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sábado, 22 de junho de 2024

Ouve Isso Aqui: Casais

                                       


Tema escolhido por Mairon Machado

Com Andre Kaminski, Anderson Godinho, Davi Pascale e Marcello Zappelini


Sei que esse tema já rolou por aqui em um Consultoria Recomenda, mas aproveitando o mês dos namorados, quis trazer algumas obras que ficaram de fora daquele Recomenda, e que acho que merecem uma atenção dos meus colegas. Vamos às pedras! (Mairon)
Ike & Tina Turner – Come Together [1970]

Mairon: Disco de total mudança na carreira do casal Ike & Tina Turner. Lançado em abril de 1970, traz uma guinada forte na direção musical do casal, influenciados por sua turnê abrindo para o Stones (inclusive participando do conturbado Concerto de Altamont, como filmado em Gimme Shelter). Se seus discos anteriores eram caracterizados por uma potência sonora avassaladora, aqui o que prevalece é a voz soberana de Tina sobre os arranjos e criações de Ike. Daí temos soul com vocalizações gospel (a cargo das Iketttes) em “Keep On Walkin’ (Don’t Look Back)”, “Why Can’t We Be Happy”, “Unlucky Creature”, rock suave em “Too Much Woman (For a Henpecked Man)”, e as embaladas “Contact High”, “It Ain’t Right (Lovin’ to Be Lovin’)” e “Young And Dumb”. Além disso, a provocante “Doin’ It” é um encerramento excitante para um álbum fabuloso, cujos grandes destaques vão para as versões de canções surgidas havia pouco tempo. No caso, a ótima faixa-título (que os Beatles tinham lançado em outubro do ano anterior), que como diz meu irmão Micael, todas as músicas dos Beatles ficam melhores em suas versões por outros artistas, “Honky Tonk Women” (que os Stones lançaram um pouco antes, em julho), muito fiel ao original, apenas com adaptações na letra para que a personagem central seja a própria narradora, “Evil Man”, com um belo naipe de metais, sendo outra que teve alterações na letra, já que essa é a mundialmente conhecida “Evil Woman (Don’t Play Your Games With Me)”, que o Black Sabbath imortalizou no seu álbum de estreia de 13 de fevereiro de 1970 (dois meses antes desse), e que o Crow tinha lançado originalmente em agosto de 69, e a espetacular “I Want to Take You Higher”, a mais “velhinha” das três, que o Sly and the Family Stone tinha colocado no mundo em abril de 69, e que aqui está totalmente fiel ao original, inclusive com o naipe de metais e os “boom-shaka-laka-laka-boom” dos vocais. Para perder o preconceito e conhecer uma das grandes duplas da história da música.

Anderson: Uma regravação muito forte e que traz o clássico dos Beatles para a praia do Soul e o R&B. A versão ficou muito energética e animada na voz da maravilhosa Tina Turner. Interessante, também, ficaram os arranjos e a guitarra funkeada de Ike em várias músicas como na ótima versão de “Too Much Woman”. Outro destaque, agora pela interpretação de Tina, é “Unlucky Creature” que conta com uma dramaticidade intensa enquanto a música em si faz uma ambientação para a atuação da artista. Destacaria também a intensidade da versão de “Honky Tonk Women” e a animação de “Contact High”. Por outro lado, esperava um pouco mais da versão do clássico “Come Together”, a versão é bem fiel à original, mas, uma vez que a proposta da reinterpretação ocorreu poderiam ter sido mais inventivos na proposta. Talvez o receio de mexer em um clássico tenha pesado. Por fim, gostei muito da versão de “Don’t it” que fecha o material muito bem. Com certeza é um material especial que merece a lembrança.

André: É um disco um tanto dolorido de ouvir em se tratando de contexto pelo fato de Tina ter sofrido horrores na mão de Ike Turner. É necessário “desligar a chavinha mental do contexto ruim entre eles” para apreciar uma dupla que fazia rocks com uma qualidade estupenda. Os covers também ficaram ótimos. Gosto mais dessa Tina Turner mais blues do que a pop dos anos 80 e 90. Ike também é um grande compositor e guitarrista. Um disco sem erros e excelente.

Davi: Todos conhecem a história conturbada do casal Ike e Tina Turner. Sendo assim, não é preciso dizer que Ike não era a melhor pessoa do mundo. É por essas e outras que precisamos separar a pessoa do artista. Afinal, não há como negar seu talento enquanto compositor e esse disco é uma prova disso. Misturando soul e rock, o LP mistura composições próprias com regravações e brilha tanto com a voz do furacão Tina Turner, quanto na qualidade do repertório. Entre os covers, a maior curiosidade fica por conta de “Evil Man”, originalmente lançada com o nome de “Evil Woman” pelo Crow (sim, aquela mesma que o Black Sabbath regravou), que ganha um singelo naipe de metais. A versão de “Come Together” não traz muitas novidades e a gravação não tem a mesma magia que tem a do fab four. Tem uma história de que certa vez, Ike Turner apontou uma arma para que Keith Richards demonstrasse como havia tocado na gravação de “Honky Tonk Women”. A faixa aparece aqui e dá para ver que ele foi muito bom aluno, só que assim como acontece com a versão dos Beatles, a música não chega nem perto da versão gravada pela trupe de Jagger e Richards. Entre as composições próprias, minhas preferidas estão no lado A: “Too Much Woman”, “Unlucky Creature” e “Young and Dumb”. Para a garotada que estiver lendo esse texto: ouça esse LP prestando atenção no (fabuloso) trabalho vocal de Tina e repare que muitos dos maneirismos vocais que Joss Stone faz hoje, já apareciam aqui. Será mera coincidência?

Marcello: O casal mais disfuncional dessa lista, como ficou provado pela autobiografia de Tina. Entretanto, musicalmente falando, como se davam bem! O talento inacreditável de Tina, aliado à guitarra, aos arranjos e produção de Ike Turner, gerou muitas coisas boas ao longo dos anos, e este Come Together não é exceção. O duo (que participara com B. B. King da turnê dos Stones em 1969) tinha começado a se distanciar um pouco do soul e rhythm & blues, gravando material mais rock, como atestam “Honky Tonk Women”, a faixa-título e “Evil Man”, que as pessoas conhecem da versão do Black Sabbath baseada no original do Crow (e, aliás, a versão dos Turner é mais parecida com a do Sabbath do que com a original), “Evil Woman”. Há ainda uma versão para “I Want to Take You Higher”, do Sly & The Family Stone, em que as Ikettes têm cada uma sua chance de brilhar e as outras oito músicas são de Ike. Dentre estas, os destaques vão para “It Ain’t Right (Lovin’ to be Lovin’)”, “Too Much Woman (For a Henpecked Man)” – conta outra, Ike: você quer que a gente acredite que era dominado pela Tina? – e “Keep on Walkin’ (Don’t Look Back)”. Apesar de tentarem conquistar o público mais rocker, Ike & Tina Turner não foram muito bem-sucedidos na empreitada, pois o álbum só chegou ao 130º lugar na parada geral da Billboard – ainda que tenha sido 13º na de soul. Mas o álbum seguinte, Workin’ Together, trouxe a enérgica versão de “Proud Mary”, que ganhou um Grammy e levou o LP ao 25º lugar na parada geral da Billboard.


Paul Kantner & Grace Slick – Sunfighter [1971]

Mairon: Esse disco foi o que me baseou para este Ouve Isso Aqui. De imediato, o tema que pensei seria “Somos Nós, Mas Com Outro Nome”, só que o fato de ser o mês de junho me remeteu aos casais e como não são todas as músicas que os parceiros do casal Kantner / Slick participam (a saber Spencer Dryden e Joey Covington na bateria, Jorma Kaunonen nas guitarras, Jack Casady no baixo e Papa John Creach no violino), Sunfighter entrou de qualquer jeito. Os pombinhos haviam acabado de parir a pequena China Wing Kantner, que teve uma linda canção em sua homenagem, levada pelo piano e os vocais dramáticos da mamãe, após pouco mais de 1 ano de relacionamento (lembrando que Grace já tinha tido um affair com o Dryden), e lançou esse álbum sensacional tendo além dos colegas da Jefferson Airplane uma série de convidados, que passam por Jerry Garcia, Graham Nash, David Crosby, entre outros, como o novato guitarrista Craig Chaquico (que veio a fazer parte da Jefferson Starship anos depois), mandando ver na pesada “Earth Mother”. O disco já abre com a pancadaria comendo solta em “Silver Spoon”, tratando sobre veganismo (algo incomum para a época) com destaque para o peso do baixo de Casady, o insinuante violino de Papa e os vocais hipnóticos e gritados de Slick, paulada que mostra o que o Jefferson Airplane estava fazendo desde Volunteers, e que se estende até o derradeiro Long John Silver. Esse estilo se mantém na espetacular faixa-título, dedicada ao ex-parceiro de Airplane, Marty Balin, com o casal dividindo os vocais como nos bons tempos de “Volunteers” e “We Can Be Together”, na alucinógena “Million”, onde Jerry Garcia abrilhanta na guitarra junto do piano de Slick, e também na longa “Holding Together”, outra a contar com a marcante guitarra de Garcia. Crosby e Graham são peças centrais na ótima “Look at the Wood” e na linda demais “When I Was a Boy I Watched the Wolves”, com uma introdução acústica incrível e variações muito interessantes, e ambas com uma excelente harmonia vocal. E tente não se assustar com a recriação do que seria o Titanic afundando em “Titanic”, ou com o enigmático piano de “Universal Copernican Mumbles”, acompanhado de barulhos muito soturnos e um vocal ainda mais tétrico por Kantner. Assombroso em um disco assombrosamente ótimo!

Anderson: Não poderia faltar algo psicodélico pra valer e cá estamos. O álbum possui uma atmosfera criada tanto pelos vocais de Grace quanto pela instrumentação que vai de pianos/teclados, distorções de guitarra que achei um tanto excêntricas, violões e diferentes influencias como folk ou jazz em algumas passagens. As músicas não são, no geral, muito extensas mas demandam parar para absorver tudo que está acontecendo, vale o tempo disposto nesse trabalho. Quem curte um som intenso e complexo vai gostar. Particularmente me atraíram a primeira música: “Silver Spoon” com seus quase seis minutos (minha melhor experiência), curiosamente a, também extensa, “When I was a Boy I Watched the Wolves” me agradou bastante. No geral, não me agradou como os demais trabalhos da lista, me falte mais coisas dessa época na cabeça para poder contextualizar melhor o material. Assim de bate pronto, não me chamou muita atenção.

André: A riqueza instrumental é grande, há caras fodas como David Crosby e Graham Nash tocando, mas o casalzinho do Airplane não andava muito inspirado por aqui. Sinto falta de composições mais marcantes como faziam no Jefferson Airplane (e mesmo no Jefferson Starship) que aqui parecem mais sobras e lados B de ambas as bandas, mas com o acréscimo de mais instrumentos. A que eu gosto mais é a faixa título “Sunfighter”, com o restante bem abaixo do que todo esse time de músicos já produziu na vida. Não é um disco ruim, mas um menor na discografia particular do casal (que juntos, pelo que eu saiba só lançaram este mesmo).

Davi: Esse álbum é basicamente um trabalho solo de Paul Kantner com a participação de Grace Slick. Na maior parte das músicas, a voz dela fica em segundo plano, o que realmente é uma pena já que eu gosto muito mais da voz dela do que da dele. O disco captura bem aquela sonoridade San Franciso, com violões folk e arranjos sutis, e impressiona pelo time de convidados que contou, com nomes de peso como Graham Nash, David Crosby e Jerry Garcia. O disco é bom e deve agradar aos fãs de Jefferson Airplane. Contudo, para mim, o grande destaque é mesmo a faixa de abertura onde temos Grace Slick comandando a música que fez para provocar seus vizinhos vegetarianos que queriam doutriná-la. A letra era tão forte que muitas pessoas pensavam (e ainda pensam) que era uma ode ao canibalismo. Interessante…

Marcello: Grace Slick e Paul Kantner iniciaram um relacionamento ainda nos anos 60, quando ela ainda estava casada com o primeiro marido (Jerry Slick) e tivera um caso com o segundo baterista do Jefferson Airplane, Spencer Dryden Os dois tiveram uma filha, China Wing Kantner (que nome mais era de Aquário!), que aparece na capa. Paul já gravara um disco com ela e os amigos da cena de San Francisco antes, “Blows Against the Empire”, e convidou a turma toda novamente neste álbum (Jack Casady, Jorma Kaukonen, Papa John Creach, Spencer Dryden e Joey Covington, do Jefferson Airplane; Jerry Garcia, do Grateful Dead; David Crosby e Graham Nash; o futuro guitarrista do Jefferson Starship, Craig Chaquico; e mais um monte de gente), que abre com a voz poderosa de Grace na excelente “Silver Spoon”. Kantner assume o vocal solo em “Diana Part 1” e “Sunfighter” (que traz Steven Schuster e parte da turma do Tower of Power nos sopros). “When I Was a Boy I Watched the Wolves” e “Earth Mother” são ótimas músicas que não fariam feio num álbum do Airplane. “Million” traz Jerry Garcia para formar uma espécie de Grateful Airplane em outro destaque do disco. Em “China”, Grace mais uma vez assume o vocal solo e homenageia a bebê do casal. “Universal Copernican Mumbles” é levada nos teclados, numa música diferente das demais, mas não menos interessante. A música mais longa do LP, “Holding Together”, encerra o álbum com brilho. Grace e Paul ainda colaborariam no álbum “Baron von Tollbooth & The Chrome Nun”, com David Freiberg e outros colegas de San Francisco, e, por anos, no Jefferson Starship. O relacionamento entre os dois durou até 1975, e Grace casou-se novamente no ano seguinte; quando Paul trouxe o Jefferson Starship de volta, ela colaboraria com o ex-companheiro, mas desde o início dos anos 90 ela se mantém afastada da música. Kantner, infelizmente, morreu em 2021.


