Mostrando postagens com marcador Trapeze. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trapeze. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Eu Desprezo O Meu Passado - Parte II



Dois dias atrás, trouxe uma lista de seis artistas que desprezaram totalmente seus discos iniciais, sendo eles três nomes nacionais (Roberto Carlos, Elis Regina e Rita Lee) e três gigantes do progressivo britânico (Genesis, The Moody Blues e Renaissance). 

Hoje, apresento mais seis, sendo eles cinco monstros sagrados dos anos 70, e mais uma das maiores bandas nos anos 90, mas que tem seus primeiros discos lançados na década de 80. Vamos à eles.

 Supertramp 

Álbuns desprezados: Supertramp [1970] e Indelibly Stamped [1971]

O Supertramp mundialmente conhecido foi calcado na divisão de vozes entre Roger Hodgson e Rick Davies, que também conduziam com maestria os teclados e piano, além da cozinha soberana de Dougie Thomson e Bob Siebenberg, e os instrumentos de sopro brilhantes de John Helliwell. Porém, antes da fama, a banda passou por diversas formações, tendo apenas Roger e Rick como remanescentes integrais nos anos 70. Em seu primeiro disco, o grupo era um quarteto, e tinha como um dos líderes o guitarrista Richard Palmer-James. Roger era o baixista, e o som era uma espécie de jazz prog muito interessante, com destaque para a viajante "Try Again", além da sensacional "Nothing to Show" e de "Maybe I'm A Beggar", em um álbum realmente muito bom. Já o segundo disco, agora como um quinteto e com Roger nas guitarras, o som é mais folk e apresenta pitadas iniciais do que veio a ser o Supertramp a partir de 1974, em faixas como "Forever" e "Times Have Changed",  mas com total destaque para o clima de luau dos violões e flauta de "Aries", sensacional faixa gravada totalmente em improviso. Ambos os álbuns foram relançados inúmeras vezes, mas após a entrada de Helliwell, nenhuma canção destes discos foram interpretadas ao vivo. Ao mesmo tempo, nas inúmeras coletâneas lançadas sob o nome Supertramp, apenas Retrospectacle (The Supertramp Anthology) (de 2005) traz uma canção de cada disco ("Surely" e "Your Poppa Don't Mind" respectivamente). Por fim, a trilha sonora do filme Extremes (1972), de Tony Klinger e Michael Lytton, possui três faixas de Supertramp: "Words Unspoken", "Surely" e "Am I Not Like Other Birds Of Prey". Por quê? Não tenho nem ideia ...

Styx 

Álbuns desprezados: Styx [1972], Styx II (1973), Serpent is Rising (1973) e Man of Miracles (1974)

Os cinco primeiro discos do Styx contavam com a guitarra de John Curulewski, hoje praticamente um desconhecido dos fãs da banda que apreciam a era do baixinho Tommy Shaw empunhando sua Les Paul e criando clássicos como "Blue Collar Man", "Come Sail Away", "Fooling Yourself ", "Too Much Time On My Hands", entre outros. Era um Styx mais pesado, e com boas pitadas de progressivo e jazz, que ousava experimentar musicalmente, e com excelentes canções. Os quatro primeiro álbuns foram lançados originalmente pelo pequeno selo estadunidense Wooden Nickel, o que resultou até no apelido para a banda, no caso o do próprio nome do selo. Após a entrada de Shaw, em 1976, as coisas mudaram. O Styx passou a ser mais hard e menos prog, o grupo foi para a A&M Records e o mundo foi o limite para a nova fase, com sucessos atrás de sucessos, e os quatro discos acima sendo relegados à obscuridade. Eles tiveram poucas reedições ao longo dos anos, e deles, apenas "Lady" (de Styx II) acabou aparecendo no repertório do Styx pós-Shaw vez que outra. A coletânea Best Of Styx (1977) faz um bom apanhado de canções deste período, mas foi lançada sem autorização da banda pelo Wooden Nickel (o Styx aqui já estava ligado com a A&M Records) e no Japão, a BMG lançou em 1999 a coletânea The Best Of Styx (1973-1974), que como o nome diz, traz canções lançadas entre 1973 e 1974. Nas demais obras da banda que conheço, pouco ou nada destes quatro discos foram incluídas seja nas coletâneas ou nos set lists (encontrei apenas citações para "Rock & Roll Feeling", de Man of Miracles, e "I'm Gonna Make You Feel It", de Styx II, na turnê de 1976). Mas se você é fã da banda e nunca ouviu estes álbuns, corra atrás por que vale MUITO a pena.

Trapeze 

Álbum desprezado: Trapeze [1970]

Quando ouvi esse álbum pela primeira vez, acho que foi o que mais me surpreendeu dentre os que aqui apresento. Conheci o Trapeze justamente por ele, e sempre tendo ouvir falar que a Mark IV do Deep Purple era uma continuação do que Glenn Hughes havia feito junto ao Trapeze, nunca imaginaria encontrar algo tão complexo e distinto. O primeiro disco do grupo é como quinteto (e não como o power trio que revela Hughes, Mel Galley e Dave Holland), tendo esses três nomes e mais John Jones (voz, instrumentos de sopro) e o líder da banda até então, Terry Rowley (guitarras, teclados, flauta, voz). Trapeze é um baita disco de rock, com pitadas progressivas ("Am I" e a espetacular "Suicide"), sons mais hardeiros ("The Giant's Dead Hoorah!), jazz ("Fairytale; Verily Verily; Fairytale"), e exímios arranjos vocais inspirados nitidamente em Beatles ("Another Day", "It's My Life" e "Over") em praticamente todo o álbum. Aos que querem ver se Hughes sempre teve seu vozeirão, deleite-se com "Nancy Gray" e "Wings". Se não há aqui exibicionismo instrumental, os arranjos musicais/vocais e as harmonias são excelentes. Porém, Rowley e Jones abandonaram o Trapeze por problemas internos com a London Records (gravadora detentora dos direitos sobre o grupo à época), e assim, nascia o power-trio que é falado até hoje, com um som mais swingado e que cria os clássicos Medusa (1972) e You're The Music, We're Just the Band (1973), sem nunca mais tocar uma cançãozinha desse excelente disco. O álbum emplacou o hit "Send Me No More Letters", que é a única faixa a aparecer nas coletâneas The Final Swing (1974) e High Flyers: The Best of Trapeze (1995). Em 2019, a Purple Records lançou a coletânea The Best Of Trapeze (Leavin' The Hard Times Behind), trazendo quatro faixas de Trapeze. Mas é muito pouco para um álbum tão incrível e gostoso de ouvir, apesar de diferentaço!

UFO 

Álbuns desprezados: UFO I [1970], UFO II : Flying - Space Rock [1971]

O UFO surgiu na Inglaterra como um quarteto liderado pela guitarra de Mick Bolton. Seus solos ácidos e delírios com longos improvisos caracterizam o que convencionou-se chamar de Space Rock, registrado nos (exímios) UFO I (não tão Space, mas muito mais um boogie alucinógeno) e UFO II: Flying - Space Rock, esse sim, acaba batizando um novo estilo musical. Mas Bolton durou esses dois discos de estúdio e o ao vivo Live (1972), e foi substituído por Bernie Marsden (que lançou apenas um único compacto com o grupo), e depois, pelo alemão Michael Schenker, com apenas 18 anos. Quando Schenker entrou, em 1974, há registros dele tocando "C'mon Everybody" e "Prince Kajuku", mas com o passar dos anos, e o crescendo do nome UFO através de álbuns incríveis como Phenomenon, Force it, Lights Out, e o aclamadíssimo Strangers in the Night, pronto, nunca mais o Space Rock foi visto e ouvido nos palcos do UFO. O Japão e a Alemanha adoram esta fase inicial, tanto que na terra do chucrute, no mínimo três coletâneas não-autorizadas surgiram por lá. Em 1976, a Nova lançou Space Metal, que resgata canções dos dois álbuns, assim como outra Profile, lançada pela Teldec em 1979, e C'Mon Everybody, lançada pela Telefunken em 1981. Porém, coletâneas oficiais da época, como Headstone: The Best Of UFO (1983), Anthology (1987) e The Best Of UFO (1996) não trazem nada desta fase. Em 2004, a Castle acabou lançando o CD duplo Flying - The Early Years 1970 - 1973, com os discos acima citados e o compacto "Galactic Love" / "Lovin' Cup", lançado somente na Alemanha em 1972. Os três LPs desta fase inicial da banda acabaram recebendo diversos relançamentos não-oficiais ao longo dos anos, inclusive tendo nomes trocados  para as canções (“Boogie For George” virou “Boogie”) e alternância na ordem das faixas (“The Coming Of Prince Kajuku” acabou tornando-se a primeira do lado B em muitos desses re-lançamentos). Porém, os diversos relançamentos do grupo focam-se somente na fase pós-Schenker, também conhecida como Chrysalis Years. Uma lástima, pois para mim, a fase Space Rock é uma das melhores fases de uma banda em sua história.

