sábado, 15 de junho de 2013

Melhores de Todos os Tempos: 1966

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The Beach Boys em 1966: Carl Wilson, Brian Wilson, Dennis Wilson, Mike Love e Al Jardine
Por Diogo Bizotto
Com Adriano KCarão, Bruno Marise, Davi Pascale, Fernando Bueno, Luiz Carlos Freitas, Mairon Machado e Ronaldo Rodrigues
O ano de 1966 marcou uma importante virada nas carreiras daquelas que, possivelmente, eram as duas mais populares bandas provenientes de cada lado do Atlântico: The Beatles e The Beach Boys. Ambos já haviam dado fortes sinais, em álbuns anteriores, do caminho a ser seguido, unindo sensibilidade pop a uma dose de ousadia praticamente sem precedentes até então, mas com Revolver e Pet Sounds os grupos confirmaram de vez seus papéis como líderes de uma nova e excitante revolução musical. Dito isso, não é de se admirar que justamente esses dois trabalhos tenham liderado nossa lista abrangendo os lançamentos de 1966. Confira também as edições anteriores desta seção (1963, 1964 e 1965), lembrando sempre que nossos critérios seguem a pontuação do Campeonato Mundial de Formula 1, e não deixe de registrar suas preferências nos comentários.

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The Beach Boys – Pet Sounds (116 pontos)
Adriano: Merecidíssimo primeiro lugar! Talvez o único motivo pra que essa maravilha não tenha entrado na primeira colocação na minha lista é que eu, particularmente, encontro-me em um momento muito mais Donovan que Beach Boys. Pet Sounds é um marco, é sagrado, é a postulação do ideal de música progressiva no rock, embora obviamente não seja já rock progressivo. Não vou falar dos arranjos porque exigiria uma matéria inteira, mas recomendo: atente a cada pequeno detalhe. Embora o disco só tenha bons momentos, destaco aquelas faixas mais absurdamente lindas: “Here Today”, “I Know There’s an Answer” e, principalmente, “God Only Knows”, “I’m Waiting for the Day” e “You Still Believe in Me”, três das melhores faixas da banda e da música em geral!
Bruno: Com Pet Sounds, os Beach Boys deixaram de ser só mais uma banda de surf/beat para se tornarem um dos nomes mais respeitados da história da música. As melodias inspiradas, o clima triste e as harmonias vocais elaboradas tornam esse o disco pop perfeito.
Davi: Este álbum foi criado poucos meses após Brian Wilson decidir parar de excursionar com a banda, ficando apenas como compositor. O produtor dos Beatles, George Martin, chegou a declarar publicamente que, sem esse álbum, não teria existido Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967). Apesar de toda a influência e da qualidade do disco, acho a fama em torno do mesmo um tanto exagerada. No entanto, não há como negar que é um álbum essencial em uma discoteca de respeito.
Diogo: Embora não seja um fã de Beach Boys nem um costumaz ouvinte desse álbum, somente um caso de surdez total não me permitiria visualizar as gigantescas qualidades que o trabalho possui, em todos os aspectos. Ele é brilhante em termos de composição, arranjos e produção, de uma maneira que influenciaria o jeito de ser da música pop dali em diante, direta e indiretamente. Em particular, admiro o clima de melancolia e pureza transmitido ao longo do track list, exalando um lirismo difícil de se encontrar, ainda mais em se tratando de artistas assumidamente populares. “You Still Believe in Me”, “Let’s Go Away For a While”, “God Only Knows”, “I Know There’s an Answer” e “I Just Wasn’t made For These Times” (que título!) representam exatamente isso que descrevi. Bem, talvez eu devesse ter colocado esse disco umas duas posições acima em minha lista pessoal…
Fernando: Justíssimo o primeiro lugar. Este é um dos candidatos a melhor disco de todos os tempos, mesmo com essa capa. Pena que os Beach Boys não conseguiram criar outro disco que chegasse perto da qualidade de Pet Sounds. “Wouldn’t It Be Nice” é uma daquelas canções que deveriam ser mais longas. Sempre a ouço duas vezes.
Luiz: O trabalho que imortalizou o grupo. Não que seja o melhor (ainda prefiro o anterior), mas foi, sem dúvidas, seu portfólio para novos caminhos, configurando-os como uma das referências da música pop, saindo da delimitação do subgênero surf. Um grande disco.
Mairon: Um dos melhores discos de todos os tempos. Brian Wilson criando melodias e harmonias impressionantes, jamais ouvidas até então e jamais igualadas posteriormente. Um trabalho árduo, longo e de extrema dedicação, feito com todo o amor que o álbum prega. Por isso, todos que o ouvem são unânimes em admirar aquilo que é transmitido pelo grupo norte-americano. Inclusive os críticos musicais, há mais de 40 anos, garantem a sobrevivência deste disco sempre tecendo elogios amplamente qualificados para a obra-prima da década de 60, e principal influência para diversos grupos.
Ronaldo: Difícil arrumar adjetivos para um disco como este, dos mais importantes da história da música no século XX. Ele vai muito além do rock. Não é rock, especificamente. É uma obra da música jovem, um trabalho de composição primoroso e surpreendente até pelo passado da banda. Tem algumas características do antigo som do grupo, mas está muitos passos adiante do que fizeram anteriormente. Um som introspectivo e profundamente belo. Bob Dylan profetizou que os tempos estavam mudando e eles realmente mudaram, e muito. Me causa arrepios.

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The Beatles – Revolver (98 pontos)
Adriano: Se a banda já havia lançado pelo menos dois bons discos, o primeiro (1963) e Help! (1965), dessa vez eles chegaram com um clássico! Três músicas deste disco são suficientes pra colocá-lo entre os dez melhores de 1966: “Love You To”, de Harrison, “She Said She Said”, de Lennon, e “Here, There and Everywhere”, de McCartney. Harrison ainda brilha com a maravilhosa “Taxman” e Lennon com “Tomorrow Never Knows”. As demais faixas variam do bom ao ótimo, excetuando-se “Eleanor Rigby”, “I’m Only Sleeping” e “Yellow Submarine”, que não me agradam.
Bruno: Se em Rubber Soul (1965) os Beatles já começavam a flertar com experimentalismos e expandir os horizontes musicais, em Revolver essa viagem seria completa. Além do já habitual destaque de Lennon e McCartney, quem também brilha é George Harrison, tanto na guitarra (“She Said She Said”, “And Your Bird Can Sing”, “Doctor Robert”) quanto nas composições (“Taxman”, “Love You To” e “I Want to Tell You”).
Davi: Outro grande álbum do quarteto de Liverpool. Em Revolver, os rapazes começaram a ir cada vez mais fundo em termos de composição, a ousar mais. A partir deste disco, George Harrison também começou a ganhar mais destaque como compositor. Entre suas composições estão o hit “Taxman” (que chegou a ser regravada por Stevie Ray Vaughan) e a belíssima “I Want to Tell You”. Ringo também se destaca, com levadas criativas. Um grande exemplo é “Tomorrow Never Knows” (aliás, a bateria dessa musica seria fortemente chupada na canção “Supernova” do grupo Skank). A complexidade das novas composições, somada com a falta de estrutura, seriam fatores essenciais para que os rapazes resolvessem parar de excursionar ainda em 1966.
Diogo: Em Rubber Soul a virada se desenhou, mas em Revolver ela se manifestou de vez. Encontro entre maturidade, talento, e experiência, o álbum mostra uma banda ainda unida, trabalhando magnificamente em estúdio e utilizando-o como um grande aliado, ampliando seus horizontes ao ponto do grupo sequer tocar instrumento algum em uma das canções, o clássico “Eleanor Rigby”, que é conduzido por um octeto de cordas.  Destaque também para o florescer de George Harrison como importante força no quarteto: suas três composições são ótimas. O belíssimo resultado final é maculado pela péssima “Yellow Submarine”, que inexplicavelmente tornou-se uma espécie de hino para alguns abobalhados, suplantando diversas outras com tanto apelo pop quanto esta, mas com qualidade infinitamente superior, como “Here, There and Everywhere”, “She Said She Said”, “And Your Bird Can Sing”, “For No One”, “Doctor Robert”… Felizmente, “Tomorrow Never Knows” compensa essa falha.
Fernando: Os dois discos anteriores já tinham bastante do que costumamos chamar de “fase adulta” dos Beatles, mas este é, definitivamente, o álbum que selou essa mudança. “Eleanor Rigby” e “Tomorrow Never Knows” são daquelas músicas que a gente se surpreende de tão boas que são.
Luiz: Até gosto dos caras, mas nunca consegui desenvolver a mesma veneração por eles que o restante do mundo tem. É um grande disco, entendo e aceito sua importância, mas não me cativa.
Mairon: O grupo de Liverpool tentando soar psicodélico. Paul McCartney e cia. tentaram copiar o que Brian Wilson e seus colegas haviam feito três meses antes, e não se saíram tão bem assim para ficar em segundo colocado. Aqui está a pior canção do grupo, “Yellow Submarine”, fato que já mostra quantos centavos vale esse LP.
Ronaldo: Aqui os Beatles esculacharam e fizeram um trabalho que consegue ser ao mesmo tempo a síntese perfeita de seu presente, de seu passado e de seu futuro. Seria genial por ser ousado e pop ao mesmo tempo. Muitos outros fizeram isso também naquela época, mas ninguém fez isso como eles.

