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terça-feira, 6 de julho de 2021

Consultoria Recomenda: Rock Progressivo dos anos 2010


 Por André Kaminski

Tema escolhido por André Kaminski

Com Daniel Benedetti, Davi Pascale, Fernando Bueno, Mairon Machado e Ronaldo Rodrigues

Após seis meses de pausa, retornamos com o Consultoria Recomenda e com o Ouve Isso Aqui alternando de maneira bimestral em nosso site. Esses seis meses de pausa foram por um motivo difícil para todos nós do site e principalmente nosso querido consultor Daniel Benedetti, que correu risco sério de morte devido a COVID-19 que ele contraiu na metade de janeiro. Após dois meses lutando contra a doença, ele felizmente saiu dessa e retornou a colaborar conosco agora a partir de junho, mas ainda se recuperando dos efeitos nefastos do vírus. Entre o final de janeiro e março foram momentos de apreensão entre nós e, por razões óbvias, suspendi o Recomenda e o Ouve Isso Aqui enquanto ele não se recuperasse. Sem ele, não rola as seções.

Mas ele está aqui e com uma felicidade imensa, retornamos com elas. Como eu fui sorteado de novo, quis escolher um tema fácil e tranquilo para todos indicarem seus discos para novamente pegarmos no tranco. Sem muita enrolação, sugeri como tema discos do rock progressivo da década anterior. E aí estão nossas recomendações. Comente nossos discos e faça também as suas lá na caixa de comentários!


Wobbler - Rites at Dawn [2011]

Por Ronaldo Rodrigues

Penso que se trata de um clássico extemporâneo do estilo (ele não é único; há outros contemporâneos dignos de elogio similar). As composições são  memoráveis, não há nada que se possa adicionar ao instrumental da banda, e os vocais são expressivos. A sonoridade remete de imediato aos anos 70 e a forma da banda compor é totalmente influenciada por essa escola. As músicas são por demais marcantes, com muitas variações e uma riqueza instrumental que faz jus a tradição do estilo como um todo. Rites at Dawn vai de A a Z em termos de rock progressivo.

André: Já escutei os primeiros discos do Wobbler e os considero bons trabalhos. O ponto positivo da banda é que os caras usam mesmo muito instrumentos diferentes mas mesmo assim, não soam exagerados ou extremamente pomposos. Conseguem manter uma linha mais "direta" mesmo com tanta coisa tocando ao mesmo tempo. O único ponto negativo da banda é que esses vocais "agudos/quase falsetos" são fraquinhos. Nem Andreas e nem Lars me agradam em suas incursões vocais, me parecendo muito querendo imitar o estilo de canto do Jon Anderson. Mas como a parte vocal sempre foi a que menos me interessa na imensa maioria dos discos que ouço (ainda mais os progs), consigo ouvir sem muitos problemas. Destaco a veloz "In Orbit" como a melhor do disco e a beleza de "This Past Presence" também de alta qualidade não muito atrás. Com vocalistas melhores, a banda subiria ainda mais no meu conceito.

Daniel: Desconhecia por completo este disco – e a banda – de modo que foi uma audição inédita para mim. A influência dos clássicos setentistas do rock progressivo é gritante e, aos meus ouvidos, especialmente do Yes, inclusive na forma com que o vocalista Andreas Stromman Prestmo emula o grande Jon Anderson (especialmente na ótima “La Bealtaine”). Também gostei bastante de “In Orbit”. Um bom disco, sem dúvidas, embora me pareça mais uma reverência ao progressivo do passado que propriamente uma inovação – e não que isto seja um problema para mim.

Davi: Confesso que não conhecia essa banda. Pelo que andei lendo, parece que essa banda é norueguesa e esse é o terceiro disco deles. Gostei. Não é uma banda que considero criativa. Muito do que é apresentado aqui já havia escutado nos álbuns setentistas do Yes. Principalmente, no que diz respeito às linhas vocais e linhas de baixo. Porém, os rapazes são bem competentes no que se propõe a fazer. “Lá Bealtaine”, “In Orbit” e “The River” são os pontos altos do disco. Não me impressionou, mas a audição foi interessante.

Fernando: Tenho que dar mais atenção ao Wobbler. Já tinha ouvido algumas coisas, mas sempre foram músicas soltas e sem prestar atenção em álbuns específicos. Mas tem alguma coisa no som da banda que não me retém. Eu tenho que ficar me forçando a não me perder em outros pensamentos além de prestar atenção no que está sendo tocado. Talvez não tenha dado sorte nos momentos que coloco a banda para ouvir. O maior destaque vai para as linhas de teclados, como em “In Orbit” em que a voz está sobre um teclado alucinado e as coisas casam perfeitamente.

Mairon: Esta fantástica banda da Noruega se tornou uma figurinha carimbada em minhas audições por conta principalmente de quando descobri este álbum. Lembro até hoje quando ouvi o mesmo em minha sala de pesquisa, e como "Lucid" me fez pensar que estava diante de um novo disco de Mike Oldfield, mas bastou os primeiros acordes de "Lá Bealtaine" para eu ficar desnorteado com tamanha quantidade de informações, e principalmente, o choque de estar ouvindo uma banda "recente", mas com um cheiro de anos 70 tão forte, onde o som da bateria, a presença do mellotron, os vocais em harmonia uníssona, e o timbre da guitarra, soam tão velhos. Sério, coloque "This Past Presence" e diga que e uma banda atual. Duvido! Violãozinho, piano, vocalizações, mellotron, instrumentos de sopro ... Que maravilha! Os caras apresentam diversas influências do grande progressivo britânico, sem nenhum pudor, mas com um jeitão novo que vira exclusivo do grupo, vide a longa "In Orbit", onde o baixão pulsa como o bom e velho Rickenbacker de nomes do porte de Chris Squire ou Jon Tout, mas os dedilhados da guitarra e a flauta nos colocam junto ao Genesis da fase Nursery Crimes. Porém, os vocais são tão suaves quanto os de Ian Anderson no Yes, e a complexidade musical dessa mini-suíte parece brotar do suor de um Gentle Giant, além das letras serem tão fortes quanto as de Peter Hammilll. O mesmo se repete na linda "The River", faixa para sair cantando pela casa, e que nem percebemos seus mais de dez minutos de duração. É nessa sopa progressiva que o Mairon se deleita bastante com este que só não é a melhor indicação desse Recomenda por que eu considero a minha ainda melhor. Mas ambas certamente estão no mesmo nível.


Il Cerchio d'Oro - Dedalo e Icaro [2013]

Por André Kaminski

Conheci estes italianos há não muito tempo e seu som me ganhou logo de cara. O que gostei quando ouvi esse disco pela primeira vez foi que os caras fizeram algo que muito valorizo nos dias atuais: produção sem a merda da loudness war. Os sons que saem desse disco são mais vivos (mesmo que o baterista Gino Terribile não seja lá um exímio no instrumento), a guitarra de Roberto Giordana é muito presente, o órgão e os sintetizadores dão aquele ar "classudo" fundamental do prog italiano e as canções conseguem unir beleza, técnica e vibração. Depois da intro de "Labirinto" e começa aquele baixo pulsante e os solos da guitarra slide sinto até arrepios. Lindo álbum, queria ter conhecido antes.

Daniel: Também não conhecia este álbum, Dedalo e Icaro, e gostei bastante. É claro que a aura setentista do glorioso progressivo italiano está aqui e, em especial, as guitarras de Roberto Giordana, que são elementos altamente distintivos do trabalho. A temática mitológica é outro fator que remete à fase clássica desta vertente do rock. Minha faixa preferida foi a bela “La Promessa”.

Davi: Esse eu também nunca tinha escutado. Trata-se de uma banda italiana que teve sua primeira encarnação na década de 70, porém terminou sem deixar vestígios. O grupo só lançou seu primeiro álbum em 2008 e sei lá, não me encantou. O disco tem uma sonoridade calma, os músicos são bons, onde destaco o trabalho de teclado de Franco Piccolini e o trabalho de guitarra de Roberto Giordana. Infelizmente, não curti o trabalho vocal do grupo e nem as composições do álbum. De todas, a que me chamou mais atenção foi “Una Nuova Realtà”, mesmo assim quando o cara entra cantando, abaixa meu ânimo.

Fernando: O progressivo italiano é uma das coisas que mais gosto na música, mas confesso que praticamente parei lá nos anos 70. Os poucos discos mais recentes que ouvi dessa seara me fizeram pensar que eles também pararam lá nos anos 70, o que não é demérito algum, pois é aquilo que gostamos. Porém, é até óbvio, o som, a produção, a nitidez é muito maior graças aos avanços tecnológicos. Ao longo do álbum o que chamou atenção é a dobradinha guitarra/teclados. O lindo trecho instrumental de “Labirinto”, provavelmente a melhor do disco, é um exemplo do que amamos no RPI, assim como a adição de vários instrumentos além do básico guitarra/baixo/bateria/teclados. Não consegui me aprofundar na história da banda, mas me parece que o disco tem participação de alguns caras da velha guarda e a própria banda é da época de ouro, mas uma daquelas que não tinha conseguido gravar nada naquele período.

Mairon: Jamais iria imaginar que essa joinha italiana era da década passada. Se me colocassem para ouvir dizendo "Advinha", eu chutaria final dos anos 90, principalmente pela guitarra e teclados, bem datados, como aparecem principalmente em "L'arma Vincente" e "Oggi Volerò", faixas muito boas de se ouvir, mas que dá para sentir que o guitarrista faz um certo esforço para parecer virtuoso. O som é ótimo, curti muito a canção que abre a bolacha, "Il Mio Nome È Dedalo", a quebradeira de "Una Nuova Realtà", e fui surpreendido pelas passagens de "La Promessa", forte candidata a melhor do disco, junto de " Il Sogno Spezzato ". Porém, nenhuma bate a coisa mais linda de ouvir "Labirinto" hein? Faixa brilhante em um disco muito bom. Curti bastante a indicação, valeu para o consultor que assim o fez.

Ronaldo: Os italianos mantiveram se firmes na tradição do rock progressivo ao longo dos anos desde os anos 70, com mais ou menos as mesmas características - o canto preferencialmente na língua nativa, a preferência pela vertente sinfônica, o uso maciço de sintetizadores e uma certa dramaticidade. Uma outra  característica bem marcante é que as produções frequentemente ficam abaixo da média dos trabalhos produzidos em outros países (parece que as técnicas de gravação lá ainda estão na década de 90). Ainda que as composições sejam bonitas e atraentes, a banda peca um pouco pela bateria e pelos vocais, seja pela gravação quanto pela performance. Para os aficcionados do estilo, funciona bem, mas não dialoga muito a ponto de convencer um público mais amplo.


Beardfish - +4626-Comfortzone [2015]

Por Mairon Machado

Quando descobri a sueca Beardfish foi graças a uma indicação do Youtube, justamente com esse álbum que havia acabado de sair. Me apaixonei. Depois de ouvir essa fantástica obra conceitual, fui atrás dos demais discos da banda, e encontrei uma vasta riqueza de criação progressiva, que assim como o Wobbler, coloca em um caldeirão gigante influências de diferentes grandes nomes do prog britânico e cria sua própria sopa. A questão é que a Beardfish me parece menos "técnica" e mais "sentimental", primeiro por ser um quarteto sem multi-instrumentistas como os noruegueses, segundo por que os caras são mais "pesados" mas com um charme pop em suas interpretações, ao mesmo tempo que o som é mais cru, e tercerio, por que o que Rikard Sjöblom faz em suas interpretações vocais é de chorar. Ao longo do álbum temos em uma única faixa ("Hold On") uma mistura de Yes e Genesis com Queen e até Black Sabbath. Ouça o mellotron e a guitarra da introdução de "Comfort Zone" e imagine como soaria o King Crimson dos anos 70 nos anos 2000, nesta que é a mais bela e disparada melhor canção do CD. E dê-lhe mistura de sons na longa "If We Must Be Apart (A Love Story Continued)", que faz referências desde o folk até ao próprio Beardfish do início da carreira, e que também é forte candidata a melhor do disco. A sacada da Beardfish é essa, os caras não voltam ao som dos anos 70 e ficam lá. Eles retemperam a nata daquela época e criam algo tão saboroso quanto. Daí ao mesmo tempo que temos as pesadas "Daughter/Whore","King" e "Ode to the Rock 'n' Roller", somos amenizados pela suavidade pop de "Can You See Me Now?", e sempre com a presença de referências dos gigantes do prog britânico. Ainda tem as lindas vinhetas "The One Inside" para arrancar mais lágrimas de uma audição impactante, e nem vou entrar nos méritos do conceito do álbum, por que daí me derramo em lágrimas. Pena que a banda acabou, mas Rikard está aí com a Gungfly para dar sequências aos seus incríveis trabalhos. Discaço!

André: Como organizador da série, sou o único aqui que sabe quem indicou o quê. E sei bem o quanto o Mairon ama o Beardfish, votando frequentemente em seus discos nos Melhores de Todos os Tempos. E quando o nosso doutor indicou este trabalho, me lembrei da imensa qualidade dessa banda (da qual eu deveria ouvir mais) e que infelizmente encerrou suas atividades há alguns anos. O instrumental dos caras pfffff... excepcional. Rikard tem um vocal excelente, com uma pronúncia linda de cada palavra que canta em inglês. Não vou destacar uma música em particular. Destaco o trabalho inteiro. Vale um 10 fácil.

Daniel: Mais um ótimo disco. Aos meus ouvidos, as influências de Yes e Genesis são marcantes, mas apenas como isto mesmo, influências, a partir das quais o Beardfish desenvolve sua própria sonoridade. Fiquei bem impressionado com a qualidade e a beleza das melodias, especialmente na linda “If We Must Be Apart (A Love Story Continued)”. Mais uma ótima indicação.

Davi: Não sou um grande especialista em Beardifsh, o Mairon é o grande fã deles por aqui, mas já conhecia um álbum deles ao menos. Lembro que ouvi o Sleeping In Traffic Part Two para alguma seção daqui do site. Em relação ao Comfortzone, temos um álbum com arranjos bem variados, por vezes até esbarrando no metal (como ocorre nas faixas “King” e “Daughter/Whore”). “Can You See Me Now”, traz uns backings meio beatle, me remetendo à grupos como Spock´s Beard ou Bigelf, o que me agrada bastante, mas os grandes destaques ficam mesmo com “If We Must Be Apart” e a faixa-título “Comfort Zone”. Bom disco. Vou procurar ouvir mais alguma coisa deles.

Fernando: O Beardfish foi umas das maiores surpresas nesses últimos anos para mim e Confortzone é um disco que toda vez dá gosto de colocar. “Hold On” é uma baita música. A faixa “Comfort Zone” é daquelas músicas que é tão agradável que mesmo nas primeiras audições parece que a ouvimos faz anos. Variações de tempo, melodias, boas vozes, tudo sem exageros na parte técnica, que é um dos pecados de várias bandas do prog atual. Tem até um “heavy metal” em “Daughter/Whore”. Outro ponto que me chamou a atenção é a mescla na medida certa da sonoridade clássica com o estilo mais moderno do progressivo.

Ronaldo: O norte da Europa é um dos principais pólos de rock progressivo nos anos mais recentes. Os suecos do Beardfish representam bem a safra mais recente do país, ainda que um de seus fundadores tenha fundado um novo e frutuoso projeto, o Gungfly. O som da banda é bastante voltado para as guitarras, mas com mínimos resquícios de heavy metal, o que por si só, já torna o som da banda bastante distinto. Também há muito espaço para os vocais, em um estilo que o instrumental predomina. Há trechos realmente geniais nas músicas, ainda que vezes me soe um bocado excessivo a quantia de ideias diferentes trabalhadas em uma única música. A sonoridade é bastante agradável, tanto para os fãs da escola clássica do estilo, quanto para os fãs mais  contemporâneos.


The Neal Morse Band - The Grand Experiment [2015]

Por Fernando Bueno

“Se vocês não gostam de músicas longas, estão no lugar errado”. É assim que Neal Morse se dirige ao público em um DVD do Transatlantic – banda na qual ele também tem Mike Portnoy como parceiro musical - meia hora após o início o show depois de tocar a primeira música. E essa característica é transferida para quase tudo o que ele faz. A impressão que dá é que ele amou Tales From Topographic Oceans quando garoto. Aqui a faixa longa é “Alive Again”, nome que me remete lá à uma faixa do Snow, o grande disco de sua carreira na minha opinião. Porém ninguém pode dizer que Morse não tem uma sensibilidade absurda de dar toque de pop para músicas longas e intrincadas. O seu senso melódico é absurdo mostrando que suas influencias vão muito além dos medalhões do progressivo setentista, mas também tem Styx, Kansas, Kayak, ELO e a lista vai embora. Faixas como “Agenda” e a faixa título vão ficar nos seus ouvidos por dias.

André: Quando penso em Neal Morse e suas inúmeras bandas e projetos do qual faz (ou fez) parte, sempre penso naquele prog exagerado, cheio de camadas e texturas de diferentes sons, muitas quebras (várias durando poucos segundos) e aquele lado mais espalhafatoso do prog como se ele fosse o Emerson, Lake & Palmer do século XXI. Vim esperando isso ao botar o disco para tocar. Entretanto, notei que aqui ele está bem menos exagerado em suas composições e muito mais focado em passar as suas mensagens cristãs. O que mais surpreende aqui é aquela pegada hard rock de "Agenda" por exemplo, coisa que nunca esperaria em meio a este trabalho. No geral, bom álbum, nada espetacular, mas que é suficiente para permanecer aqui pelos meus arquivos para uma futura nova audição.

Daniel: Trabalho interessante, embora eu perceba que lhe falte homogeneidade. Se a faixa de abertura e a de encerramento são realmente muito boas e com generosas doses de elementos que fãs de progressivo podem curtir bastante, as composições que estão entre elas são apenas genéricas e carecem de maiores atrativos, especialmente a insossa “Agenda”.

Davi: Tenho um amigo que sempre que comento de um novo trabalho envolvendo o Mike Portnoy, ele pergunta se o cara está tentando bater algum recorde. kkk E cá estamos... Mais um disco a contar com o talento de Portnoy. Neal Morse tem um estilo bem próprio de tocar e cantar. Gosto muito do trabalho que ele fez com o Spock´s Beard, mas ainda não tinha parado para ouvir o Neal Morse Band. Não achei tão distante. Instrumental bem prog com trabalhos vocais com um pé no comercial (no bom sentido da expressão, é claro). Mais um trabalho extremamente bem feito, repleto de ótimas canções e com uma execução impecável de todos os envolvidos. É o meu trabalho preferido da lista, sem dúvidas, mas que poderiam ter nos poupado de “Agenda” e do crime musical que cometeram em “MacArthur Park”, ah, isso poderiam... Faixas preferidas: “The Call”, “The Grand Experiment” e “Alive Again”.

Mairon: Assim como o Marillion, tudo o que envolve o nome Neal Morse eu tenho um pré-conceito gigante. O cara e seus projetos (principalmente Transatlantic e Spock's Beard) criam discos muito longos, cheios de empáfia, que até possuem boas canções, mas a megalomania é tamanha que acaba afetando muito minhas audições. Aqui estão cinco canções, sendo uma delas com mais de 25 minutos, "Alive Again", que durante a introdução instrumental até é interessante (lembrando muito Dream Theater), mas quando entra os vocais, começa o sono e acaba o tesão. E é impressão minha ou o riff que surge vez que outra é inspirado em "In Held 'Twas in I"?. Até há vários momentos legais presentes ao longo de "The Call", que realmente eu curti, só que esta é a faixa que abre o disco. Quando a faixa-título começou, a bateria me encheu o saco, e daí fui ver que era o que suspeitava, o Portnoy segurando as baquetas. Esse cara é o ser mais prepotente do mundo do rock, e então, The Grand Experiment para mim se tornou um disco do Dream Theater com um vocalista decente, mas com um guitarrista bem mais fraco que o Petrucci. A chatice de Portnoy toma conta de "Agenda", eita musiquinha sem graça. É justamente "Waterfall", linda canção levada por violões e vocalizações, e uma segunda parte com um lindo clarinete solando, portanto sem a participação de Portnoy, onde a coisa funcionou. Bela canção para um disco longo, mas representante fiel do progressivo insosso que Neal Morse faz há algum tempo. Em tempo, a versão para "MacArthur Park" ficou muito boa, e poderia ter entrado como uma das faixas do disco.