Scorpions

Álbum desprezado: Lonesome Crow [1972]

Os alemães do Scorpions tiveram diversas formações durante sua vasta carreira de mais de 50 anos, sendo duas bem distintas e famosas, chamadas era-Uli (comandada pelo guitarrista Uli Jon Roth) e era-Jabs (comandada pelo guitarrista Mathias Jabs, que substituiu Uli). Porém, o início do grupo é bem desconhecido de muitos fãs e admiradores dos caras, durou em torno de quatro anos, e teve como "líder" o menino Michael Schenker (que sai do Scorpions justamente para ser a alma do UFO, como citado acima). O som era bastante psicodélico, com muitas guitarras à la Hendrix e até um certo clima de progressivo. Inacreditável que um guri de apenas 16 anos tocasse tanto! Os destaques na minha opinião ficam para "I'm Going Mad", com uma longa introdução, ácidos solos de Schenker e bons arranjos vocais, assim como os bons solos de "Inheritance", onde temos um pequeno espetáculo de wah-wah, e a belíssima "Lonesome Crow", onde Michael, ainda garoto, mostra porque viria a ser considerado o mestre da Flying V nos anos seguintes, com um magnífico e longo solo combinando escalas jazzísticas, virtuose e muita distorção. Lonesome Crow teve diversos relançamentos com o passar dos anos, muito mais para matar a curiosidade dos fãs do que por vontade da banda. No Japão, país onde o Scorpions é amado, saiu a coletânea Early Hits (1982), que abrange, vejam só, apenas os discos da era Uli (nada de Schenker aqui). Vasculhei as quase 100 coletâneas cadastradas sob o nome do grupo no Discogs e a única a trazer uma canção ("I'm Going Mad") de Lonesome Crow é a caixinha com três CDs Box Of Scorpions, lançada nos Estados Unidos em 2004, pelo selo Hip-O Records, ligado à Mercury. Pós-entrada de Uli, "In Search of the Peace of Mind" esteve em algumas apresentações nas turnês de 1976, 1977 e 1978 (mas somente uma parte dela, como está registrada em Tokyo Tapes, nunca em sua totalidade). Depois, nem ela e nenhuma das outras canções do disco foram apresentadas nos palcos. Ou seja, um disco que acabou totalmente desprezado e esquecido, mas que é espetacular.

Pantera 

Álbuns desprezados: Metal Magic (1983), Projects in the Jungle (1984) e I Am The Night (1985)

Os que ouvem o Pantera de Cowboys From Hell (1990) e Vulgar Display of Power (1992), álbuns pesados e símbolos do chamado Groove Metal, liderados pelos vocais de Phil Anselmo, praticamente não acreditam quando ouvem os três primeiros discos da banda, lançados durante a primeira metade dos anos 80. O que o quarteto formado por Terry Glaze (vocais, guitarras), Darrell Abbott (guitarras), Rex Rocker (baixo) e Vince Abbott (bateria), produzidos pelo papai Abbott (Jerry Abbott), faz aqui é um som entre o hard e o glam metal de nomes como Van Halen, Kiss e Mötley Crüe, além de usar roupas e cabelos bem espalhafatosos, como manda o melhor figurino do glam metal, e capas no mínimo hilárias. E olha, é um período bem interessante musicalmente. Os três discos foram lançados pelo selo Metal Magic Records, o qual foi um selo particular  do grupo, responsável também por lançar o quarto disco, Power Metal (que citarei adiante), e contém faixas muito boas como "Metal Magic", "I'll Be Alright", e a baladaça "Biggest Part of Me", recheada de teclados (de Metal Magic), "In Over My Head" (adoro os tecladinhos dessa), "Killers" e "Out for Blood" (de Projects in the Jungle), "Down Below", "Onward We Rock!" e a excepcional "I Am The Night" (de I Am The Night), com uma introdução matadora de Darrell, e forte candidata a melhor canção deste período, para pinçar três canções de cada disco. Mas há bem mais canções boas nesse período. Detalhe importante são os ótimos solos de Darrell em quase todas as faixas - ouça "Blue Light Turnin' Red" ou "D*G*T*T*M (Darrell Goes to the Movies)" e tente não achar que é Eddie Van Halen quem está destruindo nas caixas de som. Voltando à história, em Projects in the Jungle, Terry muda de nome, passando a se chamar Terrence Lee, assim como Darrell agora tira o Abbott, assumindo então o pseudônimo Diamond, e o irmão Vicent Abbott se transforma em Vinnie Paul (Rex Rocker continua sendo Rex Rocker). Seguem com a mesma formação (e nomes) no álbum seguinte, que já traz uma sonoridade bem mais pesada, lembrando bastante Judas Priest, até que Anselmo entra para o grupo em 1986, Diamond agora vira Dimebag Darrell, e lançam Power Metal (1988), que também é um álbum desprezado, já que o Pantera em si considera somente o quinto disco, Cowboys From Hell, como o primeiro deles. Só que como já é a formação clássica, agora com Rex passando a se chamar Rex Brown, e canções de Power Metal estiveram nos set lists da turnê de Cowboys From Hell (no caso "Death Trapt", "Over And Out", "P*S*T* 88"), preferi considerar só os três primeiros. Metal Magic e Projects in the Jungle tiveram poucas edições, lançadas somente nos Estados Unidos, e I Am The Night nem isso (apenas uma edição em LP saiu também só nos EUA). Há inúmeras edições não oficiais tanto em CD quanto em LP, e em termos de coletâneas, nada daqui foi lançado oficialmente pela banda até hoje. Mesmo boxes que trazem os CDs completos e remasterizados só pegam os discos pós-Cowboys From Hell. Portanto, para o Pantera, a partir de 1990 é que realmente começa tudo, e é daqui em diante que eles conquistam mercados e fãs por todo o mundo, sem nunca mais se quer citou a existência da sua - ótima - fase glam. 

terça-feira, 9 de junho de 2020

Cinco Músicas Para Conhecer: Aguente Firme!




Em tempos tão difíceis de quarentena e indecisões políticas, o que fica na nossa cabeça é a frase "Aguenta firme", "Força", "Se segura". Por incrível que pareça, muitos artistas cantaram isso através de suas músicas. Em inglês, uma tradução possível é Hold On. Diversas são as canções que possuem essa expressão em seu nome, seja a expressão pura e diretamente dita ou derivados como Holding On, Hold On My ... Esse segure firme varia desde se apegar ao amor até os sonhos. A frase é tão emblemática que o programa Médico Sem Fronteiras fez uma campanha publicitária há dois anos utilizando a canção "Everybody Hurts", aquela que quem nunca chorou ouvindo não tem coração, e que tem na expressão "Hold On" seu momento mais emocionante. 

Aqui no Brasil, agora durante a pandemia, o Bradesco lançou uma campanha com a frase "Aguente Firme" em destaque. Fiz um levantamento rápido na minha catalogação de discos e encontrei mais de duas dezenas ligadas com esse tema. Assim, selecionei dentre elas aquelas que tinha apenas a expressão Hold On, e então, depois de muito pensar, escolhi as cinco músicas para conhecer de hoje, deixando mais cinco indicações após, e com certeza, havendo muitas outras que vocês podem citar nos comentários. As escolhas levaram em conta apenas critérios de gosto pessoal.

Deep Purple  - "Hold On" [1974]

Primeira despedida de Blackmore do Purple, Stormbringer é daqueles álbuns ame ou odeie, muito por conta da mistura de estilos. Se por um lado há pauladas como a faixa-título ou "Lady Double Dealer", por outro o funk e o soul tomavam conta, como é o caso da sensacional "Hold On", faixa que mostra na sua letra a já característica marca erótica de David Coverdale (vocais) em parceria com Glenn Hughes (baixo, vocais), pedindo para a mulher segurar firme e aguentar o tranco de sua paixão (eita porra). Musicalmente, além dos duetos vocais, destaques disparados para o solo de piano elétrico de Jon Lord e o ritmo cavalgante extremamente sedutor empunhado por baixo e bateria (Ian Paice). E quanto a Blackmore, o seu solo é tão desnecessário e faceirinho, vulgo sem graça, como quase tudo que ele fez no Purple depois desse álbum. Está somente em Stormbringer, e em algumas das infinitas coletâneas dos ingleses no mercado.

Trapeze - "Hold On " [1978]

Comandado por Mel Galley, o Trapeze tentou sobreviver pós-saída de Glenn Hughes, e lançou três álbuns bastante regulares. Apagando a porta e fechando a luz, com Peter Goalby nos vocais, veio a faixa "Hold On". A letra trata de agarrar-se a amizade fiel, que irá com você até o fim, pois isso é melhor do que estar sozinho, e agarrar-se a vida, mesmo ela não sendo um paraíso. O ritmo é uma espécie de rock leve, que o Trapeze de Hughes até já tinha feito de alguma forma anteriormente, com aquela guitarra southern de Galley serpenteando ao longo das batidas precisas de Galley, em um instrumental bastante gostoso de se ouvir, principalmente no solo de Galley. Além do nome, cito essa canção para mostrar que existem determinadas faixas que é importante conhecer para saber por que algumas coisas não dão certo, como foi a carreira de Goalby pós-Trapeze, principalmente à frente do Uriah Heep. Está no último disco de estúdio da banda Running, o álbum que originalmente foi lançado somente na Alemanha em 1978 (capa do post), mas que ganhou uma versão internacional no ano seguinte, batizada justamente com o nome da faixa, presente também no ao vivo Live In Texas - Dead Armadillos (1981).

Triumph - "Hold On" [1979]

Essa bonita canção do grupo canadense surge com teclados e um dedilhado de violão. O vocalista, guitarrista e monstruoso Rik Emmett entoa a letra, que fala sobre agarrar-se aos sonhos, em deixar o tempo correr e esperar que os sonhos aconteçam, em uma faixa bastante motivadora e emotiva. O ritmo do violão vai ganhando força, trazendo o nome da canção entoado para arenas cantarem em plenos pulmões, e então, surgir o trio mais fantástico do Canadá (joguem as pedras) para mandar um AOR gostoso, com grandes pitadas progressivas, graças a performance impecável de Gil Moore na bateria. Uma letra de 1979 mas que serve muito para os dias de hoje, afinal, só de sonhos podemos pensar em viver pós-pandemia e nesse caos político que o Brasil vive nos últimos anos. Está no obrigatório Just A Game (1979), no ao vivo Stages (1986), além das bolachinhas com "Just A Game" no lado B, lançadas em diversos países.

