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sábado, 4 de maio de 2013

Consultoria do Rock Apresenta: A Psicodelia Californiana (Parte I)



A Califórnia é um dos estados mais promissores em termos de música. De lá, saíram gigantes como Beach Boys, Frank Zappa, The Doors, Sly & The Family Stone e Slayer, citando cinco diferentes estilos em que a cena californiana é indiscutivelmente vital para consolidação do mesmo. No período entre 1965 e 1968, o estado viveu um extase lisérgico, guiado pelo LSD, pelos hippies e pelo surgimento de inúmeras bandas, que misturavam os elementos do Paz e Amor com o ácido em sons únicos, viajantes, que caracterizam o que hoje é conhecido como a Geração Psicodélica da Califórnia. Depois, entre 1969 e 1972, vieram outras bandas, com a mesma proposta (e talvez até mais viajante) mas que, com a decadência do movimento flower-power, acabaram não fazendo tanto sucesso, sendo relegadas (em sua maioria) à obscuridão.

O Consultoria do Rock Apresenta portanto a Psicodelia Californiana, e nesta primeira parte, traz algumas das principais bandas do estilo na sua primeira geração, através de duas canções de cada grupo, uma mais conhecida e outra nem tanto, mas representativas do estilo que marcou o final da década de 60 em todo o mundo. A segunda parte, daqui há um mês, explorará a segunda geração de psicodelia, mantendo o mesmo formato.

01. "White Rabbit" - Jefferson Airplane: o grupo que mais divulgou o som psicodélico para o mundo abre este programa com sua mais clássica canção. Apesar de não ser exatamente detentora do estilo que o Jefferson Airplane fazia, "White Rabbit" é um Ácido Trifluorometanosulfonico lançada no segundo disco do grupo, Surrealistic Pillow, o qual é um dos mais vendidos na história da música, tendo atingido a terceira posição em vendas nas paradas americanas. Até hoje ela é associada ao mundo flower power tanto em filmes como propagandas ou desenhos que falam sobre o assunto, sendo o maior símbolo musical que a Psicodelia Californiana pariu!
02. "We Can Be Together" - Jefferson Airplane: faixa de abertura do quinto LP do grupo, Volunteers, lançado em 1969, está é mais representativa do que era a potência ácida vinda do Airplane. Vocalizações perfeitas, guitarras ensandecidas e muita potência exalando de uma cozinha fantástica no baixo e na bateria, além de uma letra-manifesto que é válida ainda para os dias de hoje. Mais flower-power (e Ácido  Fluorossulfúrico) e psicodélico impossível!
03. "Sitting by the Window" - Moby Grape: um dos maiores clássicos psicodélicos da Califórnia, gravado pelo grupo mais conturbado da Califórnia. O Moby Grape teve importância para a psicodelia principalmente pelo seu essencial álbum de estreia, lançado em 1967 e com nada mais nada menos do que dez singles lançados no mercado. Lembrando que as origens do grupo está justamente no Jefferson Airplane, já que o fundador do Grape, o guitarrista Skip Spence, era baterista do grupo que abriu esse programa. Ácido Sulfúrico para não se botar defeito.
04. "Miller's Blues" - Moby Grape: e quem disse que na psicodelia não podia haver blues? O Moby Grape faz estripulias mágicas com estilo nessa rara faixa do segundo álbum do grupo, lançado em 1968. Basta as notas da guitarra invadirem seu quarto para sermos entorpecidos por um Ácido Fluorossulfúrico em uma performance incírvel.
05. "Born Cross Eyed" - Grateful Dead: se houve um grupo californiano que conseguiu sobreviver pós-geração flower-power, este grupo foi o Grateful Dead. Liderados pelo guitarrista Jerry Garcia, o grupo lançou álbuns regularmente até os anos 90. "Born Cross-Eyed" encerra o lado A do segundo álbum do grupo como um Ácido Hidrofluórico, misturando metais, guitarra carregada de distorção e o órgão comendo solto, além de vocalizações arrepiantes. O encerramento dessa curta faixa explica sua inclusão, com barulhos indecifráveis.

