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sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Discos Que Parece Que Só Eu Gosto: Brian May - Back To The Light [1992]



De outra feita, eu já apresentei nessa coluna de Discos Que Parece Que Só Eu Gosto o EP Starfleet, que Brian May lançou junto com o Van Halen. Porém, este não é o único lançamento dele que eu acredito estar nesta lista. Back to the Light também entra nesta barca.

Que Brian May sempre soube se cercar de bons músicos e ser uma espécie de Gene Simmons inglês, conseguindo lucrar um bom dinheiro com o seu passado no Queen, poucos podem duvidar. Particularmente, tenho uma certa antipatia com o guitarrista, principalmente por que não vejo com bons olhos sua vontade de seguir com o nome Queen mesmo sem Freddie Mercury e John Deacon. Porém, há muito tempo atrás, o guitarrista decidiu enveredar por uma carreira solo, e uniou forças com metade do Black Sabbath (na época) para parir seu primeiro LP. Os ex-Sabbath são nada mais nada menos que Cozy Powell (bateria), Neil Murray (baixo) e Don Airey (teclados), e que na época, haviam acabado de sair da turma do bigodudo Tony Iommi, por conta do retorno da formação com Ronnie James Dio, Geezer Butler e Vinny Appice.

Eddie Kramer, Neil Murray, Brian May e Cozy Powell

De 1988 a 1992, May compôs uma série de canções, que ganhou o mundo em julho de 1992 através de Back to the Light. No encarte, May já afirma que o homem que finalizou o álbum em 1992 é muito diferente do que o iniciou cinco anos antes, e que o fã irá ouvir é uma coleção de canções feitas ao longo do tempo, sem ter muito do que o fez sucesso com o Queen, mas sim traços de um músico pequeno e inseguro (no caso, ele mesmo). Com a participação especial de Geoff Dugmore (bateria), Gary Tibbs (baixo), Mike Moran (piano, teclados), temos aqui talvez o melhor disco solo de um Queen, batendo de frente em obras como Mr. Bad Guy (Freddie Mercury, 1985) ou Fun in Space (Roger Taylor, 1981).

O álbum começa com May entoando uma canção de ninar em "The Dark", trazendo parte da letra de "We Will Rock You" e apresentando acordes de sua Red Special que até uma formiga chapada reconhece. A vinheta, com pedaços registrados em 1980, surge pomposamente, com cordas, piano, harpa, preparando o terreno para o desenrolar do disco, então vem a faixa-título, concebida originalmente nos ensaios para The Miracle, com teclados e a voz de May, em um clima que lembra bastante faixas do álbum Made in Heaven, e com o refrão trazendo as marcantes vocalizações que consagraram o Queen, além de um solo característico de May.

Brian May

"Love Token" é um hard furioso, com Powell e Murray mandando ver na cozinha, bem diferente do que poderíamos esperar de algo vindo do Queen. O ritmo lembra algumas bandas do hard americano oitentista, mas com todo o charme e elegância britânica advindas dos vocais e da guitarra de May, encerrando com o blues do piano e da guitarra, e levando para a melhor faixa do disco, "Ressurection", um épico composto entre May, Powell e Jamie Page (não o do Led, mas do grupo australiano Black Alice), com uma pegada absurda por Powell, espancando a bateria, e de cara, com um magistral solo de May. Os vocais de May estão super agradáveis com a hardeira, e a guitarra é o centro das atenções junto com os teclados de Airey e a pancadaria de Powell. A faixa emerge por vocalizações sombrias, mas o ritmo incansável de Powell perdura ao longo de cinco minutos de tirar o fôlego. A sequência de solos de May é arrebatadora, e tudo encerra-se perfeitamente, em uma das melhores canções de toda a carreira de May.

Depois de toda a pancadaria, vem a clássica balada "Too Much Love Will Kill You", com May ao piano elétrico e teclados, cantando uma canção que se tornou conhecida no mundo inteiro, provavelmente a mais conhecida do álbum, já que ele havia apresentado a mesma no Freddie Mercury Tribute Concert meses antes. O único diferencial é que aqui May faz um solo de violão, além de entoar alguns acordes de guitarra e da presença sutil de cordas. Fechando o lado A, "Driven By You", uma faixa que retorna ao estilo Queen anos 80, e que poderia tranquilamente estar em qualquer álbum pós-Hot Space, contando com bons solos por May.

O guitarrista e sua Red Special

Teclados trazem "Nothin' But Blue", baladaça com a participação de John Deacon no baixo, mas bem diferente de qualquer balada Queen, mais próxima a um blues lento. "I'm Scared" é um rockzão com todas as características de May,  mas com a pegada de Murray e Powell levando a canção para um clima muito bom. O refrão dá vontade de cantar junto. Falando em blues, "Lost Horizon" é um bluesaço para curtir em uma noite com @ amad@, um insinuante andamento da guitarra solando sobre os teclados, que transforma-se repentinamente para um solo encantador, com os teclados de Moran ao fundo, e um ritmo gostoso. Bela faixa!

"Let Your Heart Rule Your Head" é um folk que lembra muito "'39", inclusive na melodia vocal, com a participação de backing vocals femininos a cargo de Suzie O'List e Gill O'Donovan, as quais também fazem os vocais da faixa-título, ao lado de Miriam Stockley e Maggie Ryder. A guitarra marca um pouco mais de presença em relação a faixa de A Night at the Opera, mas nada além. "Just One Life" é outra balada, com May acompanhado por apenas um violão e orquestrações, em uma faixa dedicada a Philip Sayer, encerrando com "Rollin' Over", um cover para essa ótima faixa do Small Faces, com participação de Chris Thompson nos vocais, e com muita guitarra estourando as caixas de som, fechando em alto estilo um belo disco a ser descoberto por fãs de Queen e de rock em geral. 

A banda de Brian May em 1993: Cozy Powell, Jamie Moses, Shelley Preston, Brian May, Cathy Porter, Neil Murray e Spike Edney

May ainda lançou outros trabalhos em carreira solo, e também ao lado da atriz e vocalista Kerry Ellis. Porém, a participação de Murray, Powell e Airey em Back to the Light dá um poder tão grande para o mesmo que creio que este seja o seu melhor álbum lançado fora do Queen, e mesmo assim, parece que só eu gosto dele. 

