Editado por André Kaminski
Tema escolhido por Marcello Zappellini
Com Anderson Godinho, Davi Pascale, Mairon Machado e Marcelo Freire
Quando chegou a minha vez de propor um tema, pensei um pouco e decidi homenagear o instrumento musical que normalmente mais me chama atenção no rock e seus múltiplos subgêneros: o baixo. Mas, simplesmente falar de baixistas não seria muito interessante, então pensei na ideia de trazer recomendações de discos em que o baixista seja o vocalista principal. Uma regra foi aplicada: não poderia haver outro vocalista principal na banda, o que levou a deixar de lado Beatles e Kiss, por exemplo. Embora não tenha ficado explícito, também não caberia indicação de baixista/vocalista em carreira solo. O resultado foi uma lista bem variada, como se pode ver. (Marcello Zappellini)

The Police - Regatta de Blanc [1979]
Por Marcello Zappellini
O segundo disco do The Police não é muito lembrado na carreira da banda, pois não teve a novidade do primeiro nem o impacto de Sinchronicity, mas sempre esteve entre meus favoritos da banda. Diferentemente do primeiro LP, Sting não domina as composições (embora as duas músicas mais conhecidas sejam dele, “Message in a Bottle” e “Walking on the Moon”), pois duas são creditadas aos três, uma a Sting e Stewart Copeland e três foram escritas por Copeland. O riff intrincado de Andy Summers em “Message in a Bottle” abre (muito bem) o disco, seguido pela faixa-título quase instrumental, e por “It’s Alright for You”, que não faria feio no primeiro disco; nessa, o baixo é creditado a Stewart Copeland. “Bring on the Night” traz um baixo mais trabalhado e, como tanto Andy e Stewart estão meio discretos na música, Sting se torna o destaque. “Deathwish” é uma canção injustamente pouco lembrada, em que o nosso baixista/vocalista de novo carrega a melodia. Já “Walking on the Moon” é um primor de simplicidade - ninguém precisa ser Chris Squire ou John Entwistle para fazer o baixo ser o instrumento que mais chama sua atenção. “On Any Other Day” é bem diferente e tem um estilo meio 50s/60s que o Police nunca mais explorou; “The Bed’s Too Big Without You” retoma o reggae com outro riff marcante de baixo, e "Contact” é bem new wave, e traz um interessante baixo em staccato, mas não escapa de ser a mais fraca do disco. Copeland é o responsável por “Does Everyone Stare”, em que toca piano. A enérgica “No Time This Time” encerra o disco, com outra bela linha de baixo em uma música que também podia estar no disco anterior. Nos vocais, Sting desempenha melhor aqui do que no primeiro LP, embora ele ainda fosse melhorar com o tempo; a impressão que tenho é que, para se dissociar do movimento punk, o grupo investiu em uma sonoridade mais sofisticada, o que passa pela voz do baixista. E o reggae é um estilo que favorece o baixo, que confere a necessária pulsação à música, tornando Regatta de Blanc um álbum digno desta lista.
Anderson: Um dos clássicos do The Police, sem sombra de dúvidas. Message in a Bottle e Walking on the Moon não me deixam mentir, mas poderia destacar "Deathwish" ou "The Bed's Too Big Without You" que em minha concepção representam muito a sonoridade da banda naquele momento. Acredito que algumas faixas poderiam ter sido deixadas de lado, mas como o material não é tão extenso é aceitável que permaneçam. Por fim, acho que a sonoridade apresentada pelo The Police aqui representa bem um dos caminhos que o rock estava desbravando no final dos anos 1970, o que torna o material ainda mais relevante.
André: Demorei um tempão, mas o som do The Police me fisgou depois dos 30 anos. É curioso como eles tentam fazer aqui uma espécie de reggae-punk-pop-rock. Como a guitarra de Andy Summers tem pouquissimo overdrive, o baixo de Sting acaba tomando conta da maioria das canções e, como vocalista, o Picada sempre se destacou. Para este tema, um ótimo disco e bem representativo como era de se esperar.