06. "Viola Lee Blues" - Grateful Dead: lançada no álbum de estreia do Dead, em 1967, "Viola Lee Blues" mostra toda a ginga que consolidou o grupo para a eternidade, lotando shows e sendo uma das bandas que mais vendeu dentro dos Estados Unidos. Longas improvisações de guitarra e o órgão sacolejante, quase como um boogie, marcam essa genial peça musical, com lisérgicos dez minutos de duração de um Ácido Sulfúrico.

07. "Caterpillar" - Big Brother & The Holding Company: se o mundo conheceu Janis Joplin, a culpa foi da psicodelia californiana. Janis era a representação feminina do movimento hippie, e ao lado da Big Brother & The Holding Company, fez com que o estilo gravasse seu nome nos ballrooms californianos como o Winterland ou o Fillmore. "Caterpillar", um Ácido Hidrofluórico, está no álbum de estreia do grupo, também de 1967, e mostra a irreverência e alegria desses jovens e talentosos músicos, em um álbum menosprezado e desconhecido da maioria dos fãs por que houve um disco no ano seguinte que marcou para sempre a história de Janis, da psicodelia e do mundo, Cheap Thrills.

08 "Ball and Chain" - Big Brother & The Holding Company: foi no Festival de Monterey, em 1967, que a psicodelia californiana veio realmente ao mundo, e também ícones como "Ball and Chain" na versão da Big Brother. Cover para o blues alegre de Big Mama Thorton, é nela que Janis e cia. exalam toda sua lisergia, com a guitarra de James Gurley respigando Ácido Fluorantimônico (o mais forte dos ácidos) em seus ouvidos, nos dez minutos mais entorpecentes de sua vida, registrados no magistral Cheap Thrills, o mais vendido disco da história da Califórnia, primeiro lugar nas paradas americanas e com mais de 5 milhões de álbuns ao redor do mundo.

09. "Mona" - Quicksilver Messenger Service: este é um dos grupos mais injustiçados da história do flower power. O Quicksilver tinha nas guitarras John Cipollina, o homem que posteriormente veio a ser chamado de "O Responsável pelo Som da Califórnia", e nas suas canções, uma maravilhosa mistura de blues com lisergia. "Mona" é uma de suas canções mais conhecidas, um Ácido Hidrofluórico tendo essa guitarra com destaque, com o wah-wah comendo solto entre uma marcação hipnotizante de piano, baixo e bateria, algo que somente o Quicksilver conseguia fazer. Foi lançada no essencial segundo disco do grupo, o ao vivo Happy Trails (1969) .

10. "The Fool" - Quicksilver Messenger Service: a estreia do Quicksilver Messenger Service foi em 1968, com o álbum homônimo que encerra com essa enlouquecedora faixa, que mistura guitarra, viola e percussão em uma performance rara. Depois de seus mais de doze chapantes minutos de duração, carregados pela lisergia da guitarra de Cippolina, você certamente irá ver sapos pulando pelo seu quarto enquanto elefantes cor de rosa sobrevoam sua cama. Ácido Fluoroantimônico, e dos bons!

11. "When the Music's Over" - The Doors: para muitos, essa é a banda que realmente representa a Psicodelia Californiana. Isso claro, graças as letras de Jim Morrison, e ao órgão de Ray Manzarek. Porém, o The Doors estava longe de ser uma banda que realmente levasse a psicodelia a sério. Na verdade, o grupo fez raras incursões nesse mundo, e uma delas foi "When the Music's Over", que encerra o segundo disco do grupo (o ótimo Strange Days, de 1968) e que conta com todas as características do "Som da Califórnia", com a guitarra de Robbie Krieger cheia de distorção e viajantes onze minutos de duração. Mais Ácido Fluoroantimônico nas nossas cacholas.

12. "The End" - The Doors: esse programa encerra-se com um Ácido Trifluorometanosulfonico que viciou (e ainda vicia) muita gente com o passar dos anos. Assim como "White Rabbit", "The End" aparece em quase tudo que faz citação ao movimento flower power e a lisergia. Canção que encerra o álbum de estreia do grupo, de 1967, ela tem em sua introdução o mais importante riff que a lisérgica cena da Califórnia criou, e uma das letras mais bonitas (e bizarras) que Jim Morrison escreveu. Um atestado que, apesar de ser um porra-louca, quando queria Jim podia ser gênio.

