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terça-feira, 3 de março de 2026

Cinco Discos Para Conhecer: Willy Verdaguer



Nascido em 21 de julho de 1945 na Argentina, Willy Verdaguer é com certeza um dos maiores nomes da música da América Latina em todos os tempos. Ele construiu sua carreira musical no Brasil, onde veio morar nos anos 1960 e se destacou como contrabaixista, compositor, arranjador, diretor musical e maestro, gravando seu nome na cena da música brasileira tocando ao lado de gigantes da MPB, do Pop e do Rock nacional. São inúmeros discos ao longo de uma carreira de 60 anos, e selecionar apenas cinco foi difícil, mas aí vão eles. 

 Beat Boys - Beat Boys [1968]

Famosos por acompanharem Caetano Veloso no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967, com "Alegria, Alegria", o Beat Boys foi um dos grandes nomes da psicodelia nacional no final dos anos 60. Comandados por Tony Osanah e Willy Verdager, o grupo foi pioneiro ao misturar rock e MPB em um festival de música popular, e logo ganhou espaço para lançar seu primeiro e único disco. O disco é rock 'n' roll puro misturado a muita psicodelia como atesta "Abrigo de Palavras em Caixas de Céu", curiosamente cantada em inglês, "Torta De Morangos", misturando espanhol e inglês, trazendo até citação de valsa, música clássica e tango, além da receita da torta dada em português, e a engraçada "Era Uma Menina", composta por Verdaguer, com um forte sotaque portenho e um interessante trecho orquestral. Verdaguer se destaca no arranjo para "Pauvre Cœur", de André Hossein e Gilles Thibaut aqui chamada "Pobre Coração", com o tocante tema de destaque do banjo, harmônica e orquestra, na monumental "Aria Para A Corda Sol", de Bach, na viajante "Abre, Sou Eu", onde órgão e guitarra chamam a atenção para esta faixa do italo-argentino Billy Bond, originalmente chamada "Abre, Soy Yo" (com quem Willy tinha sido parceiro no grupo Los Guantes Negros), e "Your Mother Should Know", dos Beatles, que virou a bonitinha "Coração Que Ninguém Mais Cantou", com um belo arranjo vocal, Temos ainda duas versões para faixas cantadas em inglês, "Wake Me, Shake Me" (de Al Kooper), alucinante e lembrando Animals da segunda metade dos 60, destacando a guitarra ácida de Osanah e o órgão de Toyo, além claro, da marcação fundamental do baixo de Verdaguer, e a linda versão de "A Time For Remembrance" (The Cowsills), com um belíssimo arranjo vocal, além da versão de "Green Tambourine" (Lemon Pipers), aqui batizada de "O Meu Tamborim". Psicodelia puramente latina para quem achava que os ácidos só contagiaram Estados Unidos e Reino Unido. 

Tony Osanah (guitarra e voz), Cacho Valdez (guitarra), Toyo (órgão), Willy Verdaguer (baixo) e Marcelo Frias (bateria)

1. A Felicidade

2. A Time For Remembrance

3. O Meu Tamborim

4. Era Uma Menina

5. Abre, Sou Eu

6. Abrigo De Palavras Em Caixas De Céu

7. Wake Me, Shake Me

8. Pobre Coração

9. Sempre Esperando

10. Canção Que Ninguém Mais Cantou

11. Aria Para 4ª Corda De Sol

12. Torta De Morangos


Caetano Veloso - Caetano Veloso [1968]

O disco de estreia de Caetano Veloso conta com os Beat Boys como banda de apoio em algumas faixas, e claro, Willy deixa sua marca lá. Se você admira o riff de guitarra e teclado no inicio da canção, e o andamento da clássica "Alegria, Alegria", saiba que o responsável por ambos é o argentino. Preste atenção e veja como é o baixo quem faz a sustentação para todos os demais instrumentos deste clássico da Tropicália. Não à toa, quem estuda música e arte no Brasil, reconhece que o arranjo dessa canção, de autoria de Willy, é um marco para a entrada da guitarra elétrica e do baixo elétrico na MPB, criando então o rock em nosso país. Mas há mais em Caetano Veloso e nas criações de Willy. Temos o sacolejante baixo na psicodélica "Anunciação", dando indícios do que Willy faria ano depois com o Secos & Molhados, e o agito de " Soy Loco Por Ti, América", onde o riff inicial é um dos mais marcantes da carreira de Willy, além de ele comandar o ritmo empolgante da festa que é esta animada canção. O Beat-Boys faz as bases ainda da balada-rock "No dia Que Eu Vim-me Embora", entoam a psicodelia tropicaliana em "Clara", e se divertem na sensacional "Ave-Maria", cantada em latim e tendo o baixo de Willy novamente como destaque, solando enquanto Caetano entoa sua "oração". Era a Tropicália começando a ferver, e semanas depois, explodir no Brasil com o sensacional Tropicália ou Panis Et Circensis, com os Mutantes ocupando o espaço dos Beat-Boys. Mas as bases já haviam sido lançadas aqui.

Caetano Veloso (Vocais, Violão)

Com: Cacho Valdez (guitarras em 3, 4, 6, 9, 10, 11)

Willy Verdaguer (baixo em 3, 4, 6, 9, 10, 11)

Tony Osanah (guitarras, violão em 3, 4, 6, 9, 10, 11)

Marcelo Frias (bateria em 3, 4, 6, 9, 10, 11)

Toyo (órgão em 3, 4, 6, 9, 10, 11)

Gal Costa (Vocais em 9)

Mutantes (banda de apoio em 12)

1. Tropicália

2. Clarice

3. No Dia Em Que Eu Vim-me Embora

4. Alegria, Alegria

5. Onde Andarás

6. Anunciação

7. Superbacana

8. Paisagem Útil

9. Clara

10. Soy Loco Por Tí, América

11. Ave Maria

12. Eles

Secos & Molhados - Secos & Molhados [1974]

Criador de riffs, Willy acabou apresentado à João Ricardo, e foi responsável por criar obras como a famosa introdução de "Sangue Latino", ou  o riffzão de "Amor", considerado o mais fundamental feito no Brasil, tornando Verdaguer uma referência no baixo, ambas presentes no álbum de estreia do Secos & Molhados. Mas ao meu ver, é no segundo disco da banda que ele consegue colocar realmente a mão na massa e fazer uma performance impressionante. Se não vejamos, o que é a estupidez de velocidade do riff de "Vôo", arrebentando as caixas de som com uma velocidade impressionante, mandando ver na palhetada como se fosse um riff de Heavy Metal. A mesma velocidade surge no riffzão de "Angústia", uma pancada que não entendo como ainda não foi feita uma versão completa com guitarras e um hammondzão, já que é puro hard setentista. Junto com o piano, é o monstro responsável para a base do vocal arrepiante de Ney Matogrosso no arrepiante blues "Delírio" (Cazuza certamente ouviu muito essa música para criar "O Tempo Não Pára"). Além disso, conduz "Flores Astrais" com maestria, em uma base que por si só é um lindo solo de baixo (acompanhe e se delicie com a linha do instrumento durante as vocalizações iniciais. as estrofes e o solo de flauta, além da marcação pulsante do refrão). Em "Hierofante", também o baixo é um instrumento de destaque, solando ao fundo ao invés de simplesmente fazer marcação do tempo, em escalas velozes que acompanha a furiosa guitarra de John (o trecho onde guitarra e baixo duelam é sensacional). Por mim, faz o simples, mas marcante, acompanhamento do pseudo-blues "Toada & Rock & Mambo & Tango & etc.", mostrando que também era um gigante quando tinha que fazer o básico. Um dos melhores trabalhos em toda a sua carreira. 

Ney Matogrosso (vocais), João Ricardo (vocais, violões, harmônica), Gerson Conrad (vocais)

John Flavin (violão solo em 1; guitarras em 2, 7, 8, 12 e 13), 

Jorge Omar (violão em 3, 5 e 10; viola em 10)

Emilio Carrera (piano em 2, 4, 7, 8, 9 e 12; órgão em 2 e 12; sanfona em 13)

Norival D'Angelo (bateria em 2, 6, 8, 12 e 13; timbales em 4, percussão em 7)

Sérgio Rosadas (flauta transversal em 2, 4 e 11)

Willie Verdaguer (violão baixo em 1, baixo em 2, 4, 6, 7, 8, 12 e 13), 

Triana Romero (castanholas em 1)

1. Tercer Mundo

2. Flores Astrais

3. Não: Não Digas nada

4. Medo Mulato

5. Oh! Mulher Infiel

6. Vôo

7. Angústia

8. O Hierofante

9. Caixinha de Música do João

10. O Doce e o Amargo

11. Preto Velho

12. Delírio

13. Toada & Rock & Mambo & Tanto & Etc. 


João Ricardo - João Ricardo [1975]

Ok, fica meio estranho colocar um disco do Secos & Molhados e este do João Ricardo aqui, mas é que a participação de Willy no álbum de estreia do eterno português é crucial. Se não, ouça suas linhas estonteantes de faixas como os rockaços "Rock E Role Comigo", "Se Sabe, Sabe" e "Salve-Se Quem Puder", na leve e hipnotizante "Janelas Verdes", onde seu baixo marca e sola conduzindo magnificamente esta linda canção. Sem sombra de dúvidas, seu trabalho na paulada "Viva E Deixe Viver" e no mini-épico prog "Sorte Cigana", esta forte candidata a melhor música de toda a carreira de João Ricardo (incluindo o Secos & Molhados), é um atestado final de por que o cara é um dos maiores baixistas da América Latina. E o que é o seu solo na introdução de "Balada Para Um Coiote"? E ainda resgatar o riff de "Amor" na mesma faixa, que coisa mais linda! Willy puxa o ritmo da caribenha "Os Metálicos Senhores Satânicos", e além disso, é responsável pelos arranjos de 10 das 11 canções do disco, com destaque para o de "Vira Safado" - com importante participação do baixo na marcação. Depois daqui, sua carreira perambulou por diversos outros gêneros, mas em termos de rock, João Ricardo para mim é a melhor performance de Willy ao baixo. 

João Ricardo (violão de 6 cordas, violão de 12 cordas, harmônica, percussão)

Roberto de Carvalho (guitarra, steel guitar), Emílio Carrera (órgão, piano, sintetizador, sanfona), Pestana (flauta, saxofone tenor, alto saxofone), Willy Verdaguer (baixo), Roberto De Barros (bateria)

1. Salve-Se Quem Puder

2. Vira Safado

3. Janelas Verdes

4. Sorte Cigana

5. Se Sabe, Sabe

6. Balada Para Um Coiote

7. Rock E Role Comigo

8. Fofoquinha 

9. Os Metálicos Senhores Satânicos

10. Doce Doçura

11. Viva E Deixe Viver

Verdaguer - Humauaca [1994]

A estreia de Willy em carreira solo acontece quase 30 anos depois de ele começar a sua carreira como músico, e é uma pedrada. Ao lado de um timaço musical, o músico cria aqui uma das melhores obras do progressivo nacional nos anos 90. Faixas como as complexas "Charara",  "Dança Dos Dedos" e "Jogo da Memória", atestam cada vez mais a genialidade de Verdaguer para criar riffs incríveis. As influências de nomes como King Crimson, Focus e Gentle Giant são nítidas aqui. Mas há bem mais do que os gigantes do prog europeu ao longo de Humauaca. Aprecie o ritmo dançante de "Nova Espanha", com ótima participação da flauta de Marcelo Mig e da guitarra de Marcelo Pizzarro, além de um solo magistral de Verdaguer, com o baixo carregado de efeitos, as lindas "Montanhas" e "Humauaca", as quais apresentam fortes inspirações latinas, tendo a faixa-título vocais que nos remetem ao Vox Dei de La Biblia, e o swing brazuca de "Galho de Arruda", trazendo Derico (aquele, do Sexteto do Jô) no saxofone, Derico este que dá um show à parte na já citada "Jogo da Memória". Quer curtir um blues portenho, vibre com seu uísque e rasgue seu portunhol cantando "Rara Vez". E fechando a audição, delicie-se com os mais de dez minutos de experimentações e variações em "Pulomelu", simplesmente sensacional. Daqueles discos quase desconhecidos, mas com uma qualidade imensurável!

Willy Verdaguer (baixo), Marcelo Pizzarro (guitarras), Tadeu Passareli (teclados), Marcelo Mig (flauta), Gilberto Faveri (bateria)

com

Eduardo Avena (percussão)

Derico Sciotti (saxofone)

Luiz De Boni (sintetizador em 4)

Billy Bond (vocais em 4 e 9)

1. Dança Dos Dedos

2. Nova Espanha

3. Charara

4. Humahuaca

5. Pulomelu

6. Galho De Arruda

7. Montanhas

8. Jogo Da Memória

9. Rara Vez

Bônus Track

Inspirado pelo meu amigo e colega de Consultoria do Rock Marcello Zapelini, e com uma discografia tão vasta, ficar apenas em cinco discos de Willy é muito pouco. Sendo assim, incluo aqui um bônus, para atiçar ainda mais a curiosidade do leitor.