Ronaldo: Neal Morse é um dos músicos mais ativos do rock progressivo atual, envolvido em diversos projetos e com uma longa discografia. Sua banda conta com o renomado baterista Mike Portnoy, que felizmente trabalha 100% para o time (o que nem sempre acontecia em seus trabalhos pregressos). O estilo praticado por Morse é bastante melódico, com algo parecido com "refrões" em suas suítes, nos quais parece que o público é instado a "cantar junto"; em suma, como Morse é vocalista, as composições são orientadas para os vocais. Na engrenagem do disco, isso funciona muito bem, já que os vocais ajudam a nortear melhor a audição do que um disco puramente instrumental. A parte do instrumental é muito caprichada e agradável de se ouvir.


Marillion - FEAR [2016]

Por Davi Pascale

Essa banda sempre foi alvo de muitas críticas. Quando comecei a ter interesse no som dos caras, todo mundo que eu perguntava sobre dizia: "Conheço, mas é meio chato". Sei, lá, todos os álbuns que ouvi deles, curti. Também existe uma galera que diz que não os considera prog ou que só considera progressivo a fase Fish. Essa discussão deixo para os colegas daqui. Eu, particularmente, sempre os enxerguei como parte da cena. Esse disco em questão, comprei no ano de lançamento. É um disco meio melancólico, mas acho os arranjos super bonitos e bem resolvidos. Tudo na dose certa, sem exageros. As letras também são boas e refletia, em diversos momentos, a fase em que a Inglaterra estava atravessando. Vamos ver o que nossos colegas têm a dizer sobre o disco. Meus momentos preferidos ficam com as suites "El Dorado", "The New Kings" e com o single "Living In Fear".

André: Não sei o porquê tanta gente chia com essa banda. Não é toda a sua longa discografia que é boa, mas tem vários discos legais. Talvez por ter tido a "responsabilidade" de tentar carregar o prog nos anos 80 esta acaba recebendo muito mais críticas do que eu acho que deveria. E eu não tinha ouvido esse e gostei também. Nada espetacular, mas um trabalho bom e sólido de uma banda já bastante veterana. Gostei bastante daquele sintetizador "fadinha" da faixa "The Leavers I: Wake up in Music" por exemplo. Ou daquela melodia de teclado oitentista de "El Dorado III: Demolished Lives". São coisas simples, mas que sempre vejo com bons olhos (e ouvidos) por usarem certos timbres mais incomuns ou que andam esquecidos. Enfim, eu curto.

Daniel: Este eu detestei. Fiquei desapontado com a falta de “punch”, de potência, das canções. Há uma dose cavalar de monotonia nas músicas e permaneci esperando que elas deslanchassem, mas em uma vã esperança. Excessivamente monocromático, este álbum FEAR realmente não é feito para meus ouvidos.

Fernando: Sou daqueles eternos fãs de Marillion com Fish. Talvez o Marillion seja uma das bandas que os fãs mais ressentem a saída do vocalista original, mesmo ele tendo saído há 3 décadas. Gostei do FEAR, mas acho ele inferior ao anterior, Sounds That Can’t Be Made [2012] e, claro à Brave e Marbles, a duas obras primas de Steve Hoghart na banda. Porém todos os discos com o Hoghart estão longe de serem perda de tempo de ouvir. São todos agradáveis, apesar de muitas músicas não serem tão marcantes.

Mairon: Confesso que tenho um grande pré-conceito com o Marillion, mas esse álbum até que me foi uma surpresa. De cara, a suíte "El Dorado" vem arrastada mas muito legal, com um bonito solo de Steve Rothery. Talvez fosse desnecessária a terceira parte, mas é uma boa canção no geral. "The Leavers", segunda suíte do disco, começa muito bem, mas acaba se perdendo na segunda parte, mas se recupera nas demmais, principalmente pelo trabalho de piano de Mark Kelly. A última suíte, "The New Kings", tem apenas um trecho que gostei, que é " Why Is Nothing Ever True?", por ser mais agitado, por que os demais trechos são muito arrastados e sonolentos. As faixas que não curti tanto são as que não são suítes, principalmente "Living in FEAR", muito chatinha. "White Paper" tem um bonito piano e arranjo, mas consegue superar a chatice de "Living in FEAR", e a curtinha "Tomorrow's New Country" é só um trecho com voz e piano que encerra o disco. Achei o disco um tanto quanto arrastado, e se tivessem me dito que era algo do Steve Wilson, eu acreditaria, mas ao menos não foi um sacrifício ouvir um disco do Marillion, como foi outrora, nos tempos que essa banda entrava nas listas de Melhores de Todos os Tempos e causava vergonha alheia.

Ronaldo: Boa parte do que se chama rock progressivo atualmente ou pende para o metal, ou pende para o pop/rock psicodélico. Adjetivar variados tipos de música como prog parece estar na moda. O Marillion é um legítimo representante da segunda vertente, e isso vem de longe. A meus ouvidos, particularmente, eles sempre foram mais pop do que prog, ainda que a sonoridade remeta ao prog, com aquele estilo climático e viajante, mas com uma pegada mais moderna, super-produzida. Não sei bem o que diferencia esse trabalho de outros dentro da discografia da banda, mas no geral, é algo agradável de se ouvir, bem produzido, mas que não deixa grandes impressões e pode passar despercebido.


Opeth - In Cauda Venenum [2019]

Por Daniel Benedetti

Eu já fiz um texto sobre este disco para a consultoria e quem se interessar pode vê-lo aqui. Talvez este álbum esteja um pouco deslocado do tema, afinal, há doses generosas de metal neste trabalho, mas, ainda assim, considero-o um dos melhores discos com pegada prog da última década e ele só se eleva no meu conceito a cada audição.

André: Sempre achei essa banda um tanto superestimada. Até que me agrada um pouco essa fase mais "prog" do que metal dos últimos álbuns, mas sei lá, me falta alguma coisa na sonoridade deles para me fisgarem. E olha que já ouvi essa banda muito mais do que eu supostamente deveria. Já me esforcei bastante para gostar mais do Opeth, mas para mim, sempre vai ficar no máximo ali pelo médio.

Davi: Não conheço a discografia completa do grupo para afirmar se esse é seu melhor disco, mas já vi muita gente dizendo isso por aí. Pelo que ouvi aqui, arrisco dizer que há um certo exagero nessa história. O trabalho é, de fato, muito bem feito, mas não consigo enxergá-lo como uma obra-prima. Achei um bom disco e é isso. Os músicos são muito bons, onde destaco o trabalho de bateria de Martin Axerot e as guitarras de Fredrik Akesson. A sonoridade é interessante, mantendo um clima meio melancólico por trás dos arranjos que são oras pesados, oras calmos, mas em alguns momentos me bateu um sentimento de alguma coisa faltando por aqui. Os momentos que mais gostei ficaram por conta de “Dignity”, “Next of Kin”, “Universal Truth” e “Continuum”.

Fernando: Fosse 12-15 anos antes, quem diria que o Opeth estaria em uma lista de bandas progs? Claro que eles sempre usaram o estilo como um tempero de seu som, mas a partir de Heritage (2011) eles abraçaram o estilo de vez e ninguém pode falar que não estão sendo muito felizes com esses 4 discos que lançaram desde então com In Cauda Venenum sendo, possivelmente, o ponto alto dessa jornada. Resta ao ouvindo escolher se ele fica com a versão em sueco (a “original” segundo Akerfeldt) ou com a em inglês. Ambas foram gravadas juntas e saíram em discos separados, apesar de haver uma edição que vem as duas em um mesmo pacote. Porém aí vem uma pequena crítica. Para quem quer ouvir as duas versões o disco em si é longo demais, mais de 65 minutos.

Mairon: Ouvi esse disco sem saber o que esperar, e o início, com "Garden of Earthly Delights" me surpreendeu pelos teclados, parecendo que eu tinha voltado aos anos 80. Com a entrada de "Dignity", o som me lembrou bastante Ghost, mas logo os violões modificaram essa impressão, e assim, o disco foi me surpreendendo com diversos momentos interessantes ("Heart in Hand" e "Charlatan") e outros nem tanto ("Continuum", "Lovelorn Crime" e "Universal Truth"). No geral, os teclados são o que mais me chamaram a atenção positivamente, e inacreditavelmente, "The Garroter" é uma faixa simplesmente brilhante. O violão do início, o piano hipnotizante, as passagens de guitarras com escalas de jazz, o solo (!!!!!!!) que música genial e incrível. EXCELENTE! Já conhecia esse Opeth progressivo de outras audições, e não me tornei fã da banda. O mesmo acontece aqui, é um bom disco, com ótimos momentos, mas não me pegou para comprar sua coleção, mas ressaltando que "The Garroter" está muito acima das demais faixas do CD.

Ronaldo: O Opeth, apesar de ser originalmente de heavy metal, é um dos maiores nomes do rock progressivo na contemporaneidade. Isso porque, apesar do peso nas guitarras, é uma banda que entende bem o mecanismo das composições clássicas do estilo e aplica essa fórmula com sucesso.  Obviamente, que o faz com uma assinatura própria, pontuada belos bons vocais de Mikael Akerfeldt e o ótimo baterista Martin Axenrot. Esse disco, apesar de manter a pira do rock progressivo acessa desde 2011 com o disco Heritage, é o mais pesado dos últimos anos. Diferentemente da maioria dos pares do prog-metal, o Opeth traz canções cheias de variações com um ótimo encadeamento de ideias e sem forçar a barra em um virtuosismo estéril.

 

terça-feira, 9 de junho de 2020

Cinco Músicas Para Conhecer: Aguente Firme!




Em tempos tão difíceis de quarentena e indecisões políticas, o que fica na nossa cabeça é a frase "Aguenta firme", "Força", "Se segura". Por incrível que pareça, muitos artistas cantaram isso através de suas músicas. Em inglês, uma tradução possível é Hold On. Diversas são as canções que possuem essa expressão em seu nome, seja a expressão pura e diretamente dita ou derivados como Holding On, Hold On My ... Esse segure firme varia desde se apegar ao amor até os sonhos. A frase é tão emblemática que o programa Médico Sem Fronteiras fez uma campanha publicitária há dois anos utilizando a canção "Everybody Hurts", aquela que quem nunca chorou ouvindo não tem coração, e que tem na expressão "Hold On" seu momento mais emocionante. 

Aqui no Brasil, agora durante a pandemia, o Bradesco lançou uma campanha com a frase "Aguente Firme" em destaque. Fiz um levantamento rápido na minha catalogação de discos e encontrei mais de duas dezenas ligadas com esse tema. Assim, selecionei dentre elas aquelas que tinha apenas a expressão Hold On, e então, depois de muito pensar, escolhi as cinco músicas para conhecer de hoje, deixando mais cinco indicações após, e com certeza, havendo muitas outras que vocês podem citar nos comentários. As escolhas levaram em conta apenas critérios de gosto pessoal.

Deep Purple  - "Hold On" [1974]

Primeira despedida de Blackmore do Purple, Stormbringer é daqueles álbuns ame ou odeie, muito por conta da mistura de estilos. Se por um lado há pauladas como a faixa-título ou "Lady Double Dealer", por outro o funk e o soul tomavam conta, como é o caso da sensacional "Hold On", faixa que mostra na sua letra a já característica marca erótica de David Coverdale (vocais) em parceria com Glenn Hughes (baixo, vocais), pedindo para a mulher segurar firme e aguentar o tranco de sua paixão (eita porra). Musicalmente, além dos duetos vocais, destaques disparados para o solo de piano elétrico de Jon Lord e o ritmo cavalgante extremamente sedutor empunhado por baixo e bateria (Ian Paice). E quanto a Blackmore, o seu solo é tão desnecessário e faceirinho, vulgo sem graça, como quase tudo que ele fez no Purple depois desse álbum. Está somente em Stormbringer, e em algumas das infinitas coletâneas dos ingleses no mercado.

Trapeze - "Hold On " [1978]

Comandado por Mel Galley, o Trapeze tentou sobreviver pós-saída de Glenn Hughes, e lançou três álbuns bastante regulares. Apagando a porta e fechando a luz, com Peter Goalby nos vocais, veio a faixa "Hold On". A letra trata de agarrar-se a amizade fiel, que irá com você até o fim, pois isso é melhor do que estar sozinho, e agarrar-se a vida, mesmo ela não sendo um paraíso. O ritmo é uma espécie de rock leve, que o Trapeze de Hughes até já tinha feito de alguma forma anteriormente, com aquela guitarra southern de Galley serpenteando ao longo das batidas precisas de Galley, em um instrumental bastante gostoso de se ouvir, principalmente no solo de Galley. Além do nome, cito essa canção para mostrar que existem determinadas faixas que é importante conhecer para saber por que algumas coisas não dão certo, como foi a carreira de Goalby pós-Trapeze, principalmente à frente do Uriah Heep. Está no último disco de estúdio da banda Running, o álbum que originalmente foi lançado somente na Alemanha em 1978 (capa do post), mas que ganhou uma versão internacional no ano seguinte, batizada justamente com o nome da faixa, presente também no ao vivo Live In Texas - Dead Armadillos (1981).

Triumph - "Hold On" [1979]

Essa bonita canção do grupo canadense surge com teclados e um dedilhado de violão. O vocalista, guitarrista e monstruoso Rik Emmett entoa a letra, que fala sobre agarrar-se aos sonhos, em deixar o tempo correr e esperar que os sonhos aconteçam, em uma faixa bastante motivadora e emotiva. O ritmo do violão vai ganhando força, trazendo o nome da canção entoado para arenas cantarem em plenos pulmões, e então, surgir o trio mais fantástico do Canadá (joguem as pedras) para mandar um AOR gostoso, com grandes pitadas progressivas, graças a performance impecável de Gil Moore na bateria. Uma letra de 1979 mas que serve muito para os dias de hoje, afinal, só de sonhos podemos pensar em viver pós-pandemia e nesse caos político que o Brasil vive nos últimos anos. Está no obrigatório Just A Game (1979), no ao vivo Stages (1986), além das bolachinhas com "Just A Game" no lado B, lançadas em diversos países.

Wishbone Ash - "Hold On" [1982]

Vivendo sua fase mais conturbada, o Wishbone Ash lançou discos pouco marcantes nos anos 80. Porém, há materiais que se escapam, como essa grande e grudenta faixa que narra sobre o drama de um homem distante mais de cinco mil milhas de sua amante, e que tenta angustiadamente, sem sucesso, ligar para ela, enquanto o operador no telefone lhe diz "Aguente firme, estou tentando fazer a ligação", algo que os jovens de hoje não devem nem ter ideia do que isso significa ... O baixo marcante de Trevor Bolder, os dedilhados das guitarras, uma interpretação vocal fascinante e uma sensualidade jazzística entregue aos fãs, além de um refrão que fica por horas na cabeça, fazem dessa uma das melhores faixas da banda naquela década. Além da bela letra, as guitarras gêmeas de Andy Powell e Laurie Wisefield, marca sagrada dos ingleses, estão saindo das caixas de som para emocionar os fãs em solos magistrais. Fecha a conta a bateria sempre competente de Steve Upton. Está presente em Twin Barrels Burning (1982) e no lado B de um raro compacto espanhol, que ilustra o post.


Beardfish - "Hold On"  [2015]

Imagine-se um velho roqueiro que entra em um dilema: o de sentir-se um prisioneiro em sua cidade natal, sendo forçado à mediocridade pelas pessoas ao seu redor e não sendo capaz de se libertar disso Esse é o conceito de +4626-Comfort Zone, lançado pela trupe sueca de Rikard Sjöblom (vocais, guitarras, teclados e faz tudo) no Beardfish. "Hold On" é a faixa que apresenta ao ouvinte o choque da realidade do velho roqueiro que descobre que o mundo está passando, e ele já não pertence mais ao nível que outrora pertenceu. O "Hold On" aqui clama para o personagem aguentar firme sua atual posição, mesmo com tudo o que possa lhe acontecer. A indignação do personagem central, tentando entender como o tempo passou sem ele perceber, não reconhecendo os olhos que costumavam trazer a chama que existia quando jovem, é apresentada através de 8 incessantes minutos, onde o ritmo da bateria de Magnus Östgren e o baixo marcante de  Robert Hansen fundem a mente para fazer ela entregar aos seus pés e cabeça um balanço filho da puta. Rikard traz todas suas influências de Yes e Genesis para essa faixa, principalmente nas linhas de guitarra, ao lado de David Zackrisson, e nas linhas vocais. Wah-wah comendo solto, riffs grudentos, pulos pela casa cantando os diversos momentos onde a letra nos possibilita isso, e assim como o conceito de "Hold On" nos conta, quando a faixa é concluída você nem percebeu o tempo passar. Uma das melhores obras desse século.

Mais cinco outras "Hold On": 
- The Sons of Champlin (A Circle Filled With Love, 1976);
- Kansas (Audio Visions, 1980);
- Santana (Shangó, 1982);  
- Yes (90125, 1983); 
- Rush (Snakes & Arrows, 2007);

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Entrevista Exclusiva: Rikard Sjöblom (Big Big Train, Beardfish, ...)




Por Mairon Machado
Colaboração: Diego Camargo
Tive a honra de entrevistar um dos meus grandes ídolos da atualidade. Em parceria com o site Progshine, através do meu amigo Diego Camargo, pude trocar uma ideia com nada mais nada menos que Rikard Sjöblom, eterno líder do Beardfish e atual Big Big Train e Gungfly. Em uma conversa bem humorada e muito humilde, Rikard contou-me sobre estes e outros projetos que está desenvolvendo atualmente, além de passear pela história do Beardfish. Uma alegria inenarrável ter conversado com Rikard. Confira abaixo a entrevista, tanto em português quanto em inglês.

[caption id="attachment_23683" align="aligncenter" width="600"] À frente do Gungfly[/caption]

Entrevista em português
Olá Rikard. Antes de tudo, muito obrigado por conceder essa entrevista para os sites Progshine e Consultoria do Rock. Gostaria de começar falando sobre seus mais recentes projetos com o Gungfly e o Big Big Train. No último dia 20 de março, o álbum On Her Journey To The Sun foi disponibilizado para compra pre-order em seu facebook oficial, sendo o mesmo lançado em 19 de maio. Conte-nos um pouco sobre a ideia do projeto e o processo de gravação do mesmo.
Este não é um álbum conceitual, mas está trazendo temas recorrentes, e o principal é sobre uma mulher que foi deixada para trás quando seu amante fez um último sacrifício e protegeu um grupo de pessoas. Acho que está entre os atos mais corajosos que alguém pode fazer. Algumas vezes, quando alguém morre, ela torna-se quase intocável e você guarda a memória dela em alto nível, quase como um Sol. Então, eu decidi que quando este herói morreu, ele renasceu como um Sol, e daí o título On Her Journey to the Sun. Então, como a mulher aqui tratada é muito relacionada com os fatos que aconteceram com ela, em relação a morte de seu amante, isso faz este título mais uma jornada espiritual, e não física - ela está na sua jornada espiritual para o Sol. Buda foi escolhido como a face do Sol por causa de sua calma, sua expressão sóbria, alguém que está em paz.
Gravei o álbum indo e vindo, por cerca de um ano, mas o pico das sessões ocorreu no outono de 2016.
Trabalhando como poucos, você também tornou-se membro do grupo Big Big Train, a partir de 2014, grupo esse que para mim, ao lado do Beardfish, representa a nata do rock progressivo nesse milênio. Como surgiu o convite para você participar do grupo inglês?
Big Big Train não apresentava-se ao vivo haviam 17 anos, e estavam planejando fazer isso. Então eles estavam procurando por alguém que podia tocar teclados e guitarras, bem como fazer alguns vocais de apoio. Eu estava em turnê com o Beardfish, e o engenheiro de som da turnê era Rob Aubrey, que trabalhava muito próximo ao Big Big Train, e foi ele quem me recomendou. Depois disso, eu recebi um e-mail de Greg Spawton (n. r. guitarrista do Big Big Train) perguntando se eu estava interessado em participar de um projeto - eles estavam indo fazer uma sessão no Real World Studios, para gravar e filmar o processo inteiro e lançar isto como um blu ray - e eu fiquei honrado e disse sim prontamente. As sessões foram ótimas, e após elas, eles me convidaram para ingressar na banda em tempo completo, e eu disse sim.