No próximo Consultoria Apresenta, destacaremos os geniais Captain Beefheart, Country Joe, Carlos Santana e Frank Zappa, interpretando psicodélicas canções com suas respectivas bandas (Captain Beefheart Band, Country Joe & The Fish, Santana e a Mothers of Invention), além de apresentar os obscuros, mas também geniais, The Loading Zone, Iron Butterfly e It's a Beautiful Day.
Tutorial:

Classificação dos ácidos conforme seu poder de corrosão:
1 - Fluoroantimônico
2 - Trifluorometanosulfonico
3 - Fluorossulfúrico
4 - Sulfúrico
5 - Hidrofluórico

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Podcast Grandes Nomes do Rock #18: Robert Johnson



Por Mairon Machado (Publicado originalmente no blog Consultoria do Rock)

O Podcast Grandes Nomes do Rock dessa semana é mais que especial, comemorando os 100 anos de nascimento do avô do rock, Robert Johnson. Para homenagear essa figura mais que especial não só na história do rock, como do blues e da música em geral, apresentamos um especial de uma hora e meia narrando a história de Johnson, bem como canções interpretadas por ele e diversos artistas famosos o homenageando através de recriações de seus clássicos do blues. Separe o uísque e saboreie cada canção.




Robert Leroy Johnson supostamente nasceu no dia 08 de maio de 1911, na cidade de Hazlehurst, Mississippi. Pouco se sabe sobre a vida de Robert Johnson, mas das informações registradas, essa parece realmente ter sido a data em que ele veio ao mundo, filho de Julia Major Dodds e de Noah Johnson. Julia era esposa de Charles Dodds, um próspero propietário de terras e também especialista em fabricação de móveis, com quem ela teve 10 filhos.

Problemas de terras entre brancos e negros acabaram fazendo com que Dodds fosse forçado a abandonar Hazlehurst com medo de ser linchado por outros proprietários de terra e também pelos seus funcionários, e assim, partir com seus filhos e a esposa, que já estava grávida de Noah Johnson, um dos empregados de Dodds.

Julia acabou saindo primeiro, pouco depois de dar a luz a Robert Johnson. Quando o garoto completou dois anos, foi enviado para viver com Dodds, que mudou de nome para Charles Spencer, em Memphis.
Raríssima imagem de Johnson



Por volta de 1919, Robert re-encontrou sua mãe entre as cidades de Tunica e Robinsonville, ambas no Mississippi. O novo marido de Julia era um jovem conhecido como Dusty Willis, e logo os moradores do local passaram a chamar Robert de "Pequeno Robert Dusty", mas seu nome de batismo (até então) era Robert Spencer, vivendo por um curto tempo do ano de 1920 na cidade de Lucas, Arkansas. Depois, Robert ingressou nos estudos, e entre 1924 e 1927, desenvolveu uma boa educação para um garoto que nasceu nos subúrbios do país. Foi nesse período que começou a se interessar por música, aprendendo gaita harmônica e também um estranho instrumento conhecido como jaw harp.

Após sair da escola, com 16 anos, Robert adotou o sobrenome de seu pai biológico, e assim, passou a ser conhecido como Robert Johnson, que é quando casa-se com uma jovem de 16 anos chamada Virginia Travis. Essa garota estava grávida de Robert, e acabou falecendo logo após dar a luz ao bebê.

A morte de Virginia é um dos primeiros fatos que são associados a um importante momento que, segundo os que acompanharam a carreira de Robert, modificou a vida do cantor, e tornou ele o primeiro astro da história da música moderna, vindo posteriormente a ser considerado o avô do rock. Em busca do sucesso através da música, Robert teria ido para uma encruzilhada, e nela, feito um pacto com o demônio, vendendo a alma de sua esposa e posteriormente a sua. Esse mito foi adotado também por Robert, que via na história uma boa oportunidade para tornar-se famoso.

Uma das raras fotos de Johnson
O fato é que depois da morte de sua esposa, um conhecido cantor de blues, chamado Eddie James Son House Jr, ou apenas Son House, chegava em Robinsonville para viver ao lado do parceiro musical Willie Brown. Son registrou que Robert chamava a atenção tocando harmônica pelas ruas da cidade, e tentando tocar violão, era terrível.

