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sábado, 12 de agosto de 2017

Consultoria Recomenda: Discos Representativos de Estilos Diversos






Editado por Fernando Bueno
Tema escolhido por Ronaldo Rodrigues
Com Alisson Caetano, Christiano Almeida, Davi Pascale, Diego Almeida, Diogo Bizotto, Mairon Machado e Ulisses Macedo

Para quem não acompanha tão de perto esse fenômeno artístico chamado música, os gêneros musicais são como caixas que se armazenam diversas bandas e artistas. Aquela ideia das lojas de discos de colocar uma placa informando o gênero musical facilitava quem queria ser mais assertivo no seu garimpo musical. Porém quem é mais apaixonado pela música sabe que os gêneros foram se misturando ao longo da história criando estilos, sub-estilos, ondas, movimentos, expressões regionais ou qualquer outro tipo de classificação que se queira usar. Muita gente nem sequer gosta de adotar as classificações musicais existentes por aí. Porém ninguém pode contrariar o fato que essas classificações e segmentações são simplesmente úteis e ajudam o ouvinte a direcionar uma busca ou recomendar para os amigos algo que sabe que eles vão gostar. E na história da música alguns discos são icônicos quando se trata de algum estilo musical e foi nessa linha de pensamento que Ronaldo Rodrigues sugeriu o tema apresentado hoje aqui na Consultoria do Rock.

Hawkwind - Warriors on the Edge of Time (1975) (Space Rock)
Recomendado por Ronaldo Rodrigues
O space rock surge das entranhas do rock progressivo, mas com a premissa de privilegiar mais a sonoridade do que o virtuosismo e a complexidade instrumental. Apoiado em grande aparato sonoro de teclados e efeitos (aplicados indistintamente em instrumentos elétricos, acústicos ou até mesmo nos vocais), tudo neste estilo busca colocar o ouvinte em galáxias distantes. O Hawkwind em 1975 cristaliza com perfeição este conceito, se apoiando em um rock muito sólido e ótimas composições, balanceando toda a experimentação inerente ao estilo com uma pegada contagiante. Pode se notar batidas frequentemente constantes, baixo pulsante, riffs hipnóticos de guitarras, flautas e teclados passeando de um lado para outro do estéreo. Um dos grandes discos de rock da era progressiva e ápice desse subestilo.
Alisson: Hawkwind personificou melhor que ninguém toda a psicodelia lisérgica em seu grau máximo (sim, a galera de São Francisco fez um ótimo trabalho também, mas isso aqui transcende). As longas composições cheias de camadas sonoras e improvisos são o convite imediato para você chamar o seu colega de ácido ao som desse disco no volume máximo. Mesmo não tão intenso ou cru quanto os anteriores, mantém a qualidade com um disco que tem uma ótima unidade e belas paisagens melódicas e contemplativas.
Christiano: Depois de ouvir novamente esse ótimo disco, posso dizer que sua escolha foi muito acertada. Quando pensamos em space rock, esperamos encontrar elementos como climas futuristas (pelos menos para época em que ele foi gravado), experimentações instrumentais, temáticas que lembram os clássicos da ficção científica etc. E está tudo aqui, perfeitamente condensado em um só álbum de uma das bandas mais icônicas do estilo. Impossível não destacar pérolas como “Assault and Battery/The Golden Void”, “The Demented Man” e “Spiral Galaxy 28948”.
Davi: O último dos 3 discos a conter o lendário Lemmy Kilmister (Motorhead) no contrabaixo, nessa época ainda com o nome de Ian Kilmister. Entretanto, já devo alerta-los que o som pouco – ou nada – tem a ver com o grupo que o tornou famoso. O som dos caras era bem viajado, mesclando momentos calmos com momentos mais pesadinhos. Bastante influência de progressivo (“The Demented Man” soa como uma musica do Pink Floyd). O disco é repleto de sons estranhos, teclados, violino. É uma viagem só. Conhecia o trabalho do Hawkind, mas não tinha esse disco em específico. O disco é bacaninha, mas tem que estar no espírito de fechar os olhos e viajar. Faixas preferidas: “Assault And Battery / The Golden Void”, “Magnu” e “Kings of Speed”.
Diego: O Hawkwind foi uma espécie de precursor do que chamamos de space rock. A banda não foi a criadora do som, mas definitivamente a que mais carregou essa bandeira. Em seu quinto disco, Warrior On The Edge Of Time, ainda com Lemmy no baixo, a banda segue com seu - à essa altura - já tradicional som. Mesclando sons ambientes e espaciais com saxofone e flauta (graças ao excelente Nik Turner) e uma cozinha vigorosa que contava com dois bateristas - Simon King e Alan Powell - e o já citado Lemmy no baixo (este que seria o último disco dele com a banda antes de ser sumariamente demitido), que ao contrário do que mostraria com o seu Motorhead em Warrior On The Edge Of Time Lemmy mostra um lado mais melódico, mesmo que ele use, por diversas vezes, acordes em seu baixo. O Hawkwind, para mim, sempre foi meio complicado, musicalmente falando, os discos que eu ouvi da banda até o momento (os discos que antecedem este aqui), não me fizeram a cabeça. Os discos são bons, tem grandes momentos, mas geralmente caem no abismo comum dos discos do estilo, especialmente os da primeira metade dos anos 70: 'encheção-de-linguiça-demais-e-improvisações-infinitas-que-acabam-ficando-bem-chatas'. Quando o Hawkwind aposta em canções mais concretas como "Assault & Battery Part I", "The Demented Man" e "Magnu" Warrior On The Edge Of Time é ótimo. No entanto, quando a banda segue com suas loucas improvisações sem fim o disco perde o meu interesse. Talvez seja o fato de eu ser careta e a música do Hawkwind seja altamente 'drogada', não sei. O fato é que eu não me acerto com esse lado da música. No geral um bom disco, mas que não faz bem o meu tipo. No entanto, vamos dar o merecido crédito ao Hawkwind. A banda grava, incessantemente, desde 1970, e em 2017 a banda lançou seu disco de número 37! O líder da banda Dave Brock, no alto de seus 76 anos, continua lançando música que não é comercial e sem medo do virar sucesso ou não. Impressionante!
Diogo: Meu conhecimento a respeito do space rock é limitadíssimo, mas já sabia há muito tempo que o Hawkwind talvez seja a formação que melhor define o estilo. Nunca havia ouvido nenhum álbum da banda, e Warrior on the Edge of Time não frustrou expectativas. O “space” do space rock do grupo não fica apenas nas letras. A criação de paisagens viajandonas destacando teclados atmosféricos e entrecortadas por flauta e saxofone realmente remete a um clima de ficção científica como aquele retratado pelas produções cinematográficas da época. Sonoramente, trata-se de uma estirpe de rock progressivo que não é das minhas favoritas, cujas experiências sonoras não parecem acrescentar muito em relação ao que já vinha se fazendo em termos de psicodelia e progressivo desde o fim da década anterior. Em alguns momentos, sinto falta de composições mais bem estruturadas, sem tanto clima de jam movida a determinados tipos de drogas. Isso não quer dizer que os caras não façam um bom trabalho, pois faixas como “The Golden Void”, “Spiral Galaxy 28948” e a longa “Magnu” são interessantes, especialmente essa última. O vocal de Dave Brock é fraco. Seria interessante ver Lemmy cantando algo além da faixa que daria nome à sua futura banda, que saiu apenas como bônus e pouco tem a ver com o restante do tracklist.
Fernando: Seria o Hawkwind hoje mais conhecido por já ter tido Lemmy em uma de suas formações? Não leio uma resenha que ele não seja citado – inclusive eu o citando aqui mantenho a tendência. A abertura do disco com “Assault & Batter Part I” é mais agitada do que se esperaria para um disco de space rock, mas a viagem sonora já aparece na segunda parte da música “The Golden Void Part II” e vai prevalecer por quase todo o disco. Esse é o único trabalho do Hawkwind que eu tenho e quase o único que eu lembro quando penso em ouvir a banda (também ouço eventualmente o Doremi Fasol Latido) e, pelo que dá para analisar pelos comentários por aí, é o último grande disco do Hawkwind.
Mairon: Uma das mais lindas capas da história do rock, e um disco fantástico, para ser deglutido suavemente, ainda mais nesse invernão que tá fazendo aqui no sul. Uma mistura enigmática de instrumentos (mellotron, saxofone, flautas, baixo carregado de distorção, guitarras pesadas, vocais com efeitos), fazendo aquele que acredito ser o melhor trabalho do Hawkwind. Adoro o mellotron e a flauta insana de "Assault and Battery (Part 1)", o ritmo lisérgico de "Dying Seas", as esquizofrenices instrumentais de "Opa-Loka" e os sintetizadores de "Spiral Galaxy 28948". Quando o grupo mergulha na insanidade, é que a coisa realmente fica boa. Afinal, como não se conter com o que acontece em "The Golden Void (Part 2)", onde os sintetizadores praticamente enlouquecem nossa mente, e o saxofone é um delírio a parte. A melhor canção do disco com certeza é a longa "Magnu", oito minutos de solos de guitarra, sintetizadores, efeitos e muita chapação, envoltos em escalas pseudo-orientais. Acho a banda uma ótima expansão do que o Gong fazia, por exemplo, mas com mais qualidade individual nas loucuras. Faixas curtas, como "The Wizard Blew His Horn", "Warriors" e "Standing at the Edge", são as que mais me mostram isso. Mesmo quando a banda cria algo mais terrestre, tudo funciona bem, como a linda acústica "The Demented Man" e o rockaço de "Kings of Speed". Esse disco é detentor de um som espacial, viajante, que similar a essa qualidade, somente Flying do UFO - mas era outro nível de viagem. Discaço!
Ulisses: Também vejo o Hawkwind como representante do space rock, mas é porque não conheço outras bandas seminais do estilo. Quem sempre curtiu o Motörhead se espanta ao conferir a antiga banda de Lemmy Kilmister, que traz um rock progressivo espacial e psicodélico contando com sintetizadores, instrumentos de sopro e uma seção rítmica de respeito. O lado A do vinil é bastante forte, tendo a suíte "Assault & Battery / The Golden Void", a hipnótica "Opa-Loka" e a soturna "The Demented Man". O lado B traz a melhor composição do álbum, a longa e sinuosa "Magnu", mas depois disso somente a instrumental "Spiral Galaxy 28948" oferece algo de bom para o ouvinte. Um disco que vale a pena ser conferido por quem se dispõe a ouvir um rock bem viajante.


Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly (2015) (Hip Hop 2010's)
Recomendado por Alisson Caetano
O hip-hop vem mostrando constante evolução desde os primeiros exemplares do estilo, no começo dos anos 80, quando ainda era refém de bases synth-funk e rimas super simples sobre festas e discotecas. O transcorrer dos anos 80 trouxe maiores possibilidades, mostrando mesclas com outros estilos antes sequer imagináveis, como as rimas claramente inspiradas no estilo livre de John Coltrane de Rakim (da dupla Eric B. & Rakim), a explosão do G-Funk e o surgimento dos primeiros super astros do estilo nos anos 90, como Notorious B.I.G., Tupak Shakur e Snoop Doggy Dogg, passando para os anos 2000, quando o estilo encontrou o equilíbrio perfeito entre o mainstream e os fãs "das antigas", casando programação eletrônica e tirando de foco o turntablism puro das antigas. Surgiam aí os primeiros astros pop com base no hip-hop. Falo de Eminem, Jay-Z e, principalmente, Kanye West. Os anos 2010's continuaram essa evolução, tanto no mainstream quanto no underground, tendo Kendrick Lamar como o mais criativo e representativo da atual geração. Se Good kid m.A.A.d. city já o colocou em um patamar próximo ao de grandes ídolos do rap, To Pimp a Buttlerfly atesta que o sujeito já é um dos melhores rappers de todos os tempos. Sua habilidade lírica absurda, construindo rimas da forma como bem entende -- multissilábicas, cheias de aliterações e com jogo de palavras criativos -- são apenas um dos pontos grandiosos do trabalho. A lírica do disco, que versa sobre Kendrick analisando seu próprio sucesso e sua visão de mundo quanto à toda o povo desfavorecido que vive nos subúrbios norte-americanos e suas injustiças diárias (tema recorrente em toda sua trajetória) são tratados de maneira ímpar e das mais diversas formas, seja com otimismo ("Alright"), sarcasmo ("For Free?") ou até mesmo com pessimismo e desesperança (na experimental "u" e na fantástica "How Much a Dollar Cost"). Todo o disco é sublimemente amarrado por estruturas jazzísticas orgânicas em tom visionário, mas sempre parando para sublinhar todas as influências essencias de sua carreira, seja nas participações de figuras como George Clinton, Snoop Dogg e Dr. Dre (produtor executivo), ou na bizarra entrevista "pós-morte" que Kendrick faz com Tupac Shakur durante o disco inteiro em um momento tão surreal quanto emocionante. Em um momento onde o hip-hop se tornou a música pop da nota geração, Lamar mantém o disco enraizado à proposta primária do estilo enquanto o leva adiante em um disco onde as vezes simplesmente palavras não são suficientes para descrever.
Christiano: Lembro que esse disco já foi indicado em alguma das listas que fizemos por aqui. Também sei que foi elogiado por muita gente. Por isso, juro que escutei com atenção e cuidado. A primeira faixa, “Wesley's Theory” tem uma pegada meio funk setentista, que é bem interessante. Por outro lado, logo que entram os vocais, a coisa azeda. Em seguida, “For Free” arrisca um jazz, mas, novamente, as vozes estragam tudo. Parece que o sujeito tem como meta pronunciar o maior número de palavras no menor tempo possível. Como narrador de futebol pelo rádio, seria um sucesso. “For Sale” tem um fundo musical interessante, com uma boa linha de baixo, mas é só. Resumindo: às vezes, a sonoplastia é interessante em alguns trechos, mas quando começa a verborragia, fica insuportável. Pode ser que, para um disco de Hip Hop, isso seja bom.
Davi: Não sei o que acontece, mas realmente não consigo me tornar um fã de rap, hip hop e afins. Ouvi o disco. Faz uso de samplers com inteligência, possui algumas bases muito legais (como as que acontecem em “King Kunta” e “i”, por exemplo”), mas é só entrar o maluco falando sem parar para começar a me irritar. Fora as citadas, também citaria “These Walls” como um ponto positivo, transpirando influencias do funk e trazendo um ar meio Prince, o que é sempre super bem vindo. O ponto baixo é o ponto mais baixo que um ser humano pode chegar, lembrar a farsa Eminem. E isso acontece justamente na faixa de abertura, “Wesley´s Theory”. Meu Jesus amado...
Diogo: Ah, “o novo do Kendrick”. Sim, eu sei muito bem que já saiu mais um depois deste, que é o penúltimo, mas saibam que “o ‘novo’ do Kendrick” é muito mais que uma simples convenção temporal. “O novo do Kendrick” é um estado de espírito, uma experiência transcendental, um sentimento de pertencimento que toma conta da gente e nos leva a bradar aos quatro cantos que, SIM, nós ouvimos “o novo do Kendrick”, sorvemos dessa fonte e, nossos olhos que outrora estavam fechados, agora se abrem ante um novo mundo que se revela, daí a importância de vincular a novidade ao “‘novo’ do Kendrick”. As músicas? Meu conhecimento é bem restrito para comentar com propriedade, pois os únicos álbuns de rap feitos no século atual que ouvi são aqueles presentes na série “Melhores de Todos os Tempos”, mas creio ser o melhor. Agora, haja paciência para chegar ao fim do tracklist, pois ele é longo e se torna bastante cansativo em seu miolo. O disco começa bem com “Wesley’s Theory”, “For Free? (Interlude)” e “King Kunta”, mas vai cansando conforme avança. Para os pacientes, as últimas faixas revelam “The Blacker the Berry”, melhor música do álbum. Na maior parte do tempo, o estilo vocal não me agrada, mas as bases instrumentais são sofisticadas, incluindo um uso coerente do jazz, e mostram um bom trabalho de produção e pesquisa musical. É o prog do rap, mas se isso é bom, cabe a você decidir, não a hipsters barbudinhos de coque samurai. Caso queira se iniciar no estilo, NÃO comece por este álbum.
Diego: Admito, sem nenhuma vergonha, que quando o disco do Kendrick Lamar foi sugerido eu já torci o nariz. Detesto hype em cima de qualquer tipo de música, o tipo de coisa que acontece o tempo todo: alguma revista (ou site, nos dias de hoje) grande e 'descolada' elogia, logo os hipsters começam a gostar e de repente todo mundo é entendido da música do sujeito e em pouco tempo o disco se torna a melhor coisa que já foi desovada nesse mundo. Pra mim isso é exatamente o que eu sinto quando o nome Kendrick Lamar aparece em qualquer lugar. De certa forma eu não estou errado, To Pimp A Butterfly está longe de ser a abominação que eu estava esperando, mas também está há anos de luz de ser a obra-prima que todos clamam ser. Eu não sou o mais entendido em Hip Hop, então, obviamente, minha base para comparação é pequena. Mas no geral eu ouço música ouvindo a música e não tentando fazer comparação com o próximo grande nome e tentando ser o entendido no assunto. Não ouço o tipo de música que Kendrick Lamar faz e não pretendo começar a ouvir após este disco. Nada mudou. O disco é longo demais, diversos momentos poderiam ter sido limados para criar um disco com maior unidade. As letras? O pouco que eu realmente prestei atenção não me diz nada. Resumindo: ok. Não mudou a minha vida e o hype não foi sustentado.
Fernando: Dificil para mim comentar um disco de hip hop já que nenhuma das minhas experiências com o estilo foi boa. A faixa de abertura tem a participação de George Clinton, seria o mesmo do Funkadelic? Ao meu ver essa tradição dos artistas de hip hop, rap e afins de participarem uns nos discos dos outros me parece uma forma de fortalecer o estilo com um dando aval para a música do outro. “For Free?” até que começou muito bem com uma quebradeira jazz muito legal e quase me enganou, mas foi só entrar o cara “cantando” que tudo caiu por terra. Será que existe alguma competição para quem canta mais rápido. Quem gosta disso não pode criticar um guitarrista que tenta tocar o mais rápido possível, não é?. Aliás... se o fato dele cantar rápido fosse um motivo para acabar logo disco seria ótimo, mas não. Demorou para acabar... Algumas passagens como em “These Walls” há uma mistura de estilos como o soul e o funk que é bom. Mas é pouco para alguém que está revolucionando algo. Prefiro ouvir o Body Count.
Mairon: Ah velho, definitivamente, isso não é para mim. Mais de uma hora de bate-papo e ritmos que não contagiam, pqp!! Só o jazzinho de "For Free" (que letra ridícula) se escapa. Fica a pergunta: qual é a diferença entre o Hip Hop e esse Hip Hop 2010's? Não vi nenhuma. Ambas são a mesma merd@. Me desculpe o cidadão que recomendou isso aqui, mas bah, que baita perda de tempo.
Ronaldo: Não me considero capaz de opinar sobre o contexto desse álbum no estilo, pois ignoro a quase totalidade da produção de hip-hop. Comentar sobre suas peculiaridades demandaria conhecer o hip-hop de outras décadas. Mas em uma análise absoluta, o trabalho de Kendrick Lamar me pareceu bem mais musical do que todo o filão da música pop que lambe o hip-hop (e que ocupa o que ainda restou das FM's). Há bases bem interessantes, timbres pouco convencionais de teclados, colagens inteligentes e surpreendentes incursões de instrumentos acústicos. O mérito do trabalho é justamente conseguir diluir a chata verborragia do rap em um conteúdo musical consistente e bastante swingado. Ademais, o trabalho tem uma assinatura bastante contemporânea e convincente.
Ulisses: Transitando tranquilamente por diversos gêneros musicais, Butterfly é um álbum e tanto, em que a produção impecável e o cast de convidados especiais dá vida à um passeio introspectivo pelas experiências e opiniões de Lamar. As letras são ricas em detalhes, entrelaçando tanto a vida do rapper antes e depois da fama quanto fatos históricos da comunidade afro-americana: ouvir a interação das batidas e samplers com as letras, como na depressiva "u" ou no papo com 2Pac em "Mortal Man" é realmente legal. Já musicalmente, faixas como a dançante "King Kunta", a furiosa "The Blacker the Berry" e a feliz "i" fazem a cabeça do ouvinte, mas não impedem a descida de qualidade em outros momentos, como "These Walls" e "You Ain't Gotta Lie", e para mim esse é o problema do álbum: é mais interesse de se explorar e destrinchar do que propriamente de se ouvir - o que, somado à duração de mais de uma hora, torna a audição mais cansativa do que deveria. Ainda assim, por muitos aspectos fica fácil entender porque já é tão aclamado e enaltecido como um dos maiores lançamentos da década.


