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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A Young Person's Guide to: Caetano as Guest [Parte I]


Um dos maiores arroz de festa na música mundial se chamado Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, ou simplesmente Caetano Veloso. O baiano de Santo Amaro da Purificação, que está de aniversário hoje, completando 84 anos, e reverenciado e aclamado como talvez o maior nome da MPB em todos os tempos, tem uma lista infinita de participações em discos de artistas e bandas, que não negaram - ou até usaram do - o nome de Caetano para ganhar uma promoçãozinha extra com a mídia e, por que não, até com os fãs do cantor e compositor.

Como a lista é enorme, resolvi fazer uma série de três partes com 14 canções de Caetano como convidado em discos de artistas masculinos (parte 1), femininos (parte 2) e bandas + Bethânia / Gal (parte 3). Um critério que escolhi é pegar canções que não apareceram no CD de raridades/inéditas dos boxes da série 40 Anos Caetanos (a saber Pipoca Moderna, Certeza da Beleza e Que De-Lindo), mas algumas são tão boas que, caso surjam nestas listas, serão citadas que estão nestas compilações. O segundo foi não pegar participações de Caetano cantando músicas dele em discos de outros artistas, e acredite, há muito disso. Por fim, Gil e Chico também ficaram de fora, já que com eles, Caetano gravou com cada um no mínimo dois álbuns.

Além dos 14 citados, vale trazer que o artista também colaborou com os seguintes artistas (álbuns): Jorge Ben (Salve Simpatia); Carlos Mendes (Ímã); Marito (Companheiros); Arrigo Barnabé (Janete); Nilton Marçal (Recompensa); Moraes Moreira (Mestiço É Isso); Péricles Cavalcanti (Canções); Carlinhos Vergueiro (15 Anos de Carreira); Pablo Milanés (Ao Vivo no Brasil); Toni Costa (Gente de Rua); Luiz Caldas (Flor Cigana); Toots Thielemans (The Brasil Project Vol. 1 e Vol. 2); Roberto Mendes (Matriz); Lô Borges (Meu Filme); Cauby Peixoto (Cauby Canta Sinatra); Carlinhos  Brown (Alfagamabetizado); Francis Hime (Álbum Musical); Ivan Lins (Viva Noel); Roberto Mendes (Roberto Mendes & Convidados); Orlando Morais (Agora); Saul Barbosa (Cidade Aberta); Raphael Rabello (Mestre Capiba); Carlos Bolão (Pulsação); Lee Ritenour (Festival); Lanny Gordin (Duos); Dadi (Dadi), Leo Gandelman (Sabe Você), Jorge Drexler (Bailar En La Cueva), Stefano Bollani (Que Bom) e Jherek Bischoff (Composed), assim como as participações ao lado de Zeca Pagodinho e Roberto Silva nos álbuns 2 e 4 do projeto Casa de Samba, respectivamente.  Mas com certeza há muito mais além destes que tenho na minha coleção, o que exige um grande tempo de pesquisa e garimpo. Mas deve ter mais além destes que tenho na minha coleção. 

Sendo assim, vamos para as quatorze faixas gravadas em álbuns de artistas masculinos, e daqui um tempo, a segunda e terceira parte.

"Pra Chatear": Ronnie Von - Ronnie Von N° 3 [1967]

Pouco antes de sua estreia com Gal Costa em Domingo, Caetano participou ao lado de Ronnie Von nesta marchinha de carnaval psicodélica, escrevendo e fazendo um dueto vocal muito bom com o eterno Pequeno Príncipe. Caetano parece ainda bem tímido no estúdio, mas sua marcante voz já é característica, além de ser a primeira gravação oficial do baiano ligada ao Carnaval. Simples, mas fundamental!

"Áquas" - Walter Smetak - Smetak [1975]

O músico e compositor suíço veio para o Brasil em 1937, e aqui, tornou-se um dos maiores nomes do cenário avant-garde nacional, dando origem ao grupo Uakti e influenciando muitos outros artistas. Dentre eles, Caetano Veloso. No seu álbum de estreia, em 1975, Caetano participa como editor, produtor e também com o corpo. Sim, com o corpo, já que ele usa de palmas e batidas em diversas partes do corpo (barriga, pernas, bochechas) para criar uma canção fora dos padrões chamada "Áquas". Entre grunhidos, barulhos de água, gotas, bolhas estourando, uma gaitinha desafinada e sons aleatórios, o ouvinte que não tem um contato com o estilo se quer imagina que é Caetano quem está fazendo alguns destes barulhos. Serve como um registro raríssimo da capacidade do baiano perambular por dentre os mais variados mundos musicais.  

"Não Quero Ver Você Dançar": Sergio Dias - Sergio Dias [1980]

Canção do álbum de estreia de Sergio Dias - o qual havia participado na Sitar de "Terra", do álbum Muito (Dentro De Uma Estrela Azulada), lançado por Caetano em 1978 -  em carreira solo, ela recoloca os tropicalistas em uma faixa puramente funkeada e cheia de swingue. O naipe de metais aqui é assombroso, no melhor estilo Motown, e o baixão grooveado de Jamil Joanes, junto com a batera de Paulinho Braga, dão ainda mais movimento para uma ótima canção. Caetano colabora com a letra e com o rap que contrapõe os vocais de Serginho, e este manda ver nos seus solos. Se você gosta de Mutantes, irá torcer o nariz. Mas se você aprecia boa música de qualquer gênero, irá se deliciar. Detalhe adicional: no mesmo álbum, Caetano contribui com a letra de "O Grão". Apesar de não colocar sua voz nela, vale a pena a audição, assim como todo o disco em si.

