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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Podcast Grandes Nomes do Rock # 42: Ouviram do Ipiranga às Margens Plácidas



O Podcast Grandes Nomes do Rock desse mês homenageia a Independência do Brasil. Para isso, apresentamos cinco blocos com alguns dos principais grupos do rock nacional, divididos por estados e regiões. Assim, ouviremos grupos do Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo), do Distrito Federal, da Bahia e do Rio Grande do Sul, em pouco mais de duas horas de programa.




Museu do Ipiranga, em São Paulo
Track list Podcast # 41 - Dia dos Pais


Bloco 01
Abertura: "Papa Don't Preach" [do álbum True Blue - 1986 (Madonna)]
"Father and Son" [do bootleg Live on Earth Tour - 1976 (Cat Stevens)]
"My Father's House" [do bootleg Live at Bologna - 2005 (Bruce Springsteen)]
"My Father" [do álbum Who Knows Were The Time Goes - 1968 (Judy Collins)]
"Father to Son" [do álbum ... But Seriously - 1989 (Phil Collins)]
"Father of Night" [do álbum New Morning - 1970 (Bob Dylan)]

"Oh! Father" [do álbum Like A Prayer - 1988 (Madonna)]

Bloco 02
Abertura: "Pai" [do álbum Com Amor - 1996 (Fábio Júnior)]
"Ê Meu Pai" [do álbum Abre-te Sésamo - 1980 (Raul Seixas)]
"Papai Me Empresta O Carro" [do álbum Acústico MTV - 1998 (Rita Lee)]
"Como Nossos Pais" [do álbum Transversal do Tempo - 1978 (Elis Regina)]
"Pais e Filhos" [do álbum Acústico MTV - 1999 (Legião Urbana)]
"Catch Me Daddy" [do álbum Farewell Song - 1982 (Janis Joplin)]

Bloco 03
Abertura: "Daddy Where Did I Come From" [do álbum Ars Longa Vita Brevis - 1968 (The Nice)]

"Another Brick in the Wall, Part III" [do álbum The Wall - 1979 (Pink Floyd)]


"Father Bach" [do álbum Mother Focus - 1975 (Focus)]
"I Believe in Father Christmas" [do álbum Works II - 1977 (Emerson, Lake & Palmer)]
"Dear Father" [do álbum Yesterdays - 1975 (Yes)]

"Father Oblivion" [do álbum Apostrophe (') - 1974 (Frank Zappa)]

"Little Fugue / Father O. S. A." [do álbum Styx II - 1973 (Styx)]


Bloco 04
Abertura: "Sometimes You Can Make It On Your Own" [do álbum  How To Dismantle An Atomic Bomb - 2004 (U2)]
"Father Time" [do bootleg Live at Wacken Open Air - 2007 (Stratovarius)]
"Father to Son" [do álbum Queen II - 1974 (Queen)]
"Son of Your Father" [do álbum The Last Puff - 1974 (Spooky Tooth)]
"Daddy's Gonna Pay For Your Crashed Car" [do vídeo Zoo TV: Live from Sidney - 1993 (U2)]
"
"Come Away Melinda" [do álbum UFO - 1970 (UFO)]

Encerramento: "Fine Fat Daddy" [do álbum Dinah Sings Bessie Smith - 1958 (Dinah Washington)]

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Maravilhas do Mundo Prog: Fernando Pacheco - Himalaia [1986]




O grupo Recordando o Vale das Maçãs lançou apenas um álbum, o cobiçado e essencial As Crianças da Nova Floresta, em 1978. Quatro anos depois, acabou separando-se pouco depois de começar as gravações daquele que seria o seu segundo disco. Um dos principais líderes do grupo - o guitarrista, vocalista e compositor Fernando Pacheco - seguiu peregrinando pela música. Em 1986, misturou talento e genialidade naquele que é em um dos mais belos álbuns da década. 


Trata-se de Himalaia. Esse diamante começou a ser lapidado no final dos anos setenta. Ali, o compositor e músico Fernando Pacheco, junto com os demais seis integrantes do grupo Recordando o Vale da Maçãs, lançava o magnífico As Crianças da Nova Floresta. O progressivo tradicional ganhava espaço entre a disco music e o punk.


Fernando sempre se caracterizou por ser um talentoso músico. Tendo diversos professores em sua vida, multi-instrumentista, acompanhou bandas de baile, sendo líder da conhecida banda santista Tropical Jungle. Contou com a ajuda de diferentes pessoas para consolidar sua marca entre os grandes no cenário brasileiro. Foi no Recordando o Vale das Maçãs que começou a ganhar destaque. Ao mesmo tempo em que se tornou professor no Grupo AMA e no Conservatório Musical Heitor Villa-Lobos, ambos em Sampa, ficou reconhecido como o Robert Fripp brasileiro. Graças à sua genialidade nas composições.


Fernando Pacheco, liderando o
Recordando o Vale das Maçãs
Mesmo com o fim precoce da banda em 1982, não parou no tempo (como por exemplo, nosso querido guitarrista Mario Neto). Antes, a RVM havia lançado o compacto Sorriso de Verão/Flores na Estrada, que ficou no primeiro lugar das paradas brasileiras durante seis meses. Fernando ainda apresentou-se com o projeto Pacheco e Carioca, ao lado de Carioca Freitas, antes de mudar-se para o sul de Minas Gerais onde assumiu a função de professor titular do Conservatório Estadual de Música J.K.O. (Pouso Alegre). Em 1985, lançou o magnífico álbum Instrumental junto com Fernando Pereira com o nome de Duo Fernando's. Os dois já vinham ensaiando e fazendo shows desde 1983. 


