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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Luau MTV 2002



Ah o verão. Quanta coisa boa podemos fazer nessa época do ano, principalmente nas praias. E uma das grandes situações que os jovens adolescentes do início deste século (dos quais me incluo) viveram relacionados com música e praia foi o Luau MTV, programa de televisão exibido anualmente na programação de verão da MTV Brasil entre 1996 e 2013. Durante o verão, a emissora convidava artistas e bandas para tocar na praia, ao som acústico com violão e percussão. O programa foi apresentado por diversas VJs da casa, entre elas, Carla Lamarca, Cuca Lazzarotto, Fernanda Lima, Sabrina Parlatore e Sarah Oliveira. Diversos artistas passaram por lá, com alguns chegando inclusive a lançar DVDs e CDs com as apresentações.

Aproveitando do sucesso do programa, a Abril Music lançou em 2002, como parte integrante da revista MTV - edição 12, um CD compilando 12 faixas de 6 artistas diferentes que estiveram desfilando suas canções e versões: Los Hermanos; Kiko Zambianchi; Cássia Eller; Rita Lee; Ivete Sangalo e Titãs. A compilaçãozinha é tão legal que resolvi trazer a mesma aqui, ao mesmo tempo também de que se tornou uma relíquia, já que contém os últimos momentos de Cássia Eller, e também de Nando Reis junto aos Titãs. 

Marcelo Camelo com o Los Hermanos no Luau MTV

O Los Hermanos abre a compilação com uma linda versão acústica para "Anna Julia", o mega-clássico do álbum de estreia da banda, que os catapultou ao mundo, e que aqui ganha uma cara muito bela através do arranjo de violões feito por Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo. A verão é mais curta, sem o solo e o trecho "Sei que você já não quer o meu amor ...", mas o que não diminui em nada a qualidade da faixa. Seguimos com os cariocas e uma versão muito fiel à original de "Retrato Pra Iaiá", do clássico Bloco Do Eu Sozinho, e que aqui apresentava o novo Los Hermanos para os fãs, e tirar o Los Hermanos do posto de hardcore carnavalesco para o altar dos adolescentes indies do início dos anos 2000. Vale lembrar que a edição deste Luau saiu em DVD, assim como o do próximo artista. 

Kiko Zambianchi vem a seguir, fazendo uma agitada versão para "Ando Jururu" (Rita Lee), apenas com violões e percussão, seguida pelo sucesso "Primeiros Erros", imortalizado pelo Capital Inicial, e aqui também apenas com violões e percussão, além de uma bela interpretação de Kiko. 

Cássia Eller e a apresentadora Sarah Oliveira, em um dos últimos registros em vida da cantora

Chegamos então em Cássia Eller, para qual o CD é dedicado. Nunca fui muito fã da cantora, apesar de ter ouvido bastane (na época) o Acústico MTV dela. Porém, as canções aqui apresentadas mostram como Cássia foi uma das maiores cantoras brasileiras de sua época. O sucesso "Malandragem" embala a praia como um grande luau noturno, sob o sol escaldante da Costa do Sauipe, na Bahia, levado por uma sinuosa participação do acordeão, enquanto "Relicário", com a participação do autor, Nando Reis, é simplesmente emocionante, não só pela linda interpretação vocal da dupla, mas ainda mais por lembrar que esse show foi gravado no dia 19 de dezembro de 2001, exatamente 10 dias antes do precoce falecimento de Cássia.

Rita Lee vem fornecer a verdadeira representatividade gótica no verão. No programa original, estava estava com um óculos vermelho que lembra muito Ozzy Osbourne, além de blusa verde de manga comprida (com estampa do Che Guevara), como apresentado na capa do CD, e jeans rasgado. Puro suco de excentricidade. Essa combinação, junto à banda enxuta da cantora, apresenta versões simples e fieis as originais de "Ovelha Negra" e "Jardins da Babilônia", com destaque mais para o embalo da segunda.

Ivete Sangalo está na sequência. Veveta está em casa, e canta versões revisadas para "Tá Tudo Bem" e "A Lua Q T Dei", com destaque para a presença de uma flauta na primeira e a tocante interpretação da segunda. Não sou fã da cantora, mas para o contexto de festa e animação, é inegável que a presença de Ivete é fundamental. 

Paulo Miklos com o Titãs no Luau de 2002

O CD encerra-se com os paulistas do Titãs, banda recorrente no Luau MTV (ganhando também um DVD individual), já que tocou no programa em 1999, na crista da onda do lançamento do sucesso Acústico MTV, programa no qual a apresentadora Sabrina Parlatore acabou confirmando que foi a maior plateia do programa, sendo que muita gente ficou de fora do especial em uma fila gigantesca. Em 2001 a banda esteve novamente por lá, sendo um dos últimos registros do saudoso guitarrista Marcelo Fromer, morto em 2001, e voltou em 2002, de onde saíram as duas canções desta compilação.

Elas são "O Mundo é Bão Sebastião" e "Homem Primata".  As versões casaram muito bem para o estilo acústico, algo que a banda estava fazendo com primazia na época, mas a plateia "mais solta" que o ambiente do Acústico, apoiando nos vocais, torna as canções ainda mais agradáveis. Lembrando que este show ficou marcado por ser um dos últimos com Nando Reis.

Enfim, algo simples mas muito bom, e saudoso também dos bons tempos onde os verões não eram tão infernais, lá nos idos anos 2002. 

Contra-capa do CD

Track list

1. Los Hermanos – Anna Júlia

2. Los Hermanos – Retrato Pra Iaiá

3. Kiko Zambianchi – Ando Jururu

4. Kiko Zambianchi – Primeiros Erros

5. Cássia Eller – Malandragem

6. Cássia Eller – Relicário

7. Rita Lee – Ovelha Negra

8. Rita Lee – Jardins Da Babilônia

9. Ivete Sangalo – Tá Tudo Bem

10. Ivete Sangalo – A Lua Q Eu T Dei

11. Titãs – O Mundo é Bão Sebastião

12. Titãs – Homem Primata

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Melhores de Todos os Tempos: Anos 2000

Por Mairon Machado

Com Anderson Godinho, André Kamisnki, Daniel Benedetti, Davi Pascale, Fernando Bueno, Libia Brigido e Micael Machado

Os anos 2000 trouxeram-nos para o século XXI com muitas surpresas e mudanças. Expectativas diversas assolaram a virada de 1999 para o ano 2000, e aquela década trouxe mudanças importantes desde questões econômicas e políticas, com a entrada do governo Lula substituindo o governo Fernando Henrique, assim como a gestão de George W. Bush substituindo Bill Clinton, ou Angela Merkel como chanceler na Alemanha, até questões associadas a Ciência, com o término da construção do LHC, o maior acelerador de partículas do mundo, e Esportes, com o Brasil conquistando o penta no futebol, Michael Schumacher se tornando o primeiro hepta-campeão na Fórmula 1, entre outros.

Nos esportes, para quem não lembra, o ano 2000 foi o ano do famigerado campeonato João Havelange, que revelou ao Brasil o pequeno São Caetano. Foi o ano também em que o Iron Maiden anunciou o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith. O agora sexteto Iron Maiden fez uma das grandes apresentações da terceira edição do Rock in Rio, que também ganhou uma nova cara, sendo a terceira edição o primeiro evento realizado após dez anos, e se espalhando para a Europa (Madrid e Lisboa). Certamente, esta apresentação arrebanhou ainda mais fãs para a donzela. Enquanto Bruce voltava, a musa Tarja Turunen deixava o  Nightwish, surpreendendo à todos em 2005, quando foi demitida do grupo finlandês, deixando para Anette Olzon a responsabilidade de assumir os vocais. Outra mudança importante, não na formação, mas na direção musical, foi o Opeth. Caracterizado como um grupo de Death Metal, os suecos mudaram radicalmente seu som em 2002, fazendo uma bela e importante guiada para o progressivo.

Falando em progressivo, a década 00 viu surgiu o super-grupo Transatlantic, que uniu alguns dos principais nomes do estilo naquela época (Mike Portnoy, Neal Morse, Roine Stolt e Pete Trewavas) e trouxe as lembranças do auge prog dos anos 70 com suas grandiosas suítes. Outro super-grupo parido nos anos 2000 foi o Audioslave. A fusão de Chris Cornell com a galera do Rage Against the Machine gerou canções que marcaram toda uma geração, e fez com que muitas mulheres passassem a curtir rock novamente, tarefa que também foi delegada aos novatos do System of a Down, talvez a maiore revelação musical que os anos 2000 trouxe, sendo que recentemente a banda se tornou a quarta a ultrapassar a marca de um bilhão de views no youtube, com "Chop Suey".

No Brasil também houveram grandes mudanças musicais. Andre Matos saiu do Angra e criou, mais mais 2/4 do Angra, o Shaman. Ambas as bandas atravessaram os anos 2000 como expoentes musicais do heavy metal nacional. Já os cariocas do Los Hermanos fugiram radicalmente do sucesso "Anna Julia", e com uma sonoridade totalmente diferente do hardcore de seu primeiro disco, tornou-se a banda brasileira com maior número de seguidores.

Alheia a tudo isso, vivendo no seu mundo dos anos 40 ou 50, Amy Winehouse surgiu nos bares de Londres para se tornar o maior nome da música daquele início do século. Com uma carreira meteórica, Amy conquistou o mundo com um talento que há muito tempo não se via. Não à toa, seu principal disco, Back to Black, está encabeçando nossa lista. Dos oito consultores, apenas três não votaram nele. Em uma lista bastante apertada para ver quem entraria, Back to Black disparou e garantiu a primeira posição com facilidades. Os outros nomes citados complementam a lista, que certamente, e costumeiramente, causou desavenças e desagrados para alguns, mas propiciou divertidos comentários para outros. E você, o que acha do resultado final?

Lembrando que a pontuação é baseada no sistema da Fórmula 1, com a adição de 1 ponto para cada citação de álbum, como se fosse o ponto da volta mais rápida, tentando evitar ao máximo alguma injustiça de um álbum com mais citações não entrar em detrimento de outro com menos citações.

A lista com os Melhores Discos escolhidos dos anos 2000 nas listas originais envolvem os álbuns de cada ano, álbuns das listas de Melhores Brasileiros e aqueles discos citados na série Aqueles Que Faltaram. Esses discos estão listados no fim da postagem, após as listas individuais.


1. Amy Winehouse - Back to Black [2006] (70 Pontos)

Anderson: Acredito muito que a música é a expressão maior e mais bonita que temos dos nossos sentimentos, seja quando somos representados ao ouvir instrumentos, letras, e ainda o conjunto da obra, ou para os artistas que quando em seu clímax conseguem transformar suas experiências em música. A música está presente em bons e maus momentos e quando eu consigo sintonizar isso a coisa acontece, não importa o gênero. Ainda, alguns artistas são a personificação dessa relação sentir-existir, expressam em olhares, trejeitos, experiências. Eu admiro isso! É o auge em qualquer das artes: a fusão entre o artista e sua obra. Bom, sem mais delongas a Amy, para mim, é isso tudo. Porém um disco em especial eleva à enésima potência, e o disco é Back to Black. Este álbum é pura dor, com pitadas de malandragem que alçaram o álbum ao mundo pop. Um Jazz totalmente imerso em Soul, ou seria o contrário? Pitadas de loucura como o blues em "You Know I’m not Good" ou o reggae em "Just Friends". E ao mesmo tempo não é descontextualizado! Genial! É impressionante esse álbum. Emoção do começo ao fim. Se fosse pra resumir: Amy Winehouse em seu máximo. Vai lá e ouve logo... Apague a luz, pegue uma bebida forte e assista sua alma deixar o corpo e se contorcer em um oceano de sentimentos.

André: Tenho grande respeito a Amy como artista. Ela conseguiu se diferenciar bastante em um meio saturado de mesmice com as próprias composições. Também se percebe uma clara genuinidade em suas músicas e interpretações e que ela se atirou com tudo em suas músicas fazendo, como sempre ocorre nesses casos, que a qualidade do trabalho suba consideravelmente. Seu som apenas não se encaixou comigo por questão de gosto mesmo.

Daniel: Justíssimo primeiro lugar, mesmo que não tenha votado para que ele ficasse nesta posição. O R&B dos anos 1960s é revisitado com louvor, em canções cujos arranjos são magnéticos e a interpretação de Winehouse é soberba, trazendo o estilo para a contemporaneidade de maneira incrível. Sem dúvidas, um dos grandes discos dos anos 2000.

Davi: Minha cantora favorita da cena pop de 2000 sempre foi a Joss Stone, mas não tem como negar que esse disco da Amy Winehouse já é um clássico. A moça deu um tiro certeiro em seu segundo álbum onde explorava uma mistura de jazz, r&b e ska. Faixas como "Rehab", "You Know I´m No Good", "Tears Dry On Their Own", "Love Is a Losing Game" e "Back to Black" marcaram toda uma geração de ouvintes. O trabalho vocal dela é bem definido, os arranjos são bem construídos. Certamente, um dos discos mais marcantes da cena pop dos anos 2000. Primeiro lugar merecido.

Fernando: Carreira curta de uma artista que tinha tudo para brilhar ainda mais. Esse disco é muito bom, vários hits e tudo o mais, mas eu não posso dizer que realmente gosto do que fez Amy Winehouse. Acho que dessa linha de música eu gosto mais da Joss Stone e Adele, que não são exatamente a mesma coisa, mas se encaixam ali na mesma prateleira. Obviamente que a morte prematura, como sempre, aumentou o mito sobre sua pessoa.

Libia: Olho para esse mundo e vejo que perdemos uma joia rara chamada Amy Winehouse, e sentimos como a conhecêssemos muito. Talvez porque em Back to Black ela mostre aquela grande fratura exposta, que por muitos momentos podemos sentir. O som da produção recria meticulosamente aquela época passada, ao mesmo tempo que soa fresco e moderno. Os maiores momentos, para mim, por ordem de preferencia atual são a faixa-título, “You Know I’m No Good” e “Love Is a Losing Game”. Sempre me pergunto: “O que poderia vir após esse álbum?”. Provavelmente viriam vários clássicos futuros com a Winehouse mostrando as outras dimensões do Soul, Blues, Jazz juntamente com estilos contemporaneos. Ela tinha muito a mostrar.

Mairon: Discaço-aço-aço que merece com méritos estar na primeira posição. Amy Winehouse foi impactante para o início desse século, com sua levada jazz atribuída a uma banda esplêndida, e um talento incomparável quanto inquestionável. Faixas como "He Can Only Hold Her", "Tears Dry On Their Own" e "You Know I'm Good" fizeram o com que muitos jovens passassem a gostar de jazz, ou ao menos não torcer o nariz para o estilo. Admiro as baladas, seja "Love is a Losing Game", "Me & Mr. Jones", "Some Unhloy War" ou "Wake Up Alone". Até reggae Amy navegou, na lindíssima "Just Friends". Além disso, "Rehab" tocou em tudo que é lugar, e a faixa-título é de se cortar os pulsos se não tiver força para aguentar tamanha pressão. Que faixa arrebatadora. Melhor disco do período com merecimento, apesar de eu considerar 4. Mas é apenas questão pessoal, por que a representatividade de Back to Black é insuperável.

Micael: Meu verdadeiro escolhido como melhor disco desta década não estava disponível para votação. portanto acabou ficando de fora de todas as listas. É o disco de estreia do Wolfmother, que leva o nome da banda. Nenhum outro disco neste século "falou" tanto comigo quanto o dos australianos, e meu primeiro colocado e o desta lista em particular tem uma característica em comum: ambos soam mais antigos que suas idades. Porque Back to Black não parece um disco deste século, mas sim algo gravado na metade final da década de 70 tentando emular algo do jazz da década de 50 (ou de antes ainda). Amy tinha uma voz talhada para o estilo (a mulher cantava muito!), e mesmo algumas "modernidades" eletrônicas aqui e ali nos arranjos não escondem o fato de que a sonoridade pertence a um período de tempo mais antigo, não ao atual. Escolher este como o melhor disco da década (assim como indicar o do Wolfmother para o posto) me soa bastante como saudosismo, e até mesmo como uma evidência do quanto a música decaiu depois do "fenômeno grunge" da década de 1990, não tendo havido nenhuma "grande revolução" musical de qualidade desde então (seria coincidência ter sido o período de ascensão do sertanejo universitário, do funk carioca e, especificamente no rock, do hoje quase extinto nu metal?). Back to Black é um disco classudo, bem tocado, produzido e cantado, mas não é para os meus ouvidos entupidos de METÁU. Passemos ao próximo!