Davi: O The Police foi um grupo pop de primeiríssima linha, que contava com três grandes músicos e uma sonoridade bem definida e bem refinada misturando elementos de vertentes distintas como o punk e o reggae. Sua trajetória foi curta, mas deixou uma discografia impecável repleta de grandes hits e verdadeiras pérolas escondidas. Nesse segundo CD, os hits ficam por conta das inesquecíveis “Message In a Bottle” e “Walking On The Moon”, enquanto meus lados B favoritos ficam por conta de “It´s Alright For You” e “Bring On The Night”. Discão!
Mairon: Nunca fui muito com a cara do The Police, e sempre me perguntava o por que disso. Ouvi os discos da banda há muitos anos atrás, e desisti. Me culpava por um certo lado, pois alguns amigos que conheço consideram a banda revolucionária. Então, fui de coração aberto, quase 20 anos depois, para ouvir esse segundo disco deles, e pqp, logo de cara, em "Message in the Bottle", me dei conta de quão insuportável (e vexatório) é o Sting, que como baixista acho limitadíssimo, tentar cantar como o Bob Marley, e quão é terrível essa ideia de três britânicos quadradões tentarem fazer reggae de branco. O Clash ao menos foi honesto e fez letras que representavam um pouco o que é o reggae, mas isso aqui?? Que coisa tinhosa, que coisa detestável, que coisa triste saber que Andy Summers e Stewart Copeland, estes sim muito talentosos, fizeram parte de algo tão chato. Me surpreende um pouco de saber que o Rush gostou disso aqui, e se inspirou neles para fazerem "The Spirit of Radio", por que olha, musicalmente é vomitativo o que esses caras fizeram. Não tenho mais palavras para mostrar meu ranço com o The Police, mas se alguém quiser vir defender esses otários, que vá ouvir a imundíce chatíssima dos "io io ios" e "ie ie ies" da faixa-título ou de "Walking on the Moon". Me perdoa Marcelo (certeza que foi tu quem recomendou), mas que baita bost@. Preciso ouvir Zappa para limpar meus ouvidos.
Marcelo:

Robin Trower - Robin Trower Live [1976]
Por Marcelo Freire
Anderson: Definitivamente não gosto de álbuns ao vivo e esse me lembrou o motivo. Uma coisa é ir no show e viver aqueles momentos com todo o contexto emocionante que contam histórias únicas e pessoais. Agora, os álbuns ao vivo não expressam tudo isso, entendo sua importância em vários sentidos, como para registrar os distintos momentos pelos quais uma banda passa, bem como disponibilizar um material para um público que, possivelmente, nunca teria como ver in loco. Dito isso, o material apresenta todos os excessos que em um show caem bem, mas que se tornam maçantes em uma audição cuidadosa em casa. A banda, por sua vez, está impecável, reza a lenda que não sabiam que o material se tornaria um disco. Musicalmente, Trower mostra os motivos de ser considerado um dos grandes. Particularmente, as baladas me pegaram: Daydream e I Can't Wait Much Longer são muito boas e a execução é muito boa. Enfim, um ótimo material para quem curte Live.
André: Ótimo disco ao vivo de Trower, um destaque na guitarra blues rock. Em conjunto com o vocalista e baixista James Dewar, que também canta e toca pacas, temos um lindíssimo disco do melhor do que o blues rock setentista pode oferecer. Curioso como o comparam ao Hendrix. Mas a bem da verdade, realmente é o sujeito que eu mais vejo ter chegado próximo em termos de guitarra neste estilo.
Davi: Clássico álbum do grande guitarrista Robin Trower. Lembro que um tempo atrás, indiquei o Bridge of Sighs, em uma outra edição do Consultoria Recomenda. Bacana ver mais um disco dele por aqui. Não tem muito o que falar de novidade. Robin é um guitarrista brilhante, James Dewar é um vocalista de mão cheia (embora o trabalho vocal dele aqui tenha sido refeito em estúdio), e o set é fantástico. Claro... Como o LP da época era simples (atualmente existe uma edição de luxo mais completa), faltavam alguns sons como a fantástica “Day of The Eagle”, mas não tem como criticar um disco que traz sons como “Little Bit of Sympathy”, “Lady Love” e “Rock Me Baby”. Audição obrigatória!
