No minha coleção, apresentamos a coleção de alguma banda/artista de um de nossos consultores. Hoje, os LPs do grupo americano ZZ Top, pertencentes à Mairon Machado. Curiosidades, versões diferentes, e muito mais. Aproveite para inscrever-se em nosso canal, e compartilhe com quem você sabe que aprecia música.
terça-feira, 29 de março de 2022
sábado, 19 de março de 2022
Consultoria Recomenda: Southern Rock
Tema escolhido por Davi Pascale
Com Daniel Benedetti, Fernando Bueno, Mairon Machado e Ronaldo Rodrigues*
Um belo tema até pelo fato de que acho que cobrimos pouco southern rock aqui em nosso site. Davi escolheu um tema simples mas de bom gosto para recomendarmos discos vindos de bandas que exaltam a cultura sulista dos Estados Unidos. É aquele rock com um pé no country e outro no blues que faz com que a sonoridade se torne única e incomparável. Estão aí 6 discos do estilo com nossos comentários (imensa maioria deles positivos, mais do que esperado). E as suas sugestões? Comente nossas escolhas e comentários e sugira mais também! Obviamente faltaram muitos outros discos e bandas!
*Ronaldo nos sugeriu o disco mas infelizmente não pôde nos mandar os comentários a tempo.
Blackberry Smoke - The Whippoorwill [2012]
Por Davi Pascale
Descobri o Blackberry Smoke quando eles estavam lançando o Little Piece of Dixie, em 2009, por indicação do pessoal da Animal Records. Desde então, venho acompanhando o som dos rapazes e tenho curtido bastante o trabalho dos caras. The Whippoorwill, embora tenha bastante balada (que é algo que pode desagradar alguns de nossos consultores), é tido pelos fãs do conjunto como um de seus melhores trabalhos. E foi por essa razão que optei por esse disco. A escolha da banda foi porque eu quis trazer algo mais recente para cá. Ok, talvez esse não seja o termo correto para uma banda com mais de 10 anos de estrada, mas já suspeitava que a maioria das indicações seria de medalhões dos anos 70. Gosto do disco. Acho a banda muito competente e as composições bem consistentes. Desse trabalho, destacaria “Six Ways to Sunday” (Lynyrd Skynyrd até o caroço), “Everybody Knows She´s Mine”, “Lucky Seven” e “Shakin´ Hands With The Holy Ghost”. Enfim, curioso para ver a opinião dos colegas.
André: Cara, que disco surpreendente, variado, animado, delicado, bonito. Nas suas 14 faixas, cada uma delas tem uma particularidade própria. As vezes é dançante, as vezes é baladinha. Tem bastante balada até, mas que conseguiram fazer com que não ficasse morno. Os teclados muito bem encaixados. Aquela caixa de bateria com força na mixagem, algo meio obrigatório eu diria nas bandas sulistas mas que parece que andam esquecendo em algumas bandas. Aqui duas baladas me chamaram a atenção. "The Whippoorwill" é uma do jeito que eu adoro. "Up the Road" então na levada de piano e depois um Hammond daqueles, é de chorar. Como caralhos essa banda me passou batido por tanto tempo?
Daniel: Eu confesso que nunca havia escutado a banda, embora já tivesse lido muitos comentários sobre ela. Foi uma audição muito agradável. Eles não tentam inventar a roda, fazendo uma sonoridade Southern Rock básica, mas bem eficiente. Destaco “Six Ways to Sunday” e “One Horse Town”.
Fernando: Aqui o country é mais presente do que o rock. Tenho a impressão que nessa última década tivemos uma espécie de renascimento do southern rock. Eu mesmo fui me interessar mais por Lynyrd Skynyrd, Alman Brothers, Blackfoot e outras nesse período, mesmo tendo um disco do Pride & Glory em alta conta já há muito tempo. Também não via o pessoal ouvindo tanto. Hoje tenho amigos que fuçam e colecionam muito essa seara musical. Só tinha ouvido os dois discos anteriores do Blackberry Smoke e acho que continuo gostando mais deles, mas percebo que o nível é bem alto e vou ouvir mais vezes. A faixa título é uma lindeza.
Mairon: Confesso que não conhecia essa banda, e não imaginaria ouvir um som tão southern em uma banda recente. A primeira faixa, "Six Ways to Sunday", já apresenta as características do estilo, seja no vocal de Charlie Starr, seja nas linhas de guitarra, mas principalmente pelas passagens de piano. É um álbum gostoso de se ouvir, onde destaco o clima country de "Everybody Knows She's Mine" e "Lucky Seven", o ótimo blues "Ain't Got the Blues", a baladaça "Up the Road", mas principalmente, as linhas de guitarra de "Ain't Much Left of Me", que me lembrou muito os Black Crowes. Não me pegou ao ponto de colocar ele na minha coleção, mas valeu para conhecer algo além dos tradicionais.