2. Shaman – Ritual [2002] (61 Pontos)

Anderson: O ano é 2002, Ricardo Confessori, Luis Mariutti e o (São) André Matos saídos da, então, maior banda de metal brasileira: o preeminente Angra (o Sepultura estava uma zona ainda) terminam e lançam sob o olhar de toda a comunidade metalica brasileira e muitos olhos ao redor do planeta o intitulado Ritual. O que falar de um disco que vendeu na casa das centenas de milhares de cópias saindo das entranhas do então resignado metal melódico brasileiro? Os próprios integrantes de Angra e Shaman (que está de volta e prepara um novo álbum) já admitiram que involuntariamente (ou não) existia, de certo modo, um enfrentamento entre as bandas. Esse disco é lançado menos de um ano depois que o Angra mostrou ao mundo que estava vivo, bem e forte. Porém o Shaman com André Matos em seu auge foi avassalador, se fosse para comparar utilizaríamos o verbo PATROLAR. Para completar a banda trouxeram o irmão caçula de Luís Mariutti, Hugo Mariutti que demonstrou, sozinho na guitarra, uma qualidade e criatividade indiscutível. Vale destacar a participação do produtor Sascha Paeth, do quase membro Fabio Ribeiro (hoje formalmente adicionado ao line-up) e do convidado Tobias Sammet (Edguy, Avantasia). O play é só soco na cara, com a ideia e uma sonoridade mística Ritual traz ao mundo "Here I Am", "Distant Thunder", "For Tomorrow", "Time Will Come" e a novelística balada "Fairy Tale" como clássicos unânimes. Um CD de Power Metal para ninguém botar defeito. O Shaman começa elevando o nível do metal brasileiro dentro e fora do país, e querendo ou não abre as portas para o Temple Of Shadows do Angra vir com raiva.

André: Esse álbum é fantástico e para mim, o último trabalho excepcional da carreira de Andre Matos o que já justificaria somente por si só toda a admiração que ele recebeu mesmo que não tivesse existido Angra ou Viper. O disco é empolgante, bonito, fácil de digerir e consegue mesclar momentos de delicadeza com o peso do heavy metal. Além do Confessori que lidera a banda hoje, agradeço a Musa Nissei-Sansei, ao Jesus e ao Jesus Júnior por este petardo.

Daniel: Contando com três músicos que tinham saído do Angra, é bastante explicável o fato da musicalidade do Shaman ser uma continuidade daquilo que os caras faziam em sua banda anterior, embora com um consistente toque mais direto e mais objetivo. Um bom álbum, sem dúvidas, mas acho que a cota “Power” já estaria bem representada com o Temple of Shadows.

Davi: O Shaman nasceu da separação traumática da formação clássica do Angra. Foi uma banda que já nasceu grande. Afinal, Andre Matos já era idolatrado. Luis Mariutti e Ricardo Confessori já eram referência em seus respectivos instrumentos. Aqui, eles basicamente pegaram o power metal com influências prog do Angra e atacaram um tempero de sonoridades indígenas para criar um diferencial. É um disco que poderia facilmente ter sido gravado ao lado de Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. Andre Mattos continuava com suas linhas vocais habituais e se diferenciava por explorar mais o rasgado de sua voz. O repertório forte, e infinitamente superior ao de Fireworks, contava com várias pérolas como "For Tomorrow", "Distant Thunder", "Pride", "Fairy Tale" e "Here I Am". Disco muito bacana que nos deixa claro que Andre Matos fará muita falta na cena brasileira.

Fernando: Impressiona o quanto André Matos consegue se reinventar sempre em alto nível mesmo depois de vários inícios e separações de bandas. E aqui eu repito que falei no comentário do disco do Angra, que é uma pena que essas bandas não tenham tido continuidade. Aqui os caras tinham muita bagagem por conta dos anos de Angra o que facilitou muita coisa, mesmo sendo um disco de estreia. O fato de uma banda do estilo ter uma música em uma trilha sonora de novela mostra o quanto eles tinham potencial de romper a bolha do metal melódico e do metal como um todo.

Libia: Vejo Ritual como um dos melhores álbuns já lançados em nível mundial, e consequentemente um dos Lives mais lindos a partir desse lançamento. Trata-se de uma obra perfeita do início ao fim, que agrega desde belos toques eruditos que consegue deixar mais marcante o misticismo das letras, belos refrãos acompanhados de André Matos no piano e dos riffs pesados. E falar deste álbum sem ficar nostálgica com a lembrança de Andre Matos é impossível. Fico muito feliz em ter visto André Matos na turnê de aniversário deste álbum em 2018 lá em Manaus. Vê-lo executando “Fairy Tale” com toda a sua maestria é inesquecível.

Mairon: A estreia de Andre Matos em mais um projeto musical segue a linha do que ele havia feito no Angra de Holy Land, trazendo misturar de som bem interessantes, como as flautas andinas de "For Tomorrow". Gostei da participações de Derek Sherinian, com um ótimo solo na bonita "Over Your Head", e de Marcus Viana em “Time Will Come”, bem como das cordas de "Distant Thunder". Andre mostra-se aqui um exímio pianista, algo que anteriormente não era tão forte assim, e continua arregaçando como vocalista, principalmente na linda "Fairy Tale". Mesmo com coisas abomináveis como a faixa-título, é um bom disco, que mereceu entrar na lista de 2002, mas acho sua presença aqui exagerada.

Micael: Infelizmente, o Shaman é uma das muitas bandas que nunca tive a oportunidade de assistir ao vivo. Acompanho sua carreira desde o início, comprei seus discos na época dos lançamentos (mesmo depois que a formação inicial se desfez), e, quando finalmente parecia que teria a chance de conferir um show do grupo, quando voltaram com o quarteto original, a tragédia da morte de Andre Matos fez com que o show de Porto Alegre não chegasse a ocorrer. Conheço gente que diz que a banda, especialmente neste disco, era uma continuação do Angra da fase Holy Land (Angra, claro, que foi de onde vieram 3/4 dos membros do Shaman). Mas sempre achei esta definição muito pouco para caracterizar o grupo. Sua criatividade, a audácia nas escolhas de instrumentos fora do "tradicional" do metal melódico (ou "power metal", como quiserem), e mesmo a forte presença de rock progressivo ao longo das faixas foi muito além do que o Angra alcançou em seu incensado segundo álbum. Nem tudo em Ritual é maravilhoso, mas os bons momentos (e são muitos, embora alguns irão se fixar em "Here I Am", "Distant Thunder" ou "For Tomorrow" - além, claro, da melhor "balada metal" já gravada no país, a belíssima "Fairy Tale") fazem com que, possivelmente, este seja o melhor disco de heavy metal lançado no Brasil neste século (ao lado de Machine Messiah, do Sepultura). Discaço, cuja turnê ainda rendeu o DVD Ritualive, considerado por muitos o melhor DVD do metal nacional em todos os tempos! Não é pouca coisa!


3. Angra – Temple of Shadows [2004] (48 Pontos) *

Anderson: Lançado em setembro de 2004 esse disco é maravilhoso. Aqui o Angra é posto à prova novamente após o ótimo renascimento que teve com a saída de três dos cinco componentes da banda (André Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori – que formariam o Shaman). Em Temple of Shadows o Angra sobe o sarrafo do metal melódico nacional e o emparelha ao melhor do que estava sendo feito pela Europa. A produção deste disco é algo invejável para qualquer banda do mundo, de alguma forma o Angra de Rafael Bittencourt responde ao também ótimo Ritual do Shaman de seus ex colegas e aos críticos que consideraram o Shaman como a nova cara do metal brasileiro. O play traz a genial formação liderada pelos guitarristas Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro acrescida do baixista Felipe Andreolli (ainda na banda), do baterista Aquiles Priester (WASP e outros projetos) e do competente vocalista Edu Falaschi (solo) e trata da história do personagem Shadow Hunter um soldado cruzado que passa por uma verdadeira provação para se reestabelecer no mundo após perder sua família e entrar em uma crise dogmática-espiritual. É clássico atrás de clássico: começa arrebentando com "Spread Your Fire" e termina com um dos ícones da música brasileira Milton Nascimento cantando metal em "Late Redemption", é maravilhoso, repito. Tem balada, tem power, tem prog, tem brasileirismo, tem pegada, tem inovações na medida, trouxe convidados de peso (que poderiam ser mais explorados) como Kai Hansen (Gamma Ray), Hansi Kürsch (Blind Guardian), Sabine Edelsbacher (Edenbridge) e, claro, o Milton. É a obra prima do Angra e está entre os 5 grandes discos do metal nacional. A gana com que os artistas fizeram esse álbum os levou a outro patamar com certeza.

André: Esse é o meu disco power metal tradicional favorito de todos os tempos. Tudo aqui funciona perfeitamente bem. As composições são inspiradas, as letras são inteligentes e bem sacadas e a performance de todos que estavam com aquela gana de se superarem após a saída de tantos integrantes poucos anos antes transparece em cada uma das faixas do disco. "Temple of Hate", "Spread your Fire" e "Winds of Destination" estão entre as melhores canções de toda a carreira do Angra.

Daniel: Ouvi muito este trabalho, inclusive estive no show quando a banda executou este álbum na íntegra aqui onde moro. Julgo este disco como um dos melhores do Angra e também dos melhores do gênero. Mais intricado e melhor desenvolvido que Rebirth, penso que este é o grande disco do Angra neste século.

Davi: Certamente, o trabalho mais forte da era Edu Falaschi. Também gosto muuuito do Rebirth, mas aqui eles foram mais ousados nos arranjos. Enquanto no álbum anterior, eles mantinham a sua sonoridade clássica, aqui eles deram um passo além. Trouxeram influência da cena europeia da época (Edguy e afins) para dentro de seu som e estraçalharam na parte técnica. "Angels and Demons" (com fortíssima influência de Dream Theater) e a belíssima balada "Wishing Well" são os ponto de destaque do disco.

Fernando: Uma das obras primas do metal nacional. E digo isso mesmo que este não seja um dos top 3 da banda para mim. Dessa vez o conceito do disco foi mais alinhado ao que alguma banda européia teria feito, o que deve ter aproximado mais os fãs europeus do disco e por isso ele é mais celebrado lá fora do que o Holy Land por exemplo. Aqui os elementos de música brasileiras estão mais presentes mais muito mais como um tempero do que como uma base como também aconteceu com o Holy Land. É uma pena que as bandas brasileiras em ascensão não consigam se firmar para consolidar seu crescimento e se tornarem gigantes do metal mundial. Pois são discos como Temple of Shadows que provam que isso poderia ter acontecido.

Libia: Eu adoro a fase do Edu Falaschi, e Temple of Shadows é um belíssimo álbum, técnico, melódico, muito bem produzido, com grandes participações. Este álbum representa uma grande maturidade musical da banda, com belas canções em torno da saga do "The Shadow Hunter". Falando em participações, há neste álbum a presença dos monstros Kai Hansen, Hansi Kürsch e do maravilhoso Maiton Nascimento. Sem dúvidas, um dos melhores álbuns de Power Metal Brasileiro. Minha favorita é a “Late Redemption” que tem uma bela harmonia de vozes e instrumentos. Grande álbum do Power Metal Brasileiro!

Mairon: Angra sem Andre Matos não é Angra. O disco até evoca algo de interessante instrumentalmente, mas os vocais do Edu Falaschi não dá para aturar. Gostei da vinheta "Deus Le Volt", os trabalhos das guitarras nos solos de "Spread Your Fire", que me lembrou muito "Eagle Fly Free", e a linda instrumental “Gate XIII”, que encerra o álbum com uma fantástica orquestração. Claro, a participação de Kai Hansen em "The Temple of Hate" é outro ponto positivo para o disco. Mas no geral, Temple of Shadows soa muito pomposo e, ao meu ver, insípido. Nem Milton Nascimento se escapa em "Late Redemptiion". Disco fraquíssimo, que não vejo nenhum motivo para ter entrado como um dos Melhores de 2004, muito menos como um dos Melhores desse período de 2000 a 2009.

Micael: Este álbum é idolatrado pelos fãs da banda, mas eu, particularmente, nunca dei muito valor a ele, apesar de gostar bastante do Angra e de ter assistido duas vezes à turnê de Edu Falaschi interpretando-o na íntegra. "Spread Your Fire" é uma música que gostei desde a primeira vez que ouvi, e é sempre legal ouvir o público cantar a parte de Milton Nascimento em "Late Redemption" a cada show, mas não é o suficiente para colocar este disco dentre os meus favoritos do Angra. Muito menos dentre os melhores da década.


4. Iron Maiden – Brave New World [2000] (48 Pontos)

Anderson: Precisa mesmo comentar esse? Os caras lançaram duas bombas sem o menino Bruce e deu no que deu. Ao entrar nos 2000 Harris junta a patota, chama de volta o Adrian Smith (mas sem demitir ninguém) e fala: - "Piazada, cada um pega um dos nossos discão dos bão e se falamo depois! Vamo fazer um rock paulera rude de novo… (sic)" Acho um disco completo, uma escola de Iron Maiden, trouxeram muito do seu próprio legado. Acredito que o fato de estar aqui é justamente esse triunfal retorno que coloca o Iron no seu devido lugar. Destaco as ótimas "The Wicker Man", "Ghost of the Navigator" e "Nomad", mas siceramente curto todas.

André: Gosto muito deste disco. Para mim, foi o último tiro de criatividade dos britânicos. Também gosto bastante de Dance of Death (2003). Depois disso, lançou um ruim (aquele enfadonho de 2006) e os outros dois apenas medianos. É o único disco em que as influências progressivas que eles passaram a adotar estão bem encaixadas nas composições. Depois da recepção terrível do anterior, os caras resolveram arregaçar as mangas e lançar um álbum digno da fama e de toda a discografia anterior deles. Até hoje acho "The Fallen Angel" uma canção bastante subestimada da donzela. Não tem aquele refrão marcante como em outros sucessos da banda, mas tem uma energia que me contagia toda vez que a ouço.

Daniel: Para mim, que não tenho a menor saudade da era Blaze Bayley, Brave New World revigorou minha condição de fã da banda (naquela época). Lembro-me de que a notícia dos retornos de Bruce e de Adrian me fizeram ter bastante ansiedade pelo (então) novo álbum. Tal ansiedade foi plenamente recompensada, pois acho este o último grande trabalho do Iron Maiden. Entre minhas preferidas estão “Brave New World”, “Dream of Mirrors” e "Out of the Silent Planet".

Davi: Esse álbum causou bastante estardalhaço na época por conta da volta de Bruce Dickinson (aleluia!) e Adrian Smith. Como era bom ouvir Bruce novamente com a banda depois de ter que aturar Blaze Bayley acabando com toda a magia do grupo. O fato de ter agora 3 guitarristas não mudou muita coisa. A sonoridade continuava com os elementos típicos do Maiden: bateria cavalgada, baixos dedilhados, riffs de guitarra cantadas... O grande lance é que aqui os caras estavam altamente inspirados. O repertório é fortíssimo. Sem dúvidas, esse é o álbum mais forte desde que Dickinson retornou ao grupo. Só poderiam ter nos poupado de "Blood Brothers" e "The Nomad", o restante é excelente.

Fernando: O Brave New World é um disco que representa o retorno de uma época de ouro, mas também marca o início de uma nova fase musical da banda. Quem gosta dos primeiros discos e não gosta dos últimos ainda gosta desse. Os fãs estavam tão ansiosos pelo retorno de Bruce Dickinson que fez com a turnê desse disco fosse uma das melhores da banda e culminou naquele fantástico show do Rock in Rio de 2001, que felizmente estive presente e viu um disco e DVD excelentes. O Brave New World também conseguiu angariar uma legião de novos fãs da banda o que garantiu a renovação de seu público, algo que poucas bandas conseguem.

Libia: O Maiden lançou clássicos nos 80’s, 90’s e temos o Brave New World abrindo a década com maestria, e como todos sabem, com o retorno do Bruce aos vocais e do guitarrista Adrian. E esse lançamento de banda com grande popularidade, provavelmente resultou em um crescimento de fãs do estilo. Minhas favoritas são “Ghost Of Navigator”, “The Mercenary” e “Dream of Mirrors”. Não ter esse álbum na lista seria um erro.

Mairon: Numa das maiores jogadas de marketing da história, Bruce Dickinson - e Adrian Smith - voltou para o Iron Maiden. Fãs oriçados consumiram esse retorno e aclamaram Brave New World. O disco até que começa bem com "The Wicker Man", faixa rápida, remetendo ao Iron clássico dos anos 80, mas depois, começa aquela sequência de introdução longa, escalas em cima de Em, C e D, repetições sobre si mesmo, refrão falando a mesma frase no infinite mode on, todo o pastiche musical que virou o Iron Maiden desde então, numa adaptação sem graça dos melhores momentos da era Blaze. Tirando "The Fallen Angel", o resto é de um engodo sem fim. Claro que o show da banda no Rock in Rio de 2001, que inclusive virou CD, serviu para conquistar muitos fãs por aqui, mas cara, eu não consigo gostar de "Brave New World", "Dream of Mirrors" (zzzzzzzzzzzzzz) "Ghost of Navigator", "The Nomad", "The Thin Line Betwwn Love and Hate", socorro, o disco não acaba nunca. E no meio disso, a terrível "Blood Brothers". Que música chata, puta que pariu! Me perdi contando as vezes que Bruce Dickinson fala o nome da música na décima quinta. Fanatismo tem limites, e olha, esse disco foi eleito (pasmem!) o melhor de 2000, mesmo ano de lançamento de pérolas como Juno e Riding With the King, só para ficar em dois. Aja paciência!

Micael: O álbum de retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao Iron Maiden ainda é o seu melhor registro desde  o álbum Fear of The Dark. Após dois discos com um direcionamento "diferente" com Blaze Bayley nos vocais, a Donzela voltava ao estilo "antigo" de suas músicas (que se tornou cada vez mais repetitivo em álbuns futuros), com faixas empolgantes como "Ghost of the Navigator" (ainda a minha favorita no track list), "Blood Brothers", "The Wicker Man", "Out of the Silent Planet" e a faixa título. Sua audição na íntegra soa um pouco cansativa devido à longa duração e alguns fillers desnecessários ("The Fallen Angel" e "Dream of Mirrors" nunca me atraíram muito), mas é um bom disco da maior banda de heavy metal da história. E um disco "Bom" da Donzela de Ferro é melhor que muita coisa que tem por aí...