Quais as principais influências que você conseguiu levar para a banda já para o álbum Folklore (2016)?
Bem, é difícil de falar. Acho que estou trazendo meu próprio estilo de tocar minha forma de compor em partes, é claro. Muitas vezes Greg ou David (Longdon) tem mais ou menos finalizadas as suas partes, mas a maioria das vezes eu adiciono um "toque de Sjöblom" nisto. Então, no último disco, Grimspound, eu co-escrevi "Meadowland" e "A Mead Hall in Winter" junto de Greg Spawton e David Longdon (flautista e vocalista do Big Big Train).
O que você pode nos falar sobre o novo álbum, Grimspound, que foi lançado no final de abril?
Estou realmente feliz com a forma como ocorreu, e fez por ter escritos algumas passagens também. É um álbum muito dinâmico, tanto nas composições como musicalmente.Tanto Grimspound quanto On Her Journey To The Sun serão lançados em vinil. Qual sua opinião sobre o retorno do LP como uma forma de contato entre fãs e bandas?
Eu nunca parei de ouvir vinil. É o meu formato favorito desde que eu era criança, e ainda é. Particularmente, acho que isto sente-se mais como um álbum real quando você tem o LP em mãos, ao invés do CD. Eu gosto do som do vinil também, não diria que é melhor - mas que é, é - mas alguns álbuns beneficiam-se das limitações do formato.
[caption id="attachment_23682" align="aligncenter" width="600"] Rikard (segundo da esquerda para a direita, em pé) com o Big Big Train[/caption]
Aqui no Brasil, o vinil deixou de ser fabricado a partir dos anos 90, voltando a nascer das cinzas em meados da década passada. Lojas de disco tradicionais acabaram fechando, e a opção foi voltar-se para o mercado internacional, em sites como e-bay ou amazon, para buscar vinis. Essa transição vinil/CD também ocorreu na Suécia,  ou o país manteve-se fabricando os dois formatos ao longo dos anos?
Foi o mesmo aqui - mas algumas lojas deixaram de vender CD's e DVD's (e camisetas, canecas, outros mimos), mas não realmente como antes, é claro.
Você também está com um projeto ao lado do monstro baterista Hasse Bruniusson e do guitarrista Roine Stolt, que irá tocar canções do saudoso grupo Samla Mammas Manna. Como surgiu a ideia desse projeto, e o que podemos esperar em termos de shows e lançamentos?
Hasse me ligou e perguntou se eu estava interessado em tocar estas canções ao vivo, em um festival na cidade de Uppsala, ao lado dele, Roine Stolt e o baixista Håkan Almqvist. Isto pareceu ser uma ótima ideia, e como eu ouvi e muito os discos do Samla quando eu era jovem, eu conhecia as canções muito bem na minha cabeça. Isto é ótimo, uma aventura musical e muito divertido de tocar! Nos apresentamos em Gotemburgo há algumas semanas atrás, e foi incrível!
Todos esses projetos envolvem o rock progressivo. Além desse estilo, que outros você costuma ouvir no seu dia a dia?
Eu ouço a maioria dos estilos, muitos deles é relacionado ao prog, mas eu ainda ouço muito de pop/rock ou metal tanto quanto o prog. Sou um grande fã do Pearl Jam e realmente gosto de Chris Cornell. Foi triste ouvir sobre sua morte em maio. Ultimamente eu tenho ouvido muito de Daniel Romano - seus dois últimos disco, Mosey e Modern Pressure, são excelentes!

Falando agora sobre sua carreira no Beardfish, o grupo começou como um quarteto, mas o primeiro disco da banda foi registrado como um quinteto, tendo a presença de Stefan Arosson. Como funcionava o trabalho de divisão dos teclados entre vocês?
Ele tocava todos os teclados ao vivo (principalmente órgão e moog) e eu somente gravei algumas partes das teclas no primeiro álbum. Quando Stefan saiu, pouco depois do primeiro álbum ser lançado, foi quando eu decidi de tocar teclados no Beardfish - nós basicamente não queríamos mais ninguém na banda, e então, eu peguei o papel tanto dos teclados quanto da guitarra. Foi um período muito criativo para nós.
Från en plats du ej kan se... foi todo gravado em sueco, e após ele, demorou três anos para o lançamento de The Sane Day, o qual já veio com letras em inglês. O que ocorreu para essa demora no lançamento dos álbuns, bem como na mudança das letras.
Não mesmo! Antes de tudo, Från En Plats... tem três canções em sueco e quatro em inglês, então, ele foi uma mistura de línguas. E lançamnos The Sane Day em 2005, então foram dois anos, e não três. Hahaha! Fatos pontuados e constatados 😊 A principal razão para levar dois anos para gravar foi que nós tínhamos muito material novo, e não sabíamos onde iríamos gravar. Inicialmente, tentamos gravar em nosso estúdio de ensaios, mas a qualidade do som não era o padrão (muitas dessas gravações podem ser ouvidas em The Early Years – Outtakes and Demos, que foi lançado junto com ComfortZone) mas quando conseguimos o estúdio e a aparelhagem, acho que gravamos a maior parte do álbum em apenas duas semanas - um CD duplo.
Ao mesmo tempo, a partir de The Sane Day, todos os álbuns do Beardfish são conceituais. Quais os motivos que o levaram a escrever histórias tão interessantes, e ainda, como foi “musicalizar” essas histórias?
Principalmente, acredito que são temas claros que surgem quando eu começo a escrever as letras paras as canções, e é fácil cair em um caminho de "ligue os pontos", você sabe? A música sempre esteve lá, então escrever as letras era sempre a parte mais difícil. Eu tinha que esperar uma boa ideia vir - felizmente, uma boa ideia usualmente leva a outra. Eu acho que esta é a principal razão deles serem álbuns temáticos ou conceituais.
Com Sleeping in the Traffic, você passou a usar o acordeão com destaque, o que acabou não sendo da mesma forma usado nos demais álbuns. Por que você preferiu seguir apenas com os teclados, a guitarra e os vocais?
Existe acordeão em todos os nossos álbuns, com exceção de The Void e +4626-COMFORTZONE – mas ele pode não ter sido creditado nas capas. Sempre tenho a música, mas não qual instrumento eu tocarei. Meu principal objetivo é, e sempre será, atingir o melhor resultado, não importa quais instrumentos serão usados.
[caption id="attachment_23680" align="aligncenter" width="600"] Rikard, o primeiro da esquerda para direita, com o Beardfish[/caption]
Aqui na Consultoria do Rock, Sleeping in the Traffic pt. 2 foi eleito um dos dez melhores discos de 2008. Por que o álbum foi dividido em pts 1 e 2, e não foi lançado originalmente no formato duplo, assim como The Sane Day.
Nós não tínhamos todo o material gravado, e ele foi feito durante três sessões diferentes, talvez quatro. É a única razão que eu posso dar.
No encarte de Sleeping in the Traffic vol. 2, você comenta que a faixa-título foi escrita em 2002, fazendo parte das apresentações do grupo, mas que não havia a oportunidade de gravá-la em estúdio. Ao mesmo tempo, você cita algumas dificuldades para concluir a história. Como surgiu especificamente a criação total desses dois álbuns, os quais considero os melhores trabalhos de sua carreira.
Obrigado. A canção por si só foi finalizada em 2002. Existe uma gravação inicial disto naquela época, então, não houve problemas em finalizar a história. MAS, era uma grande música para nós, e eu achava estranho lançar ela em um álbum de forma isolada. Então, ao invés disso, escolhemos construir dois álbuns em torno da canção, e por isso tornou-se um álbum duplo.
Em The Sane Day, percebo influências de Focus na faixa de abertura, “A Love Story”, Frank Zappa em “Igloo on Two”, depois vejo algo de Gentle Giant em “Cashflow”, e, passando por várias outras referências, um K de King Crimson em “Comfort Zone”. Porém, todas essas referências surgem espontaneamente, sem soarem pretensiosas. Como criar algo tão legal com uma base tão sólida de influências?
Hahaha! Bem, você não pode me perguntar isso!! Tenho ouvido diferentes opiniões sobre isto por diversas vezes. Alguns pensam que soamos muito originais e outros pensam que nós rasgamos os outros artistas (alguns você até mencionou). Eu não sei. Para meu conhecimento, nós nunca realmente roubamos qualquer coisa. Existem, possivelmente, partes que soam como outros artistas, acredito eu.
Pessoalmente, quais são seus maiores ídolos e referências para tocar?
Frank Zappa, King Crimson e Gentle Giant eu diria. Mas novamente ... Elton John (fase inicial), The Beatles, Chris Cornell (Euphoria Mourning e Soundgarden), Jeff Buckley, Pearl Jam, Samla Mammas Manna + cada artista que eu já tive a felicidade de trabalhar também.
Zappa aliás também é parte de outro projeto seu. Como funciona a seleção de músicas que a banda apresenta em seus shows?
O grupo é chamado Bongo Fury. É um trio com Petter Diamant e seu irmão Rasmus Diamant, junto a mim, fazendo a música de Frank no formato power trio – então, basicamente é o Gungfly (light trio version) tocando canções de Frank Zappa. Somente pegamos aquelas canções que achamos que irá funcionar bem ao tocá-las como trio.
Como foi o encontro da banda com Gary Green durante o ProgDay Festival, bem como a apresentação e receptividade dos americanos nessa que foi a primeira apresentação da banda fora da Suécia.
Foi ótimo encontrar Gary Green. Todos nós smos grandes fãs de Gentle Giant, então foi realmente muito legal que ele estava lá. Isto foi um festival sensacional. Tivemos um grande dia, tanto tocando como assistindo. Fizemos grandes amigos lá, para o resto da vida, como Ray Loboda e Jim Robinson.

Dentre os álbuns do Bearfish, qual foi aquele que você mais curtiu ter composto, e qual o que mais lhe agradou no resultado final.
Meu favorito é Destined Solitaire, seja musicalmente ou pelo período em que nós o construímos.
Na despedida oficial da banda, via seu website, os fãs leem a mensagem com uma frase chocante, falando sobre desentendimentos e várias dificuldades dentro da banda, isso pouco depois de Comfort Zone, bem como novos caminhos vão ser seguidos por cada membro da banda. O que realmente foi o fator determinante para o fim de um projeto tão incrível e maravilhoso como o Beardfish?
Não estávamos funcionando bem juntos em uma mesma sala, há algum tempo.
Podemos esperar um retorno, ao menos para comemorar os 20 anos de carreira?
Nunca sabemos. No momento, sem planos.
Sobre o Brasil, você já teve a oportunidade de vir ao nosso país, seja como turista ou como músico?
Não, infelizmente não. O mais próximo que eu estive do Brasil foi a Guiana Francesa.

Dentro do rock progressivo, nosso país tem nomes de destaque como O Terço, Mutantes, Terreno Baldio, entre outros. Você já ouviu algo progressivo vindo de nosso país?
Não, lamento não conhecer. Irei atrás!
Com tantos projetos em sua carreira, e tantos fãs por aqui, com certeza esperamos que um dia você esteja em nossos palcos para mostrar sua música pessoalmente. Ainda na Consultoria, temos uma seção chamada Notícias Fictícias que Gostaríamos que Fossem Reais. Seria possível tornar real uma notícia como “Rikkard apresenta-se no país em um grande festival?”
Hahaha! Assim espero. Não posso prometer nada. Eu iria amar ir ao Brasil e tocar aí!
Rikard, obrigado por sua atenção e por favor, deixe um recado para nossos leitores e também seus fãs aqui no Brasil.
Obrigado por ouvir nossa música ao longo dos anos. Espero poder tocar ao vivo para vocês em breve!
Abraços


English Interview
I had the honor of interviewing one of my great idols today. In partnership with the website Progshine, through my friend Diego Camargo, I was able to exchange an idea with nothing less than Rikard Sjöblom, eternal leader of Beardfish and current Big Big Train and Gungfly. In a humored and very humble conversation, Rikard told me about these and other projects he is currently developing, as well as touring the history of Beardfish. It was an honor and a joy to have talked to Rikard. Check out the interview, in Portuguese and in English.

[caption id="attachment_23685" align="aligncenter" width="600"] With Big Big Train (at center)[/caption]
Hello Rikard. First of all, thank you for this interview to the Progshine and Consultoria do Rock websites. I'd like to start by talking about your latest projects with GungFly and Big Big Train. On March 20, the album On Her Journey To The Sun was made available for pre-order purchase on your official facebook. Tell us a little about the idea of the project and the process of recording it, which was be released on May 19th. 
It’s not a concept album, but it has reoccurring themes throughout and the main one would be about a woman who was left behind when her lover made the ultimate sacrifice and died protecting a group of people. I think that is among the most courageous acts someone can do. Sometimes when someone dies they become almost untouchable and you hold the memory of them high, almost like a sun. So I decided that when this hero died he was reborn as a sun, hence the title On Her Journey to the Sun, so as the woman here is coming more and more to terms with what happened she is coming closer to her dead lover, making this title more of a spiritual journey and not a physical one – she’s on her spiritual journey to the sun. The Buddha was just chosen as the face of the sun because of the calm, sombre facial expression – someone who is at peace. I recorded the album on and off for about a year, but the bulk of the sessions took place in the fall of 2016.
Working a lot, you also became a member of the Big Big Train group in 2014, a group that for me, along with Beardfish, represents the cream of progressive rock in this millennium. How did you joined the English group?
Big Big Train hadn’t played live in seventeen years and were planning to do just that, so they had been looking for someone who could play keys and guitar and do some backing vocals. I had been on tour with Beardfish and the sound engineer on this tour was Rob Aubrey who works very closely with BBT and so he recommended me. After that I got an email from Greg Spawton who asked if I was interested in this – they were gonna do a session at Real World studios and record and film the entire process and release it as a blu ray – I was honoured and said yes straight away. The sessions went well and after that they asked if I wanted to join the band full time and I said yes.
What are the major influences that have you been able to bring to the band already for the album Folklore (2016)?
Well, that’s tough for me to say – I guess I’m bringing my own style of playing and my take on composing parts of course. A lot of the time Greg or David will have more or less finished parts but most of the time I’ll add a touch of Sjöblom to it. Then on the latest album “Grimspound” I’ve co-written the songs “Meadowland” and “A Mead Hall in Winter” with Greg Spawton and David Longdon.
What can you tell us about the new album, Grimspound?
I’m really happy with the way it turned out, and I’m happy to have written some stuff for it as well. It’s a very dynamic album, both compositionally and sonically.
Both Grimspound and On Her Journey To The Sun were released on vinyl. What is your opinion about the return of LP as a form of contact between fans and bands?
I never stopped listening to vinyl, it’s been my favourite format ever since I was a child and it still is. I mainly think it feels more like a real album when I hold an LP in my hands instead of a CD. I like the sound of vinyl as well, wouldn’t say it’s better – it is what it is – but some albums benefit from the limitations of that format.
Here in Brazil, vinyl ceased to be manufactured from the 90s, returning like a phoenix in the middle of the last decade, in benefit of CD sales. Traditional disc stores were closed, and the option was to turn to the international market, on sites like e-bay or Amazon, to search for vinyls. Has this vinyl / CD transition also occurred in Sweden, or has your country kept manufacturing the two formats over the years?
It’s been the same here actually – but there’s been some stores left selling CD’s and DVD’s (and t-shirts and coffee mugs and jewelry and stuff!) but not really like it was before of course.

You also have a project alongside the monster drummer Hasse Bruniusson and guitarist Roine Stolt, playing songs by the late group Samla Mammas Manna. How did the idea of this project come about, and what can we expect in terms of shows and releases?
Hasse called me and asked if I was interested in playing these songs live for a festival in Uppsala together with him, Roine Stolt and bass player Håkan Almqvist. It felt like a good idea and since I listened a lot to the Samla albums when I was younger I sort of knew the songs pretty well in my head. It’s great, adventurous music and a lot of fun to play! We played in Gothenburg a couple of weeks ago and it was awesome.
All these projects involve progressive rock. Besides that style, what else do you usually listen to in your day to day?
I listen to most styles, a lot of it is prog related but still I would say I listen to as much pop/rock or metal as prog. I’m a big fan of Pearl Jam and I really like Chris Cornell, it was sad to hear about his passing in may. Lately I’ve been listening a lot to Daniel Romano – his two latest albums “Mosey” and “Modern Pressure” are both excellent.
Talking now about your career at Beardfish, the group started out as a quartet, but the band's first album was recorded as a quintet, featuring Stefan Arosson on keyborads. How did works the keyboard split between you?
He played all the keyboards live back then (mainly organ and moog) and I only recorded some parts on the first album. When Stefan quit, right before the first album came out, was when I decided to play keyboards in Beardfish – we basically didn’t want any more people in the band so instead I took that role and played both keyboards and guitar. It was a very creative period for us.
Från en plats du ej kan se ...  was all recorded in Swedish, and after it,  were three years for the release of The Sane Day, which already came with lyrics in English. What occurred for this delay in the release of the albums, as well as the change of the language.
No not at all. First of all: Från En Plats... has three songs in Swedish and four in English, so it was just a mix of the two languages. And we released The Sane Day in 2005, so it was two years, not three. Hahaha! Facts straightened 😊 The main reason it took two years to record was that we had so much new material and we didn’t know where to record it. Initially we tried recording it in our rehearsal studio but the sound quality wasn’t up to standard (Many of these recordings can be heard on The Early Years – Outtakes and Demos which was released together with ComfortZone) but when we had the studio and the gear I think we recorded most of the album in roughly two weeks – a double CD.