Black Oak Arkansas - Black Oak Arkansas [1971]
Por Daniel Benedetti
O disco traz em sua sonoridade uma proposta de misturar a música tradicional norte-americana com o Rock. As influências mais evidentes são, obviamente, o Country e o Blues, mas até mesmo ecos de ‘gospel’ podem ser sentidos no trabalho. Assim, as misturas de musicalidades mais suaves com as abordagens mais agressivas das guitarras ganham um toque particular nos vocais rasgados de Jim Dandy. Minhas preferidas são “I Could Love You”, que traz o Cream à mente de modo imediato e é a melhor do disco, junta ao clássico “Hot and Nasty”, esta, um resumo do que é o Southern Rock.
André: Já ouvi o BOA mas curiosamente nunca este disco. Aqui já de cara sinto aquela vibe de rock clássico com produção setentista e tudo. Aquela coisa que soa mais orgânica e fácil aos meus ouvidos. Um bom disco, não muito ganchudo, mas que aprecio muito bem tal como a ótima canção "Memories at the Window" com aquele jeitão ruralzão que se espera. Porém, os outros discos que ouvi (High on the Hog e If an Angel Came to See You) deles eu gostei mais. Acho que senti falta de uma guitarra um pouco mais ardida comparada aos outros discos citados aqui. Todavia, um bom registro e bastante agradável.
Davi: Ah, bacana... Nunca tinha escutado nada do Black Oak Arkansas e sempre tive curiosidade de ver como era o som dos caras. É uma banda bastante comentada entre os amantes da cena. Muito provavelmente, esse é o disco com influência de country music mais escancarada de toda a nossa lista. Basta ouvir as canções “Uncle Lijah” ou “The Hills of Arkansas” para entender o que estou falando. Mas, tranquilo, gosto de country music. O que preciso me acostumar, na verdade, é o timbre de voz do Jim Mangrum, que considero bem peculiar. Um dos pontos altos acredito que seja o riff de “If I Could Love You”, que é bem inspirado. No geral, gostei do disco. Provavelmente, devo pegar mais algum trabalho deles para ouvir.
Fernando: Quando falam que o southern rock seria uma espécie de “rock caipira” é isso que eu imagino. O termo pode até ser visto de maneira pejorativa, mas não é isso que entendo. Gostei do tema proposto e também das escolhas por não ter nenhuma banda mais óbvia, mas não é uma seara que eu conheço muito e fico mesmo nas bandas conhecidas que não foram citadas. O Black Oak Arkansas eu já tinha tentado outras vezes, mas nunca bateu. Porém eu tinha ido naqueles dois ou três discos mais conhecidos e esse primeiro é a primeira vez que ouço e gostei mais – “Hot and Nasty” é um sonzão! Aliás, a segunda metade, ou lado B, é melhor que a a primeira. Sei que o loirão Jim Dandy foi a principal inspiração para o David Lee Roth e foi isso que me fez ir atrás anteriormente.
Mairon: Essa banda foi minha primeira opção para esse Recomenda, mas como já haviam indicado, modifiquei. Porém isso não alterna minha idolatria e meu sentimento de representação que é o Black Oak Arkansas para o Southern Rock. Ok, o Lynyrd Skynyrd é um símbolo do estilo por literalmente empunhar a bandeira dos confederados, além de suas letras que tratam muito do clima sulista norte-americano, o The Allman Brothers Band talvez tenha sido a banda que mais explorou musicalmente o southern, abrangendo várias formas de representar a música do sul dos EUA em suas faixas (principalmente ao vivo). Mas o Black Oak Arkansas para mim é o verdadeiro símbolo do que é o Southern. Seja por suas letras com tons extremamente típicas do estilo, seja pelo carisma inegável do vocalista Jim "Dandy" Mangrum, bem como os apelidos "sulistas" de seus membros (Ricochet, Dirty, Burley, Goober e Squeezebox), seja por trazer o sul dos EUA em seu nome, a BOA fez discos muito representativos do que foi o Southern, como essa pérola de estreia (bem antes do Skynyrd por exemplo). Ainda, conseguiu condensar em algo mais leve e palpável a complexidade da The Allman Brothers Band, já que não tinham músicos tão técnicos quanto Duane Allman, Dickey Betts ou Jaimoe, por exemplo, mas tinham um feeling absurdo para fazer um mix de diversos estilos sempre com um cheirão de pântano sulista. Assim, temos o country de "Uncle Elijah", um dos grandes clássicos do Southern, com seus violões e o ritmo dançante, assim como a ótima "The Hills of Arkansas", a animadíssima "Singing the Blues", com a steel guitar comandando tudo, o gospel/boogie de "Lord Have Mercy On My Soul", e a farra da sonzeira "When Electricity Came to Arkansas" (a introdução lembrará os fãs de Santana em Woodstock certamente). Adoro o slide guitar em "Memories at the Window", as guitarras duplas de "Hot and Nasty" e o peso de "I Could Love You", para mim as melhores faixas desse grande álbum. Baita escolha!