5. Audioslave – Audioslave [2002] (34 Pontos)

Anderson: Então você pega os restos de duas bandas cabulosas e junta... cabeça e corpo costuradinho deu aos nossos ouvidos essa aventura chamada Audioslave. Esse disco impactou enormemente minha geração, entrávamos no ensino médio e de repente o rock arromba a porta. Lembro bem da guinada que foi ouvir primeiro no rádio e depois em alguma cópia que alguém conseguiu (era o auge dos gravadores de CD/DVD, mas, caro que era, apenas um ou outro tinha em casa). Lembro bem que fiz o caminho reverso e fui conhecer o Soundgarden depois deles, pois como falei, as coisas não chegavam até a gente (pooobre!). Lembro ainda das paradas em rádios pop, em rádios rock, além da antiga e saudosa MTV Brasil que não paravam de passar os clipes desse álbum. Muito peso e muito groove nesse play que tem Morelo e Cornell comandando o vapor, mas da pra percerber que todos ali estão fazendo o que gostam com muita vontade. Essa gana nos presenteia com bem mais do que os hits de sucesso. Tem bastante coisa boa e diferente como "What You Are", "Hypnotise" ou "Shadow on the Sun". Trata-se de um material extenso mas não é cansativo, muito bom.

André: O som da banda não se dá bem com os meus ouvidos porque tem o Chris Cornell em sua formação. E não consigo gostar de nada em que ele apareça nos créditos. Entretanto, eu ainda acho este disco o melhor trabalho que ele já fez na vida. Tem algumas coisinhas aqui que se salvam como a faixa "Bring Em' Alive". E é só.

Daniel: A banda e este álbum, em particular, marcaram bastante o início da década de 2000. Algumas de suas canções são excelentes, como, por exemplo, "Cochise", "Show How To Live", "Gasoline", "Set It Off" e até mesmo "Like a Stone". Ótimo disco, mas, se tivesse menos canções, o saldo seria ainda mais positivo.

Davi: Belíssimo álbum. Lembro quando entrevistei o Ian Haugland (baterista do Europe) e ele citava esse disco como um de seus favoritos de todos os tempos. Certamente, acho a declaração exagerada, mas que foi um dos melhores dos anos 2000, isso foi. Eu já era fã tanto do Rage Against The Machine, quanto do Soundgarden, portanto não tive problema com a entrada do rapaz no grupo. Só me perguntava se seu estilo de cantar casaria com o jeito que eles tocavam, mas a coisa funcionou incrivelmente bem. Cornell e o Morello são os grandes destaques do álbum. Tom Morello é certamente um dos guitarristas mais criativos de sua geração e aqui não deixa por menos. "Cochise", "Gasoline", "Set It Off" e "Light My Way" são minhas favoritas.

Fernando: Lembro da febre que foi o Rage Against the Machine entre o pessoal que gostava de música que rondava os círculos em que frequentava. A recordação de uma viagem à praia com uma galera de escola em que o primeiro disco da banda rodava initerruptamente é bastante clara na minha cabeça. Porém a voz sempre me incomodava. Pois o Audioslave veio para corrigir essa falha e aí sim eu vi um bom aproveitamento do instrumental de Tom Morello e cia.

Libia: Chris Cornell canta absurdamente neste álbum, mostrando todo a sua potência e habilidade vocal e acompanhado dos ex-integrantes do Rage Against the Machine, realmente um superbanda de Rock! Sempre me pego viajando em “Gasoline” e me lembro da pré-adolescência assistindo o clipe de “Show Me How to Live” na MTV e não podemos deixar de fazer menção da pedrada “Set It Off”. Mas minha favorita de todas é a “I Am the Highway”, ela nos leva para outra atmosfera porque é profunda e tem um equilíbrio genial dos acordes. Muito bom ver esse álbum na lista.

Mairon: O Audioslave era uma banda que honestamente eu não dava bola. Quando foi eleito um dos Melhores de 2002, fiz uma audição quase que sem vontade. Porém, o tempo passou, e esse álbum só cresceu em minhas audições. Chris Cornell está cantando muito, e a mistura de Temple of Dog com Rage Against The Machine me fez repensar a banda, ouvindo-os diariamente. Ok, "Like a Stone" pode ter enchido o saco de tanto tocar, mas é uma bela música, e Audioslave proporciona ainda mais. Refrãos grudentos ("Hypnotize", "Show Me How To Live", "What You Are"), modernices pesadas, com solos bizarros mas muito legais de Tom Morello ("Exploder", "Gasoline", "Light My Way", "Shadow of the Sun" e "Set It Off"), outro nome fundamental no Audioslave, e canções mais leves, onde Cornell solta sua voz como poucos ( "Getaway Car", a lindaça "I Am The Highway", a ja citada "Like a Stone", e a viajante "The Last Remaining Light", com seu solo trazendo acordes jazzísticos). Hoje reconheço que é um baita disco, bastante pesado, com a banda destruindo e Cornell arregaçando, onde "Bring Em Back Alive" é o símbolo máximo disso. Baita disco, e presença justíssima aqui.

Micael: O Audioslave foi, possivelmente, o maior "supergrupo" deste século, e, embora sua carreira tenha tido um reconhecimento bem menor do que as possibilidades indicavam, a junção dos ex-membros do RATM com o à época ex-cantor do Soundgarden resultou em uma sonoridade diferente das bandas de origem de seus membros, mais "pop" e "palatável", mas ainda assim agradável aos fãs de seus grupos de origem. Este registro de estreia ainda é, para mim, o melhor da banda, com músicas de destaque como "Like a Stone", "Cochise" e "Show Me How to Live", todas, não por acaso, lançadas como single. Um bom álbum, talvez não merecedor de estar nesta lista, mas sua presença aqui não chega a soar absurda!


6. System of a Down – Toxicity [2001] (31 Pontos)

Anderson: Neste conturbado 2020 a música "Chop Suey" do álbum Toxicity atingiu a marca de 1 bilhão de visualizações na plataforma youtube, mas e daí? Tudo bem que é a única banda de metal com esse número… e daí que é uma das únicas quatro bandas de rock a chegar a esse valor, né? Ironias à parte esse número é simbólico, vale a pena ir atrás dos prêmios e alcance que esse álbum teve. É surreal se pensarmos em metal nos anos 2000. Esse play coloca a banda em definitivo no panteão dos grandes do metal. Metal como deveria ser: metendo o dedo em feridas sociais, trazendo influências de outros gêneros, brincando com ironias e sarcasmos. Eles deram uma apeladinha para uma musicalidade acessível como na bonita Aerials, mas as pedradas estão lá com pegada heavy, thrash, hardcore, e com muito ritmo e groove: "Toxicity", "Needles", "Psycho", "Deer Dance", "Chop Suey", enfim. Obrigatório.

André: Na época de fama do System of a Down, lá pela década de zero zero, o som deles me chamava muito a atenção por essa originalidade em unir essas quebras repentinas de ritmo, peso das guitarras do heavy metal e vocais ora cantados ora falados. Porém, achava que logo ficaria datado e enjoativo. Eu estava errado. Ainda é divertido ouvir esses malucos. Suas letras falam de temas bem sérios mas a atmosfera que ronda a sua sonoridade parece dizer o contrário. Todos estes contrapontos fazem dessa banda e este disco um belo registro sonoro do período.

Daniel: Uma banda única. A sonoridade criativa do grupo, fundindo suas raízes armenas a uma musicalidade bruta e visceral, foi um dos melhores momentos da música nos últimos 20 anos. Toxicity possui alguns dos maiores clássicos do grupo como “Chop Suey!”, “Toxicity” e a incrível “Aerials”. Presença muito merecida.

Davi: System of a Down conseguiu um impacto com a garotada dos anos 2000 que me lembrava o impacto que a juventude dos anos 90 tinha com o Faith No More. O mesmo tipo de fanatismo. O grupo de Serj Tankian apresenta uma sonoridade muito própria. Sempre gostei deles justamente por isso. Os caras não vieram na cola de ninguém. E Toxicity foi o disco que marcou esse pé na porta. O álbum de estreia do grupo já havia causado um burburinho, mas foi com esse disco que eles se tornaram uma banda realmente grande. "Prison Song", "Needles", "Chop Suey", "Deer Dance", "Aerials" e "Toxicity" são consideradas clássicos do grupo. Álbum bem emblemático desse período e sua presença é mais do que merecida.

Fernando: Nunca consegui me conectar com o tipo de música do System of a Down. Não chega a me incomodar, mas não é algo que eu colocaria para ouvir lá em casa.

Libia: Há algum tempo atrás assistindo o programa “That Metal Show”, observei que lá fora a galera não leva tão a sério essa distinção de New Metal e demais vertentes, mas sim se é uma boa música. A partir deste momento consegui dá a importância necessária a essa grande banda. Toxicity foi um sucesso avassalador e até hoje novas gerações se descobrem a partir desse álbum. É um álbum diferenciado em tudo, com riffs empolgantes e pesados e belos refrãos do início ao fim. A finalização do álbum é certeira com a bela “Aerials” e sua afinação peculiar para ter grande peso mesmo sendo uma música lenta.

Mairon: A banda que define os anos 2000 na minha visão não podia ficar de fora dessa lista, e Toxicity é o responsável claro de toda a fama do SOAD. Cara, os caras trouxeram as mulheres novamente para o mundo do rock de forma incomparável com outras bandas, e em especial, Toxiticy soa quase como um Best Of dos armênios. O track list é impecável. "Prison Song", "Needles", "X", "Chop Suey!", "Jet Pilot", "Bounce", "Pscyho", "Toxicity", "Aerials", sonzeiras para colocar a casa abaixo, e que fizeram muito sucesso. A violência sonora segue com "Atwa", "Deer Dance", "Forest" - que som massa para pular - "Shimmy" e a ótima "Science", minha preferida ao lado de "Aerials", essa a melhor de todas as canções dos caras. É pancadaria comendo solta, rodas punk violentas, um baterista endemoniado (John Dolmayan), os vocais complexos de Serj Tankian, e claro, essas composições e rifferamas de outro mundo, advindas do marrento e genial Daron Malakian. Primeira posição na nossa lista de 2001, e com certeza, um dos melhores discos desse século.

Micael: Eu curto bastante o rock progressivo, então estou familiarizado com mudanças de sonoridade dentro de uma mesma música, faixas com várias partes diferentes, e "atmosferas" distintas compondo a "paisagem" de uma canção. Mas o System Of A Down exagera demais na dose para o meu gosto. Peguemos por exemplo a faixa de abertura deste álbum, "Prison Song": o riff inicial parece o de uma banda de death metal (especialmente junto ao primeiro urro de Serj Tankian - ou de algum outro membro, não tenho esta informação); mas, antes do primeiro minuto, a canção já tomou outro rumo, e muda mais umas duas vezes ainda antes do segundo minuto chegar. É muita informação em pouco tempo, me dá a impressão de que as ideias não tem tempo nem espaço para se desenvolverem e serem assimiladas pelo ouvinte... E as canções são muito curtas, pelo menos aqui nenhuma passa de quatro minutos, o que faz com que cada riff ou passagem interessante permaneça "no ar" por uns dez ou quinze segundos apenas, como os sensacionais quinze segundos iniciais de "Jet Pilot", ou os quinze segundos iniciais de "Shimmy" (que me lembraram algo do Sepultura dos primeiros anos com Derrick), ou ainda aquele riff entre os versos no começo de "Forest" (o bom é que as partes mais chatas duram a mesma quantidade de tempo, então há um certo equilibrio entre as coisas). Confesso que não tenho capacidade para assimilar algo assim, mas sou forçado a reconhecer que, se o metal da primeira década deste século tem um pouco de originalidade, em muito é por causa destes caras (e "Chop Suey!" e "Aerials", convenhamos, são sensacionais, mesmo sofrendo de todos os "problemas" que coloquei acima). Neste disco, as únicas músicas que eu conhecia antes de me dedicar à sua audição (e só o fiz por causa desta lista, confesso) eram as citadas "Chop Suey!" e "Aerials", além da faixa título, três canções que me acostumei a escutar com certa frequência no sistema de som do bar Opinião enquanto aguardava algum show que aconteceria no local. Além delas, apenas "Science", talvez a faixa mais "direta" do registro, foi capaz de manter a minha atenção ao longo de quase toda a sua duração, e as outras tem alguns bons momentos aqui e ali, todos, infelizmente, muito fugazes. Não é o tipo de música para mim, mas torna esta lista bastante representativa da época abordada (para o bem ou para o mal).


7. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho [2001] (30 Pontos)

Anderson: Não gosto de Los Hermanos, acho parte das pessoas que ali estavam arrogantes, cheias de estrelismo com uma soberba que me faz voltar aos tempos de piá e gostar de Charlie Brown Jr (entendedores...). Porém, não podemos ser tão clubista de não admitir que esses caras colocaram o indie no rádio do Brasil e, sim senhores, abriu as portas para toda uma geração de ouvintes. Por isso votei nele, sim! Esse disco marca o começo de uma era de maiores liberdades pelo Brasil em que minorias começam a ganhar voz e ser representadas, nesse aspecto o indie se tornaria, mais adiante, uma bandeira e uma febre entre casas noturnas e bares de rock alternativo e com público diverso. Sobre o álbum: fracasso de vendas na época e uma ruptura viceral na sonoridade. Eu particularmente não curto pois existe uma constante triste nas letras, na forma de cantar e o ritmo não ajuda, pra mim isso não funciona bem. Mas é um álbum muito bem produzido com muitos elementos da música brasileira, metais, jazz, ska… muitos falavam de Jorge Ben ou Weezer… enfim, é um baita disco.

André: Mairon e seja lá quem mais votou nele. Que vontade que eu tenho de torcer os seus pescoços! Pelo menos emplaquei um Nightwish para judiar do nosso doutor também.

Daniel: Não é minha praia.

Davi: Não sou o maior fã de Los Hermanos do mundo, mas gosto desse álbum e do Ventura. Esse sempre foi o meu favorito e é um trabalho bem importante porque foi um álbum divisor de águas. Foi quando eles demonstraram que de fato eram bons letristas, conseguiram uma identidade muito própria adicionando mais elementos da música brasileira em seu trabalho (há referencias, inclusive, de samba), sem contar que conseguiram algo improvável: se tornaram uma banda realmente grande, com um fanatismo estilo Legião, ao mesmo tempo que tinham a grande mídia torcendo o nariz para eles, já que todos aguardavam um álbum de Anna Julias. "Todo Carnaval Tem Seu Fim", "A Flor", "Casa Pré Fabricada", "Sentimental" e "Fingi Na Hora Rir" se destacam nesse que é um dos últimos grandes álbuns produzidos pela cena mainstream brasileira.

Fernando: Chato. Banda superestimada. O nome do disco é uma referência ao número de fãs que a banda deveria ter.

Libia:  Conhecia Los Hermanos pelos seus hits, mas não conhecia os álbuns. As músicas não eram do meu gosto musical, e por isso nunca me interessei em ir atrás. E agora escutando Bloco do Eu Sozinho tive a confirmação que realmente não desce, ele conseguiu me deixar um pouco entediada. Mas acho importante reconhecer que é um trabalho que tem fortes composições, e não se prenderam ao seu sucesso anterior, e ousaram ir para outra direção. Em tempos de músicas vazias e sem criatividade que estão na mídia, esse é um álbum que merece ser lembrado na música brasileira do século XXI. Ainda não abri a mente para a banda, mas naturalmente sempre tento ver o lado bom de algo.

Mairon: Sempre me surpreendo com Bloco do Eu Sozinho ser escolhido pelos consultores. Não que eu não curta o disco, pelo contrário. Uma paulada divisora de águas na carreira da banda, que mostrou que os caras eram muito mais do que "Anna Julia". Mas pelo fato de que dos que curtem Los Hermanos, Ventura ser o preferido da maioria. Bom, eu tenho 4 como meu predileto, mas Bloco ... entrou na lista de 2001, encabeçou a lista de Melhores brasileiros da década 00, e é um disco que representa muito bem a melhor banda nacional dos anos 90 e 2000. "Todo o Carnaval Tem Seu Fim", "A Flor", "Fingi Na Hora Rir" (que baita clipe) e "Tão Sozinho" são as pauladas hardcore que ecoam as origens dos cariocas. Mas a revolução aparece no gingado embriagado de "Retrato Pra Iaiá", no jazz-cabaret de "Cher Antoine", no emprego de levadas sambistas em "Assim Será" e "Deixa Estar", nas quebradas de Barba em “Casa Pré-Fabricada” ou até na valsa debochada de "Mais Uma Canção". Amarante se sobressai no disco, ganhando mais espaço do que em Los Hermanos, e virando, para mim, o principal letrista. Se dúvida disso, ouça "Sentimental" e entenda minhas palavras. Mas Camelo também faz das suas, com as letras das ótimas "Cadê Teu Suin" e "Veja Bem Meu Bem" mostrando muito de seu talento. O disco se encerra se despedindo de "Anna Julia" com "Adeus Você", e dali em diante, o Los Hermanos se tornaria o gigante que lotaria locais pelo país e por que não o mundo - inteiro. Bloco do Eu Sozinho é para os anos 2000 o que foi Acabou Chorare para os anos 70. Uma amostra grande de que rock e samba podem se fundir em uma música coesa e fantástica. Muito bom vê-lo por aqui.