Raíces de América - Fruto do Suor [1982]

Surgido no Brasil para um espetáculo musical, com produção e direção a cargo do produtor Enrique Bergen, como uma espécie de união contra a ditadura que assolava a América do Sul nos anos 70, o Raíces da América uniu músicos argentinos, chilenos e brasileiros, e dentre eles, Willy Verdaguer e o velho parceiro Tony Osanah. Seus dois primeiros álbuns traziam fortes críticas à opressão que o povo latino-americano sofria contra os militares, mas é em Fruto do Suor que o grupo se torna um dos queridinhos dos movimentos estudantis Brasil (e por que não, América Latina inteira) à fora. Baseado em um som carregado de temas políticos, folclóricos, cotidianos e musicais, que privilegia as raízes musicais dos países supracitados, o Raíces da América tem exatamente em Willy  um dos seus pilares centrais. Ele compôs a folclórica "Pajarito Gorríon", mas não é como compositor que ele brilha, mas sim, ao violão, e claro, no baixo. Sua veia de criar ótimos riffs está no violão-baixo de "Charanguito" (admire a linha que ele constrói aqui), na ótima "Canción Con Todos", com o baixo carregado de efeitos, ou na flamenca "Angelitos Negros", cujo baixo retumba junto das castanholas de forma espetacular. Mas são versões mais que fantásticas que se destacam ao longo de Fruto do Suor. O grupo revisita a linda "Pedro Nadie", obra do ítalo-argentino Piero, que havia ganho o V Festival Internacional da Canção de 1970, saudando o trabalhador do campo, mandam ver em uma épica versão para "O Violeiro" de Elomar, aqui batizada "El Guitarreiro", emocionam na fundamental "Canción Para La Unidad Latinoamericana" de Pablo Milanés, com um show a parte do baixo de Willy, e eternizam uma das mais belas versões para "O Que Será" (Chico Buarque), com Willy brilhando agora ao violão e também no órgão. A versão para "Soy Loco Por Ti América" (de Gil, Capinan e Torquato Neto) sacudiu bastante o povo brasileiro, e claro, o baixo de Willy marca presença no riff inicial e conduzindo essa dança com muita energia, assim como fôra em Caetano Veloso. O ápice do álbum é a faixa-título, obra-prima na carreira de Tony Osanah e Enrique Bergen, cuja linha de baixo de Willy conduz o forte texto da dupla, exaltando a força dos imigrantes que auxiliaram a construir a América do Sul, e que por diversas atrocidades e interesses, separaram em países povos irmãos, clamando por não serem chamados de estrangeiros, em um país construído por todos e que não tem dono, A canção foi segunda colocada no Festival MPB Shell de 1982, promovido pela Rede Globo, e tornou-se o hino dos imigrantes latinos que vivem no Brasil. Disco fundamental em qualquer Diretório Acadêmico das universidades de nosso continente, de um grupo que eternizou um momento triste que infelizmente, as vezes parece querer retornar para assombrar nossas vidas. 


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Ney Matogrosso - Olho Nu [2014]



No ano de 2014, um dos maiores intérpretes da música nacional decidiu lançar-se em uma audaciosa estratégia de divulgação de sua carreira. Ney Matogrosso, eterno vocalista do Secos & Molhados, uniu forças com o diretor Joel Pizzini, e através de mais de 400 horas de material documentário, reuniu toda sua carreira no excelente documentário Olho Nu.

Com quase duas horas de duração, e feito em parceria com o Canal Brasil, o documentário entra no íntimo da vida de Ney. A relevância obra foi tamanha que acabou sendo finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, tido como um dos mais importantes da área de cinema de nosso país. Foram mais de 11 mil espectadores a assistirem o documentário, o que nas palavras de Joel: "é uma conquista imensa, ter não só o respaldo de crítica como a aceitação do filme". Há imagens desde a época com o Secos & Molhados até momentos do cotidiano de Ney, bem como raras imagens do pai de Ney, e do cantor junto de Caetano Veloso e Cazuza, entre outros grandes momentos do artista, chegando até a turnê de Inclassificáveis (2008). 

Ney usando uma das roupas da turnê Inclassificáveis

Baseado no tremendo sucesso do documentário, logo na sequência saiu a trilha sonora do mesmo, uma das mais belas obras em termos de coleção musical que Ney Matogrosso já teve lançado. A coletânea abrange bem a carreira do artista, e sem prender-se em obviedades. Pelo contrário, busca raridades e obscuridades registradas por Ney ao londo dos mais de 40 anos de carreira. Ou seja, você não irá encontrar aqui "Sangue Latino", "O Vira" ou "Flores Astrais", e tao pouco "Homem com H", "Vereda Tropical", "Da Cor do Pecado" ou "Napoleão".

Pôster promocional do documentário
O máximo que você irá encontrar de conhecido vem da época dos Secos & Molhados, com "O Patrão Nosso de Cada Dia", clássico do primeiro álbum da banda, e só. Depois, ainda do período Secos, temos "Delírio" e "O Doce E O Amargo", ambas do segundo álbum da banda.

Olho Nu passeia pela fase psicodélica da carreira solo de Ney, com "Mãe Preta", a emotiva "Pedra de Rio" e a viajante "Açúcar Candy" (Água Do Céu-Pássaro, 1975) e a linda "Airecillos" (Bandido, 1976).

Do período transicional da carreira de Ney, no final dos anos 70, saem "Fé Menino" (Feitiço, 1978) e "Tem Gente Com Fome" (Seu Tipo, de 1979). Dos álbuns clássicos do início dos anos 80, saem "Uai, Uai", com participação de Rita Lee, e "Johnny Pirou", a versão roquer-afeminada-futebolística de "Johnny B. Goode", ambas lançadas em Mato Grosso (1982).

Olho Nu também traz canções da fase mais intensa e sofisticada de Ney, que vai do final dos anos 80 e início dos anos 2000, com o piano elaborado de "Quem Sabe?", do ao vivo Pescador De Pérolas (1987), a complexa "Melodia Sentimental" (O Cair da Tarde, 1997), e ainda a deliciosa "Preciso Me Encontrar", registrada ao vivo. 

Por fim, para os colecionadores, ainda temos a raríssima psicodelia latina e alucinante de "Ponta do Lápis", gravada ao lado de Roberto Fágner no cobiçado compacto da Continental lançado pela dupla em 1976, e a versão de "Simples Desejo", registrada durante a turnê do álbum Inclassificáveis (2008).

Para quem não pode adquirir a ótima caixa Camaleão, e quer conhecer um pouco além do óbvio de uma carreira repleta de altos e baixos, é uma excelente pedida. E para quem quer ter um material de qualidade para ouvir durante o feriado, e que se acha fácil nas lojas por um preço mais do que acessível, é o ideal.


Ney no lançamento do documentário


Track list

1. Delírio 
2. Mãe Preta 
3. Açúcar Candy 
4. Johnny Pirou (Johnny B. Goode) 
5. Fé Menino 
6. Airecillos 
7. O Doce E O Amargo 
8. O Patrão Nosso De Cada Dia 
9. Melodia Sentimental 
10. Pedra De Rio (Sobre Texto De Paulo Cesar) 
11. Quem Sabe? 
12. Ponta Do Lápis - Part. Especial: Fagner 
13. Tem Gente Com Fome 
14. Uai, Uai - Part. Especial: Rita Lee 
15. Simples Desejo 
16. Preciso Me Encontrar (Ao Vivo)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Entrevista Exclusiva: Gerson Conrad (ex-Secos & Molhados)




Hoje, temos uma entrevista especialíssima com um dos maiores nomes do rock nacional, Gerson Conrad. Um dos fundadores e principais vozes do grupo Secos & Molhados, Gerson conta-nos abaixo detalhes de dois grandes projetos em que está participando, o 70 De Novo e o Grandes Artistas Interpretam Beatles, além de repassar a sua carreira solo e claro, contar fatos relacionados ao seu período ao lado de João Ricardo e Ney Matogrosso.


Olá Gerson, obrigado por nos conceder essa entrevista. Gostaria de que você começasse falando um pouco sobre o projeto 70 De Novo, que estará apresentando-se nos palcos no próximo dia 27 de maio. Como foi a a primeira edição do projeto, e o que haverá de novo na nova edição do dia 27, no SESC-Belenzinho.

O movimento 70 de Novo, começou com a ideia de um projeto idealizado por Zé Brasil com o intuito de reunir grupos e artistas que haviam feito sua história na década de 70. O nome do movimento, foi sugerido por Nico Pereira, parceiro/letrista de Zé Brasil. _ Logo no primeiro encontro fui convidado por Amarilis Gibeli, uma amiga comum ao Zé e à mim para conhecer a proposta. Apesar de particularmente achar o nome 70 de Novo negativo e não apropriado, acabei por entender que a proposta era uma celebração aos músicos/artistas pertinentes à época e quando me dei conta, passaram 10 anos desses encontros, festejados anualmente.

Quais serão os músicos convidados para essa nova edição, e como tem sido os ensaios para esse grandioso espetáculo?

Para essa comemoração de 10 anos, os convidados são: Oswaldo Vicchione (Made in Brazil), Mario testoni Junior (Casa das Máquinas) e, eu.

Com Zé Brasil, idealizador do Projeto 70 De Novo
O que você destaca como principal nesse evento?

É a celebração à época, que acaba por ser uma grande festa no encontro de músicos, grupos e ou, artistas que muito contribuíram para a história cultural em nosso país.

Há a possibilidade de esse evento ser registrado em um DVD ou CD?

Acredito que sim, mesmo porque já foi lançado um DVD com a participação da chamada primeira turma do movimento que participaram: Zé Brasil e Silvia Helena (Apokalypsis), Pedro Baldanza (O Som Nosso de Cada Dia) Cezar de Mercês (O Terço) e eu. Certamente deverá ser registrado um novo DVD com os novos convidados.

Você também está envolvido em outro grande projeto, o Grandes Artistas Interpretam Beatles, que irá apresentar um Tributo aos Beatles em um espetáculo na cidade de São Paulo ainda nesse semestre. Como surgiu a oportunidade desse projeto?
Estamos ainda na fase de ensaios. A princípio a data estava marcada para abril, mas soube que alguns problemas tiveram que adiar o espetáculo. Tem orquestra junto com o grupo de apoio, que é a formação clássica. Mas, é um projeto interessante. Estarão participando nomes como Tavito, Robertinho de Recife, Pedro Baldanza, César de Mercês, eu, entre outros, no total de 7(sete) participantes desse espetáculo. O projeto é muito legal, e surgiu através do convite do produtor e empresário Roberto Oka, que está cheio de grandes ideias e, tomara que ele consiga acertar na mosca (risos). A gente torce por isso, por que ele é muito be m intencionado, cheio de ideias e boas intenções. Mas, como diz o velho ditado: de ‘boas intenções” o inferno está cheio (risos). Mas a gente está dando esse voto de credibilidade para o Oka e, vamos tocar a coisa em frente. Já houveram ensaios, inclusive com orquestra, e está muito interessante. Vai ser um projeto bastante significativo.

O pessoal do projeto em homenagem aos Beatles

Qual foi o motivo principal que o levou a aceitar o convite para participar de um Tributo aos Beatles?
Acredito que a minha história não é diferente da de nenhum dos outros participantes. A gente vem de uma geração com uma diferença de idade muito pequena dos Beatles originais. Então, essa moçada toda no início dos anos 60, quando o mundo conheceu os Beatles, eram adolescentes entre 12 a 16 anos de idade e, todo mundo sonhou um dia ter o sucesso da turma de Liverpool. Acabou que alguns conseguiram fazer carreira, como é o meu caso, o doTavito, enfim, acho que de todos os nomes que envolvidos. Foi por esse motivo que aceitei o convite. Achei uma coisa interessante, de verdade, mesmo porque alimentava uma certa vontade de ter feito, ao longo da minha carreira, um Tributo nesse sentido, já que os Beatles tiveram uma importância tão grande na minha formação musical e, o que me fez acreditar que era isso o que eu queria fazer em termos de vida.

