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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Tommy Bolin - The Ultimate Bolin [1989]




Na segunda metadade dos anos 80, surgiram no mercado os boxes de vinis e CDs com raridades de diversos artistas. Bob Dylan, Eric Clapton, Bruce Springsteen, entre outros, tiveram seus boxes lançados. Há algum tempo inclusive tratei aqui do box 20 Years of Jethro Tull, que traz diversas preciosidades do grupo comandado por Ian Anderson. Hoje, venho resgatar o excelente The Ultimate Bolin, um box de três vinis (ou dois CDs, ou dois K7s) que faz uma justa lembrança para este que é considerado por mim um dos maiores guitarristas da história.

Sem perder muito tempo contando quem foi Tommy Bolin (para isto deixo este texto que fiz quando dos 35 anos de sua morte, ainda jovem, com apenas 25 anos, e esta lista de Cinco Discos Para Conhecer o músico), basta lembrar que ele substitui nada mais nada menos que Joe Walsh na James Gang e Ritchie Blackmore no Deep Purple, isso com apenas 22 e 24 anos respectivamente. Além disso, o cara fez parte das trupês dos bateras Alphonse Mouzon e Billy Cobham, simplesmente dois dos maiores nomes do instrumento na história do jazz. Um cara que passeava do jazz ao rock, do blues ao country, com uma naturalidade única, e The Ultimate Bolin faz um excelente apanhado da breve mas gloriosa 9e repleta de excelentes composições) carreira do americano, que completaria 71 anos no último dia 01 de agosto.
Capa do encarte

Tratarei aqui da versão vinílica do box. O vinil 1 concentra-se na fase inicial da carreira de Bolin. O Lado A traz três canções juntos da Zephyr, bandaça da Califórnia que revelou o menino ao mundo, e DEVE ser conhecida por todos os que gostam de boa música. O destaque não é só para a participação de Bolin, mas também para as magistrais interpretações vocais de Candy Givens, principalmente na baladaça "Sail On" (do álbum Zephyr), que lembra bastante os modos da versão de "With A Little Helo From My Friends" de Joe Cocker, mas com uma virada Purpleana para matar a pau, principalmente por conta do órgão matador de John Faris, com Bolin se apresentando ao mundo em um solo jazzístico igualmente matador. Tem também "Cross The River" (de Zephyr), paulada hippie para ninguém botar defeito (e dê-lhe Candy gastando a voz) com outro grande solo de Bolin, saindo do hard para o jazz com muita naturalidade. Seu duelo com os vocais de Givens, enquanto uma flauta diabólica surge entre eles, é sensacional. É impressionante como ainda menino, com apenas 20, 21 anos, Bolin já solava como gente grande, e criava riffs / melodias memoráveis. Por fim, "See My People Come Together" (do álbum Going Back To Colorado) tem um tempero ácido muito bem vindo durante a audição, e mais uma vez, palmas para as vocalizações de Candy e para o solo de Bolin.

O Lado B apresenta mais uma canção da Zephyr, a sensacional "Showbizzy" (de Going Back To Colorado), com outra magistral interpretação de Candy, lembrando muito Janis Joplin, e então passamos para a James Gang, que como citado acima, é a banda onde Bolin teve a difícil tarefa de substituir o substituto de James Walsh. São três canções deste período fantástico: a linda "Alexis" (de Bang), com a voz delicada de Bolin derretendo calcinhas mundo à fora, os geniais efeitos na guitarra de "Standing In the Rain" (também de Bang) e "Spanish Lover (de Miami), outra que calcinhas (e até cuecas) irão derreter. É incrível como Bolin chegou chegando ao James Gang (ele logo de cara compôs 8 das 9 canções do álbum de estreia na banda, Bang), e essas três canções são muito representativas do poder de fogo que o cara exalava não só de sua guitarra, mas também de sua magnífica voz. 

O bebê Bolin no livreto de The Ultimate Bolin

O disco 2 traz as participações especiais de Bolin em álbuns de outros artistas, e também entra junto com ele em Come Taste the Band (único disco que Bolin gravou no Purple, registrado em 1975). Porém, o Lado C abre com uma pancada dos tempos da James Gang "Do It" (de Miami), na qual o magistral solo de encerramento de Bolin certamente está entre um dos melhores de sua carreira. O que o guri faz na guitarra aqui, despejando peso, velocidade e rifferama, é para poucos. A Pancadaria come solta na locomotiva sonora de "Quadrant 4", faixa mágica registrada no essencial Spectrum do batera Billy Cobham, com um show a parte de Cobham e do tecladista Jan Hammer (que time!) na introdução, e com Bolin apresentando todos os efeitos que vieram a consagrá-lo junto ao Deep Purple. O riffzão e a voz inconfundível de Buddy Caine nos apresentam o blueszaço "Train", de quando Bolin deu sua contribuição no maravilhoso álbum de estreia dos canadenses do Moxy (Moxy, 1975), fazendo um duelo com Caine de arrepiar. Encerra esse lado a embalada "Time To Move On", também do Moxy, para sacudir o esqueleto pela casa. Ouça o solo de Bolin aqui e entenda por que ele foi contratado para substituir Ritchie Blackmore.

O Lado D abre com a participação de Bolin no álbum Mind Transplant, do batera Alphounse Mouzon (1975). Aqui, ele faz a gente viajar na jazzística "Golden Rainbows", fazendo um belo dueto junto do baixista Henry Davis, e arrepiando em um solo veloz e carregado de efeitos, enquanto "Nitroglycerin" é uma faixa explosiva, com uma performance absurda de Mouzon. O Deep Purple de Come Taste the Band surge com os embalos de "Gettin' Tighter" e a dupla "This Time Around / Owed To 'G'", registrada na contra-capa apenas pelo segundo nome (e também indica que é David Coverdale nos vocais), mas que o vinil nos propicia a oportunidade de sermos encantados pela voz de Glenn Hughes em "This Time Around", e quando Bolin começa a solar, a casa cai. Nem preciso comentar muito, já que esta certamente é a canção mais emblemática da carreira de Bolin.


Encarte autografado por Glenn Hughes


O último disco encerra a passagem de Bolin pelo Purple, através de duas canções retiradas do álbum ao vivo Last Concert In Japan (1977), as quais são a sensacional versão de "You Keep On Moving", com o tecladista Jon Lord brilhando, e uma versão matadora para "Wild Dogs", onde novamente podemos comprovar o talento vocal de Bolin. Isso no Lado E, que ainda abre espaço para a carreira solo de Bolin, com "Dreamer" (de Teaser, 1975), balada belíssima levada pelo piano e o sintetizador de David Foster, com mais uma bela interpretação vocal de Bolin.

Já o Lado F é todo dedicado a carreira solo de Bolin, primeiro com a latinidade quase reggae de "People, People" (de Teaser), o boogiezão de "Teaser" (de Teaser), com Bolin brilhando ao slide, aquecendo corações na suave "Sweet Burgundy" (de Private Eyes, 1976) e experimentando com a New Wave em "Shake The Devil" (de Private Eyes). São faixas onde a guitarra de Bolin não é o principal, mas sim seu vocal, o qual aprecio muito. Encerra a caixinha uma faixa inédita, "Brother, Brother", totalmente acústica, com Bolin cantando acompanhado apenas de seu violão, de forma emocionante. 

Acompanha a caixa um livreto de páginas, trazendo a história do guitarrista, bem como depoimentos de Glenn Hughes, Nikki Sixx, Jan Hammer, Carmine Appice, Narada Michael Walden, Bill Graham, Tom Dowd, David Coverdale,  assim como Barb Bolin (mãe do garoto), amigos e parentes que enaltecem não só o talent de Bolin, mas também sua incrível capacidade de conquistar as pessoas (algumas imagens nessa postagem).