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Bob Dylan – Blonde on Blonde (72 pontos)
Adriano: Discaço! Dentre os álbuns que conheço de Dylan, é o segundo melhor, perdendo apenas pra Another Side of Bob Dylan (1964). Blonde on Blonde, contudo, é mais rico em termos de variedade musical, oferecendo momentos divertidos, como a faixa de abertura, “Rainy Day Women #12 & 35”, blueseiros, como “Leopard-Skin Pill-Box Rat”, encantadoramente pop, como “I Want You”, ou altamente emotivos, como “One of Us Must Know (Sooner or Later)”. Destaco dois clássicos eternos: “Most Likely You Go Your Way (And I’ll Go Mine)” e “Just Like a Woman”. Perfeitas!
Bruno: Bob Dylan deixou de lado o rock mais cru de Highway 61 Revisited (1965) e investiu em uma sonoridade mais diversificada, com elementos de country e blues. Um bom disco, mas que não está entre meus preferidos do compositor.
Davi: Disco considerado como o final da trilogia iniciada em Bringing It All Back Home (1965). É tido como um dos primeiros álbuns duplos da historia do rock e frequentemente incluído nas listas de melhores discos. Para mim, trata-se do mesmo caso dos Beach Boys: considero-o um bom registro, mas não é tudo isso que falam. É um trabalho de Dylan que considero cansativo e um pouco abaixo do anterior, o fantástico Highway 61 Revisited. A faixa “I Want You”, anos mais tarde, receberia uma versão em português do grupo mineiro Skank com o nome de “Tanto”.
Diogo: Blonde on Blonde pode não ter a mesma urgência de Highway 61 Revisited nem ter destaques tão óbvios, mas é, acima de tudo, a afirmação da capacidade de Dylan em produzir material de altíssima qualidade em grande quantidade e curto espaço de tempo. São 14 faixas, e todas, repito: todas são, no mínimo, muito boas. A amplitude dessa experiência sonora poderia resultar em dispersão, momentos de menor inspiração… Mas não, Dylan prende o ouvinte da mesma maneira, pegando-o pela mão e conduzindo-o por uma viagem ao que de melhor a música norte-americana havia gerado até então, começando em um grande deboche (“Rainy Day Women #12 & 35″) e finalizando em um de seus incríveis épicos (“Sad Eyed Lady of the Lowlands”). No caminho, o trovador e seus comparsas passeiam por rock, blues, country e folk com maestria absurda, tornando a tarefa de apontar destaques um verdadeiro suplício para o fã temente à injustiça. Poderia citar metade do álbum aqui, mas prefiro apenas dizer: ouça!
Fernando: Mesmo sendo inferior aos álbuns que já entraram nas primeiras listas desta série, ainda é um discão. Acho que ele merece estar nesta lista – afinal, eu mesmo o coloquei na minha –, mas me surpreendi com a alta posição em que ele ficou.
Luiz: Minha relação com Bob Dylan é controversa. Apesar de Highway 61 Revisited eBlood on the Tracks (1975)serem dois dos discos da minha vida, não sou de seus maiores admiradores, tendendo até a gostar mais dos que o acompanharam (como Joan Baez, por exemplo) e dos influenciados pelo seu som ao longo das décadas (que não são poucos). Blonde on Blonde foge à sonoridade do álbum anterior, com uma pegada mais Blues, porém mantendo a força das letras e dos arranjos. Entre os melhores discos do cara, sem dúvidas.
Mairon: Um disco genial, mostrando que 1966 foi um ano de grande inspiração para diversos artistas. Dylan está acompanhado de uma ótima banda e comanda o aparato elétrico com uma energia fantástica. Daqueles álbuns que todo ser que pensa que gosta de rock deve ouvir antes de dizê-lo. Os lados pares desse disco duplo são perfeitos, e, em tempo, “Sad Eyed Lady of the Lowlands” é forte candidata a melhor canção de Dylan. Essencial!
Ronaldo: Bob Dylan passando o bastão para a nova geração. Mais um registro sensacional que, junto com os anteriores ou até por si só, já valeria mais do que muitas discografias por aí. Acho que é o trabalho dele com maior capricho instrumental até então.

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The Rolling Stones – Aftermath (70 pontos)
Adriano: Nunca tive esse disco em tão alta conta por um simples motivo: ele não é tão melhor que seus antecessores e é bem inferior aos seus sucessores de 1967. Isto é, dentro da carreira dos Stones, ele não tem grande destaque. Mas essa experiência de destacar os melhores álbuns de cada ano me fez ouvir Aftermath não acompanhado dos demais discos dos Stones, e sim dos lançamentos de 1966, fato que me permitiu ver sua riqueza, a abertura de novos rumos dentro do rock que esse trabalho, como outros contemporâneos seus apresentados nessa lista, proporcionaram. Embora “Lady Jane” e “Under My Thumb” sejam boas músicas, o disco é repleto de faixas melhores, como a suavemente agressiva “Stupid Girl”, a blueseira “Don’t Cha Bother Me” (bem melhor que qualquer coisa que o Cream havia feito nesse ano), a incisiva “Flight 505” (com a introdução de piano mais genial da história do rock até então) e a comovente “Out of Time”, que recebeu uma interpretação soberba de Chris Farlowe, mas cuja riqueza já se encontrava toda nessa versão original. Todas as demais faixas são muito boas, mas o disco peca por encerrar com três faixas pouco empolgantes, que funcionariam melhor distribuídas pelo meio do álbum.
Bruno: A primeira grande obra-prima dos Stones. Se em Out of Our Heads (1965)a banda já deixara de lado o beat tradicional e começava a mostrar sua ferocidade e maior influência de blues, em Aftermath o grupo aumentaria suas experimentações em seu primeiro disco 100% autoral. É o registro definitivo de Brian Jones, que, além de guitarra, toca marimbas, saltério e gaita. Se a edição original inglesa perde sem a clássica “Paint It Black”, ganha a maravilhosa “Out of Time”, com um dos grandes êxitos melódicos da história da banda.
Davi: É neste trabalho que a dupla Jagger/Richards firma-se como compositores, além de ser o primeiro álbum dos Stones 100% autoral. Brian Jones destaca-se como multi-instrumentista gravando cítara, gaita, guitarra, teclados, marimba, entre outros. Os clássicos “Mother’s Little Helper”, “Out of Time” e “Under My Thumb” são daqui. Para os colecionadores, vale lembrar que a versão norte-americana é diferente da inglesa. Clássico!
Diogo: Quase entrou em minha lista pessoal. Para ser mais exato, ocupou a 11ª posição, sendo limado no final. Esse fato, porém, não diminui seu valor, na verdade enaltece as qualidades dos álbuns que ficaram em melhor colocação, pois Aftermath é, sem dúvida, um belo disco, continuando a desbravar o caminho iniciado em Out of Our Heads e mostrando muito sangue no olho e capacidade de crescer por suas próprias pernas, excluindo covers e sedimentando a parceria Jagger/Richards. “Lady Jane”, “Under My Thumb” e, especialmente, “Out of Time” não se tornaram clássicos à toa.
Fernando: O único álbum que não faz parte da sequência matadora que vai deBeggars Banquet (1968) até Exile on Main St. (1972) que pode ser comparado a esses discos.
Luiz: Aqui, vemos os Stones firmarem sua identidade. E não me refiro a algum padrão musical que viria a ser seguido, pois isso não é algo que combina com eles, que passearam bem por experimentações ao longo das décadas, mudando seu som sem perder seu estilo característico. A identidade aqui firmada foi justamente a de seguir firme para experimentar, ousar, algo que, definitivamente, é a cara do grupo.
Mairon: Outro disco com muita inspiração, e também transpiração. O som dos Stones praticamente definido e clássicos brotando como o orvalho durante o amanhecer. Os onze minutos de “Goin’ Home” já valem para que Aftermath esteja entre os melhores desse ano. E olha que “Paint It Black” ficou de fora da versão inglesa!
Ronaldo: Tem algumas boas (ou até muito boas) músicas, mas não o coloco entre as coisas mais relevantes que os Rolling Stones fizeram nos anos 60.

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Donovan – Sunshine Superman (65 pontos)
Adriano: A alegria que sinto em ver esse disco representado no top 10 final é difícil de se expressar, embora ele merecesse certamente ficar, no mínimo, no pódio. O melhor trabalho de Donovan, cheio de composições inspiradíssimas e arranjos belíssimos, uma produção de dar inveja às grandes bandas da época. A faixa-título já inicia o disco mostrando um som profundamente encantador, e vem seguida das calmas e também lindas “Legend of a Girl Child Linda” e “Three King Fishers”, essa última com forte sonoridade indiana. Se apenas mantivesse o nível, esse álbum já seria top 10, mas não. O disco conta com simplesmente três das melhores músicas de 1966 e talvez da história do rock: “Ferris Wheel”, “The Fat Angel” e a soberba “Celeste”. Ouvir “Ferris Wheel” e “Celeste” sem derramar uma enxurrada de lágrimas é evidência irrefutável de sociopatia! E o trabalho ainda conta com a linda e carregada “Guinevere” e a clássica “Season of the Witch”. Chamar esse disco de fenomenal ainda é depreciá-lo!
Bruno: É a partir daqui que Donovan acaba com o estigma de Bob Dylan britânico em um disco que mantém a base folk e adiciona doses de psicodelia. Um trabalho viajante e belíssimo.
Davi: Um fato curioso marca esse disco. Embora o musico fosse britânico, o disco foi lançado primeiro nos Estados Unidos por conta de uma disputa contratual. É o primeiro disco do rapaz a trazer uma sonoridade mais psicodélica. Entre os destaques estão Season of The Witch (anos mais tarde regravado pelo Hole de Courtney Love em seu MTV Unplugged. Embora o acústico do conjunto não tenha sido lançado oficialmente, é possível ouvirmos essa versão na coletânea “My Body, The Hand Grenade”), Legend of a Girl Child Linda (escrita em homenagem à sua futura esposa), além da faixa titulo.
Diogo: Enquanto algumas bandas norte-americanas tidas como de sonoridade psicodélica começavam a produzir canções carregadas de experimentações pouco amigáveis aos meus ouvidos, o escocês Donovan Leitch lançava um álbum digno desse rótulo, mas, mesmo assim, mostrando-se completamente diferente, cativando desde a primeira audição pela beleza de todos os elementos envolvidos na concepção deSunshine Superman: composição, arranjos, performance, produção… e feeling, muito feeling. Desde músicas mais simples e voltadas ao rock mais blueseiro, como “Season of the Witch” e “The Trip”, até às mais viajantes, caso de “Ferris Wheel” e “The Fat Angel”, o disco é impressionante. Mais incrível ainda é se dar conta de que algumas das canções são ainda melhores, caso das singelas “Legend of a Girl Child Linda”, “Guinevere” e “Celeste”. Ouça e sinta-se transportado a outro lugar, em outra era.
Fernando: Só ouvi Donovan depois que já tinha minha lista pronta. Acho que ele não entraria nos meus dez discos mesmo se o tivesse conhecido antes. Bom álbum, mas ainda acho Mellow Yellow (1967) melhor.
Luiz: A mistura de folk com toques de psicodelia faz desse disco uma das viagens mais intensas que já tive por intermédio da música.
Mairon: Ah, como eram bons os tempos em que os músicos cantavam com o coração. Este é outro grande exemplo de dedicação ao trabalho. Donovan sempre fez discos regulares, sobressaindo uma que outra canção, mas, em Sunshine Superman, ele realizou um trabalho homogêneo, que foi seguido por diversos ídolos do rock anos depois. Destaques para a sensacional “Guinevere”, “Season of the Witch” e um tal de Jimmy Page dando as honras na guitarra da faixa-título. Outro disco essencial.
Ronaldo: Donovan é um dos mais ilustres representantes de uma geração de cantadores e compositores folk que surgiu a partir de Bob Dylan, Joan Baez, Peter Paul & Mary e cia. limitada. Ele não só foi um ótimo cantor e compositor como também teve um bom aparato nos arranjos, que tornaram sua música original e até bastante inovadora, já que Sunshine Superman é um dos principais trabalhos pré-psicodélicos da história do rock.

