Mostrando postagens com marcador Black Oak Arkansas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Black Oak Arkansas. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de março de 2022

Consultoria Recomenda: Southern Rock



Tema escolhido por Davi Pascale

Com Daniel Benedetti, Fernando Bueno, Mairon Machado e Ronaldo Rodrigues*

Um belo tema até pelo fato de que acho que cobrimos pouco southern rock aqui em nosso site. Davi escolheu um tema simples mas de bom gosto para recomendarmos discos vindos de bandas que exaltam a cultura sulista dos Estados Unidos. É aquele rock com um pé no country e outro no blues que faz com que a sonoridade se torne única e incomparável. Estão aí 6 discos do estilo com nossos comentários (imensa maioria deles positivos, mais do que esperado). E as suas sugestões? Comente nossas escolhas e comentários e sugira mais também! Obviamente faltaram muitos outros discos e bandas!

*Ronaldo nos sugeriu o disco mas infelizmente não pôde nos mandar os comentários a tempo.


Blackberry Smoke - The Whippoorwill [2012]


Por Davi Pascale


Descobri o Blackberry Smoke quando eles estavam lançando o Little Piece of Dixie, em 2009, por indicação do pessoal da Animal Records. Desde então, venho acompanhando o som dos rapazes e tenho curtido bastante o trabalho dos caras. The Whippoorwill, embora tenha bastante balada (que é algo que pode desagradar alguns de nossos consultores), é tido pelos fãs do conjunto como um de seus melhores trabalhos. E foi por essa razão que optei por esse disco. A escolha da banda foi porque eu quis trazer algo mais recente para cá. Ok, talvez esse não seja o termo correto para uma banda com mais de 10 anos de estrada, mas já suspeitava que a maioria das indicações seria de medalhões dos anos 70. Gosto do disco. Acho a banda muito competente e as composições bem consistentes. Desse trabalho, destacaria “Six Ways to Sunday” (Lynyrd Skynyrd até o caroço), “Everybody Knows She´s Mine”, “Lucky Seven” e “Shakin´ Hands With The Holy Ghost”. Enfim, curioso para ver a opinião dos colegas.


André: Cara, que disco surpreendente, variado, animado, delicado, bonito. Nas suas 14 faixas, cada uma delas tem uma particularidade própria. As vezes é dançante, as vezes é baladinha. Tem bastante balada até, mas que conseguiram fazer com que não ficasse morno. Os teclados muito bem encaixados. Aquela caixa de bateria com força na mixagem, algo meio obrigatório eu diria nas bandas sulistas mas que parece que andam esquecendo em algumas bandas. Aqui duas baladas me chamaram a atenção. "The Whippoorwill" é uma do jeito que eu adoro. "Up the Road" então na levada de piano e depois um Hammond daqueles, é de chorar. Como caralhos essa banda me passou batido por tanto tempo?


Daniel: Eu confesso que nunca havia escutado a banda, embora já tivesse lido muitos comentários sobre ela. Foi uma audição muito agradável. Eles não tentam inventar a roda, fazendo uma sonoridade Southern Rock básica, mas bem eficiente. Destaco “Six Ways to Sunday” e “One Horse Town”.


Fernando: Aqui o country é mais presente do que o rock. Tenho a impressão que nessa última década tivemos uma espécie de renascimento do southern rock. Eu mesmo fui me interessar mais por Lynyrd Skynyrd, Alman Brothers, Blackfoot e outras nesse período, mesmo tendo um disco do Pride & Glory em alta conta já há muito tempo. Também não via o pessoal ouvindo tanto. Hoje tenho amigos que fuçam e colecionam muito essa seara musical. Só tinha ouvido os dois discos anteriores do Blackberry Smoke e acho que continuo gostando mais deles, mas percebo que o nível é bem alto e vou ouvir mais vezes. A faixa título é uma lindeza.


Mairon: Confesso que não conhecia essa banda, e não imaginaria ouvir um som tão southern em uma banda recente. A primeira faixa, "Six Ways to Sunday", já apresenta as características do estilo, seja no vocal de Charlie Starr, seja nas linhas de guitarra, mas principalmente pelas passagens de piano. É um álbum gostoso de se ouvir, onde destaco o clima country de "Everybody Knows She's Mine" e "Lucky Seven", o ótimo blues "Ain't Got the Blues", a baladaça "Up the Road", mas principalmente, as linhas de guitarra de "Ain't Much Left of Me", que me lembrou muito os Black Crowes. Não me pegou ao ponto de colocar ele na minha coleção, mas valeu para conhecer algo além dos tradicionais.


Black Oak Arkansas - Black Oak Arkansas [1971]


Por Daniel Benedetti


O disco traz em sua sonoridade uma proposta de misturar a música tradicional norte-americana com o Rock. As influências mais evidentes são, obviamente, o Country e o Blues, mas até mesmo ecos de ‘gospel’ podem ser sentidos no trabalho. Assim, as misturas de musicalidades mais suaves com as abordagens mais agressivas das guitarras ganham um toque particular nos vocais rasgados de Jim Dandy. Minhas preferidas são “I Could Love You”, que traz o Cream à mente de modo imediato e é a melhor do disco, junta ao clássico “Hot and Nasty”, esta, um resumo do que é o Southern Rock.