Com Erasmo Carlos

"Quero Que Vá Tudo Pro Inferno": Erasmo Carlos - Convida ... [1980]

Uma das mais brilhantes reconstruções musicais que Caetano fez em sua carreira está aqui. O rock cheio de energia que Roberto Carlos registrou em Jovem guarda (1965), e que virou um dos símbolos de uma geração no Brasil, ganha uma cara mais romântica e leve na voz de Caetano junto d'A Outra Banda da Terra. Um dos melhores discos com convidados na história do Brasil, Erasmo Carlos Convida ... fornece muitas obras similares às gravações originais do Tremendão ao lado de gigantes como Tim Maia, Maria Bethânia, Rita Lee, Gilberto Gil ..., mas é nessa desconstrução malemolente de Caetano que está um de seus maiores brilhos. Sensacional!

"Cidadão-Cidadã": Jorge Mautner - Bomba De Estrelas [1981]

Extraída do sensacional disco de convidados de Jorge Mautner, "Cidadão-Cidadã" tem uma vibe Thin White Duck em seus quase 5 minutos de duração, que me encanta. As vozes de Caetano e Mautner - que vieram a gravar em 2002, juntos, o álbum Eu Não Peço Desculpas - se complementam junto a um andamento envolvente de baixo (Arnaldo Brandão), bateria (Wilson Meirelles) e piano (Tomaz Improta). O saxofone, a cargo de Marcelo Neves, e o mandolim de Ronald Pinheiro, dão um charme a mais para a canção. E como não valorizar as passagens do piano elétrico de Improta? Um dos grandes músicos da música brasileira nos anos 70 e 80, e que aqui entrega mais uma contribuição essencial. Muitos acham que Mautner é um exagerado, e suas composições são no mínimo sem graça. Honestamente, curto muito a carreira dele, e tenho em "Cidadão-Cidadã" uma de suas melhores composições musicalmente falando. A letra aqui, honestamente, que se foda. Eu quero é me maravilhar com a voz de Caetano e o solo de saxofone. 

Com Milton Nascimento

"As Várias Pontas De Uma Estrela": Milton Nascimento - Ănĭmă [1982]

Tendo um timaço de banda (Wagner Tiso ao piano, Robertinho Silva na bateria, José Renato no violão de 12 cordas e Paulinho Carvalho no baixo), "As Várias Pontas de Uma Estrela" é a fusão da baianidade tropicalista de Caetano com a sensibilidade mineira do Clube da Esquina. Que música! As vocalizações de Milton acompanhadas pelo piano de Tiso introduzem para a voz marcante de Caetano surgir cantando sua linda letra. O contraponto vocal de Milton, com seus falsetes ao fundo da voz de Caetano, funciona muito bem, e a faixa desenvolve-se com o piano e o dedilhado de violão, com Caetano soltando a voz no refrão. Na medida que a faixa vai rolando, Caetano canta com uma raridade, enquanto Milton apenas surge fazendo sempre o contraponto vocal. O encontro de dois gigantes, que trabalhariam juntos anos depois na trilha do filme O Coronel e o Lobisomem. Mas isso é papo para outra postagem, ficando aqui a dica de uma das belas canções da MPB nos anos 80. Esta faixa aparece em Certeza Da Beleza - Raridades 3 (83-94), o box da terceira caixa Quarenta Anos Caetanos, mas ela é tão bela que merece estar aqui.

"Chegou No Vento": Vinícius Cantuária - Vinícius Cantuária [1982]

Vinícius foi um dos fundadores d'O Terço, e foi membro crucial das bandas de apoio de Caetano entre 1978 e 1984, no caso A Outra Banda da Terra e Banda Nova, gravando álbuns cruciais como Muito (Dentro De Uma Estrela Azulada), Cinema Transcendental e Velô, só para citar alguns. Em Outras Palavras (1981), Caetano já havia gravado o que se tornou sucesso "Lua E Estrela", composição de Vinícius, que em sua estreia solo no ano seguinte, chama o chefe para colaborar com "Chegou No Vento". Este xote animado é ótimo, lembrando "Esperando Na Janela" (de Gil), contando a relação de amor de alguém que anda pelas estradas que levam a Maceió, e é perfeito para se curtir uma festinha ao som de música nordestina. Caetano e Vinícius se alternam nas vozes com um entrosamento de quem se conhece há tempos, e a música flui com uma naturalidade gostosa que, mesmo não se gostando do ritmo, acaba agrando. No mesmo álbum, Vinícius registra "O Grande Lance É Fazer Romance", também de Caetano, essa já mais soturna, que sempre fiquei curioso em ouvir na voz do baiano, o qual ainda participou de "Banda Nova" no álbum Siga-Me, lançado por Vinícius em 1985, e também de "Aqua Rasa", do álbum Vínicius (2001).