Mairon: Robin Trower, James Dewar e Bill Lordan formaram um dos grandes power trios da história. Assim como Taste e a Stevie Ray Vaughan Band, a Robin Trower Trio era escorada na genialidade de seus guitarristas (para quem não sabe, o Taste era liderado por Rory Gallagher). Robin Trower sempre foi um filhotão de Jimi Hendrix, e suas qualidades são inquestionáveis, mas como o Recomenda se trata de baixista e vocalista, me concentro então a analisar o trabalho de Dewar. Seus vocais britânicos são nítidos e brilhantes, me lembrando muito os de Bobby Martin (que acompanhou Zappa nos anos 80) em faixas como a dançante "Too Rolling Stoned", o rockaço "Lady Love" e a doloridíssima "Daydream", uma das mais lindas canções da carreira de Trower, assim como a bela " I Can't Wait Much Longer", na qual Trower demole na guitarra. Além disso, o groove do seu baixo é a sólida base para "Little Bit Of Sympathy", "Rock Me Baby" e principalmente "Alethea", faixa pegadíssima, com um ótimo solo de Lordan, que remete diretamente ao Jimi Hendrix Experience e ao Cream. Apesar de achar que a mixagem do baixo está baixa ao longo de todo o álbum, é um disco que acerta em cheio no coração de quem ama rock, e principalmente, um bom e vigoroso power trio..
Marcello: O quarto disco-solo do ex-guitarrista do Procol Harum é um absurdo de bom, e faz parte dessa lista por causa da presença do gigantesco James Dewar, ex-Stone The Crows e não somente um baixista excelente, como um vocalista dono de uma voz simplesmente fenomenal, cheia de soul. Falei mais desse álbum na matéria sobre o rock ao vivo em 1976, e para não me repetir, vou me concentrar no desempenho de Dewar. O músico já brilha na introdução de “Too Rolling Stoned”, antes de Trower entrar com sua guitarra com wah-wah, e quando Dewar começa a cantar você percebe que está diante de algo especial. “Daydream”, mais suave e romântica, permite a nosso herói explorar sua bela voz, ao passo que “Rock Me Baby” prova que ele podia cantar blues muito bem. “Lady Love”, que encerra o antigo lado 1, não permite muito destaque a Dewar, mas na sequência tem-se a monumental “I Can’t Wait Much Longer”, em que Robin estraçalha na guitarra – mas James consegue nos fazer esquecer dele em alguns momentos. “Alethea” se assemelha um pouco em termos de desempenho vocal a “Too Rolling Stoned”, e o disco se encerra com “Little Bit of Sympathy”, em que Trower arrasa novamente e Bill Lordan tem direito a um curto solo de bateria. Preciso chamar atenção para o timbre pesado de James no baixo, que soa em alguns momentos como se ele usasse distorção, mas, até onde sei, isso não ocorre. Robin trabalharia com bons baixistas (Jack Bruce, por exemplo), mas James Dewar (infelizmente falecido ainda jovem) foi seu parceiro ideal, e Live! está aí para provar.

Som Nosso de Cada Dia - Som Nosso [1977]
Por Mairon Machado
Minha recomendação é mais uma forma de homenagear um dos maiores baixistas/vocalistas do Brasil, além de ser um cara muito simpático e querido, que tive a honra de entrevistar pouco antes de seu falecimento. Pedrão Baldanza tocou com praticamente todos os grandes nomes que o nosso país revelou, e foi na Som Nosso de Cada Dia que teve sua criatividade progressiva revelada, através do excelente Sneges (1974). Depois de uma reformulação no line-up da banda, em 1977 veio o segundo álbum da banda, com uma sonoridade totalmente moderna e diferente de seu trabalho antecessor. famoso Lado Sábado é para realmente se divertir com uma noitada de fim de semana. Nele, os vocais rasgados e trêmulos de Pedrão de sobressaem em faixas como , "Levante a Cabeça", "Pra Swingar" e seu baixo swingado aparece em faixas como "François", além de comandar o riffzão no groove de "Estação da Luz", "Pra Segurar", praticamente arrebentando as cordas, e "Vida de Artista". Já o lado Domingo é para aquele dia que você apenas relaxar com um som bastante progressivo, na linha Snegs, com os vocais característicos de Pedrão comandando "Bem No fim", e uma baita linha de baixo, e a tocante "Neblina", carregada nos viajantes teclados e nas delirantes vocalizações de Pedrão, além do baixão de "Água Limpa" e "Rara Confluência", pauladas prog com muito moog e guitarra. Destaque total neste lado para "Montanhas", com um show a parte do baixo de Pedrão (e da bateria de Pedrinho), e certamente a faixa mais Snegs de um disco incompreendido, sendo fundamental e necessário de ser apresentado para as novas gerações.
