quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Maravilhas do Mundo Prog: Yes - Mind Drive [1997]



E chegamos na última Maravilha do ano, e por consequência, a última Maravilha relativa ao grupo britânico Yes. Depois de passarem por um longo período governados pelo guitarrista e vocalista Trevor Rabin (1983 - 1995), divergências musicais fez com que o guitarrista abandonasse a banda, seguido pelo tecladista Tony Kaye. Cada um foi fazer sua vida musicalmente, deixando Jon Anderson (vocais, flautas, violões, percussão), Chris Squire (baixo, vocais, violões) e Alan White (bateria, percussão) com um futuro incerto.

Dois anos antes, o guitarrista Steve Howe havia encontrado o vocalista Jon Anderson para as gravações de Symphonic Music of Yes, deixando a sensação de que uma união dos dois maiores compositores do Yes, que haviam feito a fama do grupo na década de 70 com Maravilhas como "Close to the Edge", "The Revealing Science of God (Dance of the Dawn)", "The Gates of Dellirium" e "Awaken", era novamente possível.

Com a saída de Rabin, e Howe tendo sua carreira solo em baixa, o convite foi feito, e em outubro de 1995, era anunciado o retorno de Howe ao Yes. Quinze anos após Anderson ter saído do Yes pela primeira vez, os dois voltavam a dividir o mesmo espaço, apesar de deixarem claros que divergências pessoais ainda existiam, mas jamais iriam influenciar na relação profissional.

Chris Squire, Steve Howe e Rick Wakeman (acima),
Jon Anderson, Alan White e Jon Anderson novamente (abaixo).
Fotos retiradas do show em San Luis Obispo, presentes no encarte de Keys to Ascension 2

Faltava ainda o novo tecladista, que recaiu nas costas de Rick Wakeman. Pela terceira vez, o tecladista ingressava como membro do Yes, e a formação de Tales from Topographic Oceans, Going for the One e Tormato estava novamente reunida. 

O alarde da imprensa ouriçou os fãs, e todos ficaram pensando o que o quinteto estava preparando. Duas canções surgiram logo nos primeiros ensaios, "Be the one" e "That, That Is", representando uma nova direção para o grupo, mesclando a sonoridade pop existente no período Rabin com pinceladas do progressivo característico do período áureo do grupo. As duas faixas foram registradas em novembro de 1995, e aguardaram a companhia de novas irmãs para serem lançadas mundialmente. 

A versão box de Keys to Ascension, com mega pôster
Três noites então foram agendadas para o Fremont Theater, em San Luis Obispo (Califórnia), em 04, 05 e 06 de março de 1995, e foram registradas no DVD Keys to Ascension, um dos primeiros lançamentos mundiais nesse formato. Desses shows, sete canções acabaram sendo lançadas no CD Keys to Ascension (1996), que são: "Siberian Khatru", "The Revealing Science of God (Dance of the Dawn)", "America", "Onward", "Awaken", "Roundabout" e "Starship Trooper". Junto destas, as duas canções citadas acima. O álbum duplo vendeu bem no Reino Unido, alcançando a quadragésima oitava posição, e entrou nos 100 mais da Billboard americana, fortalecendo o quinteto a preparar um novo material.

Durante 1996, passam a compor, ensaiar e gravar novas canções, preparando-se para o primeiro lançamento de estúdio do quinteto em quase vinte anos. Assim, mais cinco faixas foram registradas, algumas aproveitando-se de um projeto que envolveu Chris Squire, Alan White e Jimmy Page, chamado XYZ, mas quando o novo álbum estava prestes a ser lançado, a gravadora Essential preferiu lançar as mesmas acompanhadas do material que ficou de fora da primeira versão de Keys to Ascension

O novo álbum duplo, batizado Keys to Ascension 2, chegou às lojas em 1997, e no primeiro CD, apresenta "I've Seen All Good People", "Going for the One", "Time and a Word", "Close to the Edge", "Turn of the Century" e "And You And I", todas registradas ao vivo em San Luis Obispo. No segundo CD, as canções inéditas e que deveriam ter saído em um único CD simples, começando com a Maravilhosa "Mind Drive". 

Um pouco mais do encarte de Keys to Ascension 2

Esse espetáculo sonoro começa com os acordes de teclado e uma fantástica passagem de violão feita por Howe. Seu solo é melodioso, simples e belíssimo, nos preparando para os  minutos delirantes. Howe ganha a companhia de Squire, fazendo as mesmas notas do violão com o baixo, e então, Howe passa a solar com velocidade no violão, enquanto teclados e baixo o acompanham com breves marcações.

Dois minutos e o baixo faz a marcação aguda, partindo para uma marcação cavalgante grave com a entrada da caixa, que repete as mesmas batidas do baixo. Wakeman faz o tema principal, mudando acordes nos sintetizadores, enquanto Howe delira na guitarra, lembrando muito a introdução de "Close to the Edge", apesar do ritmo não ser tão avassalador quanto na Maravilha de 1972, mas o crescendo agonizante da canção é perfeito. Somente essa introdução já vale a canção, mas recém passaram-se quatro minutos.

Uma sequência incrível de notas feitas por baixo, guitarra e teclados, mais a marcação forte, nos apresenta as vozes de Squire, Anderson e Howe, cantando ao mesmo tempo, sempre com o ritmo cavalgante e as constantes mudanças dos teclados. Howe faz um breve solo, trazendo a segunda estrofe da letra, e mais uma série de marcações encerra a agonia repentinamente.