Wishbone Ash - "Hold On" [1982]

Vivendo sua fase mais conturbada, o Wishbone Ash lançou discos pouco marcantes nos anos 80. Porém, há materiais que se escapam, como essa grande e grudenta faixa que narra sobre o drama de um homem distante mais de cinco mil milhas de sua amante, e que tenta angustiadamente, sem sucesso, ligar para ela, enquanto o operador no telefone lhe diz "Aguente firme, estou tentando fazer a ligação", algo que os jovens de hoje não devem nem ter ideia do que isso significa ... O baixo marcante de Trevor Bolder, os dedilhados das guitarras, uma interpretação vocal fascinante e uma sensualidade jazzística entregue aos fãs, além de um refrão que fica por horas na cabeça, fazem dessa uma das melhores faixas da banda naquela década. Além da bela letra, as guitarras gêmeas de Andy Powell e Laurie Wisefield, marca sagrada dos ingleses, estão saindo das caixas de som para emocionar os fãs em solos magistrais. Fecha a conta a bateria sempre competente de Steve Upton. Está presente em Twin Barrels Burning (1982) e no lado B de um raro compacto espanhol, que ilustra o post.


Beardfish - "Hold On"  [2015]

Imagine-se um velho roqueiro que entra em um dilema: o de sentir-se um prisioneiro em sua cidade natal, sendo forçado à mediocridade pelas pessoas ao seu redor e não sendo capaz de se libertar disso Esse é o conceito de +4626-Comfort Zone, lançado pela trupe sueca de Rikard Sjöblom (vocais, guitarras, teclados e faz tudo) no Beardfish. "Hold On" é a faixa que apresenta ao ouvinte o choque da realidade do velho roqueiro que descobre que o mundo está passando, e ele já não pertence mais ao nível que outrora pertenceu. O "Hold On" aqui clama para o personagem aguentar firme sua atual posição, mesmo com tudo o que possa lhe acontecer. A indignação do personagem central, tentando entender como o tempo passou sem ele perceber, não reconhecendo os olhos que costumavam trazer a chama que existia quando jovem, é apresentada através de 8 incessantes minutos, onde o ritmo da bateria de Magnus Östgren e o baixo marcante de  Robert Hansen fundem a mente para fazer ela entregar aos seus pés e cabeça um balanço filho da puta. Rikard traz todas suas influências de Yes e Genesis para essa faixa, principalmente nas linhas de guitarra, ao lado de David Zackrisson, e nas linhas vocais. Wah-wah comendo solto, riffs grudentos, pulos pela casa cantando os diversos momentos onde a letra nos possibilita isso, e assim como o conceito de "Hold On" nos conta, quando a faixa é concluída você nem percebeu o tempo passar. Uma das melhores obras desse século.

Mais cinco outras "Hold On": 
- The Sons of Champlin (A Circle Filled With Love, 1976);
- Kansas (Audio Visions, 1980);
- Santana (Shangó, 1982);  
- Yes (90125, 1983); 
- Rush (Snakes & Arrows, 2007);

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Glenn Hughes (Porto Alegre, 28 de abril de 2018)



Ver um show de um grande artista é sempre um momento marcante em sua vida. Ver esse mesmo artista pela segunda vez, apresentando somente clássicos exclusivos da banda onde se consagrou, diante um metro de seus olhos, é ainda mais inesquecível. E foi isso que me aconteceu no último dia 28 de abril, no Bar Opinião em Porto Alegre. Depois de dois anos, pude reencontrar novamente o baixista e vocalista inglês Glenn Hughes, e desta feita, com a turnê Glenn Hughes Performs Classics Deep Purple.

Assisti ao homem em 2015, em um belíssimo show no formato trio, onde além de Hughes, destacou-se o loiro guitarrista Doug Aldrich (Ex-Whitesnake, Dio, entre outros), que tocou muio naquela noite. Fechava o trio o batera Pontus Engborg, e ali, Hughes passeou pela sua carreira solo e pelos trabalhos com Trapeze, Deep Purple e Black Country Communion. Encerrei a resenha daquele ano na expectativa de que a promessa de Hughes retornar a Porto Alegre seria cumprida, e que mais discos eu iria assinar.

Me & Mr Hughes

Isso por que daquela feita, houve um excelente Meet & Greet com The Voice Of Rock, onde ele foi super atencioso, e autografou tudo o que levei. Dessa vez, a EV7 Live, através do produtor Eliel Vieira, fez novamente o meeting, e óbvio que me fui sem piedade, com mais uma leva de discos para assinar. Além de trovar com Hughes, o Meeting prometia a autobiografia recentemente lançada por ele, um pôster, credencial laminada e um tempo de bate-papo com Mr. Glenn, além de fotos.

Mas, nem tudo é perfeito. Se em 2016 apenas 4 aventureiros desembolsaram a grana para trocar uma ideia, pegar uns autógrafos e tirar muitas fotos, em 2018 foram 20 os participantes. Isso acabou diminuindo bastante o contato com Glenn, que não pôde conversar com os fãs como queria. De qualquer forma, nos poucos minutos que estive com ele novamente, ele foi muito atencioso e querido. Uma alma aberta, que te deixa embasbacado com sua gentileza e simpatia. Não autografou tudo que levei (autografou o livro, dois vinis e um CD), mas isso é o de menos. Poder trocar uma rápida fala com ele já valia a noite. Mas ainda tinha a parte sonora. Vale ressaltar que não recebemos o pôster prometido no anúncio do Meeting, mas o produtor Eliel acabou dando em troca um copo promocional da turnê brasileira, o que foi uma atitude no mínimo sensata do rapaz, para o qual deixo meus elogios por sua honestidade.

Glenn Hughes e o Rickenbacker vermelho, em ação

Falando em organização, me desculpa a produtora que trouxe Glenn para o país, mas a agenda ficou no mínimo confusa. Afinal, em 15 dias por terras brasilis, o artista percorreu uma verdadeira maratona, saindo de Brasília (17/05), passando por Belo Horizonte (19/05), São Paulo (21/05), Limeira (22/05), Curitiba (24/05), Manaus (26/05) até chegar em Porto Alegre. Da capital gaúcha, Glenn foi para o Rio, onde se apresentou dia 29/05, e encerrou a turnê em Vila Velha, no dia 01/05. Não seria melhor ter concentrado os shows na região sudeste e encerrado em Manaus, tendo começado justamente pelo sul, já que ele vinha de Buenos Aires? Uma logística bastante confusa, que acabou sendo percebida no palco, já que Hughes por algumas vezes demonstrou cansaço.

De qualquer forma, passado o encontro, era hora de ir para a frente do palco garantir o melhor lugar. Fiquei embaixo do microfone de Glenn, e dali, pude ver de pertinho quando ele subiu ao palco, acompanhado de Søren Andersen (guitarras), Jesper "Jay Boe" Hansen (teclados) e Fer Escobedo (bateria), empunhando o velho Fender dos anos 70, e estourar as caixas de som com uma pancada versão de "Stormbringer" (do álbum homônimo de 1974). O som das caixas Marshall era sensacional, e onde eu estava, de frente para elas, tomava conta do ambiente. 

Jay Boe

Em "Might Just Take Your Life" e "Sail Away", faixas mais calma do aclamado Burn (1974), pude ouvir os teclados e a guitarra, e percebi que o time que acompanhou Hughes tentou chegar o mais próximo das versões ao vivo da Mark III estabelecidas nos clássicos Made in Europe e California Jam. Até as fisionomias e trejeitos eram meio similares. Andersen permaneceu no seu canto, praticamente imóvel, como Blackmore no California Jam. Jay Boe colocava as pernas sobre os teclados lembrando Lord. As costeletas de Escobedo traziam memórias da contra-capa de Made in Europe. Enfim, tudo certinho para termos certeza que o tributo era ao Deep Purple.

Hughes continua com seu vozeirão praticamente intacto, apesar de já não se aventurar com frequência em tons mais altos. Porém, seus falsetes e agudos estão impecáveis. E no baixo, o cara é um monstro. Acredito que atualmente é o melhor baixista vivo de sua geração, e por que não, de todas as gerações. Como é bonito e agradável de ver ele palheteando as cordas sem piedade, fazendo solos como se o instrumento fosse uma guitarra, e sempre com um sorriso no rosto.

Andersen durante seu solo em "You Fool No One"

O show seguiu com Andersen indo para a frente do palco, e depois de um breve e virtuoso solo, puxar o riff de "Mistreated" (Burn). Hughes e sua banda fizeram brotar lágrimas de vários ao meu lado, com uma interpretação raiz, regada de muito feeling e esbanjado emoção. Lindo! Para encerrar a primeira parte do track list, envolvendo as faixas de Burn, Hughes convidou à todos para fazer uma viagem no tempo, e ir ao California Jam de 1974. Então, Jay Boe ficou sozinho no palco, e realmente, levou à todos para os Estados Unidos, já que arrancou os mesmos uivos e barulhos de seu Hammond, aqueles que Lord fez na apresentação daquele evento, durante a clássica "You Fool No One", e também resgatou a clássica hebraica "Hava Nagila", que o mesmo Lord emulou na versão de Made in Europe. De chorar (parte 1)!

Ficou a expectativa da entrada do cowbell de Fer, e quando o mesmo surgiu, a todo o pique, trazendo o riffzão de baixo e guitarra explodindo as caixas de som, o coração pulou de alegria. As viradas, a letra vigorosa, a pegada do riff, tudo sensacional, botando o Opinião a baixo. O solo de Andersen começou com a pegada veloz em uma única nota que Blackmore criou para a canção, e depois seguiu com as palhetadas arrastadas nas cordas que encaminharam para o blues delicioso e chapante que o Deep Purple apresentou ao vivo nos anos 70. Lindo, arrepiante e de chorar (parte 2).