Com Vinícius Cantuária

"Maria Bethânia": Nelson Gonçalves - Eu & Eles [1985]

Na metade dos anos 80, o gigante Nelson Gonçalves tentou revitalizar sua carreira, gravando grandes sucessos ao lado de cantoras e cantores modernos. Assim, lançou os álbuns Nós (1987), Eu & Eles (1985) e Ele & Elas (Vol. 1 de 1984 e Vol. 2 de 1986), com convidados diversos, como Lobão, Milton Nascimento, Tim Maia, Fagner, Gal Costa, Tetê Espíndola e Caetano Veloso, entre outros e outras. Quando criança, Caetano era apaixonado pela música "Maria Bethânia", tanto que seu amor por essa música foi responsável pelos pais batizarem a irmã com o nome da canção. Nada mais justo que Nelson chamar Caetano para interpretar essa pérola do cancioneiro nacional, obra de Capiba. Apesar dos teclados oitentistas, a canção conta com um belo arranjo orquestral de Reinaldo Arias, e nela, Nelson solta seu vozeirão grave na primeira estrofe, com a delicada voz de Caetano fazendo a segunda estrofe. A partir de então, os dois vão alternando suas vozes, dando dramaticidade e dor para uma das maiores obras que a música popular brasileira pariu. Clássico!

"Olhos Negros": Johnny Alf - Olhos Negros [1990]

Falar de Johnny Alf é chover no molhado. Um dos maiores cantores, pianistas e compositores do Brasil, Johnny fez fama como um dos primeiros nomes da Bossa Nova, ao lado de João Gilberto e Tom Jobim, mas com um detalhe: o músico era de classe pobre, negro e homossexual, e conseguiu mesmo assim se sobrepor através do seu talento em uma classe totalmente racista, preconceituosa e da elite carioca. Em 1990, Johnny uniu uma constelação de estrelas para gravar Olhos Negros. Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso são alguns dos 10 convidados do álbum, e coube ao baiano Caetano registrar a faixa-título. Conduzido pelo indefectível piano de Johnny, e o maravilhoso arranjo orquestral a cargo de Guto Graça Mello, Caetano brilha nesta faixa que tem todo o ar e charme da orla de Copacabana misturados com a embriaguez de Ipanema. Ou seja, uma faixa puramente do sul carioca, que ganha a pimenta baiana para complementar a grave voz de Johnny. Para quem aprecia MPB, melhor que isso não há.

"Responso": Keiler Rêgo - Oratório De Santo Antônio [1993]

Para quem acha que Caetano só começou a flertar com o evangelismo e com religião no final da década passada, mero engano. Em 1993, através de convite do maestro e compositor Keiler Rêgo, Caetano entregou sua voz para o hino "Responso", lançado no álbum Oratório de Santo Antônio. É no mínimo curioso ouvir a doce voz de Caetano cantando um hino religioso sobre camadas de teclados e do piano elétrico. A letra é dedicada à Santo Antônio, e o hino é uma bonita canção, além de uma raridade dentro da vasta discografia de Caetano. 

Com Fito Páez

"Mariposa Tecknicolor": Fito Paéz - Circo Beat [1994]

Esta faixa bônus de Circo Beat ficou bem curiosa de se ouvir na voz de Caetano. Um dos grandes sucessos da carreira de Fito Paéz, aqui recebe uma versão em português, feita por Herbert Vianna, cantada pelos dois, dividindo os vocais igualmente, e não sei o que é mais curioso, se Paéz cantando em português ou Caetano soltando sua voz em um rock rápido e bem discrepante da malemolência baiana que conhecemos. Um ótimo rock, quase que uma preciosidade musical para os que curtem o rock advindo dos hermanos, principalmente pela energia portenha exalada na canção. 

"Assum Branco": José Miguel Wisnik - Pérolas Aos Poucos [2003]

A música minimalista de José Miguel Wisnik é praticamente desconhecida pela população geral brasileira, mas dentre os chamados "intelectuais" da cultura nacional, Wisnik é considerado um dos grandes compositores deste século. Eu fico no meio termo em relação à sua obra, mas gosto bastante de Onkotô, álbum/trilha que ele gravou ao lado de Caetano em 2006. Pouco antes, no álbum Pérolas Aos Poucos, a parceria Wisnik/Caetano começou através de "Assum Branco", uma faixa que óbvio, liricamente remete à "Assum Preto". Mas aqui, na dramaticidade do piano de Wisnik, e na tocante interpretação de Caetano, o qual não faz força para simplesmente arregaçar as caixas de som, é de arrancar lágrimas de um totem. Linda faixa, mais uma das tantas a serem descobertas deste grande compositor/músico brasileiro. 

"Lisboa Que Amanhece": Sérgio Godinho - O Irmão Do Meio [2003]

No final dos anos 90, Caetano era um nome super em voga na Europa, principalmente pelo sucesso do álbum ao vivo Prenda Minha. Isto acabou o levando a fazer shows por lá, e também a gravar com músicos europeus, dentre eles, o ator, compositor e cantor português Sérgio Godinho. Em seu álbum de convidados, O Irmão do Meio, Godinho chamou Caetano para contracenar na romântica "Lisboa Que Amanhece", uma bela canção carregada no órgão farfisa e na bela condução bossa-novística do violão, com um clima bem tropicalista, onde a voz de Caetano predomina, contrastando com o português carregado de sotaque de Godinho. Uma boa canção, que remete fácil a musicalidade do nosso Brasil varonil, mas com toda a presença de Portugal na voz de Godinho.