Luciferian Light Orchestra - Luciferian Light Orchestra (2015) (Occult Rock)
Recomendado por Fernando Bueno
Desde que o Ghost apareceu e convenceu, muitas bandas que praticavam um som parecido ou com a mesma temática foram alçados lá das profundezas onde estavam para ganharam um relance de luz do sol. In Solitude, Year of the Goat, Hexvessel, Ancient VVisdom e várias outras poderiam estar aqui representando essa leva de bandas. Escolhi o Luciferian Light Orchestra, que é um projeto do líder do Therion, Christofer Johnsson, não por conta de ineditismo ou pioneirismo, afinal esse som é calcado em sonoridades setentistas – iniciada pelo Coven – que diversas outras bandas trilharam ao longo dos anos. Porém o contraste da sonoridade das belas melodias dos instrumentos e principalmente da voz de Mina Karadzic com o tema de suas letras é algo bastante curioso. Para quem não tem o inglês como língua materna como nós isso pode acabar se perdendo um pouco e fico imaginando como é a percepção disso para os nativos. “Church of Camel” fica na cabeça toda vez que penso nesse disco. Christofer toca diversos instrumentos no disco e a participação de outros músicos não é detalhada. Algumas linhas melódicas me lembra o último registro do Therion em estúdio, o controverso Les Fleurs du Mal (2012). Espero que gostem.
Alisson: Gosto da pegada gótica do instrumental, apesar de não ser empolgante ou memorável. Divertido, e nada mais.
Christiano: Logo no início da audição, uma coisa já fica muito clara: os vocais dessa moça são muito bons! Essa impressão se confirma ao longo do disco, que é ótimo. A adição de flautas em algumas faixas enriquece muito a parte instrumental, basicamente influenciada pela estética Hard/Prog dos anos 70. Em muitos momentos, tive a impressão de estar diante de um Curved Air mais pesado, o que é uma ótima referência. Destaques: “Venus in Flames” e “Dr. Faust on Capri”.
Davi: Nesse trabalho do maluquinho do Therion, os caras me lembraram um pouco o Ghost. Manja aquele som que deveria ser pesado, mas não traz muito peso? Que busca referencia dos anos 70 e faz letra tentando (em vão) assustar os ouvintes? É isso aí que temos aqui. Em “Sex With Demons” eles até tentam soar fantasmagóricos, mas soam Gasparzinho demais. A banda é legalzinha, a menina canta direitinho, mas não consegui falar ‘puuuuuuuuuuuuuta, que som’. A melhor do disco foi “A Black Mass In Paris” que conta com um interessante riff de guitarra. De resto, nada abominável, mas nada memorável também.
Diego: Durante um tempo eu ouvi bastante o Therion. Lembro que um amigo conseguiu com outro amigo um CD com a discografia da banda em MP3 e eu ouvi alguns trechos na casa dele, fiquei curioso, e levei esse CD pra casa. Aacabei ouvindo vários discos da fase inicial da banda: Of Darkness..., Beyond Sanctorum, Lepaca Kliffoth, Theli e A'arab Zaraq - Lucid. Não mudou a minha vida, mas o som que a banda fazia misturando o metal, o gótico e o sinfônico era muito interessante. Com o passar do tempo perdi o interesse, mesmo que sempre ficasse sabendo dos novos discos que a banda lançava nunca parava para ouvir nenhum. Há um ano atrás fiquei sabendo que um dos cabeças do Therion, Christofer Johnsson, tinha lançado um disco de um novo projeto chamado Luciferian Light Orchestra, fui checar do que se tratava e confesso que quando o Youtube me mostrou os vídeos da banda com uma bela moça loira pelada, fui ouvir o disco... A verdade? Bonzinho, mas não passa disso, bem manjado e bem mais-do-mesmo, sem inspiração no geral. A coisa é a seguinte, tive que re-ouvir o disco pra relembrar do que tratava, porque não lembrava de um segundo do disco, pra vocês verem como o disco é de primeira! Outra coisa, occult rock? Não me façam rir..
Diogo: Conhecer este disco foi uma surpresa dupla. Ao ler o nome da banda, pensei se tratar de uma daquelas formações que idolatram bandas como o Coven, adotam aquela estética visual setentista repaginada que se tornou tão batida na virada da década passada para a atual e praticam um som que remete àquilo que se fazia no fim dos anos 1960 e início dos anos 1970 em termos de rock pesado, obviamente sem a mesma desenvoltura dos originais. Quando fui procurar mais informações a respeito, deparei-me com o fato de que Christofer Johnsson é o grande nome por trás desse projeto. Não sou lá muito chegado no Therion, mas gosto do estilo death metal dos primeiros álbuns (especialmente Beyond Sanctorum, de 1992) e admito que o cara tem talento, então criei alguma esperança. Esse foi meu erro, pois seria mais interessante que a banda se encaixasse naquilo que descrevi no início deste comentário. Sob um véu levemente gótico e sinfônico, a sonoridade praticada pelo Luciferian Light Orchestra é um rockzinho insosso com vocais femininos pouco ou nada marcantes, esquecível mesmo após uma audição mais atenta. O que faz disso aqui “occult rock” eu creio que sejam as letras, mas não me interessei em conferi-las mais criteriosamente. Em certos momentos, as ideias são tão simplórias e previsíveis que fazem os caras do Poison parecerem moleques de conservatório. Pelo visto alguém quis surfar a mesma onda do Ghost e se deu mal...
Mairon: Nunca tinha ouvido falar da banda, e tão pouco do tal occult rock. Bom, o por que de ser oculto eu não tenho nem ideia. Quanto a música, não me agradou muito. Vocal feminino chatinho, tecladinhos supérfluos, moderninho demais. Se não fossem os vocais femininos, diria que é um genérico do Ghost. "Taste the Blood of the Altar Wine" tem um peso legal até, "Venus in Flames" tem um bom riff, "Moloch" tem algo de "assustador", mas cara, na medida que o disco passa, vai ficando sempre repetitivo e chatinho. Esses vocais metidos a coral, ou algo assim, acho de um mal gosto demasiado. Não gostei, desculpe.
Ronaldo: Não creio que occult rock se trate de um estilo próprio, nem nada além de um exercício taxônomico; um termo que funcionaria bem para adjetivar um disco mas sem significar nada além disso. O trabalho de estreia do grupo se equilibra entre diversas vertentes de hard rock, apostando integralmente nos climas sombrios e em letras que falam de diabinhos (de forma bastante caricata, ressalta-se). Se estilo dependesse de temática abordada nas letras, haveria pelo menos umas 500 descrições a mais de gêneros musicais (Frank Zappa seria o sátira-rock; Kiss seria a sacanagem-rock, etc.). Há boas passagens, espertas inclusões de teclados, mas tudo é bastante monocromático, beirando o tedioso.
Ulisses: Rock setentista com pitadas de blues e gothic. É até um pouco estranho ouvir riffs classudos como os de "A Black Mass in Paris" ou uma bela voz feminina em "Church of Carmel" tendo letras dedicadas à via sinistra do esoterismo. Um disco bastante sólido, de fato, trazendo nas harmonias e na produção elementos a mais para prender a atenção do ouvinte. Agora, eu confesso que não ando ligado nas tais bandas de occult rock a ponto de comentar sobre a relevância do LLO no movimento...


Miles Davis - Kind of Blue (1959) (Modal Jazz)
Recomendado por Mairon Machado
O jazz modal destruiu com o bebop e com o hardbop. Aquelas notinhas alegres, seguindo uma progressão de acordes em harmonia, sumiram perante a genialidade das pentatônicas, diatônicas e  as relações dentro de uma mesma escala musical em uma única faixa, que possibilitam ao instrumentista utilizar de sua inspiração para improvisar e criar sua arte. E quer aplicação melhor desse estilo do que um sexteto formado por Miles Davis (trompete), John Coltrane (saxofone), Cannonball Adderley (saxofone), Bill Evans (piano) e Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb (bateria)? Nunca antes na história da música foi possível unir tantos gênios em um único disco, e o resultado é um show de habilidade musical e claro, um marco para o mundo. A sentimentalidade exalada pelo trompete de Miles em "Blue in Green", combinada com o piano dolorido de Evans, é de correr lágrimas das caixas de som, assim como os solos de Cannoball e Coltrane na emocionante "Flamenco Sketches", construída inacreditavelmente sobre modos tradicionais do flamenco, mas que de tão sutis, parecem uma mera balada jazzy. "So What", faixa que abre o disco, e "All Blues", a majestosa mini-suíte de quase doze minutos, são com certeza duas das canções mais conhecidas no mundo do jazz, e de complexidades musicais para serem ensinadas em salas de música. Também temos Wynton Kelly tocando piano na linda "Freddie Freeloader", onde Cannonball e Coltrane são as grandes estrelas nessa constelação. Posso estar errado, mas sem Kind of Blue, não teríamos os improvisos de nomes como Hendrix, Alvin Lee, Keith Emerson, Jaco Pastorius, Carlos Santana, John McLaughlin e tantos outros. Se quiser saber o que é jazz modal, ouça esse disco, e se quiser entender toda a música pós anos-50, OUÇA esse disco!!
Alisson: Não apenas do jazz modal, mas o disco mais representativo de todos os aspectos do jazz em sua perfeição. Das harmonias perfeitas ao campo da improvisação e a completa sintonia entre todos os músicos envolvidos no projeto, um dos times mais bem entrosados que já tivemos o prazer de contemplar. Apesar de ser conhecido como um estilo difícil de digerir pela técnica apurada, chega a ser contraditório que o disco mais representativo do mesmo seja aquele que é o mais acessível dentre todos.
Christiano: É muito complicado ter que comentar um clássico como esse Kind of Blue. Não sou um grande conhecedor de jazz, mas tenho simpatia pelo estilo. Assim, posso dizer que a audição foi muito agradável. Os arranjos são sutis, nunca exagerados e perfeitamente executados por uma banda de ótimos músicos. O início com “So What” é animador, com um belo trabalho de baixo e bateria, que fazem a cama para os demais instrumentos. “All Blues” é uma faixa longa, com alguns belos solos executados pelo Sr. Davis. Só achei as músicas muito parecidas entre si.
Davi: Tenho um enorme respeito pelos músicos de jazz. O conhecimento de música que esses caras têm é de tirar o chapéu, mas confesso que é algo que escuto pouco. Gosto de algumas coisas, alguns artistas, mas não é algo que faz parte do meu DNA. Não é algo que escute todos os dias. Miles Davis é uma lenda do gênero. O trabalho dele no disco é excelente, assim como o de Bill Evans (piano) e de Jimmy Cobb (bateria). Em termos de composição, a que mais curti foi “Freddie Freeloader”. O disco é bonito, a qualidade é inquestionável, mas não é um álbum que me motive a comprar, mas como recomendação de modal jazz está correto. Existe até quem afirme que esse é o primeiro álbum do gênero.
Diego: Kind Of Blue é um daqueles discos seminais. Não importa muito se é bom ou ruim, se você gosta ou não. Kind Of Blue é um daqueles discos que está na história e um daqueles discos que mudou os rumos do jazz. Esse é um daqueles discos que entra no consciente das pessoas independente se elas conhecem o artista ou o gênero musica. O melhor exemplo sou eu mesmo: geralmente eu não ouço jazz, e eu não ouço Miles Davis, mas Kind Of Blue é a exceção! Eu não tenho o respaldo necessário para falar de jazz, geralmente acho chato e sem nexo, é um gênero musical que não conecta comigo. Mas não posso deixar de enaltecer o quanto Kind Of Blue é interessante e até mágico em certos momentos. A verdade é que todo ser que gosta de música tem que ouvir Kind Of Blue, goste de jazz ou não.
Diogo: Não é preciso ser um connoisseur para saber que Kind of Blue é um álbum paradigmático, seminal, extremamente influente (insira aqui todos os adjetivos do tipo que você conhecer) para o jazz em geral e para novos subgêneros paridos posteriormente, em especial o modal jazz. Corrijam-me se eu estiver falando besteira, mas arrisco afirmar que o único disco de jazz em igualdade de importância é A Love Supreme (1965), de John Coltrane (saxofonista em Kind of Blue). Dito isso, não há muito mais considerações a fazer. Trata-se de uma obra que merece ser apreciada mesmo por aqueles que não dão a mínima para o gênero, e isso não requer esforço algum, pois Kind of Blue é magnífico do começo ao fim. Desde o cativante tema principal de “So What” (que você já deve ter ouvido ao menos uma vez na vida) até os últimos segundos de “Flamenco Sketches”, tudo é essencial. É até covardia compará-lo com a quase totalidade do que está presente nesta edição.
Fernando: Um dos grandes clássicos da música e um dos únicos discos de jazz que tenho. Apesar de ser um disco de jazz puro é algo que não demanda muito “esforço” para ser apreciado. Falo isso por que sei que em alguns casos o jazz precisa de mais atenção para ser entendido. Porém toda vez que o ouço penso na mesma coisa. O jazz é muito relacionado com o improviso, assim o que temos gravado nos discos muito provavelmente nunca mais foi reproduzido da mesma maneira ao vivo. Fico imaginando um fã do Miles na época, todo empolgado com o Kind of Blue, indo ao show e relacionando pouco do que ouviu ao vivo com o que ouviu em sua casa. Claro que a melodia segue a sequência de notas definida, mas os solos de Davis, por exemplo, dificilmente se repetiram. Ainda mais contando com uma seleção de músicos em que qualqeur um dos envolvidos poderiam ser o band leader.
Ronaldo: Quem poderia fazer jazz mais elegante que Miles Davis naquelas alturas? o modal jazz buscou colocar novas tinturas harmônicas por sobre a base do jazz e o fez soar inteiramente novo. Tal recurso ainda hoje é utilizado para reler canções sobre outra ótica; naquela ocasião, tal ferramenta permitiu ao jazz vestir novas roupagens e andar por novos territórios, se afastando cada vez mais de ser uma música para dançar (o termo progressivo sempre foi utilizado quando este tipo de situação aconteceu na música popular). O tom introspectivo de Kind of Blue é sua marca registrada, além da soberba interpretação de Miles ao trumpete. Fora isso, começava a fase em que o grupo de Miles Davis seria um dos maiores celeiros de gênios da música do século XX - neste disco o acompanham ninguém menos que Cannonball Adderley e John Coltrane nos saxes e Bill Evans ao piano.
Ulisses: Jazz sublime, destilado em cinco longas faixas que complementam uma à outra de forma suave. Um álbum que impressiona através da destreza sutil dos instrumentistas e da forma como desenvolvem as composições, e não por exibições de virtuosismo - a atmosfera calma é mantida o tempo todo, mas não deixa de enfeitiçar o ouvinte, demonstrando emoções com um apelo quase universal.


Poison – Open Up And Say… Aaaaah (1988) (Hair Metal)
Recomendado por Davi Pascale
O estilo hair metal nunca foi uma unanimidade, nem mesmo entre os roqueiros. Portanto, já espero diversas críticas dos meus colegas. Conhecido também pelo nome de glam metal, o estilo tinha como característica o visual espalhafatoso, as guitarras distorcidas, a aproximação com o pop. A temática girava em torno de garotas, festas e rock. Poucas bandas representaram o estilo tão bem quanto o Poison. Seus três primeiros álbuns são considerados clássicos do gênero. Open Up ainda mantinha o som cru de Look What The Cat Dragged In (outro que seria um ótimo representante do gênero), mas apresentava um repertório mais consistente (a razão da minha escolha). Os hits “Nothing But a Good Time”, “Look But You Can´t Touch” e “Fallen Angel” representam o gênero com maestria. A versão de “Your Mamma Don´t Dance” (da dupla Loggins & Messina. Lembra de Kenny Loggins do hit “Footloose”? O próprio!) e os rocks “Love On The Rocks” e “Good Love” mantêm a alegria. A balada “Every Rose Has It´s Thorn” ainda faz a cabeça das garotas nos shows do conjunto. “Back To The Rocking Horse” e “Bad To Be Good” também agradam. O único filler aqui é “Tearing Down The Walls”. Se você curte um rock n roll simples e para cima, vá sem medo.
Alisson: O significado que o disco tem para todo o estilo glam metal é inversamente proporcional ao significado que o estilo todo possui em minha vida. Não é exclusividade da boy band do Bret Michaels, mas sim de todo o gênero e o que ele representa. O estilo de vida hedonista, curtição adoidada, bebedeira e drogas sequer passam perto de algo que eu julgue minimamente interessante para eu sequer idealizar para mim mesmo. Podia ser qualquer outro disco de glam metal, o comentário seria o mesmo.
Christiano: Ok. Temos aqui um ótimo guitarrista. Parece que, nesse disco, o Poison soa um pouco mais “orgânico” que de costume, o que tem a ver com os riffs C.C. DeVille, que chegam mesmo a lembrar o Free em faixas como “Nothin' but a Good Time” e “Good Love”. Na verdade, são justamente essas referências meio bluseiras que diferenciam Open Up And Say… Aaaaah dos inúmeros outros discos da época. Não é muito a minha praia, mas confesso que me surpreendeu positivamente.
Diego: Antes de mais nada deixa eu tirar isso do caminho: Não é preciso nem ler/ver uma entrevista com o guitarrista C.C. Deville pra saber que ele era um daqueles adolescentes americanos obcecados por Kiss (estilo Detroit Rock City, o filme), basta ouvir seu timbre de guitarra e seus riffs pra ver isso. Confesso que tenho um preconceito absurdo em relação ao tal do Hair Metal (ou como eu carinhosamente o chamo, Metal Farofa). Ainda não ouvi um único disco decente dessa safra de bandas. Os únicos discos que eu me lembro de ter gostado desse estilo são The Final Countdown (Europe) e Screw It! (Danger Danger). O resto que eu ouvi simplesmente não faz minha cabeça, a produção quase pop dos anos 80 e peso que, por diversas vezes, não existe. Open Up and Say... Ahh!, segundo disco do Poison, não muda minha opinião, legalzinho se estiver tocando de fundo em alguma reunião de amigos ou no Rock Bar que você foi tomar uma cerveja, e só. 'Nothin' But A Good Time' é uma baita faixa bacana, e 'Every Rose Has Its Thorn' é a balada obrigatória do disco (todo disco de metal farofa precisa de uma balada). Como eu disse, no final, esquecível depois de uma audição.
Diogo: O Poison deve ser uma das bandas mais odiadas de que se tem notícia, sejam bons ou maus os motivos. Por mais que tenham bem pouco de metal, o grupo e seus dois primeiros discos tornaram-se sinônimos do glam metal oitentista, como esta indicação confirma. Para mim, tanto Open Up and Say... Ahh! quanto Look What the Cat Dragged In (1986) apresentam um rock ‘n’ roll bem básico, mais próximo de alguns nomes do glam rock setentista do que de bandas como Ratt, Mötley Crüe e Dokken, que considero muito mais representativas do estilo. Aliás, não fosse a roupagem espalhafatosa, tanto visual quanto musical, além do contexto da época, tenho certeza que muitas pessoas que odeiam o Poison veriam o quarteto de uma forma um pouco mais simpática. Sobre o disco em questão, salva-se por três músicas: “Nothin’ But a Good Time” (que poderia estar em algum álbum do Kiss), “Fallen Angel” (melhor com sobras) e “Your Mama Don’t Dance” (cover inesperado que acabou combinando muito bem). O resto você pode ignorar. Mesmo “Every Rose Has Its Thorn”, tida por muitos como uma balada representativa do estilo, nunca me conquistou. O Poison que vale a pena está nos dois álbuns seguintes, Flesh & Blood (1990) e Native Tongue (1993). Bret Michaels seguiu sendo um vocalista fraquinho, mas os músicos se aperfeiçoaram e criaram faixas bem mais interessantes, além de Richie Kotzen ter substituído C. C. Deville em 1991.
Fernando: Eu me lembro de ver esse disco na prateleira de rock e heavy metal durante muito tempo desde as primeiras vezes que eu comecei a comprar discos em uma das lojas de Itapetininga. Claro que a capa sempre chamou atenção e certamente eu teria comprado se eu não tivesse ficado os primeiros anos da minha vida metálica tentando adquirir todos os discos possíveis do Iron Maiden e Metallica. A grana era curta. Só fui saber o que era Poison muito tempo depois quando eles vieram ao Brasil em 1994. Claro que eu estranhei o som pois tinha a capa desse disco gravado na memória e eu o relacionava com algo totalmente diferente e muito mais agressivo e radical. Sei que a maioria vai execrá-lo, mas eu não tenho problema algum com esse hard rock mais pop da banda. Não o considero o melhor da banda (está em terceiro na minha escala pessoal), mas acho que a escolha foi muito feliz. Músicas como “Nothing’ But a Good Time” representam muito o hard rock californiano. Além disso o álbum ainda possui duas outras músicas de ótimo nível: “Fallen Angel” e a baladona “Every Rose Has Its Thorn”.
Mairon: Bret Michaels, C.C. DeVille, Bobby Dall e Rikki Rockett, o quarteto mais purpurinado dos anos 80 se fazendo presente para representar o hair metal. Olha, existiam muitas bandas boas na época do Poison, melhores que eles até, mas eu confesso que não sou um fã da música da banda. Deste disco saiu a clássica baladinha "Every Rose Has Its Thorn", e tanta coisa braba de aturar, vide "Fallen Angel", "Love on the Rocks", "Tearin' Down the Walls", "Bad to Be Good" e por aí vai. Acho muito comunzinha, e muito Kiss, só que sem a espontaneidade e honestidade do Kiss, se é que me entendem (fala sério, "Nothin' but a Good Time" só pode ter sido composta por Paul Stanley ou Gene Simmons). Ainda me fazem uma versão totalmente desnecessária de "Your Mama don't Dance", da saudosa dupla Loggins and Messina, toda afrescalhada. Pra que? Enfim, mesmo com os descréditos, em termos de estilo, acho que ninguém superou o que esses aí fizeram (Cinderella, talvez). Vale o recomenda, ok. Vale sim. Chutaria que o Davi indicou este álbum, que não pretendo ouvir novamente. E que capa tosca, pqp!!!
Ronaldo: Musicalmente, o Poison é uma atualização do som do Kiss e do Aerosmith, que por sua vez ajoelhou no milho anos antes para os Rolling Stones. O rock do Poison é quente, divertido, despreocupado, mas também limitado a um pequeno redil de ideias. Algo pra se ouvir sem muita atenção, como uma trilha sonora para festa na qual as pessoas falam e riem mais alto do que a música, ou então dirigindo por uma avenida enquanto buzina para as cocotas. Também há que se destacar o quão este tipo de som está cravado no coração dos anos 1980 e há, naturalmente, um transporte do ouvinte para aquela atmosfera libertina da costa oeste norte-americana.
Ulisses: Eu associo o glam metal (ou hair metal, whatever) bem mais ao Mötley Crüe, mas achei esta indicação até interessante. Open Up me pareceu um álbum bem equilibrado, entregando algumas composições que, ainda que não sejam o supra-sumo do rock, são divertidas e não se entregam a exageros. Mesmo a balada "Every Rose Has Its Thorn" não chega a territórios tão açucarados. O problema é que falta garra na performance de outras faixas, como "Nothin' But A Good Time" e "Love on the Rocks", fazendo com que, no geral, a audição seja meramente agradável, mas pouco cativante - a exceção fica para "Fallen Angels", uma faixa excelente.


