terça-feira, 16 de abril de 2013

UFO - Seven Deadly Tour




Phil Mogg (vocal)
Paul Raymond (guitarra, teclados)
Andy Parker (bateria)
Vinnie Moore (guitarra)

* Texto da Branco Produções

Uma das mais importantes bandas britânicas da história do rock vêm pela primeira vez a Porto Alegre. Somente 400 fãs poderão assistir ao show que acontecerá no Teatro CIEE, no dia 12 de maio, domingo, às 20 horas.
Com três membros de sua formação clássica – Phil Mogg, Paul Raymond e Andy Parker, e mais o guitar hero Vinnie Moore a banda vêm apresentar seu novo disco SevenDeadly, além dos clássicos de mais de quarenta anos de serviços prestados ao rock. O disco, com doze novas canções, foi gravado no Estúdio Steamhammer/SPV, na Alemanha, em 2012.
A banda sempre se caracterizou por um mix de talento, carisma e experiência e pela técnica individual de seus membros, e surgiu em Londres, no ano de 1969, reunindo o vocalista Phil Mogg, o baterista Andy Parker, o guitarrista Mick Bolton e o baixista Pete Way. Nos anos 70, a bandas e distinguiu com um estilo próprio, lançando clássicos como “Prince Kajuku”,“Follow you home” e “C’mon Everybody”, em álbuns como UFO 1, Flying e UFO Live.
Em 1973, o super guitarrista alemão Michael Schenkerdeixou a banda Scorpions e se juntou a Phil Mogg e Pete Way e lançou trêsgrandes discos –Phenomenon (1974),Force It (1975) e No Heavy Pettin’ (1976), com clássicos como “Doctor Doctor”,“Shoot, Shoot” e “Rock Bottom”. Com a chegada do tecladista e guitarrista PaulRaymond, o grupo lançou mais dois discos de estúdio Lights Out (1977) e Obsession(1978), incluindo os hits “Too Hot to Handle”, “Lights Out” e “Only you canrock me”. Em 1979, é a vez do disco ao vivo Strangersin the Night, gravado com Mogg, Way, Schenker e Parker e Raymond.
Em 1993, o line-up do grupo tinha Mogg, Way, Schenker, Parker e Raymond para a gravação do disco Walk On Water, lançado mundialmente com uma tour. Durante a tour, Michael Schenker deixou o UFO, passando a trabalhar somente com seu grupo, o MSG, enquanto Mogg e Way realizam seu segundo disco Chocolate Box.
Os álbuns CovenantSharks, gravados por Mogg, Way e Schenker, chegaram as lojas em 2000 e 2002. Vinnie Moore, seguindo  os passos de Schenker, que retornou ao MSG, gravou canções em You Are Here, com Jason Bonham na bateria. Durante a nova tour mundial, UFO gravou o album ao vivo Show time,mesmo nome de seu DVD, contendo bônus. Mais tarde, Bonham fez sua despedida e o baterista original Andy Parker retorna no disco The Monkey Puzzle (2006) e seu sucessor The Visitor (2009).
Assim, com Phil Mogg, PaulRaymond e Andy Parker, a banda hoje conta com três membros originais, e ainda com o guitarrista americano Vinnie Moore – um complemento perfeito, de altíssimo nível.

UFO
Teatro CIEE (Av. Dom Pedro II, 861) – Estacionamento no local
Dia 12 de maio – Domingo
20 Horas

INGRESSOS
Platéia Gold(Filas A, B e C) = R$ 180,00
PlatéiasBaixa e Alta, Mezanino e Camarotes = R$ 150,00

Vendas nabilheteria do Teatro do Bourbon Country (Shopping Bourbon Country, de segunda àsabado, das 14 às 22 horas e domingo, das 14 às 20 horas).

Telentrega: 3231.4142 (de segunda à sexta, das 09 às 12 e das 14 às 19 horas). Taxa de R$20,00 por entrega. Entregas somente em Porto Alegre.

Vendas também no site www.ingressorapido.com.br ou 4003.1212.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

War Room: David Bowie - Let's Dance [1983]



Por Mairon Machado (MM)

Convidados: Bruno Marise (BM), Diogo Bizotto (DB) e Micael Machado (Mica)

Comemorando 30 anos de um dos principais álbuns do pop rock, o War Room desse mês apresenta as opiniões de Mairon Machado e os convidados Bruno Marise, Diogo Bizotto e Micael Machado sobre Let's Dance.

Décimo quinto álbum da carreira de David Bowie, o disco é marcado por diversos clássicos, que consolidaram a carreira do artista como um ícone pop nos anos 80, influenciando muitos grupos do estilo posteriormente.

Primeiro lugar em quase todo o mundo, Let's Dance conta com a participação de um supertime, destacando a guitarra de Stevie Ray Vaughan.
Vamos as canções

1. Modern Love

Mica: Começo me lembra sempre a música do footlloose, muito igual! Mas é um clássico do Bowie oitentista, que só não é pior que o noventista!

BM: Gostei da introdução na guitarra com a bateria dançante na sequência

MM: O riff de Carlos Alomar e a batida anos 80 identificam uma das melhores canções de Bowie pós-Berlim. Um clássico, tendo a voz esganiçada de Bowie como no início de sua carreira. Dançante, alegre e cativante, mostra uma nova face do britânico, totalmente diferente do álbum anterior (Scary Monsters (and Supper Creeds) e por diversas vezes,nos remetendo as canções anos 50, apesar da linha quadrada dos anos 80.

Mica: Clássico das festinhas de garagem nos anos 80! Anos 50? Onde? Isso é totalmente oitentista!