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Cream – Fresh Cream (55 pontos)
Adriano: Um disco bem razoável, mas com algumas canções que gosto. É o caso das duas primeiras, da boa versão de “Spoonful” e, principalmente, de “Sweet Wine”. Mas ficou longe de entrar no meu top 10.
Bruno: Disco seminal e importantíssimo na história do rock. A fusão do blues elétrico com a psicodelia criaria um amálgama sonoro que viria a ser o embrião do rock pesado, juntamente com a guitarra de Jimi Hendrix, um ano mais tarde. O Cream também pode ser considerado o primeiro supergrupo da história, com o deus Eric Clapton nas seis cordas, o furioso baterista Ginger Baker e o brilhante músico Jack Bruce, um compositor, baixista e vocalista de primeira. Apesar de o disco não conter o melhor do repertório da banda, vale e muito como um registro histórico e de enorme influência.
Davi: Álbum de estreia do supergrupo formado por Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton. Na Inglaterra, este disco foi lançado simultaneamente ao compacto de “I Feel Free”. Por isso, na edição inglesa, a canção foi substituída por “Spoonful”. É desse disco também as canções “N.S.U.” e “I’m So Glad”, atualmente consideradas clássicas. Belo disco!
Diogo: Seminal é pouco, meus amigos. Desconheço artistas que, até então, dessem tão bela e única roupagem ao blues e intercalassem essas experiências com tão incríveis canções próprias. Amo os Yardbirds, mas o Cream fez ainda melhor. Grande parte disso deve-se à união de três personalidades musicais extremamente únicas e talentosas: Jack Bruce, Eric Clapton e Ginger Baker, que sedimentaram o hoje mais que arraigado (e até exagerado) conceito de power trio, vitaminando suas performances com virtuosismo e apontando o caminho que seria seguido a partir do final da década por artistas em busca de explorar limites sonoros. “N.S.U.” é fantástica, “Sleepy Time Time” é meu hino, “Dreaming” é puro deleite, “Sweet Wine” é cavala e Ginger Baker dá show em “Toad”. Os covers? Todos ótimos, destacando a carregada atmosfera de “Spoonful”, o caráter pop de “I’m So Glad” e a malandragem de “Rollin’ and Tumblin’”. Acredite, eles fariam ainda melhor.
Fernando: Mesmo contando só com craques em seus instrumentos, o que mais gosto neste disco são as melodias vocais. “Dreaming” é sensacional.
Luiz: Não é meu preferido, tampouco dos mais referenciados trabalhos desse supergrupo (que, por vezes, parece ter menos atenção do que deveria, talvez ofuscados pelo prestígio adquirido por Clapton em carreira solo), mas é um excelente disco carregado na “psicodelia elétrica”, que seria firmada no ano seguinte com Disraeli Gears, obra prima suprema do trio.
Mairon: O Cream estreou com um disco bom, mas eu não consigo ouvir o grupo em estúdio sem ter um certo incômodo. Apesar da quantidade de clássicos aqui registrados, deixaria ele certamente de fora em uma lista de 500 discos a serem levados para uma ilha deserta.
Ronaldo: Eis a nata! O Cream ainda ofereceria mais à humanidade. Ainda sim, contudo, temos aqui um bom disco, blues rock de alta octanagem e uma dose daquilo que viria a ser uma febre na virada dos anos 60 pros 70 – o virtuosismo, longos solos e longas partes instrumentais. O Cream foi peça fundamental na inserção desses elementos.

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Simon & Garfunkel – Sounds of Silence (43 pontos)
Adriano: Como eu quis ouvir uma boa quantidade de bandas, terminei pegando apenas um disco do Simon & Garfunkel pra ouvir, e infelizmente foi o Parsley, Sage, Rosemary and Thyme, do mesmo ano. Só escutei Sounds of Silence depois que saiu o top 10 definitivo. Pelo pouco que ouvi, creio que não entraria na minha lista, mas o achei melhor. É um disco mais “embalado”, com sonoridade mais pop, algumas melodias bem agradáveis, mas não pude perceber algo de clássico nele.
Bruno: Belíssimo disco que mostra toda a qualidade de Paul Simon nas composições em um folk melódico, calcado no violão e nas harmonias vocais.
Davi: A dupla chamou a atenção desde o inicio por conta de sua harmonia vocal. Alguns críticos começaram a compará-los com os Everly Brothers, nem tanto por seu estilo de composição, mas pelo cuidado nos arranjos vocais. Neste segundo disco, os rapazes trouxeram uma grande mudança. O seu debut, Wednesday Morning, 3 A.M., era um álbum tipicamente folk. Aqui, entretanto, resolveram seguir os passos de Dylan e eletrificaram seu som, passando a utilizar guitarras nas gravações. Por conta disso, passaram a ser chamados de folk rock. A canção “The Sound of Silence” é tida como um clássico do gênero. O início da fase de ouro de Paul Simon e Art Garfunkel. Bem legal!
Diogo: Sounds of Silence é portador de um lirismo interessante e destaca a sensibilidade da dupla, artistas na concepção mais completa da palavra. O álbum, contudo, ainda não me conquistou de maneira definitiva, justificando assim a ausência em minha lista pessoal. Digo “ainda” pois, a cada audição, o disco soa melhor e mais atraente. O trabalho é bastante linear e ouvi-lo é uma tarefa que parece tomar menos tempo do que o track list realmente tem. Além da faixa-título, ressalto a qualidade de “A Most Peculiar Man”, “Leaves That Are Green” e o empolgante final, com “We’ve Got a Groovey Thing Goin’” e “I Am a Rock”.
Fernando: Já gostei mais de Simon & Garfunkel. Hoje já não me atrai muito. É o disco que mais me surpreendeu por ter entrado nesta lista. A faixa-título é um clássico da música.
Luiz: Não bastassem as letras primorosas (e Paul Simon é, desde sempre, um dos maiores compositores da história), a obra carrega em uma melodicidade que é, ao mesmo tempo, sensível e profunda, impiedosa (como a faixa que leva quase o título do álbum). Um dos discos mais perfeitos que já ouvi.
Mairon: O segundo álbum dos norte-americanos, assim como muito material desse período, possui toques de amor, psicodelia e, claro, muita criatividade. O que diferencia Sounds of Silence dos demais são as interpretações vocais e, principalmente, as letras da dupla. O único porém aqui fica para a eletrização da linda faixa-título. A versão acústica do disco de estreia é insuperável, mas o complemento do álbum contorna esse problema sem nenhum risco para a audição.
 
 
Ronaldo: Excelentes compositores e grandes cantores, uma verdadeira pepita de qualidade musical.

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John Mayall – Blues Breakers With Eric Clapton (34 pontos)
Adriano: Não é um disco ruim, mas também não é algo que me chame a atenção. Do mesmo ano, prefiro East-West, da Paul Butterfield Blues Band, e até o Autumn ’66, do Spencer Davis Group. E já que se trata de Eric Clapton, recém-saído dos Yardbirds, aproveito pra lamentar a não entrada do ótimo Yardbirds (Roger the Engineer) nesse top 10, uma ausência talvez imperdoável.
Bruno: Bom disco de blues rock, mas muito genérico. Outros álbuns mais importantes e inovadores mereciam estar na lista no lugar deste.
Davi: Neste disco, John Mayall mistura faixas autorais com canções que os norte-americanos gostam de chamar de standards. Robert Johnson, Ray Charles, Otis Rush e Freddie King estão entre os homenageados. Uma curiosidade legal é a versão de “Ramblin’ On My Mind”: essa foi a primeira vez em que ouvimos a voz de Eric Clapton. Este disco foi lançado meses antes do trabalho de estreia do Cream. É também o primeiro trabalho feito por Clapton voltado 100% ao blues. Em uma palavra: histórico.
Diogo: Não é segredo para ninguém que o blues não é exatamente um gênero musical pelo qual nutro alguma devoção. Tendo isso em mente, a inclusão de Blues Breakers With Eric Clapton em minha lista particular tem um significado especial: trata-se de um baita álbum, apresentando uma banda competente e, especialmente, um Clapton afiando ainda mais seus dotes na guitarra e consolidando-se como um dos músicos mais importantes egressos da época. “What’d I Say” (que inclui uma citação a “Day Tripper”, dos Beatles), original de Ray Charles, talvez seja o melhor exemplo da música pulsante que brota do disco. Destaco ainda “All Your Love”, “Parchman Farm”, “Steppin’ Out” e “It Ain’t Right”.
Fernando: Dois discos contando com Eric Clapton nesta lista. Mais um indício de que ele era “o cara” naquela época. Se você ouvir este álbum e ver seus últimos DVDs, vai entender de onde vem aqueles blues que ele tanto gosta de tocar.
Luiz: Não ouvi.
Mairon: Este disco sempre recebeu muitos elogios de todos os que o ouviram e me recomendaram, mas sempre que o ouço, não encontro nada de mais. Yardbirds, Animals e tantos outros já faziam algo melhor nessa linha ao mesmo tempo que o grupo de John Mayall.
Ronaldo: O esplendor de Eric Clapton como o mestre dos clichês do blues (um rótulo que ele detesta, mas que se encaixa perfeitamente bem para ele). Banda afiadíssima e um dos melhores discos de blues britânico da década. Junto com os Yardbirds, John Mayall e seus Blues Breakers fizeram escola nesse estilo.
 

