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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Melhores de 2017

Ouvi quase uma centena de lançamentos este ano, alguns horríveis, outros excelentes. Foi difícil compilar apenas 10 aqui para vocês leitores, mas enfim, aí vão aqueles que julgo serem os dez melhores discos de 2017 (e uma menção honrosa). Sendo que desta feita, não irei trazer questões como pontos positivos ou negativos, me focando apenas nos álbuns.

Black Country Communion - BCCIV

Confesso que eu achava que o BCC não ia mais se reunir. Depois das pequenas brigas internas, da dissolução do California Breed e de Glenn Hughes fortalecendo sua carreira solo, eu esperaria que cada membro da banda seguisse seu destino, e pronto. Mas os caras surpreenderam todo mundo, e lançaram mais um álbum magistral. Peso em "Sway", com ótima participação dos teclados de Derek Sherinian, velocidade em "Awake", hard pegado em "The Crow", com um belo solo de baixo e órgão, tudo soando encaixado e perfeito. Há algumas canções surpreendentes, como a soturna "The Cove" e a leve "Over My Head", bem como a longa "Wanderlust", que ganharam um ar "pop" por conta dos teclados, mas nada que as torne ruins. Hughes rasgando a voz em "Collide", Joe Bonamassa fazendo estripulias com a guitarra na ótima "The Last Song for My Resting Place", a qual também emociona com sua voz e o violão, e Jason Bonham cada vez mais aperfeiçoando-se na batida que está impregnada em seu DNA. Falando em Led, quem que não imagina "The Wanton Song" quando começa "Love Remains"? Claro que a música não tem nada a ver com o clássico Zeppeliano, mas o riff é muito parecido. E que combinação arrepiante é a voz de Hughes com o piano e o violão em "When the Morning Comes"! A versão em vinil ainda conta com outra bela canção, "With You I Go", um bom presente aos fãs. Uma união de monstros da música, e que merece a primeira posição com méritos. Hughes está vindo ao Brasil para desfilar os clássicos do Purple em várias cidades, mas como seria bom vê-lo em ação com a BCC. Tomara que um dia venham aqui, e que continuem relevando as brigas para criar obras atemporais como BCCIV.


Rikard Sjöblom's Gungfly - On Her Journey To The Sun

O final do Beardfish causou algumas feridas que pareciam incuráveis para os fãs dos suecos. Porém, o líder da Banda, Rikard Sjöblom, agregou-se ao Big Big Train e manteve seu trabalho junto ao Gungfly. E é com este último que o espírito do Beardfish sobrevive. Apesar de não ser um disco totalmente conceitual, algo tradicional na sua antiga banda, isso é a única coisa que um xiita pode reclamar no que ficou registrado em On Her Journey to the Sun. Afinal, tudo o mais é sensacional. Rikard trouxe sua marca mais uma vez, evidenciando influências de diversos gigantes progressivos, como Focus ("Keith (The Son of Sun)"), Genesis ("Of the Orb"), Gentle Giant ("If You Fall Part I"), Yes ("My Hero" e "Old Demons Die Hard") e Renaissance ("Over My Eyes"). Além disso, há uma modernização no som que o gordinho faz, principalmente na faixa-título, e uma mostra muito grande do talento individual de Rikar, seja nos teclados, seja na guitarra, no baixo ou até mesmo no acordeão. Destaques para a viajante suíte “The River of Sadness”, a linda "He Held an Axe", com uma melodia emocionante, e a fenomenal "Polymixia", uma jornada instrumental de insaciáveis doze minutos, repletos de variações, para colocar On Her Journey to the Sun no pódio da minha lista. Essencial para quem curte um prog rock atual, e o comentei um pouco mais sobre ele aqui.


Styx - The Mission
Depois de 14 anos sem lançar material inédito, o grupo Styx resolveu sacudir a poeira, e motivou seus fãs a criarem enorme expectativa quanto ao seu primeiro disco de estúdio dessa década. Diversas postagens e entrevistas diziam que The Mission seria um álbum conceitual, e como a banda sempre foi especialista em fazer álbuns conceituais (vide Paradise Theater, Kilroy Was Here e The Grand Illusion, por exemplo), era inegável que o que viria em 2017 só podia ser de alta qualidade. E assim o é. O melhor de tudo nesse álbum é que parece que voltamos aos aos 70, e estamos ouvindo o Styx em sua melhor fase. Logo de cara, após a vinheta "Overture" (há mais duas vinhetas em The Mission, as quais são "Ten Thousand Ways" e "All Systems Stable"), somos levados pelo rockzão de "Gone Gone Gone". Quer balada típica do Styx, então segura a emocionante "Locomotive" ou a estonteante "The Greater Good", onde a voz de Lawrence Gowan, em duelo com Tommy Shaw, lembra muito a de Dennis DeYoung. Gowan, que aliás, dá um espetáculo solo ao piano em "Khedive", linda faixa para relembrar peças como "Clair de Lune". Junto com isso, tudo aquilo que caracterizou a banda, sejam grandes vocalizações, excelentes arranjos, produções fenomenais, estão presentes em The Mission. Algumas faixas soam imponentes, tais como em "Hundred Million Miles from Home", "Time May Bend", "The Outpost" e a épica "Red Storm", forte candidata a melhor do disco (só o dedilhado de violão dessa música já vale umas 4 posições na lista de melhres). Outras soam como o velho Styx em ação, na voz debochada de James Young em "Trouble at the Big Show", nas vocalizações de "Mission to Mars" ou quando o hammond é a força propulsora de "Radio Silence". Forte candidato a melhor disco da banda desde o seu retorno, e fácil um Top 3 de 2017.


Roger Waters - Is this the Life We Really Want?