A pergunta que fica é: seria Fernando Pacheco capaz de produzir uma Maravilha Prog, assim como fez quando liderava o Recordando o Vale das Maçãs? A resposta é sim e não, já que Himalaia apresenta dois lados distintos.

O lado A, "The Past", foi gravado com o Recordando o Vale das Maçãs na cidade de Curitiba, durante o ano de 1982, 
e traz indícios do que seria o segundo álbum do grupo. O lado B, "The Present", apresenta Pacheco tocando todos os instrumentos. Ambos os lados demonstram uma aula de sentimentalismo e técnica com o músico viajando por onde mais gostava: os temas instrumentais. Apesar de composto por apenas cinco faixas, as mesmas são certeiras e grudam no cérebro de qualquer apreciador de boa música. 

Mas é em "The Past" que está a nossa maravilhosa canção. A abertura do LP é feita com "Sonho", tendo um arranjo similar ao que foi gravado em As Crianças da Nova Floresta. Depois, entramos nos maravilhosos treze minutos da faixa-título.


Pacheco e o renomado violonista e compositor Leo Brower
Ela começa com o embalo lento e cadenciado de "Sonho", quebrado por uma emotiva introdução recheada com violão, flautas e pássaros. No melhor estilo Recordando o Vale das Maçãs! Apresenta um lindo solo de flauta enquanto Pacheco dedilha seu violão.  A marcação aumenta seu ritmo, trazendo um lindo solo de guitarra e de teclados. 

Após começar lenta e suave, vai aumentando a cadência e atinge seu pique no rápido e complicado solo de violino. O clima muda, com flauta e teclados duelando sobre dedilhados de violões e baixo. Parece uma guerra de cantos entre pássaros na floresta. Inicia uma sessão mais viajante com solos de flauta, violino e guitarra, sempre acompanhados pela cadência RVMiana. Por fim, a bela introdução é retomada com o violão solando mais agressivo enquantos teclados e violinos deliram. A canção termina em um climão de floresta com a levada principal executada anteriormente sendo acompanhada pelos viajantes solos de teclado, flauta, guitarra e, principalmente, pelo violão dedilhado que acompanha toda essa faixa. Encerra o lado "The Past" com um tema de flauta daqueles tão grudentos como a introdução.

Relançamento em CD de Himalaia

O lado "The Present" possui outra canção digna de ser chamada de maravilha, a complícadissima "Progressivo L-2 Sul". Aqui, Fernando mostra todo o seu trabalho e aprendizado no violão clássico.  Complementam o álbum a mini-suíte "Ciclo da Vida" - outra nos velhos moldes de As Crianças da Nova Floresta - e "Civilização", um pequeno dedilhado de violão com um belíssimo solo de flauta.


Himalaia não fez muito sucesso no Brasil, mas acabou estourando no exterior (como já havia acontecido com a RVM). Fernando Pacheco ainda gravaria o CD As Crianças da Nova Floresta II (1993) e o trabalho 1977-82 (1994), ambos ao lado do Recordando o Vale das Maçãs. Em termos de carreira solo, lançou em 1998 Himalaia II (realizando concertos e trabalhos de divulgação na Espanha e Portugal) e em 2005, com o Duo Fernando's, lançou Homenagem a Johnny Alf. No ano seguinte, lançou o belo trabalho Spirals of Time ao lado de Giuliano Tiburzio (baixo), Antonio Bortoloto (bateria), Leonardo Zambianco (voz), Nélio Porto (teclados) e Eduardo Floriano (vocais).


Fernando Pacheco, o Robert Fripp brasileiro

Em termos docentes, Pacheco assumiu o cargo de professor de violão e guitarra no curso de música da Universidade Vale do Rio Verde (UninCor) em Três Corações (MG). Nessa mesma universidade, assumiu o cargo de coordenador e professor do curso de Pós-Graduação em Música. Leciona até os dias atuais, ao mesmo tempo em que apresenta-se em concertos com o Recordando o Vale das Maçãs e em trabalhos de jazz instrumental brasileiro com o Duo Fernando's e Fernando Pacheco Trio. Assim, mostra todo o seu talento e inteligência para o público que sabe valorizar um trabalho de primeira qualidade.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Entrevista exclusiva com Domingos Mariotti e Fernando Motta


1 - Primeiramente, parabéns pelo CD. Muito bom gosto e também ótimas composições. Como surgiu a idéia de gravarem juntos, sendo vocês ex-colegas de uma das mais importantes bandas do rock nacional, o Recordando o Vale das Maçãs (RVM)

Fernando Motta (FM) - Eu e Domingos nos reencontramos no meio dos anos 80, e começamos a tocar juntos, compondo e nos divertindo. Com o tempo as musicas foram amadurecendo, e resolvemos registrá-las. Decidimos então, convidar nossos amigos do RVM, que participaram da banda entre 1973 e 1982. 

Domingos Mariotti (DM) – Eu e o Motta tocamos juntos desde sempre. Como outros projetos com outras formações acabaram não acontecendo e os amigos começaram a cobrar por um CD, aí resolvemos fazer. 

2 – Vocês ficaram muito tempo sem se falar/ver

FM - Não. A vida tem seus caminhos... 

DM - A gente se fala desde o primário. Remamos muitos anos juntos, e tocamos duas a três vezes por semana, ou mais, por dezenas de anos. 