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The Kinks – Face to Face (30 pontos)
Adriano: Assim como eu disse a respeito de Aftermath, este disco não representa um avanço na musicalidade dos Kinks. É tão bom quanto seu antecessor, The Kink Kontroversy (1965), mas menos merecedor de entrar no top 10 do que este, pois em 1966 a concorrência já era bem mais acirrada que no ano anterior. Há muitas faixas lindas, mas destaco: “Party Line”, uma das melhores músicas dos Kinks (e com os versos geniais “Is she big, is she small? Is she a she at all?”), “Rosie Won’t You Please Come Home”, a comovente “Too Much on My Mind” e a clássica “Sunny Afternoon”. “Fancy” é uma maravilhosa peça de inspiração indiana, e vale lembrar que foram os Kinks que iniciaram a onda do chamado raga rock, com a sua linda “See My Friends”, presente no ótimo lado A de Kinkdom (1965).
Bruno: O primeiro grande álbum dos Kinks e um dos grandes feitos de sua carreira. Um apanhado de canções pop com roupagem roqueira, devida principalmente à guitarra de Dave Davies.
Davi: Não ouvi este álbum.
Diogo: O Kinks é um caso interessante. Boas composições, execução satisfatória (com uma saudável displicência) e muito deboche…. Elementos que tinham tudo para me conquistar. No entanto, a banda ainda não “pegou” por aqui. É muito provável queFace to Face seja o melhor disco do grupo até então e que, em um futuro próximo, receba muito mais atenção minha, mas, por ora, não pertenço ao time dos admiradores. Não sou estúpido, porém, de não enxergar algumas belas canções, como “Party Line”, “Rosie Won’t You Please Come Home”, “Session Man” e “Sunny Afternoon”.
Fernando: Penso que este disco será o último do Kinks a entrar nessas listas, e seu melhor registo, Arthur (1969), vai acabar não entrando porque a lista de 1969 será uma briga de foice no escuro. O primeiro álbum conceitual do rock? É possível, não lembro de outro.
Luiz: Um dos maiores trabalhos do grupo. Das letras bem sacadas às melodias bem elaboradas, conduzidas magistralmente pelos vocais dos irmãos Davies, suas canções possuem uma atmosfera envolvente com as composições, como em “Fancy” e a clássica “Sunny Afternoon”. Um disco essencial.
Mairon: Um trabalho somente com canções de Ray Davies só poderia resultar em um bom álbum. Vários outros discos de 1966 entrariam no lugar dele, e, sinceramente, não consigo destacar nada de mais no álbum. Bom, apenas isso.
Ronaldo: Confesso que os Kinks são uma banda que não me desperta muita atenção. A menção deles nesta lista me faz intuir que talvez eu esteja errado.

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The Byrds – Fifth Dimension (27 pontos)
Adriano: Os Byrds fariam miséria a partir do disco seguinte, mas aqui a banda já apresenta uma ótima evolução no seu som. Talvez a saída de Gene Clark tenha impulsionado a banda a percorrer caminhos mais ousados (embora Clark ainda apresente a clássica “Eight Miles High”), com McGuinn e Crosby investindo em suas fortes potencialidades. Não gosto de “Mr. Spaceman” (talvez por relacioná-la com o plágio descarado de Raul Seixas em “S.O.S.”) e acho “Captain Soul” talvez desnecessária. Fora isso, temos uma coleção de belas músicas com destaque pra “5D (Fifth Dimension)”, “I Come and Stand at Every Door” e, claro, “Eight Miles High”, na qual McGuinn reproduz as escalas de John Coltrane na guitarra.
Bruno: Cometi o pecado de não reouvir este álbum para a elaboração da lista. Uma pena, pois na hora de escutá-lo para tecer meu comentário tive uma grata surpresa e o achei fantástico. Um trabalho bastante calcado na guitarra de 12 cordas, que mescla o folk rock da banda com psicodelia. Talvez seja meu disco favorito dos Byrds.
Davi: Esse disco marca a saída de Gene Clark, tido como um dos principais compositores do conjunto. Neste trabalho, ele participa apenas de “Captain Soul” e daquela que talvez seja a canção mais conhecida deste álbum, “Eight Miles High”. Os músicos arriscaram ir para novos caminhos, trazendo influencias do country rock, do raga rock e também da psicodelia. Também passaram a compor mais, gravar menos covers. O disco dividiu opiniões na época, mas trata-se de um trabalho bem legal. Vale a pena a aquisição.
Diogo: A saída do compositor de mais destaque em uma banda que investia boa parte de seu repertório em covers poderia determinar o fim de suas atividades, certo? Errado, ao menos em se tratando dos Byrds. Apesar de Gene Clark ainda ter contribuído justamente com a música mais marcante do disco, a fantástica “Eight Miles High”, o resto do grupo não apenas conseguiu manter a qualidade dos registros anteriores, como conseguiu superá-la. Jim/Roger McGuinn, David Crosby, Chris Hillman e Michael Clarke mostraram por que viriam a ser uma das formações mais influentes em todos os tempos e  forneceram motivos de sobra para atestar suas capacidades como músicos e compositores, vide a faixa-título, “I See You”, “What’s Happening?!?!” e a lindíssima adaptação para “Wild Mountain Thyme”. Alguém por aí sabe se a obra dos Byrds já foi declarada patrimônio cultural de seu país? Se não, deveria!
Fernando: O Byrds cai de vez na psicodelia, como podemos observar em seu logo. A potência vocal dos Byrds é perfeita, talvez só o Crosby, Stills, Nash & Young seja comparável a eles. “Mr. Spaceman” realmente foi plagiada em “S.O.S.”, de Raul Seixas?
Luiz: Confesso que conheço muito pouco do grupo para formar uma opinião mais aprofundada, sendo este o único disco a que me dediquei a ouvir com mais atenção. Apesar de ser um grande apreciador do rock psicodélico e de ter conhecimento de que o The Byrds é justamente uma das bandas precursoras do estilo, não conseguiu me agradar tanto. Quem sabe com mais atenção a outros álbuns, com o tempo, minha opinião mude. Mas, por enquanto, não figura na minha lista de melhores.
Mairon: Sem Gene Clark, McGuinn e Crosby se desdobraram para manter o Byrds na ativa. O disco é muito curto, e possui como méritos o fato de não incluir nada de Dylan (o que havia aparecido nos álbuns anteriores) e “Eight Miles High”, e nada mais.
Ronaldo: O maior mérito deste disco chama-se “Eight Miles High”, na minha opinião, a melhor e mais visionária música do rock daquele ano. Ela é melódica, intensa, psicodélica, jazzy e experimental, tudo ao mesmo tempo. A profecia de Dylan também começa a se tornar realidade aqui. E o restante do disco tem o padrão The Byrds de qualidade.
 
Listas individuais:
quickoneAdriano KCarão
1. Donovan – Sunshine Superman
2. The Beach Boys – Pet Sounds
3. Bob Dylan – Blonde on Blonde
4. The Beatles – Revolver
5. The Rolling Stones – Aftermath
6. The Kinks – Face to Face
7. The Who – A Quick One
8. The Animals – Animalisms
9. The Byrds – Fifth Dimension
10. The Yardbids – Yardbirds (Roger the Engineer)

thesonicsfrontalvs21Bruno Marise
1. The Rolling Stones – Aftermath
2. The Kinks – Face to Face
3. The Sonics – Boom
4. The Beatles – Revolver
5. The Beach Boys – Pet Sounds
6. Donovan – Sunshine Superman
7. The Who – A Quick One
8. The Seeds – The Seeds
9. Simon & Garfunkel - Sounds of Silence
10. The Mothers of Invention – Freak Out!

03Davi Pascale
1. The Beatles – Revolver
2. Cream – Fresh Cream
3. The Rolling Stones – Aftermath
4. Roberto Carlos – Roberto Carlos
5. The Beach Boys – Pet Sounds
6. John Mayall – Blues Breakers With Eric Clapton
7. Donovan – Sunshine Superman
8. Ronnie Von – Ronnie Von
9. Simon & Garfunkel - Sounds of Silence
10. The Animals – Animalisms

Good_the_Bad_the_Ugly_soundtrackDiogo Bizotto
1. Bob Dylan – Blonde on Blonde
2. Cream – Fresh Cream
3. Ennio Morricone – The Good, the Bad and the Ugly (Trilha Sonora Original)
4. The Byrds – Fifth Dimension
5. Donovan – Sunshine Superman
6. The Mothers of Invention – Freak Out!
7. The Beatles – Revolver
8. The Beach Boys – Pet Sounds
9. The Yardbids – Yardbirds (Roger the Engineer)
10. John Mayall – Blues Breakers With Eric Clapton

love-loveFernando Bueno
1. The Beach Boys – Pet Sounds
2. The Beatles – Revolver
3. Cream – Fresh Cream
4. Bob Dylan – Blonde on Blonde
5. John Mayall – Blues Breakers With Eric Clapton
6. Love – Love
7. The Mothers of Invention – Freak Out!
8. The Rolling Stones – Aftermath
9. The Kinks – Face to Face
10. The Byrds – Fifth Dimension

MI0000617017Luiz Carlos Freitas
1. Simon & Garfunkel - Sounds of Silence
2. Tim Buckley – Tim Buckley
3. The Rolling Stones – Aftermath
4. The Who – A Quick One
5. The Mothers of Invention – Freak Out!
6. The Animals – Animalisms
7. The Beach Boys – Pet Sounds
8. Donovan – Sunshine Superman
9. The Kinks – Face to Face
10. The Seeds – A Web of Sounds