Encarte de Keys to Ascension 2

Leves notas de teclados trazem a angelical voz de Anderson, abençoando à todos acompanhado pelo violão de Howe, e chegamos no coração de "Mind Drive", com o violão e o piano acompanhando os vocais de Anderson, assim como intervenções vocais de Squire, principalmente no refrão da canção, aonde a guitarra aparece timidamente. Destaque também para o pesado acompanhamento de White durante o refrão. A última estrofe vocal tem Anderson acompanhado apenas por Squire fazendo vocalizações e uma bela escala no baixo, encerrando com o peso que leva para mais uma repetição do refrão.

O peso acompanha um breve solo de Howe, e agora Anderson é acompanhado pelos teclados de Wakeman, levando ao maravilhoso solo de violão feito por Howe. As escalas flamencas arrepiam, acompanhadas por longos acordes de teclados e as escalas de baixo, complementadas pela voz de Anderson, retirada do fundo de sua alma, em um belíssimo momento da suíte, com Howe e Anderson disputando a atenção do ouvinte, e as camadas de teclados e a escala de baixo fazendo a perfeita sinfonia para esse duelo.

O baixo repentinamente muda seu andamento, deixando o violão sozinho, executando um tema jazzístico, que então explode no sensacional solo de moog, com uma velocidade impecável, comandada pelo ritmo da bateria, baixo e guitarra, mostrando que com o passar dos anos, o tecladista não perdeu nem um pouco de seu talento. Howe então debulha a guitarra com uma furiosa escala jazzística, lembrando os bons tempos de "Yours Is No Disgrace", e uma série de notas leva-nos para a repetição do refrão, entoando o nome da suíte com o pesado acompanhamento de White.

Passagens de moog fazem Anderson repetir a letra, assim como o refrão, acompanhado pelo piano e pela voz de Squire, e então a agonizante sessão rítmica do início da canção aparece novamente, mostrando um desenvolvimento cíclico dessa joia, com Howe solando como nunca, e sobre o andamento, Squire, Anderson e Howe encerram a letra de "Mind Drive" com agressividade, mas ainda não é o encerramento da mesma.

O ritmo marcado faz com que Howe e Wakeman executem o mesmo tema, ao mesmo tema, dando espaço para Howe exibir suas virtudes mais um pouco, com outro grande solo, enquanto a base agonizante não para de crescer em nossos ouvidos, explodindo novamente em outro maravilhoso solo de Wakeman, agora no moog, estraçalhando como nunca e mandando ver nos efeitos. A magistral sequência de acordes feitas por teclados, baixo e guitarra, com as viradas de White, apresentam o último trecho instrumental, uma agitada sessão com solos de Howe e Wakeman, encerrando essa Maravilhosa canção com longas notas de moog, em uma escala decrescente.

Os dois Keys to Ascension

As demais canções pertecentes a Keys to Ascension 2 são "Foot Prints", com qualidades interessantes, mas longe dos bons tempos da década de 70, "Bring Me to the Power", e um espetáculo a parte do violão de Howe, apesar do clima oitentista, "Children of Light", mostrando os caminhos que o Yes iria seguir a partir de então, empregando muita percussão e efeitos de sintetizadores, e a balada instrumental "Sign Language", somente Wakeman e Howe, ora no piano e violão, ora nos sintetizadores e guitarra.

Todas as canções originais de ambas as versões de Keys to Ascension, foram posteriormente lançadas juntas no CD Keystudio (2001), um item de colecionador. 

Wakeman saiu novamente do grupo, indignado por seus colegas terem preferido o lançamento de um CD duplo com canções ao vivo, ao invés de um álbum somente com inéditas (e que tinha até um título, Know). Para piorar, uma turnê já estava agendada para os Estados Unidos entre junho e julho de 1997, sem o consentimento do tecladista, que como sempre convém lembrar, pertence a um selo diferente do selo que o Yes grava. 



Keystudio, reunindo as canções de estúdio de ambos Keys to Ascension

A sua saída tornou-se inevitável, e a Know Tour foi cancelada. Para seu lugar veio o russo Igor Khoroshev, e com a adição de Billy Sherwood, guitarrista que havia produzido os álbuns Keys to Ascension, e tambpem havia dividido o palco em alguns shows da Talk Tour, vieram Open Your Eyes (cuja turnê tive o prazer de assistir em 1998, mesmo ano de lançamento do álbum) e The Ladder (1999). 

Sherwood e Khoroshev deixaram a banda em 2000, ano que o Yes começou a montar uma série de shows que ficou conhecida como Masterworks Tour, aonde o grupo apresentava petardos como "Close to the Edge", "Ritual" e "The Gates of Dellirium" na íntegra. Essa turnê foi responsável pelo grupo criar o seu melhor álbum desde Going for the One (1977), Magnification, lançado em 2001 e detentor das Maravilhosas "In the Presence Of" e "Magnification". A turnê desse álbum mostrou o Yes acompanhado por uma orquestra, em cada cidade por onde passou, e teve como registro o essencial DVD Symphonic Live, lançado em 2002.

Em 2007, quando o grupo planejava a turnê para comemorar os 35 anos de aniversário de Close to the Edge, Anderson passou por problemas respiratórios, e foi substituído por Benoît David, que excursionou com o grupo (agora com Oliver Wakeman, filho de Rick, nos teclados) e gravou o álbum Fly from Here (2011), tendo Geoff Downess nos teclados e resgatando canções do período de Drama.