Daquelas aquisições que apesar de não trazer muitas novidades para Crackudos de Bolin, serve para mostrar aos que o conhecem apenas por Come Taste The Band quem era realmente o cara que Glenn Hughes e David Coverdale se encantaram, tanto antes quando depois do Purple, mas principalmente, para deixar na prateleira, à disposição de seus ouvidos, uma excelente coletânea de excelentes canções.

As canções de The Ultimate Bolin

Track list

1. Sail On
2. Cross The River
3. See My People Come Together
4. Showbizzy
5. Alexis
6. Standing In The Rain
7. Spanish Lover
8. Do It
9. Quadrant 4
10. Train
11. Time To Move On
12. Golden Rainbows
13. Nitroglycerin
14. Gettin' Tighter
15. Owed To 'G'
16. You Keep On Moving
17. Wild Dogs
18. Dreamer
19. People, People
20. Teaser
21. Sweet Burgundy
22. Shake The Devil
23. Brother, Brother (Previously Unreleased)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Cinco Discos Para Conhecer: Tommy Bolin





Da série "Gênios que nos deixaram cedo demais", esse baita guitarrista só foi ter seu nome realmente reconhecido depois de sua morte, que completou 40 anos no último dia 04 de dezembro. Um braço fenomenal, com obras espetaculares, e que ficou mundialmente famoso por seu único e essencial trabalho com o Deep Purple, Come Taste the Band [1975], bem como por substituir nada mais nada menos que Joe Walsh no grupo James Gang, com quem gravou os também essenciais Bang [1973] e Miami [1974]. Esses álbuns são manjados em muita discografia de roqueiro mundo à fora, e por isso, muitos já conhecem. O que poucos sabem é que são álbuns de uma carreira muito maior, que passeou por diversos estilos principalmente antes de chegar ao Deep Purple.

Sendo assim, o Cinco Discos Para Conhecer de hoje traz algumas das principais e melhores obras de Bolin seja como guitarrista exclusivo ou como convidado, onde os fãs que admiram o trabalho desse incrível artista irão poder deleitar-se com suas marcantes passagens e levadas de guitarra.

Zephyr - Going Back to Colorado [1971]

O grupo americano foi a primeira empreitada grande de Bolin. Este é o segundo disco da banda do casal Givens (David e Candy) com Bolin, sendo um achado setentista, com um som bastante característico do final dos anos 60, início dos anos 70, marcado também pela contribuição de um trio vocal feminino em diversas canções. Temos inspirações southern em "The Radio Song", contando com a importante participação de metais e Candy na harmônica, que também toca o instrumento no ótimo blues southern da faixa-título, onde podemos conferir o slide de Bolin com força, enquanto há presença flower power na delicada "At the Very Moment", na viajante balada "Night Fades Softly", com uma introdução maluquíssima, regada a saxofones e flautas alucinantes, instrumentos que também destacam-se em "Take My Love".  O casal divide os vocais na ótima "Miss Libertine", que junto com "Keep Me", nos permite conferir um pouco de Bolin ao violão. Como ele é o nome a ser exaltado nesse texto, ouça o que ele apresenta nas faixas que criou, com ótimos solos na embalada e pesada "Showbizzy", as notas precisas da sensacional "I'll Be Right Here" e principalmente na fantástica "See My People Come Together", faixa excelente para sair pulando pela casa enquanto aprecia uma lisergia, com flautas arrepiantes e Bolin detonando em solos embasbacantes. Para mim, depois de Come Taste the Band, esse é o principal álbum com a presença de Bolin a ser ouvido para quem quer conhecer o artista, que na sequência, cansou do som do Zephyr e foi criar o Energy, inspirado nas obras de Miles Davis do final dos anos 60.

David Givens (baixo, vocais em 2), Candy Givens (vocais, piano e harmônica), Tommy Bolin (guitarra, guitarra steel, violão, violão de 12 cordas, vibes), John Faris (órgão, piano, saxofone, flauta, vocais em 8), Bobby Berge (bateria)

Participações especiais

Paul Conley - moog em 3

Eddy Kramer - piano, clavinete e percussão

Albertine Robinson, Eileen Gilbert e Tasha Thomas - vocais de apoio

Paul Fleisher - saxofone em 4

Buzzy Linhart - vocais em 4

Gerard "Ginger Face" McMahon - vocalizações

Going Back to Colorado
Miss Libertine
Night Fades Softly
The Radio Song
See My People Come Together
Showbizzy
Keep Me
Take My Love
I'll Be Right There
At This Very Moment

Billy Cobham - Spectrum [1972]

Com apenas vinte e um anos, Bolin chamou a atenção do gigante baterista Billy Cobham através de sua nova banda, e logo foi convidado para participar do super grupo que ele estava montando para o registro de seu primeiro álbum solo. Com boa inspiração na Mahavishnu Orchestra (grupo que Cobham estava tocando ao mesmo momento da gravação desse disco), Spectrum é considerado uma das obras-primas do jazz fusion, e claro, isso se deve não só ao magistral talento de Cobham, mas também ao afiadíssimo estilo de tocar de Bolin, que não se intimidou em tocar ao lado de gigantes como o próprio Cobham, Jan Hammer e Lee Sklar, só para citar alguns. O guitarrista não aparece em todas as faixas, já que a dupla "Searching for the Right Door / Spectrum" é um momento para o solo de Cobham (a primeira) e o desfile de trompete de Jimmy Owens e do piano elétrico de Jan Hammer (a segunda), bem como a outra dupla, "To the Women in My Life / Le Lis", é um espaço latino, destacando Cobham ao piano (a primeira) e um show de flauta, saxofone, moog e congas (a segunda). Mas quando Bolin surge, ele chama as atenções para si. Toda a ousadia do menino pode ser conferida logo de cara, na entusiasmante "Quadrant 4", onde ele arranca uivos cheios de efeitos de sua guitarra. No decorrer do álbum, somos chapados pelo delicioso embalo de "Stratus", cujo solo de Bolin é tão fascinante quanto a levada cadenciada de baixo e bateria mesclada com as apimentadas intervenções do piano elétrico de Hammer, nas notas marcadas da clássica "Taurian Matador", uma das canções mais conhecidas de sua carreira, na qual ele faz um duelo épico e inacreditável com o moog de Jan Hammer, e em "Red Baron", onde Bolin mostra-se ao natural, sem efeitos - com exceção de breves intervenções do slide - e solando de forma singela e com muitas influências do blues em suas escalas. Magnífico álbum, o qual deve estar na cabeceira de qualquer baterista e amante de música.