3 – Reunião possui 10 canções que mantém um clima leve e bem diferente do que estamos acostumados a ouvir nos dias de hoje. A proposta é exatamente ser diferente do atual ou apenas voltar à década de 70, onde o progressivo dominou o rock

DM – Acho que a proposta é fechar o olho e deixar as notas fluírem. O resultado final parece ser um pouco diferente. A década de setenta é o embrião do nosso som, mas o clima mais leve; acredito que tem a ver com a maturidade do momento. 

FM - A música vem de dentro! Acho que a Natureza é a grande fonte de inspiração! Não pretendo ser diferente de nada. Faço apenas o que sinto! Sem compromisso! Essa é simplesmente "a nossa música"... Música que fazemos hoje! 

4 – Explique um pouco mais sobre a introdução da canção “Calimbeiro”, para os que não conhecem o instrumento Calimba

DM – Essa quem tem de responder é o Motta. Na verdade eu considero esta musica praticamente só do Motta, apesar dele ter me creditado como co-autor, ele fez praticamente tudo. E o nome da musica, eu sei que é em homenagem ao neto, pois ele fez a musica no clima do nascimento do Calimbeiro. 

FM - Eu tocava a Calimba pro meu neto, e ele abria o maior sorriso! Fiz uma música pra ele, e o Calimbeiro, aparece tocando no começo, e vai embora tocando no fim... 

Fernando Motta, Domingos Mariotti e Luis Aranha

5 – O período de gravação de Reunião foi de quanto tempo? A mixagem durou três anos por quê? (no encarte do CD, consta mixagem 2007 / 2010) Por que o CD demorou tanto tempo para ser lançado

DM – Na primeira etapa eu e o Motta gravamos todas as musicas juntos. Cada um num aquário. O vídeo da musica “Duas Meninas” mostra tudo isso, pois o Lombardi que fez as cenas, “pegou” o take que valeu. Quando a guitarra saia legal, a flauta tinha que valer. Assim o clima ficava registrado, principalmente as “conversinhas” nas entrelinhas entre a flauta e a guitarra. Acabamos registrando 17 musicas. Já tem sobrando prá um próximo. A segunda etapa, mais demorada, foi a participação dos músicos convidados. Veio um por um, e teve ensaio antes, e datas que não batiam, com o estúdio liberado, e uma série de coisas. Inclusive uma velejada longa que o Motta participou. Aí então partimos para a mixagem. Aqui um capítulo a parte, pois resolvemos participar ativamente junto com os técnicos. Mas o resultado foi muito gratificante, pois foi como uma pós-graduação. Pudemos por em prática e ver acontecer um monte de coisa que apenas havíamos ouvido falar e sempre passado ao largo. Além disso tudo, nunca tive pressa de nada nessa vida. Essa sempre foi a proposta. Quase uma maneira de viver. 

FM - Como eu disse acima,a vida tem seus caminhos... Fiz uma viagem longa neste período, (fui até Fernando de Noronha de veleiro), e os trabalhos andaram bem devagar por algum tempo. Mas a ideia era essa mesmo, sem pressa. 

6 – Vocês fizeram o disco praticamente sozinho, seja nos arranjos, nas composições e na mixagem. Faltou apoio das gravadoras ou a busca sempre foi por algo totalmente independente

FM - Foi um trabalho Totalmente independente! Sem compromisso com ninguém! 

DM – Resolvemos fazer, fomos lá e fizemos. Não perguntamos para ninguém se podia. Mais independente impossível. Queremos apoio agora, na distribuição. 

7 – Mesmo em comparação ao RVM, as canções lembram pouco. São apenas algumas passagens na flauta ou no dedilhado da guitarra, o que corrobora um trabalho feito apenas por vocês

DM – Alguém disse já há algum tempo que eu e o Motta éramos o lado acústico do Recordando o Vale das Maçãs. Acho que é meio por aí. 

FM - De uma certa forma, eu e o Domingos representamos o lado acústico da banda."Violão e flauta". As composições têm este particular. A flauta é a voz que eu não tenho. O resto vem da alma. 

8 – Acho que um dos diferenciais de Reunião é que mesmo sendo um disco de progressivo, não nega a influência do blues e do jazz, principalmente em canções como “Barcos Brancos” e a linda “Caminho de Ouro”. Esses estilos realmente influenciaram suas carreiras e suas formas de compor

FM - Claro. Não sou muito afeito a rótulos, mas, nossa musica tem influencia de toda a nossa historia. Jazz, blues, rock progressivo, Beatles, Rolling Stones, musica classica, etc... É um mix. 

DM – Cinco mil horas ouvindo Duane Allman, tinha que dar nisso mesmo. 

9 – Mesmo sendo uma dupla, o disco conta com diversos convidados, como Eliseu Lee, Sergio Lombardi e Fernando Pacheco. O convite para participações veio espontaneamente ou através da necessidade de preencher lacunas nas canções

DM – Apesar dessa formação acústica me satisfazer bastante, algumas musicas parece que pedem mais alguma coisa e a participação dos nossos amigos superou nossas expectativas, diversificando os timbres, e as melodias, e trazendo um clima de amizade, de tribo, de festa e de pajelança. 

FM - A ideia sempre foi convidar o pessoal que tocou com agente no RVM. Reunião, o nome já diz. É sempre um grande prazer, fazer um som com estes caras! A vida toda foi assim... 