O menino Escobedo, detonando na bateria

Segue "You Fool No One", e quem duvidou que o menino Escobar pudesse fazer um solo de bateria próximo ao que Ian Paice fazia nos shows da turnê de Burn, deve ter segurado o queixo. O guri destruiu. Com uma força nos braços, uma habilidade no bumbo e muita técnica, Fer reproduziu diversos trechos do solo de Paice no Made in Europe, e ainda fez muito mais. Tanto que quando terminou seu solo, foi aplaudido e reverenciado pelo próprio Hughes. De chorar (parte 3).

Encerrada a mais de meia hora de apresentação só com "You Fool No One", Hughes acalmou os ânimos (mas não às lágrimas) dos presentes. Em uma linda homenagem, disse que a próxima música tinha sido composta em parceria com Jon Lord, para quem ele dedicava a mesma. Antes de começar a cantar, ainda disse: "Acho que vou chorar!", e então, Jay Boe puxou o riff de "This Time Around". De arrepiar. Hughes puxou emoção do fundo da alma, e naqueles minutos, até o copo promocional da turnê cedeu-se à uma lágrima.

Hughes, alegre com a apresentação de Porto Alegre
Tomando o fôlego, era hora de sacudir o esqueleto, e continuando na pegada de Come Taste The Band, veio "Gettin' Tigher", agora em homenagem à Tommy Bolin. Nessa, Hughes aproveitou para mostrar ainda mais seus dotes como baixista. O cara é um monstro, e fim de papo! Uma empolgante e surpreendente "Smoke On The Water", nas linhas do California Jam, conduziu-nos para o final da apresentação, com uma embasbacante versão para "You Keep on Moving". Cara, essa faixa me colocou de pernas pro ar. Uma das melhores canções do Purple MK IV, se não a melhor, ali, com O cara cantando ela. Muita emoção, e a certeza de que ter ido no show naquela noite tinha sido uma escolha certa.

Após alguns minutos de mais um, Hughes voltou, dessa vez não empunhando o baixo, que ficou a cargo de um roadie, mas sim apenas segurando o microfone para surpreender novamente, cantando "Highway Star". Essa eu não esperava no repertório, confesso, e honestamente, teria tirado ela para colocar uma "You Can't Do It Right (With The Only You Love)", "Holy Man" ou até a versão completa de "This Time Around" com "Owed To G". Mas paciência, o artista tem o direito a escolher o que vai tocar, e como o encerramento foi com chave de ouro, não tenho do que reclamar.

Essa chave de ouro contou com a presença do lindo Rickenbacker vermelho que Hughes usou na turnê de Burn. Cara, vá se catar. O som daquele velhote é apavorante. Diante das caixas de som do baixo, quando Hughes apenas ligou ele já dava para sentir que a casa ia estremecer. Foi só ele puxar o riff de "Burn" e pronto, não havia como ficar isolado da potência sonora que exalava do palco. Meus olhos tremiam no ritmo do baixo de Hughes, e aquela pesada versão de "Burn" só atestou que é muito raro achar, hoje em dia, um grupo tão forte individualmente e coletivamente como foram as MKs III e IV, assim como a maioria das bandas dos anos 60 e 70.

Fim de espetáculo

O show encerrou com a promessa de mais um retorno, declarações de amor e aquele sentimento de "bebedeira" após pouco mais de duas horas de apresentação, a qual irá ser lembrada pelos presentes não só por sua importância histórica, mas também por terem visto ao vivo e a cores como se faz rock 'n' roll de verdade.

Track list

1. Stormbringer
2. Might Just Take Your Life
3. Sail Away
4. Mistreated
5. You Fool No One
6. This Time Around
7. Gettin' Tigher
8. Smoke On The Water
9. You Keep On Moving

Bis

10. Highway Star
11. Burn



terça-feira, 25 de agosto de 2015

Review Exclusivo: Glenn Hughes (Porto Alegre, 18 de agosto de 2015)




Posso dizer com satisfação que já vi muitos shows em minha vida. Diversos artistas que aprecio pousaram em um local próximo de meu alcance, e eu consegui assistir suas apresentações que, na maioria dos casos, foi extremamente satisfatório. Porém, poucas vezes consegui assistir a um ÍDOLO com todas as letras garrafais. Seja por que o cidadão (cidadã) em questão faleceu, seja por que nunca veio ao Brasil (ou em um país que eu estivesse naquele momento), conto nos dedos os artistas que eu vi que eu queria realmente ver (Yes, Kiss com os quatro mascarados originais, Los Hermanos - tá, vai vir zoação, Arnaldo Baptista, Mick Box, Uli Roth, Madonna, ..., para por aí).



Um desses artistas ainda vivo, e que passou por Porto Alegre quando eu morava em Porto Alegre, mas não pude assistir por conta do trabalho, é o baixista britânico Glenn Hughes. Em dezembro de 2010, ele apresentou-se no modesto e apertado Beco, e fiquei muito triste de não poder conferir The Voice of Rock ao vivo e a cores, com todo seu talento e seu carisma, além de anos de experiência tocando alguns monstros do rock, dos quais destaco simplesmente Ritchie Blackmore, Tony Iommi, Tommy Bolin e Mel Galley - trinca feroz hein?

Pois bem, eis que o tempo passa, os cabelos caem, e em agosto de 2015, Hughes volta ao solo gaúcho, dessa vez acompanhado de Doug Aldrich (guitarrista que tocou com Dio no início da década passada) e o exímio baterista sueco Pontus Engborg.



Sem pestanejar, decidi ir ao show, mesmo ocorrendo em uma terça-feira. Era apenas questão de rearrumar os trabalhos e planejar certo como ir e voltar mais de 1500 km entre São Borja e Porto Alegre, para conferir de perto simplesmente um dos caras que há no mínimo 25 anos me despertou a paixão pelo rock. Não é que o irmão e colega consultor Micael descobre que havia um Meet and Greet sendo oferecido para o show, e melhor ainda, por um preço bem razoável para a ocasião. Não tinha como titubear, e adquiri também o Meet and Greet, recebendo assim a honra de conversar com Mr. Hughes, The Voice of Rock. QUE SONHO!

A ansiedade era grande, mas algumas semanas depois, lá estava eu, no Bar Opinião, e ficar me beliscando para acreditar que o que estava passando era realidade.



O fim de tarde, início de noite, do dia 18 de agosto, começou com muita chuva, mas a expectativa era as melhores possíveis. Fiz uma seleção da minha coleção de discos do Deep Purple e Trapeze que contam com Glenn Hughes, além de alguns CDs do Purple e da carreira solo de Hughes, com esperança de que ele autografasse alguns. Quanta ingenuidade minha. O Meet & Greet começou pontualmente às 18 horas, quando pude conferir a passagem de som de "Stormbringer", enquanto recebia lembranças - uma foto 8 x 10 cm, um ingresso laminado e um crachá laminado e com efeitos 3D - e Hughes mandava beijos de cima do palco.

Na sequência, Hughes desceu do palco e atendeu os quatro participantes do encontro. E não é que ele assinou todos os discos e todos os CDs que levei? Que arrependimento. Deveria ter levado mais, para ele assinar. O melhor no fim não foi isso, foi a simpatia. Hughes atendeu à todos com uma humildade rara para alguém de sua importância, sem o mínimo de arrogância. Foi legal trocar uma ideia com ele, conversar um pouco sobre Tommy Bolin, Tony Iommi, um pouco dos velhos tempos do Trapeze, mas principalmente, estar diante de um homem que é responsável por minha formação no rock, de igual para igual, sem distinções. A conversa foi muito boa, ele se permitiu tirar várias fotos, e não posso deixar de agradecer também a Mike, um dos responsáveis pela organização do Meet & Greet e do show, que nos atendeu também com muita simpatia. Valeu a pena o investimento, e certamente, assim como o Davi já havia dito em uma resenha do Kiss, ter esse Meet & Greet com um artista que você curte com certeza é uma oportunidade que não se pode rejeitar.



A alegria de ter conversado com Hughes, tirado fotos, conseguido autógrafos etc etc ficou estampada no rosto até a hora do show. Grudado na grade, vi o trio subir ao palco e simplesmente detonar. O baixo de Hughes sacolejou o opinião, e Doug foi uma boa surpresa, tocando muito como manda o figurino dos bons guitarristas revelados ao mundo na segunda metade da década de 80.

O surpreendente do show foi que Hughes não se focou em sucessos. Para quem esperava "Seafull" ou "You Are The Music", dois dos principais sucessos do Trapeze, recebeu "Way Back to the Bone" e "Touch My Life", duas pérolas lado B de You Are the Music ... We're Just the Band (1972) e Medusa (1970) respectivamente. Para quem queria ouvir "Gettin' Tigher" ou "This Time Around", talvez as principais canções do Purple com a voz de Hughes, veio a menosprezada "Sail Away" (Burn, 1974).







Nas mais de duas horas de apresentação, ainda rolaram outras joias, que foram "One Last Soul" (Black Country Communion) e "Sweet Tea" (California Breed), além de uma surpreendente revisão para "Good to Be Bad", gravada pelo Whitesnake no álbum homônimo de 2008, que conta com a participação de Aldrich na guitarra. O legal foi ver também que, durante o Meet & Greet, Mike apontou bastante para Soul Mover (2004), e desse belo álbum de Hughes, saíram "Orion" e a ótima faixa título. A carreira solo de Hughes também deixou a faixa de abertura de Building the Machine (2001) ser apresentada após uma fenomenal apresentação de "Mistreated". Meu Deus do céu. Foi uma aula vocal para ninguém botar defeito. Quase meia hora de uma apresentação inesquecível desse grande sucesso do Purple, marcado nos tímpanos com a voz de Coverdale, mas que ganhou uma dramaticidade inquestionável com a entrega e interpretação de Hughes. Que versão, que valeu ainda mais o ingresso e toda a viagem.