ZZ Top - Tejas [1976]
Por André Kaminski
Os barbudos, ocludos e chapeludos não poderiam ficar de fora desse Recomenda. Combinando muito rock sulista com blues e boogie, temos aqui mais um belo registro dos caras em sua fase clássica antes dos eletrônicos da década de 80 (que também gosto, diga-se de passagem). Adoro aqui a instrumental "Asleep in the Desert" claramente dando um clima de reflexão em algum lugar distante da civilização aonde um sujeito poderia refletir sobre sua vida ao som de um lindo dedilhado de violão. É um disco mais simples dentro do estilo, mas nem por isso menos bom.
Daniel: Embora o grupo continue apostando no Blues/Hard/Rock, Tejas traz canções que soam menos intensas e ferozes quando comparadas a, especialmente, o antológico Tres Hombres. Seja pela produção menos 'crua', ou mesmo por abordagens mais suavizadas, Tejas aponta para uma, mesmo que ainda tímida, aproximação do grupo com uma musicalidade mais "Pop", tornando-se um sinal, em perspectiva retroativa, obviamente, daquilo que o conjunto se transformaria nos anos 80. Mesmo assim, ainda há muito do ZZ Top blues e hard no disco, como na antológica faixa "Arrested for Driving While Blind", uma fortíssima candidata a melhor composição da banda.
Davi: Grande ZZ Top! Adoro esses caras. Sempre gostei muito do trabalho de guitarra do Billy Gibbons e adoro o humor deles. Esse disco tem um pouco menos de peso do que os anteriores. Contudo, suas principais características estão aqui. Desse trabalho, gosto bastante das faixas mais agitadas como “It´s Only Love”, “Ten Dollar Man” e clássico “Arrested For Driving While Blind”. Também vale destacar o belíssimo trabalho de guitarra em “El Diablo”, onde a influência de blues salta aos olhos. Se tivesse que indicar um álbum do ZZ Top, provavelmente teria indicado Tres Hombres. De todo modo, é um disco bacana e foi legal reescutá-lo.
Fernando: O ZZ Top é uma banda que eu sempre vi nas revistas, sempre identifiquei como um ícone do rock – seu visual sempre chamou mais atenção para mim do que a própria música – entretanto eu pouco ouvi a banda e eu não sei bem o motivo. Tenho uma coletânea e só. Acho que tenho em mente a fase mais oitentista, pois para mim foi diferente ter ouvido esse disco que é bem mais cru. Gostei bastante de “El Diablo”, menos bluseira, mais climática e misteriosa. A faixa instrumental que fecha o disco foi uma surpresa, pois não esperava algo assim para o ZZ Top. Sempre li que a bateria eletrônica nos anos 80 tinha estragado a banda e parece que é verdade.
Mairon: O ZZ Top passou por minha cabeça após não poder citar o BOA, mas fiquei em dúvida de qual álbum seria a melhor opção, e deixei passar. Diferente das demais bandas do Southern, aqui temos um som cru de baixo, guitarra e bateria, focado em uma cozinha muito eficiente, e a guitarra virtuosísta de Billy Gibbons. Tejas é um grande representante da primeira fase (aquela, pré-Eliminator), onde o trio mostra seu suingue southern com a pegada que marcou a banda em sua carreira, alimentando boogies e blues, como "Arrested for Driving While Blind", "Avalon Hideway" e "Enjoy And Get It On", fugindo bastante de inspirações country, que prevaleciam nos álbuns anteriores, e que surge timidamente em "She's a Heartbreaker". Aqui estão as clássicas "El Diablo", levada pelo seu mágico riff, e "Ten Dollar Man", bastante pesada para os padrões Southern. Aprecie a harmônica do blues "It's Only Love", quebre a cabeça com o complexo ritmo de "Snappy Kakkie", e curta muito os melhores momentos do disco, que são a fantástica "Pan and Highway Blues" (uma das minhas favoritas dos americanos) e a balada instrumental "Asleep in the Desert", com Gibbons brilhando ao violão, e muito distante de qualquer música que você possa imaginar ser do ZZ Top. Linda demais! Bela escolha!
