamentos de 2017.


Capa e contracapa da vesão CD + DVD


Track list

1. Worlds Of Yesterday 
2. Moonshot Manchild 
3. Kill The Pain That’s Killing You
4. Nowhere Good To Go
5. You’ll Be The Silence
6. Lost In The Ghost Light
7. You Wanted To Be Seen
8. Distant Summers 
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