Em estúdio, com Vitor Ramil

"Milonga De Los Morenos": Vitor Ramil - Délibáb [2010]

Em um disco intimista, no qual Vitor retoma seus tempos de Ramilonga, privilegiando a cultura dos pampas, eis que surpreendentemente ele convida o baiano Caetano para interpretar "Milonga De Los Morenos" E não é que o sotaque baiano se encaixa muito bem com a letra em espanhol? Ok, Caetano já havia tido a experiência de gravar em espanhol no álbum Fina Estampa (1994), mas confesso que sempre que ouço esta canção, me assusta positivamente como a voz acalentada de Caetano se encaixa perfeitamente no ritmo milongueiro. Belíssima canção, que encerra aqui a primeira parte de Caetano como convidado de artistas masculinhos. Daqui umas semanas, apresento então ele como convidado de artistas femininos.

sábado, 20 de setembro de 2025

Cinco Músicas Para Conhecer: Porto Alegre



20 de setembro, data que no Rio Grande do Sul é conhecida como "Dia Farroupilha", e que gera praticamente uma semana de muitas festas, culto ao tradicionalismo e celebrações à cultura e ao orgulho de ser gaúcho, comer churrasco, tomar chimarrão e usar a pilcha. Tudo como uma homenagem ao início da famigerada Revolução Farroupilha, a qual começou em 20 de Setembro de 1835,  quando na Batalha da Azenha os farroupilhas tomam Porto Alegre começando uma revolução que acaba criando a chamada República Rio-Grandense, e marcou um período longo de guerra entre o estado e o Império do Brasil, que culminou em algumas atrocidades que prefiro não comentar por aqui, tendo desfecho melancólico em 1 de março de 1845.

Imagem alusiva à Batalha da Azenha

A origem desta guerra ocorreu portanto em Porto Alegre, capital da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, e hoje, capital do Rio Grande do Sul. De lá, surgiram muitos artistas que estouraram em todo o Brasil, e por que não no mundo, e também, se tornou rota comum para inúmeros artistas se apresentarem, tornando-se uma capital símbolo de cultura no Brasil. Diversas são as canções que homenageiam Porto Alegre, e como uma forma de trazer um lado bom da ojeriza que sinto pela comemoração da Semana Farroupilha, trago aqui cinco canções que fazem seu tributo à querida PoA. 

"Menino Deus" - Noites do Norte - Ao Vivo [2001] (Caetano Veloso)

Começo justamente com um artista que compôs uma canção para Porto Alegre, o baiano Caetano Veloso. Em 1982, Caetano deu para o grupo A Cor do Som essa bela faixa, presente no disco Magia Tropical, mas foi ao completar 59 anos, no show realizado no Teatro Castro Alves em 7 de agosto de 2001, que ele registrou a mais bela versão de "Menino Deus". Apenas com o violão em mãos, Caetano canta a canção que, segundo ele, a própria capital gaúcha lhe entregou, quando ao passear de táxi pela cidade o compositor viu uma placa indicando os bairros Menino Deus, Ipanema e Tristeza. Foi chegar no hotel e criar essa peça lindíssima, que com a voz e o violão de Caetano, faz qualquer alma sensível se derreter. Ok, não há muitas alusões para Porto Alegre além da citação ao bairro Menino Deus, a frase "um Porto Alegre é bem mais que um Seguro" e "um corpo azul-dourado", simbolizando o Pôr do Sol no Lago Guaíba, mas só por falar "Menino Deeeeeeeeeeeeus", pronto, PoA já está totalmente feliz!

"Deu Pra Ti" - Kleiton & Kledir [1981] (Kleiton & Kledir)

Esta faixa que abre o segundo álbum dos irmãos pelotenses Kleiton & Kledir se tornou um marco musical no Rio Grande do Sul, e criou uma das principais expressões que os gaúchos adoram dizer: "Bah, tri legal", que significa "excelente, excepcional, sensacional". "Deu Pra Ti" retrata Porto Alegre como uma cidade onde tudo é perfeito, onde se vai quando se está down, e como magia - seria o paralelo 30? onde a cidade está localizada - tudo se transforma. Locais tradicionais da cidade aparecem, como o bairro Bom Fim, o estádio Beira-Rio, o bar João e o Parque da Redenção, e personalidades marcantes como Fogaça (que veio a ser prefeito da cidade) e Falcão (craque do Sport Club Internacional), em um clima alegre que o porto-alegrense abraçou facilmente. Uma música simples, grudenta, e talvez o maior sucesso da dupla. 

"Anoiteceu Em Porto Alegre" - O Papa É Pop [1990] (Engenheiros do Hawaii)

Esse tour de force de quase 9 minutos do EngHaw para mim é a obra definitiva sobre Porto Alegre. Humberto Gessinger narra as aventuras de alguém que perambula durante o período de 12 horas, entre às 7 da noite, com o início da Voz do Brasil, até às 7 da manhã, com o neguinho da Zero Hora - jornal tradicional no estado do Rio Grande do Sul - vendendo manchetes 15 pras sete da manhã. A personagem perambula pelas ruas de Porto Alegre, observando situações cotidianas que qualquer pessoa vivenciou na noite da capital gaúcha, como ver "a luz vermelha do walkman" (hoje com certeza é a luz do celular), a "fuga" da Hora do Brasil, enquanto anoitece em Porto Alegre. Durante a madrugada, Humberto resgata fatos comuns de alguém que realmente mergulha na noite portoalegrense, carregando consigo os estragos da noite (bebidas, mulheres, alarmes de carro ...), as coisas que acontecem na cidade, e aproveita para homenagear seu time de coração, o Grêmio Football Porto Alegrense, relembrando as então maiores conquistas do tricolor gaúcho - ocorridas exatamente durante madrugadas - até chegar o amanhecer, novamente, com o cotidiano dos moradores comprando leite, pão, jornais, a movimentação das escolas, enfim. Uma letra que apesar de não citar ruas, nomes, lugares, simplesmente relata o que Porto Alegre tem de bom, que é a sua vida noturna.

