segunda-feira, 24 de julho de 2023

A Breve e Importante História da James Gang [Parte 1]

Joe Walsh, Jim Fox, Dale Peters e Joe Walsh


Uma das grandes e injustiçadas bandas do hard rock setentista, assim podemos definir o James Gang. Afinal, além, de ter revelado ao mundo nomes como Tommy Bolin, Joe Walsh e Jim Fox, o grupo lançou no mínimo cinco obras-primas em sua curta temporada em ativa (pouco mais de sete anos). Em duas partes, vamos passear pelos nove álbuns de estúdio da banda, lançados entre 1969 e 1976, um período mágico, onde quase tudo que nascia na música era regado a altíssimas doses de criatividade, inspiração, técnicas arrojadas e belíssimas canções.

A ótima estreia do trio

Yer' Album, lançado em 1969, é a estreia do power trio Joe Walsh (guitarras, teclados, vocais, piano), Tom Kriss (baixo, flauta, vocais, vibrafone) e Jim Fox (bateria, vocais, teclados), e uma pequena amostra do que o grupo iria fazer nos anos seguintes. Descarte "Introduction" e as viagens de "Stone Rap", as duas vinhetas que abrem cada um dos lados do LP, e prendam-se no que Yer' Album oferece, canções que dividem-se em pauladas hard do mais alto calibre, faixas mais acessíveis e três fantásticos covers, das quais a esplêndida versão de nove minutos para "Lost Woman" é tão empolgante que até mesmo o pessoal dos Yardbirds (que gravou essa joinha em Roger the Engineer, de 1966) deve ter rendido-se aos solos de Walsh e cia, já que cada um ganhou seus minutos de fama para fazer o que bem entendesse, com Kriss despejando distorção no seu baixo. Aliás, é impressionante o que os garotos fazem em 1969, que além de gravar um álbum de cinquenta minutos, algo incomum para o final da década de 60, ainda mais para um grupo novo, faz o emprego certeiro do órgão hammond em "Fred" e "Take A Look Around", ambas com lindos solo de Walsh, ou na acústica e emotiva "Collage", a qual possui um lindo arranjo de cordas, presentes também na curta instrumental "Wrapcity in English". 

A clássica imagem do trio com as Harleys na neve: Jim Fox, Dale Peters e Joe Walsh

Os outros dois covers do álbum também merecem destaque, no caso a pesada versão de "Bluebird", originalmente gravada pelo Buffalo Springfield em Again (1967), e que foi totalmente transformada pela guitarra endiabrada de Walsh, e a mais que detonante "Stop!", para mim uma das melhores canções da banda, que foi originalmente gravada no fundamental álbum de Al Kooper e Mike Bloomfield, Super Session (1968), e que aqui recebeu uma adaptação de doze minutos com muitos improvisos, os quais caracterizam o James Gang que conquistou milhares de seguidores, com suingue e peso em doses certas, e que também brota no embalo a la "Sly Stone" de "Funk #48", e na vulgarmente Cream "I Don't Have the Time", bela parceria de Fox e Walsh. 

Os dois singles extraídos de Yer Album


Daqui saiu o single "I Don't Have The Time" / "Fred" que não fez sucesso nos países onde foi lançado (Alemanha, Holanda e Estados Unidos) e também "Funk No. 48" / "Collage", com cópias lançadas nos Estados Unidos, Itália e Reino Unido, e de relativas vendas. Há também um raro compacto francês, com "Take A Look Around" / "I Don't Have The Time". Este foi o primeiro e único álbum a contar com Tom Kriss, que deu lugar para Dale Peters, criando assim a formação mais clássica do trio.

O mega clássico Rides Again, já com Dale Peters

O segundo disco trio, Rides Again, chega às lojas em 1970, agora com Dale "Bugsley" Peters no baixo, é uma continuação dos trabalhos iniciados em Yer' Album, com uma variedade de estilos onde predomina embalo e inspiração. Começando pela sequência de "Funk #48", obviamente intitulada #Funk #49", com o mesmo embalo da faixa do disco anterior, mas com uma percussão muito mais envolvente, Rides Again é um show de musicalidade para agitar as noitadas com mulheres e farras, rivalizando com o que o Grand Funk Railroad fazia na mesma época. Temos influências country em "There I Go Again", com a participação do Pedal Steel Guitar de Rusty Young, na instrumental "Asshtonpark" e nas belíssimas "Thanks" e "Garden Gate", esta apenas com voz e violão, peso embaladíssimo em "Woman" e predomínio do piano e do Hammond de Walsh na trabalhada "Tend My Garden", trazendo um arranjo vocal digno dos grandes nomes da soul music. O grupo deixou o melhor para o encerramento de cada lado. No lado B, a introdução de "Ashes the Rain and I" nos prepara para uma canção que irá te deixar de queixo caído, seja pela interpretação de Walsh ou pelo emocionante arranjo de cordas de Jack Nitzsche, contrastando com os belíssimos dedilhados dos violões de Walsh e Peters. "Thanks" é uma linda faixa levada pelo violão.

Contra-capa do single italiano "Funk 49" / "Thanks"


Ao mesmo tempo, uma das melhores canções do grupo, "The Bomber", encerra o Lado A sendo dividida em duas partes, a pesadíssima "Closet Queen", com uma performance toda especial de Fox, e "Cast Your Fate To The Wind", onde Walsh brilha no slide guitar, fazendo uma viagem sonora que deve ter deixado Jimmy Page com um sorriso estampado na face, tamanha a semelhança do timbre da guitarra do loiro com a do guitarrista do Led Zeppelin. Um destaque adicional vai para a contra-capa do álbum, a qual mostra uma das mais famosas imagens do trio, andando de moto pela neve americana. Vale ressaltar que a versão original de "The Bomber" ainda conta com um trecho de "Bolero" de Ravel, a qual foi limada nas edições posteriores por que foi utilizada sem a autorização dos herdeiros do músico francês, tornando as edições iniciais bastante cobiçadas pelos colecionadores. O melhor dos três álbuns de estúdio que Joe Walsh gravou com a banda, e o disco que indico para quem quer conhecer os americanos.