At the same time, since The Sane Day, all Beardfish albums are conceptual. What were the reasons that led you to write such interesting stories, and how did you "musicalize" these stories?
I mainly think that there were clear themes that came about when I started writing lyrics for the songs and it was easy to fall onto a path of “connect-the-dots”, you know..? The music was always there so writing the lyrics was always the hard part, I had to wait for a good idea to come – luckily one good idea usually spawned the next one. I think that’s the main reason they are thematic or “concept”-albums
With Sleeping in the Traffic, you started to use the accordion, instrument that was no longer used on other albums. Why did you prefer to follow only the keyboards, the guitar and the vocals?
There’s accordion on all of our albums except “The Void” and “+4626-COMFORTZONE” – but it may not always be credited in the sleeves. I always had the music first, not which instrument I played. My main goal is and has always been to get the best result, it doesn’t matter what instruments are used.
Here at Consultoria do Rock, Sleeping in the Traffic pt. 2 was voted one of the top ten albums of 2008. Why the album was split into pts 1 and 2, and not originally released in the double format, as was The Sane Day?
We didn’t have all of it recorded and it was recorded during three different sessions, maybe even four.. That’s the only reason I can think of.
In the Sleeping in the Traffic vol. 2 insert, you comment that the title track was written in 2002, being part of the group shows, but that there was not the opportunity to record it in the studio. At the same time, you cite some difficulties to complete the story. As specifically emerged the total creation of these two albums, which I consider the best works of Beardfish career.
Thank you. The song itself was finished in 2002, there is even an early recording of it from around that time, so no trouble finishing the story – BUT, it was a big song for us and it felt kind of weird to just throw it on an album so instead we chose to build two albums around the song, that’s why there is a double album.
In The Sane Day, I notice Focus's influences at the open track, "A Love Story," Frank Zappa at "Igloo on Two"”, then I listen something like Gentle Giant at "Cashflow," and going through several other references, A K of King Crimson at "Comfort Zone". However, all these references arise spontaneously, without sounding pretentious. How to create something so cool with such a solid base of influences?
Hahaha! Well, you can’t ask me that!! I’ve heard different opinions about that several times, some think we sound very original and some think we rip other (the ones you’ve mentioned) artists off.. I don’t know. To my knowledge we never really stole anything, there might be sections that sound like other artists though.
Personally, what are your biggest idols and references to play?
Frank Zappa, King Crimson, Gentle Giant I would say. But then again... Elton John (early stuff), The Beatles, Chris Cornell (Euphoria Mourning and Soundgarden), Jeff Buckley, Pearl Jam, Samla Mammas Manna + every artist I’ve ever been fortunate enough to work with as well.
Zappa is also part of another project. How does the selection of songs that the band present in your shows work?
The group is called Bongo Fury. Is a trio with Petter Diamant and his brother Rasmus Diamant plus myself doing Frank’s music in a power trio format – so basically it’s Gungfly (light trio version) playing Frank Zappa songs. We only picked songs we thought worked well to cover as a trio.
How was the band's meeting with Gary Green during the ProgDay Festival, as well as the presentation and receptivity of the Americans in that was the band's first performance outside of Sweden.
It was great meeting Gary Green. All of us are big Gentle Giant fans so we thought it was really cool that he was there. It was a cool festival as well and we had a great time, both playing and hanging out. We met some life long friends there in Ray Loboda and Jim Robinson.
[caption id="attachment_23686" align="aligncenter" width="600"] With Beardfish (second L-R)[/caption]
Among the Beardfish albums, which one you liked to write, and which one you became more proud after final result?
My favourite is Destined Solitaire, both musically and the period we spent making the music.
In the official farewell of the band, via website, fans read the message with a shocking phrase, talking about misunderstandings and various difficulties within the band, shortly after Comfort Zone be release, as well as new paths will be followed by each member of the band. What really was the determining factor for the end of a project as incredible and wonderful as Beardfish?
We didn’t function well together in a room any longer.
Can we expect a return, at least to celebrate the 20-year career?
You never know. No plans now.
About Brazil, have you had the opportunity to come to our country, either as a tourist or as a musician?
No, unfortunately not. Closest we’ve been was French Guyana.
Talking about progressive rock bands, our country has such prominent names as O Terço, Mutantes, Terreno Baldio, Som Nosso de Cada Dia, among others. Have you heard anything progressive coming from our country?
No, I’m sorry I haven’t. Will check it out!
With so many projects in your career, and so many fans around here, we sure hope that someday you'll be on our stage to show your music. Still, in Consultoria, we have a section called “Ficticious News that we would like to be Real”. Would it be possible to make real a news story like "Rikard presents himself in Brazil at a big festival?"
Hahaha! I hope so – can’t promise anything but I would love to come to Brazil and play!
Rikard, thank you for your attention and please leave a message for our readers and also your fans here in Brazil.
Thank you for listening to the music throughout the years – I hope to be able to come over there and play for you soon!
Cheers – Rikard Sjöblom

sábado, 22 de outubro de 2016

Melhores de Todos os Tempos: 2008

Whitesnake em 2008: Doug Aldrich, Chris Frazier, David Coverdale, Reb Beach, Uriah Duffy e Timothy Drury




Por Diogo Bizotto


Com Alissön Caetano Neves, André Kaminski, Bernardo Brum, Christiano Almeida, Davi Pascale, Fernando Bueno, Flavio Pontes, João Renato Alves, Leonardo Castro*, Mairon Machado e Ulisses Macedo


Participação especial de Rodrigo Gonçalves, colaborador do portal Metal Revolution e editor do Rock Blog
Como comentou um colega mais abaixo: "Metallica, Whitesnake, Guns N' Roses, Mötley Crüe. Isso aqui é uma lista de 2008 ou 1988?". Mas não se preocupem, também há doses cavalares da década de 1970, vide a entrada de Beardfish e Bigelf. Pra nos situarmos melhor na época abordada, Portishead e Slipknot dão as caras. O que isso tudo significa? Bom, é melhor que os próprios leitorem julguem, então fiquem à vontade para ocupar o espaço dos comentários. Como nunca deixo de fazer, lembro que o critério para elaborar todas as partes desta série obedece a pontuação do Campeonato Mundial de Fórmula 1. Boa leitura!

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Whitesnake - Good to Be Bad (90 pontos)
Alissön: Em certa altura do campeonato, tornou-se extremamente vergonhoso ouvir as performances vocais de David Coverdale, seja em estúdio ou ao vivo – onde a coisa só ficava mais vexatória ainda. Não há nenhum problema em envelhecer e não conseguir alcançar os timbres que outrora lhe fizeram famoso. O grande problema é tentar "forçar a barra", tentando alcançar os mesmos timbres e tonalidades que já não é capaz de alcançar mais. É basicamente isso o Whitesnake hoje em dia, uma banda que sobrevive de ótimos músicos e um vocalista que insiste em não reconhecer suas limitações.
André: Claro que a fase de maior brilho criativo deles ficou nos anos 1980. Mas eu sempre considerei a banda como aquela sem disco que eu não gosto. Embora as guitarras de Doug Aldrich e Reb Beach soem quase heavy metal em muitos momentos, aquela veia melódica característica do Whitesnake sempre se faz presente. Ainda não me decidi se é Ozzy ou Coverdale o cara que melhor seleciona guitarristas para suas carreiras. Independentemente disso, "All I Want All I Need" é uma ótima balada, a grande especialidade de Coverdale, "Lay Down Your Love" varia entre peso e calmaria e "Got What You Need" tem aquele jeitão do hard setentista dos bons tempos do UFO. Quando se trata de Whitesnake, o tiro sempre vai na direção certa.
Bernardo: Recrutando músicos mais jovens para dar um novo gás ao seu AOR, Coverdale injetou um peso revigorado em seu disco, mas sem perder as características que o tornaram famoso. No final, tem seus momentos, mas é o tipo de farofada tão derivativa e autorreverente que é um representante dos mais esquisitos para dizer que o melhor da música em 2008 foi um disco cheio de chavões que já nasceu datado.
Christiano: Nunca considerei o Whitesnake uma banda fundamental. Não posso dizer que não gravaram bons discos. Na primeira fase de sua carreira, álbuns como Ready an' Willing (1980), Lovehunter (1979) e Come an’ Get It (1981) mostraram que David Coverdale tinha muito a oferecer após sua saída do Deep Purple. No entanto, nunca fizeram um disco verdadeiramente excepcional. Por isso, fiquei bastante surpreso quando vi que Good to Be Bad, praticamente o primeiro de inéditas após Slip of the Tongue (1989), foi eleito o melhor álbum desse ano. Pode ser que o saudosismo explique esse resultado. De qualquer maneira, seria injusto não reconhecer as qualidades de um álbum que traz Doug Aldrich e Reb Beach fazendo um ótimo trabalho de guitarras: “A Fool in Love” e “Best Years” são bons exemplos disso. A voz de Coverdale, pelo menos em estúdio, continua muito boa. Claro que algumas baladas, como “All I Want All I Need” e “Till The End of Time”, tentam reviver antigos megahits radiofônicos de tempos atrás, o que soa meio forçado, mas não compromete o resultado final. Enfim, um bom disco.
Davi: Há quem defenda que bandas clássicas não deveriam mais aparecer nesta série para dar espaço às bandas novas. Sempre fui da tese que entra quem merece, independentemente do tempo de estrada. Não sou a favor de cotas. E, mais uma vez, temos uma banda com décadas de estrada em nossa lista. E merecidamente! Extremamente bem gravado, excelente trabalho vocal, riffs impactantes. Som vintage com um toque moderno, mantendo a veia hard rock e com qualidade de composição muito acima daquilo que bandas mais novas vêm apresentando. Assim é Good to Be Bad. “Lay Down Your Love” em outros tempos seria hit. “Best Years”, “Good to Be Bad” e “Call on Me” levantam até defunto. Um disco do Whitesnake não seria um disco do Whitesnake sem as famosas baladas mela-calcinha. Entre essas, minha preferida aqui é “All I Want All I Need”. Depois de dez anos sem lançar um álbum de inéditas, os músicos voltaram pegando fogo.
Diogo: Surpreende um pouco ver este álbum no topo, mas não ao ponto de causar estranhamento. Lembro que, como grande fã de David Coverdale e da banda, fiquei muito feliz quando o Whitesnake foi reativado e, como era de se esperar, com músicos de altíssimo gabarito. A expectativa para um novo registro de estúdio era alta e não foi decepcionada. Cheguei a ver a banda ao vivo em 2005, antes do lançamento, e ficou evidente que, apesar da voz de Coverdale não apresentar mais a mesma potência, estava suficientemente boa para levar adiante sua carreira, e isso percebe-se em Good to Be Bad: faixas sem os grandes abusos vocais de seus tempos mais áureos, mas que entregam boas performances, em um registro mais confortável para Coverdale. A parceria com Doug Aldrich nas composições funcionou muito bem, mesclando diferentes fases da carreira do grupo com um toque um pouco mais moderno e execução impecável, sem tantos arroubos virtuosos, focada no resultado. Canções boas surgem aos borbotões: "Best Years", "Can You Hear the Wind Blow", "Lay Down Your Love" e "Got What You Need" são minhas favoritas. Minha ressalva é em relação às baladas: Coverdale normalmente é um ás nesse tipo de música, e eu sou um "baladeiro" de carteirinha, mas "All I Want All I Need" e "Summer Rain" me deixaram um pouco decepcionado, pois passam bem longe da qualidade de obras como "Blindman", "Love Ain't No Stranger", "Looking for Love", "Now You're Gone" e "Can't Go On". Ouvindo-o agora com um pouco mais de atenção, talvez eu devesse ter elencado Good to Be Bad uma ou duas posições acima em minha lista pessoal. Mais uma coisa: só uma banda habituada a trabalhar com músicos de tão alto nível tem a manha de colocar um guitarrista absurdamente competente como Reb Beach em posição secundária, ao menos em estúdio. Ponto pra ele, por ter a a consciência de que jogar pro time é o mais importante.
Fernando: Um disco que passou batido por muita gente que apenas deu uma ou duas ouvidas e não se atentou direito ao álbum. Lembro que quando saiu eu ouvi bastante. Acredito que o motivo dele ter sido bom é que Coverdale se conteve e cantou de acordo com o que sua voz estava podendo na época. Ninguém esconde que aquela voz dele foi pro saco.
Flavio: Sim, David Coverdale trazendo o Whitesnake de volta desde Restless Heart (1997) faz deste Good to Be Bad disparado o melhor disco do ano. Vamos encontrar um Whitesnake mais calcado no som do final dos anos 1980, porém com mais peso, devido ao timbre das guitarras mais agressivo de Doug Aldrich e Reb Beach. Apesar de notar que a voz de Coverdale não é mais a mesma desde algum tempo, as composições (em conjunto com Aldrich) estão inspiradas e não há pontos fracos no disco, desde o hard forte da faixa título, de "Best Years", da zeppeliana "Lay Down Your Love" e "All For Love" (essa parece ter saido do disco de 1987), o blues hard de "A Fool in Love" e no estilo consagrado de baladas em "Summer Rain" e "All I Want All I Need", além da outra zeppeliana e lindíssima faixa de fechamento "'Til the End of Time". O disco só não é recomendável para quem realmente não curte a banda. Caso apreciem, indico a aquisição da bolacha, sem erro.
João Renato: Gosto deste disco, mas fico surpreso com sua vitória. Apesar de não fugir tanto da sonoridade que o consagrou nos Estados Unidos, David Coverdale conseguiu fazer um disco mais direto em comparação com alguns de seus antecessores que tanto sucesso fizeram na segunda metade dos anos 1980, como o pedante Slip of the Tongue. Doug Aldrich possui méritos inquestionáveis nisso, sendo menos exibido que alguns de seus antecessores, deixando a música falar mais alto que solos. Não chegará a ser um clássico, mas tem seu valor.
Mairon: E olha a surpresa no primeiro lugar. Depois de somente o excelentíssimo Whitesnake (1987) ter entrado na edição de seu respectivo ano, eis que Good to Be Bad ocupa a primeira posição. Merecido, afinal, este disco mostrou que Coverdale ainda tinha muito o que ferver, ainda mais acompanhado por um timaço de novatos (nem tão novatos assim). O cara apresenta linhas acústicas, com sua voz rouquíssima, em "'Till the End of Time", baladas meigas ("Summer Rain") e doloridas ("All I Want All I Need"), solta a voz na pesada "Call On Me" e resgata o som original do Whitesnake, mais ligado ao blues, em "Lay Down Your Love" e "Got What You Need", além de mandar ver no hardzão pegado de "Can You Hear the Wind Blow". Quando os teclados surgem com força, as qualidades de Good to Be Bad se elevam, principalmente na pancada que abre o álbum, "Best Years", ou na nostalgia manjada, mas boa de se ouvir, "All for Love". Mesmo o ritmo arrastado do boogie "A Fool In Love" traz aquela nostalgia oitentista para a mente. Doug Aldrich trouxe mais malemolência para as guitarras da banda, sendo a faixa-título a principal representante nesse quesito (e ouvi-la com Glenn Hughes fez ainda mais sentido). Um disco fantástico, que colocou Coverdale novamente no mercado depois de um bom tempo afastado (oito anos, mais precisamente), e que foi um das grandes audições que tive quando de seu lançamento, ainda mais em se tratando de um dinossauro como é o Whitesnake. Hoje em dia não o ouço com tanta frequência, até porque Whitesnake ainda é insuperável, mas vê-lo em primeiro aqui, e colocado novamente para ouvir, foi uma ótima experiência. Entrou em décimo na minha lista, mas acho que merece estar pelo menos umas cinco posições acima depois dessa nova e revisitada audição.
Rodrigo: Tivesse David Coverdale decidido encerrar a carreira do Whitesnake após o lançamento deste álbum (pelo menos no que diz respeito a lançamentos de estúdio), teria sido um final digno, pois Good to Be Bad é, com certeza, uma excelente adição à discografia do grupo. Um trabalho surpreendente, repleto de composições excelentes, em que David, apoiado por uma excelente banda, conseguiu dar aos fãs um álbum memorável. Destaque para a maravilhosa balada “Summer Rain”.
Ulisses: Não acompanho o Whitesnake, mas não achei que, em pleno 2008 os caras estariam em boa forma, com um Coverdale cuja voz envelheceu dignamente. Riffs pesados e composições bem arrumadinhas à beça no registro, algumas que até se seguram confortavelmente se colocadas lado a lado com clássicos. É um exagero a entrada na lista e mais ainda no topo, mas a audição, por si só, é sólida o suficiente. Destaque para "Call on Me" e "Lay Down Your Love".

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Testament - The Formation of Damnation (79 pontos)
Alissön: O vocal "podreira" de Chuck Billy já me deu nos nervos. Fora isso, os discos do Testament pós The Gathering (1999) são bons para quem ainda liga para thrash metal mais modernizado. Mas no geral é tudo muito linear, monotônico e sem grandes atrativos.
André: O câncer de Chuck Billy em 2002 obrigou-os a dar uma parada nas atividades até que ele se recuperasse. Assim, demorou para que este registro viesse à tona. E voltaram muito bem. Mais um thrash vigoroso e chacoalhador de pescoços graças a ótimas faixas como "More than Meets the Eye" e "The Evil Has Landed". Os solos de guitarra de Alex Skolnick são sempre de alta qualidade. Não vai revolucionar seus ouvidos, mas ao menos é capaz de animá-los caso curta o estilão Bay Area norte-americano.
Bernardo: Tem seus momentos, mas para mim não chega a se destacar. Certamente se aproveitaram do "big comeback" do thrash ocorrido poucos anos antes, mas não chegaram a fazer um grande disco com a oportunidade que tiveram. Tem bons riffs e solos, mas é pouco memorável.
Christiano: Perto de Death MagneticThe Formation of Damnation soa como um dos melhores discos do ano. Se esse fosse o critério, de fato a escolha seria acertada. O Testament sempre foi da “série B” do thrash metal, mas, ultimamente, quando comparado com seus contemporâneos, a situação se inverteu. Enquanto Metallica e Megadeth gravam álbuns totalmente dispensáveis, o Testament tem conseguido bons resultados nos últimos lançamentos. “The Evil Has Landed” é um bom exemplo disso, assim como “Dangers of the Faithless”, que mostram uma banda bastante enérgica e nada burocrática. Boa indicação.
Davi: Grande banda!! Sempre gostei desses caras. A única bola fora deles foi Demonic (1997). E o que temos aqui é simplesmente mágico. Temos a formação clássica quase completa. Apenas Louie Clemente ficou de fora. Quem assumiu as baquetas foi nada mais, nada menos que o gigante Paul Bostaph. O resultado não poderia ser diferente. Thrash metal de primeira. Excelente trabalho de guitarra de Alex Skolnick, não que isso seja surpresa. Excelente trabalho de bateria de Paul Bostaph, não que isso seja surpresa. E Chuck Billy botando pra foder. Não tem muito o que dizer, além de "ouça no último volume". Faixas de destaque: “More than Meets the Eye”, “The Persecuted Won't Forget”, “Killing Season”, “Afterlife” e “Leave Me Forever”.
Diogo: O Testament pode ter ficado muito tempo fora do estúdio após lançar o magnífico The Gathering – e muito disso tem relação com o câncer que Chuck Billy teve que enfrentar –, mas a espera pelo menos valeu a pena. The Formation of Damnation não é apenas o melhor álbum lançado em 2008, mas a confirmação de que o quinteto californiano é, com folgas, a grande banda de thrash metal do atual milênio. O esmero nas composições e a execução impecável, além de um Chuck Billy cada vez mais incomparável ao microfone, fazem com que o disco não tenha fillers. "Killing Season", "Afterlife" e "Leave Me Forever" estão um pouco abaixo das demais, mas ainda assim são boas músicas. De resto, é cotovelada nos beiços seguida por soco no estômago e chute nas bolas. A adição de Paul Bostaph ao quarteto original dá um gás todo especial ao disco; afinal de contas, não dá pra imaginar Louie Clemente fazendo os absurdos que Bostaph faz atrás de seu kit, impriindo um ritmo alucinante a canções como "The Persecuted Won't Forget", "Henchmen Ride", "F.E.A.R." e a faixa-título. O momento mais melódico do álbum, "Dangers of the Faithless", é o que mais remete ao passado da banda, com um refrão que poderia facilmente estar em um álbum como Practice What You Preach (1989). Acima de tudo, não dá pra negar o enorme poder de fogo das duas canções que iniciam o álbum após sua introdução, "More than Meets the Eye" (perfeita para ser executada ao vivo) e "The Evil Has Landed" (que eu gostaria que fosse tocada ao vivo muito mais vezes). Falar da capacidade de Alex Skolnick solando é repetitivo, por isso destaco a evolução constante de Eric Peterson, que nunca se contentou em ser apenas um bom guitarrista base, aperfeiçoando-se cada vez mais como músico e compositor.
Fernando: Estou na expectativa do novo disco do Testament e ouvi alguns deles recentemente. O longo tempo entre o anterior, The Gathering, de 1999, e este foi uma confusão. De Dave Lombardo até a efetivação de Paul Bostaph tiveram outros quatro bateristas. Steve DiGiorgio também saiu e outros três guitarristas passaram pela banda. Deu tempo para tudo isso acontecer e também para comporem um ótimo álbum.
Flavio: O representante do thrash metal com o retorno do Testament depois de vários anos de ausência na bolacha The Formation of Damnation. A paulada come solta em quase a totalidade do disco, com a manutenção do instrumental calcado no estilo, guitarras aceleradas, solos dobrados, rápidos, bases marcadas e pesadas, bateria com uso e abuso de dois bumbos em grande velocidade e o baixo se virando com esse barulho todo.  No vocal residem as minhas restrições, já que há uso do estilo "gutural/gollum", com o qual não simpatizo, em boa parte do disco. Meus destaques: "More than Meets the Eye", em que o vocal é mais rasgado e menos gutural, e "Dangers of the Faithless", com um instrumental menos óbvio, com boa alternância ritmica, porém com o tal vocal desagradável em boa parte. Razoável disco, indicado para os fãs do estilo.
João Renato: O Testament é o caso de banda que ficou ainda melhor quando envelheceu. The Formation of Damnation oferece um grupo que não parou no tempo e, ao mesmo tempo, não abriu mão de suas características. Um verdadeiro exemplo de competência.
Mairon: Thrash tradicional de uma banda tradicional, que, com o passar dos anos, ganhou espaço entre os apreciadores do estilo, principalmente pela guinada musical dos gigantes Megadeth e Metallica. O Testament teve um início de carreira muito promissor, mas acredito que seus discos dos anos 2000 são mais coesos, como é este caso, em que Paul Bostaph se junta aos membros clássicos Chuck Billy (vocais), Alex Skolnick e Eric Peterson (guitarras) e Greg Christian (baixo) para criar um belo disco, mostrando por que ele foi o escolhido para substituir Dave Lombardo no Slayer durante a pancadaria da faixa-título ou nas estonteantes introduções de "F.E.A.R (False Evidence Appearing Real)" e "The Persecuted Won't Forget". O cara é um animal nos bumbos. No thrash, só Lombardo mesmo para batê-lo. Ao mesmo tempo, o trabalho de guitarras não fica atrás, destacando-se nas mesmas faixas citadas e também no ritmo avassalador de "More than Meets the Eye" e "Henchmen Ride", pancadas para quebrar o pescoço, assim como "Leave Me Forever", uma faixa diferente, mais cadenciada e trabalhada, que chapa o ouvinte entre as agressividades que rolam nos quase 50 minutos de disco. O álbum é um despejo de riffs que, para quem curte o estilo, não tem do que reclamar, principalmente em "The Evil Has Landed", uma das melhores faixas do álbum, "Dangers of the Faithless", que me lembra bastante Megadeth, "Killing Season", pesadíssima e sem dó de ser, e "Afterlife", para mim a mais fraquinha no geral. Não votei no disco, mas esteve na minha seleção para entrar. Apesar de eu achar que é muito disco de metal, este é merecido.
Rodrigo: Confesso que nunca fui um grande fã do Testament. Gosto dos hits da fase considerada clássica, mas dificilmente conseguia ouvir um álbum inteiro. A mesma situação ocorre comigo com o Accept. Porém, entretanto, todavia, essa fase mais contemporânea da banda, após o retorno de Alex Skolnick, é excelente. Como um todo, os álbuns são melhores e consigo escutá-los do começo ao fim, caso de The Formation of Damnation.
Ulisses: Em termos de thrash metal, o Metallica obviamente teve todos os holofotes do ano para si, mas é o Testament que leva a melhor na audição. Com vários momentos empolgantes e solos derretedores de faces, Formation mantém a peteca no ar e não escorrega em praticamente nenhum momento.