Billy Cobham (bateria), Jan Hammer (piano elétrico, moog, piano acústico), Tommy Bolin (guitarra em 1, 3, 4 e 6), Lee Sklar (baixo em 1, 3, 4 e 6), Joe Farrell (saxofone soprano, flauta em 2, Alto sax em 5), Jimmy Owens (flugelhorn em 2 e 5, trompete em 5), Ron Carter (baixo acústico em 2 e 5), Ray Barretto (congas em 2 e 5), John Tropea (guitarra em 5)

Quadrant 4
Searching for the Right Door / Spectrum
Anxiety / Taurian Matador
Stratus
To the Women in My Life / Le Lis
Snoopy's Search / Red Baron


Alphonse Mouzon - Mind Transplant [1975]

Esse foi o Anno Mirabilis de Bolin. Nada mais que quatro grandes discos foram lançados com a guitarra de Bolin em 1975, sendo Mind Transplant um álbum fantástico de fusion e muita virtuose. O incrível baterista americano estava em seu terceiro disco, e além de apresentar sua voz na filhote da Sly Stone Family "Some of the Things People Do", faz misérias em seu kit, Afinal, put@ que o pariu, o que é esta introdução de "Ascorbic Acid"?, na qual Mouzon, Bolin e todo o grupo soam como saídos de uma Mahavishnu Orchestra com muito mais velocidade, se é que é possível imaginar isso. Porém, Mouzon não pega as luzes todas para si, e faz com que os demais também brilhem à vontade. Assim, o baixão de Henry Davis destaca-se no swing de "Snow Bound", Lee Tirenour mostra toda sua melodia à guitarra nos embalos de "Happiness is Loving You" e nosso homenageado é o nome principal durante o riffzão da faixa-título, na explosiva "Nitroglycerin", faixa veloz e com mais um show de Mouzon, no endiabrado solo de "Carbon Dioxide" e principalmente, na linda "Golden Rainbows", forte candidata a uma das melhores faixas da curta carreira de Bolin, onde ele toca magistralmente com a guitarra recheada de efeitos, fazendo as sequências de notas rápidas que ficaram marcadas na memória dos fãs do Deep Purple em Come Taste the Band, e acompanhado de delirantes pianos elétricos, sintetizadores e trovões. Um disco ímpar, para ser apreciado com muita atenção.

Alphonse Mouzon (bateria, vocais, sintetizadores, piano elétrico, órgão), Jerry Peters (órgão, piano elétrico), Tommy Bolin (guitarras), Lee Ritenour (guitarras), Jay Graydon (guitarras, programações) Henry Davis (baixo)

Mind Transplant
Snow Bound
Carbon Dioxide
Ascorbic Acid
Happiness Is Loving You
Some of the Things People Do
Golden Rainbows
Nitroglycerine


Tommy Bolin - Teaser [1975]

O álbum de estreia de Bolin é um dos grandes discos de sua carreira. Com a experiência de ter trabalhado ao lado de nomes gigantescos, o guitarrista traz diversas misturas de estilos para fazer qualquer fã cair de joelhos. As influências do funk e do soul surgem no embalo dançante da instrumental "Homeward Strut", que poderia facilmente estar no álbum de Billy Cobham ou de Alphonse Mouzon, ou na elétrica e viajante "Marching Powder", fácil candidata a melhor canção de Teaser. Seus famosos licks de slide estão presentes em todo o disco, surgindo com força na pesada "The Grind", com direito aos backing vocals das "The Sniffettes", e na grudenta faixa-título. Ainda temos espaço para a baladaça "Dreamer", onde os vocais de Bolin são o grande destaque ao lado do piano de David Foster e do convidado Glenn Hughes no trecho final da faixa (não creditado oficialmente). A confiança de Bolin é tamanha que ele se permite exibir-se graciosamente no pseudo bolero sensualíssimo de "Savannah Woman", faixa atiçadora para calcinhas voarem pelo quarto, e derreter velas na mais que comovente "Lotus". Para quem gosta de reggae com percussão e saxofone, Bolin criou "People, People", tendo participações especialíssimas de Jan Hammer e David Sanborn. O maior sucesso do álbum foi a baladaça "Wild Dogs", que inclusive virou obrigatória no set list do Deep Purple durante a turnê de Come Taste the Band. Apenas ouça e encante-se com esse petardo.

Tommy Bolin (guitarras, vocais, sintetizadores)

Convidados:

The Sniffetes - backing vocals em 1

Stanley Sheldon - baixo em 1, 2, 3, 5, 6, 7

Jeff Porcaro - bateria em 1, 2, 3 e 5

David Foster - piano em 1, 2 e 3

Glenn Hughes - vocais em 3 (não creditado)

Paul Stallworth - baixo em 4, 8 e 9

Prairie Prince - bateria em 4 e 8

Phil Collins - percussão em 4

Jan Hammer - piano, bateria, sintetizadores e órgão em 6 e 7

Dave Sanborn - saxofone em 6 e 7

Saamy Figueroa - percussão em 6 e 7

Rafael Cruz - percusssão em 6 e 7

Narada Michael Walden - bateria em 7

Ron Frasen - piano em 9

Bob Berge - bateria em 9

The Grind
Homeward Strur
Dreamer
Savannah Woman
Teaser
People, People
Marching Powder
Wild Dogs
Lotus


Moxy - Moxy [1975]

A estreia do grupo canadense é o que podemos definir como Clássico com C maiúsculo. Depois de uma longa turnê pela América do Norte, o quinteto assina com a Polydor Records para gravar seu debut de uma forma totalmente independente, ao mesmo tempo que não parava de fazer shows, gravando em qualquer estúdio que aparecesse quando sobrava tempo. Quando o Moxy passava pela Califórnia, na cidade de Van Nuys, eis que surge Bolin. Ele gravava Teaser no mesmo estúdio que o Moxy, e ofereceu seus trabalhos para o grupo. O resultado foi Moxy, ótimo disco que foi o início de uma noa fase para o hard rock, destacando as clássicas “Fantasy”, uma balada de tirar o fôlego, a paulada “Moon Rider“, em um belo duelo de Bolin e o guitarrista Earl Johnson, e “Train”, altíssima performance de Bolin desta que talvez seja a canção mais conhecida do álbum, junto com o hino “Can’t You See I’m a Star”. As influências em Led Zeppelin aparecem nos momentos acústicos de “Sail On Sail Away” ou no hard rasgado de “Out of Darkness (Into the Fire)”. O riff de “Time to Move On” pode ser confundido com os riffs de Blackmore na Mark II do Deep Purple, e “Still I Wonder” é responsável pelo melhor solo de guitarra que Bolin registrou em Moxy. Quando estava prestes a ser oficializado como guitarrista oficial do grupo canadense, Bolin foi chamado para substituir Blackmore no Deep Purple, e definitivamente, colocar seu nome na história como um dos maiores guitarristas de todos os tempos:

Buzz Shearman (vocais), Tommy Bolin (guitarras), Earl Johnson (guitarras), Bill Wade (baixo) e Terry Juric (baixo)

Participação especial:

Tom Stephenson: Piano em 1.

Buddy Caine (guitarras, creditado na capa, mas não participou do álbum)

Fantasy
Sail on Sail Away
Can't You See I'm a Star
Moon Rider
Time to Move On
Still I Wonder
Train
Out of the Darkness


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

35 anos sem Tommy Bolin


Quantas pessoas você conhece que, com 22 anos, assumem a responsabilidade de substituir o dono de um grande grupo de rock, e com 24 anos torna-se a referência musical para quatro monstros do rock, liderando a guitarra de uma das mais importantes bandas do hard rock mundial?

Bolin ao vivo
Bom, eu conheço apenas três pessoas que foram capazes dessa façanha: Eric Clapton (Yardbirds e Cream), Jimmy Page (Yardbirds e Led Zeppelin) e Tommy Bolin. Porém, os dois primeiros surgiram na década de 60, em um cenário efervescente, onde em cada esquina do mundo nascia uma pequena banda de rock, com fortes chances de conseguir o sucesso através de algum hit, e depois, navegar no mar da obscuridade, o que convenhamos, não foi o caso do Cream e tampouco do Led Zeppelin.

Mas Tommy Bolin viveu uma vida diferente dos outros dois gênios da guitarra. Mesmo Clapton tendo começado com apenas 18 anos no Yardbirds, e com 21 montado o Cream, sua carreira, em termos de ascensão, é incomparável ao que o jovem guitarrista americano conquistou.