Portishead - Dummy (1994) (Trip Hop)
Recomendado por Christiano Almeida
Geralmente, quando falamos em Trio Hop dois nomes são obrigatórios em qualquer lista: Portishead e Massive Attack. Pessoalmente, acho que Dummy é um belo exemplar do que foi feito dentro estilo, trazendo algumas batidas características do Hip Hop acompanhadas por um instrumental bastante rico. No geral, temos uma atmosfera bastante sombria que permeia todo o disco, o que é realçado pelos vocais introspectivos e tristonhos de Beth Gibbons. Por essa descrição, pode parecer que estamos diante de uma bad trip sem fim, o que não deixa de ter um pouco de verdade. No entanto, o disco é tão sombrio quanto bonito, o que explica seu valor artístico. Se você nunca ouviu nada da banda, indico duas faixas: “Sour Times” e “Glory Box”.
Alisson: É um disco que, no calor do momento, pode gerar muito desgosto em quem quer algo de absorção imediata. O nome do estilo em que se enquadra é bem adequado para esse disco, que exige calma do ouvinte para que ele "viage" por suas nuances e colagens sonoras, sempre sombrias e misteriosas, intercalando synths volumosos com beats de drum machine. Tudo fazendo o contraponto para que Beth Gibbons brilhe absoluta com um desempenho vocal maravilhoso.
Davi: Lembro que tinha escutado o Third (2008) do Portishead para alguma dessas recomendações e ter ficado um tanto quanto traumatizado. Escutar aquele disco me gerou pesadelos por noites e noites. Graças à Deus, o trabalho de estreia do trio britânico é menos traumatizante. Mais bem acabado, aposta em uma sonoridade low-fi, repleta de batidas eletrônicas e um bonito trabalho vocal. A melhor música do disco é, sem dúvidas, o hit “Glory Box”, mas há alguns momentos positivos como “Sour Times” e “It´s a Fire”. Não comprá-lo-ei, mas diminuiu o medo.
Diego: Quando o hype não compensa! Em meados da década de 90, o trip hop foi considerado algo cool, ele acabou durou até o início dos anos 00. O gênero era considerado uma música para pessoas modernas e 'descoladas, basicamente para a galerinha 'hypada'. Muitas pessoas apenas ouviram esse disco por que era a moda do verão. E a verdade é que muitas dessas pessoas nunca realmente ouviram o disco. O fato de Dummy ser considerado um clássico é algo que só pode ser explicado devido ao fato de que todos os ouvintes do disco estavam chapados demais pra fazer nexo das coisas. Dummy atraiu a atenção das pessoas por causa do enorme sucesso de 'Glory Box' uma música que, ninguém pode negar, é muito boa. Mas quem escuta música, não só os hits do momento no rádio, no Youtube ou no Spotify, sabe que discos são feitos de um pacote completo, não apenas uma ou duas músicas boas. Eu creio que o status de disco clássico vem do fator nostalgia. As pessoas vivem um período de suas vidas e seguem lembrando desse período pelo resto de suas vidas como os melhores anos. E a música está associada com esses momentos. Mas se essas mesmas pessoas ouvissem Dummy pela primeira vez hoje em dia o disco passaria batido. Beth Gibbons tem uma boa voz, não vou negar isso, um tipo sensível de voz sussurrada que pode ser sexy e um veludo para os ouvidos, mas o esqueleto das músicas não ajuda a cantora em momento nenhum. 'Numb' é uma boa faixa e 'It's A Fire' foi a única música do disco (fora 'Glory Box') que me deixou animado. E adivinha só? 'It's A Fire' nem mesmo está no disco original, ela foi lançada apenas na versão em K7 do disco... Em suma, é um álbum deprê. Eu gosto muito de discos deprês, mas eu também preciso de algo mais, não só a melancolia fabricada. E Dummy me cheia a depressão fabricada.
Diogo: Este é o álbum mais difícil de avaliar nesta edição. Já foi complicado comentar a respeito de Third na edição da série “Melhores de Todos os Tempos” dedicada a 2008, e desta vez não é diferente. Felizmente, Dummy é uma audição mais tranquila em relação ao terceiro álbum da banda, que soa menos experimental, mas ainda assim desafiadora se levarmos em conta que estamos falando de um disco lançado em 1994, não em 2008. Mesmo o vocal de Beth Gibbons, que me desagradou em Third, mostra-se bem mais coerente em Dummy. “Glory Box”, grande hit do grupo, faz parte de seu tracklist e é uma boa música, que certamente está na memória de muitos que sequer sabem que se trata de uma obra do Portishead. Em geral, não é uma sonoridade que me agrada muito, mas seu clima introspectivo é envolvente. Não sei mensurar sua importância para a definição e o desenvolvimento do trip hop, pois não conheço quase nada do gênero. Sei, porém, que é um álbum mais relevante que outros aqui apresentados para seus estilos correspondentes.
Fernando: Não sei muito o que dizer sobre esse disco. Não é algo que eu vou ouvir sempre, ou melhor, não tenho intenção de ouvir novamente, mas falar que é ruim talvez seja demais. A primeira faixa me parece que nunca começa de verdade, mas foi na segunda que entendi o espírito da primeira por conta da levada mais tranquila da música. Depois de um tempo as coisas me pareceram bastante iguais. A voz da garota é ótima, mas me parece que está deslocada pelo fato da base musical ser fraquinha.
Mairon: Bom, perto do que foi aguentar Third na edição de Melhores de 2008, até que foi interessante ouvir o álbum que realmente, deu origem ao trip hop. As canções me lembraram um pouco de Madonna nessa mesma época, e apreciei, de certa forma, "Sour Times" e "It Could Be Sweet", sendo que essa última deu até para dar uma viajadinha. Realmente, gostei de "It's a Fire" e principalmente de "Glory Box", onde a guitarra aparece com relevância. A voz feminina aqui não me soou desagradável. Ok, não virei fã, não vou comprar um disco, mas como é para indicar algo que represente, sim, Dummy representa os ritmos arrastados do Trip Hop.
Ronaldo: O nome não me é novidade, mas o contato com o estilo é mínimo de minha parte. Tanto que não saberia apontar seus elementos; mas me atendo ao disco apresentado, há um foco forte nas batidas que emulam algo do funk/soul (e acabam mirando no rap/hip-hop), mas sendo usadas por baixo de composições dramáticas e catárticas, fazendo o resultado soar bastante original e intenso. Também há uma clara vontade em soar lo-fi, com sons frequentemente abafados e ruidosos. O mais interessante do disco do Portishead é usar coisas de décadas passadas (tecladinhos que já conhecemos de outros estilos, guitarras fuzz, órgão Hammond, etc.) de uma forma inteiramente nova. Os vocais sussurados seriam impensáveis para esse peso de batida percussiva; contudo, são peças-chave para tornar o disco algo distinto em sua época.
Ulisses: A atmosfera gélida de Dummy, construída por algo que está entre música eletrônica, batidas de hip hop, jeito jazzístico e vibe sombria, tem como ponto central o vocal expressivo de Beth Gibbons e as ótimas letras. Mas não demora muito para perceber que é tudo fumaça e espelhos: as composições são interessantes, mas são pouco envolventes e não cativam. Trip hop sempre me parece mais forma do que substância, e mesmo o pioneirismo de Dummy não muda isso.


Renato Borghetti - Gaita Ponto (1984) (Música gaúcha)
Recomendado por Diego Camargo
Talvez seja difícil o impacto que Gaita Ponto (nome do instrumento que Borghettinho toca, diferente do acordeão normal) teve na história da música instrumental e da música nativista. Pra começo de conversa, deixe-me explicar que a música gaúcha reúne de um tudo e não é apenas um estilo musical, ela também vai de artistas tão díspares como Teixeirinha (nos anos 60), Noel Guarany (nos anos 70), Os Serranos (anos 70 e 80), Gaúcho Da Fronteira (anos 70 e 80), Os Nativos (anos 90) até coisas recentes que misturam música gaúcha com forró, no que se calhou chamar 'festchê' (simplesmente abominável). Também chamada música tradicionalista ou nativista, a música gaúcha compreende um sem número de estilos como a vanera, a polca, o chamamé, a milonga, o xote, o rasqueado e muitos outros. Gaita Ponto foi gravado por um menino Borghetti de apenas 21 anos e mudou o cenário da música instrumental no Brasil. Foi o primeiro disco de música instrumental a vender 100 mil cópias (disco de ouro), e trouxe com ele muitos outros discos de ouro com Gaúcho da Fronteira e Os Serranos. Gaita Ponto é um tratado de como se fazer música gaúcha de raíz e não soar somente sulista. Só por isso já valeria a pena, mas o disco ainda traz "Kilômetro 11", "Merceditas" "O Sem Vergonha" e o hino 'Milonga Para As Missões". Borghetti hoje é nome de respeito na música instrumental internacional e todo ano se manda para a Europa para fazer turnês de mais de 2 meses. E como se tudo isso não bastasse, Borghetti fundou o Instituto Renato Borghetti de Cultura e Música, que ensina, de graça, crianças de 7 a 15 anos em 7 municípios diferentes do Rio Grande do Sul a tocar a gaita de oito baixos que são fabricadas na fábrica que o próprio Renato fundou alguns anos atrás. Se isso tudo não fizer você se interessar pela música do Gaúcho Borghetti, nada mais fará!
Alisson: Só me resta reconhecer a técnica cirúgica do instrumentista nessas composições. Pois de resto é um tipo de música que simplesmente não me diz nada.
Christiano: Não conhecida nada do Renato Borghetti. Confesso que fiquei muito surpreso quando comecei a escutar esse disco. É um tipo de música que não sei classificar, embora seja muito agradável. O instrumental é calcado na música regional sulista (posso dizer isso?), com violões e baixos acompanhando a sanfona de Borghetti. As músicas são cheias de detalhes interessantes, com arranjos bastante ricos. Isso contribui com a audição, que é bastante agradável. Enquanto dica, foi a melhor da lista, pois me apresentou um novo universo.
Davi: Caraca, olha o que pintou por aqui. Algo totalmente inusitado para um site de rock. Mas não tem problema, gosto desse tipo de ousadia. Renato Borghetti é mestre. Puta músico. Sei de sua importância, mas tenho um álbum só em casa. Nunca fui muito à fundo em sua discografia. Lembro que cheguei a assistir ele dando uma canja em um show do Engenheiros do Hawaii no Palace (SP) e fiquei impressionado com o cara tocando. Esse é seu LP de estreia que trouxe seu primeiro hit “Milonga Para as Missões”. Trabalho instrumental com uma sonoridade regional e muito bem feita. Gaita-de-ponto e violão e nada mais. Minhas favoritas são “Kilometro 11”, “Bailinho na Capela”, “Minuano” e “Tio Bilia Na Oito Baixos”. Respeito eterno.
Diogo: Poucas pessoas popularizaram o nativismo gaúcho além das fronteiras do Rio Grande do Sul como Renato Borghetti. Fora do Brasil, talvez ninguém como ele. Seu primeiro álbum é uma verdadeira coletânea de clássicos do cancioneiro local, daqueles que estão eternizados na memória até de quem não dá a mínima para a música folclórica feita no Rio Grande do Sul. Algumas delas, inclusive, são referências do gauchismo a milhares de quilômetros do Estado. Ou vai dizer que nem mesmo em algum programa de televisão você ouviu algum trecho de “Milonga para as Missões” e “Merceditas”, sem saber o nome da canção ou quem era o gaiteiro responsável por aquilo? Aliás, mérito não apenas de Borghetti, mas do violonista Enio Rodrigues, seu principal assecla nessa empreitada. Não foram poucas as canções que despertaram minha memória. “Llegada”, “Kilometro 11” (excelente), “Bailinho na Capela” e “Minuano” são conhecidíssimas, mas soam frescas até hoje. O fato de ser o único álbum instrumental brasileiro a conquistar disco de ouro (mais de 100 mil cópias vendidas) é merecidíssimo.
Fernando: Algumas vezes eu acho que o ecletismo do nosso grupo de consultores extrapola os limites pouco bem definidos - é verdade - do site. Obviamente o tema escolhido pelo Ronaldo facilitou a entrada de um disco como esse. Porém se engana quam pensa que isso é algo que está totalmente fora das coisas que ouço normalmente já que a família da minha esposa é quase toda sulista e esse tipo de música é frequente nas reuniões. Achei que Renato Borghetti seria um compositor, mas pelo jeito está mais para um intérprete já que poucas faixas foram escritas por ele. O mais curioso é este ser um disco instrumental que realmente não precisaria de voz. A sanfona, ou gaita, como chamam os gaúchos, é suficiente e passa a mensagem que o músico quer. o CTG pira!!!
Mairon: Com certeza esse foi um dos primeiros vinis que ouvi na minha vida. Meu pai tem o LP, e desde pequeno colocava para nós escutarmos. Lembro que eu imitava Borghettinho, e queria ser um gaitista como ele. O cara é uma fera, e levou as tradições dos CTGs do Rio Grande do Sul para o Brasil, e por que não, o mundo. Gaita Ponto é um álbum instrumental, levado por dois violões, baixo e os dedos afiados de Borghetitnho. Aqui ele apresenta rancheiras animadas ("Redomona" e "O Rancho / Cerca de Pedra"), vaneiras empolgantes ("Bailinho na Capela" e "Minuano"), xote ("O Sem Vergonha" e "Tio Bilia Na Oito Baixos") e temas ligados a cultura castelhana ("Llegada" e "El Toro"). Ou seja, os principais ritmos gauchescos condensados em canções para dançar, e que demonstram o virtuosismo de Borghetti e do violonista Enio Rodrigues. Mas a nata dos ritmos gauchescos são o chamamé e a milonga. Sempre curti um bailão gaudério, e dançar um chamamé como "Kilómetro 11" e a clássica "Merceditas", ou uma milonga ligeira como "Carreirada" dão uma satisfação muito grande ao corpo e à mente. A épica "Milonga Para as Missões" é uma das peças mais belas e complexas do cancioneiro gaúcho. Serranos, Leonardo ou Cesar Passarinho seriam outras boas opções para a música gaúcha, mas a escolha aqui feita - e surpreendente aliás, pois não tenho ideia de quem indicou - é digna de ser uma referência para nossa cultura local.
Ronaldo: Toda música regional tem como característica principal a associação imediata do som a um determinado local. Por consequência, se não há uma conexão imediata do ouvinte com aquele local (por pertencimento ou por identificação), a apreciação fica prejudicada. Linguagens como o rock ou a música eletrônica são mais universais e se tornam muito felizes quando agregam os naturalmente ricos conteúdos regionais. Neste caso, o som de Renato Borghetti é uma bela demonstração dos pampas gaúchos em violões e acordeões. É nítida a influência européia (Portugal, Espanha e Itália) na estrutura das músicas - há passagens que rememoram fado, flamenco, polka e valsas, com um ritmado que pode ter herança indígena e que constitue uma blenda bastante própria. A instrumentação é habilidosa e agradável, mas o disco, ao longo de sua duração, acaba se tornando naturalmente repetitivo. O objetivo proposto aqui (discos representativos de um estilo) é atingido com tranquilidade por este disco.
Ulisses: Não esperava ouvir música regional por aqui, mas a escolha é boa. A interação da gaita-ponto (ou gaita de botão) com o violão é interessante e figura como eixo do registro; em alguns momentos o violão até toma a dianteira. As faixas têm suas variações, mas o registro não escapa de soar repetitivo numa tacada só.


Survivor - Vital Signs (1984) (AOR)
Recomendado por Diogo Bizotto
O Survivor pode não ter ajudado a parir aquilo que ficou conhecido como AOR, mas define o estilo como nenhuma outra formação. Nasceu desse ventre e trilhou esse caminho como nenhuma outra banda. Volte-se para o passado e pense nos grupos que realmente definiram o AOR e diferenciaram essa sonoridade daquilo que vinha sendo feito no rock setentista. O Boston cristalizou o estilo com sua estreia, mas o disco não fugia tanto assim de um hard rock de influência mista (EUA e Inglaterra), destacando-se pela produção diferenciada. O Journey começou como uma banda fusion e só tomou a forma pela qual hoje é conhecido em 1978, com a entrada de Steve Perry e o lançamento de Infinity. O REO Speedwagon praticava um hardão cheio de boogie e só foi cair de cabeça no AOR com seu sétimo álbum, You Can Tune a Piano, But You Can’t Tuna Fish (1978). Styx e Kansas começaram fazendo rock progressivo à moda do Meio-Oeste norte-americano antes de começarem a brincar de AOR, após cinco ou seis lançamentos. Apesar da aura AOR e da produção condizente desde o primeiro álbum, o Toto sempre praticou uma mescla de estilos que refletia as influências múltiplas de seus integrantes, com muito funk, prog, jazz e hard rock, tudo com o indefectível carimbo “smooth”. Talvez o Foreigner também se encaixe em condições parecidas com as do Survivor, mas, ao menos para mim, Jim Peterik e Frankie Sullivan são os compositores que melhor trabalharam com as ferramentas do estilo, cunhando melodias de perfeito encaixe com letras e instrumental. Entre as obras paridas por essa dupla, nenhuma é tão boa e representativa quanto Vital Signs. Talvez muitos discordem e prefiram indicar Eye of the Tiger (1982), mas tenho uma leve queda por Vital Signs, que soa muito redondo e mostra que uma troca de vocalistas não precisa ser traumática quando estamos falando de alguém com o talento de Jimi Jamison. Quem não gosta de teclados em evidência vai odiar, mas quem, como eu, não resiste a harmonias bem construídas e melodias vocais perfeitamente ajustadas a um instrumental eficiente, equilibrando-se no limiar do hard e do pop rock, vai amar faixas como “I Can’t Hold Back”, “High on You” e “Broken Promises”. Aqueles que não se importam com o lado mais açucarado do estilo têm a balada “The Search Is Over” à disposição. Jim Peterik e seus teclados são importantíssimos para o grupo, mas Frankie Sullivan também se impõe e coloca sua guitarra mais à frente, caso da ótima “First Night” (que chega a enganar no início) e “Popular Girl”, além de ter mais destaque ao vivo. Falando em destaque, as duas melhores faixas ficaram para o fim do tracklist: “It’s the Singer Not the Song” e “I See You in Everyone”. A primeira, com um show de Sullivan (e um belo solo final), é um grande exemplo de como esses caras sabiam lapidar suas melodias ao máximo e criar músicas extremamente cativantes. A segunda é minha provável canção favorita do grupo, o auge de sua dramaticidade, rivalizada apenas por “I’m Not that Man Anymore” (Eye of the Tiger). Seu único defeito é contar com apenas quatro minutos e meio, pois tinha tudo para se tornar um pequeno épico. Ao vivo, porém, a banda caprichava em um merecido interlúdio instrumental. Já estava sendo injusto: Marc Droubay (bateria) e Stephan Ellis (baixo) também fazem um bom trabalho, segurando tudo com firmeza e dando o devido espaço para que o restante do grupo brilhasse.
Alisson: Ouvir AOR na rádio FM do Roadstar do Passat nos fins de semana é uma memória afetiva que eu nunca tive. Sequer idade pra ter essa memória eu tenho. Então me transportar para o período histórico para tentar apreciar algo daqui é impossível. Falo isso porque o disco não envelheceu bem, é como se ele estivesse preso a um período histórico e simplesmente não funcionasse em outros tempos. Tanto em timbres de piano e sintetizadores (ultra-datados) quanto ao approach pop do período mesclado ao rock, tudo é produto de um momento que parece nunca funcionar nos tempos atuais, apenas para quem viveu aquilo tudo.
Christiano: O Survivor ficou marcado como a banda de uma música só: “Eye Of The Tiger”, um dos maiores hits dos anos 80. Mas o grupo tem uma discografia bem legal, sendo que Vital Signs é um de seus pontos altos. O Hard Rock/AOR com forte presença de teclados oitentistas, ótimos vocais e instrumental impecável dá as caras em todas as faixas, que hoje em dia soam como uma viagem no tempo. Para quem gosta desse tipo de som, não tem como ignorar músicas como “Broken Promises” e “High on You”. O único ponto negativo é o excesso de baladas, que são até interessantes, mas ocupam boa parte do disco.
Davi: Para quem acha que a carreira dos caras se resume à “Eye Of The Tiger” e “Burning Heart”, só uma palavra: tooooooma. Gosta daquela sonoridade meia Journey, meia Toto, meia Phenomena? Então pode ir sem medo de ser feliz. O saudoso Jimi Jamison cantava pra cacete. Jim Peterik e Frankie Sullivan mandavam muito bem também. “I Can´t Hold Back”, “High On You” e a lindíssima “The Search Is Over” tocaram bastante nas rádios e são excelentes. “Broken Promises” e “It´s The Singer, Not The Song” não ficam abaixo. Só não vou dizer que o disco é perfeito porque ficou de fora o clássico “The Moment Of Truth”, trilha do Karate Kid, lançada no mesmo ano.
Diego: O tal do 'Adult Oriented Rock' não é um estilo ao qual eu me identifico e são pouquíssimos os discos que eu gosto dentro do estilo. Mas pra tirar essa pedra do caminho. 'Vital Signs' não é o melhor representante ao meu ver. Eye Of The Tiger é superior em todos os sentidos. Eu conheço o Survivor desde que um belo dia encontrei uma cópia de Eye Of The Tiger em um sebo em São Paulo por 1 Real. Como conhecia muito bem a faixa-título (sendo eu um grande fã de Stallone) levei pra casa o disco e BUM! Todas as faixas são matadoras. A banda continua na ativa até hoje, e Vital Signs foi o primeiro disco com o vocalista Jimi Jamison (que antes fazia parte do Cobra). É fato de que Vital Signs leva o AOR muito a sério e todas as músicas foram minuciosamente compostas para todas na Rádio FM Americana dos anos 80. E em alguns momentos como "I Can't Hold Back" e "It's The Singer Not The Song" a banda acerta perfeitamente, refrões pegajosos, guitarras pseudo-pesadas e um vocal cantando no máximo da voz. No entanto o disco desliza demais ao tentar ser o disco perfeito de AOR. As baladas são sofríveis e algumas faixas são simples releituras de músicas dos outros discos. Um bom disco, e se você gosta de AOR com certeza é um prato cheio. Mas como maior representante do estilo ele falha muito.
Fernando: Confesso que só conhecia o Survivor por conta de Eye of the Tiger (1982). A faixa título ficou gravado na memória popular muito mais por conta do filme do que por conta do álbum ou da banda em si. Até considerava a banda como mais um One Hit Wonder. Porém esse disco mudou esse meu pensamento. “I Can´t Hold Back” começa o disco com clima lá no alto com é de se esperar de um disco AOR. Já em “High on You” os clichês do estilo se mostram com o timbre do teclado bastante datado, porém longe de ser ruim. Entretanto, achei que faltou alguma coisa para esse disco estar em um patamar suficiente para o qualificar como o representante de um estilo, ainda mais com discos fantásticos de grupos como Journey ou Foreigner, mas eu gostei do que ouvi.
Mairon: Dos mais fáceis de acertar quem indicou (DB), esse é um clássico disco dos anos 80. Estreia de Jimi Jamison nos vocais, no lugar do imortal Dave Bickler, e logo de cara, dois grandes sucessos, chamados "The Search Is Over" e "I Can't Hold Back". Como essas músicas tocaram nas rádios dos anos 80, putz. Existem faixas aqui que são o mais representativo do AOR, com tecladinhos sintéticos, bateria em uma levada mais simples do que arroto depois de uma coca, refrãos grudentos e pronto para uma trilha da Sessão da Tarde, como "Broken Promises", "Everlasting", "High on You" e . Tem aquelas animadinhas, para agitar a cabeleira, como "First Night",e "It's the Singer, Not the Song", e tem aquelas que você irá ver um Steven Guttenberg da vida passando na telinha da TV enquanto come um lollo e bebe um Tang, principalmente "I See You in Everyone", baladinha para a mocinha ficar grudada de abraços no seu peposo, e "Popular Girl", essa para balançar o bambolê no corpo. Diogo, por que "The Moment of Truth" não entrou no original? A melhor música do Survivor fase Jamison, só entrou no relançamento (Daniel San e Sr. Miyagi lamentam muito). Anos 80 mais que típico, e apesar de que para representar o AOR, Asia, Kansas fase "elefante", Boston, Journey  ou o lindíssimo Paradise Theater (Styx) cairiam bem, esse não fica atrás não. Boa escolha.
Ronaldo: O AOR é uma síntese maximizada do som desenvolvido por grupos norte-americanos da metade da década de 70, que começaram a diluir a exuberância instrumental do rock progressivo em uma estrutura mais convencional de canção, com fortes refrões, vocalistas de grande envergadura de agudos e guitarras mais orientadas para o hard rock. Para compreender isto em suma, basta perceber que todas as bandas precursoras e que fizeram história no AOR vieram de um passado claramente progressivo - Kansas, Journey e Styx. Do rock progressivo, o AOR herdou principalmente o apreço pelos teclados e o capricho nos arranjos. Em Vital Signs, temos um resumo muito conciso do AOR, com a condensação de todos os elementos que tornaram este estilo tão popular no início dos anos 80. Refrões pegajosos pululam o disco todo e todas as faixas poderiam ser singles em potencial.
Ulisses: Como é que a banda consegue colocar duas excelentes faixas no mesmo álbum ("I Can't Hold Back" e "First Night"), cantadas de forma empolgante e com teclados equilibrados, para depois escorregar no restante do tracklist, cheio de rocks mid-tempo entediantes e baladinhas chatas? Fosse um álbum com a qualidade das composições supracitadas, aí eu entenderia a escolha de Vital Signs.