E o repertório que será apresentado, abrange toda a carreira dos Beatles ou concentra-se apenas em uma fase da banda?
Não, é geral. Cada um, à princípio, escolheu duas, três canções, com as quais se identificavam, e o repertório foi montado mais ou menos em cima disso. Mas abrange todas as fases. Está bonito. Nós fizemos um ensaio com orquestra, e a abertura está muito bonita. A gente começa com a música que tem “All You Need Is Love), daí, segue com “Sgt. Pepper’s”, convidando as pessoas para o show em si, depois começa a rolar as interpretações individuais, porque no início, estamos todos no palco, cantando juntos, com um belo arranjo vocal.

Fantástico. E você sabe dizer se isso irá ficar limitado a São Paulo, ou se chegará em outros locais?
O Roberto, evidentemente, tem vontade de levar o espetáculo para outros lugares. Parece que já existe uma possibilidade de, na sequência, fazer no Rio de Janeiro, mas daí você teria que conversar com o Oka ou com o seu assessor Erick Tedesco, que com certeza poderão lhe dar essa informação.
Eu morei em Porto Alegre durante minha adolescência. Morei de 1959 a 1966 na capital. Lá eu estudei, e fiz minha iniciação toda de estudo de violão por lá.

Poxa, que legal. Mas chegou a fazer música por lá?
Não, não, só estudei. Eu tinha, uns 8, 9 anos, era um menino, e foi um período lega. Eu tenho um carinho muito grande pelo Sul por causa disso. Eu costumo brincar, que todas as sacanagens de adolescente, foi lá que eu aprendi (risos). E é verdade, por que foi uma fase que era muito diferente dos dias de hoje. Porto Alegre hoje é uma tremenda metrópole, não tem lá muita diferença do que as demais metrópoles como São Paulo e outras capitais, mas naquela época, ela era mais interiorana, sabe. Então, você tinha uma liberdade de brincadeira de rua, com a gurizada, e por isso me lembro disso: a malandragem toda que a vida podia me ensinar eu aprendi, como moleque, nas ruas de Porto Alegre (risos).

(Risos). Já que você tocou nessa questão de Porto Alegre, como você sai do sul para chegar ao Secos & Molhados?
Então, eu sou natural de São Paulo, e meu pai era um executivo, diretor de empresas, e com isso, acabamos morando em vários lugares do Brasil, desde que eu era molequinho de colo. A gente morou em Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, por que meu pai era transferido por essas empresas como diretor, para essas regiões. Mas o foco de Quartel General era São Paulo. Então, a gente ficava nesse período, que variava de seis meses, as vezes de um ano ou mais, em várias cidades do Brasil, e voltava para São Paulo. A última moradia que tivemos, relacionado com o trabalho do meu pai, foi Porto Alegre, que foi o período mais longo que comentei. Quando terminou o contrato em Porto Alegre, voltamos para São Paulo, e coincidentemente fui morar na rua em que o João Ricardo acabou vindo morar também. Nós éramos vizinhos de mesma calçada no bairro da Bela Vista. O meu prédio, naquela época, foi um dos primeiros a reunir salão de festas, quadras poliesportivas, piscina, e como era meio novidade, a molecada do bairro que tinha amigos que moravam no prédio, acabava frequentando o edifício em que eu morava. E foi ali que conheci o João Ricardo, jogando ping-pong, lá no edifício (risos).

Nos tempos de Secos & Molhados

E como veio a ideia de criar uma banda?
Bom, logo no primeiro encontro a ideia surgiu. A gente começou a bater papo, e ele falou que era apaixonado por música, começamos a falar de Beatles, e a coisa foi amadurecendo. Eu conheci o Ricardo em 67, e em 69 a gente já deu o primeiro pontapé inicial ao que nos levaria ao Secos & Molhados. Primeiro foi um grupo inexpressivo, mas que chegou a ter umas matérias em jornais, chamado Eric Expedição, que não queria dizer absolutamente nada o nome. Era E de Eduardo, que era um vizinho nosso percussionista, Ri de Ricardo e o C tinha sobrado do Conrad. Era um trio. E a partir daí a gente desenvolveu para Secos & Molhados, dando os primeiros passos na direção para um trabalho autoral, que era uma proposta desde o nosso primeiro encontro. A gente não queria fazer, como era comum aqui em São Paulo, virar mais um grupo de covers, pois sabíamos que tinhamos um potencial para fazer um trabalho autoral, e acreditamos nisso para seguir em frente.

Inclusive, vocês faziam para época um som diferente de tudo aqui no Brasil, principalmente pela mistura do acústico com guitarras.
Isso. Essa coisa do acústico inclusive foi muito em função de meu aprendizado todo de violão, eu estudei em Porto Alegre com um exilado político espanhol que era discípulo de Segóvia, que estava morando lá nessa época, chamado Juan Mateo. Inclusive, ele tinha o mesmo nome do pai, que era um luthier que veio da Espanha renomado e, meu pai, acabou encomendando um violão para ele, que se tornou o meu primeiro violão e, que eu guardo até hoje, um autêntico Juan Mateo. Mas, por causa dessa escola espanhola, eu tinha uma mão muito pesada, por causa das características do flamenco e da música espanhola, e não conseguia me adaptar com a guitarra. Exatamente por que eu tinha uma mão direita pesada. Eu pegava qualquer instrumento que não fosse acústico e era um horror, mas não por que eu não soubesse tocar,o problema estava no peso da minha mão direita, que eu não conseguia dosar para o instrumento eletrônico. E aí a gente saiu com essa proposta acústica. Assim, os primeiros sons do Secos & Molhados eram violões, no máximo um microfone na frente com amplificação, flauta doce que eu arriscava tirar umas notinhas, o João Ricardo com a gaita dele, e quando incorporou a banda, que depois ficou conhecida no Brasil inteiro, e mundialmente, a gente tentou manter o máximo possível dessa sonoridade acústica.

E isso foi um grande diferencial, Junto com as máscaras. Mas haviam influências no trabalho da banda, por exemplo: Crosby Stills & Nash, Beatles ...
Claro, a gente teve uma série de influências, mas acho que inserimos isso em um processo de criação, dando ênfase a um trabalho autora., Algumas coisas que eu particularmente acho meio marcante, inegavelmente. Tanto que se você escutar com muita atenção você percebe uma escola de Beatles atrás, um Crosby Stills & Nash nos vocais, por que essas eram nossas referências na época. A gente curtia, por exemplo, Rolling Stones, mas não era o que nos chamava atenção.

Ao lado de Zezé Motta, em 75

E depois do Secos, você acabou gravando com Zezé Motta. Como surgiu esse projeto?
Então, quando acabou o Secos & Molhados eu fui contratado pela Som Livre, e por uma questão de insegurança da minha parte, e eu falo isso sem o menor constrangimento, gravei com Zezé. Explicando: Durante todo o processo do Secos & Molhados, eu fui responsável pela harmonização vocal do grupo, então, eu não estava acostumado a me ouvir cantar como primeira voz, como solista. Quando me vi a frente do meu próprio trabalho, eu entrei em pânico. Eu falei: “Meu Deus!Eu jamais gravei como primeira voz”. Então surgiu a ideia de convidar a Zezé Motta, o que foi muito legal, mas confesso honestamente que hoje, com a experiência de vida que eu tenho, talvez eu não repetisse esse tipo de coisa. Mas na época foi válido, por que eu me senti mais confortável, na verdade, com ela. Eu vinha de um trabalho de grupo e quis trazer esse espírito de trabalho de grupo para o meu trabalho.

Depois disso, por que demorou tanto tempo para chegar no Rosto Marcado?
Aí é uma história longa. Eu fui, se não o primeiro, um dos três primeiros contratados para o cast da Som Livre, e ela não era uma gravadora que tinha experiência de trabalhar com cast próprio. Eu acabei me indispondo com a direção deles, e de uma certa forma, a Som Livre me fechou as portas para o mercado. Daí, até que eu conseguisse botar panos quentes no mal entendido, por que saíram algumas coisas na imprensa, que houve bate-boca da direção comigo, a Continental entendeu, por bem, que não tinha nada a ver e, que tinha que me dar uma chance para continuar minha carreira, e fui para a Continental fazer o Rosto Marcado. O problema todo é que aí já era início dos anos 80, e daí a culpa não era da Continental, e sim propriamente minha, de eu não ter gravado mais nada. É que os anos 80 foram invadidos pelos chamados “produtores” que a gente acabou conhecendo, que eram contratados por essas gravadoras, que na verdade eram caras estavam com uma cabeça muito voltada para uma coisa muito imediata. Eles não acreditavam naquilo que eu levava como proposta, que era um trabalho de continuidade. E também, depois da experiência com o Secos & Molhados, nós ficamos estigmatizados como grandes vendedores de discos.

O disco com Zezé

E na verdade, cara, as vendas foram muito inexpressivas nos primeiros trabalhos de cada um de nós, tanto do Ney, quanto do João Ricardo, quanto do meu. Se não me engano, esse disco com a Zezé Motta, foi o que teve mais vendas. Foram, 46 ou 48 mil cópias, o que para a expectativa das gravadoras, era muito pouco mediante o 1 milhão de discos que havíamos ultrapassado com o Secos & Molhados. Então, quando encontrei esses produtores imediatistas, que queriam o consumo rápido, a gente bateu de frente de novo por que eu falei: Eu quero um trabalho de continuidade. De repente, você pode estourar uma ou duas músicas de sucesso, em um primeiro trabalho, mas em dez meses, eu quero estar em estúdio de novo, gravando de novo”. Mais ou menos como aconteceu com a carreira do Guilherme Arantes. Ele é um exemplo que costumo dar, por que ele só tem a importância que tem por que teve o trabalho de continuidade. O Guilherme ficou gravando, sequencialmente, ano a ano, e as pessoas se habituaram a conhecer o trabalho dele. E esse tipo de oportunidade, infelizmente nem eu nem o João Ricardo tivemos. O Ney ainda conseguiu fazer, não exatamente anualmente, mas conseguiu dar uma certa continuidade em termos de marcar seu trabalho solo na mídia, e ele foi acompanhando de certa forma o que acontecia no mercado fonográfico.

Isso acabou o afastando da música...
Sim, quando eu me aborreci com isso nos anos 80, eu voltei totalmente para a Arquitetura, por que eu sou formado em Arquitetura, e precisava sobreviver. A música não estava respondendo a contento e eu falei chega!”Vou me dedicar a arquitetura e deixar a música um tempinho em segundo plano”. O problema é que quando eu abri os olhos, haviam se passado mais de 11 anos, e voltei a atuar com música em 1992. De 81 a 92 eu fiquei totalmente fora, recusando convites e tal. Mas daí eu comecei, muito timidamente, a aparecer de novo no mercado, e de lá para cá eu não parei mais. O que acontece com a minha carreira, eu costumo sempre brincar com isso, é que eu sou um desses casos de extremada sorte por ter sido um profissional de um grupo que foi o maior sucesso desse país. E isso me permitiu, por exemplo, quando retomo a minha carreira em 92, apesar de não circular na chamada grande mídia por razões óbvias, fiquei muito tempo afastado, sem nada de novidade de disco no mercado. Eu sempre tive um público muito significativo em shows, e que mantenho isso até hoje. E isso, tem sido uma constante desde a década de 90, e veio a se firmar muito a partir de 2007, quando começo esse trabalho que estou fazendo até hoje com a Trupi, que é o grupo com o qual eu tenho me apresentado.

Para encerrar esse assunto sobre o Secos & Molhados, já houveram contatos para vocês voltarem como trio, e realmente, convites para se apresentar no Rock in Rio?
Bom, isso começou a surgir já desde o primeiro Rock in Rio, em que o Ney participou da abertura, com “Rosa de Hiroshima” e uma revoada de pombos brancos voando pelo local. Houve interesse até de reunir a formação original para o Rock in Rio desse ano, mas houveram empecilhos. Só que o Ney está lá, mais uma vez representando Secos & Molhados com a Nação Zumbi. O João detém a marca do grupo e se recusa terminantemente a trabalhar comigo e como Ney. Reunir os três é meio uma utopia, nunca vai acontecer. Mas de qualquer forma, o contato ocorre sempre primeiro comigo, não sei por que. Foi com o Rock in Rio, convites da Europa, de uma televisão alemã, enfim.

Mas quem sabe uma ideia entre vocês dois, Ney e Gerson.
Olha, eu falei já tem um tempinho com o Ney, e ficou uma pulga atrás da orelha, por que a gente recebe muitos convites, e disse: “Ney, se o João Ricardo não quer fazer, o nome Secos & Molhados é João Ricardo, a gente pode fazer um tributo, né?”. E aí isso, balançou um pouco a cabeça do Ney, mas não tem nada concretizado nesse sentido não. Vamos ver se pelo menos isso acontece.