Pôster de divulgação da turnê Cruise to the Edge

Hoje, o Yes está na ativa, e depois de fazer a turnê apresentando os álbuns Close to the Edge, Going for the One e Yes Album na íntegra (que inclusive passou pelo Brasil, em maio desse ano), com Jon Davison nos vocais, e agora está preparando para seguir essa turnê pelo Canadá e Estados Unidos, além da magistral Cruise to the Edge, que atravessará os mares do Caribe entre 07 e 12 de abril do ano que vem, com o grupo acompanhado de nomes como Marillion, Steve Hackett, Three Friends, PFM entre outros, mostrando que o Yes, além de ser o único dos cinco gigantes do rock progressivo destacados aqui no Maravilhas do Mundo Prog ainda a estar na ativa, é o único que renunciou as divergências pessoais em nome de alegrar seus fãs mundo afora.

O Maravilhas do Mundo Prog encerra suas atividades esse ano. Em março de 2014, voltaremos com mais suítes, clássicos e obscuridades progs que enchem nossos ouvidos de alegria e prazer, desejando à todos muitas alegrias, saúde e paz, e os votos de boas festas de fim de ano, além de um descanso merecido para todos nós.

Forte abraço, e até o ano que vem.

sábado, 21 de dezembro de 2013

DVD: U2 - Vertigo 2005 // Live From Chicago (Limited Deluxe Edition) [2005]



Antes de começar a dissertar sobre esse DVD, antecipo para aqueles que como eu são fãs do grupo irlandês U2: compre sem medo e divirta-se com um grande espetáculo.

Para os que querem mergulhar ou conhecer a carreira de Bono Vox (vocais, percussão, harmônica), The Edge (guitarras, baixo, teclados, vocais), Adam Clayton (baixo, guitarras) e Larry Mullen Jr. (bateria, percussão, sintetizadores), ou que conhece uma das três fases da banda (a primeira entre 1980 e 1989, a segunda entre 1990 e 1999 e a terceira entre 2000 e atualmente), o DVD é supra-indicado, por motivos os quais comento abaixo.

Esse DVD apresenta o quarteto em uma mescla de duas apresentações lotadas na arena United Center, em Chicago, nas datas de 09 e 10 de maio de 2005, durante a turnê Vertigo Tour, promovendo o álbum How to Dismantle an Atomic Bomb, lançado mundialmente sete meses antes, e faz um apanhado muito interessante na carreira do U2, já que um excelente passeio pelos vinte e cinco (na época) anos do grupo é proporcionado nas mais de duas horas do primeiro DVD de Vertigo 2005 // Live From Chicago, que recebeu uma interessante versão DELUXE com dois DVDs, com uma ótima qualidade de imagem e som.
Versão DELUXE do DVD Vertigo 2005

Começando com duas canções do álbum citado, "City of Blinding Lights" e "Vertigo", e em seguida "Elevation", do álbum antecessor ao divulgado na turnê deste DVD, All That You Can't Leave Behind (2000), temos a demonstração de como o U2 cresceu com o passar dos anos, arrecadando novos fãs que cantam as letras das canções novas com muito fôlego e paixão, principalmente as vocalizações de "Vertigo" e "Elevation". 

A primeira surpresa surge quando Bono anuncia que "Vamos tocar umas canções de vinte, vinte e cinco anos atrás", e detonam na sequência três faixas do álbum de estreia do grupo, Boy (1980). São elas: "The Cry / Electric Co.", "An Cat Dubh" e "Into the Heart". Aqui vemos que os novos fãs praticamente desconhecem essas joias dos irlandeses, ou estão em estado de êxtase, pois a manifestação vocal é imperceptível. Apenas Bono e The Edge revezam-se com maestria nos vocais, sendo que a guitarra de The Edge dilacera os ouvidos com os riffs marcantes do início da carreira do U2.

Um dos principais momentos do DVD é quando, ao final de "Into the Heart", Bono deita-se no palco e, imitando a imagem da Criação de Adão (Michelangelo), toca com o dedo indicador no dedo indicador de um garoto, que é convidado a subir ao palco e caminhar com Bono durante o final da canção.

Falando em palco, o desta apresentação é muito bonito. Em formato elíptico, permite que os fãs assistam o quarteto circular por entre eles, e ocupa uma boa parte da arena. Há um único telão montado no teto do local, mas por diversas vezes, uma magnífica cortina de bolas de led descem do teto, formando telões virtuais que encantam pelas imagens formadas e pelas surpreendentes aparições dos mesmos.
Momento de Bono encarnando arte de Michelangelo
Voltando para a sequência do show, temos mais uma de All That You Can't Leave Behind, no caso a clássica "It's a Beautiful Day", voltando novamente no tempo, agora para o essencial War, com o petardo "New Year's Day", na qual The Edge exibe-se no piano e na guitarra.

"Miracle Drug", "Sometimes You Can't Make It on Your Own" e "Love and Peace or Else" trazem o fã novamente para How to Dismantle an Atomic Bomb. A segunda demonstra Bono com forte emoção, além de uma potência vocal que o consolida como um dos melhores vocalistas de sua geração. Já em "Love and Peace or Else", Larry Mullen sai detrás de seu kit e vai tocar bumbo e prato em um dos lados da elipse. A canção é executada no formato acústico, mas com The Edge abusando de distorções e slide no violão, em mais um grande momento do DVD.