Wolf - Evil Star (2004) (NWOTHM)
Recomendado por Ulisses
O cenário metálico underground viu, especialmente durante a década de 2000, o surgimento de um notável número de bandas que promoviam o ressurgimento global do bom e velho metal oitentista, tradicional e velho de guerra, levando suas influências de Iron Maiden e Judas Priest não como uma base de aprendizado para alçar vôos maiores e mais desafiadores, mas como um template limitado para toda a sua sonoridade, sendo que boa parte delas não propõe nem mesmo a atualização das timbragens utilizadas na época. Trata-se de um revival; uma xerox nostálgica obviamente propensa à repetição e morte prematura, mas que inegavelmente revelou algumas jóias sonoras àqueles que se aventuram em uma exploração. A Suécia lidera essa tal "nova onda do metal tradicional", apresentando as bandas mais icônicas da cena: Ambush, Enforcer, Helvetes Port, In Solitude, Steelwing, dentre outras. A minha favorita é o Wolf, que apesar do nome genérico sempre entrega álbuns com uma notável variação sonora entre cada um, mas sem fugir das influências de Accept, Helstar e Mercyful Fate. Evil Star, terceiro álbum de estúdio, é impressionante do começo ao fim e deixa seus pares comendo poeira: instrumental competentíssimo, riffs de derreter os ouvidos, linhas vocais memoráveis e composições empolgantes que forçam o ouvinte a cantar junto - um grande avanço em relação aos álbuns anteriores, em que ainda não soavam tão inspirados.
Alisson: Seguiram a risca a cartilha do metal britânico 80's, sem em momento algum sair do previsível (é um disco que não corre riscos, e nem tinha um por que também). Como todo movimento de "revival", eu sempre prefiro manter distância e ouvir o original, mesmo que metal tradicional passe longe do meu gosto. Mas ainda funciona pra quem gosta, de todo modo.
Christiano: Não sabia da existência de uma “New Wave Of Traditional Heavy Metal”, mas, após escutar esse Evil Star, posso dizer que a tal nova onda existe e está muito representada pela banda. O disco é ótimo do início ao fim, com ótimos riffs, solos marcantes e um vocalista muito carismático. Para quem gosta de heavy metal tradicional, é uma ótima pedida. Difícil não ficar feliz ao escutar uma faixa como “The Avenger”, por exemplo, que transborda energia e boas sacadas, com uma linha de baixo marcante que pontua toda a música, coisa cada vez mais rara em bandas novas do estilo. Confesso que fiquei com vontade de comprar o disco depois de escutar. Ótima dica!
Davi: A banda é boa. Com bons riffs, bastante influência de Iron Maiden. A influência maior é percebida justamente na guitarra como demonstram faixas como “American Storm” ou “Transylvanian Twilight”. O cover de “(Don´t Fear) The Reaper” do Blue Oyster Cult ficou bem satisfatório. Vocal manda bem. Tudo certinho. O único é senão é a falta de uma musica emblemática, que marque a audição do CD. No geral, bonzinho.
Diego: Se NWOBHM (New Wave Of Brittish Heavy Metal) já é um termo ridículo e inapropriado quem dirá NWOTHM... Não fazia ideia de que essa banda da Suécia existia, ao começar minha audição de 'Evil Star' no Deezer a primeira coisa que noto é que Niklas Olsson poderia ser o novo vocalista do Rush, tamanha a semelhança nas vozes. Se o nome da banda (existem pelo menos 10 bandas com o mesmo nome) não mostra nenhuma originalidade, o som também não. A banda toca heavy metal, nos moldes clássicos do metal anos 80. A diferença sendo o já citado vocal. Mas veja bem, em alguns casos a falta de originalidade pode não ser uma coisa negativa (ora bolas, e bandas clássicas como Ramones, AC/DC e Motorhead não gravaram o mesmo disco 20 vezes?!?), e o Wolf apesar de soar parecido com 300 outras bandas, é uma boa surpresa. Bem tocado, bem composto e cheio de vontade. É verdade que o vocal, o tempo todo muito alto (num estilo meio King Diamond as vezes), pode cansar a audição em algumas partes. Mas no geral o disco tem uma pegada forte e te prende do começo ao fim. Bela descoberta!
Diogo: Muito já havia ouvido falar do Wolf e do fato de apostar em uma sonoridade que remete ao heavy metal tradicional dos anos 1980, mas nunca havia escutado nada da banda. Desde o logo (que lembra o mais clássico do Picture), a banda remete a formações de terceiro escalão que tiveram breves momentos de glória na década mágica, e eu admito que gosto desse charme. Claro, isso não adianta de nada se o grupo não for capaz de parir um mínimo de composições cativantes, que puxem o gatilho da nostalgia, mas não soem como mero pastiche. Pela breve experiência que foi ouvir este disco, dá para afirmar que o intento desses suecos foi cumprido, pois há algumas músicas bem boas de se ouvir. A abertura, com a faixa-título, foi bem escolhida, pois deixa o ouvinte de primeira viagem curioso com o que está por vir. “American Storm” é mais puxada para o speed metal é provavelmente é a melhor. “Devil Moon”, mais longa e trabalhada, traz uma sequência de solos que pode não ser um primor de técnica, contudo empolga bastante. Outras também agradam, como “The Avenger”, “Black Wind Rider” e a instrumental “Transylvanian Twilight”. O vocalista não é grande coisa, mas quantos eram realmente bons no auge do estilo? Gostei do fato do baixo estar bem destacado na mixagem, além de executado a contento. Abusando de um dos clichês mais desavergonhados que existem: não mudará o mundo (nem o heavy metal), mas vale a ouvida sim.
Fernando: Sei que a NWOTHM vai ser classificada como uma mera cópia ou até mesmo falarão sobre uma hipotética falta de criatividade. Porém, sou um entusiasta dessas bandas e acredito que é um contrasenso criticar essas bandas nesse sentido já que a idéia é exatamente soar como os grupos oitentistas. Como gosto muito do metal dos anos 80 para mim é um deleite. Cada uma das músicas me lembra uma banda, um disco, ou alguma outra música clássica dos anos 80. Por exemplo “Transylvanian Twilight” inicia como se fosse uma irmã mais nova de “Losfer World (Big Orra)” do Iron Maiden. Algumas bandas brasileiras estão nessa seara como o Battalion e o Helish War, ambas já apresentadas por mim aqui no site. Ahhh...não confundir com o clássico Wolf oriundo da NWOBHM.
Mairon: Conhecia pouco do Wolf, músicas individuais, e nunca tinha ouvido um disco completo dos suecos. Gostei do que saiu das caixas do computador. Um metal pegado, com fortes influências nos grandes nomes da NWOBHM (aliás, nem sabia que existia uma NWOTHM). A instrumental "Transylvanian Twilight" lembra muito a instrumental "Transylvania", misturada com "Losfer Words (Big 'Orra)", ambas do Iron Maiden. Ouvir o riff de "American Storm" e "Out Of Still Midnight" é ser transportado para os álbuns do Judas no final dos anos 70,  "The Avenger" tem uma quebrada surpreendente, no meio de tanta pancadaria. Melhores faixas para a veloz faixa-título, a pegada "Black Wing Rider", a melódica "Wolf's Blood" e o belo trabalho instrumental de "Devil Moon" . Só não curti muito "The Dark", meio longuinha demais, e o cover de "(Don't Fear) The Reaper", que apesar de ter ficado similar a original, não tem a potência de um Blue Öyster Cult. Destaque positivo também para o dono da banda, o vocalista e guitarrista Niklas A. Olsson, que canta muito bem e toca pacas. Ah, e a versão que ouvi ainda tinha os bônus para "I'm Not Afraid Of Life" (Ramones) e "Die by the Sword" (Slayer), ambas também desnecessárias.Outro fácil de acertar quem recomendou: Ulisses!! Se não me engano, ele estreou aqui na Consultoria com a DC desse grupo.
Ronaldo: Apesar de ser um bom disco de heavy metal, não consegui identificar algum porquê este disco representaria um estilo ao qual a banda (que é sueca, e não inglesa) não pertenceu estritamente (nem na perspectiva temporal nem na geográfica). Apesar de que frequentemente bandas do chamado "retro-rock" estudam um estilo tão a fundo que conseguem fazer uma compilação de todo um conjunto de bandas e álbuns que definiram um estilo. Creio que aqui até seja o caso, mas seria quase que como trocar um álbum de estúdio por uma coletânea de sucessos.

sábado, 22 de outubro de 2016

Melhores de Todos os Tempos: 2008

Whitesnake em 2008: Doug Aldrich, Chris Frazier, David Coverdale, Reb Beach, Uriah Duffy e Timothy Drury




Por Diogo Bizotto


Com Alissön Caetano Neves, André Kaminski, Bernardo Brum, Christiano Almeida, Davi Pascale, Fernando Bueno, Flavio Pontes, João Renato Alves, Leonardo Castro*, Mairon Machado e Ulisses Macedo


Participação especial de Rodrigo Gonçalves, colaborador do portal Metal Revolution e editor do Rock Blog
Como comentou um colega mais abaixo: "Metallica, Whitesnake, Guns N' Roses, Mötley Crüe. Isso aqui é uma lista de 2008 ou 1988?". Mas não se preocupem, também há doses cavalares da década de 1970, vide a entrada de Beardfish e Bigelf. Pra nos situarmos melhor na época abordada, Portishead e Slipknot dão as caras. O que isso tudo significa? Bom, é melhor que os próprios leitorem julguem, então fiquem à vontade para ocupar o espaço dos comentários. Como nunca deixo de fazer, lembro que o critério para elaborar todas as partes desta série obedece a pontuação do Campeonato Mundial de Fórmula 1. Boa leitura!

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Whitesnake - Good to Be Bad (90 pontos)
Alissön: Em certa altura do campeonato, tornou-se extremamente vergonhoso ouvir as performances vocais de David Coverdale, seja em estúdio ou ao vivo – onde a coisa só ficava mais vexatória ainda. Não há nenhum problema em envelhecer e não conseguir alcançar os timbres que outrora lhe fizeram famoso. O grande problema é tentar "forçar a barra", tentando alcançar os mesmos timbres e tonalidades que já não é capaz de alcançar mais. É basicamente isso o Whitesnake hoje em dia, uma banda que sobrevive de ótimos músicos e um vocalista que insiste em não reconhecer suas limitações.
André: Claro que a fase de maior brilho criativo deles ficou nos anos 1980. Mas eu sempre considerei a banda como aquela sem disco que eu não gosto. Embora as guitarras de Doug Aldrich e Reb Beach soem quase heavy metal em muitos momentos, aquela veia melódica característica do Whitesnake sempre se faz presente. Ainda não me decidi se é Ozzy ou Coverdale o cara que melhor seleciona guitarristas para suas carreiras. Independentemente disso, "All I Want All I Need" é uma ótima balada, a grande especialidade de Coverdale, "Lay Down Your Love" varia entre peso e calmaria e "Got What You Need" tem aquele jeitão do hard setentista dos bons tempos do UFO. Quando se trata de Whitesnake, o tiro sempre vai na direção certa.
Bernardo: Recrutando músicos mais jovens para dar um novo gás ao seu AOR, Coverdale injetou um peso revigorado em seu disco, mas sem perder as características que o tornaram famoso. No final, tem seus momentos, mas é o tipo de farofada tão derivativa e autorreverente que é um representante dos mais esquisitos para dizer que o melhor da música em 2008 foi um disco cheio de chavões que já nasceu datado.
Christiano: Nunca considerei o Whitesnake uma banda fundamental. Não posso dizer que não gravaram bons discos. Na primeira fase de sua carreira, álbuns como Ready an' Willing (1980), Lovehunter (1979) e Come an’ Get It (1981) mostraram que David Coverdale tinha muito a oferecer após sua saída do Deep Purple. No entanto, nunca fizeram um disco verdadeiramente excepcional. Por isso, fiquei bastante surpreso quando vi que Good to Be Bad, praticamente o primeiro de inéditas após Slip of the Tongue (1989), foi eleito o melhor álbum desse ano. Pode ser que o saudosismo explique esse resultado. De qualquer maneira, seria injusto não reconhecer as qualidades de um álbum que traz Doug Aldrich e Reb Beach fazendo um ótimo trabalho de guitarras: “A Fool in Love” e “Best Years” são bons exemplos disso. A voz de Coverdale, pelo menos em estúdio, continua muito boa. Claro que algumas baladas, como “All I Want All I Need” e “Till The End of Time”, tentam reviver antigos megahits radiofônicos de tempos atrás, o que soa meio forçado, mas não compromete o resultado final. Enfim, um bom disco.
Davi: Há quem defenda que bandas clássicas não deveriam mais aparecer nesta série para dar espaço às bandas novas. Sempre fui da tese que entra quem merece, independentemente do tempo de estrada. Não sou a favor de cotas. E, mais uma vez, temos uma banda com décadas de estrada em nossa lista. E merecidamente! Extremamente bem gravado, excelente trabalho vocal, riffs impactantes. Som vintage com um toque moderno, mantendo a veia hard rock e com qualidade de composição muito acima daquilo que bandas mais novas vêm apresentando. Assim é Good to Be Bad. “Lay Down Your Love” em outros tempos seria hit. “Best Years”, “Good to Be Bad” e “Call on Me” levantam até defunto. Um disco do Whitesnake não seria um disco do Whitesnake sem as famosas baladas mela-calcinha. Entre essas, minha preferida aqui é “All I Want All I Need”. Depois de dez anos sem lançar um álbum de inéditas, os músicos voltaram pegando fogo.
Diogo: Surpreende um pouco ver este álbum no topo, mas não ao ponto de causar estranhamento. Lembro que, como grande fã de David Coverdale e da banda, fiquei muito feliz quando o Whitesnake foi reativado e, como era de se esperar, com músicos de altíssimo gabarito. A expectativa para um novo registro de estúdio era alta e não foi decepcionada. Cheguei a ver a banda ao vivo em 2005, antes do lançamento, e ficou evidente que, apesar da voz de Coverdale não apresentar mais a mesma potência, estava suficientemente boa para levar adiante sua carreira, e isso percebe-se em Good to Be Bad: faixas sem os grandes abusos vocais de seus tempos mais áureos, mas que entregam boas performances, em um registro mais confortável para Coverdale. A parceria com Doug Aldrich nas composições funcionou muito bem, mesclando diferentes fases da carreira do grupo com um toque um pouco mais moderno e execução impecável, sem tantos arroubos virtuosos, focada no resultado. Canções boas surgem aos borbotões: "Best Years", "Can You Hear the Wind Blow", "Lay Down Your Love" e "Got What You Need" são minhas favoritas. Minha ressalva é em relação às baladas: Coverdale normalmente é um ás nesse tipo de música, e eu sou um "baladeiro" de carteirinha, mas "All I Want All I Need" e "Summer Rain" me deixaram um pouco decepcionado, pois passam bem longe da qualidade de obras como "Blindman", "Love Ain't No Stranger", "Looking for Love", "Now You're Gone" e "Can't Go On". Ouvindo-o agora com um pouco mais de atenção, talvez eu devesse ter elencado Good to Be Bad uma ou duas posições acima em minha lista pessoal. Mais uma coisa: só uma banda habituada a trabalhar com músicos de tão alto nível tem a manha de colocar um guitarrista absurdamente competente como Reb Beach em posição secundária, ao menos em estúdio. Ponto pra ele, por ter a a consciência de que jogar pro time é o mais importante.
Fernando: Um disco que passou batido por muita gente que apenas deu uma ou duas ouvidas e não se atentou direito ao álbum. Lembro que quando saiu eu ouvi bastante. Acredito que o motivo dele ter sido bom é que Coverdale se conteve e cantou de acordo com o que sua voz estava podendo na época. Ninguém esconde que aquela voz dele foi pro saco.
Flavio: Sim, David Coverdale trazendo o Whitesnake de volta desde Restless Heart (1997) faz deste Good to Be Bad disparado o melhor disco do ano. Vamos encontrar um Whitesnake mais calcado no som do final dos anos 1980, porém com mais peso, devido ao timbre das guitarras mais agressivo de Doug Aldrich e Reb Beach. Apesar de notar que a voz de Coverdale não é mais a mesma desde algum tempo, as composições (em conjunto com Aldrich) estão inspiradas e não há pontos fracos no disco, desde o hard forte da faixa título, de "Best Years", da zeppeliana "Lay Down Your Love" e "All For Love" (essa parece ter saido do disco de 1987), o blues hard de "A Fool in Love" e no estilo consagrado de baladas em "Summer Rain" e "All I Want All I Need", além da outra zeppeliana e lindíssima faixa de fechamento "'Til the End of Time". O disco só não é recomendável para quem realmente não curte a banda. Caso apreciem, indico a aquisição da bolacha, sem erro.
João Renato: Gosto deste disco, mas fico surpreso com sua vitória. Apesar de não fugir tanto da sonoridade que o consagrou nos Estados Unidos, David Coverdale conseguiu fazer um disco mais direto em comparação com alguns de seus antecessores que tanto sucesso fizeram na segunda metade dos anos 1980, como o pedante Slip of the Tongue. Doug Aldrich possui méritos inquestionáveis nisso, sendo menos exibido que alguns de seus antecessores, deixando a música falar mais alto que solos. Não chegará a ser um clássico, mas tem seu valor.
Mairon: E olha a surpresa no primeiro lugar. Depois de somente o excelentíssimo Whitesnake (1987) ter entrado na edição de seu respectivo ano, eis que Good to Be Bad ocupa a primeira posição. Merecido, afinal, este disco mostrou que Coverdale ainda tinha muito o que ferver, ainda mais acompanhado por um timaço de novatos (nem tão novatos assim). O cara apresenta linhas acústicas, com sua voz rouquíssima, em "'Till the End of Time", baladas meigas ("Summer Rain") e doloridas ("All I Want All I Need"), solta a voz na pesada "Call On Me" e resgata o som original do Whitesnake, mais ligado ao blues, em "Lay Down Your Love" e "Got What You Need", além de mandar ver no hardzão pegado de "Can You Hear the Wind Blow". Quando os teclados surgem com força, as qualidades de Good to Be Bad se elevam, principalmente na pancada que abre o álbum, "Best Years", ou na nostalgia manjada, mas boa de se ouvir, "All for Love". Mesmo o ritmo arrastado do boogie "A Fool In Love" traz aquela nostalgia oitentista para a mente. Doug Aldrich trouxe mais malemolência para as guitarras da banda, sendo a faixa-título a principal representante nesse quesito (e ouvi-la com Glenn Hughes fez ainda mais sentido). Um disco fantástico, que colocou Coverdale novamente no mercado depois de um bom tempo afastado (oito anos, mais precisamente), e que foi um das grandes audições que tive quando de seu lançamento, ainda mais em se tratando de um dinossauro como é o Whitesnake. Hoje em dia não o ouço com tanta frequência, até porque Whitesnake ainda é insuperável, mas vê-lo em primeiro aqui, e colocado novamente para ouvir, foi uma ótima experiência. Entrou em décimo na minha lista, mas acho que merece estar pelo menos umas cinco posições acima depois dessa nova e revisitada audição.
Rodrigo: Tivesse David Coverdale decidido encerrar a carreira do Whitesnake após o lançamento deste álbum (pelo menos no que diz respeito a lançamentos de estúdio), teria sido um final digno, pois Good to Be Bad é, com certeza, uma excelente adição à discografia do grupo. Um trabalho surpreendente, repleto de composições excelentes, em que David, apoiado por uma excelente banda, conseguiu dar aos fãs um álbum memorável. Destaque para a maravilhosa balada “Summer Rain”.
Ulisses: Não acompanho o Whitesnake, mas não achei que, em pleno 2008 os caras estariam em boa forma, com um Coverdale cuja voz envelheceu dignamente. Riffs pesados e composições bem arrumadinhas à beça no registro, algumas que até se seguram confortavelmente se colocadas lado a lado com clássicos. É um exagero a entrada na lista e mais ainda no topo, mas a audição, por si só, é sólida o suficiente. Destaque para "Call on Me" e "Lay Down Your Love".