Micael: Coloquei este disco na minha lista pessoal, mas até eu admito que sua presença na lista final é um exagero (bem, talvez se considerarmos as outras opções que podiam ser votadas, não seja tanto assim). Gosto bastante deste disco, menos apenas que do primeiro na carreira da banda, e faixas como "A Flor", "Fingi Na Hora Rir", o hardcore "Tão Sozinho" (a que mais lembra o disco de estreia), a emocionante "Sentimental" e as tocantes "Veja Bem Meu Bem", "Adeus Você" e "Assim Será" ainda soam bastante agradáveis a meus ouvidos. Depois, o Los Hermanos se tornaria mais sombrio, tristonho e depressivo, e, ainda que seus próximos álbuns sejam muito bonitos e bem feitos, ainda estão, para o meu gosto, um degrau abaixo deste segundo registro. Pena que muitos não vão nem escutar por puro preconceito, mas, azar deles...


8. Opeth – Damnation [2003] (28 Pontos)

Anderson: Respeitando a opinião dos colegas, mas discordando da participação de qualquer material dessa banda por aqui, deixo meu comentário: Em Curitiba isso é nome de escola e daquelas faculdades que surgiram aos (des)montes do governo FHC! Não entendo, não consigo entender, já tentei uma, duas, três, horas a fio. Opeth é ruim! Quando vi por aqui pensei que estava na hora de parar de ser besta e ouvir direito… Fui atrás até de apresentações ao vivo da banda… focando sempre no material desse álbum, a empolgação do público é impressionante... digna de uma fábrica de cones. O Iron Maiden do Death Metal, banda que causou um terremoto na Suécia: In Flames, era pra estar aqui! …. next….

André: Um disco razoável de uma banda que nunca entendi muito todo o hype em cima dela. Não incomoda, mas não considero nem de longe um melhor da década. As vezes acho que eles querem ser o Pink Floyd do século XX, mas acho que falta um pouco mais de criatividade para conseguirem isso. Quanto ao disco, "To Rid the Disease" é boazinha. "Windowpane" também desce legal. O restante não fedeu e nem cheirou.

Daniel: Eu tenho os álbuns do Opeth que são inspirados no Progressivo setentista na mais alta conta e acho este Damnation um dos melhores. As letras que exploram o lado sombrio da alma humana se encontram com uma sonoridade suave, mas repleta de melancolia. A presença de um Mellotron marcante é outro destaque. Enfim, um disco muito inspirado e uma amostra de uma banda que se arriscou por novos caminhos e se deu muito bem.

Davi: Não sou um profundo conhecedor do Opeth, mas a imagem que eu tinha deles era de uma banda de death metal meio pentelha. Esse disco, contudo, gostei bastante. Calmo, introspectivo, com uma pegada meia prog, me lembrou um pouco o Porcupine Tree. Gostei do trabalho vocal. A extensão do cara não é alta, mas é um trabalho bem melódico e bem resolvido, backings bem trabalhados. Achei o disco super bonito. Depois vou dar uma fuçada na discografia deles no Spotify para ver se encontro mais alguma coisa deles nessa linha, longe daqueles death maluco.

Fernando: O disco que me fez gostar de Opeth. Porém, quem gosta da banda sabe que esse disco foi, até então, um dos mais diferentes da banda. Vendo da perspectiva atual vejo que esse álbum foi usado como um laboratório do que seria o futuro da banda. Lançado como um disco irmão de Deliverance (2002), no qual eles reservaram a parte mais brutal do estilo da banda, deixando concentradas as melodias mais amenas para Damnation. E, de certa forma, é o que a banda acabou tornando padrão nos discos a partir de Heritage (2011).

Libia: Temos aqui um dos melhores álbuns de Rock Progressivo que já ouvi, lançado por uma banda que tem como base os fãs de Death Metal. Eu sou uma das pessoas conquistadas pela banda após conhecer o lado progressivo. Antes já era fascinada pelos trabalhos e produções do Steve Wilson, que fez um majestoso trabalho nesse álbum. Tudo harmoniza de forma impecável, com vocais limpos, linhas melancólicas das guitarras e bateria jazzística. Minha favorita é a “In My Time of Need”, nessas alturas do álbum você já se sente em outro planeta, e se torna difícil não se emocionar com esse som.

Mairon: Esse é um belo trabalho de produção de Steven Wilson, talvez o maior nome do rock progressivo no século atual. Ele transformou o som dos suecos em algo muito agradável, principalmente pela adição de Mellotron, o que dá uma nostálgica sensação para Damnation, bem como aquele cheiro naftalinoso de Porcupine Tree ao longo de toda a audição, o que não é de todo ruim. Eu gostei da primeira vez que ouvi, justamente quando ele foi eleito o Melhor de 2003. Acho demasiada a escolha ainda, mas confesso que nessa audição, várias faixas me agradaram bem mais, principalmente a abertura com "Widowpane" e os violões de "Closure", Ainda acho as melhores “Death Whispered a Lullaby” e a curtinha instrumental “Ending Credits”, e ainda acho que se fosse para ter algo desse estilo, Anekdoten cairia mais, ou ainda, o Beardfish merecia esse lugar. Mas, essas listas realmente não são justas.

Micael: O Opeth é uma banda que, admito, preciso me dedicar a conhecer melhor. Um dos mais importantes e comentados grupos deste século, pelo menos no meio do heavy metal, eu nunca tive tanta curiosidade assim pela discografia do conjunto, e acredito que o único item deles que possuo é o DVD Lamentations, que traz justamente este Damnation na íntegra, interpretado ao vivo. Salvo engano de minha parte (e meus colegas já devem ter falado sobre isto aí acima), este é o álbum que marca o início da transição da sonoridade do Opeth de algo mais ligado ao Death Metal para composições com características do rock progressivo, o que, em si, é uma tremenda mudança, que, pelo que sei, o grupo atravessou com grande competência. Falando de Damnation, em si, eu o considero um álbum de progressivo, mas não aquele "prog sinfônico" dos anos 70, ou quase atonal e revolucionário como as bandas do Rock In Opposition costuma(va)m fazer. O progressivo do Opeth tem algumas características de outras bandas escandinavas do estilo, como Anekdoten, Anglagard ou mesmo o Pain of Salvation, misturando um pouco de melancolia a paisagens calmas e belas aliadas a momentos de grande técnica instrumental. Mikael Åkerfeldt se revela um grande vocalista (algo difícil de prever quando ouvimos os guturais dos primeiros álbuns), além de um grande compositor, e, mesmo com algumas músicas soando mais longas que o necessário, é um disco que se deixa ouvir sem maiores solavancos (mas também, preciso dizer, sem maiores emoções). Merecia estar nesta lista? Acho exagerada sua presença aqui, mas não é nenhuma ofensa considerá-lo digno de figurar entre os demais escolhidos.


9. Nightwish – Dark Passion Play [2007] (25 Pontos) **

Anderson: Esse disco é o grande disco da banda, ainda surfando na onda do Once, a banda lança o material sobre os escombros da sua própria queda após a saída conturbada da Tarja. A competentíssima Anette Olzon (dispensada logo depois?!?!) faz a função e mantém a banda no glamour e patamar alcançado. Nosso caro Tuomas da uma baita subida na trucada, coloca muita coisa grande no trabalho até um tanto megalomaníaco. Não colocaria esse disco aqui, acho até que a importância do Once, considerando os discos da banda, é maior que Dark Passion. O fato é que vendeu como água e manteve o metal nas paradas.

André: É o meu disco favorito da vida. Obviamente vai estar em primeiro. Se não quiserem que ele entre nas listas, me expulsem do site. Agora falando desta obra prima, foi o último álbum em que o líder Tuomas Holopainen desencarnou os seus sentimentos pessoais em forma de música. Todo o imaginário pessoal dele termina aqui. A primeira canção "The Poet and the Pendulum", a minha favorita de todos os tempos, nada mais é do que a morte de Tuomas como autor dentro da música. Ele simplesmente "morre" artisticamente. Todas as outras músicas do restante do álbum seria a alma dele ainda vagando na Terra. Destaco a banda se despedindo de Tarja ("Bye Bye Beautiful"), a raiva expelida em "Master Passion Greed", a imprensa musical esfacelando o cadáver da banda após a demissão da vocalista ("7 Days to the Wolves") e a alma de Tuomas finalizando a sua passagem para o céu ao final em "Meadows of Heaven". Após isso, Tuomas nunca mais falou de si nos três discos seguintes. Entrarei em mais detalhes sobre isso ao término do meu especial sobre a banda que publicarei no mês que vem.

Daniel: Eu até gosto do Nightwish, tenho alguns discos, mas não acho que seja o caso de um álbum do grupo figurar entre os dez melhores da década - ainda mais com um de seus trabalhos que julgo menos interessante.

Davi: Me tornei fã do Nightwish com o álbum Oceanborn e sempre vi a Tarja Turunen como um diferencial do grupo liderado pelo ególatra Tuomas Holopainen. Portanto, fiquei com um pé atrás quando mandaram a Tarja embora da banda. Contudo, quebrei a cara bonito quando ouvi o disco. Gostei do estilo serelepe de Anette Olzon. Realmente, o estilo vocal dela era bem diferente do estilo da Tarja. Ela é mais próxima da Sharon den Adel. Canta de maneira mais limpa, tem um 'q' mais comercial. Os arranjos continuavam pomposos e cinematográficos, mas esse lado mais comercial, que já havia dado as caras em Once, apareciam bastante no álbum. O repertório é forte e traz várias canções memoráveis como "The Poet And The Pendulum", "Bye Bye Beautiful", "Amaranth", "Cadence of Her Last Breath", "7 Days To The Wolves" e "Whoever Brings The Night". Fiquei triste quando essa menina se afastou do grupo...

Fernando: Não sou lá tão fã do Nightwish sem a Tarja. Quando a Anette entrou eu vi nela como uma boa possibilidade que, no meu gosto, não se concretizou. Com a Floor Jansen eu vejo eu a banda se tornou mais forte, apesar de não ter gostado muito desse último disco também.

Libia: Pessoalmente, já não era uma aficionada por Nightwish, mas após a saída da Tarja Turunen a banda perdeu de vez o encanto. Especificamente sobre o álbum, há boas músicas como “Bye Bye Beautiful” e a pesadíssima “Master Passion Greed”, entretanto, não acho nem perto de álbuns como Century Child (2002) e o excepcional Wishmaster (2000).

Mairon: Não consigo ouvir cinco minutos disso sem querer sair chorando e pedindo para parar a tortura. Não dá gurizada, foi mal. Isso aqui não é música!

Micael: A estreia de Anette Olzon tem várias músicas legais, como "Bye Bye Beautiful", a popíssima (apesar das guitarras pesadas) "Amaranth" e as "épicas" "7 Days to the Wolves" e "The Poet and the Pendulum". Mas todas estas canções possuem versões melhores na voz de Floor Jansen, e mesmo o segundo e derradeiro registro com Anette, Imaginaerum, me soa mais agradável do que este álbum. Como ficou claro, não é o meu disco favorito da banda, e até coloquei Century Child na minha lista pessoal (este sim no topo da discografia dos finlandeses, para o meu gosto), mas, perto de outras opções que poderiam ter sido escolhidas, não é assim tão ruim ver este álbum aqui.


10. Transatlantic – SMPT:e [2003] (25 Pontos)***

Anderson: Mais um supergrupo na lista o que reflete a capacidade de determinados artistas, que quando resolvem se juntar causam impacto. Esta ode ao progressivo preenche um certo hiato do gênero, mas não tem a pretensão de competir nas rádios com outros gêneros. Aparentemente é um trabalho em que o pessoal se reuniu para curtir e aliviar a pressão, o resultado é algo grandioso, que chamou a atenção e agradou os fãs do gênero. Particularmente o que me chamou a atenção foram as belas melodias, mesmo nas músicas mais extensas e nas infinitas mudanças de ritmos as melodias foram coerentes. Um belo trabalho.

André: Acho que ando numa fase mais prog de ouvido sonoro. Esse disco me soou melhor do que na época que escrevi o comentário sobre ele. Tem aquele jeitão todo orgulhoso que as bandas setentistas possuem (mais precisamente o Yes), mas uma sonoridade ainda bem da época noventista; não tão sinfônica e mais preocupada em encher de licks de teclados ou de diferentes instrumentos em cada uma das quebras de ritmo. Já se percebe pela bateria de Portnoy que bate pesado assim como fazia no Dream Theater. Mesmo que algumas quebras sejam bem repentinas, em nenhum momento me senti entediado ou incomodado. Quem não curte prog deve passar longe, mas quem gosta deve procurar o quanto antes ouvi-lo.

Daniel: É daqueles famosos casos em que um álbum tem muitos fãs, mas não me desperta maiores emoções. Desta forma, fica evidente que acho um exagero sua presença nesta lista. Em tempo: a versão para “In Held ('Twas) in I” é bem legal.

Davi: Grupo formado somente por músicos do primeiro time. Aqui não tem erro. Como já era de se esperar pelo lineup, a jogada aqui é rock progressivo. Apesar da presença de Mike Portnoy, esse não é um disco de progmetal. A ideia aqui é oposta. Ou seja, um rock progressivo mais clássico, com bastante referência de anos 70. Especialmente, Yes e Genesis. Também é perceptível a influência de Beatles (banda admirada tanto por Portnoy, quanto por Neal Morse) em algumas linhas vocais. O álbum todo é muito bom. Inclusive, a releitura de "In Held (´Twas) In I" do Procol Harum ficou bem digna. Contudo, os melhores momentos ficam por conta de "Mystery Train", "My New World" e "All Of The Above".

Fernando: Lembro da primeira vez que ouvi Transatlantic lá por volta de 2003-2004. O Dream Theater já não estava me empolgando tanto e eu estava mergulhado no mundo do progressivo ouvindo bandas como o Spock’s Beard e The Flower Kings. Aí eu descobri uma banda com o cara por trás do Dream Theater, o vocalista que tinha saído recentemente do Spock’s Beard depois de um álbum fantástico, o excelente guitarrista do Flower Kings e o baixista de uma das bandas que mais gosto, o Marillion, juntos em uma empreitada. Aquilo foi como descobrir uma pepita de ouro enterrado no chão. Impressiona o quanto o grupo consegue colocar uma identidade própria com tantas referências aos medalhões do rock progressivo que a banda insere em suas músicas.

Libia: Esse álbum agrada tanto aos fãs do rock progressivo clássico quanto aos amantes do progressivo moderno, e na minha opinião, abriu a mente de muitos para esse estilo. Temos uma das melhores reuniões de músicos, e o resultado não poderia ser diferente de genial. É um álbum para ouvir no momento certo, sem pressa alguma, como a maioria dessa seara. “All of the above” que é dividida em seis partes, e a abertura apresenta excelentes sons de teclado, baixo, guitarra e bateria. Uma das minhas favoritas é “We all Need Some Light” que é uma linda balada com o violão ganhando destaque. Disco incrível!

Mairon: Quando eu ouvi esse disco pela primeira vez, achei chato e pretensioso demais. Depois ouvi para o Melhores de 2000 e detestei os vocais, mas curti o instrumental. Dessa feita, tirando os preconceitos que tenho com Mike Portnoy e Roine Stolt, pude perceber que o cara da banda realmente é Neal Morse. Ele quem coordena toda a parafernália sonora, fazendo belas passagens que lembram os gigantes tecladistas do progressivo dos anos 70. Curti vários momentos, principalmente ppor que dá para perceber inspirações no Yes dos anos 70, como o violão de "We All Need Some Light" (que pena que depois vira um Queensrÿche de quinta categoria), o intrincado o início de "All of the Above", faixa que poderia ter sido cortada em 3/4, ou a revisão para "In Held Twas In I", que ficou boa, mas sem a dramaticidade do Procol Harum, principalmente por conta dos vocais. Aliás, o vocal em todo o disco, puta que pariu, é tinhoso. Não tem força nenhuma, não tem carisma nenhum, que coisa escrota. Para piorar, "My New World" é uma tentativa de fazer os Beatles soarem progressivos, fracassada obviamente, e o que é aquela atrocidade de "Mystery Train"? Eita música chata! Enfim, foi sofrido ouvir isso, e penso que esse álbum não merecia estar aqui nem por questão de gosto pessoal ou por relevância para os anos 2000. Se comparado com tudo o que o Dream Theater fez de 2000 para cá, Octavarium merecia ocupar esse espaço. Espero não ter que ouvi-lo novamente.

Micael: Para quem realmente gosta de progressivo, o surgimento do Transatlantic foi quase como uma benção. O supergrupo (cujos integrantes, tenho certeza, já foram descritos acima por meus colegas, então vou poupá-los da repetição) foi, sem sombras de dúvidas, o mais importante nome do estilo surgido neste século, não apenas pelas qualidades individuais de seus membros, mas por causa da qualidade de sua música, em, até aqui, infelizmente apenas parcos quatro álbuns de inéditas (um quinto está a caminho para o começo do ano que vem, se tudo der certo). SMPT:e, a estreia do quarteto, pode não ser o melhor disco da banda ou mesmo da década (ocupou o topo da
minha lista pessoal praticamente por falta de opção de selecionar um registro melhor dentre os disponíveis para votação), mas está longe de ser um disco descartável, e, para mim, não faz feio junto aos demais selecionados para esta lista. Faixas como as épicas "All of the Above" (uma faixa de mais de trinta minutos em pleno século XXI é algo a ser exaltado sempre) e "My New World" estão aí para comprovar isto, mas meu momento preferido do álbum ainda é a linda e emocionante "We All Need Some Light", uma faixa diferente do "padrão" estabelecido pelo Transatlantic no restante de sua discografia, mas, ainda assim, indispensável dentre os demais registros do grupo. Um grande álbum, e fico feliz que conseguiu figurar na lista final!