Wings – Venus and Mars [1975]


Mairon: O casal Paul e Linda McCartney formaram o Wings, tendo como álbum cultuado Band on The Run. Porém, penso que é em Venus And Mars que Linda conseguiu mostrar algum talento para estar ao lado de um gigante musical como Paul. A técnica da garota era ínfima, mas pelo menos aqui ela aprendeu a ser “um pouco” mais instrumentista e fazer música. Os seus acordes no sintetizador na faixa-título já são uma pequena demonstração disso. Ela traz intervenções precisas do sintetizador em faixas como “Love Song”, “Medicine Jar”, e principalmente, além dos sintetizadores, nos vocais de apoio em “Magneto and Titanium Man”. Sua contribuição nos teclados e vocais de “Listen to What the Man Said” dão um charme a mais para essa boa faixa. Curto bastante o clima alegre de “Rock Show”, que também tem um sintetizadorzinho interessante ao seu final, o rock lisérgico de “Spirits of Ancient Egypt”, cantada por Denny Laine, e também com boa participação de vocais e sintetizadores por Linda, e a delicadeza de “Treat Her Gently – Lonely Old People”, que fecha muito bem esse belo disco. E para os fãs xiitas dos Fab-4, divirtam-se com “Call Me Back Again”, “Letting Go” e “You Gave Me The Answer”. Comentar sobre o trabalho de Paul aqui é desnecessário, já que nos anos 70, o cara ainda estava em alta criativamente. Joguem as pedras, mas para mim esse é o melhor disco da carreira de Paul, inclusive junto aos Beatles.

Anderson: Os anos 70 são incríveis, sempre me surpreendo com a qualidade e diversidade de coisas. Não conhecia o Wings que, liderado pelo Paul McCartney, faz um som Rock and Roll, com uma sonoridade pop em vários momentos. Talvez, pudesse enquadrar alguma coisa de soul, mas muito sutil no meu entender. O material começa fervendo com a ótima intro “Venus and Mars” casada com “Rock Show”, pegada que aparece em “Medicine Jar” só que aqui de modo mais pesado. Dentre outros destaques coloco “Magneto and Titanium Man”, música dinâmica, criativa e animada que me lembrou, por algum motivo, o que Queen faria posteriormente. Já “Letting Go” me chamou a atenção pela mescla de instrumentos que apontam um tanto para o soul, só que mais lento, algo que é presente nos Rolling Stones. Teclado, metais, guitarras na medida certa. Pra não me estender, poderia falar das baladas do álbum mas vou destacar a ótima “Call me Back Again” que me lembrou o Joe Cocker pela estrutura ascendente da música. Recomendadíssimo esse disco!

André: Confesso, nunca fui lá grande fã nem do McCarta solo e nem do Wings. Fui escutar esse disco sem nenhuma expectativa e me surpreendi positivamente com o que ouvi. Entre os besouros, o meu favorito ainda é o Harrison e sim, gosto mais do Ringo solo do que do Mac. Mas ele subiu alguns degraus no meu conceito apresentando uma sonoridade rica e classuda, diferente daquela coisa mais juvenil dos Beatles (que gosto tanto). Linda aparece legal aqui com seus backing vocals e colaborando nas composições e instrumentais. Me animei a ir atrás de outros discos do baixista canhoto, devo ter escutado os álbuns errados.

Davi: Paul McCartney é sobrenatural. Depois de ter feito parte dos Beatles (uma das maiores bandas da história do rock), ele criou mais um grupo de primeiríssima linha: os Wings. Venus and Mars é o quarto registro do grupo e mais um grande trabalho com a assinatura de Macca. O disco, que traz composições de Paul McCartney e sua esposa, a sua ‘gatchinha’ Linda (como ele gostava de dizer em suas passagens pelos Brasil), tinha a tarefa ingrata de suceder o brilhante Band On The Run. E não é que eles conseguiram entregar um trabalho à altura? O álbum é bem variado e demonstra muitas das facetas de Paul. O lado A, iniciando com “Venus and Mars/Rockshow” e encerrando com “Letting Go”, é simplesmente perfeito. Nenhuma música descartável. No lado B, temos como destaques; o blues “Call Me Back Again”, o single “Listen What The Man Said”, além de “Treat Her Gently – Lonely Old People”. Um dos grandes álbuns do sir Paul McCartney e o melhor dessa lista, sem sombra de dúvidas.

Marcello: Paul & Linda McCartney, mais Denny Laine, Jimmy McCulloch e Joe English (em algumas músicas, Geoff Britton): Wings em 1975, perto do auge da popularidade, e tentando ser uma banda de verdade, não um veículo para Paul. Quando recebi a lista, pensei comigo: por que esse disco e não Ram, creditado ao casal? De minha parte, nada contra: gosto muito de Ram, mas Venus & Mars sempre esteve perto do topo na minha lista do melhor que Macca fez em toda a sua vida. As músicas são creditadas a Paul e Linda (mas, honestamente, não sei o que Linda efetivamente contribuiu), à exceção de “Medicine Jar” (de McCulloch e Colin Allen; o guitarrista se encarregou do vocal principal) e “Crossroads Theme”, vinheta que encerra o disco, de autoria de um certo Tony Hatch. Os dois lados do álbum começam com a linda faixa-título, forte candidata ao posto de minha balada favorita de Paul. “Rock Show” é uma das músicas mais roqueiras de Paul, e daria nome ao filme que documentou a turnê mundial de 1976 do Wings. “Call Me Back Again” e “Letting Go” são mais bluesy, algo não muito comum na obra de Macca, “Listen to What the Man Said” e “Magneto and Titanium Man” são aqueles rocks descompromissados típicos dos anos 70 (a segunda, uma música ótima para uma letra ridícula), e ainda tem a curiosa “Spirits of Ancient Egypt” (com vocal de Denny Laine), a bela “Love in Song” e a linda “Treat Her Gently – Lonely Old People” – espere sentir o peso da idade para ver se você não se emociona com ela. Vou me estender nessa que é minha música favorita do disco; a balada mistura uma declaração de amor ao reconhecimento de que a velhice traz o fantasma da solidão. O truque genial foi seguir a música com o tema da mais popular soap opera da época na Inglaterra, “Crossroads”: Macca imaginou um casal de idosos assistindo à novela na TV. Ainda que inferior ao excelente Band on the Run, Venus & Mars prova que Macca poderia ter sido o melhor dos quatro na carreira solo – se tivesse tido saco para tentar provar isso. Confesso que quando soube da morte de Linda, achei que Paul não se recuperaria – mas ele continua ativo e excursionando.


ABBA – The Album [1977]

Mairon: Todo mundo sabe que o ABBA era constituído não por um, mas por dois casais. O que poucos sabem é que The Album é o último de Bjorn Ulvaeus e Agnetha Faltskog (o outro casal era Benny Anderson e Anni-Frid Lyngstad) juntos. As consequências para a separação de Bjorn e Agnetha, após quase 8 anos juntos (6 como casados), são diversas. A insegurança familiar de Agnetha, os excessos de viagens, e também, o fato de Bjorn e Benny buscarem sempre uma perfeição tanto para fãs quanto para a imprensa. Aqui, a dupla alfa tentou calar a boca de muitos críticos, que em pleno 1977, com o nascimento do punk, alegavam que os suecos não eram capazes de compôr “música séria”. Foi com essa expressão em mente que nasceu obras-primas como a progressiva “Eagle”, que ganhou anos depois, entre outras, uma pesada versão feita por Sargant Fury, além do grupo punk Leatherface recriá-la de forma muito interessante, o rockaço “Hole In Your Soul”, que me remete muito ao que Styx faria anos depois, e claro, a suíte “The Girl With The Golden Hair”. Dividida em três partes (originalmente, a suíte era composta por quatro partes, apresentadas somente ao vivo, e que podiam superar facilmente os 25 minutos), é “inspirada” nas carreiras de Agnetha e Frida (o que teria sido mais um motivo para a separação do casal), e teve sua primeira parte como um dos grandes sucessos do grupo, a delicada “Thank You For The Music”. Porém, são nas outras duas partes que vejo os méritos dessa suíte. Afinal, o que Frida faz com a voz em “I Wonder (Departure)” é embasbacante, mas nada, nada supera a violência progressiva musical que Benny e Bjorn construíram para “I’m a Marionette”. É indescritível, só colocar as caixas de som no talo e admirar o solo de guitarra, as orquestrações e a harmonia vocal perfeita das meninas aqui. Uma pena a banda não ter registrado em estúdio “Get On The Carousel” (a quarta parte citada), que concluía a história muito bem, o que não impede do encerramento com “I’m A Marionette” ter sido no mínimo brilhante. Aos que já estão torcendo o nariz, saibam que nada mais nada menos que o Ghost fez uma versão para essa faixa, e ao meu ver, bem menos assustadora do que a original. Seguindo, naquilo que o ABBA era exclusivo em fazer, que era pop de melhor qualidade, nasceu a atemporal “Take a Chance On Me”, com sua inesquecível harmonia vocal de introdução, e as passagens de sintetizadores permeando as vozes de Agnetha e Frida. Se “I’m A Marionette” foi coverizada pelo Ghost, saiba que “Move On”, linda faixa com inspirações andina, teve uma versão feita por Rob Rock (que também regravou “Eagle”) com Tobias Sammet nos vocais (!). Um dia irão dar valor as baladas do ABBA como fazem com Fleetwood Mac por exemplo, já que o arranjo de “One Man, One Woman”, que já traz em sua letra indicios de que a coisa não estava bem entre Agnetha (voz principal) e Bjorn, ou então a suave soul de “The Name of the Game”, com seu complexo e fantástico arranjo vocal inspirado nos Beach Boys, mas que aqui é feito com um trabalho hercúleo de encaixe de vozes impossível de se reproduzir, e que como o próprio Bjorn atestou, somente Agnetha e Frida seriam capazes de fazer. Não é o melhor disco da banda, o que atribuo ao seguinte, Voulez-Vous, papo para um Recomenda ou Ouve Isso Aqui Discos de Separação, mas The Album é um disco a ser descoberto!

Anderson: Os suecos do ABBA são uma grande unanimidade dentre a geração Boomer e entre muitos dos Mileniuns, fato. Particularmente meu conhecimento não passa dos clássicos ouvidos pelos meus pais. Ao ouvir (pela primeira vez diga-se de passagem) um material completo da banda ficou um sentimento ambíguo de que realmente não é a sonoridade que me cativa, mas que foi uma audição agradável. Apesar de algumas coisas conhecidas como a, insuportavelmente animada, “Take a Chance on Me”, a sem sal “Eagle” ou a sonolenta “Thank You fot the Music” me chamou muito mais atenção as românticas “One Man, One Woman” e “I Wonder” (que com um solo no estilo Primal Fear em Tears of the Rage ficaria interessante). Porém, as que mais gostei foi a surpreendente “Move On” com uma sonoridade e ambientação muito gostosa em que percussão e instrumentos de sopro (ao que parece gravados com sintetizadores e teclados) proporcionam uma experiência diferente no álbum, e ainda a melhor do álbum: “I’m a Marionete” que traz um som orquestrado muito poderoso. No geral, particularmente, é um ótimo material de pop em sua concepção, mas me soa bem datado, não me empolga apesar de saber de sua importância para a música.

André: Sei que o Mairon ama essa banda, acho eles legaizinhos também, mas nunca me fizeram querer botar roupas coloridas e mostrar meus passos de dança por aí. É um disquinho divertido, com as vocalistas suecas cantando muito bonitinho, mas sem aquela coisa que me empolga. Mas isso sou eu em uma época não muito bem humorada de minha parte. Acho que eu mudaria de opinião se eu ouvir este disco uns anos depois.

Davi: Embora seja um dos grandes nomes da música pop, e eu seja um admirador de música pop, ainda não me aprofundei na discografia do Abba como deveria. Tenho alguns discos deles em minha coleção, mas não tenho tudo ainda. Esse é um dos que me faltam, sendo assim, ouvi ele pelo Spotify e a primeira impressão foi de um bom disco, mas não espetacular. O disco começa maravilhosamente bem como a belíssima “Eagle”, emendando no divertido hit “Take a Chance on Me” e nas bonitas “One Man, One Woman” e “The Name of the Game” (mais um grande hit do grupo sueco), mas o nível cai em “Move On” e a partir daí, a única que me chamou realmente a atenção foi “I´m a Marionette”, responsável por fechar o LP. É indiscutível a qualidade dos músicos e a influência deles na música pop, mas eu provavelmente teria indicado álbuns como Arrival ou Abba. De todo modo, foi bacana vê-los por aqui.

Marcello: Como alguém que cresceu ouvindo Rolling Stones, Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep, Pink Floyd e Emerson, Lake & Palmer, eu fui musicalmente educado para desprezar o quarteto sueco. Ao longo dos anos, passei a respeitar os dois casais (Anni-Frid, Benny, Agnetha e Bjorn), mas continuou não gostando; admito que são bons cantores, que a banda de apoio era ótima, que Benny e Bjorn são mestres em compor músicas que grudam no ouvido da gente, mas não adianta, não são para mim. Anos atrás, ouvi o catálogo completo do grupo, e o deixei de lado; ao reouvir esse The Album, fiquei surpreso com a pomposa “Eagle”, mas músicas como “Take a Chance on Me” e “One Man, One Woman” passam muito longe do meu gosto e me lembraram das razões para não gostar do ABBA. “The Name of the Game” me soou meio reggae, um ritmo que pouquíssima gente associaria à Suécia; atestando a versatilidade do grupo. “Move On” impressiona pelos vocais, em especial pela voz solo da bela Agnetha, mas é apenas um aperitivo para “Hole in Your Soul”, melhor música do disco, na minha opinião – apesar de, curiosamente, deixar a desejar no quesito vocais, o ponto forte do quarteto. O álbum se encerra com as três partes de “The Girl with the Golden Hair”, “Thank You for the Music”, “I Wonder (Departure)” e “I’m a Marionette”, que, com mais de doze minutos, mostra que o ABBA buscava fugir um pouco da sua fórmula consagrada. The Album acompanhou The Movie, filme sobre a banda lançado mais ou menos na mesma época, liderou a parada inglesa e chegou ao 14º lugar na Billboard – prova do massivo sucesso do grupo, até hoje uma das bandas que mais vendeu discos na história. O ABBA tem seu lugar na história do rock, mas nunca me atraiu e provavelmente nunca me atrairá.