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Testament - The Formation of Damnation (79 pontos)
Alissön: O vocal "podreira" de Chuck Billy já me deu nos nervos. Fora isso, os discos do Testament pós The Gathering (1999) são bons para quem ainda liga para thrash metal mais modernizado. Mas no geral é tudo muito linear, monotônico e sem grandes atrativos.
André: O câncer de Chuck Billy em 2002 obrigou-os a dar uma parada nas atividades até que ele se recuperasse. Assim, demorou para que este registro viesse à tona. E voltaram muito bem. Mais um thrash vigoroso e chacoalhador de pescoços graças a ótimas faixas como "More than Meets the Eye" e "The Evil Has Landed". Os solos de guitarra de Alex Skolnick são sempre de alta qualidade. Não vai revolucionar seus ouvidos, mas ao menos é capaz de animá-los caso curta o estilão Bay Area norte-americano.
Bernardo: Tem seus momentos, mas para mim não chega a se destacar. Certamente se aproveitaram do "big comeback" do thrash ocorrido poucos anos antes, mas não chegaram a fazer um grande disco com a oportunidade que tiveram. Tem bons riffs e solos, mas é pouco memorável.
Christiano: Perto de Death Magnetic, The Formation of Damnation soa como um dos melhores discos do ano. Se esse fosse o critério, de fato a escolha seria acertada. O Testament sempre foi da “série B” do thrash metal, mas, ultimamente, quando comparado com seus contemporâneos, a situação se inverteu. Enquanto Metallica e Megadeth gravam álbuns totalmente dispensáveis, o Testament tem conseguido bons resultados nos últimos lançamentos. “The Evil Has Landed” é um bom exemplo disso, assim como “Dangers of the Faithless”, que mostram uma banda bastante enérgica e nada burocrática. Boa indicação.
Davi: Grande banda!! Sempre gostei desses caras. A única bola fora deles foi Demonic (1997). E o que temos aqui é simplesmente mágico. Temos a formação clássica quase completa. Apenas Louie Clemente ficou de fora. Quem assumiu as baquetas foi nada mais, nada menos que o gigante Paul Bostaph. O resultado não poderia ser diferente. Thrash metal de primeira. Excelente trabalho de guitarra de Alex Skolnick, não que isso seja surpresa. Excelente trabalho de bateria de Paul Bostaph, não que isso seja surpresa. E Chuck Billy botando pra foder. Não tem muito o que dizer, além de "ouça no último volume". Faixas de destaque: “More than Meets the Eye”, “The Persecuted Won't Forget”, “Killing Season”, “Afterlife” e “Leave Me Forever”.
Diogo: O Testament pode ter ficado muito tempo fora do estúdio após lançar o magnífico The Gathering – e muito disso tem relação com o câncer que Chuck Billy teve que enfrentar –, mas a espera pelo menos valeu a pena. The Formation of Damnation não é apenas o melhor álbum lançado em 2008, mas a confirmação de que o quinteto californiano é, com folgas, a grande banda de thrash metal do atual milênio. O esmero nas composições e a execução impecável, além de um Chuck Billy cada vez mais incomparável ao microfone, fazem com que o disco não tenha fillers. "Killing Season", "Afterlife" e "Leave Me Forever" estão um pouco abaixo das demais, mas ainda assim são boas músicas. De resto, é cotovelada nos beiços seguida por soco no estômago e chute nas bolas. A adição de Paul Bostaph ao quarteto original dá um gás todo especial ao disco; afinal de contas, não dá pra imaginar Louie Clemente fazendo os absurdos que Bostaph faz atrás de seu kit, impriindo um ritmo alucinante a canções como "The Persecuted Won't Forget", "Henchmen Ride", "F.E.A.R." e a faixa-título. O momento mais melódico do álbum, "Dangers of the Faithless", é o que mais remete ao passado da banda, com um refrão que poderia facilmente estar em um álbum como Practice What You Preach (1989). Acima de tudo, não dá pra negar o enorme poder de fogo das duas canções que iniciam o álbum após sua introdução, "More than Meets the Eye" (perfeita para ser executada ao vivo) e "The Evil Has Landed" (que eu gostaria que fosse tocada ao vivo muito mais vezes). Falar da capacidade de Alex Skolnick solando é repetitivo, por isso destaco a evolução constante de Eric Peterson, que nunca se contentou em ser apenas um bom guitarrista base, aperfeiçoando-se cada vez mais como músico e compositor.
Fernando: Estou na expectativa do novo disco do Testament e ouvi alguns deles recentemente. O longo tempo entre o anterior, The Gathering, de 1999, e este foi uma confusão. De Dave Lombardo até a efetivação de Paul Bostaph tiveram outros quatro bateristas. Steve DiGiorgio também saiu e outros três guitarristas passaram pela banda. Deu tempo para tudo isso acontecer e também para comporem um ótimo álbum.
Flavio: O representante do thrash metal com o retorno do Testament depois de vários anos de ausência na bolacha The Formation of Damnation. A paulada come solta em quase a totalidade do disco, com a manutenção do instrumental calcado no estilo, guitarras aceleradas, solos dobrados, rápidos, bases marcadas e pesadas, bateria com uso e abuso de dois bumbos em grande velocidade e o baixo se virando com esse barulho todo.  No vocal residem as minhas restrições, já que há uso do estilo "gutural/gollum", com o qual não simpatizo, em boa parte do disco. Meus destaques: "More than Meets the Eye", em que o vocal é mais rasgado e menos gutural, e "Dangers of the Faithless", com um instrumental menos óbvio, com boa alternância ritmica, porém com o tal vocal desagradável em boa parte. Razoável disco, indicado para os fãs do estilo.
João Renato: O Testament é o caso de banda que ficou ainda melhor quando envelheceu. The Formation of Damnation oferece um grupo que não parou no tempo e, ao mesmo tempo, não abriu mão de suas características. Um verdadeiro exemplo de competência.
Mairon: Thrash tradicional de uma banda tradicional, que, com o passar dos anos, ganhou espaço entre os apreciadores do estilo, principalmente pela guinada musical dos gigantes Megadeth e Metallica. O Testament teve um início de carreira muito promissor, mas acredito que seus discos dos anos 2000 são mais coesos, como é este caso, em que Paul Bostaph se junta aos membros clássicos Chuck Billy (vocais), Alex Skolnick e Eric Peterson (guitarras) e Greg Christian (baixo) para criar um belo disco, mostrando por que ele foi o escolhido para substituir Dave Lombardo no Slayer durante a pancadaria da faixa-título ou nas estonteantes introduções de "F.E.A.R (False Evidence Appearing Real)" e "The Persecuted Won't Forget". O cara é um animal nos bumbos. No thrash, só Lombardo mesmo para batê-lo. Ao mesmo tempo, o trabalho de guitarras não fica atrás, destacando-se nas mesmas faixas citadas e também no ritmo avassalador de "More than Meets the Eye" e "Henchmen Ride", pancadas para quebrar o pescoço, assim como "Leave Me Forever", uma faixa diferente, mais cadenciada e trabalhada, que chapa o ouvinte entre as agressividades que rolam nos quase 50 minutos de disco. O álbum é um despejo de riffs que, para quem curte o estilo, não tem do que reclamar, principalmente em "The Evil Has Landed", uma das melhores faixas do álbum, "Dangers of the Faithless", que me lembra bastante Megadeth, "Killing Season", pesadíssima e sem dó de ser, e "Afterlife", para mim a mais fraquinha no geral. Não votei no disco, mas esteve na minha seleção para entrar. Apesar de eu achar que é muito disco de metal, este é merecido.
Rodrigo: Confesso que nunca fui um grande fã do Testament. Gosto dos hits da fase considerada clássica, mas dificilmente conseguia ouvir um álbum inteiro. A mesma situação ocorre comigo com o Accept. Porém, entretanto, todavia, essa fase mais contemporânea da banda, após o retorno de Alex Skolnick, é excelente. Como um todo, os álbuns são melhores e consigo escutá-los do começo ao fim, caso de The Formation of Damnation.
Ulisses: Em termos de thrash metal, o Metallica obviamente teve todos os holofotes do ano para si, mas é o Testament que leva a melhor na audição. Com vários momentos empolgantes e solos derretedores de faces, Formation mantém a peteca no ar e não escorrega em praticamente nenhum momento.

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Metallica - Death Magnetic (78 pontos)
Alissön: O disco que tirou o Metallica da obscuridade e responsável por dar sobrevida à carreira dos caras ainda é um produto completamente desprovido de fibra e maiores atrativos. Um resumo prático deste disco é o seguinte: estruturas técnicas inspiradas na fase áurea da banda, mas executadas de maneira execrável e completamente sem técnica (as linhas de bateria de Lars neste disco são vergonhosas), embaladas em uma produção ridícula (Rick Rubin já foi um ótimo produtor) e mixagem horrorosa. Salvo momentos pontuais, é o produto de outra das inúmeras bandas clássicas dos anos 1980 que só cumprem tabela lançando discos burocráticos atualmente (com o agravante de você sair da audição com os ouvidos estourados pela gravação equivocada).
André: Confesso que, na época em que liberaram as primeiras músicas deste disco, achei que poderia vir coisa muito boa. "O Metallica voltou depois daquele lixo do St. Anger [2003]" eu dizia. Até comprei o disco na empolgação após uma única ouvida. Depois disso ele acabou caindo na categoria dos álbuns "bonzinhos, mas nem tanto assim". Ok, "The Day that Never Comes", que foi bastante divulgada, ainda soa legal, mas depois de um tempo passa a ser um álbum comum e não o de um gigante como é o Metallica. Estou até esperando coisas muito melhores nesse próximo CD que eles vão lançar em breve. "Moth Into Flame" bate o Death Magnetic inteiro sozinha.
Bernardo: Digam o que disserem, sempre achei o Metallica uma banda ousada. Enquanto a maioria faz o que faz para tentar não perder os fãs que, se você tocar uma guitarra com afinação diferente, está "traindo o movimento" e bobagens afins, eles tentaram sair do óbvio, ainda que não fossem proficientes em determinadas direções em que atiraram. Mas não dá para negar a ousadia e a coragem. Dito isso, não fiquei na ponta dos pés quando veio aquela festa toda de "o Metallica das antigas está de volta" – por mim dane-se, quando quero ouvir o Metallica clássico, ouço os discos clássicos e ponto. Ainda que haja um esforço para soar o mais heavy/thrash o possível, o disco se salva com grandes composições, que é o que interessa – como "The Day that Never Comes". Como acontece em boa parte de seus discos pós-década de 1980, quando perderam a concisão, nem sempre é divertido, é mais longo do que o necessário e um ou outro momento pode ser enfadonho. Mas é QUASE um grande disco.
Christiano: Parece que, depois de lançar Load (1996), o Metallica começou a ter a certeza de que qualquer porcaria que levasse o seu nome poderia vender bem. E estavam certos: St. Anger (2003) é um bom exemplo de que tinham razão. Death Magnetic é só uma tentativa de mostrar que conseguem retomar o que fizeram no passado, justamente o que seus fãs desejam. Por isso, o que temos é só uma coleção de músicas pouco inspiradas de uma banda que já deu o que tinha que dar. Pra piorar, a gravação soa extremamente saturada, com os instrumentos tão altos que se embolam em uma massa sonora muito desagradável. O somatório de composições ruins com gravação horrível é um absurdo de ruindade. Passe longe.
Davi: “Eles eram thrash e deixaram de ser, mimimi”, “se venderam para a MTV, mimimi”. Se a tua principal diversão do dia não é ficar soltando essas pérolas nos comentários de sites e fóruns, você certamente curtirá esse álbum do Metallica. O que temos aqui é Metallica sendo Metallica. Faixas longas, a bateria sempre criativa de Lars Ulrich, além do vocal pra lá de característico de James Hetfield. “The End of the Line”, “Broken, Beat & Scarred”, “All Nightmare Long”, “Cyanide” e “My Apocalypse” estão entre as melhores músicas escritas pelo Metallica nos últimos anos e justificam a compra do disco. O ponto baixo fica por conta do single “The Day that Never Comes”.
Diogo: Tenho sentimentos conflitantes em relação a Death Magnetic. Ao mesmo tempo em que preciso fazer críticas, devo admitir que a capacidade da banda ainda é inegável. Sinto falta de arranjos mais caprichados, especialmente de Lars – que soa como um rockstar que toca bateria, não como o grande baterista que já foi –, além da apara de algumas arestas, mas, no geral, gosto das músicas. Algumas estão abaixo da média, como o single "The Day that Never Comes", uma tentativa desconjuntada de ressuscitar a glória de "Fade to Black" e "One"; e "The Unforgiven III", que soa pouco inspirada. A trinca inicial ("This Was Just Your Life", "The End of The Line" e "Broken, Beat & Scarred") empolga especialmente pelos seus bons riffs, enquanto a trinca final ("The Judas Kiss", "Suicide & Redemption" e "My Apocalypse") emula o grande ...And Justice for All (1988), mas sem a mesma gana. O grande destaque do álbum, pra mim um clássico instantâneo desde que ouvi o disco, é "All Nightmare Long", justamente uma canção que, ao menos pra mim, não parece buscar referências no passado, soando mais original e carregando com orgulho a valorosa assinatura do Metallica. O que impressiona negativamente em Death Magnetic é que uma banda como o Metallica, com todo acesso aos recur$o$ possíveis e que gravou uma das obras mais referenciais quando o assunto é qualidade sonora, possa ter soltado um disco tão mal produzido e mixado, cujos instrumentos perdem coesão a todo tempo e soam ora descolados uns dos outros, ora muito sobrepostos. Vergonha para o quarteto e para Rick Rubin, que deixou de ser um grande produtor há um bom tempo e atualmente só tem enganado bobo.
Fernando: O Metallica soltou dois álbuns controversos pela mudança de estilo e depois lançou um disco já fraco com uma produção que o deixou horrível. A volta ao thrash metal veio com Death Magnetic. Muita gente nem sequer ouviu e já o classifica como um álbum ruim. Outros não ouviram porque “o Metallica traiu o movimento e nunca mais ouço eles. Eles ficam feios bobos e com cara de melão”. “That Was Just Yout Life”, “The End of the Line”, “Cyanide”... Pô, tem várias músicas legais aí. Talvez, no geral, elas sejam um pouco mais longas que o necessário, mas são boas sim.
Flavio: Outro retorno esperado, o Metallica resolveu deixar as grandes experimentações do lançamento anterior pra trás e voltou com seu competente thrash/heavy Metal em Death Magnetic. Visivelmente inspirado nos estilos vencedores anteriores, o disco começa muito bem com "That Was Just Your Life" e "The End of the Line". Não se percebe mais a bateria genial de Ulrich de ...And Justice For All, um tema muito comentado pelos fãs (talvez desde Load), mas seu trabalho é competente.  A seguir, a bolacha dá uma caída até a manjada "The Day that Never Comes". As boas "All Nightmare Long" e "Cyanide" precedem a terceira continuação de "The Unforgiven", para mim uma desnecessária preocupação em manter uma espécie de trilogia. Não gostei da primeira sequência e também não vejo "muita coisa" nessa. Ainda há dois bons momentos com "The Judas Kiss" e "My Apocalypse", e a longa e descartável "Suicide & Redemption". Enfim, Death Magnetic é um disco forte, com algumas falhas, que se justifica facilmente como ótimo integrante desta edição.
João Renato: A surpresa foi bem agradável à época. O tempo não o sustentou como obra superior, mas garantiu a satisfação, ao menos momentânea. Não dá para negar que Death Magnetic é um disco focado, o que já era grande coisa, em se tratando do turbilhão que o Metallica havia se tornado.
Mairon: Depois do fiasco que foi St. Anger, qualquer coisa que o Metallica lançasse tinha que ser no mínimo boa, e assim foi. Death Magnetic, assim como Chinese Democracy, foi esperado por um bom tempo, e não é um Ride the Lightning (1984) ou um Master of Puppets (1986), tampouco um Black Album, mas foi o disco que colocou o Metallica novamente no mercado, com faixas que respeitam o thrash em sua integridade. Por vezes, o álbum me lembra bastante ... And Justice for All, acho que por conta das faixas serem longas, o que não é nenhum demérito. A rifferama de "Broken, Beat & Scarred" é uma das mais complicadas que já ouvi. Em parceria com "The Judas Kiss" e "My Apocalypse", forma a trinca central que me traz essa sensação de que o primeiro disco com Jason Newsted está na vitrola. O quarteto conseguiu finalmente mesclar o som que criou a partir de Load com o que o consagrou nos anos 1980, e assim apresentou ao mundo faixas que, se não marcaram época, tampouco merecem ser jogadas fora. Nesse sentido, cito "That Was Just Your Life" e "Cyanide", que se mantiveram presentes nos setlists desde então. "The End of the Line" e "All Nightmare Long" com certeza poderiam estar em Load, apesar de serem mais pesadas do que a maioria das faixas daquele álbum, e os únicos senões são a baladinha "The Day that Never Comes", que tenta pegar uma mistura de "One" com a onda de "The Unforgiven", mas não convence, assim como a própria "The Unforgiven III", muuuuuuuuuito aquém das versões anteriores; e, vamos ser honestos, esse piano na introdução é muito Evanessence. Por outro lado, a fantástica instrumental "Suicide & Redemption" compensa toda a sensação negativa que esses senões possam ter causado, pois é uma grandiosa faixa, e os senões nem são tão terríveis assim. Ter ouvido algumas dessas canções, fresquinhas, na Death Magnetic Tour, fizeram com que eu pegasse ainda mais apreço por este grande disco, e não é nenhuma surpresa vê-lo por aqui.
Rodrigo: Este trabalho do Metallica foi uma surpresa, pelo menos para mim. Confesso que não esperava muita coisa da banda após o fiasco de St. Anger, mas o quarteto voltou em plena forma mostrando por que é uma instituição do thrash. Repleto de músicas longas, com boas letras e solos (!!) interessantes, o álbum é uma bênção após um mar de decepções com o lançamento anterior.
Ulisses: Não ouvia este disco há muito tempo e, francamente, ele está até soando um pouco melhor do que eu lembrava. Os riffs cavalares, em especial, estão mais cremosos aos meus ouvidos. Porém, a longa duração das composições, estruturadas de uma forma que não casa bem com isso, continua sendo a maior ressalva deste álbum um tanto quanto cansativo. Para piorar, a mixagem original do CD foi polêmica ao ponto de muita gente falar para correr atrás de mixes ripados do game "Guitar Hero 3", que soavam melhores. É claramente superior aos oferecimentos anteriores da banda, ReLoad (1997) e St. Anger (2003), porém, ainda não chega a realmente impressionar.