Um disco que foi muito ouvido por mim esse ano é este Is this the Life We Really Want?, de Roger Waters. Para quem é fã de Pink Floyd, é uma nostalgia revisitada de várias fases da banda, sem soar como um caça-níqueis. É muito difícil não se envolver sentimentalmente com faixas como "Broken Bones", "Déjà Vu", “The Last Refugee”, “The Most Beautiful Girl” e "Wait for Her", para quem aprecia a fase The Final Cut/Pros and Cons of Hitch-hiking, ou a faixa-título, "Bird in a Gale”, "Smell the Roses" e “Picture That” para quem é mais do período Wish You Were Here/Animals. Letras poderosas, melodias envolventes, canções marcantes e a certeza de que Waters ainda é capaz de criar música de alta qualidade. Waters está vindo ao Brasil em 2018, já estou com o ingresso comprado, e a certeza de que será mais um espetáculo inesquecível para todos aqueles que sabem apreciar sua obra. Outro álbum que também fiz questão de comentar mais para vocês, aqui.



U2 - Songs of the Experience

Ansiedade predominava pelo novo lançamento do U2. Sempre é uma surpresa o que os irlandeses fazem, e não foi diferente dessa feita. Songs of the Experience é mais um disco que deverá ser absorvido aos poucos. As canções tem muitos elementos de experimentação, como os eletrônicos de "Get Out of Your Own Way", e os teclados/pianos em "Love Is All We Have Left", "Love Is Bigger Than Anything in Its Way" e "The Little Things That Give You Away". Claro, também há aquelas faixas para os fãs cantarem o refrão em plenos pulmões, "Red Flag Day", "You're the Best Thing About Me", e aquelas que soam descoladas das demais, mas que as audições subsequentes fazem da mesma uma boa canção, no caso "Landlady" e "Summer of Love" Me trouxe lembranças da tríade Achtung Baby - Zooropa - Pop, com elementos de No Line on the Horizon, mas no fim das contas, é o U2 criando outro álbum fundamental e digno de sua discografia. Alguns falam que o U2 virou cópia de si mesmo, que virou inferior as bandas que ele influenciou, mas é tudo balela. "Lights of Home" ganha disparada a posição de melhor música do disco, seguida por "The Blackout", "13 (There is a Light)" e a dançante "American Soul", a qual poderia facilmente ter estado nos discos da tríade que citei acima. E que coisa bem bonitinha é essa "The Showman (Little More Better)", cada vez ganhando mais pontos comigo. O U2 continua tão importante quanto o foi nos anos 80, 90 e 2000, e se adaptando ao mercado sempre de forma positiva para quem está com os ouvidos abertos ao que Bono e cia. é capaz de criar. Fizemos um Test Drive com o disco aqui, e mesmo que o pessoal tenha malhado, não vá pensando que eles tem razão.


Black Pussy - Power




Quando ouvi esse disco pela primeira vez, logo de cara percebi que ele estaria na minha lista de melhores de 2017. Foi um dos álbuns que mais ouvi esse ano, muito em virtude de um som psicodélico altamente alucinógeno, pegado, com grudentas frases de guitarra e vocais, mas também com suas várias fontes de inspirações no hard setentista. As faixas te deixam em êxtase, com vontade de sair pulando pela casa e curtindo o rock 'n' roll de primeira que sai das caixas de som, em especial "Girlfriend", "Full Tilt Boogie", "Parasols", "Take You There", e o petardo "Home Sweet Home", uma sonzeira que sintetiza a psicodelia e o hard com perfeição. Ainda por cima, entrevistei Dustin Hill, o líder dos americanos, em uma entrevista muito legal. Quer mais?





Tuber - Out Of The Blue
Quando ouvi o disco Out of the Blue, jurei que estava sendo captado por algum prédio de festas de Manchester. O som post-punk é muito forte, só que com o passar da primeira música, você percebe que ali há uma novidade, e que os "ingleses" na verdade é um quarteto grego, que está em ação desde 2010. Os caras misturam eletrônicos e peso sem piedade, e isso é o principal no Tuber, como atestam "Cat Class" e "Moon Rabbit", faixas que vão deixar-te encucado com o que está sendo criado ali. Esse é o segundo álbum do grupo, perfeito para quem aprecia grupos como Smiths ou Joy Division, mas com um detalhe, tudo instrumental, e com fortes pitadas de Stoner. Curti muito ouvir Out of the Blue, principalmente " Luckily Dead", "Noman", "Russian" e a faixa-título. Para ser surpreendido, e conquistar o Top 10 da minha lista.


Supersoul - Faith Bender
Ouvi o Supersoul na finaleira do ano, bem daquelas do sem queres. Estava ocupado no trabalho, e não tinha percebido que tinha deixado o youtube selecionado no modo reprodução automática. Depois de curtir uma das minhas bandas preferidas de 2015 (Naxatras), entrou um riffzão setentista, uma voz carregada de efeitos e uma sonzeira animalesca. Meus ouvidos começaram a vibrar na frequência daquele som, e tive que parar o que estava fazendo para conferir o que era. Supersoul é outro power trio da Grécia, e nesse seu álbum de estreia, entrega aos fãs um som sujo, pesado, e repleto de energia. São 14 faixas, que fazem você sair de uma pancada violenta ("Faith Bender", "Freedom Prayer", "Mind Me When I'm Gone" e "The Manipulator") para faixas dançantes ("Gold") e até blues ballad hardona ("Came Back To Moscow"). "Blackhorse", "Jacob Williams" e "The Torment" soam modernas, mezzo White Stripes, mas ao mesmo tempo tem aquela veia de antiguidade, que agrada fácil. Como resistir as vocalizações do refrão de "Sea Of Tears"? Ainda temos espaço para a experimentação de "Carve My Stone", o blues elétrico "Wrong Side Of Suicide", a delicadeza de "Divine", enfim. Ótimo disco, e vida longa para o Supersoul. Ah, não engane-se com a capa, o álbum não é nada careta.