Elis Regina – Transversal do Tempo [1978]

Mairon: Esse aqui vai trazer discussão, certeza que geral vai torcer o nariz, mas foda-se. O papel de Cesar Camargo Mariano neste disco é fantástico. Ele comanda os arranjos para a esposa Elis desfilar a sua técnica, que aqui estava perfeitamente mais que perfeita. Logo de cara, ele já manda ver no seu mais novo brinquedinho, um moog, introduzindo “Fascinação”, na qual Elis arrebenta acompanhada pelo piano sempre emotivo. Mas vem mais: o piano dá o tom dramático de “Sinal Fechado”, uma das obras mais complexas de Chico Buarque, que Elis canta numa naturalidade invejável. E então entra a bandaça formada por Nathan Marques (guitarras), Crispin Del Cistia (guitarra, teclados), Dudu Portes (bateria) e Fernando Sizão (baixo), para interpretar versões apocalípticas de “Deus Lhe Pague”, intrincadíssima e progressiva para abrir um sorriso na cara amarrada de Robert Fripp, Os arranjos de Cesar desconstróem clássicos da MPB do porte de “Boto” (Tom Jobim), com acordes tensos no piano elétrico, “O Rancho Da Goiabada” (João Bosco e Aldir Blanc), mandando ver no piano elétrico e acrescida com uma monumental “Construção” (Elis se rasgando em tristeza aqui, e que arranjo sombrio), tendo apenas a vinheta da polêmica inserção de “Gente” (Caetano veloso), e até a “Saudosa Maloca” de Adoniran Barbosa, aterrorizante o que Cesar e Elis fazem nessa. O auge da dramaticidade, soturna e desconstrução musical vai para “Meio Termo / Corpos”, com um show a parte do violão e da guitarra de Nathan, e canções de letras pesadas que Elis e Cesar jogam na cara dos fãs com um descomunal desprezo aos arranjos originais. Fecham o play versões depressivas (e belas) de “Cão Sem Dono” e “Querelas do Brasil”, mas com um forte tom de que “a vida continua” através da empolgante “Cartomante” de Ivan Lins. O casal permaneceu juntos, entre brigas, idas, vindas e o temperamento sempre “apimentado” de Elis Regina, por mais 2 anos, criando no mínimo mais duas grandes obras (Elis … Essa Mulher, e Saudades do Brasil). O show Transversal do Tempo percorreu e foi aclamado pelo mundo, e também recebeu fortes críticas justamente por seu teor complexo e pesado. Já o álbum Transversal do Tempo peca por ter as músicas “cortadas” do nada muitas vezes, mas ainda hoje, 20 anos depois de ouvir ele pela primeira vez, ainda me choca. Quem sabe um dia lancem a obra em sua totalidade.

Anderson: Realmente uma lista complexa e diferente esta proposta pelo nosso querido Mairon! Elis Regina é uma referência em muitos sentidos e, mesmo sem conhecer sua obra a fundo, imagino que esse ao vivo é uma prova de seu gigantismo como artista. Pois bem, é impressionante o que essa mulher canta! Não gosto de material ao vivo, não ouço quase nada dessa categoria, mas fiquei realmente abismado com esse disco. Logo de cara “Fascinação” já eleva o nível a um patamar altíssimo. Feita a aposta, na sequência “Sinal Fechado” continua intensamente!! Extremamente emocionante a canção de Paulinho da Viola, mas que com a voz de Elis se torna algo surreal. Todavia não para por aí, a terceira é “simplesmente” “Deus lhe Pague” do Chico Buarque que traz um arranjo agressivo e icônico, e, novamente, Elis deita e rola! Ela destrói tudo por meio de uma interpretação que faz jus a cada palavra da música. Esse começo arrebatador da espaço para experiências em um degrau mais abaixo, porém ainda assim muito bom! Após um “intervalo” com o pot-pourri de O “Rancho de Goiabada” e uma breve interpretação de “Construção”, entra uma bossa nova de “Saudosa Maloca”. Creio que a ideia não é uma resenha, mas é difícil de não comentar todas as músicas. Vou parar por aqui destacando, ainda, as versões lindas de “Boto”, e o ótimo pot-pourri de “Meio Termo/Corpos”, lembrando que todas as músicas ficaram fenomenais.

André: Cara, acho que esse é o disco mais “pesado” da Elis que eu já ouvi na vida. Tem guitarras aqui. Guitarras de verdade, com overdrive e tudo mais. O baterista Dudu Portes batendo forte, com viradas e tudo mais. Uma interpretação intensa, forte, não sei o que o César Camargo Mariano fez com ela, mas eu gostei. Discaço hein Mairon, acertou em cheio aqui.

Davi: Elis é considerada, por muitos, a maior cantora da música brasileira e ouvindo esse álbum dá para entender o porquê. Nessa apresentação gravada no Teatro Ginástico (Rio de Janeiro), a pimentinha transborda emoção em cada uma das interpretações, além de ter uma invejável técnica vocal. Embora eu goste muito de seu trabalho inicial, é indiscutível que sua obra toma outro nível quando seu marido César Camargo Mariano assume as rédeas. Todo esse cuidado com o arranjo também é perceptível no show. O concerto não está completo. Inicialmente seria lançado um volume 2 com as outras faixas, mas o projeto acabou sendo abortado. Sabendo da importância da Elis e do barulho que causou na época, se eu trabalhasse na gravadora, nem teria corrido esse risco, teria lançado um álbum duplo de uma vez. Voltando ao álbum em questão, colocaria como destaque os clássicos absolutos “Fascinação” e “Querelas do Brasil”, além de “Sinal Fechado” e “Cartomante”. Se você tem interesse na música brasileira, além do rock/metal, diria que essa é uma audição obrigatória.

Marcello: Gravado ao vivo em apresentação da turnê do mesmo nome, realizada em 1977, Transversal do Tempo traz a melhor cantora da história recente da MPB – ao menos na minha opinião – ao lado do marido tecladista, produtor, arranjador, diretor musical, o que mais você quiser, César Camargo Mariano. Se o ABBA eu desprezava, Elis – e toda a MPB – eu não me interessava. E não me interesso, admito. Por isso não posso comparar esse disco com a produção da cantora, ou as versões de músicas conhecidas com outras. Abrindo com a linda “Fascinação”, com Elis soltando toda a extensão de sua voz privilegiada, o disco traz outro clássico da música brasileira (“Saudosa Maloca”), bem como “Sinal Fechado”, que mostra que só um talento como o de Elis consegue fazer você ouvir uma música do Paulinho da Viola sem sentir saudades do autor. “Querelas do Brasil” é outro destaque absoluto, com um acompanhamento fantástico dos músicos de apoio em um arranjo quase jazzístico. César Camargo Mariano é um tecladista de mão cheia e a banda é excelente, e o desempenho de Elis é impecável (só não curto muito a voz dela na versão de “Deus Lhe Pague”). O álbum se encerra com “Cartomante”, uma aula de domínio de voz no autor Ivan Lins (não entendam errado, o cara canta bem, mas Elis é covardia). Diferentemente do ABBA, este aqui eu vou ouvir mais vezes no futuro.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Livro: Paul McCartney Uma Vida (Peter Ames Carlin) [2011]





Lord Paul McCartney estará chegando ao Brasil nesse segundo semestre. Parece que o eterno beatle acostumou-se com o calor tropical da América do Sul, já que nessa década, ele veio diversas vezes colocar seus históricos pés por essas terras. Então, antes de esbaldar-se com um show sensacional, que tal conhecer um pouco sobre a sua biografia. Para isso, o livro Paul McCartney Uma Vida é uma excelente escolha.

Peter Ames Carlin se tornou um importante biógrafo de grandes artistas nos últimos anos. O americano já trouxe ao mundo a história de nomes como Bruce Springsteen, Paul Simon e Brian Wilson, só para ficar em alguns, e teve a honra de narrar a carreira de um dos principais nomes da história da música, Paul McCartney. Em seu livro Paul McCartney Uma Vida, Carlin traz a história de uma celebridade, que saiu de uma origem humilde para ser um dos nomes mais conhecidos em todo o planeta.


PAUL COM WINGS E EM CARREIRA SOLO NOS ANOS 80

"Mais do que um astro, mais do que uma celebridade, Paul McCartney é um símbolo cultural". Essa frase que abre a orelha de Uma Vida já diz muito sobre quem iremos conhecer ao longo das 368 páginas do artefato literário, divididas em 23 capítulos que não se furtam em nenhum momento em trazer para o leitor a história do ponto de vista de diversas pessoas, entrevistas por Ames ao longo de dois anos de muito trabalho e dedicação, bem como uma revisão bibliográfica muito bem explorada pelo autor em cima de entrevistas, notícias de jornais, apresentações em TVs, entre outros.

O americano conta a história de Paul desde os primórdios da família McCartney, com o vovô Joe McCartney nascido em 1866, casando com Florrie Clegg em 1896 e formando uma família de nove filhos, dentre eles o papai James (Jim) McCartney. A família McCartney cresceu em Everton como uma família tradicional britânica, trabalhando muito para conseguir o sustento, mas com um detalhe adicional, apaixonados por música. O casamento de Jim com mamãe Mary, e o nascimento do primogênito Paul, deu novos ares para a família, e assim, o livro começa a narrar a conturbada e inacreditável vida do menino Paul.

IMAGENS DO PERÍODO BEATLE

A dolorosa perda da mãe ainda na juventude, as primeiras bandas, o encontro marcante com John Lennon, líder dos Quarrymen e que iria levar a formação dos Beatles, tudo é narrado com riqueza de detalhes, chegando ao auge da leitura inicial quando o grupo estoura no Reino Unido, fazendo os bancos dos teatros se encharcarem com a excitação das meninas somente ao ver o famoso quarteto de Liverpool pisando no palco.

Até esse momento do livro, Ames apresenta um Paul charmoso, inteligente e obstinado a ser um homem de sucesso, buscando sempre o que é seu sem temer o que vier pela frente, fato aprendido quando ainda era criança e teve seu relógio por alguns fortões, mas encarou os mesmos em pleno tribunal com a ajuda do pai, onde obteve a lição: "Você trabalha duro e mantém sua palavra, e se alguém tentar pegar algo que lhe pertence, resista". Quem diria que essa lição acabaria marcando a vida de Paul de maneira um tanto diferente do que se imaginaria, mas isso falaremos depois.

O sucesso com os Beatles e o relacionamento de Paul com a atriz Jane Asher tomam conta da segunda parte do livro, que para os fãs dos Fab-Four, é um deleite de informações de como álbuns sagrados como Rubber Soul, Revolver e Sgt. Peppers foram construídos, mostrando uma parceria inigualável e inteligente de Paul e John Lennon, mas ao mesmo tempo, é um choque sobre o processo de egocentrismo que o famoso beatle assume a partir de então. Paul está cada vez mais fascinado com o sucesso, e entre aventuras sexuais e criações musicais mágicas, o autor destaca os pensamentos gananciosos em termos de ser A estrela do grupo, bem como os fracassos em ser além de músico, também um cineasta (com o filme Magical Mystery Tour). Também é nesse ponto que Ames nos mostra como a relação de Paul com os demais beatles começou a ficar conturbada por conta das drogas, já que Paul foi o último a consumir LSD dentre os quatro, mas arrotou para a imprensa que havia sido o primeiro, e isso deixou os demais fulos da vida.


IMAGENS DO PERÍODO DE TRANSIÇÃO BEATLES – WINGS

O término dos Beatles é um trecho de destaque na obra aqui narrada, envolvendo tanto as crises de Yoko x Beatles quanto as próprias brigas internas entre Paul x John e George, que já buscava amparo espiritual em outros mundos que não mais o iê-iê-iê, bem como o famoso caso da "morte de Paul", tratada com fatos verídicos que indicam que Paul realmente não morreu, e que é um período importante para consolidar o relacionamento de Paul com um novo amor, Linda Eastman, a qual se tornou sua fiel companheira no grupo Wings. 

A carreira com o Wings surge entre muitas brigas pessoais de Paul com os demais integrantes (principalmente por dinheiro e pelo fato de Paul obrigar os colegas a aceitarem Linda como companheira de banda), alto consumo de maconha e um sucesso que não foi bem administrado pelo artista. As brigas com o guitarrista Henry McCullough e o baterista Denny Seiwell, bem como o co-fundador e guitarrista Denny Laine, dariam bons pontos de ibope para Nelson Rubens, Leão Lobo, Mara Maravilha e Sonia Abrão, principalmente por que o artista se recusava a pagar para os colegas de banda uma remuneração mais justa para os índices que o Wings estava alcançando. Enquanto o grupo vendia milhões de discos ao redor do mundo, Paul pagava apenas 70 dólares por semana para os membros da banda, o qual viviam em um celeiro na casa de campo de Macca, e eram obrigados a estar à disposição do ex-beatle 24 horas por dia. Além disso, a falta de higiene na casa dos McCartney também incomodava os "moradores", sendo que Linda ficava semanas sem tomar banho, enquanto a fumaça de maconha era constante no ambiente.


MAIS IMAGENS DE PAUL, HOJE EM DIA E COM OS FAB-4

Com o fim do Wings, surge o drama de uma carreira solo de altos e muitos baixos, recheada de críticas, mas principalmente, a dor da perda do amigo John Lennon e de sua amada Linda por conta do câncer de mama, idêntico ao câncer que levou mamãe Mary há algum tempo. Esse trecho do livro é de bastante comoção, principalmente por Paul não conseguir ter se despedido "em paz" com Lennon, já que muitas foram as discussões e farpas que ambos soltaram um para o outro junto à imprensa. Mas, na medida que as páginas vão passando, voltamos para a sessão "Ok! Ok!", com as brigas do novo casal, McCartney e Heather Mills, bem como novas questões judiciais envolvendo os direitos musicais dos Beatles, com Paul tendo feito um trato com a EMI onde recebia mais do que os outros membros da banda.