André: Já ouvi o BOA mas curiosamente nunca este disco. Aqui já de cara sinto aquela vibe de rock clássico com produção setentista e tudo. Aquela coisa que soa mais orgânica e fácil aos meus ouvidos. Um bom disco, não muito ganchudo, mas que aprecio muito bem tal como a ótima canção "Memories at the Window" com aquele jeitão ruralzão que se espera. Porém, os outros discos que ouvi (High on the Hog e If an Angel Came to See You) deles eu gostei mais. Acho que senti falta de uma guitarra um pouco mais ardida comparada aos outros discos citados aqui. Todavia, um bom registro e bastante agradável.


Davi: Ah, bacana... Nunca tinha escutado nada do Black Oak Arkansas e sempre tive curiosidade de ver como era o som dos caras. É uma banda bastante comentada entre os amantes da cena. Muito provavelmente, esse é o disco com influência de country music mais escancarada de toda a nossa lista. Basta ouvir as canções “Uncle Lijah” ou “The Hills of Arkansas” para entender o que estou falando. Mas, tranquilo, gosto de country music. O que preciso me acostumar, na verdade, é o timbre de voz do Jim Mangrum, que considero bem peculiar. Um dos pontos altos acredito que seja o riff de “If I Could Love You”, que é bem inspirado. No geral, gostei do disco. Provavelmente, devo pegar mais algum trabalho deles para ouvir.


Fernando: Quando falam que o southern rock seria uma espécie de “rock caipira” é isso que eu imagino. O termo pode até ser visto de maneira pejorativa, mas não é isso que entendo. Gostei do tema proposto e também das escolhas por não ter nenhuma banda mais óbvia, mas não é uma seara que eu conheço muito e fico mesmo nas bandas conhecidas que não foram citadas. O Black Oak Arkansas eu já tinha tentado outras vezes, mas nunca bateu. Porém eu tinha ido naqueles dois ou três discos mais conhecidos e esse primeiro é a primeira vez que ouço e gostei mais – “Hot and Nasty” é um sonzão! Aliás, a segunda metade, ou lado B, é melhor que a a primeira. Sei que o loirão Jim Dandy foi a principal inspiração para o David Lee Roth e foi isso que me fez ir atrás anteriormente.


Mairon: Essa banda foi minha primeira opção para esse Recomenda, mas como já haviam indicado, modifiquei. Porém isso não alterna minha idolatria e meu sentimento de representação que é o Black Oak Arkansas para o Southern Rock. Ok, o Lynyrd Skynyrd é um símbolo do estilo por literalmente empunhar a bandeira dos confederados, além de suas letras que tratam muito do clima sulista norte-americano, o The Allman Brothers Band talvez tenha sido a banda que mais explorou musicalmente o southern, abrangendo várias formas de representar a música do sul dos EUA em suas faixas (principalmente ao vivo). Mas o Black Oak Arkansas para mim é o verdadeiro símbolo do que é o Southern. Seja por suas letras com tons extremamente típicas do estilo, seja pelo carisma inegável do vocalista Jim "Dandy" Mangrum, bem como os apelidos "sulistas" de seus membros (Ricochet, Dirty, Burley, Goober e Squeezebox), seja por trazer o sul dos EUA em seu nome, a BOA fez discos muito representativos do que foi o Southern, como essa pérola de estreia (bem antes do Skynyrd por exemplo). Ainda, conseguiu condensar em algo mais leve e palpável a complexidade da The Allman Brothers Band, já que não tinham músicos tão técnicos quanto Duane Allman, Dickey Betts ou Jaimoe, por exemplo, mas tinham um feeling absurdo para fazer um mix de diversos estilos sempre com um cheirão de pântano sulista. Assim, temos o country de "Uncle Elijah", um dos grandes clássicos do Southern, com seus violões e o ritmo dançante, assim como a ótima "The Hills of Arkansas", a animadíssima "Singing the Blues", com a steel guitar comandando tudo, o gospel/boogie de "Lord Have Mercy On My Soul", e a farra da sonzeira "When Electricity Came to Arkansas" (a introdução lembrará os fãs de Santana em Woodstock certamente). Adoro o slide guitar em "Memories at the Window", as guitarras duplas de "Hot and Nasty" e o peso de "I Could Love You", para mim as melhores faixas desse grande álbum. Baita escolha!


ZZ Top - Tejas [1976]


Por André Kaminski


Os barbudos, ocludos e chapeludos não poderiam ficar de fora desse Recomenda. Combinando muito rock sulista com blues e boogie, temos aqui mais um belo registro dos caras em sua fase clássica antes dos eletrônicos da década de 80 (que também gosto, diga-se de passagem). Adoro aqui a instrumental "Asleep in the Desert" claramente dando um clima de reflexão em algum lugar distante da civilização aonde um sujeito poderia refletir sobre sua vida ao som de um lindo dedilhado de violão. É um disco mais simples dentro do estilo, mas nem por isso menos bom.