Contra-capa

Track list

1. The Dark
2. Back To The Light
3. Love Token
4. Resurrection
5. Too Much Love Will Kill You
6. Driven By You
7. Nothin' But Blue
8. I'm Scared 
9. Last Horizon
10. Let Your Heart Rule Your Head
11. Just One Life
12. Rollin' Over

sábado, 9 de junho de 2018

Queen - História Ilustrada da Maior Banda de Rock de Todos os Tempos [2011]





Phil Sutcliffe é um jornalista britânico que está no mundo da música desde a década de 70, mais precisamente 1974. Renomado escritor, tendo no currículo a bela obra AC/DC: High Voltage Rock 'n' Roll - The Ultimate Illustrated History, em meados da década passada foi convidado pela editora para fazer um texto biográfico sobre uma das grandes bandas de rock do Reino Unido, o Queen.
A versão gringa

Depois de uma pesquisa ampla, eis que em 2009 é lançado lá fora Queen: The Ultimate Illustrated History of the Crown Kings of Rock. Dois anos depois, o Brasil teve a versão traduzida do livro, batizada aqui como Queen - História Ilustrada da Maior Banda de Rock de Todos os Tempos. A tradução brasileira não agradou a Phil - para ele, a maior banda de todos os tempos é The Beatles - mas independente disso, a essência do livro está lá. Além de muitas imagens raras, traz informações e curiosidades para admiradores do grupo e também pesquisadores de música.

O livro começa com uma breve introdução, Prelúdio - a formação do Queen, sobre o período pré-Queen de todos os membros da banda, com fotos raras de Brian May (guitarra, vocais) na banda 1984, Roger Taylor (bateria) na The Reaction, Freddie Mercury (vocais) com a Sour Milk Sea e John Deacon (baixo) na The Opposition, todas bandas que formaram os garotos como músicos.
Trecho sobre Hot Space

A partir de então, passeamos pelos 10 capítulos de História Ilustrada, os quais são: O lado branco e o lado negro; Um pouco de alto, um pouco de baixo; Música e amor em toda parte; Fazendo o mundo do rock girar; Jogando o jogo; Sob pressão; Ser livre; Quero tudo isso; Adeus, todo mundo - tenho de ir embora; Continue, continue.

Através deles, somos conduzidos pela história do Queen, narrando detalhes de gravações dos álbuns, turnês, pequenos trechos de entrevistas feitas por Phil com integrantes da banda, chegando até a fase com Paul Rodgers nos vocais, a famigerada banda Queen + Paul Rodgers. Tudo isso acompanhado de um rico acervo de imagens que irão surpreender até os mais "catadores de joias" do grupo.
A “Red Special”

Esse é o grande atrativo do livro, a quantidade de imagens. São mais de 500 imagens de várias partes do mundo, desde fotos da banda no palco e fora dele, dezenas nunca publicadas, e capas dos LPs e Compactos, até itens de memorabilia e colecionáveis, como camisetas, cartazes de shows, cartões de acesso aos camarins, ingressos, palhetas, programas de shows,  revistas japonesas, trechos das histórias em quadrinhos das cobiçadas revistas "Rock 'n' Roll Comics" e "Hard Rock",  e muitas coisas que atiçam os olhos de colecionadores e historiadores. Muitas dessas imagens e informações exclusivas, bem como objetos pessoais, foram cedidas por Peter Hince, roadie do grupo que lançou, em 2012, o ótimo livro Queen Nos Bastidores: Minha Vida Com a Maior Banda de Rock do Século XX.
Um dos capítulos iniciais

Das principais imagens, algumas das mais raras são as dos compactos de Larry Lurex, nome sob o qual Robin Cable, engenheiro dos estúdios Trident, gravava as músicas registradas por Beach  Boys e Dusty Springfield, e cujo disco de estreia contou com a ajuda de Mercury, Taylor e May, "Picking Up Sounds", compacto do grupo Man Friday & Jive Junior, com participação de Deacon, a trilha do filme The Immortals, também com participação de Deacon, e imagens de alguns lançamentos da carreira solo de Freddie Mercury, principalmente as gravações ao lado de Montserat Caballet, a versão em vermelho do compacto "Nazis 1994" e a versão em laranja de "Pressure On", ambos de Roger Taylor.

Dos compactos do Queen, as imagens que aparecem as capas são: "Keep Yourself Alive", "Now I'm Here", "Killer Queen", "Seven Seas of Rhye", "You're My Best Friend", "Somebody To Love", "Spread Your Wings", "Bicycle Race", "Mustapha", "Play the Game", "Crazy Little Thing Called Love", "Save Me", "Flash", "Under Pressure", "Body Language", "Back Chat", "Calling All Girls", "Radio Ga Ga", "It's a Hard Life", "I Want to Break Free", "Hammer to Fall", "Friends Will Be Friends", "One Vision", "A Kind of Magic", "Scandal", "I Want it All", "Innuendo", a versão holográfica de "The Miracle", assim como as versões picture de "Bohemian Rhapsody", "Play the Game", "Jealousy",  "Invisible Man", "Keep Yourself Alive/A Winter's Tale", "Too Much Love Will Kill You", o  álbum Live Killers, e a versão octagonal de "Save Me".
Trecho da fase Miracle

A história é narrada pelo próprio Phil, sendo que há trechos especiais, como um texto central contando sobre a construção da famosa "Red Special" (guitarra de Brian May), escrito por Dave Hunter, o breve "Colocando os pingos nos i's", tratando a respeito da briga de Mercury com Sid Vicious, e a "Verdadeira história por trás de "Crazy Little Thing Called Love", essa escrita por Peter Hince. Outros nomes consagrados a escreverem pequenas passagens para História Ilustrada são Daniel Nester, Jon Bream, Jim Derogatis e Mick Rock. Músicos também colaboraram, pagando pau para a banda. Alguns dos principais são Adele, Slash - que só não colocou May como Deus por detalhe -, Tommy Lee elogiando Roger Taylor, Chris Squire elogiando John Deacon, Rob Halford colocando Mercury nas nuvens, Geddy Lee e outros