CAPA TRASEIRA DE UMA VIDA

Enfim, o livro apresenta os louros e os fracassos de um inegável monstro da arte mundial, e se por diversas vezes parece ser uma revista de fofocas, por outras revela que até mesmo um rosto conhecido possui seus problemas pessoais, e como a obra foi autorizada pelo próprio Macca, é por que não há o que esconder. O livro ainda possui algumas imagens da carreira da banda, todas em preto e branco e disponibilizadas em separado no seu trecho central, mas é irrelevante perto da boa quantidade de informações que você terá. Seja fã ou não dos Beatles, com certeza é uma obra interessante para sua prateleira.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Melhores de Todos os Tempos: 1973

Pink Floyd em 1973: Rick Wright, Roger Waters, Nick Mason e David Gilmour
Por Diogo Bizotto


Com Adriano KCarão, Bernardo Brum, Bruno Marise, Davi Pascale, Eudes Baima, Fernando Bueno, José Leonardo Aronna, Mairon Machado, Micael Machado e Ronaldo Rodrigues


Participação especial de Diego Camargo, editor do site Progshine


A edição da série “Melhores de Todos os Tempos” referente a 1972 já havia deixado evidente a força do rock progressivo na época, abocanhando três posições entre as dez – sem falar nos álbuns que flertavam com o estilo –, incluindo o primeiro colocado da lista. Em 1973, a importância do gênero e o gosto de vários colaboradores pelos artistas enquadrados no rótulo revelou-se ainda mais impressionante, resultando na ocupação de metade dos postos nesta listagem, incluindo não apenas o primeiro, mas o segundo lugar; além de outros discos que também se aventuram pelo progressivo em diversos momentos. Isso evidencia, em uma lista formada pela opinião de 12 ouvintes de música, que a qualidade desses grupos não pode ser ignorada. Por pouco, inclusive, nosso primeiro colocado, The Dark Side of the Moon (Pink Floyd), não formou unanimidade, sendo citado por 11 colaboradores da série. Lembramos que o critério para elaborar nossa listagem final, baseada nas listas individuais, que podem ser conferidas mais abaixo, segue a pontuação do Campeonato Mundial de Fórmula 1. Agora é com você, leitor: esteja livre para deixar sua opinião e manifestar críticas, registrando também suas preferências. Aproveite e confira aqui as edições anteriores da seção.

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Pink Floyd – The Dark Side of the Moon (142 pontos)


Adriano: Este pode não ser nem de longe o melhor disco do Floyd, mas é certamente um belíssimo disco. “Time” e “Money” são clássicos inegáveis, mas eu também destacaria todo o restante do lado A, especialmente “On the Run”, que punha a banda minimamente a par do que os alemães vinham fazendo com os sintetizadores. O lado B não me agrada como à maioria, mas também não compromete.


Bernardo: Há adjetivos suficientes para descrever The Dark Side of the Moon? A magnum opus do Pink Floyd figura com justiça como um dos melhores de 1973. Repleto de clássicos, como “Money” e sua repetição estilística, cujo baixo combina com o ritmo de caixas registradoras, as levadas de “Time” e “Us and Them” e a sideral “Brain Damage”. Mas o grande momento do disco fica mesmo com “The Great Gig in the Sky”, na qual Clare Torry entrega uma das performances vocais mais intensas e arrasadoras da história do rock. Praticamente irretocável.


Bruno: O disco mais falado, celebrado e exaltado da carreira do Pink Floyd e talvez do todo o rock progressivo. Talvez seja o equilíbrio definitivo entre a erudição e complexidade do gênero com um som mais acessível e palatável ao grande público. Gosto do álbum, mas ainda prefiro bem mais o The Wall (1979). Primeiro lugar da lista já é um pequeno exagero.


Davi: Álbum simplesmente perfeito. É o meu favorito do grupo, lado a lado com Wish You Were Here (1975) e The Wall. Lindos arranjos, belíssima execução. Grande trabalho de guitarra do David Gilmour. Nota certa na hora certa. Contagiante e sem exibicionismo. Item obrigatório.


Diego: É quase impossível falar algo novo ou que nunca foi dito sobre esse disco do Pink Floyd (aliás, sobre toda a discografia deles). Da minha parte prefiro contar como eu descobri esse álbum, emprestado de um amigo, e na época computador pra mim era ficção, então fiz minha cópia em fita cassete e fiz o encarte a mão com todas as letras e detalhes que eu ainda tenho (para quem ficar curioso, tá aqui). Um disco mágico, do começo ao fim, um disco em que cada peça se encontra e se encaixa perfeitamente. Um belo e merecido primeiro lugar, tanto aqui quanto na minha prateleira de CDs!


Diogo: Meu disco favorito do Pink Floyd é The Wall, mas não hesito sequer um instante em afirmar que The Dark Side of the Moon é a mais bem realizada obra da carreira do grupo inglês. Aliando um delicioso acento pop à exuberância de composições ambiciosas e encaixando cada nota no lugar certo, o quarteto conseguiu, como nenhuma outra formação, levar a sonoridade progressiva a um público ainda maior, quebrando todas as barreiras possíveis e se consolidando como um dos discos mais vendidos de todos os tempos. “Money” e “Time”, que foram lançadas como singles e tornaram-se clássicos pouco discutíveis, ajudaram a alavancar o desempenho do álbum, mas a verdade é que The Dark Side of the Moon desvela-se muito bem em sua integridade. Apesar disso, não posso deixar de destacar aquela que considero a provável melhor canção da banda (ao lado de “Comfortably Numb”, de The Wall), “Us and Them”. Roger Waters é meu Floyd favorito, mas a combinação das vozes de Richard Wright e David Gilmour nessa música é primorosa.


Eudes: Primeiro lugar óbvio – embora preferisse Houses of the Holy (Led Zeppelin) no primeiro posto. Os gênios que gostam de reescrever a história segundo a moda do momento (lembram de quando se dizia, nos infelizes anos 1980, que Doors e Velvet eram mais importantes do que os Beatles e os Rolling Stones?) não vão gostar da escolha. E só por isso eu já vou defendendo a taça para o álbum multiplatinado do Pink Floyd, que, na minha lista pessoal, ficou em segundo lugar. Mas já se falou tanto deste disco que tudo que eu pudesse dizer aqui seria ocioso. Próximo…


Fernando: Assim como o disco que ficou em primeiro lugar em 1972, este aqui é merecidíssimo. Já falei bastante sobre ele aqui. Álbum planejado, composto, executado e produzido para ser um clássico. A banda já havia gravado alguns discos antes de The Dark Side of the Moon e foi aprendendo e amadurecendo em cada um deles como se estivessem se preparando para fazer algo extraordinário.


José Leonardo: Puxa, o que falar deste disco que já foi e ainda é comentado até os dias de hoje, com exaustão? Um marco na história da música. Entre os melhores dos melhores. Até hoje me arrepio ouvido a dobradinha “Brain Damage”/”Eclipse”. Uma verdadeira obra-prima, tendo como foco principal a visão da vida e da morte ensinada através de um conjunto de sons com letras bonitas e talvez um pouco deprimentes de Roger Waters. Definitivamente, na minha lista top 10!! Ah, e foi o primeiro vinil que comprei na vida!!! E escutar de fones de ouvidos é um deleite!!!


Mairon: Era inevitável que este álbum fosse escolhido o melhor de 1973, já que, sempre que ouvimos o nome Pink Floyd, ele é citado como um dos favoritos. Na minha lista de preferidos do Floyd, está na quinta posição. É um disco recheado de clássicos, do calibre de “Time”, “Money” e “Breathe”. Além disso, é nele que está aquela que considero a melhor canção da carreira do grupo, “The Great Gig in the Sky”, com uma interpretação fabulosa da cantora Clare Torry. Além disso, as experimentações eletrônicas de Roger Waters colocaram o rock progressivo em um novo patamar, que veio posteriormente a ser o pivô da criação de estilos como o AOR e o soft rock.


Micael: Um clássico em todos os sentidos, o disco que mais tempo permaneceu nas paradas até hoje, e aquele que a maioria dos ouvintes associa como sendo o “som real” do Pink Floyd. Não o coloco entre os melhores do grupo, e sempre o considerei como o disco mais “comercial” do quarteto, mas, mesmo assim, é um grande registro, e merecedor deste primeiro lugar.


Ronaldo: O Pink Floyd consagrou uma vertente única na linguagem do rock progressivo, ainda que não tendo em sua música vários dos elementos que tornaram clássicas outras bandas progressivas. Neste caso, souberam extrair o sumo de composições simples com um esplêndido trabalho de estúdio, experimentação com efeitos sonoros e um conceito que parte do campo de experiências pessoais (do baixista e letrista Roger Waters) para abordar e questionar as relações sociais como um todo. O apelo para o público geral foi fortíssimo, já que a banda atinge em The Dark Side of the Moon o foco necessário e suficiente para constituir uma música simples e lindamente lapidada.

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Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery (91 pontos)


Adriano: Inferior ao seu antecessor, Trilogy (1972), mas ainda assim um magnífico trabalho! Iniciando com “Jerusalem” – uma estupenda adaptação de um hino de Hubert Parry baseado em um poema do gênio William Blake –, o grupo já adentra o campo de batalha com total favoritismo. “Toccata” mantém o nível no alto, com doses de um “virtuosismo experimental” competentíssimo. “Still… You Turn Me On” é chata, mas logo o grupo se redime com a divertidíssima “Benny the Bouncer”, pra então coroar-se com a magistral “Karn Evil 9”, que se distribui pelo final do lado A e todo o lado B do disco. Uma das melhores suítes de toda a historia do prog, com excelente trabalho de cada um dos três, que valiam por uma orquestra.


Bernardo: Gostei de “Toccata”. Caiu muito bem a música de Ginastera com os arranjos de Emerson e os sintetizadores. De resto não me impressionou e deu um certo marasmo.


Bruno: Não, obrigado.


Davi: Não curto Emerson, Lake & Palmer. Não comentarei.


Diego: Brain Salad Surgery, o quinto disco do ELP, é também o ponto mais alto de suas carreiras. Ambiciosamente escrito para ter uma suíte de 30 minutos (“Karn Evil 9″), mas, por causa da limitação do LP (25 minutos de cada lado), acabou sendo dividido. Mais um disco que eu descobri emprestado em LP e que eu ouvi até quase furá-lo. Hoje em dia é mais um clássico que brilha orgulhoso na minha estante de CDs.


Diogo: Meu conhecimento a respeito do ELP não é tão grande quanto eu gostaria que fosse, mas acho que posso afirmar sem muito medo de errar que Brain Salad Surgery é meu favorito do trio, tanto que integra a lista dos álbuns que não incluí em meu top 10, mas poderia fazê-lo com muita tranquilidade, assim como Billion Dollar Babies (Alice Cooper), Goodbye Yellow Brick Road (Elton John), We’re an American Band (Grand Funk Railroad), Houses of the Holy (Led Zeppelin) e alguns outros. Ao contrário do Yes, que muitas vezes perdeu o foco nas longas faixas que compõem seu álbum lançado nesse mesmo ano, Tales from Topographic Oceans, o ELP consegue cativar melhor o ouvinte durante os quase 30 minutos da suíte “Karn Evil 9″, que traz exuberância e variação, mas deixa uma série de iscas que vão sendo mordidas pelo ouvinte, querendo mais e mais das divertidas maluquices de Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer. O restante do disco mantém o mesmo pique, em especial a percussiva “Toccata”, mostrando pra quem ainda não havia percebido que o título de melhor baterista do rock progressivo era disputado baquetada a baquetada entre Palmer e Bill Bruford (Yes, King Crimson).


Eudes: Aí eu faço de novo a pergunta que já se fez aqui: quando mudaremos o nome do site para “Consultoria do Prog”? Não que o álbum não tenha méritos para disputar um lugar no top 10 de 1973, ou mesmo a medalha de prata que acabou papando, mas, se fosse para nomear um disco do ELP para o hall da fama, não seria este. O álbum repete as várias virtudes que fizeram dos primeiros discos da banda imprescindíveis, mas falta, para mim, falta aquele algo mais que justificaria que ele entrasse na lista, mas não, por exemplo, Beck Bogert & Appice, ou uma gema latina como Artaud (Pescado Rabioso). Mas não dá pra reclamar muito. O disco é mesmo muito bom.


Fernando: Surpresa para mim Brain Salad Surgery ficar em uma posição tão alta, já que ele não é um disco fácil de se ouvir, principalmente por conta da longa suíte que fecha o álbum. “Jerusalem”, apesar de não ser uma composição original, é fantasticamente bela, o mesmo acontecendo com “Still… You Turn Me On”. Quem disse que disco bom não tem música ruim? “Benny the Bouncer” é a prova disso.


José Leonardo: Entre os melhores álbuns de rock progressivo de todos os tempos! Além disso, nenhuma outra banda prog jamais foi capaz de adaptar de tal maneira formidável peças de música erudita e hinos como feito aqui. E, pelo menos, duas das melhores composições do ELP estão aqui: a belíssima “Still… You Turn Me On” e a poderosa suíte “Karn Evil 9″. Ainda por cima de tudo isso, provavelmente uma das melhores capas de álbum já feitas. O ELP estava na melhor forma aqui, e, infelizmente, nunca mais atingiria um nível como esse nos seus lançamentos posteriores.


Mairon: O melhor disco da carreira do trio Emerson Lake & Palmer, e, com certeza, um dos melhores lançamentos de 1973. Enquanto o Pink Floyd brincava com eletrônicos, Greg Lake apresentava um instrumento de dois braços para interpretar a maravilhosa “Karn Evil 9″, Carl Palmer virava um polvo em “Tocatta” e Keith Emerson duelava com Rick Wakeman para saber quem era o melhor tecladista da história, fazendo misérias nas canções citadas. Ainda temos a linda “Jerusalem” e a voz aveludada de Lake arrasando corações em “Still… You Turn Me On”. O único defeito vai para o jazz-country de “Benny the Bouncer”, totalmente descartável, mas que não chega a manchar a face desse essencial álbum.


Micael: Talvez o disco mais conciso do ELP, sendo aquele em que as qualidades das composições são as mais equilibradas. A suíte-título é um exemplo dos exageros e das maravilhas do prog, assim como a percussiva “Toccata”. Já a versão para o hino britânico “Jerusalem” ficou lindíssima, e outra faixa bela é “Still… You Turn Me On”. “Benny the Bouncer” é a música mais “fraca” deste que é um belo registro, embora o segundo lugar talvez seja um pouco demais para ele.