51H9wp05oTLMairon Machado
1. The Beach Boys – Pet Sounds
2. The Yardbirds – Yardbirds (Roger the Engineer)
3. The Paul Butterfield Blues Band – East-West
4. Simon & Garfunkel - Sounds of Silence
5. Bob Dylan – Blonde on Blonde
6. Chris Farlowe – 14 Things to Think About
7. Donovan – Sunshine Superman
8. Sabicas – Rock Encounter
9. The Mamas & the Papas – If You Can Believe Your Eyes and Ears
10. The Rolling Stones – Aftermath

13th_Floor_Elevators-The_Psychedelic_Sounds_Of_The_13th_Floor_Elevators-FrontalRonaldo Rodrigues
1. The Beatles – Revolver
2. The Beach Boys – Pet Sounds
3. John Mayall – Blues Breakers With Eric Clapton
4. The Byrds – Fifth Dimension
5. Bob Dylan – Blonde on Blonde
6. The 13th Floor Elevators – The Psychedelic Sounds of the 13th Floor Elevators
7. Donovan – Sunshine Superman
8. Cream – Fresh Cream
9. Simon & Garfunkel - Sounds of Silence
10. The Mothers of Invention – Freak Out!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

45 anos de In-A-Gadda-Da-Vida





Em 1968, o psicodelismo californiano estava começando a perder forças. Seus principais nomes (Big Brother & The Holding Company, Quicksilver Messenger Service, Moby Grape e Country Joe & The Fish) estavam passando por reformulações, que acabariam levando ao fim precoce dos mesmos. Apenas o Jefferson Airplane conseguia manter seu status intacto, ao mesmo tempo que suas letras (e suas músicas) sofriam grandes mudanças, longe do psicodelismo inicial e voltada para temas sociais, como guerras, religião e família.

Uma nova geração de grupos californianos surgia para desbancar os "velhos grupos", com muito mais LSD nas letras e nas músicas, e com shows muito mais viajantes. Longas canções, improvisações sem fim, temas não só sobre paz e amor, mas também sobre misticismo, magia, entre outros, passaram a aparecer em nomes como It's a Beautiful Day, The Loading Zone e, o mais importante deles, Iron Butterfly.

Formada em 1966, em San Diego, o grupo nasceu como um quarteto, tendo Doug Ingle (vocais, órgão), Greg Willis (baixo), Jack Pinney (bateria) e Danny Weis (guitarra), além do percussionista Darryl DeLoach, responsável também por ceder o local no qual o grupo ensaiou durante suas primeiras semanas de existência. Não tardou para ofertas de shows surgirem para os garotos, que faziam uma mistura psicodélica nas linhas do que o Jefferson Airplane havia feito em seu álbum de estreia (Takes Off, de 1966), e com o assédio de shows, a oportunidade de migrarem para Los Angeles apareceu.

Willis e Pinney decidiram não seguir com o grupo e continuar seus estudos (a idade dos guris variava enre 18 e 20 anos), mas Ingle e Weis pegaram as mochilas e se mandaram, ao lado de Jerry Penrod (baixo) e Bruce Morris (bateria), que não ficou muito tempo, sendo substituído por Ron Bushy. Em Los Angeles, os shows e o boca-a-boca fizeram com que os primeiros empresários aparecessem, e desta forma, surge um dinheiro extra para alugar um estúdio e gravar o primeiro álbum.
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Doug Ingle, Ron Bushy, Lee Dorman e Erik Brann


Porém, as dificuldades em conseguir um contrato com uma empresa fizeram com que Weis, DeLoach e Penrod desistissem da empreitada, voltando para San Diego. Para seus lugares, entram Lee Dorman (baixo) e o novato Erik Brann, com apenas dezessete anos, e a partir daí, a sorte mudou para o grupo. Um grande contrato surgiu para uma turnê pela Califórnia, assim como a ATCO Records (subsidiária da Atlantic Records) resolveu apostar no quarteto, lançando o álbum de estreia, Heavy, em 22 de janeiro de 1968.


Os méritos desse LP são vários, mas vamos destacar apenas três. Primeiramente, Ingle e Bushy respeitaram as gravações originais, e não adicionaram nenhum overdub (dando os direitos autorais para quem os cinco que o tinham gravado). Segundo, o som do Iron Butterfly diferenciava-se dos "concorrentes". Apesar do principal instrumento ser o órgão (assim como o The Doors), o peso que o grupo propôs era absurdo para a época, quase como um precursor do heavy metal (e por isso, o nome do álbum ser Heavy). Terceiro, e diretamente vinculado ao segundo, a guitarra do Iron Butterfly em nada possuía do timbre criado por John Cippolina (guitarrista do Quicksilver Messenger Service), e sim, uma distorção assustadora e enigmática, que ganhou o mundo em clássicos como "Possession", "Unconscious Power" e principalmente, "Iron Butterfly Theme".

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Doug Ingle

Heavy entrou entre os 100 mais (atingindo a posição 78), e claro, a ATCO rapidamente liberou a verba para o segundo LP. Para cômpor as canções, o grupo inspirou-se nos seus shows, e, mesmo com a contrariedade da gravou, resolveu apostar em uma longa improvisação que apareceu naturalmente no decorrer das apresentações. Foi essa improvisação, batizada de "In-A-Gadda-Da-Vida", que também batizou o nome do segundo álbum, lançado exatamente há 45 anos.


O disco abre com as marcações de "Most Anything You Want", trazendo o riff central do órgão e as vocalizações que levam ao vocal de Ingle, em uma leve canção típicamente californiana, com o baixo de Dorman chamando bastante a atenção, Brann fazendo um solo muito tímido e Ingle soltando os dedos em um solo concorrente aos solos de Ray Manzarek (The Doors). A mesma linha é adotada na clássica "Flowers and Beads", possuindo um tom de romantismo extremamente mela-cuecas para a época, principalmente pelos acordes de guitarra e os vocais sussurrados de Ingle. Aqui, as vocalizações - duelando com o órgão - e o baixo novamente se destacam.

A acidez esperada surge em "My Mirage", com uma bela introdução e um andamento soturno, um show de vocalizações e o andamento reggae da guitarra de Brann, enquanto "Termination", que conta com os vocais principais feitos por Dorman, apresenta um riff que virou característico do hard setentista. Gosto muito dos dedilhados e das pontes feitas por Brann nessa canção, exalando melodia com notas singelas, mas muito bem encaixadas.

O lado A encerra-se com outro clássico, "Are You Happy?", repleta de peso e com mais um show de vocalizações feito por Ingle e Dorman, além do órgão, baixo e da guitarra se sobrepondo no trecho final, com Bushy imitando uma locomotiva em uma performance avassaladora, sendo impossível não fazer um air-drum nesse momento. Destaque também para o ácido solo de Brann, sem soar virtuoso, mas muito barulhento e repleto de feeling.
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Iron Butterfly ao vivo
O lado B é todo dedicado para a faixa-título, que surge com o dedilhado mais conhecido do órgão de Ingle, trazendo o riff hipnotizante que sacudiu os pubs americanos (e por que não mundiais) no final da década de 60. O arranjo fantasmagórico da canção, com o órgão e a guitarra executando sempre as mesmas notas, e a cozinha acompanhando preguiçosamente, assustam logo de cara, e claro, a voz grave e rouca de Ingle causa ainda mais transtornos ao corpo do vivente. Com apenas dois minutos da canção, já chegamos no começo da longa viagem instrumental que irá durar quase toda a canção, com Ingle fazendo um solo simples, sem virtuose, acompanhado eternamente pelo riff central executado por baixo e guitarra.

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Ron Bushy 
Na sequência, é a vez de Brann ser o centro das atenções, pisoteando o wah-wah e arrancando uivos da guitarra, os quais, para um garoto de apenas dezessete anos, são muito bem feitos. Imagino como era a festa quando o pessoal ouvia esse som ao vivo, com os braços levantados, o corpo balançando sem um movimento fixo, e o LSD sendo passado de língua em língua, para com os olhos fechados, curtirem ainda mais a viagem. Brann larga o wah-wah e pisa na distorção, extremamente suja, advinda de "Iron Butterfly Theme", e o volume do som diminui, chegando então no principal momento de "in-A-Gadda-da-Vida".

Esse momento é o solo de Bushy, o qual foi inspirado nas tribos africanas. Não há virtuosismo, rufadas ou viradas estonteantes. Apenas a marcação constante do bumbo e uma série de batidas que criam diferentes ritmos, os quais aumentam de velocidade quando Bushy troca a marcação no bumbo pela marcação no chimbal. Esse foi um dos primeiros solos de bateria a serem gravados por uma banda de rock. Os solos de bateria eram comuns em grupos de jazz (vide Max roach, Louis Bellson e Buddy Rich, apenas para citar alguns), mas o de Bushy foi pioneiro. Apesar de não ser longo, serviu de inspiração para que meses depois, John Bonham gravasse "Moby Dick", e Ginger Baker gravasse "Toad".

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Erik Brann


O solo é concluído, e com um acompanhamento muito leve, o órgão de Ingle surge, com longos acordes, trazendo notas extraídas de alguma catacumba medieval, as quais aumentam de volume gradativamente. Barulhos de guitarra explodem nas caixas de som, e Ingle continua por seus delírios medievais, retornando lentamente ao riff central da canção, trazendo o baixo e mais um solo ácido feito rapidamente por Brann.

O riff repete-se por diversas vezes, levando-nos para mais uma sessão percussiva, com Dorman cavalgando em seu baixo enquanto bateria e guitarra fazem muitos barulhos. O órgão executa um tema extremamente assustador, e a guitarra faz barulhos incomuns, com Brann abusando de distorções e alavancadas, além da sobreposição de distorções, e assim, retornam ao riff central, agora com mais pegada na bateria, para Ingle repetir a letra da canção, que narra apenas o prazer de um homem em estar com a mulher amada, pedindo para levá-lo ao paraíso.

A suíte encerra-se com a repetição do riff central por quatro vezes, trazendo a introdução do órgão novamente, e concluindo com a repetição, mais uma vez, do riff central, dando a ideia de uma composição cíclica (o início e o fim ligados pelo mesmo riff). Uma ideia fantástica, empregada também pela primeira vez através dos sulcos vinílicos do segundo álbum do Iron Butterfly.