Outro destaque do volume é a discografia completa e comentada: cada álbum do Queen ganhou análises detalhadas assinadas por jornalistas especializados em rock, ou por amigos próximos da banda.
Já ao lado de Paul Rodgers

O livro possui um formato excepcional, capa dura, além de ser bem massivo. É uma aquisição incrível, que nas promoções que vez ou outra aparecem nos sites especializados, vale e muito a pena o investimento, ainda mais para os fãs da banda que querem conhecer detalhes da história e também ver capas de compactos que se quer sabia que existiam.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Livro: Queen Nos Bastidores: Minha Vida Com a Maior Banda de Rock do Século XX [2012]




Peter Hince foi um jovem roadie responsável pelo palco do Mott the Hopple em 1973, quando teve o primeiro contato com o grupo Queen, a banda de abertura da trupe de Ian Hunter naquele ano. Dois anos depois, Hince acabou sendo contratado para ser o roadie de Freddie Mercury e John Deacon durante a turnê do álbum A Night at the Opera, lançado pelo grupo Queen em 1975. A partir de então, foram 20 anos dedicados as turnês da banda, subindo de roadie a chefe de equipe de apoio da banda, e esse anos são retratados no interessante livro Queen Nos Bastidores - Minha Vida Com a Maior Banda de Rock do Século XX (no original Queen Unseen), lançado aqui no Brasil em 2012 pela editora Prumo, com tradução de Maria Elizabeth Hallak Neilson.

A orelha do livro já nos conta o que iremos nos deparar nas 296 páginas escritas por Hince: a história de uma das poucas pessoas que tinha livre acesso aos camarins do grupo não somente nos shows, mas também nas gravações, sendo uma peça chave para a grandiosidade que o Queen se tornou a partir da segunda metade da década de 70.



Hince também anuncia no Prólogo que "se você quer fofocas sórdidas e revelações bombásticas, compre um tabloide ... aqui você vai deleitar-se com muitas risadas e surpresas ao longo do caminho", ou seja, não há nenhuma revelação sobre os casos homossexuais de Mercury ou alguma novidade escabrosa que não chegou até então na imprensa, mas sim, uma emocionada apresentação de alguém que viveu na estrada, aproveitando os bônus (e os ônus) de fazer parte de uma banda enorme.

Sem seguir uma ordem cronológica, passeamos pelo livro de Hince como se presenciando as cenas in loco - similar ao que acontece no clássico filme Quase Famosos - e capítulo por capítulo, vamos sentindo as alegrias, loucuras e por que não, uma ponta de inveja com a quantidade de histórias de mulheres, sexo, famosos, drogas, bebidas, festas, viagens e muitas outras situações que um roadie passa e se quer imaginamos.



Tudo começa com Hince relatando um dos inúmeros ataques de fúria de Mercury, antes de um show no auge da carreira do Queen, onde Ratty (apelido dado por Mercury a Hince) é o único que consegue acalmá-lo, ou seja, somos apresentados a um homem que realmente era importante para a banda. Conhecemos um pouco do "por trás do palco", com Ratty revelando que Deacon só subia para tocar quando tivesse um grande bar com bebidas caríssimas preparado para ele atrás das caixas de som, e como muitas dessas bebidas acabavam nas barrigas dos roadies pós-show, os problemas de audição causados por ficar dia após dia em cima do palco, responsável pelo controle do piano de Mercury e do baixo de Deacon, os apelidos que os roadies deram para cada integrante de banda (Melina, Maggie, Elizabeth e Belisha, adivinhem quem é quem) e como vagarosamente ele foi conquistando seu espaço junto ao grupo, principalmente com Mercury.

O mais interessante são detalhes cômicos que o Queen passou e que se quer imaginamos que possam ter acontecido, como em uma apresentação em Munique durante a final da Copa do Mundo de 1986, quando Mercury estava preparado para subir ao palco fardado com a camiseta da Alemanha, que fez a final daquele ano com a Argentina, para cantar "We Are the Champions" e teve que largar a ideia por que a Argentina acabou ganhando o jogo, ou quando em outra apresentação, John Deacon dando um espetáculo de dança em uma casa noturna no Japão, Hince tendo que empunhar o baixo a força durante um show nos Estados Unidos para tocar "Another One Bites the Dust", enquanto Deacon esvaziava a bexiga.



O primeiro encontro com o grupo, as diferenças de estar na estrada nos Estados Unidos, onde tudo é feito a base de caminhões, e na Europa, com muitas viagens por países e lugares minúsculos, os primeiros deslumbres com o sexo e com as drogas, e as aventuras de um jovem roadie em Los Angeles, preenchem a primeira parte do livro, mas é a partir do capítulo Japão que Queen Nos Bastidores nos pega na leitura. Hince descreve o país como um apaixonado pelo Queen, e também faz curiosas - e bizarras - citações a comida local, como um prato onde enguias-bebês vivas boiando na cerveja são servidas como iguaria, e os seguranças entravam em deleite mastigando a cabeça dos bichos, e muitas doenças sexuais sendo transmitidas pelas groupies, as quais não gostavam de serem chamadas assim por terem sentimentos com o pessoal da banda.

Passando pelos nomes falsos dados pelos integrantes da banda ao se hospedarem em hotéis, travessuras na estrada e alguns detalhes sobre a filmagem de clipes importantes, como o de "Tie Your Mother Down", "Play the Game", "Crazy Little Thing Called Love" e "Another One Bites the Dust", Hince conta quais foram os piores momentos nas apresentações do Queen: um show em Chicago em 28 de janeiro de 1977, sob sensação térmica de -40 °C, onde tudo deu errado; uma apresentação em Saarbrücken, Alemanha, em 18 de agosto de 1979, realizado ao ar livre sob forte chuva e para um público diminuto, onde os fogos de artifício comprados a preço de ouro para embelezar o espetáculo estragaram; o show de Indianápolis em 11 de setembro de 1980, onde novamente nada deu certo, mas dessa vez Freddie quebrou com tudo no palco, e depois bateu no próprio Hince; e uma apresentação em Melbourne, no dia 17 de abril de 1985, abaixo de muita chuva e com luzes, alto-falantes e monitores desligando-se automaticamente, além do microfone de Mercury não funcionar.