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Blaze Bayley - The Man Who Would Not Die (43 pontos)
Alissön: Instrumentalmente impecável, mas ainda continuo achando o Blaze um péssimo cantor.
André: Blaze tem uma carreira solo da qual gosto muito e vários de seus discos são ótimos. Porém, confesso que não sou muito chegado a este trabalho. Considero Promise and Terror (2010) e King of Metal (2012), lançados alguns anos depois, ainda superiores. Este foi um álbum de recomeço para Blaze após muitos problemas com gravadoras e músicos, sendo que dele em diante o próprio tomou as rédeas da carreira para si. Talvez por isso o considero um trabalho sólido, mas não muito mais que mediano. A melhor faixa é "Voices from the Past", cadenciada e com aquela guitarra hipnotizante do início. A situação de Blaze ainda pioraria nesse mesmo ano com a morte de sua esposa. Outro choque para um cara que varia tanto da sorte (ter entrado no Maiden) para o azar (tais tragédias e problemas já citados) mas que traduz tudo isso em ótima música. Esse cara sempre terá o meu respeito e os meus ouvidos atentos para sua música.
Bernardo: Para resumir, um bom álbum de heavy metal, com repertório consistente e cheio de grandes riffs e refrãos, mas prejudicado por sua longa duração (62:16) e por não apresentar muita variação entre suas faixas.
Christiano: Blaze Bayley é, no máximo, um vocalista mediano. The Man Who Would Not Die é só mais um disco de sua carreira irregular, que sobrevive apenas pelo fato de Blaze ter sido vocalista do Iron Maiden. Infelizmente, a tentativa de gravar um álbum bastante pesado soou forçada. Principalmente pela péssima decisão do baterista de usar bumbos duplos indiscriminadamente, atrapalhando muito as músicas. No mais, não existem momentos a serem destacados, visto que o disco é irritantemente reto e sem nuances, e Blaze continua tendo o péssimo hábito de criar refrãos cansativos e repetitivos
Davi: Tomei conhecimento de Blaze Bayley por conta de sua passagem pelo lendário Iron Maiden. Confesso que não fiquei nem um pouco impressionado. Não gostei de seu trabalho vocal em The X Factor (1995), nem de sua performance no Monsters of Rock de 1996. Contudo, comecei a mudar minha percepção (sobre ele, não sobre os discos que fez com o Iron, que continuo achando o ponto baixo da linda carreira construída pela donzela), depois que ouvi Silicon Messiah (2000). Em The Man Who Would Not Die, o músico iniciou uma nova fase. Veio acompanhado de novos músicos, o projeto Blaze morreu, nasceu a fase solo, Blaze Bayley. O disco traz aquilo que seus fãs esperam. Um heavy metal tradicional, uma mixagem moderna, um quê de melancolia. Seu trabalho vocal está bacana. Soube explorar bem suas limitações vocais. O disco é bom, foi legal reescutá-lo, mas não o considero seu melhor trabalho, nem um dos melhores de 2008.
Diogo: É tentador querer elogiar Blaze Bayley. O cara é um trabalhador incansável, que foi injustiçado por muitos e provou seu valor como compositor em várias oportunidades, inclusive no próprio Iron Maiden – ninguém me tira da cabeça que The X-Factor é o melhor álbum da banda pós-Seventh Son of a Seventh Son (1988). Vocalmente nunca foi grande coisa, mas sabendo trabalhar as composições ao redor das suas capacidades, muitas vezes os resultados são positivos. Em The Man Who Would Not Die, há vários momentos em que isso dá muito certo. A banda que o acompanha, inclusive, é surpreendentemente boa, colaborando com performances afiadas. Consigo imaginar canções como "Blackmailer", "Robot", Voices from the Past", "The Truth Is One" e a faixa-título com a voz de Bruce Dickinson, sendo seguidas por comentários do tipo "Iron Maiden voltando com tudo!", "Sabia que o Iron Maiden não tinha perdido a mão pra fazer um heavy metal mais direto, sem frescuras!". Mas né, quem está cantando é Blaze, então os critérios mudam para muita gente. O álbum não mantém o tempo todo o nível dessas faixas citadas, mas satisfaz na maior parte do tempo. Não é um grande disco, mas é bom.
Fernando: Blaze grava discos bons desde que saiu do Iron Maiden. Este é o primeiro lançado como Blaze Bayley e não apenas Blaze. Isso significa que a banda que o acompanhava foi toda reformulada. Esse fato não afetou este álbum, mas sim os seguintes.
Flavio: O disco começa muito bem com a pauleira heavy "Crack in the System", talvez a melhor composição que já ouvi de Blaze. A seguir vem uma baladinha chata pacas, que já expõe algumas restrições da vocalização de Blaze, com repetições de trechos, sem dinâmica, me lembrando a triste passagem pelo Iron Maiden. Apesar de trechos interessantes, o que vem a seguir realmente não mantém o padrão da primeira música; não são composições inspiradas, nas quais, novamente, o vocal limitado de Blaze me incomoda. Gostei apenas da última, "While You Were Gone", e não encontro motivos para que o disco pertença aos melhores de 2008.
João Renato: Mais agressivo que em qualquer outro momento da carreira, Blaze Bayley exorciza demônios neste disco. Continua tendo um registro vocal bem questionável, mas compensa com qualidade superior nas composições e uma banda que faz a diferença. Junto com Silicon Messiah, é seu melhor lançamento pós-Maiden.
Mairon: Cada vez me convenço mais que a carreira solo de Blaze é melhor do que a da sua ex-banda a partir dos anos 2000. Só a faixa-título deste disco já me fez pegar uma air guitar, algo que nenhuma das canções do Iron pós-Virtual XI (1998) fez. Blaze nos traz um som realmente pesado, com boas músicas e refrãos que ficam na cabeça, seja em "Crack in the System" e "Voices from the Past", essa com uma belíssima introdução. Curti o ritmo acelerado de "Samurai", a velocidade impressionante dos riffs de "Robot" e a sequência de notas trabalhadíssimas de "The Truth Is One". Em inevitáveis comparações com o Iron, "Blackmailer" até tem um ar de "Wasted Years" no seu início, mas é uma potência sonora com um excelente trabalho de guitarras de Jay Walsh e Nick Bermudez. Bom, quando ele realmente inventa de emular Iron Maiden, como em "At the End of the Day", e, principalmente, em "While You Were Gone", surge aquele medo de "Lá vem mais Em, C e D", mas não é bem isso o que acontece, já que é uma faixa arrastada e pesada que dificilmente o Iron criaria algo parecido, e a virada para a segunda metade é fantástica. E para mostrar que Blaze é um cara acima da média, as faixas longas mostram o valor de seus trabalhos de composição. Não tem como não se prender nas caixas de som com a fantástica "Smile Back at Death", as linhas orientais das escalas na enigmática "Serpent Hearted Man", ou com a pegada quebradora de pescoço de "Waiting for My Life to Begin" – muito bom esse batera Lawrence Paterson, falando nisso. Um balde de gelo na cabeça do Iron, e um belíssimo disco. Vou ter que começar a buscar a obra de Blaze para minhas prateleiras ...
Rodrigo: Um trabalho surpreendente e ao mesmo tempo emocionante, por tudo o que aconteceu na vida de Blaze durante e após as gravações desse álbum. Blaze é um compositor competente e isso se reflete em pérolas como a faixa-título, em que Blaze brada “eu sou o homem que nunca irá morrer!”. Praticamente uma sessão de terapia com ele tentando curar a dor de perder a esposa diante do mundo.
Ulisses: A primeira leva de álbuns solo do ex-Iron Maiden – ainda sob o nome de Blaze – teve boa recepção de crítica e nem tanto de público, embora problemas financeiros e de gerenciamento rondassem a vida do cantor, que ainda lidava com alcoolismo e depressão, fatos que ficaram marcados mais profundamente ali pela época de Blood & Belief (2004). As coisas começaram a melhorar para o careca quando ele finalmente se casou com Debbie Hartland, que passou a administrar tanto sua vida quanto a nova banda que Blaze montou (com os irmãos colombianos Nico e David Bermudez na guitarra e no baixo, o batera Lawrence Paterson e o segundo guitarrista, Jay Walsh). Juntos, gravaram o que parece ser uma espécie de segundo renascimento da carreira de Bayley, com um som mais rápido, pesado e moderno, além de um conteúdo lírico catártico e vingativo, e que fora potencializado com a internação de Debbie em julho de 2008 (um dia após o lançamento do álbum) e sua morte em setembro. Faixas como "Blackmailer", "Smile Back at Death", "Voices From the Past" e a faixa-título são petardos inesquecíveis, fazendo da audição algo memorável e muito mais intenso do que o que os fãs do careca estavam acostumados – Blaze realmente não morrera!

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Mötley Crüe - Saints of Los Angeles (36 pontos)
Alissön: Só vale a pena para quem é fã, pois é uma espécie de encerramento da carreira criativa do Mötley Crüe. Não sendo o seu caso, passe longe, pois será uma experiência insípida.
André: Bom disco do Crüe. Os caras começam muito bem com "Face Down in the Dirt", pena que não mantêm o nível ou este seria um dos melhores álbuns deles. A pegada vai naquele sleaze bem sujo, típico dos anos 1980, e seguem nele do início ao fim. Não há aquele momento em que "a criatividade rola solta" mas é um bom álbum para fechar a carreira deles sem uma impressão ruim, visto que juraram que não farão mais nada após esta última tour que acabou recentemente.
Bernardo: Metallica, Whitesnake, Guns N' Roses, Mötley Crüe. Isso aqui é uma lista de 2008 ou 1988? Bom, um mais do mesmo. Ouça só se você realmente quer acreditar que não se faz nada mais interessante além da mesma farofada enjoativa que deu o último respiro criativo lá atrás, no disco com John Corabi, e desde então só faz cumprir contrato com os fãs.
Christiano: Um bom disco de hard rock. “What’s It Gonna Take”, “The Animal In Me” e “Just Another Psycho” agradarão os fãs de hard rock oitentista. Vince Neil continua fazendo um bom trabalho, assim como toda a banda. Saints of Los Angeles soa como uma boa despedida, visto que foi o último disco do grupo.
Davi: O Mötley Crüe só pisou no tomate em Generation Swine (1997). Todos os outros álbuns deles são, no mínimo, bons. Saint of Los Angeles não foge à regra. Arriscaram aqui ao trazer um pouco daquela modernidade que experimentaram na época de “Afraid”, mas dessa vez sem descaracterizar o som da banda. Utilizaram os elementos como um complemento e não como a tônica da composição e deu certo. Guitarra sujona, Tommy Lee arrebentando, como de costume, além dos vocais característicos de Vince Neil. Trouxeram a festa de Los Angeles para os anos 2000. Ataque o som no talo, chame umas putas e divirta-se ao som de canções classudas como “Down at the Whiskey”, “Just Another Psycho”, além da faixa-título, que traz um riff inicial que remete bastante à fase de ouro da banda.
Diogo: Gosto muito do Mötley Crüe, mas tenho consciência de que a banda fez apenas quatro grandes discos: Too Fast for Love (1981), Shout at the Devil (1983), Dr. Feelgood (1988) e Mötley Crüe (1994). De resto, há várias boas canções em meio a discos medianos, no máximo bons. Este é um caso de bom disco, com algumas canções memoráveis ("Face Down in the Dirt", "Mutherfucker of the Year", "Goin' Out Swingin'" e a faixa-título) e outras bem menos atraentes. O que eu mais gosto em Saints of Los Angeles é de seu tom autobiográfico, cujas letras fazem com que se trate praticamente de um álbum conceitual, mas sem os aspectos negativos que esse tipo de obra pode ter. Quem acompanha a série e tem boa memória vai lembrar que citei The Heroin Diaries Soundtrack (2007), do Sixx:A.M., na edição passada, e reparar que não citei Saints of Los Angeles por aqui. O porquê é simples: o Sixx:A.M. tornou-se mais relevante que o Crüe, um veículo mais apto a colocar em prática as ideias de Nikki Sixx, inegavelmente um bom compositor. Claro que os bons riffs de Mick Mars fazem falta, assim como a pegada do grande Tommy Lee, e eu gostaria muito de ter tido a oportunidade de vê-los ao vivo, mas a despedida soou adequada. Muito melhor encerrar a carreira com Saints of Los Angeles do que com New Tattoo (2000), que, apesar de legal, soa como um disco de uma banda que perdeu por completo a pujança do passado. Mötley Crüe sem ser metido a besta não é Mötley Crüe.
Fernando: Depois de duas bombas e um período de muita confusão interna, o Mötley Crüe apareceu, do nada, com Saint of Los Angeles. Não esperava nada quando ouvi e talvez por isso tenha gostado. Pode ser em razão da época de gravação, mas o peso dele é maior do que qualquer outro da banda.
Flavio: O Mötley Crüe talvez lançando o seu último disco visa manter o hard/glam rock tradicional de sua carreira, com boa competência. A presença de DJ Ashba como coprodutor e cocompositor em grande parte das músicas dá um pouco de "frescor" à banda, fazendo de Saints of Los Angeles um disco com boas canções.  Não é um trabalho de destaque, o vejo muito longe de um álbum como Shout at the Devil, mas traz um bom peso, soa espontâneo e coeso, traduzindo a essência da banda, e tendo Los Angeles como pano de fundo para o tema principal de suas letras. Como destaques, indico "What's It Gonna Take", a faixa-título (a melhor) e "Motherfucker of the Year".  Havia coisa melhor em 2008, mas Saint of Los Angeles não compromete e está bem indicado aqui na lista.
João Renato: Esperei muito deste disco. Talvez por isso tenha me decepcionado um pouco. Não é ruim, mas falta algo. Ouço ele inteiro e lembro de pouca coisa quando termina. A situação da grande banda que vai se desintegrando aos poucos e, quando se dão conta, cada músico está em uma vibe distinta.
Mairon: O disco que marcou o retorno da formação clássica do Crüe entre os dez mais, que surpresa. Bom, tirando a ironia de lado, aqui o quarteto fantástico Mick Mars, Vince Neil, Nikki Sixx e Tommy Lee faz um álbum pesado, bem diferente daquilo que os consagraram nos anos 1980, e muito modernoso, se aproximando mais do Sixx A.M. do que do próprio Crüe, o que se deve principalmente à parceria com James Michael e DJ Ashba, vocalista e guitarrista, respectivamente, da banda de Sixx. Ouvir faixas como "Down at the Whisky" me causa muita tristeza em saber que essa é a mesma banda que gravou antologias como Girls Girls Girls (1987), Theatre of Pain (1985) e Dr. Feelgood. Bem honestamente, tirando a guitarra de Mars, que dá um banho em "Mutherfucker of the Year", na divertidíssima "Chicks = Trouble", e do ritmo puxado em "Goin' Out Swingin'", bem como a viajante "Welcome to the Machine", o resto chega a ser melancólico. Não por acaso, as canções com nomes mais inteligentes são as melhores para quem é fã dos primeiros álbuns. Entrou pelo fanatismo, pois não merece estar entre os dez mais.
Rodrigo: Nada contra o Mötley Crue, mas 2008 teve álbuns melhores que poderiam ter entrado nessa lista.
Ulisses: Hard rock mais bobinho e desinteressante que eu já ouvi. Caia fora dessa.

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Portishead - Third (31 pontos)
Alissön: O disco que salvou a lista de ser um amontoado de irrelevância é um atestado intimista e intrigante do poder da música eletrônica. Passando pelo mistério de suas estruturas musicais e a estranha "Regra dos 3" (confesso que, quando ouvi este álbum pela primeira vez, fiquei meio bolado), Third é um disco estupendo  em sua introspecção e encantador por sua riqueza sonora.
André: Caras, estranhei logo no início e não sei se foi o mesmo com vocês. Eu cliquei e começou umas falas em português. Achei que era propaganda do YouTube e voltei. Comecei de novo e novamente aquelas falas. Fiz umas três vezes para daí perceber que é parte do álbum... Enfim. Tenho o maior respeito pelo Portishead e seu trip hop, inclusive conheço seu maior hit, "Glory Box". Neste disco, parece que eles usaram a experimentação acima de tudo, lembrando-me aquelas bandas alemãs de krautrock dos anos 1970. A sonoridade passa várias sensações, desde tranquilidade até melancolia e uma coisa meio lisérgica. Marco Gaspari é um que deveria ouvir este disco. E aposto minhas fichas que ele iria adorar.
Bernardo: Até hoje, o Portishead só lançou três discos. Todos maravilhosos, equilibrando de forma delicada, e com grandes composições, o pop barroco, a eletrônica, o folk, o rock, o trip hop e o industrial... Uma banda que traduziu de maneira perfeita o paradoxo dos anos 2000, confuso entre "soar como antigamente" e "mirar para frente". Third é o "menos bom", mas ainda assim é maravilhosamente insano, atmosférico e inusitado em sua construção, com a voz suave e ao mesmo tempo intensa de Beth Gibbons, que sabe soar doce e raivosa, sempre nos acertando de jeito. Ouça "Plastic" e "Machine Gun" como uma amostra e depois caia de cabeça. Para terminar fascinado.
Christiano: Se pensarmos que o Portishead foi um dos principais nomes do trip hop, é meio estranho notar que lançaram somente três discos de estúdio, sendo que o último, Third, saiu mais que dez anos após o segundo álbum. Mas gravar um álbum depois de tanto tempo tem suas vantagens. Uma delas é a ausência de pressão para produzir a qualquer custo. Por isso, fica a impressão de que só gravariam o que realmente julgassem relevante. E é justamente isso que temos em Third. Um disco bastante experimental, meio estranho até, que exige algum tempo para ser assimilado. De maneira alguma repetiram o que já haviam feito em seus dois álbuns anteriores e, ainda assim, mantiveram sua identidade. “The Rip” é um bom exemplo disso. Essa música ganhou um videoclipe que, na época, chegou a rolar na MTV. Com certeza, um dos melhores discos do ano, mas que exige boa vontade para ser assimilado.
Davi: Beth Gibbons estava sonolenta, mas não conseguia cair naquele sono profundo que tanto desejava. Resolveu levantar da cama, dar um tempo e ir fazer algumas coisinhas. Brincou com barulhinhos no seu teclado Casio, jogou Pacman no seu Atari empoeirado, enquanto isso ficava tentando criar umas linhas vocais para mostrar no próximo ensaio. Por um acaso, isso acabou sendo gravado. Algum infeliz encontrou o registro e achou que tinha um disco em mãos. Pronto, Beth, já pode ir dormir. Basta dar o play que você dormirá por hooooras e hooooras...
Diogo: Sempre trato com o maior respeito possível todos os artistas que dão as caras nesta série, não importando meu conhecimento ou desconhecimento prévio. Fazer diferente seria desrespeitar a inteligência dos meus colegas que se dispõem a participar deste processo. Não raro, inclusive, surpreendo-me com a qualidade de alguns citados dos quais não esperava muito, como ocorreu com o Arcade Fire, na edição passada. Desta vez, porém, não tenho nada de muito bom para dizer a respeito de Third, do Portishead. Tirando a faixa "Small", pouquíssima coisa despertou meu interesse. Talvez se o vocal de Beth Gibbons ficasse em segundo plano mais vezes, como na canção citada, o disco tivesse mais atrativos, pois é ele o elemento que mais incomoda ao longo do tracklist. Desculpa, pessoal, mas desta vez não deu mesmo.
Fernando: Toda vez que recebo o resultado de cada edição, dou uma passada de olhos e vejo aqueles discos que vou ter que escutar de novo e aqueles que nunca ouvi. Os que nunca ouvi deixo por último. Nessas últimas edições, esses últimos sempre são algo na linha do hip hop, rap e coisas do tipo. Dá uma preguiça... Começa com um cara falando em português mesmo? Tive que procurar para confirmar se eram brasileiros, mas são britânicos. Favor explicar isso aí pra mim. Porém, achei bem melhor do que esperava. A música nos passa a sensação de enclausuramento (não sei se essa é a melhor palavra), como se estivesse ouvindo o som em um quarto fechado, sem luz e apenas com um colchão jogado no chão...
Flavio: Em alguma outra edição da série, indiquei que tinha muita dificuldade de perceber o rock alternativo e suas vertentes com "genial" ou "admirável" da maneira que vejo outras pessoas fazerem. Neste terceiro disco do Portishead, encontro todos os elementos que me fazem não distinguir estas características. Canções monótonas, com excesso de repetições em todos os instrumentos, e é notavel a aproximação dos anos 1970 em 2008, com uso dos sintetizadores, guitarras com timbres bem característicos da época. O vocal de Beth Gibbons, tido como "extraordinário" por várias resenhas, me parece fraco, limitado, até oscilante em afinação, realmente nada que me interesse. Ao ver que a "banda" tem três integrantes, e um pseudointegrante (engenheiro produtor), fiquei pensando como esses três conseguiriam reproduzir (mesmo com algumas limitações) o som deste Third ao vivo.  A resposta (novamente óbvia) é que "vem gente de todo o lado" (inclusive no disco) pra ajudar, o que também não me agrada. Mas o importante aqui é o disco, não é?  Ok, é o disco, o disco é chato, fraco, repetitivo, lento. Em resumo: não vi nada de bom.  Não destaco nada em nenhuma das 11 canções  Passo, passo, passo e pseudopasso.
João Renato: Em português, seria considerada a perfeita junção do rock psicodélico setentista com a sofrência.
Mairon: O que que é isso? Meu Deus, de onde tiraram isso? Disco estranhíssimo, e inacreditável que foi um sucesso no Reino Unido e nos Estados Unidos, ou pior, em boa parte do mundo. Poucos são os momentos que consegui apreciar (uma que outra passagem de "Hunter" e "Machine Gun", o dedilhado da introdução de "The Rip" e a curtinha "Deep Water") em um disco muito, mas muito difícil de se escutar. Não tem ritmo, não tem melodias marcantes, é só a voz sofrida de uma vocalista desafinada e instrumentos eletrônicos aqui e acolá. Disco pra doidos, é o que posso dizer, ou eu é que sou doido de não entender isso daqui.
Rodrigo: Mais uma banda na lista cujo trabalho eu efetivamente não conhecia, apenas tinha ciência da banda. Após ouvir o álbum, devo dizer que, infelizmente, continuarei não sendo um entusiasta do trabalho do grupo britânico.
Ulisses: Entrando pela "cota alternativa" da série, Third procura criar um clima tenso e tem um approach experimental. A parte instrumental é atmosférica e, em alguns momentos, intrigante, procurando tragar o ouvinte em uma hipnose de melodias diversas e esquisitinhas, mas não o suficiente para se salvar de seu aspecto, ultimamente, tedioso.