Singles promocionais:"Stop" americano (esquerda) e o com o Humble Pie no lado B (direita)


Os singles extraídos do segundo disco foram "Stop" / "Take A Look Around" (apenas EUA) e "Funk #49" / "Thanks" (Canadá, Estados Unidos, Espanha, Holanda, Reino Unido e Itália). Também é desta época um raro compacto para jukebox com a James Gang no lado A, interpretando"Funk N. 48" e o Humble Pie no lado B, com "The Sad Bag Of Shaky Jake".

O último álbum de estúdio com Joe Walsh

Com uma formação consolidada, nasce o terceiro álbum da banda, Thirds. Lançado em 1971, ele não apresenta tanto peso como seus antecessores, concentrando-se em canções com um trabalho mais importante nos vocais e no instrumental, donde "Things I Could Be", cantada por Fox, ou a lindíssima balada "It's All the Same" são bons exemplo da evolução musical que o trio obteve mantendo a formação, com a primeira destacando-se pelos arranjos vocais e a segunda enaltecendo os dotes de Walsh ao piano, além de um envolvente arranjo de metais. Outra faixa que mostra grandiosidade nos arranjos vocais é "White Man/Black Man", divino blues concebido por Peters, com a participação vocal do grupo The Sweet Inspirations, quarteto vocal feminino que também mostrou do que é capaz em álbuns como Blowin' Your Mind (Van Morrison, 1967) e Electric Ladyland (Jimi Hendrix, 1968), tornando essa facilmente a melhor faixa do disco, o qual, em comparação aos seus antecessores, é bem mais acessível, e por incrível que pareça, ainda mais diversificado. 

Single japonês de "Walk Away" (esquerda); Single alemão de "Midnight Man" (direita)



Temos country em "Dreamin' in the Country", com os vocais de Peters, jazz na instrumental "Yadig?", outro grande momento do LP, com o vibrafone de Peters sendo o centro das atenções, e a leve "Live My Life Again", canção para acender os isqueiros em arenas lotadas. Completa Thirds a melosa "Again", tendo arranjo de cordas por Walsh, e as pops "Walk Away" e "Midnight Man", essa última com as vocalizações de Bob Webb e com o vocal principal de Mary Sterpka ao lado de Walsh. No geral, são canções que não condizem com o que o grupo tinha de melhor, que era o peso e o suingue destacando um instrumental forte e com improvisos, e por esses motivos, posso dizer que esse é o mais fraco dos discos da fase Walsh, mesmo tendo sido o primeiro disco do trio a conquistar ouro nos Estados Unidos, levado pelo single de "Walk Away" / "Yadig?", que entrou nas cinquenta mais das paradas americanas, e que foi lançado também no Reino Unido, Alemanha, Itália, Dinamarca, Grécia, Canadá, Holanda, México, Noruega, Austrália, Nova Zelândia e Japão. No Japão, este single também saiu com uma versão tendo "Midnight Man" no Lado B. "Midnight Man" que teve seu single individual (com "White Man / Black Man" no lado B) lançado nos Estados Unidos, Alemanha, Itália, Holanda, Austrália, Nova Zelândia e Canadá).

O único álbum ao vido da James Gang

Nesse mesmo ano saiu o excelente James Gang Live in Concert, um dos grandes discos ao vivo da década de 70, registrando a passagem do grupo no célebre Carneggie Hall de Nova I0rque, onde o grupo detona uma poderosíssima versão de "Stop" - que baixão Peters estoura nas caixas de som -, arrepiam com a linda "Ashes, Tha Rain & I", ovacionada pelos presentes, mergulha nas profundezas de um bar sujo no interior dos EUA com o blues embriagante de "You're Gonna Need Me", a qual em um dia que você pegue despercebido, certamente irá achar que é o Cream quem está rolando na vitrola (o que Walsh toca aqui, pqp), e faz viajarmos em toneladas de LSD nos viajantes 19 minutos de "Lost Woman", estendida em dobro para deleite dos fãs de Yardbirds. 

O álbum, cujo CD completo traz mais dez canções, foi o que me apresentou a banda, e marcou a despedida de Joe Walsh, indo formar o Barnstorm ao lado de Joe Vitale (bateria) e Kenny Passarelli (baixo). Para seu lugar, Domenic Troiano é o contratado, e mais uma mudança surge na formação, agora não mais como um trio, mas como um quarteto, tendo como vocalista principal Roy Kenner.


A estreia da chamada Segunda Geração da James Gang

Os dois ex-membros do grupo canadense Bush fazem sua estreia no quarto disco dos americanos, Straigh Shooter, lançado em 1972 e marcando também o que os fãs chamam de segunda geração do James Gang. Apesar de uma nova formação, o som da banda não muda muito, continuando uma mescla de gêneros e tendo como principais diferenças a diminuição no peso e o aumento no swing. Para tal, Troiano mostra ser uma bela escolha para substituir Walsh, já que sua mão direita tem ainda mais malemolência do que o guitarrista loiro, e a voz de Kener parece ter saída de algum grande vocalista da Motown, tendo "I'll Tell You Why", "My Door Is Open" e "Kick Back Man" como atestados de que esse quarteto era afiadíssimo para o funk, mas por outro lado, também imponente para despejar toneladas de peso em distorções, com "Looking For My Lady" sendo o maior exemplo. 