BM: Canção bem datada, típica dos anos 80. Interessante como ela é dançante mas ao mesmo tempo tem uma melodia triste. Gosto de como é tudo orgânico. Guitarra, baixo, bateria e safoxone. Sem sintetizadores, sem efeitos eletrônicos. Boa música.

MM: No estilo dançante da canção, com os saxofones, etc, lembra bastante os anos 50. Adoro a letra dela

DB: "Modern Love" já começa com a cara de seu produtor e guitarrista principal, o fodônico Nile Rodgers, do Chic, que já produziu uma cacetada de música boa. Um dos músicos mais importantes daquilo que se convencionou chamar disco music. Além do mais, o baterista é Tony Thompson, também do Chic. Não está no meu Top 3 do disco, mas é ótima.

Mica: Curto esse som! Não sei muito bem o porquê, mas é muito legal!

2. China Girl

Mica: Essa prefiro com seu autor, o fodástico Iggy Pop! Acho essa versão do Bowie muito certinha! Curioso como a voz dele muda da primeira para a segunda música!

BM:  É o Bowie mesmo cantando? Caramba!

MM: A versão definitiva para esse clássico de Bowie com Iggy Pop. Lançada originalmente no álbum The Idiot, aqui a guitarra de Stevie Ray Vaughan dá todo um charme com a melodia das cordas abafadas, e Bowie com sua voz grave imitando o estilo de Pop cantar. Incrível como ele consegue alternar sua voz entre agudos e graves, e a partir daqui, ele praticamente adota o grave como sua voz. Vamos admirar essa obra-prima

Mica: Bateria quadrada pacas! Baixo bem dançante! O dedo do Chic se faz presente aqui também!

MM: O que torna a canção mais do que chamativa Micael. E vale lembrar, estamos em 1983. Muito do pop que veio depois saiu daí.

Mica: Para o bem e para o mal!

MM: Esse solo de Vaughan tem todas as letras de UM SOLO DE VAUGHAN. Melodico, palhetadas, swingue, enfim, UM SOLO DE VAUGHAN

DB: Clássico com "C" maiúsculo, e, pra mim, certamente melhor que o registro feito por Iggy Pop. Endosso o que o Micael disse e adoro a versatilidade vocal de Bowie, que fica explícita nessa canção. Adoro o guitarrista Carlos Alomar, que vinha acompanhando Bowie nos discos anteriores, mas união de Nile Rodgers com Stevie Ray Vaughan revelou-se sensacional. Não posso deixar de destacar também o baixista Carmine Rojas, que dá show. Olha esse solo do Vaughan, que fantástico... Simples e delicado, da maneira que a música pede

MM: Cara, essa música além de ser muito boa tem uma sensualidade incomum nas canções de Bowie. A mulherada se ouriça toda ...

Mica: O baterista ainda é o Tony Thompson? Para um cara do nível dele, decepcionante essa linha retona....

BM: Belíssima versão da original de Iggy Pop. Cozinha firme e dançante, com um trabalho sensacional de Ray Vaughan. O que mais impressionou foi a mudança brusca no vocal do Bowie, que assume um tom mais grave, chegando bem próximo de Iggy.

DB: A bateria é alternada entre Tony e Omar Hakim, Micael.

BM: Mas a linha faz parte da canção eu acho. Ela segura o ritmo bem

3. Let's Dance

Mica: Outro clássico da carreira de Bowie, mantendo a linha dançante do disco até aqui! Quem iria imaginar, ouvindo o Bowie do começo dos 70's, que ele gravaria algo assim! Esse cara é um camaleão mesmo!

MM: Mais outro clássico. Difícil achar um disco que comece tão bem quanto Let's Dance, e essa sequência é simplesmente soberba. Tenho um bootleg que mostra a construção do álbum, e dessa faixa como uma das principais. A guitarra de Stevie Ray Vaughan, a intervenção dos metais, a voz grave de Bowie e as diversas vocalizações são o que há de melhor no pop de Bowie. Fora também que é sensual pacas!! Sua versão editada limou muito do "tesão" da canção, que está essencialmente nas linhas da guitarra de Stevie Ray Vaughan. Ainda bemq que o vinil nos apresenta mais uma obra-prima na íntegra. Micael, ele para mim é um dos cinco gênios do rock do século passado, ao lado de Zappa, Dylan, John Lennon e Brian Jones

Mica: Realmente, todas as músicas até aqui tem um toque "sensual", em muito por causa do ritmo dançante! Opiniões, quem não as tem?

DB: Olha isso, rapaz... Que coisa linda ver Bowie fazendo uma canção explicitamente pop desse calibre. Levando em conta sua genialidade pouco discutível, parece coisa feita de propósito para provocar aquele tipo de fã idólatra, que ele tem aos montes. Essa versão presente no disco, mais longa que a que foi editada em single, parece ter sido feita especialmente para as pistas de dança, carregada nos metais e na pecussão, além do andamento balançado de Carmine Rojas sobre a base sólida de Tony Thompson.

Mica: E os toques de percussão? Casaram muito bem! Curioso que essa parece o remix, e a single seria a original!

MM: Ta certo que eu gosto dos "hômi" para caralho, mas Stevie Ray Vaughan e David Bowie são o centro das atenções aqui. Somente na parte percussiva é que temos uma mudança.

Mica: Parece ser o remix, quero dizer!

MM: Micael, ela foi construída assim mesmo. Não é um remix

Mica: Eu sei, mas, se compararmos com os remixes da época, principalmente a parte percussiva com os ecos e tal parece um remix! Curioso vocês destacarem tanto o trabalho de Stevie Ray Vaughan! Eu não consegui ouvir essa maravilha toda ainda!