Ronaldo: É compreensível que o trio inglês tenha tantos detratores. Cada disco seu era um passo adiante na exploração extrema de musicalidade e do virtuosismo. Quem até então não gostava da proposta ousada do grupo, aqui tem toda a chance para detestá-la. E o contrário também é verdadeiro para que os aprecia. Aqui chega-se ao ápice. Keith Emerson trabalhando com uma gama ainda maior de sons e timbres de suas máquinas analógicas, Greg Lake torturando seu contrabaixo e Carl Palmer nem parecia mais que tinha só dois braços e duas pernas. As músicas podem ser comparadas a sinfonias eletrônicas contemporâneas. Dentro do som progressivo que fervilhava na Europa, com Brain Salad Surgery eles não só já estavam no topo do Olimpo como construíram uma tenda pra ficar por lá por algum tempo.

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Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath (90 pontos)


Adriano: Metal nunca será minha praia. O disco tem alguns momentos levemente interessantes, como “Who Are You”, mas no geral é aquele mais do mesmo que não me agrada muito.


Bernardo: A participação do lendário tecladista Rick Wakeman já dá o tom do disco: mais que em Vol. 4 (1972), Sabbath Bloody Sabbath é o disco do Black Sabbath que mais se aventura pelo rock progressivo. Sob o pseudônimo Spock Wall, o tecladista confere uma sonoridade espacial para o disco nas faixas “Sabbra Cadabra” e “Who Are You?”. Há a tradicional pancadaria sabbáthica na faixa-título, que abre o álbum, e em “Killing Yourself to Live”, contrastando com o lado acústico em “Looking For Today” e os momentos orquestrados em “A National Acrobat”. Quase um compêndio do melhor do rock produzido nos anos 1970, heavy, hard e progressivo estão, no final das contas, à serviço da música do Sabbath, acima de todos os rótulos.


Bruno: Considero este uma obra subestimada do Sabbath, mas está entre as minhas preferidas do grupo, superando até clássicos como Paranoid (1970) e o disco de estreia (1970). Se em Vol. 4 a banda já botava as asinhas de fora e ensaiava algo diferente com mais melodias, passagens intrincadas e flerte com outros gêneros como o psicodélico e o progressivo, aqui eles se jogaram de cabeça, aperfeiçoando ainda mais essa mistura. E nem por isso o quarteto deixou de pesar a mão: “Sabbra Caddabra”, “Spiral Architect” e a faixa-título figuram facilmente entre os riffs mais potentes de Iommi, e “Killing Yourself to Live” é uma paulada.


Davi: Mais um belo álbum do Sabbath. Todas as características do grupo seguiam intactas: os riffs contagiantes de Tony Iommi, a bateria pulsante de Bill Ward e os vocais caracteristicos de Ozzy. Definitivamente, não é o famoso disco mais do mesmo. Seus arranjos eram mais ousados. Por vezes, até flertando com o progressivo. Clássico!


Diego: Ah, o disco “prog” do Sabbath (hehe)! Brincadeiras à parte, este é o disco que mostra o Black Sabbath de maneira mais ousada, tentando novas direções e acertando em cheio. A inclusão de Rick Wakeman (sob a alcunha de Spock Wall) foi apenas a cereja no topo do bolo. Depois deste álbum as coisas começariam a desmoronar no Black Sabbath, mas ai já é outra história. Mais um CD que eu orgulhosamente tenho em minha prateleira.


Diogo: Neguinho pode até chiar, mas vai ter que aguentar: é mais um disco do Black Sabbath no pódio. Nada mais justo, afinal, diminuir a importância do quarteto e resumi-lo à sua epopeia rumo aos limites do peso e da agressividade é um reducionismo infantil, considerando a criatividades dos integrantes (especialmente Tony Iommi) e a qualidade de suas composições. Sabbath Bloody Sabbath pode até não ser meu favorito (ocupa uma provável quarta posição, mais exatamente), mas é justamente o álbum mais indicado para atestar tudo o que afirmei com tanta certeza; e poderia ser ainda melhor, não fosse a sonoridade um tanto magra da bateria. Músicas como “A National Acrobat”, “Sabbra Cadabra”, “Looking for Today” e, especialmente, “Spiral Architect”, vão alguns passos além do que já havia sido apresentado em Vol. 4 em termos de criatividade, flertando inclusive com o rock progressivo, enquanto a faixa-título e “Killing Yourself to Live” são pauladas prontas a satisfazer os fãs mais sedentos por violência, mas com um refino sem precedentes na carreira do grupo.


Eudes: Tá certo, o disco é bem bacana. Mas será que, a partir de 1970, todo disco do Sabbath vai entrar na lista dos dez mais? Pelamordedeus! Ou melhor, pelamordodemo! E se, como em 1970, o Sabbath lançasse dois discos por ano, haveria dois discos em cada lista? Só espero que, depois de 1977, isso pare, porque botar o Sabbath oitentista nas listas já vai ser caso de polícia!


Fernando: Só a faixa-título já valeria o álbum, mas ele ainda tem outras ótimas música. Alguns dizem que este álbum é muito zeppeliano, como se isso fosse algo ruim, e também citam a influência do progressivo. As pessoas se esquecem, porém, que a banda sempre usou várias facetas para construção do seu som e muito provavelmente isso é um dos segredos de seu sucesso.


José Leonardo: Apesar de não ser o meu top dos Sabbath, este é realmente um grande disco! Este é sem dúvida o álbum mais maduro musicalmente até então. Os riffs pesados​ e clássicos de metre Iommi ainda são abundantes, mas existem algumas tendências “progressistas”, incluindo teclados e arranjos orquestrais. Melhores faixas: “Sabbath Bloody Sabbath”, “A National Acrobat”, “Sabbra Cadabra”, “Killing Yourself to Live” e “Spiral Architect”.


Mairon: Este álbum QUASE entrou entre meus dez mais. Foi a partir dele que o Black Sabbath mostrou que não queria viver só de peso, apesar das ótimas faixa-título, “Killing Yourself to Live” e “A National Acrobat”. Porém, um dos pés de Tony Iommi e cia. já estava no rock progressivo, principalmente na tecladeira de “Who Are You?”, nas flautas de “Looking for Today” e na citada “A National Acrobat”. Por fim, Mr. Rick Wakeman dá o ar da graça na jazzística “Sabbra Caddabra”, e “Spiral Architect” é a arquitetura mais perfeita do grupo (até então) para mostrar suas inspirações progressivas, com três mini-movimentos de uma quase-suíte. Ainda temos o violão de “Fluff”, complementando um dos melhores discos da carreira do grupo.


Micael: Apesar de um pouco mais pesado, considero-o como a sequência natural deVol. 4, o disco anterior do grupo. Deixou várias faixas clássicas na carreira do Sabbath e no heavy metal, como “Sabbra Cadabra”, “Killing Yourself to Live”, “Spiral Architect”, “Looking for Today” e a que dá título ao álbum, além da “estranha” “Who are You?” e da calma “Fluff”, e também merece estar no pódio deste ano!


Ronaldo: Quando os fãs se dividem na hora de escolher o melhor lançamento de uma determinada banda, é sinal de que esta banda viveu um longo e fantástico período de criatividade. Outro excelente disco do Black Sabbath.

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Genesis – Selling England By the Pound (81 pontos)


Adriano: O progressivo do Genesis não trilhava ambientes perigosos, como o Yes, o ELP e o King Crimson faziam, por exemplo, mas sem dúvida a banda atingiu um nível de maestria no rock sinfônico de que pouquíssimos podiam se gabar. Selling England by the Pound é tão bom quanto Nursery Cryme (melhor, portanto, que Foxtrot), sendo menos coeso, mas contando, a meu ver, com uma maior variedade musical. Não há muito o que falar – ou, mais corretamente, é difícil resumir a fala – sobre as músicas; é ouvir e perceber o nível de riqueza e dramaticidade atingido pelo grupo. A única falha é “More Fool Me”: canção bonitinha, mas que destoa do restante das faixas. “After the Ordeal”, por sua vez, é uma das maravilhas do mundo prog mais subestimadas que conheço!


Bernardo: O Genesis é uma banda diferenciada, e Selling England By the Pound, em conjunto com The Lamb Lies Down on Broadway (1974), exemplifica bem a razão. O cuidado com as harmonias de Steve Hackett e Tony Banks, o vocal sensível de Peter Gabriel e a cozinha marcante de Mike Rutherford e Phil Collins produziram discos únicos e complexos que entraram para a história quase que imediatamente. Destaque para “Dancing With the Moonlit Knight” e “More Fool Me”, com vocal de Collins, que já mostrava desde lá o porquê do estrondo que “In the Air Tonight” causaria em 1981.


Bruno: Tá aí um disco de progressivo que eu adoro. Como já disse em anos anteriores, o Genesis pra mim está acima de algumas outras bandas do gênero por sua grande qualidade nas composições, e com Selling England eles atingiram o ápice. “Dancing With the Moonlit Knight” e “Firth of Fifth” estão entre as melhores obras já compostas na história da música. E o solo de guitarra da segunda é algo de trincar o coração. Só ouvindo pra entender.


Davi: Genesis com Peter Gabriel não me agrada.


Diego: O Genesis vinha em um crescendo em excelência musical desde Trespass, de 1970. Em Selling England By the Pound tudo que a banda havia aprendido em estúdio e como músicos brilhou de forma perfeita no disco que eu considero o ponto mais alto do rock progressivo. Essencial é pouco!


Diogo: Se é para o Genesis ocupar uma posição de maior destaque nesta série, que seja mesmo com Selling England By the Pound, o primeiro disco da banda a verdadeiramente me conquistar, cativando pela qualidade de suas composições e por sua singularidade em meio ao que vinha sendo feito em se tratando de progressivo. Aliado à profusão de ideias interessantíssimas levadas a cabo por um grupo de instrumentistas excelentes e um vocalista que sabia impor sua personalidade, o Genesis trabalha sobre melodias agradáveis, capazes de conquistar o ouvinte não muito chegado no gênero (como exatamente tenho constatado). Exemplos disso são as magníficas “Dancing With the Moonlit Knight” (com Mike Rutherford “comendo” o baixo), “The Battle of Epping Forest” e “The Cinema Show”. “Firth of Fifth” então, é espetacular, destacando o piano de Tony Banks e o solo de Steve Hackett.


Eudes: Não entrou na minha lista, mas, pensando bem, seria um erro não incluí-lo no top 10. Disco marcado por sucessivas melodias genais, ressalta – ai, ai, lá vem pedrada… – a capacidade da banda (leia-se, nesse caso, Gabriel e Collins) de combinar a complexidade progressiva das faixas com uma pegada pop extremamente competente. Um álbum capaz de agradar, em seu lirismo melancólico, de mim até meu pai, de 86 anos. E isso é um (grande) elogio!


Fernando: Na minha opinião, a obra-prima do Genesis. Gosto de tudo do disco, até de “More Fool Me”, que, por ter sido cantada por Phil Collins, faz os fãs torcerem um pouco o nariz. Contém vários clássicos da banda e deu um maior destaque para a guitarra de Steve Hackett do que os antecessores.


José Leonardo: O quinto álbum de estúdio, Selling England By the Pound, é um dos discos mais vendidos da banda e, também musicalmente, é um dos seus melhores, e com certeza o melhor da formação clássica. Phil Collins, Steve Hackett, Tony Banks, Mike Rutherford e Peter Gabriel estavam no auge da sua criatividade. A interação entre Tony Banks e Steve Hackett é impressionante. É, sem dúvida o álbum que mostra Steve Hackett, um guitarrista subestimado, a mais. O disco é um clássico do prog rock e tem estruturas musicais complexas, além das letras bizarras e inteligentes de Gabriel, e essa é a razão pela qual eu ainda gosto de ouvir este álbum, que foi lançado há 40 anos: toda vez que você ouvi-lo, ainda pode descobrir algo novo na música.


Mairon: Outro que perdeu a vaga na última hora, muito por conta de uma canção que eu simplesmente abomino na carreira do Genesis, “I Know What I Like (in Your Wardrobe)”. Sinceramente, acho-a chata demais, e totalmente fora dos altos padrões que o Genesis de Peter Gabriel mostrou para a humanidade. Por outro lado, as épicas “Cinema Show”, “Dancing With the Moonlit Knight” e “The Battle of Epping Forest” são representativas desse padrão de excelência que citei, corroborado pela maravilha “Firth of Fifth”, com Steve Hackett eternizando um dos melhores solos de todos os tempos. A entrada entre os dez mais é justa e apoiada, deste que foi meu décimo-primeiro na lista. Quem quiser saber mais sobre o álbum, clique aqui.


Micael: Dos discos da fase clássica do Genesis com Peter Gabriel, provavelmente é o que eu menos aprecio (acima apenas de The Lamb Lies Down on Broadway), embora sua qualidade seja inquestionável. Se “I Know What I Like (in Your Wardrobe)” é a coisa mais “comercial” que o grupo gravou com seu vocalista original, “Dancing with the Moonlit Knight”, “Firth of Fifth”, “The Battle of Epping Forest e, principalmente, “The Cinema Show”, são clássicos do rock progressivo, que fazem com que este álbum mereça estar nesta lista com sobras.


Ronaldo: Entre 1971 e 1973 foram lançados os discos fundamentais do rock progressivo. Este lançamento do Genesis configura-se como o máximo que a formação clássica da banda conseguiu oferecer aos ouvidos do mundo. É difícil dar adjetivos para um disco tão conciso e perfeito.

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Paul McCartney & Wings – Band on the Run (64 pontos)


Adriano: “Jet” é uma faixa interessante – não só pelo riff aparentemente inspirado em “Satisfaction” –, e “Let Me Roll It” e “Nineteen Hundred and Eighty-Five”, mais ainda. O restante são faixas que variam do fraco-mediano ao mediano-bom, mas com o sério problema de o Paul ser um cara chato com uma voz chatíssima.