Veio o bis com a pancada "Black Country", e o encerramento com uma derrubadora versão para "Burn", para então o trio se despedir, prometendo voltar no ano que vem. Mike ainda apareceu no palco, e de lá, extraiu do solo uma palheta e um set list, os quais me entregou em mãos, entre as dezenas que pediam por uma.



Além da incrível performance de Hughes (o cara está cantando como nos anos 70, e toca baixo com uma naturalidade de guitarrista que poucos conseguem, solando praticamente o tempo inteiro), tenho que destacar a virtuosa e boa performance de Doug, um bom guitarrista, mas que honestamente, não consegue reproduzir o talento de um Joe Bonamassa ou de um J. J. Marsh (nem vou comparar com os clássicos guitarristas citados antes), e que Pontus é um baita batera. O solo dele foi ensurdecedor, socando a pele da caixa e mostrando muita técnica, principalmente nas levadas funkyies das músicas do Trapeze.

Um showzão para não ser esquecido, e tomara que o deal feito por Hughes conosco seja cumprido no ano que vem. Mais discos serão assinados.

Set list

Stormbringer
Orion
Way Back to the Bone
Sail Away
Touch My Life
One Last Soul
Mistreated
Good to be Bad
Can't Stop the Flood
Sweet Tea
Soul Mover
Bis

12. Black Country
13. Burn

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Podcast Grandes Nomes do Rock #19: Singing the Black



Por Mairon Machado (Publicado originalmente no blog Consultoria do Rock)

O Podcast Grandes Nomes do Rock dessa semana é especial, trazendo diversos artistas e grupos interpretando canções que possuem a palavra "black" em seu título. Em duas horas de programa, passeamos por rock progressivo, blues, jazz, black metal, heavy metal e rock 'n' roll, sempre com raridades e novidades para você, leitor da Consultoria do Rock.





Homenagem à última canção desse podcast
Track list Podcast #18: Robert Johnson

Bloco 01
Abertura: "Terraplane Blues" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"I Believe I'll Dust My Broom" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"Last Fair Deal Gone Down" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"If I had Possession Over Judgment Day" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"Milkcow's Calf Blues" [do álbum The Complete Recordings - 1990]

Bloco 02
Abertura: "Drunked Hearted Man" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"Love in Vain" [ do álbum Stripped - 1995 (Rolling Stones)]
"Crossroads" [ do álbum Feedback - 2004 (Rush)]
"Ramblin on My Mind" [do álbum Blues Breakers with Eric Clapton - 1966 (John Mayall)]
"Travelling Riverside Blues" [do álbum BBC Sessions - 1997 (Led Zeppelin)]
"Sweet Home Chicago" [ do álbum The Swedish Collection - 2002 (Status Quo)]

Bloco 03
Abertura: "Stones in My Pasway" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"32-20 Blues" [ do álbum Live ... With a Little Help from Our Friends - 1999 (Gov't Mule)]
"Walkin' Blues" [do bootleg Oakland, 1990/12/28 - 1990 (Grateful Dead)]
"Hellhound on My Trail" [ do bootleg Blackfoot Live & Rarities - 1994 (Ken Hensley)]
"When You gotta a Good Friend" [ do bootleg Across the Royal Caribbean's Liberty - 1988 (Johnny Winter)]

Bloco 04
Abertura: "They're Red Hot" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"Malted Milk" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"Me & The Devil Blues" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"Preaching Blues" [do álbum The Complete Recordings - 1990]
"Dead Shrimp Bles" [do álbum The Complete Recordings - 1990]

Encerramento: "Honeymoon Blues" [do álbum The Complete Recordings - 1990]


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Trapeze

Um dos power trios mais respeitado entre os fãs e os próprios músicos, o grupo Trapeze é exatamente daqueles que todo mundo fala, mas poucos realmente conhecem a banda à fundo. Desde sua fase inicial como um quinteto, até o encerramento das atividades nos anos 80, já como um quarteto, o Trapeze alternou sonoridades e formações, mas sempre privilegiou ótimos álbuns para os fãs, sendo apenas dois deles como trio.

A história do grupo começa em 1965, com o desmantelamento dos Pinkertons Assorted Colours e do grupo Red Caps. Do primeiro, saía o baterista Dave Holland, e do segundo o guitarrista e cantor Mel Galley. Ambos se encontraram em uma festa no interior da Inglaterra, e lá conheceram o baixista e vocalista Glenn Hughes, que já havia tocado em grupos como Hooker-Lees, The Intruders, The In Pack e The News. Hughes, Mel e Dave passaram a andar juntos, e logo a vontade de formar uma banda crescia.

The Montanas
Foi então que em Londres, encontraram o guitarrista Alan Cless e o vocalista Ian Less, que além de fazer performances solo, também era comediante. Surgia assim o embrião do Trapeze, com o nome de Finders Keepers.

Enquanto isso, o grupo The Montanas fazia um sucesso enorme na cidade de Wolverhampton. Surgido em 1964, esse grupo tinha na sua formação Johnny Jones (voz, flautas), Bill Hayward (guitarra), Terry Rowley (baixo) e graham Crewe (bateria). Ironizando pessoas famosas da Inglaterra e também fazendo interpretações diferentes para canções americanas, e assim, gravaram alguns álbuns para a gravadora Picadilly & Pie Records, com destaque para as faixas "Ciao Baby" e "Anyone There", essa última alcançando a posição 49 nos charts americanos.

Compacto de "You've Got To Be Loved"
Em 1967, o guitarrista Jake Elcock ingressava no Finders Keepers, substituindo Cless, e Graham Hollis tornava-se o baterista da banda no lugar de Dave. Nesse mesmo ano, os The Montanas começavam a discutir internamente, já que as divisões monetárias do dinheiro adquirido com o compacto "You've Got To Be Loved" não agradaram a Jones e Rowley. Ambos acabaram saindo do The Montanas, e ficaram perdidos durante todo o ano de 1968, até que em 1969, encontraram Mel e assistiram uma apresentação do Finders Keepers.

Primeira formação do Trapeze. Em cima: Dave Holland, Glenn Hughes e Mel Galley. Em baixo, Terry Rowley e John Jones.



Jones adorou o som dos Keepers, mas não curtiu o baterista. Conversando com Mel, propôs a ideia de montar uma banda, alegando ter contato com gravadoras e também produtores. O jovem Mel passou a ideia também para o jovem Hughes, e assim, em março de 1969, acabaram saindo dos Keepers, juntando-se a Jones e Rowley, agora tocando teclados. Faltava então um baterista, e como Dave estava desempregado, foi chamado novamente para ocupar a cadeira atrás do bumbo. Surgia assim o Trapeze.

Com essa formação, aparecem no programa Colour Me Pop, que pertencia a gravadora Threshold Records, e logo assinam um contrato com a mesma, que tinha como produtor John Lodge, baixista do grupo Moody Blues. E é justamente ele quem, com a ajuda de Jones, insere cordas e arranjos dentro da sonoridade do Trapeze.
A ótima estreia do Trapeze


Em 1970, era lançado o primeiro álbum da banda, intitulado apenas Trapeze. Um ótimo e diferente álbum que abre com a vinheta "It's Only A Dream", apenas com teclados e violão, com Jones cantando, e que é seguida por "Giant's Dead, Hoorah!", onde um riff de violão e batidas nos pratos apresentam os acordes da canção. Todos cantam juntos nas frases ímpares, enquanto Hughes canta sozinho nas frases pares. O refrão apresenta o riff inicial do violão, e a canção ganha um novo  ritmo, agora com Hughes cantando sobre as vocalizações, chegando ao solo de Mel, em uma linha bem psicodélica. Todos então passam a cantar juntos,  em um leve andamento, e então, a sequência inicial é repetida, encerrando a faixa com a repetição do refrão.

"Over" dá seguimento ao vinil com a guitarra usando uma estranha distorção e teclados fazendo acordes acompanhados pelo baixo. Todos cantam juntos o início da letra, e isso é um dos principais destaques, o trabalho vocal do Trapeze. Bateria, baixo e violão passam a acompanhar os vocais, e Jones canta o refrão sobre um belo arranjo vocal feito por Mel, Hughes, Terry e o próprio Jones. A canção segue no ritmo lento de Dave, com todos cantando juntos, repetindo então o refrão para encerrar-se com os estranhos acordes iniciais do violão e dos teclados

A seguir, flautas, violões e piano fazem a introdução de "Nancy Gray". Hughes passa a cantar acompanhado apenas pelo dedilhado dos violões e por uma marcação nos pratos. O baixo surge acompanhando os violões, e então harmônicos dão sequência a letra, agora com a flauta fazendo um bonito tema ao fundo. O refrão é repetido com a bateria acompanhando, além de ótimas vocalizações, para então harmônicos encerrarem a faixa.

Três canções aparecem em sequência "Fairytale / Verily Verily / Fairytale". Inicialmente, um tema no órgão elétrico traz guitarra, baixo e bateria acompanhando os vocais góspeis de Jones, seguido pelos vocais de Hughes, com intervenções da guitarra de Mel. As estrofes se repetem, e então, os dois cantam juntos o refrão, com solos de órgão ao fundo. Um belo jazz rock com um solo de piano leva a "Verily Verily", que começa lenta somente ao piano, seguido por flauta, violões e baixo. Jones canta tendo o acompanhamento de vocalizações, de forma suave, chegando ao refrão, onde todos cantam juntos. A harmonia vocal é linda, e dela, Hughes surge cantando o final desa parte da canção. O tema da flauta é repetido, assim como o refrão, para então encerrar-se o lado A com a repetição de "Fairytale", um pouco mais raivosa do que a parte inicial.