Electric Octopus - Driving Under The Influence Of Jams
Ano passado, o Electric Octopus entrou na minha lista de Melhores de 2016 com um álbum de uma hora e dez minutos, tendo apenas três canções. Pois em 2017, eles conseguiram fazer algo ainda melhor, mais delirante, e confesso, para poucos. Afinal, os caras vieram com uma fome do cão, e deixaram-se viajar por suas inspirações mais diversas para criar um álbum de 3 horas e 54 minutos somente de improvisos longos, viajantes, ácidos, chapantes, tudo o que você precisa para ficar naquele "barato" sem usar nenhum alucinógeno além da música. São nove faixas onde baixo e bateria (e camadas de teclados) criam a base para a guitarra de Tyrell Black ressonar maravilhosamente nas caixas de som. É voltar ao tempo dos longos improvisos de nomes como Grateful Dead, Allman Brothers, Canned Heat, e por aí vai. Um dos grandes momentos, para os mais chegados, é quando a base de "Walk on the Wild Side" (Lou Reed) surge para guiar as explorações de guitarra em "New Jam #2". Obviamente que um álbum dessa duração não é comum, e o mesmo foi lançado somente para download, mas olha, você não irá desperdiçar quatro horas ouvindo esse petardo. Pelo contrário, vai ver como ainda há músicos capazes de, com muita inspiração, usufruir de uma boa e bela jam. Aproveito também para indicar os outros três discos lançado pelo trio esse ano, Chaotic Wavemaker, Iliudi e Smokyhead, ambos igualmente acachapantes.



Universal Hippies - Dead Hippie's Revolution



Terceira banda grega, e essa segue os moldes clássicos do Stoner. Canções instrumentais, arrastadas, com solos de guitarra chapantes e muita viagem lisérgica. O que chama a atenção, além da mentalidade Stoner, é a influência hard rock, explícita nos riffs de guitarra e nos solos talhados a martelo para satisfazer os ouvintes. Procurem as faixas "Holy Slave", "Mariner's Dream", "Mountain", ou melhor, procure ouvir todo o álbum. Mais uma bela banda saindo da Terra de Zeus.


Menção honrosa

Robert Plant - Carry Fire


Cada novo lançamento da carreira de Plant mostra como o eterno vocalista do Led Zeppelin se reinventou de tal forma com o passar do tempo e continua capaz de alegrar os ouvidos dos fãs dos britânicos. Ouvi Carry Fire muito recentemente (o disco saiu em outubro) e por isso, não consegui colocá-lo numa posição acima dos demais, apesar de ele ter ficado um tempo nas minhas preferências. Nesse álbum, Plant buscou influências no seu passado hippie, e entregou canções belíssimas, tais como "New World" e o climão oriental da faixa-título. Temos a participação especial de Chrissie Hynde na viagem "Bluebirds Over the Mountain", e o som da The Sensational Space Shifters, que novamente acompanha Plant, com os elementos acústicos sensacionais, sendo o viola de Seth Lakeman e os violões de Justin Adams outras grandes atrações. Para quem curte Led Zeppelin III, "The May Queen" e "Carving Up the World Again... A Wall and Not a Fence" são uma macarronada com molho de calabresa, e "Season's Song" leva o prêmio de melhor canção de Carry Fire lindíssima e viajante através da voz de Plant. Belo disco, que merece ainda mais audições.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Entrevista Exclusiva: Rikard Sjöblom (Big Big Train, Beardfish, ...)




Por Mairon Machado
Colaboração: Diego Camargo
Tive a honra de entrevistar um dos meus grandes ídolos da atualidade. Em parceria com o site Progshine, através do meu amigo Diego Camargo, pude trocar uma ideia com nada mais nada menos que Rikard Sjöblom, eterno líder do Beardfish e atual Big Big Train e Gungfly. Em uma conversa bem humorada e muito humilde, Rikard contou-me sobre estes e outros projetos que está desenvolvendo atualmente, além de passear pela história do Beardfish. Uma alegria inenarrável ter conversado com Rikard. Confira abaixo a entrevista, tanto em português quanto em inglês.

[caption id="attachment_23683" align="aligncenter" width="600"] À frente do Gungfly[/caption]

Entrevista em português
Olá Rikard. Antes de tudo, muito obrigado por conceder essa entrevista para os sites Progshine e Consultoria do Rock. Gostaria de começar falando sobre seus mais recentes projetos com o Gungfly e o Big Big Train. No último dia 20 de março, o álbum On Her Journey To The Sun foi disponibilizado para compra pre-order em seu facebook oficial, sendo o mesmo lançado em 19 de maio. Conte-nos um pouco sobre a ideia do projeto e o processo de gravação do mesmo.
Este não é um álbum conceitual, mas está trazendo temas recorrentes, e o principal é sobre uma mulher que foi deixada para trás quando seu amante fez um último sacrifício e protegeu um grupo de pessoas. Acho que está entre os atos mais corajosos que alguém pode fazer. Algumas vezes, quando alguém morre, ela torna-se quase intocável e você guarda a memória dela em alto nível, quase como um Sol. Então, eu decidi que quando este herói morreu, ele renasceu como um Sol, e daí o título On Her Journey to the Sun. Então, como a mulher aqui tratada é muito relacionada com os fatos que aconteceram com ela, em relação a morte de seu amante, isso faz este título mais uma jornada espiritual, e não física - ela está na sua jornada espiritual para o Sol. Buda foi escolhido como a face do Sol por causa de sua calma, sua expressão sóbria, alguém que está em paz.
Gravei o álbum indo e vindo, por cerca de um ano, mas o pico das sessões ocorreu no outono de 2016.
Trabalhando como poucos, você também tornou-se membro do grupo Big Big Train, a partir de 2014, grupo esse que para mim, ao lado do Beardfish, representa a nata do rock progressivo nesse milênio. Como surgiu o convite para você participar do grupo inglês?
Big Big Train não apresentava-se ao vivo haviam 17 anos, e estavam planejando fazer isso. Então eles estavam procurando por alguém que podia tocar teclados e guitarras, bem como fazer alguns vocais de apoio. Eu estava em turnê com o Beardfish, e o engenheiro de som da turnê era Rob Aubrey, que trabalhava muito próximo ao Big Big Train, e foi ele quem me recomendou. Depois disso, eu recebi um e-mail de Greg Spawton (n. r. guitarrista do Big Big Train) perguntando se eu estava interessado em participar de um projeto - eles estavam indo fazer uma sessão no Real World Studios, para gravar e filmar o processo inteiro e lançar isto como um blu ray - e eu fiquei honrado e disse sim prontamente. As sessões foram ótimas, e após elas, eles me convidaram para ingressar na banda em tempo completo, e eu disse sim.