The Outlaws - Bring it Back Alive [1978]
Por Ronaldo Rodrigues
André: Interessante a escolha desse ao vivo para este Recomenda. E vejo muita gente internet afora dizendo que este é um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos. Não chego a esse ponto, mas dá de sentir fácil que foi um showzaço. Mas para mim, a banda brilhou mesmo em "Holiday". Que baixo e que guitarras! O solo dessa música então, excelente. E isso que um pandeiro é quem dita mais o ritmo junto a bateria!
Daniel: É um disco ao vivo, né… então, não é minha praia favorita. Gosto bastante das composições, a banda realmente é um expoente do estilo e o repertório me agradou bastante. Mas, para indicar um álbum do grupo, esta não seria minha primeira escolha.
Davi: Essa é uma banda que eu não conhecia. Achei interessante. Bom trabalho vocal, com linhas bem melódicas. O guitarrista solo é excelente, acredito que seja o melhor músico da banda. As músicas possuem um acento comercial, mas isso não preocupa, até porque a música comercial dos anos 70 era excelente. Pelo que andei lendo parece que suas composições mais famosas são “There Goes Another Love Song” e “Green Grass and High Tides”, ambas presentes nessa apresentação. Contudo, minhas favoritas ficam por conta de “Stick Around For Rock n Roll”, “Freeborn Man” e “Cold and Lonesome”. Bom disco.
Fernando: Há um tempo atrás eu cheguei nessa banda e eu não estou me lembrando o motivo, porém ouvi o primeiro disco deles e achei ótimo. Até indiquei para os amigos que curtem o estilo. Normalmente não temos discos ao vivo nessas sessões, mas achei ótimo ouvir esse daqui. Disco divertido, banda divertida e excelente performance.
Mairon: Sempre achei os "fora da lei" como uma espécie de Lynyrd Skynyrd simplificado, principalmente por que percebo muitas similaridades no som de ambas as bandas, apesar da notável ausência do piano no sexteto aqui destacado. Esse álbum ao vivo é uma boa amostra da energia que os caras transmitiam em seus shows, concentrando-se no caprichado trio de guitarras formado por Billy Jones, Freddie Salem e Hughie Thomasson (que inclusive veio a tocar no Skynyrd anos depois). A abertura com "Stick Around for Rock & Roll" é um tour de force para tirar o fôlego, com muitos solos ao longo dos nove minutos da canção. Os solos de guitarra se propagam também em "Freeborn Man". Porém, é na longa "Green Grass and High Tides", talvez o maior sucesso da banda, que a casa vem abaixo. A canção é conhecida entre os fãs como a "Free Bird" dos Outlaws, e é uma série de solos para se encantar, ao longo dos seus vinte minutos. Ah sim, se você quer ouvir e sentir cheiro dos pântanos, passe por "I Hope You Don't Mind" e "Lover Boy", ou aprecie o climão viajante e as harmonias vocais de "Prisoner", inspirada fácil fácil no Allman Brothers. E se quer ouvir algo mais country, também há em "There Goes Another Love Song", além do lado C do LP duplo ser recheado de canções bastante comuns, mas bem gostosas de se ouvir. Porém, todas são ofuscadas pela grandiosidade de "Green Grass and High Tides". Atemporal!!
Blackfoot - Strikes [1979]
Por Fernando Bueno
Lembro de ter visto algumas vezes as capas dos discos do Blackfoot, mas nunca tinha nem chegado perto dos discos. Tinha ouvido pela internet o Tomcattin’, o disco “da pantera” e já tinha gostado muito. Aí apareceu uma oportunidade de pegar de uma vez a “trinca dos animais” e não pensei duas vezes. É curiosa essa sequencia de capas da banda, o primeiro com a cobra Strikes [1979], o segundo de 1980 com a pantera e o terceiro, Marauder [1981], com a águia. E essa sequencia é justamente o creme de la creme da banda. Nunca mais eles conseguiram chegar nesse nível de composições de novo. Fosse eu teria colocado um peixe no próximo, um cisne no seguinte e quem sabe um cachorro também. Afinal, em time que está ganhando não se mexe, como diziam os radialistas veteranos lá nos anos 80. O Blackfoot junto do Outlaws são as bandas mais subestimada dessa lista e se não fosse o disco do Blackberry Smoke eu diria que são os melhores também. Alguns podem falar que eles são muito hard rock para o southern, até entendo, mas eu acredito que é mais a questão da timbragem mais pesada dos instrumentos mesmo, pois o jeitão está lá. Ouçam “Got A Line On You”!!
André: Da hora essa capa com a cobra. Simples, mas marcante. O som então é algo mais pesado e hard rocker que os outros que ouvi por aqui, mas aquela aura sulista ainda é prevalente. Muita coisa boa, mas preste atenção em "Pay my Dues" e veja se não sente vontade de swingar o esqueleto por aí.