Depois, o livro nos remete aos momentos de gravação do quarteto inglês, concentrando-se em um acidente de carro envolvendo o roadie e Freddie. Mas o ponto que chama a atenção nessa parte do livro, é quando Hince conta sobre o encontro do Queen com os Sex Pistols no estúdio Wessex de Londres, em 1976, e que a turma se dava muito bem, apesar de um determinado dia, Freddie ter retirado Sid Vicious de dentro do estúdio pelo colarinho por conta do baixista dos Pistols ter-lhe perguntado: "Você já conseguiu levar o balé às massas?", em alusão a uma declaração que Freddie havia dado dias antes para a imprensa. É engraçado imaginar Freddie, um homem que não era tão alto assim, carregando o gigante Vicious pelos corredores do Wessex.

As gravações do álbum Jazz em Montreux ganham um capítulo especial recheado de momentos hilários, como o piano de Freddie estragando o chão de uma tradicional escola de balé da cidade, e também o envolvimento com as mulheres suíças. A partir daqui, o livro torna-se ainda mais atrativo, com Hince contando detalhes sobre locais onde o Queen passava. Em Munqiue, a cidade das drogas pesadas e MULHERES (grafado em letras garrafais no livro), Hince descobriu o talento de Freddie com o ping-pong, e também viu e ouviu ao vivo a criação de "Crazy Little Thing Called Love" pelo cantor do Queen, o qual estava tomando banho no Hotel Hilton e começou a cantarolar a canção naqueles momentos de inspiração que acontecem poucas vezes.



Na capital inglesa, o autor narra sobre os prazeres (e desprazeres) de se estar em casa, e como foi a participação de Mercury no Royal Ballet em 1979, além da gravação do clipe de "Crazy Little Thing Called Love", onde sabemos que um do par de mãos que ficam batendo palmas no vídeo é o de Hince, e de "Play the Game", "I Want to Break Free", "Backchat", "Calling All Girls" e "It's a Hard Life". Para quem gosta de curiosidades, é um prato cheio. Depois de peregrinarmos por várias cidades do mundo, Hince chega na América do Sul.

Aqui, o autor rasga elogios ao público argentino, dizendo que o melhor show do Queen ao ar livre foi realizado no estádio Velez Sarsfield em 1981, mas também critica a organização dos shows no Brasil, ao mesmo tempo que ficamos sabendo do cancelamento de dois shows em 1981 aqui em nosso país, um em Belo Horizonte, por motivos que o autor prefere não revelar, e outro no Maracanã, por que o governo do estado não aceitou liberar o estádio com medo de danificação ao gramado. Uma perturbada passagem pela Venezuela e inúmeros problemas no México levam ao encerramento do capítulo América do Sul com a apresentação no Rock in Rio, e assim, o autor nos leva para as apresentações do Queen na África do Sul. Foi nesse período que ele começou a se desgastar como funcionário do Queen, já que agora ele não era mais o roadie, mas o responsável pelo palco inteiro, e também viu os ânimos entre os membros da banda ficarem mais acirrados, destacando que por várias vezes, Deacon confessou estar com vontade de sair da banda - e as vezes saía mesmo, voltando semanas depois de uma viagem para algum lugar paradisíaco.




O encerramento do livro conta como foram os dias de preparação do Live Aid em 1985, bem como a saída do Ratty da banda no mesmo ano, mas antes sem deixar de coordenar a longa e última turnê do grupo, a Magic Tour, durante o ano de 1986, mais como forma de manter a amizade com Mercury do que uma opção profissional do escritor.

Hoje, Hince é um fotógrafo reconhecido na publicidade, profissão alternada com a escrita, e em todo o livro, ele ressalta que a carreira dele foi feita com muito trabalho, mas o Queen tornou-a relativamente fácil, já que ele era livre para fazer o que quisesse, desde que cumprisse o que o Queen pedia, e por isso, agradece a banda por tudo o que ele conquistou.  A maioria das fotos que ilustram o livro (e não são poucas) foram retiradas por ele.

É um livro para fãs, mas que vale também para pensarmos que um grande grupo não é feito apenas pelos seus músicos.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Star Fleet Project



O ano é 1983. Havia passado um ano desde o lançamento do  ícone do rock britânico Queen, o conturbado Hot Space.  A turnê de divulgação do LP, junto ao afloramento sexual de Freddie Mercury, acabou levando o grupo para uma crise interna de proporções gigantescas. A solução encontrada para o não término do Queen foi que cada um tirasse umas longas férias.

Nesse período, Roger Taylor (bateria), se mandou para a Escócia, John Deacon (baixo) voltou para os estudos de eletrônica e para sua família, enquanto Mercury excursionou por projetos paralelos e carreira solo. Apenas o guitarrista Brian May ficou a ver navios e sem ter o que fazer. Não querendo abandonar a música, mas querendo abandonar o Queen, May buscava alguma inspiração para tentar arranjar forças e lançar-se em uma carreira solo.


Caixa com a série completa de Star Fleet
Foi quando em um belo dia de janeiro de 1983, em sua casa, May viu que seu filho Jimmy estava vidrado em um programa de TV. Esse programa era uma série de ficção científica da TV britânica, com diversos efeitos visuais para as batalhas dos heróis, os quais pilotavam veículos espaciais que podiam reconfigurar-se em gigantescos robôs durante as batalhas contra alienígenas que viajam em aeronaves em formato de inseto, gerando pequenas máquinas de guerra, tudo para possuir o segredo de F Zero One.

Apesar da bizarra história, May ficou fascinado com a série, e principalmente, com a trilha sonora do programa, batizado de Star Fleet, a qual foi composta por Paul Bliss. Assim, decidiu fazer uma versão para a trilha, a qual ele batizou de "a versão hard para Star Fleet". 