Trapeze em 1969. de ternos e bem diferentes do power trio que consagrou-se posteriormente

O lado B abre com "It's My Life", onde teclado, órgão e baixo introduzem essa linda balada. O violão passa a dedilhar acompanhando os vocais de Jones, e então, a bateria aparece, comandando levemente essa canção que tem como ponto de destaque o refrão, onde todos cantam juntos.

"Am I" têm baixo e violões acompanhando um solo de baixo, para Terry cantar essa canção que lembra muito filmes de faroeste, com destaque para o solo de violão feito por Mel.

A macabra "Suicide" começa apenas com o órgão executando um acorde assustador, trazendo baixo e bateria, com intervenções da guitarra. Todos passam a cantar juntos, sobre a marcação do baixo e da guitarra. O refrão é cantado por Jones, entre viradas do hammond e então, a primeira estrofe é repetida mais uma vez. O refrão é retomado, e após mais uma repetição da primeira estrofe, entramos na sessão instrumental onde o hammond sola tenebrosamente sobre o andamento do baixo e da bateria, encerrando a faixa com a viajante sessão onde Jones delira com os seus acordes.

"Wings" possui a guitarra que faz o dedilhado seguida por baixo e bateria, em um rock sessentista onde Hughes solta a voz, e "Another Day" apresenta violões e teclados juntos aos vocais de Jones e Hughes, acompanhados por baixo e um bumbo fazendo marcações. A bateria surge cadenciando esta balada que possui outro belíssimo arranjo vocal, sendo que um deles, certamente inspirou um dos trechos de "Mistreated".

Por fim, "Send Me No More Letters" apresenta orquestrações acompanhando os vocais de Jones, em uma alegre balada com um refrão grudento onde as cordas são o principal destaque, nessa que é a canção mais conhecida deste ótimo LP de estreia do Trapeze, que encerra-se com a repetição da vinheta "It's Only A Dream".
Compacto de "Send Me No More Letters"
Apesar de ser um ótimo disco, tanto que o programa BBC Radio One praticamente o tocava na íntegra, Trapeze vendeu muito pouco, e o dinheiro arrecadado não foi o suficiente para agradar o tenebroso e dinheirista Jones. Brigas começaram a surgir principalmente entre Jones e Hughes, além do fato de os Montanas terem conseguido pagar o que devia para Jones e Rowley. Isso motivou Jones a largar os "garotos" Hughes, Mel e Dave, e com a aprovação de Rowley, ambos retornaram para os Montanas, deixando o trio com uma mão na frente e outra atrás.

Porém, nem tudo era inferno. O contrato com a Threshold previa mais um LP. Mel e Hughes decidiram seguir adiante, contando com Dave na bateria e mudando a sonoridade da banda, aproximando-se do hard rock que se fazia a época e com Hughes pilotando os teclados. A contribuição de Lodge também foi importante, agora não do ponto de vista musical, mas sim motivacional, já que Lodge via em Hughes um talento a ser descoberto.

O ótimo segundo álbum do Trapeze


Então, em 1971, era lançado o espetacular Medusa. Uma paulada totalmente diferente do álbum de estreia. O riff de Mel e Hughes já mostram a nova cara do Trapeze em "Black Cloud", bem mais dançante e swingada do que se fazia à época. Violões fazem os acordes que trazem os vocais de Hughes, chegando novamente no riff principal. O órgão de Hughes aparece em alguns momentos, mas essa faixa acaba sendo diferente do resto do álbum, como vemos em "Jury", onde acordes de violão e baixo introduzem a canção, com Hughes cantando sobre os dois acordes executados pelos instrumentos, de forma sinistra e triste.

O volume do baixo aumenta, chegando a entrada da bateria, e então Mel e Hughes dividem o riff principal. Hughes canta com raiva e o andamento feito por Dave junto ao riff de Mel e Hughes é emocionante. Do nada, a canção para, e Mel puxa um segundo riff, sozinho. Hughes passa a acompanhar o riff no baixo, enquanto Dave faz diversas viradas, para Hughes começar a cantar sobre um andamento mais rápido do que a primeira parte da canção, chegando ao solo de Mel, onde acompanhado pelos gritos de Hughes,  desfila notas e vibratos. Hughes retorma a letra com o segundo andamento sempre fiel ao seu lado. Os violões voltam executando os dois acordes iniciais, enquanto Hughes encerra uma pérola da carreira do Trapeze com rasgadísimos riffs de Mel acompanhando seus gritos.

"Your Love is Alright" traz o slide guitar de Mel e o baixo de Hughes fazendo o riff inicial. Mel então larga o slide e passa a acompanhar o baixo, para Hughes começar a cantar, com Dave acompanhando o riff no cymbal. Após a primeira aparição do refrão, congas são ouvidas acompanhando o cymbal. O refrão é repetido, e chegamos ao solo de Mel, dançante e animado, encerrando o lado A com a repetição do refrão e deiaxndo a expectativa de "como será o lado B?".

O power trio Dave Holland, Mel Galley e Glenn Hughes

O lado B abre com "Touch My Life", onde o riff da guitarra é acompanhado pelo cymbal, trazendo os vocais de Hughes, e então o baixo entra, tornando a faixa pesada e mais dançante. A medida que a canção vai desenvolvendo-se, o riff já está na sua cabeça, e você praticamente sai cantando o solo de Mel, pois o riff é extremamente grudento: 3 acordes dedilhados ligados diretos aos ossos do seu ouvido.

"Seafull" e sua fabulosa entrada, onde Mel faz um dos riffs mais lindos da história do rock, deixando a guitarra gemendo de dor sobre o bluesístico andamento de Hughes e Dave, é a próxima. Hughes começa a cantar de forma leve e o andamento segue. Os gritos de Hughes arrepiam até a unha do pé, chegando ao refrão, onde a bateria de Dave comanda as marcações que o baixo e a guitarra fazem. Mel começa a solar com muitos arpejos e um órgão surge, para Hughes então dar sequência a letra. Essa é uma das melhores interpretações vocais de Hughes, digna de premiação. O refrão retorna, e então Mel repete o riff inicial, para Hughes repetir novamente o refrão, encerrando assim esse excelente blues.

O boogie de "Makes You Wanna Cry" lembra muito "Come Together" (Beatles), e é cantada por Mel e Hughes, com bastante peso no refrão, que entoa o nome da canção. O andamento muda para o solo de Mel, tornando-se ora swingado, ora no ritmo inicial, e a letra é retomada, encerrando a faixa com a repetição do refrão.

Por fim, "Medusa" abre com violões, com mais outro bonito riff de Mel. Hughes canta soberbamente, acompanhado apenas pelos violões. Baixo e bateria entram fazendo marcações, e então, guitarra, baixo e bateria executam o pesado riff principal que leva ao refrão da canção, onde o dedilhado de Mel e o peso do baixo de Hughes são fortes e demolidores. O peso segue no solo de Mel, que leva então aos violões do início da faixa, para Hughes retomar a letra. Um crescendo entre guitarra, baixo e bateria enquanto Hughes manda ver nos seus agudos, leva ao riff pesado, onde aí sim, Hughes estraçalha as cordas vocais, encerrando magistralmente o melhor LP do Trapeze.

A nova formação do Trapeze, bem mais pesada, acabou conquistando fãs pela europa, principalmente na Alemanha, e assim, o grupo partiu para uma turnê pela Inglaterra (onde John Bonham fez uma participação especial), tendo John Ogden nas congas, e seguindo para datas nos Estados Unidos, onde o single de "Black Cloud" alcançara posições impensáveis (décimo lugar), sendo um sucesso principalmente no Texas. O nome de Hughes começava a aparecer para o mundo, como um promissor baixista e um ótimo vocalista, empregando a pureza da soul music e do blues em uma voz branca que ninguém possuia.

Voltando para a europa, começam a registrar o segundo álbum com a nova formação. Hughes já pensava em assumir as guitarras, pois a ideia de "um promissor baixista" não era aceito. Mel sugeriu que ele seguisse no baixo, e então, em algumas canções ao vivo Hughes passaria a tocar guitarra, com o baixo sendo assumido por Pete Mackie.
O LP preferido dos fãs

Em 1972 saia aquele que é considerado por muitos como o álbum que melhor representa o som do Trapeze, You Are The Music ... We're Just The Band. Das oito faixas, cinco são compostas somente por Hughes.  O álbum começa com "Keepin' Time", uma composiçao de Mel com seu irmão, Tom Galley, onde o riff pesado, com Dave usando os dois bumbos, é seguido por Hughes, que eterniza a frase "Don't stop the music" nos anais do rock. O funk pega no solo de Mel, onde B. J. Cole abusa do slide. O riff inicial retorna, e Hughes mantém a letra, repetindo o refrão para Mel solar, agora com a guitarra contando com uma leve distorção, levando ao final da faixa com vários solos de Mel.


"Coast to Coast" vem a seguir, com Hughes ao piano, tendo a companhia do violão e do slide de B. J. Cole introduzindo a canção. Dave faz uma rápida virada, e Hughes canta essa ótima balada sobre o riff inicial, tendo a participação de Rod Argent no piano elétrico. Durante o sensacional solo de Mel, B. J. Cole novamente está presente com o slide.
As vocalizações de Hughes já de caram entoam o nome da próxima faixa, "What Is A Woman's Role", com Mel puxando o riff junto com o piano elétrico de Kirk Duncan, e apresentam outra dançante e leve balada, perfeita para um sábado à noite ao lado da namorada. Destaque total para a interpretação vocal de Hughes. O solo de Mel conta com a percussão de Ogden, relembrando momentos de Come Taste The Band, principalmente pelas famosas "engasgadas" que Tommy Bolin fazia e pelas vocalizações no encerramento da faixa.