Jim Fox, Dale Peters, Domenic Troiano e Roy Kenner


Troiano também mostra seus dotes vocais na romântica "Getting Old", levada pelo seu violão, pelo violino de Sheldon Kurland e pelo arranjo de cordas de Glen Spreen, e que tem uma irmã tão bela quanto, só que com os vocais de Kenner, batizada "Let Me Come Home". Outra balada, "Get Her Back Again", tem uma pontuação menor no compto geral do LP, que é fechado pelas influências southern na linha Lynyrd Skynyrd que abrilhantam "Hairy Hypochondriac" e as loucuras dançantes de "Madness". Alguns torcem o nariz, mas acho Straight Shooter uma ótima virada de página na carreira do James Gang, e coloco-o em um Top 5 dos melhores discos de estúdio que a banda lançou.

Singles japoneses extraídos de Straight Shooter


Dois singles saíram deste disco: "Madness" / "I'll Tell You Why", lançado apenas no Japão, e "Looking For My Lady" / "Hairy Hypochondriac", que saiu nos Estados Unidos, Japão e Canadá. Algumas cópias americanas saíram no formato promocional, com "Looking For My Lady" em ambos os lados.

O último disco antes da entrada de Tommy Bolin

Passin' Thru é lançado em 1972, e é o último disco da segunda fase do James Gang, que também foi o último com a gravadora ABC Records, sendo mais um álbum versátil. O lado A é o mais sacolejante, com canções tendo muito embalo, onde a mistura da mão sacolejante de Troiano com belos arranjos vocais e muito groove no baixo e na bateria de Peters e Fox se sobressaem na ótima "Up to Yourself", na qual você terá um panorama interessante do álbum, ou então o funk swingado da delirante "One Way Street" e de "Had Enough". O lado B já é mais calmo, tendo canções amenas como "Out of Control", o harpsichord de "William D. Smitty" Smith na baladaça "Things I Want to Say to You", a qual conta com um bonito arranjo de cordas por Craig Sapphin, que também estão presentes na acústica balada "Drifting Girl", com a participação de David Briggs ao piano. 

No mais, a mistura de estilos continua, com o ritmo southern de "Ain't Seen Nothing Yet", a leveza country de "Run Run Run", com a participação de Charlie McCoy na harmônica e Weldon Myrick  no pedal steel guitar, e o grande funk pop de "Everybody Needs a Hero", destacando o órgão de "Smitty" e um longo trecho instrumental onde o harpsichord duela com a guitarra, nessa que é a melhor canção do disco. 

O single francês de "Had Enough"


O único single foi "Had Enough" / "Kick Back Man", lançado nos Estados Unidos, Japão e França, Não é um dos melhores álbuns da banda, e dessa primeira fase, passa despercebido entre as grandiosidades que o cercam, no caso Straight Shooter e os dois próximos álbuns, que veremos daqui uns dias, quando um novo James Gang irá surgir, já que Troiano voltou para o Canadá, tornando-se membro do The Guess Who, sendo substituído por um jovem e talentoso guitarrista loiro, Tommy Bolin, como veremos numa futura parte 2.


domingo, 16 de julho de 2023

Capas Legais: Whitesnake - Fool For You Loving [980]

O Capas Legais de hoje traz a sensacional arte do compacto de “Fool For Your Loving”, single lançado pelo Whitesnake em 1980, e cuja capa apresenta efeitos luminiscentes. Confira, compartilha, curta e aproveite para inscrever-se em nosso canal. Não deixe também de comentar se você conhece outras capas luminiscentes e quais.




quinta-feira, 13 de julho de 2023

Unboxing: Steve Vai - The Secret Jewel [2001]



Confira o unboxing da incrível caixa The Secret Jewel, lançada por Steve Vai em 2001, em uma versão autografada com palhetas, cinco CDs, box especial e muito mais.



terça-feira, 11 de julho de 2023

Rompendo O Lacre: Caetano Veloso - Transa [2022]



Confira o deslacramento da versão de relançamento da Universal Music para o clássico Transa, lançado originalmente por Caetano Veloso em 1972, e que ganhou uma linda versão de 50 anos branco translúcida, relembrando a arte original do disco, em 2022.



quinta-feira, 6 de julho de 2023

SBB - Anthology 1974 - 2004 [2004]



"A Lenda está está de volta!!! Uma coleção absolutamente única de 22 álbuns do SBB, todos digitalmente remasterizado e com 80 bônus tracks". Esse é o resumo da propaganda feita quando do lançamento de Anthology 1974-2004, incrível box de 22 (!) CDs que resgatou a obra da maior banda de rock da Polônia, a Silesian Blues Band, ou simplesmente SBB, sendo que dois deles são CDs bônus.

Fundado em 1971, o trio Jósef Skrzek (vocais, harmônica, teclados, piano, baixo, violoncelo), Apostolis Anthymos (guitarras, violões) e Jerzy Pitrowski (bateria, percussão), o SBB destacou-se por sua sonoridade única e inédita na Polônia, com duelos ácidos entre guitarra e um baixo carregado de distorção, vocais em uníssono e contrastantes mudanças de tempo na bateria. A Silesian Blues Band foi banda de apoio do famoso artista Czesław Niemen nos álbuns Strange Is This World (1972), Ode to Venus (1973), Niemen Vol. 1 e Niemen Vol. 2 (ambos de 1973). Após a carreira com Niemen, o trio foi rebatizado como SBB, e foi marcante com uma obra magnífica de progressivo, cantando em polonês e fazendo muito sucesso além da cortina de ferro. A banda teve uma tentativa (de não muito sucesso) de conquistar o mercado americano e da Europa ocidental no final dos anos 70, mas a partir dos anos 90, praticamente trancafiou-se na Europa Oriental, onde ainda hoje permanecem reinando soberanos na Polônia e região. 