Robert deixou Robinsonville e foi para Martinsville, próximo a sua cidade natal, possivelmente em busca de seu pai-biológico. Lá, começou a aperfeiçoar-se no violão, tendo aula com os irmãos Ike e Herman Zimmerman. Segundo Ike, Robert aprendeu a tocar violão naturalmente, principalmente quando visitava cemitérios exatamente à meia-noite. Robert voltou para Robinsonville e miraculosamente havia se tornando um virtuose no instrumento, o que foi confirmado em  uma famosa entrevista de House contando seus dias ao lado de Johnson.

Ainda em Martinsville, Johnson teve outro filho, agora com Vergie Mae Smith. Em maio de 1931, casou-se com Caletta Craft, e o casal mudou-se para Clarksdale em 1932, onde Robert abandonou a esposa para seguir carreira como músico itinerante.

A partir de então, Robert passou a mudar de cidade como que mudava de roupa, passando por Memphis, Helena, Arkansas e pequenas cidades do Delta do Mississippi. Um dos músicos que acompanhou um pouco da trajetória de Johnson nessa época foi Johnny Shines, que esteve com o blueseiro em Chicago, Texas, Nova Iorque, Kentucky, Indiana e cidades do Canadá. Em muitos lugares,  Johnson encontrava algum parente (lembrando que tinha 10 irmãos), e acabava ficando instalado na casa do cidadão por algumas semanas. Outro músico que também esteve constante foi Robert Lockwood. Porém, as histórias contadas por cada músico as vezes soam contraditórias, ficando a dúvida se o que aconteceu é real ou apenas invenções para aumentar ainda mais o mito em cima do nome Robert Johnson.

Apesar de nunca mais ter se casado, foi nessas andanças que suas relações sexuais se tornaram famosas, principalmente "consolando" esposas frustradas. Dentre elas, a mais famosa é Estella Coleman, mãe do músico Robert Lockwood Jr. Outro fato marcante desse período é que Johnson adotava sempre um nome diferente quando chegava em uma nova cidade, fazendo com que depois, quem o procurasse pelo nome que ele dava, dificilmente o encontraria.

Selo do LP 78 rpm com "32-20 Blues"
Além disso, a primeira coisa que fazia era procurar uma barbearia ou restaurante, indo para a frente do mesmo e tocando blues através de sua gaita e violão. Muitos são os que viram Johnson se apresentando nas esquinas de diferentes cidades, entoando não suas complexas e sombrias letras que hoje muitos admiram, mas sim, satisfazendo a audiência com pedidos de canções clássicas da época, não necessariamente apenas blues.

A incrível habilidade de tocar canções que nunca tinha ouvido na primeira audição dava a possibilidade de Johnson tocar qualquer estilo, aumentando a fama do blueseiro, que assim como conquistava seguidores, afastava-se rapidamente da cidade, geralmente por estar envolvido com alguma esposa infiel.

Por volta de 1936, Robert procurou H. C. Speir, um famoso produtor de Jackson, no Mississippi, que possuia uma loja e também contatos com gravadoras. Através dele, Johnson chegou a Ernie Oertle. Oertle ofereceu algumas horas de gravação na cidade de San Antonio, no Texas, o que ocorreu nodia 23 de novembro de 1936, no quarto 414 do Hotel Gunter, local onde a Brunswick Records possuía um pequeno estúdio. Neste dia, foram registradas as seguintes canções: "Kind Hearted Woman Blues", "I Believe I'll Dust My Broom", "Sweet Home Chicago", "Ramblin' on My Mind", "When You Got a Good Friend" e "Come On in My Kitchen".

LP 78 rpm de "Sweet Home Chicago"
Como era a primeira vez de Johnson em um estúdio de gravação, ele mostrou-se surpreendentemente envergonhado, recusando-se a cantar de frente para os assistentes de gravação. A solução encontrada foi Robert virar-se com a face voltada para a parada, e assim cantar suas canções.

Depois, outras duas sessões foram realizadas, nos dias 26 e 27 de novembro, com Johnson gravando no total 16 canções e alguns takes extras para determinadas canções.