Daniel: Embora o grupo continue apostando no Blues/Hard/Rock, Tejas traz canções que soam menos intensas e ferozes quando comparadas a, especialmente, o antológico Tres Hombres. Seja pela produção menos 'crua', ou mesmo por abordagens mais suavizadas, Tejas aponta para uma, mesmo que ainda tímida, aproximação do grupo com uma musicalidade mais "Pop", tornando-se um sinal, em perspectiva retroativa, obviamente, daquilo que o conjunto se transformaria nos anos 80. Mesmo assim, ainda há muito do ZZ Top blues e hard no disco, como na antológica faixa "Arrested for Driving While Blind", uma fortíssima candidata a melhor composição da banda.


Davi: Grande ZZ Top! Adoro esses caras. Sempre gostei muito do trabalho de guitarra do Billy Gibbons e adoro o humor deles. Esse disco tem um pouco menos de peso do que os anteriores. Contudo, suas principais características estão aqui. Desse trabalho, gosto bastante das faixas mais agitadas como “It´s Only Love”, “Ten Dollar Man” e clássico “Arrested For Driving While Blind”. Também vale destacar o belíssimo trabalho de guitarra em “El Diablo”, onde a influência de blues salta aos olhos. Se tivesse que indicar um álbum do ZZ Top, provavelmente teria indicado Tres Hombres. De todo modo, é um disco bacana e foi legal reescutá-lo.


Fernando: O ZZ Top é uma banda que eu sempre vi nas revistas, sempre identifiquei como um ícone do rock – seu visual sempre chamou mais atenção para mim do que a própria música – entretanto eu pouco ouvi a banda e eu não sei bem o motivo. Tenho uma coletânea e só. Acho que tenho em mente a fase mais oitentista, pois para mim foi diferente ter ouvido esse disco que é bem mais cru. Gostei bastante de “El Diablo”, menos bluseira, mais climática e misteriosa. A faixa instrumental que fecha o disco foi uma surpresa, pois não esperava algo assim para o ZZ Top. Sempre li que a bateria eletrônica nos anos 80 tinha estragado a banda e parece que é verdade.


Mairon: O ZZ Top passou por minha cabeça após não poder citar o BOA, mas fiquei em dúvida de qual álbum seria a melhor opção, e deixei passar. Diferente das demais bandas do Southern, aqui temos um som cru de baixo, guitarra e bateria, focado em uma cozinha muito eficiente, e a guitarra virtuosísta de Billy Gibbons. Tejas é um grande representante da primeira fase (aquela, pré-Eliminator), onde o trio mostra seu suingue southern com a pegada que marcou a banda em sua carreira, alimentando boogies e blues, como "Arrested for Driving While Blind", "Avalon Hideway" e "Enjoy And Get It On", fugindo bastante de inspirações country, que prevaleciam nos álbuns anteriores, e que surge timidamente em "She's a Heartbreaker". Aqui estão as clássicas "El Diablo", levada pelo seu mágico riff, e "Ten Dollar Man", bastante pesada para os padrões Southern. Aprecie a harmônica do blues "It's Only Love", quebre a cabeça com o complexo ritmo de "Snappy Kakkie", e curta muito os melhores momentos do disco, que são a fantástica "Pan and Highway Blues" (uma das minhas favoritas dos americanos) e a balada instrumental "Asleep in the Desert", com Gibbons brilhando ao violão, e muito distante de qualquer música que você possa imaginar ser do ZZ Top. Linda demais! Bela escolha!


The Outlaws - Bring it Back Alive [1978]


Por Ronaldo Rodrigues


André: Interessante a escolha desse ao vivo para este Recomenda. E vejo muita gente internet afora dizendo que este é um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos. Não chego a esse ponto, mas dá de sentir fácil que foi um showzaço. Mas para mim, a banda brilhou mesmo em "Holiday". Que baixo e que guitarras! O solo dessa música então, excelente. E isso que um pandeiro é quem dita mais o ritmo junto a bateria!


Daniel: É um disco ao vivo, né… então, não é minha praia favorita. Gosto bastante das composições, a banda realmente é um expoente do estilo e o repertório me agradou bastante. Mas, para indicar um álbum do grupo, esta não seria minha primeira escolha.


Davi: Essa é uma banda que eu não conhecia. Achei interessante. Bom trabalho vocal, com linhas bem melódicas. O guitarrista solo é excelente, acredito que seja o melhor músico da banda. As músicas possuem um acento comercial, mas isso não preocupa, até porque a música comercial dos anos 70 era excelente. Pelo que andei lendo parece que suas composições mais famosas são “There Goes Another Love Song” e “Green Grass and High Tides”, ambas presentes nessa apresentação. Contudo, minhas favoritas ficam por conta de “Stick Around For Rock n Roll”, “Freeborn Man” e “Cold and Lonesome”. Bom disco.