Anthology 1974-2004 foi lançado de forma a comemorar os 30 anos do primeiro álbum do grupo, e além de ser uma caixa fantástica por contar com toda a obra original lançada pelos poloneses até aquele momento, é recheada de muito material inédito até então, além de ser um achado para quem quer conhecer não só a música, mas também a carreira do trio. Nas próximas linhas apresento cada CD, destacando o que há de material inédito e claro, dando meus pitacos sobre cada álbum original, deixando aberta a possibilidade de um dia me aventurar a escrever a Discografia Comentada dos caras. 

O CD 1 apresenta a o registro dos show nos dias 18 e 19 de abril de 1974 no Club Stodoła, de Varsóvia. Três canções estão no LP de estreia da banda, SBB (1974), as quais são "I Need You Babe", "Odlot" e "Wizje", e já mostram um trio arrebatador, com Skrzek certamente sendo o centro das atenções. Mas agora, a caixa apresenta mais três faixas destes shows, a balada "Zostało We Minie", destacando a participação do violoncelo, a viajante "Wicher W Polu Dmie", onde Skrzek só não faz chover durante o seu solo de baixo, e "Figo-Fago", a dançante faixa bluesy com um show de harmônica. Essas três eram inéditas até então, e vieram a aparecer posteriormente no relançamento em CD Complete Tapes 1974 (2007), e ainda temos como bônus a linda "Toczy Się Koło Historii", retirada de uma apresentação para uma rádio de Gdansk. Todas as faixas apareceram posteriormente em um relançamento de 2008. É um embrião ainda, misturando elementos de blues com muita experimentação, que só vai ser ampliado a partir do segundo álbum, Nowy Horyzont (1975).

Ele é o segundo CD, e é o SBB mergulhando no prog, com Skrzek emulando Keith Emerson nos teclados. Ele praticamente abandona as linhas de baixo com distorção, e o que ouvimos são cinco canções muito complexas, destacando a hipnotizante faixa-título, uma aula de improvisos sobre apenas dois acordes, e a suíte "Wolność Z Nami", comandada pelo brilhante piano que vai levando a canção por toda a primeira metade em diversos momentos tocantes, com a segunda metade sendo um delírio musical que agradaria Stravinsky com certeza, e onde Skrzek e Antymos traçam um duelo feroz acompanhados pela bateria insana de Piotrowski, para encerrar em um magistral solo de piano. É um álbum quase todo instrumental, com exceção do chocante poema "Ballada O Pięciu Głodnych", e muito distinto do álbum de estreia. A mídia traz quatro bônus em relação a edição original, e totalmente inéditas até então, as quais são  "Xeni", "Penia" e "Dyskoteka", retiradas de uma apresentação para a rádio de Gdansk em 1975, abaixo de muito improviso e delírios, com "Dyskoteka" sendo uma pérola quase metálica, e "Na Pierwszy Ogień", gravada ao vivo em uma rádio de Varsóvia em setembro de 1974. 

Pamięć, de 1976, é o divisor de águas na carreira do SBB. Com um arsenal cada vez maior de teclados, Skrezk toma cada vez mais espaço nos solos, ao mesmo tempo que usa bastante suas técnicas vocais. Adoro ouvir sua voz, e mesmo cantando em polonês, a coisa flui muito bem. São três longas faixas climáticas no original, duas delas com mais de dez minutos, e sempre explorando alternâncias de ritmo e muitos duelos entre guitarras e teclados, onde dessa vez o hammond e o moog predominam. Neste box, Pamięć recebeu sete bônus, destacando três faixas que exploram o lado individual de cada músico, as quais são "Poranek Nadziei", uma linda faixa com Antymos ao violão de cordas de aço, lembrando canções do oriente médio principalmente pelo uso da tabla, e que veio a ser utilizada posteriormente como introdução para "Odejście", a percussiva "Barwy Drzewa", com destaque para o uso do vibrafone, ambas gravadas nos dias 14 e 19 de agosto de 1978 na Polish Radio Opole, e o registro caseiro de Skrzek ao piano em "Osiem Rąk", feito em 1975, na qual Skrzek toca quatro instrumentos diferentes de teclados. As demais bônus são a longa jam jazzística "Waldie", retirada de uma apresentação para uma rádio de Varsóvia em setembro de 1974, a soturna "Niedokończona Progresja", onde os teclados predominam, também da Polish Radio Opole, porém em 1976, assim como "Reko-Reko" e "Serenada Gia Sena", mas de transmissões feitas nos dias 4 e 7 de abril de 1978 para a mesma rádio, e que foram lançadas como single em 1978, mostrando a guinada sonora que a banda fez para tentar atingir o mercado ocidental, em faixas que trazem poucas lembranças do progressivo. 

Confiantes e com a carreira cheia de shows na Hungria, Polônia e Tchecoslováquia, o trio grava dois álbuns em sequência que são o auge de sua fase progressiva, e não por acaso considero-os os melhores da banda. Um deles foi lançado apenas na Polônia, Ze Słowem Biegnę Do Ciebie (1977), e o outro somente na Tchecoslováquia, SBB (também conhecido como Wołanie O Brzęk Szkła por conta da maravilhosa faixa que carrega esse nome, de 1978, e que foi lançado na Alemanha Ocidental sob a alcunha Slovenian Girls), e ambos estão na caixa, também com faixas inéditas. Originalmente lançados com apenas uma longa suíte em cada lado, eles mostram como a banda tinha capacidade de construir canções complexas, climáticas, que envolvem durante a audição e apresentam texturas sonoras de embaralhar a cabeça. Estavam em perfeita sintonia, e recomendo fortemente as quatro faixas dos dois álbuns para o ouvinte conhecer o grupo. Quanto aos bônus, para Ze Słowem Biegnę Do Ciebie veio o resgate da versão original de "Odejście (Tęsknota / Wyzwolenie / Odejście / Rozłam / Pojednanie)", com seus 30 minutos de duração, retirados de uma transmissão para a Polish Radio Katowice, em outubro de 1976, e que foram abortados pela gravadora Muza, sendo apenas parte deles utilizados em Wołanie O Brzęk Szkła. Delirante! Para Wołanie O Brzęk Szkła entram como bônus quatro faixas: as swingadas "Bitwy Na Obrazach" e "Uścisk W Dołku", gravadas entre 12 e 22 de abril, na Tchecoslováquia, sendo lançadas em um single de 1977, e que revelou o lado funky dos poloneses; e duas canções gravadas em 1976, contando com o saxofonista Tomasz Szukalski, e nunca lançadas anteriormente, as quais são "Muzykowanie Latem", versão adaptada de "Wołanie O Brzęk Szkła", onde o saxofone está livre para improvisar, e "Fikołekcom" uma maravilhosa mistura de funky, jazz e progressivo, para viajar sem sair de casa. As duas do single haviam aparecido no relançamento tcheco de SBB, em 2003. 