Bolin nasceu no dia 1º de agosto de 1951, na cidade de Sioux, Iowa. Desde cedo, ele teve inclinação para a música, e com oito anos já estava tirando os primeiros acordes no violão. Na entrada da adolescência, Bolin passou a integrar diversas bandas de Sioux, até que sua família mudou-se para Boulder, Colorado. Lá, ingressou no grupo American Standard, onde começou a criar uma boa reputação.

Zephyr: Bobby Berge, John Faris, David Givens, Candy Givens e Tommy Bolin


Irreverante, com roupas chamativas e um corte de cabelo diferente dos demais membros do American Standard, além de uma voz poderosa e uma habilidade incrível na guitarra, não demorou para que o pessoal do grupo Ethereal Zephyr chamasse o garoto, com apenas 18 anos, para assumir o posto de guitarrista principal. Ao lado de John Faris (teclados), Robbie Chamberlin (bateria), David Givens (baixo) e sua esposa, Candy Givens (vocais), Bolin foi responsável pelo lançamento dos dois primeiros discos do agora batizado Zephyr. Batizados de Zephyr (1969) e Going Back to Colorado (1971), o último contando com Bobby Berge na bateria, esses dois álbuns, hoje preciosidades a serem conhecidas pelos admiradores da música, revelam um ainda tímido Tommy Bolin, fazendo solos curtos, mas mostrando a agilidade da mão direita em levadas espetaculares. A fusão de psicodelia com southern music era a principal atração do Zephyr, e, principalmente, a voz de Candy Givens (uma espécie de Janis Joplin misturada com Grace Slick) sem dúvidas era o referencial. Canções como "Raindrops" e "Cross the River", pertencentes ao primeiro álbum do grupo, "Miss Libertine"  e "Take My Love", são alguns dos bons exemplos da capacidade musical do Zephyr, que os levou a participar da edição do Texas Pop Festival de 1971.

Ao lado de Candy Givens


Mas o sucesso do Zephyr, que também os levou a abrir um show do Led Zeppelin durante a passagem dos britânicos pelo Colorado, fez alguns produtores virarem os olhos para o jovem guitarrista do grupo. A atração pelo sucesso, e a falta de sintonia com a música do Zephyr, fez Bolin abandonar o barco. Na realidade, Bolin já havia entrado em dois mundos de onde, depois que você entra, dificilmente sai.

O primeiro deles, o mundo de Miles Davis. Bolin pirou com as experiências sonoras de Davis no álbum Bitches Brew (1970), e, posteriormente, A Tribute to Jack Johnson (1971), e assim, decidiu voltar-se para o jazz e para o blues. O segundo mundo é o mundo das drogas. Com o Zephyr, Bolin descobriu a maconha e rapidamente evoluiu para a cocaína, da qual virou consumidor ativo. 

Ao vivo com o Energy, em 1972


Com muitas viagens na cabeça, Bolin criou o Energy, um grupo fortemente influenciado por Miles Davis, mas que nunca chegou a gravar um disco com o guitarrista. O período tocando com o Energy chamou a atenção do baterista panamenho Billy Cobham. O músico, que havia participado de A Tribute to Jack Johnson, agradou-se ainda mais do garoto quando ele disse que era seu fã, e que seria um prazer tocar ao lado do melhor baterista que já havia ouvido.

Essencial disco de Billy Cobham, com a participação de Bolin


Bolin então registrou sua guitarra no álbum Spectrum, uma obra-prima lançada por Billy Cobham em 1972, que, além de Bolin na guitarra, possui a participação de Leland Sklar (baixo) e Jan Hammer (teclados), além de outros músicos de menor expressão. Nesse disco, surgiu finalmente o Bolin pelo qual o mundo se apaixonaria três anos depois. As notas leves, acordes swingados e a levada da mão direita são algumas das características que Bolin registrou nos sulcos de Spectrum. Canções como a agitada "Taurian Matador", onde trava um duelo feroz com os teclados de Hammer, a impressionante "Stratus" e a swingada "Red Baroon", duelando com os teclados de Hammer, dessa vez em um swing leve, embriagante e sensacional, são uma boa amostra do talento de Bolin.

James Gang: Tommy Bolin, Dale Peters, Jim Fox e Roy Kenner

A participação do guitarrista em Spectrum foi crucial para que Jimmy Fox, baterista do James Gang, escolhesse Bolin para substituir Dominic Troiano em seu grupo. Dominic havia entrado para o lugar de Joe Walsh, um exímio guitarrista que levou o James Gang ao topo das paradas através de álbuns essenciais como 'Yer Album (1969) e Rides Again (1970). Com 22 anos, muitos duvidaram que Bolin fosse capaz de aguentar a pressão de ser o guitarrista de uma banda famosa e com mais de oito anos de carreira.

 
Os dois álbuns de Bolin com a James Gang


Pois Bolin superou essa dúvida com sobras, registrando os maravilhosos Bang (1973) e Miami (1974). Com o James Gang, Bolin pôde aperfeiçoar sua técnica no violão e nos teclados, e nesses álbuns, fez algumas de suas principais gravações, destacando "Standing in the Rain", "Ride the Wind" e a emocionante "Mystery" (de Bang), e "Cruisin' Down the Highway", "Wildfire" e "Head Above the Water" (de Miami). Os vocais suaves de Bolin também aparecem com destaque na linda "Alexis", de Bang. Já a guitarra carregada de efeitos das demais canções, criava uma sonoridade inédita, que chamava a atenção de diversos novos seguidores do James Gang. Para a carreira de Bolin, o crescimento como compositor era algo cada vez mais notório.

Bolin com Alphonse Mouzon, segundo da direita para a esquerda (abaixo);
e a capa do álbum Mind Transplant (acima)


Depois da turnê de divulgação de Miami, Bolin tentou se afastar da cocaína, na qual já estava bastante viciado. A solução foi virar músico de estúdio, e assim, Bolin começou a pensar em investir em uma carreira solo. Nesse período, participou de diversos registros como músico convidado, destacando outro grande álbum do jazz rock setentista: Mind Transplant (1974), do baterista Alphonse Mouzon, onde deixou pelo menos mais dois petardos sonoros para a posteridade: a faixa-título, "Carbon Dioxide" e "Golden Rainbows", onde os solos são carregados dos efeitos que já apareciam nos discos da James Gang.

Bolin: virtuoso e talentoso
Ainda em 1974, Bolin assinou contrato com a Nemperor Records para gravar seu primeiro álbum solo. Para isso, apoiou-se nos ombros dos gigantes David Foster (arranjos), David Sanborn (saxofone), Jan Hammer (teclados), Phil Collins (bateria) e Glenn Hughes (baixo). Durante a gravação do primeiro álbum, dois fatos mudaram a vida de Bolin.

O primeiro deles foi a aparição do grupo canadense Moxy na Califórnia. Bolin estava fazendo uma sessão de gravação no mesmo estúdio do Moxy, e ficou impressionado com a sonoridade dos canadenses, que estavam gravando seu primeiro e fundamental álbum. Fascinado com o som do grupo, Bolin ofereceu seus trabalhos para a banda, o que foi prontamente aceito, já que Bolin, além de ser um boa pinta, também tinha um estilo que se encaixava ao que estava sendo buscado pelo Moxy.

Um clima de harmonia surgiu nos estúdios e após as diversas sessões, quando o Moxy já estava pronto para convidar Bolin para oficialmente se tornar o principal guitarrista do grupo - lembrando que o Moxy contava na época com o sensacional guitarrista Earl Johnson, além de "Buzz" Shearman (vocais), Bill Wade (bateria) e Tery Juric (baixo) -, eis que um convite de David Coverdale chegou para Bolin: "você está convidado para ser o novo guitarrista do Deep Purple".