Fernando: Há um tempo atrás eu cheguei nessa banda e eu não estou me lembrando o motivo, porém ouvi o primeiro disco deles e achei ótimo. Até indiquei para os amigos que curtem o estilo. Normalmente não temos discos ao vivo nessas sessões, mas achei ótimo ouvir esse daqui. Disco divertido, banda divertida e excelente performance.


Mairon: Sempre achei os "fora da lei" como uma espécie de Lynyrd Skynyrd simplificado, principalmente por que percebo muitas similaridades no som de ambas as bandas, apesar da notável ausência do piano no sexteto aqui destacado. Esse álbum ao vivo é uma boa amostra da energia que os caras transmitiam em seus shows, concentrando-se no caprichado trio de guitarras formado por Billy Jones, Freddie Salem e Hughie Thomasson (que inclusive veio a tocar no Skynyrd anos depois). A abertura com "Stick Around for Rock & Roll" é um tour de force para tirar o fôlego, com muitos solos ao longo dos nove minutos da canção. Os solos de guitarra se propagam também em "Freeborn Man". Porém, é na longa "Green Grass and High Tides", talvez o maior sucesso da banda, que a casa vem abaixo. A canção é conhecida entre os fãs como a "Free Bird" dos Outlaws, e é uma série de solos para se encantar, ao longo dos seus vinte minutos. Ah sim, se você quer ouvir e sentir cheiro dos pântanos, passe por "I Hope You Don't Mind" e "Lover Boy", ou aprecie o climão viajante e as harmonias vocais de "Prisoner", inspirada fácil fácil no Allman Brothers. E se quer ouvir algo mais country, também há em "There Goes Another Love Song", além do lado C do LP duplo ser recheado de canções bastante comuns, mas bem gostosas de se ouvir. Porém, todas são ofuscadas pela grandiosidade de "Green Grass and High Tides". Atemporal!!


Blackfoot - Strikes [1979]


Por Fernando Bueno


Lembro de ter visto algumas vezes as capas dos discos do Blackfoot, mas nunca tinha nem chegado perto dos discos. Tinha ouvido pela internet o Tomcattin’, o disco “da pantera” e já tinha gostado muito. Aí apareceu uma oportunidade de pegar de uma vez a “trinca dos animais” e não pensei duas vezes. É curiosa essa sequencia de capas da banda, o primeiro com a cobra Strikes [1979], o segundo de 1980 com a pantera e o terceiro, Marauder [1981], com a águia. E essa sequencia é justamente o creme de la creme da banda. Nunca mais eles conseguiram chegar nesse nível de composições de novo. Fosse eu teria colocado um peixe no próximo, um cisne no seguinte e quem sabe um cachorro também. Afinal, em time que está ganhando não se mexe, como diziam os radialistas veteranos lá nos anos 80. O Blackfoot junto do Outlaws são as bandas mais subestimada dessa lista e se não fosse o disco do Blackberry Smoke eu diria que são os melhores também. Alguns podem falar que eles são muito hard rock para o southern, até entendo, mas eu acredito que é mais a questão da timbragem mais pesada dos instrumentos mesmo, pois o jeitão está lá. Ouçam “Got A Line On You”!!


André: Da hora essa capa com a cobra. Simples, mas marcante. O som então é algo mais pesado e hard rocker que os outros que ouvi por aqui, mas aquela aura sulista ainda é prevalente. Muita coisa boa, mas preste atenção em "Pay my Dues" e veja se não sente vontade de swingar o esqueleto por aí.


Daniel: Strikes é uma ótima amostra da riqueza do estilo Southern Rock e como sua incursão com o Hard Rock pode ser bem-sucedida. Claro que em 1979 o Southern Rock não era nenhuma novidade, mas o grupo dá uma dose extra de peso com eficiência e qualidade. Não é apenas o peso pelo peso, e sim, o utilizando como modo de realçar belas melodias e trazer intensidade às canções. O Hard Rock do Blackfoot é feito de maneira a se fundir perfeitamente com sua veia sulista, como se observa na excelente "Road Fever".


Davi: Esse disco é, certamente, um clássico do Southern Rock. Blackfoot é uma banda liderada pelo talentoso guitarrista Rickey Medlocke (atualmente, no Lynyrd Skynyrd) e era, provavelmente, uma das bandas mais pesadas do gênero. Ao menos, entre os grupos dessa época. O disco abre com a inspirada “Road Fever”, cai na contagiante “I Got a Line On You”, mas o creme está no final do LP com as clássicas “Train, Train” e “Highway Song”. Essa última é uma espécie de “Freebird” do Blackfoot e acredito que sua música mais famosa. Ótima lembrança!