* Temple of Shadows e Brave New World empataram no mesmo número de votos. Como Temple of Shadows teve mais indicações, acabou ficando em terceiro.

** Dark Passion Play, SMPT:e, 4 e Crack The Skye ficaram empatados com 25 pontos e mesmo número de citações. Em uma nova votação, Dark Passion Play e SMPT:e receberam cada um três votos, com os outros dois recebendo um voto.

*** Em uma nova votação para desempatar, Dark Passion Play e SMPT:e receberam ambos quatro votos cada. Como o Nightwish teve mais discos representados e citados nas listas individuais, então Dark Passion Play ficou com a nona posição.


Listas individuais

ANDERSON

1. Shaman - Ritual
2. Angra - Temple of Shadows
3. In Flames - Clayman
4. System of a Down - Tocixity
5. Audioslave - Audioslave
6. Amy Winehouse - Back to Black
7. Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho
8. Rush - Vapor Trails
9. Maria Rita - Maria Rita
10. Racionais MC's - Nada Como Um Dia Após O Outro Dia

ANDRÉ

1. Nightwish – Dark Passion Play
2. Celtic Frost – Monotheist
3. Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
4. Angra – Temple of Shadows
5. Dream Theater – Octavarium
6. Hidria Spacefolk – Symetria
7. Shaman – Ritual
8. Exodus – Shovel Headed Kill Machine
9. Kamelot – The Black Halo
10. Rodrigo y Gabriela – 11:11

DANIEL

1. Mastodon – Crack the Skye
2. Opeth – Damnation
3. Amy Winehouse – Back to Black
4. Iron Maiden – Brave New World
5. System of a Down – Toxicity
6. Queens of the Stone Age – Songs for the Deaf
7. Nevermore – Dead Heart in a Dead World
8. Angra – Temple of Shadows
9. Porcupine Tree – Fear of a Blank Planet
10. Audioslave – Audioslave

DAVI

1. Amy Winehouse – Back To Black
2. Audioslave – Audioslave
3. Maria Rita – Maria Rita
4. Slipknot – Iowa
5. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho
6. Nightwish – Wishmaster
7. System of a Down – Mezmerize
8. Kiss – Sonic Boom
9. Evanescence – The Open Door
10. Chickenfoot – Chickenfoot

FERNANDO

1. Iron Maiden - Brave New World
2. Spock's Beard - Snow
3. Bruce Dickinson - Tyranny of Souls
4. Blackfield - Blackfield
5. Angra - Temple of Shadows
6. Opeth - Damnation
7. Porcupine Tree - In Absentia
8. Orphaned Land - Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
9. The Mars Volta - De-Loused in the Comatorium
10. Anthrax - We've Come for You All

LIBIA 

1. Shaman – Ritual
2. Angra – Rebirth
3. Exodus – Tempo of the Damned
4. Halford - Resurrection
5. Masterplan – Masterplan
6. Kreator – Violent Revolution
7. Rage – Unity
8. Tony Iommi – Iommi
9. Amy Winehouse – Back to Black
10. Porcupine Tree – In Absentia

MAIRON

1. Los Hermanos - 4
2. Beardfish - Sleeping in the Traffic
3. Amy Winehouse - Back to Black
4. Los Hermanos - Ventura
5. Heaven & Hell – The Devil You Know
6. Madonna – Confessions on a Dance Floor
7. System of a Down – Toxicity
8. Los Hermanos - Bloco Do Eu Sozinho
9. Exodus – Shovel Headed Kill Machine
10. Audioslave – Audioslave

MICAEL

1. Transatlantic – SMPT:e
2. Rush – Snakes & Arrows
3. Nightwish – Century Child
4. Dream Theater – Octavarium
5. Rush – Vapor Trails
6. Iron Maiden – Brave New World
7. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho
8. Metallica – Death Magnetic
9. Children of Bodom – Follow the Reaper
10. Shaman – Ritual


DISCOS ELEITOS ENTRE 2000 E 2009

Amorphis – Skyforger
Amy Winehouse – Back to Black
Angra – Rebirth
Angra – Temple of Shadows
Anthrax – We’ve Come for You All
Arch Enemy – Wages of Sin
Arcade Fire – Neon Bible
Ark – Burn the Sun
Audioslave – Audioslave
Beardfish – Sleeping in Traffic: Part Two
Bigelf – Cheat the Gallows
Blackfield – Blackfield
Blaze – Silicon Messiah
Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die
Bon Jovi – Crush
Brian Wilson – Brian Wilson Presents Smile
Bruce Dickinson – Tyranny of Souls
Bruce Springsteen – Magic
Cachorro Grande – Cachorro Grande
Celtic Frost – Monotheist
Chickenfoot – Chickenfoot
Children of Bodom – Follow the Reaper
Crashdïet – The Unattractive Revolution
David Gilmour – On an Island
Destruction – The Antichrist
Dream Theater – Octavarium
Dream Theater – Six Degrees of Inner Turbulence
Dream Theater – Train of Thought
Europe – Start From the Dark
Evanescence – The Open Door
Exodus – Shovel Headed Kill Machine
Exodus – Tempo of the Damned
Gotthard – Lipservice
Gotthard – Need to Believe
Guns N’ Roses – Chinese Democracy
Halford – Resurrection
Heaven & Hell – The Devil You Know
Hidria Spacefolk – Symetria
Immortal – Sons of Northern Darkness
In Flames – Clayman
Iron Maiden – A Matter of Life and Death
Iron Maiden – Brave New World
Iommi – Fused
J Dilla – Donuts
Joanna Newsom – Ys
Kamelot – Epica
Kamelot – Ghost Opera
Kamelot – Karma
Kamelot – The Black Halo
Kiss – Sonic Boom
Kreator – Enemy of God
Kreator – Violent Revolution
Los Hermanos – 4
Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho
Los Hermanos – Ventura
Madonna – Confessions on a Dance Floor
Madvillain – Madvillainy
Maria Rita - Maria Rita
Masterplan – Masterplan
Mastodon – Crack the Skye
Megadeth – Endgame
Metallica – Death Magnetic
Mötley Crüe – Saints of Los Angeles
Nevermore – Dead Heart in a Dead World
Nightwish – Century Child
Nightwish – Dark Passion Play
Nightwish – Once
Nightwish – Wishmaster
Opeth – Damnation
Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
Pata de Elefante – Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha
Paul Stanley – Live to Win
Pelican – Australasia
Porcupine Tree – Fear of a Blank Planet
Porcupine Tree – In Absentia
Portishead – Third
Queens of the Stone Age – Songs for the Deaf
Racionais MC’s – Nada Como Um Dia Após Outro Dia
Rage – Soundchaser
Rage – Speak of the Dead
Rage – Unity
Rammstein – Mutter
Richie Kotzen – Get Up
Richie Kotzen – Go Faster/Return of the Mother Head’s Family Reunion
Robert Plant & Alison Krauss – Raising Sand
Rodrigo y Gabriela – 11:11
Richard Hawley – Lowedges
Riverside – Second Life Syndrome
Rush – Snakes & Arrows
Rush – Vapor Trails
Scorpions – Humanity: Hour 1
Shaman – Reason
Shaman – Ritual
Skank – Cosmotron
Sleep – Dopesmoker
Slipknot – All Hope Is Gone
Slipknot – Iowa
Slipknot – Vol. 3: The Subliminal Verses
Spock’s Beard – Snow
Steel Panther – Feel the Steel
System of a Down – Hypnotize
System of a Down – Mezmerize
System of a Down – Steal This Album!
System of a Down – Toxicity
Take That – Beautiful World
Testament – The Formation of Damnation
The Mars Volta – De-Loused in the Comatorium
The White Stripes – Elephant
Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures
Tony Iommi – Iommi
Transatlantic – SMPT:e
Tribuzy – Execution
Tuatha de Danann – Trova di Danú
Ulver – Shadows of the Sun
Video Hits – Registro Sonoro Oficial
Whitesnake – Good to Be Bad
Wilson Hawk – The Road

Winger – IV 

sábado, 14 de janeiro de 2017

Melhores de Todos os Tempos: Brasil - Anos 2000

Los Hermanos em 2001: Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo, Rodrigo Barba e Bruno Medina


Por Mairon Machado
Com participação de André Kaminski, Bernardo Brum, Davi Pascale, Diego Camargo , Leonardo Castro e Micael Machado
Muitos odeiam, outros amam, mas poucos são capazes de questionar a importância do grupo carioca Los Hermanos para a história do rock nacional. Depois de uma estreia arrebatadora, em 1999, com o single "Anna Julia", o grupo mudou de formação (deixou de ser quinteto para seguir como quarteto) e mudou seu curso nos mares do sucesso. Abandonando o hardcore juvenil e as letras sentimentaloides, o grupo criou uma legião de fãs que passaram a admirar não só as letras e as músicas de Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo, Bruno Medina e Rodrigo Barba, mas praticamente tudo o que a banda fazia. Ao mesmo tempo, uma legião de detratores dos cariocas também surgia, mostrando que a grandeza de um grupo não está somente entre os fãs.
A prova maior de que o Los Hermanos foi A Banda dos anos 2000 está nessa lista de Melhores álbuns. Sete consultores elegeram os dez melhores discos lançados em nosso país entre 2001 e 2010, fechando assim a nossa última lista de Melhores de Todos Os Tempos. No pódio, dois álbuns do Los Hermanos e a surpreendente filha de Elis Regina, Maria Rita, mas a lista apresenta ainda os mineiros do Skank, o grupo carioca de heavy metal Tribuzy, os gaúchos da Pata de Elefante, Video Hits e Cachorro Grande e os paulistas dos Racionais Mc's.
Lembrando que os votos seguiram a pontuação oficial do Campeonato Mundial de Fórmula 1, e que os comentários estão abertos para você concordar, discordar e adicionar novos nomes a nossa lista.

1. Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho (88 pontos)
André: Temos 3 discos do Los Hermanos nessa lista. Infelizmente, me obrigarei a ouvir os outros dois. Nenhuma lista colocaria esses três discos entre os melhores de uma década. Serve apenas para deixar demonstrado que nossas listas nada mais se baseiam em gosto pessoal, se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre isso. Sobre o disco, já me torturei ouvindo uma vez e comentei na lista do ano de seu lançamento aqui no site. Não o farei de novo, visto que tenho outros dois para isso.
Bernardo: Um dos resultados mais justos dessa lista, com o Los Hermanos virando sua carreira em 180 graus descolando-se do tradicional levante de rock com influências pop-punk e ska para fazer um álbum que mescla de maneira experimental a musicalidade demonstrada no primeiro disco com ritmos brasileiros - os arranjos de metais do ska pendem para o samba, exploram-se andamentos sincopados, letras sofisticadas estilística e tematicamente falando, com a banda almejando o início de uma maturidade como compositores - "Todo Carnaval Tem Seu Fim", "Retrato Pra Iaiá", "Sentimental" entre outras fazem parte do repertório de novos clássicos da música brasileira contemporânea.
Davi: O grande álbum do Los Hermanos. Depois de um álbum de estreia bem morno (em termos de qualidade, não de receptividade. “Anna Julia” foi um megahit...), os músicos surpreendiam ao se reinventarem trazendo influências descaradas de MPB e samba em seu segundo álbum. A fórmula funcionou incrivelmente bem e nos brindou com diversas pérolas como “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, “A Flor”, “Casa Pré-Fabricada”, “Sentimental”, “Deixa Estar” e “Fingi na Hora Rir”. Um dos grandes discos do rock brasileiro, sem exageros.
Diego: Normalmente eu 'resenharia' cada disco, mas como penso que muitos farão isso, e como tenho história com metade dos discos, decidi fazer um pouco diferente e contar a minha história com cada disco (ou minha 'não-história'). Eu conheci o Los Hermanos bem antes de eles estourarem com "Anna Júlia". Mais precisamente no dia 15 de Setembro de 1999, coisa de 3 meses depois do lançamento de seu disco de estreia. Na época ninguém tinha ouvido falar de Los Hermanos e eu ainda não havia ouvido "Anna Júlia". Eu comprei a revista ShowBizz daquele mês de Setembro e encartado na revista havia um CD promocional com 7 faixas, mais um monte de conteúdo multimídia (como o video clipe de "Anna Júlia", discadores, saver screens, etc). Na época a revista era editada pela Editora Abril, e a mesma Abril tinha começado um selo chamado Abril Music, então que melhor maneira de divulgar suas novas bandas? Lembro também de algumas semanas depois o meu irmão me dizendo: "Ei, sabe aquele banda do CD da revista? Tá tocando na rádio." Depois a história todo mundo já sabe, viraram febre por causa de Anna Júlia e mais tarde "Primavera", venderam mais de 300 mil cópias do disco, etc. Em 2001, lançaram o segundo disco, Bloco Do Eu Sozinho e que surpresa. Mais uma vez, me lembro de ter ouvido o novo disco pela primeira vez na MTV quando vi o clipe de "Todo Carnaval Tem Seu Fim" e de ter ficado pasmo. Realmente pasmo, queria o disco naquele mesmo minuto. Sábia escolha da banda de escolher aquela faixa como abertura, ainda mais depois de todo clima de Carnaval impresso no disco de estreia. Bloco Do Eu Sozinho foi lançado em Janeiro de 2001, mas eu comprei a minha cópia do disco somente em Outubro de 2002... Na época eu tinha 16 anos e dinheiro mesmo eu nunca tinha, ainda mais pra comprar CDs que custavam 25 reais. Mas é uma outra história engraçada em Maio de 2002 meu irmão decidiu me dar um presente de aniversário (fato que até hoje me deixa perplexo), eu disse que queria um CD e ele me levou até uma loja de CDs em São Paulo. Lembro bem de que não tinha mais nada que eu quisesse, queria o disco novo do Los Hermanos. Quando cheguei na loja vi tanta coisa e me deparei com tantos CDs bons na prateleira de promoções que consegui convencer o meu irmão a comprar 4 CDs pelo preço de um, incluindo o primeiro disco dos Los Hermanos. 5 meses depois dei um jeito de comprar o tão esperado segundo disco. A banda não encontrou sucesso em lugar nenhum na época, hoje todo mundo baba no disco, na época ele vendeu 35 mil cópias e a gravadora deu um pé na bunda deles. Pra mim, o disco ainda hoje é um marco dentro do cenário nacional, o único problema é que depois dele 300 mil bandas surgiram com uma linguagem que copiava tudo que o Los Hermanos tinha feito nesse e em seu próximo disco. A título de curiosidade, o CD original vinha com a parte plástica que segura o CD na cor branca e não nas tradicionais cores preto ou transparente. Infelizmente o meu não possui mais esse plástico, pois na mudança pra Polônia fiz a grande cagada de me desfazer da caixinha...
Mairon: Curiosamente, acho esse o terceiro melhor disco do Los Hermanos. Fui um daqueles que em 2001, quando Bloco saiu, me caiu os butiá dos bolsos. O que era aquela sonoridade maluca, misturando samba ("Todo Carnaval Tem Seu Fim" e "Assim Será"), chorinho ("Cadê Teu-Suin"), country e valsa ("Mais Uma Canção"), jazz ("Deixa Estar" e "Adeus Você"), MPB ("Casa Pré-Fabricada" e "Fingi Na Hora Rir"), música francesa ("Cheir Antoine") entre outros diversos estilos, depois do hardcore melancólico de Los Hermanos. Foi aqui que começou a surgir a verdadeira geração de amantes e seguidores da banda, foi aqui que o grupo saiu da Globo e conquistou multidões de verdade, foi aqui que Camelo e Amarante começar a dar os passos primordiais que os levaram ao estrelato e a nomenclatura de gigantes da música nacional. Mas era apenas o começo do fim das nossas vidas como apreciadores de uma banda que ainda entregava um bom hardcore dolorido ("Tão Sozinho" e "Aline") e que criou duas das mais belas canções da música nacional nos últimos trinta anos, "Sentimental" (a faixa que justifica a presença de Bruno Medina nos teclados) e "Veja Bem Meu Bem". Como disse, acho esse apenas o terceiro melhor disco da banda, mas todos aqui sabem quão fã eu sou desse grupo.
Micael: Com três discos do Los Hermanos na lista, prevejo que o mimimi vai ser grande nos comentários. Como fui um dos responsáveis por esta escolha, acho bom começar a defender minha posição. Bloco do Eu Sozinho não é o meu álbum preferido da banda (o primeiro ainda leva este posto), mas é o melhor depois da estreia. Ainda há resquícios da sonoridade do registro anterior em “Tão Sozinho”, “Fingi na hora rir”, “Deixa estar” e “A Flor” (composta ainda na época daquele álbum), mas a sonoridade já começava a apontar o caminho mais introspectivo dos registros seguintes, em faixas como “Todo Carnaval Tem Seu Fim” (o grande “hit” das rádios, mesmo quilômetros distante da sonoridade de “Anna Júlia”), “Adeus Você", "Assim Será" e "Casa Pré-fabricada", além da linda “Sentimental”, uma das melhores faixas da carreira dos cariocas. “Mais Uma Canção”, apesar de meio infantil, agrada bastante, e, em todo o track list, somente “Cher Antoine” nunca conseguiu conquistar a minha admiração. Bem, o disco ficou em primeiro lugar na minha lista particular também, então, podem me jogar as pedras!