O lado A encerra-se com "Way Back to the Bone". Um clássico! O riff que caracteriza o som do Trapeze dali em diante, feito com as cordas abafadas, e Dave soltando o braço, trazem os vocais de Hughes recheado por uma sonzeira feita por guitarra, baixo e bateria. A guitarra está como destaque principal, mesclando peso e swing em doses certas, encerrando muito bem o lado A com um ótimo solo de Mel que é seguido por vocalizações e pela sequência final da letra.
Formação consolidada: Galley, Holland e Hughes

O lado B começa com "Feelin' So Much Better Now". Outra boa faixa contando novamente com Rod Argent no piano. Um rock pesado, com um refrão grudento onde Hughes exibe seus agudos inconfundíveis.

"Will Our Love End" possui vibes feitos por Frank Ricotti e vocalizações que abrem essa balada onde novamente Hughes justifica por que poderia ser o vocalista principal do Deep Purple. Uma interpretação fenomenal acompanhada por baixo, vibes, bateria e o sax de Jimmy Hastings. No refrão, a guitarra aparece fazendo algumas intervenções, chegando ao breve mas bonito solo de Mel. Hughes dá sequência a letra, retomando o refrão e depois, acompanhado apenas pelo sax e vibes, Hughes dá mais um show particular, encerrando a faixa com mais uma repetição do refrão.

Por fim, as duas últimas canções que não são composições de Hughes. A primeira delas é "Loser", onde um ritmo embalado toma conta das caixas de som. Mel solta o riff de um lado enquano Hughes solta a mão no baixo do outro, ambos sendo acompanhados pela cadência de Dave. Hughes começa a cantar e a swingueira pega. Um refrão forte, mas que particularmente, para mim é a faixa mais fraca do LP, apesar da ótima sessão a capela feita por Hughes.

A segunda, e que encerra o LP, é a clássica "You Are The Music". A mão direita de Mel e o baixo de Hughes criam um riff imortal. É a faixa onde o estilo de cantar de Hughes mais se destaca, com gritos, resmungos e gemidos que somente ele sabe fazer. O refrão é daqueles "levanta público", apenas repetindo o nome do LP, e o solo de Mel é sensacional, com Hughes solando junto no baixo de forma muito veloz. Outro destaque é a ótima cadência de Dave, que com a companhia da percussão, incrementa ainda mais a já dançante faixa que encerra outro álbum clássico do Trapeze.

O Trapeze saia em turnê mais uma vez, agora com mais datas pelos Estados Unidos. You Are The Music ... vendia como água no verão, e tudo parecia correr bem para os lados do trio. Porém, durante a turnê, Ritchie Blackmore contacta Hughes e o convida para virar um Purple. Com uma oportunidade única na mão, mas lamentando muito ter que sair do Trapeze, Hughes aceita, mas antes, encerra a turnê europeia do Trapeze, e vai se tornar um dos maiores nomes do baixo e dos vocais, fazendo uma das mais belas duplas vocais da história ao lado de David Coverdale.
Mel e Dave viam-se sozinhos, e pior sem mais o apoio de Lodge, já que o contrato com a Threshold estava sendo encerrado.  A solução foi lançar uma coletânea com duas canções inéditas: "Good Love" e "Dat's It", e assim lançaram em 1974 The Final Swing, ao mesmo tempo que convidam Pete Wright para subsituir Hughes no baixo. Mel assume o posto de vocalista, e também passa a ser o guitarrista solo, já que Rob Kendrick passava a ser o guitarrista base.
O primeiro aĺbum sem Hughes


O Trapeze então assina um contrato com a Warner Records, e com vários convidados, tendo uma pressão enorme por ser o primeiro álbum da banda como quarteto e precisando manter o nome do Trapeze lá em cima, em 1974 lançam "Hot Wire", que mantém o nível de seu álbum antecessor, apesar da sentida ausência de Hughes, começando com "Back Street Love", onde o riff inicial traz um curto solo de guitarra e os vocais de Mel na mesma linha e melodia de Hughes. No solo, espaço para Rob e Mel fazerem breves frases, em uma boa faixa de abertura.

Sem intervalos, chegamos em "Take it Down the Road", com mais um riff grudento e com o mesmo embalo da faixa anterior, onde o baixo e a guitarra dividem o mesmo espaço marcando o tempo para Mel cantar. No refrão, backing vocals entoam o nome da canção, e Mel manda ver com o wah-wah. A faixa encerra com uma rápida participação do sax de Chris Mercer.

O funkzão de "Midnight Flyer" bota as pernas para dançar. A participação dos sintetizadores e das congas de Ogden dão um charme especial à faixa. Viradas somente com baixo, guitarra e bateria mudam o clima da canção no refrão, apresentando os backing vocals de Kenny Cole e Misty Brown, mas a swingueira segue na sessão instrumental, que começa com um solo de sintetizador feito por Terry Rowley, passa por Mel e retorna novamente para Terry, levando então ao ótimo solo de Mel

"Make Up, Shake Up" encerra o lado A com um belo rock onde o baixo de Pete ganha destaque. Temos mais um refrão grudento com Mel esbanjando talento com o slide no seu primeiro solo. Rob e Mel passam a solar juntos na segunda parte da canção, encerrando com a repetição dos riffs iniciais.

Trapeze com Rob Kendrick e Pete Wright

"Turn It On" abre o lado B com o riff de baixo e guitarra indicando que mais swing vem por ai, e é exatamente isso o que acontece. Outra embalada faixa comandada pelo repetitivo riff de Pete e Rob, enquanto Mel sola e canta sobre o swingado acompanhamento de Dave. Ouça o refrão, com a entrada dos sintetizadores, e imagine-se dentro de Stormbringer ou Come Taste the Band.
Apenas as guitarras trazem os vocais de Mel para cantar "Steal A Mile". As guitarras vão dando ritmo, e então, bateria e baixo passam a acompanhar os vocais, com a faixa desenvolvendo-se em cima dos acordes de Mel e Rob, e com as vocalizações femininas se fazendo presentes no refrão, ao lado do slide de Mel. A faixa ainda conta com um breve solo de sax.

"Goin' Home" tem a guitarra de Rob mandando o riff de um ótimo e viajante boogie, que é seguido pelo baixo e pela guitarra de Mel. Dave entra e o volume das guitarras sobe, para Mel começar a cantar. Destaque para os solos, onde entre camadas de sintetizadores, Mel no canal esquerdo e Rob no canal direito lutam entre si, com acordes, bends e vibratos muito interessantes.
O disco encerra com os viajantes 9 minutos de "Feel It Inside". As vocalizações femininas logo de início, junto com o riff swingado de Mel, vão apresentando a canção, com a adição de baixo, congas e bateria. Mel começa a cantar e em seguida chega no refrão, recheado de vocalizações. Após a repetição da letra, a canção possui um pequeno trecho um pouco mais pesado, o qual tem vocalizações que apresentam o solo de piano elétrico de Terry, seguido pelo solo de Mel, onde ele em uma caixa usa o slide e na outra sola com a guitarra limpa. A parte mais pesada re-aparece e então voltamos ao swing e ao seguimento da letra. O refrão é repetido, e as vocalizações femininas cantando "Can You Feel It", acompanhadas pelo swing, levam ao encerramento da faixa e do LP com muito swing e solos de slide.

Muitos criticaram o lançamento de Hot Wire, dizendo que a Warner havia colocado muita pressão em cima de Mel, qu enão conseguia cômpor músicas ao nível de Hughes. Isso não é bem verdade, já que Hot Wire tem ótimas composições. Obviamente, não pode ser comparado com o que foi realizado antes, mas é um bom disco, que com todas as críticas contra, alcançou a posição 146 nos charts americanos.
Trapeze em ação (1975)

O grupo partiu por mais uma turnê (a última até então) pelos Estados Unidos e Inglaterra, sendo que um dos shows, realizado no Boat Club de Nottingham, em 1975, foi registrado para um possível álbum ao vivo, o que só iria acontecer 31 anos depois.


Mel e Dave decidiram seguir com o Trapeze, já que a Warner havia fechado um contrato para dois álbuns, e com o mesmo time de Hot Wire, foi para os estúdios, onde novamente convidaram vários músicos como Rod Argent e um convidado mais que especial. 
 
O menosprezado, mas muito bom, Trapeze


Em 1976, saía Trapeze, que se tornou o álbum para qual os fãs mais torcem o nariz, mas que está no mesmo nível de Hot Wire (se não acima), começando com 
"Star Breaker", onde o riff marcante, contando com metais e seguido pelos vocais de Mel, apresenta um hard típico do Trapeze, com o refrão enaltecendo o nome da canção. Destaque para a participação dos metais no solo de Mel.

"It's Alright" possui violões seguidos pelos vocais de Mel, que sola ao slide. Percebe-se claramente a intenção de ressucitar a melodia vocal de Hughes, e apesar de Mel possuir uma voz bem mais grave, aqui funciona muito bem, em uma interessante balada onde acordes de órgão são ouvidos durante o solo de Mel
 

Violões também estão presentes na introdução de "Chances",  executando alguns acordes e harmônicos. Para surpresa dos ouvintes, Hughes surge cantando a canção, cuja autoria pertence a ele, Mel e Tom Galley. Ótima e suave faixa, somente com violão, vocais e intervenções de piano elétrico.

Após uma pequena contagem, surge o riff de baixo e guitarra, e a swingueira toma conta em "The Raid", com Rob e Pete confrontando a guitarra de Mel. Os vocais surgem e o funk que o Trapeze sabia fazer como poucos toma conta das caixas de som, com Mel e Rob dividindo os solos. Outro destaque é a incansável marcação de Holland. O confronto inicial é repetido, encerrando a faixa com uma rápida repetição da primeira estrofe da canção.