Haverá um lançamento seu com a Trupi?
Então, eu estou terminando de gravar um CD, depois de anos relutando, até pelo fato de que tem o seguinte. Como a maioria dos meus amigos sabe, fazer uma produção independente para vender 10 ou 15 CDzinhos em cada apresentaçãoao vivo , isso jamais me passou pela minha cabeça. Não entenda isso como megalomania, nem algo semelhante, mas acho que a minha contribuição para o cenário artístico, cultural e fonográfico dentro desse nosso país foi tremendamente significativa. Então, essa história de que as gravadoras hoje já não existem mais, essa balela, pois a Warner está aí com cast próprio, a Sony Records está aí com cast próprio, eu acho que essa gente teria no mínimo obrigação de escutar aquilo que estou fazendo. Quando eu entrei em estúdio, no final do ano passado, para começar a gravar, entrei sem pressa nenhuma de colocar o trabalho no mercado. Vamos terminar em um mês e meio todas as gravações, mixagens e tal e, já pensei em levar esse disco para uma grande empresa dessas, para que eu tenha uma distribuição em termos de Brasil, seja através desse novo formato digital, já que o CD, propriamente dito, hoje em dia está ultrapassado. Eu estou muito confiante pelo que eu faço. Aliás, eu tenho um histórico de N reportagens de quando lancei o meu disco de 1981, com críticas de Maurício Krubusly e outros críticos renomados no país, que falaram que meu som, naquela época, estava 20 anos à frente do próprio tempo, e quando escuto esse disco hoje, continuo vendo que ele é atual, percebo que era bem mais de 20 anos, são mais de30,desde a década de 80 para cá (risos).

(risos) Sim. Eu conversava com o Pedro Baldanza esses dias e ele dizia que quando a música é boa, não importa o ritmo, o estilo, ela será eterna. 
Exato. E com isso, estou muito confiante naquilo que faço, e sei que estou vindo com um trabalho totalmente inédito, atualizado dentro daquilo que a música evoluiu, digamos assim, no nosso planeta.

Ainda mais hoje em dia, onde temos tanta porcaria rolando na mídia, terríveis. Precisamos de música boa.
Sim. Eu sou muito crítico. Eu deixei de ouvir rádio há pelo menos 9, 10 anos, por que me cansava. Você não ouvia nada de novo, e cada vez mais, com uma qualidade péssima. Letras sem o menor cuidado, nenhum tipo de informação que pudesse te cativar de alguma forma. Então, decidi continuar ouvindo em casa aquilo que seleciono, aquilo que acho ser mais sensato para minha pessoa. E na verdade, esse trabalho que estou fazendo atualmente em estúdio, ele reflete exatamente isso, nas composições. É um resultado de tudo aquilo que eu ouvi e assimilei durante esses anos, e um exercício diário enquanto compositor, que venho fazendo há muito tempo. Tenho ouvido muitas coisas interessantes, não só dos ingleses, mas de outros países.

Para encerrar, espero encontrar você em breve aqui no sul.
Então cara, eu devo estar indo aí em Porto Alegre em breve . É o seguinte:Tem um grupo aí no sul, chamado El Rey – Secos & Molhados, que eu apadrinhei esses meninos em 2010 ou 2011, e já estive aí com eles fazendo shows. São um grupo cover dos Secos & Molhados e, de todos os grupos que já me procuraram, eles são os mais criativos e mais fiéis em termos da sonoridade daquilo que o mercado conhece como Secos & Molhados. Volta e meia eles me convidam para tocar. Eles vão começar uma série de shows a partir do final de maio, e eu devo estar em Porto Alegre entre maio e junho, participando de um evento desses.

Puxa, será legal demais. Agradeço novamente sua atenção, desejando-lhe muita saúde, paz e muito sucesso para você.
Imagina, muito obrigado. Um grande abraço à todos da Consultoria do Rock, e obrigado pelo espaço. Sorte para vocês e sorte para todos nós.

terça-feira, 22 de março de 2016

Na Caverna da Consultoria: Mairon Machado



Por Ronaldo Rodrigues
com colaboração de Fernando Bueno
Eis que chega o momento de conhecermos um pouco mais do mais profícuo escriba da Consultoria do Rock. Nosso "Na Caverna" de hoje traz Mairon Machado, o cara do Baú (não o da felicidade, mas quase isso), das Maravilhas (não o Bonde), das Notícias Fictícias que Queríamos que Fossem Reais e daquelas resenhas super esquadrinhadas, que tanto alegram e entretem nossos leitores.  Não precisa nem de estatística para saber que Mairon Machado detém a maioria dos textos já publicados pela Consultoria do Rock e, se hoje temos algum sucesso, muito disso se deve ao estilo apaixonado (e por oras polêmico) de sua escrita. Muitas histórias, muitos discos e curiosidades desse craque das letras e da física é o que você lerá abaixo!