Quais as principais influências que você conseguiu levar para a banda já para o álbum Folklore (2016)?
Bem, é difícil de falar. Acho que estou trazendo meu próprio estilo de tocar minha forma de compor em partes, é claro. Muitas vezes Greg ou David (Longdon) tem mais ou menos finalizadas as suas partes, mas a maioria das vezes eu adiciono um "toque de Sjöblom" nisto. Então, no último disco, Grimspound, eu co-escrevi "Meadowland" e "A Mead Hall in Winter" junto de Greg Spawton e David Longdon (flautista e vocalista do Big Big Train).
O que você pode nos falar sobre o novo álbum, Grimspound, que foi lançado no final de abril?
Estou realmente feliz com a forma como ocorreu, e fez por ter escritos algumas passagens também. É um álbum muito dinâmico, tanto nas composições como musicalmente.Tanto Grimspound quanto On Her Journey To The Sun serão lançados em vinil. Qual sua opinião sobre o retorno do LP como uma forma de contato entre fãs e bandas?
Eu nunca parei de ouvir vinil. É o meu formato favorito desde que eu era criança, e ainda é. Particularmente, acho que isto sente-se mais como um álbum real quando você tem o LP em mãos, ao invés do CD. Eu gosto do som do vinil também, não diria que é melhor - mas que é, é - mas alguns álbuns beneficiam-se das limitações do formato.
[caption id="attachment_23682" align="aligncenter" width="600"] Rikard (segundo da esquerda para a direita, em pé) com o Big Big Train[/caption]
Aqui no Brasil, o vinil deixou de ser fabricado a partir dos anos 90, voltando a nascer das cinzas em meados da década passada. Lojas de disco tradicionais acabaram fechando, e a opção foi voltar-se para o mercado internacional, em sites como e-bay ou amazon, para buscar vinis. Essa transição vinil/CD também ocorreu na Suécia,  ou o país manteve-se fabricando os dois formatos ao longo dos anos?
Foi o mesmo aqui - mas algumas lojas deixaram de vender CD's e DVD's (e camisetas, canecas, outros mimos), mas não realmente como antes, é claro.
Você também está com um projeto ao lado do monstro baterista Hasse Bruniusson e do guitarrista Roine Stolt, que irá tocar canções do saudoso grupo Samla Mammas Manna. Como surgiu a ideia desse projeto, e o que podemos esperar em termos de shows e lançamentos?
Hasse me ligou e perguntou se eu estava interessado em tocar estas canções ao vivo, em um festival na cidade de Uppsala, ao lado dele, Roine Stolt e o baixista Håkan Almqvist. Isto pareceu ser uma ótima ideia, e como eu ouvi e muito os discos do Samla quando eu era jovem, eu conhecia as canções muito bem na minha cabeça. Isto é ótimo, uma aventura musical e muito divertido de tocar! Nos apresentamos em Gotemburgo há algumas semanas atrás, e foi incrível!
Todos esses projetos envolvem o rock progressivo. Além desse estilo, que outros você costuma ouvir no seu dia a dia?
Eu ouço a maioria dos estilos, muitos deles é relacionado ao prog, mas eu ainda ouço muito de pop/rock ou metal tanto quanto o prog. Sou um grande fã do Pearl Jam e realmente gosto de Chris Cornell. Foi triste ouvir sobre sua morte em maio. Ultimamente eu tenho ouvido muito de Daniel Romano - seus dois últimos disco, Mosey e Modern Pressure, são excelentes!