Anderson: Não conhecia a banda, mas sua audição gerou momentos agradáveis. Sendo bem direto, há uma distinção interessante entre músicas mais animadas que podem ser inseridas no contexto da disco music e do funk, músicas que soam muito acessíveis, e por outro lado algo voltado para o rock progressivo. As músicas Bem no Fim e Montanhas representam bem esse segundo momento do álbum. Em minha opinião essa segunda parte é muito mais interessante do que o início, apesar de o disco como um todo ser muito agradável. Vale a pena ouvir na íntegra.
André: Gosto muito deste disco e Pedrão é o cara! Seu baixo pulsa com vida em praticamente todo o disco. Prog, funk, soul e jazz se misturam aqui facilmente, com a banda conseguindo a façanha de fazer essa salada sonora soar muito boa. Para um disco dos anos 70 com essa qualidade de som, tem que se tirar todos os chapéus possíveis.
Davi: Em Som Nosso, o grupo do saudoso Pedro Baldanza atacava em 2 frentes. O lado A trazia uma sonoridade com uma pegada funk/soul e um pezinho na MPB. OS arranjos são bem resolvidos e os músicos são excelentes. Quem curte aquela sonoridade setentista do Tim Maia deve curtir, principalmente a faixa “Levante a Cabeça”. Contudo, me identifico mais com a segunda metade do LP, onde os músicos apostam em uma sonoridade jazz/rock com forte influência do rock progressivo. Nessa segunda metade, o grande destaque vai para a bela faixa “Montanhas”. Foi um disco legal de reescutar, mas ainda prefiro o Snegs.
Marcelo:
Marcello: O representante do rock brasileiro na lista é um grupo de quem só conhecia um disco (que ouvi em fita, aliás!) e nem imaginava que tinha um baixista/vocalista (Pedrão). O disco tinha dois lados bem distintos: o lado A (“Sábado”) começa com “Para Swingar”, que faz jus ao nome com seu balanço funk, os metais e a voz canalhinha de Pedrão. “Levante a Cabeça” já dá mais destaque para o baixo numa música que dura pouco e deixa gostinho de “quero mais”, e “François” tem forte influência de disco music. “Para Segurar” põe os teclados em relevo e outro ótimo arranjo de metais. “Estação da Luz” e “Vida de Artista” foram compostas por Tony Osanah, figura conhecida no cenário da época, a segunda com um ritmo intrincado que destaca novamente os teclados e traz na letra a linha mortal: “para subir na vida é melhor ser ascensorista”. O lado B (“Domingo”) remete ao clássico álbum de estreia do grupo, Snegs (1974), com menor influência de black music. “Bem no Fim” tem outra linha de baixo fantástica e ótimos teclados, e “Montanhas” começa com aquele som “viajante” de meados da década de 70, trazendo uma bateria sensacional de Pedrinho Batera numa música meio jazz-rock, e quando você pensa que a música será toda instrumental, os vocais entram para concluir. “Neblina” não me chamou muito a atenção, mas “Água Limpa” traz um interlúdio instrumental com um piano sensacional. O álbum se encerra com “Rara Confluência”, com uma introdução de sintetizador que lembrou os bons tempos de Rick Wakeman e outra bateria fantástica. Apesar da habilidade impressionante dos músicos envolvidos, confesso que preferi o lado A. Som Nosso é um daqueles discos que se tivessem sido gravados nos EUA ou Inglaterra, poderia ter feito sucesso, especialmente se investisse no som do lado A. Infelizmente, nem aqui vendeu bem, e a banda acabou pouco depois.