Confortado com a ideia, ele começou a ligar para alguns amigos, ver se os mesmos estavam disponíveis, e se aceitavam fazer a gravação da mesma, já que ele queria presentear o garoto que lhe apresentou a série com a canção. Os quatro primeiro samigos que ele ligou logo aceitaram participar. Eles eram Alan Gratzer (bateria), Phil Chen (baixo), Fred Mandel (teclados) e Eddie Van Halen (guitarra).


Brian May, Eddie Van Halen, Phil Chen e Fred Mandel
Nos dias 21 e 22 de abril de 1983, o quinteto se uniu para fazer o registro da trilha de Star Fleet no Record Plant Studios, de Los Angeles. Como as gravações ocorreram muito bem, sobrou tempo no estúdio, que os levou a gravar algumas improvisações. Passado as gravações, Brian entregou a fita para o menino e mostrou a gravação para diversos amigos, que acabaram o aconselhando a lançar o material em um LP, já que o que estava contido nas gravaçõesera um registro únido do guitarrista do Queen fora da banda.


Assim nasceu o EP Star Fleet Project. Lançado ainda em 1983, com o título da banda de Brian May + Friends, este é um álbum que passou despercebido até mesmo pelos fãs do Queen. Muitos nem se quer se animam a ouvir, devido a capa do mesmo com seu robô espacial, e a maioria desconhece a participação de Eddie Van Halen nas seis cordas.


Eddie Van Halen e Brian May
Pobres mortais! Star Fleet é uma amostra de como Brian May sabe tocar vários estilos, sem se prender ao andamento do Queen, e ainda, de como Eddie Van Halen no início dos anos 80 era o melhor guitarrista que a Terra tinha sobre seus pés. O álbum abre com "Starfleet", onde os acordes da guitarra de Brian são acompanhados pelos harmônicos de Van Halen, trazendo a bateria em um ritmo bem anos oitenta. Aqui já podemos perceber um detalhe importante: a mixagem privilegiou as guitarras, deixando bem claro quem é que está fazendo sua parte principalmente pelos diferentes estilos de May e Van Halen.


Os vocais de Brian surgem sobre o ritmo oitentista, tendo ao fundo intervenções vocais na linha do Queen, e também a destacada participação dos sintetizadores. Após a segunda repetição do refrão, começa a sequência de solos, primeiro com Brian, seguindo seu estilo tradicional, e depois com Van Halen, abusando de harmônicos. Os vocais retornam cantando o nome da canção, levando para mais uma sequência de solos, agora começando com Eddie.


A letra é repetida, encerrando a canção com seu nome sendo cantado e carregada de sintetizadores, partindo então para uma longa sessão instrumental onde Brian e Van Halen brincam em cima dos acordes centrais da mesma, de onde Eddie brota fazendo um rápido solo, seguido pelo solo de Brian, e terminando com uma sequência de solos de ambos.


A seguir, começa a sessão de improvisos, primeiro com "Let Me Out", onde piano e baixo fazem a introdução de um leve blues, com Brian cantando sobre o bom andamento da canção. May é o responsável pelo primeiro solo, cantando a sequência da letra, a qual já havia sido escrita para entrar em algum álbum do Queen, mas nunca mereceu uma chance. Van Halen faz o segundo solo, e então o blues come solto, em um ritmo embriagante, crescendo na espetacular sequência de solos de Brian e Van Halen, com os dois guitarristas totalmente relaxados, executando solos fantásticos e empregando suas diferentes técnicas para arrancar o mais feeling blues que você poderá ouvir de ambos, encerrando o lado A em um clima de total descontração com Brian entoando o nome da canção, e com Eddie estourando uma das cordas de sua guitarra.


Contra-capa de Star Fleet Project


O lado B é totalmente dedicado para a jam "Bluesbreaker (Dedicated to E. C.)". E. C. significa Eric Clapton, e se você pensou que só ia ouvir blues em "Let Me Out", está redondamente enganado. May e Van Halen estraçalham em um blues espetacular, nessa incrível jam session com solos memoráveis, começando com Van Halen solando timidamente, seguido de Brian em uma linha rock 'n' roll, sem firulas ou técnicas extravagantes. Eddie passa a usar acordes de blues, aplicando velocidade ao manhoso ritmo de piano, baixo e bateria, e a canção cresce em ritmo com Brian, que despeja distorções e escalas velozes ao lado de bends e alavancadas, sem perder a pose bluesística.


Estamos no centro da orgia bluesy, e Eddie parece uma mistura de Jimmy Page (Led Zeppelin) e Eric Clapton, totalmente diferente de seu estilo habitual, enquanto May solta bends rasgados, fazendo a guitarra gritar como poucos. Arpejos então é a 'arma' de Eddie para seu quarto solo, mesma técnica empregada por Brian. A sequência de solos nessa altura já tomou conta do seu corpo, e finalmente, Van Halen faz as suas mágicas escalas que são impossíveis de serem reproduzidas, chegando no momento onde ambos os guitarristas solam juntos, com muitos bends e arpejos.


Encarte do LP
Fred Mandel ganha seus segundos de fama, com um interessante solo ao piano, trazendo a guitarra de Brian para entrar na sequência final de solos, dessa vez solando mansamente, com notas engasgadas que são repetidas por Van Halen, um monstro na guitarra, com sua mão direita sendo muito veloz. O grupo para, deixando Mandel sozinho para puxar o ritmo de um dançante rock 'n' roll, seguidopor baixo e bateria. As guitarras aparecem vagarosamente, e May faz mais um solo neste novo ritmo, encerrando a canção do nada, com algumas conversas ao fundo e monstrando que o quinteto estava à vontade, apenas improvisando.


Festa de lançamento de Star Fleet Project, contando com May (esquerda), Van Halen (direita), John Entwistle (centro, ao lado de Eddie) e diversos convidados


Como Brian escreveu no encarte do vinil: "você pode nos ouvir sorrindo como que em um busca de respostas para as notas de guitarra um do outro". Esse é o clima de Star Fleet Project: relaxado, tranquilo e sem exibicionismo. Dois monstros da guitarra apenas tendo o prazer de tocar seu instrumento.