Falando agora sobre sua carreira no Beardfish, o grupo começou como um quarteto, mas o primeiro disco da banda foi registrado como um quinteto, tendo a presença de Stefan Arosson. Como funcionava o trabalho de divisão dos teclados entre vocês?
Ele tocava todos os teclados ao vivo (principalmente órgão e moog) e eu somente gravei algumas partes das teclas no primeiro álbum. Quando Stefan saiu, pouco depois do primeiro álbum ser lançado, foi quando eu decidi de tocar teclados no Beardfish - nós basicamente não queríamos mais ninguém na banda, e então, eu peguei o papel tanto dos teclados quanto da guitarra. Foi um período muito criativo para nós.
Från en plats du ej kan se... foi todo gravado em sueco, e após ele, demorou três anos para o lançamento de The Sane Day, o qual já veio com letras em inglês. O que ocorreu para essa demora no lançamento dos álbuns, bem como na mudança das letras.
Não mesmo! Antes de tudo, Från En Plats... tem três canções em sueco e quatro em inglês, então, ele foi uma mistura de línguas. E lançamnos The Sane Day em 2005, então foram dois anos, e não três. Hahaha! Fatos pontuados e constatados 😊 A principal razão para levar dois anos para gravar foi que nós tínhamos muito material novo, e não sabíamos onde iríamos gravar. Inicialmente, tentamos gravar em nosso estúdio de ensaios, mas a qualidade do som não era o padrão (muitas dessas gravações podem ser ouvidas em The Early Years – Outtakes and Demos, que foi lançado junto com ComfortZone) mas quando conseguimos o estúdio e a aparelhagem, acho que gravamos a maior parte do álbum em apenas duas semanas - um CD duplo.
Ao mesmo tempo, a partir de The Sane Day, todos os álbuns do Beardfish são conceituais. Quais os motivos que o levaram a escrever histórias tão interessantes, e ainda, como foi “musicalizar” essas histórias?
Principalmente, acredito que são temas claros que surgem quando eu começo a escrever as letras paras as canções, e é fácil cair em um caminho de "ligue os pontos", você sabe? A música sempre esteve lá, então escrever as letras era sempre a parte mais difícil. Eu tinha que esperar uma boa ideia vir - felizmente, uma boa ideia usualmente leva a outra. Eu acho que esta é a principal razão deles serem álbuns temáticos ou conceituais.
Com Sleeping in the Traffic, você passou a usar o acordeão com destaque, o que acabou não sendo da mesma forma usado nos demais álbuns. Por que você preferiu seguir apenas com os teclados, a guitarra e os vocais?
Existe acordeão em todos os nossos álbuns, com exceção de The Void e +4626-COMFORTZONE – mas ele pode não ter sido creditado nas capas. Sempre tenho a música, mas não qual instrumento eu tocarei. Meu principal objetivo é, e sempre será, atingir o melhor resultado, não importa quais instrumentos serão usados.
[caption id="attachment_23680" align="aligncenter" width="600"] Rikard, o primeiro da esquerda para direita, com o Beardfish[/caption]
Aqui na Consultoria do Rock, Sleeping in the Traffic pt. 2 foi eleito um dos dez melhores discos de 2008. Por que o álbum foi dividido em pts 1 e 2, e não foi lançado originalmente no formato duplo, assim como The Sane Day.
Nós não tínhamos todo o material gravado, e ele foi feito durante três sessões diferentes, talvez quatro. É a única razão que eu posso dar.
No encarte de Sleeping in the Traffic vol. 2, você comenta que a faixa-título foi escrita em 2002, fazendo parte das apresentações do grupo, mas que não havia a oportunidade de gravá-la em estúdio. Ao mesmo tempo, você cita algumas dificuldades para concluir a história. Como surgiu especificamente a criação total desses dois álbuns, os quais considero os melhores trabalhos de sua carreira.
Obrigado. A canção por si só foi finalizada em 2002. Existe uma gravação inicial disto naquela época, então, não houve problemas em finalizar a história. MAS, era uma grande música para nós, e eu achava estranho lançar ela em um álbum de forma isolada. Então, ao invés disso, escolhemos construir dois álbuns em torno da canção, e por isso tornou-se um álbum duplo.
Em The Sane Day, percebo influências de Focus na faixa de abertura, “A Love Story”, Frank Zappa em “Igloo on Two”, depois vejo algo de Gentle Giant em “Cashflow”, e, passando por várias outras referências, um K de King Crimson em “Comfort Zone”. Porém, todas essas referências surgem espontaneamente, sem soarem pretensiosas. Como criar algo tão legal com uma base tão sólida de influências?
Hahaha! Bem, você não pode me perguntar isso!! Tenho ouvido diferentes opiniões sobre isto por diversas vezes. Alguns pensam que soamos muito originais e outros pensam que nós rasgamos os outros artistas (alguns você até mencionou). Eu não sei. Para meu conhecimento, nós nunca realmente roubamos qualquer coisa. Existem, possivelmente, partes que soam como outros artistas, acredito eu.
Pessoalmente, quais são seus maiores ídolos e referências para tocar?
Frank Zappa, King Crimson e Gentle Giant eu diria. Mas novamente ... Elton John (fase inicial), The Beatles, Chris Cornell (Euphoria Mourning e Soundgarden), Jeff Buckley, Pearl Jam, Samla Mammas Manna + cada artista que eu já tive a felicidade de trabalhar também.
Zappa aliás também é parte de outro projeto seu. Como funciona a seleção de músicas que a banda apresenta em seus shows?
O grupo é chamado Bongo Fury. É um trio com Petter Diamant e seu irmão Rasmus Diamant, junto a mim, fazendo a música de Frank no formato power trio – então, basicamente é o Gungfly (light trio version) tocando canções de Frank Zappa. Somente pegamos aquelas canções que achamos que irá funcionar bem ao tocá-las como trio.
Como foi o encontro da banda com Gary Green durante o ProgDay Festival, bem como a apresentação e receptividade dos americanos nessa que foi a primeira apresentação da banda fora da Suécia.
Foi ótimo encontrar Gary Green. Todos nós smos grandes fãs de Gentle Giant, então foi realmente muito legal que ele estava lá. Isto foi um festival sensacional. Tivemos um grande dia, tanto tocando como assistindo. Fizemos grandes amigos lá, para o resto da vida, como Ray Loboda e Jim Robinson.

Dentre os álbuns do Bearfish, qual foi aquele que você mais curtiu ter composto, e qual o que mais lhe agradou no resultado final.
Meu favorito é Destined Solitaire, seja musicalmente ou pelo período em que nós o construímos.
Na despedida oficial da banda, via seu website, os fãs leem a mensagem com uma frase chocante, falando sobre desentendimentos e várias dificuldades dentro da banda, isso pouco depois de Comfort Zone, bem como novos caminhos vão ser seguidos por cada membro da banda. O que realmente foi o fator determinante para o fim de um projeto tão incrível e maravilhoso como o Beardfish?
Não estávamos funcionando bem juntos em uma mesma sala, há algum tempo.
Podemos esperar um retorno, ao menos para comemorar os 20 anos de carreira?
Nunca sabemos. No momento, sem planos.
Sobre o Brasil, você já teve a oportunidade de vir ao nosso país, seja como turista ou como músico?
Não, infelizmente não. O mais próximo que eu estive do Brasil foi a Guiana Francesa.

Dentro do rock progressivo, nosso país tem nomes de destaque como O Terço, Mutantes, Terreno Baldio, entre outros. Você já ouviu algo progressivo vindo de nosso país?
Não, lamento não conhecer. Irei atrás!
Com tantos projetos em sua carreira, e tantos fãs por aqui, com certeza esperamos que um dia você esteja em nossos palcos para mostrar sua música pessoalmente. Ainda na Consultoria, temos uma seção chamada Notícias Fictícias que Gostaríamos que Fossem Reais. Seria possível tornar real uma notícia como “Rikkard apresenta-se no país em um grande festival?”
Hahaha! Assim espero. Não posso prometer nada. Eu iria amar ir ao Brasil e tocar aí!
Rikard, obrigado por sua atenção e por favor, deixe um recado para nossos leitores e também seus fãs aqui no Brasil.
Obrigado por ouvir nossa música ao longo dos anos. Espero poder tocar ao vivo para vocês em breve!
Abraços


English Interview
I had the honor of interviewing one of my great idols today. In partnership with the website Progshine, through my friend Diego Camargo, I was able to exchange an idea with nothing less than Rikard Sjöblom, eternal leader of Beardfish and current Big Big Train and Gungfly. In a humored and very humble conversation, Rikard told me about these and other projects he is currently developing, as well as touring the history of Beardfish. It was an honor and a joy to have talked to Rikard. Check out the interview, in Portuguese and in English.