OK COLEÇÃO 2
OK BOXES IOK BOXES II
OK COLEÇÃO 5
Coleção em geral e alguns dos Boxes que Mairon possui
Mairon Machado, ídolo da torcida dos Consultores do Rock, nosso craque da camisa 9. Fale um pouquinho sobre você, o que faz, sua rotina e como consegue descolar tempo para nos brindar com tanta quantidade e qualidade de textos. 
Mairon Machado (MM): Poxa meu caro, muito obrigado pelas palavras. Bom, tenho 33 anos, nasci em Pedro Osório, uma cidade de quase 10 mil habitantes no sul do Brasil, sou professor de Física com mestrado em Física e Doutorado em Ciências, na área de Física Teórica (isso não serve para nada, mas pelo menos dá um grau ao vivente aqui, risos). Atualmente exerço a função de coordenador do Curso de Licenciatura em Física do Instituto Federal Farroupilha, Campus São Borja, nota 4 CAPES, onde a nota máxima é 5 (a propaganda é a alma do negócio). Esposo da Bianca, pai do Iago e, por tabela, também do Bruno, um apaixonado por música desde pequeno, metido a escritor e um torcedor Xavante até o fim (apesar de também ter uma queda grande pelo Colorado dos Pampas). Bom, minha vida é bastante agitada, pois além de professor, o tempo como coordenador também exige que eu me dedique para a profissão, fora que amo minha família, e estou sempre dedicando atenção para minha esposa e meu enteado/filho, principalmente nos fins de semana. Como ela trabalha, por vezes acaba que fico sozinho em casa, e nesse tempo, dedico-me para as audições de discos. As vezes, no trabalho, preciso fazer algo que  necessita de atenção, e eu só me concentro com música. Então, coloco um disco para ouvir, e enquanto vou fazendo o serviço que tem que ser feito, vou rascunhando mentalmente um texto. Depois, é só sentar e colocar no wordpress,  além de catar as fotos.
Na real, como professor de uma disciplina considerada difícil como Física, largo para os alunos a tarefa de escrever tetos sobre bandas que eles nunca ouviram falar, e isso gera alguns pontos para eles. Existe um padrão no qual eles só vão adicionando adjetivos, nomes das músicas e algumas informações que só existem na cabeça deles, mas que vai para o ar e todo mundo acha que é verdade. O Mairon na verdade nem existe, é apenas um fake de um dos caras que comenta no site, mas que não posso revelar o nome nesse momento, mas tem um apelido bem carinhoso pelo pessoal do grupo (risos).
ELIS REGINA IELIS REGINA II
ELIS REGINA III
Coleção de Elis Regina
Como foi sua entrada para a Consultoria do Rock? O seu blog pessoal (Baú do Mairon) surgiu antes ou depois do seu ingresso no time de colaboradores?
MM: Eu entrei na Consultoria no final de 2010, através de um convite do Daniel (Sicchierolli). Vou ser bem sincero Ronaldo, por que tenho isso na garganta, e acho que é um momento propício para isso.  Naquela época, estávamos todos muito chateados com o que aconteceu com a Collectors Room. O dono daquele site, Ricardo Seelig (Cadão), havia praticamente largado o então blog em meados de 2008, e graças a Fernando Bueno, Daniel Sicchierolli, Eu e o Maurício Rigotto, o blog se manteve na ativa, e começou a gerar muitos acessos. Conseguimos novos colaboradores (você inclusive, foi um que passou a participar mais) e tudo estava indo muito bem. Ficamos como "donos" do negócio por um ano e pouco, e então, o Cadão decidiu voltar a ser o chefe, mas de uma forma muito ditatorial, barrando textos nossos, entre outras coisas. Quando os guris criaram a Consultoria, eles me convidaram logo em seguida. Eu relutei de início, mas pela insistência, resolvi lançar um texto que havia enviado para o Cadão (sobre o Moody Blues) e que ele havia negado, por ser um pouco longo. O pessoal publicou, e o Cadão simplesmente ficou puto comigo. Ele me mandou um e-mail cheio de desaforos, me insultou pelo Orkut (na época) e me expulsou da Collectors Room. Então, fiquei direto na Consultoria, mas como tinha um pequeno conhecimento da bipolaridade do Cadão, pedi para ele se podia copiar minhas matérias, pois no período que ficamos de "donos do blog", escrevíamos direto no editor de texto do blogger, e não havia salvo nada (tinha medo que ele apagasse minhas matérias). Em princípio, ele não se negou, e assim, nasceu o Baú do Mairon, como uma espécie de backup do que eu tinha na Collectors. O problema foi que em seguida que criei o Maravilhas do Mundo Prog, e novamente baixou a pomba-gira no dono da Collectors Room, que me insultou de novo. Então, sem avisar, ele simplesmente deletou todas as minhas matérias da Collectors, tudinho. Isso foi no início de 2011, e como eu estava terminando o doutorado na época, não tive tempo de copiar todas as matérias. Perdi muita coisa, como textos pessoais sobre bandas que nunca mais consegui ter a mesma capacidade (aquela espécie de inspiração) de escrever, como A-ha, Deep Purple, David Bowie, entre outros. Tentei entrar em contato com ele, pedindo que ele pelo menos recuperasse as matérias e me enviasse, mas nunca ele me respondeu. De qualquer forma, ele pelo menos tem o mérito, indiretamente, de com uma expulsão generalizada, ser o responsável por criar uma das coisas que mais gosto de fazer, que é a Consultoria.
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Coleção de Frank Zappa
Você tem um estilo bem próprio de escrever sobre discos e canções, descrevendo-as em muitos detalhes. Nosso colaborador Marco Gaspari até achou um neologismo pra isso - "maironmachadear". Como você desenvolveu essa forma de escrever? Como é seu processo de resenhar os discos?
MM: Bom, a culpa disso é do Marco. Ele foi o cara que me inspirou a escrever de um jeito que pudesse passar as informações o mais preciso possível para o leitor. Eu não tenho formação de escritor, mas sempre gostei de ler muito e também de escrever. Meus textos iniciais para a Collectors, eram curtos, com informações básicas. Foi depois que li uma matéria do Marco sobre a Flower Travellin' Band, uma das bandas que mais gosto, e mais difíceis de achar informação em português, na revista Poeira Zine, que percebi que um fã não quer saber mais do mesmo, ele quer saber algo diferente. Pode ser quantos shows a banda fez em uma dada turnê, qual a posição que o disco alcançou, quem era o integrante que saiu para entrar outro, qualquer informação adicional que não seja a tradicional. Foi então que decidi que, se ia escrever sobre algo, iria me aprofundar nisso. Passei a ler mais sobre música, buscar fontes confiáveis, assistir documentários, e principalmente, ouvir os discos, sentir o que cada música passa, e transmitir através de palavras o que eu penso sobre as mesmas. Foi assim que o Maravilhas do Mundo Prog ganhou dimensões de suíte (risos) mas também outros textos que acabaram nascendo. Por vezes, penso que é demasiado o que escrevo, e tento diminuir, mas infelizmente para os leitores, me acostumei com isso, e não acho legal fazer uma matéria curtinha onde eu não consiga trazer nada de novo. Mas repito, a culpa é toda do Marco (e do Machado de Assis também).
OK HARD 70
OK KEITH JARRETT E DUKE ELLINGTON
OK JAZZ
OK METAL
OK VIOLÕES
Do hard setentista ao heavy metal oitentista, passando pelo violão clássico e o jazz de Duke Ellington, Keith Jarrett, Miles Davis, John Coltrane e outros. Ampla variedade de estilos na coleção de Mairon
Outra característica marcante dos seus textos é a imensa variedade de temas e de diferentes estilos nos quais você se aventura a escrever. De free-jazz à música pop, da música experimental ao heavy metal. De onde surgiu esse seu ecletismo? 
MM: Velho, acho que isso vem de berço. Meu pai sempre estava ouvindo música em casa, e isso ia desde tangos e boleros até sambões e chorinhos, passando pelos grandes da Era do Rádio e música gauchesca, além de pop e um pouco de rock nacional. Só aí já dá para sentir que a absorção de estilos tão diferentes é bem profunda. Com o meu irmão, Micael, a coisa também foi sendo bastante abrangente, ou o que ele ouvia desde Pet Shop Boys e A-ha até Sepultura e Metallica no mesmo dia, passando por Rush e Legião Urbana, encerrando o dia com Ramones e Exploited. São formações diferenciadas, e isso vai sendo absorvido naturalmente. Como tive uma banda de World Music, meus dois colegas de banda tinham também estilos muito diferentes, mas éramos obrigados a ouvir o que cada um gostava para tentar chegar em um consenso do que iríamos (e podíamos) tocar. Foi aí que conheci o jazz e todas as suas subdivisões, assim como a música clássica e experimental, mas também tive contato com o death metal e o funk de raiz, os quais são ótimos de tocar na guitarra. Então, acabei curtindo de tudo um pouco, e como sei que não conheço nem um quinto do que muita gente que conheço conhece, e essa gente não conhece nem um quinto do que muita gente que só vejo em sites conhece, estou apronto para ouvir coisas novas. As vezes me surpreendo com bandas da nova geração, mas a velharia obscura dos anos 60 e 70 são as que mais me surpreendem, além dos clássicos como Chopin, Paganini, Beethoven, Mozart, Liszt entre outros, que sempre trazem novidades para os ouvidos.
Ao longo da trajetória da Consultoria do Rock, sempre existiram discussões conceituais, das quais você foi protagonista. Especialmente com relação aos limites do rock e a abertura do site para escrever sobre coisas fora do estilo. Qual a sua visão a respeito do que é rock? Qual a importância que você dá para este termo, de fato?
MM: Pergunta difícil. Rock significa pedra, então, pode ser algo duro. Mas "to rock" significa embalar, e então, poderíamos dizer que o rock é uma música que embala o corpo. Mas que tipo de embalo? Um jazz do Miles Davis certamente irá fazer você balançar a perna com um belo uísque em suas mãos, ao mesmo tempo que os Bee Gees e o ABBA embalaram (e ainda embalam) os sábados de muita gente. O funk gostoso de Sly & The Family Stone é embalador até da alma do vivente, e como não embalar a cabeça com as pancadarias do Possessed? Será que tudo então é rock? O nome Consultoria do Rock é bastante genérico, por que nos diz que nosso principal tema é o rock 'n' roll, mas na verdade, somos "consultores" do embalo, do que você leitor irá curtir (ou não), e damos dicas de coisas legais para ouvir, que farão você sentir-se embalado e feliz, e acho que é isso o que o rock pode fazer, seja qual rock você escutar.  Na real, acho que isso significa pouco perto do que é a música e sua capacidade de mexer com os sentidos do ser humano (e dos seres vivos em geral).
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DAVID BOWIE 3
David Bowie
Você também tem formação musical e é violonista. Conte-nos um pouco a respeito e como isso alterou a forma como você ouve e aprecia música.
MM: Na verdade eu não cheguei a fazer um curso para ser músico. Como disse acima, eu tinha uma banda. Montamos a mesma quando eu tinha 14 anos. Na época, achávamos que éramos capazes de fazer World Music (estilo que mistura ritmos diversos) e então, estudamos muita música e criação de música, mas tudo de uma forma muito amadora. Chegamos a conclusão de que a banda que mais podia nos ajudar a aprender a tocar era Rush. Então, começamos a "tirar" músicas como "YYZ", "La Villa Strangiatto", "The Camera Eye", "The Trees", "2112", "Cygnus X-1: Book Two - Hemispheres", entre outras. Quando vimos que aquilo já era banal nos ensaios, começamos a compor, e criamos músicas que até hoje eu gosto bastante, mas que infelizmente, não tiveram a oportunidade de ver a luz de um CD, afinal, apoio para cultura em uma cidade pequena, é impossível. Saímos cada um para um lado, mas eu não me afastei da música. Com um filho pequeno, fiquei com meu violão como um consolo, e então, decidi aprender violão clássico. Estudei bastante a obra de Andrés Segóvia, um dos maiores gênios da música (e considero poucos como gênios), além de John Williams, Julian Bream, Carlo Domeniconi, Sor, Turíbio Santos e Agustin Barrios. Quando vi Kazuhito Yamashita pela primeira vez, meu mundo caiu. O japinha detonando "Pictures at an Exhibition" fazendo tudo o que o Emerson Lake & Palmer fazia com apenas um único violão me fez cair no chão, e perceber que a música é muito mais do que meras notas extraídas do instrumento. Foi com a música clássica que passei a dar mais valor a composição e a criação, que unidas com uma letra bem feita, gera uma canção perfeita. Infelizmente, o violão tornou-se um hobbie muito distante , mas de vez em quando ainda brinco com ele. Quanto a banda, essa acabou há 12 anos ...
Quais as principais alegrias e tristezas que você teve nesses cinco anos de Consultoria do Rock (relacionado ao site)
MM: Alegrias são várias. Ter conhecido pessoalmente pessoas como Marco Gaspari, Daniel Sicchierolli, Diogo Bizzotto, José Leonardo, Pablo Ribeiro, você, o qual tive o privilégio de entortar várias cervejas, em um boteco sensacional na Urca, além de ter um contato praticamente diário com Fernando Bueno, Davi Pascale, André Kaminski, Bruno Marise, Reis, pessoas que fazem parte (ou fizeram) do consultoria, resgata aquela sensação dos anos 90, quando os amigos se reuniam para ouvir o novo álbum encontrado de uma determinada banda. O retorno dos leitores também é muito legal, seja pelos comentários com elogios ou quando um te reconhece em um show. Poxa, a sensação é muito boa, de saber que alguém que você nunca viu na vida chega e diz "eu li seu texto". O fato de ter a Consultoria como uma segunda família é uma realidade, e gostaria de ter mais tempo para poder conhecer  pessoalmente todos os que estão envolvidos com a história do site. Tristezas eu tive quando houveram as dissidências, com a saída do Daniel, do Thiago, do Eduardo, do Bruno, do Pablo e do Bernardo, mas principalmente, com a porcalhada que a Uol Host fez conosco. Mesmo como Baú do Mairon, o fato de trabalhar 40 horas não me permitiu passar tudo o que fiz para a Consultoria para o meu blog. Então, perdi muita coisa (novamente, já não chegou a vez da Collectors), e são textos que, por mais simples que fossem, traziam o sentimento daquele momento. Foi história jogada no lixo, ou melhor, desprezada pelos sem cultura de um provedor nada profissional.