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Nos Estados Unidos, "In-A-Gadda-Da-Vida" saiu em dois singles diferentes, o primeiro com "Iron Butterfly Theme" no lado B (ambas em versões editadas), e o segundo com "Soul Experience" no lado B. Houve ainda um lançamento mundial em EP, com "Flowers and Beads" complementando o lado A, e "My Mirage" no lado B. Outro single extraído mundialmente foi "Termination", com "Most Anything You Want" no lado B. A canção foi eleita a vigésima quarta mais importante de todos os tempos pelo Canal de TV a cabo VH1, em 2009. O single americano alcançou a trigésima posição na Billboard, sendo nono na Alemanha. Para se ter ideia do sucesso da canção, ela foi regravada por quase uma dezena de bandas, sendo as versões mais interessantes a da Incredible Bongo Band e a do Slayer.

Outra versão bem legal aparece no episódio Bart Vende Sua Alma, na Sétima Temporada do seriado Os Simpsons. Fora Os Simpsons, seriados como O Fantástico Mundo de Bobby, Criminal Minds, Supernatural, entre outros, apresentam a canção em determinados episódios, sempre simbolizando um momento de alucinação do personagem ou da ação que se passa. "In-A-Gadda-Da-Vida" portanto, virou sinônimo para representar a segunda metade da geração psicodélica californiana (assim como "The End" do The Doors, e "White Rabbit", do Jefferson Airplane, foram para a primeira).

O disco chegou na terceira posição na Billboard, vendendo mundialmente mais de três milhões de cópias em apenas um ano de lançamento, e recebendo disco de ouro em dezembro de 1968, sendo o disco mais vendido da história da Atlantic até o lançamento do quarto álbum do Led Zeppelin, em 1970.
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Lee Dorman e Ron Bushy, ao vivo


Em 1976, foi o primeiro disco da história a receber disco de platina (mais de um milhão de discos vendidos) nos Estados Unidos, e hoje, possue platina quádrupla. Ao redor do mundo, o álbum vendeu mais de trinta milhões de cópias, e hoje, ocupa a posição número 27 entre os mais vendidos da história da música *.

O sucesso do grupo levou-os a ser convidados para serem headliner em Woodstock. O grupo tocaria durante o fim da tarde de domingo, mas houve um erro de comunicação entre empresários e a banda. Segundo Bushy, houve um atraso no avião que levou o grupo de Los Angeles para Nova Iorque, o que os impediu de chegar no horário combinado. Porém, um helicóptero teria sido alugado para levá-los diretamente para Woodstock, saindo de Port Authority. Os integrantes dirigiram-se três vezes até o local, esperando pelo aeroporto, mas nunca o mesmo chegou ao local. O Iron Butterfly perdia a oportunidade de fazer mais sucesso do que já havia feito.

E continuou fazendo, pois Ball, o terceiro LP, chegou na terceira posição nos Estados Unidos. e teve sua turnê registrada em Live (1970), Top 20 nos Estados Unidos. Mas, quando tudo parecia dar certo, mais uma (de tantas) mudanças na formação afetou diretamente o som do grupo. Brann saiu, sendo substituído pela dupla Mike Pinera e Larry "Rhino" reinhardt, que também assumiram a posição de vocais. O agora novamente quinteto gravou o seminal Metamorphosis (1970), Top 16 na Billboard americana e talvez seu melhor disco, apesar da profunda mudança na sonoridade, já que com o crescimento de nomes como Led Zeppelin e Deep Purple no Reino Unido, o Iron Butterfly consolidava-se como um grupo pesado, virando um símbolo do hard americano.
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Em sentido horário, Lee Dorman, Ron Bushy, Doug Ingle e Erik Brann
Porém, apesar de todo o sucesso, Ingle decidiu sair do grupo, que ainda lançou o raro single "Silly Sally", única gravação do Iron Buttterfly que não contém o som de um órgão, contando com um maravilhoso swingue e um incrível arranjo de metais. O single foi um fracasso, levando ao fim precoce do grupo, em 23 de maio de 1971. Dorman e Reinhardt formaram o incrível Captain Beyond, juntamente de Rod Evans (vocais) e Bobby Caldwell (bateria), expandindo as opções hardianas no sensacional álbum de estreia, já em 1972.

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Lee Dorman
Várias foram as reforumações posteriormente. Em 1974, o grupo voltou com Erik Brann e Ron Bushy acompanhados por Philip Kramer (baixo) e Howard Reitzes (órgão), com Brann assumindo os vocais. Essa formação lançou os dois últimos discos de estúdio do Iron Butterfly: Scorching Beauty (1975) e Sun and Steel (1975), o último já com Bill DeMartines no lugar de Reitzes.

A partir de então, o grupo virou um cover de si mesmo, fazendo turnês e sofrendo diversas formações, sem nunca mais gravar nada em estúdio, e principalmente, carregando (ainda hoje) o legado de ter gravado In-A-Gadda-Da-Vida há quarenta e cinco anos.

Para concluir, infelizmente o grupo já perdeu vários membros. Keith Ellis (1978), Kurtis Teal (1985), Darry DeLoach (2002), Erik Brann (2003), Rhino (2012) e Lee Dorman (2012) foram tocar lá onde o principal sucesso do grupo tinha seu nome, nos Jardins do Éden!
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Contra-capa de In-A-Gadda-Da-Vida


Track list


1. Most Anything You Want
2. Flowers and Beads
3. My Mirage
4. Termination
5. Are You Happy?
6. In-A-Gadda-Da-Vida


* esse dado aparece confuso em diversos sites, que colocam o álbum ora em vigésimo, ora em quinquagésimo. A informação passada é uma estimativa levando em consideração a comparação entre o número de álbuns vendidos por In-A-Gadda-Da-Vida e outros álbuns com a mesma quantidade.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Maravilhas do Mundo Prog: Emerson, Lake & Palmer - The Endless Enigma [1971]



Percorrendo as Maravilhas Prog criadas pelos britânicos do trio Emerson, Lake & Palmer, chegamos a julho de 1972, e o lançamento do terceiro álbum de estúdio de Keith Emerson (teclados, órgão, mini-moog, sintetizadores), Greg Lake (baixo, vocais, guitarras, violões) e Carl Palmer (bateria, percussão): Trilogy.

Após o estrondoso sucesso de "Tarkus" e "Pictures at an Exhibition", era chegada a hora do trio mostrar que podiam funcionar como um grupo em si. Se no álbum de estreia Emerson dominava as composições, e em Tarkus Lake quase abandonou o barco por falta de espaço, além que "Pictures at an Exhibition" era uma adaptação para a obra de Mussorgsky, Trilogy deveria mostrar que o grupo estava unido musicalmente, e poderia brilhar de forma espontânea e ao mesmo tempo. E foi isso que aconteceu.

Emerson, Lake e Palmer

Com uma divisão quase igual para composições de Emerson e de Lake, e com Palmer em uma fase estupenda, nasce mais um grande álbum, que catapultou ainda mais a fama do grupo graças a adaptação de outra obra clássica, dessa feita, "Hoedown", de Aaron Copland. Porém, das nove canções registradas no álbum, a que mais se destaca é a Maravilhosa suíte de abertura, "The Endless Enigma", um trabalho mezzo coletivo, mezzo Emerson solo, enaltecendo o talento individual de cada um dos integrantes do grupo como poucas canções conseguiram fazer.

Dividida em três partes, "The Endless Enigma" apresentam uma história de uma pessoa desiludida, cansada de um mundo de mentiras, cinismo e falsidades. Ela começa assustadoramente com "The Endless Enigma (Part One)", e sua introdução fantasmagórica. A maior das três partes da suíte aparece com o "assovio" do moog, quase inaudível, enquanto o ritmo da batida de um coração, também quase impercetível, acompanha o assovio. Esse ritmo seria adaptado no ano seguinte pelo Jethro Tull ("A Passion Play") e Pink Floyd ("Speak to Me") Repentinamente, um dedilhado do piano surge, como caixas caindo em uma escada, tendo intervenções de percussão, repetindo o número de batidas nas teclas do piano, e mais assovios. Essa espécie de duelo repete-se por cinco vezes, levando para uma maluca sessão instrumental, na qual moog e piano executam as mesmas notas em uma velocidade absurda, acompanhados por batidas e escalas do baixo.
Greg Lake
O órgão então apresenta a canção com um interessante solo, tendo o tradicional acompanhamento de baixo e bateria ao fundo, chegando em uma sequência com baixo, órgão e bateria executando as mesmas batidas em seus instrumentos, trazendo uma marcação que nos leva para a suave voz de Lake, acompanhado apenas por singelas notas do órgão. Palmer marca o ritmo na caixa, e temos a letra de "The Endless Enigma (Part One)" cantada em uma melodia imitada por baixo e órgão.

Após duas estrofes construídas de maneira similar, chegamos no refrão, no qual, após uma passagem apenas com voz, baixo e órgão, Lake clama: "Please! Please! Open Your Eyes! Please! Please! Don't Give Me Lies!", voltando então para a melodia das estrofes iniciais da letra e retornando ao refrão e encerrando a letra dessa primeira parte, a qual é concluída musicalmente com um retorno às percussões, e o órgão sendo debulhado pelos dedos de Emerson.
 
Keith Emerson
A segunda parte, intitulada "Fugue", é um momento primeiramente solo de Emerson ao piano, aproveitando-se de variadas técnicas do estilo clássico, e posteriormente, acompanhado por notas do baixo. "Fugue" encerra-se com piano e baixo fazendo uma sobreposição de notas que daria orgulho para Liszt, tamanha a intrincação da mesma, e assim, a marcação no chimbal nos leva para a última parte de "The Endless Enigma", a qual é batizada de "The Endless Engima (Part Two)".

Esta começa com uma marcação de baixo e bateria, enquanto o piano faz seu solo. Sinos tubulares e o órgão trazem uma escala de baixo, deixando o moog executar um tema marcial, e então, Lake dá sequência à letra com a mesma melodia da primeira parte, porém agora com Palmer socando a bateria e sem o acompanhamento exclusivo de órgão e baixo. Duas estrofes são o suficiente para chegarmos no poderoso encerramento da suíte, com Lake, Palmer e Emerson batendo forte em seus instrumentos, enquanto o moog executa seus últimos uivos. 