Sou um dos poucos que conheço que gostam desse disco. Para todos os que nunca ouviram por preconceito, ou medo, eu digo: deixem isso de lado e adquiram já este valioso material. Se você gosta de guitarras bem tocadas, você não irá se arrepender!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Podcast Grandes Nomes do Rock #13: Ozzy Osbourne


Por Mairon Machado (Publicado originalmente no blog Consultoria do Rock)



O Podcast Grandes Nomes do Rock dessa semana continua homenageando os artistas internacionais que estão em turnê pelo país. Depois do sucesso da passagem do Iron Maiden, agora apresentamos Ozzy Osbourne, incluindo canções do vocalista ainda no Black Sabbath, em sua carreira solo, covers para clássicos do rock e também integrantes de sua banda participando de grupos ou álbuns de outros artistas.



John Michael Osbourne nasceu no dia 3 de dezembro de 1948, em Birmingham, Inglaterra, em uma família de classe média, que possuía ainda mais cinco irmãos, todos filhos do casal Jack e Lilian. Ozzy tinha dislexia, sofrendo abusos de colegas e professores durante o ensino fundamental no Prince Albert Road Junior School, o que o levou a abandonar os estudos com 15 anos, indo trabalhar em diversos ramos, como afinador de buzinas de carro, um matadouro e também em navios cargueiros.

Formação clássica do Black Sabbath: Bill Ward, Ozzy Osbourne, 
Geezer Butler e Tony Iommi (1973)

Em 1967, Ozzy conheceu Terry "Geezer" Butler, e assim, uma forte amizade entre os dois nasceu, levando-os a criar o grupo Rare Breed, que não fez sucesso. Depois de alguns meses, Ozzy e Geezer juntaram-se a Tony Iommi e Bill Ward, formando então o grupo Earth, que posteriormente tornaria-se um dos mais importantes grupos e pioneiro do heavy metal mundial, o Black Sabbath.


O primeiro álbum com o grupo, Black Sabbath, foi lançado no dia 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira, e assombrou o mundo com uma sonoridade pesada, sombria e densa, arrancando arrepios com a mesca de blues e peso de canções como "Evil Woman" e "The Wizard", além de outras pérolas como a faixa-título, "N.I.B" e "Sleeping Village", que serviram para que os conservadores acusassem o jovem grupo de Birmingham de satanismo, ainda mais com as estranhas e inéditas distorções de Iommi.

Discos do Black Sabbath com Ozzy

Ao lado do Black Sabbath, Ozzy lançou ainda mais sete LPs (Paranoid - 1970; Master of Reality - 1971; Vol. 4 - 1972; Sabbath Bloody Sabbath - 1973; Sabotage - 1975; Technical Ecstasy - 1976 e Never Say Die - 1978), que tornaram o nome Black Sabbath uma referência em se tratando de heavy metal e riffs pesados; e saiu do grupo em 1979 devido a problemas musicais com Iommi, que levava o Black Sabbath cada vez mais para o lado das improvisações jazzísticas.



Primeira formação da Blizzard of Ozz: Ozzy, Lee Kerslake, Bob Daisley e Randy Rhoads

Após sua saída do Black Sabbath, Ozzy ficou três meses em tratamento a fim de curar seu vício com as drogas. Depois disso começou a montar seu projeto solo, batizado de Blizzard of Ozz, tendo como empresária e incentivadora sua futura esposa, Sharon Arden. A primeira formação do Blizzard of Ozz contava com Don Airey (teclados), Bob Daisley (baixo), Lee Kerslake (bateria) e Randy Rhoads (guitarra), esse último, um jovem e virtuoso guitarrista, que na época estava fazendo suas peripécias no grupo Quiet Riot. Randy foi contratado principalmente porque, no teste para entrar no grupo, foi o único a não afinar a guitarra conforme Iommi fazia.


Em 20 de setembro de 1980 saiu o primeiro LP da carreira solo de Osbourne, Blizzard of Ozz, um dos poucos álbuns do metal dos anos 80 a permanecer entre os 100 mais vendidos da década, apresentando clássicos como "Goodbye to Romance", "Crazy Train" e a sensacional "Mr. Crowley", com um riff imortal criado pelos teclados de Airey e um dos solos mais bonitos feitos por Rhoads.

Segunda formação da Blizzard of Ozz: Randy Rhoads, Ozzy, Rudy Sarzo e Tommy Aldridge

A turnê foi um grande sucesso, contando com Rudy Sarzo no baixo e Tommy Aldridge na bateria. Em 7 de novembro de 1981, saiu o segundo LP. Diary of a Madman trazia ainda mais clássicos para a carreira do Madman, como "Flying High Again", "Tonight", "S.A.T.O." e a sensacional faixa-título. Mais uma turnê fazia o nome de Ozzy e Rhoads crescer cada vez mais entre os aficcionados do metal, sendo que no dia 20 de janeiro de 82, ocorreu a famosa "dentada no morcego", onde Ozzy arrancou a cabeça de um morcego vivo que foi jogado ao palco durante uma apresentação no Veterans Memorial Auditorium, em Des Moines (EUA).


Sátira do programa "Os Simpsons", com Ozzy arrancando a "cabeça" de um Grammy

No dia 19 de março de 1982, um desastre acabaria mudando a vida e a carreira de Ozzy. O grupo havia feito um show no Knoxville Civic Coliseum na noite anterior, e assim, entraram noite adentro viajando para a próxima data, que seria em Orlando. Após dirigir a noite inteira, pararam para descansar em Leesburg, em uma fazenda pertencente a Jerry Calhoun.


