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terça-feira, 14 de abril de 2020

War Room: Graham Bond Organization - There's A Bond Between Us [1965]





Com André Kaminski, Mairon Machado e Ronaldo Rodrigues

Voltamos hoje com mais um War Room, dessa feita, explorando um lançamento que irá completar 55 aninhos em novembro. Trata-se de There's A Bond Between Us, o segundo álbum de um dos primeiros super grupos da história, a Graham Bond Organization, que contava nada mais nada menos com Graham Bond (hammond, mellotron, vocais), Jack Bruce (baixo, vocais), Ginger Baker (bateria) e Dick Heckstall Smith (saxofones, flautas, instrumentos de sopro). Coloque o álbum para rodar e acompanhe a opinião faixa a faixa dos participantes, e não esqueça de deixar seu comentário também.


1. Who's Afraid Of Virginia Woolf?

Ronaldo: Só essa entrada triunfal do Hammond já vale a faixa. Isso é que eu chamo de "Swinging London"!
Mairon: O disco já abre com Ginger Baker mostrando ao mundo quem é Ginger Baker. Esses metais somados com os instrumentos de sopro é um delírio. Graham Bond era um baita tecladista, e seu solo nessa faixa de abertura é matadora.
André: Longo instrumental. Aliás, não teve vocais, mas começou muito bem

2. Hear Me Calling Your Name
Mairon: Swingzão massa da porra. Jack Bruce e sua voz inconfundível. Diferente do que podemos esperar para o Cream, por exemplo, mas dá para imaginar como seria isso com a guitarra do Clapton
Ronaldo: Essa segunda faixa já tem aquele temperinho do pop dos anos 60, aquele pop orquestral repleto de boas harmonias.
Mairon: O Organization de Graham Bond, foi assim, como os Yardbirds, um berçário de grandes músicos - nesse caso, revelou Jack Bruce, Ginger Baker e Dick Heckstall Smith (futuro Colosseum). É uma banda ímpar.
Ronaldo: Eu fico imaginando ter o Graham Bond, o Ginger Baker e o Jack Bruce na mesma banda...a treta devia ser feia nos ensaios! rs
Mairon: Diz que várias vezes o Bruce e o Baker quebraram o pau, jogando cadeira uns nos outros, e até instrumentos
André: Adorei como o sax no fundo dá uma embelezada na canção. Por sinal, é uma letra simples mas ganchuda.

3. The Night Time Is The Right Time
Mairon: Blues para colocar a casa abaixo, com toda uma pimenta soul para fazer a coisa ferver mais ainda. Esse clima gospel desse blues para mim é o ponto alto dessa faixa. Dá vontade de cantar junto;
Ronaldo: Essa faixa é um standard de primeira. Não me lembrava da versão deles. O interessante é como o som tem pegada rock mesmo sem guitarras! vale ressaltar que nos primórdios do rock o saxofone tinha mais protagonismo.
André: Aqui ele se destaca no baixo. Por sinal, me pergunto porque diabos ninguém ou quase ninguém monta uma banda com uma sonoridade nesse estilo anos 50/início dos anos 60, Com mais sax, baixo protagonista e tudo mais
Ronaldo: o Dick Heckstall-Smith é uma fera no sax e a batida do Ginger Baker é inconfundível; ele e o Jon Hiseman tocavam blues na bateria como ninguém mais.

4. Walkin' In The Park
Mairon: Essa música me lembra muito uma faixa que o Colosseum gravou depois, agora não lembro o nome, mas tá no ao vivo.
Ronaldo: Essa foi aproveitada pelo Colosseum também, com vários bpms a mais! sabe de quem é a autoria, Mairon? Eles lançaram com o mesmo nome, acho que no primeiro álbum deles.
Mairon: pois é, o Colosseum gravou isso né?
Ronaldo: Sim, é a faixa de abertura do primeiro álbum deles...mas a versão deles é bem mais rápida do que essa. Ambas muito legais!
Mairon: Ah sim, não lembrava do disco de estreia. É que o que eles fazem no ao vivo, com as vocalizações, é de tirar o chapéu.
André: Eu sinto que preciso ouvir mais este estilo de rock. Leve, sem frescuras, alto astral
Ronaldo: Solo de Hammond sensacional!
André: Olha o solo de Hammond, brilhante.
Mairon: Solo lindo de Hammond.
Ronaldo: E essa condução do Ginger Baker é maravilhosa...sou muito fã dele!
André: Conheço pouco do Colosseum para saber, vocês dois que são as autoridades progs do site que me iluminem.
Ronaldo: André, pode pegar tudo do Colosseum... é uma banda de primeira, musicalidade riquíssima...desenvolveu do blues até o progressivo sinfônico.
Mairon: Concordo com o Ronaldo sobre o Colosseum.

Heckstall Smith, Bruce, Baker e Bond

5. Last Night
André: Achei que iria começar um "Pretty Woman" hahahahahaha.
Mairon: Voltamos para os rocks dançantes baseados em linhas de blues. Ouvir a Graham Bond sempre me faz pensar como que muita gente acha que nos anos 60 só havia Beatles e Stones. Olha isso cara, que sonzeira.
Ronaldo: Esse tipo de base, essa linha de baixo, é muito comum no rock sessentista...vem do blues! Sonzeira total, diversão pura!
André: Pensem nos bailinhos de rock 'n' roll dos anos 50 e 60. Aquele povo sim sabia se divertir
Mairon: Ahã. Não tinham que ficar no whats à toa ...
Ronaldo: Hammond fritando!
André: Olha, mesmo as mais simples das canções tem solos magníficos. Que solo de Hammond, meu Deus.

6. Baby Can It Be True?
André: Essa é para dançar coladinho junto a guria e dançando devagarinho
Ronaldo: Eu acho curioso que o Ginger Baker já tinha muita assinatura desde esses primórdios. Vejo que o Jack Bruce desenvolveu mais (se comparar o material dele de 1965 e o de 1975, por exemplo), mas o Ginger Baker manteve mais ou menos a mesma abordagem em todos os seus trabalhos.
Mairon: Cara, Jack Bruce tem uma voz tão rouca para a idade dele. Esse cara devia fumar uns 15 maços de cigarro por dia. Baladaça!!
André: O pigarro do amor
Ronaldo: Que delícia de baladinha...puxou a pegada das big bands. E o que é esse orgão? Acho que o Jack Bruce treinava bastante pra isso também. O orgão também é maravilhoso. Não sei se vocês notaram, mas tem uma passagenzinha de mellotron ali... foi uma das primeiras aparições do instrumento em gravações.
Mairon: Lindo
André: Aquele sonzinho de fita magnética é inconfundível.
Ronaldo: Antes dos Beatles em "Strawberry Fields Forever".
[caption id="attachment_32854" align="aligncenter" width="484"] Dick Heckstall Smith, Jack Bruce, Ginger Baker e Graham Bond[/caption]