[caption id="attachment_23685" align="aligncenter" width="600"] With Big Big Train (at center)[/caption]
Hello Rikard. First of all, thank you for this interview to the Progshine and Consultoria do Rock websites. I'd like to start by talking about your latest projects with GungFly and Big Big Train. On March 20, the album On Her Journey To The Sun was made available for pre-order purchase on your official facebook. Tell us a little about the idea of the project and the process of recording it, which was be released on May 19th. 
It’s not a concept album, but it has reoccurring themes throughout and the main one would be about a woman who was left behind when her lover made the ultimate sacrifice and died protecting a group of people. I think that is among the most courageous acts someone can do. Sometimes when someone dies they become almost untouchable and you hold the memory of them high, almost like a sun. So I decided that when this hero died he was reborn as a sun, hence the title On Her Journey to the Sun, so as the woman here is coming more and more to terms with what happened she is coming closer to her dead lover, making this title more of a spiritual journey and not a physical one – she’s on her spiritual journey to the sun. The Buddha was just chosen as the face of the sun because of the calm, sombre facial expression – someone who is at peace. I recorded the album on and off for about a year, but the bulk of the sessions took place in the fall of 2016.
Working a lot, you also became a member of the Big Big Train group in 2014, a group that for me, along with Beardfish, represents the cream of progressive rock in this millennium. How did you joined the English group?
Big Big Train hadn’t played live in seventeen years and were planning to do just that, so they had been looking for someone who could play keys and guitar and do some backing vocals. I had been on tour with Beardfish and the sound engineer on this tour was Rob Aubrey who works very closely with BBT and so he recommended me. After that I got an email from Greg Spawton who asked if I was interested in this – they were gonna do a session at Real World studios and record and film the entire process and release it as a blu ray – I was honoured and said yes straight away. The sessions went well and after that they asked if I wanted to join the band full time and I said yes.
What are the major influences that have you been able to bring to the band already for the album Folklore (2016)?
Well, that’s tough for me to say – I guess I’m bringing my own style of playing and my take on composing parts of course. A lot of the time Greg or David will have more or less finished parts but most of the time I’ll add a touch of Sjöblom to it. Then on the latest album “Grimspound” I’ve co-written the songs “Meadowland” and “A Mead Hall in Winter” with Greg Spawton and David Longdon.
What can you tell us about the new album, Grimspound?
I’m really happy with the way it turned out, and I’m happy to have written some stuff for it as well. It’s a very dynamic album, both compositionally and sonically.
Both Grimspound and On Her Journey To The Sun were released on vinyl. What is your opinion about the return of LP as a form of contact between fans and bands?
I never stopped listening to vinyl, it’s been my favourite format ever since I was a child and it still is. I mainly think it feels more like a real album when I hold an LP in my hands instead of a CD. I like the sound of vinyl as well, wouldn’t say it’s better – it is what it is – but some albums benefit from the limitations of that format.
Here in Brazil, vinyl ceased to be manufactured from the 90s, returning like a phoenix in the middle of the last decade, in benefit of CD sales. Traditional disc stores were closed, and the option was to turn to the international market, on sites like e-bay or Amazon, to search for vinyls. Has this vinyl / CD transition also occurred in Sweden, or has your country kept manufacturing the two formats over the years?
It’s been the same here actually – but there’s been some stores left selling CD’s and DVD’s (and t-shirts and coffee mugs and jewelry and stuff!) but not really like it was before of course.

You also have a project alongside the monster drummer Hasse Bruniusson and guitarist Roine Stolt, playing songs by the late group Samla Mammas Manna. How did the idea of this project come about, and what can we expect in terms of shows and releases?
Hasse called me and asked if I was interested in playing these songs live for a festival in Uppsala together with him, Roine Stolt and bass player Håkan Almqvist. It felt like a good idea and since I listened a lot to the Samla albums when I was younger I sort of knew the songs pretty well in my head. It’s great, adventurous music and a lot of fun to play! We played in Gothenburg a couple of weeks ago and it was awesome.
All these projects involve progressive rock. Besides that style, what else do you usually listen to in your day to day?
I listen to most styles, a lot of it is prog related but still I would say I listen to as much pop/rock or metal as prog. I’m a big fan of Pearl Jam and I really like Chris Cornell, it was sad to hear about his passing in may. Lately I’ve been listening a lot to Daniel Romano – his two latest albums “Mosey” and “Modern Pressure” are both excellent.
Talking now about your career at Beardfish, the group started out as a quartet, but the band's first album was recorded as a quintet, featuring Stefan Arosson on keyborads. How did works the keyboard split between you?
He played all the keyboards live back then (mainly organ and moog) and I only recorded some parts on the first album. When Stefan quit, right before the first album came out, was when I decided to play keyboards in Beardfish – we basically didn’t want any more people in the band so instead I took that role and played both keyboards and guitar. It was a very creative period for us.
Från en plats du ej kan se ...  was all recorded in Swedish, and after it,  were three years for the release of The Sane Day, which already came with lyrics in English. What occurred for this delay in the release of the albums, as well as the change of the language.
No not at all. First of all: Från En Plats... has three songs in Swedish and four in English, so it was just a mix of the two languages. And we released The Sane Day in 2005, so it was two years, not three. Hahaha! Facts straightened 😊 The main reason it took two years to record was that we had so much new material and we didn’t know where to record it. Initially we tried recording it in our rehearsal studio but the sound quality wasn’t up to standard (Many of these recordings can be heard on The Early Years – Outtakes and Demos which was released together with ComfortZone) but when we had the studio and the gear I think we recorded most of the album in roughly two weeks – a double CD.