Randy Rhoads


Ozzy dormia no ônibus do grupo quando o motorista Andrew Avcock, resolveu dar uma aula de exibicionismo em um avião da fazenda, convidando os demais membros da banda para participar. Rhoads foi um dos que aceitaram (o outro, a cabeleireira Rachel Youngblood) e foram "passear" com Avcock, após ele já ter feito um voo com Don Airey. Porém, Avcock decidiu assustar Ozzy e passou a fazer voos rasantes, próximos ao ônibus. Na terceira investida, a asa esquerda do avião bateu no lado do ônibus e chocou-se contra uma árvore, pegando fogo na mesma hora e levando para o lado de Jim Morrison, Jimi Hendrix e Janis Joplin mais um jovem talento. Rhoads estava morto, assim como os outros dois tripulantes. Uma autópsia posterior descobriu cocaína na urina de Avcock.

O vocalista entrou em profunda depressão, e acabou cumprindo o resto da turnê apenas por obrigação, tendo Bernie Tormé como substituto de Rhoads.  Sharon foi outra grande influência para que ele não desistisse de seguir em frente, e assim, em uma audição para procurar um novo guitarrista, Brad Gillis foi o escolhido. Com ele, Ozzy fez uma série de shows e lançou o ao vivo Speak of the Devil, apresentando apenas canções da era Black Sabbath.

Mr. Madman no US Festival (Jake E. Lee à direita)


Em 1983, um novo guitarrista entrou para a banda de Mr. Madman. Mais um jovem talento foi revelado ao mundo, Jake E. Lee. Um dos primeiros shows de Jake foi no U.S. Festival daquele ano, em uma apresentação sensacional diante de mais de 100 mil fãs.  Em 10 de dezembro do mesmo ano saiu Bark at the Moon, contando com Jake, Daisley, Airey e o baterista Tommy Aldridge, onde estão registrados clássicos como "Bark at the Moon", "So Tired" e "Rock 'n' Roll Rebel". Mais um álbum de estrondoso sucesso, vendendo 3 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.

Uma turnê mundial foi realizada, sendo que a primeira perna da turnê, ao lado do Mötley Crüe, é conhecida como a "mais louca, drogada e completamente bêbada turnê da história do rock", com Ozzy e o baixista do Crüe Nikki Sixx competindo para ver quem se chapava mais.

Live Aid (1985)


O vocalista participou da primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Em 13 de julho do mesmo ano, a formação original do Black Sabbath reuniu-se pela primeira vez para uma única apresentação de pouco mais de 20 minutos no Live Aid, emocionando aos presentes no JFK Stadium, na Philadelphia.

Jake E. Lee
Ainda em 85, Ozzy foi acusado pelo suícidio do jovem John McCollum, que cometeu o ato ouvindo a canção "Suicide Solution". A família do garoto acusou a letra da canção de incitar o filho a cometer tal ato, e os advogados da família exigiram que o vocalista fosse condenado, mas as cortes alegaram não haver relações entre os fatos. Anos depois, em 91, os pais de Michael Waller acusaram o vocalista de outro suícido, pedindo 9 milhões de dólares. Novamente, as cortes inocentaram Ozzy.

Mr. Madman voltou para os estúdios no outono de 1985, agora com Phil Soussan no baixo e Randy Castillo na bateria. Em 22 de fevereiro de 1986, The Ultimate Sin chegou às lojas, apresentando pérolas como "Killer of Giants", "Shot in the Dark" e "Never".

Outra turnê e os problemas com as drogas e o álcool passaram a se tornarem frequentes na vida de Ozzy, culminando com a saída de Jake em 1987, mesmo ano em que foi lançado o ao vivo Tribute, trazendo apresentações de Ozzy com Randy Rhoads na guitarra durante a turnê de 1981, além de tomadas inéditas de estúdio para a instrumental "Dee".

Zakk Wylde foi o novo virtuoso a ser lançado por Ozzy, estreando no álbum No Rest for the Wicked, lançado em 22 de outubro de 1988, que trazia novamente Bob Daisley no baixo, além de Castillo, firme atrás dos bumbos, e  John Sinclair, o novo tecladista. Com esse álbum, Ozzy registrou pelo menos mais dois clássicos: "Fire in the Sky" e "Miracle Man".

A turnê de No Rest for the Wicked contou com uma novidade, o baixista Geezer Butler, que participou ao lado de Ozzy do Moscow Music Peace Festival, em 1989, além de ser o baixista presente no EP ao vivo Just Say Ozzy, lançado no mesmo ano. Na época, Ozzy começou a fazer um longo tratamento de desintoxiação, ao mesmo tempo que gravava o novo álbum.

Zakk Wylde
Em 17 de setembro de 1991, No More Tears abriu uma nova porta para a carreira de Ozzy, conquistando a geração MTV com canções como "Mama, I'm Coming Home", "Hellraiser" e "No More Tears". A formação do grupo foi a mesma que gravou No Rest for the Wicked, apesar do baixo ter sido creditado a Mike Inez, que realizou os shows posteriores. Da turnê de No More Tears, em 28 de junho de 1993 foi lançado  o ao vivo Live and Loud. O LP cresceu nas paradas, e em 2000, recebeu a certificação de platina quádrupla (mais de 4 milhões de discos vendidos).

Ozzy anunciou sua despedida dos palcos, em uma excursão que foi batizada de "No More Tours". Mas a vontade de cantar foi maior. Assim, em 24 de outubro de 1995, Ozzmosis botava lenha na fogueira de sucessos de Mr. Madman, contando com talvez a mais ténica de todas as formações que estiveram ao seu lado, com Zakk Wylde, Geezer Butler, Deen Castronovo (bateria) e Rick Wakeman (teclados).

A turnê, batizada de "Retirement Sucks Tour", acabou não sendo tão bem sucedida quanto as demais, mas Ozzmosis foi tão bem quanto No More Tears nas paradas, chegando ao quarto lugar e recebendo platina dupla no ano de 1999, apresentando preciosidades como "Perry Mason" e a balada "See You on the Other Side".

Reunião do Black Sabbath em 97


Em 1996, Wylde, Butler e Castronovo deram lugar a Joe Holmes, Mike Inez e Randy Castillo respectivamente. Nos dias 25 e 26 de outubro daquele ano, Ozzy realizou a primeira edição de seu festival itinerante, o Ozzfest. Na edição seguinte, o destaque foi uma apresentação especial com o Black Sabbath, contando com Iommi, Ozzy, Butler e Mike Bordin (bateria). Em dezembro de 97, Ward juntou-se ao trio original do Black Sabbath para dois shows, que foram registrados no álbum Reunion, lançado em 20 de outubro de 1998.