BETO GUEDES E MILTON NASCIMENTOELOMAROK PROG NACIONALROCK NACIONAL
ROCK GAÚCHO
Várias gerações do rock nacional
Qual a matéria que você mais gostou de ter feito para o site?
Escolher apenas uma única matéria é complicado, mas posso dizer que minhas quatro preferidas são a que resgatei a história de Antônio Adolfo e a Brazuca, que me exigiu muita dedicação e pesquisa, já que essa foi uma das matérias que fiz para a Collectors e que o Cadão jogou no lixo, e então, tive que retomar muitas fontes e contatos para reescrever como merecia, debulhar a história de "2112" no Maravilhas do Mundo Prog, já que essa é uma  das músicas mais marcantes que ouvi, e cuja história eu acho fascinante, e as duas matérias que fiz para o Selos Lendários, aliás uma seção que você criou, contanto a história da ECM Records, especializada no lançamento de jazz, e da nossa brasileiríssima Fábrica de Discos Rozenblit, a qual me foi tão gratificante de fazer que, quando fui em Recife, conversei com alguns locais sobre a mesma, e tive a grata felicidade do pessoal de lá me elogiar por prestar uma homenagem para algo que até mesmo os pernambucanos desconhecem. Entrevistar Arnaldo Baptista foi a realização de um sonho de fã, já que eu o acompanho desde que eu era pequenininho, e para mim, é um dos maiores gênios da música mundial. Outra matéria que eu fiquei satisfeito e me emocionei em realizar foi resgatar a longa discografia de Elis Regina. Tenho uma admiração enorme pela pimentinha, e vejo que muitos menosprezam a cantora mas conhecem apenas algumas canções que circularam quando ela estava viva. A carreira dela é brilhante e muito variada, e isso merece ser descoberto aos poucos, não com pré-conceitos, mas sim como um aprendiz de cozinha, que vai descobrindo a forma de misturar temperos, sabores e aromas, para preparar uma comida de primeira. É  uma obra que tenho orgulho de conhecer, ter praticamente completa, mas ainda, de ter tido a oportunidade de passar essas informações para outros amigos, e isso, eu agradeço e muito aos colegas do site, que não barraram uma artista não ligada ao rock e permitiram a sua entrada tranquilamente durante seis domingos. Pena que a Uol  Host acabou deletando tudo ...
Você criou algumas colunas que tiveram grande reputação, como o Podcast, A Little Respect e principalmente o Maravilhas do Mundo Prog. Há algum projeto de trazer novas colunas para o site?
Ideias sempre tem, o problema agora é tempo. O trabalho tem me levado boa parte das 24 horas que tenho,  tem ficado difícil trazer para o papel aquilo que passa em mente. Por exemplo, eu queria fazer algo que destacasse mais o rock brasileiro feito nos  anos 90. Muita música boa foi feita naquela que é considerada a pior década da música nacional, mas tanto no progressivo quanto no metal, muitas bandas de qualidade lançaram discos excelentes, os quais ficaram relegados ao ostracismo. Também queria fazer uma série dedicada aos grandes nomes do synthpop, como Depeche Mode, Tears For Fears, Erasure, não nos moldes do A Little Respect, mas tipo o Maravilhas do Mundo Prog - algo como o Maravilhas do Synthpop - só que isso exigiria muita pesquisa, já que não há praticamente um site dedicado para o estilo como temos no caso do progressivo e do metal. Mas são projetos, que sabe um dia a coisa venha à tona.
MUTANTES
RITA LEE
NEY MATOGROSSONOVOS BAIANSO E SECOS E MOLHADOS
RAUL SEIXAS
Mutantes e afins, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Ney Matogrosso, Secos & Molhados, Marco Antonio Araujo, Novos Baianos e Raul Seixas
O que você caracteriza como principal característica do Consultoria do Rock, que o torna um diferencial nos demais sites de música?
MM: Acho que a principal diferença é a camaradagem que rola nos bastidores. Quem vê o site com postagens a cada dois dias, não sabe o que temos de organização no nosso grupo. Apesar das brigas e buscas por matérias, as vezes de última hora, todo mundo se respeita, e não tem uma distinção de "ah, o fulano não pode publicar isso", ou "o beltrano só vai publicar sobre aquilo se mudar tal coisa". Essa camaradagem abre espaços para que novos consultores se agreguem à nós. Estou feliz que o Ulisses, o Alisson e o André tenham entrado para o grupo. Eles fazem textos que trazem bandas das quais os antigos consultores talvez se quer imaginassem que existam, e isso é mais um diferencial, a ampla variedade de estilos e bandas que rolam pelas nossas páginas. Não somos o melhor site do mundo, claro que não, mas dentro do limite que temos, de sermos todos amadores, com exceção do Diogo, acho que estamos muito bem.
Como você avalia essas matérias colaborativas que é um diferencial do site? 
MM: Quando surgiu a ideia de fazermos matérias com mais de um consultor colocando sua opinião, achei que não ia dar certo. Porém, com o passar dos tempos, as colunas relacionadas a isso (Melhores de Todos os Tempos, Consultoria Recomenda e War Room, por exemplo) funcionaram muito bem. Eu gosto muito de participar das mesmas, e principalmente, de ler os comentários dos colegas depois. Parece que flui uma conversa, uma relação entre as pessoas, que pode ser ampliada nos comentários. Acredito que todos aprendem bastante, além de se divertir e ter a oportunidade de conhecer e divulgar novas bandas para os amigos. Posso estar errado, mas acredito que a Consultoria é o único site de música que faz algo nesse estilo. Gostaria muito que o War Room voltasse, por que ele registrava a espontaneidade de nossas conversas, mas com o tempo da gurizada cada vez mais escasso, não sei quando ele voltará a ação, mas também é outro colaborativo que só nós temos (valeu Daniel).
OK DEEP PURPLE
OK DEEP PURPLE RELATIVESOK RAINBOW
OK TRAPEZEWhitesnake
CAPTAIN BEYOND
Coleção relacionada ao Deep Purple: Discos da banda, artistas ligados ao grupo, Rainbow, Trapeze, Whitesnake e Captain Beyond
Internamente temos uma discussão infinita sobre bandas velhas x bandas novas, acompanhar as novidades ou focar nas obscuridades da época de ouro, heavy metal x outros estilos, etc. O que você pensa sobre isso?
MM: Discussão infinita pacas, as vezes nada divertida, principalmente quando começam a defender demais o heavy metal. Como o Bruno já disse em uma entrevista anterior, o que vale é a música boa versus a música ruim. Podemos encontrar uma ótima banda velha fazendo um som novo, assim como uma excelente banda nova fazendo um som velho. Obscuridades existem em todos os níveis, seja nos anos 60 e 70, como agora, assim como quando ouvimos uma banda como Cromagnon, de 1969, mas com um som tão inverso do esperado para uma banda de rock, ela acaba gerando a novidade. Acredito que muitos que se dedicam a ouvir obscuridades hoje em dia estão realmente em busca de algo novo, não importa a época da banda. Quanto ao Heavy Metal versus outros estilos, por mais que eu curta o Metal, ainda prefiro descobrir novas bandas no jazz, no progressivo, em outros estilos. O Metal para mim é muito parecido em termos gerais. Quando temos uma banda de destaque, como Black Sabbath, Metallica e Slayer por exemplo, ela se torna uma referência, óbvio, mas quando ouço bandas nova e vejo que eles não tem muito o que acrescentar na obra prima que esses gigantes fizeram nos anos 70 e 80, acabo não criando um vínculo afetivo com aquilo. Por isso, acho que o Metal para mim já não serve mais, não esse metal moderno.
Vamos passar pra sua coleção de discos. A quantas anda?
MM: Nesse momento, consegui terminar de catalogar meus discos. Estou com exatos 2043 vinis, 372 CDs, 212 DVDs e 51 Boxes (onde esses boxes contém 211 CDs, 22 DVDs e 17 LPs). Não é uma coleção muito grande, mas acho ela bem bonitinha (risos).
BEATLES E AFINSOK ROCK 60ROLLING STONES 1
ROLLING STONES 2
Beatles e afins, Rock anos 60 e The Rolling Stones
Pelos números da sua coleção está claro que você prefere os LPs aos CDs. Você tem explicação para isso? Você conseguiu aproveitar a época que todos estavam vendendo seus LPs por quase nada para trocar por CDs? E com essa volta dos LPs com preços bem mais altos que os CDs, como você vai fazer?
Bom, eu sempre fui um defensor do vinil. Mesmo na época que ele andou em baixa, eu sai em defesa do LP. Consegui muita coisa boa por preços inacreditáveis hoje, como por exemplo, o Iron Maiden Live at Donnington - triplo - por R$ 1,50, discos que chegavam as lojas como lançamento, e colocavam em saldão, por 1 real, cinquenta centavos a maioria. Peguei muita coisa que hoje custa fortunas, como No QuarterCoverdale / PageFate of NationsZooropaBlack Tie White NoiseDecade of AgressionFear of the Dark, os A Real Live e A Real Dead do Iron Maiden, 1916, alguns Peter Gabriel, era um bom período, e me arrependo de não ter pego mais por não ter o conhecimento na época de que aquilo iria se tornar valioso. Um exemplo claro de disco que passou pela minhas mãos por 50 centavos e eu não peguei foi o Se o Rádio Não Toca, do Raul, lançado em 1994, e que hoje custa quase mil reais. Aproveitei esse período e a transição quando o LP começou a valer mais, e durante muito tempo, a maioria dos discos que pagava no máximo 10 reais. Lembro quando comprei os Mutantes, quase tudo de uma vez só, que o CD custava 20 reais e o LP 8. Acho o som do vinil melhor, fora que o fato de manusear, cheirar, abrir a capa, é algo que te faz parar para quilo, é um carinho, uma troca de sentimento, que só um bolha consegue sentir. Hoje, com os preços lá em cima, fico chateado de que muito material sem qualidade acaba batendo na casa dos 30, 50, e por que não , 100 reais. Esperar baixar o valor acho que não adianta mais, pelo contrário, acredito que a tendência dos preços dos vinis é se manter em alta, mas vez ou outra, surgem raridades em sebos. O jeito é garimpar, e esperar o momento certo. Por outro lado, fico feliz de ver que uns 60% dos vinis que comprei por preço de banana hoje não sai por menos de 50 reais. Minha família vai lucrar bastante quando eu for assistir a Janis Joplin em outra encarnação (risos).
Colecionar discos, apesar de parecer um hobby solitário, sempre rende ótimas histórias e amizades. Conte-nos sobre situações bacanas ou curiosas que aconteceram envolvendo sua coleção de discos. 
MM: Cara, tem muitas. Vou contar três curtinhas aqui, que me marcaram bastante. A primeira foi de uma temporada que passei no Rio de Janeiro, durante meu doutorado. Fiquei um mês na cidade, em um albergue que ficava próximo a três sebos de Copacabana (além da antiga Modern Music, uma das melhores lojas de discos que conheci na minha vida). Nesse mês, eu fiz um curso no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, na Urca, e todos os dias, passava pelos sebos e pelas lojas para ver as novidades. Depois de um mês, voltei para Porto Alegre (onde morava na época) com mais de 200 vinis. Foram três malas só de discos. O pessoal do albergue se apavorava cada dia que eu chegava lá, sempre com uma sacola carregada nas mãos. Até hoje, fico sempre no mesmo albergue, e o pessoal lembra daquilo (foi em 2008). Infelizmente a Modern e dois dos sebos fecharam, mas um deles ainda se mantém na ativa, apesar de não ter mais tanta mercadoria para fornecer (ou eu que já estou com disco demais em casa). Nessa mesma temporada, minha passagem de volta para Porto Alegre estava marcada para o sábado de tarde. Pela manha, acordei com a sensação de que tinha que ir em um determinado sebo (cheio de disco, e ainda queria mais). Fui. Por lá, vasculhei todos os discos, e não encontrei nada. Na minha cabeça, rolava a terceira parte de "Eyes of the Heart", obra prima que o Keith Jarrett gravou no disco homônimo, o famoso álbum duplo de três lados, e que eu buscava há algum tempo. Vasculhei a loja com aquela canção na cabeça, e como não encontrei nada, resolvi perguntar para a dona: "Chegou algo novo?". Ela já me conhecia (um mês indo lá praticamente todo dia, não tinha como não conhecer) e ela respondeu: "Tem umas coisinhas que ainda não coloquei preço, acabou de chegar". Era um lote de jazz maravilhoso, e no meio dele, estava o bendito "Eyes of the Heart". Gelei na hora, e perguntei o preço. Ela olhou o vinil e disse: "Esse é 6 reais, por que não tem um lado". Levei ele e mais um Thelonius Monk e dois Duke Ellington por 20 reais, e fechei a temporada com chave de ouro. Outra história que me marcou foi na primeira ida para a Europa. Não tinha nem ideia das restrições nos voos da Ryan Air, uma empresa que vende passagens muito baratas, mas que impõe limites de peso e tamanho das bagagens. Você precisa pagar em euro por quilo de bagagem que superar o limite de 10 kg algo em torno de 50 reais, e eu, viajando da Grécia para a França, estava com no mínimo uns 20 kg de bagagem só em discos, fora roupas. Era o fim de verão na Europa, mas para não pagar as taxas (que seriam um absurdo), vesti todas as roupas que tinha levado. Devo ter ficado pesado uns 150 kg, mas como na mala só tinha vinis, e a mesma coube no limitador de espaços que  a empresa oferecia, nem chegaram a pesar a mesma. As caras dos seguranças vendo eu andando com uma jaqueta enorme no meio de um calorão desgraçado era bisonha, mas tudo deu certo, e os discos chegaram sãos e salvos, sem taxas, para as prateleiras que os aguardavam sedentos. Existem outras envolvendo vários artistas com quem conversei, mas posso deixar para os comentários, caso perguntem.