Entre as sessões de rádio, a banda costumava gravar pequenos improvisos, e nove deles foram escolhidos para um lançamento especial, Jerzyk, o qual saiu apenas em uma fita cassete. Todo instrumental, aqui é o sexto CD da caixa, com as nove canções originais pela primeira vez (até então) em um formato diferente do que o K7, e que mostram o lado funky dos poloneses. É surpreendente ouvir faixas como a faixa-título, "Kijek", "Taniec Bulibara" ou "Palamakia", com um embalo e ginga incomum para os álbuns da banda até então, chegando a lembrar os grandes nomes da Motown. Mas o progressivo também está lá, principalmente em "Oddech", linda faixa com sintetizadores tomando conta, ou a emocionante "Władkowa Kołysanka", apenas com Skrzek ao piano e vocalizações. O CD vem com 8 bônus, também retirados de sessões de improvisos na Polish Radio Opole, e mantendo o nível funky das antecessoras. Todas as faixas apareceram posteriormente no relançamento de 2005. Jerzyk já mostra a tendência de moldar o som da banda para o mercado ocidental da época, vivendo a onda disco music, vindo a culminar com o primeiro disco lançado na Alemanha Ocidental, SBB (ou Amiga Album), inclusive com versões inicias de "Mutraczka" e "Ouzo", presentes em SBB. Antes deles, houve Follow My Dream (também de 1978), o sétimo CD de Anthology 1974-2004.

Lançado originalmente apenas na Alemanha Ocidental, é o álbum progressivo inglês do SBB. Com duas suítes divididas em quatro partes ("Going Away" e "Follow My Dream") cantadas nessa língua, utilizando-se também de improvisos que rolavam nos palcos europeus naquela época. É uma ótima pedida para quem quer conhecer o progressivo do SBB mas numa versão britânica. Gosto muito de ambas as faixas, pois apresentam todas as características que me fizeram fã do trio (momentos de duelos entre teclados e guitarra, variações de ritmo, melodias climáticas ...). Como bônus são três faixas de apresentações de rádio, duas delas na Polish Radio Opole (1977), com "Królewskie Marzenie" lembrando "Poranek Nadziei", e a emocionante "Dla Przyjaciół", apenas com Skrzek no piano Fender. A última é a longa "Wiosenne Chimery", na Polish Radio Katowice, mesclando versões dos dias 16 e 26 de março de 1978, e também com trechos utilizados em outras canções. Amiga Album (oitavo CD) é um disco bastante funky, lançado originalmente apenas na Alemanha Ocidental, onde foi gravado no Amiga Studios (por isso o apelido) entre 1 e 12 de dezembro de 1977. Então, era a primeira oportunidade do mundo do ocidente conhecer a ginga polonesa. Onze canções curtas na qual Skrzek manda ver com o moog e o mini-moog, enquanto Antymos e Piotrowski estraçalham no embalo, destacando "Hektik", a mais progressiva de todas, "Magische Blaue Stunde", "I Wonder Why" (cantada em inglês) e as versões definitivas de "Ouzo" e "Mutrackza". Como bônus deste CD, mais nove faixas, sendo apenas uma não inédita, "Nervöser Nikolaus", que apareceu na rara compilação Hits in Instrumentalfassung (1978). As demais compreendem faixas de transmissões na Polish Radio Katowice, com sete delas em março de 1976, e uma de janeiro de 1977 ("Podróż"), todas mantendo a linha "Embalos de Sábado a noite".  

Welcome, o primeiro disco lançado tanto na Polônia quanto na Alemanha, é um álbum mais próximo do progressivo, começando com a paulada "Walkin' Around the Stormy Bay" e passando por seis canções que lembram grupos como a The Alan Parsons Project, e com Skrzek cantando em inglês (todas as canções tem seu título em inglês). Destaque para a longa "Last Man at the Station", com seus quase dez minutos de duração que mostram um SBB quase britânico na sua composição. As bônus trazem a versão completa de uma das canções de Welcome, no caso "Rainbow Man", "Last Man at the Station" em uma versão mais enxuta, retirada da compilação Super Rock Festival Vol. 2 (1979) e cinco faixas gravadas na Polish Radio Opole entre os dias 14 e 19 de agosto de 1978, um mês antes das gravações oficiais de Welcome, sendo apenas uma delas, "Deszcz Kroplisty, Deszcz Ulewny", não inédita, tendo aparecido na coletânea Zapraszamy do Trójki 2 (1979), e que ainda trazem um pouco do tempero funky. Memento Z Banalnym Tryptykiem encerra a primeira parte da discografia da banda, sendo o único álbum como quarteto, agora com a adição de Sławomir Piwowar nas guitarras, baixo e teclados. É um belo disco de rock progressivo, destacando o trabalho acústico da linda "Trójkąt Radości" e a suíte-título, com mais de 20 minutos de duração, e que o CD 10 da caixinha traz como bônus uma inédita versão de "Z Których Krwi Krew Moja" (gravada originalmente em Pamięć), transmitida pela Polish Radio Opole entre o verão e o outono polonês de 1980, sem precisão de data.