Mairon: Southern pesadíssimo de uma bandaça a ser descoberta. Das antigas aqui, é a que menos conheço a carreira, mas esse álbum figurou muito na minha playlist durante estudante de doutorado. Sou fascinado pelo ritmo de "Road Fever", faixa que já abre Strikes em alto nível. Esse peso se espraia ao longo do disco através do vozeirão e da guitarra de Rickey Medlocke, o líder da banda (dizer que o cara foi baterista do Lynyrd Skynyrd, e depois tomou conta das seis cordas da banda), e que só não faz chover em "Train, Train", para mim a melhor do disco. Daí vamos de riffzão em "Left Turn on a Red Light", e a garganta arranhando ferozmente, a excelente harmonia vocal de "Baby Blue", baladinha crua, mas legal, em "Run and Hide",e um épico para solar devaneiadamente, chamado "Highway Song", cuja introdução e sequência de acordes poderiam ser atribuídas para muita banda famosa que surgiu depois.  Além disso, os caras recriaram três sons de uma forma incrível, sendo minha prefeira a versão para "I Got a Line on You" (Spirit), mas "Pay My Dues" (Blue Image) e "Wishing Well (Free) não ficam nada atrás. Imagina transformar uma legitimidade britânica como o Free em um padrão Southern de extrema qualidade? A Blackfoot fez isso com sobras, nesse belo disco, e baita lembrança para esse Recomenda.


The Black Crowes - Amorica [1994]


Por Mairon Machado


Se houve uma banda que colocou o Southern novamente em voga nos anos 90 foi o Black Crowes. Os dois primeiros discos da banda trazem todas as referências que a imprensa colocou-os, de citações ao Led Zeppelin e aos Stones, porém com um grande aroma sulista. Em Amorica, essas referências foram praticamente dissipadas para criar um som novo, onde os elementos Southern misturavam-se ao peso daquele início de década, vide pancadas como "High Head Blues" ou "P. 25 London". Mas também há a delicadeza dos violões de "Nonfiction", e trouxeram lindas baladas sulistas que agradam qualquer fã do estilo, como "Descending", "Cursed Diamond" e principalmente "Ballad in Urgency", linda demais. E claro, curtir o embalo de "A Consipracy", "She Gave Good Sunflower" e da desconcertante "Downtown Money Waster" é um momento mais que especial. "Gone" é um dos grandes sucessos do álbum, assim como o clássico "Wiser Time", faixas perfeitas para apresentar os caras para quem não os conhece. Claro que a voz de Chris Robinson não tem a malemolência de um Ronnie Van Zant, as guitarras dos Crowes são mais pesadas, e a mistura cozinha + piano soa bastante recozida perto da crueza dos anos 70, mas a essência do Southern Rock está aqui em toda a sua completude. E quer algo mais Southern do que estampar a bandeira americana em um biquini cobrindo pêlos pubianos de uma garota?


André: Aqui o famosíssimo Black Crowes mostra o porquê de ser uma das gigantes do estilo. Talvez o mais "experimental" de todos os álbuns aqui, vejo que a banda nos anos 90 gostava de brincar um pouco com as composições e a tocar riffs pesados, doideiras de bateria e teclado e outras coisas que não soam deslocadas no som que a banda propõe a tocar. Digamos que você sendo aberto a uma certa "modernidade" em um estilo tão clássico como o southern rock, você aprecia este disco mais facilmente. Não sei você, mas eu gostei. Só nunca entendi o porquê de tanto auê por causa de uns pelinhos.


Daniel: Sempre tive Amorica como um dos grandes álbuns lançados nos anos 1990 e soa, comumente, como um trabalho um tanto quanto subestimado. O disco trouxe um toque de modernidade (na época) ao Southern Rock e tem composições incríveis como “High Head Blues”, “Wiser Time” e “She Gave Good Sunflower”. Discaço!


Davi: Esse disco era uma espécie de prova de fogo para o Black Crowes. Seu álbum anterior, The Southern Harmony And Musical Companion, consagrou o grupo como um dos maiores nomes de sua geração. O trabalho seguinte tinha que mostrar que eles chegaram para ficar e os caras, de certa forma, conseguiram. Embora não tenha tido um hit à altura de “Remedy” (sim, “Conspiracy” e “High Healed Blues” tiveram uma boa execução, mas vamos combinar que não tanto quanto o hit do álbum anterior), o álbum agradou seus seguidores. Além das já citadas faixas de trabalho, a lindíssima balada “Wiser Time” acabou se tornando um clássico do grupo. “She Gave Good Sunflower” é Black Crowes puro com sua bateria marcando forte, Chris Robinson esgoelando cheio de emoção e os riffs vintage por trás. Outros momentos de destaque ficam por conta da faixa de abertura “Gone”, que traz um ar meio zeppelin e “Ballad In Urgency” com seu ar de jam session. Belíssimo álbum de uma das melhores bandas que vi surgir.


Fernando: Lembro da polêmica que foi quando saiu esse disco. Os poucos pêlos pubianos da capa aparentemente mexeram com as pessoas. Nunca entendi o motivo de tanta exaltação com essa banda e nunca tinha relacionado ela com o southern rock, certamente foi por que ouvi pouco. Mas eu relacionava muito mais eles com os Stones do que com o Skynyrd. “A Conspiracy” me lembrou o Vintage Trouble, que tem as mesmas influencias do Black Crowes, quem sabe até os próprios, mas eu gosto mais. Já tinha ouvido esse disco, na época do lançamento foi quase uma obrigação, mas como eu era muito mais do metal, não agradou. Depois tentei de novo, mas nunca me marcou. Dessa vez não foi diferente.

sábado, 5 de abril de 2014

Burn: Incendiando o Califórnia Jam (A Noite Que Ritchie Blackmore Nunca Esqueceu) - Parte II


*

Na semana passada, apresentamos o início da Mark III do Deep Purple, com o lançamento do álbum Burn e a aclamação para uma das principais formações na história do rock. O sucesso do LP levou o grupo para uma gigantesca turnê, que teve como ponto máximo a apresentação no festival California Jam, na data de 06 de abril de 1974, e que portanto, amanhã completará quarenta anos. O texto de hoje concentra-se especificamente no evento, que Ritchie Blackmore anos depois definiu como a única noite que ele nunca conseguiu esquecer.