BM: Um exemplo de como fazer um pop de bom gosto. Linhas de baixo extremamente dançantes, melodias de primeira e as intervenções de Ray Vaughan deixando tudo ainda melhor. Aqui o instrumental rouba toda a cena ainda com toques percussivos, sintetizadores e metais.

MM: Bah, o cara ta destruindo Micael

DB: Destaque para a produção de Nile Rodgers. Apesar de ser um disco pop, todos os instrumentos soam bem "na cara", não apenas a voz de Bowie. A caixa de Tony golpeia na cara e o baixo dá direto no estômago.

4. Without You 

MM: Balada emotiva que fecha o lado A em alto estilo. A voz de Bowie está diferente de tudo o que ouvimos, lembrando um pouco a utilizada em "Be My Wife", mas muito pouco. Outra letra muito boa, e acho que caiu muito bem a inclusão de "Without You" depois de três pérolas, até para acalmar os ânimos.

DB: Olha a versatilidade vocal do cara: parte de um gravezão fodido nas anteriores para um delicado falsete nessa, que não é tão boa quanto as anteriores, mas que destaca o trabalho delicado das guitarras, tanto base quanto solo.

MM: É interessante que o Carlos Alomar pouco aparece nesse disco.

DB: Lembrando que vocês estão citando tanto Stevie Ray Vaughan, mas não esqueçam que Nile Rodgers também toca guitarra no álbum.

Mica: Aqui as guitarras têm mais destaque mesmo, mas essa base retona me enerva! A voz não está "tão" diferente assim, ainda tem partes graves e tal! Não me agradou!

MM: Sim, mas é perceptível a guitarra de Vaughan.

BM: Que versatilidade na voz o tio Bowie tem! Depois de timbres mais rasgados e graves, o cara encarnou um falsete. Faixa que dá uma abaixada na poeira depois do racha assoalho da música anterior. Bela balada.

5. Ricochet

MM: Adoro essa faixa. Patacaparéu, que som legal. O ritmo percussivo, a voz grave de Bowie, as vozes com efeitos. Ele estava no mínimo uns 15 anos a frente quando gravou isso. Quantas bandas dos anos 90 fizeram algo parecido com isso? Umas 500. Nessa, a guitarra de Nile Rodgers é mais clara

Mica: Começou até interessante. Quando estava começando a encher, teve essa mudança! Coisa de quem sabe compor!

DB: Ricochet tem linhas vocais bem atípicas e soa toda "errada" em relação às anteriores, fato que acaba sendo positivo, pois mostra que a criatividade do cara continuava afiada mesmo em um disco com uma proposta tão diferente.

Mica: Gostei do ritmo mais percussivo, mas acho curioso a bateria ser tão "retona" em todas as músicas, e, embora não seja repetitiva, determina um padrão para a composição e não muda nem a pau! Realmente, ela soa "errada", como se estivesse fora do tempo! Bem interessante! Parece as coisas de World Music que viriam depois!

BM: Não gostei muito da cadência de "Ricochet". Aqui temos a guitarra mais "funkeada" de Nile Rodgers e a bateria é que dita os rumos. Interessante as intervenções de metais.

DB: Acredito que essa suposta retidão da bateria tenha ocorrido meio que propositalmente, Micael, afinal, tínhamos dois caras (Rodgers e Bowie) no controle, determinando o direcionamento do disco. Não é um disco "de banda", manja?

MM: Esse solo do Vaughan no final é muito bom.

Mica: Sim, mas, na época, era comum a cozinha ser "reta"! O que acho um desperdício visto os músicos envolvidos!

BM: Mas no estilo proposto do disco não tem muito como fugir disso. O esquema é cozinha grooveada e dançante.

6. Criminal World

Mica: PQP, quantas vozes esse cara possui? Tá de brincadeira!

MM: Coverzinha que o Bowie fez para homenagear a banda Metro. Nile Rodgers soberano no riff, e aqui sim, mergulhamos nos anos 80. Até as bandas brazucas dizeram algo nessa linha, com esses teclados e sintetizadores. Excelente, principalmente pela levada após o primeiro minuto. Bowie sussurrando e exalando sensualidade. Cheia de variações, é Genialidade com G maiúsuculo!!! Stevie Ray Vaughan tocava PACAS!!!!!

Mica: Essa eu não conhecia, mas é tão boa quanto as primeiras, muito boa, mais veloz e com a guitarra mais à frente!

MM: Por que o Tonight não é tão bom quanto esse disco??  A versão da Metro não tem graça

Mica: Não conheço a original. Aqui sim pude ouvir um pouco da genialidade do Stevie Ray Vaughan!

DB: O vocal de Bowie nessa música me lembra seu registro em "Ashes to Ashes", que é sensacional. O solo de Vaughan é excelente, além de sua timbragem ser perfeita. Aliás, todos os instrumentos soam muitíssimo bem. Não conheço a versão original da fixa.
MM: Sim Diogo, bem parecido mesmo

Mica: Lembra mesmo, Diogo!

BM: Que groove essa cozinha manda! Patcha que parola! Os sintetizadores dão o clima sem atrapalhar. Vaughan mandando outro solo simples e cativante. Não conheço a versão original também.

Mica: Stevie Ray Vaughan mandando muito bem!

7. Cat People (Putting on the Fire)

Mica: Introdução que lembra muito Joy Division

MM: PARA TUDO!!! O MUNDO ACABOU!!!  Pelo menos deveria ter acabado, depois que Bowie reconstruiu esse sonzaço que ele fez para a trilha do filme homônimo.

BM: Até a voz de Bowie tem o mesmo timbre de Ian Curtis

MM: Uma introdução estranha repleta de sintetizadores, e Bowie com essa voz grave saindo de dentro de um túmulo. QUE QUE É ISSO?? Bowie extrapolou os limites do bom senso de uma canção, e fez algo ainda melhor.