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Metallica - Death Magnetic (78 pontos)
Alissön: O disco que tirou o Metallica da obscuridade e responsável por dar sobrevida à carreira dos caras ainda é um produto completamente desprovido de fibra e maiores atrativos. Um resumo prático deste disco é o seguinte: estruturas técnicas inspiradas na fase áurea da banda, mas executadas de maneira execrável e completamente sem técnica (as linhas de bateria de Lars neste disco são vergonhosas), embaladas em uma produção ridícula (Rick Rubin já foi um ótimo produtor) e mixagem horrorosa. Salvo momentos pontuais, é o produto de outra das inúmeras bandas clássicas dos anos 1980 que só cumprem tabela lançando discos burocráticos atualmente (com o agravante de você sair da audição com os ouvidos estourados pela gravação equivocada).
André: Confesso que, na época em que liberaram as primeiras músicas deste disco, achei que poderia vir coisa muito boa. "O Metallica voltou depois daquele lixo do St. Anger [2003]" eu dizia. Até comprei o disco na empolgação após uma única ouvida. Depois disso ele acabou caindo na categoria dos álbuns "bonzinhos, mas nem tanto assim". Ok, "The Day that Never Comes", que foi bastante divulgada, ainda soa legal, mas depois de um tempo passa a ser um álbum comum e não o de um gigante como é o Metallica. Estou até esperando coisas muito melhores nesse próximo CD que eles vão lançar em breve. "Moth Into Flame" bate o Death Magnetic inteiro sozinha.
Bernardo: Digam o que disserem, sempre achei o Metallica uma banda ousada. Enquanto a maioria faz o que faz para tentar não perder os fãs que, se você tocar uma guitarra com afinação diferente, está "traindo o movimento" e bobagens afins, eles tentaram sair do óbvio, ainda que não fossem proficientes em determinadas direções em que atiraram. Mas não dá para negar a ousadia e a coragem. Dito isso, não fiquei na ponta dos pés quando veio aquela festa toda de "o Metallica das antigas está de volta" – por mim dane-se, quando quero ouvir o Metallica clássico, ouço os discos clássicos e ponto. Ainda que haja um esforço para soar o mais heavy/thrash o possível, o disco se salva com grandes composições, que é o que interessa – como "The Day that Never Comes". Como acontece em boa parte de seus discos pós-década de 1980, quando perderam a concisão, nem sempre é divertido, é mais longo do que o necessário e um ou outro momento pode ser enfadonho. Mas é QUASE um grande disco.
Christiano: Parece que, depois de lançar Load (1996), o Metallica começou a ter a certeza de que qualquer porcaria que levasse o seu nome poderia vender bem. E estavam certos: St. Anger (2003) é um bom exemplo de que tinham razão. Death Magnetic é só uma tentativa de mostrar que conseguem retomar o que fizeram no passado, justamente o que seus fãs desejam. Por isso, o que temos é só uma coleção de músicas pouco inspiradas de uma banda que já deu o que tinha que dar. Pra piorar, a gravação soa extremamente saturada, com os instrumentos tão altos que se embolam em uma massa sonora muito desagradável. O somatório de composições ruins com gravação horrível é um absurdo de ruindade. Passe longe.
Davi: “Eles eram thrash e deixaram de ser, mimimi”, “se venderam para a MTV, mimimi”. Se a tua principal diversão do dia não é ficar soltando essas pérolas nos comentários de sites e fóruns, você certamente curtirá esse álbum do Metallica. O que temos aqui é Metallica sendo Metallica. Faixas longas, a bateria sempre criativa de Lars Ulrich, além do vocal pra lá de característico de James Hetfield. “The End of the Line”, “Broken, Beat & Scarred”, “All Nightmare Long”, “Cyanide” e “My Apocalypse” estão entre as melhores músicas escritas pelo Metallica nos últimos anos e justificam a compra do disco. O ponto baixo fica por conta do single “The Day that Never Comes”.
Diogo: Tenho sentimentos conflitantes em relação a Death Magnetic. Ao mesmo tempo em que preciso fazer críticas, devo admitir que a capacidade da banda ainda é inegável. Sinto falta de arranjos mais caprichados, especialmente de Lars – que soa como um rockstar que toca bateria, não como o grande baterista que já foi –, além da apara de algumas arestas, mas, no geral, gosto das músicas. Algumas estão abaixo da média, como o single "The Day that Never Comes", uma tentativa desconjuntada de ressuscitar a glória de "Fade to Black" e "One"; e "The Unforgiven III", que soa pouco inspirada. A trinca inicial ("This Was Just Your Life", "The End of The Line" e "Broken, Beat & Scarred") empolga especialmente pelos seus bons riffs, enquanto a trinca final ("The Judas Kiss", "Suicide & Redemption" e "My Apocalypse") emula o grande ...And Justice for All (1988), mas sem a mesma gana. O grande destaque do álbum, pra mim um clássico instantâneo desde que ouvi o disco, é "All Nightmare Long", justamente uma canção que, ao menos pra mim, não parece buscar referências no passado, soando mais original e carregando com orgulho a valorosa assinatura do Metallica. O que impressiona negativamente em Death Magnetic é que uma banda como o Metallica, com todo acesso aos recur$o$ possíveis e que gravou uma das obras mais referenciais quando o assunto é qualidade sonora, possa ter soltado um disco tão mal produzido e mixado, cujos instrumentos perdem coesão a todo tempo e soam ora descolados uns dos outros, ora muito sobrepostos. Vergonha para o quarteto e para Rick Rubin, que deixou de ser um grande produtor há um bom tempo e atualmente só tem enganado bobo.
Fernando: O Metallica soltou dois álbuns controversos pela mudança de estilo e depois lançou um disco já fraco com uma produção que o deixou horrível. A volta ao thrash metal veio com Death Magnetic. Muita gente nem sequer ouviu e já o classifica como um álbum ruim. Outros não ouviram porque “o Metallica traiu o movimento e nunca mais ouço eles. Eles ficam feios bobos e com cara de melão”. “That Was Just Yout Life”, “The End of the Line”, “Cyanide”... Pô, tem várias músicas legais aí. Talvez, no geral, elas sejam um pouco mais longas que o necessário, mas são boas sim.
Flavio: Outro retorno esperado, o Metallica resolveu deixar as grandes experimentações do lançamento anterior pra trás e voltou com seu competente thrash/heavy Metal em Death Magnetic. Visivelmente inspirado nos estilos vencedores anteriores, o disco começa muito bem com "That Was Just Your Life" e "The End of the Line". Não se percebe mais a bateria genial de Ulrich de ...And Justice For All, um tema muito comentado pelos fãs (talvez desde Load), mas seu trabalho é competente.  A seguir, a bolacha dá uma caída até a manjada "The Day that Never Comes". As boas "All Nightmare Long" e "Cyanide" precedem a terceira continuação de "The Unforgiven", para mim uma desnecessária preocupação em manter uma espécie de trilogia. Não gostei da primeira sequência e também não vejo "muita coisa" nessa. Ainda há dois bons momentos com "The Judas Kiss" e "My Apocalypse", e a longa e descartável "Suicide & Redemption". Enfim, Death Magnetic é um disco forte, com algumas falhas, que se justifica facilmente como ótimo integrante desta edição.
João Renato: A surpresa foi bem agradável à época. O tempo não o sustentou como obra superior, mas garantiu a satisfação, ao menos momentânea. Não dá para negar que Death Magnetic é um disco focado, o que já era grande coisa, em se tratando do turbilhão que o Metallica havia se tornado.
Mairon: Depois do fiasco que foi St. Anger, qualquer coisa que o Metallica lançasse tinha que ser no mínimo boa, e assim foi. Death Magnetic, assim como Chinese Democracy, foi esperado por um bom tempo, e não é um Ride the Lightning (1984) ou um Master of Puppets (1986), tampouco um Black Album, mas foi o disco que colocou o Metallica novamente no mercado, com faixas que respeitam o thrash em sua integridade. Por vezes, o álbum me lembra bastante ... And Justice for All, acho que por conta das faixas serem longas, o que não é nenhum demérito. A rifferama de "Broken, Beat & Scarred" é uma das mais complicadas que já ouvi. Em parceria com "The Judas Kiss" e "My Apocalypse", forma a trinca central que me traz essa sensação de que o primeiro disco com Jason Newsted está na vitrola. O quarteto conseguiu finalmente mesclar o som que criou a partir de Load com o que o consagrou nos anos 1980, e assim apresentou ao mundo faixas que, se não marcaram época, tampouco merecem ser jogadas fora. Nesse sentido, cito "That Was Just Your Life" e "Cyanide", que se mantiveram presentes nos setlists desde então. "The End of the Line" e "All Nightmare Long" com certeza poderiam estar em Load, apesar de serem mais pesadas do que a maioria das faixas daquele álbum, e os únicos senões são a baladinha "The Day that Never Comes", que tenta pegar uma mistura de "One" com a onda de "The Unforgiven", mas não convence, assim como a própria "The Unforgiven III", muuuuuuuuuito aquém das versões anteriores; e, vamos ser honestos, esse piano na introdução é muito Evanessence. Por outro lado, a fantástica instrumental "Suicide & Redemption" compensa toda a sensação negativa que esses senões possam ter causado, pois é uma grandiosa faixa, e os senões nem são tão terríveis assim. Ter ouvido algumas dessas canções, fresquinhas, na Death Magnetic Tour, fizeram com que eu pegasse ainda mais apreço por este grande disco, e não é nenhuma surpresa vê-lo por aqui.
Rodrigo: Este trabalho do Metallica foi uma surpresa, pelo menos para mim. Confesso que não esperava muita coisa da banda após o fiasco de St. Anger, mas o quarteto voltou em plena forma mostrando por que é uma instituição do thrash. Repleto de músicas longas, com boas letras e solos (!!) interessantes, o álbum é uma bênção após um mar de decepções com o lançamento anterior.
Ulisses: Não ouvia este disco há muito tempo e, francamente, ele está até soando um pouco melhor do que eu lembrava. Os riffs cavalares, em especial, estão mais cremosos aos meus ouvidos. Porém, a longa duração das composições, estruturadas de uma forma que não casa bem com isso, continua sendo a maior ressalva deste álbum um tanto quanto cansativo. Para piorar, a mixagem original do CD foi polêmica ao ponto de muita gente falar para correr atrás de mixes ripados do game "Guitar Hero 3", que soavam melhores. É claramente superior aos oferecimentos anteriores da banda, ReLoad (1997) e St. Anger (2003), porém, ainda não chega a realmente impressionar.

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Blaze Bayley - The Man Who Would Not Die (43 pontos)
Alissön: Instrumentalmente impecável, mas ainda continuo achando o Blaze um péssimo cantor.
André: Blaze tem uma carreira solo da qual gosto muito e vários de seus discos são ótimos. Porém, confesso que não sou muito chegado a este trabalho. Considero Promise and Terror (2010) e King of Metal (2012), lançados alguns anos depois, ainda superiores. Este foi um álbum de recomeço para Blaze após muitos problemas com gravadoras e músicos, sendo que dele em diante o próprio tomou as rédeas da carreira para si. Talvez por isso o considero um trabalho sólido, mas não muito mais que mediano. A melhor faixa é "Voices from the Past", cadenciada e com aquela guitarra hipnotizante do início. A situação de Blaze ainda pioraria nesse mesmo ano com a morte de sua esposa. Outro choque para um cara que varia tanto da sorte (ter entrado no Maiden) para o azar (tais tragédias e problemas já citados) mas que traduz tudo isso em ótima música. Esse cara sempre terá o meu respeito e os meus ouvidos atentos para sua música.
Bernardo: Para resumir, um bom álbum de heavy metal, com repertório consistente e cheio de grandes riffs e refrãos, mas prejudicado por sua longa duração (62:16) e por não apresentar muita variação entre suas faixas.
Christiano: Blaze Bayley é, no máximo, um vocalista mediano. The Man Who Would Not Die é só mais um disco de sua carreira irregular, que sobrevive apenas pelo fato de Blaze ter sido vocalista do Iron Maiden. Infelizmente, a tentativa de gravar um álbum bastante pesado soou forçada. Principalmente pela péssima decisão do baterista de usar bumbos duplos indiscriminadamente, atrapalhando muito as músicas. No mais, não existem momentos a serem destacados, visto que o disco é irritantemente reto e sem nuances, e Blaze continua tendo o péssimo hábito de criar refrãos cansativos e repetitivos
Davi: Tomei conhecimento de Blaze Bayley por conta de sua passagem pelo lendário Iron Maiden. Confesso que não fiquei nem um pouco impressionado. Não gostei de seu trabalho vocal em The X Factor (1995), nem de sua performance no Monsters of Rock de 1996. Contudo, comecei a mudar minha percepção (sobre ele, não sobre os discos que fez com o Iron, que continuo achando o ponto baixo da linda carreira construída pela donzela), depois que ouvi Silicon Messiah (2000). Em The Man Who Would Not Die, o músico iniciou uma nova fase. Veio acompanhado de novos músicos, o projeto Blaze morreu, nasceu a fase solo, Blaze Bayley. O disco traz aquilo que seus fãs esperam. Um heavy metal tradicional, uma mixagem moderna, um quê de melancolia. Seu trabalho vocal está bacana. Soube explorar bem suas limitações vocais. O disco é bom, foi legal reescutá-lo, mas não o considero seu melhor trabalho, nem um dos melhores de 2008.
Diogo: É tentador querer elogiar Blaze Bayley. O cara é um trabalhador incansável, que foi injustiçado por muitos e provou seu valor como compositor em várias oportunidades, inclusive no próprio Iron Maiden – ninguém me tira da cabeça que The X-Factor é o melhor álbum da banda pós-Seventh Son of a Seventh Son (1988). Vocalmente nunca foi grande coisa, mas sabendo trabalhar as composições ao redor das suas capacidades, muitas vezes os resultados são positivos. Em The Man Who Would Not Die, há vários momentos em que isso dá muito certo. A banda que o acompanha, inclusive, é surpreendentemente boa, colaborando com performances afiadas. Consigo imaginar canções como "Blackmailer", "Robot", Voices from the Past", "The Truth Is One" e a faixa-título com a voz de Bruce Dickinson, sendo seguidas por comentários do tipo "Iron Maiden voltando com tudo!", "Sabia que o Iron Maiden não tinha perdido a mão pra fazer um heavy metal mais direto, sem frescuras!". Mas né, quem está cantando é Blaze, então os critérios mudam para muita gente. O álbum não mantém o tempo todo o nível dessas faixas citadas, mas satisfaz na maior parte do tempo. Não é um grande disco, mas é bom.
Fernando: Blaze grava discos bons desde que saiu do Iron Maiden. Este é o primeiro lançado como Blaze Bayley e não apenas Blaze. Isso significa que a banda que o acompanhava foi toda reformulada. Esse fato não afetou este álbum, mas sim os seguintes.
Flavio: O disco começa muito bem com a pauleira heavy "Crack in the System", talvez a melhor composição que já ouvi de Blaze. A seguir vem uma baladinha chata pacas, que já expõe algumas restrições da vocalização de Blaze, com repetições de trechos, sem dinâmica, me lembrando a triste passagem pelo Iron Maiden. Apesar de trechos interessantes, o que vem a seguir realmente não mantém o padrão da primeira música; não são composições inspiradas, nas quais, novamente, o vocal limitado de Blaze me incomoda. Gostei apenas da última, "While You Were Gone", e não encontro motivos para que o disco pertença aos melhores de 2008.
João Renato: Mais agressivo que em qualquer outro momento da carreira, Blaze Bayley exorciza demônios neste disco. Continua tendo um registro vocal bem questionável, mas compensa com qualidade superior nas composições e uma banda que faz a diferença. Junto com Silicon Messiah, é seu melhor lançamento pós-Maiden.
Mairon: Cada vez me convenço mais que a carreira solo de Blaze é melhor do que a da sua ex-banda a partir dos anos 2000. Só a faixa-título deste disco já me fez pegar uma air guitar, algo que nenhuma das canções do Iron pós-Virtual XI (1998) fez. Blaze nos traz um som realmente pesado, com boas músicas e refrãos que ficam na cabeça, seja em "Crack in the System" e "Voices from the Past", essa com uma belíssima introdução. Curti o ritmo acelerado de "Samurai", a velocidade impressionante dos riffs de "Robot" e a sequência de notas trabalhadíssimas de "The Truth Is One". Em inevitáveis comparações com o Iron, "Blackmailer" até tem um ar de "Wasted Years" no seu início, mas é uma potência sonora com um excelente trabalho de guitarras de Jay Walsh e Nick Bermudez. Bom, quando ele realmente inventa de emular Iron Maiden, como em "At the End of the Day", e, principalmente, em "While You Were Gone", surge aquele medo de "Lá vem mais Em, C e D", mas não é bem isso o que acontece, já que é uma faixa arrastada e pesada que dificilmente o Iron criaria algo parecido, e a virada para a segunda metade é fantástica. E para mostrar que Blaze é um cara acima da média, as faixas longas mostram o valor de seus trabalhos de composição. Não tem como não se prender nas caixas de som com a fantástica "Smile Back at Death", as linhas orientais das escalas na enigmática "Serpent Hearted Man", ou com a pegada quebradora de pescoço de "Waiting for My Life to Begin" – muito bom esse batera Lawrence Paterson, falando nisso. Um balde de gelo na cabeça do Iron, e um belíssimo disco. Vou ter que começar a buscar a obra de Blaze para minhas prateleiras ...
Rodrigo: Um trabalho surpreendente e ao mesmo tempo emocionante, por tudo o que aconteceu na vida de Blaze durante e após as gravações desse álbum. Blaze é um compositor competente e isso se reflete em pérolas como a faixa-título, em que Blaze brada “eu sou o homem que nunca irá morrer!”. Praticamente uma sessão de terapia com ele tentando curar a dor de perder a esposa diante do mundo.
Ulisses: A primeira leva de álbuns solo do ex-Iron Maiden – ainda sob o nome de Blaze – teve boa recepção de crítica e nem tanto de público, embora problemas financeiros e de gerenciamento rondassem a vida do cantor, que ainda lidava com alcoolismo e depressão, fatos que ficaram marcados mais profundamente ali pela época de Blood & Belief (2004). As coisas começaram a melhorar para o careca quando ele finalmente se casou com Debbie Hartland, que passou a administrar tanto sua vida quanto a nova banda que Blaze montou (com os irmãos colombianos Nico e David Bermudez na guitarra e no baixo, o batera Lawrence Paterson e o segundo guitarrista, Jay Walsh). Juntos, gravaram o que parece ser uma espécie de segundo renascimento da carreira de Bayley, com um som mais rápido, pesado e moderno, além de um conteúdo lírico catártico e vingativo, e que fora potencializado com a internação de Debbie em julho de 2008 (um dia após o lançamento do álbum) e sua morte em setembro. Faixas como "Blackmailer", "Smile Back at Death", "Voices From the Past" e a faixa-título são petardos inesquecíveis, fazendo da audição algo memorável e muito mais intenso do que o que os fãs do careca estavam acostumados – Blaze realmente não morrera!