A história do California Jam tem suas origens com o fracasso financeiro de Woodstock. Os promotores Sandy Feldman e Lenny Stogen viram na organização de um festival de rock ao ar livre uma forma de se ganhar dinheiro com a música, mas diferente de Woodstock, quando os hippies acabaram invadindo a fazenda e dando prejuízo para todo mundo, levaram a ideia para a rede de TV ABC, que bancou o projeto de transmitir o festival ao vivo para todo os Estados Unidos.

A ABC conseguiu um patrocínio da Goodyear para a realização do evento, e então, com o contrato na mão, os promotores saíram atrás de grandes nomes da música e que não tocavam nos Estados Unidos há algum tempo. Black Oak Arkansas, Black Sabbath, Deep Purple, Eagles, Earth Wind & Fire, Emerson Lake & Palmer, Seals & Croft e Rare Earth foram as bandas que acabaram acertando com o festival, que foi realizado na pista de carros de Ontario, California.

Ingresso do evento *

Dois palcos móveis foram montados no Ontario Motor Speedway, tendo como decoração um gigantesco arco-íris de madeira, que veio a ser inspiração para o nome de uma grande banda ligada ao Deep Purple, o Rainbow. Entre duzentas e duzentas e cincoenta mil pessoas apareceram no local, que contou com uma excelente infra-estrutura e um belo dia de sol (diferente do que ocorrera em Woodstock, com a maioria dos dias abaixo de muita chuva), e os lucros beirando os 2 milhões de dólares.

Uma das expectativas para o evento realmente era a apresentação da nova formação do Deep Purple, que já vinha sendo bastante comentada nos veículos musicais, principalmente pelo fato de Blackmore vir costumeiramente quebrando sua guitarra, com um dos agentes da emissora, Josh Wishe, exigindo que, quando fizesse tal atitude, Blackmore viesse a favorecer as imagens das câmeras.

As apresentações começaram ainda pela manhã, com os detroitianos do Rare Earth. O grupo havia acabado de lançar seu sexto álbum, Ma, e a mistura do groove de Detroit com pitadas de funk e soul foi uma escolha perfeita para esquentar os fãs que lentamente começaram a preencher o local. Os grandes destaques na apresentação do grupo foram as clássicas "I Just Want to Celebrate" e "Time Is On Your Side", que são facilmente encontradas em sites como o youtube.

Earth, Wind & Fire *

Na sequência, um dos maiores sucessos da Motown, os também americanos do Earth Wind & Fire. Mais funk rolando pela pista de Ontario, carregados pelo sucesso dos álbuns Head to the Sky (1973) e do então recém lançado Open Your Eyes, que chegou às lojas em março de 1974 e que rapidamente atingiu a primeira posição na parada Rhythm 'n' Blues da Billboard (décimo quinto na parada geral), carregado pelo sucesso de faixas como "Mighty Mighty" e "Devotion".

Eagles *

O primeiro grupo ligado ao rock foram os americanos do Eagles. Desperado (1973), segundo álbum do grupo esteva vendendo como água, e o recém lançado On the Border seguia o mesmo caminho. Muitos fãs foram levados para Ontario por conta dessa apresentação, que para muitos, foi uma das melhores da carreira do então quarteto. A mistura de country, folk e rock foi bem recebida, também por conta do Eagles ser da região (Los Angeles), destacando as clássicas canções de On the Border: "Already Gone", "James Dean" e "Midnight Flyer", as duas últimas com a participação de Jackson Browne no violão.

Seals & Crofts *

A dupla James "Jim" Seals e Darrel "Dash" Crofts, conhecidos como Seals & Crofts veio ao palco sobre o sucesso da balada "Summer Breeze", presente no álbum de mesmo nome, e que havia sido lançado em 1972. Além disso, o álbum seguinte, Diamond Girl, atingiu a quarta posição na parada geral da Billboard, e obviamente, os americanos não iam perder a oportunidade de venerar um de seus maiores triunfos. "Ruby Jean & Billy Lee", "Hummingbird" e "Standin' on a Mountain Top" foram alguns dos sucessos que a dupla apresentou aos fãs no início da tarde do dia 06.