7. What'd I Say
Mairon: Cara, Ginger Baker é um monstro de ritmos. O que é isso que ele cria aqui? Uma espécie de samba, que misturado com o saxofone e com o Hammond sacodem até as paredes da casa. Mais uma sonzeira para curtir nas festas e nos pubs ingleses.
Ronaldo: Agitada! na mesma pegada de "I Feel Fine" dos Beatles... sóque aí é Ginger Baker na parada...então o bicho pega!
André: De fato, o Baker se destaca muito nessa faixa
Ronaldo: Esse Hammond dá um caldo maravilhoso na faixa!
André: Leves toques nos pratos. Até um glorioso cowbell hahahahaahaha.
Mairon: Eita solo de saxofone bom de se ouvir.
Ronaldo: Essa tirada no cowbell é realmente surpreendente! rs
Mairon: Como o Baker dizia, a GBO é a banda de jazz mais blues da história do rock britânico
Ronaldo: Tem razão... é nítida a transição entre os dois estilos!
Mairon: De sacolejar o esqueleto!
André: Aquela hora que acelera a bateria e finaliza de maneira apoteótica
Ronaldo: Termina como um bom bluesão.

Em sentido horário: Baker, Heckstall Smith, Bruce e Bond (pernas cruzadas)

8. Dick's Instrumental
Mairon: Melhor faixa do disco. Saxofone mandando ver, blues arrepiante, e um arranjo descomunal. Como que uma banda tão foda veio virar algo tão diferente, e igualmente poderoso, trocando dois membros e adicionando uma guitarra? Inacreditável
André: Muito bem, estou gostando bastante, Mairon. Pelo menos me acordou com um grande disco
Ronaldo: O que eu acho mais interessante é como essas bandas do blues britânico viraram e reviraram o blues americano do avesso pra criar coisas inovadoras como essa faixa. As outras faixas são muito divertidas e boas de se ouvir, mas essa foi além e traz várias ideias muito interessantes.
André: Pelo que diz na descrição do vídeo, a pergunta é como o Graham Bond teve a coragem de demitir o Baker e o Bruce.
Mairon: O Bruce pediu o boné por que não aguentava mais o Baker, e foi trabalhar com o John Mayall.
Ronaldo: O Eric Clapton disse uma vez que o Ginger Baker era um canalha, mas era dos melhores da área, então...rs
Mairon: A história é bem interessante. Eu to lendo o Crossroads ((biografia do clapton), e o trecho que é sobre a GBO é sensacional. Quando foram montar o Cream, o Clapton disse pro Baker: ou o Bruce ou nada, e o Baker engoliu.
Ronaldo: Fico só imaginando a treta!

9. Don't Let Go
Mairon: Outro rockzão anos sessenta, para levantar as meninas e girar pelo ar. Mais uma sonzeira.
Ronaldo: Muito groove nessa! também acho que tem mellotron nessa faixa (tocada de uma forma bem pouco ortodoxa).
André: Uma faixa diferente, mas interessante, o Hammond é muito diferente aqui.
Mairon: O mellotron para mim está como um acorde de fundo.
André: É o mellotron que faz esse sonzinho específico, Mairon?
Ronaldo: Esses ataques entre a voz parece ser o mellotron também... tenho quase certeza que sim.
Mairon: Parece.

10. Keep A'Drivin'
André: Isso é muito Jovem Guarda hahahahahahahaha
Ronaldo: Mais um bluezinho soft...na linha do que o Cream viria a fazer em "Hey Lawdy Mama".
Mairon: Mais um blues para agitar a galera. Bruce com sua voz roucaça, e a nítida impressão que já ouvi isso em outros discos do Bruce em sua carreira. A adição dos vocais femininos deu um up ainda mais saboroso para a faixa
Ronaldo: E com os vocais a la Doo-Wop.

11. Have You Ever Loved A Woman?
Mairon: Bah, nessa aqui o Graham Bond faz misérias. Acho que é a faixa mais conhecida deles né? Que baita blues
Ronaldo: O vocal do Bond nessa faixa está incrível!
André: É um cover do Freddie King, logo, não tem erro.
Mairon: Cara a categoria do Baker é acima do normal. Isso é 1965. Olha a diversidade de estilos que ele já tocou em pouco mais de meia hora.
Ronaldo: Não saberia dizer se é a faixa mais conhecida deles...acho que a banda é mais conhecida por nome (pelo conjunto da obra) do que por alguma faixa específica. O Baker realmente já era acima da média desde tempos imemoriais!
Mairon: Que solo de hammond. Jesus amado! Lindo
Ronaldo: Lindo demais...puro feeling.

12. Camels And Elephants
Mairon: Composição de Ginger Baker, então já sabem o que vem.
Ronaldo: Aqui surgem as doideiras!
André: Isso são as maluquices de bateria dele.
Mairon: Repito galera, 1965!!! Quem fazia algo assim nessa época? Pré-"Toad", pré-"Do What Your Like" e por ai vai. Que baita solo, que baita arranjo.
André: Quase ninguém fez depois também
Ronaldo: Outra característica marcante do rock entre 65 - 67 é a tentativa de incorporar escalas da música oriental (de diferentes locais) no meio do rock ou fundi-las com o blues.
Mairon: Exato Ronaldo. Acho que é um dos primeiros solos de bateria gravado por uma banda tida como de rock.
Ronaldo: Prenúncio dessas duas faixas, com certeza...como disse antes, o Baker já tinha uma assinatura desde antes de ser bem famoso.
Mairon: Nessa forma assim, que o Bonham copiou na cara dura em "Moby Dick", marcando o cymbal o tempo inteiro, até a sequência acho parecida, o crescendo e tal.
André: Uma música em que o protagonista é a bateria, quantas tem nos últimos 30 anos em grandes álbuns?
Ronaldo: Interessante esse detalhe, Mairon...não sabia dessa e nem me lembro de nada antes disso com solo de bateria.
Mairon: Só no jazz. E dessa forma, no rock, não lembro mesmo.
André: Só no jazz mesmo. Talvez alguma perdida no blues também.coragem para 1965 gravar algo assim.
Ronaldo: Pois é, André...de 80 em diante instrumentos além da guitarra perderam totalmente o protagonismo no rock.
André: No rock? Não lembro de nenhuma.
Mairon: Por isso Baker é Baker. E para quem acha que o solo de "Toad" é a origem, ouve isso!!! Destruindo as paredes aqui.
Ronaldo: Um dos maiores, sem dúvida nenhuma. Vejo alguns bateristas dizendo que ele não fazia nada demais, mas eu ignoro. Pra mim isso é inconteste.
Mairon: MONSTRO!!!!
André: Eu por exemplo se eu fosse músico, queria fundar uma banda em que o baixo fosse o protagonista. E eu seria o baixista é claro. Mas fica para outra vida
Ronaldo: Hahahaha!