Bernardo: Assim como Off the Wall (1979), de Michael Jackson, Band on the Run é um disco pop perfeito: nele absolutamente tudo é cantarolável e assoviável, os refrões são fáceis e a variação de andamento tanto das músicas quanto dos álbuns o torna uma experiência a ser desfrutada de forma fácil e prazerosa. A criatividade de Paul junto com o talento do ex-Moody Blues Denny Laine deu resultado no melhor disco já feito por um ex-beatle. O resultado é a dobradinha de abertura “Band on the Run” e “Jet”, explodindo de animação, o corinho viciante de “Mrs. Vandebilt” e as emocionantes baladas “Bluebird” e “Let Me Roll It”. Band on the Run é um daqueles discos que faz a vida parecer mais fácil.


Bruno: Dos discos solos do Paul McCartney, este é o que eu mais gosto. Um grande álbum de rock ‘n’ roll com todos elementos e a genialidade pop do baixista.


Davi: Obra-prima. Um dos melhores trabalhos, se não o melhor, dentro da magnífica discografia de Paul McCartney. Com clássicos do porte de “Band on the Run”, “Jet” e “Let Me Roll It”, o disco beira a perfeição. Não há muito o que dizer. Mais um item obrigatório.


Diego: Este disco foi uma completa surpresa pra mim, quero dizer, em relação a estar aqui na lista. Lembro que consegui uma cópia em vinil (bem surrado) há muitos anos e me lembro perfeitamente de ter ficado realmente surpreso em como o disco era bom. Conhecia “Band on the Run” de tanto ouvir a Kiss FM, mas o disco ainda traz muitas outras pérolas, como “Jet” and “Let Me Roll It”. Bom que está aqui na lista, porém não sei se colocaria entre os dez mais de 1973.


Diogo: Confesso que havia esquecido deste álbum e só fui escutá-lo após a consolidação da lista final agregando as opiniões de todos os colaboradores. Para minha surpresa, o disco superou minhas expectativas, apesar de ainda não achá-lo digno de uma posição tão elevada. Muito bem acompanhado por Denny Laine, Paul confirma seu talento para cunhar canções recheadas de ideias melódicas interessantes, algo muito bem exemplificado na faixa-título, um dos destaques. Cito ainda como dignas de nota a roqueira “Jet”, “Mrs. Vandebilt” e “Nineteen Hundred and Eighty-Five”. “Let Me Roll It” tem mais a cara de John Lennon do que de Paul, mas isso acaba tornando-a ainda mais interessante no contexto do álbum, que não é nota dez nem nada do tipo, mas passa sem recuperação.


Eudes: Um monólito. E por isso colocado em lugar errado! Este álbum de Paul mereceria, no mínimo, o bronze desta lista. Band on the Run é uma coleção inigualável de grandes canções, em que a banda mostra flexibilidade e abrangência temáticas e melódicas difíceis de serem repetidas em discos posteriores. Paul, no auge da intolerância dos “lennonistas” doentes, mostrou quem era o maior compositor dos Beatles!


Fernando: O primeiro grande disco de Paul após o fim dos Beatles e, ao lado de All Things Must Pass (1970), de George Harrison, o melhor de um ex-Beatle. Claro que o destaque do disco é Paul, mas não podemos nos esquecer de Denny Laine, o braço direito de McCartney no Wings. Todos se lembram da faixa-título e de “Jet”, mas ouça “Bluebird”, “Mrs. Vandebilt” e “Nineteen Hundred and Eighty-Five” para se convencer de que Paul é o maior compositor do rock de todos os tempos.


José Leonardo: Não conheço muito a fundo a carreira solo de Paul McCartney. Possuo apenas três discos dele, este em questão e os álbuns de 1970 e 1971 (este com Linda). Na minha opinião, All Things Must Pass e Plastic Ono Band (1970, John Lennon), são os melhores discos solos de ex-beatles, mas este álbum é muito bom e é considerado o melhor trabalho de Paul. Dizem que ele estava passando por alguns momentos difíceis, com sua banda caindo aos pedaços. Deve ser por isso que este disco é bom! As melhores músicas são “Band on the Run”, “Jet”, “Bluebird”, “Mrs. Vandebilt”, e “Let Me Roll It”.


Mairon: O primeiro grande disco desta ótima banda que Paul McCartney criou pós-Beatles. Aqui o músico mostrou que era um grande instrumentista, e na companhia de Denny Laine (ex-Moody Blues), registrou clássicos como a faixa-título, “Jet” e “Nineteen Hundred and Eighty-Five”, a melhor composição da história de McCartney. Outros bons pontos são “Bluebird” e “Picasso’s Last Words (Drink to Me)”. Ainda vieram mais dois grandes álbuns posteriormente (Venus and Mars, 1975, e At the Speed of Sound, 1976), ambos com a mesma qualidade, mas a fama de Band on the Run é que continua fazendo o disco brilhar ainda hoje. Considero, porém, a quinta posição demasiada para um ano tão importante para o rock progressivo.


Micael: Não gosto de Beatles nem das carreiras solo de seus membros, mas este talvez seja o melhor álbum já gravado por um membro do Fab 4 fora do quarteto. O talento de Denny Laine agregou muito ao som da banda, e a capacidade de composição de Macca, mesmo não sendo o estilo que eu curto, é inquestionável. Não é um disco que eu ouça com prazer, mas não faz feio nesta lista!


Ronaldo: Paul McCartney sempre foi um excelente compositor. Depois da fama com os Beatles, tocar com ele era uma honra. Então, era mole conseguir reunir os melhores talentos para sua banda. O defeito que vejo em Band on the Run, que em si é um bom disco, é a falta de pegada. O disco ficou bem pasteurizado e da mais fácil deglutição para qualquer FM. Apesar da faixa-título ser uma preciosidade, “Let Me Roll It” é constrangedora e entediante
.

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Led Zeppelin – Houses of the Holy (59 pontos)


Adriano: Décimo-primeiro lugar na minha lista, empatado com o décimo! Não tem uma “Stairway to Heaven”, nem uma “Black Dog”, mas é mais coeso do que o disco anterior. E contém “Dancing Days”, com seu riff, talvez o mais viciante de todos os tempos, e o acompanhamento de guitarra no refrão, mais lindo ainda. Sem falar em “The Crunge”, “D’Yer Maker” e “No Quarter”, clássicos absolutos. Page, você não precisava roubar ninguém, cara.


Bernardo: O Led faz parte de um grupo seleto de bandas responsáveis por lançar uma obra-prima atrás da outra e sentar confortavelmente em um dos tronos por direito do rock. Houses of the Holy prossegue com essa maravilhosa sequência trazendo novos ingredientes que caem como uma luva, como o reggae em “D’yer Mak’er”, o funk em “The Crunge” e os traços progressivos de “No Quarter”, com introdução à base de sintetizadores e um belo solo de piano de John Paul Jones. O folk também tem presença forte em “The Rain Song” e “Over the Hills and Far Away”, fazendo de Houses um disco multifacetado, mas sem nunca perder a identidade da banda. Ganha valor pessoal também por sua faixa de abertura, “The Songs Remains the Same”, ser a primeira música que ouvi do Led. A levada contagiante foi paixão instantânea.


Bruno: Mais uma obra-prima desses gigantes que, na minha opinião, está a frente de alguns dos clássicos como Led Zeppelin (1969) e IV (1971). Não há pontos baixos aqui (“D’yer Mak’er” está longe de ser ruim!). Uma bolacha que reúne “No Quarter”, “The Ocean”, “The Song Remains the Same”, “The Rain Song” e “Over the Hills and Far Away” é quase uma coletânea.


Davi: Já vi muita gente criticar este disco e, honestamente, nunca entendi. O LP beira a perfeição. Das oito faixas, a única que não me agrada é “The Crunge”. Como curiosidade, vale lembrar que foi durante a divulgação deste álbum que foi filmado o clássico longa The Song Remains the Same (1976).


Diego: O disco do Led que todo mundo diz que é perfeito e que eu menos gostei! Realmente tenho pouco pra falar sobre este álbum, sei que muita gente considera-o completamente essencial e clássico. Da minha parte, acho que é um ótimo disco, mas o mais fraco da fase clássica da banda. Concordo, porém, que The Song Remais the Same continua sendo absurdamente boa!


Diogo: Como afirmei mais acima, Houses of the Holy não entrou em minha lista particular, mas poderia tê-la integrado tranquilamente, afinal de contas, o que dizer de um álbum que agrega no mesmo track list a galopante “The Song Remains the Same”, a pequena obra-prima “Over the Hills and Far Away” e a mística “No Quarter”, que conta com uma baita performance de John Paul Jones? Além dessas, que coloco entre minhas favoritaças da banda, o disco ainda traz outras ótimas mostras de um Led Zeppelin mais solto e seguro de suas capacidades, talvez até se levando um pouco menos a sério, caso de “Dancing Days” e “D’yer Mak’er”. A real é que a única que fica um pouco abaixo é “The Crunge”, pois “The Rain Song” e “The Ocean” também são muito boas.


Eudes: Se esta não fosse a “Consultoria do Prog”, este disco estaria lá em cima. Que outro lugar para um álbum que nos dá, de uma só vez, “The Song Remains the Same”, “The Rain Song” e “No Quarter”? Sim, não é o melhor álbum do Zeppelin, convenho, mas só essa trinca de genialidades já coloca-o acima de 95% da concorrência do ano de 1973. Tem nada não: em 1975 a gente bota as coisas no lugar!


Fernando: Não achava que este disco entraria neste top 10. Aí lembrei que Led Zeppelin e Black Sabbath acabam entrando em todas as listas. Contudo, fui ouvir o disco novamente e lembrei que ele precisava estar nesta lista sim, bastava lembrar que “D’yer Mak’er”, “The Song Remains the Same”, “The Rain Song” e “No Quarter” fazem parte do álbum. É possível que o sucessor de Houses of the Holy seja o último do Led a entrar nessa nossa série.


José Leonardo: Também não é o meu favorito da banda, mas é o álbum mais diversificado dos caras. Temos os rocks “The Song Remains the Same” e “Over the Hills and Far Away”, o épico “The Rain Song” e a bela e progressiva “No Quarter”. Na minha opinião, o funk “The Crunge” e o reggae “D’yer Mak’er” deixam um pouco a desejar. Para aqueles que, como eu, pensaram que o Zeppelin era mais do que apenas rock clássico, este álbum mostrou que a banda poderia trilhar outros caminhos, talvez sem brilho, mas com competência.


Mairon: Quem era a maior banda da década de 1970? Em 1973, no auge do rock progressivo, o Led Zeppelin mais uma vez dava um tapa de luva de pelica nos gigantes dinossauros prog, e desbancava todos eles com seu primeiro álbum com um título, no caso, Houses of the Holy. Comentei sua história aqui. Trata-se de um disco que possui divisões musicais, com petardos espetaculares, como “The Song Remains the Same” e “Over the Hills and Far Away”, ou novidades sonoras não tão apreciáveis para o som do Zeppelin, como o reggae de “D’yer Mak’er” e o funk de “The Crunge”. “The Ocean” e “Dancing Days” perambulam entre os momentos bons e os momentos ruins, mas “No Quarter” e “The Rain Song” acabam consolidando este álbum como um dos melhores lançamentos dos britânicos do Led, sendo a última a melhor canção que já ouvi em minha vida, provando que Jimmy Page não precisava usar de nenhum plágio para ser um gênio. Depois dele, o Led comprou seu avião particular, lotou estádios em EUA, Europa e Austrália e partiu para os dezoito meses de gravação de seu maior álbum.


Micael: Outro disco do qual nunca fui muito fã, apesar da imensa qualidade de clássicos como “No Quarter”, “Rain Song”, “The Song Remains the Same” ou “Over the Hills and Far Away”, uma das minhas favoritas na carreira do Zeppelin de Chumbo. Mas faixas como “Dancing Days”, “The Ocean”, a tentativa de reggae de “D’yer Mak’er” (que é legalzinha, mas muito pouco para uma banda do porte do Led), e, principalmente, “The Crunge”, na minha opinião a pior faixa da carreira da banda, depõem quanto à qualidade do álbum, fazendo com que ele não seja muito atraente a meus ouvidos, embora não seja indigno de estar entre os dez mais deste ano!


Ronaldo: O Led Zeppelin ficou tão eclético em Houses of the Holy que se permitiu até dar alguns escorregões. Seu inconteste leque de adjetivos, porém, lhe permitiu acrescentar mais algumas pérolas musicais a seu repertório. Por elas, já está garantida a colocação deste disco como um dos melhores do ano, ainda que o conjunto toda da obra não justifique colocá-lo no mesmo patamar dos lançamentos anteriores.

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Yes – Tales from Topographic Oceans (58 pontos)


Adriano: Na matéria sobre os melhores discos do ano anterior, falei que todas as bandas clássicas de prog deviam ouvir o Thick As a Brick (Jethro Tull, 1972) de joelhos – o Yes parece tê-lo feito, e o resultado, Tales, foi maravilhoso! Você já deve ter ouvido/lido alguém dizer que este disco é um exemplo emblemático da pretensão exagerada das bandas progressivas. Isso pode ser verdade, mas jamais servirá como “crítica” ao álbum. Se Tales vai muito longe em suas viagens progressivas, talvez fosse disso que a música pop realmente precisasse! A melhor versão de “The Revealing Science of God (Dance of the Dawn)” é a do ao vivo Keys to Ascension (1996), mas a original já é ótima. O único motivo pra eu considerá-la uma música menor é o que vem em seguida: nada menos que três das melhores suítes que o prog gestou, em sequência! “The Remembering (High the Memory)” é comovente, mas o que Steve Howe faz com guitarra e violão em “The Ancient (Giants Under the Sun)” e “Ritual (Nous Sommes du Soleil)” é muito acima da média do melhor da música em geral. A sessão percussiva de “Ritual” também é algo a se registrar nos anais da criatividade humana.


Bernardo: Não consigo nem de longe admirar que nem o resto. Para mim, deste disco em diante, a banda nunca mais seria como foi em Fragile (1971) e Close to the Edge (1972). Mas tem seus bons momentos.


Bruno: Insuportável. Se o progressivo é as vezes estereotipado pelo virtuosismo desnecessário e a pretensão, este disco é um dos grandes responsáveis.


Davi: Não tenho este disco do Yes. É um dos dois que me faltam. Não comentarei.