Daniel: Strikes é uma ótima amostra da riqueza do estilo Southern Rock e como sua incursão com o Hard Rock pode ser bem-sucedida. Claro que em 1979 o Southern Rock não era nenhuma novidade, mas o grupo dá uma dose extra de peso com eficiência e qualidade. Não é apenas o peso pelo peso, e sim, o utilizando como modo de realçar belas melodias e trazer intensidade às canções. O Hard Rock do Blackfoot é feito de maneira a se fundir perfeitamente com sua veia sulista, como se observa na excelente "Road Fever".
Davi: Esse disco é, certamente, um clássico do Southern Rock. Blackfoot é uma banda liderada pelo talentoso guitarrista Rickey Medlocke (atualmente, no Lynyrd Skynyrd) e era, provavelmente, uma das bandas mais pesadas do gênero. Ao menos, entre os grupos dessa época. O disco abre com a inspirada “Road Fever”, cai na contagiante “I Got a Line On You”, mas o creme está no final do LP com as clássicas “Train, Train” e “Highway Song”. Essa última é uma espécie de “Freebird” do Blackfoot e acredito que sua música mais famosa. Ótima lembrança!
Mairon: Southern pesadíssimo de uma bandaça a ser descoberta. Das antigas aqui, é a que menos conheço a carreira, mas esse álbum figurou muito na minha playlist durante estudante de doutorado. Sou fascinado pelo ritmo de "Road Fever", faixa que já abre Strikes em alto nível. Esse peso se espraia ao longo do disco através do vozeirão e da guitarra de Rickey Medlocke, o líder da banda (dizer que o cara foi baterista do Lynyrd Skynyrd, e depois tomou conta das seis cordas da banda), e que só não faz chover em "Train, Train", para mim a melhor do disco. Daí vamos de riffzão em "Left Turn on a Red Light", e a garganta arranhando ferozmente, a excelente harmonia vocal de "Baby Blue", baladinha crua, mas legal, em "Run and Hide",e um épico para solar devaneiadamente, chamado "Highway Song", cuja introdução e sequência de acordes poderiam ser atribuídas para muita banda famosa que surgiu depois. Além disso, os caras recriaram três sons de uma forma incrível, sendo minha prefeira a versão para "I Got a Line on You" (Spirit), mas "Pay My Dues" (Blue Image) e "Wishing Well (Free) não ficam nada atrás. Imagina transformar uma legitimidade britânica como o Free em um padrão Southern de extrema qualidade? A Blackfoot fez isso com sobras, nesse belo disco, e baita lembrança para esse Recomenda.
The Black Crowes - Amorica [1994]
Por Mairon Machado
Se houve uma banda que colocou o Southern novamente em voga nos anos 90 foi o Black Crowes. Os dois primeiros discos da banda trazem todas as referências que a imprensa colocou-os, de citações ao Led Zeppelin e aos Stones, porém com um grande aroma sulista. Em Amorica, essas referências foram praticamente dissipadas para criar um som novo, onde os elementos Southern misturavam-se ao peso daquele início de década, vide pancadas como "High Head Blues" ou "P. 25 London". Mas também há a delicadeza dos violões de "Nonfiction", e trouxeram lindas baladas sulistas que agradam qualquer fã do estilo, como "Descending", "Cursed Diamond" e principalmente "Ballad in Urgency", linda demais. E claro, curtir o embalo de "A Consipracy", "She Gave Good Sunflower" e da desconcertante "Downtown Money Waster" é um momento mais que especial. "Gone" é um dos grandes sucessos do álbum, assim como o clássico "Wiser Time", faixas perfeitas para apresentar os caras para quem não os conhece. Claro que a voz de Chris Robinson não tem a malemolência de um Ronnie Van Zant, as guitarras dos Crowes são mais pesadas, e a mistura cozinha + piano soa bastante recozida perto da crueza dos anos 70, mas a essência do Southern Rock está aqui em toda a sua completude. E quer algo mais Southern do que estampar a bandeira americana em um biquini cobrindo pêlos pubianos de uma garota?
André: Aqui o famosíssimo Black Crowes mostra o porquê de ser uma das gigantes do estilo. Talvez o mais "experimental" de todos os álbuns aqui, vejo que a banda nos anos 90 gostava de brincar um pouco com as composições e a tocar riffs pesados, doideiras de bateria e teclado e outras coisas que não soam deslocadas no som que a banda propõe a tocar. Digamos que você sendo aberto a uma certa "modernidade" em um estilo tão clássico como o southern rock, você aprecia este disco mais facilmente. Não sei você, mas eu gostei. Só nunca entendi o porquê de tanto auê por causa de uns pelinhos.