Um dos principais nomes do hard mundial, o Deep Purple estava na ativa havia pouco mais de oito anos, mas já havia deixado sua marca em álbuns como In Rock (1970), Machine Head (1972) e Burn (1974). Porém, a Mark III naufragou em uma guerra de egos, levada principalmente pelo guitarrista Ritchie Blackmore. David Coverdale (vocais) foi o primeiro a incentivar a entrada de Bolin, convencendo Ian Paice (bateria), Jon Lord (teclados) e Glenn Hughes (vocais) de que mesmo Bolin tendo apenas 24 anos, era possível que ele cobrisse as partes de Blackmore ao vivo, e ainda mudar de vez o som do Purple (algo que estava ocorrendo desde a entrada de Hughes e Coverdale em 1973).


A estreia do Moxy, com Bolin nas guitarras


Como não tinha um vínculo oficial com o Moxy, Bolin preferiu seguir carreira ao lado do Purple, deixando para o pessoal do Moxy uma excelente contribuição, através de Moxy, o álbum de estreia do grupo, que foi lançado em 1975. Essencial na discografia de qualquer apreciador do hard setentista, Moxy exalta ainda mais as qualidades de Bolin, destacando "Fantasy", "Moon Rider" e "Train". 

A estreia solo de Bolin


Ainda em 1975, Bolin completou seu álbum de estreia, Teaser, o qual chegou às lojas no dia 17 de novembro do mesmo ano. Trazendo diversos convidados, dos quais além dos citados anteriormente também é necessário chamar a atenção para a participação do baterista Jeff Porcaro, Teaser é um álbum dançante, envolvente e muito gostoso de se ouvir. Bolin desfila suas notas na guitarra, mergulhando profundamente sua voz clara em canções marcantes, como "The Grind", "Savannah Woman", "People, People" e a super clássica "Wild Dogs". Outro grande destaque é a participação de Glenn Hughes na faixa "Dreamer".

Jam session que levou Bolin a assumir as seis cordas do Purple


Pouco antes, em junho de 1975, Bolin participou de uma jam session com o Deep Purple, a qual resultou na aprovação de Bolin para as seis cordas do Purple. Bolin chocou a todos quando chegou com suas roupas coloridas e um visual muito extravagante. Mesmo tendo passado pela James Gang, Bolin ainda era um tímido garoto loiro, mas que, ao empunhar a guitarra, transformava-se em uma fera indomável. A jam deixou todos no estúdio de boca aberta, com Bolin sendo efetivado no cargo na hora. O mais interessante de tudo é que Bolin nunca havia ouvido uma canção sequer do Purple, mas a harmonia criada com Paice, Lord e Hughes (principalmente) foi como a união do queijo com a goiabada.

Mark IV do Deep Purple: David Coverdale, Jon Lord e Tommy Bolin (acima);
Ian Paice e Glenn Hughes (abaixo)


A entrada de Bolin deu origem à chamada Mark IV, e mudou totalmente o Deep Purple. Se antes, Lord e Paice eram os líderes (ao lado de Blackmore), Bolin de tornou o mentor do quinteto britânico. Sua palavra era sempre a última, e sua influência marcou bastante os colegas do Purple, principalmente Hughes, que, além de dividir o palco e os estúdios com Bolin, passou a dividir heroína com o guitarrista.

Come Taste the Band, único registro de estúdio da Mark IV


A Mark IV lançou Come Taste the Band em 1975. Na época, a sonoridade funkeada do LP não agradou aos fãs da fase pesada da Mark II e da Mark III. Porém, hoje a maioria dos fãs aplaudem e reverenciam o álbum, que traz aquele que é o melhor momento de Tommy Bolin: a canção "Owed to G", um belo tema instrumental onde Bolin simplesmente detona na guitarra. Outro grande destaque desse LP é "You Keep on Moving", canção que encerra o álbum e que concretiza a obra talentosa de Bolin tanto como guitarrista quanto compositor. 

Bolin, provando algo "diferente"
Porém, durante a turnê de divulgação do LP, a coisa começou a naufragar. A turnê começou pelo Japão, e pouco antes, Bolin, que havia ficado todo o tempo da gravação de Come Taste the Band sem injetar heroína, abusou da dose antes da primeira apresentação em Nagoya. O resultado: teve o lado direito de seu corpo paralisado, tendo que subir no palco somente para fazer as bases, e mesmo assim com muita dificuldade.

Bolin deu sinais de melhora quando o grupo chegou em Tóquio, três shows depois, mas mesmo assim não conseguiu fazer no Japão uma apresentação à altura de seu talento. Como Bolin estava em dificuldades de recuperação, a data de Hong Kong acabou sendo cancelada, com a banda fazendo um recesso de fim de ano, onde Bolin tentou se livrar das drogas, assim como começou a compor novas canções.

Em 14 janeiro de 1976 o Deep Purple voltou à estrada, fazendo uma turnê pelos Estados Unidos, que acabou em 4 de março, sem maiores problemas com o vício de Bolin, partindo então para cinco datas pela Grã-Bretanha: Leicester, Wembley Arena (por duas noites consecutivas), Glasgow e Liverpool. Foi exatamente em Liverpool que o barco afundou de vez. Bolin novamente abusou, perdendo totalmente o controle de tudo o que fazia no palco durante praticamente todos os shows britânicos, mas em Liverpool ele ficou totalmente imóvel, sem nem consguir ficar em pé, quanto menos segurar a guitarra. Coverdale deixou o palco aos prantos, confidenciando a Lord que estava saindo do Deep Purple. Sem Coverdale, Hughes também pediu as contas, e assim, Bolin foi oficialmente demitido, com Lord e Paice decidindo dar um ponto final à carreira do Deep Purple em junho de 1976. 


Robert Plant, Glenn Hughes e Tommy Bolin


Bolin então investiu em sua carreira solo, e aproveitando-se de que já havia conquistado um nome entre os grandes músicos de sua geração, lançou-se em uma bem sucedida turnê, ao lado de músicos como Narada Michael Walden (bateria), Jimmy Haslip (baixo), Mark Stein (teclados), além de seu irmão Johnnie Bolin (bateria) entre outros de menor expressão.

Segundo (e último) registro solo de Bolin


Em 1976, assinou com a CBS e lançou seu segundo disco solo, Private Eyes. Nele, mais canções marcantes, destacando "Someday Will Bring Our Love Home", "Bustin' Out for Rosey" e "You Told Me That You Loved Me", que fizeram de Private Eyes o mais bem sucedido álbum solo de um ex-Purple até aquele momento. O sucesso de Private Eyes levou Bolin a abrir para Jeff Beck, o qual estava no auge da sua fase fusion.

Mas, infelizmente, ele não pôde aproveitar o sucesso do álbum. No início da manhã de sábado do dia 04 de dezembro de 1976, sua namorada o encontrou inconsciente, e poucas horas depois, Bolin foi declarado oficiallmente morto, vítima de uma overdose de heroína. Com apenas 25 anos, um dos maiores talentos da guitarra perdia sua guerra contra o vício. Bolin foi enterrado na cidade de Sioux, tendo em seu dedo anelar o mesmo anel que Jimi Hendrix estava usando quando faleceu, mais uma curiosidade do rock.