10 – “Kalambelê” é o que mais expressa esse processo de composição de vocês. Apenas flauta e guitarra, e temos uma canção que lembra clássicos de Bach. Essa canção em específico demorou muito tempo para ser composta

FM - Essa música foi composta em 1 hora!!! Encontramos-nos em um final de tarde no escritório do Domingos, e começamos a tocar alguma coisa nova! A gente percebeu na hora e deixou rolar... Em 1 hora, a música estava pronta! Do jeito que foi gravada! 

DM – Se você reparar na flauta, eu repito a mesma linha melódica por seis vezes. A melodia é bem simples, só que cada vez eu faço de uma maneira, e sempre num crescendo. No CD, além desta, tem também a Praia Triste, em que somente nos dois tocamos. Mas, todas as músicas, passam por uma versão cordas flauta no inicio. 

Fernando Motta, Fernando Pacheco e Domingos Mariotti

11 – Fernando Pacheco, um dos fundadores do RVM, participa de 5 das 10 canções de Reunião. Como foi voltar a gravar com ele

DM – O Pacheco é um mestre, sabe tudo. Cada vez que a gente se encontra eu me espanto mais. Para ele tudo é muito fácil. A sua técnica está em constante evolução, com uma pegada bem característica. Seria muito bom se tivéssemos mais oportunidades de encontros. 

FM - Pacheco, meu primo e parceiro de musica desde pequeno! Temos uma historia juntos! Foi um grande prazer ter a participação dele neste projeto! 

12 – Confesso que a foto com você, Motta e Pacheco, para um grande fã do RVM como eu, é muito emocionante. A possibilidade de o trio se reunir como RVM novamente, para a gravação de um novo material, existe? Afinal, o RVM está fazendo shows atualmente, com o Pacheco capitaneando o barco

FM - Sinceramente não sei! Pacheco mora em Minas, e nós em Santos. Participar de trabalhos como convidados, nós pra lá ele pra cá, não é difícil. Além do mais, o RVM está na ativa lá em Minas. Mas, quem sabe... 

DM – O Pacheco mora longe, mas sempre que ele vem pra Santos a gente se encontra. Infelizmente, umas três a quatro vezes por ano e olhe lá. Sempre que dá a gente participa dos projetos uns dos outros. Acredito e espero que ainda façamos várias coisas juntos nessa vida. 

13 – Qual a proposta para os próximos meses? Um novo álbum da dupla está como objetivo ou agora é aproveitar o momento e descansar

DM – Acho que o atual momento é curtir e divulgar este projeto. Tentar dar oportunidade para ele acontecer. Aprendemos muito desde o inicio, e acredito que fazer um novo álbum pode vir a acontecer. É só ligar o “Sempre em Frente”. 

FM - Curtir um pouco o Reunião.Tocar um pouco! Musicas p/ novo álbum estão prontas, é só fazer acontecer! Sem pressa... 

14 – Em relação aos blogs e a Internet, qual a importância que vocês vêm dos mesmos em termos da música no geral, seja para divulgação de bandas desconhecidas, seja para apresentar a história de algum artista ou apenas para conversar sobre música

DM – Eu me considero meio dinossauro nesta questão, mas já fuço nesse negócio a bastante tempo e percebi que a coisa não para de evoluir e que a estrada é por aqui mesmo. Mas parece que o caminho certo ninguém sabe ainda. A democratização da informação e da divulgação é muito benéfica para todos. Os blogs e as comunidades pontuais são um caminho bem interessante e muito importante em relação a musica. Eu sou um rato de blog de musica. Antes eu era rato de loja de disco. Tinha banda que eu tinha só um LP há trinta anos e não achava mais nada nem nos sebos. Agora eu conheço a obra inteira. Mas o glamour de tirar o plástico de um CD novo só perde mesmo pros LPs dos anos 70. 

15 – Como os fãs podem adquirir Reunião? O CD está a disposição para download

DM - A distribuição está apenas começando. Na internet eu já vi alguns sites vendendo. Estamos vagarosamente fazendo um site e a ideia é ir disponibilizando aos poucos por lá, mas já vi uns downloads perdidos por aí.

16 - Obrigado e sucesso para vocês

DM - Valeu por tudo Mairon,
FM - Conte com a gente sempre.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Maravilhas do Mundo Prog: Recordando O Vale das Maçãs - As Crianças da Nova Floresta [1978]



O ano de 1977 viu nascer no Brasil um dos grupos mais fantásticos do rock progressivo nacional. Através do álbum As Crianças da Nova Floresta, o Recordando o Vale das Maçãs estabeleceu-se como um dos principais nomes da música na virada da década de 70 e para os 80, com canções que remetiam para as origens do rock progressivo, mas sem exagerar em técnica ou virtuosismo, apenas empregando letras sensacionais em arranjos belíssimos e encantandoramente trabalhados.

Recordando o Vale das Maçãs


O Recordando o Vale das Maçãs foi formado em 1973, em Santos (SP) através dos amigos Fernando Pacheco (violões e voz), Fernando Motta (violões e percussão) e Domingos Mariotti (flauta, voz), com a ideia de tentar mostrar o som da natureza através da música. Motta e Pacheco já haviam tocado juntos nos grupos Os Lobos e End Up Six.

Com o passar dos anos novos músicos uniram-se ao grupo, sendo que Domingos saiu em 1977. Pacheco, Motta, Luis Aranha (violino), Moacir Amaral (flautas), Eliseu de Oliveira (teclados), Ronaldo Mesquita (baixo) e Milton Bernardes (bateria) gravaram As Crianças da Nova Floresta, gravado em 1977, mas lançado em 1978, e que é considerado por muitos (eu incluso) o melhor disco de rock progressivo brasileiro já lançado (na frente de qualquer um de O Terço, Mutantes, O Som Nosso de Cada Dia e Módulo 1000). 