Diego: Ah, o Tales From Topographic Oceans. O “auge” do progressivo para muitos. Para mim o auge da morte do rock progressivo. Sempre amei esses projetos bizarros e “over the top”, mas no caso do Yes não deu certo. Poucas vezes consegui ouvir o disco do início ao fim e com total atenção apenas uma vez. Pra mim este disco começou a por ideias na cabeças das bandas e tudo acabou ficando fora da realidade em poucos anos e isso no final das contas gerou uma má imagem do mundo prog.


Diogo: Tales from Topographic Oceans é um caso complicado. Para mim, ele não é tão bom quanto seus amantes dizem que o álbum é, nem tão ruim quanto seus detratores afirmam. O senso comum que me perdoe, mas é possível, sim, equilibrar-se entre esses dois extremos. Dessa vez com o baterista Alan White no lugar do estupendo Bill Bruford, a banda, como não poderia deixar de ser, capricha na instrumentação e expõe suas quase infinitas possibilidades em momentos de grande beleza, mas também perde-se em alguns exageros e acaba perdendo o ouvinte no meio do caminho, pois as quatro suítes que integram o álbum passam longe de ser tão contagiantes quanto as longas faixas apresentadas em discos anteriores. Talvez o ambicioso projeto fosse mesmo necessário para abrir os olhos do próprio Yes e de outros grupos do gênero, alertando que os exageros poderiam render negativamente e estereotipá-los. Reafirmo, contudo, que se trata de um bom disco.


Eudes: Só na “Consultoria do Prog” este álbum entraria em um top 10 de 1973… E o pior, em melhor posição do que o inventivo e inovador Larks’ Tongues in Aspic (King Crimson). No comments!


Fernando: Controverso. Talvez seja o adjetivo mais adequado para este disco. É inegável que é fruto da megalomania de músicos fantásticos e acabou concentrando todas as críticas sobre os exageros do estilo. De certa forma essas críticas são um pouco merecidas sim. Algumas passagens foram esticadas para que o tempo total das músicas fosse suficiente para preencher os quatro lados de um disco duplo. Entretanto, é notória a qualidade de muita coisa nele registrada.


José Leonardo: Podem falar o que quiserem deste disco: encheção de linguiça, masturbação progressiva, letras sem pé nem cabeça… Mas não adianta, sou suspeito para falar de uma das minhas bandas top 5. Para aqueles que esperam algo como Fragile ou mesmo Close to the Edge, talvez se decepcionem. Para aqueles que apreciam boa música clássica, estejam preparados para serem surpreendidos por, talvez, uma das maiores obras-primas da música de nosso tempo. A partir das primeiras notas de “The Revealing Science Of God” até as notas finais de “Ritual”, a música é composta de temas que são declarados, explorados, e atualizados de forma semelhante àquelas grandes sinfonias de mestres eruditos como Beethoven, Tchaikovsky e outros. Para entender a concepção e apreciar plenamente a verdadeira beleza deste álbum, o mesmo deve ser ouvido do início ao fim, sem interrupções, como se estivéssemos lendo um livro.


Mairon: Recentemente comentei sobre a história deste álbum aqui. LP duplo com apenas quatro suítes fenomenais, compreendidas por muitos, incompreendidas por diversos, e que gera discussões até hoje. Fico feliz de ver ele entre os dez, apesar de julgar que ele merecia uma posição melhor. Mesmo assim, só atesta que, apesar das grandes críticas, o disco é essencial para os audiófilos de plantão, e, com certeza, vale cada segundo dos seus oitenta e dois minutos de duração. Melhor disco da história do rock progressivo e fim de papo. Era o Yes, comandado pelos geniais Jon Anderson e Steve Howe no ápice de sua criatividade, que havia começado em 1971 e iria perdurar por mais quatro anos.


Micael: Um disco de audição complicada, longo, repetitivo, que parece meio sem direção em alguns momentos, e é absolutamente brilhante em outros. “The Revealing Science of God (Dance of the Dawn)” e, principalmente, “Ritual (Nous Sommes du Soleil)”, são duas músicas que eu curto bastante, mas às outras duas composições sempre tive minhas restrições. Não é à toa que este é o disco mais controverso da carreira do Yes, e talvez o que mais se adeque à frase “ame ou odeie”. Não estou em nenhum dos extremos, mas não sou tão fanático por ele quanto outros colaboradores do site!


Ronaldo: Um comentário bastante parecido com o que proferi sobre Brain Salad Surgery cabe ao Yes em relação a seu lançamento de 1973. Se de um lado temos a exuberância de sua virtuose levada a graus extremos, de outro temos um descolamento muito grande de um tipo som que pudesse atingir e se comunicar com o público ouvinte médio do rock, mesmo na época em que foi lançado. Quem gosta, adora. Quem não gosta, não suporta.

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King Crimson – Larks’ Tongues in Aspic (50 pontos)


Adriano: Este é um dos meus discos favoritos de todos os tempos, e eu falei um pouco sobre isso aqui. Atente para o trabalho de violino e de percussão, além dos instrumentos convencionais. Não dê o mínimo cabimento a qualquer conversa de que Fripp toca sem sentimento. Veja também como o peso pode ser algo bem utilizado, por uma banda de verdade. O King Crimson nem precisava desse álbum para eternizar-se como medalhão prog, mas eles o lançaram, e o estrago foi feito. Só “Exiles” e “The Talking Drum” já são suficientes pra deixar Larks’ no topo dos discos desse ano, mas ele ainda conta com mais quatro pauladas clássicas! Retorno grandioso do mestre Fripp!


Bernardo: Não me desce. Nunca consegui escutar nada deles além de “21st Century Schizoid Man”. Acho que, para esse ano, Aladdin Sane, de David Bowie, é uma escolha mais relevante.


Bruno: Gosto do King Crimson, mas este disco nunca me atraiu. Passo.


Davi: Não curto King Crimson. Não comentarei.


Diego: Todo mundo que me conhece sabe que eu sou apaixonado por rock progressivo – ainda mais depois de oito anos publicando matérias sob o nome Progshine –, mas o King Crimson, pra mim… Sempre foi um mistério. A banda sempre foi considerado o marco maior e a melhor, a mais ousada. Para mim é chato e eu confesso que ouvi este disco menos de uma meia dúzia de vezes e nunca gostei.


Diogo: Estabilizado após algumas breves encarnações sem o mesmo brilho da formação inicial e um disco inferior ao que Robert Fripp e cia. vinham apresentando, Islands (1971), o King Crimson cercou-se talento e pedigree, resultando em uma fase criativa e tão excitante quanto a que pariu In the Court of the Crimson King (1969). O primeiro resultado dessa reunião, Larks’ Tongues in Aspic, mostra quão relevante o grupo ainda conseguia ser em meio a uma cena já consolidada. Gosto de todas as músicas, que constroem, uma a uma, um clima de constante tensão, mesmo nos momentos mais suaves da belíssima “Exiles”, provável destaque maior no track list de uma obra não recomendada para quem não é realmente um amante de música. Exalto ainda a ousadia de Bill Bruford, que deixou a certeza de uma carreira consolidada no Yes para se aventurar em um grupo no qual a palavra “certeza” não tinha vez, promovendo orgias percussivas ao lado de Jamie Muir, contrastando com a aveludada voz de John Wetton e o violino de David Cross. Em meio a tudo isso, costurando os retalhos sonoros, a guitarra de Fripp. Bravo.


Eudes: O King Crimson é uma das raras bandas que justifica a longevidade. O grupo tem momentos mais altos e mais baixos, mas nunca se transformou em um combo caça-níqueis como algumas formações de passado glorioso. E isso porque Robert Fripp só saca a banda quando tem alguma coisa interessante para dizer. Larks’ Tongues in Aspic é um desses momentos altos, talvez altíssimos. Mas é claro que não é para gente que molha a cueca com os clichês do progressivo. Aliás, quem disse que King Crimson cabe nesse rótulo? E eu, tolamente preferi o ELP na minha lista, esquecendo este álbum inesquecível! Sou uma besta mesmo!


Fernando: Tá aí um disco do qual acabei esquecendo na minha própria lista. Não sei qual tiraria para colocá-lo, mas só “Exiles” já o faz merecer estar aqui.


José Leonardo: Eu amo cada segundo deste álbum. Com certeza um dos meus favoritos de rock progressivo. Com este registro, o King Crimson experimentou com um som um pouco mais “difícil” . Também é considerado seu álbum mais hard, e isso não é nenhuma surpresa. Especialmente as faixas de abertura e encerramento têm alguns momentos de peso aqui e ali. Temos seis músicas no disco e três delas são instrumentais, com uma enorme inclinação tanto para jazz fusion quanto rock experimental. Não é tão famoso quanto seu debut inovador, infelizmente. Este álbum tem tudo que um fanático por rock progressivo poderia querer: instrumental de alta classe e belas melodias com sons poderosos e épicos. Larks’ Tongues in Aspic tem tudo isso e na minha opinião é totalmente impecável.


Mairon: Outro discaço, mostrando que, em 1973, o rock progressivo só tinha páreo com gigantes como Paul McCartney, Black Sabbath e Led Zeppelin. Com Bill Bruford saindo do Yes e entrando fresquinho na trupe de Robert Fripp, tendo a companhia do maluquete Jamie Muir, além de John Wetton revelando-se como sucessor perfeito para Greg Lake, dos sulcos deste vinil saem as melhores composições da carreira do Rei Escarlate após quatro anos de constantes mudança de formação, com discos fenomenais, mas não tão reconhecidos (talvez apenas a estreia) quanto Larks’ Tongues in Aspic. As partes I e II da faixa-título são maravilhosas experiências auditivas, assim como “The Talking Drum” e “Exiles”. “Book of Saturday” e “Easy Money” complementam este que talvez, em sua integridade, seja o grande disco que Robert Fripp registrou.


Micael: As duas partes da faixa título deveriam ser um atestado de insanidade a quem as escreveu e para quem as aprecia. Somos todos insanos então! O único registro de estúdio com o percussionista Jamie Muir tem momentos sublimes como “Exiles” e “Book of Saturday, o proto-heavy de “Easy Money” e a suingada e experimental “The Talking Drum”, mas nada supera a suíte que dá nome ao disco, em que o grupo chega aos limites da demência, em uma faixa “queimadora de neurônios” totalmente oposta à sonoridade anterior do Rei Escarlate, e que apontaria o caminho que o grupo seguiria na melhor e mais destacada fase de sua carreira. Um clássico!


Ronaldo: Cada disco do King Crimson parece quase que uma faceta própria e paralela da banda capitaneada pelo genioso guitarrista Robert Fripp. Nesta época, uma nova encarnação trouxe um som amedrontador, fragmentado, pesado e nebuloso, usando a virtuose e a experimentação para ferir os ouvidos. Se esses elementos frequentemente eram usados na época para levar o ouvinte a outras dimensões infestadas de seres e paraísos fantásticos, o som do King Crimson os trazia para um lado mais frio e realista, de máquinas, metrópoles e fumaça.

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Secos & Molhados – Secos & Molhados (43 pontos)


Adriano: Este disco rondou meu top 10, e fico muito feliz de vê-lo aqui, fazendo fugir um pouco do eterno duo EUA-Inglaterra. Um trabalho de muita qualidade, do qual eu destaco as clássicas “Sangue Latino”, “O Vira”, “Mulher Barriguda” e “Fala”.


Bernardo: Aí sim! Um dos grandes grupos não só do rock mas da música brasileira impressionou todo mundo na época deste primeiro disco e ainda hoje impressiona. A união de uma parte instrumental sofisticada por cortesia de João Ricardo e Gerson Conrad, com apoio de gente como Zé Rodrix nos sopros e sintetizador, John Flavin (Patrulha do Espaço) na guitarra e Willy Verdaguer (Beat Boys) no contrabaixo com o vocal impressionante de Ney Matogrosso, com sua voz cristalina e afinada, abalou as estruturas, cantando os versos de poetas como Vinícius de Moraes em “Rosa de Hiroshima”, Manuel Bandeira em “Rondó do Capitão” e João Apolinário, pai de João Ricardo, em “Primavera nos Dentes”. De uma musicalidade que não perdeu a exuberância até hoje.


Bruno: Um disco absurdo e muito à frente de seu tempo, pelo menos no Brasil. Um trio totalmente maquiado com um som que fazia uma mescla de MPB, psicodelia, música folk e progressivo. Letras afiadas, apresentações anárquicas e um vocalista com timbre feminino e performance desafiadora. Nem a censura deve ter conseguido entender o que Gerson Conrad, João Ricardo e Ney Matogrosso estavam fazendo. Álbum que figura facilmente entre os melhores trabalhos de rock já lançados no Brasil.


Davi: Ainda não consigo engolir essa historia que inventaram sobre o Kiss ter copiado o Secos & Molhados. Acho sem pé nem cabeça. Agora, não dá para tirar o mérito dos caras por conta disso. Quem tem birra, deixe a birra de lado e escute. Ney Matogrosso, além de ser um ótimo showman, sempre foi um interprete único. Os arranjos são, ao mesmo tempo, sutis e complexos. Letras totalmente poéticas. Um dos melhores trabalhos feitos no Brasil.


Diego: A marca maior do rock brasileiro e ouso dizer mundial. O Secos & Molhados foi um grupo ousado, cheio de boas ideias (especialmente João Ricardo) e de uma genialidade ímpar. Este disco é completamente essencial se você quiser entender alguma coisa do que aconteceu no rock do país em que nascemos. Mais um que tem um lugar especial na minha prateleira de CDs em edição dupla, com o segundo e último disco com a formação clássica da banda.


Diogo: Se existe algo que faz muita falta no cenário musical brasileiro, e falo do mainstream mesmo, é uma banda como o Secos & Molhados. Verdadeiramente única, excitante, sabendo incorporar as influências externas com sapiência, mas transformando-as em algo realmente novo e especial. Sem pastiche e clichês, esbanjando criatividade a cada trejeito daquele que é o melhor intérprete brasileiro do qual tenho notícia, Ney Matogrosso. “Sangue Latino” tornou-se clássico com os maiores méritos possíveis, enquanto o reconhecimento a outras canções, como “Primavera nos Dentes”, “Rosa de Hiroshima” e “Fala”, também é digníssimo. Não posso citar Ney sem também exaltar o violonista João Ricardo, principal responsável pelas composições que integram o disco.