"Amigo Punk" - Coisa De Louco II [1995] (Graforréia Xilarmônica)

Lançada originalmente no cobiçado cassete Com Muito Amor e Carinho (1988), "Amigo Punk" só foi realmente ser conhecida mundialmente no Rio Grande do Sul em 1995. Assim como em "Anoiteceu em Porto Alegre", aqui o narrador que conversa com seu "Amigo Punk" traz consigo os estragos da noite, chegando em casa pela manhã, louco para sestear e revigorar as energias para mais uma noitada. O que mais chama a atenção e faz os gaúchos vibrarem com essa canção é a mistura de elementos tradicionalistas da música gauchesca com o rock - que veio depois a dar origem ao projeto Rock de Galpão -, principalmente no palavreado de uma canção que entoa locais famosos de Porto Alegre, como o Parque Farroupilha e a Avenida Oswaldo Aranha. A espécie de milonga rock teve sua versão original, gravada ao vivo, e é marcada pela desafinação dos instrumentos e dos vocais, além de uma estridente guitarra que sola ao fundo, mas a ideia estava lá. Mas foi em 1995, no álbum Coisa de Louco II, que o trio conseguiu transformá-la em um hino cantado até hoje por qualquer adolescente que vivenciou as noites porto-alegrenses, e por que não, qualquer noite no Rio Grande do Sul

"Ramilonga" - Ramilonga - A Estética Do Frio [1997] (Vitor Ramil)

Enquanto os Engenheiros do Hawaii e a Graforréia celebravam as noites festivas de PoA, Vitor Ramil (irmão de Kleiton e Kledir) preferiu trazer a melancolia e as lembranças dele que estava prestes a sair da cidade, durante o inverno rigoroso do sul do país. A solidão de um chimarrão em um dia de chuva e frio leva aos pensamentos deste adeus para a cidade. Ramil sobrevoa os bairros em despedida, passando pela Bela Vista e a Chácara das Pedras, e lembra-se das noites no Rio Branco e das tardes no Bom Fim, assim como Cidade Baixa e Alto da Bronze, as quais não irá mais presenciar. As memórias continuam com uma letra que remete ao saudosismo da Praça XV e de um lambe-lambe (máquina fotográfica que ficou marcante em pontos turísticos de Porto Alegre), ou mesmo de que a água do Guaíba é limpa ao ser vista do alto da torre. Ainda dá tempo de homenagear personalidades importantes de Porto Alegre (o compositor e professor Armando Albuquerque, que foi professor de Vitor, e o poeta Mário Quintana, um dos maiores do Brasil), e à Francisco Ferrer, anarquista espanhol que deu nome a rua na qual Vitor tem casa ainda hoje na cidade. Tchê, que lindeza, mas bah! Uma milonga de Ramil (daí a palavra Ramilonga) de quase sete minutos, e arrebatadora, ou melhor, tri-legal!

domingo, 3 de agosto de 2025

Resenha de Show: Vitor Ramil (Rio De Janeiro, 29 de Julho de 2025)


Em 1998, na entrada do meu ensino médio, na cidade de Pelotas, tive uma professora de português, Beatriz, que ensinava também literatura, e me apresentou Vitor Ramil, pelotense, irmão da famosa dupla Kleiton e Kledir. Meu interesse que levou a tal apresentação veio de uma breve discussão sobre se havia algum escritor pelotense mais importante que Simões Lopes (N. R. João Simões Lopes Neto, nascido em Pelotas, Rio Grande do Sul, considerado o maior autor regionalista do Brasil, já que em sua produção literária valorizou a história e as tradições do gaúcho). Lembrando que sou natural de Pedro Osório, cidade localizada a 60 Km de Pelotas, e portanto, tinha em minha adolescência uma certa busca por uma identificação regionalista. Através do livro Pequod, que havia sido lançado anos antes, ela me ensinou sobre a literatura e também sobre a arte de Vitor, apresentou-me a palavra Satolep (Pelotas de trás para frente), que foi algo inédito para mim, surpreendente.

Vitor e banda no Teatro Ipanema


Ao mesmo tempo, com o passar do ensino médio, conheci a música de Vitor Ramil e o álbum Tango (1987), de onde sai "Joquim", uma versão para "Joey", de Bob Dylan, e uma das melhores músicas da MPB. Os anos passaram e, durante a faculdade, "Joquim" se torna um símbolo para mim, um símbolo de luta, um símbolo de raça, um símbolo de conquistas, um símbolo de vitórias e de enfrentamento contra as injustiças. Eu e meus colegas, principalmente o meu colega e irmão Rodrigo Magalhães, o Kalaba, tínhamos em "Joquim" um símbolo a ser seguido. E "Joquim" se fez presente em meu mestrado, no meu doutorado, em todas as vezes que eu precisava de forças, ouvia "Joquim" e seguia adiante. Não à toa, ela foi a canção que abriu minhas defesas de mestrado e doutorado. E ainda hoje, lembro o cheiro da sala do local onde defendi minha tese, o meu doutorado, com muita alegria.