Encerrada "Love and Peace or Else", Bono assume as baquetas do bumbo e do prato para fazer um ritmo marcial, abrindo a clássica "Sunday Bloody Sunday" (War), e fazer uma encenação ao final da mesma, arrastando-se pelo palco, até pegar uma bandana, cobrir os olhos e cantar a pesadíssima "Bullet the Blue Sky", do aclamado The Joshua Tree (1987). Do mesmo álbum, "Running to Stand Still" surge das cinzas, e "Pride (In the Name of Love)" nos leva para os dançantes ritmos de The Unforgettable Fire (1984).

"Where the Streets Have No Name" (The Joshua Tree) praticamente coloca a arena abaixo, e "One (Achtung Baby, 1991) encerra a primeira parte da apresentação levando muitos fãs às lágrimas, principalmente com a importante mensagem deixada por Bono para os grandes governos investirem dinheiro na solução da pobreza, "Os grandes líderes não devem colocar o homem na lua, mas trazê-lo de volta a Terra". 

O Bis surge com mais uma surpresa, "Zoo Station", em uma versão mais pesada do que a registrada em Achtung Baby (1991), e ainda temos a ótima "The Fly", uma das melhores canções do mesmo álbum.  "Mysterious Ways", com direito a mais um membro da plateia a subir no palco, dessa vez uma garota negra que dança insinuando-se por toda a elipse, atrás de Bono, encerra a parte pop da apresentação, e voltamos para How to the Dismantle an Atomic Bomb com "All Because of You", "Original of the Species" e "Yahweh", tendo Larry Mullen nos sintetizadores, totalizando nove das onze canções do álbum apresentadas ao vivo (apenas a boa "Crumbles from Your Table" e a desprezível "A Man and A Woman" ficaram de fora.
"Yahweh", com Larry Mullen nos sintetizadores

"40" (War) encerra o primeiro DVD, trazendo Adam Clayton na guitarra e The Edge no baixo, além do público na palma da mão de Bono, corroborando o que todos os que assistem ao U2 ao vivo não cansam de repetir: eles sabem como agradar os fãs.

O segundo DVD apresenta o documentário Beyond the Tour, tendo entrevistas com fãs e pessoal técnico ligados à produção do show, além de mostrar em detalhes como foi o procedimento para a escolha dos fãs que iriam ficar dentro da elipse, e assistir ao U2 bem de pertinho, um clipe inédito para "Sometimes You Can't Make It On Your Own" e o mini-show Surveillance, com três canções filmadas em infravermelho ("Love and Peace or Else", "An Cat Dubh/Into the Heart", "Cry/The Electric Co."e "Running To Stand Still", além de um DVD-Rom contendo papeis de parede para Computadores. Ambas as mídias estão acondicionadas em um sistema de caixa duplas digipack, que contém ainda um pequeno encarte com imagens da apresentação.

Uma ótima experiência em reviver canções não tão conhecidas do U2 nos anos 80, e uma rara oportunidade de se ter registrado ao vivo, praticamente na íntegra, um dos melhores discos da carreira do U2.
Belíssimo imagem das cortinas de LED projetando bandeiras durante o show

Track list

1. City of Blinding Lights
2. Vertigo
3. Elevation
4. The Cry/The Electric Co.
5. An Cat Dubh / Into the Heart
6. Beautiful Day
7. New Year's Day
8. Miracle Drug
9. Sometimes You Can't Make It on Your Own
10. Love and Peace or Else
11. Sunday Bloody Sunday
12. Bullet the Blue Sky
13. Running to Stand Still
14. Pride (In the Name of Love)
15. Where the Streets Have No Name
16. One
17. Zoo Station
18. The Fly
19. Mysterious Ways
20. All Because of You
21. Original of the Species
22. Yahweh
23. 40

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Maravilhas do Mundo Prog: Yes - The Gates of Dellirium [1974]



Quando Rick Wakeman (teclados) pediu as contas do Yes, rejeitando a vida vegetariana e as experimentações progressivas que Jon Anderson (vocais, flautas, violões, percussão, harpa) e Steve Howe (guitarra, Danelectro Sitar, vocais) estavam empregando ao grupo. Chris Squire (baixo, harmônica, violões, vocais) e Alan White (bateria, percussão) haviam se conformado com o caminho do grupo, ainda mais com o sucesso de vendas dos dois últimos álbuns, Close to the Edge (1972) e Tales from Topographic Oceans (1973).

A busca por um novo tecladista tornava-se prioridade. Com o status elevado, o grupo não poderia deixar o cavalo, e saiu atrás do novo tecladista do Yes. A ideia era trazer um nome de impacto, para lotar o aeroporto, e assim, surgiram os nomes de Eddie Jobson, Jean Roussel, Rod Argent e até mesmo Keith Emerson (isso só para citar os mais conhecidos). O escolhido a priori foi o nome do tecladista grego Vangelis.

Multiinstrumentista habilidoso e genial, Vangelis havia acabado de fechar as portas do excepcional Aphrodite's Child, e começado uma carreira solo que prometia um futuro incerto, pois o mundo ainda não estava acostumado ao som que o tecladista estava propondo. Ele foi apresentado ao Yes através de Anderson, que havia se tornado amigo do músico, e foi convidado a fazer um ensaio com o grupo.