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Mötley Crüe - Saints of Los Angeles (36 pontos)
Alissön: Só vale a pena para quem é fã, pois é uma espécie de encerramento da carreira criativa do Mötley Crüe. Não sendo o seu caso, passe longe, pois será uma experiência insípida.
André: Bom disco do Crüe. Os caras começam muito bem com "Face Down in the Dirt", pena que não mantêm o nível ou este seria um dos melhores álbuns deles. A pegada vai naquele sleaze bem sujo, típico dos anos 1980, e seguem nele do início ao fim. Não há aquele momento em que "a criatividade rola solta" mas é um bom álbum para fechar a carreira deles sem uma impressão ruim, visto que juraram que não farão mais nada após esta última tour que acabou recentemente.
Bernardo: Metallica, Whitesnake, Guns N' Roses, Mötley Crüe. Isso aqui é uma lista de 2008 ou 1988? Bom, um mais do mesmo. Ouça só se você realmente quer acreditar que não se faz nada mais interessante além da mesma farofada enjoativa que deu o último respiro criativo lá atrás, no disco com John Corabi, e desde então só faz cumprir contrato com os fãs.
Christiano: Um bom disco de hard rock. “What’s It Gonna Take”, “The Animal In Me” e “Just Another Psycho” agradarão os fãs de hard rock oitentista. Vince Neil continua fazendo um bom trabalho, assim como toda a banda. Saints of Los Angeles soa como uma boa despedida, visto que foi o último disco do grupo.
Davi: O Mötley Crüe só pisou no tomate em Generation Swine (1997). Todos os outros álbuns deles são, no mínimo, bons. Saint of Los Angeles não foge à regra. Arriscaram aqui ao trazer um pouco daquela modernidade que experimentaram na época de “Afraid”, mas dessa vez sem descaracterizar o som da banda. Utilizaram os elementos como um complemento e não como a tônica da composição e deu certo. Guitarra sujona, Tommy Lee arrebentando, como de costume, além dos vocais característicos de Vince Neil. Trouxeram a festa de Los Angeles para os anos 2000. Ataque o som no talo, chame umas putas e divirta-se ao som de canções classudas como “Down at the Whiskey”, “Just Another Psycho”, além da faixa-título, que traz um riff inicial que remete bastante à fase de ouro da banda.
Diogo: Gosto muito do Mötley Crüe, mas tenho consciência de que a banda fez apenas quatro grandes discos: Too Fast for Love (1981), Shout at the Devil (1983), Dr. Feelgood (1988) e Mötley Crüe (1994). De resto, há várias boas canções em meio a discos medianos, no máximo bons. Este é um caso de bom disco, com algumas canções memoráveis ("Face Down in the Dirt", "Mutherfucker of the Year", "Goin' Out Swingin'" e a faixa-título) e outras bem menos atraentes. O que eu mais gosto em Saints of Los Angeles é de seu tom autobiográfico, cujas letras fazem com que se trate praticamente de um álbum conceitual, mas sem os aspectos negativos que esse tipo de obra pode ter. Quem acompanha a série e tem boa memória vai lembrar que citei The Heroin Diaries Soundtrack (2007), do Sixx:A.M., na edição passada, e reparar que não citei Saints of Los Angeles por aqui. O porquê é simples: o Sixx:A.M. tornou-se mais relevante que o Crüe, um veículo mais apto a colocar em prática as ideias de Nikki Sixx, inegavelmente um bom compositor. Claro que os bons riffs de Mick Mars fazem falta, assim como a pegada do grande Tommy Lee, e eu gostaria muito de ter tido a oportunidade de vê-los ao vivo, mas a despedida soou adequada. Muito melhor encerrar a carreira com Saints of Los Angeles do que com New Tattoo (2000), que, apesar de legal, soa como um disco de uma banda que perdeu por completo a pujança do passado. Mötley Crüe sem ser metido a besta não é Mötley Crüe.
Fernando: Depois de duas bombas e um período de muita confusão interna, o Mötley Crüe apareceu, do nada, com Saint of Los Angeles. Não esperava nada quando ouvi e talvez por isso tenha gostado. Pode ser em razão da época de gravação, mas o peso dele é maior do que qualquer outro da banda.
Flavio: O Mötley Crüe talvez lançando o seu último disco visa manter o hard/glam rock tradicional de sua carreira, com boa competência. A presença de DJ Ashba como coprodutor e cocompositor em grande parte das músicas dá um pouco de "frescor" à banda, fazendo de Saints of Los Angeles um disco com boas canções.  Não é um trabalho de destaque, o vejo muito longe de um álbum como Shout at the Devil, mas traz um bom peso, soa espontâneo e coeso, traduzindo a essência da banda, e tendo Los Angeles como pano de fundo para o tema principal de suas letras. Como destaques, indico "What's It Gonna Take", a faixa-título (a melhor) e "Motherfucker of the Year".  Havia coisa melhor em 2008, mas Saint of Los Angeles não compromete e está bem indicado aqui na lista.
João Renato: Esperei muito deste disco. Talvez por isso tenha me decepcionado um pouco. Não é ruim, mas falta algo. Ouço ele inteiro e lembro de pouca coisa quando termina. A situação da grande banda que vai se desintegrando aos poucos e, quando se dão conta, cada músico está em uma vibe distinta.
Mairon: O disco que marcou o retorno da formação clássica do Crüe entre os dez mais, que surpresa. Bom, tirando a ironia de lado, aqui o quarteto fantástico Mick Mars, Vince Neil, Nikki Sixx e Tommy Lee faz um álbum pesado, bem diferente daquilo que os consagraram nos anos 1980, e muito modernoso, se aproximando mais do Sixx A.M. do que do próprio Crüe, o que se deve principalmente à parceria com James Michael e DJ Ashba, vocalista e guitarrista, respectivamente, da banda de Sixx. Ouvir faixas como "Down at the Whisky" me causa muita tristeza em saber que essa é a mesma banda que gravou antologias como Girls Girls Girls (1987), Theatre of Pain (1985) e Dr. Feelgood. Bem honestamente, tirando a guitarra de Mars, que dá um banho em "Mutherfucker of the Year", na divertidíssima "Chicks = Trouble", e do ritmo puxado em "Goin' Out Swingin'", bem como a viajante "Welcome to the Machine", o resto chega a ser melancólico. Não por acaso, as canções com nomes mais inteligentes são as melhores para quem é fã dos primeiros álbuns. Entrou pelo fanatismo, pois não merece estar entre os dez mais.
Rodrigo: Nada contra o Mötley Crue, mas 2008 teve álbuns melhores que poderiam ter entrado nessa lista.
Ulisses: Hard rock mais bobinho e desinteressante que eu já ouvi. Caia fora dessa.

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Portishead - Third (31 pontos)
Alissön: O disco que salvou a lista de ser um amontoado de irrelevância é um atestado intimista e intrigante do poder da música eletrônica. Passando pelo mistério de suas estruturas musicais e a estranha "Regra dos 3" (confesso que, quando ouvi este álbum pela primeira vez, fiquei meio bolado), Third é um disco estupendo  em sua introspecção e encantador por sua riqueza sonora.
André: Caras, estranhei logo no início e não sei se foi o mesmo com vocês. Eu cliquei e começou umas falas em português. Achei que era propaganda do YouTube e voltei. Comecei de novo e novamente aquelas falas. Fiz umas três vezes para daí perceber que é parte do álbum... Enfim. Tenho o maior respeito pelo Portishead e seu trip hop, inclusive conheço seu maior hit, "Glory Box". Neste disco, parece que eles usaram a experimentação acima de tudo, lembrando-me aquelas bandas alemãs de krautrock dos anos 1970. A sonoridade passa várias sensações, desde tranquilidade até melancolia e uma coisa meio lisérgica. Marco Gaspari é um que deveria ouvir este disco. E aposto minhas fichas que ele iria adorar.
Bernardo: Até hoje, o Portishead só lançou três discos. Todos maravilhosos, equilibrando de forma delicada, e com grandes composições, o pop barroco, a eletrônica, o folk, o rock, o trip hop e o industrial... Uma banda que traduziu de maneira perfeita o paradoxo dos anos 2000, confuso entre "soar como antigamente" e "mirar para frente". Third é o "menos bom", mas ainda assim é maravilhosamente insano, atmosférico e inusitado em sua construção, com a voz suave e ao mesmo tempo intensa de Beth Gibbons, que sabe soar doce e raivosa, sempre nos acertando de jeito. Ouça "Plastic" e "Machine Gun" como uma amostra e depois caia de cabeça. Para terminar fascinado.
Christiano: Se pensarmos que o Portishead foi um dos principais nomes do trip hop, é meio estranho notar que lançaram somente três discos de estúdio, sendo que o último, Third, saiu mais que dez anos após o segundo álbum. Mas gravar um álbum depois de tanto tempo tem suas vantagens. Uma delas é a ausência de pressão para produzir a qualquer custo. Por isso, fica a impressão de que só gravariam o que realmente julgassem relevante. E é justamente isso que temos em Third. Um disco bastante experimental, meio estranho até, que exige algum tempo para ser assimilado. De maneira alguma repetiram o que já haviam feito em seus dois álbuns anteriores e, ainda assim, mantiveram sua identidade. “The Rip” é um bom exemplo disso. Essa música ganhou um videoclipe que, na época, chegou a rolar na MTV. Com certeza, um dos melhores discos do ano, mas que exige boa vontade para ser assimilado.
Davi: Beth Gibbons estava sonolenta, mas não conseguia cair naquele sono profundo que tanto desejava. Resolveu levantar da cama, dar um tempo e ir fazer algumas coisinhas. Brincou com barulhinhos no seu teclado Casio, jogou Pacman no seu Atari empoeirado, enquanto isso ficava tentando criar umas linhas vocais para mostrar no próximo ensaio. Por um acaso, isso acabou sendo gravado. Algum infeliz encontrou o registro e achou que tinha um disco em mãos. Pronto, Beth, já pode ir dormir. Basta dar o play que você dormirá por hooooras e hooooras...
Diogo: Sempre trato com o maior respeito possível todos os artistas que dão as caras nesta série, não importando meu conhecimento ou desconhecimento prévio. Fazer diferente seria desrespeitar a inteligência dos meus colegas que se dispõem a participar deste processo. Não raro, inclusive, surpreendo-me com a qualidade de alguns citados dos quais não esperava muito, como ocorreu com o Arcade Fire, na edição passada. Desta vez, porém, não tenho nada de muito bom para dizer a respeito de Third, do Portishead. Tirando a faixa "Small", pouquíssima coisa despertou meu interesse. Talvez se o vocal de Beth Gibbons ficasse em segundo plano mais vezes, como na canção citada, o disco tivesse mais atrativos, pois é ele o elemento que mais incomoda ao longo do tracklist. Desculpa, pessoal, mas desta vez não deu mesmo.
Fernando: Toda vez que recebo o resultado de cada edição, dou uma passada de olhos e vejo aqueles discos que vou ter que escutar de novo e aqueles que nunca ouvi. Os que nunca ouvi deixo por último. Nessas últimas edições, esses últimos sempre são algo na linha do hip hop, rap e coisas do tipo. Dá uma preguiça... Começa com um cara falando em português mesmo? Tive que procurar para confirmar se eram brasileiros, mas são britânicos. Favor explicar isso aí pra mim. Porém, achei bem melhor do que esperava. A música nos passa a sensação de enclausuramento (não sei se essa é a melhor palavra), como se estivesse ouvindo o som em um quarto fechado, sem luz e apenas com um colchão jogado no chão...
Flavio: Em alguma outra edição da série, indiquei que tinha muita dificuldade de perceber o rock alternativo e suas vertentes com "genial" ou "admirável" da maneira que vejo outras pessoas fazerem. Neste terceiro disco do Portishead, encontro todos os elementos que me fazem não distinguir estas características. Canções monótonas, com excesso de repetições em todos os instrumentos, e é notavel a aproximação dos anos 1970 em 2008, com uso dos sintetizadores, guitarras com timbres bem característicos da época. O vocal de Beth Gibbons, tido como "extraordinário" por várias resenhas, me parece fraco, limitado, até oscilante em afinação, realmente nada que me interesse. Ao ver que a "banda" tem três integrantes, e um pseudointegrante (engenheiro produtor), fiquei pensando como esses três conseguiriam reproduzir (mesmo com algumas limitações) o som deste Third ao vivo.  A resposta (novamente óbvia) é que "vem gente de todo o lado" (inclusive no disco) pra ajudar, o que também não me agrada. Mas o importante aqui é o disco, não é?  Ok, é o disco, o disco é chato, fraco, repetitivo, lento. Em resumo: não vi nada de bom.  Não destaco nada em nenhuma das 11 canções  Passo, passo, passo e pseudopasso.
João Renato: Em português, seria considerada a perfeita junção do rock psicodélico setentista com a sofrência.
Mairon: O que que é isso? Meu Deus, de onde tiraram isso? Disco estranhíssimo, e inacreditável que foi um sucesso no Reino Unido e nos Estados Unidos, ou pior, em boa parte do mundo. Poucos são os momentos que consegui apreciar (uma que outra passagem de "Hunter" e "Machine Gun", o dedilhado da introdução de "The Rip" e a curtinha "Deep Water") em um disco muito, mas muito difícil de se escutar. Não tem ritmo, não tem melodias marcantes, é só a voz sofrida de uma vocalista desafinada e instrumentos eletrônicos aqui e acolá. Disco pra doidos, é o que posso dizer, ou eu é que sou doido de não entender isso daqui.
Rodrigo: Mais uma banda na lista cujo trabalho eu efetivamente não conhecia, apenas tinha ciência da banda. Após ouvir o álbum, devo dizer que, infelizmente, continuarei não sendo um entusiasta do trabalho do grupo britânico.
Ulisses: Entrando pela "cota alternativa" da série, Third procura criar um clima tenso e tem um approach experimental. A parte instrumental é atmosférica e, em alguns momentos, intrigante, procurando tragar o ouvinte em uma hipnose de melodias diversas e esquisitinhas, mas não o suficiente para se salvar de seu aspecto, ultimamente, tedioso.