Considerações finais
André: Sem considerações longas de minha parte hoje: discaço e ponto final.
Mairon: A Graham Bond era uma banda a frente do seu tempo. Esse segundo álbum é disparado o mais interessante, até pela presença do Baker. Me admira é que muita gente defende que só Beatles e Stones estavam na Inglaterra naquela época, e que inspiraram todo mundo. Bom, ouvir esse disco só me faz constatar que Beatles e Stones influenciaram muita gente, mas não esses gênios que criaram uma obra tão singular e sensacional
André: Orra, concordo e muito
Ronaldo: Já conhecia o disco (apesar de que fazia um bom tempo que não ouvia)...capta bem aquela pegada de blues e r&b que os mods ingleses ouviam e dançavam até cansar. Instrumental caprichado, um time de primeira qualidade, muito groove e músicas cativantes. É que nessa época a concorrência na Inglaterra era brabíssima, então, grupos como o GBO ficaram em segundo ou terceiro plano. Felizmente a obra fica para a posteridade e cá estamos nós, curtindo e dando o devido valor. Excelente escolha de disco, Mairon!
Mairon: Valeu pessoal. Um abraço!
Ronaldo: Tamo junto! Eu que agradeço.
André: Tranquilo, agradeço ao Mairon pela audição e a ambos vocês pela companhia. Abraços!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

War Room: The Enid - Sundialer [1995]



Por André Kaminski
Participações de Alisson Caetano e Mairon Machado

O The Enid foi formado em 1973 por Robert John Godfrey, após este sair do Barclay James Harvest por motivos um tanto nebulosos. Robert é o cabeça do grupo e apesar de funcionar como uma banda, está mais para um projeto solo dele. Sundialer [1995] é em sua maioria instrumental, com algumas pouquíssimas passagens vocais. A ideia nos anos 70 era fazer rock com muita sinfonia, que foi mudando aos poucos com o passar dos anos. Nos anos 90, época desse álbum, Robert inclui até mesmo uma certa batida "dance" de forma a deixar a sonoridade do The Enid um pouco mais palatável ao público. Robert deixou a banda em 2014 devido a um diagnóstico de Alzheimer e esta continuou fazendo shows mesmo sem seu principal líder. Porém, ele voltou no início deste ano depois de mais uma ressonância magnética em que desta vez, nada acusou em relação a doença. Logo, o The Enid continuará com o velho britânico novamente comandando as rédeas da banda. Veja como nossos consultores avaliaram o disco!

01 Sundialer
André: Início fortemente orquestrado, amo esse tipo de introdução.
Mairon: Conheço esse disco há um bom tempo. Barclay James é daquelas bandas que estão no segundo, talvez terceiro escalão das minhas audições. Aprecio bastante os discos do grupo, e alguns de seus galhos musicais também são igualmente admiráveis, como é o caso do The Enid. Em especial, esse álbum traz como diferencial uma sonoridade mais "dance", o que pode assustar aos fãs da banda, mas tem lá seu charme
Alisson: Essa intro me lembrou os trabalhos do Prince pra trilha sonora. Aliás, não tem a ficha técnica do disco no RYM, quem toca os synths?
André: Quem toca é o próprio Robert, Alisson.
Mairon: O que eu curto mesmo são esses trechos viajantes, meio Vangelis. Adoro!!
Alisson: Você pesou a descrição com sendo Prog Sinfônico mas -- tudo bem que não tem tanto tempo de play -- mas esse tá sendo longe de ser o definidor do disco. Dance eletrônico, as guitarras indo e vindo, paisagens futuristas e tal, tá ruim não. Beberam da fonte certa (RIP Prince).
André: A orquestra aparece bastante, Alisson, daqui a pouco vai ver muito mais dela.

02 Chaldean Crossing (remix)
Mairon: Aqui o disco realmente"COMEÇA". Até então, era só uma pequena amostragem. Agora a doideira irá exalar das caixas de som.
Alisson: Eu ia falar da produção antes mas acabei empolgando por lembrar do rei do pop lá atrás.
Mairon: Esse disco >>>>>>>>>>>>>>> abismo >>>> Prince
Alisson: Enfim, parece que não tem abertura pros instrumentos "ressoarem", saca? O grave é bem definido, quase saturando. Mas tipo, é tudo muito comprimido. Noob demais.
Mairon: As orquestrações surgindo timidamente, junto a um andamento suave, sintetizadores viajantes. Sinto-me no show do Kitaro, mas com dignidade ao menos.
André: Não me incomoda esse grave, por enquanto as melodias mesmo estão ao fundo surgindo aos poucos. Agora o baterista começa a aparecer um pouco mais com as batidas nos bumbos.
Alisson: Instrumentação indo e vindo, apesar de "sutil" fica até previsível de saber quando e como vem os ápices.
Mairon: Para quem conhece a carreira do The Enid, vale ressaltar que nem todos os discos tem essa vibe. Acho que aqui eles aproveitaram a onda New Age e fizeram algo nessa linha. Buddha's Bar é outra referência que me vem à cabeça ouvindo "Chaldean Crossing (remix)". Aliás, nunca descobri se existe uma "Chaldean Crossing".
André: Acho esse instrumental viajante excelente. Há espaço para os outros integrantes aparecerem mesmo que por alguns poucos segundos.
Alisson: Vocês focaram bastante no sinfônico da coisa mas eu só aproveitei mesmo durante os espaços de repetição. Quando o sinfônico surge, fica meio caricato e plástico.
Robert John Godfrey (tecladista e líder do The Enid)
03 Dark Hydraulic (remix)
Mairon: Mas não considero sinfônico. Não esse disco.
André: Essa é a minha música favorita da banda.
Mairon: A melhor faixa de Sundialer surge.
André: O baixo que virá é maravilhoso. O The Enid em sua maioria faz composições de início calmo que vai crescendo aos poucos em nossos ouvidos.
Alisson: Tem algo parecido em alguma OST de algum jogo antigo...
Mairon: Essa retorna ao clima Vangelis, com um adendo das trompas e metais, mas principalmente, um baixo fudidamente chocante. Sonzeira.
Alisson: Não comprei esse timbre de teclado não.
Mairon: Imagina a galera que em 1995 ouvia É O Tchan e Mamonas, chegando numa loja de discos de um roots prog que estivesse ouvindo esse "lançamento", o pânico da criatura, ahuahuaha.
Alisson: O que uma coisa tem a ver com a outra, bicho? o.O
Mairon: As passagens de guitarra, o ritmo da bateria, orquestração, teclados, tudo encaixando perfeitamente.
André: Bastante reverb nessa guitarra. Aliás, eu adoro o efeito reverb.
Alisson: Esses "sopros" também, viu... tá difícil.
André: Orra, acho que dá de chamar essa faixa de sinfônica não é mesmo?
Alisson: Continuo achando o lance bem mais pra um Prog Eletrônico mesmo, bicho.
Mairon: Acho que não André. É experimental. Concordo com o Alisson.
Alisson: Aliás, alguém botou tag no RYM como Alternative Rock...
Mairon: O que não impede de ser uma boa audição. Virada sensacional!!! Sonzeira do cão.
André: Ah, vocês estão considerando pelos rótulos, eu considero pelo uso das orquestrações em grande parte das canções.
Alisson: Se pegar e ver que os synths e teclados são centrais e dão até a estética retrô do disco, puxa bem mais pro Eletronico/prog.
André: Sim, o disco está mesmo muito mais para prog eletrônico, mas independente disso, acho melhor não ficarmos restritos a classificações. Vão nos considerar uns malas nos comentários hahahahahahahaha.
Alisson: E tá errado?
Mairon: Alisson, tira os teclados e vai dizer que essa guitarra não lembra o Belew em seus melhores dias???
Alisson: Quem é Belew?
Mairon: Adrian Belew.
Alisson: Ah.... nope. Agora que associei o nome.
Mairon: Lembra né?
Alisson: Eu lembro mais dele no Discipline e tipo: "TALKING HEADS". Mas sério, nem é forçando a barra nem nada, mas o estilo de guitarra lá na primeira faixa eu fiquei "caramba, o cara toca bem parecido com o Prince".
Mairon: Pior que não achei. Final de faixa para cair o cu da bunda.
André: Conheço pouquíssimo do Prince, logo, não vou opinar para não falar bobagem.