Vangelis, em 1974
O que aconteceu neste ensaio é muito vago. Poucas vezes os membros do Yes tocaram no assunto, mas sabe-se que Howe ficou assustado com a capacidade musical do músico, que parecia ser a própria banda, e não o membro da banda. As principais informações estão presentes no livro de Dan Hedges, Yes: An Authorized Biography (1984). Com diversas entrevistas, temos as opiniões dos membros do grupo.

"Todos estavam muito animados com o potencial dele (Vangelis), mas depois de três semanas, ele começou a mostrar um gênio bastante forte", fala Squire. Já Howe diz: "Ele foi muito avassalador. Pudemos ver as possibilidades musicais dele desde o início, mas parecia que ele não estava comprometido, com intenção de ficar. Ensaiamos por meia hora, e achamos que tínhamos a pessoa certa. Quando tentamos outra canção, Vangelis parecia não entender o que dizíamos. Mas ele tinha todos os tipos de talentos escondidos. Ficava na bateria e tocava muito, com fúria, por mais de dez minutos, mas não estava mais acostumado a trabalhar com um grupo. Ficamos pensando como iríamos tocar uma música com ele, pois era uma entidade sonora, uma pessoa emanando sons, e nós o apelidamos Entidade Vangelis". Alan White complementa: "Com ele jamais teria funcionado. Um álbum talvez, mas não de forma permanente".

Vangelis acabou dispensado, mas saiu amigavelmente do grupo, tanto que depois convidou Anderson para participar do excelente álbum Heaven and Hell, de 1975, e formou com o próprio Anderson a dupla Jon & Vangelis, que fez relativo sucesso no início dos anos 80. Para seu lugar, o suíço Patrick Moraz era a nova opção.
Refugee - Refugee
O único álbum do Refugee

Moraz era o músico perfeito para substituir Wakeman. Sua carreira era esplendorosa e de admirável reconhecimento. Muito jovem, começou uma carreira solo como pianista de concerto, e pouco depois, passou a acompanhar diversos artistas de jazz, dentre eles o cultuado saxofonista John Coltrane (em 1965), mostrando sua versatilidade. Em 1968, formou o grupo Mainhorse, ao lado de Jean Ristori, lançando no mesmo ano um único álbum, auto-intitulado. O grupo não vingou, e Moraz decidiu mudar-se para a Inglaterra, aonde formou o Refugge em 1973, ao lado de Lee Jackson e Brian Davison, ambos ex-Nice, com quem gravou um único álbum, Refugee (1974).

Seu trabalho no Refugee foi de tamanha excelência que acabou chamando a atenção dos músicos do Yes. Em agosto de 1974, surgia então a quinta formação do Yes, com Anderson, Howe, Squire, White e Moraz. Os fãs ficaram em dúvidas, pois a constante mudança na formação poderia afetar a sonoridade da banda, mas estavam enganados. A mente Howe e Anderson eram capazes de manter o nível do Yes lá em cima, e isso foi comprovado com Relayer, o sétimo álbum de estúdio do Yes, lançado em novembro de 1974.

Discordo totalmente dos que afirmam que Moraz trouxe influências jazzísticas ao grupo. Sempre o jazz esteve presente na primeira fase do Yes, e talvez, o que aparece é uma inclinação pelo free-jazz, mas nada tão sobressaliente, principalmente na Maravilhosa faixa que abre o LP, a essencial "The Gates of Dellirium". Inspirada na obra War and Peace, do escritor russo Leo Tolstoy, ela narra o duelo entre o bem e o mal, através de uma performance inspiradíssima, principalmente de Howe e Moraz.


Chris Squire, Jon Anderson, Alan White, Patrick Moraz e Steve Howe, em 1976

Harmônicos e sons de teclados são os responsáveis pela introdução de nossa Maravilha, com Howe já esbanjando virtuosismo logo de largada, seja no harmônico, seja nas rápidas escalas, utilização do pedal de volume ou até nos temas divididos com os teclados. A introdução nos prepara para a longa viagem pelos portes do delírio, com Howe encerrando seu solo fazendo um tema repetido junto ao baixo e bateria, enquanto camadas de teclados surgem ao fundo. Anderson faz vocalizações em cima desse tema, e uma série de notas marcadas entre bateria, guitarra e baixo trazem a voz de Anderson, acompanhada apenas por um violão.

Batidas no bumbo ditam o ritmo das batidas nas cordas da guitarra, para Howe, Squire e Anderson cantarem todos ao mesmo tempo, com um andamento agressivo. A segunda estrofe vocal encerra-se com um breve tema, e então o pau pega de vez, com Anderson esbravejando contra o microfone, Howe fazendo intervenções raivosas e a cozinha mandando ver. Uma ponte com acordes de guitarra e passagens de moog trazem o trio vocal para a terceira estrofe, cantada sobre o ritmo cavalgado, e mais uma vez, o breve tema de Howe leva para os vocais agressivos de Anderson, com Howe subindo e descendo escalas, e Squire cavalgando com seu baixo.

A ponte de acordes e passagens de moog leva-nos para o primeiro solo de Howe, trabalhado em cima de um mesmo tema, alternando apenas os tons da escala que é utilizada, e com breves participações do moog, enquanto White e Squire comandam o balanço para a guitarra se divertir.