Reverend Bizarre - II: Crush the Insects [2005]
Por André Kaminski
Embora o doom metal mais tradicional seja a base (nas quatro últimas faixas), fica claro que a banda se inspira no Sabbath setentista (nas três primeiras). Diferente das temáticas obscuras e melancólicas, o baixista e vocalista Albert Witchfinder volta e meia usa o humor em suas letras na criação de canções que não parecem se levar a sério. Por pouco não indiquei Goddess of Doom, mas pena que era apenas um single homenageando a deusa do terror Vandinha Addams, ou Christina Ricci, que até aceitou ser a capa do disco! É um doom metal divertido (isso existe?) e diferenciado, de uma banda que durou pouco mas que muitos a tem como seu "achado de estimação da qual não contarei a ninguém".
Anderson: Outra banda que não conhecia e que me surpreendeu bastante. O disco é uma loucura, começa mais cru e seco, soa como um stoner rock mais simples e clássico. Colocaria as três primeiras nessa lista, destaque para Doom Over the World, a mais interessante. Eis que a partir da quarta música, um épico de 13 minutos, a sonoridade muda vertiginosamente para um Doom Metal daqueles bem cadenciados. Até o final teremos músicas longas e arrastadas que criam uma atmosfera completamente melancólica. Em minha perspectiva, a última música Fucking Wizard é o maior destaque dessa “fase 2” do material, faz menção ao Black Sabbath, mas ao seu jeito. Acredito que o nome da banda justifica bem o material. Com certeza não é para qualquer um, ainda não sei me surpreendi positiva ou negativamente.
Davi: Segundo álbum da banda de doom metal da Finlândia. Confesso que não conhecia o grupo e que fiquei impressionado em ver como esse álbum é cultuado entre os críticos de metal. Sério... Não consegui enxergar toda essa qualidade que os caras mencionaram. Achei as composições chatas, a audição extremamente cansativa, o som da bateria extremamente sem graça e o trabalho vocal fraquíssimo. Definitivamente, não é pra mim.
Mairon: Nunca tinha ouvido falar desta banda, então, quando olhei a capa do álbum, pensei que viria algo de contexto histórico. O som é um doom metal sem muita energia, e onde o vocal e o baixo de Albert Witchfinder se destacam realmente. Apesar de ser um disco muito longo (1 hora e 13 minutos), e não ser o estilo de música que aprecio hoje em dia, reconheço qualidades no disco, principalmente em "The Devil Rides On" e claro, o épico "Slave of Satan", com uma longa introdução de baixo e que fiz questão de ouvir as duas versões (a versão single, completa, possui 21 minutos!) . Me lembrou algo do Misfits, sei lá, mas mais arrastado, em especial "By This Axe I Rule!" e "Fucking Wizard", cujos trechos velozes são sensacionais, mas o longo trecho arrastado em cada uma delas é bem cansativo. Se essas canções fossem uns 30% mais curtas, seria um ótimo disco. De qualquer forma, irei ouvir os outros dois álbuns do trio finlandês para ver se é assim mesmo. Recomendação interessante.