04 Ultraviolet Cat
Alisson: Kraftwerk na área.
André: Uma canção de início mais espacial, misturada a algo levemente industrial.
Alisson: Poxa, tava tão bom quando era só uma vibe Trans Europe Express... agora entrou esse clima meio lounge.
Mairon: Voltamos a um som mais pop. Lounge é uma bela definição. Parabéns Alisson.
Alisson: Foi pejorativamente.
Mairon: Eu curto esse tipo de som, ainda mais em um dia chuvoso como hoje aqui em São Borja. Dá um clima legal.
Alisson: Lounge só funciona ironicamente pra vaporwave.
Mairon: Acho que to chapado de mais.
Alisson: Peste dum zé droguinha...
André: Dorgas.
Mairon: Ando assistindo muito programa partidário
André: Que riff de guitarra! Simples mas eficiente!
Mairon: Cara, som muito bom. Vocais bem encaixados, guitarra com timbres legais. Gosto bastante.
Alisson: Nem to considerando as passagens com voz porque eles surgem esporadicamente e meio que não me acrescentaram nada. E essa vibe de música africana?
Mairon: Mas se encaixam legal.
Alisson: Destaque da faixa: didjeridu ao fundo, pena que dura pouco.
André: Para ir de Kraftwerk até a África, é uma viagem meuito louca, não Alisson?
Alisson: Fala isso pro cara que compôs a música kkkk.
Mairon: kkkkkkkkk.
André: Mais louco sou eu que vou ficar tendo que fazer essa postagem daqui a pouco para entrar amanhã.

05 Salome 95
Mairon: Essa é uma nova versão para a faixa de 86, do álbum homônimo. Foi mantida a linha de piano e algumas passagens aqui e acolá. É a mais fraca do álbum, em minha humilde opinião.
Alisson: Se é a mais fraca, nossa senhora...
André: A primeira versão é melhor, mas eu gosto desta também. O que eu gosto dela são as constantes trocas de notas do baixo.
Mairon: Eu acho que exageraram aqui. Não me soa no mesmo nível que as demais do álbum. Mas longe de ser ruim.
André: Por outro lado, os vocais líricos femininos não ficaram bons nessa canção, apesar de que imagino que o Robert quis trazer a "Salomé" para o disco.
Alisson: Harmonizar os vocais na faixa não ajudou em nada, pra ser sincero. O ritmo hipnótico de fundo funciona, mas quando entra o protagonismo dos teclados, não fica legal.
Mairon: Concordo fortemente.
Alisson: Tem horas que soa brega e piegas. Estendo isso para todas as faixas.
Mairon: Daí eu discordo.
André: Aí eu já penso diferente porque tirar o teclado da sonoridade descaracterizaria toda a banda.

Considerações Finais
Mairon: Bom, jamais esperaria que o André indicasse esse disco. Aprecio a Barclay James Harvest, e os discos do The Enid são misturas de engodos, enganações, obras primas e bras muito boa de serem audíveis. Sundialer se encaixa nessa última. Não ouço com tanta frequência, mas sempre que o ouço, curto a sensação. Passa rápido nas caixas de som.
Alisson: Prog eletrônico/sinfônico bem do operante. Apesar de ter sido lançado nos anos 90, faria bem mais sentido ter sido lançado nos anos 70. A influência de Vangelis é óbvia, mas não sei se por falta de criatividade ou coisa do tipo, mas as composições não encaixam. Seja por evolução batida e previsível, ou seja até pela produção saturada. Se você curte muito o estilo e quer continuar garimpando os "perdidos", vai fundo.
Mairon: Da banda, recomendo também In The Region Of The Summer Stars (1976), Aerie Faerie Nonsense (1977) e Six Pieces (1979).
André: Eu sempre gostei muito do The Enid e mesmo eu estando já há 4 anos escrevendo para a Consultoria do Rock, eu vi que andei adiando demais em trazer uma matéria que enfatizasse a banda. Recomendei este Sundialer porque vejo a banda soando muito diferenciada em misturar as batidas eletrônicas, quase dance, junto a orquestrações e elementos do rock e do prog. O disco me agrada muito e sinto que o The Enid precisa ser mais conhecido.
Mairon: Entra amanhã, André?
André: Sim, vou editar daqui a pouco, Mairon.
Mairon: Senhores, necessito deslocar-me do meu recinto, mas foi uma alegria inquestionável a audição desse álbum com vossas presenças. Grato de ❤.
Alisson: Valeu galera, abraços ae.
André: Até mais, e obrigado pelos comentários.

Créditos da imagem: Paul Michael Hughes Photography

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

War Room: UFO - The Salentino Tapes [2017]




Convidados: Adrian Dragassakis e André Kaminski
O que leva uma grande banda a gravar um álbum de covers, já com sua carreira consagrada, cheia de álbuns de sucesso, mais de 40 anos de estrada, muitas mudanças de formação, e fãs estabelecidos mundialmente? Foi o que pensei quando ouvi o mais recente álbum do UFO, e o resultado dessa audição quis compartilhar com alguns amigos consultores. Vamos ver o que eles acham de The Salentino Cuts, vigésimo segundo álbum dos britânicos, lançado ano passado.!