Daniel: Sempre tive Amorica como um dos grandes álbuns lançados nos anos 1990 e soa, comumente, como um trabalho um tanto quanto subestimado. O disco trouxe um toque de modernidade (na época) ao Southern Rock e tem composições incríveis como “High Head Blues”, “Wiser Time” e “She Gave Good Sunflower”. Discaço!
Davi: Esse disco era uma espécie de prova de fogo para o Black Crowes. Seu álbum anterior, The Southern Harmony And Musical Companion, consagrou o grupo como um dos maiores nomes de sua geração. O trabalho seguinte tinha que mostrar que eles chegaram para ficar e os caras, de certa forma, conseguiram. Embora não tenha tido um hit à altura de “Remedy” (sim, “Conspiracy” e “High Healed Blues” tiveram uma boa execução, mas vamos combinar que não tanto quanto o hit do álbum anterior), o álbum agradou seus seguidores. Além das já citadas faixas de trabalho, a lindíssima balada “Wiser Time” acabou se tornando um clássico do grupo. “She Gave Good Sunflower” é Black Crowes puro com sua bateria marcando forte, Chris Robinson esgoelando cheio de emoção e os riffs vintage por trás. Outros momentos de destaque ficam por conta da faixa de abertura “Gone”, que traz um ar meio zeppelin e “Ballad In Urgency” com seu ar de jam session. Belíssimo álbum de uma das melhores bandas que vi surgir.
Fernando: Lembro da polêmica que foi quando saiu esse disco. Os poucos pêlos pubianos da capa aparentemente mexeram com as pessoas. Nunca entendi o motivo de tanta exaltação com essa banda e nunca tinha relacionado ela com o southern rock, certamente foi por que ouvi pouco. Mas eu relacionava muito mais eles com os Stones do que com o Skynyrd. “A Conspiracy” me lembrou o Vintage Trouble, que tem as mesmas influencias do Black Crowes, quem sabe até os próprios, mas eu gosto mais. Já tinha ouvido esse disco, na época do lançamento foi quase uma obrigação, mas como eu era muito mais do metal, não agradou. Depois tentei de novo, mas nunca me marcou. Dessa vez não foi diferente.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Podcast Grandes Nomes do Rock #15: Motorhead
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| Larry Wallis, Lucas Fox e Lemmy Kilmister |
Em 1976, Lemmy conseguiu fechar a primeira formação do Motörhead, com Larry Wallis na guitarra e Lucas Fox na bateria, e fizeram o primeiro show no dia 20 de julho do mesmo ano. Até 19 de outubro, o grupo fez dez apresentações que chamaram a atenção do grupo Blue Öyster Cult, que contratou o trio para ser banda de abertura nos shows que o BÖC faria no Hammersmith Odeon.
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| Formação clássica do Motörhead: Ian "Lemmy" Kilmister, Phil "Animal" Taylor e "Fast" Eddie Clarke |
Em dezembro de 1976, gravaram seu primeiro single, pela gravadora Stiff Records. "Leaving Here" estava para ser lançado, mas a United Artists novamente interferiu, alegando que o grupo ainda estava sob contrato com a gravadora. Apesar disso, através de um acordo, o single saiu, e o Motörhead recebeu a "honrosa" classificação da revista NME de "Melhor Pior Banda do Mundo".
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| Clarke, Lemmy e Taylor |
Em junho de 1977, através da Chiswick Records, saiu o single "Motörhead", seguido pelo álbum de mesmo nome, que alcançou a posição 43 nas paradas britânicas durante a primeira semana de lançamento. No mesmo mês, excursionaram abrindo para o Hawkwind, e no mês seguinte, abriram a turnê "Beyond the Threshold of Pain", ao lado do The Count Bishops.
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| O trio que atingiu o maior número de décibeis em um show de rock! |
Os shows do Motörhead chamavam a atenção tanto dos apreciadores do punk quanto do heavy metal, principalmente pelo alto nível de decibéis que o grupo atingia, superando o The Who no quesito "a banda mais barulhenta do mundo". O nome da banda cresceu junto ao single para "Louie Louie", levando-os a expandir o contrato com a Bronze Records, que financiaria o segundo álbum do grupo.
| A aeronave do palco de Bomber |
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| Formação clássica na época de Ace of Spades: Lemmy, Phil e Eddie |
Agosto e setembro foi reservado para o período de gravação do quinto álbum do grupo. Dentro do Jackson's Studios, com o produtor Vic Maile, registraram aquele que é considerado um dos melhores LPs do heavy metal, Ace of Spades, lançado em 8 de novembro de 1980. A faixa-título tornou-se um clássico entoado em praticamente todos os shows do grupo a partir de então, e o álbum chegou à quarta posição das paradas, rendendo um disco de ouro ao grupo, fato que culminou com o lançamento em edição limitada de uma versão de Ace of Spades em vinil dourado.