Marcelo:
Marcello: Quando recebi a lista, minha reação foi “quem???”. Quando vi a capa, minha reação foi “oh, não!”, e fui ouvir o disco sem muita expectativa. Quatro das oito músicas ultrapassam os 10 minutos de duração, e o baixista Albert Witchfinder se mostra um vocalista de bons recursos, além de mostrar segurança nas 4 cordas. “Doom over the World” me lembrou bastante do Black Sabbath: teria sido interessante ouvi-la com Tony Iommi e Tony Martin! Mas dispenso o papo furado no final, que não contribuiu em nada com a música. “The Devil Rides Out” mantém o clima sombrio e um solo curiosamente melodioso. Na sequência, a menor música do disco (só 5’22”!): “Cromwell” fala do Lord Protector, mas, como não fui atrás da letra, não sei o que ele veio fazer aqui no meio do disco – diferentemente das duas primeiras, as influências sabbathianas passam longe dessa música. Foi uma quebra interessante no meio do disco, para falar a verdade. O baixo introduz “Slave of Satan” - da faixa mais curta à mais longa – e os vocais de Witchifinder, embora ocupem pouco espaço na música, são o principal destaque. A música, em si, é um pouco monótona e não caiu no meu gosto. “Council of Ten” mantém o ritmo arrastado da anterior, e de novo o vocal me chamou a atenção, mas a mudança de ritmo n terço final ficou bem legal. “By This Axe I Rule” mantém o clima soturno e o mesmo ritmo das duas anteriores – parece que o baterista se cansou, hehehe. O baixo ganha algumas distorções, tornando-o o instrumento mais proeminente, e puxa uma acelerada na música que mais uma vez me lembrou o Sabbath. “Eternal Forest” não muda muito em relação às músicas anteriores – mesmo problema de “Fucking Wizard”, essa uma “Black Sabbath” (a música, não a banda) sem os mesmos atrativos. No fim das contas, algumas músicas sofreram por ter uma duração muito longa e se tornaram bastante monótonas e repetitivas, mas II: Crush the Insects funcionou bem nas músicas mais curtas – as longas mereciam algumas tesouradas ou pelo menos introduzir outros instrumentos nos arranjos. Foi bom para conhecer, mas não acho que voltarei ao Reverend Bizarre.

Sacred Reich - The American Way [1990]
Por Anderson Godinho
Esse álbum, na discografia da banda, significa uma mudança para um som mais pesado e menos veloz em relação aos anteriores. Phil Rind comanda as mudanças com algumas passagens mais grooveadas, mas é Greg Hall quem se destaca mais com seus arranjos para a bateria (inclusive em 1991, Hall deixa a banda). As letras também são destaque no sentido de apresentarem um tom mais politizado. Alguns clássicos da banda como Love...Hate e a faixa título The American Way até os dias atuais são lembradas nos shows. Algumas elucubrações e invencionices também são lembradas, mas não necessariamente por serem boas, 31 Flavors é um pavor. De modo geral é um bom disco de Thrash Metal, longe de se destacar em meio à multidão, mas tem bons momentos e é um material lembrado na discografia da clássica banda do Arizona.
André: Já ouvi alguns discos dessa banda, incluive este The American Way. Tem aquela mistura de thrash e groove tal como o contemporâneo Pantera, mas sem a qualidade dos riffs de Dimebag Darrel. É um disco bom, na parte de baixo e vocais, o responsável Phil Rind consegue um desempenho satisfatório embora ele não seja nem um grande baixista e nem um grande cantor. A música que mais gostei foi "Crimes Agains the Humanity", incluisive com a intro fazendo uso em destaque do baixo com os vocais.
Davi: The American Way é o segundo álbum do Sacred Reich. O disco aposta em um thrash metal bem cadenciado, bem trabalhado, com um ‘q’ de groove metal. Gosto bastante tanto de thrash, gosto de groove metal, mas não gostei do disco. O trabalho de guitarra de Wiley Arnett é o muito bom, mas o trabalho vocal de Phil Rind é muito fraco. Sua interpretação não me convence e as linhas vocais não me empolgam. No fim do disco há uma faixa chamada “31 Flavors”, onde a banda soa muito como o Red Hot Chili Peppers na época do Freaky Styley. Algo que destoa totalmente do restante do álbum e, mais uma vez, não convence. A melhor música do disco é “Who´s to Blame”, ainda assim longe do que considero uma grande canção.