1. Heartful of Soul
André: Adoro o UFO mesmo alguns de seus discos mais malhados, curioso para um álbum de covers de uma banda tão consagrada.
Mairon: Como me é estranho ouvir um clássico dos Yardbirds com teclados. Apesar do esforço, acho que a voz do Mogg não casou com o que tínhamos originalmente. Prefiro muito mais a versão original, afinal, é a minha banda favorita de todos os tempos ...
André: Ah, é complicado coverizar os Yardbirds e soar com a mesma qualidade.
Mairon: O que mostra que mesmo uma banda de gabarito ainda está longe do que foram os caras.
Adrian: Acho válido álbuns de covers, quando bem feitos. Claro, com a intenção de homenagear suas influências, se torna até um álbum mais leve e você acaba sentindo isso ao ouvir. Mas há quem torça o nariz mesmo, quando a original parece intocável.
André: O Mogg mesmo velhão ainda canta com alguma propriedade, se adaptou bem ao fato de que os anos deixaram sua voz mais grave, mas ele se sai bem no estúdio.
Mairon: E ao vivo ele tem mandado bem também André. Vi o UFO duas vezes nessa década, e os dois shows foram ótimos.

2. Break on Through (To The Other Side)
Mairon: Essa já curti mais. Apesar da bateria não trazer \ "ginga brazuca", ficou pesadona, e Mogg consegue dar uma boa malícia para a faixa. Legal que o Vinnie Moore mesmo sendo um guitarrista de mão cheia, abre espaço para Paul Raymond brilhar nos teclados.
Adrian: Acho que já ouvi uma centena de covers dessa música, mas aqui parece bem divertida, com os teclados mandando ver.
André: O pessoal é muito chato em querer que caras de 60 anos cantem como se estivessem com 20.

3. River of Deceit
Mairon: Essa para mim é surpreendente. Uma banda de renome trazer algo tão novo quanto o sucesso do Mad Season, é incrível. E melhor que a original. Lembra para mim um pouco de Led Zeppelin, mas com um toque grunge no fundo.
André: Por enquanto uma audição bacana, não é lá de encher os ouvidos, mas essas faixas tem me agradado o suficiente para curtir aqui
Adrian: Olha, quem critica o vocalista está meio ruim de ouvido. O cara tem um timbre excelente pela idade. E como é o UFO tocando, dá a sensação que a música é mais antiga do que foi lançada. Não sei se me expressei bem, mas acho que vocês entenderam hahaha.
Mairon: Claro Adrian, claro. Mas dá para sentir um cheiro de grunge na faixa, apesar desse ar anos 70.
André: É, uma coisa meio noventista mesmo
Adrian: Mad Season foi um baita grupo. É meio a cara dos anos 90 mesmo no estilo, tem tudo aí
Mairon: O que me impressiona é uma banda dos anos 70 homenageando os anos 90.

4. The Pusher
Mairon: Super clássico do Steppenwolf. Banda que ficou marcada por "Born to Be Wild", mas que tem muito mais do que isso em sua vasta discografia. Essa versão do UFO está do mesmo porte da original.
André: Essa é do Steppenwolf, porra, tá muito boa. Por enquanto o melhor cover das que pintaram.
Adrian: A produção também é ótima, pelo menos aqui o som tá limpíssimo.
Mairon: Cara, como admiro o Moore. O cara toca pra caralho, mas consegue se conter. E é gente fina e humilde pacas!
André: Grande Vinnie Moore, nunca me decepciona em seus riffs e timbres de guitarra
Adrian: Que baita feeling nesse solo!
André: Concordo, feeling fantástico.

5. Paper in Fire
Mairon: Como fazer de um hit número um dos anos 80 uma canção sensacional para a década atual. Essa é para apresentar aos jovens o poder e a força de um injustiçado, John Mellencamp. Que baita música, uma de minhas favoritas de The Salentino Cuts. E mais uma surpresa. Nunca imaginaria o UFO gravando Mellencamp.
André: Não conheço a autoria original dessa faixa, mas gostei do que ouvi.
Mairon: André, essa música foi número 1 na Billboard em 1987. Sinta o cheiro anos 80 dela, mas com toda a categoria setentista que o UFO consegue criar em suas músicas!!
Adrian: Versão criativa e pesada, confesso que não dava muita bola para a original.
André: Cara, essa me passou batido, mas a verdade é que realmente não conheço nada de Mellencamp. Mas bem que me interessou ouvir a original.
Mairon: Ouça, e se assuste!!
Adrian: Do Mellencamp, acredito só conhecer essa mesmo.
Mairon: Eu conheço os discos até os anos 90. Depois é brabo. Mas o cara antes era bem legal. Um Bruce Springsteen da vida (em termos musicais, claro). Diogo vai me matar, hauhauaha
Adrian: Um Springsteen meio country? haha.
Mairon: Isso, isso, isso.

6. Rock Candy
André: Já ouvi isso em algum lugar. E é um hardão daqueles ardidos.
Mairon: Mais um grande clássico, dessa vez, bandaça dos anos 70, para quebrar pescoço e balançar a perna. Dá-lhe Monstrose. E mais uma versão poderosa do UFO. Me impressiona como mesmo com o passar dos anos, Andy Parker ainda soca o bumbo como ninguém!!
André: Ah, eu sabia! Não me é estranho! Grande Montrose!
Adrian: Também já ouvi em algum lugar. Moore tá inspiradaço aqui, hein
Mairon: Vinnie Morre aqui emulando Hendrix. O cara sabe tocar como poucos, e todos os estilos!
André: Ele tem uns discos solos muito bons, por sinal.
Mairon: Fiz um cinco discos para conhecer ele, mas a Uol nos tomou na mão grande ...
Adrian: Sacanagem!
André: Nem me lembre desse período negro.
Mairon: O Rob de Luca no lugar do Pete Way é a única coisa que ainda não consigo engolir.
André: Ah isso eu concordo, Pete Way sempre foi um destaque no UFO, Luca infelizmente só faz o básico


 Versão em vinil branco

7. Mississippi Queen
André: Não conheço essa, mas logo curti também. Mogg e Moore são os grandes destaques desse disco.
Mairon: Mais um clássico. Mountain é outra banda que podia ser mais referenciada. Essa versão em particular, não me agrada perto da original. Mas de qualquer forma, não é ruim. Principalmente pelo peso da guitarra de Moore.
Adrian: Não digeri muito bem essa versão... Parece meio desconexa haha
Mairon: Pois é, faltou algo nela né? Acho que são os vocais do Mogg.
Adrian: Acho que quiseram fazer uma versão mais obscura
André: Como eu não conheço essa canção, a mim soou muito boa. De vez em quando é vantajoso ser um ignorante.
Adrian: Conheci essa música assistindo Simpsons. Salve Homer
Mairon: Cara, tu não conheces "Mississippi Queen"?? Mesmo?? Até o Ozzy gravou
André: Cara, posso ter ouvido, mas não estou reconhecendo a original

8. Ain't Sunshine
Mairon: Linda versão para a baladaça do Bill Withers. Outra faixa que me surpreendeu a gravação e a escolha, e que ficou muito, mas muito melhor do que o que o negão fez, que já é sensual pacas!!
André: O teclado deu uma aura muito boa a essa canção.  Está lá discretinho, mas bem colocado.
Adrian: Gostei da versão, a original eu conhecia, mas não dava muita bola também. Adaptaram bem e fizeram um hardão bordel muito bom.
Mairon: Perdeu toda a qualidade soul, mas ganhou muito pela interpretação.