O lado A encerra-se com "Sunny Side of the Street", onde uma nova contagem dá início a um animado boogie,  com interessantes solos de piano e slide guitar
Poster da turnê de Trapeze

O lado B abre com Gimme Good Love, onde o pesado riff , com teclados e guitarras, repete a receita de "Star Breaker", porém sem os metais. "Monkey" é um boogie que lembra ZZ Top, com um ótimo trabalho de guitarras.

Já "I Need You" começa com baixo e bateria trazendo as guitarras levemente, em uma canção simples e que não chama muita atenção, apesar do refrão grudento e do solo de slide guitar.

"Soul Stealer" possui um ótimo início de guitarras, apresentando mais uma boa canção, com bons momentos instrumentais e contando a participação de piano elétrico e violões

Por fim, "Nothin' For Nothing" traz o riff clássico da guitarra, seguido por Rob, Dave, Pete e um curto solo de Mel, além dos vocais de Hughes, em um boogie lento e safado, que deu mais alguns anos de vida para o Trapeze, ainda mais com o refrão, que ficou conhecidíssimo entre os fãs da banda. Destaque para o solo de guitarras, cujo riff lembra muito "Parasite" (Kiss).

Anúncio do retorno do Trapeze em 76
Após o lançamento de Trapeze, o fim da banda era anunciado, mas não por muito tempo. Ainda em 76, Hughes saía do Deep Purple, e noticiava ao mundo o retorno do Trapeze com o line-up que gravara Medusa e You Are The Music ... . Um novo álbum de músicas inéditas bem como uma turnê mundial estavam previstos para acontecer. Por fim, várias datas nos Estados Unidos foram cumpridas, e as gravações que seriam do novo LP do Trapeze viraram o primeiro álbum solo de Hughes, o espetacular Play Me Out (1977).

Mesmo assim, os incansáveis Mel e Dave entusiasmaram-se com o retorno aos palcos, e seguiram mais uma vez com o Trapeze, agora chamando os ex-Fables Peter Goalby (voz) e Peter mackie (baixo). O grupo logo partiu para turnê, abrindo então para o Nazareth, voltando para os estúdios onde registram Hold On.

O derradeiro Hold On
Em 1978, contando com a participação de Marvin Spence (Wishbone Ash) e Geoff Downes (Asia, Buggles, Yes) era lançado o último e derradeiro álbum da carreira do Trapeze. Mantendo a linha da fase quarteto, o álbum começa com "Don't Ask Me How", com a bateria de Dave seguida pelo slide de Mel apresentando uma dançante canção, onde os vocais de Goalby dão uma cara mais moderna e leve para a banda, aproximando-se do pop.

O riffzão abafado seguido pelo andamento da bateria e do baixo introduzem "Take Good Care", com uma bela participação de Dave, além de vocalizações fortes entoando o nome da canção e lembrando muito o Grand Funk da fase posterior a Shinin' On. Outro belo destaque é o solo de Mel.

Violões e guitarra estão presentes no início do boogie "When You Go To Heaven", com a linha de baixo de Pete se destacando, bem como o andamento de Dave e as vocalizações. Outra apetitosa e embalante faixa.

O mesmo ocorre em "Livin' On Love", onde solos de guitarra apresentam o violão embalando a faixa para os vocais plantianos de Goalby. Um ótimo refrão entoando o nome da canção faz dessa uma das melhores canções do álbum, sendo a mais funkeada de todo o álbum.

O lado A encerra-se com a fraca faixa-título, com Goalby tentando imitar as linhas vocais de Hughes, mas passando muito longe, em uma faixa chata e que serve apenas para encher o vinil.
Peter Goalby

Já o início do lado B, com "Don't Break My Heart", é uma obra para ser apreciada pelos admiradores do hard farofa. A bela introdução com arranjo de cordas e piano é seguida por uma bela balada, que transforma-se em uma embalante e grudenta canção, com frases que ficarão na cabeça por alguns dias.

Uma introdução na linha de "Gimme Shelter" (Rolling Stones) é seguida por um ótimo som chamado "Running", bem na linha AOR, onde o maior destaque vai para os riffs de Mel, as vocalizações divididas entre Mel e Goalby e a ótima levada de Pete e Dave. As variações entre as vozes de Goalby e Mel são excelentes, assim como os momentos em que cantam juntos. Não sei como essa canção não virou trilha de alguma propaganda de cigarros. A melhor faixa do LP, com um ótimo solo de Mel, e com um refrão impossível de tirar da cabeça. 
A sessão da introdução volta ao ritmo AOR, e assim, o nome da canção volta para sua cabeça e fica gravado por horas.
 
A guitarra dedilhada abre "You Are", seguida dos vocais de Goalby. Aos poucos, a banda vai surgindo, comandando uma leve balada, que conta com os teclados de Downes e com um bonito solo de cordas encerrando a faixa junto ao solo de Mel.

O LP encerra com "Time Will Heal", onde barulhos de vento entre os acordes dedilhados de Mel introduzem mais uma bela balada, levada pelo ótimo andamento de Dave e pelos acordes de Dave e Downes, onde Goalby canta muito no refrão, entoando o nome da canção. Destaque paraa o bonito arranjo de cordas no solo de Mel, com os violinos duelando com a guitarra e arrancando lágrimas de quem está ouvindo, encerrando apenas com o barulho das ondas do mar.

Versão alemã de Hold On
Hold On foi lançado com capa e nome totalmente diferentes na Alemanha e na europa da cortina de ferro. Por lá, o LP virou Running, tendo quatro lindas loiras nuas exibindo-se para o fã. Essa versão é muito rara, mas para quem a encontrar, vale a pena o investimento tanto pela capa quanto pelo som.

Antes do início da turnê de divulgação de Hold On, Dave recebe o convite para ingressar no Judas Priest, onde registraria um dos maiores clássicos da carreira da banda, British Steel (1980), além de Point of Entry (1981), Screaming for Vengeance (1982), Defenders of the Faith (1984), Turbo (1986) e Ram it Down (1988), além do ao vivo ... Live (1987).

Steve Bray substituiu Dave, e assim, seguiram excursionando, até que em 1981, o trapeze lançava seu primeiro álbum ao vivo: Live in Texas: Dead Amarillos, mas então foi a vez de Goalby sair, indo substituir Graham Bonnet no Rainbow de Ritchie Blackmore, o que não durou muito tempo, e depois virando o front man do Uriah Heep no lugar de John Sloman, gravando os álbuns Abominog (1982), Head First (1983) e Equator (1985).

O Trapeze continuou com Mel, Bray, Mervyn Spence (baixo e vocais, ex-Big Daisy) e Richard Bailey (teclados). Essa formação excursionou abrindo para Edgar Winter, até que Bray foi substituído por Kex Gorin (ex-Magnum). Um novo álbum começava a ser gravado, mas nessa mesma época, Mel ingressou no projeto Phenomena ao lado de Tom Galley, Glenn Hughes, Brian May, John Wetton, Tony Martin entre outros. 

A vaga caiu no colo de Rob Kendrick novamente,  que acabou excursionando pelos Estados Unidos em 1981 com o Trapeze tendo uma nova formação,com Mike Mikeska na bateria e Buck Judkins no baixo. Essa formação assinou com a Geffen Records, e começou a gravar um álbum que nunca foi lançado.

O Trapeze chegava ao fim, com Rob indo parar no grupo Cloven Hoof, e posteriormente paricipando do álbum The Last Stage, do grupo Budgie. Já Hughes, depois de lançar alguns discos solos, ingressou no Black Sabbath, onde registrou o ótimo Seventh Star (1986), além de ter participado dos álbuns do Phenomena. Mel participou de Slide It In, lançado pelo Whitesnake em 1984, sendo um dos principais responsáveis pela mudança de sonoridade do grupo de Coverdale.


Em 1991, o trio Hughes, Dave e Mel se juntava para algumas apresentações, tendo Geoff Dones como músico adicional. Dessas apresentações, saiu o excelente álbum ao vivo Welcome to the Real World - Live at the Borderline 1992, lançado em 1993, com clássicos como "You Are the Music", "Coast to Coast" e "Black Cloud".

Em fevereiro de 1994, nova reunião para um show em Nova Iorque em homenagem a Ray Gillen. Os rumores de uma volta definitiva deram origem a várias datas nos Estados Unidos e na Inglaterra, tendo Craig Erickson como um dos guitarristas ao lado do trio Hughes/Mel/Dave.
Trapeze 1994
Apresentação no tributo à Ray Gillen
Em 1996 foi lançada a coletânea High Flyers: The Best of Trapeze, e em 1998, uma compilação ao vivo intitulada Way Back to the Bone resgatava apresentações das turnês de Medusa e You Are the Music ..., bem como do retorno com Downes. Em 2003 saiu On the Highware, trazendo canções desde o início da carreira do Trapeze, mesclando versões inéditas de estúdio e também apresentações ao vivo. 
O primeiro ao vivo oficial com Hughes
Mel Galley acabou falencendo de câncer no esôfago em 1 de julho de 2008, aos 60 anos de idade. Em sua carta despedida, deixou anunciado aos fãs que "vocês são a verdadeira música, eu apenas fazia parte da banda!", uma declaração emocionante e apaixonada tanto para os fãs quanto para o Trapeze, a banda onde Galley tocou por mais tempo.
Mel e Hughes meses antes da morte de Mel
Como homenagem, Hughes vem reativando canções do Trapeze em seus shows. Nada mais justo para aqueles que nunca puderam ver a performance ao vivo de uma das bandas mais importantes da história do rock, não só por revelar Dave Holland, Mel Galley, Peter Goalby e Glenn Hughes ao mundo, mas por fazer um som justo, honesto e principalmente, sensacional.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...