A carreira do SBB ficou estagnada por toda a década de 80, até que em 1991 o trio voltou aos palcos para uma única apresentação. O clamor dos fãs foi tanto que em 19 de junho de 1993 a banda se reuniu para um show no Spodek, de Katowice, junto de Andrzej Rusek (baixo) e Janusz Hryniewicz (violões, voz) onde apresentaram versões revisitadas para diversas canções da carreira da banda, além de novos trabalhos ("Singer, Oh Singer" e "Hung-Under"), que foram registrados em Live '93 (1994). A versão de Anthology traz o show na íntegra, adicionando quatro novas faixas em relação a versão original. Seguimos então por uma série de mais oito lançamentos ao vivo, começando pelo resgate de Live in America '94, que havia saído na Polônia apenas no formato K7, e aqui, ganhou pela primeira vez o formato digital. Ele traz sete canções gravadas em New Jersey, com quatro em estúdio, sendo as versões inéditas de "Hung-Under" e "Singer, Oh Singer", além da totalmente inédita "Wish", e uma regravação para "Follow My Dream", em um clima AOR, e três ao vivo registradas no primeiro dia de junho de 1994, mais jazzísticas, as quais são uma revisão para "Freedom With Us" e as inéditas "Basie" e "Drzewko Oliwne". Isso fez parte da primeira turnê norte-americana da banda, com a mesma formação de Live '93, adicionados dos vocais de apoio de Kim. Como bônus, quatro faixas do show de Chicago em junho de 1994, com destaque para "Swinging Blues SBB". Valia pela novidade à época, em ter o álbum no formato CD. Piotrowski saiu da banda, decidindo manter-se nos EUA e Mirosław Muzykant assumiu o seu lugar em 1998.

E o primeiro show do cara, em 22 de agosto de 1998, na cidade de Giżycko, foi registrado em Absolutely Live '98 (1999), uma paulada onde as técnicas de Muzykant são colocadas à prova contra Skrzek e Antymos afiadíssimos. Destaque para "Odlot", com Skrzek voltando ao baixo, e a linda versão de "Memento Z Banalnym Tryptykem". Este CD traz as mesmas onze canções do seu lançamento original, e portanto, nada de bônus, mas é uma belezura de se ouvir. Os CDs seguintes trazem a apresentação de 15 de novembro de 1998 no In Filharmonia Pomorska, onde a banda se apresentou com instrumentos sinfônicos, como sinos tubulares, órgão de igreja e tímpano, e revisitou canções de sua carreira, como a magnífica versão de "Going Away", a breve mas impactante "Odlot" ou a incrível desconstrução de "Z Których Krwi Krew Moja", além de apresentar novas canções, destacando "Introdukcja" e a longa "Final", na qual os instrumentos sinfônicos são ouvidos com mais destaque. Esse show está registrado em W Filharmonii: akt 1 e 2 (1999), que ganharam como bônus canções de uma apresentação trasmitida pela Polish Radio Channel 3, em comemoração aos 25 anos do SBB, de um show na Sala Kongresowa, em Varsóvia. São cinco bônus que contam com a participação de Rosana Wikariuk (vocais), Halina Frąckowiak (vocais), Tomasz Szukalski (saxofone) e Tadeus Nalepa (guitarras), e que valem não só pelas participações, mas também por ser um material um quanto tanto diferente na obra dos poloneses.

O 16° CD marca a entrada de Paul Wertico na bateria, e uma guinada no som do SBB para o jazz rock. Wertico, que havia trabalhado com Pat Metheny, era um fã dos poloneses, e foi convidado para segurar o ritmo em uma apresentação especial no dia 29 de maio de 2000 em Herzogenaurach, Alemanha. Essa apresentação foi registrada em Good Bye! (2000), com muitos improvisos, um Antymos vivendo um belíssimo momento e apenas duas canções conhecidas ("Odlot" e "Rainbow Man"). O CD saiu no ano seguinte acompanhado de um CD extra, trazendo o EP Golden Harp, o primeiro registro de estúdio (e de inéditas) do SBB desde 1994. É exatamente o EP que vem como bônus na mídiazinha, sendo a única a não apresentar material totalmente inédito em Anthology. Os CDs 17, 18 e 20 também são ao vivo, porém resgatando shows da banda na década de 60. Karlstad Live (2001), o 17°, é um dos melhores que já ouvi da banda, retirado de uma apresentação em 13 de maio de 1975 na cidade de Karlstad, Suécia. O trio está preparando suas canções, então, em uma poderosa apresentação quase só de improvisos, podemos perceber trechos de diversas músicas que iriam aparecer nos álbuns posteriores da banda. O repertório apresenta seis faixas todas com o título em inglês, e uma aula de progressivo que faz deste um dos meus preferidos na carreira da banda. Como bônus, duas longas pauladas de uma apresentação em 15 de maio de 1975 na cidade de Kolbäck, Suécia, as quais mantém o nível progressivo lá no alto. 