Mica: A mim lembrou o lado B do "Heroes", ou seja, o mesmo que o Joy Division, que se baseou muito neste clássico do Bowie! Tinha de ter mais baixo para ser Joy Division!

BM: Sim.

Mica: Ah, mudou, que pena!

DB: Que música, meus amigos!!! Nunca vou esquecer a cena do filme "Bastardos Inglórios" em que essa canção é utilizada. Apesar da película se passar na década de 40, a canção soou muitíssimo bem encaixada e fez todo o sentido do mundo.

BM: Rapaz, que sonzeira!

MM: Micael, não seria o lado B do Low???

Mica: Isso, isso... eu não conheço muito Bowie mesmo! Voltamos ao ritmo funkeado das anteriores, mas com mais qualidade que a 4 e a 5!

BM: Eu lembro da cena de Bastardos. Sensacional!

Mica: Eu ainda não vi esse filme, podem jogar as pedras!.

MM: Agora, a entrada da banda muda tudo!! Sonzeira do capeta. Pena a bateria ser tão quadradinha (Omar Hakim, você podia ter feito melhor), mas não tem, o crescendo da canção é incontrolável, e é difícil segurar o corpo enquanto estou ouvindo essa obra-prima. Olha a participação do órgão!! As vozes, as guitarras, tudo soa perfeito.

DB: Nem sei muito o que ficar destacando. Melhor música do disco, execução perfeita dos instrumentistas, Bowie arrasando (pra variar), produção calibradíssima... E esse Vaughan, meus amigos??? Sen-sa-cio-nal!

MM: Eu prefiro essa versão que a versão original. Quando o Peter Frampton tocou com o Bowie na turnê do Never Let Me Down, ela ficou mais pesada, mas muito boa também. No Bastardos Inglórios, lagrimas brotaram em tal cena!

Mica: Boa composição, mas prefiro a anterior (os clássicos são hours concours)!
MM: Esse final é assustadoramente arrepiante

BM: Melhor canção do álbum. A introdução lembra bastante Joy Division, principalmente pelos sintetizadores e as pancadas percussivas com a voz de Bowie soando extremamente grave. Após criar toda essa atmosfera melancólica, a banda mete o pé na porta com um funkão sensacional. Uma obra-prima absurda.

MM: Um solinho de guitarra sintetizada para concluir tudo, e estamos quites ...

Mica: A intro gera uma expectativa, e depois muda completamente, te deixando com uma cara de "o que aconteceu aqui". Boa composição!

8. Shake It

Mica: Essa parece cópia de "Let's Dance"! A base é bem parecida! Foi proposital?

DB: "Shake It" é boa, mas tendo sido precedida por "Cat People", fica quase impossível chegar no mesmo nível. Tivesse acabado na anterior, Let's Dance se encerraria no Olimpo musical!

Mica: Me vem à mente tanta coisa ruim dos anos 80 neste momento!

MM: Depois de tudo o que ouvimos, os sintetizadores tomam conta. A mais fraca, com o mesmo ritmo de "Let's Dance". Uma experimentação vocal e eletrônica, seguindo a linha o que fora gravado em Lodger. Uma despedida para a fase Berlim, e um anúncio do que viria depois com Tonight e Never Let Me down. Concordo com O Diogo, se tivesse acabado em Cat People, seria perfeito

Mica: É Bowie influenciando tanto os bons quanto os ruins!

BM: Última faixa bem "disco", com cozinha dançante e clima oitentista exalando. Sintetizadores por todos os lados. Boa música mas depois do ápice com "Cat People" fica difícil manter o nível. Mesmo assim encerra o disco de maneira justa.

Mica: Ainda está na metade, mas meu veredito já está pronto: desnecessária!

Considerações Finais

MM: Um dos cinco discos essencias na carreira de Bowie, ao lado de Station to Station, Ziggy Stardust, Space Oddity e Low. Um gênio mostrando como se fazer música pop sem soar chato.

DB: Let's Dance é, com méritos, o disco mais bem sucedido de toda a carreira de Bowie. Outros podem ter sido mais influentes e infinitamente mais adorados pela crítica, mas nenhum outro teve o objetivo tão claro de ocupar o posto mais alto das paradas musicais pelo mundo. Não sei se o coloco entre meus cinco preferidos do cara (provavelmente não), mas gosto demais do álbum, e "Cat People" é um absurdo.

MM: Incrível a variação de vozes de Bowie nesse álbum, acho que é o que ele mais usou disso

Mica: Não sou um profundo conhecedor de Bowie, mas com certeza prefeiro a fase setentista, Ziggy principalmente. Mas é um disco digno para a época, que com certeza influenciou muito do que veio depois. As três primeiras faixas são clássicas e indiscutíveis, mas "Criminal World" e "Cat People" me surpreenderam! Pena ser tão marcado como um disco dos anos 80 (timbres, tons e ritmos), o que o torna quase datado hoje. Mas, ainda assim,m vale a audição!

DB: Trata-se de um disco maduro, de quem já havia adquirdo muita experiência e tem liberdade para fazer o que bem entende de sua carreira, sem partir da premissa de ter que agradar fãs. Sei que pode soar estranho, mas aplaudo Bowie por ter feito um álbum explicitamente pop, levando em conta tudo aquilo que o precedia.

Mica:  Pop, mas com qualidade! Sim , isso existe!