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Beardfish - Sleeping in Traffic: Part Two (28 pontos)
Alissön: Aqui tem de tudo para quem é fã de prog sinfônico. Longas passagens instrumentais, ambientação, nuances viajantes, teclados e execução cirúrgica. A única coisa que falta, e a mais importante, é qualidade e identidade. Fora isso, está tudo em seu devido lugar.
André: Já gostava do Beardfish por já ter escutado o ótimo disco Destined Solitaire (2009), mas este aqui é simplesmente fantástico. O instrumental deste disco é simplesmente perfeito. Instigante, bonito, animado, bem tocado e de um bom gosto sem igual. Lindos solos de hammond e de moog, baixo debulhando, efeito wah wah da guitarra, bateria variada... É cada minuto de faixa uma surpresa diferente. Às vezes vem uma guitarra mais pesada, às vezes uma calmaria reflexiva típica do prog setentista, às vezes uma linha instrumental meio cômica como "Cashflow". Se eu conhecesse, teria votado nele em alta posição. Um dos melhores discos de progressivo dessa década, sem dúvida nenhuma. Vou ouvi-lo muito ainda nesta vida. Por essas e outras que eu adoro participar desta série: talvez este disco pudesse ter me passado batido durante muito tempo ainda. Aos consultores que votaram nele, meus parabéns, vocês têm um bom gosto do caralho.
Bernardo: Eu entendo o que agrada o pessoal: é tocado com maestria e chega a lembrar o Genesis em seus melhores momentos, alternando entre paisagens sonoras e momentos mais diretos e pesados. Mas ainda faltou uma "substância", algo além da virtuose.
Christiano: O rock progressivo é amado por alguns, odiado por muitos. Mas isso não impede que o estilo continue a produzir ótimas bandas de tempos em tempos. O Beardfish é um desses casos. O que temos aqui é uma adaptação da linguagem clássica dos gigantes do estilo para o século XXI: seja pela timbragem dos instrumentos, os vocais de Rikard Sjöblom ou mesmo por algumas pitadas de indie rock aqui e ali, os rapazes conseguiram gravar algo próximo de um clássico do estilo sem soarem deslocados da contemporaneidade, e isso é muita coisa. Logo em “Into the Night”, que abre o disco, fica claro que não se trata de apenas mais uma banda progressiva em pleno 2008, pois momentos de grande elaboração musical coexistem com melodias extremamente agradáveis. A instrumental “Cashflow” mostra que os meninos são admiradores do Gentle Giant. “The Downward Spiral/Chimay” talvez seja o momento mais sublime de todo o disco, que mereceu ter entrado nesta lista.
Davi: Não conhecia essa banda e gostei bastante. Como estou descobrindo agora, não sei dizer se ele é melhor ou pior do que a parte 1, mas o álbum é excelente. Ótimos músicos, excelente trabalho de teclado, composições fortes, vocal de acordo com o estilo praticado pelos músicos. Trabalho muito bem desenvolvido. A banda apostava – sim, já foram para o espaço – em um rock progressivo com bastante influência de Genesis da fase Peter Gabriel, Gentle Giant e Emerson, Lake & Palmer. Se você curte um som com essa pegada, pode ir sem medo de ser feliz. Faixas preferidas: “The Hunter” e “Sleeping in Traffic”.
Diogo: Tanto o Mairon insistiu em incensar a banda que ela acabou dando as caras por aqui. Não vou negar: o disco é bom. Trata-se de músicos que se inspiraram nos melhores e sabem traduzir essas influências em boa música, com grande esmero nos arranjos e na execução. Genesis, ELP, Gentle Giant... essas são as influências mais óbvias, mas certamente há muitas mais, pois fica evidente que estamos lidando com pesquisadores do prog, apaixonados pelo que fazem e capazes de levar adiante seu legado. A época é diferente, o cenário idem e, convenhamos, não há todo o brilho dos artistas citados (seria impossível, certo?), mas o Beardfish faz muito melhor que todas as bandas com evidentes influências da era de ouro do prog que surgiram de 20 (30?) anos para cá. No meu entendimento, um álbum longo e com tantas nuances quanto este merece mais audições para que eu teça comentários mais detalhados, então por ora, limito-me a afirmar que gostei da indicação. O álbum é bom e o grupo é muito talentoso. Além disso, a produção é condizente com o estilo, destacando cada instrumento, inclusive o baixo, muito bem tocado por Robert Hansen.
Fernando: Conheci essa banda meio por acaso e acabei comprando o novo CD deles, que já achei ótimo. Quando fui ver, descobri que eles já eram uma banda estabelecida, com vários discos, sendo que essa dupla intitulada Sleeping in Traffic eram os pontos altos. Em algumas passagens lembra-me o Genesis, mas outras já a colocam no mesmo pote de bandas mais atuais, como Spock's Beard. Pena que não os conheci antes.
Flavio: Aqui sim! Opa! Destaquei aqui e vou repetir (desculpem, de novo): o melhor de fazer parte desta série é quando nos deparamos com um álbum como este.  Os elementos que aprecio estão todos reunidos: vocal bem feito, duplicado e bem harmonioso em grande parte do disco, alternando partes mais sutis e mais pesadas; instrumental bem valorizado, alternância de ritmos, as tais "odd time signatures". E há espaço para tudo aqui, tanto o uso de guitarra mais clássica (Yes, Genesis e até Beatles em sua fase final), quanto momentos mais modernos (com uso de hammer-ons e licks mais caracteristicos dos anos 1990/2000). A cozinha é muito bem executada, o baixo realmente participa, trazendo harmonia e complementos para o instrumental, não só permanecendo em uma base reduzida. Enfim, um trabalho coeso, de muito bom gosto, no estilo progressivo bem aproximado do clásssico e que me agrada e muito. Uma pena que a banda parece ter se dissolvido recentemente. E há ainda a referência a "Stayin' Alive" (Bee Gees) na faixa-título, genial... Apesar de gostar muito da lista que fiz, entendo que o trabalho do Beardfish é bem indicado para esta edição.
João Renato: Tem umas boas trilhas para o Telecurso 2000 aqui. Sério, não é sacanear, algumas parecem mesmo, até porque já fiz trabalhos para tevês educativas e até pensei em passagens que poderia usar. Sobre o trabalho, para quem gosta, deve ser muito bom. De minha parte, dormiria no tráfego e acabaria morrendo. Mas o cara lembra o Phil Collins cantando...
Mairon: Aqui está a segunda parte da viagem musical criada pelo tecladista, vocalista, guitarrista e faz tudo Rikard Sjöblom, que resolveu narrar as 24 horas no dia de um ser humano. Os suecos já haviam criado um grande álbum conceitual (The Sane Day) em 2005, e aquele disco, lançado no formato duplo (segundo da carreira da banda), causou rebuliço entre os admiradores do progressivo. Sleeping também estava previsto para ser duplo, mas as dificuldades no término da segunda parte da história ocasionaram a fissão dos lançamentos, com a primeira parte narrando as primeiras 12 horas, e a segunda – e melhor – narrando as últimas 12 horas, que vão do pôr do sol até o início da manhã. Musicalmente, o Beardfish estava afiado com suas influências de Frank Zappa, Gentle Giant (esses dois as principais referências da banda segundo os próprios integrantes), Yes e King Crimson, mostrando uma maturidade incrível que liquidificou esses – e muitos outros – nomes em uma sopa apimentada e inovadora, com uma criação inédita até então, que os destacam dos demais grupos de sua geração, sempre com uma novidade e surpresas para quem ouve a banda pela primeira vez. Ouvir este álbum é ser levado por uma séria de lembranças musicais que irão lhe dirigir para um monte de referências, mas tudo soando como inédito, e predominando o incrível e descomunal talento de Sjöblom. Começando exatamente do término da parte 1, com a sequência de notas no piano da vinheta "As the Sun Sets", o álbum mergulha na noite em "Into the Night", com os teclados de Sjöblom sendo o centro das atenções, em uma faixa muito trabalhada e que levanta os ouvidos com certeza, com referências explícitas para Jethro Tull, Zappa, Yes, Focus, Uriah Heep, além das passagens intrincadas em que o quarteto faz misérias. "The Hunter" eleva o baixo de Robert Hansen sobre as caixas de som, e começamos a ser hipnotizados pela magistral criação instrumental que os suecos estão nos propiciando, sendo que o solo de órgão é qualquer coisa acima do sobrenatural de tão encantador. Com "South of the Border", a diversão torna-se garantida, sendo uma passagem hilária entre as 24 horas do personagem central, que deve ter feito Mr. Zappa aplaudir de pé dos rincões do paraíso. Quem ouve "Cashflow" e não reconhece as claríssimas fontes gentlegiantianas que brotam é porque desconhece as canções do gigante gentil; só que, ainda assim, muito original, principalmente porque o acordeão é um dos instrumentos-chave dessa canção, enquanto a dupla "The Downward Spiral/Chimay", trazendo mais citações ao Gentle Giant, dessa vez para as magistrais sequências de duelo de violão entre Gary Green e Ray Shulman, primordialmente resgatadas pelos suecos, além de uma pitada de Yes fase Drama (1980) em seu encerramento, é uma viagem musical de preparação para o êxtase da madrugada, que está embutida na incrível, maravilhosa e longa faixa-título. Uma das primeiras criações de Sjöblom (a canção foi criada em 2002, sendo que a banda teve seu primeiro lançamento em 2003), ela era uma faixa tradicional nas apresentações do grupo, mas demorou seis anos para ser registrada (praticamente ao vivo) em estúdio. Poderia ser interpretado como uma presunção e pomposidade fazer uma faixa de 35 minutos, mas bah, sinceramente, QUE FAIXA. Não vou comentar muito sobre ela (baita introdução, riff poderosíssimo, letra sensacional, mudanças inacreditáveis), apenas digo: OUÇA!! Encerrando, nasce o dia em "Sunrise Again", e aí voltamos para a parte 1, em um ciclo que se repete em audições inevitáveis, já que os dois álbuns são fantásticos. Ok, me passei, mas este álbum merece, pois é um discaço, e confesso, fazia horas que não ficava tão feliz em ver um álbum em uma edição da série. Ouça sem preconceito, você curtirá e muito!
Rodrigo: Um dos motivos pelos quais eu mais gosto de participar desta série é que eu sempre acabo descobrindo coisas novas, que não conhecia. Caso do Beardfish e deste álbum. Tendo dito isso, obviamente não vou me ater a fazer comentários elaborados sobre algo que acabei de conhecer, mas o que posso dizer é que gostei bastante do álbum e da banda. Definitivamente, correrei atrás para conhecer a discografia do grupo.
Ulisses: Um exemplar razoável de rock progressivo sinfônico. Gostei, em especial, dos riffs setentistas de "South of the Border" e do conteúdo lírico meio debochado. Porém, no geral, quando chega o momento em que determinada faixa vai engatar, termina por se perder em firulas prog que nada acrescentam à audição. Tem seus bons momentos, mas nada de outro mundo.

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Slipknot - All Hope Is Gone (28 pontos)
Alissön: Sou fã do Slipknot, mas esta empreitada dos caras por sons mais técnicos, mais comportados e influenciados mais efetivamente pelo thrash metal passam longe de representar a capacidade criativa real do Slipknot. O disco flutua entre ótimas composições criativas e outras em que a inspiração faltou e o resultado mais se assemelha a uma sobra do Stone Sour.
André: Como eu gostaria que Corey Taylor cantasse apenas com a voz urrada. Se encaixa perfeitamente na sonoridade caótica deles. Quando utiliza aquele vocal limpo "pop" me dá um certo desânimo. No mais, o instrumental é bom, mas as composições ficaram devendo comparadas com os dois primeiros discos. Apesar de "Psychosocial" copiar (não sei se é intencional) o riff principal de "Something Wicked this Way Comes", do Nuclear Assault, a faixa ainda é a melhor do CD. Como já havia comentado antes, é uma boa banda, só não rolou os gostos deles com os meus.
Bernardo: Depois de surgir no manancial do nu metal em Slipknot (1999), destacar-se pelo peso e intensidade em Iowa (2001) e mostrar amadurecimento e versatilidade em Vol. 3: The Subliminal Verses (2004), o Slipknot de All Hope is Gone já era uma banda amadurecida, que não precisava provar mais nada a ninguém. Sim, era possível misturar metal extremo e eletrônica pesada, vocal rapeado com vocal gutural e fazer música muito boa. Agora eles não eram mais promessa ou curiosidade, mas uma banda grande, headliner de festivais, lançando um álbum que é uma porrada na orelha, mas que também se sai bem pisando no freio e também quando aposta em atmosfera sombria e amargurada – "Psychosocial", "Dead Memories" e "Gehenna" atestam o que estou falando.
Christiano: Essa banda sempre me pareceu uma tentativa de fazer metal pesado para playboys. Neste disco, isso ficou ainda mais evidente: guitarras pesadas, bateria veloz, vocal meio gutural, mas que tem lá seus momentos de Creed. No fim das contas, a mesma chatice de sempre.
Davi: Depois do razoável Subliminal Verses, o Slipknot voltava à boa forma em seu quarto álbum. Corey Taylor continuava mesclando vocal limpo com agressivo, conforme esperado, enquanto a banda voltava à porradaria usual. O trabalho de bateria de Joey Jordison neste álbum é simplesmente destruidor. “Psychosocial”, “Vendetta”, “Dead Memories”, “Gematria” e “Sulfur” são os grandes destaques.
Diogo: Este é o álbum do Slipknot que eu indicaria para pessoas que não têm muita simpatia pela banda, especialmente aqueles que ainda guardam ranço com o nu metal e o fato da banda já ter sido associada a esse subestilo. Digo isso pois julgo All Hope Is Gone como o disco mais "convencional" em se tratando daquilo que se espera de uma banda de heavy metal mais tradicional, se é que se pode dizer algo assim do Slipknot. Além do uso de percussões estar mais discreto, de haver mais solos de guitarra em evidência e de Joey Jordison oferecer uma grande performance, estão mais evidentes as influências de thrash metal, além de alguns lampejos death (parte de "Vendetta" parece com algo que o Morbid Angel faria em sua fase com Steve Tucker) e até doom (como na arrastada "Gehenna", um dos destaques). Consigo imaginar pessoas batendo cabeça com a rifferama inicial de "This Cold Black" e logo depois mudando de postura ao perceber que é Corey Taylor urrando nos vocais. O fato de um álbum como este ter ocupado o primeiro posto da Billboard é mais um para a longa lista de méritos do Slipknot; entre eles também está a capacidade de compor músicas cativantes, equilibrando extremismo e melodia, como "Gematria (The Killing Name", "Sulfur" e "Psychosocial", três petardos que se somam a uma longa lista construída ao longo de apenas cinco discos. "Snuff", maior sucesso extraído do álbum, é uma boa balada, mas nessa seara mais comercial, a melhor canção é "Dead Memories".
Fernando: Quem diz que Kamelot e Nightwish aparecem em todas as listas se esquece que todos os discos do Slipknot já apareceram aqui. Seria pra tanto?
Flavio: Realmente, o Slipknot deu uma mudada neste quarto disco. O som está um pouco mais marcado, bem construído, mais harmônico, acredito que há elementos de thrash progressivo, principalmente nas primeiras músicas, também senti um pouco menos de uso de afinações baixas e até da redução da marcação percussiva "olodum metal" ou mesmo de momentos mais "doom/heavy metal ("Gehenna"). Tudo muito legal,  mas os elementos marcantes da banda estão presentes, aí que a coisa pega, pois me desculpem, não consigo suportar os momentos extreme metal, com o vocal gritado que predomina na bolacha toda. Na terceira música, "Sulfur", um dos singles, bem no refrão, Corey Taylor abandona a gritaria e resolve cantar, o que me deu uma esperança para o resto do álbum. Ao perceber que essas pitadas de vocal mais "normal" ficariam apenas em poucos momentos do disco (alguns segmentos de refrão de algumas músicas – "Butcher's Hook", "Gehenna", "Wherein Lies Continue") e é apenas mantido na boa balada "Snuff" e nas faixas-bônus (nem sei se considero isso). Enfim, que decepção. Para terminar, a insuportável faixa-título. Realmente, não dá para gostar do disco; apesar de alguma mudança, neste aqui toda esperança se foi...
João Renato: O disco do Slipknot que, até hoje, não consigo desfrutar. Assimilo algumas músicas, mas não consigo apreciar o conjunto da obra. O que menos curto da carreira deles. De qualquer forma, vender mais de 1 milhão de cópias no cenário que, em 2008, era até pior que o atual, é um feito e tanto.
Mairon: Não sabia que o grupo tinha taaaanto prestígio aqui na Consultoria. Afinal, este é o quarto disco deles a entrar na série, sendo que este é exatamente o quarto álbum da banda. O disco até começa surpreendendo, ou vai dizer que "Gematria (The Killing Name)" não te causa uma sensação de "Quê? O Slipknot resolveu tocar de verdade agora?". O batera 1 é o grande centro das atenções, tocando muito bem, e até que gostei do disco no geral. Destacar mais faixas é complicado, porque todas têm o mesmo nível, mas uma que está um pouco acima das demais é a arrastadíssima e surpreendente "Gehenna". Por outro lado, apenas cito que, quando eles inventam de fazer um som mais moderno, principalmente em "Psychosocial" e a baladinha "Snuff", a banda fica muito comum, e aí não dá de gostar, assim como um vocal que outro aqui, e uns eletrônicos mal encaixados por ali me fizeram ter alguns segundos de desprezo, mas nada de mais. Bom disco, não para os dez melhores de 2008, mas talvez seja o melhor álbum do grupo entre os quatro que entraram até agora.
Rodrigo: O Slipknot para ser ruim precisa melhorar bastante.
Ulisses: A balada emo "Snuff" é, claro, completamente descartável (embora, se bem me lembro, seja o single de maior vendagem da banda), mas o restante de All Hope Is Gone tem um direcionamento similar ao do álbum antecessor, explorando melodias, influências de thrash metal e abrindo um pouco mais de espaço para solos de guitarra. Apesar de ser o disco que menos curto do grupo, ele tem várias ótimas e pesadas faixas, com destaque para a matadora tríade de abertura: "Gematria (The Killing Name)", "Sulfur" e "Psychosocial".