Com Budai Ifjusagi Park, Live '77 (18° CD) temos o registro em Budapeste, Hungria, nos dias 24 e 29 de setembro de 1977, com um repertório baseado em Follow My Dream, e novamente, mostrando como o trio era uma potência nos palcos. Skrzek em especial está impossível, mandando ver nos seus teclados, usando e abusando do clavinet, moog e mini-moog (ouça "(Carpathian) Mountain Meoldy" e entenda o que estou falando) ou despejando distorção no seu baixo (vide "Follow Our Music - bass solo") e criando climas viajantes para faixas estupendas. A caixinha coloca o track list em ordem em relação ao lançamento de 2001, mas sem acrescentar nenhum material novo. Da mesma turnê, mas em um show no dia 22 de outubro de 1977 em Göttingen, Alemanha, vem o CD 20, com 22.20.1977 Göttingen Alte Ziegelei (2004), outra apresentação mágica e impactante do trio, em um repertório muito similar ao 18° CD, onde os improvisos e viagens climáticas tomam conta, e que traz como bônus em relação ao material lançado no mesmo ano de Anthology 1974-2004 "I Want Somebody", retirada da mesma apresentação. Entre essas jóias ao vivo está Nastroje (2002), o segundo lançamento de estúdio da nova formação, mantendo a linha de Golden Harp, apesar de eu achar esse álbum mais progressivo que o EP. É interessante ouvir Wertico cantando, com uma voz bem grave, o que ocorre em "Knowing Where You Belong". Como bônus, o box nos traz a primeira mixagem de uma das canções do disco, "Całkiem Spokojne Zmęczenie", além do vídeo-clipe da mesma, ou seja, é uma mídia no formato Enhanced.

Encerrados os 20 (!) lançamentos oficiais até então do grupo, chegamos nos dois álbuns bônus. O primeiro, intitulado Sikorki, contém gravações feitas com diversos convidados, os quais são Tomasz Stanko (trompete), Tomasz Szukalski (saxofone), Andrzej Przybialsko (trompete) e Jan Blędowski (violino). Como podemos perceber pelo time, temos instrumentos de sopro que agregam jazz para as bases progressivas do grupo. São 8 canções inéditas (ver track list abaixo), caracterizadas pelo improviso, destacando a viajante "Z Tomaszem", com seus 22 minutos de duração na linha free jazz, com um baixo carregadíssimo de distorção, e totalmente destruidora (uma das três gravadas na Polish Radio Warszawa, em junho de 1974), o trabalho de piano incrível em´"Tydzień Z Szakalem", registrada na Polish Radio Warszawa em 10 de junho de 1975, e o minimalismo avant-garde de "Lula", registrada na mesma rádio porém em dezembro de 1973. As outras quatro faixas compreendem mais duas de 75 na Polish Radio Warszawa, e uma na Polish Radio Gdansk, também em 75. O último CD, Wicher W Polu Dimie, mergulha nos arquivos pessoais do SBB, extraindo de lá a suíte-título, uma obra que segue a linha Mahavishnu Orchestra principalmente pelo violino de Jan Blędowski, gravada em dezembro de 1973,versões iniciais e muito cruas, mas encantadoras, para "Erotyk" e "Z Których Krwi Krew Moja" (essa com Skrzek apenas ao piano, ao invés da tecladeira que a consagrou depois), além de quatro faixas inéditas (todas registradas em 1974) e uma versão ao vivo de "Figo-Fago", retirada de uma apresentação no XII KFPP Opole Festival de 29 de junho de 1974. Ou seja, é a fase embrionária do SBB chegando aos ouvidos dos fãs pela vez primeira, e mostrando que o trio já estava pronto para ser rei na Cortina de Ferro desde seu nascimento.

Todas as bônus, a menos quando citadas, apareceram nos relançamentos de 2005, e portanto, eram inéditas até aquele momento, o que já foi uma atração a mais para a caixinha, assim como os dois CDs extras, que só foram lançados oficialmente de forma individual em 2006. O material ao vivo também é de uma qualidade de gravação impecável. O box ainda traz um livreto de 28 páginas, contando a história do grupo (em polonês e em inglês) através das palavras de Skrzek e Michał Wilczyński, além de muitas fotos inéditas (apresentadas ao longo do texto) e dando mais detalhes sobre o material que está nesse lançamento. Sei que o texto ficou enorme, mas somente um texto enorme para descrever e mostrar a enormidade de uma das caixas mais legais que tenho em minha coleção. Agora é correr atrás dos outros dois grandes boxes da banda, chamados The Lost Live Tapes.