BM: Sou um fã incondicional do Bowie mas confesso que não conhecia nada do cara após a trilogia Berlin. Tinha um certo preconceito com essa fase oitentista, mas rapaz que surpresa boa. Não devia ter subestimado o Camaleão. Em uma época em que o termo "gênio" está tão banalizado, fica até complicado empregá-lo. Mas em se tratando de Bowie dá pra dizer sem medo: Que gênio absurdo! O cara é um monstro em todas as fases que se aventurou. Let's Dance é sinônimo de pop de qualidade. Destaque para a versatilidade vocal de Bowie, e a sensacional banda. Cat People é daquelas músicas de ficar atordoado depois que a agulha cessa, a melhor faixa do disco. Só tenho a agradecer ao Bowie por me proporcionar tanto prazer ao ouvir seus discos.

MM: Uma pena que ele demoraria 15 anos para fazer algo tão bom, apesar de eu gostar do Tin Machine. Quero agradecer imensamente a colaboração de vocês, e até a próxima

Mica: Valeu o convite, Mairon! Até a próxima!

DB:  Abraços!

BM: Valeu Mairon.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Maravilhas do Mundo Prog: Pink Floyd - Shine on You Crazy Diamond [1975]

Pink Floyd - Wish You Were Here - Front

A sequência de Maravilhas Prog que o Pink Floyd criou a partir de "Atom Heart Mother" é uma das raras oportunidades de conhecermos sobre o rock progressivo. Em três álbuns seguidos, vieram pérolas que elucidam o que há de melhor dentro do estilo, ou seja, "Atom Heart Mother" (do álbum de mesmo nome, em 1970), "Echoes" (de Meddle, 1971) e "The Great Gig in the Sky" (de Dark Side of the Moon, em 1973).
Seria o grupo capaz de manter a série? Óbvio que tratando-se de Roger Waters (baixo, vocais, sintetizadores), David Gilmour (guitarra, vocais, baixo, sintetizadores), Rick Wright (teclados, vocais, sintetizadores) e Nick Mason (bateria, percussão) essa resposta é simples: SIM.
 
A quarta Maravilha Prog em sequência veio em uma emocionante homenagem para o fundador do grupo, o guitarrista Syd Barrett, e foi registrada no álbum Wish You Were Here, lançado em 1975. Neste disco, o grupo aprofundou ainda mais suas experimentações com sintetizadores e vocalizações, as quais haviam começado em Dark Side of the Moon. Com exceção da faixa-título, todas as demais canções contam com pelo menos um sintetizador fazendo o solo principal, algo que não era comum aos sons do Pink Floyd. Por conta disso, é notável a importância de Wright para esse álbum especificamente, fato explicado por ele ser o mais próximo a Barrett dentre os membros do Floyd. Outro detalhe importante é que a partir dele, Waters praticamente abandona o baixo durante as gravações, deixando para Gilmour executar as partes. Somente na nossa Maravilha Prog que ele participa diretamente tocando o instrumento, e em alguns momentos, ao lado de Gilmour.
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Roger Waters, Nick Mason, Rick Wright e David Gilmour, em 1975
Mas antes de chegarmos a ela, contamos um pouco da história por detrás de Wish You Were Here. Concebido como um disco em homenagem à Syd Barrett (que já havia sido homenageado com "Brain Damage", em Dark Side of the Moon), o álbum começou a ser gravado no início de 1974, nos estúdios King's Cross, em Londres. Na turnê que o grupo fez nesse mesmo ano 1974, antes do lançamento do novo álbum, algumas canções inéditas começaram a aparecer, e o público começou a se deparar com um novo Pink Floyd em cima do palco, muito mais concentrado em tocar do que em encantar com luzes ou algo do gênero.

A curiosidade maior nesse período é o fato de que nenhum dos membros da banda sabia se o grupo deveria seguir. Atingido o sucesso maior com as vendas de Dark Side of the Moon, todos estavam com muito dinheiro, carros, esposas maravilhosas e sem expectativa de se deveriam seguir ou não. Jovens, entre vinte e nove e trinta e dois anos, passaram por um doloroso processo de absorveção do sucesso, que culminou com vaias e críticas pesadas as novas apresentações do grupo, parte por que as canções eram muito diferentes do que já haviam sido feitas anteriormente (principalmente no experimentalismo eletrônico de Dark Side of the Moon), parte por que realmente, nenhum deles estava mais interessado em subir no palco. "O fim está próximo!", chegou a dizer Waters após um show em Wembley.

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Yoga no lago Mono, ilustrando encarte de Wish You Were Here
Um ano depois do início das gravações, em meados de janeiro de 1975, novamente voltam a se reunir, agora nos estúdios da Abbey Road, e o que se viu nos palcos foi visto nos estúdios. Praticamente, os únicos interessados eram Wright e Waters, com Mason e Gilmour ficando dias sem aparecer, passando o final de semana com a família ou dedicando-se a uma nova paixão: o squash.

Isto frustrava bastante não só a gravadora Columbia, mas também o produtor Brian Humpries, e principalmente, a Waters. Muito do "domínio" que Waters veio a ter sobre o grupo posteriormente surgiu justamente por ele ter sido o que mais se empenhou para manter o nome do grupo na ativa após Dark Side of the Moon, com a companhia inseparável de Wright. 