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Guns N' Roses - Chinese Democracy (28 pontos)
Alissön: Nem vale a pena comentar.
André: Quinze longos anos para lançarem isto. Preciso acrescentar algo mais?
Bernardo: Apesar de gostar de outros discos do Guns, sempre achei Chinese Democracy um álbum mais marketing do que música. Enrolou pra cacete pra lançar, prometeu mundos e fundos, pôs tudo na conta do "perfeccionismo"... Para no final ser um álbum medíocre, que soa quase paródico quando tenta ser "moderno", hiperproduzido até o limite do artificial e cheio de composições fraquíssimas. Um pálido fantasma que tenta de todo o jeito recuperar a grandeza que teve por quatro anos, entre 1987-91.
Christiano: O famoso disco que demorou mais de 20 anos para ficar pronto. Fruto da carreira solo de Axl Rose vendida com o rótulo de sua antiga banda, Chinese Democracy tentou ser moderno ao incorporar alguns elementos de nu metal, tentou ser meio industrial e hard rock, mas, infelizmente, só conseguiu mostrar quão lunático é seu idealizador, um megalomaníaco de voz irritante e ego gigantesco. Um vexame.
Davi: O tão aguardado e tão odiado álbum de Axl Rose. Não considero este disco uma obra prima, mas também não acho o álbum abominável como gostam de pintar por aí. Considero-o um bom trabalho. Muitos torcem o nariz por conta dos elementos eletrônicos inseridos no disco. Não tenho nenhum problema com isso quando é bem feito, como é o caso aqui. O álbum possui alguns ótimos momentos como “Chinese Democracy”, “Better” (excelente faixa, por sinal), “There Was a Time”, “I.R.S.”, “Madagascar” e “This I Love”. Há, sim, alguns fillers, mas nada que seja abominável. Se você não estiver esperando um Appetite Part 2 ou um Illusion III, pode ser que você se divirta.
Diogo: Creio que nunca, jamais houve um disco tão criticado por pessoas que sequer se deram ao trabalho de ouvi-lo. É verdade que a espera foi longa e isso gerou um clima de impaciência é até mesmo de irritação entre aqueles que tinham um mínimo interesse no grupo, mas isso não chega a justificar toda a má vontade com que Chinese Democracy foi recebido. Eu, que vivia uma época com acesso bem limitado à internet, não dei muita bola para músicas vazadas e todas as especulações que cercavam o lançamento e seu acúmulo de atrasos. Recebi Chinese Democracy como quem recebe um álbum normal de uma banda da qual gosto muito, escutei-o com atenção e fui cativado por sua personalidade e por algumas ótimas composições. Misturadas a elas estavam algumas bem mais fracas, mas isso não é o normal na maioria dos discos, inclusive nos melhores? Para manifestar minhas impressões, escrevi, há mais de cinco anos, uma edição da seção "Discos que Parece que Só Eu Gosto" abordando esta obra e indiquei os motivos pelos quais Chinese Democracy é digno de elogios. Quem quiser saber mais detalhes a respeito, pode clicar no link e conhecê-los. Por aqui, digo que as qualidades superam, de longe, os defeitos que o álbum tem. Se por um lado há canções pouco memoráveis, como "Scraped" e "I.R.S.", além de uma ou outra mais chatinha, caso de "If the World", por outro há faixas como "Better", "Street of Dreams" e aquela que dá título ao álbum, músicas que me cativaram desde a primeira audição. A trinca final ("Madagascar", "This I Love" e "Prostitute"), é ainda melhor, com destaque para a interpretação de Axl em "This I Love". Muito se apontou influências negativas relacionadas ao industrial e ao nu metal, supostamente presentes especialmente em "Shackler's Revenge", mas, pra mim, isso é algo bastante superestimado. Inclusive, músicas como essa, que atestam o fato de que a intenção não era repetir o passado (como a banda nunca fez), fazem com que meu respeito pela obra só aumente. Já me estendi demais, mas não posso deixar de citar: "There Was a Time" não é apenas a melhor canção do álbum, é uma das melhores em toda a carreira da banda. Estivesse em Use Your Illusion II (1991), seguiria sendo um dos grandes destaques ao lado de "Estranged", "Civil War" e "You Could Be Mine". Além do uso magnífico das orquestrações e de outros recursos que só percebemos ao longo de repetidas audições, os solos de guitarra feitos por Robin Finck e Buckethead são embasbacantes, certamente entre meus favoritos.
Fernando: Acredito que muita gente vai descer o cacete nesse disco injustamente e por puro preconceito, ao meu ver. Não chega aos pés do Appetite for Destruction (1987), não é tão bom quanto os dois Use Your Illusion (1991), mas é um disco bastante correto. Faixas mais fracas junto de faixas muito boas, como qualquer outro desta lista. O fato dele ter demorado anos e anos para ficar pronto pode afetar a opinião das pessoas, já que a expectativa atrapalha nesse caso.
Flavio: Um disco controverso, previsto para sair desde 2000 (ou até antes), Chinese Democracy cansou os fãs pela espera até a exaustão, finalmente sendo lançado em 2008. Em um álbum que pouco tem do Guns N' Roses original lá de 1987, o que é quase compreensível após tantos anos de ausência, há momentos bons e outros não tanto. Axl tentou modernizar o som, trazendo elementos de nu metal e eletronic rock, para o hard rock mais tradicional consagrado anteriormente e também verifica-se a presença de muitas baladas. Outro aspecto interessante é ver que a voz de Axl deu uma boa mudada, e há momentos em que o vocal originalmente ríspido fica suave, resultado da operação nas cordas vocais, fazendo a voz de Axl ficar mais "lisa". Avaliando as músicas e deixando de lado a comparação com o Guns original dá para destacar as boas "Better", a faixa-título, a baladinha "Madagascar" e "Scraped" (menos o início). Em compensação, há momentos bem ruins, como "If the World", "Riad N' the Bedouins", a insonsa Prostitute e o início de "Scraped". Apesar de "uns dez" ótimos guitarristas terem participado da bolacha, sinto falta de Slash trazendo o som para um estilo mais clássico. Enfim, há bons momentos que justificam o disco na lista, mas (para aqueles que ainda não ouviram) não esperem nada extraordinário.
João Renato: Não foi a tragédia que se anunciava, mas é difícil escutar de cabo a rabo sem dar umas trinta bocejadas. De qualquer modo, merece algum crédito por ter fugido do caminho seguro.
Mairon: O disco mais esperado de todos os tempos, um dos álbuns mais odiados de todos os tempos, e, para mostrar como esta série é sempre surpreendente, taí ele entre os dez melhores. Acho que houve muita injustiça com Chinese Democracy. Os fãs esperavam um Appetite for Destruction? Com certeza não. Um Use Your Illusion? Talvez. Mas o fato é que Axl Rose demorou tanto tempo para fazer este disco porque nem ele tinha noção do que seguir. O resultado é um álbum muito bom, que trouxe como destaque a participação mais do que fundamental de Buckethead, um guitarrista virtuoso que conseguiu superar sem muito problema a ausência de Slash. O disco tem canções esquecíveis, sim, como muitos têm ("Scraped" certamente é a pior faixa do Guns N' Roses e "I.R.S." é totalmente desnecessária), mas tem várias faixas boas e marcantes para quem presenciou o retorno da banda nos anos 2000, como "Sorry", "Madagascar" – com breve citação à introdução de "Civil War" – e a própria faixa-título, que já vinham sendo apresentadas há algum tempo (lembro de ouvir as duas últimas pela primeira vez no show do Rock in Rio de 2001!). Claro que a modernice eletrônica de "Shackler's Revenge" e "If the World" podem assustar quem é acostumado com "Welcome to the Jungle" e afins, mas mesmo essa parte mais moderna – que chegaram a comparar com Limp Bizkit e bandas do gênero – não é de toda ruim, principalmente em "Better", que logo virou presença marcante nos shows. Canções que passaram despercebidas na época do lançamento, muito mais por arrogância dos ouvidos do que por suas qualidades, hoje ganham status de preferidas dos fãs. Nisso se encaixam "There Was a Time", faixa pesada e bem trabalhada, com inserções de cordas e que facilmente poderia estar em Use Your Illusion II, contando com um belíssimo solo de guitarra de Robin Finck, a violenta "Riad N' the Bedouins", com uma agressiva bateria tomando conta das caixas de som, e "Prostitute", cujas cordas deram uma cara diferenciada para uma faixa do Guns. Além disso, temos a linda "Street of Dreams", uma irmãzinha mais faceira de "Breakdown", com Axl se sobressaindo ao piano, presente também na linda "This I Love", uma canção que quanto mais ouço, mais aprecio. Quem curte as megalomanias do início dos anos 1990, certamente saberá apreciar "Catcher in the Rye". Se o disco fosse um pouco mais curto, seria muito mais aplaudido, sem dúvidas, mas do jeito que foi lançado, com certeza é um dos melhores de 2008.
Rodrigo: Este álbum é um porre
Ulisses: Produzir um disco por mais de uma década não o fará melhor. Menos ainda quando isso de G'N'R não tinha nada; era apenas a banda solo do Axl mesmo. Mas, sendo justo, apesar de Chinese não chegar nem perto da qualidade dos clássicos da banda, ele tem seus momentos. A voz de Axl continua bastante competente e as guitarras são cativantes, ainda que as composições sejam ora esquisitas (tipo a moderninha "Shackler's Revenge"), ora descartáveis (tipo todas as baladas), tendo poucos momentos de qualidade inadulterada, como "Better", "If the World" e "Scraped". Mas é aquela coisa: por mais que a gente tente salvar, este é o tipo de disco que, penso, só entrou mesmo por causa do nome estampado na capa.

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Bigelf - Cheat the Gallows (27 pontos)**
Alissön: Entre um arremedo mal gravado de sons setentistas e o original, prefiro ir ouvir outra coisa, pois nem do prog sinfônico setentista eu sou fã. Passo.
André: Mais uma banda prog, desta vez com uma influência maior ainda da década setentista que o Beardfish. Outra característica notável é que tenho certeza que Damon Fox é fã de Jon Lord. A forma como ele toca o hammond lembra muito a do velho tecladista purpleano. A banda me parece uma fusão entre o experimentalismo de Bowie, o peso do Sabbath e do Purple e as viagens progressivas e psicodélicas do Pink Floyd e do Yes. E como essa mistureba toda saiu um disco bom. Faixas como "Blackball", "Hydra" e "Demon Queen of Spiders" são fascinantes.
Bernardo: Uma banda que pegou o melhor do rock dos anos 1960-70: é progressivo, é pesado, é acessível e é dramático/teatral. É bem divertido de ouvir – de momento em momento parece que estamos ouvindo uma versão menos brilhante de Black Sabbath, Deep Purple, Genesis ou Yes. Não que estejamos frente a frente com plagiadores descarados – os medalhões estão mais no campo da inspiração, e a banda tem bastante identidade, e pode surpreender bastante um desavisado.
Christiano: Em minha opinião, o melhor disco do Bigelf, exemplo de grande banda que nunca recebeu o devido reconhecimento. A abertura com “Gravest Show on Earth” dá uma ideia de todo o potencial dos caras: hard rock setentista, psicodelia, progressivo, órgão hammond e ótimos vocais. A união perfeita entre peso, melodia e loucura. “Money, It’s Pure Evil” é uma semibalada com refrão pegajoso que chega a lembrar alguma coisa entre Beatles e Deep Purple. “Counting Sheep” fecha o disco em grande estilo, com 11 minutos de musicalidade invejável e muitas variações. O melhor disco desta edição.
Davi: Tomei conhecimento dessa banda recentemente, por conta das indicações de uma edição da seção "Consultoria Recomenda". Confesso que fiquei bastante impressionado com o EP. Este álbum já me emocionou bem menos, mas ainda assim é um trabalho bacana. Os caras criaram um som super interessante mesclando hard rock, progressivo, psicodelia com um quê beatle. A influencia dos anos  1970 corre solta durante todo o play. Vou buscar ouvir mais algumas coisas desses caras...
Diogo: Empatado em todos os critérios possíveis com Nostradamus (Judas Priest), Cheat the Gallows foi escolhido pela maioria dos colaboradores, inclusive por mim, para ocupar o décimo lugar. Não que eu morra de amores por este álbum, até porque só fui ouvir a banda bem recentemente, é que Nostradamus é fraco mesmo, pedante em excesso. Na verdade, gostei mais do EP Closer to Doom (1996), indicado na mais recente edição da seção "Consultoria Recomenda", do que de Cheat the Gallows, que pende mais para o lado "cheesy" do rock progressivo, vide as características quase circenses de canções como "Gravest Show on Earth", "Blackball" e "Money, It's Pure Evil". Não são músicas ruins, mas também não são bem o que eu espero de uma banda assim. O Uriah Heep, por exemplo, que parece ser uma fortíssima inspiração para o grupo, soa como algo a ser levado bem mais a sério, mesmo em sua fase mais "mística". Quando a banda pisa no acelerador com mais força, como em "The Evils of Rock & Roll" e "Hydra" é que as coisas ficam bem mais interessantes. Gostaria de ouvir o vocal de Damon Fox com menos dobras e efeitos, pois parece que o cara não confia tanto em seu taco, por isso lança mão desses recursos o tempo todo.
Fernando: Já falamos do Bigelf há algumas semanas quando foi apresentado um EP do grupo. Cheat the Gallows tem músicas melhores que as do referido Closer to Doom, mas a diferença entre as primeiras músicas com as da metade para a frente são enormes e chega a cansar um pouco. O Bigelf é uma banda legal, com muitas músicas boas, mas que cansam um pouco depois de um tempo.
Flavio: Mais uma presença interessante, o Bigelf resgata o glam rock horror show e o rock progressivo dos anos 1970, com muita propriedade, em pleno 2008. Um pouco menos "straight" rock e aproximação ao clássico progressivo, em que as músicas trazem muito bom gosto, com ênfase na proposta temática e sem no entanto destaque ou abuso das "instrumentalidades". Vamos encontrar muitas referências na bolacha toda (Uriah Heep, Beatles, Pink Floyd, Alice Cooper, etc.) e realmente não tem nada de realmente novo por aqui.  Deixo claro que tal falta de novidade não diminui em nada a minha apreciação pelo álbum, com músicas de fácil digestão, bem produzidas e tocadas, e já há um clássico single: "Money, It's Pure Evil" ("...Money! It's pure evil! It changes, well it changes people! Yeah! Money, it's your best friend! Until it leads you, to bitter end..."), que talvez fosse consagrada como um grande hit nos anos 1970. Destaques: "Blackball", "The Game", "Money, It's Pure Evil", "The Gravest Show on Earth" e a mais progressiva "Counting Sheep".
João Renato: Rola um apito estilo mestre de bateria de escola de samba no começo da primeira faixa que ficou muito legal! O Bigelf é uma banda que merece atenção. Criativos, sabem juntar temas díspares e criar uma nova tensão a partir deles. Não é a melhor coisa do mundo, porém, tem valor inegável. Mas o disco que mais curto ainda é o primeiro, Money Machine (2000).
Mairon: Cheat the Gallows é o terceiro álbum dos netos do Black Sabbath, e com essa definição, você já sabe que ouvirá influências sabbáthicas comendo soltas. Mas aqui eles foram além, colocando os teclados na frente e criando tonalidades diferenciadas do Sabbath, que, apesar de se fazerem presentes, não são tão explícitas e predominantes assim. Com isso, o grupo acaba trazendo inspirações orientais em "Gravest Show on Earth" (e com uma já esperada inserção circense), adaptando-se aos anos 1990 em "Superstar" e criando um estilo próprio em "Hydra" – belo riff para pular da cadeira – e "Blackball", essa com uma surpreendente participação de um saxofone. Gostei do encerramento com os teclados em "The Evils of Rock & Roll", do piano e das cordas em "Race With Time", cordas essas presentes na modernosa "The Game", que me lembrou um pouco das músicas de Steven Wilson, mas não apreciei as vozes cheias de efeitos em "No Parachute" e, principalmente, "Money, It's Pure Evil", ambas baladas desnecessárias no conjunto de Cheat the Gallows. As cordas também são o destaque positivo na longa e pomposa "Counting Sheep", epopeia criada pelo líder da banda, Damon Fox, e que encerra um disco interessante, muito megalomaníaco, e, honestamente, inflado demais pelo próprio ego. Parodiando Chaves: "Preferia ter visto o disco do Judas" ...
Rodrigo: O meu conhecimento dessa banda se resume à vez em que os assisti abrindo um show do Dream Theater, em 2010. Confesso que não me causou espécie na hora, impressão essa que confirmei novamente quando parei para ouvir o álbum que entrou nesta lista.
Ulisses: Na disputa pelo décimo lugar (Cheat the Gallows vs. Nostradamus), escolhi votar no Bigelf. Nem conheço a banda; prefiro muito mais os ingleses metaleiros, mas realmente não aprecio muito Nostradamus, e aí o som setentista e com uma atmosfera ligeiramente teatral do Bigelf é mais atraente.

* Devido a seu novo compromisso como pai de gêmeos, o colega Leonardo Castro não conseguiu enviar seus comentários a tempo. Ficam registrados aqui nossos desejos de saúde e felicidade.
** Cheat the Gallows (Bigelf) ficou empatado com Nostradamus (Judas Priest), ambos com 27 pontos. Como não foi possível aplicar nenhum critério de desempate, a decisão a respeito do décimo colocado foi tomada através de uma enquete na qual participaram todos os colaboradores da série.

Listas individuais
Alissön Caetano Neves
  1. Earth – The Bees Made Honey in the Lion’s Skull11-the-bees-made-honey-in-the-lions-skull
  2. Have a Nice Life – Deathcontiousness
  3. Dead Congregation – Graves of the Archangels
  4. Fleet Foxes – Fleet Foxes
  5. ROME – Masse Mensch Material
  6. Russian Circles – Station
  7. Portishead – Third
  8. Septicflesh – Communion
  9. Vampire Weekend – Vampire Weekend
  10. Bongripper – Hate Ashbury
André Kaminski
  1. Six Minute Century – Time Capsules12-time-capsules
  2. Oomph! – Monster
  3. Alice Cooper – Along Came a Spider
  4. Blood Ceremony – Blood Ceremony
  5. Thanatoschizo – Zoom Code
  6. Elmodic – Monoism
  7. Uriah Heep – Wake the Sleeper
  8. Jackson Conti – Sujinho
  9. Danava – UnonoU
  10. Sex Machineguns – Cameron
Bernardo Brum
  1. Portishead – Third13-808-and-heartbreak
  2. Kanye West – 808 and Heartbreak
  3. Nick Cave and the Bad Seeds – Dig, Lazarus!!! Dig!!!
  4. Sigur Ros – Med Sum I Eyrum Vid Spilum Enderlast
  5. The Raconteurs – Consolers of the Lonely
  6. TV on the Radio – Dear Science
  7. David Byrne and Brian Eno – Everything that Happens Will Happen Today
  8. Madonna – Hard Candy
  9. Adele – 19
  10. The Killers – Day and Age
Christiano Almeida
  1. Júpiter Maçã – Uma Tarde na Fruteira14-uma-tarde-na-fruteira
  2. Goldfrapp – Seventh Tree
  3. Bigelf – Cheat the Gallows
  4. Madrugada – Madrugada
  5. Combination Head – Progress?
  6. Extreme – Saudades de Rock
  7. The Last Shadow Puppets – The Age of the Understatement
  8. The Raconteurs – Consolers of the Lonely
  9. Elbow – The Seldom Seen Kid
  10. Beardfish – Sleeping in Traffic: Part Two
Davi Pascale
  1. Whitesnake – Good to Be Bad15-revelation
  2. Journey – Revelation
  3. Kings of Leon – Only By the Night
  4. Metallica – Death Magnetic
  5. Mötley Crüe – Saints of Los Angeles
  6. Slipknot – All Hope Is Gone
  7. Fireman – Electric Arguments
  8. Queen + Paul Rodgers – The Cosmos Rocks
  9. The Black Crowes – Warpaint
  10. Sarah Brightman – Symphony
Diogo Bizotto
  1. Testament – The Formation of Damnation16-the-circus
  2. Slipknot – All Hope Is Gone
  3. Take That – The Circus
  4. Guns N’ Roses – Chinese Democracy
  5. Metallica – Death Magnetic
  6. Cynic – Traced in Air
  7. Whitesnake – Good to Be Bad
  8. Journey – Revelation
  9. Kip Winger – From the Moon to the Sun
  10. Krisiun – Southern Storm
Fernando Bueno
  1. In Solitude – In Solitude17-in-solitude
  2. Steve Winwood – Nine Lives
  3. Testament – The Formation of Damnation
  4. Bigelf – Cheat the Gallows
  5. Metallica – Death Magnetic
  6. Mötley Crüe – Saints of Los Angeles
  7. Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die
  8. Il Bacio della Medusa – Discesa Agl’inferi d’un Giovane Amante
  9. Beardfish – Sleeping in Traffic: Part Two
  10. Birds & Buildings – Bantam to Behemoth
Flavio Pontes
  1. Whitesnake – Good to Be Bad18-lonely-are-the-brave
  2. Metallica – Death Magnetic
  3. Jorn – Lonely Are the Brave
  4. The Black Crowes – Warpaint
  5. Guns N’ Roses – Chinese Democracy
  6. Extreme – Saudades de Rock
  7. AC/DC – Black Ice
  8. Steve Lukather – Ever Changing Times
  9. Adele – 19
  10. Oficina G3 – Depois da Guerra
João Renato Alves
  1. Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die19-marcello-vestry
  2. Testament – The Formation of Damnation
  3. Marcello/Vestry – Marcello/Vestry
  4. Blindman – Subconscious in Xperience
  5. Cavalera Conspiracy – Inflikted
  6. Whitesnake – Good to Be Bad
  7. Metallica – Death Magnetic
  8. Southern Gentleman – Valley of Fire
  9. AC/DC – Black Ice
  10. King Bird – Sunshine
Leonardo Castro
  1. Amon Amarth – Twilight of the Thunder God20-twilight-of-the-thunder-god
  2. Mötley Crüe – Saints of Los Angeles
  3. Testament – The Formation of Damnation
  4. Avantasia – The Scarecrow
  5. Trivium – Shogun
  6. Warbringer – War Without End
  7. Death Angel – Killing Season
  8. Grand Magus – Iron Will
  9. Cradle of Filth – Godspeed on the Devil’s Thunder
  10. Airbourne – Running Wild
Mairon Machado
  1. Beardfish – Sleeping in Traffic: Part Two21-o-casulo
  2. Van Züllat – O Casulo
  3. Judas Priest – Nostradamus
  4. El Efecto – Cidade das Almas Adormecidas
  5. Il Bacio della Medusa – Discesa Agl’inferi d’un Giovane Amante
  6. R.E.M. – Accelerate
  7. Guns N’ Roses – Chinese Democracy
  8. Metallica – Death Magnetic
  9. Uriah Heep – Wake the Sleeper
  10. Whitesnake – Good to Be Bad
Rodrigo Gonçalves
  1. Whitesnake – Good to Be Bad22-global-warning
  2. Metallica – Death Magnetic
  3. Jon Oliva’s Pain – Global Warning
  4. Judas Priest – Nostradamus
  5. Krisiun – Southern Storm
  6. Motörhead – Motorizer
  7. Testament – The Formation of Damnation
  8. Alice Cooper – Along Came a Spider
  9. Cynic – Traced in Air
  10. Glenn Hughes – First Underground Nuclear Kitchen
Ulisses Macedo
  1. Perfume – Game23-game
  2. Disturbed – Indestructible
  3. Benedictum – Seasons of Tragedy
  4. Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die
  5. Virgin Black – Requiem – Fortissimo
  6. Haggard – Tales of Ithiria
  7. Capsule – More! More! More!
  8. Almah – Fragile Equality
  9. Slipknot – All Hope Is Gone
  10. Tygers of Pan Tang – Animal Instinct
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