Um lindo arranjo vocal, acompanhado por notas de guitarra com volume, e pelo baixo, faz a divisão de "The Gates of Dellirium", tornando-a apreensiva. O baixo marcante e as passagens de sintetizadores assombram, e o trio vocal canta tristemente, trazendo novamente o tema da guitarra, as marcações de baixo e bateria, começando uma das mais memoráveis sessões instrumentais da carreira do Yes. O crescendo dado pelos teclados, guitarra, baixo e bateria explode em uma incrível sessão vocal com a guitarra despejando distorção, e mais uma vez, o tema da guitarra encerra essa sessão para começarmos a endiabrada parte central da suíte.


A linda capa de Relayer, em sua versão dupla

Representando a batalha entre o bem e o ma, nesse momento, Moraz e Howe duelam como dois leões, um no moog e outro na guitarra. É impossível compreender o que Howe faz em sua guitarra. Subindo e descendo escalas, o guitarrista praticamente destrói suas cordas, enquanto Moraz repete o mesmo tema sobre um andar cavalgante de baixo e bateria. Os momentos aonde a guitarra se sobressaem são de temor e de impossibilidade de se ficar parado. É possível ouvir barulhos de plateia, como que pessoas então em delírio, enquanto temas marcados complicadíssimos são elaborados por guitarra e moog.

Uma escala muito veloz encerra a primeira parte dessa sessão instrumental, entre os barulhos de pessoas, e chega a hora de White e Squire darem seu espetáculo, com uma marcação fenomenal, enquanto barulhos percussivos, viajantes notas no sintetizador e acordes estranhos de guitarra saltam das caixas de som. Barulhos diversos tomam conta de sua cabeça, derrubando tudo o que vem pela frente, ao mesmo tempo que bateria, guitarra e baixo repetem o mesmo tema por diversas vezes. Descrever em palavras é dispensável, e aqui recomendo apenas ouvir as diabruras que o quinteto faz, já que Anderson é responsável por boa parte percussiva.

A letra de "The Gates of Dellirium"

O moog salta com um tema acompanhado de perto pelo baixo, e a insanidade finalmente é assumida pelo Yes, com uma sequência perturbadora de barulhos encerrada com um majestoso solo de moog, aonde Squire e Howe fazem aquela que considero a mais perfeita sinfonia para um solo de moog que Moraz já teve em sua vida. Howe então passa a solar com o mesmo tema do moog, e caprichando nos efeitos, encerrando magistralmente a longa sessão instrumental, e abrindo espaço para um dos momentos mais marcantes do rock progressivo.


O single de "Soon"
Batizada de "Soon", o encerramento de "The Gates of Dellirium" é a comprovação (se é que ainda precisa) de que Anderson e Howe estão em um patamar muito superior aos demais compositores do rock progressivo. Destacando que o bem sempre irá se sobrepor ao mal, A delicadeza da cama de teclados, e a tímida percussão, acompanhado a ingênua e emocionante sequência de notas da guitarra, com o pedal de volume fazendo a guitarra chorar, certamente foram emanadas do Paraíso para esse gênio da guitarra. O tema feito por Howe leva ás lágrimas com muita facilidade, e quando a voz de Anderson surge, cantando sobre o mesmo tema e acompanhada por acordes quase inaudíveis de violão, lenços não param de consolar os olhos, tamanha a beleza apresentada pelo Yes. Baixo e teclados acompanham a dramaticidade com muita sutileza, e as notas de Howe massageiam as cordas vocais de Anderson, tornando-as ainda mais belas e sensíveis.

A participação de um mellotron complementa a beleza de "Soon", e agora, Howe desliza seu slide pela slide guitar, soltando notas que atingem em cheio ao peito do ouvinte, em um espetáculo de mesma proporcionalidade a uma Aurora Boreal, retornando então para a voz de Anderson, que canta a última estrofe de "The Gates of Dellirium" como que despedindo-se, assim como o slide faz suas últimas notas acompanhado por vocalizações, mellotron e um lento andamento de bateria e baixo, concluindo essa maravilhosa suíte com uma encantadora sequência vocal, tendo a parceria do mellotron e do slide guitar, além de tímidos acordes de violão, deixando um rio de lágrimas após essa emocionante gravação.


O lado A de Relayer, em sua versão original

O álbum encerrava o caminho que o grupo havia começado com Close to the Edge, formando uma trilogia perfeita do rock progressivo junto a este e Tales from Topographic Oceans. No seu lado B, as pérolas "Sound Chaser" e "To Be Over" são ambas capazes de fazer parte dessa sessão, a primeira trazendo as ditas influências de jazz rock, principalmente durante o espetacular solo de moog feito por Moraz, e na linda balada "To Be Over", uma das canções mais lindas que a rede fonográfica registrou. "Soon" foi lançada em formato de single, com uma versão editada de "Sound Chaser" no lado B.

O grupo saiu para uma turnê repleta de sucessos, tendo como ponto máximo a apresentação no JFK Stadium da Philadelphia completamente lotado, tendo a abertura de Peter Frampton e com mais de 150 mil pessoas, o maior público para assistir a um único show de uma banda de rock progressivo até então. Porém, durante a turnê, Moraz acabou demonstrando incapacidade para repetir as passagens de Wakeman, e também não estava nem um pouco à vontade com a precisão de Anderson e Howe. O DVD Live at Q. P. R. mostra bem o nervosismo de Moraz no palco, errando bisonhamente passagens de "Close to the Edge" e "Ritual", além da insatisfação de Anderson com a performance do tecladista.