O cheiro diferente do cheiro que senti no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, na noite de 29 de julho de 2025. Ipanema, bairro localizado ao lado de Copacabana, na zona sul carioca, não tem o mesmo charme de sua irmã próxima. Outro cheiro que facilmente me vem à mente é o de quando senti a brisa do mar de Copacabana pela primeira vez, aquela mistura de peixes, frituras, suor e outros odores misturados que só Copacabana tem, isso já em 2006, quando eu fiz o que Vitor fez um dia, caminhei meus sapatos por Copacabana atrás de um livro algum para ler no fim de semana. Era minha primeira vez por lá, e jamais imaginaria que, caminhando de Copacabana para Ipanema, quase 20 anos depois iria ver Vitor pela primeira vez exatamente em Ipanema.

Vitor e Ney interpretando "Astronauta Lírico"


Lá no acanhado Teatro Ipanema, promovendo o álbum Mantra Concreto, com poemas de Paulo Leminski, musicados por Vitor, junto de Alexandre Fonseca (bateria, percussão, efeitos, e ainda, neto do famoso Joquim entoado por Vitor) e Edu Martins (baixo, teclados, voz), subiram ao palco, numa noite que tinha tudo para ser perfeita, e assim o foi. À exceção daquele cheiro. Aquele cheiro de uma plateia idosa, uma plateia predominantemente elitista, e que havia em grande parte ido ali assistir não ao Vitor, não aos poemas de Paulo Leminski, mas a um convidado que ia subir ao palco naquela noite junto de Vitor: Ney Matogrosso.


Eu não tinha ingresso para o evento, realizado como parte do projeto Terças No Ipanema, mas fui com a expectativa de ao menos conseguir ficar num canto, e quiçá pegar um autógrafo e trocar uma ideia com Vitor. Por sorte, obra do destino, minha devoção à Entropia ou qualquer outra fé que possa existir, a filha e o genro de uma moça - nem tão moça assim - não foram ao show, e consegui ingresso em uma posição privilegiada do palco, sem antes ter que assistir aquele elite mofada entrando no teatro, ver que uma mulher com roupas com certeza inapropriadas para um teatro foi lá enviada pela sua "dona" para guardar lugar e conseguir um ingresso para ela (a escravidão ainda existe), e uma outra que me olhando com ar de esnobe, perguntando o que eu achava da segurança do Rio, ao ouvir eu falar que havia gostado da nova rodoviária (a Novo Rio) me falou no alto de sua empáfia: "meu bem, eu não vou em rodoviária", enquanto aproveitava para descer a lenha no atual governo federal e também no governo municipal do Rio de Janeiro (curiosamente poupando o governador do estado).


Enfim, às 20:00, Vitor e banda subiram ao palco. O gaúcho tocou durante duas horas para a elite carioca que, com uma arrogância gigantesca, um cheiro de naftalina e de "riqueza", pois o seu dinheiro não tem o valor da cultura de Vitor Ramiro, uma elite que não entende as músicas de Ramil, que mal sabia quem era Paulo Leminsky, que desconhece que a capa de Mantra Concreto traz uma explícita homenagem ao regime soviético e aos comunistas, e tão pouco imaginava que Ney não era a principal atração da noite. Esta mesma plateia patética ficou obsoleta e simplesmente quieta diante de um artista sensacional.


Vitor apresentou um repertório baseado em Mantra Concreto (9 das 15 canções do CD foram apresentadas), lançado em 2024, e bastante intimista, num teatro lotado que desconhecia a obra ali apresentada. Foi o primeiro show para promover o disco, que começou exatamente com as duas faixas que abrem o disco, "De Repente" e "Teu Vulto". Com o violão em punhos, o gaúcho comandou a noite de forma tranquila e como se estivesse em um ensaio. Entre conversas que geravam certas risadas um tanto quanto constrangedoras dessa elite mofada, Vitor tocou não só canções recentes, mas algumas faixas de seu vasto repertório, como por exemplo "Invento" (gravada por Ney no álbum Beijo Bandido), a sensacional "Foi No Mês Que Vem" (faixa homônima daquele que talvez seja o melhor disco de Vitor), "Estrela, Estrela", do álbum de estreia do guri, com apenas 17 anos, e a belíssima "Tierra", canção que foi adaptada por Vitor ao português, e que segundo ele, lhe traz ainda hoje muitas lágrimas (ao contar sua relação com a música "Tierra", o caminho que ele fez saindo de casa até o laranjal, e sentindo a emoção dele, confesso que também me emocionei).


Então, Vitor trouxe uma boa definição sobre a importância do Secos & Molhados para a música nacional, e foi então que Ney subiu ao palco para interpretar "A Ilusão Da Casa", que aí a plateia parece que acordou realmente. Ney cantou e parecia totalmente à vontade em estar ali. Com uma calça jeans e uma bela camisa preta, Ney interpretou soberanamente essa canção de Tambong (2000). Ovacionado, Ney agradeceu e logo em seguida a banda emendou "Astronauta Lírico", uma das mais belas canções de Vitor, o que é difícil, já que quase todas as canções de Vitor são belas. Mas logo no começo, Ney parecia perdido, e na segunda frase, se atrapalhou completamente. Então, ele tentou continuar cantando, mas pediu para Vitor voltar, alegando que o grupo estava tocando em um tom diferente do ensaiado. Vitor, então, afirmou que o tom estava correto, e assim voltaram à "Astronauta Lírico" para o incomodado Ney demorar a se soltar. Mas, quando ele se soltou, foi um grande êxtase e um dos grandes pontos altos da noite. Mas não só isso. Ney cantou apenas duas músicas que foram ovacionadas, aplaudidas de pé, mas o show foi muito mais do que Ney.