At the same time, since The Sane Day, all Beardfish albums are conceptual. What were the reasons that led you to write such interesting stories, and how did you "musicalize" these stories?
I mainly think that there were clear themes that came about when I started writing lyrics for the songs and it was easy to fall onto a path of “connect-the-dots”, you know..? The music was always there so writing the lyrics was always the hard part, I had to wait for a good idea to come – luckily one good idea usually spawned the next one. I think that’s the main reason they are thematic or “concept”-albums
With Sleeping in the Traffic, you started to use the accordion, instrument that was no longer used on other albums. Why did you prefer to follow only the keyboards, the guitar and the vocals?
There’s accordion on all of our albums except “The Void” and “+4626-COMFORTZONE” – but it may not always be credited in the sleeves. I always had the music first, not which instrument I played. My main goal is and has always been to get the best result, it doesn’t matter what instruments are used.
Here at Consultoria do Rock, Sleeping in the Traffic pt. 2 was voted one of the top ten albums of 2008. Why the album was split into pts 1 and 2, and not originally released in the double format, as was The Sane Day?
We didn’t have all of it recorded and it was recorded during three different sessions, maybe even four.. That’s the only reason I can think of.
In the Sleeping in the Traffic vol. 2 insert, you comment that the title track was written in 2002, being part of the group shows, but that there was not the opportunity to record it in the studio. At the same time, you cite some difficulties to complete the story. As specifically emerged the total creation of these two albums, which I consider the best works of Beardfish career.
Thank you. The song itself was finished in 2002, there is even an early recording of it from around that time, so no trouble finishing the story – BUT, it was a big song for us and it felt kind of weird to just throw it on an album so instead we chose to build two albums around the song, that’s why there is a double album.
In The Sane Day, I notice Focus's influences at the open track, "A Love Story," Frank Zappa at "Igloo on Two"”, then I listen something like Gentle Giant at "Cashflow," and going through several other references, A K of King Crimson at "Comfort Zone". However, all these references arise spontaneously, without sounding pretentious. How to create something so cool with such a solid base of influences?
Hahaha! Well, you can’t ask me that!! I’ve heard different opinions about that several times, some think we sound very original and some think we rip other (the ones you’ve mentioned) artists off.. I don’t know. To my knowledge we never really stole anything, there might be sections that sound like other artists though.
Personally, what are your biggest idols and references to play?
Frank Zappa, King Crimson, Gentle Giant I would say. But then again... Elton John (early stuff), The Beatles, Chris Cornell (Euphoria Mourning and Soundgarden), Jeff Buckley, Pearl Jam, Samla Mammas Manna + every artist I’ve ever been fortunate enough to work with as well.
Zappa is also part of another project. How does the selection of songs that the band present in your shows work?
The group is called Bongo Fury. Is a trio with Petter Diamant and his brother Rasmus Diamant plus myself doing Frank’s music in a power trio format – so basically it’s Gungfly (light trio version) playing Frank Zappa songs. We only picked songs we thought worked well to cover as a trio.
How was the band's meeting with Gary Green during the ProgDay Festival, as well as the presentation and receptivity of the Americans in that was the band's first performance outside of Sweden.
It was great meeting Gary Green. All of us are big Gentle Giant fans so we thought it was really cool that he was there. It was a cool festival as well and we had a great time, both playing and hanging out. We met some life long friends there in Ray Loboda and Jim Robinson.
[caption id="attachment_23686" align="aligncenter" width="600"] With Beardfish (second L-R)[/caption]
Among the Beardfish albums, which one you liked to write, and which one you became more proud after final result?
My favourite is Destined Solitaire, both musically and the period we spent making the music.
In the official farewell of the band, via website, fans read the message with a shocking phrase, talking about misunderstandings and various difficulties within the band, shortly after Comfort Zone be release, as well as new paths will be followed by each member of the band. What really was the determining factor for the end of a project as incredible and wonderful as Beardfish?
We didn’t function well together in a room any longer.
Can we expect a return, at least to celebrate the 20-year career?
You never know. No plans now.
About Brazil, have you had the opportunity to come to our country, either as a tourist or as a musician?
No, unfortunately not. Closest we’ve been was French Guyana.
Talking about progressive rock bands, our country has such prominent names as O Terço, Mutantes, Terreno Baldio, Som Nosso de Cada Dia, among others. Have you heard anything progressive coming from our country?
No, I’m sorry I haven’t. Will check it out!
With so many projects in your career, and so many fans around here, we sure hope that someday you'll be on our stage to show your music. Still, in Consultoria, we have a section called “Ficticious News that we would like to be Real”. Would it be possible to make real a news story like "Rikard presents himself in Brazil at a big festival?"
Hahaha! I hope so – can’t promise anything but I would love to come to Brazil and play!
Rikard, thank you for your attention and please leave a message for our readers and also your fans here in Brazil.
Thank you for listening to the music throughout the years – I hope to be able to come over there and play for you soon!
Cheers – Rikard Sjöblom

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Rikard Sjöblom's Gungfly - On Her Journey To The Sun [2017]



Em meados de 2016, os admiradores do rock progressivo atual ficaram chocados com a notícia da dissolução de uma das melhores bandas do estilo até então, o sueco Beardfish. Alegando compromissos diversos, o quarteto fechou os trabalhos, e cada um de seus integrantes migrou para projetos paralelos. O líder da banda, Rikard Sjöblom, era o mais atarefado do quarteto, já que estava tocando com o Big Big Train, trabalhava com outros artistas, gravou com o Bootcut e engatinhava seu projeto solo com o nome de Gungfly.
Rikard Sjöblom e Gungfly, ao vivo

Pois foi com o último que ele lançou um dos grandes trabalhos de 2017, o álbum On Her Journey to the Sun. O vocalista, guitarrista, tecladista, pianista, baterista, baixista, acordionista, compositor, arranjador e faz tudo Rikard está acompanhado aqui do ex-colega de Beardfish David Zackrisson (guitarra), os irmãos Rasmus Diamant (baixo)  e Petter Diamant (bateria), Sverker Magnusson (teclados), Martin Borgh (teclados), e com a genialidade que possui, criou um álbum que remete bastante a sua antiga banda, mas com uma liberdade maior para criar novas vocalizações, harmonias e melodias.

Segundo o próprio Rikard, o Gungfly surgiu da necessidade de registrar canções que ele escrevia, mas que não cabia no estilo do Beardfish, por terem um aspecto mais pop do que o progressivo tradicional do Beardfis. A palavra vem do sueco, e significa "chão inseguro", e com o fim da banda, a insegurança parece não existir, já que o material registrado em On Her Journey to the Sun é de uma qualidade e maturidade ímpar nos dias atuais.