Carl Palmer


Apesar de não ser uma canção complicada, e muito menos virtuosa, é justamente sua simplicidade que a torna uma Maravilha. Trilogy ainda segue rodando na agulha do vinil com "From the Beginning", uma bela passagem solo de Lake apenas com voz e violão, acompanhado por uma leve percussão e escalas de baixo, e um tímido solo de guitarra, seguido de um clássico solo de moog, a animada "The Sheriff", com suas pitadas de country em seu encerramento, a recriação para "Hoedown", com o moog comendo solto, a suíte-título, dividida em três partes distintas (voz/piano; a viajante sessão instrumental central, com o moog precisando urgentemente ser internado no hospício, tamanho a quantidade de delírios e "uivos"; e o trecho final, destacando o solo de sintetizador), a estranha "Living Sin", tendo efeitos na voz de Lake, e "Abbadon's Bolero", inspirada em "Bolero", de Maurice Ravel.

O álbum atingiu a segunda colocação em vendas no Reino Unido, e era a primeira vez que um grupo de rock progressivo conseguia colocar três álbuns consecutivos entre os cinco mais naquele país. Nos Estados Unidos, chegou na quinta posição, maior posição do grupo naquele país até então.

O grupo saiu em uma extensa turnê mundial, passando por Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Dinamarca, França, Suíça, Itália, Áustria, Japão e Reino Unido, tudo isso ainda em 1972. No ano seguinte, excursionam  mais uma vez pela Europa (Alemanha, Itália, Bélgica, França, Suíça, Dinamarca, Holanda e Áustria, e, depois de mais de um ano apenas excursionando, entram nos estúdios para sairem de lá, em novembro de 1973, com o seu melhor disco, e com mais uma Maravilha Prog, talvez a última feita pelo grupo, como veremos daqui há quinze dias, quando contaremos sobre as impressões de "Karn Evil 9".

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Van der Graaf Generator - Godbluff Live [2003]



A perda da virgindade a gente nunca esquece. Isso é uma verdade absoluta. O dia em que perdi a virgindade ainda hoje está na minha mente. Uma sexta-feira 13 de agosto de 2004, um frio do cão, e eu ali, em frente a TV, assistindo ao VHS pirata do DVD que aqui comento.

Naquele dia, o Van Der Graaf Generator me mostrou que o mundo era muito mais complexo do que eu pensava, e bastou os primeiros cinco minutos do VHS Godbluff Live 1975 para eu sair da minha infância ouvindo Pink Floyd, Yes e King Crimson e entrar num mundo muito mais complexo, o que eu e meus amigos chamamos de "drogas pesadas", em busca de bandas que mostrassem não somente uma música, mas além, uma mensagem, uma razão para viver, uma capacidade de condensar informações que jamais eu havia pensado existir.

O DVD Godbluff Live foi lançado em 15 de julho de 2003, trazendo ali a apresentação na íntegra do álbum Godbluff, lançado em 1975, e que marcou a volta do grupo após um hiato de três anos onde eles se recuperaram dos estressantes dias de gravações de uma obra seminal da música, o álbum Pawn Hearts (1972).

Peter Hammil, David Jackson, Hugh Banton e Guy Evans

Essa apresentação ocorreu no Palácio de Exposições de Charleroi, no dia 27 de setembro de 1975, tendo na formação do VDGG Peter Hammill (teclados, voz), Hugh Banton (teclados), David Jackson (sax, flauta) e Guy Evans (bateria). O vídeo começa com a imagem de Jackson cercado por dois saxofones enquanto toca flauta, com Guy marcando o tempo no cymbal e Hugh fazendo alguns acordes no órgão, para Hammill desfilar uma das letras mais emocionantes que ele já escreveu, "The Undercover Man".

Basta as duas primeiras estrofes para entendermos por que Hammill é um dos melhores vocalistas do progressivo, pois a capacidade de passar emoção ao ouvinte é tamanha, como que se juntasse Peter Gabriel, John Wetton, Jon Anderson e Greg Lake tudo em uma só pessoa, forçando as cordas vocais até o limite.

A bela letra é contemplada com um lindo arranjo, mas que encaixa perfeitamente na famosa frase "ame ou odeie". Jackson solta o fôlego no solo de sax, executando o momento mais embalado da canção, e ai percebemos a principal falha do DVD. Além da imagem ser de uma qualidade não muito boa, o excesso de closes individuais torna a apresentação maçante em determinados momentos, pois não conseguimos ver o grupo por completo e tão pouco saber se o que estamos ouvindo é o que estamos vendo.

Mas vamos nos deter apenas na parte musical. Após a excepcional "The Undercover Man", vêm a faixa que encerrado o lado A de Godbluff, "Arrow". Hammill faz alguns efeitos nos teclados, e os 4, com o nível de concentração mais que elevado, detonam os complicadíssimos 9 minutos desse petardo, onde Jackson é a principal atração, com solos delirantes, repletos de efeitos como reverbs e wah-wah. As veias de Hammill saltam da garganta, contando a tensa e complica letra nos níveis mais altos que ele pode alcançar.

Um ponto positivo para o DVD vai no fato de você escolher a opção de legendas, sendo possível ter as letras de Hammill em português ou inglês. Coloque em português e descubra que existem palavras que você nem sabia que existia!

Se a qualidade da imagem não é das melhores, o som é perfeito, podendo ser ouvido claramente a base de baixo feita por Hugh. Aqui, podemos ter uma ideia de como a VDGG se distribuia no palco, já que uma imagem por trás da bateria mostra Jackson ao centro, Hugh à esquerda de quem está assitindo, Guy atras de Jackson e Hammill à direita de quem está assistindo. Ambos os tecladistas estão de lado para o público, um de frente para o outro.

Passada a maravilha de "Arrow", surge mais outro petardo, "Scorched Earth", com os acordes dos órgãos de Hammill e Hugh fazendo o riff junto com Jackson, e Hammill mandando ver na voz. O peso do sax e dos teclados atinge quem está vendo como uma bigorna, e os gritos de Hammill parecem serem os de uma agonia intensa. A canção alterna momentos calmos, somente no órgão de Hugh, e outros pesados, com todos tocando juntos, hipnotizando facilmente.

Se você não gosta de progressivo, corra rápido, pois a sequência de duelos entre sax e órgãos é a perfeita amostra de quão talentosos eram os integrantes da VDGG, com destaque maior para o excelente acompanhamento de Guy.

O show encerra-se com "Sleepwalkers", onde Hammill abandona o teclado, e caminhando pelo palco, declama raivosamente uma complicada letra, tendo ao fundo o peso das notas do sax de Jackson e do órgão de Hugh. O que Jackson faz aqui é sobrenatural, e os gritos de Hammill novamente assustam. A canção ainda dá direito a uma parte "cômica", onde Hammill começa a dançar pelo palco Jackson manda ver no sax e Guy praticamente destrói o bumbo com seu pé direito.

Hammil então senta em sua cadeira perto do órgão, assumindo a responsabilidade para começar a longa sessão instrumental, com Jackson, Hugh e Hammill tentando engolir um ao outro, em uma sequência de notas pesadíssimas, que levam ao solo de Jackson e ao maravilhoso final da canção.

O quarteto na época de Godbluff

O show acaba com os créditos para a TV francesa que produziu a apresentação, e então, voltamos ao Menu inicial. assim, escolhemos a apresentação na TV holandesa, que trás todo o lado B de Pawn Hearts, começando com "Theme One", onde o teclado fantasmagórico de hugh introduz esta pesadíssima canção, com Jackson soltando o riff no sax e Guy socando a bateria.

Uma canção instrumental muito forte, com apenas teclado, sax e bateria, e que eu lembre a única na história do grupo a não ter a participação de Hammill. O som do órgão de Hugh é impressionante, e a forma como ele conduz o riff com uma das mãos enquanto viaja com a outra é única, sendo um destaque a mais na canção, e mostrando facilmente o por que de ele para mim ser um dos três melhores tecladistas de todos os tempos.

Depois, temos a esperada e fenomenal "A Plague Of Lighthouse Keepers", com os 23 insanos minutos de uma canção assustadora, macabra e sinistra. Sob a luz de velas, o órgão de Hammill começa os lentos acordes, acompanhado por cymbal e sax, e então surge a sinistra letra do marinheiro que está prestes a morrer em alto mar. Apenas aprecie e segure o medo na aterrorizante sessão onde a banda simula o acidente entre dois navios, que mostra claramente que o vídeo foi gravado em dois takes, mas que não muda em nada no conceito geral do que estamos assistindo.

No momento do acidente, velas brilhantes assumem o local das velas iniciais, e Hugh começa a evocar os fantasmas presentes no recinto através de macabras e sinistras notas do órgão, enquanto Jackson, tocando dois saxs ao mesmo tempo, imita o apito dos navios, e Guy destrói a bateria para mostrar o choque entre os gigantes de ferro que atravessam o mar em frente ao farol apagado.

Se está bom para você, se passaram apenas 5 minutos. Muito mais delírio vem pela frente, e é impossível não parar para tentar assimilar cada confusa e ao mesmo tempo esplêndida frase cantada por Hammill. A viagem prossegue, com várias alternâncias de tempo e clima, com destaque para as belas sessões instrumentais onde o duelo de bateria, sax e órgão parece mais como uma batalha de vikings em alto mar, tudo isso enquanto Hammill se esgoela em frases difíceis e quase que irreproduzíveis.

Destaque principalmente para o momento que antecede as estrofes finais, onde Hammill espanca seu órgão até ele quase ser demolido, e para a perfeição do som, sendo possível ouvir quando Hammill liga uma distorção de seu teclado.

Uma obra-prima, sem sombra de dúvidas, com um encerramento espetacular, onde Hammill nos brinda com uma taça de vinho, tendo a certeza de terem interpretado uma execução perfeita deste que é sem dúvida um dos maiores clássicos do rock progressivo ao lado de "Close to the Edge" (Yes), "Supper's Ready" (Genesis), "Karn Evil 9" (Emerson Lake & Palmer) e "Echoes" (Pink Floyd).