Encerramento do show: Vitor, Ney, Alexandre e Edu


O show foi uma amostra de um gênio da música nacional, um ser brilhante, que não merecia a plateia que estava ali. E tão pouco, essa plateia mofada, enriquecida de pobreza, enriquecida de dinheiro esnobe, como uma senhora que disse para mim: "acabei de vir dos Estados Unidos, aqui é o fim do mundo, mas infelizmente eu tenho que morar aqui, neste país ridículo". Poxa, que alegria, né? Enquanto isso, Vitor destilava os poemas de Leminski para aquela (com certeza) plateia burguesa e anti-comunista, que não entendia bulhufas do que estava sendo entoado no palco do Teatro Ipanema, e também seus próprios pensamentos.


Ao final do show, após voltar ao bis, onde apresentou "Joquim", a melhor versão feita por uma música de Bob Dylan em todos os tempos, que narra a história de Joaquim Fonseca, um senhor que criou aviões no interior do Rio Grande do Sul, na cidade de Pelotas, em Satolep, exatamente a mesma cidade onde eu fiz o meu ensino médio, onde fiz a minha faculdade, onde nasceu meu filho, e do lado da cidade onde eu nasci. "Joquim" foi interpretada com a versão muito próxima da versão de Foi no mês Que Vem (e não à versão original de Tango). E, ao final, Vitor deu uma bela de umarrelhada naquela plateia mofada, fedendo a mofo, com seus mofos nas gravatas, aquele mofo que Joquim teve que lamber, mas que lá, no Teatro Ipanema, não foi Vitor quem lambeu. Foi a plateia que acabou sendo, vamos dizer assim, repreendida por palavras fortes, não só da letra genial de Vitor, mas também, ao final de "Joquim", quando ele disse que "foi uma carta em inglês, lá dos Estados Unidos, que impediu Joaquim Fonseca de ser um dos maiores construtores brasileiros, de avião, o primeiro construtor e dono da primeira fábrica de aviões do Brasil. Nada diferente dos dias de hoje".

Trocando uma ideia emocionado diante de um gênio


Ainda houve tempo para Vitor mandar ver "Caricatura", e convidar à plateia para recepcioná-lo no pós-show, onde iria tirar fotos e conversar com quem quisesse. As 169 pessoas que lotaram o Teatro Ipanema simplesmente foram embora, e pouco mais de 20 verdadeiros fãs e amantes da obra de Vitor (e talvez Leminsky?) ficaram para conversar com uma das mais humildes pessoas que já tive a oportunidade de conhecer. Meu sonho havia se tornado realidade, o de conhecer pessoalmente o maior gênio da literatura e da arte gaúcha deste século, e que eu possa ver um show tão incrível quanto o do último dia 29 de julho em breve. Mas aos interessados, amanhã, 5 de agosto, Vitor estará novamente no Teatro Ipanema, com o mesmo show, mas agora tendo Adriana Calcanhotto como convidada. Os ingressos já estão (novamente) esgotados, mas vá lá, vá que a Entropia lhe dê a mesma oportunidade que eu tive. Viva Vitor, Viva Leminsky Viva a Verdadeira Arte Brasileira!


PS: Quero agradecer (e muito) à Marcia Regina, pelas imagens, pelo ingresso e pela parceria durante o show, e Jorge Gomes, pela parceria, imagens e atenção na banca da Biscoito Fino. Vocês também mereceram estar lá!


Set list


De Repente

Teu Vulto

Um Bom Poema

Invento

Anfíbios

Foi No Mês Que Vem

O Velho León E Natália Em Coyoacán

Profissão De Febre

Tierra

Sujeito Indireto

Estrela, Estrela

A Ilusão Da Casa

Astronauta Lírico

Amar Você

Loucos De Cara

Não É Céu

Joquim

Caricatura

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Podcast Collector's Room #34


 
Esse podcast em especial foi negado, à época, pela editoria da Collector's Room, devido ao fato de apresentar somente bandas do Rio Grande do Sul. Ele chegou a sair na comunidade da Collector's, mas como foi banida a apresentação do mesmo dentro do blog, retirei da comunidade. Duas pessoas chegaram a baixar o podcast. Agora está aqui para quem quiser ouvir

Meus caros amigos da Collector's Room, em especial aos gaúchos, hoje, 20 de setembro, estou aqui em Paris, depois de uma passagem maravilhosa pela Grécia e pela Itália, e nessa data tão marcante para nosso estado, decidi homenagear aos meus conterrâneos com um podcast especial de artistas gaúchos.

Então prepare o churrasco, ajeite as brasas para aquecer a água do chimmarrão, puxe o mochinho e acomodo-se para mais um podcast especial.