O grupo em ação


De uma forma geral, o disco apresenta letras similares às do Yes, contando histórias de alegria, superação, força de vontade e também alguns momentos de misticismo, sempre passando um lado "natureza" em todas as faixas, destacando o excelente trabalho entre flauta, violões e percussão. As canções do Lado A de As Crianças da Nova Floresta, tratam sobre esperança ("Rancho, Filhos e Mulher", mitologia ("Besteira"), loucura ("Olhar de Um Louco") e vida ("Raio de Sol").
Jornal divulgando matéria sobre o RVM

Mas é justamente quando você coloca a agulha no lado 2 que você sente o diferencial do Recordando o Vale das Maçãs para as demais bandas do rock progressivo nacional daquela época. Tudo bem, "1974" é um clássico do Terço, "O A E O Z" é uma canção que caberia muito bem em qualquer disco do Yes, mas "As Crianças da Nova Floresta" está muito acima de todas as citadas. 

O começo suave, com a flauta e os violinos sendo introduzidos ao mesmo tempo do violão e do baixo (que merece destaque em todo o álbum), dão sequência ao estribilho de teclados que leva ao início a letra ("quando eu penso nas voltas, que a vida, nos leva a dar ..."). O ritmo lento, com a flauta fazendo intervenções junto com a voz, é simplesmente encantador. A bateria segura de Milton marca a canção quase com uma precisão cirúrgica, enquanto a letra vai descorrendo sobre como se livrar dos problemas, vendo que outras pessoas tem problemas piores que você, que você precisa mudar algumas situações/opiniões para ser mais feliz. Enfim, um quase "Close to the Edge" brasileiro. 

Recordando o Vale das Maçãs, ao vivo na TV

As harmonias vocais juntamente dos tecados vão aumentando o ritmo da canção, até chegarmos no momento onde você "encara os problemas de frente", com um belo solo de baixo seguido por uma sequência de solos de teclado e baixo. A flauta soa mais forte, acompanhada pelo violão de 12 cordas de Pacheco, onde as verdades que precisam ser vistas são mostradas. 

"Olhe tudo do jeito que você quiser ver, mas antes olhe pra dentro de você, o caminho começa por aí" é o ponto mais forte da canção, que segue no mesmo ritmo, com o baixo tomando conta da canção juntamente com a letra e os acompanhamentos dos violões. Por fim, "unam-se as mãos e venham conhecer essas crianças, por que essas crianças são vocês" encerra a letra, mostrando que todos somos crianças, que temos que evoluir e não criar problemas, mas sim aprender a solucioná-los. Uma bela letra para uma bela canção, que termina com uma voz feminina angelical, que não dá pra saber se é de uma mulher ou de uma menina, mas que fecha com chave de ouro essa canção. Esses vocais foram feitos pela cantora Cristina Lobão, que saiu do grupo ainda em 1977.

O grupo acabou sendo contratado exclusivo da TV TUPI, chegando inclusive a ter um clip que passava 6 vezes por dia na TV, durante 3 meses. Paralelo a isso, o Recordando o Vale das Maçãs participavou regularmente de um dos maiores programas de audiencia na época, "Almoço com as Estrelas", apresentado por Lolita Rodrigues e Airton Rodrigues.
Em 1982, o grupo lançou o compacto "Sorriso de Verão/Flores na Estrada", que segue a mesma linha do LP lançado quatro anos antes, agora com o baterista Lourenço Gotti, mas infelizmente a banda não atingiu o sucesso que merecia. A TV TUPI já havia fechado, e o Recordando o Vale das Maçãs passou a gravar especiais para TV Cultura, e participando de programas na Bandeirantes e Globo, com "Sorriso de Verão" levando-os ao primeiro lugar nas rádios (FM) de Santos, onde permaneceram durante 6 meses.

Compacto de "Sorriso de Verão"


Depois disso, o grupo separou-se. Em 1987, Fernando Pacheco lançou o excelente Himalaia, que conta com a participação de alguns músicos do RVM no lado A. Com certeza eu irei falar desse disco aqui em breve.

As Crianças da Nova Floresta II

Nos anos 90, voltaram a fazer shows pelo Brasil, culminando no lançamento de As Crianças da Nova Floresta II (1994), o qual resgata canções de As Crianças da Nova Floresta e também de Himala, porém em versões instrumentais. O grupo foi descoberto na europa e no Japão, já que As Crianças da Nova Floresta havia sido lançado por lá,  em 1994, os leitores da revista francesa Big Bang elegeram As Crianças da Nova Floresta II como o melhor álbum de progressivo daquele ano, recebendo então o convite, através da embaixada francesa, de participar do Fête de la Musique em Paris, em 1997. Em 2006, foi lançado Spirals of Time, que apesar de não conter o nome do grupo, foi gravado pelos mesmos integrantes que mantém o nome Recordando o Vale das Maçãs na ativa.

Atualmente a banda faz shows em Minas Gerais,ao mesmo tempo que Domingos e Motta acabaram de lançar o excelente Reunião, mantendo o charme e a pureza dos anos 70, cultivadas através da semigual suíte "As Crianças da Nova Floresta".

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Domingos Mariotti e Fernando Motta - Reunião



Após um pequeno atraso, causado principalmente por problemas burocráticos, finalmente Reunião está pronto. O mais novo CD de Domingos Mariotti (flauta) e Fernando Motta (violão, guitarra acústica e baixo), dois dos principais fundadores de uma das melhores bandas do rock progressivo nacional, o Recordando o Vale das Maçãs, chegou para acalmar os nervos dos fãs do grupo e também da carreira solo desses dois grandes instrumentistas.