Eudes: Escolha justíssima. Este primeiro álbum do Secos & Molhados não tem uma única faixa menor. Trata-se de uma coleção de canções belíssimas, em execuções que ressoam a influência roqueira, sem nunca se deixar colonizar por ela. Ou seja, é rock ’n’ roll brasileiro no melhor sentido do termo: é rock, mas se recusa a ser mera transposição das bandas gringas. Ainda falta este disco ser descoberto internacionalmente. Terá o mesmo impacto que teve a divulgação dos três primeiros discos dos Mutantes nos anos 1990.


Fernando: Não lembro de outro disco nacional entrando nesta série de publicações e esse fato até gerou uma lista própria para os brasileiros. Já ouvi, gostei, mas, pelo menos na minha opinião, não é um álbum top 10.


José Leonardo: Outro disco que já foi comentado exaustivamente. Um dos melhores trabalhos lançados por artistas brasileiros. Com uma imagem transgressora, letras poéticas cheias de metáforas e críticas sociais em plena ditadura militar. O que mais podemos falar? Único defeito: ser curto demais.


Mairon: Uma grata surpresa ver a estreia de João Ricardo, Gerson Conrad e Ney Matogrosso entre os dez mais de 1973. O segundo álbum nacional a figurar entre os Melhores de Todos os Tempos (depois da estreia dos Mutantes) é um bom disco, mas o considero um tanto quanto superestimado. A mistura folk-brasileira do disco é muito bem feita, e canções como “O Patrão Nosso de Cada Dia”, “Assim Assado” e “O Vira” tornaram-se clássicos de um disco que marcou época. “Primavera nos Dentes” é a demonstração do lado instrumental de um grande grupo, mas acredito que o excesso de vinhetas acaba atrapalhando o conjunto da obra. É um bom disco, mas se fosse para escolher um álbum nacional de 1973, ficaria com Todos os Olhos (Tom Zé), Krig-Ha Bandolo! (Raul Seixas), Novos Baianos F. C. (Novos Baianos) e, principalmente, o melhor álbum nacional desse ano, Terço (O Terço). O Secos & Molhados lançaria melhores discos depois.


Micael: Um dos melhores discos já registrados no País, e que, infelizmente, é mais conhecido pelo hit “O Vira” e pela bela “Rosa de Hiroshima”, além dos covers registrados para “Sangue Latino” pelo Nenhum de Nós e para “Assim Assado” pelo Capital Inicial, do que pela qualidade de composições como “O Patrão Nosso de Cada Dia”, “Primavera nos Dentes”, “As Andorinhas” e “Fala”, as quais foram superadas pela imagem espalhafatosa do trio, em um dos raros momentos em que um disco de qualidade caiu no gosto popular e virou um fenômeno de vendas! Mereceria um reconhecimento maior, e, com toda a certeza, uma posição mais alta nesta lista!


Ronaldo: Mesmo sem as distorções da guitarra elétrica, violões, jogos de vozes, performances ousadas e um visual andrógino foram os elementos que se combinaram para criar um pequeno fenômeno na música brasileira. Mesmo a nível mundial, o visual glam raramente esteve associado a um lirismo musical em tal grau como neste lançamento. Dentre desse caldo todo, havia, obviamente, espaço para o rock. E a visibilidade deste disco foi uma providencial alavancada no rock feito no Brasil durante a segunda metade da década de 1970.

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The Stooges – Raw Power (42 pontos)


Adriano: Reouvi este disco agora pra comentar. Não o conhecia bem, e talvez isso tenha um motivo: os Stooges deram um grande salto de qualidade do primeiro pro segundo disco, o que não aconteceu aqui. Um disco bom, mas sem grandes atrativos.


Bernardo: Nas palavras da faixa-título: “Raw Power got a healin’ hand/Raw Power can destroy a man/Raw Power is more than soul/Got a son called rock and roll”. Verdadeira trilha sonora do apocalipse, ainda que não tão anárquico e despirocado quanto seu antecessor Funhouse (1970), Raw Power é um disco que tem todos os seus esforços voltados para deixar tímpanos zunindo, com a mixagem deixando os agudos afiados feito faca e os graves pesados feito pedra. Iggy faz um esforço mais nítido para realmente cantar em canções mais estruturadas que clássicos como “I Wanna Be Your Dog” e “T.V. Eye”, mas sem se poupar dos gritos ou da interpretação suja e perigosa. É o que resulta tanto nos punks anfetamínicos de “Search and Destroy”, “Your Pretty Face Is Going to Hell” e “Shake Appeal”, e a grande entrega em “Gimme Danger”, onde os Patetas de Ann Arbor provocam a “Gimme Shelter” dos Rolling Stones e dão o tom de um disco que ainda acreditava no “perigo” que o rock ‘n’ roll representava. Completam o conjunto a explícita “Penetration” e o grande encerramento “Death Trip”, com seu riff elétrico, ritmo maníaco e vocal gritado e ensandecido. Com um estilo mais explosivo, estridente e acelerado que o protopunk primitivo de Ron Asheton, a escolha de James Williamson caiu como uma luva nesse disco que é, com sombras, o momento mais agressivo do rock ‘n’ roll. Em meia hora, os Stooges provam porque sua foto devia estar do lado de “barulho” no dicionário: ninguém toca em alto volume melhor que eles.


Bruno: Sujo, rasgado, brutal, barulhento. Um representante da ressaca dos anos 1960, da transição do rock rural para o rock urbano e de uma geração que já estava em decadência com 20 e poucos anos. Ron Asheton trocou a guitarra pelo baixo, mas não deixou saudades. James Williamson arregaça com seu estilo peculiar e consegue deixar os Stooges ainda mais perigosos. Uma pena ter ficado só com o último lugar da lista.


Davi: A mesma discussão que existe sobre o Black Sabbath ter inventado o heavy metal existe sobre o Stooges ter inventado o punk. Não há como negar que muito do punk está aqui: a sonoridade densa, os vocais gritados, a guitarra falando alto. Está tudo neste belo trabalho. Sabe aquela musica “Search and Destroy”, que você conhece pelo Red Hot Chili Peppers? Bem, é daqui!


Diego: Raw Power???!!!!???? Por que diabos este disco tá aqui??? Um completo desperdício de espaço na lista. Melhor de 1973? Nem por um milagre do próprio capeta.


Diogo: Bom disco, mas, por ora, o que menos me agrada entre o top 10 final. Talvez isso mude no futuro com mais audições. Mesmo assim, destaco o trabalho de guitarra de James Williamson, ardido e inventivo, muito mais interessante que o da grande maioria daqueles que se dizem seus seguidores. A produção, a cargo de David Bowie ao lado da banda, também tem méritos, assim como o fato de, em meio à toda agressividade expressada pelo quarteto, haver foco, deixando tudo bem amarrado e mostrando que nem só de porralouquice vivem álbuns como este.


Eudes: Monocromático, monossonoro, monochato.


Fernando: Não curto, já tentei até para entender o motivo de Iggy Pop ser tão cultuado, mas não gostei.


José Leonardo: Provavelmente o auge da carreira de Iggy & the Stooges , pegando talvez o melhor dos dois álbuns anteriores em um: as composições do primeiro e o incessante peso sujo de Funhouse. Ao contrário do segundo, Raw Power mostra uma estrutura mais focada. A abertura “Search and destroy”, “I Need More”, “Gimme Danger” e a faixa-título estão entre as melhores da banda. Resumindo: o título do álbum diz tudo!


Mairon: Raw Power entre os dez mais??? Incompreensível. O que escapa é o trabalho genial da produção de David Bowie, mostrando que ele trabalhava bem em todas as áreas. Com exceção da fantástica “Gimme Danger”, a barulheira punk de Iggy Pop e companhia é interessante para aquele momento adolescente que todos nós temos, e a inclusão deste álbum entre os dez mais é apenas para que os consultores mostrem sua versatilidade. Bom disco, e nada mais.


Micael: A entrada do guitarrista James Williamson tirou um pouco da crueza dos Stooges, o que não impediu que o quarteto, apesar das diversas circunstâncias adversas, registrasse outro belo disco em seu terceiro lançamento. A faixa-título e “Search and Destroy” viraram clássicos, mas, ainda que componham no todo um álbum abaixo do que esses malucos fizeram em seus discos anteriores, as demais faixas merecem ser ouvidas por todo aquele que tenha um pouco de apreço pelo punk ou por um som mais agressivo e visceral do que técnico. Ouçam!


Ronaldo: Como em todo disco que se torna um marco para um determinado estilo, sua principal característica é ser exagerado. Já tratamos, nestas listas, de diversos álbuns com essa característica e que, assim como Raw Power foram importantes para outros estilos. Mas para o punk, estilo que bebeu da fonte de selvageria de Iggy Pop e seus patetas, faltou prestar mais atenção de que sim, poderiam haver até músicas com violões e o estilo não precisaria ser monotemático, monossilábico e nem uníssono. Alguns neurônios poderiam ser utilizados sem nenhum pudor. Nenhum pupilo sequer chegou perto de superar os mestres.

Listas individuais
cover_22331617102008Adriano KCarão
1. King Crimson – Larks’ Tongues in Aspic
2. Genesis – Selling England By the Pound
3. Yes – Tales from Topographic Oceans
4. Gentle Giant – In a Glass House
5. Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
6. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
7. Ange – Le Cimitière des Arlequins
8. The Who – Quadrophenia
9. Can – Future Days
10. Arco Iris – Anti Raymi

61HNmpPlzPLBernardo Brum
1. The Stooges – Raw Power
2. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
3. Lou Reed – Berlin
4. Paul McCartney & Wings – Band on the Run
5. Secos & Molhados – Secos & Molhados
6. Led Zeppelin – Houses of the Holy
7. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
8. Tom Waits – Closing Time
9. The Wailers – Catch a Fire
10. David Bowie – Alladin Sane

InnervisionsBruno Marise
1. Stevie Wonder – Innervisions
2. Thin Lizzy – Vagabonds of the Western World
3. The Stooges – Raw Power
4. David Bowie – Alladin Sane
5. Lynyrd Skynyrd – Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd
6. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
7. Led Zeppelin – Houses of the Holy
8. The Who – Quadrophenia
9. New York Dolls – New York Dolls
10. Genesis – Selling England By the Pound

Alice_Cooper_-_Billion_Dollar_BabiesDavi Pascale
1. Paul McCartney & Wings – Band on the Run
2. Alice Cooper – Billion Dollar Babies
3. Led Zeppelin – Houses of the Holy
4. Aerosmith – Aerosmith
5. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
6. Queen – Queen
7. Lynyrd Skynyrd – Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd
8. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
9. The Who – Quadrophenia
10. Grand Funk Railroad – We’re an American Band

krig-haDiego Camargo
1. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
2. Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
3. Raul Seixas – Krig-ha, Bandolo!
4. Gonzaguinha – Luiz Gonzaga Jr.
5. Genesis – Selling England By the Pound
6. Le Orme – Felona e Sorona
7. Secos & Molhados – Secos & Molhados
8. Renaissance – Ashes Are Burning
9. Jethro Tull – A Passion Play
10. Mike Oldfield – Tubular Bells

SPRINGSTEEN_WILDINNOCENT_5X5_site-500x500Diogo Bizotto
1. Bruce Springsteen – The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle
2. Free – Heartbreaker
3. Bruce Springsteen – Greetings from Asbury Park, N.J.
4. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
5. Eagles – Desperado
6. King Crimson – Larks’ Tongues in Aspic
7. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
8. Gram Parsons – G.P.
9. Lynyrd Skynyrd – Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd
10. The Who – Quadrophenia

som-imaginario-matanca-do-porco1Eudes Baima
1. Led Zeppelin – Houses of the Holy
2. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
3. Paul McCartney & Wings – Band on the Run
4. Som Imaginário – Matança do Porco
5. Marvin Gaye – Let’s Get It On
6. Beck, Bogert & Appice – Beck, Bogert & Appice
7. Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
8. Pescado Rabioso – Artaud
9. Secos & Molhados – Secos & Molhados
10. Tom Zé – Todos os Olhos

EltonJohnFrontFernando Bueno
1. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
2. Elton John – Goodbye Yellow Brick Road
3. Genesis – Selling England By the Pound
4. Paul McCartney & Wings – Band on the Run
5. Le Orme – Felona e Sorona
6. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
7. Lynyrd Skynyrd – Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd
8. Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
9. Styx – Styx II
10. Rick Wakeman – The Six Wives of Henry VIII

img-1012094-david-bowie-ialaddin-saneiJosé Leonardo Aronna
1. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
2. Yes – Tales from Topographic Oceans
3. Genesis – Selling England By the Pound
4. David Bowie – Alladin Sane
5. Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
6. Rick Wakeman – The Six Wives of Henry VIII
7. Alice Cooper – Billion Dollar Babies
8. King Crimson – Larks’ Tongues in Aspic
9. The Who – Quadrophenia
10. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath

MI0001959340Mairon Machado
1. Yes – Tales from Topographic Oceans
2. Som Imaginário – Matança do Porco
3. Mike Oldfield – Tubular Bells
4. Jethro Tull – A Passion Play
5. Renaissance – Ashes Are Burning
6. Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
7. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
8. Led Zeppelin – Houses of the Holy
9. O Terço – Terço
10. Pescado Rabioso – Artaud

cover_48186102009Micael Machado
1. Secos & Molhados – Secos & Molhados
2. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
3. Renaissance – Ashes Are Burning
4. King Crimson – Larks’ Tongues in Aspic
5. Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
6. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
7. Queen – Queen
8. Genesis – Selling England By the Pound
9. The Stooges – Raw Power
10. Led Zeppelin – Houses of the Holy

61WKR01T8BLRonaldo Rodrigues
1. Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery
2. Genesis – Selling England By the Pound
3. Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath
4. Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
5. Buffalo – Volcanic Rock
6. Manfred Mann’s Earth Band – Solar Fire
7. Herbie Hancock – Headhunters
8. Mike Oldfield – Tubular Bells
9. Mahavishnu Orchestra – Birds of Fire
10. King Crimson – Larks’ Tongues in Aspic
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