Last Concert in Japan: primeiro ao vivo oficial a contar com a guitarra de Bolin


Com o passar dos anos, diversos relançamentos vêm resgatando a obra de Bolin, destacando os lançamentos da Purple Records. Em 1977, foi lançado Last Concert in Japan, trazendo, como o nome diz, a última apresentação da Mark IV na terra nipônica. Depois, Days May Come and Days May Go (2000), o qual traz a jam session na qual Bolin foi aprovado para ser o guitarrista do Purple, e também This Time Around: Live in Tokyo 75 (2001), trazendo a cobertura da turnê japonesa da Mark IV, aumentaram o material de Bolin. Outros destques vão para a caixa Tommy Bolin: The Ultimate Collection, lançada em 1989 e que traz um apanhado geral da carreira do guitarrista, a série Whips and Roses I e II, lançadas em 2006, com muitas sobras de estúdio dos álbuns Teaser e Private Eyes, bem como versões ao vivo, e o ao vivo Tommy Bolin & Energy - Live in Boulder 1972 (2003), trazendo uma rara apresentação do músico com o Energy.

Porém, esses lançamentos, apesar de extremamente valiosos, servem apenas para aumentar nossa lástima pela perda de um guitarrista genial, que influenciou pessoas muito mais experientes que ele, e que em sua curta estadia na Terra, conquistou uma enorme geração de seguidores, apreciadores e músicos que ainda tentam tirar de suas guitarras os endiabrantes timbres que Bolin tirava de seu instrumento.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Moxy



Seguindo nas bandas canadenses, essa semana irei narrar a história de um dos símbolos do hard rock deste país nos anos setenta.

Sou um grande fã do guitarrista Tommy Bolin, o qual teve sua fama em uma curta, mas importante, passagem pelo Deep Purple, e lançou dois excelentes álbuns solos, Teaser (1975) e Private Eyes (1976). Quando guri, em uma resenha na nossa querida Rock Brigade sobre a caixa The Ultimate: The Best of Tommy Bolin (1989), contando com três vinis e muitas raridades, descobri um pouco mais sobre a história desse grande guitarrista e, principalmente, que ele havia participado dos álbuns de Billy Cobham e Alphonse Mouzon e passado, entre outras, por Zephyr, James Gang e Moxy. Fora o trabalho solo e com o Purple, creio que onde Bolin realmente se encontrou foi no Moxy.


O grupo começou a ser formado em 1973, na cidade de Toronto, quando o vocalista "Buzz" Shearman decidiu reformular a grande banda Leigh Ashford, com quem gravara o raríssimo e cobiçado álbum Kinfolk (1971), chamando então Bill Wade para a bateria, Kim Fraser para o baixo e Earl Johnson para a guitarra. Em 1974 Fraser acabou sendo substituído por Terry Juric, o que acabou numa mudança não só na sonoridade do Leigh Ashford, mas também no nome, adotando então Moxy.

De cara o Moxy lançou um single, contando com "Can't You See I'm A Star", um hino do rock canadense e que levou o quarteto a assinar com a Polydor Records em dezembro de 1974, não só pela canção, mas também por causa do forte carisma de Buzz. Com o sucesso do single o Moxy começou uma longa turnê pela América do Norte, passando por cidades como Toronto, Ontario, Illinois, Detroit, Michigan, entre outras.

A banda foi para os estúdios gravar seu debut de uma forma totalmente independente, contando somente com a ajuda de Mark Smith, que já trabalhara com o Bachman-Turner Overdrive e também com o produtor Roland Paquin. Ao mesmo tempo que faziam o primeiro álbum, a banda viajava pelos Estados Unidos divulgando seus sons, aproveitando cada parada para entrar em um estúdio e registrar algo. E foi em uma dessas paradas, mais precisamente quando o Moxy passava pela Califórnia, na cidade de Van Nuys, que conheceram Tommy Bolin.

Na verdade o jovem guitarrista estava fazendo uma sessão de gravação para o álbum Teaser no mesmo estúdio do Moxy e ficou impressionado com a sonoridade da gurizada, acabando por oferecer seus trabalhos para a banda, o que foi prontamente aceito, já que Bolin, além de ser um boa pinta, também tinha um estilo que se encaixava ao que estava sendo buscado pelo grupo. Além disso, Bolin conhecia Paquin desde os tempos da James Gang, o que ajudou ainda mais na união Moxy/Bolin.

Um clima de harmonia surgiu nos estúdios, e assim diversas músicas passaram a ser refeitas para a inclusão das guitarras de Bolin. Após as diversas sessões, Bolin seguiu seus trabalhos em seu álbum de estreia, ao mesmo tempo em que recebia o convite para substituir Ritchie Blackmore no Deep Purple.

Como não tinha um vínculo oficial com o Moxy, Bolin preferiu seguir carreira ao lado do Purple, deixando para o pessoal do Moxy uma excelente contribuição no álbum de estreia do grupo, pouco depois de Buddy Caine ter assumido a segunda guitarra, já que diversos shows haviam sido marcados anunciando o Moxy como um quinteto.

Segundo Johnson, o que realmente aconteceu é que Bolin já havia dito que após o término das gravações de Teaser iria sair em turnê com o grupo, e também estava disposto a gravar mais um álbum. Porém, o surpreendente convite feito por David Coverdale pegou-o de surpresa, e, claramente, participar do Deep Purple era como marcar um gol decisivo em final de campeonato, nem Johnson perderia a oportunidade.



No final de 1975, Moxy (ou "álbum preto") foi lançado no Canadá, e em janeiro nos Estados Unidos, através da Mercury Records. Um álbum fantástico, essencial na coleção de qualquer fã de hard que se preze, e, óbvio, deve ser ouvido sem comparações com Come Taste the Band.

A pérola "Fantasy", com o bongo de Wade e os acordes orientais de Bolin e Johnson, abre o disco com uma pequena participação de Bolin abrindo espaço para os vocais agudos de Buzz entoarem a letra sobre uma sessão lenta. O músico Tom Stephenson (companheiro de som de Bolin) participa tocando piano na canção, o que deu um belo clima para a mesma. O ritmo lento, com piano, baixo e bateria acompanhando os vocais, traz um clima de agonia, com um refrão ainda mais triste, marcado pelas fortes palhetadas de Bolin e Johnson, encerrando de forma totalmente hard, com uma bela participação das guitarras, onde Bolin executa o solo de encerramento de uma forma inconfundível.

"Sail On Sail Away" dá sequência, agora de forma acústica, com os violões comandando o ritmo para os vocais de Buzz, trazendo então uma parte instrumental mais pesada, que lembra muito o Led Zeppelin, retomando os violões. A parte pesada volta marcando o refrão, e não tem como não lembrar dos riffs de Jimmy Page e, principalmente, das batidas de John Bonham. A partir de então a canção cai numa gandaia, com um belo solo de Johnson, enquanto o Moxy manda ver no acompanhamento. A letra segue acompanhada pelo peso das guitarras e pela levada bateria/baixo, encerrando com o refrão grudento e com mais um solo de Johnson.

A clássica "Can't You See I'm a Star", com seu riff inconfundível, vem a seguir. As passagens de wah-wah feitas por Johnson caíram como uma luva na ideia da canção, e a participação de Bolin, com palhetadas certeiras, modificou bastante essa faixa em relação a sua versão original, ganhando mais punch e peso. O solo de Johnson no wah-wah é de primeira qualidade, e o peso da cozinha, com grandes riffs, justifica o porque de esta ser considerada por muitos fãs do Moxy como a melhor canção da banda.

Por fim, "Moon Rider" encerra o lado A com mais um grande riff. O início é pegado, com a bateria intercalando entre as palhetadas de Bolin e Johnson, ganhando pique com a voz de Buzz. Bolin executa um pequeno solo, e você não para de balançar a cabeça com a levada da canção, que tem seu destaque principalmente pela enorme quantidade de riffs utilizados e pela bela participação de Bolin, utilizando o volume no refrão em uma sessão dedilhada acompanhada por cymbals e pela marcação de baixo. O refrão fica então pesado, abrindo espaço para Bolin detonar, acompanhado por uma tradicional escala de terças feitas por Johnson e Fraser. O vocal é retomado, com mais um solo de Bolin encerrando essa grande faixa.