9. Honey-Bee
Adrian: Gostei dos harmônicos, Zakk Wylde deve estar enciumado haha
André: Achei essa mais ou menos, particularmente.
Adrian: Não conheço a original, não tenho como comparar. Não é tão divertida quanto as outras versões. Essa é mais arrastada.
Mairon: Quem diria que essa música seria lançada três dias antes da morte de Tom Petty, e se tornaria uma despedida para outro grande gênio da música mundial? Versão pesada, melhor que a original, com uma cara bluesística, mas com todas as qualidades e características do UFO atual.
André: Sei lá Mairon, essa "Honey Bee" é pesada e tal, mas a própria canção me parece comum, o Moore dá uma levantada nela com os solos, mas acho que é mais gosto meu mesmo.

10. Too Rolling Stoned
André: Ah essa eu conheço, um clássico do Trower.
Mairon: Quando vi o track list, essa foi a que mais quis ouvir, para ver o que Morre iria fazer e se chegaria aos pés do Trower. Ouçam e me digam o que acham. Depois comento.
Adrian: Nessa eu que sou o ignorante, preciso ouvir a banda original.
André: É um músico, Robin Trower.
Adrian: Baita pegada legal, um blues pesadão.
André: Ah Mairon, não sei a sua opinião, mas eu fico mesmo com a original
Mairon: Então André, fico com a original também. A malemolência do Trower é insuperável, e Mogg não consegue cantar que nem ele. Só a virada para a segunda metade da canção é que me conquista (o solo do Moore é fodástico)
André: Também acho, Mairon. Mogg é Mogg, Trower é Trower, ambos de grande qualidade em seus estilos. Como não acho que o Trower faria algo lá tão bom se coverizasse um "Doctor Doctor" do UFO.
Mairon: Ótimo André, boa ideia.
Adrian: O solo da original também é esse absurdo?
Mairon: Talvez melhor Adrian, talvez melhor ..

11. Just Got Paid
Mairon: Cara, Billy Gibbons deve ter aberto um belo sorriso entre seu barbão, ao ouvir esse boogie malandro e sensacional que o UFO recriou para sua música!! E o Moore mostrando seus dotes no slide.
Adrian: Achei legal, tem uma pegada até mais moderna nessa versão, ao meu ver. Mas a essência da época também está ai.
André: Essa está muito boa, do ZZ Top. E se o Alisson achar que a banda estragou a música, azar o dele!
Mairon: Alisson é o Nilo Fake, ou Nilo é o Alisson Fake??
André: Ambos fakes do Bernardo.
Adrian: O El comentarista?

12. It's My Life
André: Epa epa, é o The Animals! Para compensar o fato de eu não saber a "Mississipi Queen".
Mairon: Cara, para quem ouviu isso com o Animals e ouve essa versão do UFO, jamais vai dizer que é a mesma música. Mesmo o teclado do Raymond tentando emular o órgão da original, não se compara. Começou com um gigante dos anos 60, e termina com outro grande nome dos 60. Amo Animals, e assim como o Yardbirds, o UFO está longe de conseguir fazer algo tão bom quanto o original daquela época.
André: O The Animals é de Newcastle Upon Tyne, eu amo aquela região da Inglaterra, até o time da cidade é foda, eu tento ouvir tudo o que sai daquela cidade.
Adrian: Achei válida a homenagem, mas também acho que não ornou, assim como a Mississipi.
André: Também não se compara a original Mairon, mas acho que ficou um pouco melhor do que a do Yardbirds.
Mairon: Para mim, a mais fraca do álbum.
Adrian: Parece que foi gravada sem muita expressão, meio que na obrigação de ter uma bônus.


Contra-capa do CD


Considerações Finais
Mairon: Um disco bastante surpreendente em termos de escolha do track list. Acho que o UFO pecou em trazer alguns clássicos aqui, mas fez bem em resgatar obras novas. Deu uma cara melhor para várias faixas, e só capengou mesmo na primeira e na última canção.
André: Um ótimo disco de covers, acima da média do que se ouve comumente por aí, ainda mais sendo de uma banda clássica como o UFO. Alguns deslizes o que é normal, mas dá para considerar que o UFO fez bem em lançá-lo
Adrian: Álbuns de covers podem ser uma boa sacada ou um tiro no pé. Acho que esse álbum fica no meio termo, criando boas versões e até surpreendendo na escolha da música do Mad Season, que ficou excelente. Apesar de não gostar de algumas das tentativas, é um bom lançamento e vale a pena conferir.
Mairon: Acho que como um disco de brincadeira do UFO, está ok. Mas seria legal ver The Salentino Cuts talvez como um bônus do The Visitor ou do A Conspiracy of Stars do que como um álbum oficial.
André: Gostei principalmente é que não foram covers manjados, pensei que viria Led Zeppelin, Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, as de sempre.
Adrian: O Stryper mesmo fez um álbum de covers de 50% manjadas e acabei gostando. Tem o negócio de ser comercial também.
Mairon: O disco de covers do Stryper é muito bom. Bom gurizada, valeu por ajudarem a tirar a virgindade do Adrian, e que venham outros War Rooms para ele participar.
André: Valeu pessoal, vou jantar que a fome apertou.
Mairon: Tb vou jantar aqui. Abraços e obrigado gurizada!! Valeu, até mais!
Adrian: Valeu galera não sou mais cabaço. Vou chegar na casa do André por que ouvi falar que tem pizza.
Mairon: auheuaheua. Bora pra casa do André.
André: Quase acertou, é lasanha! hahaha


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

War Room: Etna - Etna [1975]


Por Ronaldo Rodrigues
Participações de Mairon Machado e André Kaminski
Poucas informações existem sobre esta banda italiana que, mantendo uma espécie de tradição no estilo progressivo daquele país, lançou apenas um único álbum. Contudo, há nuances interessantes na história (ou no pouco que se apresenta dela) do Etna. Formada em 1970 com o nome de Flea On the Honey, foi uma das poucas formações a se manter intacta por alguns anos na cena italiana. Em 5 anos a banda migrou de estilo e mudou de nome duas vezes - Flea On the Honey, executando um rock básico cantado em inglês, com um disco em 1971; Flea, com um hard rock vigoroso cantando em italiano, com álbum lançado em 1972 e um breve ressurgimento como Etna, após dois anos de hiato, na linha do jazz rock. Todas elas contavam com os irmãos Antonio Marangolo (teclados, vocais, flauta) e Massimo Marangolo (bateria, vocais), além do baixista Elio Volpini e do guitarrista Carlos Penisi. Após o lançamento do disco e pouco meses de atividade, a banda se desmontou com o ingresso de Agostino Marangolo no Goblin, banda notória do rock progressivo italiano por seus trabalhos com trilhas sonoras.
Apresento então aos senhores o único disco da banda italiana Etna, lançado em 1975.