Outros Ozzfests foram realizados a cada ano, expandindo para países como Inglaterra, Alemanha e Israel, rendendo fama e dinheiro para Ozzy. Algumas reuniões especiais do Black Sabbath ocorreram, como a de 2004, mas o sonho de um retorno do grupo aos estúdios acabou sendo barrado por diversos problemas, então Ozzy manteve sua carreira solo. 

Ozzy e Wylde (2001)


Após seis anos sem lançar um disco de estúdio, em 16 de outubro de 2001 saiu Down to Earth, trazendo Zakk, Robert Trujillo (baixo) e Mike Bordin (bateria). Outro álbum muito bem sucedido comercialmente, destacou a balada "Dreamer". O grupo excursionou pelo mundo, registrando uma apresentação no Japão no ao vivo Live at Budokan.

Nesse período, uma ação judicial de Bob Daisley, Lee Kerslake e Phil Soussan contra Osbourne foi lançada. O trio alegava não receber os valores corretos pelo uso de seus nomes nos primeiros álbuns do vocalista. Em novembro de 2003, a Corte Federal Americana decidiu que Ozzy não deveria pagar os tributos que o trio estava exigindo, já que eles eram músicos de estúdio, mas, para não haver problemas, os álbuns Blizzard of Ozz e Diary of a Madman foram regravados, contando com Robert Trujillo e Mike Bordin substituindo Daisley e Kerslake respectivamente.

The Osbournes


Em 2002, o nome do vocalista passou a ser sinônimo de televisão graças ao sucesso do reality show "The Osbournes", que mostrava o dia-a-dia da família Osbourne na MTV (uma espécie de Big Brother Brasil apenas com Ozzy, Sharon e seus filhos Jack e Kelly). O programa ficou no ar de 5 de março de 2002 a 21 de março de 2005.

Ozzy na calçada da fama inglesa
Em 2003 o baixista Jason Newsted (Metallica)  se tornou mais um a integrar a legião de músicos que tocaram com o Madman. Porém, cinco dias após seu aniversário, em 8 de dezembro do mesmo ano, Mr. Osbourne passou por uma cirurgia de emergência que atrapalhou os planos de um novo lançamento, devido a um acidente de quadriciclo onde o vocalista sofreu diversas fraturas. Ao mesmo tempo, Ozzy descobriu que estava com síndrome de Parkin, uma séria doença que pode levar ao que é conhecido como Mal de Parkinson.

Para compensar os fãs, em 2005 saiu a caixa Prince of Darkness, trazendo quatro CDs com muitas raridades, duetos e covers inéditas. Em 1º de novembro do mesmo ano, o álbum de covers Under Cover foi lançado, contando com a presença de Jerry Cantrell (guitarra), Chris Wyse (baixo) e Mike Bordin (bateria). Ainda em 2005, Ozzy e o Black Sabbath entraram para a Hall of Fame do rock inglês, sendo inseridos na Hall of Fame americana no ano seguinte.

Ozzy e Sharon


O álbum seguinte de inéditas foi lançado em 22 de maio de 2007. Black Rain foi o quarto álbum de platina na sequência, e contava com Zakk, Bordin e o baixista Rob "Blasko" Nicholson, trazendo como destaque as canções "I Don't Wanna Stop" e "11 Silver". Em 2009, saiu a autobiografia I Am Ozzy, um grande sucesso literário, onde o vocalista conta histórias hilárias de sua carreira. Em julho do mesmo ano, Zakk saiu do grupo para seguir carreira ao lado de seu grupo de longa data, o Black Label Society.

O substituto escolhido foi Gus G., que estreou ao lado de Osbourne em agosto de 2009, no BlizzCon Festival. Nesse mesmo ano, Ozzy virou personagem de videogame, intepretando The Guardian of Metal no jogo Brütal Legend. O anúncio de um novo álbum, intitulado Soul Sucka, acabou gerando controvérsias devido a seu nome. 

Em respeito aos fãs, Ozzy mudou o nome do álbum; assim, em 29 de março de 2010, saiu Scream, com Gus G., Blasko, Adam Wakeman (teclados) e Tommy Clufetos (bateria). É exatamente a turnê desse álbum que está passando pelo Brasil e enlouquecendo os fãs com os clássicos da carreira de mais um grande nome do rock a pisar em nossas terras.

Ozzy na turnê pelo Brasil


Discografia de Ozzy Osbourne

Track list Podcast # 12 - Iron Maiden Parte 2

Bloco 01
Abertura: "Sign of the Cross" [do álbum The X-Factor - 1995]
"Virus" [do álbum Best of the Beast - 1996]
"The Mercenary" [do bootleg Brave New Tour - 2002]
"El Dorado" [do boolteg Live in Cingapore - 2011]

Bloco 02
Abertura: "The Clasman" [do álbum Virtual XI - 1998]
"Paschendale" [do álbum Dance of Death - 2003 (bônus track)]
"Futureal" [do single de The Wicker Man - 2000]
"Brave New World" [do álbum The Piano Tribute - 2005 (Scott Lavender)]

Bloco 03
Abertura: "The Reincarnation of Benjamin Bregg" [do álbum Dance of Death -  2003]
"What I'm Gonna Do" [do álbum The Masters - 1999    (Paul Di' Anno)]
"King in Crimson" [do bootleg Scream for Me Brazil   (Bruce Dickinson)]
"Wasted Years" [do bootleg Unplugged - 2007 (Blaze Bayley)]

Bloco 04
Abertura: "Doctor Doctor" [do EP Lord of the Flies - 1996]
"Rock Bottom" [do bootleg Marquee Club - London, England - 1974 (UFO)]
"Phoenix" [do bootleg Fighters & Warriors - 1972 (Wishbone Ash)]
"Massacre" [do álbum Live & Dangerous - 1978 (Thin Lizzy)]

Encerramento: "Satellite" [do álbum The Final Frontier - 2010]
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