CURVED AIR E GONGFOCUSPFM SUPERTRAMPPROG EUROPA
SBB
Um pouco do progressivo europeu
Quais são suas principais lembranças de quando começou a ouvir música? Você ainda tem o primeiro disco que comprou ou ganhou de presente?
MM: Como disse acima, minhas principais lembranças são da minha infância, com meu pai, que nos incentiva bastante a ouvir música e o Micael - que também é colaborador do site - é o responsável pela minha formação musical. Ele que me mostrou o que eu gosto e o que eu não gosto, não por conta de que aquilo que ele comprava eu gostava, mas por que, como ele ouvia muita música, e era o irmão mais velho, ele tinha acesso a amigos que tinham as grandes bandas. Foi ele quem me apresentou ao BRock, ao Thrash Metal e ao grunge, dos quais a maioria eu não curti, mas também ao progressivo do Pink Floyd e do Genesis, que ele não gostou, mas eu adorei de cara. Se não fosse o Micael, e dependesse da minha irmã, talvez hoje eu fosse fã de Zezé di Camargo & Luciano (risos). Sempre fui um curioso musical também, e com as revistas Bizz, Rock Brigade e Top Rock (que o Micael comprava, lógico), eu lia sobre bandas como Yes, Janis Joplin, Santana, The Band, Bob Dylan, etc. Quando ia em uma loja, na época que podia ouvir discos, ouvia um deles, e então, se curtia, levava para casa. A primeira lembrança real que tenho uma data é 1989, quando "Stairway to Heaven" era trilha na novela global Top Model. Lembro que uma vez uma rádio passou a música, que eu já curtia na novela, inteira, e me encantei pelo solo. Naquele momento, minha formação musical começava a ser feita. Tinha seis anos, mas lembro disso claramente, e melhor, dias depois passou o clipe de "Vogue" no Fantástico. Me apaixonei pela Madona, a qual durante muito tempo, foi minha ídola maior. Meu primeiro disco foi minha mãe que me deu, no Natal de 1989, que foi o "Like a Virgin", o qual me desfiz quando virei um rebelde abobado que só ouvia progressivo. O primeiro LP que comprei foi o The Song Remains the Same. Isso foi em 1990. Trabalhei com minha mãe auxiliando na organização dos salgadinhos que ela fazia para fora (ela me deu esse valor pelo trabalho que levo até hoje), e ganhei alguns trocados. Fomos em uma loja em Pelotas e lá, pedi para o dono o disco que tinha a música "Stairway to Heaven". Ele me mostrou o Led Zeppelin IV e o The Song Remains the Same. Quando eu vi que o The Song Remains the Same tinha uma música de 26 minutos e 58 segundos, pirei na batatinha, e comprei aquele duplo, que era mais caro 50 mil cruzeiros, mas valeu a pena. Tenho ele até hoje, bem chatinho de tanto que ouvi, mas valeu muito a pena. O resto é história.
A partir de qual idade você considera que se tornou um colecionador?
MM: A partir do momento que comecei a ganhar meu próprio dinheiro. Isso foi mais ou menos com quinze anos, quando comecei realmente a trabalhar com a minha mãe, agora não mais organizando, mas  fazendo salgadinhos, e também com bicos como catador de lixo reciclável, professor particular de Matemática e Física, cobrador, funcionário de locadora de video-games, enfim, o que aparecia e que desse uns trocados. Foi quando comecei a comprar de verdade (antes, eram coisas específicas), através do Micael, que já morava em Porto Alegre, e que tinha contato com as lojas de lá. Nessa leva estavam principalmente os discos do Yes, que acabou se tornando o primeiro a ter a coleção construída. Depois vieram Led (Zeppelin), Genesis, Sabbath, Queen, Purple, Floyd, ELP, Iron Maiden, King Crimson, Metallica, Slayer, as bandas mais tradicionais, as quais consegui os principais discos por preços que hoje são considerados piadas (o mais caro dessas bandas aí devo ter pago 10 reais). Lembro que uma vez vi o Hoje É O Primeiro Dia do Resto de Suas Vidas por 8 reais, e não comprei ... . Mas foi somente quando realmente eu tinha um emprego (no caso, a bolsa de mestrado), que decidi investir mais em discos. Afinal, já tinha um salário fixo, e então, dava para separar um pouco para garimpar nas lojas e no Mercado Livre. Foi aí que fui morar em Porto Alegre, e consegui os discos do Van der Graaf  Generator, Raul Seixas, Gentle Giant, Premiata Forneria Marconi, Scorpions, Uriah Heep, UFO, Jethro Tull, Supertramp, David Bowie, entre outros que os álbuns não são tão comuns, todos com preços de no máximo 40 reais, que era o que eu podia pagar. Com o doutorado, aumentou a bolsa e também vieram viagens para outros países. Tive a sorte de viajar com dólar em baixa, e também aproveitei para usar e abusar do cartão de crédito na Amazon e no Ebay. Ali realmente me tornei um garimpeiro, e até hoje, continuo assim, apesar de não com a mesma intensidade de dedicação nos sites para comprar, devido principalmente ao trabalho, que agora me toma tempo fixo.
Yes - CDsYES 1YES 2YES
RICK WAKEMAN
Yes e afins
Quais são seus artistas favoritos e qual a banda que você tem mais itens na sua coleção?
MM: Dizer quais são meus artistas favoritos iria tomar muito tempo de leitura dos amigos, mas posso citar alguns que eu realmente coleciono, os quais são: Elis Regina, Frank Zappa, Yes e afins (Asia, GTR, as carreiras de Bill Bruford, Jon Anderson, Patrick Moraz ...) , David Bowie, U2, R. E. M., Led Zeppelin e afins, Queen, Black Sabbath e afins, Pink Floyd, UFO - e o que puder ligado a Michael Schenker - , Styx, Scorpions - e o que puder ligado a Uli Jon Roth -, King Crimson, Genesis, Triumph, Rush, família Purple (Deep Purple, Trapeze, Glenn Hughes solo, Captain Beyond, Tommy Bolin, Whitesnake, Rainbow, ...), Los Hermanos, progressivo nacional da década de 70 e Madonna. Desses, o que aparecer na frente e que eu não tenha, certamente deverá parar em casa (desde que eu tenhas os pilas para levar, hehehe). A banda que eu tenho mais itens é o Yes. Ao todo, são 81 itens, com 24 LPs, 42 CDs, 13 DVDs e 2 Boxes. Incluindo discos solos e afins, esse número aumenta para 132, com mais 46 LPs e 5 CDs. Depois vem David Bowie, com 76 itens distribuídos entre 50 LPs (incluindo alguns compactos e EPs), 17 CDs (também contando alguns singles), 3 DVDs, 3 Boxes e 3 livros; Frank Zappa, com 59 itens distribuídos em 48 LPs, 10 CDs e 1 DVD; e Elis Regina, com 56 itens distribuídos em 50 LPs (incluindo discos de festivais e/ou participações especiais), 2 CDs, 1 DVD, 1 Box e 2 livros. Todos são originais, e a maioria primeira edição, o que torna os itens mais valiosos (os Zappa, inclusive, 90% são importados). Não é muito, mas eu tenho um carinho bastante especial por cada disquinho desses.
Que outras bandas / artistas tem destaque na sua coleção?
MM: Em termos de números, UFO, com 23 LPs, U2, com 12 LPs e 28 CDs que trazem versões originais e especiais para os lançamentos pós-Zooropa, além de vários singles, R. E. M., com 17 LPs e mais 30 CDs entre lançamentos especiais pós-Out of Time, assim como vários singles. O pessoal curte as coleções completas (dos lançamentos oficiais) em vinil de Queen, Supertramp,  Rush, Led Zeppelin, Uriah Heep, Rainbow, Renaissance, Black Sabbath, Rolling Stones, Wings, Pink Floyd, Iron Butterfly, Moby Grape, It's A Beautiful Day, Jefferson Airplane, The Doors, Traffic, Triumph, ZZ Top, Vanilla Fudge, Arnaldo Baptista, Mutantes, Novos Baianos, Raul Seixas, Rita lee, Ney Matogrosso, Secos & Molhados, Styx, Beto Guedes, Captain Beyond, Grand Funk Railroad, The Allman Brothers Band, Van der Graaf Generator, Gentle Giant, Focus, Genesis, Santana, King Crimson, Emerson Lake & Palmer, Metallica, Slayer, Janis Joplin, Kansas, The Who, e a discografia do Elomar, que apesar de curta, eu sei que é bem cobiçada, ainda mais por que são os originais, com aqueles encartes maravilhosos que a gravadora Rio do Gavião fez. Alice Cooper, Jimi Hendrix, Keith Jarrett, Wishbone Ash, Duke Ellington, John Williams e Bob Dylan também tenho uma boa coleção, mas esses são mais difíceis de completar. Tem nomes que citei que as coleções são pequenas (como o Arnaldo e o Novos Baianos, por exemplo), mas que os discos hoje são bem procurados e difíceis de encontrar, e eu tive a sorte de adquirir eles em uma época que o vinil ainda não era tão valorizado assim.
 REM CDS
REM IU2 CDS
U2
CDs e LPs do R. E. M. e do U2
Como você organiza sua coleção?
MM: Tento manter um padrão em termos de estilos. Por exemplo, bandas de rock progressivo ficam todas juntas, assim como as de metal, califórnia, cantoras, cantores, etc. Os artistas brasileiros tem um local só para eles (até por que são artistas que estou adquirindo com frequência, coleções que comecei há pouco), e tento manter nessa ordem a questão do tempo. Portanto, thrash metal e pop, que tem a maioria das bandas na década de 80, estão juntos. Todos os LPs estão catalogados com nome de música e tudo, e os CDs estão catalogados apenas em números (assim como DVDs e Boxes). É dessa planilha que tirei os dados acima.
Você já manifestou através de seus textos que tem um gosto peculiar para certas coisas, defendendo suas opiniões com muita ênfase. O que todo mundo gosta e você não consegue gostar? O que só você gosta e não consegue acreditar que a maioria não dá valor?
MM: Velho, geral me xinga por que eu defendo uns discos bastante menosprezados. Como diria o poeta, a unanimidade é burra. Amo de paixão Hot Space (Queen), Pop, (U2) Never Say Die (Black Sabbath), Brother Were You Bound (Supertramp), The Elder e Dynasty (Kiss), Civilian (Gentle Giant), Nostradamus (Judas Priest), Two Virgins (John Lennon e Yoko Ono), Metal Machine Music (Lou Reed), e a fase experimental do Zappa, e sinceramente, você disse tudo: não acredito por que ninguém parou para dar valor ainda. Esses discos são sensacionais, e claro, não foi de imediato que gostei deles, mas com as histórias de cada disco acompanhadas de uma audição dedicada, vi que eles são espetaculares. Podem até dizer que "nem as bandas gostam desses discos", mas daí pergunto: "Será que não gostam ou precisam colocar o pão na mesa e preferem largar eles de mão?". Quanto ao que todo mundo gosta e eu não consigo gostar, isso vai desde Nirvana até a maioria das bandas de metal pós-anos 90. Nirvana é para mim a mais complicada. Ah, todo mundo gosta de Tábua de Esmeraldas, mas eu, tô fora (risos)!
ALICE COOPERKISSMADONNA
Van Halen
Alice Cooper, Kiss, Madonna e Van Halen
Fale sobre aqueles itens que causariam estranheza para alguém que vá olhar o conteúdo das suas prateleiras. 
MM: Sempre que vou em um país diferente, procuro comprar um LP regional de lá. Então, tenho algumas coisas "diferentes" da Grécia (um álbum de bouzoki, instrumento típico de lá, que é lindíssimo), Itália, Argentina, Bélgica, Chile e Espanha. Um amigo meu do Panamá me presenteou com um LP do presidente da Guarda Nacional Omar Torrijos, que confesso é bastante bizarro, com ele incitando o exército para a luta armada entre outras coisas, e que também veio acompanhado de outros LPs de músicos famosos nas ilhas do Caribe, os quais não ouço com frequência, mas são interessantes por serem coisas que não encontramos no Brasil. Tenho também uns discos gauchescos, para de vez em quando acompanhar um churrasco, mas acho que o mais "estranho" mesmo é ver a coleção da Madonna e do Erasure lado-a-lado com as coleções do Saxon e do Slayer (risos).
Você é um frequentador assíduo de shows. Conte-nos sobre os mais impactantes e as maiores loucuras que já fez para estar próximo dos artistas que admira. E responda aquela pergunta - um disco ou um show?
MM: Meu primeiro show foi em 1998, graças a meu irmão, Micael, que desembolsou a bagatela - na época caríssimos - 50 reais para o ingresso do Yes na turnê do Open Your Eyes. Eu tinha 15 anos, viajei 600 km sozinho da minha cidade Natal (ida e volta) até a capital, e vi, totalmente espremido, Steve Howe há menos de 10 metros do meu nariz, tocar "Mood for a Day" caminhando pelo palco do Opinião. Aquilo foi o êxtase, e ali eu entendi por que um show é tão bom de assistir. Depois, vi o Kiss em 1999, formação mascarada, original, com abertura do Rammstein. Aquele dia é inesquecível, por que fui do inferno ao paraíso. Eu estava viciado em Kiss, e sai de uma excursão de Pelotas (cidade que fica 60 Km de Pedro Osório) para ver o que se prometia ser o maior espetáculo que Porto Alegre já viu. Esse show tem muita história boa, mas duas delas para encurtar a entrevista: na época, celular era um tijolão para poucos. Meu pai me emprestou o dele para eu ligar para o Micael e nos encontrarmos por lá. No meio de 50 mil pessoas, eu com o tijolão no bolso, eis que o Micael me liga, e a gente se encontrou! Hoje, isso é uma banalidade, mas em 1999, era praticamente impossível. Depois, quando começou o show do Rammstein, foi apavorante. Os caras colocaram tudo abaixo, tanto que muitos dizem até hoje que o Rammstein deu de relho no Kiss. O vocalista entrou pegando fogo, eram flechas de fogo jogadas na plateia, e o pior de tudo foi quando o vocalista pegou o tecladista, colocou de quatro e, com um pênis de borracha, fingiu "fazer sexo anal" com o mesmo, ali, diante de um monte de gente apavorada. Não satisfeito, o vocalista fez com que seu penis ejaculasse na própria boca. Cara, até hoje me apavoro daquilo. Depois veio o Kiss, com show 3D, e acalmou os ânimos - considero esse até hoje o melhor show da minha vida. Em maio de 2010, fiz uma indiada munaia. Em menos de três dias, assisti três shows. No domingo, vi ZZ Top em Porto Alegre. Sai do show, tomei um banho e peguei um avião para São Paulo, onde vi o UFO. Lá, fiquei sabendo que havia ganho um ingresso para assistir o Aerosmith em Porto Alegre. Debaixo de muita chuva, vi a turma de Steven Tyler na terça-feira, e quando cheguei em casa, estava podre de cansado, mas valeu muito a pena. Nesse mesmo ano, consegui encaixar na minha primeira viagem à Europa um show do Ozzy em Paris. Esse é outro que tem muita história. Fui com um amigo de doutorado que morava por lá na época, e no caminho do metrô, detonamos uma garrafa pet de uísque. Quando o show começou, os franceses estavam tudo assistindo quietos, e só nós agitando. Chegou ao ponto de alguns nos olharem com aquela cara de "bando de loucos", mas foi divertido pacas. Teve também as idas e vindas para o show dos Stones nesse ano de 2016. Ih, histórias não faltam, passaria o dia contando, mas não vou encher o saco da gurizada. Mas posso dizer que tenho a sorte de ter conhecido e conversado com muitos artistas que sou fã. E entre um show e um disco, putz, fico com o show, já que é a oportunidade de conferir o artista ao vivo e a cores executando a sua obra, e isso é impagável.