Encarte

O álbum começa com uma linda peça, "Of The Orb", que pelo dedilhado do violão nos repete a "Cinema Show" (Genesis), sendo que inclusive há uma citação a canção na letra de Rikard, mas na medida que a canção se desenvolve, descobrimos que estamos diante de outra obra-prima do sueco. O refrão dessa canção é muito lindo, com uma levada no violão empolgante, Rikard cantando em falsete e aquele timbre de guitarra característico do Beardfish, além das quebradas intrincadas que o grupo consagrou em sua carreira, e que fará os fãs da banda saírem pulando de alegria. Os solos centrais também nos remete a álbuns como Mammoth e The Void, e sinceramente, o solo de moog, e a levada Rutherfordiana aqui apresentados certamente são mais uma evidência de homenagem aos tempos proggres do Genesis. Independente das similaridades com os discos do Beardfish, o ouvinte ficará satisfeito com esse baita som para abrir o disco. Mas ainda vem mais.

A faixa-título possui uma uma espécie de ritmo flamenco, com mais um novo e interessante solo de moog, mas confesso que achei essa a faixa mais fraca do disco. O dedilhado de violão abre a linda "He Held An Axe", com a voz tocante de Rikard explorando falsetes. Piano e guitarra dão mais tempero para outra grande faixa, que rapidamente faz esquecer a faixa-título. Essas duas canções mostram como Rikard, apesar de ser o pai da criança, possui capacidade para criar além daquilo já feito no Beardfish, o que mostra quão talentoso ele é.

Algumas das letras do álbum

"My Hero" surge alucinante, com muita quebradeira, solos de guitarra e novamente, fortes lembranças de Beardfish durante sua introdução. A parte vocal também segue com características do grupo, apesar de percebermos inovações em diversos momentos. Mas as intrincações, partes bem trabalhadas e os solos grandiosos estão todos lá. Aliás, o solo de moog aqui, acompanhado por uma levada tinhosa dos irmãos Diamant, é muito bom de se ouvir. Piano e violão são os instrumentos principais de outra bela faixa, "If You Fall (Part 1)", uma faixa curta, com vocais cheios de efeitos, e que nos encaminha para aquela que considero a melhor do disco, "Polymixia".

A complexidade dessa faixa é gigantesca. São quase doze minutos instrumentais de muitas variações, sem nada de virtuosismo, mas de muita precisão na aplicação das notas, harmonias, riffs e diversas sequências diferentes que constroem uma faixa digna dos grandes mestres do rock progressivo. Rikard está exuberante, mandando ver com suas técnicas, seja no piano, seja nos teclados, no clavinete, seja na guitarra. Kerry Minnear (Gentle Giant) deve dar boas risadas de alegria quando percebe as influências que deixou para as novas gerações. Rikard é um monstro, um grande músico, que tomara venha ao Brasil, seja em carreira solo, ou com o Big Big Train, para podermos conhecer mais de perto sua capacidade de criação. Que faixa massa, buda que partiu! Acho que fiquei uma semana ouvindo ela, direto, de tão sensacional que é. Ter ouvido ela já valeu a pena conhecer o CD, que recém chegou em sua metade, mas dificilmente terá algo que supere essa Maravilha Prog.

Depois da estupefante batida que levamos na cara com "Polymixia", o clima acalma, com o piano e a presença da violinista Rachel Hall em "Over My Eyes", uma faixa delicada, onde a combinação voz, piano e violino é arrepiante. "Old Demons Die Hard" é uma canção pop oitentista, que também não justifica sua presença no disco, apesar de algumas passagens instrumentais interessantes, principalmente no solo de guitarra, com uma levada jazzística interessante, e nos duetos de moog/voz e guitarra e voz.

Versão em capa tripla

Nos aproximamos do final de On Her Journey to the Sun com "Keith (The Son of the Sun)", outra canção amena, com uma bela introdução com o órgão, lembrando um pouco Focus, mas com um andamento diferente dos holandeses, explorando o riff quebrado do baixo. O predomínio dos teclados nessa bela faixa instrumental é uma das atrações, ao lado do solo Montgomeryano por parte de Rikard. A suíte "The River of Sadness" é dividida em cinco partes: "The River Of Sadness"; "Salt And Foam"; "The Distant Shore"; "In Orbit" e "The River Of Sadness (Reprise)". Como toda suíte, é uma faixa bem trabalhada, repleta de variações, onde a guitarra é o piano são explorados com mais intensidade. O que irá chamar atenção nela é a presença do acordeão, o primeiro instrumento que Rikard aprendeu a tocar, além do bonito solo de baixo. Encerrando o álbum, "All A Dream" é uma narração de Spencer Keala Bowden, sussurada sobre acordes dedilhados do piano elétrico.

On Her Journey To The Sun saiu também no formato de vinil duplo, e o lançamento em CD, com capa tripla gatefold, ainda conta com um CD bônus, apresentando o melhor do que o Gungfly lançou em seus dois primeiros álbuns - a saber, Please be Quiet, de 2009, e Lamentations, de 2011 - e vem bem a calhar para quem já estava com saudades das complexas e belas obras que o Beardfish registrou ao longo de pouco mais de uma década e meia. Discaço!

Contra-capa

Track list


CD 1

01. Of The Orb
02. On Her Journey To The Sun
03. He Held An Axe
04. My Hero
05. If You Fall (Part 1)
06. Polymixia
07. Over My Eyes
08. Old Demons Die Hard
09. Keith (The Son Of Sun)
10. The River Of Sadness
11. All A Dream

CD 2 (The Best of Gungfly)

01. Rumbling Boxes
02. On And On
03. White Light
04. Lamentation
05. No Remorse
06. Before The Winter
07. Bringing Down The Walls
08. She’s Gone Again
09. The Prisoner
10. Are You Aware That I’m Awake?
11. Peace At Mind
12. And She Drives Me...
13. We Will Never Leave
14. Whiskers 
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