O DVD encerra e voltamos ao menu inicial, deixando novamente a opção para você escolher qualquer um dos shows.

Em geral, as únicas falhas ocorrem nas imagens do show da França e no curto tempo do DVD (pouco mais de uma hora os dois shows), além de um erro grotesco no enunciado da contra-capa, que escreve "este conSerto" ao invés de "este conCerto". Também não temos um booklet, entrevistas ou comentários. São apenas os shows e pronto.

Apesar disso, a apresentação na TV holandesa é fora de série. Ver e ouvir a intrepretação completa de "A Plague of Lighthouse Keepers" é uma experiência única, e tendo como abertura "Theme One" fecha com chave de ouro este belíssimo DVD. E claro, ter o prazer de ouvir todo o Godbluff ao vivo, é algo que não tem preço.
Capa e contra-capa desse essencial DVD

E fica o recado:

Se você acha que Neil Peart fazia letras difíceis e complicadas, compre esse DVD.

Se você acha que o King Crimson viajava no palco, compre esse DVD.

Se você acha as canções do Yes complicadas de serem tocadas, compre esse DVD.

Se você acha que o Pink Floyd fazia passagens viajantemente soberbas e calmas, compre esse DVD.

Se você acha que Greg Lake é o melhor vocalista do progressivo, compre esse DVD.

Se você acha que teatral era o Genesis, compre esse DVD.

Se você acha que música é apenas guitarra, baixo e bateria, compre esse DVD.

Se você nunca ouviu Van Der Graaf Generator, pague seus pecados e compre esse DVD.

Você não irá se arrepender!

Set list:

French Show

01.The Undercover Man
02. Arrow
03. Scorched Earth
04. Sleepwalkers

Deutch Show

01. Theme One
02. A Plague Of Lighthouse Keepers :

a. Eyewitness
b. Pictures/Lighthouse
c. Eyewitness
d. S.H.M.
e. Presence of the Night
f. Kosmos Tours
g. (Custard's) Last Stand
h. The Clot Thickens
i. Land's End (Sineline)
j. We Go Now

sábado, 1 de junho de 2013

Consultoria do Rock Apresenta: A Psicodelia Californiana (Parte II)

O Consultoria do Rock Apresenta desse mês continua mostrando alguns dos principais nomes da Psicodelia Californiana no final da década de 60. Esse segundo programa especial concentra-se em nomes individuais de extrema relevância, e que consolidaram a Psicodelia para uma geração pós-Monterey e pré-Woodstock, e diferente das bandas da Primeira Geração, seguiram carreira pelos anos 70 e até os anos 80, mas sem a mesma acidez que em suas origens.

Apresentamos por tanto as bandas da Segunda Geração da Psicodelia Californiana.

Para ouvir e assistir, clique aqui!

01. "Wowie Zowie" - The Mothers of Invention: liderados por um dos maiores gênios da música em todos os tempos, o guitarrista, vocalista e maestro Frank Zappa, as "Mães da Invenção" apareceram ao mundo em 1966, com o assustador álbum Freak Out. O primeiro disco duplo da história apresenta muita ironia e críticas à sociedade americana, e como diz seu nome, convida o ouvinte para enlouquecer-se com uma mistura de blues, jazz, be-bop, beat rock, valsa e diversos outros estilos, além de muita experimentação sonora. Esta canção abre o Lado B do vinil, e é uma pequena amostra da sátira-rock que Zappa e seus capangas poderiam construir. Um Pluteus salicinus para aperitivo na nossa degustação de cogumelos ácidos.

02. "Plastic People" - The Mothers of Invention: a acidez lírica de Frank Zappa surge com mais força no segundo álbum da Mothers. Absolutely Free foi lançado em 1967, e é um disco muito mais trabalhado do que seu antecessor, principalmente pela presença marcante da crítica feita com humor. "Plastic People" é um Psilocybe zapotecorum que abre o álbum atingindo em cheio os governantes e a população que aceita corrupção, roubos e sacanagem política sem nenhuma contestação ou manifesto. Zappa ampliou esse conceito nos demais discos de sua carreira, ora com a Mothers ora em carreira solo, revelando ao mundo nomes como Steve Vai, Adrian Belew, Terry Bozzio, Geroge Duke e muitos outros.

03. "Electricity" - Captain Beefheart & His Magic Band: Don Van Vliet foi, ao lado de Zappa, um músico genial e inovador. Com sua Magic Band, o vocalista ficou conhecico como Captain Beefheart, e implementou diversas experimentações na psicodélica cena da Califória, regada por viagens alucinantes em canções curtas, mas muito engenhosas. "Electricity" encerra o Lado A de Safe as a Milk (1967) como um Conocybe tenera, sendo este álbum a estreia do grupo, e um dos essenciais álbuns para se conhecer o Som da Califórnia.

04. "Kandy Korn" - Captain Beefheart & His Magic Band: As viagens aumentam no segundo disco do grupo, Strictly Personal. Com canções mais longas, Captain Beefheart explora sonoridades até então inaudíveis, entre bolhas coloridas e elefantes de cartola. Psilocybe zapotecorum para não se botar defeito. Beefheart ainda lançou mais dez discos até o início dos anos 80, que mesmo sem o impacto dos dois primeiros, ainda mostram muita ironia e inovações.
05. "Section 43" - Country Joe & The Fish: Uma banda voltada contra a guerra do Vietnam, e com um som acidamente estonteante. Liderados por Country Joe McDonald, o Country Joe & The Fish tinha como principal destaque o órgão fantasmagórico de David Cohen. "Section 43" é um Psilocybe zapotecorum com mais de sete minutos de duração, presente no álbum de estreia do grupo, Electric Music for the Mind and Body (1967), outro importante LP dessa geração.

06. "The 'Fish' Cheer / I Feel Like I'm Fixin' to Die" - Country Joe & The Fish: As críticas contra a guerra e o som delirante continuou no segundo disco do grupo, lançado no ano seguinte. Sua faixa-título é uma jazz-waltz que mantém a fábrica de Psilocybe zapotecorum na ativa, e consolida o Country Joe & The Fish como um dos principais nomes da cena psicodélica californiana. O grupo ainda lançou mais três discos posteriormente, porém sem o mesmo efeito alucinógeno de seus dois álbuns iniciais, muito por conta de McDonald ter seguido por uma carreira voltada para o folk e o country.

07. "White Bird" - It's a Beautiful Day: Um dos últimos grupos a contar com a produção de Matthew Katz ("criador" de nomes como Moby Grape e Jefferson Airplane) o It's a Beautiful Day apresentou para os hippies californianos o som mais delirante que eles podiam ouvir. Tendo como base o violino de David LaFlamme, o órgão de sua esposa, Linda LaFlamme, a voz (e as coxas) de Pattie Santos e a guitarra de Hal Wagenet, a banda apresentava um som muito diferente, tendo como principal destaque essa linda balada Conocybe Tenera, presente no maravilhoso álbum de estreia do grupo, em 1969.

08. "Galileo / Do You Remember the Sun" - It's a Beautiful Day: Com a separação do casal LaFlamme, o It's a Beautiful Day mergulha ainda mais nas viagens, extrapolando a parte musical também para a parte lírica. Essa dupla de canções encerra o segundo álbum do grupo, Marrying Maiden (1970), apresentando um enigmático poema e uma suave base instrumental, com um espetáculo vocal e deixando aquela sensação de "barato" dado por um Psylocibe cubensis. Vieram ainda mais dois álbun de estúdio e um ao vivo, porém sem a lisergia do passado da banda.
09. "Iron Butterfly Theme" - Iron Buterfly: O Iron Butterfly pode ser considerado o principal nome da Segunda Geração do flower-power californiano. Seu álbum de estreia, Heavy (1968), destaca o órgão de Doug Ingle e a guitarra de Danny Weis, fazendo uma mistura mais ácida do que o gosto de um Psilocybe zapotecorum, como podemos comprovar nessa belíssima faixa instrumental que encerra o LP.
10. "In-A-Gadda-da-Vida" - Iron Butterfly: No ano seguinte, o Iron Butterfly promovia a entrada do jovem guitarrista Erik Brann. Com apenas 18 anos, o menino estreia em um dos álbuns mais vendidos e aclamados da história do rock californiano, levado principalmente pelos viajantes dezessete minutos de sua faixa-título, uma Amanita muscaria que ainda hoje causa seus danos. O grupo modificou na década de 70, com diversas outras formações, mas deixou um legado venerado por milhões e milhões de fãs ao redor do mundo.

11. "Soul Sacrifice" - Santana: O guitarrista mexicano Carlos Santana mudou-se muito cedo para a Califórnia, e em 1969, estreiou vinílicamente com o homônimo álbum de sua banda, Santana. Carregado por uma sólida parede percussiva, e duelos extraterrestres entre órgão e guitarra, o disco fez grande sucesso, e apresentou, através dessa Pluteus salicinus, o baterista Mike Shrieve, que posteriormente destacou-se no festival de Woodstock.

12. "Se Acabo" - Santana: O segundo LP do grupo, Abraxas (1970), alcançou o primeiro lugar em vendas nos Estados Unidos. Pela primeira vez, um músico latino conquistava tal façanha (que seria repetida por Carlos Santana e sua banda posteriormente por mais três vezes). "Se Acabo" é outra Pluteus salicinus, que encerra nosso Consultoria Apresenta com um espetáculo percussivo.

Tutorial:

 Alguns cogumelos alucinógenos:

Pscilocybe cubensis - cogumelo de pequeno porte, e que foi um dos cogumelos mais utilizados pelos hippies durante o período flower-power.

Psilocybe zapotecorum - cogumelo com fortes poderes alucinógenos, e também com muitos efeitos colaterais.

Amanita muscaria - cogumelo que causa alucinações após quinze minutos de seu consumo.

Conocybe tenera - cogumelo delgado e muito frágil, que provoca pequenas alucinações.

Pluteus salicinus - cogumelo que cresce em madeiras, alucinógeno apenas se ingerido sem tratamento.
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