O lado B abre com "Time to Move On", outro riffzaço, marcado também pelos vocais de Buzz. Diferente do que Bolin iria fazer no Deep Purple - algo mais funk e soul music -, aqui ele está totalmente hard, inspiradaço em bandas como Led e até mesmo o próprio Purple. "Time to Move On" poderia facilmente estar presente em Machine Head por exemplo, como pode ser comprovado no solo de Bolin, onde o riff de Johnson é similar aos feitos por Blackmore.
"Still I Wonder" tem o início cadenciado das guitarras, baixo e bateria, que trazem o vocal de Buzz rasgado e sujo como todo grande som de hard rock. As guitarras distorcidas são o principal destaque, com Bolin interferindo bends e trêmolos entre os vocais de forma que só gênios conseguem fazer. A sessão instrumental é super cadenciada, e essa sim encaixa-se no que ouvimos em Come Taste the Band, com Bolin mandando ver em um solo curto, mas genial.

A pesadíssima "Train" é um quase blues, com Buzz cantando muito sobre a levada da banda. Essa faixa conta com solos de Bolin e Johnson, com Johnson fazendo o solo de encerramento, o qual é intercalado por Buzz trazendo a letra do refrão.

Por fim, "Out of the Darkness" encerra esse álbum de forma fantástica. Mais um grande riff, acompanhado pelos cymbals, traz o ritmo hard característico de todo o álbum. A letra é acompanhada por um segundo riff. Bolin executa o solo, acompanhado por um terceiro riff criado por Johnson. Se Buzz era o centro das atenções, Johnson era realmente o cérebro da banda, algo como Ian Astbury e Billy Duffy seriam para o The Cult posteriormente. "Out of the Darkness" é um símbolo do hard rock que o Moxy viria a fazer posteriormente, com um refrão forte e mais melódico.

O disco acabou vendendo bastante, principalmente nos Estados Unidos, onde teve todas as suas oito faixas amplamente divulgadas, principalmente pela Kiss FM, do Texas, através do famoso radialista Joe Anthony, fazendo com que o Moxy ganhasse muita fama naquele estado. "Fantasy" e "Sail On Sail Away" entraram rapidamente no top#20 da Kiss FM. Com isso, o Moxy passou a tocar em grandes lugares, sempre como atração principal. "Time to Move On" e "Train" acabariam posteriormente por entrar na coletânea de Bolin citada lá no começo do texto.


Em abril de 76 começam a gravar o segundo álbum. Moxy II mantinha a mesma sonoridade de Moxy, com riffs diretos e refrões grudentos, porém não tão pesados como seu antecessor. Produzido por Jack Douglas (que havia trabalhado com o Aerosmith), o "álbum vermelho" acabou sendo lançado mundialmente no verão de 1976, e com a intenção de fazer do Moxy uma grande banda acabaram colocando o álbum por modestos £1,50 na Inglaterra. A imprensa inglesa passou então a aclamar o Moxy como o Led Zeppelin canadense, e não era por menos.

O disco abre com "Cause There's Another", com riffs e solos de guitarras bem setentistas. Violões e guitarras acompanham os vocais, e Caine mostra que veio para assumir a posição de destaque na banda, já que compõe e sola em quase todas as músicas. O solo desta, por exemplo, é bem interessante, com muita pegada e também com a forte presença do baixo de Juric, que fica marcando o tempo ao lado da bateria para Buzz gritar a letra. Caine imita Bolin no solo final, o que levou muitos a pensarem que era Bolin na guitarra, o que não é verdade.

A suingada "Take It or Leave It" vem a seguir, com um belo embalo das guitarras e da cozinha Juric/Wade. O refrão é mais hard, mas o funkzão é que comanda toda a faixa, com destaque novamente para as bolianas intervenções de Caine.

Trovões e muito peso abrem "Through the Storm", uma das melhores faixas do Moxy, com uma bela introdução de guitarra. Os riffs do primeiro álbum estão presentes, com Buzz cantando de forma diferente, sem muitos agudos e com mais raiva. Grande música para balançar o corpo. Os duelos de guitarra encerrando a faixa, com muitos bends e arpejos, são o ponto alto da canção.

"One More Heartbreaker" é um rockzão bem setentista. Quem gosta do que a banda O Peso fez, por exemplo, irá curtir bastante esse som, onde Johnson manda ver em riffs despojados e sujos.

Por fim, a instrumental "Slippin' Out" encerra o lado A. A guitarra de Johnson vai aumentando de volume aos poucos, assim, como a bateria e o baixo, até entrar solando com a utilização de um talk box. Caine sola com a guitarra limpa, mudando o ritmo da canção, que alterna entre o talk box e a guitarra limpa até virar um blues, onde Caine manda ver. Johnson e Caine duelam suas guitarras, e fica interessante ver a utilização do talk box duelando com a guitarra limpa.
A seguir é a vez de um solo no talk box, retomando os temas iniciais. Caine sola pela segunda vez num ritmo super cadenciado, com a cozinha segurando bem. Ótima faixa!

O lado B abre com "Midnight Flight", um hardão tradicional, com direito a marcação de cowbell e, claro, um refrão grudento. As linhas instrumentais para o solo de Caine são bem elaboradas, mostrando que o Moxy aproveitara bem os tempos com Bolin.

A balada "Change in My Life" diminui o ritmo. Elaborada para as rádios americanas, essa canção contém um lindo arranjo de violões, e o dedilhado da guitarra de Johnson parece um piano. Destaque mais uma vez para a sessão instrumental.

"Tryin' Just For You" tem uma grande levada de baixo na introdução, virando um rockzão, enquanto a faixa de encerramento, "Wet Suit", com Johnson mandando ver no slide guitar, é um bluesão manhoso bem no estilo do Led Zeppelin, com participação de Buzz na harmônica e com um solo de teclado de Caine.

O Moxy partiu para uma turnê como headliner pelo Canadá, e foi a banda de abertura do Black Sabbath, voltando para os estúdios em março de 1977. No meio do ano, chegava as lojas o terceiro disco da banda, agora contando com uma linda capa feita por Heiner Geisel e chamado Ridin' High.


O lado A é bem hard, abrindo com "Nothin' Comes Easy", um grande rock'n'roll com um refrão apelativo (inclusive contando com ovação de platéia) e terminando como uma grande festa, onde o refrão é repetido diversas vezes.

"Rock Baby" mantém os grandes riffs, com destaque para o solo de Caine, enquanto "Sweet Reputation" é uma das melhores do álbum, com um baixo galopante que lembra muita a versão de "Diamonds and Rust" feita pelo Judas Priest. Acordes únicos entoados pelas guitarras de Caine e Johnson acompanham a melodia vocal dessa grande canção do Moxy. Por fim, o lado A encerra com "I'll Set You on Fire", com Caine usando o wah-wah em um sonzão cadenciado.

A faixa título abre o lado B com o slide de Johnson, enquanto um boogie de ótima qualidade comanda outra grande canção, com um belíssimo trabalho de Juric e Wade, além, claro, dos solos de Johnson no slide, duelando com Caine no talk box.

"Young Legs" é uma canção que poderia ser facilmente encontrada nos álbuns de Uli Jon Roth, já que os riffs, acordes e a levada são típicas do grande guitarrista do Scorpions. A linda balada "Another Time Another Place" mostra que o Moxy buscava novos caminhos. A guitarra dedilhada de Johnson é intercalada por acordes feitos por Caine. Violões e órgão, tocado por Scott Cushnie, acompanham a banda e os vocais dramáticos de Buzz, com um grande final onde Caine e Johnson duelam sobre a repetição do refrão.