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| Phil, Brian Robertson e Lemmy |
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| Würzel, Lemmy, Phil e Campbell |
Contudo, Robertson não se adequava ao perfil que um membro do Motörhead exigia. Amigavelmente o guitarrista deixou a banda no dia 11 de novembro daquele ano. A busca por um novo guitarrista voltou, resultando na decisão de Lemmy em retomar à formação com quatro membros, contratando os guitarristas Michael "Würzel" Burston e Phil Campbell. A estreia da nova formação se deu através de uma regravação de "Ace of Spades" para um episódio do personagem Bambi, que foi apresentado na série britânica "The Young Ones". Isso causou mais uma baixa, ocasionando a saída de Phil Taylor, que não tolerava a forma como Lemmy agia. Para seu lugar, entrou o baterista Pete Gill, ex-Saxon.
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| A Bronze tá metendo a mão na minha grana! |
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| Würzel, Lemmy, Gill e Campbell |
Com o processo contra a Bronze Records correndo e sem uma gravadora, o jeito era fazer shows. O grupo adentrou 1986 apresentando-se por Alemanha, Holanda, Dinamarca e Itália. Assinaram com uma nova gravadora, a GWR. Depois de mais de dois anos sem um lançamento oficial, em agosto foi lançado o álbum Orgasmatron, mesmo mês no qual o grupo foi uma das principais atrações do festival britânico Monsters of Rock.
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| Campell, Gill, Lemmy, Taylor |
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| Lemmy, Würzel, Dee e Campbell |
Dee permaneceu no posto, realizando sua primeira apresentação com o grupo em 30 de agosto, no Saratoga Performin Arts Center, seguindo em turnê ao lado de Ozzy Osbourne, Exodus e Skew Siskin. No dia 27 de setembro, apresentaram-se com o Guns N' Roses e o Metallica em Los Angeles. Em outubro, colocaram seus pés na América do Sul, com insanas apresentações no Brasil e na Argentina. Depois, foi a vez de desbravar novamente a Europa durante a "Bombers and Eagles Tour", ao lado do Saxon.
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| Ingresso para apresentação no Brixton Academy |
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| Lemmy e Dave Murray (Iron Maiden) |
Em 2003, o grupo fez mais uma série de shows pelos Estados Unidos, sendo que, em três deles, Todd Youth substituiu Phil Campbell, que havia perdido a mãe no período. Depois, vieram os festivais de verão da Europa, seguido por mais uma turnê americana, dessa vez ao lado de Iron Maiden e Dio. No dia sete de outubro, a caixa Stone Deaf Forever! alegrou os fãs, apresentando cinco discos que cobriram a carreira do grupo entre 1975 e 2002. Durante outubro, shows pelo Reino Unido, Bélgica, Holanda e Espanha ampliaram o já extenso currículo de apresentações, encerrando o ano com datas na Suíça e Alemanha.
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| Que quié, rapá!!! |
O próximo álbum do grupo foi Inferno, lançado em junho de 2004, após mais uma série de shows pela Europa, e que colocou o Motörhead nas paradas americanas depois de doze anos. O grupo excursionou com o Class of Zero pela Irlanda e teve o Sepultura abrindo os shows pela Europa, com destaque para a apresentação de 4 de dezembro na Alemanha, onde ambos interpretaram juntos a clássica "Orgasmatron". O show do dia sete, em Düsseldorf, foi lançado posteriormente como o DVD Stage Fright.
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| Phil Campbell |
O grupo entrou 2005 conquistando o Grammy de "Melhor Performance Metal" pelo cover para "Whiplash" (Metallica), gravada no álbum Metallica Attack: The Ultimate Tribute (2004). De março a maio, excursionaram pelos Estados Unidos, e carregaram a "30th Anniversary Tour" pela Europa durante junho, julho e agosto. Em setembro, saiu a compilação de shows do grupo na BBC, intitulada BBC Live & In-Session. O ano encerrou-se com apresentações pela Europa, ao lado de Mondo Generator, In Flames e Girlschool, além de dois shows na Nova Zelândia e na Austrália, ao lado do Mötley Crüe.