Inicalmente, o álbum está em processo de divulgação pela internet, sendo que em breve, suas composições estarão à disposição para download gratuito em um site ainda por ser construído.

Domingos Mariotti, Fernando Motta e Fernando Pacheco

As canções são de autoria da dupla, e contam também com a participação de outros membros do Recordando o Vale das Maçãs, com destaque principalmente para o guitarrista Fernando Pacheco, além de Ronaldo Mesquita (baixo), Luis Aranha (violoino), Lee Eliseu (teclados), Sergio Lombardi (baixo), Paulo Motta (violão) e Juca Shimidt (percussão), privilegiando o lado instrumental, com canções acústicas belíssimas e praticamente sem nenhum trabalho de percussão.

Várias são as canções que merecem destaque, mas as mais belas são "Tiana Kalamina", "Natureza", "Praia Triste", "Barcos Brancos" e "Duas Meninas", com lindos arranjos para violão e flauta.


Mariotti e Motta, em ação

Enfim, uma excelente volta, que enraiza toda a beleza criada pelo Recordando o Vale das Maçãs no final dos anos 70, mostrando aos jovens de hoje como fazer música bela sem ser virtuoso ou presunçoso.

Parabéns à dupla!


Track list


1. Natureza
2. Barcos Brancos
3. Calimbeiro
4. Caminho de Ouro
5. Duas Meninas
6. Garcinzas
7. Kalambelê
8. Franca do Bambú
9. Praia Triste
10. Tiana Kalamina

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Novidades do Vale das Maçãs

Recebi ontem a maravilhosa notícia de que ainda esse trimestre sairá o novo cd de Domingos Mariotti e Fernando Motta. Um atraso ocorreu com a produção do mesmo, mas nesse mês de fevereiro, o material irá para prensagem.
Domingos acabou divulgando na internet a linda e emocionante faixa "TianaKalamina", com a participação de Fernando Pacheco nas guitarras. Portanto, é uma reunião do trio fundador do Recordando O Vale das Maçãs em mais uma bela faixa que Pacheco participa em sua vida.

O clipe, com cenas do cotidiano dos membros participantes da canção, filmadas de forma caseira, podem ser conferidas no vídeo abaixo.

 

Estou sedento para que este CD saía de uma vez. Se mantiver a linha de "Tiana" tem tudo para ser o melhor lançamento do ano.

Mariotti (à frente) e Motta

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Fernando Pacheco



Talento e genialidade foram misturados e condensados em um dos mais belos álbuns dos anos oitenta. Trata-se de Himalaia. Esse diamante começou a ser lapidado no final dos anos setenta. Ali, o compositor e músico Fernando Pacheco, junto com os demais seis integrantes do grupo Recordando o Vale da Maçãs, lançava o magnífico As Crianças da Nova Floresta, onde o progressivo tradicional ganhava espaço entre a disco music e o punk.

Fernando sempre se caracterizou por ser um talentoso músico. Tendo diversos professores em sua vida, multi-instrumentista, acompanhou bandas de baile, sendo líder da conhecida banda santista Tropical Jungle, e também contou com a ajuda de diferentes pessoas para consolidar sua marca entre os grandes no cenário brasileiro. Foi na RVM que começou a ganhar destaque, ao mesmo tempo em que se tornou professor no Grupo AMA e no Conservatório Musical Heitor Villa-Lobos, ambos em Sampa. 

Porém, mesmo com o fim precoce da banda em 1982, ele não parou no tempo (como por exemplo, nosso querido guitarrista Mario Neto). Antes, a RVM havia lançado o compacto Sorriso de Verão / Flores na Estrada, queficou no primeiro lugar das paradas brasileiras durante seis meses. Fernando ainda apresentou-se com o projeto Pacheco e Carioca, ao lado de Carioca Freitas, antes de mudar-se para o sul de Minas Gerais, onde assumiu a função de professor titular do Conservatório Estadual de Música J.K.O., na cidade de Pouso Alegre. Em 1985 lançou o magnífico álbum Instrumental junto com Fernando Pereira e com o nome de Duo Fernando's. Os dois já vinham ensaiando e fazendo shows desde 1983. 



No ano seguinte, Fernando lançava o seu primeiro e melhor trabalho. O disco é dividido em duas partes: "The Past", gravado ainda com a RVM na cidade de Curitiba durante o ano de 1982, e "The Present", onde Pacheco toca todos os instrumentos. O álbum é uma aula de sentimentalismo e técnica, com o músico viajando por onde mais gostava, os temas instrumentais. Apesar de composto por apenas cinco faixas, as mesmas são certeiras e grudam no cérebro de qualquer apreciador de boa música.

O disco abre com o violão de "Sonho", acompanhado pelos teclados e flautas do RVM que relembram o álbum As Crianças da Nova Floresta. Cada instrumento do RVM vai sendo adicionado aos poucos, com a música aumentando sua cadência enquanto temos diversos solos de flauta, guitarra. O embalo lento e cadenciado vai trazendo um clima de expectativa, que só é compensado pela emotiva introdução de "Himalaia", com violão, flautas e pássaros, no melhor estilo RVM. 