Lançado em setembro de 1975, Wish You Were Here rapidamente alcançou a primeira posição nos Estados Unidos e no Reino Unido, vendendo mais de vinte milhões de cópias ao redor do mundo, e abre exatamente com a nossa maravilha prog. Ela surgiu de uma simples sequência de apenas quatro notas na guitarra, criada por Gilmour, e que levou Waters a criar uma das mais belas letras que o rock progressivo forneceu em sua história. A ideia, era homagear Syd, o guitarrista fundador da banda que havia desaparecido tanto dos palcos como dos estúdios e da vida dos ex-colegas de banda. Depois  de sair do Floyd, em 1968 Syd registrou Madcap Laughs e Barrett, ambos em 1970, e depois, literalmente sumiu do mapa.
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Pink Floyd on the sand
Batizada de "Shine On You Crazy Diamond", esta é a maior suíte do Pink Floyd, com mais de vinte e seis minutos de duração. Na letra, Waters exala toda a sua admiração pelo guitarrista, além também de uma profunda tristeza por não ter a presença do amigo ao seu lado. Projetada inicialmente para ocupar todo o Lado A do álbum, ela acabou sendo dividida, e ficou ocupando os sulcos do vinil tanto no início do Lado A quanto no encerramento do Lado B.
Nossa maravilha surge melancólicamente, com um longo acorde em Gm feito pelos sintetizadores. Sobre esse longo acorde, Wright executa tímidas notas com o sintetizador ARP String, que se tornaria marcante nesse e no álbum seguinte do Pink Floyd. Após essas tímidas notas, ainda sob o efeito do longo Gm, Gilmour passa a solar angelicamente, e então, os acordes dos sintetizadores alternam-se, ao mesmo tempo que Gilmour continua fazendo um dos solos mais belos de sua carreira.
A parte II inicia com o mesmo longo acorde em Gm, enquanto Gilmour executa apenas quatro notas na guitarra, que se tornaram épicas, símbolos de um dos mais importantes riffs do rock progressivo (assim como é o de "Smoke on the Water" do Deep Purple ou o de "Paranoid" do Black Sabbath). Mason surge, trazendo o baixo e o órgão hammond, e as notas da guitarra vão construindo o andamento da canção. Somos então apresentados ao tema básico de "Shine On You Crazy Diamond", um leve e emocionante blues, criado pelas quatro notas da guitarra, o acompanhamento do órgão, baixo e bateria, e em cima dele, Gilmour desfila seus dedos suavemente, sem virtuosismo, apenas extraindo das cordas da guitarra o mais doce dos solos que pode ser executado por suas mãos.
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Carlena Williams e Venetta Fields
O solo ganha vibratos, uma leve distorção, pequenas variações com a alavanca, e somos levados ao maravilhoso solo de Wright com o ARP String, que abre a terceira parte de "Shine On You Crazy Diamond". É de chorar essa introdução. As notas de Wright, de tão simples, parecem serem enviadas por um Deus que criou tal melodia, e junto com o acompanhamento bluesístico, facilmente somos embriagados pelos ouvidos.
Por fim, Gilmour retorna, fazendo um solo um pouco mais vigoroso, abusando dos bends, mas ainda assim, muito suave, encerrando a terceira parte da canção.
Waters começa a cantar a famosa frase "Remember when you're young you shone like the sun. Now there's a look in your eyes like black hole sin the sky", abrindo a quarta parte da suíte, que narra momentos do passado e do presente de Barrett. O andamento bluesy continua, e aqui, o grande destaque é o sensacional arranjo vocal entoando o nome da canção, que conta com a colaboração de Carlena Williams e Venetta Fields.
Gilmour executa um breve solo baseado em cima de um tema elaborado por guitarra, baixo e órgão, e a letra continua, contando sobre os delírios de Barrett, e novamente, arrepios brotam naturalmente de seu corpo devido as maravilhosas vocalizações.
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Dick Parry
O solo de Dick Parry no saxofone é a principal atração da quinta parte, começando lentamente com o sax soprano, tendo apenas o andamento bluesy ao fundo e um espetacular dedilhado de Gilmour. Mason pouco a pouco aumenta o ritmo da canção, e então o solo explode em um estupefante grave do saxofone tenor, com baixo e bateria fazendo a marcação cavalgante enquanto Gilmour dedilha sua guitarra, encerrando apenas com um longo acorde de sintetizador e Parry fazendo estripulias no saxofone, quase que em um free jazz.
O álbum aqui entra em "Welcome to the Machine", que encerra o lado A com uma bela composição misturando violões e sintetizadores, destacando a introdução elaborada por Waters, sobrepondo diversos sintetizadores com diferentes ruídos, criando um clima futurista muito viajante. O Lado B abre com a pesada "Have a Cigar" (cantada por Roy Harper, criticando fortemente a indústria fonográfica da época e que é um embrião do que viria a se tornar o projeto The Wall), a clássica "Wish You Were Here", e então, voltamos à nossa Maravilha Prog, com ventos abrindo a sexta parte da suíte após o final da faixa-título.
A marcação do baixo de Gilmour aparece, trazendo o baixo de Waters em um tom mais grave, e camadas de sintetizadores ao fundo. Guitarra e bateria entram, abrindo espaço para Wright solar com o ARP String, abusando de efeitos no mesmo. O andamento é lento, quase em um clima de filme científico, com muitas camadas de sintetizadores, mas aos poucos, vamos reconhecendo a melodia central de "Shine On You Crazy Diamond".
Gilmour passa a solar no slide, e o ritmo aumenta, voltando a ser o mesmo do final da Parte V. Os uivos da slide guitar são impressionantes, remetendo-nos claramente a "One of These Days", e Mason manda ver nos pratos e na caixa, além do baixão de Waters retumbar pelo recinto.
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O quarteto, sentindo o brilho do sol