O estádio JFK lotado para assistir o Yes, em 1976


O músico saiu encerrada a turnê, e no auge da era punk, como Sex Pistols pregando a revolução na música britânica, Wakeman voltou para registrar Going for the One, com a Maravilhosa "Awaken" comprovando que o progressivo ainda sobrevivia, e que o Yes novamente era a maior banda do planeta. O grupo lotou o Wembley Arena por cinco noites seguidas, trazendo um palco giratório, em meio a plateia, e com Howe e Wakeman surpreendo cada vez mais com performances avassaladoras.

Mas, a partir de então, o Yes não conseguiu mais se firmar como uma excelência progressiva. O álbum seguinte, Tormato (1978) levou a divergências internas, fazendo com que Anderson saísse pela primeira vez do Yes, levando consigo Wakeman. Trevor Horn e Geoff Downes, a dupla Buggles, substituíram Anderson e Wakeman respectivamente, e assim o Yes lançou o rejeitado Drama (1980), discutido até hoje por fãs do grupo, agradando a muitos com uma sonoridade moderna, mas desgostando a tantos outros, que preferiam o Yes antigo. A turnê de Drama foi pior ainda, com os fãs vaiando Horn e Downess errando passagens de canções que não foram registradas por ele.

O Yes encerrava suas atividades em 1981, voltando à ativa em 1983 com Trevor Rabin nas guitarras, trazendo Tony Kaye novamente para os teclados, Jon Anderson, Chris Squire e Alan White. Vieram dois álbuns de sucesso, 90125 (1984) e Big Generator (1987), o reconhecimento mundial do grupo não mais como um expoente progressivo, mas como a excelência pop britânica. Union (1991), unindo oito membros que estavam ou haviam passado pelo Yes, e Talk (1994) concluíram a fase de Rabin como líder do Yes, e a partir de 1995, Howe retornou, trazendo o grupo novamente para o progressivo.

Yes na década de 80, com Trevor Rabin



Vieram dois álbuns mezzo ao vivo, mezzo estúdio, com Rick Wakeman novamente nos teclados, Keys to Ascension (1996) e Keys to Ascension 2 (1997), sendo o segundo capaz de trazer mais uma canção para essa sessão, a Maravilhosa "Mind Drive", que iremos conferir semana que vem, encerrando as Maravilhas do Mundo Prog deste ano.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Megadeth - Warchest [2007]

Megadeth_-_Warchest

O Megadeth é sem dúvida nenhuma um dos mais importantes grupos do Thrash Metal mundial. Liderados pelo loiro guitarrista e vocalista Dave Mustaine, os americanos surgiram em 1983, após Mustaine sair (ou ser demitido) do Metallica. De lá para cá, são quatroze álbuns de estúdio, sendo que junho deste ano, o último até o momento, Super Collider.

Durante esse período, altos e baixos marcaram a carreira do Megadeth. Álbuns clássicos como Peace Sells ... But Who's Buying? (1986) e Rust in Peace (1990) elevaram a fama (e as vendas) do grupo para patamares altíssimos, enquanto que os controversos Risk (1999) e The World Needs a Hero (2001) quase botaram tudo a perder, além da constate mudança de formação causada pela genialidade bipolar de Mr. Mustaine.

Detalhes do livreto que acompanha o Box

Em 2007, a gravadora EMI lançou no mercado a belíssima caixa Warchest, em uma tentativa (bem sucedida) de colocar o nome do grupo no mercado novamente. E para os fãs do grupo, ou até mesmo pessoas que conhecem pouco das canções lançadas pelo Megadeth, essa caixa é um ótimo achado, pois contém nada mais do que cincoenta e três canções, sendo algumas delas (dez no total) totalmente inéditas. Isso apenas nas três primeiras mídias da caixa, que no total, contém cinco mídias (quatro CDs e um DVD).

Começando então pelos CDs, mais precisamente os três primeiros, nos mostram canções que vão desde a estreia do grupo em 1985, com o fantástico Killing is My Business ... and Business is Good, até o álbum The System has Failed (2004). No CD1, estão clássicos do período clássico do grupo, entre 1985 e 1990, de onde podemos conferir "Killing is My Business ... and Business is Good!", "Peace Sells", "Wake Up Dead", "Devil's Island" e "Hangar 18", entre outras, todas em suas versões originais, além de versões demo (e inéditas) para "Holy Wars ... The Punishment Due", "Five Magics" e "Tornado of Souls". A vinheta "Dark Themes" é mais uma preciosidade deste CD, que ainda consta com as covers para "Anarchy in the U. K." (gravada ao vivo no estúdio, juntamente com "Problems", ambas originais do Sex Pistols, e também inéditas neste lançamento) e "No More Mr. Nice Guy", presente na rara trilha do filme Shocker, de 1989.

Parte interna de Warchest

O CD 2 cobre o período entre 1992 e 1994, no qual o Megadeth começa a modificar sua sonoridade. Destaques para joias como "Symphony of Destruction", "Foreclosure of a Dream", "Train of Consequences" além de três canções do raro EP Hidden Treasures, lançado em 1994 (no caso "Go to Hell", "Architecture of Agression" e "Angry Again"). Outras apetitosas faixas são as covers para "Strange Ways" (original do Kiss, gravada para ser lançada no tributo Kiss My Ass, mas que acabou ficando de fora do mesmo) e "Paranoid" (original do Black Sabbath, que acabou entrando no tributo Nativity in Black, de 1994), além de versões inéditas e ao vivo para "Skin o' My Teeth", "High Speed Dirt", "Ashes in Your Mouth" e "Sweating Bullets". Complementa a parte de inéditas uma sessão em estúdio para "Breakout", e ainda temos o resgate de "Diadems", gravada para a trilha do filme Demon Knight, de 1995 e "New World Older", retirada da trilha do jogo Duke Nukem, também de 1995.