2. Los Hermanos - 4 (43 pontos)
André: Tem músicas tais como "Fez-se Mar"... uaaaaaahhhh... "Os Pássaros"... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz ... , opa, desculpe, aí vem "Sapato Novo" que demonstra que a banda ... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Bernardo: Tirando "O Vento" e "Condicional", acho que esse álbum ficou devendo. Los Hermanos soaram acomodados aqui.
Davi: Depois de dois ótimos discos, os músicos me frustraram lançando uma das piores coisas que já ouvi na minha vida (e olha que já ouvi muuuuito disco e muita coisa ruim). Trabalho apático, down, xoxo, sonolento. Me dá a impressão que estavam desiludidos, sem inspiração. Na época, demorei três dias para ouvir esse CD até o fim. Ouvia três faixas e dormia, três faixas e dormia, três faixas e dormia. Hoje, consegui vencer esse problema, mas continua não me empolgando em nada. Uma pena esse ter sido o ultimo trabalho de inéditas. Estava esperando ansiosamente pelo 5° CD colocando as coisas novamente no eixo. Para não dizer que nada se salva, gosto de “O Vento”.
Diego: Outro disco que tenho história... essa já não tão positiva. Que a minha mulher atual não leia isso (e é um perigo pois ela fala Português melhor do que eu falo Polonês, risos), mas esse disco marcou minha primeira paixão de verdade. Não porque éramos embalados ao som de Los Hermanos (pelo contrário, ela gostava mesmo era de Angra), mas pelo fato de que comprei esse disco, meros 3 meses depois de seu lançamento (um marco para o outrora pobreta Diego com 15 anos), na primeira vez em que sai com ela. Era minha desculpa para ver ela fora da internet pela primeira vez: "Vou na Galeria (do Rock) comprar um CD, quer ir comigo?". Ela disse sim, eu comprei o CD, nós começamos a namorar 2 semanas depois e foram 6 meses de altos e baixos que no fim me foderam ferrenhamente quando levei um Homérico pé-na-bunda e fiquei em depressão por quase um ano (é sério isso). Após o ocorrido o disco acabou ficando com essa memória atrelada, e somado o fato de que 4 já é por natureza melancólico, triste e pé-na-fossa, fazendo com que hoje o disco não rode mais no meu player. Sem contar que ele é o mais fraco da banda, apesar de ainda ser um ótimo disco.
Mairon: O famoso disco da deprê. Tenho uma história muito particular com 4. No ano de seu lançamento, estava passando pela separação da mãe do meu filho, e o grupo esteve em Porto Alegre, onde morava na época. Me considerava um fã da banda, adorava Ventura, para mim o melhor disco do rock nacional já lançado até então desde a década de 70, e sabia que estavam lançando um novo álbum. Internet naquele tempo era algo raro, e downloads mais ainda. Fui ao show, uma noite de chuva e frio, na esperança de ouvir "Além do Que Se Vê", "Cara Estranho", "Todo Carnaval Tem Seu Fim", entre outras faixas alegres que me conquistaram como fã, e ouvir um bom som no geral. Mas quando começaram as primeiras notas de "Dois Barcos", e o Bar Opinião INTEIRO começou a cantar uma música que nunca tinha ouvido na minha vida, o mundo caiu. Que porr@ de fã era eu que não conhecia aquilo? Eu lá, no gargarejo do palco, sem saber o que estava acontecendo. Mudança de posições e Amarante assume os vocais para cantar "Primeiro Andar", faixa sombria, tensa, com uma percussão agonizante de Barba, e todo mundo cantando, de forma que não dava para ouvir a voz do Amarante. Cara, o disco acabou de ser lançado, como é que pode? O show foi passando, e 4 foi interpretado quase na íntegra, e eu fiquei abismado que todo mundo conhecia todas as músicas do disco novo do início ao fim, menos eu. Acho que é o disco nacional que mais ouvi na minha vida, e concordo que é um álbum com clima melancólico, mas na fossa que eu andava na época, aprendi a amar esse álbum de maneira incondicional. Faixas como "Fez-se Mar", "É De Lágrima" e "Pois É" são extremamente para baixo, mas tocantes demais para quem gosta de música assim, e eu adoro. Quando "Paquetá", "Morena" e "O Vento" passam pelas caixas de som, o clima de alegria se recupera, contrapondo a depressão maravilhosa das faixas citadas. "Condicional" tem uma letra impactante e muito reflexiva, além de dar um up muito bem vindo, e é impossível não sair pulando pela casa com "Horizonte Distante", chorar junto com Camelo durante a sensacional "Sapato Novo", querer arrancar a pele com a tristeza carregadíssima de "Os Pássaros" (put@ merd@, que letra fod@, e que música linda), e sentir a potência sonora de "Condicional". O melhor disco do rock nacional em anos, e que espero, um dia, receba o valor que ele tem, já que foi o último registro da banda, mas exatamente aquele que conseguiu casar todas as boas criações da banda, abrangendo música, composição, letras e harmonias, qualidades que se destacavam individualmente em seus álbuns anteriores, como uma verdadeira obra-prima faz. Obrigatório!!
Micael4 talvez seja o álbum mais introspectivo do grupo, apesar da popzinha “O Vento”, que até em Malhação apareceu. Não é um disco fácil, não é um disco divertido, mas é um registro intimista, introspectivo e muito, muito bonito. "Dois Barcos", "Fez-se Mar", "Os Pássaros" (esta quase depressiva em seu arranjo tristonho),"Sapato Novo", "Pois É" (linda, fantástica, maravilhosa) e "É De Lágrima" não são recomendadas àqueles com pensamentos ou tendências suicidas, mas sim para quem tiver a alma aberta à beleza, à placidez e à tranquilidade, ou para quem quer curtir uma enorme dor de cotovelo com um álbum que se encaixará quase perfeitamente em seu estado de espírito. E ainda tem “Horizonte Distante”, uma viagem sonora que, arrisco dizer, não encontra paralelos no pop rock nacional dos últimos vinte ou trinta anos. A quase animação de "Paquetá", "Condicional" e "Morena" é subjugada pela tristeza das outras músicas citadas, e o tom do disco acaba sendo mesmo o “para baixo”, o que talvez explique o “bode” que muita gente tem do registro (e da banda também). Pobres almas com os ouvidos entupidos de METÁU, e incapazes de apreciar algo tão belo e singelo quanto o que se ouve aqui!

3. Maria Rita - Maria Rita (35 pontos)
André: Boa cantora, carregou muito tempo o estigma de ser filha de Elis Regina mas nos últimos anos essas comparações caíram drasticamente. Ainda assim, não é meu estilo e suas músicas não me atraem, é mais mesmo para quem curte MPB.
Bernardo: Elis Regina é açúcar, Maria Rita é adoçante. Dá para o gasto mas não solta faísca em momento nenhum.
Davi: Para mim, esse foi um dos últimos grandes álbuns da música brasileira. Disco praticamente perfeito. Arranjos impecáveis, trabalho vocal soberbo, repleto de canções memoráveis. Sofisticado e popular ao mesmo tempo. Ainda gosto muito do trabalho dela, mas gostaria de vê-la gravando nesse estilo de novo. Mais MPB, meio jazz, menos samba. Ainda considero seu melhor álbum. Quem sabe um dia... Destaques: “Festa”, “Menininha do Portão”, “Não Vale a Pena”, “Cara Valente”, “Encontros e Despedidas”, “Pagu”, “Lavadeira do Rio” e “Veja Bem Meu Bem”. Sem exageros, uma das melhores cantoras brasileiras da atualidade.
Diego: Chato descreveria o disco muito bem. Maria Rita interpreta canções maravilhosas como se fosse uma boneca de plástico, o que importa é não errar as notas, a emoção que se exploda. O repertório do disco é soberbo, e ela é amparada por uma banda de primeira, mas a Maria Rita é uma personagem sem brilho nenhum, sem personalidade e isso transparece no resultado final. O disco de estreia de Maria Rita poderia ser algo para se ter orgulho, é um disco que tenta tanto ser emocional e não consegue. Este é um disco que quer ser todo coração, mas que tenta fazer isso através de números e não de emoções. Triste.
Mairon: Maria Rita viveu muito tempo pela sombra de ser filha de Elis Regina. Desde que ela surgiu, com esse belíssimo álbum, eu me tornei fã dela. Claro que há nuances de Elis na performance vocal de Maria, principalmente em faixas que certamente iriam ser notáveis na voz de sua mãe, como "A Festa" e "Encontros e Despedidas" (ambas de Milton Nascimento), ou o bolero "Dos Gardenias", mas não precisamos ficar nessas comparações. Há uma criação pessoal de Maria, por exemplo, adaptando sonoridades em versões especiais para "Agora Só Falta Você" (totalmente desconstruída) e "Pagu" (ambas de Rita Lee). Mas são nas MPBs de "Menininha do Portão" e "Lavadeira do Rio", na incursão experimental de "Cupido" e nas introspectivas "Não Vale a Pena", "Menina da Lua" que percebe-se quão grande é o talento de Maria Rita, suave, moderna, sem exageros e capaz de mexer com a mente do ouvinte. Além disso, o que ela faz nas duas faixas criadas por Marcelo Camelo, o embalado samba "Cara Valente" e a linda "Santa Chuva", é de se comer o chapéu, e quando ela arranca arrepios da espinha na clássica "Veja Bem, Meu Bem" (de novo ela), não há o que fazer a não ser estabelecer Maria Rita como um dos melhores discos nacionais dos últimos anos. Portanto, deixem de chorumelas e comparações, pois não tem o que comparar, e apenas abra sua mente para uma das melhores vozes que o Brasil tem na atualidade.
Micael: Sempre gostei muito da voz de Maria Rita, embora não goste muito das músicas que ela grave. Não sou fã de MPB nem de samba, dois estilos que aparecem com constância em sua discografia, mas ouvir a voz sempre agradável da filha da maior cantora que este país já viu nunca é um sacrifício, independente do que ela cante. E quando ela dá vida nova a canções de Marcelo Camelo como "Cara Valente", "Veja Bem Meu Bem" e "Santa Chuva", todas presentes no track list deste álbum, aí a coisa consegue me agradar de verdade. "Agora Só Falta Você" (totalmente reconstruída, com destaque para o baixo acústico) e "Pagu", ambas da rainha Rita Lee, também ajudam a me atrair para o disco, e mesmo as duas faixas de Milton Nascimento ("A Festa" e "Encontros e Despedidas") não chegam a me desagradar. Como disse, não é o tipo de música que eu gosto de ouvir nos meus momentos de lazer, mas a voz maravilhosa de Maria Rita compensa com sobras o “esforço” da audição.

4. Skank - Cosmotron (33 pontos)
André: Os caras são animados, fazem letras fáceis, são carismáticos e não se levam muito a sério. Sempre curti essa banda e acho este disco um tanto mais "psicodélico/espacial" como um de meus preferidos dos mineiros. "Formato Mínimo", "Resta um Pouco Mais" são as minhas favoritas, mas há também a ótima "Vou Deixar", muito tocada nas rádios e presença constante nos shows. Skank não tem erro, mesmo um disco inferior deles ainda é melhor do que muita coisa lançada por 80% das bandas nacionais.
Bernardo: Apesar do processo ter iniciado no antecessor MaquinaramaCosmotron é o disco onde a banda terminou a transição do pop-rock/ska-reggae que os tornou famosos pelo Brasil inteiro, absorvendo influências dos Beatles da segunda fase e do Clube da Esquina. A etérea e esmerada "Dois Rios" é o ponto alto do disco, mais o pop direto de "Vou Deixar" e a cheia de guitarras "Supernova". A nova fase dos anos 2000 revitalizou o Skank, e se não são mais hit wonders como antigamente, são uma banda popular consistente e ainda relevante na nossa música.
Davi: Puta disco que merece ser conferido até entre aqueles que não são fãs do grupo. Em Cosmotron, os garotos de Belo Horizonte afastavam-se da sonoridade reggae e dos metais àla Paralamas e traziam à tona suas influências de Clube da Esquina (que seriam aprofundadas no ótimo Carrossel) e, principalmente, Beatles. A bateria de “Supernova” foi claramente chupada de “Tomorrow Never Knows”. A conhecida balada “Dois Rios” e a psicodélica “Um Segundo” se os irmãos Gallagher ouvissem iam brigar para ver quem faria uma versão em inglês das mesmas. Outros ótimos momentos ficam por conta de “As Noites”, “Amores Imperfeitos” e o animado hit “Vou Deixar”.
Diego: O Skank faz parte da minha geração (nasci em 85), lembro dos hits da banda em todos os cantos desde que eu tinha 8 ou 9 anos de idade. Lembro de nunca ter realmente escutado o Skank justamente pelo acento extremamente Pop que eles sempre tiveram, não era pra mim. Desde 1998, quando lançou Siderado, o Skank mudava, pouco a pouco, o acento extremamente Pop ainda estava lá, mas a vontade de ir além ficava mais evidente em "Resposta". Não foi uma surpresa muito grande quando em 2000 eles lançaram Maquinarama e o acento mais "humano" estava ainda mais presente, os arranjos não mais dependiam de teclados techno e "eletronicisses", agora a banda fazia um Pop Rock vigoroso como em "Três Lados" e "Canção Noturna". No entanto, eu ainda não acompanhava a banda. Especialmente porque o disco MTV Ao Vivo Em Ouro Preto, de 2001, rodava incansavelmente no player do meu irmão, me incomodando profundamente... Em Julho de 2003 saía Cosmotron e que tapa na minha cara... Mais uma vez a MTV foi o meio de descoberta (houve um tempo em que ela era importante), ver o clipe de "Dois Rios" foi um daqueles momentos... Eu não conseguia acreditar que aquele som vinha do... Skank... a mesma banda de músicas chatérrimas como "Balada Do Amor Inabalável", "Saideira" e "Garota Nacional" gravando algo desse naipe? Impossível! Mas não era impossível, aconteceu e o Skank conseguiu algo MUITO difícil dentro do cenário Pop musical, se reinventar de maneira drástica, mantendo o acento Pop e ainda ser sucesso de público (vendeu cerca de 210 mil cópias na época do lançamento), quer exemplo mais perfeito do que eu disse acima do que "Vou Deixar"? Discaço com merecido destaque! Triste que a banda, depois do sucessor Carrossel, tenha decidido voltar ao som do início de carreira e segue lançado discos absurdamente ruins desde então.
Mairon: O Skank sempre me foi uma banda mais do mesmo. Nunca fui muito com a cara do Samuel Rosa, e apesar de ter visto eles em ação algumas vezes durante os anos 2000, acho as canções muito sem sal e alegrinhas demais. Quando comecei a ouvir "Supernova", até que me surpreendi, mas daí descobri que os méritos psicodélicos dessa faixa devem-se a Fausto Fawcett. Daí depois, veio muita inspiração em Beatles e Clube da Esquina (pô, "Dois Rios" é Lô Borges demais, e claro, foi ele quem compôs essa boa obra), e fui absorvendo aquilo sem me envolver, até surpreso por não ter tantos reggaezinhos xoxos quanto ouvi de outras vezes nas músicas do Skank, ter uma viagem interessante chamada "Nômade", mas quando me deparei com aquela chatice sonora "Vou Deixar", pensei: "É, vou deixar de ouvir essa porcaria, por que tenho mais o que fazer".
Micael: Olhando o track list deste disco na playlist que o youtube me ofereceu, a única faixa que chamou a atenção foi “Vou Deixar”, música que para mim resume tudo o que há de errado com o Skank, uma banda que começou interessante com sua mistura de reggae e ragamuffin (ou seja lá o que eles faziam em seu disco de estreia), mas depois foi “amadurecendo” a sua sonoridade e se tornando chata para caramba. E chato também é este disco, um popzinho comum feito quase que de encomenda para as rádios e para as garotas que passaram a idolatrar qualquer coisa que estes mineiros gravassem, mas que não consegue agradar aos meus ouvidos. Tirando "Supernova", que é quase uma cópia de “Tomorrow Never Knows”, dos Beatles, a única faixa que me agradou foi “Dois Rios”, e não foi com surpresa que, ao conferir a ficha técnica, vi Nando Reis entre seus compositores, em sua única parceria com Samuel Rosa neste registro. Talvez falte mais a “mão” do Ruivão, visto que as músicas que mais me agradam na carreira do Skank depois do registro de estreia sempre tem o “toque de Midas” de Nando, o qual não apareceu aqui. Cosmotron deve ter suas qualidades, mas não é para mim.