Repentinamente, a guitarra então retorna com o tema central, entrando na Parte VII, que encerra a letra da suíte, dizendo "Nobody knows where you are how near or how far" e dizendo dos sentimentos e da falta que Barrett está fazendo aos amigos, na mesma melodia que ouvimos na Parte IV, com as mesma vocalizações.
Encerrada a letra, chegamos na Parte VIII, a qual começa com o dedilhado da guitarra, o mesmo que aparece no início da Parte V, e vira um delicioso funk, contando com Waters na guitarra, e Wright soltando-se nos estúdios, brincando no órgão com um belo solo, delirando com o moog e soltando a mão nos sintetizadores, enquanto o funk pega ao fundo.
Levemente, chegamos na última parte de "Shine On You Crazy Diamond", com as camadas de sintetizadores sendo ouvidas por mais de três minutos. Quem comanda as ações aqui é apenas Wright, solando com o moog, cativando com os acordes do piano e viajando nas longas notas do sintetizador. Claro que o divino acompanhamento de baixo e bateria auxiliam ainda mais na pesada dose emocional exalada pelos poros do vinil nesses últimos três minutos do álbum, mas é Wright o responsável por arrancar suas lágrimas, fazendo o moog chorar palavras divinas, que nenhum ser-humano conseguiria reproduzir, encerrando essa Maravilhosa canção com um longo acorde do sintetizador, e as notas do moog saltitando alegremente por nossas caixas de som.
Syd Barrett Wish You Were Here Sessions
Syd Barrett, em junho de 1975

Para completar, vale lembrar a famosa visita de Syd aos estúdios Abbey Road durante a gravação de Wish You Were Here. Durante três dias de agosto de 1974, Syd tentou inultimente gravar material para um novo álbum, ao lado do produtor Peter Jenner e também como auxílio de Gilmour. Foram momentos tensos, nos quais Syd estava muito obeso e com uma longa barba. Daquele dia em diante, ninguém sabia do paradeiro do guitarrista.

Até que chegou o dia 5 de junho de 1975, dia esqte no qual Waters e cia. estavam concluindo a mixagem de "Shine On You Crazy Diamond". Eis que eles receberam uma visita mais do que inesperada. O primeiro a ver o cidadão foi Mason, que olhou para a pessoa, gorda e careca, e não teve nem ideia de quem era. Os outros começaram a chegar, e apesar de perceber a presença do cidadão entre os aparelhos de estúdio, ninguém fez questão de saber quem era o mesmo.

Foi então que, depois de muito tempo, Waters perguntou a Nick: "Você o reconhece?". Mason não reconheceu, e Waters então disse: "É Syd!". Todo o trabalho parou com aquela frase. Traumatizados, membros e produtores sentaram e ficaram admirando a figura gorda e pálida de Syd, que em nada lembrava o jovem conquistador de garotas do início do Pink Floyd. Waters e Gilmour cairam em prantos, e dirigiram--se ao amigo com medo e tristeza. Esta foi a última vez que Syd foi visto pelo quarteto.

WishYouWereHereBag

O pacote externo de Wish You Were Here

Outro ponto a se destacar é sobre a capa do álbum. As figuras apertando as mãos são pessoais reais, e a foto foi feita em um estúdio da Warner Bros., em Hollywood. Ronnie Rondell e Danny Rogers foram os atores da foto, sendo que Rondell é o rapaz loiro no qual foi ateado fogo. Foram quinze sessões de "ateamento de fogo", até que a imagem fosse obtida. Mas, para surpresa geral da gravadora, a foto da capa só viria a aparecer após o fã abrir um pacote especial feito para o álbum, na qual uma pequena etiqueta com o nome do álbum e da banda era estampada sobre um fundo totalmente preto. Essa versão inicial é muito rara, assim como rara é a beleza de nossa Maravilha Prog, a qual não foi a última elaborada pelo Pink Floyd.

Apesar de a partir de aqui o quarteto ter entrado em crise, a sequência não parou, como veremos em quinze dias, com a épica e maravilhosa "Dogs".



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Los Hermanos - Los Hermanos [2012]




No ano de 2012, o retorno aos palcos do grupo carioca Los Hermanos, para comemorar seus quinze anos de formação, foi celebrado e visto por milhares de pessoas, inclusive com o Consultoria do Rock cobriu dois shows da turnê comemorativa, os quais foram realizados nas datas de 12 e 13 de maio em Porto Alegre. 

Mas não foram só os shows que marcaram o retorno (apesar de temporário) do quarteto formado por Marcelo Camelo (vocais, guitarra, baixo, percussão), Rodrigo Amarante (vocais, guitarra, baixo, percussão, flauta), Rodrigo Barba (bateria) e Bruno Medina (teclados). 

A gravadora Polysom, através da série Clássicos em Vinil 180 gr, lançou no mercado a caixa Los Hermanos, que contém nada mais nada menos que os cinco CDs oficiais do grupo no formato LP, distribuídos em cinco vinis, sendo três deles duplo, e com todos os LPs de estúdio trazendo encarte com as letras.



Os cinco LPs da caixa Los Hermanos

Com a prensagem em 180 gr, o som torna-se muito mais claro, e assim, podem ser conferidas as pérolas que o grupo lançou no final dos anos 90 e início dos anos 2000, levantando a carreira do grupo e garantindo o status como uma das principais bandas da era moderna no rock nacional.



Los Hermanos

O vinil de Los Hermanos (1999) apresenta a clássica "Anna Julia", e vem no formato simples, até mesmo por possuir pouco mais de trinta minutos de duração. Mantendo a arte original, inclusive com o selo do CD sendo o selo do LP, é uma pancadaria atrás da outra, do qual destacam-se "Tenha Dó", "Pierrot", "Azedume", "Bárbara" e "Lágrimas Sofridas". Apesar de "Anna Julia" e "Primavera" terem virado hits na época, não condizem com a potência sonora desse belo álbum. Lembrando que esse é o único álbum do grupo com o baixista Patrick Laplan.