O terceiro CD vai de Cryptic Writings (1997) até The System Has Failed (2004) e é o único a não conter inéditas. Nele, ouvimos as polêmicas eletrônicas de "Imsonia" e "Crush 'Em", além de petardos como "Moto Psycho", "Almos Honest" e "Kick the Chair". Destaque para a versão ao vivo de "Never Say Die", presente em Nativity in Black, vol. 2: A Tribute to Black Sabbath, de 1998, "Kill the King", registrada para a coletânea Capitol Punishment: The Megadeth Years, de 2000, e "Duke Nuke Theme", que saiu apenas na versão japonesa de Risk, bem como na trilha do jogo de mesmo nome.

Um pouco mais da parte interna de Warchest

O quarto CD é um presente mais que especial. Trata-se da última apresentação do Megadeth durante a turnê Clash of Titans, ao lado de Suicidal Tendencies, Anthrax e Slayer, no Wembley Arena, em 1990. Na formação da época, o grupo contava com Mustaine (vocais, guitarras), Dave Ellefeson (baixo, vocais), Marty Friedman (guitarras) e Nick Menza (bateria), e o quarteto manda ver com uma performance endiabrada, cujo único pecado é sua curta duração (pouco mais de uma hora).

Já o DVD é um achado, pois nele, vemos o Megadeth já consolidado como um gigantesco grupo de Thrash Metal, em uma apresentação durante a turnê de Countdown to Extinction no famoso Hammersmith Odeon, em 1992. Apesar de ser esse álbum promovido, o destaque vão para as quatro canções de Rust in Peace presentes no show, que, com a mesma formação que no CD 4, mostra uma energia fantástica, com Mustaine e Friedman alternando-se em solos alucinantes, sendo esta uma das melhores performances que já vi do Megadeth.


Mais detalhes do livreto que acompanha o Box

Todo esse material vem em uma caixa exclusiva, no formato de uma caixa de acessórios de guerra, com as balas presentes no famoso cinto de Mustaine em alto-relevo na parte superior da caixa. Dentro da mesma, além das cinco mídias, encontramos um livreto, em formato de diário de guerra, contando a história da banda e diversas imagens.

Uma bela caixa, que com certeza, satisfaz a necessidade dos aficcionados e também dos que ainda não entraram no mundo de Mustaine e cia.

Todo o material desse Box Set

Track list

Disco 1

1. Killing is My Business ... and Business is Good!

2. The Skull Beneath the Skin

3. Peace Sells

4. Wake Up Dead

5. Devil's Island

6. Set the World Afire

7. Into the Lungs of Hell

8. Anarchy / Problems *

9. Hook in Mouth

10. Liar

11. In My Darkest Hour

12. No More Mr. Nice Guy

13. Dark Themes *

14. Holy Wars ... The Punishment Due (Casey McMackin demo) *

15. Tornado of Souls (demo) *

16. Five Magics (demo) *

17. Hangar 18

Disco 2

1. Keeping Score *

2. Symphony of Destruction

3. Go to Hell

4. Foreclosure of a Dream

5. Architecture of Aggresion (demo)

6. Skin o' My Teeh (live at Alpine Valley) *

7. High Speed Dirt (live at Alpine Valley) *

8. Ashes in Your Mouth (live at the Cow Palace) *

9. Sweating Bullets (live at the Cow Palace) *

10. Breakpont (session take) *

11. Angry Again

12. Train of Consequences

13. Reckoning Day

14. New World Older

15. The Killing Road

16. Strange Ways

17. Paranoid

18. Diadems

19. À Tout le Monde

Disco 3

1. Trust

2. Almost Honest

3. Use the Man

4. She-Wolf

5. A Secret Place

6. One Thing

7. Duke Nukem Theme

8. Insomnia

9. Crush 'Em

10. Kill the King

11. Dread and the Fugitive Mind

12. Never Say Die

13. Moto Psycho

14. 1000 Times Goodbye

15. Coming Home

16. Kick the Chair

17. Of Mice and Men

Disco 4 - Live at Wembley Arena, October 16, 1990

1. Intro / Rattlehead

2. Wake Up Dead

3. Hangar 18

4. Hook in Mouth

5. The Skull Beneath the Skin

6. The Conjuring

7. In My Darkest Hour

8. Lucretia

9. Devil's Island

10. Take No Prisoners

11. Peace Sells

12. Black Friday

13. It's Electric

14. Anarchy in the U. K.

15. Holy Wars ... The Punishment Due

Disco 5 - DVD Live at the Hammersmith Odeon, September 30, 1992

1. Intro / Holy Wars ... The Punishment Due

2. Wake Up Dead

3. Hangar 18

4. Lucretia

5. Sweating Bullets

6. In My Darkest Hour

7. Tornado of Souls

8. Ashes in Your Mouth

9. Peace Sells

10. Anarchy in the U. K.

* canções inéditas
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