5. Los Hermanos - Ventura (33 pontos)
André: Definitivamente, cheguei a conclusão que "Anna Júlia" talvez seja mesmo a melhor música da banda lá do primeiro disco. Pelo menos naquele álbum tinham um pouco mais de energia, metais e um instrumental ao menos decente. Desse segundo disco em diante foram três álbuns de letras xaropentas, clima de MPB juvenil, instrumental preguiçoso e uma atmosfera soporífera. Pensando bem, eu ouvi três discos deles agora e o de 1999 lá no primeiro Consultoria Recomenda. Caralho, posso até escrever a discografia comentada inteira do Los Hermanos e há bandas que eu adoro que sequer cheguei a ouvir todos os discos. Tem coisas que só a Consultoria do Rock te obriga a fazer.
Bernardo: Uma sequência natural de Bloco do Eu Sozinho, onde conseguiriam conciliar o manto alternativo com a faceta acessível - vê-se exemplos como a agitada e agridoce "O Vencedor", a pulsante e esbaldada em Weezer "Cara Estranho". Camelo que mais compôs hits no disco, mas é de Amarante aquela é a melhor música "Último Romance", dramática e doída na medida certa.
Davi: Embora Bloco do Eu Sozinho não tenha gerado um grande hit radiofônico dos portes de “Anna Julia”, o álbum transformou-os nos queridinhos da crítica e trouxe uma leva de fanáticos. Em seu terceiro álbum, os músicos resolveram não correr grandes riscos. Seguiram basicamente a mesma fórmula do álbum anterior. Ou seja, as guitarras suingadas, as letras chicobuarquianas, a influência do samba. Não tem o mesmo brilho do álbum anterior, mas ainda assim é um trabalho muito interessante com ótimos momentos como “O Vencedor”, “Tá Bom”, “Último Romance”, “Além do Que Se Vê” e “Cara Estranho”. Ótimo disco!
Diego: Nesse disco a banda já estava aceita como essa nova "coisa" que tinha se tornado. Ventura foi um disco que eu comprei no começo de 2004 e ouvi tanto, mas tanto que o meu CD começou a pular em alguns trechos. Não tenho histórias tão fortes com esse disco, só a lembrança de como foi bom ouvir ele na época do lançamento e ter a noção de que algo estava acontecendo na música do Brasil, e não era somente "lá fora".
Mairon: O disco do desbunde. Cara, como lembro da primeira vez que ouvi esse disco. O impacto de ouvir algo que podia ser considerado perfeito do início ao fim. Daqui saíram os principais clássicos do Los Hermanos, e que são de uma grandeza sem igual no rock nacional. Se não vejamos esse simples track list: "O Vencedor", "Tá Bom", "Cara Estranho", "Além do Que Se Vê", "Conversa de Botas Batidas", "Um Par", "A Outra", "Do Sétimo Andar" e "De Onde Vem a Calma". Poucos são os discos a ter algo tão imponente quanto essas faixas. Mas Ventura ainda traz mais: o sambão de "Samba a Dois", as inspirações oitentistas de "O Pouco que Sobrou" e a sensacional "Do Lado de Dentro", cuja letra é um coice nos peitos, e a musicalidade criada para esse absurdo musical é assombrosamente arrepiante. Amarante passou a dividir o espaço mais democraticamente com Camelo, e isso foi muito saudável para o grupo, pois gerou um contraponto muito importante para a presença MPBística de Camelo, dando um ar mais relaxado como em "O Velho e O Moço", e rock 'n' roll como em "Deixa O Verão". Acima de tudo, Amarante fez outra canção que tranquilamente está no hall das Melhores do Rock Nacional, "O Último Romance", faixa que já chorei pacas nos shows da banda que fui, e que ao lado da também belíssima "De Onde Vem a Calma", essa interpretada por Camelo, forma a dupla de belezuras deste disco. Aliás, foi com Ventura que vi a banda em ação pela primeira vez, e comprovei que realmente eles eram uma banda capaz de serem os melhores do país. Aqui a banda definitivamente criou seu legado de "Ame ou Odeie", viu ver aumentar exponencialmente o número de mulheres em suas apresentações, mas principalmente, cravou seu nome na história como uma banda capaz de surpreender positivamente. Ventura tem tudo o que se pode dizer de melhor, tanto que muitas são as listas que o colocam como o melhor disco do rock nacional nos anos 2000, só que para meu gosto maluquete, esse status durou apenas dois anos, pois como afirmei acima, com 4 meu mundo caiu.
Micael: O grupo se isolou em um sítio e saiu com um álbum bem diferente do Bloco, mas ainda não tão sombrio quanto o posterior 4. "Samba a Dois" remete a “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, enquanto "O Vencedor" e "Cara Estranho"(e também, embora em uma escala um pouco menor, "Além do Que Se Vê") viraram “preferidas” daqueles que eram fãs, mas não chegavam a ser devotos dos cariocas, devotos estes que formavam uma legião que só fazia aumentar a cada novo registro, e que cantou todas as letras do disco dias depois do seu lançamento em um Bar Opinião lotado aqui em Porto Alegre, como pude presenciar in loco. Embora conte com faixas mais animadas como "Deixa o Verão", "Um Par", "Do Sétimo Andar", "Último Romance", "O Pouco Que Sobrou" (com algumas viagens sonoras de Medina) e a "quebrada" "Do Lado de Dentro", são as músicas mais tristonhas que me chamam a atenção, como "Tá Bom", "A Outra", "O Velho e o Moço", "Conversa de Botas Batidas" (linda e emocionante) e, principalmente, "De Onde Vem a Calma", uma das melhores canções da carreira do grupo. Podem reclamar e espernear, mas, se vossos ouvidos não tem a capacidade de apreciar a qualidade de discos como este, a culpa não é das canções, mas da falta de disposição de se abrir a novas experiências sonoras que os caros colegas possuem!

6. Pata de Elefante - Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha (25 pontos)
André: Blues rock instrumental excelente e que faz tempo eu estou para recomendar ao pessoal da Consultoria. Com uma cozinha de baixo e bateria bem azeitada (tanto Gabriel Guedes quanto Daniel Mossman se revezavam no baixo e na guitarra) e belos solos, esse trio me surpreendeu nesse segundo disco deles, o que mais gostei dentre os que ouvi. Uma pena a banda ter acabado em 2013. Felizmente esses gaúchos nos deixaram três discos que espero sejam mais valorizados no futuro.
Bernardo: Uma banda instrumental que consegue fazer um disco variado, que não entedia em momento algum e trabalha as referências sessentistas com muita sabedoria. Bela surpresa da lista.
Davi: Esse disco me surpreendeu. Já tinha lido a respeito dessa banda, mas nunca tinha parado para escutá-los. Provavelmente, por ter lido muito sobre o Macaco Bong e quando os assisti ao vivo, não me disseram muita coisa. O trio, assim como a citada banda, apresenta um rock instrumental. Só que, dessa vez, a coisa funciona. Assim como acontecia com os grupos instrumentais de antigamente (como Shadows, Ventures ou até mesmo The Jordans), os músicos dão valor à musica em si. A ideia de canção. Com bastante referência de anos 60 e 70, bastante influência de classic rock, o som deles é bem trabalhado, porém bem objetivo. Quando for ouvir, preste atenção no trabalho de guitarra, é o creme do disco...
Diego: O Pata De Elefante, nascido em Porto Alegre no começo dos anos 00 era uma ótima banda. Uma das poucas bandas no Brasil que lançou uma quantidade decente de discos trabalhando exclusivamente com música instrumental (os únicos dois outros grupos que me vêem à mente são A Cor Do Som e Macaco Bong). Eu só tinha ouvido o primeiro disco da banda, de 2004, e apesar de ser um bom disco, não era nada de especial. Em Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha outra vez temos um disco acima da média, cheio de boas músicas e composições bem trabalhadas, instrumental mas sem ser chato, sem cair na masturbação sonora que é tão comum em bandas instrumentais. No entanto o disco mostra muito pouco, especialmente para entrar em uma lista de MELHORES DA DÉCADA... o disco não é ousado, fato que pesa bastante num disco instrumental. Bom disco, nada mais.
Mairon: Sou um admirador da Pata há muito tempo. Os caras souberam muito bem trazer o som southern para o Brasil, com um talento descomunal, misturando country rock, blues e muito rock 'n' roll de forma exclusiva, totalmente instrumental, com muitas músicas excelentes para ouvir acompanhado de um belo uísque e uma costela de cordeiro sendo assada direto no fogo de chão. Claro que existem faixas mais acessíveis ("Hey", "Marta", os "Pesadelos Hippie 3 e 4" e "Bolero das Arábias", por exemplo), mas é nas ótimas pegadas de  "Carpeto Volatore",  no ritmo flower power de "Presente Para Mary O", no bluesy " Breve Visita De Wilson A Nova Orleães", na lisergia de "Don Genardo" que escondem-se a essência da banda: o prazer de criar música que divirta. Basta saber que podemos conferir metais e piano na faixa-título, os quais nos levam direto para um boteco de quinta no interior dos states, para ter uma ideia do que a Pata propôs. Bom disco, sem dúvidas, apesar de muitas faixas curtas poderem ter sido limadas da versão final, e acredito que se fosse para ter a Pata aqui, prefiro seu antecessor, o excelente álbum homônimo que projetou o grupo para seus fãs. E fica a dica, os paranaenses do Kingargoolas vem fazendo um som similar, mas talvez melhor do que a Pata nos últimos anos.
Micael: Rock and roll instrumental com toques de southern rock e de blues. Dificilmente esta receita dará errado quando executada por “cozinheiros” hábeis, e, nas mãos (ou nos instrumentos) destes talentosos gaúchos, a coisa vira pura alegria! Toques orientais, jazz, soul e gospel aparecem aqui e ali para dar mais consistência ao “molho”, e fazer deste um álbum extremamente agradável de ouvir. Difícil citar algum destaque (até porque a versão que escutei para fazer os comentários desta lista não trazia a identificação das faixas), mas é um disco onde a média das canções é nivelada por cima, e que não faz feio nesta lista. Excelente lembrança!

7. Video Hits - Registro Sonoro Oficial (25 pontos)
André: A musicalidade me lembra aquelas trilhas sonoras de filminhos antigos dos anos 80 que passariam na Sessão da Tarde da Globo. As vozes femininas me lembraram as usadas pelo Bangles, com a diferença de ser mais focado no pop rock e menos no eletrônico. O principal defeito do disco são as letras bem bobinhas. Os arranjos até são bem trabalhados, principalmente os teclados. Mas as composições como um todo não me agradaram mesmo.
Bernardo: Equilibraram às homenagens rasgadas à bossa nova, tropicália e Clube da Esquina do resto da lista e fizeram um disco que é descaradamente Jovem Guarda e música de boate dos anos 70, com participações com Ronnie Von (regravando sua "Sílvia 20 Horas Domingo") e Gerson King Combo. Mais pesado que os homenageados, mas não chega a meus ouvidos como um grande disco.
Davi: Já tinha escutado falar dessa banda, mas ainda não tinha escutado esse CD do início ao fim. Só conhecia o clip “(Vo)C”, que assisti na MTV, na época. A faixa de trabalho, eu gosto. Um pop/rock delicioso, muito bem feito, com bastante referência de anos 60. Assim como todos os álbuns produzidos pelo ex-Baba Cósmica, Rafael Ramos (Deckdisc), a qualidade de gravação é muito boa. Peguei o disco para ouvir e bateu uma certa decepção. O instrumental é interessante, a influência de anos 60 é latente, principalmente Jovem Guarda (perceptível, principalmente, nos teclados àla Lafayette), mas as letras são horríveis. Na época, ainda estava na moda aquele rock engraçadinho, e o humor deles é beeem fraquinho. Se for para ouvir uma versão mais moderna da sempre divertida Blitz, fico com o ótimo Bidê Ou Balde.
Diego: 'Tem disco com histórinha do Diego? Tem sim, senhor!' Ah, a Video Hits de Diego Medina... Diego Medina é um cara que deveria ter tido maior reconhecimento na época do lançamento desse disco (2001). Acredito que se ele tivesse sido encorajado teria tido feito muitos outros ótimos discos, ao invés disso acabou se enfurnando em seu estúdio de desenho e hoje em dia música é algo que ele faz só por fazer... Banda e disco ímpar no cenário musical Brasileiro, uma mistura absurdamente inusitada de Faith No More e Jovem Guarda, com ótimos convidados (Gerson King Combo e o mestre Ronnie Von) e musicalidade latente. Conheci o disco através de uma coletânea da revista Trip em 2001. Junto da revista vinha encartado um CD promocional somente com bandas do Sul, conheci várias bandas legais através desse CD como Tequila Baby, Os The Dárma Lovers e em especial, a Video Hits. Também lembro que bem pouco tempo depois li sobre o disco na revista ShowBizz (numa época em que revista musical fazia algo no Brasil) e queria porque queria comprar, mas, como já escrevi aqui, um moleque sem grana não podia comprar tudo que via. Dois anos depois, já trabalhando, relembrei do disco ao ver minha famosa "lista". Na época eu tinha uma caderneta onde anotava todos os discos que queria comprar... Foi uma espécie de trabalho de arqueologia quando tentei achar esse CD pra comprar, nas lojas ele não estava mais, na galeria do Rock nunca tinha visto. Acabei achando no mais inusitado lugar, uma na Faunus Discos - loja especializada em LPs e raridades do mundo Prog, também no centro de SP. Esse disco deveria ter sido um clássico e no final das contas acabou se tornando apenas um cult para 'descolados', hoje em dia até em lista de melhores aparece. Eu ouço regularmente e acabei fazendo com que virasse um dos preferidos até da minha mulher. Discaço!
Mairon: Voltamos a Jovem Guarda durante os quarenta e sete minutos desse disco que há muito tempo eu não ouvia. Lembro que conheci o Video Hits quando estava "estudando" a obra psicodélica de Ronnie Von, e fui atrás da boa e maluquete versão de "Silvia 20 Horas" que a banda registrou nesse álbum, com a participação do Pequeno Príncipe. Isso foi no final dos anos 2000, e lembro que curti o disco desses gaúchos, mas não fiquei com ele em nenhum formato. Reouvindo hoje, bateu a nostalgia. É uma bela banda, na linha de nomes conterrâneos como Cachorro Grande, Bidê o Balde ou Acústicos e Valvulados, mas com um pouco mais de peso, a presença marcante do órgão, e com letras bem mais interessantes. Basta ouvir a crítica ácida de "Cozinha Oriental" e "Menino Feio" ou o deboche escancarado de "Louco Por Você" e "Joe Aipim".  As melhores faixas para mim são "Bomba", "(vo)C", "O Basset Azul" e a já citada versão do clássico de Ronnie Von. A banda, comandada por Diego Medina, ficou apenas nesse Registro Sonoro Oficial (para colecionadores, tem as demos Feito em Casa com Muito Orgulho e Doces, Refrescos e Tratamentos Dentários), uma lástima, já que é um baita achado no rock nacional.
Micael: Nossa, mais uma banda do Rio Grande do Sul na lista! Nem eu sabia que os grupos daqui tinham tanta consideração dentre os meus caros colegas consultores. A Video Hits foi outra frequentadora assídua das ondas da saudosa Ipanema FM, assim como a Cachorro Grande, mas seu estilo “jovem guarda animadinha docinha/bonitinha” nunca me agradou muito, apesar de saber reconhecer as qualidades do grupo dentro daquilo que se dispõe a fazer. A versão de “Silvia Vinte Horas Domingo” tocou muito aqui na capital gaúcha na época, mas não foi o suficiente para me animar a conhecer melhor a banda, algo que a audição completa do disco para fazer os comentários desta lista também não conseguiu fazer. Registro Sonoro Oficial é um bom disco dentro de um estilo que não me agrada, e não sei mais o que dizer sobre ele.