Selo do LP 78 rpm de "Terraplane Blues"


"Terraplane Blues" e "Last Fair Deal Gone Down" foram lançadas em um compacto de 78 rpm, com a primeira vendendo mais de cinco mil cópias. Em 37, Johnson viajou para Dallas para mais uma sessão de gravações para a Brunswick, agora no prédio da gravadora, na 508 Park Avenue, onde foram registradas mais 11 canções e dois takes extras. 6 dessas canções saíram em vinis de 78 rpm batizados de Race Records, através do selo Vocalion, os quais apresentavam apenas músicos negros tocando jazz, gospel, blues e canções africanas. Essas gravações podem, por exemplo, serem encontradas na incrível caixa Complete Masters, lançada recentemente em tiragem limitada de 1.000 cópias, em comemoração aos 100 anos de Johnson, e que traz 12 LPs réplicas dos originais da Vocalion, mais 1 DVD e 1 CD.


Incrível caixa Complete Masters

Johnson faleceu em 16 de agosto de 1938, com apenas 27 anos, na cidade de Greenwood, Mississippi. Nos últimos dias de vida, ele manteve-se tocando em um bar localizado a 24 km de Greenwood. A causa de sua morte é repleta de mistério e teorias diferentes. A mais aceita é a de que Robert começou a flertar com a esposa do proprietário do local onde estava trabalhando. Insatisfeito com a paixão da esposa pelo músico, o marido traído ofereceu uma garrafa de uísque para Johnson. A garrafa além do uísque, continha também veneno. Após beber o uísque, Johnson começou a passar mal, e ficou em estado deplorável durante três dias, falecendo com convulsões e muitas dores, uma característica forte de envenenamento por estriquinina. Mesmo assim, não é senso comum se a morte de Robert ocorreu por envenenamento, ainda mais depois de diversos médicos e especialistas provarem que se isso fosse para ocorrer, teria que ter sido horas depois, e não três dias como foi no caso de Johnson.

Sonny Boy Williamson, outro grande nome do blues que conviveu com Johnson, alertava-o de "jamais beber algo de uma garrafa que já estivesse aberta", mas Johnson respondia com a frase "nunca coloque uma garrafa na minha mão".

A encruzilhada onde o pacto com o demônio teria ocorrido.
Se não foi envenenamento, a morte de Johnson só pode ter sido provocada por outra coisa. No caso, a primeira e mais famosa teoria conspiratória da história do rock, o pacto com o demônio feito pelo músico ainda jovem. Vivendo nas plantações rurais do Mississippi, Johnson começou a despertar o interesse por conseguir fama, dinheiro e sucesso através da música.

Através de alguns contatos com pessoas mais experientes, ele foi instruído para ir a uma encruzilhada próximo a plantação de Dockery, exatamente a meia-noite. Lá, ele encontraria um grande homem negro, o coisa-ruim, que pegaria o violão do garoto e o afinaria, tocando algumas canções e devolvendo o instrumento para Robert, passando assim maestria e excelência ao violão para o ainda principiante músico. Em consequência, Johnson doava a sua alma e de alguns entes mais próximos ao coisa-ruim, fazendo então, um pacto com o demônio.

Cenotáfio na Igreja de Mount Zion
Com o passar dos anos, essa lenda foi ganhando ainda mais força, sendo narrada ainda quando Johnson estava vivo e também por amigos próximos. Existe uma forte incerteza de qual encruzilhada o pacto ter sido firmado, e se é que fora em uma encruzilhada, não em um cemitério, como outros alegam, lembrando o fato de que Johnson ia exatamente à meia-noite para os cemitérios para aprender seu instrumento (o que é consenso geral ser verdadeiro).

A localização precisa de seu túmulo também é algo de grande incerteza. Três marcadores foram construídos nos locais onde alega-se que o corpo foi enterrado: o primeiro deles no cemitério Mount Zion da Igreja Batista Missionária, próximo a cidade de Morgan City, onde existe um cenotáfio de uma tonelada erguido na forma de um obelisco, listando todas as canções gravadas por Johnson, sendo colocado lá através da Columbia Records.


Um pequeno marcador com o epitáfio "Descanse no Blues" foi colocado no cemitério da capela Payne, em Quito, Mississippi, pelo próprio proprietário do local e mais recentemente, fontes indicam que Johnson está enterrado em um cemitério na Igreja Little Zion, no norte de Greenwood.