Essa longa suíte também trás a marcação lenta de "Sonho", porém contando com um belo solo de guitarra e de teclados. A canção, após começar lenta e suave, vai aumentando a cadência, atingindo seu pique no rápido e complicado solo de violino. O clima muda, com flauta e teclados duelando sobre dedilhados de violões e baixo, parecendo uma guerra de cantos entre pássaros na floresta, que apenas introduzem uma sessão mais viajante, com solos de flauta, violino e guitarra, sempre acompanhados pela cadência RVMiana. Por fim, a bela introdução é retomada, com o violão solando mais agressivo enquantos teclados e violinos deliram. A canção termina em um climão de floresta, com a levada principal executada anteriormente sendo acompanhada pelos viajantes solos de teclado, flauta, guitarra e, principalmente, pelo violão dedilhado que acompanha toda essa faixa, encerrando o lado "The Past" com um tema de flauta daqueles tão grudentos como a introdução.

O lado "The Present" abre com a complícadissima "Progressivo L-2 Sul", onde Fernando mostra todo o seu trabalho e aprendizado no violão clássico. A introdução é feita pelo violão e também por alguns outros instrumentos, mas é o violão que se destaca com um rápido dedilhado. O trabalho da canção nos dá direito de ouvir trêmolos, arpejos e muitas outra técnicas que fazem parte dos estudos de violão clássico. Escrita em 1982 na Escola de Música de Brasília, localizada no endereço L-2 Sul, essa canção trás uma das mais belas melodias do cenário nacional, sendo que o trabalho de composição de Fernando é da altura de Sor, Segóvia, Julian Bream ente outros. 

"Ciclo da Vida" dá sequência ao lado onde Fernando é o único músico, com mais uma suíte. A guitarra de Fernando, cercada de sintetizadores e violões, sola lentamente. A velha cadência RVMiana é mantida, e é incrível saber que somente Fernando está tocando todos os instrumentos. Essa canção difere principalmente pelo fato de Pacheco mostrar toda sua técnica também na guitarra. Ou seja, temos um lado que podemos vivenciar o talento ao extremo de um exímio músico, tanto na guitarra quanto no violão, algo que poucos conseguem. Após o solo de guitarra, os violões dedilhados voltam a marcar presença, com destaque para um solo de flauta, que, a medida que avança na canção, dá espaço para a guitarra servir de um "abre-alas" para a sessão mais agitada da faixa, a qual lembra, e muito, as boas canções do Rush dos anos setenta, cheia de viradas de bateria e guitarras pesadas. 

Sintetizadores, flautas e violões preenchem um vazio que não existe, atingindo um clima pesado, tal qual uma catástrofe, onde cada instrumento varia suas escalas com a guitarra delirando, até a bateria encerrar todas as pretensões de delírio que possam existir. A flauta nos trás novamente à realidade, com um ritmo mais simples do que as intrincadas partes anteriores, tal qual o ciclo sugerido na canção, já que todos passamos por momentos mais leves, mais difíceis, mas temos principalmente uma vida rotineira, e é exatamente isso o que o ouvinte sente ao ouvir a canção, terminando de forma mais alegre e tranquila, apesar de algumas outras complicadas partes surgirem com um final apoteótico, onde trovões nos levam à canção final, "Civilização", contendo um pequeno dedilhado de violão e um belíssimo solo de flauta.


Himalaia não fez muito sucesso no Brasil, mas acabou estourando no exterior (como já havia acontecido com a RVM). Fernando ainda gravaria o CD As Crianças da Nova Floresta II (1993) e o trabalho 1977-82, ambos ao lado do RVM. Em termos de carreira solo, lançou em 1998 Himalaia II, realizando com concertos e trabalhos de divulgação na Espanha e Portugal, e em 2005, com o Duo Fernando's, lançou um CD Homenagem a Johnny Alf. Já em 2006 lançou o belo trabalho Spirals of Time ao lado de Giuliano Tiburzio (baixo), Antonio Bortoloto (bateria), Leonardo Zambianco (voz), Nélio Porto (teclados) e Eduardo Floriano (vocais).

Em termos docentes, Pacheco assumiu o cargo de professor de violão e guitarra no curso de música da Universidade Vale do Rio Verde (UninCor) em Três Corações (MG) no ano de 2002 e também, nessa mesma universidade, assumiu o cargo de coordenador e professor do curso de Pós-Graduação em Música em 2007, onde leciona até os dias atuais, ao mesmo tempo em que apresenta-se em concertos com o RVM e em trabalhos de jazz instrumental brasileiro com o Duo Fernando's e Fernando Pacheco Trio, mostrando todo o seu talento e inteligência para o público que sabe valorizar um trabalho de primeira qualidade.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Recordando O Vale das Maçãs

                                  


Há muito tempo atrás, li uma matéria na revista Bizz (antes dessa se chamar Showbizz, ou seja, foi lá nos anos 80) que contava um pouco da história do rock progressivo pelo mundo. Em uma das seções do texto, o autor (que infelizmente não lembro o nome) citava os nomes mais incomuns para uma banda, e o de maior destaque ficou para a banda Recordando O Vale das Maçãs.

Esse nome ficou na minha cabeça por algum tempo, até que, graças a internet, consegui baixar o álbum "1978-1992", o qual trás algumas regravações do grupo para as músicas do Recordando O Vale das Maçãs (que a partir de agora identifico como RVM) feitas nos anos 70, porém sem vocais, somente instrumental. Me impressionei com a qualidade e o talento dos músicos da banda e decidi correr atrás do material original, aquele que havia sido lançado nos anos 70.

Com muita sorte (e graças a internet também), encontrei o vinil que queria em uma loja virtual, e adquiri o mesmo por um singelo preço que não vem ao caso, mas que no fim das contas saiu barato demais.