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| Motörhead 2008: Phil Campbell, Lemmy Kilmister e Mikkey Dee |
segunda-feira, 24 de maio de 2010
ZZ Top: Pepsi On Stage, Porto Alegre, 23/05/2010
A noite abafada do último domingo abrigou uma multidão no Pepsi On Stage para ver o último dos três shows pelo Brasil de uma das mais importantes bandas americanas na história do rock. Nada mais na menos que o ZZ Top está passando pela América do Sul, e os gaúchos foram privilegiados com 2 horas de um boogie pesado e contagiante.
Com 40 anos de carreia, o grupo veio pela primeira vez ao Brasil, tocando duas noites em São Paulo e uma na capital gaúcha. A plateia, formada em sua maioria pelos quarentões, lotou as dependências do Pepsi On Stage, mesmo com o show sendo em dia e horário pouco incomum. As 22 horas, horário marcado, o ZZ Top subiu ao palco (graças a uma boa pessoa não teve banda de abertura), detonando "Got Me Under Pressure".
Um problema no som (falta de energia elétrica no palco) fez com que a banda tocasse apenas essa música, saindo do palco rapidamente para os roadies tentarem solucionar a questão. 5 minutos se passaram e o grupo voltou. Billy Gibbons (guitarra, voz) e Dusty Hill (baixo, voz) estavam trajados igualmente, com instrumentos de mesma cor e claro, ostentando as longas barbas que tornaram o grupo ainda mais reconhecidos mundialmente. A única diferença era que Gibbons não usava chapéu, enquanto Hill estava com um imenso chapelão de cowboy. Já Frank Beard (bateria, voz) apresentou seus cabelos brancos e principalmente, muita pegada atrás dos bumbos.
Após mais dois clássicos ("Waitin' For The Bus" e "Jesus Left Chicago"), novamente um problema de som surge, e o ZZ Top sai do palco por alguns minutos. Tudo arrumado, o trio retorna detonando a épica "Pincushion" com uma perfeição inigualável, além de uma loira fantástica dançando sensualmente no telão.

A partir de então, o show transcorreu de forma quase que computadorizada, com as tradicionais danças sincronizadas de Gibbons e Hill e espetaculares execuções para diversos clássicos do grupo. Antes de "Future Blues", Gibbons, em português, chama ao palco Cássia, uma linda loira subiu que começa a "entrevistar" o guitarrista em português mesmo. Na hilariante sequência, a moça pergunta como o grupo veio para o Brasil, de avião? De barco? E a resposta é "De bicileta". Gargalhadas rolam e a entrevista continua. Perguntado se iriam tocar blues, Gibbons responde que sim. Então, Cássia fala "aonde está seu chpaéu para tocar blues" e Gibbons "não tenho chapéu". A solução encontrada aparece em uma fantástica morena com trajes bem insinuantes, que trás o chapéu para Gibbons.
Gibbons reclama que o português é muito técnico, e manda ver "Future Blues". O público delira. O guitarrista entrega a palheta para um fã durante "Rock Me Baby", e sem a palheta, apenas com a mão esquerda, manda ver em um espetacular solo, provando que sentimento vale muito mais que técnica.

No telão, imagens de clipes e também da banda em ação rolam de forma contagiante, assim como outras imagens mais psicodélicas. Em "Hey Joe", o grupo tocou com Jimi Hendrix às costas, lembrando que Hendrix sempre considerou Gibbons o maior guitarrista que ele já viu tocar.

Outros momentos especiais foram quando Gibbons mostrou a parte traseira de sua guitarra, com a palavra "CERVEJA" escrita em letras garrafais, a aula de slide guitar que o mesmo deu em "Just Got Paid", os instrumentos verde-limão cheios de brilhantes em "Sharp Dressed Man" e "Legs", sendo que em "Sharp ...", os bumbos de Beard (formados por aros de bicicleta) começaram a rodar como se fosse realmente uma bicileta andando pelas ruas.
No Bis, os tradicionais instrumentos feitos com uma espécie de lã de ovelha (os também conhecidos como instrumentos de pelúcia) são a principal atração, e a banda detona "La Grange" (conhecida da gurizada recente pelo jogo Guitar Hero III) e a mais que cantada "Tush". O ZZ Top saiu do palco ovacionado, tendo feito um show realmente espetacular.
Aqueles que não foram, só lamento, perderam uma aula de bom gosto e simplicidade.
Set list:
Got Me Under Pressure
Waiting For The Bus
Jesus Just Left Chicago
Pincushion
I'm Bad, I'm Nationwide
Future Blues
Rock Me Baby
Cheap Sunglasses
My Head's In Mississipi (trecho)
I Need You Tonight
Hey Joe
Brown Sugar
Party On The Patio
Just Got Paid
Gimme All Your Loving
Sharp Dressed
Legs
BIS
Viva Las vegas
La Grange
Tush




