Black Oak Arkansas *

Por fim, o  último grupo americano a pisar no palco do arco-íris foi o Black Oak Arkansas. Liderados por Jim "Dandy" Mangrum, pelo excelente baixista Pat Daugherty, e apoiados no seu maior sucesso comercial, o álbum High on the Hog (1973), o sexteto apresentou seu Southern Rock para uma Ontario Speedway praticamente lotada, recebendo a maior ovação do festival até então, destacando a arrepiante "Mutants of the Monter" e a agitada "When Electricty Came to Arkansas", com a plateia acompanhando toda a abertura da canção com palmas, e Mangrum detonando suas unhas em um instrumento percussivo, deixando o palco para os três grandes britânicos pudessem desfilar sobre o mesmo.

Veio o Black Sabbath, o primeiro representante de peso do evento, e com um passado-recente de fazer inveja. O grupo havia acabado de lançar seu quinto álbum Sabbath Bloody Sabbath, cuja turnê havia iniciado em dezembro de 1973, devendo durar apenas dois meses, já que o grupo vinha de uma série de cinco grande turnês em menos de quatro anos. Após a turnê, um período de férias estava programado, mas o empresário Patrick Meehan acabou violando o acordo que fez com o grupo, e assinou o contrato para os ingleses participarem do festival.

Black Sabbath *

Tony Iommi, Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Bill Ward interromperam suas férias e partiram para a Califórnia, e colocaram o Ontario Speedway abaixo, ensurdecendo com distorções barulhentas que o público local não estava preparado (por isso que tantas críticas acabaram sendo feitas para a banda posteriormente). "War Pigs", "Paranoid", "Children of the Grave", "Iron Man" e a arrebatadora versão de "Supernaut", com um longo solo de Ward, são alguns dos grandes momentos da apresentação do Black Sabbath.

Tudo corria muito bem no festival, até que às 18:30, os promotores perceberam que o evento iria acabar mais cedo. O sol raiava forte sobre Ontario quando os bastidores começaram a pegar fogo. Sendo uma das atrações principais, o Deep Purple estava programado para entrar no palco às 19:30, já sem nenhuma luz natural, para finalmente o Emerson Lake & Palmer encerrar o festival por volta das 22:00. Porém, como as apresentações anteriores acabaram mais cedo, os promotores tentaram obrigar o grupo a se apresentar antes, ameaçando de diversas formas, inclusive de não pagar o fabuloso cachê de setenta e cinco mil dólares e mais parte de bilheteria, com o total sendo de duzentas mil doletas.

Blackmore, espancando a câmera da ABC com sua Fender

Blackmore recusou na hora, alegando que iria tocar apenas às 19:30. Indignado, o promotor começou a contar até trinta, enquanto Blackmore calmamente afinava sua guitarra. Vendo que não adiantava nada, correu atrás dos demais integrantes, convencendo Lord a tentar falar com Blackmore. Segundo o próprio Blackmore, "Lord veio até a mim e disse para eu ir tocar pelo resto do grupo, e eu prontamente disse que não, e que estava pronto para sair da banda naquele momento".

Parte do que sobrou da guitarra de Blackmore, destruída na câmera da ABC *

No começo da noite outro empresário da ABC foi ao camarim de Blackmore e o convenceu finalmentea  entrar no palco. Com quase meia hora de intervalo, os primeiros acordes de "Burn" soaram nas caixas de som do California Jam, para a maior apresentação da carreira do Deep Purple, seguidos de "Might Just Take Your Life", "Lay Down Stay Down" e uma divina interpretação para "Mistreated". O que se viu no palco depois disso foi uma das mais eletrizantes, e com certeza, o mais incendiário show da carreira da banda.

A primeira explosão do amplificador de Blackmore

"Smoke on the Water" e "You Fool No One" rolaram com muita intensidade e solos individuais, com Hughes parecendo estar tocando no Deep Purple desde pequeno, totalmente seguro e magistral, e Coverdale esbanjando simpatia e voz. Porém, foi em "Space Truckin'" que o mundo veio abaixo. Blackmore, que ainda não havia esquecido o ocorrido minutos antes, pôde demonstrar a raiva que se acumulou contra a ABC durante o show, principalmente pelo fato de a emissora ter colocado um cinegrafista muito perto do local aonde o guitarrista estava, deixando-o praticamente sem condições de se movimentar pelo palco, e também bloqueando a visão do público.

A segunda (e mais forte) explosão do amplificador de Blackmore

Durante o êxtase final de "Space Truckin'", com Blackmore solando tudo o que podia, o momento esperado pelos agentes e público começou a ocorrer. A Fender negra de Blackmore começou a voar pelo palco, até cair no chão e ser golpeada pelo guitarrista diversas vezes. Lembrando-se das palavras do produtor de "favorecer as câmeras", Blackmore retirou a guitarra do chão e levou-a direto à câmera do cinegrafista que estava ao seu lado durante todo o evento, destruindo a guitarra e o equipamento da ABC.