Pedra na capela Payne

O fato é que Robert Johnson acabou se tornando a primeira lenda do rock, já que suas raízes bluesísticas influenciaram diversos artistas como Muddy Waters, Samuel Charters, Buddy Guy, Albert Collins, Willie Dixon, B. B. King entre outros, tinham no nome do músico como O CARA dentre todos os músicos. Todos esses cantores de blues acabaram sendo a fonte de inspiração para o nascimento de bandas como Yardbirds, Rolling Stones, Beatles, Animals e ainda Led Zeppelin, Cream, Bluesbreakers, Black Sabbath, Jimi Hendrix Experience, Allman Brothers, Canned Heat, Grateful Dead, The Who, Deep Purple entre outros, além de músicos famosos como Elvis Presley, Little Richard, Chuck Berry e Jerry Lee Lewis. Sendo os últimos considerados os "pais do rock", logo o título de "avô do rock" foi dado para Robert Johnson.

Através dos anos, diversas foram as coletâneas que relançaram o material gravado por Johnson em diversos formatos, contando a história do músico e também adicionando depoimentos de artistas famosos em homenagem a ele, destacando-se King of the Delta Blues Singers (1961), King of the Delta Blues Singers vol. II  (1970) e a caixa The Complete Recordings (1990), com o nome Robert Johnson sendo hoje reconhecido mundialmente como um dos mais importantes músicos da história, eleito o quinto melhor guitarrista de todos os tempos pela revista Rolling Stone, ficando atrás apenas de Jimi Hendrix, Duane Allman, B. B. King e Eric Clapton, todos os quais, de uma forma ou outra, prestaram sua homeagem a este incrível e talentoso músico, que deixou a terra cedo, mas ainda vive entre nós até os dias de hoje.




Três importantes registros trazendo a obra de Robert Johnson
Track list Podcast # 17: Mutantes

Bloco 01
Abertura: Saravah [do álbum Tecnicolor - 2000]
"Trem Fantasma" [do álbum Os Mutantes - 1968]
"Qualquer Bobagem" [do álbum Mutantes - 1969]
"O Meu Refrigerador Não Funciona" [do álbum A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado - 1970]
"It's Very Nice pra Xuxu" [do álbum Jardim Elétrico - 1971]

Bloco 02
Abertura: "Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe, Desde que Eu Tenha o Meu Rock and Roll" [do álbum Mutantes e seus Cometas no País dos Bauretz - 1972]
"O Suicida" [do compacto O Suicida / Apocalypse - 1966 (O'Seis)]
"Domingo no Parque" [da apresentação no III Festival da Música Popular Brasileira - 1967 (Gilberto Gil)]
"Marcianita" [do compacto A Voz do Morto/Baby/Marcianita/Saudosismo - 1968 (Caetano Veloso)]
"Superfície do Planeta" [do álbum Hoje é o Primeiro Dia do Resto das Suas Vidas - 1972 (Rita Lee)]

Bloco 03
Abertura: "Panis et Circensis" [da apresentação na TV Cultura - 1969]
"Mutantes e seus Cometas no País dos Bauretz" [do álbum Mutantes e seus Cometas no País dos Bauretz - 1972]
"Mande um Abraço pra Velha" [do álbum Os Grandes Sucessos do FIC - 1972]
"Hey Joe" [do álbum O A E O Z - 1992]
"Arena" [do bootleg Ribeirão Preto - 1978]

Bloco 04
Abertura: "Rock 'n' Roll City" [do álbum Ao Vivo - 1976]
"Veludeando" [do álbum Veludo Ao Vivo - 1975 (Veludo Elétrico)]
"Czardas" [do compacto Era um Garoto que Como eu Amava os Beatles e os Rolling Stones / Czardas - 1966 (Os Incríveis)]
"O Beco" [do álbum Ao Vivo - 1989 (Ney Matogrosso)]
"Brazilian New Wave" [do álbum Jazz Mania Live - 1986 (Sérgio Dias)]
"(Tico-Tico) Com a Boca no Mundo" [do álbum Entradas & Bandeiras - 1976 (Rita Lee)]
"Imagino a Minha Morte" [do bootleg Vice-Versa Studio - 1977 (Arnaldo Baptista)]

Encerramento: "Gopala Khrishna Om" [do álbum Haih ... or Amortecedor - 2009]
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