Bloco do Eu Sozinho

Bloco do Eu Sozinho (2001) é outro que mantém a arte original, apesar dos encartes não serem impressos em papel reciclado (como foi com a primeira e rara versão do CD). Inclusive, podemos montar o boneco Clóvis igualzinho como é no CD. Nesse álbum, lançado aqui em formato duplo, a sonoridade do grupo modifica-se, e Amarante ganha espaço. Conhecidas ficaram "Todo Carnaval Tem Seu Fim", "Sentimental", "Retrato Pra Iaiá" e "Fingi Na Hora Rir", mas é possível cavucar preciosidades como "Tão Sozinho" e "A Flor", que nos remetem diretamente ao primeiro álbum, além das belas "Cher Antoine" e "Veja Bem Meu Bem".



Ventura

Ventura (2003) é o mais aclamado dos álbuns do grupo. Lançado depois de muita polêmica (já que o álbum caiu nas redes sociais antes de chegar às lojas), traz clássicos como "O Vencedor", "Cara Estranho", "Último Romance" e "Além do Que Se Vê", e vem acompanhado de diversas canções que tornaram-se presentes nos shows do grupo a partir de então, como "Um Par", "Conversa de Botas Batidas", "A Outra" e "O Velho e o Moço". Particularmente, é nele que está uma das melhores canções do grupo, "Do Lado de Dentro". É com este álbum, aqui também no formato duplo, que o grupo foge de vez da marca "Anna Julia" e conquista um novo mercado entre os jovens do país. Na arte, o bonito barco que era montado com a capa original aparece dentro da capa dupla, inteiro. Óbvio que seria esperar demais o lançamento em vinil para se montar a capa, mas igual, fica uma pontinha de frustração.



4
Se Ventura é o mais aclamado, (2005) é talvez o mais conturbado disco do grupo. Depressivo, na época foi jogado as traças pela imprensa especializada, mas os fãs adoraram a mudança na sonoridade. Tirando as alegres "Paquetá" e "O Vento" (a última chegou a ser tema de abertura da série global Malhação), o resto do disco é uma cortação de pulsos magnífica, que faz do álbum o melhor na carreira do Los Hermanos na opinião desse que vos escreve. Canções como "Horizonte Distante", "Dois Barcos", "Sapato Novo", "Os Pássaros" e "Primeiro Andar" são chocantes, arrepiantes e emocionantes. Uma obra prima que, para quem não conseguiu a versão original lançada em vinil simples em 2005, e que era vendida apenas nos shows, agora pode se esbaldar ouvindo essas pérolas no seu toca discos, também em vinil simples e com a mesma arte.


Na Fundição Progresso - 09 de junho de 2007

Complementa a caixa o álbum Na Fundição Progresso - 09 de junho de 2007 (2008), gravado ao vivo e que marcou o último show do grupo antes da pausa. No CD, ficaram de fora diversas canções que aparecem no DVD, mas mesmo assim, o LP duplo contém joias ao vivo, como Camelo se esgoelando em "Dois Barcos" e "Cara Estranho", e a sensacional "Anna Julia", com a plateia enlouquecida cantando cada palavra da canção.


O único probleminha nessa bela caixa é o salgado preço da mesma. Não sei por que as gravadoras decidiram que vinil é coisa cara, e lançam os mesmos com valores altíssimos. Os cinco LPs foram lançados em edições individuais, e cada um está na média de R$ 80,00 nas lojas. A caixa é possível de ser encontrada por R$ 300,00 em média. Um valor alto, que poderia facilmente ser diminuído, mas, como a tiragem é de apenas 1000 cópias, talvez por isso a Polysom esteja se aproveitando da situação.



Todo o material contido na caixa Los Hermanos

Lembrando que a mesma caixa também saiu em CD, apenas com o DVD de Na Fundição Progresso - 09 de junho de 2007 substituindo o LP de mesmo nome, além dos demais quatro CDs do grupo.


Track list.


Disco 1: Los Hermanos

1. Tenha Dó

2. Descoberta
3. Anna Julia
4. Quem Sabe
5. Pierrot
6. Azedume
7. Lágrimas Sofridas
8. Primavera
9. Vai Embora
10. Sem Ter Você
11. Onze Dias
12. Aline
13. Outro Alguém
14. Bárbara


Disco 2: Bloco do Eu Sozinho

1. Todo Carnaval Tem Seu Fim
2. A Flor
3. Retrato pra Iaiá
4. Assim Será
5. Casa Pré-Fabricada
6. Cadê Teu Suín-?
7. Sentimental
8. Cher Antoine
9. Deixa Estar
10. Mais Uma Canção
11. Fingi Na Hora Rir
12. Veja Bem Meu Bem
13. Tão Sozinho
14. Adeus Você







Disco 3: Ventura

1. Samba a Doir
2. O Vencedor
3. Tá Bom
4. Último Romance
5. Sétimo Andar
6. A Outra
7. Cara Estranho
8. O Velho e o Moço
9. Além do Que Se Vê
10. O Pouco que Sobrou
11. Conversa de Botas Batidas
12. Deixa o Verão
13. Do Lado de Dentro
14. Um Par
15. De Onde Vem a Calma






Disco 4: 4

1. Dois Barcos
2. Primeiro Andar
3.  Fez-se Mar
4. Paquetá
5. Os Pássaros
6. Morena
7. O Vento
8. Horizonte Distante
9. Condicional
10. Sapato Novo
11. Pois É
12. É de Lágrima

Disco 5: Na Fundição Progresso - 09 de julho de 2007

1. Dois Barcos
2. Primeiro Andar
3. Além do Que Se Vê
4. Retrato Pra Iaiá
5. O Vento
6. O Vencedor
7. O Último Romance
8. A Outra
9. O Velho e o Moço
10. Sentimental
11. Cara Estranho
12. A Flor
13. Anna Júlia
14. Todo Carnaval Tem Seu Fim
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