Não satisfeito, Blackmore ainda fez mais. Ele já havia planejado uma grande explosão para encerrar o show, e pediu para que alguns litros de gasolina fossem colocados em um amplificador de 450 watts que estava no fundo do palco. Os roadies exageraram na dose e, com Hughes, Lord e Paice mandando ver na sonoridade de "Space Truckin'", e com os produtores da ABC de queixo caído vendo um equipamento completo ser destruído ao vivo e a cores, uma enorme explosão ocorreu, atingindo fortemente Paice e jogando Blackmore para a frente do palco, causando uma experiência visual chocante até os dias de hoje. Até mesmo Hughes, que estava do outro lado do palco, acabou sofrendo algumas lesões por causa da explosão. Novamente, Blackmore cita que "não queria ter feito nada daquilo, eu queria apenas matar o cidadão que ficou contando até 30 para mim. Se ele estivesse por perto, vocês não iriam ver apenas uma câmera quebrada, mas sim um cara morto".

Emerson, Lake & Palmer

Após a insana apresentação do Deep Purple, Keith Emerson (teclados), Greg Lake (baixo, vocais) e Carl Palmer (bateria) subiram ao palco do California Jam para encerrar o festival com um espetacular show, que conseguiu abafar (temporariamente) o que Blackmore e cia. haviam feito minutos antes. A turnê de Brain Salad Surgery (1973) estava sendo aclamada por todos os que o assistiam, não só pela parte musical, mas também pela parte visual, já que Lake utilizava uma guitarra de dois braços para interpretar a suíte "Karn Evil 9", Palmer estava com um kit monstruoso e Emerson tocava em um piano que rodava verticalmente 360°, algo inédito até então.

O show, assim como do Deep Purple e do Black Sabbath, entrou para o hall dos melhores shows que o rock progressivo já viu. Apesar de Lake não levar ao palco sua guitarra de dois braços, o trio mandou ver em interpretações únicas para "Tocatta", "Tarkus" e "Hoedown". Durante o solo de piano de Emerson, o famoso spin vertical ocorreu, abrindo a boca de todos os presentes, e o espetáculo foi concluído com uma magistral apresentação na íntegra das três impressões de "Karn Evil 9", contando com um robô computador fazendo as vocalizações da terceira e última impressão. Ainda houve tempo para a plateia pedir bis, e o grupo, no improviso, apresentar uma versão simplificada de "Pictures at an Exhibition", encerrando mais um grande festival já organizado nos Estados Unidos.

Após o festival, os produtores da ABC receberam uma carta conciliatória dos empresários do Deep Purple, onde comprometiam-se a pagar todos os danos causados pela apresentação da banda, que no total foram de oito mil dólares. A apresentação do Purple foi lançada anos depois no CD e DVD California Jam. A sequência da destruição da guitarra foi registrada em diversas fotos que aparecem na capa interna da coletânea Anthology, sendo a capa da mesma o exato momento onde ocorre a explosão do amplificador.

Livro sobre a participação do Deep Purple no California Jam

Recentemente (2012), foi lançado o livro Deep Purple California Jam Photo Biography, em três diferentes formatos (completo + autografado , completo + vinil e completo), trazendo fotos exclusivas, bem como uma imitação de um pedaço da guitarra quebrada por Blackmore, livro este que já está fora de catálogo, mas que vale a citação para quem busca por raridades e produtos exclusivos.

Após a passagem explosiva do Deep Purple na América, o grupo retornou para a Inglaterra no dia 18 de abril, fazendo shows até o final de maio. Após um mês de descanso, onde alguns projetos solos foram realizados e inclusive uma operação de apendicite por parte de Lord, bem como o processo de divórcio de Blackmore, voltam para os ensaios no Clearwell Castle, e a gravação do segundo álbum com a já consolidada Mark III começam em agosto, ao mesmo tempo que algumas apresentações ocorrem na América tendo a banda ELF (de Ronnie James Dio) como abertura.

Como Blackmore estava emocionalmente abalado com sua separação, Hughes e Coverdale tiveram a oportunidade de colocar as mangas de fora na produção das canções, tornando o som da banda ainda mais dançante. Em novembro de 1974 chegava às lojas aquele que para mim é o melhor trabalho do Deep Purple. Stormbringer trazia uma sonoridade totalmente diferente do que já havia sido feito na história do grupo. Hughes e Coverdale mostraram que, em pouco tempo à frente de uma grande banda, tinham caráter e potencial para serem grandes estrelas.

Cartaz promocional do evento

Os demais participantes do California Jam seguiram suas carreiras, com exceção do trio Emerson Lake & Palmer, que entrou em um longo retiro de férias, voltando aos estúdios somente em 1977, com o álbum The Works.

Um ano depois ocorreu a segunda edição do California Jam, tendo como atrações Aerosmith, Bob Welch, Dave Mason, Foreigner, Frank Marino & Mahogany Rush, Heart, Rubicon, Santana e Ted Nugent. Desta feita, trezentas mil pessoas lotaram o mesmo local aonde, quatro anos antes, Ritchie Blackmore quase colocou tudo a perder, e até hoje, quando fecha os olhos, o guitarrista lembra da imagem do camera-men sendo espancado por sua guitarra, e do som das caixas de som explodindo atrás de seus ouvidos.

* As imagens com este símbolo foram retiradas da página oficial do California Jam Fan Club no facebook.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...