O RVM foi formado na década de 70 em Santos (SP) através dos amigos Fernando Pacheco (violões e voz), Fernando Motta (violões e percussão) e Domingos Mariotti (flauta, voz), com a idéia de tentar mostrar o som da natureza através da música. Com o passar dos anos novos músicos uniram-se ao grupo, sendo que Pacheco, Motta, Luis Aranha (violino), Moacir Amaral (flautas), Eliseu de Oliveira (teclados), Ronaldo Mesquita (baixo) e Milton Bernardes (bateria) gravaram o álbum "As Crianças da Nova Floresta", lançado em 1977, e que é disparado o melhor disco de rock progressivo brasileiro já lançado (na frente de qualquer um de O Terço, Mutantes, O Som Nosso de Cada Dia e Módulo 1000). De uma forma geral, o disco trás letras similares às do Yes, contando histórias de alegria, superação, força de vontade e também alguns momentos de misticismo, sempre passando um lado "natureza" em todas as faixas.
O disco abre com a bela "Rancho, Filhos e Mulher", uma linda canção onde as flautas de Moacir predominam sobre uma letra de esperança, de viver em um mundo de campo, paz, natureza, onde "vou encontrar a paz perfeita", mostrando que o RVM estava afim de viver o clima de paz e amor dos anos 60. A próxima, "Besteira", é um pouco mais "mitológica", e lembra muito a fase Rita Lee dos Mutantes, com muitas flautas e violões durante toda a canção. Um ritmo rápido da um tom de "festa na floresta", onde certametne, com alguns vinhos na cabeça, você irá enxergar muitos duendes pulando no seu quarto. "Olhar de Um Louco" é uma bela balada, com belas harmonizações de violão, teclados e também do violino. "Raio de Sol" (não confundir com a canção de mesmo nome do Arnaldo Baptista) fecha o lado A em grande estilo, mostrando que o RVM estava apenas mostrando as suas garras ao público, passando muito rápido, sendo que todas as suas forças ficaram guardadas para o lado B.

E é justamente quando você coloca a agulha no lado 2 que você sente o diferencial do RVM para as demais bandas. Tudo bem, "1974" é um clássico do Terço, "O A E O Z" é uma canção que caberia muito bem em qualquer disco do Yes, mas "As Crianças da Nova Floresta" está muito acima de todas as citadas. O começo suave, com a flauta e os violinos sendo introduzidos ao mesmo tempo do violão e do baixo (que merece destaque em todo o álbum), dão sequência ao estribilho de teclados que leva ao início a letra ("
quando eu penso nas voltas, que a vida, nos leva a dar ..."). O ritmo lento, com a flauta fazendo intervenções junto com a voz, é simplesmente encantador. A bateria segura de Milton marca a canção quase com uma precisão cirúrgica, enquanto a letra vai descorrendo sobre como se livrar dos problemas, vendo que outras pessoas tem problemas piores que você, que você precisa mudar algumas situações/opiniões para ser mais feliz, enfim, um quase "Close to the Edge" brasileiro. 


As harmonias vocais e dos tecados vão aumentando o ritmo da canção, até chegarmos no momento onde você "encara os problemas de frente", com um belo solo de baixo seguido por uma sequência de solos de teclado e baixo. A flauta de Domingos soa mais forte acompanhado pelo violão de 12 cordas de Pacheco, onde as verdades que precisam ser vistas são mostradas. "Olhe tudo do jeito que você quiser ver, mas antes olhe pra dentro de você, o caminho começa por aí" é o ponto mais forte da canção, que segue no mesmo ritmo, com o baixo tomando conta da canção juntamente com a letra e os acompanhamentos dos violões. Por fim, "unam-se as mãos e venham conhecer essas crianças, por que essas crianças são vocês" encerra a letra, mostrando que todos somos crianças, que temos que evoluir e não criar problemas, mas sim aprender a solucioná-los. Uma bela letra para uma bela canção, que termina com uma voz feminina angelical, que não dá pra saber se é de uma mulher ou de uma menina, mas que fecha com chave de ouro essa canção.


Como o álbum foi lançado no auge da disco music aqui no Brasil, acabou não fazendo sucesso, sendo relegado a item de colecionador. Por outro lado, mesmo na época do lançamento muitos lojistas não sabiam que a banda se tratava de uma banda de rock, colocando o LP na seção de histórias infantis (!) devido à capa do disco, com uma maçã no meio de um vale à la "Alice no País das Maravilhas".
Nos anos 80 a RVM lançou o compacto "Sorriso de Verão/Flores na Estrada", que segue a mesma linha do LP lançado quatro anos antes, agora com o baterista Lourenço Gotti, mas infelizmente a banda não atingiu o sucesso que merecia.

Ainda na década de oitenta Fernando Pacheco lançou o excelente "Himalaia", que contava com a participação de alguns músicos do RVM no lado A. Com certeza eu irei falar desse disco aqui em breve.




Nos 90 a banda voltou a fazer shows pelo Brasil e lançou "As Crianças da Nova Floresta II" (que é o álbum que citei no início dessa matéria). Foram descobertos na Europa e em 1994 os leitores da revista francesa Big Bang elegeram o álbum "As Crianças da Nova Floresta II" como o melhor álbum de progressivo daquele ano, recebendo então o convite, através da embaixada francesa, de participar do Fête de la Musique em Paris, em 1997.

Atualmente a banda faz shows em Minas Gerais, e existe a possibilidade de lançar um CD com material ao vivo em breve.

 
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