Mairon: O Sacred Reich é daquelas bandas que mereciam mais reconhecimento dentro do thrash, e que legal ver os estadunidenses aqui. Este segundo disco é uma mudança sonora radical no som dos caras, lembrando um pouco o Anthrax, graças ao genial líder, baixista, vocalista e faz tudo Phil Rind. Com letras bastante críticas, o álbum é muito coeso, e em termos da performance de Rind, o cara tem uma voz interessante, a qual destaca-se principalmente na pesada "Who's to Blame". Mas admito que curto mais ele como baixista. Afinal, ele cria excelentes riffs, vide "I don't Know" e "The Way It Is", duelando com as guitarras de Wiley Arnett e Jason Rainey . Gosto bastante da pancada "The American Way", e das longas "Crimes Against Humanity", com o baixo estourando as caixas de som, e "State of Emergency", pesadíssima, e com o baixo também marcando presença. Fechando o disco, como não curtir a audácia de "31 Flavors"?. Um funkzão recheado de slaps no baixo, com Rind emulando Mike Patton, e um ótimo naipe de metais que provoca o ouvinte a "sair da caixinha" e ouvir algo totalmente inovador dentro do Thrash, e com uma letra sensacional. Disco clássico que me surpreendeu de ver por aqui, e me fez abrir um sorriso de orelha a orelha. Parabéns ao consultor que o indicou!
Marcelo:
Marcello: Uma banda que ouvi algumas vezes nos anos 90 e estava completamente esquecida para mim. E outra que também não sabia que tinha um baixista (Phil Rind) como vocalista principal. Este segundo LP da banda começa com “Love/Hate”, que te dá uma paulada na cabeça; a faixa-título é um pouco mais cadenciada e lembra um pouco o ritmo que o Metallica seguiu nos anos 90 (gostei bastante do riff de guitarra de Jason Rainey). “The Way It Is” pareceria à primeira vista ser uma música meio conformista, mas repetir “this is reality” ao longo dela mostra que a cabeça de Phil Rind está em outro lugar. “Crimes Against Humanity” traz um bom solo de Wiley Arnett, que infelizmente dura pouco tempo, mas, sobretudo, um desempenho fantástico do baterista Greg Hall. “State of Emergency” mantém o clima da anterior, e gosto bastante do baixo palhetado de Rind nessa música. Daí até o final são três músicas mais curtas (pouco mais de 10 minutos), com a introdução suave de “Who’s to Blame” quebrando o peso do disco – mas não deixe a impressão inicial te enganar, porque depois a música acelera, diminuindo o ritmo novamente para o solo de Wiley. “I Don’t Know”, pelo contrário, não dá moleza para o ouvinte, sendo quase punk. A grande curiosidade é “31 Flavors”, com um ritmo funk que se amplifica com os metais e vocais que parecem rap. Parece um cruzamento do Sacred Reich com o Red Hot Chili Peppers, mas ficou muito legal. Não conheço muito da carreira do Sacred Reich, mas The American Way é um bom disco, ainda que meio curtinho, e vou procurar mais coisas deles para ouvir.

Winger - Pull [1993]
Por Davi Pascale
Esse é e sempre foi o meu álbum favorito do Winger. Não é o mais famoso deles (alcunha que fica com In The Heart of The Young), mas foi o disco que me tornou fã dos rapazes. Os músicos envolvidos são todos de primeiro calibre e Kip Winger é um cantor de mão cheia (algo que já fica claro na música de abertura “Blind Revolution Mad”). O disco é muito bem feito e mescla hard rocks um pouco mais pesados do que o grupo costumava fazer (caso de canções como “Junkyard Dog” e “In My veins”), com baladas de extremo bom gosto (como “Who´s The One”, “Spell I´m Under” e “The Lucky One”), além da divertidíssima “Down Incognito”. A banda entregava aqui um trabalho maduro, com interpretações de primeira, mas o lançamento acabou ofuscado pela mudança de mercado que ocorria na época. Disco altamente recomendado para os fãs de hard rock.
Anderson: Mesmo tendo dado uma “estudada” na carreira do Winger para o Bangers Open Air desse ano, não tinha ouvido esse material na íntegra. É muito bom! Fazia um bom tempo que não ouvia um Hard Rock tão bem feito. Devia ter dado mais atenção ao show de Kip Winger e Cia no festival. Elementos de Skid Row são evidentes, aquele peso característico, mas sem perder a melodia em nenhum momento. Dedilhados, solos, backvocals muito bem pensados chamam a atenção, também. É impressionante como, mesmo tendo perdido o tecladista, tornando-se um trio, a banda soa mais cheia e pesada do que materiais anteriores. Geralmente gosto de apontar ao menos três músicas que me chamaram mais atenção, porém aqui fico com o conjunto da obra, 47 minutos muito bem utilizados. Dessa lista, o que mais gostei de conhecer.