8. Tribuzy – Execution (25 pontos)
André: Excelente disco de power metal por parte de Renato Tribuzy, Até me surpreende como um cara tão bem conceituado no Brasil e com um grande vocal desses só tenha lançado esse disco de estúdio. Destaco principalmente "Divine Disgrace" e "Beast in the Light" com participação de ninguém menos que Bruce Dickinson e Roy Z. Mas Mat Sinner, Michael Kiske e Ralf Scheepers também brilham em um disco cheio de convidados. É de fato um belo destaque do metal nacional, devia até ter votado nele na lista de melhores de seu ano.
Bernardo: Power metal com toda a nata do power metal - Tribuzy à frente, Kiko Loureiro nas guitarras, participações de Bruce Dickinson, Michael Kiske, Matt Sinner, Ralf Scheepers, Roland Grapow, Roy Z.. Fica a seu critério se é bom ou não.
Davi: Olha só o que vocês foram desencantar. Fazia tempo que não ouvia esse disco, hein? Comprei esse CD na época por conta dos convidados especiais. O cara trouxe nomes de peso como Bruce Dickinson (Iron Maiden), Michael Kiske (Helloween), Ralf Scheepers (Primal Fear), Roland Grapow (Helloween), Kiko Loureiro (Angra), entre outros. O álbum realmente foi uma surpresa. Esperava um disco legalzinho, onde os convidados arrebentassem com tudo e fui surpreendido com um puta disco. Qualidade de som excelente, arranjos ótimos, músicos de primeira e, sim, Renato Tribuzy manda bem no gogó. A sonoridade como já deu para sacar é heavy metal. Uma mistura do metal tradicional com o melódico. Fortes elementos de Iron maiden e Helloween nos arranjos. Tudo feito com enorme competência. Momentos de destaque: “Execution”, “Web Of Life” e “Beast In The Light”.
Diego: A verdade é que Execution é um bom disco, mas pena em criar uma identidade. Renato Tribuzy é um bom vocalista, mas não há como diferenciá-lo de todos os outros vocalistas de Power Metal (ou Metal Melódicos) que andam por aí (e olha que são muitos). A execução do disco é muito boa, bons riffs, mas a produção é fraca, pra dizer o mínimo, a bateria está tão enterrada lá no fundo e traz aquele som de caixa "maravilhoso". O disco parece ter sido gravado com um vocalista, um guitarrista, e um baterista que poderia ter sido substituído por uma eletrônica. Baixista? Tinha um? Entendo que o disco é acima do nível do que se costuma ouvir no Metal Brasileiro, mas chamar Execution de melhor da década é mais do que Pegadinha do Malandro. Em tempo, fica a pergunta, como uma banda (ou no caso aqui, mais um disco solo) que lançou um dos melhores discos da década nunca mais lançou nada e caiu no esquecimento? Sempre tive a impressão de que esse tipo de artista dura pelo menos um segundo disco quando obtém tal conquista...
Mairon: Essa é a semana de Kiko Loureiro. Afinal, na terça ele encabeçou nossa lista de Melhores de 2016 com Dystopia, e agora, seu único registro com o Tribuzy está entre os dez melhores brasileiros dos anos 2000. Execution é um álbum tipicamente de heavy metal, bem interessante e bem tocado para os padrões nacionais, e com uma constelação de convidados no mais alto nível do estilo mundial (Bruce Dickinson e Roy Z em "Beast in the Light", Michael Kiske e Roland Grapow em "Absolution", entre outros nomes de igual importância na cena metálica). Gostei do que ouvi, apesar de não ter me tornado um fã da banda. Destaque para as faixas citadas acima, bem como o solo de Kiko na faixa-título, a linda "The Means" e a pesadíssima "Nature of Evil". Só acho que sua presença aqui, no lugar dos Shamans e Angras da vida, não é tão bem vinda assim, afinal, como diz um amigo nosso aí, é um disco bem mais do mesmo ...
MicaelExecution é um bom álbum, muito bem composto, excepcionalmente bem tocado, e com um cantor privilegiado (que gogó tem esse Renato Tribuzy!). Mas é um disco genérico dentro do estilo "metal melódico", ou algo que o valha. Eu ouvia e pensava "hum, é só um Angra (ou um Shaman, ou mesmo um Viper) mais pesado". Até o famoso "toque de brasilidade" aparece lá pelas tantas (mais especificamente, na faixa "Absolution"), para completar o clichê. Não consigo entender o que o faz melhor do que os álbuns das bandas citadas acima (e de tantas outras), a não ser a constelação de craques que Tribuzy reuniu para participar de seu primeiro registro solo (apesar de gravado por uma banda), com músicos consagrados ligados a grupos como Helloween, Angra, Primal Fear e Pink Cream 69, além da carreira solo de Bruce Dickinson (com o próprio cantor aparecendo em uma faixa, "Beast in the Light"). São estas participações que acabam rendendo os momentos mais marcantes do álbum (como é bom ouvir Michael Kiske emulando seus tempos de "Keeper" na citada "Absolution", ou o sempre correto Bruce arrebentando com tudo, como fazia na época de Accident of Birth e The Chemical Wedding), mas, mesmo com as qualidades citadas (e, repito, é um registro muito bom dentro do estilo adotado), ainda o considero um disco comum demais para ser considerado um dos melhores da década abordada. Mas, vá lá, a legião que tem os ouvidos entupidos de METÁU mais uma vez colocou um representante na lista. E dá-lhe Iron Maiden!

9. Racionais MC's - Nada Como Um Dia Após Outro Dia (25 pontos)
André: Escutei esse álbum longuíssimo com uma paciência que até me surpreendeu. Para piorar, não sei qual dos MCs "canta" com efeitos de voz de taquara rachada logo no início.
Bernardo: Já não bastava terem feito Sobrevivendo no Inferno, uma das senão a obra-prima dos Racionais e do rap do geral, Nada Como Um Dia Após Outro Dia faz um álbum mais variado, provocante, mais multifacetado, com Edi Rock competindo espaço com Brown, como "A Vida é Desafio". Mas é Brown que entrega a melhor música do disco, "Jesus Chorou", com uma lírica e uma batida arrasadoras. Some a isso canções já clássicas, como "Vida Loka Pt. 1 e 2", "Eu sou 157" e "Da Ponte Pra Cá", Nada Como Um Dia... é o batismo de fogo dos Racionais como um grande grupo, onde um disco que senão é perfeito está cheio de momentos espetaculares.
Davi: Depois do bem-sucedido Sobrevivendo No Inferno, a trupe de Mano Brown atacava novamente e agora com um álbum duplo. Para quem curte, maravilha. Para quem não curte, que é o meu caso, uma verdadeira tortura. Disco bem produzido, cheio de samplers, mas não gosto da voz do Mano Brown, não nutro nenhum tipo de simpatia por sua figura marrenta, e a sonoridade deles, definitivamente, não me agrada. Tô fora!
Diego: Ah os Racionais... Lembro de como o Rap invadiu todos os cantos no final dos anos 90 e começo dos anos 00, exatamente a mesma época em que eu me mudava para a periferia de SP, ou seja, berço do Rap. Era o que se ouvia de manhã, tarde e noite. Peguei raiva do gênero, mais pelas pessoas que ouviam do que pela música em si. Lembro de alguma coisa do disco anterior, Sobrevivendo No Inferno, em Santa Catarina, onde eu morava em 1997, o Rap não tinha exatamente um mercado, então mal tinha ouvido "Diário De Um Detento". Lembro de como fez-se um baita estardalhaço quando esse disco foi lançado, lembro de ser duplo e de ter um selo Preço sugerido R$23,90, logo na capa. Lembro também que ignorei com vontade o disco. Mas como o mundo dá voltas e como que para me dizer que nessa vida nada é 100%, ele voltou para me "atormentar". Em algum momento eu tive a vontade de ouvir Racionais uns anos atrás, talvez pela lembrança do meu irmão ouvindo eles no rádio do carro, não sei dizer, mas comecei a ouvir mais e mais e tanto Sobrevivendo No Inferno como Nada Como Um Dia Após Outro Dia hoje fazem parte do meu playlist, volta e meia escuto os dois discos de cabo a rabo, um atrás do outro. Existe algo no texto dos Racionais que os fazem diferente de todos os outros grupos de Rap que eu já ouvi, algo que ainda hoje mesmo depois da mudança do grupo, consegue passar uma verdade natural que é muito difícil de se encontrar na música. Ou talvez seja porque eu quero me lembrar de um tempo que foi muito difícil pra mim e os Racionais me ajudam a por tudo em perspectiva, tudo vem e vai. É bom lembrar de coisas ruins para dar valor às coisas boas que se tem hoje. Sei lá se isso faz sentido, mas esse disco faz isso comigo.
Mairon: As vezes acho que os colegas tão afim de zoar com a mente dos consultores, e esse disco é o caso mais explícito de brincadeira sem graça. Mas que merd@ é essa? Como é que chamam isso de música? Pelamordedeus, quase 2 horas de música totalmente desperdiçada. Put@ que pariu, não é para mim. A imagem ao lado demonstra um pouco o que é isso...
Micael: Ah não, é sério isso? Um disco duplo do Racionais, com 21 musicas e quase duas horas de duração? Quem foi o responsável por colocar este álbum na lista, podem me dizer? O registro de estúdio dos Racionais imediatamente anterior a este, Sobrevivendo no Inferno, é, na minha opinião, o melhor disco de rap já feito no Brasil, mas já é um sacrifício ouvir seus mais de 75 minutos de uma tacada só. Quase duas horas de bases repetitivas (KL Jay tem um bom gosto absurdo para escolher os samplers que usa, mas a necessidade de fazer faixas quilométricas para acomodar os textos dos outros três membros do grupo faz com que as músicas do grupo passem de interessantes a irritantes antes de acabar), letras estilo “pura revolta” (que podem até representar a realidade de muita gente, mas que não representam a minha) e faixas que começam e terminam sempre com a mesma batida, o mesmo padrão rítmico, sem mudança alguma desde os primeiros segundos até o final (que, como citei antes, normalmente só chega após longos, repetitivos e dolorosos minutos) fazem com que eu não tenha vontade alguma de escutar este disco mais uma vez. Talvez seja a única “bola fora” desta bela lista, mas é uma “bola fora” enorme, na minha opinião, e que tirou o lugar de outros discos que mereciam aparecer por aqui. E ainda querem reclamar da presença do Los Hermanos, vejam vocês!

10. Cachorro Grande – Cachorro Grande (22 pontos)
André: Sempre foi uma banda que começou mediana lá no início dos anos 2000 e depois só piorou entrando numa vibe "alternativa" nos últimos trabalhos que só de ouvir "as faixas de destaque" já me afastaram completamente. Ainda assim, há coisas boas nesse primeiro disco com alternância entre algumas boas músicas como "Lunático" e "Dia Perfeito" e algumas bobagens como "Lili" e "Vai T. Q. Dá". Dificilmente me animará em ouvir um disco inteiro deles novamente, mas fica aquela sensação que poderiam ter virado uma banda agradável mas que se perdeu pelo caminho.
Bernardo: Já começaram bem, mas nesse estágio ainda estavam bem crus. Algumas músicas são bem genéricas e não saem muito da referência, mas algumas outras já mostravam os grandes compositores - "Lunático", a agitada faixa de abertura e a cadenciada e sexy "Dia Perfeito" já mostravam a banda que iria amadurecer e dar uma cara nova ao rock brasileiro nos anos seguintes.
Davi: Grande banda! Sempre fui muito fã do Cachorro Grande e fico feliz de vê-los nessa lista. Em seu debut, os músicos entregavam um rock de garagem com altas influências de Beatles, Rolling Stones e Kinks. Algumas músicas daqui, atualmente, são consideradas clássicos entre seus fãs. Caso de “Sexperienced”, “Lunático” e “Dia Perfeito”. Além dessas, também vale se ligar em “Pedro Balão”, “Debaixo do Chapéu”, “Dia de Amanhã” e “Lili”. Rock n roll honesto e cativante.
Diego: Outro disco que tenho um pouco de história pra contar. Ainda quando morava na Zona Norte de São Paulo, tinha um amigo obcecado por Beatles e várias foram as vezes que fui com ele até o centro de SP atrás da discografia dos rapazes de Liverpool. Um belo dia de 2001 na escola ele me perguntou: "Ei, você viu o clipe de uma banda lá da tua terra na MTV? Um nome estranho, Cachorro Grande, tem um poster enorme dos Beatles atrás do palco onde eles estão." Nenhuma palavra se a banda era boa ou não, só que tinha um poster dos Beatles... ah os fanáticos (risos). Assisti o vídeo uns dias depois e uma dúvida pairava no ar, eu tinha gostado da banda, MAS QUE PORRA DE LETRA ERA AQUELA?!?! Na época lembro que não dei muita bola pra banda, só fui prestar atenção neles de novo em 2005 quando o segundo disco deles, As Próximas Horas Serão Muito Boas, saiu junto da revista do Lobão OutraCoisa, comprei, e ouvi o disco até dizer chega. Na mesma época e internet começou a ser a fonte-mór de pesquisa e downloads, então demorei um bom tempo pra comprar o primeiro disco da banda, só comprei no fim de 2008. Mas fico contente que comprei, porque esses disco é simplesmente um marco do Rock Nacional. Uma pena que depois do segundo disco a banda decaiu em qualidade mais e mais até chegarmos até sua ridícula nova fase, onde ele acham que tem 20 anos de novo e tocam um Alt-Eletrônico que dá até vergonha...
Mairon: A estreia dos filhotes gaúchos do The Who é um dos símbolos máximos do rock and roll brasileiro nas últimas décadas. Canções empolgantes, exalando testosterona, e diferentemente de outros conterrâneos que citei no álbum do Video Hits, o Cachorro Grande sempre privilegiou por entregar festa acima de tudo. Cachorro Grande traz canções em sua maioria beirando os três minutos, que passam socando os ouvidos e deixando o chão empapado de suor e adrenalina, como nos velhos bons tempos. Faixas como "Lunático", "Fantasmas" e "Dia Perfeito" tornaram-se audições frequentes nos bares e botecos gaúchos por onde rolava rock 'n' roll, e cara, por mais que eu não seja um fã da banda, admiro muito o trabalho deles. Destaque principal para as canções "Sexperienced",  "Pedro Balão", o impressionante delírio instrumental de "Vai T.Q. Dá" e a viagem psico-mod de "(Os Doces Exóticos de) Charlotte Grapewine", o que de melhor o Cachorro criou em toda sua carreira, com uma jam sensacional empregando solos de guitarra ácidos, metais e muitas lembranças da turma de Pete Townshed em seus melhores dias, e um final surpreendente. Belo disco, merecida sua entrada aqui.
Micael: Na época de lançamento deste disco, a saudosa rádio Ipanema FM ainda reinava nas ondas da capital gaúcha, e muitas faixas deste registro de estreia do Cachorro Grande rodaram à exaustão em sua programação. Talvez o resto do país conheça melhor apenas "Lunático" e "Sexperienced", mas, ao reouvir este álbum para fazer os comentários desta lista, foi como se eu reencontrasse velhos amigos queridos que escutei "Debaixo do Chapéu", "Lili", "Dia Perfeito" e "Cleptomaníaca de Corações", faixas que, junto com as demais deste registro, ajudam a justificar o apelido de “Who Gaúcho” que os rapazes ganharam por aqui (se bem que, depois de abrirem para os Stones em 2016 na capital gaúcha, a mídia passou a associá-los mais ao pessoal de Mick Jagger que ao de Pete Townshend). E o que é aquela jam fantástica chamada "(Os Doces Exóticos de) Charlotte Grapewine", que encerra o track list? Excelente registro, que não entrou na minha lista particular, mas fez por merecer estar aqui, Pena que depois a banda “amadureceu” demais sua sonoridade, e passou a ser menos significante aos meus ouvidos do que nesta “ingênua” e bela estreia!

Listas Individuais
André
  1. Pata de Elefante - Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha
  2. Jupiter Maçã - Uma Tarde na Fruteira
  3. Ratos de Porão - Homem Inimigo do Homem
  4. Pato Fu - Ruído Rosa
  5. Index - Liber Secundus
  6. Skank - Cosmotron
  7. Carro Bomba - Nervoso
  8. Os Haxixins - Os Haxixins
  9. Cálix - A Roda
  10. Pedra – II
Bernardo
  1. Racionais MC's - Nada Como Um Dia Após Outro Dia
  2. Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho
  3. B Negão e Os Seletores de Frequência - Enxugando Gelo
  4. Siba e a Fuloresta - Toda Vez Que Dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar
  5. Nação Zumbi - Fome de Tudo
  6. Sabotage - Rap é Compromisso!
  7. Supercordas - Seres Verdes ao Redor
  8. Black Alien - Babylon By Gu, Vol. 1: O Ano do Macaco
  9. Cordel do Fogo Encantado - Cordel do Fogo Encantado
  10. Cidadão Instigado e o Método Tufo de Experiências
Davi
  1. Maria Rita – Maria Rita
  2. Los Hermanos – Bloco Do Eu Sozinho
  3. Skank – Cosmotron
  4. LS Jack – V.I.B.E.
  5. Capital Inicial – Rosas e Vinho Tinto
  6. Charlie Brown Jr. – Bocas Ordinárias
  7. Pitty – Admirável Chip Novo
  8. Cachorro Grande – Cachorro Grande
  9. Céu – Céu
  10. Shaman – Ritual
Diego
  1. Video Hits - Registro Sonoro Oficial 
  2. Cachorro Grande - Cachorro Grande 
  3. Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho 
  4. Pipodélica - Simetria Radial 
  5. Skank - Cosmotron 
  6. Angra - Temple of Shadows 
  7. Arnaldo Baptista - Let It Bed 
  8. Lobão - Canções Dentro da Noite Escura 
  9. Solana - Feliz, Feliz 
  10. Plebe Rude - R ao Contrário 
Leonardo
  1. Tribuzy – Execution
  2. Bastardz – No Ass No Pass
  3. Dark Avenger – Tales Of Avalon: The Terror
  4. Shaman - Ritual
  5. Angra – Temple Of Shadows
  6. Hibria – Defying The Rules
  7. Nordheim – And The Raw Metal Power
  8. Viper – All My Life
  9. Malefactor – Centurian
  10. Violator – Chemical Assault
Mairon
  1. Los Hermanos – 4
  2. Los Hermanos – Ventura
  3. Van Zullat – O Casulo
  4. Los Hermanos – Bloco Do Eu Sozinho
  5. Maria Rita – Maria Rita
  6. El Efecto – Como Qualquer Outra Coisa
  7. Octophera – Bons Amigos
  8. Os Mutantes – Haih ... Or Amortecedor
  9. Uakti – Oiapoki Xui
  10. Nenhum de Nós – Histórias Reais, Seres Imaginários
Micael
  1. Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho 
  2. Los Hermanos - 
  3. Los Hermanos - Ventura 
  4. Nando Reis - Infernal 
  5. Poços & Nuvens - Província Universo
  6. Pitty - Admirável Chip Novo 
  7. Rodoxx - Estreito 
  8. Avec Tristesse - How Innocence Dies 
  9. Shaman - Ritual 
  10. Venin Noir - Rainy Days Of October 

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