1 - Beneath the Geyser
Mairon: Conheço o Flea, mas não conheço o grupo Etna. Vamos ver o que nos aguarda aqui. Com certeza, se os membros fizeram parte do Flea, teremos bastante virtuosidade e influências de jazz.
André: Também disco e banda desconhecidos para mim. Vamos ver.
Ronaldo: Essa introdução com os rufos de bateria me soam como se uma erupção fosse começar. O trabalho do baixo nessa introdução é fantástico
André: O início me passou a impressão de ser algo espacial, mas agora começou uma pegada mais jazz rock
Mairon: Mazah, exatamente o que eu esperava. Baixão na cara, teclados e guitarras fazendo boas variações de acordes e uma bateria fulminante a la Billy Cobham.
André: A bateria é o destaque maior dessa intro
Mairon: Quais deles fizeram parte do Flea? Eu apostaria o guitarrista e o batera. Mesmo estilo de tocar (saliento que não conheço os músicos do Flea, só ouvi o disco)
Ronaldo: Todos os instrumentistas dessa banda são incríveis e me impressiona o quanto todos conseguem se destacar em diferentes momentos. É um jazz rock extremamente democrático e com composições maravilhosas, que fogem daquela estirpe da virtuose meramente demonstrativa
Mairon: Muito bom! Muito bom!

2 - South East Wind
Mairon: Essa já possui um clima mais viajandão.
André: Um tanto experimental mesmo, me lembra algo da turma do krautrock
Ronaldo: Mairon, ao que me lembro, todos que gravaram o segundo disco do Flea tocam no Etna. Essa faixa já tem uma pegada mais funky, apesar dos acordes tortos e um ar mais experimental
Mairon: Agora voltou ao jazz rock, mas daqueles mais ligados a turma do Brand-X. Se bem que é antes do Brand-X.
André: Tem vocais nesse disco, Ronaldo?
Ronaldo: O vocalista do Flea também era tecladista e no Etna, dedicou-se apenas em tocar, já que o Etna é todo instrumental.
Eu particularmente não sinto falta de vocais nesse disco. Acho as composições muito envolventes. Essa faixa também tem uns lances de percussão bem curiosos.
Mairon: Legal. Essa do teclado é uma surpresa. Curioso que o baixista não brilhava tanto no Flea mas aqui ele é um dos principais nomes. Boas intrincações nessa faixa.
André: Eu curto muito disco instrumental, não me faz falta. Já ouvi vários do The Enid, embora esta banda seja mais da turma do sinfônico
Ronaldo: Mairon, acho o trabalho de baixo do Topi Uomini (segundo disco do Flea) bem consistente, mas de fato não tem tanto destaque quanto no Etna. Acho esse riff de baixo e guitarra até assobiável, o que é uma raridade para qualquer coisa relacionada ao jazz. O final dessa faixa é da pesada!
André: Por enquanto, este baterista está se destacando aos meus ouvidos
Mairon: É que é um jazz meio samba com algo funk aqui né. É difícil definir. E bastante variações. Olha essa mudança de andamento para o solo de guitarra.
Ronaldo: Solo de guitarra absurdo!
Mairon: O baixista não pode ser o mesmo do Flea. Não consigo acreditar ...
André: Incrível o seu domínio principalmente as batidas de caixa

3 - Across the Indian Ocean
Mairon: Cada faixa, uma surpresa! Como você descobriu esse diamante bruto, Ronaldo?
André: É, esse gongo e o título da música já dá a dica de algo mais asiático
Mairon: E o baixão novamente em ação.
Ronaldo: Foi uma indicação de um amigo, que tinha um blog. Conheci pelos idos de 2006-2007 e desde então é um dos meus discos favoritos da Itália. Essas percussões no início me remetem aquelas experiências que o James Muir fazia no King Crimson
Mairon: Muito bom cara. Impressionante que nessa época, a Itália não devia quase que nada para a Inglaterra e a Alemanha em termos de música, mas depois da década de 80, não conseguiu produzir quase nada de relevante. Pior que lembra o Muir sim. Mas cara, novamente, o baixo é muito bom. E o batera é uma mistura assombrosa do DeJohnette com o Cobham.
André: A Itália sempre surpreende
Ronaldo: Essa faixa pra mim tem um clima de trilha sonora a la Luis Bacalov ou Lalo Schfrinn com uns toques étnicos. O guitarrista quando aparece, detona!
Mairon: Loucura, loucura, loucura! (#HuckModeOn)
Ronaldo: Os italianos parece que se desencantaram com o rock dos anos 80 em diante! (risos). Esse piano elétrico Fender Rhodes é onipresente no disco todo...sensacional! O baterista é de uma criatividade absurda.
André: Ronaldo, se um dia eu ganhar na megasena, prometo que te dou um sintetizador Moog de presente
Ronaldo: Oba! que maravilha!

4 - French Picadores
Mairon: Ronaldo, se um dia eu ganhar na mega-sena, prometo que te pago uma passagem de avião e um churrasco, mais muita cerveja, para tocar um Moog aqui em casa.
Ronaldo: Meu Deus, que honra!
Mairon: Mas que barbaridade, os caras não param de me surpreender! Olha esse violão, que LINDO!
Ronaldo: Essa música é uma beleza. Clima mais acústico... arrisco dizer que é a minha favorita desse disco.
Mairon: Até achei que tinha entrado uma propaganda do Youtube. Totalmente diferente do que ouvimos até então.
Ronaldo: Te remete àquelas paisagens da Sardenha...
André: Que linda faixa, um violão dando uma atmosfera folk, legitimamente vinda dos bardos da Itália
Ronaldo: Os caras, além de ótimos instrumentistas, eram compositores de mão cheia.
André: Depois te perguntarei a quantas anda esta banda
Mairon: Ótimo crescendo. Lindo!
André: É um sax, não é?
Ronaldo: Já perdi as contas de quantas vezes ouvi essa música. Consta do meu top list tranquilamente. Sim, um sax nesse trecho final. É o baixista quem toca.
André: Incrementou bastante este solo de sax ao fim