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Beardfish - Sleeping in Traffic: Part Two (28 pontos)
Alissön: Aqui tem de tudo para quem é fã de prog sinfônico. Longas passagens instrumentais, ambientação, nuances viajantes, teclados e execução cirúrgica. A única coisa que falta, e a mais importante, é qualidade e identidade. Fora isso, está tudo em seu devido lugar.
André: Já gostava do Beardfish por já ter escutado o ótimo disco Destined Solitaire (2009), mas este aqui é simplesmente fantástico. O instrumental deste disco é simplesmente perfeito. Instigante, bonito, animado, bem tocado e de um bom gosto sem igual. Lindos solos de hammond e de moog, baixo debulhando, efeito wah wah da guitarra, bateria variada... É cada minuto de faixa uma surpresa diferente. Às vezes vem uma guitarra mais pesada, às vezes uma calmaria reflexiva típica do prog setentista, às vezes uma linha instrumental meio cômica como "Cashflow". Se eu conhecesse, teria votado nele em alta posição. Um dos melhores discos de progressivo dessa década, sem dúvida nenhuma. Vou ouvi-lo muito ainda nesta vida. Por essas e outras que eu adoro participar desta série: talvez este disco pudesse ter me passado batido durante muito tempo ainda. Aos consultores que votaram nele, meus parabéns, vocês têm um bom gosto do caralho.
Bernardo: Eu entendo o que agrada o pessoal: é tocado com maestria e chega a lembrar o Genesis em seus melhores momentos, alternando entre paisagens sonoras e momentos mais diretos e pesados. Mas ainda faltou uma "substância", algo além da virtuose.
Christiano: O rock progressivo é amado por alguns, odiado por muitos. Mas isso não impede que o estilo continue a produzir ótimas bandas de tempos em tempos. O Beardfish é um desses casos. O que temos aqui é uma adaptação da linguagem clássica dos gigantes do estilo para o século XXI: seja pela timbragem dos instrumentos, os vocais de Rikard Sjöblom ou mesmo por algumas pitadas de indie rock aqui e ali, os rapazes conseguiram gravar algo próximo de um clássico do estilo sem soarem deslocados da contemporaneidade, e isso é muita coisa. Logo em “Into the Night”, que abre o disco, fica claro que não se trata de apenas mais uma banda progressiva em pleno 2008, pois momentos de grande elaboração musical coexistem com melodias extremamente agradáveis. A instrumental “Cashflow” mostra que os meninos são admiradores do Gentle Giant. “The Downward Spiral/Chimay” talvez seja o momento mais sublime de todo o disco, que mereceu ter entrado nesta lista.
Davi: Não conhecia essa banda e gostei bastante. Como estou descobrindo agora, não sei dizer se ele é melhor ou pior do que a parte 1, mas o álbum é excelente. Ótimos músicos, excelente trabalho de teclado, composições fortes, vocal de acordo com o estilo praticado pelos músicos. Trabalho muito bem desenvolvido. A banda apostava – sim, já foram para o espaço – em um rock progressivo com bastante influência de Genesis da fase Peter Gabriel, Gentle Giant e Emerson, Lake & Palmer. Se você curte um som com essa pegada, pode ir sem medo de ser feliz. Faixas preferidas: “The Hunter” e “Sleeping in Traffic”.
Diogo: Tanto o Mairon insistiu em incensar a banda que ela acabou dando as caras por aqui. Não vou negar: o disco é bom. Trata-se de músicos que se inspiraram nos melhores e sabem traduzir essas influências em boa música, com grande esmero nos arranjos e na execução. Genesis, ELP, Gentle Giant... essas são as influências mais óbvias, mas certamente há muitas mais, pois fica evidente que estamos lidando com pesquisadores do prog, apaixonados pelo que fazem e capazes de levar adiante seu legado. A época é diferente, o cenário idem e, convenhamos, não há todo o brilho dos artistas citados (seria impossível, certo?), mas o Beardfish faz muito melhor que todas as bandas com evidentes influências da era de ouro do prog que surgiram de 20 (30?) anos para cá. No meu entendimento, um álbum longo e com tantas nuances quanto este merece mais audições para que eu teça comentários mais detalhados, então por ora, limito-me a afirmar que gostei da indicação. O álbum é bom e o grupo é muito talentoso. Além disso, a produção é condizente com o estilo, destacando cada instrumento, inclusive o baixo, muito bem tocado por Robert Hansen.
Fernando: Conheci essa banda meio por acaso e acabei comprando o novo CD deles, que já achei ótimo. Quando fui ver, descobri que eles já eram uma banda estabelecida, com vários discos, sendo que essa dupla intitulada Sleeping in Traffic eram os pontos altos. Em algumas passagens lembra-me o Genesis, mas outras já a colocam no mesmo pote de bandas mais atuais, como Spock's Beard. Pena que não os conheci antes.
Flavio: Aqui sim! Opa! Destaquei aqui e vou repetir (desculpem, de novo): o melhor de fazer parte desta série é quando nos deparamos com um álbum como este.  Os elementos que aprecio estão todos reunidos: vocal bem feito, duplicado e bem harmonioso em grande parte do disco, alternando partes mais sutis e mais pesadas; instrumental bem valorizado, alternância de ritmos, as tais "odd time signatures". E há espaço para tudo aqui, tanto o uso de guitarra mais clássica (Yes, Genesis e até Beatles em sua fase final), quanto momentos mais modernos (com uso de hammer-ons e licks mais caracteristicos dos anos 1990/2000). A cozinha é muito bem executada, o baixo realmente participa, trazendo harmonia e complementos para o instrumental, não só permanecendo em uma base reduzida. Enfim, um trabalho coeso, de muito bom gosto, no estilo progressivo bem aproximado do clásssico e que me agrada e muito. Uma pena que a banda parece ter se dissolvido recentemente. E há ainda a referência a "Stayin' Alive" (Bee Gees) na faixa-título, genial... Apesar de gostar muito da lista que fiz, entendo que o trabalho do Beardfish é bem indicado para esta edição.
João Renato: Tem umas boas trilhas para o Telecurso 2000 aqui. Sério, não é sacanear, algumas parecem mesmo, até porque já fiz trabalhos para tevês educativas e até pensei em passagens que poderia usar. Sobre o trabalho, para quem gosta, deve ser muito bom. De minha parte, dormiria no tráfego e acabaria morrendo. Mas o cara lembra o Phil Collins cantando...
Mairon: Aqui está a segunda parte da viagem musical criada pelo tecladista, vocalista, guitarrista e faz tudo Rikard Sjöblom, que resolveu narrar as 24 horas no dia de um ser humano. Os suecos já haviam criado um grande álbum conceitual (The Sane Day) em 2005, e aquele disco, lançado no formato duplo (segundo da carreira da banda), causou rebuliço entre os admiradores do progressivo. Sleeping também estava previsto para ser duplo, mas as dificuldades no término da segunda parte da história ocasionaram a fissão dos lançamentos, com a primeira parte narrando as primeiras 12 horas, e a segunda – e melhor – narrando as últimas 12 horas, que vão do pôr do sol até o início da manhã. Musicalmente, o Beardfish estava afiado com suas influências de Frank Zappa, Gentle Giant (esses dois as principais referências da banda segundo os próprios integrantes), Yes e King Crimson, mostrando uma maturidade incrível que liquidificou esses – e muitos outros – nomes em uma sopa apimentada e inovadora, com uma criação inédita até então, que os destacam dos demais grupos de sua geração, sempre com uma novidade e surpresas para quem ouve a banda pela primeira vez. Ouvir este álbum é ser levado por uma séria de lembranças musicais que irão lhe dirigir para um monte de referências, mas tudo soando como inédito, e predominando o incrível e descomunal talento de Sjöblom. Começando exatamente do término da parte 1, com a sequência de notas no piano da vinheta "As the Sun Sets", o álbum mergulha na noite em "Into the Night", com os teclados de Sjöblom sendo o centro das atenções, em uma faixa muito trabalhada e que levanta os ouvidos com certeza, com referências explícitas para Jethro Tull, Zappa, Yes, Focus, Uriah Heep, além das passagens intrincadas em que o quarteto faz misérias. "The Hunter" eleva o baixo de Robert Hansen sobre as caixas de som, e começamos a ser hipnotizados pela magistral criação instrumental que os suecos estão nos propiciando, sendo que o solo de órgão é qualquer coisa acima do sobrenatural de tão encantador. Com "South of the Border", a diversão torna-se garantida, sendo uma passagem hilária entre as 24 horas do personagem central, que deve ter feito Mr. Zappa aplaudir de pé dos rincões do paraíso. Quem ouve "Cashflow" e não reconhece as claríssimas fontes gentlegiantianas que brotam é porque desconhece as canções do gigante gentil; só que, ainda assim, muito original, principalmente porque o acordeão é um dos instrumentos-chave dessa canção, enquanto a dupla "The Downward Spiral/Chimay", trazendo mais citações ao Gentle Giant, dessa vez para as magistrais sequências de duelo de violão entre Gary Green e Ray Shulman, primordialmente resgatadas pelos suecos, além de uma pitada de Yes fase Drama (1980) em seu encerramento, é uma viagem musical de preparação para o êxtase da madrugada, que está embutida na incrível, maravilhosa e longa faixa-título. Uma das primeiras criações de Sjöblom (a canção foi criada em 2002, sendo que a banda teve seu primeiro lançamento em 2003), ela era uma faixa tradicional nas apresentações do grupo, mas demorou seis anos para ser registrada (praticamente ao vivo) em estúdio. Poderia ser interpretado como uma presunção e pomposidade fazer uma faixa de 35 minutos, mas bah, sinceramente, QUE FAIXA. Não vou comentar muito sobre ela (baita introdução, riff poderosíssimo, letra sensacional, mudanças inacreditáveis), apenas digo: OUÇA!! Encerrando, nasce o dia em "Sunrise Again", e aí voltamos para a parte 1, em um ciclo que se repete em audições inevitáveis, já que os dois álbuns são fantásticos. Ok, me passei, mas este álbum merece, pois é um discaço, e confesso, fazia horas que não ficava tão feliz em ver um álbum em uma edição da série. Ouça sem preconceito, você curtirá e muito!
Rodrigo: Um dos motivos pelos quais eu mais gosto de participar desta série é que eu sempre acabo descobrindo coisas novas, que não conhecia. Caso do Beardfish e deste álbum. Tendo dito isso, obviamente não vou me ater a fazer comentários elaborados sobre algo que acabei de conhecer, mas o que posso dizer é que gostei bastante do álbum e da banda. Definitivamente, correrei atrás para conhecer a discografia do grupo.
Ulisses: Um exemplar razoável de rock progressivo sinfônico. Gostei, em especial, dos riffs setentistas de "South of the Border" e do conteúdo lírico meio debochado. Porém, no geral, quando chega o momento em que determinada faixa vai engatar, termina por se perder em firulas prog que nada acrescentam à audição. Tem seus bons momentos, mas nada de outro mundo.

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Slipknot - All Hope Is Gone (28 pontos)
Alissön: Sou fã do Slipknot, mas esta empreitada dos caras por sons mais técnicos, mais comportados e influenciados mais efetivamente pelo thrash metal passam longe de representar a capacidade criativa real do Slipknot. O disco flutua entre ótimas composições criativas e outras em que a inspiração faltou e o resultado mais se assemelha a uma sobra do Stone Sour.
André: Como eu gostaria que Corey Taylor cantasse apenas com a voz urrada. Se encaixa perfeitamente na sonoridade caótica deles. Quando utiliza aquele vocal limpo "pop" me dá um certo desânimo. No mais, o instrumental é bom, mas as composições ficaram devendo comparadas com os dois primeiros discos. Apesar de "Psychosocial" copiar (não sei se é intencional) o riff principal de "Something Wicked this Way Comes", do Nuclear Assault, a faixa ainda é a melhor do CD. Como já havia comentado antes, é uma boa banda, só não rolou os gostos deles com os meus.
Bernardo: Depois de surgir no manancial do nu metal em Slipknot (1999), destacar-se pelo peso e intensidade em Iowa (2001) e mostrar amadurecimento e versatilidade em Vol. 3: The Subliminal Verses (2004), o Slipknot de All Hope is Gone já era uma banda amadurecida, que não precisava provar mais nada a ninguém. Sim, era possível misturar metal extremo e eletrônica pesada, vocal rapeado com vocal gutural e fazer música muito boa. Agora eles não eram mais promessa ou curiosidade, mas uma banda grande, headliner de festivais, lançando um álbum que é uma porrada na orelha, mas que também se sai bem pisando no freio e também quando aposta em atmosfera sombria e amargurada – "Psychosocial", "Dead Memories" e "Gehenna" atestam o que estou falando.
Christiano: Essa banda sempre me pareceu uma tentativa de fazer metal pesado para playboys. Neste disco, isso ficou ainda mais evidente: guitarras pesadas, bateria veloz, vocal meio gutural, mas que tem lá seus momentos de Creed. No fim das contas, a mesma chatice de sempre.
Davi: Depois do razoável Subliminal Verses, o Slipknot voltava à boa forma em seu quarto álbum. Corey Taylor continuava mesclando vocal limpo com agressivo, conforme esperado, enquanto a banda voltava à porradaria usual. O trabalho de bateria de Joey Jordison neste álbum é simplesmente destruidor. “Psychosocial”, “Vendetta”, “Dead Memories”, “Gematria” e “Sulfur” são os grandes destaques.
Diogo: Este é o álbum do Slipknot que eu indicaria para pessoas que não têm muita simpatia pela banda, especialmente aqueles que ainda guardam ranço com o nu metal e o fato da banda já ter sido associada a esse subestilo. Digo isso pois julgo All Hope Is Gone como o disco mais "convencional" em se tratando daquilo que se espera de uma banda de heavy metal mais tradicional, se é que se pode dizer algo assim do Slipknot. Além do uso de percussões estar mais discreto, de haver mais solos de guitarra em evidência e de Joey Jordison oferecer uma grande performance, estão mais evidentes as influências de thrash metal, além de alguns lampejos death (parte de "Vendetta" parece com algo que o Morbid Angel faria em sua fase com Steve Tucker) e até doom (como na arrastada "Gehenna", um dos destaques). Consigo imaginar pessoas batendo cabeça com a rifferama inicial de "This Cold Black" e logo depois mudando de postura ao perceber que é Corey Taylor urrando nos vocais. O fato de um álbum como este ter ocupado o primeiro posto da Billboard é mais um para a longa lista de méritos do Slipknot; entre eles também está a capacidade de compor músicas cativantes, equilibrando extremismo e melodia, como "Gematria (The Killing Name", "Sulfur" e "Psychosocial", três petardos que se somam a uma longa lista construída ao longo de apenas cinco discos. "Snuff", maior sucesso extraído do álbum, é uma boa balada, mas nessa seara mais comercial, a melhor canção é "Dead Memories".
Fernando: Quem diz que Kamelot e Nightwish aparecem em todas as listas se esquece que todos os discos do Slipknot já apareceram aqui. Seria pra tanto?
Flavio: Realmente, o Slipknot deu uma mudada neste quarto disco. O som está um pouco mais marcado, bem construído, mais harmônico, acredito que há elementos de thrash progressivo, principalmente nas primeiras músicas, também senti um pouco menos de uso de afinações baixas e até da redução da marcação percussiva "olodum metal" ou mesmo de momentos mais "doom/heavy metal ("Gehenna"). Tudo muito legal,  mas os elementos marcantes da banda estão presentes, aí que a coisa pega, pois me desculpem, não consigo suportar os momentos extreme metal, com o vocal gritado que predomina na bolacha toda. Na terceira música, "Sulfur", um dos singles, bem no refrão, Corey Taylor abandona a gritaria e resolve cantar, o que me deu uma esperança para o resto do álbum. Ao perceber que essas pitadas de vocal mais "normal" ficariam apenas em poucos momentos do disco (alguns segmentos de refrão de algumas músicas – "Butcher's Hook", "Gehenna", "Wherein Lies Continue") e é apenas mantido na boa balada "Snuff" e nas faixas-bônus (nem sei se considero isso). Enfim, que decepção. Para terminar, a insuportável faixa-título. Realmente, não dá para gostar do disco; apesar de alguma mudança, neste aqui toda esperança se foi...
João Renato: O disco do Slipknot que, até hoje, não consigo desfrutar. Assimilo algumas músicas, mas não consigo apreciar o conjunto da obra. O que menos curto da carreira deles. De qualquer forma, vender mais de 1 milhão de cópias no cenário que, em 2008, era até pior que o atual, é um feito e tanto.
Mairon: Não sabia que o grupo tinha taaaanto prestígio aqui na Consultoria. Afinal, este é o quarto disco deles a entrar na série, sendo que este é exatamente o quarto álbum da banda. O disco até começa surpreendendo, ou vai dizer que "Gematria (The Killing Name)" não te causa uma sensação de "Quê? O Slipknot resolveu tocar de verdade agora?". O batera 1 é o grande centro das atenções, tocando muito bem, e até que gostei do disco no geral. Destacar mais faixas é complicado, porque todas têm o mesmo nível, mas uma que está um pouco acima das demais é a arrastadíssima e surpreendente "Gehenna". Por outro lado, apenas cito que, quando eles inventam de fazer um som mais moderno, principalmente em "Psychosocial" e a baladinha "Snuff", a banda fica muito comum, e aí não dá de gostar, assim como um vocal que outro aqui, e uns eletrônicos mal encaixados por ali me fizeram ter alguns segundos de desprezo, mas nada de mais. Bom disco, não para os dez melhores de 2008, mas talvez seja o melhor álbum do grupo entre os quatro que entraram até agora.
Rodrigo: O Slipknot para ser ruim precisa melhorar bastante.
Ulisses: A balada emo "Snuff" é, claro, completamente descartável (embora, se bem me lembro, seja o single de maior vendagem da banda), mas o restante de All Hope Is Gone tem um direcionamento similar ao do álbum antecessor, explorando melodias, influências de thrash metal e abrindo um pouco mais de espaço para solos de guitarra. Apesar de ser o disco que menos curto do grupo, ele tem várias ótimas e pesadas faixas, com destaque para a matadora tríade de abertura: "Gematria (The Killing Name)", "Sulfur" e "Psychosocial".