 OK INGRESSOSLOS HERMANOS
Viper
Ingressos, palhetas e baquetas, oleção do Los Hermanos e do Viper
Qual o artista que você já assistiu ao vivo mais vezes? Quantas foram? 
MM: Vão me matar, mas o artista que já assisti mais vezes na verdade é uma banda, Los Hermanos. Assisti a sete shows deles, desde 2003, e olha, se puder, assistirei mais, basta eles terem interesse em retornar por um dinheiro que eu estarei lá. Mas para confortar os xiitas, dentre os grandes já assisti a Ozzy Osbourne quatro vezes. O velhinho é foda no palco. Passamos vergonha, por que ele não para. Tenho certeza que dão uma dose grande de adrenalina nele, por que o bicho simplesmente enlouquece, e é difícil acompanhar o ritmo do cara.
Qual o item mais raro de sua coleção?
MM: Velho, não tenho nenhuma grande raridade. Tem colecionador aí que tem umas coisas bem cobiçadas. Eu tento buscar essas raridades, mas falta $ e tempo para pesquisar. De qualquer forma, em termos de LPs, me orgulho de alguns itens originais, como os quatro primeiros da Elis Regina (hoje, o Poema de Amor, o Ellis Regina e O Bem do Amor valem quase tanto quanto o Viva a Brotolândia), As Crianças da Nova Floresta (Recordando o Vale das Maçãs), Depois do Fim (Bacamarte), Racional Vol. 1 (Tim Maia), os originais de Auto da Catingueira e Dos Confins do Sertão (Elomar), bastante cobiçados lá fora, os boxes originais da turnê de John Coltrane pelo Japão em 1966 (que me custaram um bom preço), o Metal Box do PIL, alguns bootlegs do Pink Floyd e do Led Zeppelin, uma coletânea russa do Black Sabbath, o original do 666 (Aphrodite's Child), os Arnaldo Baptista com a Patrulha, alguns álbuns de bandas da Europa / Estados Unidos  no auge do hard setentista, discos de bandas flower power que não são tão comuns, como Quicksilver Messenger Service e It's A Beautiful Day, por exemplo, ou a versão original de Wow (Moby Grape), com uma faixa de 78 rpm inserida entre as faixas de 33 1/3 rpm, as versões originais de Virgin Killer e Taken By Force (Scorpions), discos de bandas da Argentina e de Portugal, alguns europeus - nada que se compare ao Marco, por exemplo - e o Magnum Opus (Magnum Opus), que só saiu 32 cópias.
Styx - Paradise TheaterTenho um picture shaped do David Bowie que nunca mais vi para vender, assim como uma coletânea japonesa do camaleão, que consegui completinha, com obi e tudo. A minha discografia do Zappa também tenho apreço, principalmente nos discos da década de 80, que são mais raros (como os London Symphony Orchestra ou o Francesco Zappa, por exemplo, ou os boxes do Thing-Fish e Shut Up 'n Play Yer Guitar por exemplo). Tenho alguns pictures do Styx, UFO, Pink Floyd, que também não sei se verei novamente, principalmente a versão original do Paradise Theater, com uma impressão transparente no vinil que só pode ser vista contra a luz, assim como o picture original do primeiro Curved Air, o Air Conditioning, que muitos dizem ser o primeiro picture da história. Mas nada demais, como disse acima. Com os relançamentos em 180 gr, ficou muito fácil conseguir um disco raro, por isso, privilegio essas edições originais. Em CDs, certamente uma caixa do Queen, em formato de porta-joias, toda revestida em veludo, com várias apresentações da banda desde seu início até 1986, é o mais valioso.  Box de 22 CDs do SBB, chamado Anthology, também não é tão comum. Ah, tenho todos os Mutantes da década de 60 e 70 originais em LP. Para muitos, isso é ouro (risos). Álbuns autografados também tenho alguns, como Wishbone Ash, Focus, Scorpions, Glenn Hughes, Viper, O Terço, O Terno, Ney Matogrosso e Mutantes.
 MODDY BLUES QMSPOCO CREEDENCE HUMBLE PIEQUEEN RAROQUEEN
Queen Compactos
Coleções de Quicksilver Messenger Service, Moody Blues, Creedence Clearwater Revival, Humble Pie, Poco, Queen e Styx, além da caixa em veludo chinês do Queen
Coleções de Quicksilver Messenger Service, Moody Blues, Creedence Clearwater Revival, Humble Pie, Poco, Queen e Styx, além da caixa em veludo chinês do Queen
Cite cinco itens que, se você tivesse que vender sua coleção, não venderia de jeito nenhum.
MM: Pela questão do valor emocional e da dificuldade de se encontrar novamente, seriam:
SBB - Anthology (Box Set)
Bacamarte - Depois do Fim (autografado pelo Mário Neto e pela Jane Duboc)
Public Image Ltd. - Metal Box
John Coltrane - Coltrane in Japan
UFO - Live (Picture Disc)
Onde você adquire itens para sua coleção atualmente? Já comprou discos em lojas fora do país? Quais as dicas você passaria pros leitores?
MM: Hoje em dia, a internet é uma fornecedora de discos. Se você tem dinheiro e tempo para pesquisar, há inúmeras lojas que oferecem material de qualidade. Claro, ebay, discogs e mercado livre são os mais atraentes (a Pop Market e a Amazon foram fornecedoras por um bom tempo, mas a questão do frete que eles cobram acabou eliminando eles da lista, pelo menos por enquanto). Aqui no Brasil, tem páginas de venda de discos, e tenho alguns lojistas que fazem bons preços, dos quais posso citar o Roberto Carvalho (Woodstock, de Poços de Caldas), o pessoal da Gato Preto (Paraná) e claro, o Siri da Gaita, do nosso querido Marco, que tá sempre me assaltando e causando problemas com a mulher. Já tomei uns tufos nessas páginas, mas nada que me causasse um pânico. Quanto a lojas foras do país, sempre que visito um novo país eu faço uma busca pelas lojas de discos. Posso afirmar sem dúvidas, os melhores locais para comprar são na Europa. Aqui na América do Sul, conheci lojas no Chile e na Argentina. Os hermanos são muito parecidos com brasileiros, meio desorganizados e sem dar valor suficiente ao produto (que honestamente, é de baixa qualidade). No Chile, há muitas lojas, principalmente em Santiago, e o mais interessante é que 90% delas vende apenas material novo, ou seja, LPs de 180 g. Há muitos LPs que só saem lá, meio piratão mesmo, mas com uma qualidade muito boa, e os preços são bons. Por outro lado, estive na Holanda e na Bélgica e quase infartei por não ter espaço na mala. Os discos que você procura certamente você irá achar lá (só precisa ter grana para comprar). Grécia e Espanha também são excelentes lugares para pesquisar raridades, e com preços bastante acessíveis em relação aos da Holanda e da Bélgica, mas são menos lojas, então, tem que dar uma boa caminhada pelas ruas e ter a sorte de encontrar uma. Foi assim que achei a Zakarias na Grécia, localizada em uma pequena galeria perto do Palácio do Presidente, e a Metralleta, em Madrid, uma loja gigante que fica num subsolo de  edifício-garagem (!). Na Itália e em Paris há muitas lojas, mas os preços são bem mais caros. Enfim, se você for viajar para o exterior e tá afim de comprar discos, as dicas que posso dar são: 1° Não converta; se você converter, não irá comprar nada. Pense que está comprando em reais, e depois, garanta a alegria. 2° Dinheiro na mão não é vendaval; Se você pagar em dinheiro vivo, o desconto é muito bom, e os europeus valorizam isso; 3° Garanta um espaço na mala, ou melhor, uma mala inteira; ir para lá e comprar só um LP não é recomendado. Esbalde-se, e junte uma boa grana para isso, mas com certeza, você não irá se arrepender.
IRON BUTTERFLY ITS A BEAUTIFUL MOXYJEFFERSON AIRPLANEMoby GrapeSANTANA
THE DOORS
Moxy e clássicos de San Francisco: Iron Butterfly, It's a Beautiful Day, Jefferson Airplane, Moby Grape, Santana e The Doors
Quais os dez melhores discos da década de 60?
MM: Complicadíssimo, mas sem uma ordem específica:
Big Brother & The Holding Company - Cheap Thrills
David Bowie - David Bowie
Duke Ellington & John Coltrane - Duke Ellington & John Coltrane
Janis Joplin - I Got dem 'Ol Kosmic Blues, Again Mama!
Jeferson Airplane - Volunteers
Moby Grape - Grape Jam
Pink Floyd - Atom Heart Mother
The Beach Boys - Pet Sounds
The Yardbirds - Little Games
The Yardbirds - Roger the Engineer
 RenaissanceEMERSON LAKE & PALMERVDGG GENTLE GIANTPINK FLOYDKING CRIMSONJETHRO TULL 2
JETHRO TULL 1
Gigantes do rock progressivo britânico: Renaissance, Emerson Lake & Palmer, Gentle Giant, Van der Graaf Generator, Pink Floyd, King Crimson e Jethro Tull
Quais os dez melhores discos da década de 70?
MM: Eu inventei essa, e agora vou sofrer para fechar essa lista. Com a dor de deixar muita coisa boa fora. Mas enfim, essa em ordem:
Led Zeppelin - Physical Graffitti
Yes - Tales from Topographic Oceans
Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway
UFO - UFO 2: Flying
David Bowie - Low
Jefferson Airplane - Long John Silver
Armageddon - Armageddon
Captain Beyond - Captain Beyond
Led Zeppelin - Presence
Black Sabbath - Never Say Die!
 ACDCBLACK SABBATHCREAM E AFINSLED ZEPPELINOZZY E DIO
URIAH HEEP
Clássicos: AC/DC, Black Sabbath, James Gang, Cream e afins, Led Zeppelin, Ozzy Osbourne, Dio e Uriah Heep
Quais os dez melhores discos da década de 80?
MM: A década maldita, mas com muita coisa boa. Em ordem:
Queen - Hot Space
Bacamarte - Depois do Fim
Slayer - Reign in Blood
Elomar - Fantasia Leiga Para Um Rio Seco
Kiss - Music from "The Elder"
Possessed - Seven Churches
Madonna - Like a Prayer
Quaterna Réquiem - Velha Gravura
Whitesnake - 1987
Queen - The Miracle
IRON MAIDENJUDAS PRIESTMETALLICASAXON
Slayer
Um pouco de Heavy Metal: Iron Maiden, Judas Priest, Metallica, Saxon e Slayer
Quais os dez melhores discos da década de 90?
MM: A década mais fácil de fechar
U2 - Zooropa
U2 - Pop
Bacamarte - Sete Cidades
Pandelis Benetatos, Yiorgos Fakanas & John Stavropoulos - Stand-Art
Queen - Innuendo
Os Mutantes - O A E O Z
Los Hermanos - Los Hermanos
Jeff Buckley - Grace
Black Sabbath - Dehumanizer
R. E. M. - Automatic for the People
JANIS JOPLIN E BOB DYLANJeff BeckJIMI HENDRIX
MAHAVISHNU SHAKTI JOHN MCLAUGHLIN
Grandes artistas solo: Bob Dylan, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jeff Beck, John McLaughlin e alguns nomes do blues
Quais os dez melhores discos dos anos 2000 (de 2001 até agora)?
MM: Sem ordem específica
David Bowie - The Next Day
El Efecto - Pedras e Sonhos
Los Hermanos - 4
Los Hermanos - Ventura
Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho
Massahara - Massahara
Naxatras - Naxatras
Ney Matogrosso - Interpreta Cartola Ao Vivo
Van Züllatt - Van Züllatt
Cite dez discos que você levaria para uma ilha deserta.
MM: Se pudesse ser dez mil (risos). Vamos a eles, mais pelo prazer audiófilo e da saudade que dá do que por serem "os melhores de todos os tempos"
Aphrodite's Child - 666
Yes - Tales from Topographic Oceans
David Bowie - Low
Arnaldo Baptista - Lóki!?
The Rolling Stones - Beggars Banquet
Los Hermanos - 4
Supertramp - Paris
The Allman Brothers Band - Live at Fillmore East
Mutantes - E Seus Cometas no País dos Bauretz
Elis Regina - Falso Brilhante
RUSHTRIUMPHVANILLA FUDGE
ZZ Top
Rush, Triumph, Vanilla Fudge e ZZ Top
Cite dez itens que deveria ter nessa ilha deserta para completar o prazer de estar com esses dez discos.
MM: Uma boa vitrola
Eletricidade
Geladeira com cerveja mode infinite
Churrasqueira com picanha mode infinite
Vara de pescar
Livros mode infinite
Cama Extra King
Internet para baixar os outros discos que não pude levar
Computador para guardar os discos
Um jeep para dar umas bandas ouvindo os discos que baixei
Há um fim para a sua coleção?
MM: Já pensei nisso, e até fiz promessa de que encerraria minha coleção quando tivesse todos os discos oficiais do Zappa e da Elis Regina. Acho que essa é uma missão impossível, então, não há (risos). Na verdade, com a oportunidade que a internet nos fornece de descobrir novas bandas a cada dia, e com o DNA avançado de acumulador impregnado dentro de mim, fica difícil não querer ter materiais de seus artistas preferidos e também de artistas que você está conhecendo. A facilidade de compra pela internet também é uma dentro para quem faz coleção, basta ter um tempo para pesquisar e o valor para adquirir. Talvez um dia eu encha o saco (ou não tenha mais espaço em casa para guardar discos), mas enquanto minha esposa aguenta, vamos indo (risos). Porém, já estabeleci uma meta que me ajuda a manter mais uns anos de atividade, que será quando completar a coleção do Bob Dylan, o que é bem difícil.
UFO
SCORPIONSTHE ALLMAN BROTHERS BAND
THE WHO
UFO, Scorpions, The Allman Brothers Band e The Who
Alguma coisa mais que gostaria de passar para nossos leitores?
MM: Quero agradecer por acompanharem o site há cinco anos. Sem vocês, não teríamos por que escrever e dedicar nosso tempo há isso. Creio que jamais seremos um site como o Whiplash, até por que nunca ninguém aqui teve essa pretensão, mas ter o retorno, por menor que seja, nos comentários, ou com pessoas em shows que dizem "bah, tu és da Consultoria", já é um pagamento enorme. Desculpem pela grande quantidade de imagens e as pelas respostas longas, e muito obrigado.
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