André: Há anos não ouvia este álbum. Embora eu ainda prefira o anterior, este trabalho me soou também muito bom e bem consistente para um hard rock farofa. Já era uma época de vacas magras para o estilo (1993, que excetuando o Guns e mais umas poucas, não havia mais espaço para o gênero), todavia o disco soa pesado e bacana. Porém, para o tema, o disco soou fraco em termos de baixo, com Kip Winger apenas cozinhando sem nenhum solo ou toque diferenciado, exceto em algumas pequenas partes acústicas.
Mairon: Fazia muito tempo que não ouvia o Winger, e foi legal voltar neste terceiro disco dos caras. Acho que é um dos mais pesados da carreira deles, mesmo com as mesclas de momentos acústicos com elementos mais pesados, e muito pelo baixão do Kip Winger, que aliás é um dos grandes vocalistas de sua geração. Reb Beach é um monstro nas seis cordas (não à toa Coverdale o levou para o Whitesnake anos depois), mas concentrando-se na performance de Kip, o cara está soltando a garganta como manda o bom figurino do Heavy Metal da época, e eu destaco aqui seus vocais em "Blind Revolution Mad" e "No Man's Land'. Já no baixo, o trabalho de faixas como "Junkyard Dog (Tears On Stone)" e "Like A Ritual" chamam a atenção pelo peso. E claro, Winger sem baladinha nao é Winger, e ela aparece através da lindinha "The Lucky One", que deve fazer muito casalzinho ainda se ronronear romanticamente, e nao tão empolgante assim "Who's The One", que eu acho a mais fraquinha de Pull. No mais, destaque total para "Spell I'm Under", musicaço com ótimos arranjos vocais, e uma audição de uma banda que sempre é legal redescobrir, apesar de não fazer parte do meu ambiente musical.
Marcelo:
Marcello: O grupo que leva o nome de Kip Winger era outro que estava esquecido do meu lado, e pensava ter ouvido o disco nos anos 90; no final das contas, acho que só tinha escutado os dois primeiros álbuns deles, pois não reconheci nenhuma música ao colocar Pull pela primeira vez. A banda estava reduzida a um trio, trazendo Reb Beach nas guitarras e Rod Morgenstern na bateria, e no álbum explora um som mais hard e menos glam do que nos discos anteriores. “Blind Revolution Mad” abre (bem) o álbum com uma música bem trabalhada e com boa variação de ritmos. Uma harmônica (inesperada) inicia “Down Incognito” com seu refrão feito para ser berrado ao vivo; uma das melhores músicas do disco, em minha opinião. “Spell I’m Under” é mais leve e mais baladeira, com belo desempenho vocal do chefe da banda; não compromete, mas também não chega a se destacar, apesar do belo solo de Beach. “In My Veins” reintroduz o peso no disco, e apresenta outro bom solo do guitarrista. “Junkyard Dog” remete à abertura, por ter trechos mais suaves, com violões no arranjo. “The Lucky One” é outra das melhores, para mim, uma quase balada muito bem trabalhada, mais uma vez com arranjo incluindo violões, ao passo que “In for the Kill” traz um órgão proeminente na introdução que, infelizmente acaba ficando muito baixo em boa parte da música. “No Man’s Land” não me chamou a atenção em nenhuma das audições, soando como a banda em piloto automático, enquanto “Like a Ritual” (com outro bom desempenho vocal de Kip e um solo de bateria para encerramento) e “Who’s the One” (mais uma música lentinha levada no violão) encerram o disco em nível elevado. Pull é um bom disco, que me agradou mais do que os dois primeiros, mas não me converte em fã do Winger.





