5 - Golden Idol
Ronaldo: Essa também com uma pegada soul-funk na introdução e o baixo em destaque.
André: Gostando muito deste álbum, é variado e cada faixa muito diferente uma da outra.
Ronaldo: Uma batida que lembra até um pouco de "Watcher of the Skies" do Genesis.
André: Cada instrumentista com seu momento de destaque e todos tocando pelo bem da canção, uma pena não os ter conhecido antes.
Mairon: Exato André, bem variado. E um instrumental de alta qualidade. Esse som é mais um que traz um pouco daquela sensação da Mahavishnu (Orchestra). Só que o estilo do guitarrista é bem mais conservador em relação ao McLaughlin'.
Ronaldo: Agora é só curtir, André! O guitarrista é mais econômico que o McLaughin'...apesar do virtuosismo dos músicos, acho que o forte do Etna é o conjunto e as composições. Não me soa exagerado em nenhum momento.
Mairon: Tudo muito bem dosado, e muito bem feito. Belo disco.
Ronaldo: Pena que a banda parou por aí mesmo...ficou só neste disco.
Mairon: Assim como várias tantas outras boas bandas italianas dos anos 70. Fernando Bueno tinha que estar ouvindo isso. Para ver o que é rock italiano raiz, e não a "nutellice" de PFMs e Bancos que ele ouve.
Ronaldo: Pois é...isso deveria ser melhor investigado do porquê.
Mairon: Cara, olha esse piano! Sensacional!
Ronaldo: Incrível! o cara trabalha o tempo todo no elétrico e aí vai pro acústico ... uma variação muito legal.
André: hahahahahaha! Fernando é da turma do prog Nutella.
Ronaldo: Obviamente que essas bandas tem seu mérito, mas o prog (rock) italiano vai muito além disso! o tecladista abusa das dissonâncias e dá um clima meio cinzento em todas as faixas.
Mairon: Sim. Aqui é um prenúncio do jazz rock. Parece que os caras acabaram de conhecer o Bitches Brew, e resolveram fazer algo nessa linhas, mas com um Mamma Mia italiano, adicionado de muito formaggio e pomarolla.
Ronaldo: e a faixa termina tal como começou!

6 - Sentimental Lewdness
Ronaldo: Hora do baterista mostrar seus dotes.
André: Devia ser ótimo ver uma faixa dessas ao vivo.
Mairon: Pronto, agora sim, o batera resolveu mostrar que sabe tocar e que é o dono da banda. Que baita intro hein? E que baita riff. Puta que pariu! Que baita música. Coisa boa quando ouvimos algo que em apenas 15 segundos já te faz gostar!
Ronaldo: Pois é...essa faixa é impressionante! acho que é a que mais remete ao Flea...tem um riff agressivo e me lembra também uma banda bastante subestimada nesse território do jazz-rock, o Isotope. Agora um clima mais melancólico e batidas mais lentas
Mairon: Ronaldo, um carinhoso e honesto "Vá Se Foder". Caralho cara, que baita música. Muito obrigado por me apresentar isso e fazer meu domingo mais feliz!
André: Do jazz rock, sempre curti os alemães do Embryo.
Ronaldo: hahahahaha...agradeço pelo xingamento carinhoso! Embryo é ótimo também! Eu quis trazer esse disco pra vocês porque acho que essa banda deveria ser mais reverenciada e conhecida. Acho esse disco dentre as melhores coisas produzidas no rico cenário italiano dos anos 70.
André: Não esperava menos do nosso mestre, nos "Recomendas" sempre conseguia achar uma banda setentista que encaixava no tema e ainda por cima era muito boa.
Ronaldo: Agora uma quebra incrível, com a bateria e a guitarra dialogando. Valeu André!
Mairon: E fica a pergunta, por que será que desmancharam o Flea para criar o Etna, e depois não vingou? Guerra de egos?
Ronaldo: Informação sobre esses caras na internet ou revistas é muito escassa. Nunca consegui entender o motivo e o porquê da banda não ter dado certo. Esse final é épico!
Mairon: Sonzeira do cão! Melhor faixa em disparado!
Ronaldo: a faixa passou do jazz-rock mais furioso para um final mais sinfônico e dramático!
André: Adorei também.
Mairon: Só eu percebi algo de Focus por aqui?
Ronaldo: Percebo também e algo do Genesis!
André: O guitarrista achei que passou meio despercebido no começo, mas nesse final aí ele também demonstrou a que veio
Ronaldo. Um final apoteótico!

7 - Barbarian Serenade
Ronaldo: Essa também mais tranquila, com a presença de mandolim e piano acústico. E baixo acústico!
Mairon: Meu Deus. Mais uma mudança. Os caras são os reis das variações musicais. Outra faixa suave, com o piano fazendo as honras. E esse arco no baixo é de chorar! Arrepiante!
Ronaldo: Variações extremamente bem pensadas. Esse disco é arrebatador e o potencial dessa banda era praticamente infinito.
André: É, realmente tinha que estar no mesmo patamar das grandes da Itália, é lamentável que não tenha vingado
Mairon: Por outro lado, admiro que os caras gravem um disco de tão alta qualidade e parem por aí. Tipo "Cara, ja fizemos uma obra prima, vamos curtir nossos filhos agora" ...
Ronaldo: Ouço esse disco e tenho dois sentimentos distintos - ou desisto de ser músico ou me dedico absurdamente para tentar amarrar o sapato de caras assim. Pois é Mairon...será que os caras realmente pensaram que já queimaram toda a lenha disponível? esse tema é lindíssimo...uma carga dramática muito boa. Talvez a faixa mais sinfônica do álbum
Mairon: Cara, eles já tinham gravado dois bons discos com o Flea, mas aqui a coisa é absurdamente melhor. Só pode ser ...
Ronaldo: as viradas do baterista são avassaladoras! e esse mandolim, que lindeza
Mairon: Outra faixa sensacional. Assim como a antecessora. Encerramento do disco é muito melhor que o seu início, e olha que o início já é de cair o queixo.
Ronaldo: Chegamos ao fim!

Comentários finais:
Mairon: Cara, sem palavras. Ótimo disco. Instrumental muito bem trabalhado, músicos gabaritados, construções harmônicas fantásticas. Tudo perfeito.
André: Disco excelente, todos grandes instrumentistas que exibem suas qualidades sem qualquer detrimento a música, cada um protagonizando e se afastando dos holofotes no momento certo para que assim tenhamos um disco de enorme qualidade.
Ronaldo: Disco e banda muito subestimados. Composições incríveis, de alto nível, junto com um instrumental que é ao mesmo tempo virtuoso e extremamente funcional. Lamentável terem lançado apenas essa obra. Creio ter dado uma contribuição para que este petardo seja descoberto por quem se interessa pelo jazz-rock/progressivo.
Ronaldo: Obrigado meus caros, fico feliz que tenham apreciado!
Mairon: Com certeza Ronaldo. Bem distante dos também ótimos discos do Flea, em um nível muito superior. Dá vontade de ouvir novamente.
Ronaldo: Os músicos saíram de um hard rock/psicodélico para adentrar com muita propriedade no terreno do jazz rock.
André: Depois desse disco, se eu ganhar na megasena te dou um Moog e mais um Hammond, Ronaldo.
Ronaldo: Será recebido de bom grado! já estou na torcida por você! se eu ganhar, ao menos um LP original do Etna eu arremato no Ebay pra vocês!
Mairon: E fica a dica para procurar outros nomes do jazz rock italiano. Certamente iremos encontrar algo desse nível. Mas nos anos 70, hehehe.
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