Track list

1974 SBB 

1. I Need You, Baby

2. Odlot

3. Wizje

4. Zostało We Mnie

5. Obraz Po Bitwie

6. Figo-Fago

7. Toczy Się Koło Historii

1975 Nowy Horyzont 

1. Na Pierwszy Ogień

2. Błysk

3. Nowy Horyzont

4. Ballada O Pięciu Głodnych

5. Wolność Z Nami

6. Xeni

7. Penia

8. Dyskoteka

9. Na Pierwszy Ogień

1976 Pamięć 

1. W Kołysce Dłoni Twych (Ojcu)

2. Z Których Krwi Krew Moja

3. Pamięć W Kamień Wrasta

4. Poranek Nadziei

5. Barwy Drzewa

6. Osiem Rąk

7. Waldie

8. Niedokończona Progresja

9. Reko-Reko

10. Serenada "Gia Sena"

1977 Ze Słowem Biegnę Do Ciebie 

1. Ze Słowem Biegnę Do Ciebie

2. Przed Premierą

3. Odejście (Tęsknota/Wyzwolenie/Odejście/Rozłam/Pojednanie)

1978 Wołanie O Brzęk Szkła 

1. Wołanie O Brzęk Szkła

2. Odejście

3. Bitwy Na Obrazach

4. Uścisk W Dołku

5. Muzykowanie Latem

6. Fikołek

1977 Jerzyk 

1. Jerzyk

2. Kijek

3. Oddech

4. Taniec Bulibara

5. Garbusek

6. Palamakia

7. Wołanie O Podkład

8. Janek

9. Władkowa Kołysanka

10. Debiut Kety

11. Traktów

12. Renia

13. Mutraczka (1st Version)

14. Jak Było Tak Było Ale Było

15. Cierpiarz

16. Ouzo (1st Version)

17. Uścisk W Dołku (1st Version)

1978 Follow My Dream 

1. Freedom With Us

2. 3rd Reanimation

3. Going Away

4. (Żywiec) Mountain Melody

5. Wake Up

6. In The Cradle Of Your Hands (Song For Father)

7. Growin'

8. Follow My Dream

9. Królewskie Marzenie

10. Wiosenne Chimery

11. Dla Przyjaciół

1978 Amiga Album

1. Tanzbar

2. Magische Blaue Stunde

3. Hektik

4. 2:10

5. Ouzo

6. Unterbrochene Erotik

7. Kala

8. Tumba

9. Mutraczka

10. Nr. 7

11. I Wonder Why

12. Nervöser Nikolaus

13. Tom Cat

14. Gonitwa

15. Beci

16. Profesor Moog

17. Balon Guma

18. Maskarada

19. Podróż

20. Trema

1979 Welcome

1. Walkin' Around The Stormy Bay

2. Loneliness

3. Why No Peace

4. Welcome Warm Nights And Days

5. Rainbow Man

6. How I Can Begin

7. Last Man At The Station

8. Rainbow Man (Long Version)

9. Last Man At The Station (Short Version)

10. Deszcz Kroplisty, Deszcz Ulewny

11. Tuż Nad Kanałem Ulgi

12. Przy Okazji

13. 30 Stopni W Cieniu

14. Mechaniczna Skakanka

1981 Memento Z Banalnym Tryptykiem 

1. Moja Ziemio Wyśniona

2. Trójkąt Radości

3. Strategia Pulsu

4. Memento Z Banalnym Tryptykiem

5. Z Których Krwi Krew Moja

1994 Live 1993 

1. I Need You, Babe

2. Odlot

3. Z Których Krwi Krew Moja

4. Walkin' Around The Stormy Bay

5. Freedom With Us

6. 3rd Reanimation

7. Going Away

8. Singer, Oh Singer

9. Follow My Dream

10. Hung-Under

11. Figo-Fago

12. Erotyk

1994 Live In America '94 

1. Follow My Dream

2. Hung-Under

3. Wish

4. Singer, Oh Singer

5. Drzewko Oliwne

6. Freedom With Us

7. Basie

8. Oak Theatre

9. Swinging Blues SBB

10. Erotyk

11. Figo-Fago

1999 Absolutely Live '98 

1. Introdukcja

2. Odlot

3. Erotyk

4. Walkin' Around The Stormy Bay

5. Memento Z Banalnym Tryptykiem

6. Freedom With Us

7. 3rd Reanimation

8. Going Away

9. Żywiec Mountain Melody

10. Singer, Oh Singer

11. Z Których Krwi Krew Moja

1999 W Filharmonii Akt 1 

1. Introdukcja

2. Odlot

3. Erotyk

4. Walkin' Around The Stormy Bay

5. Rainbow Man

6. Z Których Krwi Krew Moja

7. Erotyk

8. Szczęśliwi Z Miasta N.

9. Narodziny

1999 W Filharmonii Akt 2 

1. Freedom With Us

2. 3rd Reanimation

3. Going Away

4. Żywiec Mountain Melody

5. Finał

6. Singer, Oh Singer

7. Całkiem Spokojne Zmęczenie

8. Toczy Się Koło Historii

9. Figo-Fago

2000 Good Bye! 

1. Born To Die

2. Wish

3. Drum-Battle

4. Boogie

5. Rainbow Man

6. Odlot

7. Paul

8. The Golden Harp

9. Bar Wah-Wah

10. Least It's Sunny

11. Strawbury Jam

12. The Golden Harp (Instrumental)

2001 Karlstad Live '75 

1. Pretty Face

2. Born To Die

3. Clouds

4. Stormy Bay

5. Wonderful Sky-Ride (Instr.)

6. Return To The South

7. Na Pierwszy Ogień (Suita Północy)

8. Figo-Fago (Sztorm Majowy)

2001 Budai Ifjusagi Park Live '77 

1. Freedom With Us

2. Wołanie O Brzęk Szkła - Finał

3. (Carpathian) Mountain Melody

4. Z Których Krwi Krew Moja

5. Follow My Dream (Instr.)

6. Follow Our Music - Bass Solo

7. Odejście - Finał

8. Drums Solo

9. I Want Somebody

10. Shake Baby

11. Born To Die

2002 Nastroje 

1. Muzyka, Która Jest W Nas, Jest Ponad Nami

2. Za Nami Wieki Wojowników (Pamięci Silesian Blues Band)

3. W Ogrodzie Snu

4. Pieśń Stojącego W Bramie

5. Knowing Where You Belong

6. Pisze To Życie Scenariusze

7. ...Or Whatever

8. Całkiem Spokojne Zmęczenie

9. W Oceanie Się Zanurza Liverpool

10. Star Of Hope (Pamięci Ryśka Riedla)

11. Don't Look Back

12. Całkiem Spokojne Zmęczenie (First Mix)

2004 22.10.1977, Göttingen, Alte Ziegelei 

1. Ze Słowem Biegnę Do Ciebie - Introdukcja

2. Toczy Się Koło Historii

3. Wolność Z Nami - Temat

4. Światłowód

5. W Kołysce Dłoni Twych (Pretty Face)

6. Follow My Dream (Instr.)

7. Follow Our Music - Bass Solo

8. Odejście - Finał

9. Drums Solo

10. Freedom With Us

11. Wołanie O Brzęk Szkła - Finał

12. Coda

13. I Want Somebody

2004 Sikorki 

1. Bitwy Na Obrazach

2. Z Tomaszem

3. Mój Przyjaciel Moog

4. Sikorki

5. Wyjątek Z "Pamięci"

6. Tydzień Z Szakalem

7. Pablo

8. Lula

2004 Wicher W Polu Dmie

1. Wicher W Polu Dmie

2. Dwie Pogody, Cz. II

3. Obraz Po Bitwie

4. Erotyk

5. W Samym Środku Nocy

6. Cięcie

7. Z Których Krwi Krew Moja

8. Figo-Fago


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