Track list do podcast Collector's Room # 34


Engenheiros do Hawaii - Anoiteceu em Porto Alegre
Álbum: O Papa É Pop! (1988)


Graforreia Xilarmônica - Amigo Punk
Álbum: Coisa de Louco II (1995)


Jupiter Maça - Um Lugar do Caralho
Álbum: A Sétima efervescência (1997)


Ataque Colorado: Guiñazu - Gladiador dos Pampas
Álbum: Ataque Colorado II (2008)


Almôndegas - Vento Negro
Álbum: Almôndegas (1975)


Vitor Ramil - Joquim
Álbum: Tango (1987)


Os Tápes - Os Homens de Preto
Álbum: Canto da Gente (1975)


Liverpool - Décimo Terceiro Andar
Álbum: Por Favor, Sucesso (1969)


Quintal de Clorofila - As Alamedas
Álbum: O Mistério dos Quintais (1983)


Âmago Elíptico - Um
Álbum: Demo (2004)


Van Züllat - Produto Misto
Álbum: O Casulo (2008)


Elis Regina - Deus Lhe Pague
Elis Regina - Meio Termo / Corpos
Álbum: Transversal do Tempo (1978)


Elis Regina - Los Hermanos
Elis Regina - Como Nossos Pais
Álbum: Falso Brilhante (1976)



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Melhores de 2010

Carlos Santana e sua banda fizeram o melhor disco de 2010

O ano de 2010 foi de bons lançamentos no geral, principalmente de veteranos. Confira aqueles que julguei serem os melhores.

Santana - Guitar Heaven

Ao ouvir esse CD pela primeira vez, passei um fim de tarde em Roma apreciando cada segundo do álbum junto de um bom Capuccino e alguns suplis. Para não ir visitar diversos pontos turísticos e ficar ouvindo um CD, realmente ele tem que ser muito bom. Santana e sua guitarra, com aquele timbre mágico, manda ver em clássicos como "Sunshine of Your Love", "Under The Bridge", "Dance The Night Away" ente outros. O melhor CD do ano disparado.


Robert Plant - Band Of Joy

Fantástico! Somente isso pode explicar a ressureição da banda original de Plant. Um disco seminal, que mostra aos fãs de Led como Plant é muito mais do que um sex symbol de calças apertadas gritando "yeahs" diante da banda mais importante dos anos 70. Cada segundo é um momento nostálgico e sem igual. Segundo melhor lançamento do ano.


Ozzy Osbourne - Scream

O velho Ozzy, os velhos riffs, o velho pique e o velho som que me encanta a 20 anos!

Scorpions - Sting In The Tail

Anunciado como o último disco da banda, é a volta aos grandes riffs e melodias dos anos oitenta. Muito abaixo de clássicos como Animal Magnetism ou Lovedrive, e bem longe da fase auréa com Uli Roth nas guitarras, porém com uma pegada que não se ouvia desde o longínquo Crazy World. Músicas como "Rock Zone" e "Sly" tem tudo para entrar na galeria dos clássicos da banda.

Eli Degibri - Israeli Song

Talvez o melhor disco de jazz lançado esse ano (com exceção aos reviews como Bitches Brew).  Ao lado do pianista Brad Mehldau, do baxista Ron Carter e de Al Foster, baterista de Miles Davis nos anos 70, Eli llançou um CD de pouco mais de 40 minutos com uma sonoridade única, onde os destaques vão para canções como "Israeli Song" e Jealous Eyes", mesclando elementos de Thelonious Monk, Coltrane e Duke Ellington.  


Iron Maiden - The Final Frontier

Desde Brave New World que os lançamentos do Iron Maiden para mim viraram decepções. AMOLAD, DOD e o próprio Brave New World balançaram poucas vezes a minha perna. Mas em The Final Frontier foi diferente. O Iron resgatou a paixão por se ouvir um disco do início ao fim. O lançamento de "El Dorado" foi chocante, uma sonoridade muito buscada por fãs que nem eu (que gostam da banda, mas não a veneram como a melhor do mundo) e que ficou bem clara em faixas como "The Alchemist" e as longas "The Talisman" e  "When The Wild Wind Blown". Depois de muito tempo, valeu a pena ter gastado os meus cruzeiros com um cd de inéditas do Iron.

Vitor Ramil - Délibáb

Poemas fortes, milongas belíssimas, construções típicas do Rio Grande do Sul feitas por um dos maiores compositores gaúchos. Isso é o que você encontra em Délibáb. Nada parecido com Tango ou Estrela, Estrela, mas canções como "Deixando o Pago", "Milonga para los orientales" e "Pé de espora" mostram a genialide de Vitor, em um trabalho que surpreendeu positivamente.

Eric Clapton - Clapton

Ok, ele não canta mais como antigamente, mas cada nota da guitarra de Clapton ainda faz a gente suspirar. Disco simples, mas gostoso de ouvir, com canções inéditas e alguns covers. Com certeza, vai rodar várias vezes no seu cd.


Premiata Forneria Marconi - A. D. 2010 - La Buona Novella

Depois de quatro anos, a PFM volta em grande estilo. Um álbum conceitual, recheado de harmonias não tão progressivas, mas com destaque para as letras de Fabrizio De Andre, mentor e criador da maioria das canções pertencentes ao CD/LP. Em termos gerais, um bom álbum, que entra na lista por ser o único de progressivo lançado em 2010 que eu ouvi completo.

Ponto negativo

Slash - Slash

Parece que a sina de ser um ex-Guns N' Roses ainda assola o guitarrista. Apesar de faixas dançantes e bem construídas, para mim foi a maior decepção do ano. Tem gente que gosta, mas eu ainda prefiro o Slash de "Estranged" e "November Rain".


Fica a expectativa para os lançamentos de Rush, U2, Van Halen e Yes no ano que vem
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