"Are You Ready" volta aos hards do Moxy, com bastante slide e muitas guitarras. Por fim, "Reprise (Nothin' Comes Easy)" retoma o refrão da faixa de abertura encerrando o álbum, agora com a banda sendo acompanhada pelo piano de Cushnie.

Em 27 de julho o Moxy apresentava-se pela primeira vez nos Estados Unidos como headliner, no Armadillo World Headquarters de Austin. Em seguida foi atração no Municipal Auditorium de San Antonio, e no dia 29 no Ritz Music Hall, também no Texas, onde a banda de abertura foi nada mais nada menos que o AC/DC (pra se ter um pouco a idéia do sucesso que o Moxy fez neste estado), andando então como headliner ao lado de bandas como Rainbow, Ramones e Styx.

Porém, as longas e extensivas turnês, bem como os anos de estrada (vários membros estavam na ativa desde os anos sessenta) acabaram prejudicando a banda, começando com problemas nas cordas vocais de Buzz, o que acabou com Brian Maximan sendo chamado para fazer as vozes mais altas no final da turnê.

Em novembro de 1977 Buzz decidiu sair do Moxy alegando conflitos de personalidade e diferenças musicais, mas principalmente para cuidar da saúde e de seus problemas com álcool. Acabou fundando posteriormente sua própria banda, a Buzz Saw, ao lado de Bob Bulger (guitarra) e Frank Russe (bateria). Junto com Buzz, Wade pediu as contas, sendo substituído por Danny Bilan, enquanto que o vocalista Michael Rynoski assume os vocais para fazer sua estreia no álbum Under the Lights (1978) e comandar uma mudança na sonoridade da banda, inclusive participando da composição de todas as músicas do álbum.


O disco abre com "High School Queen" e as slides de Johnson. Um hard brilhante, que nos apresenta um vocalista com voz mais grave do que seu antecessor, mas que se encaixou bem na nova ideia de som, agora com o acompanhamento das backing singers Tracy Richardson, Sharon Lee Williams e Colina Phillips.

A faixa-título dá sequência com um som bem oitentista (novidade para a época), assim como "Maybe I'm a Dreamer", cheia de violões e pianos, esses últimos à cargo de Cushnie. O refrão desta é um tanto quanto repetitivo, mas a mesma possui uma linda sessão instrumental onde Johnson, responsável por todos os solos do LP, relembra os tempos de Tommy Bolin.

"Sing to Me" encerra o lado A novamente com violões e teclados bem oitentistas. Quem conhece bem a banda Triumph poderá confundir essa com a clássica "Magic Power", do álbum Allied Forces (1981).

"Sailor's Delight" invade o lado B com muito rock'n'roll. Talvez a melhor faixa do álbum, onde Johnson abusa de guitarras dobradas e com uma levada excepcional. "Thinking About You" traz batidas fortes de bateria acompanhadas pelos teclados e por guitarras bem oitentistas, que executam o riff principal. A percurssão de Jack Richardson colabora para manter o clima de festa, em uma faixa pouco inspirada.

A linda "Easy Comes Easy Go" lembra "Simple Man" do Lynyrd Skynyrd, com os violões dedilhados e uma bela melodia da guitarra. Um refrão forte e os backing vocals nos remetem aos anos do southern rock.

Por fim, "Livin' & Learnin'" encerra o álbum com muito peso. Uma faixa parecida com o que o Moxy havia feito no início de sua carreira, contando com passagens de guitarra e viradas de bateria similares ao que o Aerosmith vinha fazendo nos álbuns Toys in the Attic e Rocks.

Apesar de ser um disco bem abaixo do que o Moxy fez em seus três primeiros álbuns, Under the Lights acabou virando um disco pioneiro para a geração de adolescentes americanos do final dos anos 70, influenciando diretamente no surgimento de bandas como Cinderella, Firehouse, Poison, Bon Jovi e até mesmo na evolução de seu primo, o Triumph, dando origem ao chamado hard farofa, já que abusava do uso de teclados e letras melosas.

A banda partiu para uma longa turnê ao lado de Aerosmith, Ted Nugent, Triumph e Johnny Winter, mas a ausência de Buzz afetou, e muito, a popularidade do grupo, que entrou em rápida decadência, que se agravou ainda mais com a saída de Earl Johnson, o qual foi substituído por Woody West.Buzz voltou a participar do Moxy em 79, ao lado de Caine, Juric e Bilan, além do guitarrista Doug MacAskill (ex-The Stampeders).

Com a morte de Bon Scott (AC/DC), Buzz acabou sendo cogitado para vocalista da banda australiana, mas os problemas nas cordas vocais se agravaram, e assim Brian Johnson acabou assumindo e continuando a grande carreira dos irmãos Young. O Moxy continuou excursionando, enquanto seus membros participavam de diferentes álbuns, como o The Lee Aaron Project (1982) de Lee Aaron, com a participação de Buzz, Johnson e Wade.


No dia 16 de junho de 1983 Buzz envolveu-se em um grave acidente de moto, que acabou vitimando esse grande vocalista. Os membros originais da Moxy reuniram-se para realizar um concerto com o objetivo de angariar fundos para a família de Buzz, que havia deixado uma esposa e um filho, além também de uma coletânea chamada A Tribute to Buzz Shearman, que trazia três canções que não haviam sido lançadas anteriormente: "Highway", "Eyeballs" e "Trouble", todas com Buzz nos vocais.


Caine, Bilan, Juric e Brian Maxin (que havia participado como backing vocal nos dois primeiros álbuns do Moxy) fundaram a banda Voodoo, enquanto Johnson continuou sua carreira como músico de estúdio. Em 1993 foi lançada a coletânea Best Of: Self Destruction, onde a banda solo de Caine participa com uma canção chamada "Feed the Fire" e com a primeira versão trazendo uma rara interpretação para "Take It Or Leave It".


Em 1999, Johnson, Wade e Caine reuniam-se para produzir o quinto álbum da banda, Moxy V (ou disco cinza), que foi lançado em 2000 contando com Maxim, Jim Samson (baixo) e trazendo novamente a sonoridade dos primeiros álbuns. Wade acabou adquirindo uma grave doença após o lançamento deste, sendo substituído por Kim Hunt. Wade acabou falecendo de câncer no dia 27 de julho de 2001, mesmo ano do lançamento na Europa de uma segunda versão de Moxy V, contando com as músicas de estúdio e mais três gravadas ao vivo, além de uma nova capa.


O Moxy passou a excursionar ao lado de nomes como Budgie, Michael Schenker Group e Saxon, entre outros, tocando inclusive na Europa. Lançam em 2002 o álbum Raw, gravado ao vivo no Sweden Rock Festival e no El Mocambo, ambos em 2001,

Maxim foi substituído por Alex Machin, fazendo shows e aparecendo em programas de TV, sendo substituído em 2008 por Russ Graham. Também em 2008 Caine decidiu sair do Moxy para se dedicar a família, e hoje o Moxy sobrevive como um quarteto, contando com Earl Johnson, Jim Samson, Kim Hunt e Russ Graham.

Em 08 de março de 2009 uma faixa inédita com Buzz nos vocais, chamada "You Can't Stop the Music in Me", foi tocada nas rádios canadenses no dia do aniversário de Buzz, faixa essa que havia sido gravada em 1981 e que foi lançada em uma edição limitada, bem como um DVD e um livro narrando a história dessa que é uma das principais bandas do rock canadense.
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