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Guns N' Roses - Chinese Democracy (28 pontos)
Alissön: Nem vale a pena comentar.
André: Quinze longos anos para lançarem isto. Preciso acrescentar algo mais?
Bernardo: Apesar de gostar de outros discos do Guns, sempre achei Chinese Democracy um álbum mais marketing do que música. Enrolou pra cacete pra lançar, prometeu mundos e fundos, pôs tudo na conta do "perfeccionismo"... Para no final ser um álbum medíocre, que soa quase paródico quando tenta ser "moderno", hiperproduzido até o limite do artificial e cheio de composições fraquíssimas. Um pálido fantasma que tenta de todo o jeito recuperar a grandeza que teve por quatro anos, entre 1987-91.
Christiano: O famoso disco que demorou mais de 20 anos para ficar pronto. Fruto da carreira solo de Axl Rose vendida com o rótulo de sua antiga banda, Chinese Democracy tentou ser moderno ao incorporar alguns elementos de nu metal, tentou ser meio industrial e hard rock, mas, infelizmente, só conseguiu mostrar quão lunático é seu idealizador, um megalomaníaco de voz irritante e ego gigantesco. Um vexame.
Davi: O tão aguardado e tão odiado álbum de Axl Rose. Não considero este disco uma obra prima, mas também não acho o álbum abominável como gostam de pintar por aí. Considero-o um bom trabalho. Muitos torcem o nariz por conta dos elementos eletrônicos inseridos no disco. Não tenho nenhum problema com isso quando é bem feito, como é o caso aqui. O álbum possui alguns ótimos momentos como “Chinese Democracy”, “Better” (excelente faixa, por sinal), “There Was a Time”, “I.R.S.”, “Madagascar” e “This I Love”. Há, sim, alguns fillers, mas nada que seja abominável. Se você não estiver esperando um Appetite Part 2 ou um Illusion III, pode ser que você se divirta.
Diogo: Creio que nunca, jamais houve um disco tão criticado por pessoas que sequer se deram ao trabalho de ouvi-lo. É verdade que a espera foi longa e isso gerou um clima de impaciência é até mesmo de irritação entre aqueles que tinham um mínimo interesse no grupo, mas isso não chega a justificar toda a má vontade com que Chinese Democracy foi recebido. Eu, que vivia uma época com acesso bem limitado à internet, não dei muita bola para músicas vazadas e todas as especulações que cercavam o lançamento e seu acúmulo de atrasos. Recebi Chinese Democracy como quem recebe um álbum normal de uma banda da qual gosto muito, escutei-o com atenção e fui cativado por sua personalidade e por algumas ótimas composições. Misturadas a elas estavam algumas bem mais fracas, mas isso não é o normal na maioria dos discos, inclusive nos melhores? Para manifestar minhas impressões, escrevi, há mais de cinco anos, uma edição da seção "Discos que Parece que Só Eu Gosto" abordando esta obra e indiquei os motivos pelos quais Chinese Democracy é digno de elogios. Quem quiser saber mais detalhes a respeito, pode clicar no link e conhecê-los. Por aqui, digo que as qualidades superam, de longe, os defeitos que o álbum tem. Se por um lado há canções pouco memoráveis, como "Scraped" e "I.R.S.", além de uma ou outra mais chatinha, caso de "If the World", por outro há faixas como "Better", "Street of Dreams" e aquela que dá título ao álbum, músicas que me cativaram desde a primeira audição. A trinca final ("Madagascar", "This I Love" e "Prostitute"), é ainda melhor, com destaque para a interpretação de Axl em "This I Love". Muito se apontou influências negativas relacionadas ao industrial e ao nu metal, supostamente presentes especialmente em "Shackler's Revenge", mas, pra mim, isso é algo bastante superestimado. Inclusive, músicas como essa, que atestam o fato de que a intenção não era repetir o passado (como a banda nunca fez), fazem com que meu respeito pela obra só aumente. Já me estendi demais, mas não posso deixar de citar: "There Was a Time" não é apenas a melhor canção do álbum, é uma das melhores em toda a carreira da banda. Estivesse em Use Your Illusion II (1991), seguiria sendo um dos grandes destaques ao lado de "Estranged", "Civil War" e "You Could Be Mine". Além do uso magnífico das orquestrações e de outros recursos que só percebemos ao longo de repetidas audições, os solos de guitarra feitos por Robin Finck e Buckethead são embasbacantes, certamente entre meus favoritos.
Fernando: Acredito que muita gente vai descer o cacete nesse disco injustamente e por puro preconceito, ao meu ver. Não chega aos pés do Appetite for Destruction (1987), não é tão bom quanto os dois Use Your Illusion (1991), mas é um disco bastante correto. Faixas mais fracas junto de faixas muito boas, como qualquer outro desta lista. O fato dele ter demorado anos e anos para ficar pronto pode afetar a opinião das pessoas, já que a expectativa atrapalha nesse caso.
Flavio: Um disco controverso, previsto para sair desde 2000 (ou até antes), Chinese Democracy cansou os fãs pela espera até a exaustão, finalmente sendo lançado em 2008. Em um álbum que pouco tem do Guns N' Roses original lá de 1987, o que é quase compreensível após tantos anos de ausência, há momentos bons e outros não tanto. Axl tentou modernizar o som, trazendo elementos de nu metal e eletronic rock, para o hard rock mais tradicional consagrado anteriormente e também verifica-se a presença de muitas baladas. Outro aspecto interessante é ver que a voz de Axl deu uma boa mudada, e há momentos em que o vocal originalmente ríspido fica suave, resultado da operação nas cordas vocais, fazendo a voz de Axl ficar mais "lisa". Avaliando as músicas e deixando de lado a comparação com o Guns original dá para destacar as boas "Better", a faixa-título, a baladinha "Madagascar" e "Scraped" (menos o início). Em compensação, há momentos bem ruins, como "If the World", "Riad N' the Bedouins", a insonsa Prostitute e o início de "Scraped". Apesar de "uns dez" ótimos guitarristas terem participado da bolacha, sinto falta de Slash trazendo o som para um estilo mais clássico. Enfim, há bons momentos que justificam o disco na lista, mas (para aqueles que ainda não ouviram) não esperem nada extraordinário.
João Renato: Não foi a tragédia que se anunciava, mas é difícil escutar de cabo a rabo sem dar umas trinta bocejadas. De qualquer modo, merece algum crédito por ter fugido do caminho seguro.
Mairon: O disco mais esperado de todos os tempos, um dos álbuns mais odiados de todos os tempos, e, para mostrar como esta série é sempre surpreendente, taí ele entre os dez melhores. Acho que houve muita injustiça com Chinese Democracy. Os fãs esperavam um Appetite for Destruction? Com certeza não. Um Use Your Illusion? Talvez. Mas o fato é que Axl Rose demorou tanto tempo para fazer este disco porque nem ele tinha noção do que seguir. O resultado é um álbum muito bom, que trouxe como destaque a participação mais do que fundamental de Buckethead, um guitarrista virtuoso que conseguiu superar sem muito problema a ausência de Slash. O disco tem canções esquecíveis, sim, como muitos têm ("Scraped" certamente é a pior faixa do Guns N' Roses e "I.R.S." é totalmente desnecessária), mas tem várias faixas boas e marcantes para quem presenciou o retorno da banda nos anos 2000, como "Sorry", "Madagascar" – com breve citação à introdução de "Civil War" – e a própria faixa-título, que já vinham sendo apresentadas há algum tempo (lembro de ouvir as duas últimas pela primeira vez no show do Rock in Rio de 2001!). Claro que a modernice eletrônica de "Shackler's Revenge" e "If the World" podem assustar quem é acostumado com "Welcome to the Jungle" e afins, mas mesmo essa parte mais moderna – que chegaram a comparar com Limp Bizkit e bandas do gênero – não é de toda ruim, principalmente em "Better", que logo virou presença marcante nos shows. Canções que passaram despercebidas na época do lançamento, muito mais por arrogância dos ouvidos do que por suas qualidades, hoje ganham status de preferidas dos fãs. Nisso se encaixam "There Was a Time", faixa pesada e bem trabalhada, com inserções de cordas e que facilmente poderia estar em Use Your Illusion II, contando com um belíssimo solo de guitarra de Robin Finck, a violenta "Riad N' the Bedouins", com uma agressiva bateria tomando conta das caixas de som, e "Prostitute", cujas cordas deram uma cara diferenciada para uma faixa do Guns. Além disso, temos a linda "Street of Dreams", uma irmãzinha mais faceira de "Breakdown", com Axl se sobressaindo ao piano, presente também na linda "This I Love", uma canção que quanto mais ouço, mais aprecio. Quem curte as megalomanias do início dos anos 1990, certamente saberá apreciar "Catcher in the Rye". Se o disco fosse um pouco mais curto, seria muito mais aplaudido, sem dúvidas, mas do jeito que foi lançado, com certeza é um dos melhores de 2008.
Rodrigo: Este álbum é um porre
Ulisses: Produzir um disco por mais de uma década não o fará melhor. Menos ainda quando isso de G'N'R não tinha nada; era apenas a banda solo do Axl mesmo. Mas, sendo justo, apesar de Chinese não chegar nem perto da qualidade dos clássicos da banda, ele tem seus momentos. A voz de Axl continua bastante competente e as guitarras são cativantes, ainda que as composições sejam ora esquisitas (tipo a moderninha "Shackler's Revenge"), ora descartáveis (tipo todas as baladas), tendo poucos momentos de qualidade inadulterada, como "Better", "If the World" e "Scraped". Mas é aquela coisa: por mais que a gente tente salvar, este é o tipo de disco que, penso, só entrou mesmo por causa do nome estampado na capa.

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Bigelf - Cheat the Gallows (27 pontos)**
Alissön: Entre um arremedo mal gravado de sons setentistas e o original, prefiro ir ouvir outra coisa, pois nem do prog sinfônico setentista eu sou fã. Passo.
André: Mais uma banda prog, desta vez com uma influência maior ainda da década setentista que o Beardfish. Outra característica notável é que tenho certeza que Damon Fox é fã de Jon Lord. A forma como ele toca o hammond lembra muito a do velho tecladista purpleano. A banda me parece uma fusão entre o experimentalismo de Bowie, o peso do Sabbath e do Purple e as viagens progressivas e psicodélicas do Pink Floyd e do Yes. E como essa mistureba toda saiu um disco bom. Faixas como "Blackball", "Hydra" e "Demon Queen of Spiders" são fascinantes.
Bernardo: Uma banda que pegou o melhor do rock dos anos 1960-70: é progressivo, é pesado, é acessível e é dramático/teatral. É bem divertido de ouvir – de momento em momento parece que estamos ouvindo uma versão menos brilhante de Black Sabbath, Deep Purple, Genesis ou Yes. Não que estejamos frente a frente com plagiadores descarados – os medalhões estão mais no campo da inspiração, e a banda tem bastante identidade, e pode surpreender bastante um desavisado.
Christiano: Em minha opinião, o melhor disco do Bigelf, exemplo de grande banda que nunca recebeu o devido reconhecimento. A abertura com “Gravest Show on Earth” dá uma ideia de todo o potencial dos caras: hard rock setentista, psicodelia, progressivo, órgão hammond e ótimos vocais. A união perfeita entre peso, melodia e loucura. “Money, It’s Pure Evil” é uma semibalada com refrão pegajoso que chega a lembrar alguma coisa entre Beatles e Deep Purple. “Counting Sheep” fecha o disco em grande estilo, com 11 minutos de musicalidade invejável e muitas variações. O melhor disco desta edição.
Davi: Tomei conhecimento dessa banda recentemente, por conta das indicações de uma edição da seção "Consultoria Recomenda". Confesso que fiquei bastante impressionado com o EP. Este álbum já me emocionou bem menos, mas ainda assim é um trabalho bacana. Os caras criaram um som super interessante mesclando hard rock, progressivo, psicodelia com um quê beatle. A influencia dos anos  1970 corre solta durante todo o play. Vou buscar ouvir mais algumas coisas desses caras...
Diogo: Empatado em todos os critérios possíveis com Nostradamus (Judas Priest), Cheat the Gallows foi escolhido pela maioria dos colaboradores, inclusive por mim, para ocupar o décimo lugar. Não que eu morra de amores por este álbum, até porque só fui ouvir a banda bem recentemente, é que Nostradamus é fraco mesmo, pedante em excesso. Na verdade, gostei mais do EP Closer to Doom (1996), indicado na mais recente edição da seção "Consultoria Recomenda", do que de Cheat the Gallows, que pende mais para o lado "cheesy" do rock progressivo, vide as características quase circenses de canções como "Gravest Show on Earth", "Blackball" e "Money, It's Pure Evil". Não são músicas ruins, mas também não são bem o que eu espero de uma banda assim. O Uriah Heep, por exemplo, que parece ser uma fortíssima inspiração para o grupo, soa como algo a ser levado bem mais a sério, mesmo em sua fase mais "mística". Quando a banda pisa no acelerador com mais força, como em "The Evils of Rock & Roll" e "Hydra" é que as coisas ficam bem mais interessantes. Gostaria de ouvir o vocal de Damon Fox com menos dobras e efeitos, pois parece que o cara não confia tanto em seu taco, por isso lança mão desses recursos o tempo todo.
Fernando: Já falamos do Bigelf há algumas semanas quando foi apresentado um EP do grupo. Cheat the Gallows tem músicas melhores que as do referido Closer to Doom, mas a diferença entre as primeiras músicas com as da metade para a frente são enormes e chega a cansar um pouco. O Bigelf é uma banda legal, com muitas músicas boas, mas que cansam um pouco depois de um tempo.
Flavio: Mais uma presença interessante, o Bigelf resgata o glam rock horror show e o rock progressivo dos anos 1970, com muita propriedade, em pleno 2008. Um pouco menos "straight" rock e aproximação ao clássico progressivo, em que as músicas trazem muito bom gosto, com ênfase na proposta temática e sem no entanto destaque ou abuso das "instrumentalidades". Vamos encontrar muitas referências na bolacha toda (Uriah Heep, Beatles, Pink Floyd, Alice Cooper, etc.) e realmente não tem nada de realmente novo por aqui.  Deixo claro que tal falta de novidade não diminui em nada a minha apreciação pelo álbum, com músicas de fácil digestão, bem produzidas e tocadas, e já há um clássico single: "Money, It's Pure Evil" ("...Money! It's pure evil! It changes, well it changes people! Yeah! Money, it's your best friend! Until it leads you, to bitter end..."), que talvez fosse consagrada como um grande hit nos anos 1970. Destaques: "Blackball", "The Game", "Money, It's Pure Evil", "The Gravest Show on Earth" e a mais progressiva "Counting Sheep".
João Renato: Rola um apito estilo mestre de bateria de escola de samba no começo da primeira faixa que ficou muito legal! O Bigelf é uma banda que merece atenção. Criativos, sabem juntar temas díspares e criar uma nova tensão a partir deles. Não é a melhor coisa do mundo, porém, tem valor inegável. Mas o disco que mais curto ainda é o primeiro, Money Machine (2000).
Mairon: Cheat the Gallows é o terceiro álbum dos netos do Black Sabbath, e com essa definição, você já sabe que ouvirá influências sabbáthicas comendo soltas. Mas aqui eles foram além, colocando os teclados na frente e criando tonalidades diferenciadas do Sabbath, que, apesar de se fazerem presentes, não são tão explícitas e predominantes assim. Com isso, o grupo acaba trazendo inspirações orientais em "Gravest Show on Earth" (e com uma já esperada inserção circense), adaptando-se aos anos 1990 em "Superstar" e criando um estilo próprio em "Hydra" – belo riff para pular da cadeira – e "Blackball", essa com uma surpreendente participação de um saxofone. Gostei do encerramento com os teclados em "The Evils of Rock & Roll", do piano e das cordas em "Race With Time", cordas essas presentes na modernosa "The Game", que me lembrou um pouco das músicas de Steven Wilson, mas não apreciei as vozes cheias de efeitos em "No Parachute" e, principalmente, "Money, It's Pure Evil", ambas baladas desnecessárias no conjunto de Cheat the Gallows. As cordas também são o destaque positivo na longa e pomposa "Counting Sheep", epopeia criada pelo líder da banda, Damon Fox, e que encerra um disco interessante, muito megalomaníaco, e, honestamente, inflado demais pelo próprio ego. Parodiando Chaves: "Preferia ter visto o disco do Judas" ...
Rodrigo: O meu conhecimento dessa banda se resume à vez em que os assisti abrindo um show do Dream Theater, em 2010. Confesso que não me causou espécie na hora, impressão essa que confirmei novamente quando parei para ouvir o álbum que entrou nesta lista.
Ulisses: Na disputa pelo décimo lugar (Cheat the Gallows vs. Nostradamus), escolhi votar no Bigelf. Nem conheço a banda; prefiro muito mais os ingleses metaleiros, mas realmente não aprecio muito Nostradamus, e aí o som setentista e com uma atmosfera ligeiramente teatral do Bigelf é mais atraente.

* Devido a seu novo compromisso como pai de gêmeos, o colega Leonardo Castro não conseguiu enviar seus comentários a tempo. Ficam registrados aqui nossos desejos de saúde e felicidade.
** Cheat the Gallows (Bigelf) ficou empatado com Nostradamus (Judas Priest), ambos com 27 pontos. Como não foi possível aplicar nenhum critério de desempate, a decisão a respeito do décimo colocado foi tomada através de uma enquete na qual participaram todos os colaboradores da série.

Listas individuais
Alissön Caetano Neves
  1. Earth – The Bees Made Honey in the Lion’s Skull11-the-bees-made-honey-in-the-lions-skull
  2. Have a Nice Life – Deathcontiousness
  3. Dead Congregation – Graves of the Archangels
  4. Fleet Foxes – Fleet Foxes
  5. ROME – Masse Mensch Material
  6. Russian Circles – Station
  7. Portishead – Third
  8. Septicflesh – Communion
  9. Vampire Weekend – Vampire Weekend
  10. Bongripper – Hate Ashbury
André Kaminski
  1. Six Minute Century – Time Capsules12-time-capsules
  2. Oomph! – Monster
  3. Alice Cooper – Along Came a Spider
  4. Blood Ceremony – Blood Ceremony
  5. Thanatoschizo – Zoom Code
  6. Elmodic – Monoism
  7. Uriah Heep – Wake the Sleeper
  8. Jackson Conti – Sujinho
  9. Danava – UnonoU
  10. Sex Machineguns – Cameron
Bernardo Brum
  1. Portishead – Third13-808-and-heartbreak
  2. Kanye West – 808 and Heartbreak
  3. Nick Cave and the Bad Seeds – Dig, Lazarus!!! Dig!!!
  4. Sigur Ros – Med Sum I Eyrum Vid Spilum Enderlast
  5. The Raconteurs – Consolers of the Lonely
  6. TV on the Radio – Dear Science
  7. David Byrne and Brian Eno – Everything that Happens Will Happen Today
  8. Madonna – Hard Candy
  9. Adele – 19
  10. The Killers – Day and Age
Christiano Almeida
  1. Júpiter Maçã – Uma Tarde na Fruteira14-uma-tarde-na-fruteira
  2. Goldfrapp – Seventh Tree
  3. Bigelf – Cheat the Gallows
  4. Madrugada – Madrugada
  5. Combination Head – Progress?
  6. Extreme – Saudades de Rock
  7. The Last Shadow Puppets – The Age of the Understatement
  8. The Raconteurs – Consolers of the Lonely
  9. Elbow – The Seldom Seen Kid
  10. Beardfish – Sleeping in Traffic: Part Two
Davi Pascale
  1. Whitesnake – Good to Be Bad15-revelation
  2. Journey – Revelation
  3. Kings of Leon – Only By the Night
  4. Metallica – Death Magnetic
  5. Mötley Crüe – Saints of Los Angeles
  6. Slipknot – All Hope Is Gone
  7. Fireman – Electric Arguments
  8. Queen + Paul Rodgers – The Cosmos Rocks
  9. The Black Crowes – Warpaint
  10. Sarah Brightman – Symphony
Diogo Bizotto
  1. Testament – The Formation of Damnation16-the-circus
  2. Slipknot – All Hope Is Gone
  3. Take That – The Circus
  4. Guns N’ Roses – Chinese Democracy
  5. Metallica – Death Magnetic
  6. Cynic – Traced in Air
  7. Whitesnake – Good to Be Bad
  8. Journey – Revelation
  9. Kip Winger – From the Moon to the Sun
  10. Krisiun – Southern Storm
Fernando Bueno
  1. In Solitude – In Solitude17-in-solitude
  2. Steve Winwood – Nine Lives
  3. Testament – The Formation of Damnation
  4. Bigelf – Cheat the Gallows
  5. Metallica – Death Magnetic
  6. Mötley Crüe – Saints of Los Angeles
  7. Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die
  8. Il Bacio della Medusa – Discesa Agl’inferi d’un Giovane Amante
  9. Beardfish – Sleeping in Traffic: Part Two
  10. Birds & Buildings – Bantam to Behemoth
Flavio Pontes
  1. Whitesnake – Good to Be Bad18-lonely-are-the-brave
  2. Metallica – Death Magnetic
  3. Jorn – Lonely Are the Brave
  4. The Black Crowes – Warpaint
  5. Guns N’ Roses – Chinese Democracy
  6. Extreme – Saudades de Rock
  7. AC/DC – Black Ice
  8. Steve Lukather – Ever Changing Times
  9. Adele – 19
  10. Oficina G3 – Depois da Guerra
João Renato Alves
  1. Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die19-marcello-vestry
  2. Testament – The Formation of Damnation
  3. Marcello/Vestry – Marcello/Vestry
  4. Blindman – Subconscious in Xperience
  5. Cavalera Conspiracy – Inflikted
  6. Whitesnake – Good to Be Bad
  7. Metallica – Death Magnetic
  8. Southern Gentleman – Valley of Fire
  9. AC/DC – Black Ice
  10. King Bird – Sunshine
Leonardo Castro
  1. Amon Amarth – Twilight of the Thunder God20-twilight-of-the-thunder-god
  2. Mötley Crüe – Saints of Los Angeles
  3. Testament – The Formation of Damnation
  4. Avantasia – The Scarecrow
  5. Trivium – Shogun
  6. Warbringer – War Without End
  7. Death Angel – Killing Season
  8. Grand Magus – Iron Will
  9. Cradle of Filth – Godspeed on the Devil’s Thunder
  10. Airbourne – Running Wild
Mairon Machado
  1. Beardfish – Sleeping in Traffic: Part Two21-o-casulo
  2. Van Züllat – O Casulo
  3. Judas Priest – Nostradamus
  4. El Efecto – Cidade das Almas Adormecidas
  5. Il Bacio della Medusa – Discesa Agl’inferi d’un Giovane Amante
  6. R.E.M. – Accelerate
  7. Guns N’ Roses – Chinese Democracy
  8. Metallica – Death Magnetic
  9. Uriah Heep – Wake the Sleeper
  10. Whitesnake – Good to Be Bad
Rodrigo Gonçalves
  1. Whitesnake – Good to Be Bad22-global-warning
  2. Metallica – Death Magnetic
  3. Jon Oliva’s Pain – Global Warning
  4. Judas Priest – Nostradamus
  5. Krisiun – Southern Storm
  6. Motörhead – Motorizer
  7. Testament – The Formation of Damnation
  8. Alice Cooper – Along Came a Spider
  9. Cynic – Traced in Air
  10. Glenn Hughes – First Underground Nuclear Kitchen
Ulisses Macedo
  1. Perfume – Game23-game
  2. Disturbed – Indestructible
  3. Benedictum – Seasons of Tragedy
  4. Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die
  5. Virgin Black – Requiem – Fortissimo
  6. Haggard – Tales of Ithiria
  7. Capsule – More! More! More!
  8. Almah – Fragile Equality
  9. Slipknot – All Hope Is Gone
  10. Tygers of Pan Tang – Animal Instinct
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